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ESCOLA SUPERIOR DE DESENVOLVIMENTO RURAL

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA RURAL

Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

Curso de Licenciatura em Engenharia Rural com especialização em Água e Saneamento

João Mateus Matsimbe

Vilankulo, Junho de 2019


João Mateus Matsimbe

Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

Trabalho de Culminação de Curso a


submeter no Departamento de Engenharia
Rural da Escola Superior de
Desenvolvimento Rural - Universidade
Eduardo Mondlane, para obtenção do
grau de Licenciatura em Engenharia
Rural com especialização em Água e
Saneamento.

Sob Supervisão de:


a
Eng : Julieta Nhampossa (MSc)
Co-supervisão de:
Engo: Sacire Viagem (MSc)

UEM-ESUDER
Vilankulo
2019
Declaração de honra

Eu, João Mateus Matsimbe, declaro por minha honra que este trabalho é fruto do meu
estágio e ainda não foi submetido nesta e outras instituições de ensino para obtenção de qualquer
grau académico, sendo que todas as fontes usadas estão devidamente referenciadas na
bibliografia.

Vilankulo, Junho de 2019

_____________________________________

(João Mateus Matsimbe)

iii
Dedicatória

Dedico este trabalho aos meus pais Mateus Chigohane Matsimbe e Palmira Jemissenhane
Mazivila, pela dedicação e empenho que tiveram para comigo. A minha família pelos conselhos,
confiança, amizade, e por mi apoiar em todos os momentos.

Aos meus colegas da turma de engenharia rural ingressos em 2015, por fazerem parte da
minha história.

iv
Agradecimentos

Agradeço a Deus, pela saúde e protecção, aos meus pais Mateus Matsimbe e Palmira Mazivila,
pelas oportunidades que me proporcionaram, pelo amor, carinho e toda paciência durante minha
formação.

Aos meus tios Roberto Mazivila e Constância Cambula, irmãos e primos pelo carinho, apoio
moral e financeiro, dando rumo a minha formação.

Aos meus supervisores Engo. Sacire Viagem e Enga. Julieta Nhampossa pela paciência e
instruções transmitidas.

Aos docentes da escola em especial aos do curso de Engenharia Rural especialização em


água e saneamento, que contribuíram bastante para o meu aprendizado.

Aos meus colegas da turma por me ajudarem nos momentos que eu precisei sendo
companheiros e amigos, ao apoio na realização do trabalho.
Aos meus familiares e amigos que têm me apoiado directa ou indirectamente ai vai o meu
muito obrigado.

v
Lista de Abreviaturas, Siglas e Símbolos

ABCMAC Associação Brasileira de Captação e Manejo de Águas da Chuva


ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
AIAS Administração de Infra-estruturas de Água e Saneamento
ANA Agencia Nacional de Águas
ANQIP Associação Nacional para a Qualidade das Instalações Prediais
DNA Direcção Nacional de Águas
ESUDER Escola Superior de Desenvolvimento Rural
ETA Especificações Técnicas Água
INE Instituto Nacional de Estatística
IIPPA Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar
INAM Instituto Nacional de Meteorologia
MAE Ministério da Administração Estatal
NBR Norma Brasileira
PURAE Programa de Conservação e Uso Racional de Água nas Edificações
PNUEA Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água
UNICEF Fundo das Nações Unidas para Infância
SAAP Sistemas de Aproveitamento de Águas Pluviais
SDEJT Serviço distrital de educação, juventude e tecnologia
mm Milímetro (s)
m Metro (s)
2
m Metro quadrado (s)
m3 Metro cúbico (s)
L Litro (s)
mm/h Milímetro por hora

L/mim Litros por minuto

vi
Lista de tabelas

Tabela n0 1: Coeficientes de rugosidade “n” de Manning ........................................................ 31

Tabela n0 2: Coeficientes de runoff médios .............................................................................. 49

Tabela n0 3: Determinação das áreas de captação ..................................................................... 55

Tabela n0 4: Determinação dos volumes de água a ser captada em cada escola por ano .......... 55

Tabela n º 5: Valores da vazão de cada sistema de captação da água pluvial ........................... 56

Tabela n0 6: Quantidade dos acessórios necessários para os sistemas de captação por escola . 57

Tabela n0 7: Descrição da instalação dos sistemas de captação para cada escola ..................... 59

