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FILOSOFIA – PRIMEIRO ANO

PERÍODOS DA GRÉCIA ANTIGA

Período Período Período Periodo


Homérico Arcaico Clássico Helenístico
( XI - VIII a.C.) (VIII - V a.C.) (V - IV a.C.) (IV - II a.C.)

O surgimento da filosofia é um acontecimento único, e que marcou profundamente


o pensamento ocidental. Os gregos, com seu gênio magnífico e original revolucionaram a
forma de os seres humanos pensarem, livrando-se gradativamente das suas relações
com os mitos e dando um novo significado mais racional aos acontecimentos sociais e
naturais. Porém, até a compreensão do pensamento filosófico, a Grécia Antiga passou
por quatro grandes períodos:

 Período Homérico (XI – VIII a.C): O primeiro período se dá com o surgimento da


escrita grega (do alfabeto) na época do poeta grego Homero, que fundou a língua
grega escrevendo dois poemas épicos que se tornariam as primeiras fontes
literárias gregas do Ocidente (Ilíada e Odisséia).
 Período Arcaico: Pré Socrático (VIII – V a.C): Com a permanente escassez das
terras férteis para a subsistência dos povos que se formaram na região da Ásia
Menor, e nas Ilhas do Mar Egeu, e com as invasões dos povos indo-europeus, fez
com que os gregos procurassem se expandir geograficamente, buscando outras
áreas para a sobrevivência. Com isso, os gregos estabeleceram diversas polis
(cidades-estados). Foi nesse período que surgiram os pré-socráticos e as primeiras
escolas filosóficas que buscavam responder questões referentes ao surgimento;
 Período Clássico: Socrático e Sistemático (V – IV a.C.): Esse momento histórico
é caracterizado por uma maior circulação das ideias em razão do grande avanço
do comércio, fazendo de Atenas um centro de atração mundial da época. Nesse
período surgem os sofistas e pensadores contrários a eles, como Sócrates, Platão
e Aristóteles. Nesse período, os filósofos buscavam responder questões referentes
às relações humanas;

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 Período Helênico (IV – II a.C.): Nesse período surgiram novas escolas filosóficas
(estoicismo, epicurismo, cinismo e ceticismo). Além disso, ocorreu um forte
crescimento do Império Romano, sua queda e a transição para o período medieval.

FILOSOFIA ANTIGA

A filosofia antiga foi o berço de todas as ciências, onde o ser humano começou a
cortar o laço com a mitologia comum e buscar respostas para as grandes questões da
vida. Explicações "divinas" já não satisfaziam completamente as pessoas que buscavam
conhecimento principalmente por meio da razão humana.

1. PERÍODOS DA FILOSOFIA ANTIGA

1.1. Período Cosmológico ou Pré-Socrático:

A cosmologia surgiu como a parte da filosofia que estuda a estrutura, a evolução e


composição do universo, sendo a primeira expressão filosófica apresentada no período
pré-socrático ou cosmológico. Sua principal característica foi à substituição da explicação
da origem e transformação da natureza através de mitos e divindades por explicações
racionais que identificam as causas de tais alterações. Além disso, defendeu a criação do
mundo a partir de um princípio natural (origem do mundo e dos seres).

1.1.1. Escolas ou Correntes Pré-Socráticas:

Segundo o desenvolvimento da filosofia, o período pré-socrático está dividido em


escolas ou correntes de pensamento, tais como:

 Escola Jônica: Recebe este nome por se desenvolver na colônia grega Jônia, na
Ásia Menor, local onde hoje é a Turquia. Era o local onde nasceram as primeiras
tentativas racionais de descrição e explicação da natureza do mundo. Os filósofos
dessa escola procuravam investigar os primeiros princípios, partindo da
observação da natureza. Seus principais filósofos foram: Tales de Mileto,
Anaxímenes de Mileto, Anaximandro de Mileto e Heráclito de Éfeso. Pensavam
sobre o elemento primeiro (água, ar, fogo e o ápeiron, que significa ilimitado),
chegando a conclusões diferentes;

