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Simpósio

Desafios e problemas de investigação em
género e musicologia no séc. XXI

19 de Abril / 9h - 18h
Sala Multiusos 3 / Sala 0.07, Ed. I&D
NEGEM - CESEM
NOVA FCSH

Sobre o
NEGEM
O NEGEM inaugurou em Portugal o trabalho científico sistemático no domínio referido, e
constitui-se por uma equipa de investigadores e estudantes que se tem vindo a dedicar à
pesquisa de diversos aspectos das relações entre género e música
(ancorados primordialmente nos campos da sociologia da música, da musicologia, dos
estudos culturais, dos estudos de género, dos queer studies, da história social e dos
estudos sobre as mulheres), visando uma diversidade de problemas, processos e
discursos, e recorrendo a quadros teóricos interdisciplinares.

Ao encararmos o género como factor sociocultural e político subjacente à construção e


economia de sociabilidades e logo, como instrumento de poder e de gestão sociocultural,
Simpósio Música | Género assumimo-lo como um contributo indispensável na problematização de todo o fenómeno,
prática, processo expressivo, representação ou cultura musical. Um dos eixos principais da
Desafios e problemas de nossa missão é, assim, a integração das categorias de género no campo da investigação
investigação em género e em música, de modo integrado e interdisciplinar, utilizando e revendo métodos,
instrumentos de trabalho, discursos e pontos de vista das ciências sociais.
musicologia no séc. XXI
Interessa-nos, neste percurso, estudar as vivências, as práticas do quotidiano, os estilos de
vida, as sociabilidades e os seus espaços, as estruturas de poder e dominação e as suas
hierarquias, a construção de diferenças, os processos de naturalização de comportamentos
e ideias, a racionalização do conhecimento e os processos de gestão, canonização e
Coordenação invisibilização de discursos, figuras ou ideias.
Paula Gomes Ribeiro
Entre as linhas de trabalho que têm vindo a ser exploradas pelos elementos desta equipa
salientam-se:
Comissão científica • a identificação e problematização da construção, uso e reprodução de
normas, comportamentos e discursos legitimadores de modelos de
Joana Freitas, Júlia Durand, género, queerness e sexualidade, e a sua presença e relação com práticas e
Mariana Calado e Paula Gomes discursos musicais específicos, designadamente em Portugal;
Ribeiro • a análise dos modos como as construções sociais e modelos de
representação conducentes ou associados à genderização de papéis sociais, se
associam ou apresentam na prática musical bem como nos discursos e pontos
Comissão organizadora de vista sobre a música;
• a abordagem a processos de estabilização e canonização de sistemas de
Fábio Rodrigues, Joana Freitas, comunicação musical e músico-dramatúrgica, e ao modo como estes definem,
Marcelo Franca transgridem e/ou reproduzem, em contextos específicos, modelos de
performances de género, estabelecendo-se como instrumentos ideológicos de
educação moral, de estratificação e autorregulação social;
Apoio • o estudo de modelos de estratificação e hierarquização dos géneros e da sua
associação a determinados contextos culturais, grupos e comportamentos
Ângela Flores Baltazar sociais, visando práticas musicais, músico-teatrais, audiovisuais e multimédia;
• estudo da performance de género na economia afectiva e simbólica do actual
Organização paradigma comunicacional da música na Web 2.0 incluindo, entre outras,
manifestações musicais nas indústrias e plataformas musicais on-line, em
NEGEM – SociMus práticas interactivas, produtos audiovisuais, televisão, videojogos e social media;
CESEM // NOVA FCSH • o estudo de comportamentos e políticas de género na construção do gosto e de
sociabilidades musicais (considerando aspectos de produção, mediação e
recepção);
Contactos • música, género e sexualidades na pornografia digital e em outros produtos
negemus.cesem@gmail.com audiovisuais;
• a inquirição dos processos de inclusão e exclusão de processos, ideias, figuras,
/NEGEMus eventos musicais em narrativas históricas, aspectos de gestão política da
memória colectiva.
www.negem.weebly.com
Constituindo-se como plataforma de discussão crítica e de produção de saber, o NEGEM,
pretende contribuir para a concepção e disseminação de trabalhos científicos nos campos
visados bem como para motivar o surgimento de novas ideias e projectos, incentivando o
contacto e debate entre estudantes e investigadores de diversas proveniências e
instituições, ao nível internacional. É neste sentido que promovemos ações de
disseminação do conhecimento, e de formação para públicos diversos, prevendo
ainda uma série de publicações monográficas e periódicas, traduções de obras nucleares,
entre outras iniciativas de investigação, formação e disseminação científica e social.

