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A ARTE DA MANDALA INDIANA NO CONTEXTO ESCOLAR

Márcia Garcia 1
Eloisa Amália Bergo Sestito 2

Resumo

Este artigo é resultado da implementação dos estudos desenvolvidos na Unidade Didática “A arte da
mandala Indiana no Contexto Escolar”, no Colégio Estadual Marques de Herval, localizado no
município de Uniflor, núcleo de Paranavaí. O objetivo principal foi desenvolver o conhecimento
artístico e estético, no contexto histórico cultural Indiano, a partir da Mandala. A fim de oportunizar
processos criativos aos alunos do 9° ano da Educação Básica, por meio da arte das Mandalas, mais
especificamente, a Mandala Indiana. Para tanto, o desenvolvimento dos estudos organizados na
Unidade Didática se deu em quatro momentos distintos. No primeiro momento foram apresentadas
aos alunos as Mandalas; No segundo momento foi abordado em específico as Mandalas Indianas; A
construção das Mandalas foi desenvolvida no terceiro momento e para concluir, o quarto momento
realizou-se uma exposição das produções, a toda comunidade escolar. Como resultado dos estudos
oportunizou-se o contato com diferentes produções artísticas, o que propiciou uma ampliação de
repertório, de leituras e de saberes. O estudo da composição, do contexto cultural da Mandala
Indiana juntamente com o fazer artístico proporcionou a comunicação e a experiência estética com
diferentes materiais. Os alunos foram encorajados a se comunicar artisticamente, assim, tiveram a
oportunidade de explorar e manipular diferentes materiais adquirindo um olhar sensível para o mundo
que envolve a arte.

Palavras-chave: Mandala Indiana. Arte. Artístico. Estético.

1. INTRODUÇÃO

O presente artigo se constitui como parte integrante das atividades previstas


no Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), promovido pela Secretaria de
Educação do Paraná (SEED) e também como resultado do aprofundamento teórico,
da reflexão sobre a prática pedagógica e da implementação da Unidade Didática
intitulada “A Arte da Mandala Indiana no contexto escolar”, desenvolvida com alunos
do 9º ano, do Colégio Estadual Marques de Herval, localizado no município de
Uniflor.
Partindo do pressuposto que cabe ao professor proporcionar formas de
ampliar a capacidade criativa dos alunos a fim de que conheçam a linguagem
artística e estética e tenham um olhar sensível para o mundo, aprendendo a

1 Professora da Rede Pública de Educação do Estado do Paraná. Lotada no Colégio Estadual


Marques de Herval-EFM. Licenciatura em Arte.
² Professora do Departamento de teoria e Prática da UEM. Mestre e Doutoranda em
Educação.
2
entendê-lo e representá-lo, traçou-se enquanto objetivo geral desenvolver o
conhecimento artístico e estético, no contexto histórico cultural Indiano, a partir da
Mandala.
A arte sagrada da Mandala já foi encontrada em quase todos os povos, a
história conta que teria começado a ser desenhada no chão ou na areia, ora como
labirintos ora como quaternários, triângulos e círculos, mais tarde sobre pedras ou
paredes, papiros, tecidos e papel, ou então erguida com paus ou com pedras, como
se encontra ainda hoje em alguns alinhamentos megalíticos ou templos primitivos.
De acordo com Fioravanti (2007) a construção de uma Mandala pode ser
baseada na matemática geométrica, pois a geometria explica que a base de tudo é o
ponto. E a partir do ponto, forma-se um círculo. O ponto é a representação de onde
tudo se origina e o círculo a representação do infinito, eis a base de construção para
uma Mandala. Cores e formas que se combinam, integrando-se num único
movimento.
Seguindo as orientações das Diretrizes Curriculares Estadual do Paraná - Arte
(2008) para o ensino fundamental, as formas de relação da arte com a sociedade
serão tratadas numa dimensão ampliada, com ênfase na associação da arte com a
cultura e da arte com a linguagem.
Tendo em vista que o ensino da mesma deve tomar a dimensão de
aprofundamento das linguagens artísticas, para reconhecer os conceitos e
elementos comuns presentes nas diversas representações culturais e que uma das
finalidades do ensino de arte é a formação estética, além do refinamento da
percepção e da sensibilidade, por meio da criatividade, da autonomia na produção e
fruição da arte. Buscou-se responder a seguinte problemática: Será possível utilizar
a arte da Mandala na apropriação do conhecimento estético e artístico?
Os objetivos específicos tiveram como fim fazer uma reflexão sobre os
textos e contextos apresentados, no que se refere à construção de Mandalas e
ainda experimentar diferentes materiais e recursos para confeccionar as Mandalas.
O desenvolvimento das atividades ocorreu em quatro momentos: no primeiro
momento apresentaram-se as Mandalas aos alunos; no segundo momento
desenvolveu-se o estudo das Mandalas Indianas; O terceiro momento foi destinado
a construção das Mandalas, e no quarto momento organizou-se uma exposição das
mandalas para a comunidade escolar. Conforme se relata abaixo.
2 DESENVOLVIMENTO