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 Escola Itálica: A escola teve como ponto de partida a cidade de Crotona, sul da
Itália. O filósofo principal desta escola foi Pitágoras de Samos, no qual atribuiu aos
números, mais especificadamente ao algarismo um e ao ponto na geometria, a
origem de todo o universo. Os pitagóricos fundaram uma espécie de mística
universal que atribuía à origem, a ordenação da matéria, das almas e da
organização universal à matemática;
 Escola Eleática: Surgiu na cidade grega de Eleia, onde hoje também se situa
parte do sul da Itália. Teve como principais representantes Parmênides de Eleia e
seu discípulo, Zenão de Eleia. Esses dois filósofos se esforçaram por apresentar
que o mundo não seria composto por movimento, como queria Heráclito, mas por
uma imutabilidade que constitui as essências;
 Escola Atomística: Surgiu em Abdera, situada na costa norte do mar Egeu. Teve
como principais representantes Leucipo de Mileto e Demócrito de Abdera e
afirmavam que todo objeto físico é composto por átomos e vácuo que se
organizavam de diferentes formas. Essa escola acreditava que os átomos eram
partículas extremamente pequenas (que não podiam ser separadas ao meio), e
que eram vários os elementos que formavam as coisas. Seus principais
representantes foram Demócrito de Abdera e Leucipo de Abdera.

1.1.2. Os Filósofos Pré-Socráticos:

Os filósofos pré-socráticos foram os primeiros sábios gregos a formular uma


explicação racional para o mundo sem recorrer ao sobrenatural. Alguns aspectos comuns
entre eles podem ser apontados:

Em primeiro lugar, eram estudiosos da natureza (physis). Por buscarem entender a


organização racional do universo, a partir de princípios e leis que o regem, dizemos que
eram voltados para a cosmologia, ou seja, a busca por entender a razão que rege o
universo. Em segundo lugar, tentavam encontrar uma relação de causalidade entre os
fenômenos da natureza. Por fim, todos buscavam um princípio substancial ou elemento
primordial (a arché, em grego) partir do qual explicariam os fenômenos naturais.

 Tales de Mileto (623 - 546 a.C.): Nascido na cidade de Mileto, região da Jônia,
Tales é tido como o pensador que deu início à indagação racional sobre o universo.
Acreditava que a água era o principal elemento, ou seja, era a essência de todas

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as coisas. Assim, a água por permanecer basicamente a mesma em todas as


transformações dos corpos, (sólido, líquido e gasoso) seria a arché, a substância
primordial, a origem única de todas as coisas, presente em tudo o que existe
(observada nas sementes e no sêmen animal e humano);
 Anaximandro de Mileto (610 - 547 a.C.): Discípulo de Tales e nascido em Mileto,
ele buscou em meio aos diversos elementos observáveis e determinados no
mundo natural o princípio de tudo. Porém, ao contrário de Tales, para Anaximandro
o princípio único e primordial de tudo estava no elemento denominado apeíron
(ilimitado: uma espécie de matéria infinita). E esse elemento surgia a partir do
conflito entre os opostos: o quente e o frio, o seco e o úmido. Ou seja, apeíron
seria a “massa geradora” dos seres e do cosmo, contendo em si todos os
elementos opostos, como por exemplo: da diferenciação entre os contrários (frio e
calor) e a evaporação teriam surgido o céu e a terra, bem como os animais;
 Anaxímenes de Mileto (588 - 524 a.C.): Discípulo de Anaximandro nascido em
Mileto. Ele afirmava que a origem de todas as coisas estava atribuída ao ar, sendo
ele necessário para a vida. Para o filósofo, o ar em estado estável era invisível,
mas quando havia movimento, ele se condensava e, em primeiro, tornava-se
vento, em seguida nuvem, depois água, e por fim, a água condensada tornava-se
lama e pedra. Em contrapartida, o ar rarefeito tornava-se fogo. Ele também
acreditava que a alma (anima: que nos movimenta) era fundamental para animar o
corpo, e ela necessitava de ar, por isso, ao respirarmos mantínhamos a alma viva,
dando condições para manter o corpo em movimento;
 Pitágoras de Samos (570 - 497 a.C.): Filósofo e matemático nascido na cidade de
Samos foi o inventor do nome filosofia (amor pela sabedoria). Pitágoras defendia
que a origem de todas as coisas eram os números. Conta-se que para chegar a
essa teoria, o filósofo teria percebido que a harmonia dos acordes musicais
correspondia certas proporções aritméticas. Nesse contexto, a arché pitagórica era
o arithmós, que inicialmente correspondia aos arranjos quânticos, já que em
meados do século V a IV a.C., os gregos não utilizavam números em seu alfabeto.
Posteriormente o conceito abrangeu os números, significando o ordenamento
harmonioso das coisas. Assim, Pitágoras defendia que o mundo é ordenado em
proporções numéricas e essa ordem origina-se da dualidade entre par e ímpar;