Lista de gráficos

Gráfico n0 1: Dados da precipitação média anual (mm) ........................................................... 53

Gráfico n0 2: Dados da precipitação mensal (mm) ....................................................................54

vii
Lista de figuras

Figura n0 1: Esquema do ciclo hidrológico ............................................................................... 19

Figura n0 2: Esquema típico de aproveitamento das águas pluviais .......................................... 27

Figura n0 3: Calhas de PVC ....................................................................................................... 29

Figura n0 4: Calhas de Metal ..................................................................................................... 30

Figura n0 5: Tubos de ferro fundido .......................................................................................... 32

Figura n0 6: Tubos PVC............................................................................................................. 32

Figura n0 7: Tubos de concreto. ................................................................................................. 33

Figura n0 8: Tubos de aço inox .................................................................................................. 34

Figura n0 9: Filtro de água de chuva modelo auto-limpante. .................................................... 35

Figura n° 10: Reservatórios de descarte das primeiras águas ................................................... 37

Figura n0 11: Reservatório de polietileno .................................................................................. 38

Figura n0 12: Reservatório de fibra de vidro ............................................................................. 39

Figura n0 13: Reservatório de aço galvanizado ......................................................................... 40

Figura n0 14: Reservatórios de betão......................................................................................... 41

Figura n0 15: Mapa do distrito de Vilankulo. ............................................................................ 43

Figura n0 16: Fluxograma das actividades realizadas ................................................................ 45

Figura n0 17: Superfície Plana Horizontal ................................................................................. 48

Figura n0 18: Ábaco para determinação de diâmetros de condutores verticais - com saída em
aresta viva. ................................................................................................................................. 51

Figura n0 19: Modelo do sistema de captação das águas pluviais ............................................. 59

viii
Lista de Apêndices e Anexos

Apêndice 1: Questionário referente a instalação dos sistemas nas escolas .......................... LXXI

Apêndice 2: Sistema de captação das águas pluviais para uso potável ............................. LXXIV

Apêndice 3: Calhas usadas nos sistemas de captação das águas pluviais ......................... LXXIV

Apêndice 4: Salas com cobertura de captação das águas pluviais ..................................... LXXV

Apêndice 5: Sala com estado péssimo de cobertura para captação das águas pluviais ..... LXXV

Apêndice 6: Determinação das precipitações médias anuais ............................................ LXXVI

Apêndice 7: Instalação do sistema de captação da água na área 1, escola de Massunze .LXXVII

Apêndice 8: Instalação do sistema de captação da água na área 2, escola de Massunze e


Macuane ...........................................................................................................................LXXVII

Anexo 1: Dados Pluviométricos de 2007 a 2017, do INAM de Vilankulo .................... LXXVIII

ix
Glossário

Reservatório de Polietileno- tanque de água constituído por um polímero mais simples, sendo
um dos tipos de plásticos mais comuns.

Gravilha- Seixos pequenos encontrados em cursos de água usados como filtro de água.

Torrencial- curso de água com um caudal rápido e irregular, situado num terreno geralmente de
forte inclinação.

Aerossol- pequenas partículas de um líquido ou sólido que estão em suspensão no ar na forma de


gás.

Período de retorno- período de tempo médio que um determinado evento hidrológico é


igualado ou superado pelo menos uma vez.

Sistema de captação- é uma tubulação que sai de lugares onde a água é mais vazante até o
reservatório. Pode ser feita por bombeamento ou gravidade.

Sazonalidade climática- é a forma do clima de uma determinada região variar durante o ano.

x
Resumo

O aproveitamento da água da pluvial oferece benefícios porem, estes estão associados


