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Integração e Blocos Econômicos Regionais

Avaliação I

Nome: Helitton Christoffer Carneiro

Escreva com suas palavras aquilo que entendeu da matéria em relação aos textos e a aula:
Não poderíamos começar de maneira distinta que não caracterizando aquilo que será a base
para as explanações dos posteriores parágrafos, ou seja, o Sistema Internacional. Durante as
discussões em sala de aula – fruto das inquietudes proporcionadas pelas leituras indicadas –
problematizamos constantemente a dinâmica do Sistema Internacional, sistema no qual degladiam-
se Estados Nacionais em busca de um melhor posicionamento na hierarquia internacional.
Trabalhando com a perspectiva realista nas relações interestatais (apesar da existência da
perspectiva liberal/idealista e marxista) podemos perceber algumas importantes características que
dizem respeito ao Sistema Internacional. Primeiramente, o SI é algo dotado de oscilações, ou seja,
há mudanças, portanto, quando utilizadas políticas de “catch-up” e/ou políticas similares, com
objetivo de implementar estratégias de desenvolvimento e/ou potencializar o grau de
desenvolvimento das forças produtivas de uma dada nação, temos como resultado um rearranjo
dentro da hierarquia do SI. Resumidamente, segundo Norbeth Elias “o que não sobe, cai”, e com os
Estados Nacionais não é diferente, a neutralidade neste tipo de ambiente predatório e competitivo
acarreta, sem sombra de dúvidas, a derrocada da nação que não atue de maneira semelhante aos
demais players.
Para Fiori, o SI é composto por três grupos distintos entre si, são eles: o centro –
representado pelos países acomodados no alto da hierarquia científico/tecnológica/militar -, a
semiperiferia – representado pelos países com potencial de desafiar o centro, com capacidades
materiais e não materiais que ameacem o equilíbrio de poder no centro – e a periferia – que é
representado pelos países especializados em exportar bens de baixa elasticidade/demanda,
sobretudo bens primários, reféns da contínua oscilação de tendência negativa dos preços.
(Deterioração dos termos de troca).
Durante as aulas, trabalhamos com alguns conceitos que representam o potencial de
movimento dentro do SI, elencamos três desses conceitos como sendo essenciais para uma
estratégia de desenvolvimento autônoma, vejamos quais são. Primeiramente, levaremos em
consideração aquilo que acordou-se chamar de viabilidade nacional, que nada mais é do que a soma
das capacidades materiais (montante de recursos naturais/minerais/hídricos, exércitos, população,
território, posição geográfica, etc) e das capacidades não materiais, que vão desde a coesão social -
trabalhada por Samuel Pinheiro Guimarães em “Desafios brasileiros na era dos gigantes” até
questões de natureza cultural. O segundo conceito que se fez presente durante as aulas foi o da
permissividade internacional, ou seja, variáveis externas (ou janelas de oportunidade) que permitem
ao Estado tirar vantagens em relação à conjuntura internacional. O terceiro e último elemento
refere-se à vontade estratégica e para exemplificar a importância deste último trarei o exemplo da
política externa brasileira. A política externa brasileira de mero coadjuvante nos anos de
“normalidade”, trabalhados por Amado Cervo e Bueno em História da Política exterior brasileira,
jamais se equipararia à política externa ativa e altiva do chanceler Celso Amorim. Os anos de
política externa “normal” não carregavam consigo vontade estratégica, enquanto que durante os
anos de Amorim chefiando o Itamaraty, o Brasil passou de mero coadjuvante à protagonista sul
americano no sistema internacional, sobretudo com o êxito do acordo iraniano de retirada do Urânio
enriquecido em Teerã, negado por Obama e seus correligionários tempos depois.
Podemos entender a busca pelo desenvolvimento das forças produtivas através do binômio
autonomia-desenvolvimento criado pelos realistas de periferia Puig e Jaguaribe (Obs.: não
confundir com Carlos Escude e o realismo periférico). Não podemos deixar de relacionar a
Integração Regional ao binômio autonomia-desenvolvimento, buscando pensar a integração
regional de maneira transversal e viabilizadora do binômio. É um desafio e tanto problematizar a
integração regional sul-americana, assim como o é considerá-la um jogo de soma positiva, um
ambiente de estreitamento das relações e construção institucional conjunta, apresentada por Padula.
Contudo, não nos esqueçamos que há toda uma tipologia de integração, trabalhada de