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 Xenófanes de Cólofon (560 - 478 a.C.): Nascido em Cólofon, foi um dos filósofos
que se opôs ao misticismo na filosofia e o antropomorfismo (atribuir aos deuses o
comportamento característico do ser humano). Segundo ele, o homem era
composto de terra, sendo o elemento primordial do universo. Segundo ele, a terra
vai dos nossos pés ao infinito: “pois tudo vem da terra e na terra tudo termina”.
Porém, em alguns momentos o filósofo une a água com a terra como material
primordial para a criação da Terra. Tal união se deve a uma das mais importantes
descobertas científicas feitas por ele: a existência dos fósseis. Ao encontrar
conchas marinhas em terrenos distantes do continente, ele teria pensado que,
outrora, a terra foi coberta pelo mar;
 Heráclito de Éfeso (540 - 470 a.C.): Heráclito nasceu em Éfeso e talvez seja o
filósofo pré-socrático mais lido até hoje. Heráclito observou que a realidade é
dinâmica e que a vida está em constante transformação. Nesse contexto, o filósofo
explorou a idéia do devir (fluidez das coisas), afirmando que nada persiste ou
permanece o mesmo: “O ser não é mais que o vir a ser, pois tu não podes descer
duas vezes o mesmo rio, porque novas águas correm sobre ti”. Além disso,
Heráclito afirma que o princípio de todas as coisas estava contido no elemento
fogo, ou seja, o fogo estaria em constante mudança (crescendo, diminuindo);
 Parmênides de Eléia (510 - 470 a.C.): Discípulo de Xenófanes, Parmênides
nasceu em Eléia. Focou nos conceitos de “aletheia” (verdade) e “doxa” (opinião).
Assim, Parmênides optou por escutar a razão e não aos sentidos (ou os dados
fornecidos pelos sentidos). Então, proclamou que existe o ser (o ser é tudo que
pode ser pensado, e tudo que pode ser pensado também pode ser dito). Então,
tudo que não existe, corresponde ao não ser (o não ser não pode ser pensado, e
nem se pode falar sobre ele, afinal, é inexistente). Nesse sentido, há uma
correlação entre ser, pensar e dizer. Porém, o não ser não pode ser verbalizado,
então porque nós caímos no erro? Ele afirma que a verdade é exclusiva dos
deuses e que os homens seguiam a doxa (opinião), pois a opinião carrega os
preconceitos trazidos pelas vivências e aparências das coisas. E é a partir da
verdade, na qual apenas os deuses conheciam, é que Parmênides trás o conceito
da imobilidade e rigidez das coisas do mundo. Nesse sentido, ele afirma que o ser
é imóvel e indestrutível e não foi criado, pois se tivesse sido criado ele teria surgido