Equipa: Alejandro Lucero, Angela Portela, Mariana Calado, Marília Moledo, Joana Freitas,
João Porfírio, João Romão, Júlia Durand, Paula Gomes Ribeiro, Teresa Gentil, Rodrigo
Lourenço
I Simpósio do NEGEM
19 de Abril 2018

Programa
Parte I
Sala Multiusos 3 (piso 4), Ed. I&D – NOVA FCSH

9h15 | Abertura 10h30 – 11h | Pausa para café


Sala
11h Multiusos
– 12h30 3 (piso
| Painel 2 4), Ed. I&D – NOVA
Sala Multiusos 3 (piso 4), Ed. I&D – FCSH
9h30 – 10h30 | Painel 1 Moderação: Paula Gomes Ribeiro
Moderação: Joana Freitas
NOVA FCSH
Júlia Durand
Ângela Baltazar “’Délicat, tendre, féminin...’”: as etiquetas de
“Construção do feminino através do seu género na library music de Cézame”
quotidiano musical”
Marília Moledo
Ricardo Pereira “The Situation is a lot more nuanced than that
“De que género são as mãos que tocam o - Crazy Ex-Girlfriend, intertextualidade, saúde
piano que ouvimos?” mental e feminismo”

Renato Oliveira Joana Freitas


“A representação queer em Portugal: O papel “Sobre música ("clássica") e sexualidade na
do músico nas questões de género” internet: mulheres intérpretes em
multiplataformas sociais”

12h30 – 14h | Almoço


Parte II
Sala 0.07 (piso 0), Ed. I&D – NOVA FCSH

14h – 15h30 | Painel 3 16h – 17h30 | Painel 4


Moderação: Júlia Durand Moderação: Mariana Calado / Teresa Gentil

Marcelo Franca Angela Portela


“Cinira Polônio, Etelvina Serra e Palmira Bastos: uma
“Os papéis de género nas comunidades de
Análise da Crítica Luso Brasileira entre 1870 e 1910”
heavy metal – transição social e recepção
online” Alejandro Lucero
A presença de Teresa Carreño em Portugal: as
André Malhado críticas e a relevância do género nelas
“Microgénero e identidade interseccional: a
música vaporwave das artistas Vektroid e DJ Isabel Pina
ALINA” “’Companheira, mensageira e apaziguadora de
ânimos’: Maria Helena de Freitas e o “mestre”, através
Teresa Gentil da sua correspondência com Fernando Lopes-
“Desafios na análise da performance musical Graça”
de cantautoras: quatro estudos de caso”
Filipa Cruz
“Com o mais cordial e sincero dos ódios sou a sua
infeliz secretária": Maria da Graça Amado da Cunha
15h30 – 16h | Pausa para café
Sala Multiusos 3 (piso 4), Ed. I&D – NOVA
17h30FCSH
– 18h | Encerramento
CESEM – NOVA FCSH
I Simpósio do NEGEM
19 de Abril 2018

Resumos e notas biográficas


Alejandro Lucero (NOVA FCSH)
Resumo
Teresa Carreño foi e é ainda hoje em dia uma das artistas venezuelanas mais importantes do século XIX e XX. Teve uma fama
internacional que levou-a percorrer o mundo inteiro. A sua presença em Portugal, embora reduzida, foi significativa no âmbito musical
e musicológico. As críticas dos seus concertos em Lisboa e no Porto são quantiosas e dão conta sobre o nível da artista e as
posições que tinham então os críticos perante o facto dela ser mulher. A apresentação procura propiciar e aprofundar o debate
sobre os assuntos do género extraíveis das críticas todas.

Nota biográfica:
Alejandro Reyes Lucero, natural de Venezuela, começou os seus estudos musicológicos na Universidad Central de Venezuela (UCV).
Actualmente esta a realizar a Licenciatura em Ciências Musicais na NOVA FCSH. Tem 10 anos de experiência pianística e realizou
um diplomado em direção orquestral na UCV.

