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TRABALHO DE SEMINÁRIO DE ESPECIALIZAÇÃO

CONCEITOS DE LINGUA MATERNA, PRIMEIRA, SEGUNDA,


ESTRANGEIRA E DOMINANTE
O presente trabalho tem como objetivo apresentar o conceito de Língua Materna,
Primeira, Segunda, Estrangeira e Língua Dominante na perpectiva de vários autores. É
também nosso objectivo tentar diferenciar os estatutos da língua já referidos.
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2003:2283), a língua como
objecto de estudo da Linguística é definida como um “sistema de representação
constituída por palavras e por regras que as combinam em frases que os indivíduos de
uma comunidade linguística usam como principal meio de comunicação e de expressão,
falado ou escrito”. À luz disso, fica evidente que a língua é a base de interação social, na
qual compreendemos e fazemo-nos compreender por outros por meio da expressão oral
ou escrita
Sendo assim, a língua como o mecanismo de aquisição de conhecimento e
fundamentalmente como o elemento de exteriorização dos nossos pensamentos, emoções
e sentimentos, está dividida em vários estatutos. Não é nossa pretensão abordar ,aqui,
todos os estatutos inerentes à língua. Contudo, centramo-nos apenas em alguns, como:
Língua Materna, Língua Primeira, Língua Segunda, Língua Estrangeira e, finalmente,
Língua Dominante.
São vários os estudiosos que abordam esses estatutos. Embora algumas
abordagens sejam consensual, outras divergem em parte. Ora vejamos:
Para Língua Materna constatámos duas perpectivas: Para as estudiosas Mateus
e Villalva (2006:98), Ferraz (2007:20) e Tavares (2007:26) a língua materna não passa
de uma língua que uma criança aprende durante os primeiros anos de vida e através da
qual ela adquire as suas competências comunicativas. Nesta perpectiva, a língua passa a
ostentar não só o estatuto de materna, como também de língua primeira pelo facto de ser
aquela que a criança passou a ter o primeiro contacto. Ou seja, neste âmbito, quer a língua
materna como a língua primeira remete-nos à mesma realidade.
Por outro lado, Reis (2006:76) faz uma distinção entre a língua materna e a língua
primeira. Para o autor “a língua materna será aquela com que o indivíduo se identifica
de facto e melhor será se esta for a língua do berço”.
Assim, fica a percepção de que é da responsabilidade de cada indivíduo identificar
a sua língua materna, baseando-se nas competências linguísticas e comunicativas que
ostenta. A título de exemplo: Um indivíduo pode nascer num seio familiar onde a língua
Kimbundo predomina, mas ele se identificar melhor com a Língua Portuguesa, pelo facto
de reunir competências linguísticas e comunicativas e, por se identificar, de facto, com a
Língua Portuguesa.
Língua Segunda: Para Tavares (2007:26), a “a designação baseia-se assim, em
razões cronológicas – é uma língua adquirida depois da primeira. Normalmente essa
língua aprende-se na escola e é usada “como língua veicular nas instituições
administrativas e oficiais”.
Língua Estrangeira: No entender de Mateus e Villalva (2006:97), Lingua
estrangeira é entendida como uma Língua não materna, aprendida no contexto escolar e
que tem como finalidade ampliar o conhecimento, desenvolver investigação e permitir
contactos sociais de carácter internacional. No nosso pais temos como exemplo de
Línguas Estrangeiras o Inglês e o Francês, difundidas em quase todas escolas a nível
nacional.
Língua Dominante: Este é um estatuto da língua que durante a nossa pesquisa
nada encontramos. Pela próxima talvez encontremos alguma coisa, se houver mais
empenha e tempo. Portanto, para percebermos o conceito desse estatuto de língua,
recorremos ao Dicionário Houaiss para obtermos o significado da palavra “dominante”.
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2003: 1393), o termo “dominante”
significa: “que domina, que detém o poder, que é mais difundido”. À luz dessa breve
definição, podemos perceber que a língua dominante pode se referir a uma língua que
detém o poder comunicativo numa determinada sociedade ou o maior número de falantes
num pais. Exemplo: Embora o nosso pais seja plurilíngues, mas a língua que é a mais
difundida é a Língua Portuguesa, não só por ser a língua oficial, como também domina
como a “língua de unidade nacional”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FERRAZ, Maria José. (2007). Ensino da Língua Materna. Lisboa- Editorial Caminho.
HOUAISS, António e VILLAR, Mauro de Salles. (2003). Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa. Lisboa- Temas e Debates.
MATEUS, Maria Helena Mira e VILLALVA, Alina. (2006). Linguística. Lisboa-
Editorial Caminho.
REIS, Victorino. (2006). Sociolinguística- Dinâmica funcional vs Problemas funcionais
da Língua, Luanda- Editorial Nzila.
TAVARES, Clara Ferrão. (2007). Didácticas do Português – Língua Materna e não
Materna- no Ensino Básico. Porto: Porto Editora.

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