com o uso sustentável dos recursos hídricos, redução da poluição hídrica nos mananciais, o
incentivo à utilização racional da água potável para consumo directo e o combate à erosão do
solo. O presente trabalho tem como objectivo dimensionar e instalar sistemas de captação das
águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo. Para tal, foram seleccionadas cinco (05)
escolas que são consideradas as mais críticas em termos de acesso a água tanto por parte dos
alunos assim como dos professores. A concretização do objectivo consistiu no diagnóstico dos
sistemas de captação existentes ao nível da Província, consultas bibliográficas de materiais
relevantes, o levantamento de dados como área de captação, as condições da cobertura da área de
captação, número de alunos e professores e informações adicionais junto aos funcionários das
escolas seleccionadas e recolha de dados pluviométricos do distrito de Vilankulo de uma série de
onze (11) anos. A recolha de informações no campo foi por meio de uma entrevista semi-
estruturada e medições de comprimentos e larguras das áreas de captação. No que concerne aos
dados pluviométricos da série analisada, constatou-se que o ano de 2014 é que apresenta maior
índice pluviométrico de 1082,4 mm, com sazonalidade de pouca chuva que se estende de Maio a
Outubro. Para questão das áreas de captação usadas na instalação dos sistemas, a escola primária
do primeiro grau de Macuhane destacou-se com maiores áreas de captação sendo 77,67 m2 para
Area1 e 81,18 m2 para Area2. Ainda a mesma escola demonstrou maiores volumes de água a ser
captada por cada sistema instalado, isso devido ao tamanho das áreas de captação. No total foram
instalados nove (09) sistemas de captação de água pluviais, com uso de reservatórios de
polietileno de volumes que variam de 500 a 5000 litros dependo da demanda pela água na escola.

Palavras-chaves: Recurso Hídrico, Escassez, Poluição, Água Pluvial.

xi
ÍNDICE Pag.
I. INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 15

1.1. Problema de estudo ................................................................................................................ 16

1.2. Justificativa ............................................................................................................................ 17

1.3. Objectivos .............................................................................................................................. 18

1.3.1. Objectivo geral .................................................................................................................... 18

1.3.2. Objectivos específicos ........................................................................................................ 18

II. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................................. 19

2.1.Ciclo Hidrológico.................................................................................................................... 19

2.1.1. Precipitação ......................................................................................................................... 20

2.1.2. Pluviométrica ...................................................................................................................... 21

2.1.3.Vazão do Projecto ................................................................................................................ 21

2.2. Legislações sobre Aproveitamento das Águas Pluviais......................................................... 22

2.3. Qualidade das águas pluviais ................................................................................................. 23

2.4. Disponibilidade hídrica .......................................................................................................... 25

2.4.1. Cobertura de abastecimento de água em Moçambique....................................................... 26

2.5. Sistema de captação de água da chuva .................................................................................. 27

2.5.1. Área de captação (telhado).................................................................................................. 28

2.5.2. Calhas.................................................................................................................................. 29

2.5.3. Tubos de queda ................................................................................................................... 31

2.5.4. Sistemas de lavagem do telhado (Filtro volumétrico) ........................................................ 34

2.5.5. Sistema de descarte das primeiras águas ............................................................................ 35

2.5.6. Reservatório ........................................................................................................................ 37

2.6. Critérios para o dimensionamento de reservatórios ............................................................... 41

III. METODOLOGIA ................................................................................................................... 43


3.1. Descrição da área de estudo ................................................................................................... 43

3.1.1. Clima e Solos ...................................................................................................................... 43

3.1.2. Divisão administrativa ........................................................................................................ 44

3.1.3. Caracterização da cobertura de água no distrito de Vilankulo ........................................... 44

3.2. Fluxograma das actividades ................................................................................................... 44

3.3. Pesquisa Bibliográfica ........................................................................................................... 45

3.4. Colecta de dados .................................................................................................................... 46

3.4.1. Diagnósticos de sistemas de captação existentes na província de Inhambane ................... 46

3.4.2. Selecção da amostra das escolas para execução do projecto .............................................. 46

3.4.3. Entrevista Semi-estruturada ................................................................................................ 47

3.4.4. Observação directa .............................................................................................................. 47

3.4.5. Dimensionamento de sistemas de captação das águas pluviais .......................................... 47

IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO............................................................................................ 52

4.1. Sistemas de captação das águas pluviais existentes na província de Inhambane .................. 52

4.2. Condições físicas existentes nas escolas seleccionadas no distrito de Vilankulo .................. 52

4.3. Dimensionamento de sistemas de captação das águas pluviais ............................................. 53

4.3.1. Dados pluviométricos ......................................................................................................... 53

4.3.2. Área de Captação das Águas............................................................................................... 54

4.3.3. Volume da água a ser captada ............................................................................................. 55

4.3.4. Cálculo da vazão de projecto .............................................................................................. 56

4.3.5. Acessórios (Calhas, abraçadeiras, condutores e descartes das primeiras águas) ................ 57

4.3.6. Condutores de água ............................................................................................................. 58

4.4. Execução do projecto ............................................................................................................. 58

V. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................................... 61

