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Proposta de utilização do Enade como ferramenta de avaliação para o

curso de Engenharia de Produção

Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar o Enade como uma das ferramentas possíveis
para avaliação do curso de Engenharia de Produção, pelas Instituições de Educação
Superior (IES) participantes. Com a exposição das competências previstas pela Associação
Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO), em comparação com aquelas exigidas
pelo Enade, bem como por meio de uma análise dos resultados obtidos no Enade 2008 para
as IES federais mineiras, busca evidenciar uma maneira de avaliar internamente o
desenvolvimento do curso por IES. A análise pode ser feita isoladamente, por meio das
competências desenvolvidas, e em comparação com outras IES, utilizando o desempenho
obtido pelos estudantes no Enade. Além disso, demonstrar a possibilidade de uma avaliação
longitudinal por meio da comparação de resultados do Enade 2005 e 2008. As conclusões
obtidas evidenciam uma ferramenta didática e pedagógica para a avaliação de curso e ainda
afirmam a importância desta avaliação para auxiliar no desenvolvimento e atualização do
curso.
Palavras-chave: Enade; Competências; Avaliação; Engenharia de Produção.

1. Introdução
As diversas transformações que a sociedade atual vem sofrendo configuram-se em
exigências diversas e inovadoras para todas as profissões. Ao profissional de Engenharia de
Produção, bem como aos profissionais das mais diversas áreas, é necessário o
desenvolvimento de competências e habilidades para a sua atualização constante.
Leboyer (1997) apud Gramigna (2002, p.15) designa o termo “competências” como
sendo “repertórios de comportamentos e capacitações que algumas pessoas ou organizações
dominam melhor que outras, fazendo-as eficazes em uma determinada situação”.
As Instituições de Educação Superior (IES) apresentam um papel importante no
desenvolvimento, por parte dos estudantes, não só da “competência acadêmica”, que por
Cunha (2007) apud Magalhães et.al. (2008) é conceituada como sendo a “capacidade de
executar atividades de alta complexidade inerentes à realização do curso de nível superior”,
como também da preparação para o desenvolvimento da “competência profissional”.
Devido à mobilidade e constante evolução do mercado de trabalho atualmente, para
garantir que os graduados tenham a capacidade de desenvolver sua competência profissional,
as IES devem estar em constante atualização, e para tal se faz necessária a avaliação de seus
métodos de ensino.

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Para garantir a evolução dos cursos, não bastam que as IES invistam no
aprimoramento de seus currículos e de sua infra-estrutura, elas devem investir em melhorias
organizacionais e em seus processos de ensino/aprendizagem. Através do sistema de
avaliação de curso, problemas podem ser efetivamente detectados, e propostas de melhorias
podem ser desenvolvidas, considerando-se que este sistema não deve somente avaliar para
conferir grau ou estabelecer rankings, mas tem o intuito de fazer progredir e implantar
melhorias efetivas nos cursos (OLIVEIRA, 2004).
Neste contexto, o presente artigo trata-se de um estudo descritivo, com a finalidade de
apresentar o Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) como uma, dentre
várias ferramentas passiveis de serem utilizadas no processo de avaliação dos cursos de
graduação, em especifico, do curso de Engenharia de Produção. Para tal foi realizado um
estudo acerca dos resultados obtidos pelos ingressantes e concluintes do curso de Engenharia
de Produção das IES federais mineiras no Enade 2008 em comparação com um estudo
realizado por Grassano et.al. (2009) dos resultados obtidos no Enade 2005.
2. A Engenharia de Produção segundo a ABEPRO
O curso de Engenharia de Produção, uma modalidade do curso de engenharia, é
relativamente recente se comparado com as demais engenharias. Os primeiros cursos de
Engenharia de Produção surgiram no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60, e daí em
diante, principalmente no inicio deste século, o curso sofreu um crescimento vertiginoso
(OLIVEIRA, 2004).
Este crescimento se deve principalmente à própria evolução do mundo da produção,
devido às mudanças que ocorreram e ocorrem recentemente, estabelecendo que um dos
capitais mais importantes das empresas atualmente é o conhecimento, que influencia
diretamente na obtenção de vantagem competitiva em aspectos que permeiam as áreas de
conhecimento abrangidas pela Engenharia de Produção (OLIVEIRA, 2004).
Para acompanhar esta evolução constante, se fez necessária a presença de uma
organização que auxiliasse o curso de Engenharia de Produção no âmbito acadêmico, para
garantir a preparação dos graduandos para o âmbito profissional.
Com isso foi estabelecida a Associação Brasileira de Engenharia de Produção
(ABEPRO), com a finalidade de defender os interesses na área de Engenharia de Produção no
Brasil. A ABEPRO atua a mais de 20 anos assumindo funções como:
[...] esclarecer o papel do Engenheiro de Produção na sociedade e
em seu mercado de atuação, ser interlocutor junto às instituições
governamentais relacionadas à organização e avaliação de cursos (MEC e
INEP) e de fomento (CAPES, CNPq, FINEP e órgãos de apoio às pesquisas
estaduais), assim como em organizações privadas, junto ao CREA,
CONFEA, SBPC, ABENGE e outras organizações não governamentais que
tratam a pesquisa, o ensino e a extensão da engenharia (ABEPRO, 2010).
2.1 Áreas de Engenharia de Produção
Dentro da área de Engenharia de Produção, são estabelecidas, pela ABEPRO, áreas de
conhecimento (ABEPRO, 2010), ligadas à formação de um engenheiro de produção, são elas:
- Engenharia de Operações e Processos da Produção;
- Logística;

