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UESC - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ

DEPTº DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E AMBIENTAIS (DCAA)

BOTÂNICA SISTEMÁTICA – 1-2019


Prof. Luiz Alberto Mattos Silva
Atualizado em 2018 (26p.)

INTRODUÇÃO À BOTÂNICA (1)


“Ao iniciar o seu estudo de Botânica, você começa uma jornada que conduz tanto ao
futuro quanto ao passado. A fim de aprender – e apreciar – a estrutura, a função e a
diversidade das plantas, de início é necessário viajar mentalmente bilhões de anos para trás,
para uma época situada logo após a formação da Terra, e seguir a hipotética seqüencia de
eventos que deu origem, primeiramente, aos blocos químicos constitutivos da vida, nos antigos
oceanos, e então às células – as menores unidades da vida propriamente dita.
... O seu estudo de botânica conduz ao futuro, porque ele provê a bagagem de que você
precisará para entender e talvez superar os muito desafios com os quais se defrontarão nos
anos vindouros. Problemas tais como poluição, escassez de alimentos, aquecimento global e
destruição da camada de ozônio, além de empreendimentos como o desenvolvimento de novas
culturas usando a engenharia genética, requerem o conhecimento de biologia vegetal.”
(RAVEN et al., 2001)

A BIOLOGÍA VEGETAL inclui muitas áreas de estudo


O estudo das plantas tem se desenvolvido por milhares de anos mas, a exemplo de
todos os ramos da ciência, ela tornou-se diversa e especializada apenas durante os três últimos
séculos.
Até pouco mais de um século atrás, a botânica era um ramo da medicina, ao qual se
dedicavam principalmente médicos que estudavam as plantas para fins medicinais e que
estavam interessados na determinação de similaridade e diferenças entre plantas e animais.
Contudo, hoje ela é uma importante disciplina científica que apresenta muitas
subdivisões: fisiologia vegetal, morfologia vegetal, anatomia vegetal, taxonomia e sistemática
vegetal, citologia, genética, biologia molecular, botânica econômica, ecologia e paleobotânica.
A palavra botânica provém do grego botané, significando “planta” e derivada do verbo
boskein, ‘alimentar”. No entanto as plantas entram em nossas vidas de inúmeras maneiras além
de servirem como fontes de alimento. Fornecem:
 Fibras para roupa
 Madeira para mobiliário
 Abrigo
 Combustível
 Papel
 Especiarias para tempero
 Drogas para medicamentos (‘princípios ativos’)
 Oxigênio que respiramos
 Além disso, possuem apelo estético, que contribui com a nossa qualidade de vida.
 Ou seja, uma dependência total!

1
Textos parcialmente compilados das Referências Bibliográficas citadas no final.
2
Um conhecimento da botânica é importante para tratar dos problemas de Hoje
e de Amanhã – o por que de classificar

“Classificar objetos é uma prerrogativa humana baseada na capacidade da mente de


conceitualizar e reconhecer a presença de propriedades similares em objetos individuais.
Propriedades e classes são abstrações relacionadas entre si: quando uma propriedade é
atribuída a um objeto, então o objeto torna-se membro de uma classe particular definida por
aquela propriedade”, explica QUINE (1987), citado por AGUIAR (2012).
De acordo com AGUIAR (2012), “Classificar organismos, ecossistemas, sinais,
formas, estruturas, comportamentos é, então, uma capacidade inata (Inata porque nasce conosco, não
é aprendida) que a mente humana realiza, geralmente, de forma involuntária e sem esforço. As
classes caracterizam-se por um dado conjunto de propriedades; a presença dessas
propriedades agrega objetos a classes. Cada classe tem a si associado um conceito
formalizado pelas suas propriedades.
Atribuir um nome científico, de qualquer categoria (e.g. espécie e família), a uma
planta, i.e. outorgar uma planta a uma dada classe – a um dado taxon envolve o
reconhecimento da presença de um conjunto de propriedades. O mesmo acontece quando se
aplicam nomes vulgares. Identificar uma planta com o nome Prunus avium, ou «cerejeira»,
pressupõe que se trata de uma de árvore de tronco acinzentado que se destaca por tiras
horizontais, com folhas serradas, flores completas de pétalas brancas e estames indefinidos,
polinizada por insetos, que produz frutos comestíveis, e por aí adiante. Uma planta cabe no
conceito de P. avium – uma classe de organismos vegetais com a categoria de espécie –
quando nela se reconhecem as propriedades de ser Prunus avium. Os nomes científicos ou
vulgares são uma expressão sintética de um conjunto de propriedades que se consubstanciam
num conceito; um nome por si só de pouco vale.
A mente humana organiza com mais facilidade objetos complexos, sejam eles plantas,
paisagens ou instrumentos de trabalho em grupos homogêneos do que soluciona, por exemplo,
equações matemáticas elementares. Pelo contrário, os programas informáticos de resolução
de equações matemáticas complexas são substancialmente mais simples, e eficientes, do que os
programas de “reconhecimento visual” de objetos. A classificação visual assistida por
computador envolve algoritmos intrincados de inteligência artificial, que permitem que as
máquinas aprendam com a experiência. O hardware da mente humana foi “desenhado” pela
evolução para desempenhar tarefas tão complexas como a envolvidas a identificação e a
classificação de entidades biológicas (uma entidade é algo de real, que existe por si próprio), porque estas
tarefas têm um enorme valor adaptativo: aumentam a fitness dos seus portadores. Classificar é
uma atividade indispensável para agir sobre realidades complexas, como é a diversidade
biológica. O sucesso reprodutivo dos indivíduos da nossa espécie, num passado recente,
dependeu, certamente, mais de uma correta identificação dos hábitos e das formas dos seres
vivos do que da abstração matemática. A componente inata do ato de identificar ou classificar
plantas também explica a precocidade da taxonomia na história da biologia.
1 Resultamde um processo de abstração, i.e. de redução de uma realidade complexa a um conjunto de
propriedades consideradas mais importantes do que as propriedades rejeitadas.

Esforços urgentes de botânicos e cientistas agrários serão necessários para nutrir a


população humana mundial em seu rápido crescimento. As plantas, algas e bactérias atuais
oferecem as melhores esperanças de prover uma fonte renovável de energia para as atividades
humanas, do mesmo modo como as plantas, algas e bactérias extintas foram responsáveis pelos
maciços acúmulos de gás, óleo e carvão, dos quais depende a nossa moderna civilização
industrial.
Novas e maravilhosas possibilidades têm-se desenvolvido durante os últimos anos para
a melhor utilização de plantas pelo povo. É agora possível estimular o crescimento das
plantas, inibir as suas pragas, controlar as ervas daninhas nas culturas e formar híbridos entre
plantas com muito mais precisão e com possibilidades muito mais amplas do que nunca antes.
O potencial dessas novas descobertas cresce a cada ano, à medida que descobertas adicionais
são feitas e novas aplicações são desenvolvidas.
3
Um conhecimento básico de botânica é útil em muitos aspectos e essencial em muitos
campos de atuação. É cada vez mais relevante para enfrentar alguns dos mais cruciais
problemas da sociedade e para assumir as difíceis decisões na escolha entre as alternativas
propostas para minimizá-los.
Enfim, com a moderna tecnologia, incluindo o contínuo desenvolvimento das técnicas
moleculares e de informática, estamos apenas no início do período mais excitante da história da
botânica. Por que? Porque o nosso próprio futuro, o futuro do mundo e o futuro de todas as
espécies de plantas dependem do nosso conhecimento. (RAVEN et al., 2001).

Tópicos sobre a BIODIVERSIDADE


(e CONSERVAÇÃO)
“Ao entrarmos no novo milênio, um dos mais críticos desafios globais é a conservação
da biodiversidade. Definida como a soma de todas as espécies, os ecossistemas e os processos
ecológicos, a biodiversidade não somente faz do nosso planeta um lugar especial do universo
mas também é responsável pela sobrevivência da própria espécie humana. A biodiversidade
não está igualmente distribuída ao redor da Terra. Estudos recentes apontam que 25 biomas
concentram 60% de toda a diversidade de vida do planeta em apenas 1,4% de sua superfície.
Esses biomas chamados de hotspots da biodiversidade, são as regiões mais ricas e também
mais ameaçadas do mundo. A Mata Atlântica, com mais de 6.000 espécies de plantas
endêmicas – que só ocorrem nessa região – e reduzida a menos de 8% de sua extensão original,
está entre os 5 hotspots mais críticos, o que faz dela uma prioridade mundial para
conservação.” (Roberto Klabin & Russel Mittermeier).

BIODIVERSIDADE
“Variabilidade entre os organismos vivos de todas as origens,
compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros
ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte;
compreende ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de
ecossistemas”. (Conceito segundo o Art. 2º da Convenção sobre Diversidade Biológica, 1992).
A Convenção da Diversidade Biológica é o primeiro instrumento legal para assegurar a
conservação e o uso sustentável dos recursos naturais. É uma das três “Convenções do Rio”,
resultantes da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável, também conhecida como “Cúpula da Terra”, realizada no Rio de Janeiro em 1992.
Ela entrou em vigor no final de 1993, com os seguintes objetivos:
- A conservação da diversidade biológica;
- A utilização dos recursos genéticos, mediante, inclusive, do acesso adequado aos
recursos genéticos; e
- A transferência adequada de tecnologia pertinentes, levando em conta todos os
direitos sobre tais recursos e tecnologias e mediante financiamento adequado.
Existem atualmente 193 países que fazem parte da Convenção, ou seja, que já
assinaram o acordo, o qual entrou em vigor em dezembro de 1993.
Três definições simples:
 BIODIVERSIDADE significa Diversidade Biológica
 BIODIVERSIDADE designa coletivamente os diversos organismos vivos presentes em
nosso planeta
 sinônimo de “Vida sobre a Terra”.
Obviamente que inclui:
 a variedade genética dentro das populações e espécies;
 a variedade de espécies da flora, da fauna e de microooganismos;
4
 a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos
ecossistemas; e
 a variedade de comunidades, habitats e ecossistemas formados pelos organismos.
Além disso, BIODIVERSIDADE refere-se ... ...
 tanto ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas
 quanto à abundância relativa (equitabilidade) dessas categorias
A biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo
equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas, e fonte de imenso potencial econômico. A
biodiversidade é a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais e, também, a
base para a estratégica indústria da biotecnologia. As funções ecológicas desempenhadas pela
biodiversidade são ainda pouco compreendidas, muito embora considere-se que ela seja
responsável pelos processos naturais e produtos fornecidos pelos ecossistemas e espécies que
sustentam outras formas de vida e modificam a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a
vida.
O número exato de espécies existentes no planeta é ainda desconhecido, mas aproxima-
se de 1,7 milhões. Estima-se, entretanto que pode variar de 5 a 100 milhões.