5.1. RECOMENDAÇÕES ............................................................................................................ 62


VI. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................... 63

APÊNDICES & ANEXOS ........................................................................................................... 70


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

I. INTRODUÇÃO

Estima-se que 70% da superfície terrestre é coberta de água, sendo que do total desse
volume, 97,4% aproximadamente esta nos oceanos, 1,64% corresponde a água doce nas geleiras
e calotas, e apenas 0,96% de toda água doce esta directamente disponível ao homem e outros
seres vivos (SEGALA, 2012). Cerca de dois terços da população mundial enfrentam a falta de
água devido escassez, desperdício, e poluição do precioso líquido (CALIXTO, 2016). De acordo
com May (2004), o crescimento populacional aliado ao uso impróprio da água tem levado a
cenários de degradação deste recurso. Já para Cohim et al. (2007), além do crescimento
populacional, o processo de industrialização e a demanda por água nos grandes centros urbanos,
também são factores que contribuem para escassez da água.

De acordo com estimativas do Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar


(IIPPA), estima-se que até 2050 um total de 4,8 bilhões de pessoas estará em situação de estresse
hídrico (SEGALA, 2012). Essa problemática é justificada pelos factores apresentados
anteriormente, os quais tem gerado preocupação e incentivado programas de uso racional
sustentável da água e também a busca por novas alternativas e soluções que visem diminuir a
carência deste recurso.

Segundo a United Nations Children’s Fund (UNICEF) em 2007, o deficiente acesso à


água potável e saneamento adequado em Moçambique, aliado à não observância das melhores
práticas de higiene individual e colectiva nas escolas, estão entre as principais causas do
aparecimento de doenças como diarreias, cólera, parasitoses intestinais e bilharziose no país.
Essas dificuldades são fruto da baixa cobertura actual de abastecimento de água a nível nacional,
que segundo a Direcção Nacional de águas (DNA), é estimada em cerca de 62%. Particularmente
para a água rural, grande parte da cobertura é assegurada pelas fontes dispersas (poços e furos
equipados com bomba manual). Apenas 40 % das escolas a nível nacional possuem instalações
adequadas da água potável (UANDELA, 2014). No distrito de Vilankulo em particular, o acesso
a água ainda é deficiente, estima-se que cerca de 41% das famílias tem acesso a fontes de água
potável onde, são constituídas por sistemas de abastecimento de água e pequenas fontes dispersas
(MAE, 2014). Contudo, o objectivo do projecto é aproveitamento de águas pluviais nas escolas
do distrito de Vilankulo, de modo a promover o acesso a água e redução de riscos de saúde
relacionadas com a falta do precioso líquido.

INTRODUÇÃO UEM-ESUDER 15
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

1.1. Problema de estudo

Estima-se que de três (03) em cada dez (10) pessoas em todo mundo ou seja 2,1 bilhões
de pessoas no mundo ainda não têm acesso ao abastecimento de água potável (OMS & UNICEF,
2017). A escassez de água é um dos graves problemas enfrentados pela humanidade, pois o
desperdício e o crescimento da demanda são factores que contribuem para intensificar o
problema de falta de água para diferentes fins, o que pode comprometer com a sobrevivência dos
seres vivos.

A disponibilidade de água para o consumo humano em Moçambique vem sendo uma das
maiores dificuldades que tem-se enfrentado, pois segundo Uandela, (2014), apenas cerca 62%,
correspondente a 15,5 milhões de pessoas tem acesso a uma fonte de água potável. Sendo que
aproximadamente a 9,5 milhões de pessoas ainda enfrentam sérios problemas da deficiência da
água. Segundo a UNICEF (2007), as raparigas às vezes não frequentam a escola ou desistem
durante a puberdade devido à falta de infra-estruturas de água e saneamento nas escolas, para
além viajar longas distâncias para a fonte de água mais próxima que também as expõe ao perigo
de abuso.

Em Vilankulo, das 88 escolas pertencentes ao distrito, apenas 80,68% contem uma fonte
de água, sendo que 19,32% correspondendo a 17 escolas não possuem fonte de água potável nem
infra-estruturas adequadas de saneamento (Serviço Distrital de Educação, Juventude e
Tecnologia-SDEJT, 2019), o que dificulta a execução das actividades de limpeza individual,
colectiva. Assim sendo, há necessidade de se criar outros meios de disponibilização de água de
forma económica e sustentável.