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- Pesquisa Operacional;
- Engenharia da Qualidade;
- Engenharia do Produto;
- Engenharia Organizacional;
- Engenharia Econômica;
- Engenharia do Trabalho;
- Engenharia da Sustentabilidade;
- Educação em Engenharia de Produção.
2.2 As competências de um Engenheiro de Produção
A ABEPRO também prevê as competências profissionais e habilidades desejadas para
um Engenheiro de Produção (ABEPRO, 2010).
Um Engenheiro de Produção deve ter competência para:
- dimensionar e integrar recursos físicos, humanos e financeiros a fim de produzir, com
eficiência e ao menor custo, considerando a possibilidade de melhorias contínuas;
- utilizar ferramental matemático e estatístico para modelar sistemas de produção e auxiliar na
tomada de decisões;
- projetar, implementar e aperfeiçoar sistemas, produtos e processos, levando em consideração
os limites e as características das comunidades envolvidas;
- prever e analisar demandas, selecionar conhecimento científico e tecnológico, projetando
produtos ou melhorando suas características e funcionalidade;
- incorporar conceitos e técnicas da qualidade em todo o sistema produtivo, tanto nos seus
aspectos tecnológicos quanto organizacionais, aprimorando produtos e processos, e
produzindo normas e procedimentos de controle e auditoria;
- prever a evolução dos cenários produtivos, percebendo a interação entre as organizações e os
seus impactos sobre a competitividade;
- acompanhar os avanços tecnológicos, organizando-os e colocando-os a serviço da demanda
das empresas e da sociedade;
- compreender a inter-relação dos sistemas de produção com o meio ambiente, tanto no que se
refere a utilização de recursos escassos quanto à disposição final de resíduos e rejeitos,
atentando para a exigência de sustentabilidade;
- utilizar indicadores de desempenho, sistemas de custeio, bem como avaliar a viabilidade
econômica e financeira de projetos;
- gerenciar e otimizar o fluxo de informação nas empresas utilizando tecnologias adequadas.
Além disso, ele também deve ter como habilidades:
- Iniciativa empreendedora;
- Iniciativa para auto-aprendizado e educação continuada;
- Comunicação oral e escrita;