maneira sistemática por José Paradiso, mais especificadamente na diferenciação da integração-
integradora (integração nos mais variados setores, com políticas compensatórias, paulatinas e
gradativas que objetivam desconstruir as assimetrias regionais que por ventura existam, e existem)
para com a integração-desintegradora, (priorização das relações por via única e exclusivamente
comercial). Aprendemos, que em relação à integração econômica existem quatro setores que se
associam e que quase sempre são “esquecidos”, os quatro pilares são: integração financeira,
produtiva, comercial e de infraestrura.
Há inúmeras maneiras de se integrar, seja periferia-centro, seja periferia-periferia ou
periferia-líder periferia, este último com a ascensão de um Key nation ou Pay mastering periférico,
que sustente e assegure a existência e permanência do processo, política e economicamente.
Os processos de Integração da América Latina, apresentados de maneira detalhada pelo
professor Nilson Araújo através das Ondas de Integração, demonstra que os processos de integração
latino americanos comportam-se como uma “fênix”, no sentido que desaparecem e resurgem de
acordo com a conjuntura política dos países, ou de acordo com o grau de interferência dos EUA na
região.
A primeira onda inicia-se com os processos de Independência das então colônias Ibéricas,
período de Bolívar, de San Martín, de Bernardo O’Higgins e outros, que inspirados no precursor da
integração regional – Francisco de Miranda – rompem o pacto colonial séculos atrás estabelecido,
até o período denominado por Eric Hobsbawn como “Era das Catástrofes”, ou seja, de 1914 a 1945,
momento em que encerra a disputa entre a hegemonia do Sistema Internacional com a ascensão
estadunidense ao mais alto posto da hierarquia internacional.
A segunda onda de integração inicia-se no fim da “era da catástrofe” e segue até fins da
década de 1960 e começo da década de 1970. Tal período é caracterizado pela tentativa de alguns
Estados latino americanos de fomentar os processos de industrialização, por via da substituição das
importações, com objetivo de atenuar o grau de dependência da América Latina para com os centros
industriais europeus (pós reconstrução Plano Marshall) e estadunidenses. Naquele então,
desenvolveu-se alguns espasmos da industria nacional, expandiu-se o crédito para a iniciativa
privada, foi o momento do pacto ABC em 1952, com Getúlio Vargas, Perón e Campo (Brasil,
Argentina e Chile respectivamente) e de muitas outras iniciativas de cooperação econômica
regional.
A terceira onda vai do fim da década de 1960 e começo da de 1970 até a ascensão dos
governos progressistas na América Latina nos anos 2000. Foi nesse período que pensou-se o PICE,
o Mercosul, sendo este último idealizado de uma maneira por Sarney e Alfonsín e praticado de
maneira irresponsável e acelerada por Menen e Collor.
A quarta onda consiste em uma incógnita, sabemos que ela iniciou-se nos anos 2000, porém
não temos condições de estabelecer seu fim ou sua “enfraquecida”, devido à ascensão de governos
de cunho liberal pró-mercado (Argentina e demais países) e a multiplicação de golpes de Estado por
toda a América Latina, do Paraguai ao Brasil. Não sabemos quais serão as próximas jogadas no
tabuleiro político latino-americano. Não temos respostas, mas podemos ter estratégias alternativas.
Integrar a região em um mundo de evidente multipolaridade é almejar ser um dentre os
polos de poder existentes internacionalmente, a negação de tal assertiva nos garante tão somente a
subcondição de uma sub-região vinculada ao polo que emana poder do Norte, e por consequência,
exclui todo e qualquer sinônimos de autonomia no futuro.
A busca por sinergias que construam o pensamento de que o todo é mais do que apenas a
soma das partes é um desafio de grande importância, sobretudo para concretizar a Integração
Regional. Num mundo de “Boas Políticas” e “Boas Instituições” exemplificadas por Ha Joon
Chang, que no fim significam tão somente as prescrições do Consenso de Washington para os
países em desenvolvimento, são facilmente aceitas pelos paladinos da dependência regional latino-
americana e pelos defensores da “vira-latismo regional”.
Somente perderam espaço a partir do momento que substituirmos o discurso e os conselhos
mui-amigos, pela análise histórica dos países hoje desenvolvidos. Se o fizermos, enxergaremos a
realidade na qual repousa o SI e poderemos traçar a estratégia necessária para o progresso conjunto,
não de maneira romantizada, sem esforços, muito pelo contrário.