André Malhado (CESEM - NOVA FCSH)


Resumo
Vaporwave, “microgénero” de música que surge na década de 2010, caracteriza-se por uma abordagem estética de colagem
musical e visual de elementos da cultura popular de finais do século XX, sendo considerado por muitos como desviante (Becker
1963).
Partindo de numa análise interseccionista (Crenshaw 1991), observa-se o trabalho artístico das produtoras Ramona Andra Xavier e
Alina Vovk, reflectindo sobre o seu lugar nesta cultura virtual, e como o(s) nome(s) artístico(s) que adoptam, constroem ícones de
cyborg goddesses (Giresunlu 2008). Observa-se também a sua música, enquanto tecnologia com capacidade de produzir uma
relação íntima com o corpo (DeNora 2000) dos ouvintes.

Nota biográfica:
Produtor musical, compositor e licenciado em Ciências Musicais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, encontra-se agora
no primeiro ano de Mestrado em Ciências Musicais, na especialização de Musicologia História pela mesma faculdade.
Bolseiro de investigação no CESEM, interessa-se pela relação dos meios multimédia e a sociedade, especializando-se em estudos
de cibercultura, temáticas de cyberpunk e questões de pós-modernidade.

Ângela Baltazar (NOVA FCSH)


Resumo
Parte da análise de músicas que acompanham o quotidiano de um certo grupo de adolescentes do sexo feminino, e dos padrões
que possam relacionam o gosto musical com identidade. A faixa etária do objeto de estudo será entre os 12 e os 14 de anos de
idade, tendo em conta que a adolescência é uma fase crítica onde a sociabilização primária ainda está muito presente embora
coexista com a sociabilização secundária. Nestas idades, a questão da identidade é especialmente crucial.
Primeiramente será necessário traçar um perfil daquilo que será o universo cultural em que as entrevistadas se inserem, percebendo
não só as suas preferências, mas também que músicas lhe são sugeridas direta ou indiretamente. De seguida será importante
levantar questões acerca de identidade pessoal e social que poderão convencionar o gosto musical. Numa última fase, através de
listas de reprodução sugeridas pelas entrevistadas, serão levantadas questões que relacionam o gosto musical com identidade.

Nota biográfica:
Concluiu o conservatório na Escola de Música Maldonado Rodrigues e prosseguiu os seus estudos musicais a nível superior na
Academia Nacional Superior de Orquestra. Enquanto violinista integrou orquestras como a Orquestra Sinfónica Metropolitana de
Lisboa, Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra Philarmonica de Lisboa e Orquestra Sinfónica Juvenil, com maestros como Jean-
Marc Burfin, Jean-Sebastian Bereau, Michael Zilm, Emílio Pomarico, Christopher Bochmann entre outros. Frequenta agora o
segundo ano da Licenciatura em Ciências Musicais na FCSH.
É co-fundadora da Companhia de Teatro Casa Cheia onde é directora musical e cria espaços sonoros para peças de teatro.

CESEM – NOVA FCSH


I Simpósio do NEGEM
19 de Abril 2018

Angela Portela (CESEM - NOVA FCSH)


Resumo
A imprensa luso-brasileira, na transição do século XIX para o XX, teve um papel fundamental na divulgação e registro da participação
feminina na música. Contudo, mesmo vivendo um período de transformações sociais, as limitações impostas às mulheres ainda
eram muitas e suas atuações artísticas passavam pelo crivo de críticos que as descreviam sob a ótica de um discurso moldado
pelas concepções de gênero da época. Este trabalho analisa como a imprensa retrata a figura da mulher, construindo sua imagem
pública, principalmente no contexto dos espetáculos músico- teatrais, tendo como expoentes as figuras das atrizes-cantoras Cinira
Polônio, Palmira Bastos e Etelvina Serra.

Nota biográfica:
Possui bacharelado em piano e mestrado em musicologia histórica, pela Universidade Federal de Rio de Janeiro. Atualmente, é
bolsista da CAPES/Brasil no âmbito do curso de Doutoramento em Ciências Musicais Históricas na Universidade Nova de Lisboa
(CESEM/UNL), sob a orientação da Professora Doutora Luísa Cymbron, concentrando-se no circuito de mulheres musicistas entre
Brasil e Portugal, de 1870 a 1910.