A BIODIVERSIDADE BRASILEIRA E A RIQUEZA DE ESPÉCIES

O Brasil, com uma área de 8,5 milhões de km2, é o quinto maior país em extensão
territorial, ocupando quase a metade da América do Sul (47,3%), representando
aproximadamente 5,7% da superfície emersa do Planeta. Essa área possui várias zonas
climáticas que incluem: o trópico úmido no Norte, o semi-árido no Nordeste e áreas
temperadas no Sul.
As diferenças climáticas contribuem para as diferenças ecológicas formando zonas
biogeográficas distintas chamadas biomas(2). O Brasil apresenta 6 grandes Domínios
Fitogeográficos: a Amazônia, maior floresta tropical úmida, que ocupa 49,29% do território; o
Cerrado (23,92%); a Mata Atlântica (13,04%), a Caatinga (9,92%), os Campos Sulinos ou
Pampas (2,07%) e o Pantanal, a maior planície inundável (1,76%). Apenas a Caatinga é
exclusivamente brasileira, ao passo que a Mata Atlântica tem cerca de 95% de sua área em
território nacional e o Cerrado a sua quase totalidade, possuindo extensões marginais, porém
contínuas no nordeste do Paraguai e leste da Bolívia.
A variedade de biomas reflete a riqueza da flora e fauna brasileiras, tornando-se as
mais diversas do mundo. Segundo Fioravanti (2016), os quase 50.000 exemplares de espécies
nativas (43% delas endêmicas) colocam o Brasil como o pais continental com maior
diversidade de espécies do mundo, seguido por China, Indonésia, México e África do Sul. Em
número de espécies endêmcas, perde apenas para grandes ilhas como Austrália, Madagascar e
Papua Nova Guiné, cujo isolamento favorece a formação de variedades únicas, e para apenas
uma área continental, o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul. Além disso, o Brasil ocupa o
1º lugar no total de espécies, possui a maior extensão de florestas tropicais da Terra e o 1º lugar
em diversidade de angiospermas.
Diversas espécies de plantas de importância econômica mundial são originárias do
Brasil, destacando-se o abacaxi, o amendoim, a castanha-do-pará, a mandioca, o caju, a
carnaúba e a piaçava, dentre muitas outras.

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(2)
Entende-se aqui Bioma como uma subdivisão biológica da superfície terrestre – que abrange grandes áreas
contínuas - e reflete o caráter ecológico e fisionômico da vegetação e que corresponde aproximadamente com
as regiões climáticas, embora outros fatores ambientais possam ser importantes e fazem com que um Bioma
seja dotado de uma diversidade biológica singular. À medida que as plantas evoluíram, elas vieram a constituir
biomas, grandes agrupamentos de plantas e animais. Os sistemas interativos que compõem os biomas e os seus
ambientes físicos são chamados “ecossistemas”.
5
O Brasil tem a flora mais rica do mundo, com mais de 46.000 espécies de plantas
(46.097, de acordo com Fioravante, 2016) – cerca de 20% da flora mundial. O Catálogo de
Plantas e Fungos no Brasil (2010), publicado por uma equipe do Instituto de Pesquisa do
Jardim Botânico do Rio de Janeiro, apresentou as listas de espécies devidamente catalogadas
até aquele ano, a saber: 26 de gimnospermas (7 gêneros); 31.160 de angiospermas (2.828 gen.),
sendo 17.628 endêmicas; 1.176 de pteridófitas (121 gen.); 6.795 de fungos (923 gen.); 1.521 de
briófitas (395 gen.); e 3.496 de algas (828 gen.).
Inventários locais revelaram uma diversidade especialmente alta para o bioma Mata
Atlântica. Por exemplo, 476 espécies de plantas foram identificadas em 1 só hectare na Estação
Biológica de Santa Luzia, no Espírito Santo e 458 de espécies arbóreas e arborescentes foram
identificadas na Serra do Conduru (hoje Parque Estadual Serra do Conduru), no Sul da Bahia
(Thomas et al., 1998).
O Brasil abriga o maior nº de primatas com 55 spp. (o que corresponde a 24% do total
mundial); de anfíbios com 516 spp.; e de animais vertebrados com 3.010 spp. de vertebrados
vulneráveis ou em perigo de extinção. Em termos de flora, o Brasil conta com mais de 55.000
spp. descritas, o que corresponde a ca. de 30% do total.
No entanto, esta biodiversidade não está distribuída de modo homogêneo pelo território
nacional. A biodiversidade brasileira distribui-se em mosaico, com níveis variados de
preservação, mas também com grande variação quanto ao número e categoria de seus
componentes/ecossistema. Áreas de grande diversidade, como fragmentos da Mata Atlântica,
se opõe àquelas habitadas por poucas espécies, como vastas extensões da Caatinga. Porém, em
grande parte do país, como norma, a biodiversidade vem sendo constantemente reduzida pela
ação humana.

IMPACTOS SOBRE A BIODIVERSIDADE

A perda da diversidade biológica envolve aspectos sociais, econômicos, culturais e


científicos. Biomas estão sendo ocupados em diferentes escalas e velocidades. Áreas muito
extensas de vegetação nativa foram devastadas no Cerrado do Brasil Central, na Caatinga e na
Mata Atlântica.
Daí, é necessário que sejam conhecidos “os estoques” dos vários hábitats naturais e dos
modificados existentes no Brasil, de forma a desenvolver uma abordagem equilibrada entre
conservação e utilização sustentável da diversidade biológica, considerando o modo de vida
das populações locais.
Os principais processos responsáveis pela perda da biodiversidade são:
1. Perda e fragmentação dos hábitats;
2. Introdução de spp. e doenças exóticas
3. exploração excessiva de spp. de plantas e animais;
4. Uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e nos programa de
reflorestamento;
5. Contaminação do solo, água, e atmosfera por poluentes; e
6. Mudanças climáticas.
Três razões principais justificam a preocupação com a conservação da diversidade biológica:
1º. Porque se acredita que a diversidade biológica seja uma das propriedades fundamentais
da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas;
2º. Porque se acredita que a diversidade biológica representa um imenso potencial de uso
econômico, em especial pela biotecnologia; e
3º. Porque se acredita que a diversidade biológica esteja se deteriorando, inclusive com
aumento da taxa de extinção de spp., devido ao impacto das atividades antrópicas.
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POR QUE CONSERVAR A BIODIVERSIDADE?
Devido às atividades humanas, as espécies e os ecossistemas são hoje objeto de
ameaças mais graves do que em qualquer outra época histórica. Este fenômeno constitui, por
um lado, uma tragédia ecológica mas tem, por outro lado, repercussões graves sobre o
desenvolvimento econômico e social. Pulo menos 40% da economia mundial e 80% das
necessidades dos pobres estão ligadas aos recursos biológicos. Por outro lado, quanto maior for
a diversidade biológica, maiores são as possibilidades de descobertas no domínio médico, do
desenvolvimento econômico e das possibilidades de formular soluções que nos permita adaptar
aos novos desafios tais como as mudanças climáticas.
A Convenção realizada no Rio de Janeiro, em 1992, definiu como objetivo “a
conservação da diversidade biológica, a utilização sustentável dos seus elementos e a partilha
justa e eqüitativa das vantagens provenientes da utilização dos recursos genéticos”.
Finalmente: a biodiversidade é de uma importância vital para nós, na medida em que a
nossa vida e os nossos meios estão dependendo dela.

PRINCIPAIS BIOMAS DO BRASIL


O Brasil é o quinto maior país em extensão territorial, com aproximadamente 5,7% da
superfície emersa do Planeta e 47,3% da área da América do Sul. Também detém
impressionante patrimônio natural, que o põe no topo da lista dos países megadiversos, os que
possuem maior número de espécies de plantas e animais (MMA, 2010).

1. Mata Atlântica
2. Caatinga
3. Cerrado
4. Pantanal
5. Floresta Amazônica
6. Campos Sulinos
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1. MATA ATLÂNTICA

Extensão aproximada: 1.110.182 Km2.