Considerando que o ensino de arte, como área de conhecimento formal, é


fundamental para a formação cultural, intelectual e social não só do educando como
também do professor, e que favorece momentos de reflexão, conscientização,
interação, inter-relacionamento, além de trocas de experiências e aquisição dos
conhecimentos, iniciou-se com a apresentação na TV multimídia da abertura
alternativa da novela “Caminho das Índias” com imagens de Mandalas Indianas,
explicou-se aos alunos que quando uma novela é lançada, se faz várias aberturas
até escolherem uma. E a que assistiram na TV era uma das opções do canal de
televisão que não foi ao ar.
Após essa explicação assistiu-se novamente a abertura da novela, pedindo
que prestassem atenção nas imagens. Na sequência questionou-se o conhecimento
que tinham a respeito das Mandalas. Observou-se que os poucos alunos que
ouviram falar sobre as mesmas, tinham conhecimento apenas superficial. Assim,
encaminhou-se ao laboratório de informática para uma pesquisa orientada sobre o
significado da palavra Mandala.
De acordo com Jung (2008), Mandala é a palavra sânscrita que significa
círculo, uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o
cosmo. Para o homem representa o seu abrigo interior onde se permite um
reencontro com Deus. Ela pode ser utilizada na decoração de ambientes, na
arquitetura, ou como instrumento para o desenvolvimento pessoal e espiritual.
Acredita-se que a Mandala pode restabelecer a saúde interior e exterior e que ela
pode ser usada para a cura emocional, que refletirá positivamente em nosso estado
físico, deixando os seres humanos com mais saúde e vigor.
Fioravanti (2007) completa dizendo que na arte pode-se vê-las retratadas de
várias formas, nas abobadas das grandes catedrais européias, nos vitrais de
Chartres, nas auréolas dos santos, em pratos e porcelanas chinesas e gregas, na
arte indígena e rupestre. Atualmente muitos artistas pintam e desenham lindas
Mandalas decorativas para comporem ambientes, o objetivo é somente decorativo,
não espiritual.
Nesse contexto os alunos foram orientados a pesquisar na internet as
Mandalas na Pré História, imagens de Mandalas nas abóbodas das igrejas e nos
vitrais de Sartre.
Ao buscar as imagens os alunos encontraram várias obras de Oscar
Niemeyer que os remetia ao conceito simplificado de Mandala.

O sentido literal da palavra Mandala é círculo ou centro. Seu


desenho tradicional utiliza frequentemente o círculo, símbolo do
cosmos na sua totalidade, e o quadrado, símbolo da terra ou do
mundo construído pelo homem (DAHLKE, p. 13.1991).