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- Leitura, interpretação e expressão por meios gráficos;
- Visão crítica de ordens de grandeza;
- Domínio de técnicas computacionais;
- Conhecimento, em nível técnico, de língua estrangeira;
- Conhecimento da legislação pertinente;
- Capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares;
- Capacidade de identificar, modelar e resolver problemas.
- Compreensão dos problemas administrativos, sócio-econômicos e do meio ambiente;
- “Pensar globalmente, agir localmente”.
3. Enade
O Enade é aplicado, com periodicidade trienal, para estudantes ingressantes e
concluintes do curso em avaliação e sua elaboração considera as definições de habilidades e
competências expressas nas diretrizes curriculares definida pela área de ensino.
A prova do Enade, tomando por base as diretrizes do Enade 2008, é composta por 40
questões e dividida basicamente em duas partes: o componente de formação geral comum aos
cursos de todas as áreas e o componente específico da área de Engenharia, subdividida em
oito grupos. O Grupo VI da Engenharia é aquele que diz respeito à Engenharia de Produção e
suas ênfases.
O componente específico da área de Engenharia ainda se divide em dois núcleos: um
Núcleo de Conteúdos Básicos, onde serão abordados assuntos comuns às Engenharias; e um
Núcleo de Conteúdos Profissionalizantes que tomará como referencial os conteúdos definidos
no âmbito de cada Grupo.
Segundo a legislação que rege o Enade 2008 o objetivo geral do Enade não é somente
avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos previstos para cada curso nas
diretrizes curriculares, mas também por meio do componente de formação geral, avaliar o
conhecimento em relação à realidade brasileira e mundial e acerca de outras áreas do
conhecimento. Além disso, por meio do componente especifico avaliar o conhecimento dos
estudantes em relação às habilidades e competências necessárias à atualização permanente em
sua área do conhecimento (INEP, 2008).
Tomando como referência o perfil do profissional expresso nas Diretrizes Curriculares
Nacionais para os cursos de Engenharia, o engenheiro deve ter:
[...] formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitado a
absorver e desenvolver novas tecnologias, estimulando a sua atuação crítica
e criativa na identificação e resolução de problemas, considerando os seus
aspectos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais, com visão
ética e humanística, em atendimento às demandas da sociedade (INEP,
2008).
3.1 Núcleo de Conteúdos Profissionalizantes Específicos
O Núcleo de Conteúdos Profissionalizantes Específicos (INEP, 2008) para a área de
Engenharia (Grupo VI), é composto por:

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- Gestão da Produção;
- Logística;
- Pesquisa Operacional;
- Engenharia da Qualidade;
- Engenharia do Produto;
- Ergonomia;
- Engenharia do Trabalho;
- Engenharia Organizacional;
- Engenharia Econômica;
- Gestão Ambiental.
Comparando o Núcleo de Conteúdos Profissionalizantes Específicos do Enade 2008
com as áreas da Engenharia de Produção segundo a ABEPRO, nota-se que elas são
convergentes, se diferindo apenas na falta da área de Educação em Engenharia de Produção
no Enade; na separação de Ergonomia e Engenharia do Trabalho por este, sendo que para a
ABEPRO a Ergonomia é uma subárea da Engenharia do Trabalho; e ainda no enfoque da
subárea Gestão Ambiental e não em toda a área de Engenharia da Sustentabilidade.
3.2 Competências exigidas pelo Enade
Além do perfil genérico que cabe a todos os Engenheiros, um Engenheiro de Produção
deve ter, segundo as Diretrizes do Enade (INEP, 2008) para a área de Engenharia (Grupo VI),
competência para:
- projetar, implantar, operar, analisar, manter, gerir e melhorar produtos, processos e sistemas
de produção de bens e serviços, envolvendo a gestão do conhecimento, do tempo e dos
demais recursos produtivos (humanos, econômico-financeiros, energéticos e materiais,
inclusive, naturais);
- dimensionar, integrar, aplicar os recursos produtivos de modo a viabilizar perfis adequados
de produção, consoante o contexto de mercado existente, visando produzir com qualidade,
produtividade e ao menor custo, considerando a possibilidade de introdução de melhorias
contínuas;
- projetar, gerir e otimizar o fluxo de informação e de materiais no processo produtivo,
utilizando metodologias e tecnologias adequadas;
- incorporar conceitos, métodos e técnicas de natureza organizacional, de modo a racionalizar
a concepção e a realização de produtos e processos, inclusive, produzindo normas e
procedimentos de monitoração, controle e auditoria;
- prever e analisar demandas, de modo a adequar o perfil da produção e dos produtos
produzidos ao contexto de mercado;
- prever a evolução dos cenários produtivos, consoante a interação entre as organizações e o
mercado, inclusive, atuando no planejamento organizacional para viabilizar a manutenção e o
crescimento da competitividade;