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de outro ser, ou do nada (porém, o nada não existe), então ele não foi criado,
sempre existiu;
 Anaxágoras de Clazômenas (500 – 428 a. C.): Nascido em Clazômenas, na
Jônia, fundou a primeira escola filosófica de Atenas. Anaxágoras acreditava que a
natureza era composta por uma infinidade de partículas minúsculas, invisíveis a
olho nu e que as coisas surgiram e desapareciam com a agregação ou separação
dos elementos. Assim, ele afirmava que existia uma qualidade idêntica presente
em todos os elementos, chamada de nous. E quando não havia o nous entre eles,
eles se desagregavam, e quando havia eles se agrupavam, formando assim as
coisas que existiam no mundo. Além disso, ele afirmava que as coisas que não
tinham vida sempre existiram, e não foram criadas;
 Empédocles de Agrigento (490 – 430 a.C.): Nascido em Agrigento, era um
médico, dramaturgo, político, poeta e filósofo grego. Para Empédocles, a origem de
tudo estava basicamente em quatro elementos: terra, fogo, água e ar (tudo que
existe no mundo seria comporto por esses quatro elementos, no qual uns
receberiam uma proporção maior ou menos desses elementos). Na teoria do
filósofo esses elementos seriam misturados de acordo com dois princípios
universais opostos: o amor (philia), que leva a harmonização; e o ódio (nekos),
associado com a separação. Assim, o amor seria responsável pela força de
atração, enquanto o ódio, pela força de repulsão. Essas duas forças cíclicas,
antagônicas e cósmicas geradas pelos dois princípios revelariam toda a realidade e
as coisas existentes no mundo;
 Zenão de Eléia (488 - 430 a.C.): Discípulo de Parmênides, Zenão nasceu em
Eléia. Foi grande defensor das ideias de seu mestre filosofando, sobretudo, acerca
dos conceitos de “Dialética” (debate) e “Paradoxo” (opinião contrária). Ele é
conhecido, sobretudo, pelos paradoxos formulados basicamente sobre a tese da
impossibilidade do movimento que hoje são conhecidos como paradoxos de
Zenão. Seguindo as pegadas de seu mestre Parmênides, através da dialética, ele
tenta afirmar a teoria da imutabilidade do ser (nada foi criado, sempre existiu)
reduzindo ao absurdo o seu contrário. Os paradoxos mais famosos de Zenão são
os que buscam demonstrar a inexistência do movimento. Dos paradoxos, ou
aporias (estradas sem saída), criadas por Zenão o mais famoso é o de Aquiles (um
dos mais fortes e rápidos guerreiros gregos) e a tartaruga. Mesmo sendo um rápido
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corredor Aquiles não poderá jamais numa corrida ultrapassar uma lenta tartaruga
que está correndo à sua frente, pois ao se aproximar da tartaruga esta já percorreu
certo espaço, quando Aquiles percorre esse espaço, a tartaruga percorreu outro
espaço menor, quando Aquiles percorre essa segunda distância, a tartaruga já
andou um percurso menor ainda e assim sucessivamente em movimentos infinitos
e cada vez menores;
 Demócrito de Abdera (460 - 370 a.C.): Nascido na cidade de Abdera, Demócrito
um matemático, astrônomo, filósofo grego e discípulo de Leucipo. Para ele, o
átomo era o princípio de todas as coisas. Suas ideias sobre atomismo eram que
toda a matéria era formada por pequenas partículas, a qual deu o nome de
átomos, que significa partícula não-divisível. Átomos é uma palavra grega, onde
"a" significa não e "tómos" significa pedaço. De acordo com Demócrito, os átomos
que compõe o universo são iguais em sua qualidade, mas apresentam formas e
volumes distintos entre si. Todos os átomos estão em constante movimento no
universo e se agrupam de diferentes e variadas formas, formando assim, diferentes
corpos. O átomo é, portanto, o elemento primordial e necessário para a formação
de todos os elementos existentes no mundo. Conforme o filósofo, o universo é
composto de dois elementos básicos: o vazio e os átomos. O corpo humano na
visão de Demócrito é um composto de átomos unidos de maneira compactada.

1.2. Período Antropológico ou Socrático:

A partir do século V a.C., a atenção dos filósofos gregos sobre o tema da physis
(natureza) deu lugar ao estudo dos seres humanos (em relação à vida política e social) e
ao conhecimento. Com o desenvolvimento das cidades, do comércio, do artesanato e das
artes militares, Atenas tornou-se o centro da via social, política e cultural da Grécia. Esse
período foi à época de maior florescimento da democracia.

1.2.1. Democracia Grega:

A Democracia se originou na Grécia Antiga, sendo formada pelos termos demo


(povo) e Kratia (poder), que significa “poder do povo”. Em primeiro lugar, a democracia
afirmava a igualdade de todos os homens adultos perante as leis e o direito de todos
participarem diretamente do governo da cidade, a polis. Em segundo lugar, e como

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conseqüência, a democracia sendo direta e não por eleição de representantes, garantia a


todos a participação ativa no governo.

Assim, todos que participavam tinham o direito de exprimir, discutir e defender em


público suas ideias sobre as decisões que a cidade deveria tomar. Porém, estavam
excluídos da cidadania aqueles que os gregos chamavam de dependentes, tais como
mulheres, escravos, crianças e velhos. E para conseguir que a sua opinião fosse aceita
nas assembléias, o cidadão precisava saber falar e ser capaz de persuadir. Com isso,
uma mudança profunda irá ocorrer na educação grega;

1.2.2. Educação antes e depois da Democracia:

Quando não havia a democracia, quem dominava eram as famílias aristocratas


(senhores de terras). Essas famílias, valendo-se dos dois grandes poetas gregos, Homero
e Hesíodo, criaram um padrão de educação, próprio dos aristocratas. E esse padrão
afirmava que o homem ideal e perfeito seria o guerreiro belo (pelo corpo formado pela
ginástica, dança, jogos de guerra na qual imitavam os heróis da guerra) e bom (seu
espírito era formado escutando Homero e Hesíodo, aprendendo as virtudes admiradas
pelos deuses).