Contudo a pesquisa pretende responder a seguinte questão:

Quais são os critérios a se levar em conta na captação das águas pluviais nas escolas?

INTRODUÇÃO UEM-ESUDER 16
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

1.2. Justificativa

O crescimento populacional é atrelado ao desenvolvimento económico que tem


desencadeado um conflito da disponibilidade de água. Entretanto, o projecto tem como objectivo
construção de sistemas de aproveitamento das águas pluviais nas escolas, visando a melhoria das
condições sanitárias dos alunos e professores, redução da dependência do abastecimento público
de água. Sendo uma tecnologia de sustentável e economicamente viável, a sua aplicação
promove incentivo à sociedade na busca de alternativas do uso racional de água, redução das
secas através da conservação da água pluvial precipitada em períodos chuvosos.

Outro ponto que se verifica com a implementação dos sistemas de captação da água da
pluvial é a flexibilidade associada aos baixos custos de implementação, para além de que as
águas pluviais não precisam de nenhuma fonte de energia para sua captação, reduzindo assim as
despesas económicas referentes a captação das águas subterrâneas e algumas superficiais para o
abastecimento.

INTRODUÇÃO UEM-ESUDER 17
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

1.3. Objectivos

1.3.1. Objectivo geral

Captar as águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo.

1.3.2. Objectivos específicos

 Caracterizar as condições físicas das áreas de captação nas escolas seleccionadas do


distrito;
 Dimensionar os sistemas de captação das águas pluviais desde a captação até o
armazenamento da água.

INTRODUÇÃO UEM-ESUDER 18
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

II. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1. Ciclo Hidrológico

Segundo Braga et al., (2005), a água encontra-se disponível sob várias formas e é uma
das substâncias mais comuns existentes na natureza, constituindo um recurso natural renovável
por meio do ciclo hidrológico. Todos os organismos necessitam de água para sobreviver, sendo a
sua disponibilidade um dos factores mais importantes a moldar os ecossistemas.

De acordo com Tundisi (2003), o ciclo hidrológico é o princípio unificador fundamental


de tudo o que se refere à água no Planeta (figura 1). O ciclo é o modelo pelo qual se representam
a interdependência e o movimento contínuo da água nas fases sólidas, líquidas e gasosas. Toda a
água do planeta está em contínuo movimento cíclico entre as reservas sólidas, líquidas e gasosas.
Evidentemente, a fase de maior interesse é a líquida, o que é fundamental para o uso e para
satisfazer as necessidades do homem e de todos os outros organismos, animais e vegetais. São
vários componentes do ciclo hidrológico, entretanto, para o projecto se destaca a precipitação.

Figura n0 1: Esquema do ciclo hidrológico

Fonte: (BRAGA et al., 2005).

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA UEM-ESUDER 19


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

2.1.1. Precipitação

A precipitação é entendida como qualquer tipo de fenómeno relacionado á queda de água


no estado líquido ou sólido da atmosfera, sendo neblina, chuva, granizo, saraiva, orvalho, geada
e neve formas diferentes de precipitação (PINTO, 1976). O que diferencia essas formas de
precipitação é o estado em que a água se encontra. A medida da precipitação pode ser feita com
uso do pluviómetro. Um pluviómetro é um dispositivo colector de água para posterior medição,
Nesse sentido, Garcez &Alvarez (2001), recomendam diâmetros da seção de captação que
variam de 15 a 50 cm. Além do pluviómetro, utiliza-se também para medir a precipitação o
pluviógrafo. Este instrumento regista a quantidade de chuva com o tempo, num gráfico
denominado pluviograma. Portanto, pode-se obter directamente de um pluviograma informações
sobre altura de chuva instantânea, altura de chuva durante qualquer intervalo de tempo menor ou
igual a 24 h. As principais características das precipitações são o seu total, duração e
distribuições temporal e espacial. A ocorrência da precipitação é um processo aleatório que não
permite uma previsão determinística com grande antecedência, sendo o tratamento dos dados de
precipitações geralmente estatístico (TUCCI, 1997).