A Mata Atlântica é um complexo ambiental que engloba cadeias de montanhas, vales,
planaltos e planícies de toda a faixa continental atlântica leste brasileira, além de avançar sobre
o Planalto Meridional até o Rio Grande do Sul. Ela ocupa totalmente o Espírito Santo, o Rio de
Janeiro e Santa Catarina, 98% do Paraná e áreas de mais 13 Unidades da Federação.
Seu principal tipo de vegetação é a floresta ombrófila densa, normalmente composta
por árvores altas e relacionada a um clima quente e úmido. A Mata Atlântica já foi um dos
mais ricos e variados conjuntos florestais pluviais da América do Sul, mas atualmente é
reconhecida como o bioma brasileiro bastante descaracterizado. Isso porque os primeiros
episódios de colonização no Brasil e os ciclos de desenvolvimento do país levaram o homem a
ocupar e destruir parte desse espaço.
Não há dados precisos sobre a diversidade total de plantas da Mata Atlântica. Contudo,
considerando-se apenas o grupo das Angiospermas (vegetais que apresentam suas sementes
protegidas dentro de frutos), acredita-se que todo o Brasil possua entre 55.000 e 60.000
espécies (excluindo os fungos), ou seja, 22 a 24% do total que se estima existir no mundo.
Desse total, as projeções são de que a Mata Atlântica possua entre 20 e 25 mil espécies de
plantas (20.241, de acordo com Fioravanti, 2016), ou seja, entre 33% e 36% das existentes no
país. Para se ter uma idéia da grandeza desses números, basta compará-los às estimativas de
diversidade de angiospermas de alguns continentes: 17.000 spp. na América do Norte, 12.500
na Europa, entre 40.000 e 45.000 em toda a África. Até se comparada com a Floresta
Amazônica, a Mata Atlântica apresenta, proporcionalmente ao seu tamanho, maior diversidade
biológica (MMA, 2010).
A Mata Atlântica brasileira, especificamente, é uma das florestas mais ameaçadas do
mundo e encontra-se fragmentada de norte a sul do território brasileiro. Em média, apenas 6 a
8% da floresta original permanecem intactas (somente 2 % em condições de ser preservada no
Nordeste). Gouvêa et al. (1976) e Mori et al. (1983), destacam que a Mata Atlântica no sul da
Bahia engloba 4 tipos de florestas. A mais litorânea é a Floresta de Restinga, em seguida vem a
Floresta Úmida Sul-Baiana (floresta pluvial caracterizada por mais de 1.000 mm de chuva
anual e sem período seco definido), desta para a Floresta Estacional (Floresta Mesófila ou
semidecídua, caracterizada por aproximadamente 1.000 mm de chuva/ano e com um período
seco distinto) e, finalmente, para a Floresta de Cipó (floresta estacional decidual caracterizada
por cerca de 800 mm de chuva/ano e períodos secos e chuvosos bem definidos.
Thomas & Carvalho (1993) consideraram a diversidade da Mata Atlântica Sul-Baiana
bastante alta com base nos levantamentos fitosociológicos realizados numa floresta situada
entre Ilhéus e Itacaré. Em um hectare, incluindo árvores e lianas com DAP acima de 5 cm,
2.530 indivíduos e 458 espécies pertencentes a 65 famílias. Cerca de 160 foram representadas
por apenas um indivíduo e Myrtaceae foi a família mais diversa, com 524 árvores e 82 spp.
A alta diversidade biológica das florestas tropicais significa uma alta diversidade
genética. Preservar estas florestas significa a preservação de um amplo patrimônio genético.
No caso da Mata Atlântica, onde endemismo e diversidade são particularmente altos e a
extensão das áreas que permanecem intactas é pequena, as florestas preservadas são um
precioso recurso genético.
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A Mata Atlântica é o habitat de várias espécies florestais úteis, duas das quais
merecem atenção especial: o Pau-brasil (Caesalpinia echinata Lam.) e o Jacarandá-da-bahia
(Dalbergia nigra (Vell.) Allem ex Benth.), ambas leguminosas, em função da exploração
predatória que sofreram.
Além dessas, muitas outras espécies já fazem parte das Listas Oficiais das Espécies da
Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção; e de Espécies da Flora Brasileira com Carência de
Dados Científicos. Ambas foram publicadas pelo Ministério do Meio Ambiente, através da
Instrução Normativa de Setembro/2008.
Espécies ameaçadas de extinção, segundo a referida Instrução Normativa, são aquelas
com alto risco de desparecimento na natureza em futuro próximo, assim reconhecidas
oficialmente pelo Ministério do Meio Ambiente, com base em documentação científica
disponível.
Espécies com deficiência de dados, são aquelas cujas informações (distribuição
geográfica, ameaças/impactos, e usos, entre outras) são ainda deficientes, não permitindo
enquadrá-las com segurança na condição de “ameaçadas”.
A expansão geográfica, sempre em busca de aumentos da produção através da simples
ampliação de áreas de cultivo ou pastoreio esconde um fator mais inquietante: a redução da
base genética dos cultivos e dos rebanhos animais, com aumento da vulnerabilidade
genética.
O conceito de Mata Atlântica tem sido objeto de diversas controvérsias, principalmente
quanto à sua definição e delimitação. Isso se deve em parte aos vários sistemas de classificação
da vegetação baseados em diferentes parâmetros abióticos e fisionômicos, inadequados a uma
representação cartográfica da totalidade.
O processo de ocupação do Brasil levou a Mata Atlântica a uma drástica redução de sua
cobertura vegetal primitiva. Este Bioma, juntamente com os Campos Sulinos, abrigam os
maiores pólos industriais e silviculturais do Brasil, além dos mais importantes aglomerados
urbanios. A Mata Atlântica e seus ecossistemas associados, envolviam, originalmente, área de
1.375.000 km, correspondentes a cerca de 15% do território brasileiro, distribuídos por 17
estados: Piauí , Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia,
Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Espirito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná,
Santa Catarina e Rio Grande do Sul (MMA, 2002).
Atualmente, o Bioma está reduzido a menos de 8 % de sua extensão original, dispostos,
de modo esparso, ao longo da costa brasileira e no interior da região sul e sudeste. A dinâmica
de destruição foi mais acentuada durante as últimas três décadas, resultando em sérias
alterações para os ecossistemas que compõem o Bioma, devido, em particular, à alta
fragmentação do habitat e à perda de sua biodiversidade.
Estudos revelam que houve intensa aceleração do processo de destruição da Mata
Atlântica em período recente. O Atlas de Remanescentes mostra que, de 1985 a 1995, mais de
1 milhão de hectares foi desmatado em 10 estados dentro do domínio do Bioma.

Dados mais recentes, de acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata
Atlântica 2013-2014 (SOS Mata Atlântica, 2015):
9

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)


divulgam no Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de Maio de 2015), os novos dados do Atlas
dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, no período de 2013 a 2014.
O estudo aponta desmatamento de 18.267 hectares (ha), ou 183 Km², de remanescentes
florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2013 a 2014, o que equivale a
18 mil campos de futebol, constituindo, porém, uma queda de 24% em relação ao
período anterior (2012-2013), que registrou 23.948 ha.
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Piauí lidera desmatamento


Expansão do cultivo de grãos é responsável pela supressão de vegetação nativa em grandes
áreas do estado
Piauí foi o estado campeão de desmatamento no ano, com 5.626 ha. Um único município
piauiense, Eliseu Martins, foi responsável por 23% do total dos desflorestamentos observados
no período, com 4.287 ha.
É o segundo ano consecutivo que o Atlas observa padrão de desmatamento nos municípios ao
sul do Piauí, onde se concentra a produção de grãos. No período anterior, entre 2012 e 2013,
foram desmatados 6.633 ha em municípios da mesma região, com destaque para Manoel
Emídio (3.164 ha) e Alvorada do Gurguéia (2.460 ha).
Para Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica e coordenadora do
Atlas pela organização, esses dados são importantes para reforçar o debate sobre a proteção da
Mata Atlântica no Piauí. “Essa é uma importante região de fronteira agrícola e uma área de
transição entre a Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga, o que acende discussões sobre seu
grau de proteção. No entanto, são áreas incluídas no Mapa de Aplicação da Lei da Mata
Atlântica (Lei nº 11.428/06), que protege seus ecossistemas associados e deve ser cumprida”.
No oeste da Bahia está o segundo município com maior registro de desmatamento no período –
Baianópolis, com 1.522 ha. O motivo é semelhante aos dos desmatamentos observados no
Piauí: fronteira agrícola e expansão de produção de grãos em áreas de transição de Mata
Atlântica e Cerrado. Com 4.672 ha desmatados, a Bahia foi o terceiro Estado que mais
desmatou o bioma entre 2013 e 2014.
“Sabemos que a expansão agrícola é um importante ativo econômico para o Brasil, mas não
podemos continuar a conviver com um modelo de desenvolvimento às custas da floresta nativa
e de um Patrimônio Nacional. Por isto entraremos com solicitações de moratórias de
desmatamento nesses dois Estados, a exemplo do que ocorreu em Minas Gerais. Nossa
sociedade não aceita mais o desmatamento como o preço a pagar pela geração de riqueza”,
afirma Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.
Apesar da posição de segundo Estado que mais desmatou a floresta entre 2013 e 2014, com
5.608 ha, Minas Gerais reduziu em 34% o desmatamento se comparado ao período anterior.
Esta é a segunda queda consecutiva na taxa de desmatamento em Minas, que no ano anterior já
havia reduzido em 22%.
O recuo é resultado de moratória que desde junho de 2013 impede a concessão de licenças e
autorizações para supressão de vegetação nativa no bioma. A ação foi autorizada pelo Governo
de Minas Gerais, após solicitação da Fundação SOS Mata Atlântica e do Ministério Público
Estadual.

Ranking dos Estados


A tabela a seguir indica os desflorestamentos, em hectares, somente das florestas nativas (sem
contar outras classes, como vegetação de mangue e restinga), observados no período 2013-
2014, com comparativo e variação em relação ao período anterior (2012-2013):
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Obs.: na última coluna, em azul, Estados que reduziram o desmatamento. Em vermelho,


indicação de aumento comparado com o período anterior.

Estados que merecem atenção


Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, que em outras edições do Atlas já lideraram o
ranking dos maiores desmatadores da Mata Atlântica, apresentaram melhores resultados no
atual levantamento, mas ainda merecem atenção.
Paraná, quarto do ranking deste ano, perdeu 921 ha de florestas nativas no período 2013-2014,
queda de 57% em relação ao ano anterior, quando foram desmatados 2.126 ha. Os principais
focos de desmate aconteceram na região centro-sul e também na divisa com Santa Catarina,
quinto lugar no ranking, com 692 ha de áreas desmatadas.
Já Mato Grosso do Sul, importante produtor agrícola, ficou em sétimo lugar, com 527 ha
desmatados.

A caminho do desmatamento zero


Dos 17 Estados da Mata Atlântica, nove apresentaram desmatamentos menores do que 100 ha,
o equivalente a 1 km2. São eles: São Paulo (61 ha), Rio Grande do Sul (40 ha), Pernambuco
(32 ha), Goiás (25 ha), Espírito Santo (20 ha), Alagoas (14 ha), Rio de Janeiro (12 ha), Sergipe
(10 ha) e Paraíba (6 ha).
Com tais índices, esses Estados aproximam-se da meta do desmatamento zero no bioma e
abrem oportunidades para outra discussão: a necessidade de se recuperar as áreas já
desmatadas.
Este objetivo foi abordado recentemente, em 13 de maio, no primeiro Encontro dos Secretários
de Meio Ambiente dos Estados da Mata Atlântica. A reunião inédita, realizada no Palácio
Guanabara, sede do Governo do Rio de Janeiro, integrou as atividades do Viva a Mata 2015 e
contou com a presença de oito secretários e mais seis representantes de secretarias de meio
ambiente e órgãos ambientais no diálogo para o alinhamento de propostas e estratégias para a
conservação e recuperação da Mata Atlântica.
Compareceram os Secretários de Meio Ambiente dos Estados do Ceará, Artur Bruno; do Rio
de Janeiro, André Côrrea; do Espírito Santo, Rodrigo Judice; do Rio Grande do Sul, Ana Maria
Pellini; do Piauí, Luis Henrique Carvalho; de São Paulo, Patricia Iglecias Lemos; de Alagoas,
12
Claudio Alexandre Ayres da Costa; e do Paraná, Ricardo José Soavinski. Os Estados da
Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte enviaram
representantes.
O encontro foi o ponto de partida para a elaboração de uma carta conjunta, intitulada “Uma
nova história para a Mata Atlântica”, que irá consolidar o compromisso das autoridades em
ampliar a cobertura florestal nativa e perseguir a meta de zerar o desmatamento ilegal no bioma
até 2018.
“Os 12,5% da Mata Atlântica que restam de pé, com suas paisagens e beleza cênica, são um
patrimônio natural com potencial turístico invejável. Prestam ainda diversos serviços
ambientais, como a conservação das águas que abastecem as nossas cidades e a estabilidade
dos solos, tão essenciais à agropecuária. Preservar o que restou e restaurar o que se perdeu
precisa ser uma agenda estratégica para o país”, ressalta Marcia Hirota.