Filipa Cruz (CESEM - NOVA FCSH)


Resumo
Maria da Graça Amado da Cunha foi pianista, secretária e "vítima" de um conjunto de figuras do panorama musical e cultural
português, tais como Francine Benoît, João José Cochofel e Fernando Lopes-Graça. Esta apresenta-se como peça fulcral para o
entendimento das dinâmicas e desafios que caracterizaram, ao longo do século XX, projetos de educação e divulgação musical,
como o da Academia de Amadores de Música e o da sociedade de concertos Sonata, bem como esforços individuais por parte de
compositores, instrumentistas e críticos para sobreviver num meio musical limitado e adverso. Será nosso objetivo partir de uma
análise preliminar ao espólio da pianista, presente no Museu da Música Portuguesa — e em particular da sua correspondência —
de modo a mapear a sua rede de sociabilidades e compreender o seu papel de relevância na produção musical do século XX
português.

Nota biográfica:
Filipa Cruz frequenta o Mestrado em Ciências Musicais, vertente de Musicologia Histórica e é colaboradora do Grupo de Teoria
Crítica e Comunicação do CESEM, sendo atualmente bolseira no projecto "Euterpe unveiled: Women in Portuguese musical creation
and interpretation during the 20th and 21st centuries". As suas áreas de investigação englobam a música portuguesa do século XX
e o estudo de intermedialidades, em particular a relação entre música e literatura.

Isabel Pina (CESEM - NOVA FCSH)


Resumo
A Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX (2010) refere-se a Maria Helena de Freitas (1912-2004) somente enquanto
crítica musical, sendo mencionada de forma breve a sua colaboração em periódicos como A Voz, Diário Popular, Diário de Notícias,
Diário de Lisboa e O Século Ilustrado, bem como a sua actividade na Antena 2 e na Emissora Nacional através de programas como
O canto e os seus intérpretes e Ópera comentada. Não sendo esta sua actividade desenvolvida de modo concreto na entrada da
Enciclopédia, podemos de resto concluir que o papel de Maria Helena de Freitas no panorama musical português do século XX se
encontra ainda quase totalmente por explorar, parecendo-nos relevante o estudo das relações próximas que manteve com figuras
hoje mencionadas como centrais na história da música nacional, nomeadamente com Luís de Freitas Branco, compositor com quem
manteve abertamente uma relação íntima durante largos anos, ainda que a mesma seja “esquecida” nos discursos oficiais. Partindo
da correspondência de Maria Helena de Freitas para Fernando Lopes-Graça presente no fundo deste compositor no Museu da
Música Portuguesa, que nos revela um papel essencial de divulgação de um certo imaginário em torno de Luís de Freitas Branco e
dos seus discípulos, propomo-nos analisar alguns aspectos da relação de Maria Helena de Freitas com Freitas Branco, Lopes-
Graça e outros, e apresentar uma leitura da sua centralidade no meio musical português do século XX.

Nota biográfica:
Isabel Pina é doutoranda em Ciências Musicais Históricas na NOVA FCSH com uma bolsa FCT, interessando-se pelo estudo da
história da música em Portugal nos séculos XIX e XX, música e ideologia, nacionalismo e neoclassicismo, análise e semiótica musical,
e imprensa e crítica musical. Concluiu o mestrado em Ciências Musicais, área de especialização em Musicologia Histórica, com uma
dissertação intitulada “Neoclassicismo, nacionalismo e latinidade em Luís de Freitas Branco, entre as décadas de 1910 e 1930”.
Membro do CESEM, faz parte do Grupo de Teoria Crítica e Comunicação (GTCC) e é colaboradora do SociMus, Grupo de Estudos
Avançados em Sociologia da Música, bem como uma das fundadores e coordenadoras do NEMI, Núcleo de Estudos em Música
na Imprensa.