Porém, quando a democracia se instalou e o poder foi sendo retirado dos


aristocratas, esse ideal educativo também vai sendo substituído por outro. O ideal de
educação do período de Péricles (o mais influente estadista da época) passou a ser a
formação do cidadão. E o momento de maior exercício da cidadania era quando o
cidadão opinava, discutia e votava nas assembléias (aquele que participava ativamente
das decisões políticas).

Assim, a nova educação estabelecida é a formação do bom orador, isto é, aquele


que sabia falar em grupo e persuadir os outros na política. Para dar aos jovens essa
educação, substituindo a educação antiga dos poetas, surgiram, na Grécia, os sofistas,
que são os primeiros filósofos do período socrático.

1.2.3. Os Sofistas:

Os Sofistas eram uma espécie de professores itinerantes, que “vendiam” o próprio


saber para quem pagassem por ele. Assim, como ocorreu com os pré-socráticos, a

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maioria do dos escritos se perdeu e o que sabemos deles nos chegou por meio de outros
filósofos.

Os Sofistas tiveram grande importância na consolidação da democracia ateniense,


pois dominava a arte da retórica, instrumento primordial em uma sociedade na qual os
cidadãos tinham de fazer bom uso das palavras para defender seus interesses. Além do
mais, os Sofistas foram excepcionais educadores, criando técnicas de ensino que
perduraram por muito tempo na pedagogia grega.

Se vivessem hoje, seriam classificados como “formadores de opinião”, pois suas


ideias, embora opostas, influenciavam um número grande de pessoas. Para os Sofistas, a
verdade era relativa: cada homem trazia a sua verdade consigo e esta era influenciada
pelo contexto no qual era proferida. Nesse sentido, pode-se afirmar que o pensamento
sofístico é monológico (situação de comunicação em que apenas um fala), retórico (arte
de falar bem, oratória) e relativista (não existe uma verdade absoluta). Os sofistas mais
famosos foram: Protágoras de Abdera (480 – 410 a.C), Geórgias de Leontinos (487 – 380
a.C) e Hípias de Élis (443 – 399 a. C).

Fonte: Google.

1.2.4. Sócrates (469 – 399 a.C):

Sócrates nasceu em Atenas no ano de 469 a.C. É considerado o patrono da


filosofia, por ter trazido o homem para o centro das discussões filosóficas. Não deixou
nada escrito, sendo que, seu pensamento foi transcrito por seus discípulos Platão (429 –
347 a. C) e Xenofonte (431 – 354 a.C.). Suas frases mais famosas são “conhece-te a ti
mesmo” e “só sei que nada sei”.

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Sócrates inovou em várias frentes, as quais fecundaram a história do pensamento


posterior, promovendo a ampliação do debate no campo filosófico. Sócrates também
conferiu menos importância à natureza como objeto de investigação (cosmologia) e trouxe
o homem para o centro da discussão filosófica (antropologia). Essa mudança propiciou as
discussões morais e políticas na filosofia. Assim, Sócrates investigou como o homem se
relacionava consigo mesmo, com os outros homens e com as instituições e forças de
controle social.

A forma como Sócrates disseminou essa mudança foi outra inovação importante na
relação do homem com o conhecimento. Foi a primeira vez que ficou clara a aplicação de
um método de investigação filosófica. Sócrates colocava em prática a busca da verdade
por meio do diálogo com as pessoas, nas ruas e praças. O objetivo de sua busca era o
conceito, nem sempre alcançado. Ele não escolhia idade nem classe social, tampouco
havia grande sofisticação em sua abordagem.

Na abordagem inicial, Sócrates usava a IRONIA e fazia perguntas sobre


determinado assunto, dizendo nada saber sobre ele. Essa fase de diálogo é chamada de
REFUTAÇÃO, pois, ao dissimular o conhecimento que tinha sobre o assunto, o filósofo
dava ao interlocutor a oportunidade de ganhar confiança naquilo que afirmava. As
perguntas de Sócrates acabavam por demolir a convicção do outro de que conhecia o
assunto.

