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mz/nampula-e-o-epicentro-do-crime-de-branqueamento-de-capitais

autor: Ricardo Machava

2018

Os crimes de branqueamento de capitais mais conhecidos por lavagem de dinheiro estão


cada vez comuns em Moçambique e em termos de processos em investigação a nível
nacional, a província de Nampula está no topo, com 17 processos, dois dos quais já foram
remetidos ao tribunal para julgamento.

A porta-voz da Procuradoria provincial de Nampula, Hermínia Xavier da Barca, não


encontra explicação para o crescimento daquele tipo de crime em Nampula, mas lembra
que geralmente o branqueamento de capitais é acompanhado de outros crimes conexos,
"como deve saber, em situações de raptos que são exigidas depois, como condição para
soltar as pessoas, avultadas somas de dinheiro que a posteriori tem que ser integrado no
sistema financeiro normal, acaba passando por essa dissimulação. Fora isso, temos
situações de tráfico de vária ordem: o tráfico internacional de pessoas, ilícitos de armas e
vários outros que podem acontecer, até mesmo as evasões fiscais".

Na cidade de Nampula, há várias particularidades que podem ser a fonte de avultadas


somas de dinheiro ilícito, uma delas é a existência de uma grande actividade ilegal de
pedras preciosas e semi-preciosas envolvendo nacionais e estrangeiros, sem deixar de
lado a exploração ilegal do ouro que abunda em muitos distritos.

A Lei de Branqueamento de Capitais e Financiamento ao Terrorismo (14/2013, de 12 de


Agosto) explica que a lavagem de dinheiro consiste, em linguagem mais acessível, na
transformação de dinheiro conseguido de forma ilícita em legal, colocando-o através de
investimentos em áreas normais da economia.

A mesma estabelece que movimentos a partir de 450 mil meticais por um singular devem
ser comunicados ao Gabinete de Informação Financeira de Moçambique que tem a missão
de investigar a proveniência desse valor, sobretudo quando os rendimentos do depositante
não justificarem. Hermínia Xavier da Barca destaca a colaboração das instituições
financeiras e não financeiras e salienta que Nacala-Porto está na mira dos investigadores
por apresentar maior parte dos processos.

"A atenção está muito voltada para Nacala-Porto, atendendo essa especificidade
geográfica que esse distrito oferece – é um grande ponto de entrada e saída de
mercadorias da província de Nampula, na região Norte e algum momento até do país",
assegura.

O artigo 13 da 14/2013, de 12 de Agosto diz que no âmbito da prevenção dos crimes de


branqueamento de capitais, a regulação e supervisão do sector imobiliário cabe a uma
entidade a ser definida pelo Conselho de Ministros. Entretanto, cinco anos depois não
existe essa entidade e tal como o anterior Procurador-Geral da República, Augusto
Paulino, vinha alertando nos seus últimos informes, o sector imobiliário está a ser muito
usado pelos criminosos que investem avultadas somas de dinheiro para dar a capa de
legal tanto valor conseguido ilicitamente.

Uma das intervenções de vulto no combate ao branqueamento de capitais registou-se em


Setembro último quando o Banco de Moçambique sancionou 15 instituições bancárias de
grande reputação na praça. O País soube que tal acto deveu-se ao facto de terem
permitido gestores de uma empresa de cimento depositarem muito dinheiro, sem
comunicação ao Gabinete de Informação Financeira de Moçambique e investigações
posteriores provaram que o montante estava acima das vendas de cimento da referida
cimenteira.

http://opais.sapo.mz/banco-de-mocambique-multa-bci-bim-uba-bni-e-unico-por-
atropelarem-a-lei

Por Edson Arante23 de Outubro de 2018 17h06 - 1574 Visitas

Uma semana depois da Procuradoria-Geral da República (PGR) ter acusado os bancos de


não comunicarem às instituições de justiça transacções suspeitas, impedindo a recuperação
de activos provenientes do crime, o Banco de Moçambique (BM) anunciou esta terça-feira,
sancções a cinco instituições financeiras.

Um total de cinco instituições financeiras activas no mercado moçambicano foram


sancionadas pelo BM, com multas no valor total de 91.350.000 meticais, referentes a
infracções cometidas entre os exercícios económicos de 2013 e 2018.

Em comunicado do BM, datado de 23 de Outubro de 2018, constam do leque dos “atropelos”


à lei bancária, a falta de controlo especial de certas transacções, não comunicação imediata
das transacções suspeitas, não comunicação ao Ministério Público dos fundamentos da
abstenção e prestação de informações incompletas.
Banco Único, SA, Banco Comercial de Investimento (BCI), United Bank for Africa (UBA),
Banco Nacional de Investimento (BNI) e Millennium Bim, são as instituições financeiras
multadas pelo Banco Central.

As sancções basearam-se nas contravenções previstas na Lei nº. 14/2013, de 12 de Agosto


(Lei de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo)
e Lei n.º 15/99, de 1 de Novembro, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 9/2004, de
21 de Julho (Lei das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras).

De salientar, que esta medida surge uma semana depois da Procuradora-Geral da


República, Beatriz Buchili, ter acusado os bancos de não comunicarem às instituições de
justiça transacções suspeitas, impedindo a recuperação de activos provenientes do crime.

“A falta de comunicação de transacções suspeitas por parte das instituições financeiras


inviabiliza a recuperação de activos, uma vez que os valores são retirados para outros
destinos”, declarara Buchili, falando semana finda, na VI Reunião Nacional do Gabinete
Central de Combate à Corrupção (GCCC).

Na ocasião, disse ainda que a Procuradoria-Geral da República estava já a trabalhar com o


Banco de Moçambique, na qualidade de regulador do sistema financeiro, para sensibilizar
os bancos no sentido de colaborarem com a justiça para a denúncia de casos suspeitos na
transacção de activos.

A Procuradora-Geral da República insistiu na necessidade de Moçambique passar a contar


com um gabinete de recuperação de activos obtidos ilicitamente, assinalando que a
ausência deste mecanismo trava o ritmo da restituição de património.

https://www.google.com/amp/s/www.voaportugues.com/amp/3817055.html

Ramos Miguel

o sistema financeiro

A Procuradora-Geral da República de Moçambique reconheceu que o país


regista casos de suspeita de introdução no sistema financeiro de valores
monetários de proveniência ilícita, através de esquemas que configuram o
branqueamento de capitais.

Analistas vão mais longe e dizem que o problema é real e preocupante.


Analistas advertem que branquemento de capitais é um problema preocupante em
Moçambique

Beatriz Buchili explicou que, para o efeito, "introduzem no sistema financeiro,


valores monetários provenientes de actividades criminosas da mais diversa
natureza, nomeadamente, desvio de fundos do Estado, raptos e tráfico de drogas
e espécies protegidas, investindo, subsequentemente, em projectos económicos
no país e/ou no estrangeiro, em benefício próprio ou de terceiros, causando
repercussões negativas, tanto a nível social como económico

Mas para o analista Laurindos Macuácua, este problema é antigo e recorda que
há mais de cinco anos, o antigo Procurador-Geral da República havia feito
referência a este fenómeno, no seu informe ao parlamento, afirmando "que
muitas das mansões que se vêm na cidade de Maputo e arredores foram
financiadas com dinheiro ilícito".

Por seu turno, o analista Fernando Mbanze afirma serem vários os casos de
branqueamento de capitais no país, entre os quais os indivíduos encontrados
com largas somas de dinheiro vivo ao tentarem atravessar a fronteira para
países vizinhos e raptos de cidadãos "em que depois se exigem resgates
milionários. Esse dinheiro entra no sistema financeiro de forma ilícita".