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No dia da saída iyawo , ou melhor, dizendo, no dia do nome do Orunkò do iyawo o zelador (a)

deve atentar para deixar tudo pronto, deve se observar os seguintes itens:
1) - nunca esquecer de fazer como em toda cerimônia, despachar Esu, eu prefiro dizer que esu
não se despacha, chamando a ADAGA E A SIDAGÃ, mulheres responsáveis para rodar o Padê da
casa, isso antes do Sol se pôr, pois é crença dos Nagôs que Padê só se roda à noite nos axexes. o pàdé
de Esu é despachado ainda cedo, sendo feito de maneira mais elaborada, com cânticos aos ancestrais,
louvando-se às íyámi Aje, aos Bàbá, Èsá, com cânticos específicos para cada um e para cada ele mento
das oferendas. Mas isso não impede que no momento do início do siré haja mais cânticos para Esu.
2) - deve-se fazer o FÁRI ÈKETA (a terceira raspagem da cabeça) que chamamos de “limpar a
cabeça”
3) – já deixar preparadas as comidas que serão servidas aos convidados.
4) – preparar as roupas das saídas.
Tudo isso evita o famoso nervosismo da hora.
No tempo antigo, costumava-se tirar o iyawo antes da meia noite.
Como em todos os toque, começa-se o candomblé com o siré (os cânticos e danças) louvando
Esú. Aqui deixo a minha observação que SIRÉ significa brincar, ou seja, estamos, nessa hora, avisando
aos Orixás que vamos começar o Candomblé, nesta hora, portanto ainda não se vê nenhuma
manifestação de Orixás.
O Babalorixá ou Iyalorixá deixa o siré transcorrer normalmente e é ele quem decide a hora em
vai tirar seu Iyawo. Nesta hora o pai ou mãe chega até o iyawo e próximo a um apoti (banquinho) e diz:
Ó SÍ JÓKÓ NI ÀGA KÉKERÉ
E senta o iyawo num apoti ou cadeira evoca o orixá deste e começa a vesti-lo para a primeira
saída, essa vestimenta deverá ser toda funfun (branca), pois nesta é representada a pureza de seu
nascimento para uma nova vida, ou como chama muitos ases, a saída de Oxalá.
Depois de pronto o Baba ou Iya colocara o osu no gbéré-orí (centro do ori) do iyawo.
Aqui vai uma observação importante, muitos foram os casos que se viram um osu cair no salão
e isso derruba qualquer nome de zelador, os que detêm o segredo para que um osu não caia nunca
deram.
A verdadeira dica é simples, simplesmente na composição deste, se deve usar o ori vegetal
verdadeiro, pois este tem uma boa consistência ao contrário de outro de origem animal, que na
realidade é de banha de carneiro e como tal não fixa, derrete.
Garanto a todos meus leitores que se esse for ori verdadeiro, ficará até a 3ª saída sem que dê a
menor preocupação para seu Baba.
Depois de colocar o osu chega a hora de prende-se ao redor do orí o ì kóòdíde (a pena vermelha
do papagaio odíde).
Segundo um itòn (história) Yorübá sobre Òòsààlà, o ì kóòdíde é o único ornamento vermelho
que Òòsààlà aceita.
Isso em reverência à maternidade, representada a menstruação ou o poder de fecundidade da
mulher, que possibilita o ato da gestação e da procriação, pois ao ter o poder menstrual, essa também é
a única que tem o poder de gerar um novo sêr para o Aye, a saída de um yao também é comparada ao
nascer de uma nova vida e é justamente este ato que é lembrado através do ekodidé, sua cor vermelha
associa-se ao poder de fucundidade.
Aqui, deixo a minha observação para este parágrafo, ainda existem casas que mesmo depois da
transição da cultura do candomblé da oral para a escrita, têm o costume de substittuir a pena deste
papagaio, não poderíamos, poi só esta ave está ligada ao iton (história) de OXALÁ, OXUM E O
EKODIDÉ.