Mangue e Restinga
No período de 2013 a 2014 não foi identificada, pela escala adotada, supressão da vegetação de
mangue. Na Mata Atlântica as áreas de manguezais correspondem a 231.051 ha.
Bahia (62.638 ha), Paraná (33.403 ha), São Paulo (25.891 ha) e Sergipe (22.959 ha) são os
Estados que possuem as maiores extensões de mangue.
Já a supressão de vegetação de restinga foi de 309 ha. O maior desmatamento ocorreu no
Ceará, com 193 ha, seguido do Piauí (47 ha), Paraíba (29 ha), São Paulo (28 ha), Bahia (6 ha) e
Paraná (6 ha).
A vegetação de restinga na Mata Atlântica equivale a 641.284 ha. São Paulo possui a maior
extensão (206.698 ha), seguido do Paraná (99.876 ha) e Santa Catarina (76.016 ha).

Histórico do desmatamento
Confira o total de desflorestamento na Mata Atlântica identificados pelo estudo em cada
período (em hectares):
Abaixo, gráfico do histórico do desmatamento desde 1985:

Segundo Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE, nesta
oportunidade foram utilizadas imagens do sensor OLI do satélite Landsat 8, as quais
apresentam características técnicas similares daquelas utilizadas na geração das versões
anteriores deste Atlas. “Essa similaridade garante a comparação entre dados gerados em
edições passadas do Atlas, que foram geradas fundamentalmente pela análise de imagens do
sensor TM/Landsat 5”.

Mapa da Área da Aplicação da Lei no 11.428


Desde sua quinta edição, de 2005-2008, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata
Atlântica considera os limites do bioma Mata Atlântica tendo como base o Mapa da Área da
Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006. A utilização dos novos limites para os biomas brasileiros
implicou na mudança da área total, da área de cada Estado, do total de municípios e da
porcentagem de Mata Atlântica e de remanescentes em cada uma destas localidades.
A Mata Atlântica está distribuída ao longo da costa atlântica do país, atingindo áreas da
Argentina e do Paraguai nas regiões Sudeste e Sul. De acordo com o Mapa da Área de
Aplicação da Lei nº 11.428, a Mata Atlântica abrangia originalmente 1.309.736 km2 no
13
território brasileiro. Seus limites originais contemplavam áreas em 17 Estados: PI, CE, RN,
PE, PB, SE, AL, BA, ES, MG, GO, RJ, MS, SP, PR, SC e RS.
Nessa extensa área, vivem atualmente mais de 72% da população brasileira.
 Acesse os dados completos no servidor de mapas http://mapas.sosma.org.br.
 Acesse o relatório técnico: https://www.sosma.org.br/link/atlas_2013-
2014_Mata_Atlantica_relatorio_tecnico_2015.pdf
 Faça download de imagens das áreas monitoradas
em: https://www.sosma.org.br/download/atlas/. (Créditos: SOS Mata Atlântica/ INPE)
 Confira o histórico do projeto: https://www.sosma.org.br/projeto/atlas-da-mata-
atlantica/historico/