CESEM – NOVA FCSH


I Simpósio do NEGEM
19 de Abril 2018

Joana Freitas (CESEM - NOVA FCSH)


Resumo
A crescente interligação de vários canais de informação revela-se uma ferramenta extremamente importante na construção da
imagem de um/a artista, colocando ao dispor dos seus fãs ou seguidores um leque variado de conteúdos que influencia o modo
como este/a é recebido, comentado e, consequentemente, partilhado/a na internet. No universo musical "clássico", dentro do
espectro fotográfico estereotipado das artistas femininas e o seu instrumento (ou maestrinas com cabelos ao vento), a relação
instrumento/corpo torna-se central na representação imagética e no seu marketing. Dois casos particularmente pertinentes, e que
irei explorar e propôr à discussão, são Lola Astanova e Yuja Wang, ambas pianistas. Enquanto Wang é uma artista reconhecida a
nível internacional (não só pelas suas interpretações como pelos seus vestidos), Astanova trabalha principalmente no Instagram,
onde o #PianoSlayer sumariza o seu 'talento' e o seu 'corpo', sempre em destaque através de roupas e efeitos nos vídeos e fotos.
Até a uma certa extensão, a música "clássica", através das redes sociais, ganha outros níveis de reconhecimento e modos de
distribuição, promovendo tops de "hottest classical musicians" e "sexiest women in classical music" construídos a partir de,
precisamente, a produção online que as artistas partilham e o fluxo de informações que os seus fãs vão circulando, em que este
universo passa de "secante" para "sexy".

Nota biográfica:
Joana Freitas é doutoranda em Ciências Musicais Históricas e bolseira de investigação no Centro de Estudos em Sociologia e
Estética Musical (CESEM) da NOVA FCSH. É actualmente membro do Grupo de Teoria Crítica e Comunicação (GTCC), SociMus
(Grupo de Estudos Avançados em Sociologia da Música), Núcleo de Estudos em Género e Música (NEGEM) e do CysMus (Grupo
de Estudos Avançados em Música e Cibercultura). As suas principais áreas de interesse são a ludomusicologia e o estudo da música
em videojogos, a música e sociabilidades em plataformas digitais e estudos de música e género.

Júlia Durand (CESEM - NOVA FCSH)


Resumo
A chamada library music (ou “música de catálogo”) é composta tendo em vista a sua utilização em produtos audiovisuais, sendo
classificada em plataformas online segundo categorias de instrumentação, emoções ou géneros de produção, entre outras possíveis
“etiquetas”. A empresa francesa de library music Cézame é representativa das tendências e discursos mais recorrentes nesta
produção musical, em particular a prática de categorizar várias faixas segundo conceitos como “feminino” e “masculino”. Centrando-
me no caso específico desta empresa, procuro explorar o papel que os clichés musicais e cinematográficos do seu catálogo
desempenham na perpetuação de uma visão estereotipada de papéis de género.

Nota biográfica:
Júlia Durand é membro dos núcleos de estudo NEGEM, CysMus e SociMus, do CESEM. Concluiu a licenciatura e mestrado em
Ciências Musicais na NOVA FCSH, encontrando-se de momento a realizar o doutoramento em Ciências Musicais – Musicologia
Histórica na mesma universidade, com uma Bolsa de Doutoramento FCT. Desde 2015 iniciou uma actividade de escrita de guiões
para espectáculos musico-teatrais e música electrónica.

Marcelo Franca (CESEM - NOVA FCSH)


Resumo
A cultura “metaleira”, desde os seus primórdios nos anos 80 até aos dias de hoje, transparece como um espaço de afirmação e
transmissão de paradigmas masculinos e, no geral, de uma rede de socialização em que a diferença de género se faz notar nos
vários eventos que se realizam. A objectificação da mulher pela maioria masculina, ou como Rogers (2015) refere,“(...)a atribuição
do estatuto do “outro”(...)” em termos sociais constitui um impedimento na integração da mulher no meio do heavy metal. Com o
surgimento de cada vez mais bandas com elementos femininos e a maior frequência de mulheres em concertos, o underground
assiste presentemente a uma desconstrução dos papéis de género dentro da comunidade.
Sendo que o meu conhecimento incide principalmente no heavy metal moderno (anos 2000 até à actualidade) e no seu underground,
procederei à recolha de fontes em redes sociais, fóruns online e em meios audiovisuais de forma a corroborar a evidência sobre o
assunto supracitado. Pretendo, desta forma, demonstrar que esta transição está de facto a ocorrer e como é que a mesma está a
ser alvo de escrutínio por parte de fãs e agentes que se inserem neste género musical, contribuindo para uma sensibilização cada
vez mais incidente desta problemática na comunidade “metaleira” actual que consequentemente origina discussões a favor e contra
este paradigma emergente.