Apresentou-se o trabalho do arquiteto Oscar Niermayer, tendo em vista, que é


impossível falar de arte no Brasil sem referenciá-lo. Analisou-se uma foto da
Catedral de Brasília, obra de Oscar Niemeyer correlacionando-a com o concito de
Mandala.
Para inserir o tema “Mandalas Indianas”, exibiu-se na TV multimídia uma série
de imagens de Mandalas sendo construídas com diferentes materiais. Na Índia as
Mandalas são também conhecidas como Rangolis. A palavra “rangoli” deriva das
raízes sânscritas rang e aavalli, que significam cor e fileiras (ou trepadeiras),
respectivamente, e combinam o uso desses dois elementos para a elaboração de
temas artísticos. Os motivos presentes nos rangolis buscam inspiração na natureza
e contemplam desde formas geométricas simples até intrincadas tramas, resultando
em belíssimos desenhos. Figura 1 e Figura 2.
Para aprofundamento teórico os alunos em grupo de cinco leram um breve
texto falando sobre a Índia e a cultura indiana.
De acordo com Trautmann (2010) a Índia é uma das civilizações mais antigas
da terra. Possuem muitos símbolos e rituais, sendo que a maioria relativa ao
Hinduísmo, religião com mais seguidores na Índia, seguido pelo Islamismo e o
Budismo. O Hinduísmo é tão antigo quanto à civilização da Índia, tanto que a palavra
“hindu” é erroneamente usada para dizer “indiano", e toda a simbologia é vista pelos
outros países como se representasse a própria Índia.
Vale ressaltar que o Hindu Dharma (hinduísmo) na Índia é conceituado como
uma filosofia da vida que esta baseada numa teosofia muito profunda e holística.
Esta filosofia trata de todos os aspectos da vida humana como espiritual, social,
moral, cultural, econômica e intelectual.
Um dos símbolos marcantes da Índia é à flor de lótus, presente em muitas
imagens, devido ao fato de crescer na água pantanosa e não ser afetada por ela
representa que devemos ficar acima do mundo material apesar de viver nele. As
centenas de pétalas do lótus representam a cultura da "unidade na diversidade"
(REMADE, 2004).
Como a flor de lótus é um dos símbolos marcantes da Índia, eles utilizam sua
imagem para construir Mandalas. Dessa forma, pediu-se que os alunos fossem ao
laboratório de informática pesquisar como é à flor de lótus, deveriam também
escolher uma das imagens e reproduzi-la.

Figura 1 e 2 – Cartazes montados pelos alunos após pesquisa.


Fonte: Garcia, 2013.

Segundo Rodrigues, et al (2010) a Índia também se destaca na matemática,


sendo que os árabes buscaram na Índia o sistema de numeração indo-arábico, e
difundiram para os outros países. A fórmula de Bhaskara também criada na Índia é
usada para resolver todas as equações de segundo grau. É um país místico, com
cheiro de incenso e cheio de guirlandas e santos vagando pelas ruas, mas
convivendo lado a lado com um povo extremamente progressista, que gosta da
modernidade e com uma identidade cultural única no mundo.
O poder das Mandalas está relacionado ao padrão das formas, cores e
estrutura numérica. Estes elementos têm uma simbologia que se baseia na
numerologia, na cromoterapia, assim como no conhecimento que o ser humano já
tem em relação à visão e como as formas são percebidas pela mente e retina. Cada
elemento é responsável por parte das vibrações que uma Mandala é capaz de
emanar na sua totalidade (RODRIGUES et al, 2010).
Na sequência mostraram-se diferentes desenhos de mandalas geométricas,
pediu-se que os alunos escolhessem individualmente o desenho que mais lhes
agradassem e pintasse utilizando apenas a sensibilidade de cada um. Logo que
terminaram a pintura ficaram sabendo que as formas e as cores não são usadas
aleatoriamente e que cada uma tem um significado diferente.
De acordo com Fioravanti (2007) as formas geométricas da Mandala estão
diretamente ligadas a diferentes simbologias e números, muito interessantes de se
interpretar. Nesse contexto, os alunos foram divididos em 4 grupos, a cada grupo
coube realizar uma pesquisa o significado das formas geométrica e o significado das
cores. Onde um grupo pesquisou o significado dos triângulos e círculos; o segundo
grupo pesquisou o quadrado e o hexágono; o terceiro grupo pesquisou as cores
vermelha, amarela e verde e o quarto grupo ficou responsável pelas cores laranja,
azul e lilás. Para completar a atividade cada grupo passou o significado da pesquisa
aos demais.
O Círculo: está sempre presente nas mandalas, é ele que cria o
campo de vibração existente em todas elas. E responsável por criar
uma camada de proteção que separa o sagrado do profano,
transmitindo a energia hipnotizante para os olhos. Além disso, uma
mandala pode ser formada por inúmeros círculos. Ele é o símbolo do
céu.