Segundo Garcez & Alvarez (2001), o resfriamento do ar atmosférico até o ponto de


saturação, com a consequente condensação do vapor de água em forma de nuvens e posterior
formação das precipitações, ocorre pela interferência isolada ou conjunta, de três factores básicos
distintos, os quais dão origem aos três tipos principais de chuva:

 Chuvas Frontais

São chuvas que ocorrem devido à ascensão do ar húmido no sector quente das encostas
de duas superfícies frontais (GARCEZ & ALVAREZ, 2001). Também podem ser definidas
como aquelas que ocorrem ao longo da linha de descontinuidade, separando duas massas de ar de
características diferentes (PINTO, 1976). São chuvas de grande duração, atingindo grandes áreas
com intensidade média. Essas precipitações podem vir acompanhadas por ventos fortes com
circulação ciclônica, além de produzir cheias em grandes bacias. (TUCCI, 1997).

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA UEM-ESUDER 20


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

 Chuvas Orográficas

São chuvas causadas por barreiras de montanhas abruptas, que provocam o desvio para a
vertical (ascendente) das correntes aéreas de ar quente e húmido (GARCEZ & ALVAREZ,
2001). Segundo Tucci (1997), são chuvas de pequena intensidade e de grande duração que
cobrem pequenas áreas. Quando os ventos conseguem ultrapassar a barreira montanhosa, do lado
oposto projecta-se a sombra pluviométrica, dando lugar a áreas secas ou semiáridas causadas
pelo ar seco, já que a humidade foi descarregada na encosta oposta.

 Chuvas Convectivas

São chuvas causadas por diferenças de locais de aquecimento nas camadas atmosféricas.
Essas diferenças dão como resultado uma estratificação em camadas que se mantém em
equilíbrio estático. Perturbando o equilíbrio em um determinado ponto, forma-se uma brusca e
violenta ascensão local do ar menos denso, capaz de atingir grandes altitudes (com formação de
nuvens cúmulos). A chuva de convecção térmica é de grande intensidade e pequena duração,
sendo restritas a pequenas áreas. È aquela que dá, por exemplo, as vazões críticas de
dimensionamento das galerias de águas pluviais (GARCEZ & ALVAREZ, 2001).

2.1.2. Pluviométrica

Índice pluviométrico é uma medida em milímetros, resultado do somatório da quantidade


da precipitação de água (chuva, neve, granizo) num determinado local durante um dado período
de tempo. Segundo Agencia Nacional de Águas (ANA) (2009) do Brasil, o instrumento utilizado
para este fim recebe o nome de pluviómetro. O regime pluviométrico consiste basicamente na
distribuição das chuvas durante os 12 meses do ano. Ainda ANA (2009), salienta que o regime
quanto o índice pluviométrico é representado por colunas diárias, mensais de clima ou anuais.

2.1.3. Vazão do Projecto

O Fetter (1994), afirma que a vazão do projecto é a quantidade de água que vai ser
destinada a um mesmo ponto de escoamento. Assim varias áreas de contribuições podem fazer
parte de um conjunto que dará uma só vazão de projecto, como também uma calha pode ter
vários pontos de escoamento deferentes, o que resultará em várias vazões.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA UEM-ESUDER 21


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

2.2. Legislações sobre Aproveitamento das Águas Pluviais

A utilização de água pluvial não é algo novo, ao contrário, ela é desenvolvida pelo
homem há milhares de anos para a produção de alimentos, criação de animais e até mesmo para
consumo humano. Na ilha de Creta na Grécia são encontrados inúmeros reservatórios escavados
em rochas anteriores a 3000 a.C. com a finalidade de aproveitamento da água pluvial para o
consumo humano. No palácio de Knossos, nessa mesma Ilha, a aproximadamente 2000 a.C. era
aproveitada a água pluvial para descarga embacias sanitárias (TOMAZ, 2003).Em Istambul na
Turquia, durante o governo de César Justinian (a.C. 527-565), foi construído um dos maiores
reservatórios do mundo denominado de Yerebatan Sarayi, cujo volume de 80.000 m3 com
objectivo de armazenar água da chuva (OLIVEIRA, 2004).

Actualmente, Moçambique não apresenta nenhuma lei sobre o aproveitamento das águas
pluviais, no entanto ele aborda no artigo 23 da lei de águas de 1991 que “a acumulação artificial
de águas das chuvas, por parte dos utentes da terra, e para além dos limites a definir em
regulamento, ficará condicionada ao regime de aproveitamento privativo”. Ainda nas políticas de
água de 2007 e 2016, afirmam que “o Governo também deve promover e divulgar o uso de
métodos e técnicas de recolha de água das chuvas onde houver condições favoráveis”.