Nota biográfica:
Luís Marcelo Bento da Franca está presentemente a concluir a licenciatura em Ciências Musicais na Faculdade de Ciências Sociais
e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É bolseiro de iniciação científica e membro do grupo SociMus e do CysMus ambos
integrados no CESEM. É membro da banda de Metal Dharma e os principais interesses incluem o estudo de Heavy Metal e música
nos videojogos.

CESEM – NOVA FCSH


I Simpósio do NEGEM
19 de Abril 2018

Marília Moledo (CESEM - NOVA FCSH)


Resumo
A série de televisão musical protagonizada por Rachel Bloom aborda estereótipos de género de forma invulgar, criando o que
aparentam ser personagens extremamente estereotipadas com motivações previsíveis para depois desconstruir essas mesmas
expectativas.
Este paper pretende demonstrar como Crazy Ex-Girlfriend explora estereótipos musicais desafiando a fórmula das comédias
românticas através de diversos números musicais que, por sua vez, incluem paródias e sátiras do género musical utilizado. Ao
equiparar o idealismo das ingenues das comédias românticas a doença mental, a série faz uso de uma rica rede de inter-
textualidades que liga Hollywood e musicais da Broadway, feminismo e música popular, criando uma narrativa inovadora repleta de
nuances.
O facto desta história ser contada em diversas plataformas, maioritariamente televisão e youtube, e de utilizar paródia e sátira de
modo tão eficaz, faz com que seja imperativo analisar a sua narrativa através do conceito de transmedia storytelling, sendo que o
canal de youtube de Bloom inclui versões mais explícitas das músicas da série, assim como música que não foi incluída nos
episódios. Este paper também analisará a crítica que a série faz ao fetichismo da loucura e depressão femininas, assim como da
inadequação do retrato da mulher nos chamados mainstream media.
Esta série oferece uma oportunidade única para explorar papeis de género e transmedia storytellig nos mainstream media, já que
se inclui num canal de sinal aberto, fazendo uma crítica à forma como esses mesmos papeis são geralmente retratados neste tipo
de plataformas. A série está particularmente preocupada em criar personagens verosímeis e uma narrativa que difere da
commumente publicitada na música popular e nas comédias românticas.

Nota biográfica:
Marília Moledo frequentou a Companhia da Música, em Braga, onde estudou formação musical, coro e piano, tendo ingressado
posteriormente na licenciatura de Música na Universidade do Minho. Terminou a licenciatura em Ciências Musicais na Faculdade de
Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sendo colaboradora no CysMus (Grupo de Estudos Avançados em
Cyberculturas e Música) a partir de 2017 e do NEGEM (Núcleo de Estudos em Género e Música) desde 2018, ambos integrados no
CESEM (Centro de Estudos Avançados em Sociologia e Estética Musical). Tem interesses diversificados que passam pelo teatro,
estudos de género, musicais, novos média, literatura e cinema, sendo que é presentemente colaboradora do festival de cinema
“Fest - New Directors New Films Festival”, sediado em Espinho. Encontra-se actualmente a frequentar o mestrado de Ciências
Musicais, vertente de Musicologia Histórica, na FCSH.

Renato Oliveira (NOVA FCSH)


Resumo
Com o objectivo de entender realidades identitárias através da expressão musical, que se assume por meio de várias referências
simbólicas, pretendo observar a produção artística de Filipe Sambado, músico português. Estas simbologias podem ser encontradas
por meio de letras, sonoridades, conteúdo visual (quer no uso de indumentária, quer nos cenários), ou por exemplo a vida pessoal
do artista, valendo-se por si mesmas ou ganhando novos significados em conjunto.
O que procuro entender é a relação do artista com os pressupostos de género presentes na sociedade e se de alguma forma existe
um sentimento de pertença a uma identidade queer. Explorarei a existência de motivação para essa ruptura com os padrões do
que se considera masculino e feminino. Será necessário entender também se existe uma utilização prática destas dúvidas como
fonte de mediatismo e se ao mesmo tempo se foram intensificando de forma reactiva.