Especificamente para a Bahia, com base nos dados da Lei N° 11.428 de 22/12/2006, do
IBGE e MMA/Probio 2006, apresentados pelo MMA (2010), a Mata Atlântica ocupava
originalmente 33,25% do território baiano, distribuída por 5 regiões: Litoral Norte, Baixo Sul,
Sul, Extremo Sul e a Chapada Diamantina e encraves florestais no Oeste. Essas regiões
apresentam características ecológicas, históricas de ocupação humana, usos do solo e pressões
antrópicas distintas. Restam no estado 35,75% de remanescentes ou 6.711.539,05 hectares (= a
67.115,39 km2), incluindo os vários estágios de regeneração em todas as fisionomias.
No sentido amplo do termo, a Floresta Atlântica engloba um diversificado mosaico de
ecossistemas florestais com estruturas e composições florísticas bastante diferenciadas, acom-
panhando a diversidade dos solos, relevos e características climáticas da vasta região onde
ocorre, tendo como elemento comum a exposição aos ventos úmidos que sopram do oceano.
Caracterizadas por sua fisionomia alta e densa, são conseqüências da variedade de
espécies pertencentes a várias formas biológicas e estratos. Nessa floresta, a vegetação dos
níveis inferiores vive em um ambiente bastante sombrio e úmido, sempre dependente do estrato
superior.
O grande número de lianas, epífitas, fetos arborescentes e palmeiras dá a esta floresta
um caráter tipicamente tropical. Os ambientes do Litoral Norte são muito sensíveis porque
ainda estão em formação. A natureza ainda não terminou de fazê-los. Dunas, restingas,
banhados, lagoas, campos e matas formam corredores de vida silvestre, com papel definido na
harmonia da região. Exemplos são a gralha azul, que planta o pinhão na Serra, e os pássaros
que comem as sementes da figueira e semeiam, com sua defecação, futuras mudas de figueira
em todo o Litoral Norte.
Atualmente cerca de 123 milhões de pessoas, quase 60 % da população brasileira,
vivem nessa área que, além de abrigar a maioria das cidades e regiões metropolitanas do País
(num total de 3.410 municípios), sedia também os grandes pólos industriais, químicos,
petroleiros e portuários do Brasil, respondendo por 80% do PIB nacional.
Apesar de sua história de devastação, a Floresta Atlântica ainda possui remanescentes
florestais de extrema beleza e importância que contribuem para que o Brasil seja considerado o
país de maior diversidade biológica do planeta.
Em relação à ocupação e utilização da Floresta Atlântica, a floresta nativa deu lugar às
culturas de cana-de-açúcar, cacau e café, além da pecuária, da floresta cultivada e dos pólos de
desenvolvimento urbano. Em fevereiro de 1993, um novo decreto regulamentou a exploração
da Floresta Atlântica. Em 22 de dezembro de 2006, o Presidente da República assinou a Lei N°
11.428, que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica.
O MMA (2010) apresenta o Mapa da Área de Aplicação desta Lei, elaborado pelo IBGE em
2009, o qual contempla as configurações originais das formações florestais e ecossistemas
associados, bem como os encraves florestais e brejos de altitude interioranos que integram a
Mata Atântica: Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista (Mata de Araucárias),
Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual,
Campos de Altitude, Áreas das Formações Pioneiras (Manguezais, restingas, Campos Salinos e
Áreas Aluviais), Refúgios Vegetacionais, Áreas de Tensão Ecológica, Brejos de Altitude
Interioranos e Encraves Florestais (representados por disjunções de floresta ombrófila densa,
floresta ombrófila aberta, floresta estacional semidecidual e floresta estacional decidual), Áreas
de Estepe, Savanas e Vegetação Nativa das Ilhas Costeiras e Oceânicas.
14
O referido Mapa, na escala 1:5.000.000 pode ser encontrado nos sítios eletrônicos do
IBGE e do MMA: www.ibge.gov.br ou www.mma.gov.br .
As principais causas do desmatamento são a proliferação das pastagens, o plantio de
eucaliptos e a implantação de monoculturas comerciais como a soja e a cana. Essa diversidade,
ao mesmo tempo em que representa uma excepcional riqueza de patrimônio genético e
paisagístico, torna a mata externamente frágil.
O ambiente é superúmido, devido às grandes quantidades de árvores, que tornam a
floresta mais fechada. O clima é tropical, com influência oceânica, com precipitação anual que
varia de 1.000 a 1.750 mm. Não bastasse o fato de ser uma floresta tropical, com vários
ecossistemas associados, a Floresta Atlântica teve sua diversidade biológica ainda mais
ampliada pela intensidade das transformações que sofreu ao longo dos últimos anos.
Especialmente durante o período quaternário, marcado por fortes mudanças climáticas,
a Floresta Atlântica viveu momentos de forte retração durante as glaciações, resistindo,
fragmentada, apenas em alguns locais conhecidos como "refúgios do pleistoceno", quando as
condições climáticas eram mais amenas.
O relevo é constituído por colinas e planícies costeiras, acompanhadas por uma cadeia
de montanhas. Os solos são de fertilidade média, porém, a área com relevo acidentado constitui
limitação forte para uso intensivo das terras com cultivos anuais. Mas no interior da floresta o
solo é pobre, que se mantém pela decomposição acelerada de matéria orgânica proveniente dos
restos vegetais que caem no chão.
Segundo os botânicos, a Floresta Atlântica é a mais diversificada do planeta (20 a 25
mil espécies de plantas) das existentes no país. O elevado índice de chuvas ao longo do ano
permite a existência de uma vegetação rica, densa, com árvores que chegam a 30 metros de
altura. Destacam-se o pau-brasil, o jequitibá, as quaresmeiras, o jacarandá, o jambo e o
jambolão, o xaxim, o palmito, a paineira, a figueira, a caviúna, o angico, a maçaranduba, o ipê-
rosa, o jatobá, a imbaúba, o murici, a canela-amarela, o pinheiro-do-paraná, e outras. Em um
curto espaço, pode-se encontrar mais de 50 espécies vegetais diferentes.
As regiões sul da Bahia e norte do Espírito Santo abrigam várias espécies endêmicas de
angiospermas, incluindo três gêneros de leguminosas (Arapatiella, Brodriguesia, e
Harleyodendron) (Lewis, 1987), quatro gêneros de gramíneas da subfamília Bambusoideae
(Atractantha, Anomochloa, Alvimia e Sucrea), a maioria das espécies de Inga seção Affonsea
(Fabaceae), o gênero Trigoniodendron (Trigoniaceae), e a piaçava, Attalea funifera
(Arecaceae), uma palmeira de grande importância econômica (Guimarães e Silva, 2012).
Thomas et al. (1998) estimaram o nível de endemismo da flora de duas áreas
localizadas na zona da Floresta Higrófila Sul Baiana. As estimativas foram feitas com o intuito
de avaliar o endemismo na Floresta Atlântica como um todo e na área mais restrita ao sul da
Bahia e norte do Espírito Santo, e derivaram de análises da distribuição das espécies
conhecidas de cada área. Os checklists das espécies de cada área basearam-se nos espécimes
identificados, resultado de intenso trabalho de coleta em uma floreta próxima de Serra Grande
(40 km ao norte de Ilhéus) e na Reserva Biológica de Una (40 km ao sul de Ilhéus). Na Reserva
de Una, 44,1 % das espécies são endêmicas das florestas costeiras e 28,1 % endêmicas do sul
da Bahia e norte do Espírito Santo. Em Serra Grande, 41,6 % das espécies são endêmicas das
florestas costeiras e 26,5 % endêmicas do sul da Bahia e norte do Espírito Santo.
O endemismo e a especificidade de hábitats são dois fatores fundamentais na
determinação da raridade das espécies (Bibby et al., 1992; Goerck, 1997; Rabinowitz et al.,
1986). Apesar do conhecimento que o endemismo local (como definido por Gentry, 1986) é
alto na região sul da BA e norte do ES, e que o endemismo está correlacionado com a raridade,
não tem sido feitas tentativas para listar as espécies de plantas endêmicas nesses dois Estados.
O novo gênero e espécie da familia Rutaceae, a Andreadoxa flava Kallunki, é um caso
especial de endemismo muito restrito pois, mesmo apresentando uma vistosa floração, têm-se o
registro de apenas três coletas e todas elas em um só indivíduo localizado na área do CEPEC -
Centro de Pesquisas do Cacau. O typus foi coletado em 9 de dezembro de 1981, na Quadra I, e
uma duplicata doi imediatamente encaminhada para o Museu Nacional do Rio de Janeiro.
A descoberta foi feita somente em 1988, pela pesquisadora Jacquelyn Kallunki, do
Jardim Botanico de Nova York, cuja descrição foi publicada na revista Brittonia, onde nomeou
15
o exemplar do CEPEC como holótipo e o do Museu Nacional como isótipo nesta descrição
original. As outras duas coletas foram nomeadas como parátipos e duplicatas de uma delas
estão depositadas nos Herbários K, NY, US, além do CEPEC. A autora menciona que o fator
raro pode ser devido às exigências do solo: profunfo e alta fertilidade do local. Trata-se de uma
árvore mediana de cerca de 15m de altura por 12-15cm de diâmetro e a espécie faz homenagem
ao pesquisador André Maurício Vieira de Carvalho, Curador do Herbário CEPEC, Ilhéus.
Em relação à fauna a Floresta Atlântica representa uma das mais ricas em diversidade
de espécies de animais e está entre as cinco regiões do mundo que possuem o maior número de
espécies endêmicas. Está intimamente relacionada com a vegetação, tendo uma grande
importância na polinização de flores, e dispersão de frutos e sementes. A precariedade dos
levantamentos sobre a fauna da Mata Atlântica torna sua descrição e análise mais difícil que no
caso da vegetação (Adams, 2000), mas, apesar da carência de informações para alguns grupos
taxonômicos, estudos comprovam uma diversidade bastante alta.
Os animais podem ser divididos em dois grupos, de acordo com o grau de exigência:
a. Os generalistas são pouco exigentes, apresentam hábitos alimentares variados, altas
taxas de crescimento e alto potencial de dispersão. Estes fatores permitem a estes
animais viverem em áreas de vegetação mais aberta ou mata secundária. São chamados
de generalistas por causa do alto grau de tolerância e à capacidade de aproveitar
eficientemente diferentes recursos oferecidos pelo ambiente. Ex: sabiá-laranjeira,
sanhaço, pica-pau, gambá, morcegos, entre outros.
b. Os especialistas, ao contrário dos primeiros, são extremamente exigentes quanto aos
habitats que acupam. São animais que vivem em áreas de floresta primária ou
secundária em alto grau de regeneração, apresentando uma dieta bastante específica.
Para este grupo, a alteração do ambiente significa a necessidade de procurar novos
hábitats que apresentem condições semelhantes às anteriores. Ocorre também a
necessidade de grandes áreas para sobreviverem, sendo que sua redução pode ocasionar
a impossibilidade de encontrar um parceiro para reprodução, comprometendo o número
de indivíduos da espécie, podendo levá-la à extinção. Alguns destes animais, por
representarem o topo de cadeias alimentares, possuem um número reduzido de filhotes,
o que dificulta ainda mais a manutenção destas populações. Ex: onça-pintada, mono-
carvoeiro, jacutingas, gavião-pombo, entre outros.
A relação entre animais e plantas da Mata Atlântica é bastante harmônica. O
fornecimento de alimento ao animal em troca do auxílio na perpetuação de uma espécie
vegetal, é bastante comum. As plantas com flores e seus polinizadores foram adaptando
hábitos e necessidades ao longo de milhões de anos de convívio. Flores grandes e coloridas
atraem muitos beija-flores, as perfumadas atraem as mariposas e algumas flores, para atrair
moscas, exalam um perfume semelhante ao de podridão. Acredita-se que três a cada quatro
espécies vegetais da Mata Atlântica, sejam dispersadas por animais, principalmente por aves e
mamíferos, que alimentam-se de frutos e defecam as sementes ou as eliminam antes da
ingestão. Pássaros frugívoros possuem grande percepção visual e se alimentam de sementes
muitas vezes bem pequenas. Jacarés e lagartos, aproveitam os frutos caídos no chão e
mamíferos como os macacos, acabam proporcionando a dispersão em grandes áreas.
A Floresta Atlântica possui uma grande biodiversidade de animais, além de muitos que
já estão ameaçados de extinção, como: a onça-pintada, a jaguatirica, o mono-carvoeiro, o
macaco-prego, o guariba, o mico-leão-dourado, vários sagüis, a preguiça-de-coleira, o
caxinguelê, o tamanduá. Um breve resumo sobre os grupos:
Mamíferos - A Mata Atlântica possui 270 espécies de mamíferos, sendo 95 endêmicas, com a
possibilidade de existirem diversas desconhecidas. São os componentes da fauna que mais
sofreram com os vastos desmatamentos e a caça, verificando-se o desaparecimento total de
algumas espécies em certos locais. Há uma grande quantidade de roedores e quirópteros (mor-
cegos), e apesar de não ser tão rica em primatas quanto a Amazônia, possui um nº razoá-vel de
espécies (Adams, 2000). Exceto em relação aos primatas, quase nada se sabe sobre a situação
dos demais grupos de mamíferos da Mata Atlântica. (Coimbra Filho, 1984; Câmara, 1991).
16
Aves – Este bioma apresenta uma das mais elevadas riquezas de aves do planeta, com 1020
espécies. É um importante centro de endemismo, com 188 espécies endêmicas e 118
ameaçadas de extinção. Estas espécies encontram-se ameaçadas principalmente pela destruição
de habitats, pelo comércio ilegal e pela caça seletiva de várias espécies. Um dos grupos que
corre maior risco de extinção é o das aves de rapina (gaviões, por exemplo), que apesar de ter
uma ampla distribuição, estão sofrendo uma drástica redução de seus nichos. Várias espécies
quase se extinguiram pela caça, como é o caso dos beija-flores e psitacídeos em geral (araras,
papagaios, periquitos) (Por, 1992).
Anfíbios - Com hábitos predominantemente noturnos e discretos, o que os torna pouco visíveis
em seu ambiente natural, os anfíbios representam um dos mais fascinantes grupos. Exploram
praticamente todos os hábitats disponíveis; apresentam estratégias reprodutivas altamente
diversificadas e muitas vezes bastante sofisticadas, ocupam posição variável na cadeia
alimentar e possuem vocalizações características, demonstrando a diversificação biológica e
seu sucesso evolutivo. Em relação aos anuros (sapos, rãs e pererecas), um ecossistema bastante
importante é o conhecido "copo" das bromélias, um reservatório que serve de moradia,
alimentação e local para reprodução de algumas espécies. A Mata Atlântica concentra 372
espécies de anfíbios, cerca de 65% das espécies brasileiras conhecidas. Destas, 260 são
endêmicas, evidenciando a importância deste grupo.
Répteis - Em relação à fauna de répteis, grande parte apresenta ampla distribuição geográfica,
ocorrendo em outras formações como a Amazônia, Cerrado e até na Caatinga. No entanto, são
conhecidas muitas espécies endêmicas da Mata Atlântica, por exemplo, o jacaré-do-papo-
amarelo (Caiman latirostris) (MMA,2000). Uma comparação entre os répteis da Amazônia, da
Mata Atlântica e do Nordeste dos Andes (Dixon, 1979, apud Por, 1992) mostrou que a Mata
Atlântica possui cerca de 200 espécies, das quais 43 também existem na Amazônia, 1 nos
Andes e 18 são de larga distribuição neotropical. O endemismo dos répteis da Mata Atlântica é
bastante acentuado (60 Spp.), entretanto novas espécies ainda estão sendo descobertas.
Peixes - Os ecossistemas aquáticos da Mata Atlântica brasileira possuem fauna de peixes muito
variada, associada de forma íntima à floresta que lhe proporciona proteção e alimento. (MMA,
2000). O número total de espécies de peixes da Mata Atlântica é 350, destas, 133 são
endêmicas. O alto grau de endemismo é resultado do processo de evolução das espécies, em
área isolada das demais bacias hidrográficas brasileiras. (MMA, 2000). A maior parte dos rios
encontra-se degradada, principalmente pela eliminação das matas ciliares, erosão,
assoreamento, poluição e represamento. Apesar de estudada há bastante tempo, a fauna de água
doce brasileira não é bem conhecida. Nos rios da mata ombrófila densa, existem espécies
dependentes da floresta para seu ciclo de vida, principalmente aquelas que se alimentam de
insetos, folhas, frutos e flores (Adams, 2000), contribuindo também para a dispersão de
sementes e frutos e para a manutenção do equilíbrio do ambiente aquático. Estes dados não
incluem os insetos, os quais ocorrem em enorme quantidade.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2010), o bioma Mata Atlântica
abriga também o maior nº de espécies ameaçadas: são 185 espécies de vertebrados (69,8% das
espécies ameaçadas do Brasil), dos quais 118 aves, 16 anfíbios, 38 mamíferos e 13 répteis.
Infelizmente, nesse cenário de grande riqueza e endemismo de espécies observa-se
também um elevado número de espécies em extinção. Em alguns grupos, como o das aves,
10% das espécies encontradas no bioma se enquadram em alguma categoria de ameaça. No
caso dos mamíferos, o número de espécies ameaçadas de extinção atinge cerca de 14%.
Das 472 espécies da flora brasileira que constam na atual Lista Oficial de Espécies
Ameaçadas de Extinção, 276 espécies, ou seja, mais de 50% são da Mata Atlântica.
As principais áreas preservadas se encontram em parques nacionais, como o de
Superagüi (PR), de Itatiaia (MG, RJ), da Serra da Bocaina (SP, RJ), do Monte Pascoal e da
Chapada Diamantina (ambos na BA) e do Iguaçu (PR); em parques estaduais como os da Ilha
do Cardoso, da Ilha de São Sebastião, da Ilha Anchieta e da Serra do Mar, do Vale do Ribeira,
da Serra do Japi (todos em SP), do Desengano (RJ) e nas estações ecológicas de Tapacurá
(PE), Caratinga (MG), Poço das Antas (RJ) e Juréia (SP).
17
ECOSSISTEMAS DA MATA ATLÂNTICA NA BAHIA
ECOSSISTEMA LOCALIZAÇÃO CARACTERÍSTICA