Posteriormente, quando seu interlocutor admitia que, de fato, nada sabia sobre
aquele tema, Sócrates dirigia o diálogo para a busca do conceito. Essa segunda etapa do
diálogo socrático é conhecida pelo nome de MAIÊUTICA, que em grego significa “parto”.
Pela maiêutica, Sócrates conduzia a pessoa a gerar (dar a luz) o conhecimento do
assunto dentro de si.

Esse método de refutar as respostas do interlocutor até que nenhuma delas


deixasse qualquer rastro de imprecisão recebeu o nome de DIALÉTICA. Em outras
palavras, a dialética pode ser entendida como um método de diálogo cujo foco é a
contraposição e contradição de ideias que levam a outras ideias.

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Fonte: Google.

Sócrates transmitia seus ensinamentos nas praças e não cobrava pelas aulas.
Para ele, o ensino não era uma mercadoria que podia ser comprado, mas algo que era
construído através de perguntas e respostas em busca da verdade, que está no interior
de cada um.

Segundo o filósofo, a opinião é uma expressão individual, já que o conceito é


universal, isto é, válido para todos. Nesse sentido, os Sofistas ensinavam a retórica para
convencer os outros que sua opinião é a melhor, já Sócrates ensinava a dialética, ou seja,
fazia as pessoas a admitirem sua falta de conhecimento e, através de seus
questionamentos, chegarem a um conhecimento seguro. Por esse motivo, Sócrates
afirmava que os Sofistas não tinham amor à sabedoria.

As ideias inovadoras de Sócrates culminaram em sua condenação à morte, sob as


acusações de corromper a juventude desrespeitar as normas da época e profanar os
deuses gregos. Aos setenta anos de idade, Sócrates teve a opção de negar suas ideias e
exilar-se, ou a morte pela cicuta, um veneno usado em casos de condenação. Porém, o
filósofo preferiu a morte.

Embora Sócrates nada tenha escrito, ele foi um filósofo radical até na forma como
legou seu pensamento à posteridade. Jamais foi condescendente com seus acusadores e
aceitou serenamente a sua condenação. De acordo com Platão, teria proferido um último
discurso, diante de seus discípulos, sobre a imortalidade da alma, momentos antes de
ingerir o veneno.
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1.2.5. Platão (429 – 347 a. C.):

Platão nasceu em Atenas em 429 a. C., em uma família de políticos aristocratas.


Estudou retórica, música, matemática e praticou ginástica na juventude. Aos vinte anos,
conheceu Sócrates, por quem tinha grande admiração, tendo-se tornado seu discípulo.

Platão era o típico jovem vocacionado para a política, para a qual há muito tempo
vinha se preparando. Porem, após a morte de seu mestre, decidiu desistir dessa carreira
e viajou pelo Egito e pela Itália, onde manteve contato com os pitagóricos, que
influenciariam o seu pensamento. Assim, passou a se dedicar a filosofia e sendo um
instrumento da ação política, estudando de forma profunda o tema.

Com a morte de Sócrates, como primeira providência, Platão decidiu homenagear


seu mestre registrando por escrito o que Sócrates lhe ensinara oralmente por vários anos.
Era o inicio da elaboração dos famosos diálogos, que ele passaria a vida escrevendo,
primeiramente com forte vínculo com o pensamento socrático, depois expressando seu
próprio pensamento. Esta obra é composta por vinte e oito diálogos. Em 387 a. C., fundou
a Academia, a primeira universidade do Ocidente, onde se discutiam e se ensinavam a
filosofia.

Entre as principais teorias criadas ou aprofundadas por Platão, estão a teoria das
ideias, a teoria da alma, a dialética platônica e a teoria do conhecimento. É muito
conhecida a Alegoria da Caverna, narrativa que mostra o difícil caminho que leva à
libertação do homem diante da ignorância para que alcance o conhecimento verdadeiro.
Vejamos:

