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Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará

Faculdade de Engenharia de Minas e Meio Ambiente


Curso de Engenharia Mecânica
Disciplina: Metalografia

ENSAIO MICROGRÁFICO DO FERRO FUNDIDO CIZENTO

Luan Vitor Pereira de Sousa

Marabá, 2017
LUAN VITOR PEREIRA DE SOUSA

ENSAIO MICROGRÁFICO DO FERRO FUNDIDO CIZENTO

Relatório da prática experimental de


“Micrografia”, realizada em dezembro de
2017, da disciplina Metalografia, turma 2015,
ministrada pela Prof.ª. Dra. Giselle Barata
Costa, na Universidade Federal do Sul e
Sudeste do Pará.

Marabá, 2017
Sumário

1. Fundamentação teórica......................................................................................... 4
2. Objetivos................................................................................................................ 4
3. Metodologia ........................................................................................................... 4
4. Procedimentos experimentais ............................................................................. 5
5. Resultados e discussões ...................................................................................... 6
6. Conclusão................................................................................................................ 8
7. Referências.............................................................................................................. 9
1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A metalografia é um processo bastante utilizado para observar as propriedades
de determinado material. Através dela é possível identificar a estrutura do material,
permitindo assim estudar o comportamento e utilização de uma peça metálica.

Para (FERNANDES A., MATEUS G., 2014) a metalografia é a parte da ciência


dos minerais que trata exclusivamente dos metais. Responsável pelo estudo da sua
morfologia e estrutura, é de extrema importância para definir o comportamento, a
propriedade e, consequentemente, o emprego do material objeto de estudo. Para a
realização de um ensaio metalográfico deve-se ter como objetivo revelar as interfaces
entre os diferentes constituintes do metal. Assim é necessário a preparação da
amostra, que consiste em corte ou desbaste, embutimento, lixamento, polimento,
secagem e ataque químico.

Para a realização da análise, é utilizada uma amostra, que será lixada, polida e
atacada com reagente químico, possibilitando visualizar as interfaces entre os
diferentes constituintes que compõem o metal.

Neste relatório será apresentada a micrografia de uma amostra cujo material é


ferro fundido cinzento, sendo apresentadas as etapas realizadas durante a
metalografia, com o intuito de encontrar as propriedades do material, e posteriormente
identificar as influências de suas propriedades em suas aplicações.

2. Objetivos

 Determinar os elementos de liga presentes na amostra de ferro fundido


cinzento
 Determinar os grãos que constituem o material

3. METODOLOGIA

A metodologia aplicada nesse procedimento experimental, foi dividida da


seguinte forma: Inicialmente, selecionou-se o material para obter uma amostra;
posteriormente, realizou-se o lixamento seguido de um polimento; em seguida,
atacou-se a superfície com o reagente químico denominado Nital com 2% para se
realizar um exame através de um microscópico ótico com o intuito de observar as
propriedades do material. Para Finalizar o procedimento experimental, realizou-se um
estudo literário com o objetivo de fazer as devidas considerações para a determinação
da microestrutura do material.
4. PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS

4.1 Corpo de prova

O corpo de prova utilizado para análise da micrografia foi retirado de um


tarugo de ferro fundido cinzento, utilizando uma máquina policorte para retirada do
mesmo.

Figura 1– Corpo de prova

4.2 Lixamento

O lixamento é um processo executado de forma manual (úmido ou seco), no


qual consiste em lixar a amostra sucessivamente com lixas de granulometria cada vez
menor, mudando a direção da amostra em (90°) em cada lixa de forma subsequente
até desaparecerem os traços da lixa anterior. No lixamento, utilizou-se lixas
metalográfica de 100, 220, 320, 400, 600, 800 e 1200, valores referentes as
granulometrias, respectivamente.

Figura 2– Lixas abrasivas


4.3 Polimento

O polimento é uma operação realizada após o lixamento que visa um


acabamento superficial livre de marcas, onde durante esse processo utilizou-se
detergente como material abrasivo sobre o pano de polimento. Antes de realizar o
polimento e realizada a limpeza da superfície da amostra com álcool e uma secagem,
de modo a deixá-la isenta de traços abrasivos, solventes, poeiras, etc.