O Triângulo: bastante comum nas mandalas, está relacionado ao


número três e seus derivados. É um símbolo sagrado, pois
representa o homem e sua busca espiritual, a concretização com
Deus. É interessante que o triângulo esteja sempre com um de seus
vértices para cima, apontando para o alto, mostrando a aspiração de
busca espiritual.

O Quadrado: Indica a vibração do número quatro, que simboliza a


matéria, o mundo das ações e realizações físicas, em um plano
puramente terrestre. Não há muita espiritualidade no quadrado, mas
seu poder está na realização no plano material, pois tem uma boa
estrutura alicerçada no O Pentágono e o Pentagrama. São vibrações
do número cinco, sempre leves e renovadoras. O pentágono lembra
o quinto elemento, o éter. Já o pentagrama ou estrela de cinco
pontas tem uma forte ligação simbólica com a magia e alquimia,
emanando vibrações de liberdade de ação e pensamento.

O Hexágono e Estrela de Seis Pontas: São formas da dupla


aspiração espiritual humana, pois o seis é o dobro de três, que
simboliza a busca espiritual. O hexágono simboliza a busca,
principalmente no ambiente familiar, com seus apegos e desapegos.
A estrela de seis pontas ou Estrela de Davi representa a fé aplicada à
vida material e a fé transformada numa ligação real com o divino,
chamada religação (FIORAVANTI, p.12, 2007).

Vale ressaltar quer as vibrações numéricas e geométricas de uma mandala,


tem as emanações das cores que preenchem os seus espaços. Elas têm a função
estimulante e terapêutica. As vibrações das cores modifica a atuação da mandala no
plano físico e também sutilmente de suas emanações.
A cor vermelha: A influência do vermelho é estimulante e ativa; sua
emanação está na polaridade masculina das energias, por isso ele
atua para gerar atrações físicas. O vermelho afasta a depressão, tira
o desânimo e traz poder no plano material. É a cor das conquistas,
das paixões e da sexualidade. Quando a cor vermelha está numa
mandala, ela precisa ser bem usada, em certos ambientes, pois pode
tirar o sono ou deixar a pessoa irritada;

A cor amarela: A influência do amarelo é ativadora e dinâmica, sua


emanação age acentuadamente sobre os processos mentais,
gerando aceleração e mudanças nos pensamentos. O amarelo traz
muitas ideias, afasta as ideias fixas e aumenta a capacidade de
raciocínio. É a cor da inteligência, do estudo e da criatividade.
Quando a cor amarela aparece numa mandala, deve ser observada a
sua colocação, pois ela pode gerar instabilidade ou excessiva
produção mental;

A cor azul: A influência do azul é calmante e equilibradora, sua


emanação trabalha a polaridade feminina das energias, o que
estimula atrações entre energias complementares. O azul traz paz,
harmonia e serenidade. É a cor dos acordos, da habilidade
diplomática e da atuação em conjunto. Quando a cor azul aparece
numa mandala, sempre precisa estar em harmonia com o conceito
numérico, pois pode ter sua atuação enfraquecida por formas com as
quais elas não combinam;

A cor laranja: A influência do laranja é restauradora e regeneradora. A


cor soma a ação do vermelho com a do amarelo, o que produz uma
vibração ativa e certamente muito atuante nos planos material e
mental. A cor laranja traz recuperação depois de um processo
destrutivo e uma capacidade de refazer o que não está certo. É a cor
da reconstrução, da correção e da melhora. Quando aparece numa
mandala, sua energia deve ser usada para mudar situações,
pensamentos e ações desgastadas;