MANGUE  Desembocaduras dos grandes  Baixa diversidade de ssp.


rios e nas baias que possuem  Alta densidade de árv./ha
ilhas  Volume de 100m3/ha
 Praticamente em todo o litoral
da Bahia

VEGETAÇÃO DA  As áreas costeiras não ocupadas  Ervas prostradas, adaptadas à alta


PRAIA por manguezais, entre a preamar salinidade e à areia solta, em
e a restinga estreita área

RESTINGA  Ocorre ao longo da costa, entre a  Vegetação em áreas planas e de


vegetação de praia e as 1as solos exclusivamente arenosos
elevações que coincidem com o (areias quartzosas marinhas)
começo da Mata Higrófila  Geralmente arbustiva e subarbórea
 Vol. de madeira: 20 m3/ha

BREJO  Áreas permanentemente  Presença maciça de ssp. Herbáceas


inundadas, por água doce, próx. (a ex. de taboa, aninga e muitas
às margens dos rios e lagoas Ciperáceas)

MATA CILIAR  Vegetação que margeia os rios,  Vegetação rica em spp. de todos os
(VÁRZEA) principalmente aqueles portes, localizada em solo aluvial,
susceptíveis a periódicas cheias frequentemente rico em matéria
orgânica

MATA HIGRÓFILA  Faixa de +/- 70 km de largura,  Diversidade de Spp. (e de cultivos).


paralela à costa, com algumas  Ocorrência de elementos arbóreos
áreas remanescentes da mata. de grande porte.
 Precipitação acima de 1.000  Vol. de madeira: 10 a 420 m3/ha
mm/ano

MATA MESÓFILA  Faixa central do polígono da  Vegetação semi-caducifólia


Região Cacaueira  Precipitação 800 – 1.000 mm/ano.
 Relevo ondulado  Média de 120m3/há
 Remanescentes de mata sempre
nos topos

MATA DE CIPÓ No Planalto de Conquista e Poções  Topografia plana


 Precipitação pluviométrica em
torno de 800 mm/ano
OUTROS NA
RESTINGA:
CAMPOS NATURAIS - Litoral
“C. RUPESTRES” - Litoral (?)
“CERRADO” - Litoral (?)
18

2. CAATINGA

Extensão aproximada: 844.453 Km2.


A caatinga (cujo nome é de origem indígena e significa “mata clara e aberta; “mata
branca”), é o único bioma exclusivamente brasileiro e ocupa cerca de 11% do territorio
brasileiro. Isto significa que grande parte do patrimônio biológico dessa região não é
encontrada em outro lugar do mundo além de no Nordeste do Brasil. Estende-se pelos estados
do Ceará (totalmente), Rio Grande do Norte (95%), da Paraíba (92%), de Pernambuco (83%),
do Piauí (63%), da Bahia (54%), de Sergipe (49%), do Alagoas (48%) e do Maranhão (1%). A
caatinga também cobre 2% do Norte de Minas Gerais.
De acordo com FIORAVANTI (2016), o Bioma Caatinga, possui atualmente 5,780
espécies de plantas, algas e fungos.
A caatinga tem uma fisionomia de deserto, com índices pluviométricos muito baixos, em
torno de 500 a 700 mm anuais. Em certas regiões do Ceará, por exemplo, embora a média para
anos ricos em chuvas seja de 1.000 mm, pode chegar a apenas 200 mm nos anos secos. A
temperatura se situa entre 24 e 29 ºC e varia pouco durante o ano. Além dessas condições
climáticas rigorosas, a região das caatingas está submetida a ventos fortes e secos, que
contribuem para a aridez da paisagem nos meses de seca. Na realidade, esse bioma está sujeito
a dois períodos secos anuais: um de longo período de estiagem, seguido de chuvas
intermitentes e um de seca curta seguido de chuvas torrenciais (que podem faltar durante anos).
Dos ecossistemas originais da caatinga, 80% foram alterados, em especial por causa de
desmatamentos e queimadas.
As plantas da caatinga possuem adaptações ao clima, tais como folhas transformadas em
espinhos, cutículas altamente impermeáveis, caules suculentos etc. Todas essas adaptações lhes
conferem um aspecto característico denominado xeromorfismo (do grego xeros, seco, e
morphos, forma, aspecto).
Duas adaptações importantes à vida das plantas nas caatingas são a queda das folhas na
estação seca e a presença de sistemas de raízes bem desenvolvidos. A perda das folhas é uma
adaptação para reduzir a perda de água por transpiração e raízes bem desenvolvidas aumentam
a capacidade de obter água do solo.
A temperatura do solo chega a 60ºC e o sol forte acelera a evaporação da água das lagoas
e rios que, nos trechos mais estreitos, secam e param de correr. Quando chega o verão, as
chuvas encharcam a terra e o verde toma conta da região. Mesmo quando chove, o solo raso e
pedregoso não consegue armazenar a água que cai e a temperatura elevada provoca intensa
evaporação. Por isso, somente em algumas áreas próximas às serras, onde a abundância de
chuvas é maior, a agricultura se torna possível.
A vegetação do bioma é extremamente diversificada, incluindo, além das caatingas,
outros ambientes associados. São reconhecidos 12 tipos diferentes de Caatingas, que chamam
atenção especial pelos exemplos fascinantes de adaptações aos hábitats semi-áridos. Tal
situação pode explicar, parcialmente, a grande diversidade de espécies vegetais, muitas das
quais endêmicas ao bioma.
A caatinga apresenta três estratos: arbóreo (8 a 12 metros), arbustivo (2 a 5 metros) e o
herbáceo (abaixo de 2 metros). Contraditoriamente, a flora dos sertões é constituída por
espécies com longa história de adaptação ao calor e à seca, é incapaz de reestruturar-se
19
naturalmente se máquinas forem usadas para alterar o solo. A degradação é, portanto,
irreversível na caatinga.
O aspecto geral da vegetação, na seca, é de uma mata espinhosa e agreste. Algumas
poucas espécies da caatinga não perdem as folhas na época da seca. Entre essas destaca-se o
juazeiro, uma das plantas mais típicas desse ecossistema.
Ao caírem as primeiras chuvas no fim do ano, a caatinga perde seu aspecto rude e torna-
se rapidamente verde e florida. Além de cactáceas, como Cereus (mandacaru e facheiro) e
Pilocereus (xiquexique), a caatinga também apresenta muitas leguminosas (mimosa, acácia,
emburana, etc.). Algumas das espécies mais comuns da região são a emburana, a aroeira, o
umbu, a baraúna, a maniçoba, a macambira, o mandacaru e o juazeiro.
No meio de tanta aridez, a caatinga surpreende com suas "ilhas de umidade" e solos
férteis. São os chamados brejos, que quebram a monotonia das condições físicas e geológicas
dos sertões. Nessas ilhas, é possível produzir quase todos os alimentos e frutas peculiares aos
trópicos.

3. CERRADO

Extensão aproximada: 2.036.448 Km2.


Localizado basicamente no Planalto Central do Brasil, o cerrado é o segundo maior
bioma do País, cobre 22% do território brasileiro e é superado apenas pela Floresta Amazônica.
O bioma é cortado por três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul, com índices
pluviométricos regulares que lhe propiciam biodiversidade. Ocupa totalmente o Distrito
Federal e boa parte de Goiás (97%), de Tocantins (91%), do Maranhão (65%), do Mato Grosso
do Sul (61%) e de Minas Gerais (57%), além de cobrir áreas menores de outros Estados (Mato
Grosso, Bahia, Piauí, Ceará e Distrito Federal e, em menor proporção os Estados de Roraima,
Pará, Amapá e Amazonas).
É no Cerrado que está a nascente das três maiores bacias da América do Sul
(Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em elevado potencial aquífero e
grande biodiversidade. De acordo com FIORAVANTI (2016), esse bioma abriga
atualmente 13.488 espécies de plantas, algas e fungos.
As savanas do Brasil destacam-se como unidades fitofisionômicas pela sua grande
expressividade quanto ao percentual de áreas ocupadas. Dependendo do seu adensamento e
condições edáficas, pode apresentar mudanças diferenciadas denominadas de Cerradão, Campo
Limpo e Cerrado, entremeadas por formações de florestas, várzeas, campos rupestres e outros.
Dentro do bioma Cerrado destaca-se o ecossistema Campo Rupestre, tipo de
vegetação sobre topos de serras e chapadas de altitudes superiores a 900m com afloramentos
rochosos onde predominam ervas e arbustos, podendo ter arvoretas pouco desenvolvidas. Em
geral, ocorre em mosaicos, não ocupando trechos contínuos. Apresenta topografia acidentada e
grandes blocos de rochas com pouco solo, geralmente raso, ácido e pobre em nutrientes
orgânicos. Em Campos Rupestres é alta a ocorrência de espécies vegetais restritas
geograficamente àquelas condições ambientais (endêmicas), principalmente na camada
herbáceo-subarbustiva. Algumas espécies destacam-se nessa vegetação como: Wunderlichia
20
spp (flor-do-pau), Bulbophyllum rupiculum (orquídea), Xyris paradisiaca (pirecão) e
Paniculum chapadense (gramínea).
Apesar de abranger uma extensa área, a região de cerrado apresenta clima bastante
regular, classificado como continental tropical semi-úmido.A temperatura média é de 25ºC,
registrando máximas de 40ºC no verão. Os meses mais frios são junho e julho, com
temperaturas que variam de 20 a 10ºC. Em agosto a temperatura é mais alta.
Um dos fatores limitantes no Cerrado é a deficiência hídrica, que ocorre devido à má
distribuição das chuvas, à intensa evapotranspiração e às características dos solos que
apresentam baixa capacidade de retenção de água e alta velocidade de infiltração.
Os pontos mais elevados do Cerrado estão na cadeia que passa por Goiás em direção
sudeste-nordeste: o Pico Alto da Serra dos Pirineus, com 1.600 metros de altitude; e a Chapada
dos Veadeiros, com 1.250 metros de altitude.
A cobertura vegetal do Cerrado, que corresponde a cerca de 20% do território nacional,
apresenta as mais diversas formas de vegetação, desde dos campos sem árvores, ou arbustos,
até o cerrado lenhoso denso com matas ciliares. O Cerrado brasileiro é reconhecido como a
savana mais rica do mundo em biodiversidade com a presença de diversos ecossitemas,
riquíssima flora com mais de 10.000 epécies de plantas, com 4.400 endêmicas desse bioma. As
árvores mais altas do cerrado chegam a 15 metros de altura e formam estruturas irregulares.
Apenas nas matas ciliares as árvores ultrapassam 25 metros e possuem normalmente folhas
pequenas e decíduas. Nos chapadões arenosos e nos quentes campos rupestres do Cerrado,
estão as mais exuberantes e exóticas bromeliáceas, cactos e orquídeas, contando com centenas
de espécies endêmicas.
Estudos recentes (MMA, 2008) indicam que a área do Cerrado recoberta por vegetação
nativa em suas diversas fitofisionomias, considerando-se o ano base 2002, representa 60,42%
do bioma. A Região Fitoecológica predominante é a de Savana Arborizada, que responde por
20,42% de todo o Cerrado, seguindo-se Savana Parque, que recobre 15,81% deste. A área
florestada, somadas as diversas fitofisionomias nessa categoria, abrange 36,73% do bioma,
enquanto a área não florestada recobre 23,68% deste. O restante refere-se aos 38,98% de área
antrópica, onde a categoria predominante é a de pastagens cultivadas (26,45% do bioma), e a
0,6% de água.
2
Região Fitoecológica Agrupada Área (km ) %
Vegetação Nativa Florestal 751.943,49 36,73
Vegetação Nativa Não-Florestal 484.827,26 23,68
Áreas Antrópicas 797.991,72 38,98
Água 12.383,88 0,6
Total 2.047.146,35 100,00