 Teoria das Ideias: Para o filósofo, a realidade é constituída de dois planos


distintos e opostos: O Mundo Sensível (que representa a matéria, obtido através
dos nossos sentidos. Como por exemplo, quanto enxergamos ou tocamos uma
cadeira) e o Mundo Inteligível (que representam as ideias de que fazemos das
coisas, a essência delas. Como por exemplo, sabemos o que é uma cadeira,
independente de sua forma, pela ideia de “cadeira” que possuímos);
 Teoria do Conhecimento e Dialética Platônica: O conhecimento verdadeiro
(epistéme) pode ser alcançado, segundo Platão, passando-se do mundo das
aparências, das sombras, dos preconceitos e opiniões para o mundo das ideias.
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Platão cria assim, etapas para se alcançar o conhecimento. O mundo sensível


seria a primeira etapa, quando não há é preocupação metódica em se adquirir o
conhecimento. Se o objetivo é atingir a sabedoria filosófica é preciso passar pelo
processo de contraposição de teses de afirmativas e negativas, réplicas e tréplicas,
depurando-se às opiniões até que atinjam o nível rigoroso requerido pelo
conhecimento verdadeiro;
 Teoria das Almas: Platão divide a alma em três partes. O lado racional está
localizado na cabeça (seu objetivo é controlar os dois outros lados, com ele
adquirimos a sabedoria e a prudência). O lado irascível está localizado no coração
(seu objetivo é fazer prevalecer os sentimentos e a impetuosidade, com ele
adquirimos coragem). Por último, temos o lado concupiscente/cobiça que está
localizado no baixo ventre (seu objetivo é satisfazer os desejos e apetites sexuais,
com ele adquirimos a moderação ou a temperança). No Mito do Cacheiro, Platão
compara a alma a uma carruagem puxada por dois cavalos: um branco (irascível) e
um negro (concupiscível). O corpo humano é a carruagem, o cacheiro (razão)
conduz através das rédeas (pensamento) e os cavalos (sentimentos). Cabe ao
homem através de seus pensamentos saber conduzir seus sentimentos, pois
somente assim ele poderá se guiar no caminho do bem e da verdade.

O Mito ou Alegoria da Caverna

Fonte: Google.

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O mito ou “Alegoria” da caverna é uma das passagens mais clássicas da história


da Filosofia, sendo parte constituinte do livro VII de “A República” onde Platão discute
sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal. A
narrativa expressa dramaticamente à imagem de prisioneiros que desde o nascimento
são acorrentados no interior de uma caverna de modo que olhem somente para uma
parede iluminada por uma fogueira. Essa ilumina um palco onde estátuas dos seres como
homem, planta, animais etc., são manipuladas, como que representando o cotidiano
desses seres. No entanto, as sombras das estátuas são projetadas na parede, sendo a
única imagem que aqueles prisioneiros conseguem enxergar. Com o correr do tempo, os
homens dão nomes a essas sombras (tal como nós damos às coisas) e também à
regularidade de aparições destas. Os prisioneiros fazem, inclusive, torneios para se
gabarem, se vangloriarem a quem acertar as corretas denominações e regularidades.

Imaginemos agora que um destes prisioneiros é forçado a sair das amarras e


vasculhar o interior da caverna. Ele veria que o que permitia a visão era a fogueira e que
na verdade, os seres reais eram as estátuas e não as sombras. Perceberia que passou a
vida inteira julgando apenas sombras e ilusões, desconhecendo a verdade, isto é,
estando afastado da verdadeira realidade. Mas imaginemos ainda que esse mesmo
prisioneiro fosse arrastado para fora da caverna. Ao sair, a luz do sol ofuscaria sua visão
imediatamente e só depois de habituar-se à nova realidade, poderia voltar a enxergar as
maravilhas dos seres fora da caverna. Não demoraria a perceber que aqueles seres
tinham mais qualidades do que as sombras e as estátuas, sendo, portanto, mais reais.
Significa dizer que ele poderia contemplar a verdadeira realidade, os seres como são em
si mesmos. Não teria dificuldades em perceber que o Sol é a fonte da luz que o faz ver o
real, bem como é desta fonte que provém toda existência (os ciclos de nascimento, do
tempo, o calor que aquece etc.).

Maravilhado com esse novo mundo e com o conhecimento que então passara a ter
da realidade, esse ex-prisioneiro lembrar-se-ia de seus antigos amigos no interior da
caverna e da vida que lá levavam. Imediatamente, sentiria pena deles, da escuridão em
que estavam envoltos e desceria à caverna para lhes contar o novo mundo que
descobriu. No entanto, como os ainda prisioneiros não conseguem vislumbrar senão a

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realidade que presenciam, vão debochar do seu colega liberto, dizendo-lhe que está louco
e que se não parasse com suas maluquices acabariam por matá-lo.