A cor verde: influência do verde é calmante, corretiva e curativa. O


verde é composto de azul e amarelo, o que produz uma vibração
composta por energias bem diferentes. Por um lado, atua sobre a
mente e, por outro, atua sobre o equilíbrio. Melhora qualquer estado
físico negativo e cura o corpo. Da mesma maneira, cura a alma
quando ela está abatida. Quando uma mandala tem a cor verde,
suas vibrações são sempre curativas e, seja em que nível for, ela é
benéfica para todos;
A cor lilás: A influência do lilás é profundamente espiritual, mística e
religiosa. O lilás é formado pelas cores vermelha e azul, que são
energeticamente opostas. É a união da matéria física com o amor
mais elevado. O lilás atua sobre quem está espiritualmente
desequilibrado, descrente e sem conexão com as forças divinas. É
uma cor capaz de desinfetar e esterilizar no plano material e no plano
mais sutil, evitando que energias indesejadas se instalem. Quando
uma mandala tem a cor lilás, ela limpa e isola os ambientes em que
está (FIORAVANTI, p. 14, 2007).

Na sequencia da implementação foi explicado que para construir as


mandalas, utilizam-se uma base numérica, ou seja, o número de divisões de seu
espaço interior. Utilizando a base numérica fica fácil construir a própria mandala. A
figura 3 são as primeiras mandalas com base numérica apresentada aos alunos.
Assim, aprenderam a desenhar e pintar uma Mandala.

Figura 3 – Pintando as primeiras Mandalas


Fonte: Garcia, 2013.

Depois de demonstrar como deveria ser a construção de uma mandala de


acordo com a base numérica, iniciou-se o terceiro momento, previsto na Unidade
Didática. Este terceiro momento foi destinado à construção de Mandalas utilizando
materiais simples que há na escola. Como papel sulfite, canetinhas coloridas, tintas,
glitter, entre outros. Conforme fotos abaixo:

Figura 4 – Construindo as primeiras Mandalas


Fonte: Garcia, 2013.

Figuras 5, 6, 7 e 8 – Passo a passo na construção de uma mandala de papel.


Fonte: Garcia, 2013.
Figura 9 – Mandala de papel pronta
Fonte: Garcia, 2013.

Vale ressaltar que essas Mandalas de papel serão transformadas em Móbiles


e expostas no final da implementação do material didático. Ainda nesse terceiro
momento, foram construídas Mandalas, que se transformaram em enfeites para
casa. Nessa atividade a primeira ideia era colar as mandalas em disco de vinil,
porém, não se conseguiu os discos, para resolver o problema, foram coladas em
círculos de madeirite.

Figura 10 e 11 – Mandalas de papel, coladas em círculos de madeira.


Fonte: Garcia, 2013.
Outro material utilizado na confecção de Mandalas foram os CDs, nesse caso
a pintura foi feita diretamente no CD, Os mesmos foram transformados em peças de
decoração.

Figura 12 – Pintura e montagem de Mandalas em CD


Fonte: Garcia, 2013.

Figura 13 – Mandalas em CDs, transformadas em peças de decoração.


Fonte: Garcia, 2013.
Ao propor as Mandalas Indianas em Cds, o professor de arte propicia
exercícios de apreensão estética, desvelando aspectos culturais da nossa cultura e
de outras, apresentando práticas pedagógicas que aticem a curiosidade, permitindo,
ao aluno, a apropriação da realidade através de outras perspectivas.
A última proposta de construção de Mandalas foi utilizando telas de pintura.
Cada aluno adquiriu uma tela e decorou utilizando a criatividade e a sensibilidade.

Figura 14 – Pintando o fundo da tela


Fonte: Garcia, 2013.

Figura 15 – Montagem da Mandala para fixar na tela


Fonte: Garcia, 2013.