4.4 Ataque químico

Após todos os processos anteriores, a amostra foi submetida ao ataque


químico. A amostra foi submetida ao ataque químico por imersão da superfície polida,
em uma solução (Nital 2%) durante segundos.

Figura 4– Ataque químico

5. RESULTADOS E DISCUÇÕES
A partir dos resultados obtidos, se vez necessário à verificação do material em
utilizado para verificação se o mesmo se tratava de um ferro fundido cinzento.
Figura 1: Ferro fundido cinzento, mostrando distribuição tipo A de flocos de grafite. 200 ×

Figura 2: Ferro fundido cinzento, mostrando distribuição tipo A de flocos de grafite .100 ×
Handbook, A. S. M. (1986)

Após consulta, segundo Handbook, A. S. M. (1986) a amostra utilizada durante


o processo de micrografia, realmente se trata de um de um ferro fundido cinzento, pois
ambas microestruturas são formadas por flocos de grafita, presente também a ferrita e
a perlita.
Através da norma ASTM A 247 é possível verificar os tipos de grafita presentes
no ferro fundido cinzento, seguindo a morfologia das placas de grafita. Após
verificação da norma, foi possível identificar que a micrografia possui grafita do tipo A
que são placas finas e uniformes com orientação randômica. Tal transformação é
resultado de que, pelo fato de na fundição se utilizar de um resfriamento lento, ao
passar pela temperatura eutetóide a austenita tenha se transformado em um ferro
fundido cinzento ferrítico com flocos de grafita em uma matriz ferrítica.
Com a identificação do material foi possível realizar um tratamento térmico de
têmpera ao ferro fundido cinzento. A têmpera é um dos processos de tratamentos
térmico que tem por finalidade aumentar a dureza do ferro fundido. Segundo
CHIAVERINI (2008) o processo consiste em aquecer o ferro fundido num forno com
temperatura acima da zona crítica, essa temperatura varia de 750 a 950 graus Celsius,
a peça deve ficar nessa temperatura o tempo suficiente para que todos os seus grãos
se transformem em austenita e no momento do resfriamento, a peça retirada do forno
e mergulhada em óleo, fazendo com que a temperatura caia de 950 para 20 graus
Celsius de uma vez, é o chamado resfriamento brusco ou rápido e provocará a
obtenção da estrutura martensítica.
Após o tratamento térmico, foi realizada outra micrografia do material com o
objetivo de comparação antes da tempera.

Figura 3 - Micrografias do ferro fundido cinzento, antes e depois de sofrer tratamento térmico,
ampliadas em 200x.

Comparando ambas as micrografias é possível notar que a micrografia após o


tratamento térmico possui um distanciamento na difusão do carbono em forma de
grafita, isso porque quando a grafita é formada pelo tipo A, existem condições
favoráveis a formação de matrizes perlíticas, sendo que as matrizes perliticas resultam
ao material um aumento na resistencia mecânica, maior ductilidade e uma dureza
menor.

6. CONCLUSÃO
Os estudos da metalografia, juntamente com os tratamentos térmicos, nos
permitem conhecer e manipular os materiais de forma a obter o resultado desejado. A
realização de um estudo acima da micrografia em uma peça, como mostrado, requer
que a mesmo passe por um processo de preparação, incluindo o corte, lixamento,
polimento e ataque químico para que a peça possa ser submetida aos ensaios ópticos.
Portanto podemos concluir que a mostra utilizada durante todo o processo,
realmente se trata de um ferro fundido cinzento, descoberta essa, que só foi possível
através da visualização de sua micrografia. Visto que os objetivos foram efetuados
com sucesso e com o intuito também aplicar na pratica todos os conhecimentos
adquiridos em sala sobre metalografia, a prática se faz importante na aprendizagem e
desenvolvimento dos participantes do procedimento experimental.
7. REFERÊNCIAS
ASM HANDBOOK, Vol. 09 Metallography and Microstructures, ASM
International The Materials Information Company, 2004.
ASM A 247 Standards; American Society for Testing and Materials, Rec.
Practive forevaluating the microstructure of grafite in gray iron, 1961.
CHIAVERINI, Vicente. Acos e ferros fundidos: característicos gerais,
tratamentos térmicos, principais tipos. 5ª ed. ampl. e rev. São Paulo:
Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração – ABM, 1982.