Este modo de contar as coisas tem o seu significado: os prisioneiros somos nós
que, segundo nossas tradições diferentes, hábitos diferentes, culturas diferentes, estamos
acostumados com as noções sem que delas reflitamos para fazer juízos corretos, mas
apenas acreditamos e usamos como nos foi transmitido. A caverna é o mundo ao nosso
redor, físico, sensível em que as imagens prevalecem sobre os conceitos, formando em
nós opiniões por vezes errôneas e equivocadas, (pré-conceitos, pré-juízos). Quando
começamos a descobrir a verdade, temos dificuldade para entender e apanhar o real
(ofuscamento da visão ao sair da caverna) e para isso, precisamos nos esforçar, estudar,
aprender, querer saber. O mundo fora da caverna representa o mundo real, que para
Platão é o mundo inteligível por possuir Formas ou Ideias que guardam consigo uma
identidade indestrutível e imóvel, garantindo o conhecimento dos seres sensíveis. O
inteligível é o reino das matemáticas que são o modo como apreendemos o mundo e
construímos o saber humano. A descida é à vontade ou a obrigação moral que o homem
esclarecido tem de ajudar os seus semelhantes a saírem do mundo da ignorância e do
mal para construírem um mundo (Estado) mais justo, com sabedoria. O Sol representa a
Ideia suprema de Bem, ente supremo que governa o inteligível, permite ao homem
conhecer e de onde deriva toda a realidade. Portanto, a alegoria da caverna é um modo
de contar imageticamente o que conceitualmente os homens teriam dificuldade para
entenderem, já que, pela própria narrativa, o sábio nem sempre se faz ouvir pela maioria
ignorante. (Por João Francisco P. Cabral).

A República

Embora tenha se destacado na filosofia, Platão nunca esqueceu a política, que


esteve na base de sua formação. Também nunca se conformou com a condenação
injusta de Sócrates. Seu desencanto com a democracia ateniense era evidente, e ele
valeu-se da escrita para expressar aquilo que considerava a solução para os problemas
da cidade.

Em seu livro A República, Platão propôs um governo gerido somente por


filósofos, os únicos que teriam condições de exercer o poder com sabedoria. Tratava-se
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FILOSOFIA – PRIMEIRO ANO

de uma forma de governo aristocrata, porém, não relacionada à riqueza ou à influência


política, mas ao saber. Para se tornar governante, o postulante teria de passar por um
longo e rigoroso processo de estudo e preparação:

 Até os 20 anos: Todas as pessoas receberiam a mesma educação. Após essa


primeira etapa, os menos propensos às atividades do intelecto seriam eliminados
do processo, por serem identificados como possuidores de uma “alma de bronze”,
aquela mais afeita às atividades agrícolas, artesanais e ao comércio, para as quais
deveriam ser destinadas;
 Ao final dos 30 anos: Haveria uma nova triagem. Dessa vez, o critério de
eliminação levaria em conta os que se destacassem por sua coragem,
considerados, por isso, possuidores de uma “alma de prata”. A estes estaria
reservada a defesa da cidade, na função de soldados e guerreiros;
 Ao final dos 50 anos: Após exaustivas atividades e provas com base em questões
relacionadas à moral e à política, seriam identificados os possuidores de uma
“alma de outro”, os homens mais cultos e sábios, aos quais caberia a
administração da cidade. A principal virtude requerida desses homens seria o
senso de justiça (filósofo-rei).

Por essa divisão, pode-se deduzir que Platão era um crítico da ideia de igualdade
entre as pessoas, pois considera que umas são melhores do que as outras.

A atividade literária de Platão abrange mais de cinqüenta anos de sua vida: desde
a morte de Sócrates, até a sua morte em 347 a. C. A parte mais importante da sua
atividade literária é representada pelos diálogos, em três grupos principais, segundo certa
ordem cronológica que representa a evolução do pensamento platônico, socrático ao
aristotelismo.

2. REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:


Introdução à Filosofia. 5ª Edição. São Paulo: Moderna. 2013.

COTRIN, Gilberto. FERNANDES, Mirna. Fundamentos da Filosofia. 4ª Edição. São


Paulo: Saraiva. 2016.

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FILOSOFIA – PRIMEIRO ANO

JÚNIOR, Antonio Djalma Braga. LOPES, Luiz Fernando. Introdução à Filosofia


Antiga. 1ª Edição. Curitiba: InterSaberes. 2016.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Filosofia. 10ª Edição. São Paulo: Cortez. 1994.

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