No ambiente do Cerrado são conhecidas, até o momento, 1.575 espécies animais,


formando o segundo maior conjunto animal do planeta. Cerca de 50 das 100 espécies de
mamíferos (pertencentes a cerca de 67 gêneros) estão no cerrado. Apresenta também 837
espécies de aves; 150 de anfíbios, das quais 45 são endêmicas; 120 espécies de répteis, das
quais 45 endêmicas; apenas no Distrito Federal, há 90 espécies de cupins, 1.000 espécies de
borboletas e 500 de abelhas e vespas.
21

4. FLORESTA AMAZÔNICA

Extensão superior a 4.200.000 Km2.


A Amazônia é a maior reserva de biodiversidade do mundo e o maior bioma do Brasil –
ocupa quase metade (49,29%) do território nacional. A floresta amazônica distribui-se mais ou
menos da seguinte forma, dentro e fora do território nacional: 60% no Brasil, e o restante
(40%) pela Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e
Venezuela. Esse bioma, que constitue a chamada Amazonia Legal, cobre totalmente cinco
Estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima), quase totalmente Rondônia (98,8%) e
parcialmente Mato Grosso (54%), Maranhão (34%) e Tocantins (9%). Ele é dominado pelo
clima quente e úmido (com temperatura média de 25 °C) e por florestas. Tem chuvas
torrenciais bem distribuídas durante o ano e rios com fluxo intenso.
O bioma Amazônia é marcado pela bacia amazônica, que escoa 20% do volume de
água doce do mundo. No território brasileiro, encontram-se 60% da bacia, que ocupa 40% da
América do Sul e 5% da superfície da Terra.
A vegetação característica é de árvores altas. Nas planícies que acompanham o Rio
Amazonas e seus afluentes, encontram-se as matas de várzeas (periodicamente inundadas) e as
matas de igapó (permanentemente inundadas). Estima-se que esse bioma abrigue mais da
metade de todas as espécies vivas do Brasil. Além destas "divisões", a floresta amazônica ainda
engloba 38% (1,9 milhões de km²) de florestas densas; 36% (1,8 milhões de km²) de florestas
não densas; 14% (700 mil km²) de vegetação aberta, como cerrados e campos naturais, sendo
12% da área ocupada por vegetação secundária e atividades agrícolas.
De acordo com FIORAVANTI (2016), esse bioma, abriga atualmente 14.035 espécies de
plantas, algas e fungos.
A Amazônia possui grande importância para a estabilidade ambiental do Planeta. Nela
estão fixadas mais de uma centena de trilhões de toneladas de carbono. Sua massa vegetal
libera algo em torno de sete trilhões de toneladas de água anualmente para a atmosfera, via
evapotranspiração, e seus rios descarregam cerca de 20% de toda a água doce que é despejada
nos oceanos pelos rios existentes no globo terrestre.
Além de sua reconhecida riqueza natural, a Amazônia abriga expressivo conjunto de
povos indgenas e populações tradicionais que incluem seringueiros, castanheiros, ribeirinhos,
babaçueiras, entre outros, que lhe conferem destaque em termos de diversidade cultural. Este
patrimônio socioambiental brasileiro chega ao ano de 2002 com suas características originais
relativamente bem preservadas. Atualmente, na Amazônia, ainda é possível a existência de
pelo menos 50 grupos de indígenas arredios e sem contato regular com o mundo exterior.
A Amazônia, como floresta tropical, apresenta-se como um ecossistema extremamente
complexo e delicado. Todos os elementos (clima, solo, fauna e flora) estão tão estreitamente
relacionados que não se pode considerar nenhum deles como principal.
22
Durante muito tempo, atribuiu-se à Amazônia o papel de “pulmão do mundo”. Hoje,
sabe-se que a quantidade de oxigênio que a floresta produz durante o dia, pelo processo da
fotossíntese, é consumida à noite. Mas, devido às alterações climáticas que causa no planeta, a
Floresta Amazônica vem sendo chamada como “o condicionador de ar do mundo”. A
importância da Amazônia para a humanidade não reside apenas no papel que desempenha para
o equilíbrio ecológico mundial. A região é o berço de inúmeros povos indígenas e constitui-se
numa riquíssima fonte de matéria-prima (alimentares, florestais, medicinais, energéticas e
minerais).
Há predomínio de temperaturas médias anuais entre 22 e 28ºC, com uniformidade
térmica e, normalmente, não se percebe a presença de variações estacionais no decorrer do ano.
O total de chuvas varia de 1.400 a 3.500 mm por ano. O clima é distribuído de maneira a
caracterizar duas épocas distintas: a seca e a chuvosa.
O volume de água do rio Amazonas é tão grande que sua foz, ao contrário dos outros
rios, consegue empurrar a água do mar por muitos quilômetros. O oceano atlântico só consegue
reverter isso durante a lua nova quando, finalmente, vence a resistência do rio. O choque entre
as águas provoca ondas que podem alcançar até 5m de altura, avançando rio adentro.
O relevo amazônico não apresenta altitudes acima de 200 metros, porém, nesta região
(fronteira do Brasil com a Venezuela) localiza-se o ponto culminante do País, o Pico da
Neblina, com 3.014 metros, mais precisamente na Serra do Imeri.
Devido às precipitações e as temperaturas elevadas, o solo sofre alterações em seu
material de origem (minerais) e lixiviação em suas bases, tornado-se profundos e bem
drenados, apresentando coloração vermelha ou amarela, pouco férteis e ácidos. Caracteriza-se,
então como: Oxissolo (latossolo) - excelente textura granular, baixíssima fertilidade natural,
propriedade uniforme em sua profundidade, ocupando 45% da área; e Ultissolo (pdzólico
vermelho-amarelo) - horizonte de acumulação de argila, propriedade física menos favorável
para agronomia e baixa fertilidade natural, ocupando 30% da Amazônia.
A grande biodiversidade é característica reconhecida das florestas úmidas da Amazônia;
abrange espécies biológicas, ecossistemas, populações de espécies diversas e uma grande
diversidade genética. Como exemplo, pode-se citar o fato de serem conhecidas 2.500 espécies
de árvores na Amazônia.
Em uma análise por satélite da Amazônia, foram identificados 104 sistemas de
paisagens, o que revela uma alta diversidade e complexidade de ecossistemas. A
biodiversidade torna-se cada vez mais valorizada como fonte potencial de informações
genéticas, químicas, ecológicas, microbiológicas, etc. A diversidade de árvores na Amazônia
varia entre 40 e 300 espécies diferentes por hectare. Das 250.000 espécies de plantas superiores
da terra, 170.000 (68%) vivem exclusivamente nos trópicos, sendo 90.000 na América do Sul.
A Amazônia possui 3.650.000 km² de florestas contínuas.
Em termos de fauna, a principal explicação para grande variedade na Amazônia é a
teoria do refúgio. Nos últimos 100.000 anos, o planeta sofreu vários períodos de glaciação, em
que as florestas enfrentaram fases de seca ferozes. Desta forma as matas expandiram-se e
depois reduziram-se. Nos períodos de seca prolongados, cada núcleo de floresta ficava isolada
do outro.
Os invertebrados constituem mais de 95% das espécies dos animais existentes e
distribuem-se entre 20 a 30 filos. Na Amazônia, estes animais diversificaram-se de forma
explosiva, sendo a copa de árvores das florestas tropicais e o centro da sua maior
diversificação. A pesar de dominar a Floresta Amazônica em termos de números de espécies,
números de indivíduos e biomassa animal e da sua importância para o bom funcionamento dos
ecossistemas, por meio de sua atuação como polinizadores, agentes de dispersão de sementes,
"guarda-costas", de algumas plantas e agentes de controle biológico natural de pragas, e para o
bem-estar humano, os invertebrados ainda não receberam prioridade na elaboração de projetos
de conservação biológica e raramente são considerados como elementos importantes da
biodiversidade a ser preservada. Mais de 70% das espécies amazônicas ainda não possuem
nomes científicos e, considerando o ritmo atual de trabalhos de levantamento e taxonomia, tal
situação permanecerá.
23
O número total de espécies de mamíferos existentes no mundo é estimada em 4.650,
com 502 representantes no Brasil. Na Amazônia, são registradas anualmente 311 espécies,
sendo 22 de marsupiais, 11 edentados, 124 morcegos, 57 primatas, 16 carnívoros, dois
cetáceos, cinco ungulados, um sirênio, 72 roedores e um lagomorfo. Esses números, entretanto,
devem ser considerados apenas como aproximados, pois certamente serão modificados na
medida em que revisões taxonômicas forem realizadas e novas áreas sejam amostradas.