Por outro lado em Brasil actualmente está em vigor alguns artigos como Decreto nº 293
de 2006 que regulamenta a Lei nº 10.785 de 2003, dos municípios, que cria o programa de
Conservação e Uso Racional de Água nas Edificações (PURAE)., estabelecendo a
obrigatoriedade para que projectos de instalações hidráulicas, sejam previstos para implantação
de mecanismos de captação das águas pluviais. Em Artigo. 7º, descrevem que “água das chuvas
será captada na cobertura das edificações e encaminhada a uma cisterna ou tanque para ser
utilizada em actividades que não requeiram o uso de água tratada, proveniente da rede pública de
abastecimento, tais como: rega de jardins e hortas, lavagem de roupa; lavagem de veículos;
lavagem de vidros, calçadas e pisos”.

Em Portugal, no ano 2012 foi implementado um Programa Nacional para o Uso Eficiente
da Água (PNUEA), assente em três princípios fundamentais a ser alcançados: eficiência hídrica,
sustentabilidade e eficiência energética. Um dos sete (07) objectivos específicos para o sector
urbano é a “redução ao mínimo do uso de água potável em actividades que possam ter o mesmo

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA UEM-ESUDER 22


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

desempenho com águas de qualidade alternativa e de outras fontes que não a rede pública de
água potável, remetendo assim para esta temática da utilização da água da chuva em fins não
potáveis”. De acordo com Sousa, (2015), a Associação Nacional para a Qualidade das
Instalações Prediais (ANQIP) desenvolveu as Especificações Técnicas Água (ETA 0701) e (ETA
0702), o que representou uma evolução em Portugal ao nível do enquadramento e normalização
técnica na matéria do aproveitamento da água pluvial. A primeira estabelece prescrições técnicas
relativas aos Sistemas de Aproveitamento de Águas Pluviais (SAAP) para outros fins que não o
consumo humano e a segunda especificação é relativa ao sistema de certificação deste tipo de
sistemas, visando a salvaguarda da saúde pública.

2.3. Qualidade das águas pluviais

A água é frequentemente apelidada “solvente universal” pois apresenta grande


capacidade de dissolver diversas substâncias e partículas, as quais definem a sua qualidade. A
quantidade e qualidade dos diversos componentes presentes na água determinam as suas
características físicas, químicas e biológicas. A água da chuva, em geral, é considerada de boa
qualidade, devido ao processo de destilação natural pelo qual passa no ciclo hidrológico, ao
condensar-se (LUNA et al., 2014). Contudo, a sua composição está intrinsecamente ligada à
composição atmosférica (CARVALHO et al., 2014; HELMEREICH & HORN, 2009). Segundo
Sousa, (2015), essa composição varia por sua vez, de acordo com as condições meteorológicas
(e.g. vento, intensidade, duração e tipo de chuva), período seco antecedente, localização
geográfica, estação do ano em que ocorre, e com as cargas poluentes emitidas por diversas
actividades, industriais, agrícolas, entre outras.

 Influência dos padrões climáticos e condições meteorológicas

Menores quantidades da água da chuva, verificadas nas estações secas, resultam numa
maior concentração química da água da chuva, porque a remoção de partículas por deposição
húmida é mínima (PINEIRO et al., 2014). Tal como, a existência de elevados fluxos de vento
tende a aumentar a emissão de partículas a partir de fontes terrestres, conduzindo também à
maior concentração da composição química da água da chuva (MOULI et al., 2005).

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 Influência da localização geográfica e das actividades antrópicas

A composição iónica da água da chuva está também ela muito dependente da localização
geográfica. Em regiões próximas dos oceanos existe uma maior probabilidade de encontrar
sódio, potássio, magnésio e cloro na água da chuva, uma vez que os aerossóis marinhos são uma
significativa fonte de sais e iões para a atmosfera, tais como Na+, K+, Mg2+, Ca2+, Cl-, SO4 2-
(SANTOS, 2011). Já em localizações distantes da costa e com grandes áreas não pavimentadas
poderão estar presentes na água da chuva elementos de origem terrestre como a sílica e o
alumínio e o ferro (PINEIRO et al., 2014). O magnésio (Mg2+) e o cálcio (Ca2+) são (também)
produtos da erosão das rochas de montanha e as suas concentrações na água da chuva indicam a
incorporação nas gotas da chuva de material do solo presente na atmosfera (GIKAS &
TSIHRINTZIS, 2012).