Ao ver o passo a passo dessa atividade e a evolução dos alunos, nos faz ter
certeza que a arte é um dos canais que favorece a imaginação e a criação,
possibilitando o enriquecimento de experiências artísticas e estéticas. O ser humano
produz, vê e sente a arte desde que o homem é homem.

Figura 16- Decorando as mandalas


Fonte: Garcia, 2013.

O que podemos observar até o momento é que no campo da educação, a


arte assume papel de aproximar o aluno do universo artístico existente, de entrar em
contato com sua especificidade e fomentar a criação e a reflexão. É uma área do
conhecimento que interage nas diferentes instâncias: políticas, sociais e culturais,
interferindo e influenciando o pensar, o fazer e sentir.
A próxima atividade sugerida foi à construção de um caleidoscópio, o mesmo
é construído com três espelhos planos reflete seis imagens, essas seis irão refletir
doze imagens e essas doze imagens refletem dezoito, e assim sucessivamente.
Nesse caso, a reflexão da luz é regular, pois a superfície plana do espelho faz com
que os raios de luz, ou seja, a imagem retorne de forma regular aos nossos olhos
possibilitando uma imagem nítida do objeto visualizado. A reflexão da luz pode ser
ainda irregular ou difusa, isto depende da superfície do material no qual os raios da
luz incidente serão refletidos. Em superfícies irregulares a reflexão da luz se espalha
irregularmente tornando a imagem opaca.
Para construir o caleidoscópio, seguiu-se o passo a passo que está no livro
didático da secretaria de estado da educação, Arte-Ensino médio.
www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/livro.../arte.pdf.
Vale ressaltar que o objetivo do caleidoscópio nessa atividade é observar a
arte e a estética, sendo utilizados para os alunos observarem imagens similares às
mandalas que as pequenas pedras coloridas refletem nos espelhos.
Figura 17- Construindo o caleidoscópio
Fonte: Garcia, 2013.

Para concluir a implementação da Unidade Didática conforme proposto no


projeto inicial, foi realizada a exposição das produções. Reuniu-se todo o material
produzido ao longo dos meses e apresentou-se a comunidade escolar. A exposição
foi realizada no mesmo dia da feira cultural do estabelecimento, onde a comunidade
foi convidada a se integrar nas atividades escolares.
Para o evento, houve-se o cuidado de preparar um espaço propício à
exposição, iniciando com o desenho de uma mandala no portão de entrada da
escola, tendo em vista, que os Indianos as usam para dar boas vindas aos
visitantes, promove o equilíbrio espiritual e emocional, harmonia e o bem estar de
quem habita o lugar e de quem os visita. A primeira ação para desenhar a mandala
no portão da escola, foi recortá-la em papel no tamanho original e depois colá-la no
local desejado.

Figura 18- Mandala gigante construída em papel


Fonte: Garcia, 2013.
Figuras 19, 20 e 21 – Mandala pintada no portão de entrada da escola.
Fonte: Garcia, 2013.

Resultado final da implementação, apresentado em uma exposição. Onde


colocou-se as produções realizadas, como mandalas em telas, mandalas em Cds,
Mandalas de papel, Mandalas geométricas em forma de móbiles, os caleidoscópios
e as pesquisas de aprofundamento teórico realizadas para fundamentar o trabalho.

Figuras 22, 23, 24, 25 e 26 – Exposição das mandalas


Fonte: Garcia, 2013.
Ao abordar a Educação Estética na formação docente Galeffi (2010) afirma: “é
o mesmo que falar em educação da sensibilidade humana aprendente.” Essa
dimensão implica na ordem dos acontecimentos e nas vivências humanas. A
sensibilidade sempre foi tida como a serva da razão. No entanto, a criatividade é
matéria prima indispensável para as realizações cognitivas superiores. Conforme se
comprova nos registros fotográficos.