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- acompanhar os avanços metodológicos e tecnológicos, tornando-se apto ao exercício
profissional em consonância com as demandas sociais;
- compreender a inter-relação entre produtos, processos, sistemas de produção e o meio
ambiente, tanto no que se refere a utilização de recursos naturais, quanto à disposição final de
resíduos e efluentes, atentando para a exigência de sustentabilidade;
- elaborar e utilizar indicadores de desempenho;
- implantar inovações organizacionais e tecnologias de gestão.
Utilizando novamente o método da comparação, agora levando em consideração as
competências de um Engenheiro de Produção segundo a ABEPRO e as competências exigidas
no Enade pra a Engenharia (Grupo VI), pode-se notar novamente uma grande semelhança
entre as competências exigidas no exame com as previstas pela ABEPRO.
O fato desta semelhança possibilita a utilização do Enade para avaliar de forma
estatística, a assimilação das competências por parte dos participantes no exame, permitindo
assim o acompanhamento da evolução do curso.
4. Resultados do Enade
O Enade é um dos procedimentos de avaliação do Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior (SINAES), que é realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
O INEP é a instituição responsável pela divulgação dos resultados obtidos pelos
estudantes no Enade, sendo que seus resultados podem produzir dados por instituição de
educação superior, categoria administrativa, organização acadêmica, município, estado e
região. Logo, podem ser estabelecidos referenciais que possibilitem a demarcação de ações
voltadas para a melhoria da qualidade dos cursos de graduação, por parte de professores,
técnicos, dirigentes e autoridades educacionais (INEP, 2008).
4.1 Enade 2008
A tabela a seguir demonstra o Conceito obtido pelas IES referente à área Engenharia
(Grupo VI), que inclui as Engenharias de Produção, com e sem ênfase:
Tabela 1 – Notas do ENADE por IES.

IES Federal MG Conceito Enade

A 5
B 5
C 5
D 4
E 4
F 3
G 3
Fonte: Autores (2010).

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A pesquisa foi realizada com os dados referentes ao Enade 2008, analisando os
resultados obtidos por 7 Instituições de Educação Superior (IES) do estado de Minas Gerais.
As IES serão apenas indicadas por associação a uma letra de A a G.
Para fins de comparação entre as IES a pesquisa foi realizada com as Instituições
Federais do estado de Minas Gerais, levando em consideração o Conceito obtido por elas,
bem como as notas obtidas por concluintes e ingressantes no componente de formação geral
comum aos cursos de todas as áreas e no componente específico da área.

Gráfico 1 – Médias gerais dos concluintes e ingressantes nas IES. Fonte: Autores (2010).
O Gráfico 1 demonstra as médias gerais obtidas por ingressantes e concluintes nas IES
analisadas. A maior média geral dos ingressantes é 59,0, com nota mínima de 31,4 e máxima
de 78,4, enquanto que a maior média geral dos concluintes é 67,3, com mínima de 32,5 e
máxima de 88,1.
É notada uma tendência na diferença entre a nota obtida pelos concluintes e
ingressantes de cada instituição, sendo que a diferença máxima é de 9,3 pontos e a mínima, e
negativa, já que a média obtida por ingressantes é maior que a dos concluintes, é de 2,3
pontos.
O Gráfico 2 trás a média obtida pelas IES no componente específico da prova do
Enade 2008. Para analisar os dados, as médias são classificadas por IES e divididas entre as
médias dos ingressantes e dos concluintes:

Gráfico 2 - Médias de ingressantes e concluintes no componente específico. Fonte: Autores (2010).


A maior média obtida pelos concluintes no componente específico é 66,8 pontos, com
máxima de 92,5 pontos e mínima de 35,8 pontos para esta instituição. Com exceção da IES F,
a média obtida pelos concluintes no componente especifico é nitidamente maior que a obtida
pelos ingressantes.

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Tal fato pode ser facilmente entendido devido às competências exigidas no Enade para
o componente específico e que serão trabalhadas e aperfeiçoadas durante o curso.
Tabela 2 - Média dos concluintes no componente específico por Conceito no Enade 2008
Média Componente Específico
Conceito 5 Outros Conceitos
65,3 50,8
Fonte: Autores (2010).
A Tabela 2 demonstra a média obtida pelas IES analisadas que obtiveram Conceito 5
no Enade 2008 em comparação com aquelas que obtiveram Conceito diferente de 5. A
expressiva diferença das médias, de 14,5 pontos, demonstra o melhor desempenho dos
estudantes das IES de Conceito 5, em relação às competências analisadas.
4.2 Estudo do Enade 2005
No artigo “Um estudo sobre o resultado do ENADE 2005 e as Competências
desenvolvidas nos cursos de Engenharia de Produção Mineiros” de Grassano et.al. (2009), foi
realizado um estudo envolvendo os resultados do Enade 2005 com o objetivo de ressaltar a
importância da aderência das competências estabelecidas pela ABEPRO.
O Gráfico 3 faz uma comparação das médias obtidas pelos concluintes e ingressantes
das IES federais mineiras, no componente especifico do Enade 2005 e 2008:

Gráfico 3- Médias no componente específico do Enade 2005 e 2008. Fonte: Autores (2010).
No Enade 2005 a média no componente específico obtida por concluintes foi 58,7
pontos, com máximo de 98,6 pontos e mínimo de 31,2 pontos, enquanto que a obtida pelos
ingressantes no mesmo ano foi 44,4 pontos, com máximo de 78,8 pontos e mínimo de 9,1
pontos.
No Enade 2008 a média dos concluintes foi 57,0 pontos, com máximo de 92,5 pontos
e mínimo de 8,9 pontos, e a dos ingressantes foi 48,9 pontos, com máximo de 81,6 pontos e
mínimo de 0,0 pontos.
Vale a pena ressaltar que os ingressantes no Enade 2005 se tratam dos concluintes no
Enade 2008, fato esse que auxilia em uma pesquisa longitudinal a respeito das notas obtidas
no componente específico.
Ainda em seu estudo, Grassano et.al. (2009), analisa quais foram as competências,
dentre aquelas exigidas no Enade 2005, trabalhadas nas 3 questões discursivas do componente

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específico. Foi criada uma convenção de verificação a fim de trabalhar estas competências
relacionando com as notas obtidas pelas IES.
5. Discussão dos Resultados
A comparação descritiva entre as competências e áreas estabelecidas pela ABEPRO
com aquelas exigidas no Enade reforça o fato de poder usá-lo para fazer uma avaliação do
curso de Engenharia de Produção.
Através da Tabela 1 é possível estabelecer quais universidades obtiveram melhor
conceito no Enade, e com a análise do Gráfico 1 nota-se que a tendência de diferença entre as
notas obtidas pelos concluintes e ingressantes em cada IES está diretamente relacionada ao
conceito obtido pela IES no Enade.
Com o Gráfico 2, que demonstra uma tendência de aumento ainda maior, por analisar
as médias no componente específico, onde são exigidas competências semelhantes às
necessárias aos Engenheiros de Produção, nota-se que as IES que obtiveram maior conceito,
apresentam uma diferença maior na nota dos concluintes em comparação com as dos
ingressantes. Isto ressalta o fato destas universidades trabalharem melhor as competências em
comparação com aquelas que obtiveram menor conceito.
Fortalecendo esta análise, a Tabela 2 trás a média dos concluintes no componente
específico das 3 IES que obtiveram conceito 5 no Enade em comparação com a das demais,
demonstrando uma significativa diferença entre as médias, que indica que as universidades A,
B e C preparam melhor seus concluintes para as competências exigidas pelo exame.
A comparação com os dados do Enade 2005 através do trabalho de Grassano et.al.
(2009) vêm para afirmar a necessidade de uma análise longitudinal. O Gráfico 3 permite notar
uma diminuição das médias obtidas no componente específico por ingressantes e concluintes.
Além de possibilitar a análise comparativa na nota obtida por ingressantes em 2005 que são os
concluintes de 2008, demonstrando a melhora no seu desempenho na realização da prova.
Quando realizados para uma IES em específico, em comparação com as notas obtidas
pelas outras, torna-se possível analisar por meio dos resultados, fatos internos como alteração
na grade curricular, no corpo docente, ou até na forma de abordagem de determinados
assuntos que desenvolvem competências específicas e analisadas.
O principal resultado obtido neste artigo torna-se a possibilidade da utilização destes
dados analisados, tomando como referência as IES federais mineiras, para o desenvolvimento
de uma avaliação que propõe analisar o desenvolvimento das competências previstas ao curso.
6. Considerações Finais
A discussão teórica deste artigo e a apresentação e análise dos dados do Enade 2008 e
2005, evidenciam a importância da utilização de dados e resultados obtidos pelas IES para
avaliar e entender o seu contexto interno, em especial para o curso de Engenharia de
Produção.
O entendimento pleno da situação interna em que se encontra um curso, muitas vezes
pode se apoiar em avaliações feitas a partir de vários instrumentos, e o objetivo principal
deste artigo foi demonstrar como o Enade, trabalhando o conceito de competências e áreas do
conhecimento, pode ser uma forte ferramenta para desenvolver análises e entender situações.