Nota biográfica:
Aluno finalista da licenciatura em Ciências Musicais pela NOVA FCSH. Com o avançar da formação tem surgido um crescente
interesse no estudo da identidade de género e de outras temáticas queer por forma a analisar o papel da música na redefinição ou
“desdefinição” de ideias pré-concebidas na sociedade.

Ricardo Pereira (NOVA FCSH)


Resumo
A questão levantada no título foi catalisadora de uma investigação que me levou a analisar a programação do Ciclos de piano da
Casa da Música (Porto) e da Gulbenkian (Lisboa), nos últimos cinco anos (desde 2013 a 2018). Numa primeira análise os resultados
foram surpreendentes e reveladores do estado da arte da industria performativa no que à música erudita, em especial para piano,
diz respeito. Além disso, os resultados tornam-se ainda mais complexos se pensarmos que o piano e a figura feminina sempre
estiveram associados e que, portanto, desde a sua criação sempre houve pianistas do género feminino.
Num século onde as questões de género adquiriram a atenção dos meios académicos e dos media elas parecem estar ainda muito
distantes das instituições de referência como é o caso das aqui analisadas.

Nota biográfica:
Ricardo Rocha Pereira, nascido em 1995 e natural do Porto, conclui o curso profissional de piano em 2017. Colabora regularmente
com grupos de Teatro, destacando-se a sua participação na adaptação de o livro “As Novas Cartas Portuguesas”, numa peça de
teatro estreada em 2017 no Espaço Miragaia (Porto). Actualmente encontra-se a frequentar a Licenciatura em Ciências Musicais na
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
CESEM – NOVA FCSH
I Simpósio do NEGEM
19 de Abril 2018

Teresa Gentil (INET-md - NOVA FCSH)


Resumo
A criação e a performance musical de cantautoras, em Portugal, são profundamente configuradas por um quadro patriarcal de
género enraizado e naturalizado, tanto nas indústrias ligadas à música como na sociedade em geral. Estas assimetrias, estimulam
e moldam a criação musical, a performance e a sua receção. No entanto, mecanismos opressivos e/ou comportamentos
naturalizados raramente permitem que, nos seus discursos, mulheres autoras e intérpretes abordem e relacionem género e música,
manifestando com frequência a ideia de que a música é um campo artístico neutro. Esta relutância e ambiguidade discursiva,
juntamente com formulas “encriptadas” de criação poética/musical e de “artifícios” performativos que parecem ter como objetivo
“desarticular” o corpo e a voz, da artista, constituem-se como desafios à investigação. Partindo do meu trabalho de campo, centrado
em quatro cantautoras com percursos geracionais e estéticos distintos, esta comunicação reflete sobre os processos de análise e
de articulação de aspetos da performance - voz, movimento, imagem, relação com públicos -, assim como dos discursos que a
envolvem e as dimensões políticas de género.

Nota biográfica:
Compositora, intérprete e investigadora. É mestre em etnomusicologia pela Universidade Nova de Lisboa, licenciada em composição
pela ESMAE (Porto) e pós-graduada em educação pela Universidade dos Açores. Compõe para orquestra, teatro, teatro musical,
cinema e dança e colabora regularmente com o serviço educativo da Casa da Música, Fábrica das Artes (CCB) e Plano Nacional de
Leitura. Editou quatro álbuns de originais e foi distinguida com o prémio Zeca Afonso, atribuído pela Câmara Municipal de Almada
e prémio Labjovem - Música, atribuído pelo Governo Regional dos Açores.

CESEM – NOVA FCSH


Metragens
I Simpósio do NEGEM

Desafios e problemas de investigação em
género e musicologia no séc. XXI

19 de Abril / 9h - 18h
Sala Multiusos 3 / Sala 0.07, Ed. I&D
NEGEM - CESEM
NOVA FCSH

Coordenação
Paula Gomes Ribeiro

Comissão científica
Joana Freitas, Júlia Durand, Mariana Calado e Paula Gomes Ribeiro

Comissão organizadora
Fábio Rodrigues, Joana Freitas, Marcelo Franca e Paula Gomes Ribeiro

Apoio
Ângela Flores Baltazar