Para concluir, vamos corroborar com a afirmação de Galeffi (2010) quando diz
que por natureza somos seres estéticos, sensíveis, carregados de emoções e
sentimentos. Portanto, a educação estética deve valorizar a efervescência da
criação, a pluralidade da beleza e a altivez dos grupos humanos. Fato comprovado
ao ver o resultado desse trabalho.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para muitos a arte é entendida como autoexpressão do indivíduo, porém,


cumpre analisar que é uma forma de conhecimento que favorece o desenvolvimento
intelectual e possuem conteúdos próprios adequados à construção do conhecimento
aliado a produção artística, pensando em aliar conteúdos da disciplina de arte e
produção artística, se propôs desenvolver a temática “As Interações da Mandala
Indiana no Ensino de Arte”.
Pode-se dizer também que estão em consonância com as Diretrizes
Curriculares do Governo do Estado do Paraná, que destaca a educação para as
diferenças, primando pela educação multicultural, que tem como objetivo promover
uma educação mais reflexiva, na qual os alunos podem se tornar mais conscientes
de seu papel como intérpretes culturais. Com os resultados obtidos, pode-se dizer
que conseguiu-se fazer com que os alunos percebessem os povos possuem culturas
e crenças diferentes, o que não significa aderir aos seus valores, mas respeitar
como expressão nesse contexto, as manifestações da Arte multicultural escolar e
não-escolar.
Assim, inserindo a cultura da Arte Indiana nas aulas de Arte, pode-se
promover e desenvolver a sensibilidade com relação à diversidade cultural até então
não trabalhada. O professor pode promover a aproximação dos alunos a heranças
culturais de outras etnias. A arte necessita estar vinculada à vida dos alunos na
esfera pessoal, regional, brasileira e internacional, que dê oportunidade de
participação no processo de transformação do aluno na sensibilidade e saber em
arte, e que propicie qualidade positiva nas escolas.
A intenção não foi trabalhar o multiculturalismo somente em algumas datas
durante o ano e sim, mostrar que a cultura é um processo dinâmico, contínuo, de
tradição e com significado. Cada cultura artística deve ser respeitada dentro de sua
especificidade tomando o cuidado para que não ocorra a igualdade entre todas as
culturas, e sim o respeito pela identidade de cada cultura e sua Arte presente no
contexto escolar. Tendo em vista, que é o conhecimento que produz posturas
críticas, construção de significados e leituras de mundo. E este foi o propósito maior
desta pesquisa.
Durante toda a aplicação das atividades artísticas e pedagógicas realizadas
com os alunos do 9º ano ocorreram avaliações de forma contínua e progressiva,
onde foi possível observar a participação e a evolução dos alunos no
desenvolvimento dos trabalhos.
A exposição final dos trabalhos aconteceu com a participação interativa de
todos os envolvidos no projeto. Foi um momento especial, onde os familiares e
amigos puderam conhecer o material produzido durante a implementação e ainda,
poderão utilizá-los em seus lares como obra de arte, produzida com sensibilidade
artística e estética.
Enfim, pode-se dizer que pelos resultados obtidos, o objetivo geral deste
projeto, foi inteiramente atingido.

REFERÊNCIAS

DAHLKE, R. Mandalas: formas que representam a harmonia do cosmos e a energia


divina. São Paulo: Pensamento, 1991.

FINCHER, S.F. O autoconhecimento através das mandalas. São Paulo:


Pensamento, 1998.

DAHLKE, R. Mandalas: formas que representam a harmonia do cosmos e a energia


divina. São Paulo: Pensamento, 1991.

FIORAVANTI, C. Mandalas: como usar a energia dos desenhos sagrados. São


Paulo: Pensamento, 2007.

GALEFFI, D.A. Estética e formação docente: uma compreensão implicada. FACED


UFBA, Bahia: 2010.

JUNG, C. G. Mandala Symbolism. Princeton, Nova Jersey: Princeton University


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PARANÁ. Diretrizes curriculares de arte para os anos finais do ensino


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Superintendência da Educação. Curitiba, 2008.

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RICHTER, I.M. Intercultaralidade e estética do cotidiano no ensino das artes visuais.


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<http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/pdfs/mundo_imagens.pdf.> Acesso
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TRAUTMANN, T.R. Índia: breve história de uma civilização. Trad. Elisabeth Paymal.
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