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Através da análise realizada dos dados do Enade 2008, em comparação com o estudo
dos dados do Enade 2005, foi possível notar em termos de diferença na nota, as competências
adquiridas durante o curso e/ou melhores trabalhadas em algumas IES do que em outras.
Quando realizado para uma IES especifica, ou ainda quando a análise é feita mais
especificadamente, enfocando em quais competências foram avaliadas em determinadas
questões, como foi feito o trabalho de Grassano et.al. (2009), torna-se possível estabelecer
quais áreas do conhecimento, ou até mesmo disciplinas, devem ser melhores trabalhadas no
curso para a obtenção de melhores resultados.
Por de tratar de um artigo com intuito descritivo, as principais limitações do mesmo
estão relacionadas a tal. A pesquisa foi realizada de forma geral para as IES analisadas,
utilizando-se muitas vezes da média obtida por todas elas e não por cada uma.
A comparação e exposição do trabalho realizado por Grassano et.al. (2009), também
foi feita apenas com IES federais mineiras, não realizando uma comparação por IES, já que
também em seu trabalho não evidenciou quais eram as IES analisadas, impossibilitando tal
comparação.
Uma expansão deste trabalho inclui as pretensões futuras da realização de um trabalho
mais detalhado acerca de uma universidade especifica, analisando também de forma mais
especifica quais competências e áreas do conhecimento são avaliadas para o Enade 2008,
buscando avaliar o desenvolvimento e modificação das competências de um Engenheiro de
Produção de acordo com a evolução do mercado.
Referências
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da ABEPRO. Disponível em: < http://www.abepro.org.br/interna.asp?m=332&s=1&c=359>. Acesso em: 04
fev. 2010.
ABEPRO. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Engenharia de Produção. Apresenta informações sobre as
áreas e subáreas da Engenharia de Produção. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/interna.asp?p
=399&m=424&s=1&c=362>. Acesso em: 25 jan. 2010.
ABEPRO. Engenharia de Produção: Grande área e diretrizes curriculares. Documento elaborado nas reuniões do
grupo de trabalho de graduação em Engenharia de Produção. Disponível em:
<http://www.proengprod.ufjf.br/SiteProengprod/ArqSite/DiretrCurr2001.rtf>. Acesso em: 13 jan. 2010.
GRAMIGNA, Maria Rita. Modelo de competências e gestão dos talentos. São Paulo: Makron Books, 2002.
GRASSANO, D. R.; LIMA, L. F.; FERRAZ, T. C. P.; OLIVEIRA, V. F. Um estudo sobre o resultado do
ENADE 2005 e as Competências desenvolvidas nos cursos de Engenharia de Produção Mineiros. Anais do V
Encontro Mineiro de Engenharia de Produção (EMEPRO) – FMEPRO e NUMEEP, Viçosa, MG, Brasil, 30 de
abr. a 02 de mai. de 2009.
INEP. Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Apresenta a
Portaria Inep nº 146, de 4 de setembro de 2008 com as Diretrizes a respeito das áreas de Engenharia do Enade.
Disponível em: <http://www.inep.gov.br/download/superior/enade/Diretrizes%20Enade/Diretrizes_Engenharias
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INEP. Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Apresenta
informações em uma planilha a respeito dos resultados obtidos no Enade 2008. Disponível em:
<http://www.inep.gov.br/download/enade/2008/2008_enade_cpc_decomposto_atl.xls>. Acessado em: 25 jan.
2010.
INEP. Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Apresenta os
resultados detalhados do Enade 2008 para cada Instituição, através de Relatórios de Curso. Disponível em:
<http://enade.inep.gov.br/enadeResultado/site/relatorioDeCurso.seam>. Acessado em: 13 jan. 2010.

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INEP. Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Disponibiliza
o Manual do Enade 2008. Disponível em: <http://www.inep.gov.br/download/superior/enade/
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MAGALHAES, P. I. G.; LIMA, L. F.; FERRAZ, T. C. P.; OLIVEIRA, V. F. Competências na formação do
Engenheiro de Produção: Panorama geral e implicações nos projetos pedagógicos dos cursos. In: ENCONTRO
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OLIVEIRA, Vanderli Fava de. Um estudo sobre a avaliação dos cursos de Engenharia de Produção. Anais do
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