5. PANTANAL
Extensão aproximada: 150.355 Km2.
O bioma Pantanal cobre 25% de Mato Grosso do Sul e 7% de Mato Grosso e seus
limites coincidem com os da Planície do Pantanal, mais conhecida como Pantanal mato-
grossense. O Pantanal é um bioma praticamente exclusivo do Brasil, pois apenas uma pequena
faixa dele adentra outros países (o Paraguai e a Bolívia), onde recebe outras denominações.
É caracterizado por inundações de longa duração (devido ao solo pouco permeável) que
ocorrem anualmente na planície, e provocam alterações no ambiente, na vida silvestre e no
cotidiano das populações locais. A vegetação predominante é a savana. A cobertura vegetal
original de áreas que circundam o Pantanal foi em grande parte substituída por lavouras e
pastagens, num processo que já repercute na Planície do Pantanal.
Os dados obtidos pelo MMA (2008) indicam que o bioma Pantanal ainda é bastante
conservado (ano base 2002), apresentando 86,77 % de cobertura vegetal nativa, contra 11,54%
de áreas antrópicas. As fitofisionomias florestais (Floresta Estacional Semi-decidual e Floresta
Estacional Decidual) respondem por 5,07% da área do bioma, enquanto as fitofisionomias não-
florestais (Savana [Cerrado], Savana Estépica [Chaco], Formações Pioneiras, Áreas de Tensão
Ecológica ou Contatos Florísticos [Ecótonos e Encraves] e Formações Pioneiras) respondem
por 81,70% da área do Pantanal. A Savana (Cerrado) predomina em 52,60% do bioma, seguida
por contatos florísticos, que ocorrem em 17,60% da área. Com relação à área antrópica, nota-se
que a agricultura é inexpressiva no bioma (0,26%), dando lugar à pecuária extensiva em
pastagens plantadas, que equivalem a 10,92% da área do bioma e ocupam 94,68% da área
antrópica.

Região Fitoecológica Agrupada Área (km2) %


Vegetação Nativa Florestal 7.662,00 5,07
Vegetação Nativa Não-Florestal 123.527,00 81,70
Áreas Antrópicas 17.439,90 11,54
Água 2.557,30 1,69
Total 151.186,20 100,00

Situado no centro do Continente Sul-Americano, o Pantanal é circundado, do lado


brasileiro (Norte, Leste e Sudeste), por terrenos de altitude entre 600-700 metros, entre os
paralelos de 150 a 220º de latitude sul e os meridianos de 550 e 580º de longitude
oeste.Estende-se a oeste até os contrafortes da Cordilheira dos Andes e se prolonga ao sul pelas
planícies pampeanas centrais.
Na região pantaneira, a paisagem altera-se profundamente nas duas estações bem
definidas do ano: a seca e a chuvosa. Durante a seca, nos campos extensos cobertos
predominantemente por gramíneas e vegetação de cerrado, a água chega a escassear,
restringindo-se aos rios perenes de leitos definidos, às lagoas próximas a esses rios e a alguns
banhados em áreas mais rebaixadas da planície. De novembro a março, o Pantanal vive o
período das cheias. A vegetação muda segundo o tipo de solo e de inundação, predominando
espécies de cerrado nas terras arenosas - conhecido como Pantanal Alto - e gramíneas nas
terras argilosas, do Pantanal Baixo.
Com a subida das águas, volumosa quantidade de matéria orgânica é carregada pela
correnteza a grandes distâncias. Durante a vazante, esses detritos são depositados nas margens
e praias de rios, lagoas e banhados, passando a se constituir em elementos fertilizantes do solo.
24
No Pantanal, o clima, predominantemente tropical, apresenta características de
continentalidade, com diferenças bem marcantes entre as estações seca e chuvosa. Localizada
na porção centro-sul do Continente Sul-Americano, a região não sofre influências oceânicas,
mas está exposta à invasão de massas frias provenientes das porções mais meridionais, com
penetração rápida pelas planícies dos pampas e do chaco.
A temperatura, usualmente alta, pode baixar rapidamente (ficando as mínimas próximas
a 0ºC e as máximas a 40ºC) e até haver ocorrências de geadas. As médias anuais registradas,
em torno de 25ºC, têm como mínima 15ºC e máxima 34ºC.
A vegetação do Pantanal é um mosaico de matas, cerradões, savanas, campos
inundáveis de diversos tipos, brejos e lagoas com plantas típicas como camalotes. No Pantanal,
é comum a ocorrência de formações vegetais, entre elas estão os carandazais, nos quais o
elemento predominante é a palmeira carandá, os buritizais, onde domina a palmeira buriti e os
paratudais, formados por um tipo de ipê, o paratudo. A flora pantaneira tem alto potencial
econômico: pastagens nativas, plantas apícolas, comestíveis, taníferas e medicinais.
Nas beiras dos rios há uma mata-de-galeria ou mata ciliar, com espécies vegetais como o
tucum, o jenipapo, o cambará e o pau-de-novato.
De acordo com FIORAVANTI (2016), o bioma Pantanal abriga atualmente 1.518
espécies de plantas, algas e fungos.
A fauna é bastante rica e diversificada. Porém, há muitas espécies ameaçadas de
extinção. Estão presentes cerca de 230 espécies de peixes, destacando-se a piranha, o pintado, o
pacu, o curimbatá e o dourado. O maior peixe do Pantanal é o jaú, um bagre gigante, pesa até
120 Kg, e chega a 1,5 metros de comprimento. O jacaré-do-pantanal, é quase inofensivo ao ser
humano, atinge 2,5 metros de comprimento e alimenta-se de peixes. O jacaré-açu atinge 6
metros de comprimento. Pode mudar de cor para se camuflar e só ataca quando ameaçado. A
sucuri-amarela-do-pantanal mede até 4,5 metros, alimenta-se de peixes, aves e pequenos
mamíferos. A sucuri amazônica mede até 10 metros e é capaz de engolir uma capivara adulta.
Cerca de 650 espécies de aves povoam a região, entre eles, o tuiuiú, ave-símbolo do
Pantanal, com as asas abertas ultrapassa os 2 metros de envergadura.

6. CAMPOS SULINOS (ou PAMPAS)

Extensão aproximada: 176.496 Km2.


Os Campos Sulinos ou Pampas estão presentes somente no Rio Grande do Sul,
ocupando 63% do território do Estado. Ele constitui os pampas sul-americanos, que se
estendem pelo Uruguai e pela Argentina e, internacionalmente, são classificados de Estepe. O
pampa é marcado por clima chuvoso, sem período seco regular e com frentes polares e
temperaturas negativas no inverno.
A vegetação predominante do pampa é constituída de ervas e arbustos, recobrindo um
relevo nivelado levemente ondulado. Formações florestais não são comuns nesse bioma e,
quando ocorrem, são do tipo floresta ombrófila densa (árvores altas) e floresta estacional
decidual (com árvores que perdem as folhas no período de seca).
Em resumo, o mapeamento da cobertura vegetal do bioma Pampa permitiu identificar
três tipos de formações vegetais: Campestre, Florestal e área de Transição (vide Tabela
25
abaixo). No total, 41,32% da área do bioma Pampa apresenta cobertura vegetal nativa,
enquanto 48,70% encontram-se modificados por uso antrópico (MMA, 2008).
Região Fitoecológica Agrupada Área (km2) %
Vegetação Nativa Florestal 9.591,05 5,38
Vegetação Nativa Campestre 41.054,61 23,03
Vegetação Nativa - Transição 23.004,08 12,91
Áreas Antrópicas 86.788,70 48,70
Água 17.804,57 9,98
Total 178.243,01 100,00

De acordo com FIORAVANTI (2016), o bioma Pampa ou Campos Sulinos abriga


atualmente 1.899 espécies de plantas, algas e fungos.
As florestas dos Campos Sulinos abrangem em sua maioria as florestas tropicais
mesófilas, florestas subtropicais e os campos meridionais. As florestas subtropicais
compreendem basicamente a Floresta com Araucária, distribuindo-se sobre os planaltos
oriundos de derrames basálticos, e caracterizando-se principalmente pela presença marcante do
pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia). E em direção ao Chuí, na divisa com o Uruguai,
estabelece-se um campo com formas arbustivas sobre afloramentos rochosos.
A agricultura, a pecuária de corte e a industrialização trouxeram vários problemas
ambientais, como a degradação, a compactação dos solos, a contaminação e o assoreamento
dos aqüíferos, devido ao manejo inadequado das culturas. O manejo inadequado em áreas
inapropriadas dos campos sulinos tem levado a um processo de desertificação, principalmente
em áreas cujo substrato é o arenito, na abrangência das bacias dos rios Ibicuí e Ibarapuitã.
O clima nos campos sulinos é caracterizado com altas temperaturas no verão, chegando
a 35ºC, e o inverno é marcado com geadas e neve em algumas regiões, marcando temperaturas
negativas. A precipitação anual situa-se em torno de 1.200 mm, com chuvas concentradas nos
meses de inverno. O clima é frio e úmido.
A vegetação predominante é de gramíneas, representadas pelos gêneros Andropogon,
Aristida, Paspalum, Panicum e Eragrotis, leguminosas e compostas. As árvores de maior porte
são fornecedoras de madeira, tais como o louro-pardo, o cedro, a cabreúva, a grápia, a
guajuvira, a caroba, a canafístula, a bracatinga, a unha-de-gato, o pau-de-leite, a canjerana, o
guatambu, a timbaúva, o angico-vermelho, entre outras espécies características como, a
palmeira-anã (Diplothemium campestre). Os campos sulinos possuem uma diversidade de mais
de 515 espécies.
Já os terrenos planos das planícies e planaltos gaúchos e as coxilhas, de relevo suave-
ondulado, são colonizados por espécies pioneiras campestres que formam uma vegetação tipo
savana aberta. Há ainda áreas de florestas estacionais e de campos de cobertura gramíneo-
lenhosa.
É um ecossistema rico em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com
espécies endêmicas, raras, ameaçadas de extinção, espécies migratórias, cinegéticas e de
interesse econômico dos campos sulinos. As principais espécies ameaçadas de extinção são
exemplificadas por inúmeros animais, como: a onça-pintada, a jaguatirica, o mono-carvoeiro, o
macaco-prego, o guariba, o mico-leão-dourado, vários sagüis, a preguiça-de-coleira, o
caxinguelê, o tamanduá.
Entre as aves destacam-se o jacu, o macuco, a jacutinga, o tiê-sangue, a araponga, o
sanhaço, numerosos beija-flores, tucanos, saíras e gaturamos.
Entre os mamíferos, 39% também são endêmicos, o mesmo ocorrendo com a maioria
das borboletas, dos répteis, dos anfíbios e das aves nativas. Nela sobrevivem mais de 20
espécies de primatas, a maior parte delas endêmicas.
26
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA:

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