Depois de feito isso vamos prepar o Iyawo para a primeira sáida, nesta ele deverá ser pintado
apenas com efun, pois nsta saída, com excessão do ekodidé, tudo deverá ser branco, pois é uma saída
que reverência o Orixá Oxalá, símbolo da vida e também, na minha reflexão, seria também a união dos
símbolos Oxum, através do ekodidé, represnetando o lado feminino e o branco representado Oxalá, o
lado masculino, símbolos indicando, também, a fecundação.
Ao pintar, essa pintura deverá ser de forma bem pequena, imitando as cores brancas de uma
galinha d´angola, pois esta, segundo a lenda, teria sido o primeiro iyawo raspado.
Também deverá conter em seu rosto, bustos e costas, OS IKOLAS (incisão feitas para o
símbolo daquela tribo, a do que o iyawo feoi iniciado.
Antigamente era comum essas marcas serem feitas também no rosto, porém com o tempo as do
rosto foram abolidas, isso por uma questão de estarmos vivendo num país onde isso não seria bem visto
para essa sociedade.
Existe também a opção em várias casas de não se fazer o IKOLA.
Terminada as aquelas tarefas a Iya ou o Babá anuncia para alguém, baixinho, que o Iyawo está
pronto para a saída.
No barracão é entoada a seguinte cantiga:
ÀLÀ RÈ K'OMO ÀJÒ KI WÁ AWO,
KI WÁ ÀJÒ.
A BO ÈNYIN KI WÁ AWO,
KI WÁ AWO, KI WÁ ÀJÒ,
KI WÁ AWO, KI WÁ ÀJÒ,
KI WÁ AWO KI WÁ ÀJÒ NGBÉ LÉ.
Tradução
Seu alá saúda os filhos na viagem que vem ao culto, q
ue chegam de viagem,
nós cultuamos a vós que vindes ao culto,
que vindes ao culto, que chegais de viagem,
Que vindes ao culto,
que chegais de viagem,
que vindes ao culto que chegais de viagem para morar (viver) em nossa casa.
Todos os presentes ficam de pé para receber o noviço.
Veja que a letra fala de uma nova pessoa que estaria chegando de uma viagem, viagem aqui no
sentido de vir para os mundos espirituais, claros sem sair do ayé (terra) ou ir para Orun (céu).
Obs.: Aqui eu uso o termo Orun, porém concordo com Juana Elbein dos santos em Os Nago e a
Morte quando discorda de muitos autores quando estes traduzem a palavra Orun como céu, segundo
poucos autores e eu concordo, Orun teria um significado muito diferente daquele que temos para o céu
cristão, enquanto este último abrangeria só o espaço atmosférico do Planeta Terra e todo o Universo, a
idéia de Orun teria este espaço, porém também adicionado do interior deste Planeta, o termo mais
apropriado para este céu seria SAMO, muito pouco usado pelos adeptos e até mesmo por grande
escritores.
Nesta hora se traz o iyawo para a sala a ì yámorò vem trazendo a eni e o pai ou mãe do iyawo
vem puxando-o por um cordão de palha da costa conhecido como mokan eles circulam pelo salão até
pararem no centro, nesta hora o Baba ou a Iya começa a próxima cantiga.
ÒDÒFIN Ó DÒBÁLÈ KÍ Ì OB Ì NRIN ODÒFIN,
ODÒFIN Ó DÒBÁLÈ KÍ Ì OB Ì NRIN ODÒFIN.
Durante essa cantiga o iyawo é conduzido para a porta, centro do barracão, onde se encontra
plantado o axé da casa e por último para os atabaques.
Segundo alguns escritores ao reverenciar a porta, estaria o Iyawo reverenciando os Orixás ogun
e Exu, Senhores do caminho e segundos primeiros orixás criados depois de Onile.
Em cada lugar desses, o Iyawo prosta-se com suabariga na terra, ato este denominado dòbálè ou
outro denominado Ika.
Segundo os costumes brasileiros dessa reverência, dizem que o dòbálè é o cumprimento
feminino e iká é o cumprimento masculino, neste ato ele saúda a mãe terra.

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