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DIREITO ECONÔMICO1

Carlos Augusto Nunes


Larissa Araújo
João Pedro Junior Rios2
Diogo de Almeida Viana dos Santos3

1 DELIMITAÇÃO DA PERGUNTA

Discuta a função da regulação econômica como promotora do desenvolvimento e


do bem-estar na sociedade em contraste com a alocação de recursos para maximização da
competitividade diante das escolhas principiológicas do Constituinte Brasileiro de 1988 para a
ordem econômica.

2 DESENVOLVIMENTO

É importante destacar que no desenvolvimento histórico do Estado houve diversos


paradigmas que assentaram e definiram o papel do Estado na intervenção na economia. Do
Estado liberal houve a percepção de que a economia não podia funcionar num contexto de não-
intervenção, deixando nas mãos dos particulares o exercício da atividade econômica.
Aos poucos, o Estado foi reconhecendo a falha desse sistema liberal, dando espaço
para o Estado interventor no qual se visava a implementação dos Direitos Sociais (moradia,
educação, saúde, economia, cultura, etc.) de segunda geração, percebendo que era necessário o
Estado no centro da economia.
Porém, tal modelo, também se mostrou falho dando espaço para o Estado
Democrático de Direito, ou regulador, pois se viu que o ente Estatal não tinha a mesma
competência no desenvolvimento da atividade econômica, por isso os Direitos Fundamentais
característicos desta época são os de terceira geração, referente a uma propriedade imaterial e
difusa, como o direito ao meio ambiente, ao desenvolvimento para gerações futuras da
solidariedade e fraternidade. Sendo assim, o Estado exploraria atividade econômica somente

1
Atividade apresentada à disciplina Direito Econômico da Unidade de Ensino Superior Dom Bosco - UNDB.
2
Alunos do 8º período do Curso de Direito, Noturno. da UNDB.
3
Professor Dr., Orientador.
em último caso, por exceção, quando se tratar de relevância do interesse público e soberania
nacional.
Diante deste fato, durante a década de 1940, segundo Prado (data), surgiu uma
literatura que discutia as implicações da crescente divergência nos níveis de renda entre países
que passaram por transformações estruturais rápidas e do restante dos países.
Surgem, assim, três premissas necessárias para analisar a atuação do Estado na
regulação da economia. A primeira, na qual não há desenvolvimento sem a intervenção estatal.
Políticas públicas seriam, necessárias, então, para que ocorresse o processo de
desenvolvimento. Além disso, a segunda premissa seria a que o papel das instituições é
primordial na dinâmica das transformações econômicas que explicam o processo de
desenvolvimento. E, a terceira premissa da qual o processo de desenvolvimento econômico
depende da inter-relação entre as forças de mercado que são influenciadas e influenciam a ação
do Estado e as mudanças institucionais (PRADO, data).
Tanto que se consolidou no meio acadêmico e político a ideia relativa ao fracasso
de algumas experiências econômicas, referentes a América Latina e no Leste Europeu e que
poderiam estar relacionadas ao papel que desenvolvia o Estado nessas economias. Tal debate
entrou na discussão destes países latino-americanos como resposta as grandes crises que estava
sendo enfrentada decorrente do super endividamento externo (PRADO, data).
Em síntese, em um mundo de integração financeira global, instituições financeiras
sólidas e governança corporativa eficiente (além de sólida política macroeconômica)
seriam essenciais para promover uma intermediação financeira segura e o uso
adequado dos fluxos de capitais. Sem eles as economias integradas ficariam altamente
vulneráveis às mudanças nos sentimentos dos investidores e, portanto, à crises
financeiras e cambiais, expondo os agentes privados a riscos financeiros, cambiais e
altas taxas de juros, que teriam efeitos nefastos sobre a economia real. Portanto,
reformas institucionais seriam essenciais para a estabilidade macroeconômica e para
a integração financeira mundial (PRADO, data, p. 9)
Por isso, é necessária uma rede que abarque instituições financeiras solidas e uma
administração eficiente no intuito de promoção de uma intermediação financeira indispensável
e adequada além da correta utilização do dinheiro público na efetuação das despesas públicas,
sempre visando o interesse público comum.
Desta forma, percebeu-se a necessidade de mudança na intervenção estatal na
economia, com a consequente diminuição da sua interferência neste ramo, diante do fato das
experiências decepcionantes dos modelos anteriores.
Faziam parte das recomendações a criação de novas agencias estatais, que deveriam
regular serviços privatizados. Mas um dos pilares desse modelo seria uma legislação
de defesa da concorrência que deveria atuar preventivamente avaliando atos de
concentração que pudessem alterar o ambiente concorrencial, e controlando infrações
a ordem econômica, com a punição de condutas anticompetitivas, garantindo,
portanto, o adequado funcionamento do mercado (PRADO, data, p. 10)
Não diferente foi com no Estado Democrático de Direito, com a criação das
agencias reguladoras, nas quais uma das funções precípuas é a de fiscalização e regulamentação
das atividades administrativas visando o atendimento do interesse público de forma adequada
e sempre pautada no princípio da legalidade administrativa.
Portanto, surge a questão de qual seria o papel do Estado no mercado e por isso
torna-se indispensável discutirmos sobre concorrência e monopólio.
Competição, segundo Prado (data), seria a forma de rivalidade que trata de
contratos, ou melhor dizendo, disposição e capacidade do agente econômico em contratar ou
recontratar com número indefinido de pessoas independente do consentimento da outra parte
sempre no intuito de maximizar o bem-estar social.
Passaria então, por alguns requisitos. A existência de uma racionalidade, ou seja,
saber onde se deseja chegar e as consequências decorrentes de cada ato. Ausência de obstáculos
físicos para fazer, executar os planos segundo a vontade dos agentes econômicos, característica
decorrente da supremacia do interesse público sob o qual a administração pública teria
prerrogativas de alterar unilateralmente as condições contratuais. O dever de haver a
intercomunicação de todos os membros individuais da sociedade. e cada membro da sociedade
age como indivíduo e é independente de todas outras pessoas (PRADO, data).
Portanto, só haveria o máximo atendimento do bem comum, havendo uma situação
de competição perfeita se houver mercado perfeito alcançaría-se as condições de eficiência da
máquina administrativa pública.
Entretanto, agentes econômicos ao maximizarem o seu bem-estar não produzem
simultanemanete um resultado ótimo para a sociedade em si, por haver certas circunstancias
que ocasionam tal problema, pois os custos privados são diferentes dos custos públicos,
entrando em cena as externalidades. Num mercado deste tipo a concorrência não seria
suficiente, então, para alcançar o interesse público coletivo, problema que só pode ser resolvido
com o Estado Regulador.
As premissas de concorrência perfeita eram difíceis de serem obtidas era necessário
identificar os fatores que levavam a mais próxima aproximação da concorrência
perfeita, nas condições reais da economia. Portanto se a concorrência perfeita não era
passível de ser obtida, a questão era como obter uma concorrência que fosse
operacional (workable) (PRADO, data, p. 13).
E, dessa, forma, foi necessário entender que o modelo de equilíbrio econômico foi
formulado por Hayek, para resolver o problema da alocação de recursos através do mecanismos
de preços. O grande problema era saber como gerar o bem estar social com a utilização mais
eficiente dos recursos que eram escassos. Um sistema de preços, desta forma, levaria a alocação
eficiente destes recursos escassos (PRADO, data).
Portanto, é indispensável, segundo Prado (data), trazer o argumento da Economia
de informação, que dita que os problemas de assimetria de acesso as informações e o custo para
obtê-las é que implicariam na necessidade da atuação estatal para garantir o desenvolvimento
econômico. Por isso a questão de alocação de recursos dependeria instantaneamente das ações
estatais, ou seja, da regulação do mercado. E uma dessas formas são as agências reguladoras
que, muitas vezes, estabelece padrões de qualidade de produtos, visando o atendimento do
interesse público de forma adequada sendo certo que o “Estado passa a ter um papel
fundamental para resolver problemas que são impossíveis de serem tratados pelos mercados,
sendo que a questão informacional é um dos mais importantes problemas” (PRADO, data,
p.19).
E o papel do Estado Regulador neste caso seria exatamente este, por meio das
agências reguladoras, contribuir para o aumento do nível de investimento e maximizar o bem-
estar da sociedade em um contexto dinâmico, pautado nas políticas de desenvolvimento
econômico.
E por isso a livre iniciativa baliza, também, a atividade estatal na economia, pois
em determinados momentos e contextos econômicos, ela pode ser reprimida (como em casos
de monopólio) ou estimulada pautada na livre concorrência, escolha do legislador constituinte
ao correlacionar os dois grandes sistemas, liberal e socialista, na escolha do modelo econômico.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada


em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva,
1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira).
BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Malheiros, 2004.