O Alves em 2010, afirma que na captação da água da chuva são usados os telhados e a
qualidade da água a ser armazenada depende muito do material utilizado nas coberturas, sendo
que os materiais mais rugosos retêm maior quantidade de contaminantes como fezes de aves e
possíveis mamíferos, poeira, revestimento do telhado, tintas, folhas de árvores entre outros.
Tomaz, (2003) salienta que as fezes de aves e outros animais podem trazer problemas de
contaminação por bactérias e de parasitas gastrointestinais. Por este motivo, é recomendável que
a primeira água, seja desprezada. Ainda em mesmo pensamento Tomaz afirma que os telhados
melhores quanto ao aspecto bacteriológico são pela ordem: metálicos, fibrocimento e plásticos.

A qualidade de uma água é definida em função do tipo e quantidade de impurezas


presentes na mesma. As características qualitativas da água indicam os usos mais apropriados
que dela podem ser feitos e podem ser traduzidas na forma de parâmetros de qualidade da água.
Estes parâmetros são divididos em três classes: parâmetros físicos, parâmetros químicos e
parâmetros biológicos. De acordo com ao Diploma ministerial 180/2004 do Ministério da Saúde,
descreve os procedimentos e responsabilidades da qualidade da água da chuva para consumo
humano onde estabelece que o padrão microbiológico para o consumo humano deve atender dois
padrões básicos, a bactéria Escherichiacoli e os coliformes totais, sendo que deverá estar ausente
em amostra de 100 ml. Estabelece ainda que o padrão de turbidez pós-filtração para filtros lentos
deve ser no máximo de 5,0 uT (unidade de turbidez) e potencial de hidrogénio pH de 6,5 a 8,5.

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Tomaz, (2003) recomenda a desinfecção com cloro com tempo de contacto mínimo de 30
minutos para pH inferior a 8,0 sendo o mínimo de cloro residual de 0,5mg/l e adoptando em
qualquer ponto o mínimo de 0,2mg/l. Poderá o cloro ser substituído por outro agente
desinfectante desde que seja demonstrado a eficiência de inactivação microbiológica equivalente
a desinfecção com o cloro. A norma estabelece ainda parâmetros para as substâncias químicas
inorgânicas, orgânicas, etc. Para o padrão de aceitação a norma estabelece que a cor aparente seja
menor que 15 uH (unidade de Hazen) e a Turbidez máxima de 5 uT.

2.4. Disponibilidade hídrica

A composição de água no Planeta Terra mostra o quanto é importante cuidar bem dos
recursos hídricos, visto que 97,4% da água existente compõem os oceanos e, portanto é salgada;
2,1% estão nas geleiras; 0,001%nas nuvens, e cerca de 0,564% encontra-se nos rios, lagos e
lençóis subterrâneos (COÊLHO, 2001).

Segundo a política de água de 2007 que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos
em Moçambique, “a água é um recurso natural limitado, dotado de valor económico, cuja
disponibilidade deve ser assegurada para esta e as futuras gerações, nos padrões de qualidade
adequados aos respectivos usos”. Já a política de água de 2016 para além de assegurar a
disponibilidade da água para gerações actuais e futuras, acrescenta também que “a água deve
servir como factor na promoção do desenvolvimento sustentável, redução de pobreza e
promoção do bem-estar e paz onde se minimizam os efeitos negativos de cheias e secas”.

Moçambique possui muitos rios que drenam as suas águas para o Oceano Índico, dos
quais a maioria, e os mais importantes são internacionais, isto significa que são compartilhados
por mais países na região (HOGUANE & PEREIRA, 2003). Os principais rios são: Rovuma,
Lúrio e Zambezi no norte; Pungué, Buzi, Gorongosa e Save no centro e Limpopo, Incomati e
Maputo no sul. A contribuição média de todos os rios de Moçambique é estimada em cerca de
216.000 milhões metros cúbicos de água. Cerca de 116.000 milhões de metros cúbicos, o
equivalente a aproximadamente (54%) da contribuição de todos rios do país provém dos países
vizinhos. Cerca de 80% deste escoamento entra no oceano através de Sofala, na zona centro do
país, onde desagua o rio Zambeze, um dos maiores rios de África, desagua na zona central de

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Moçambique e contribui com cerca de 88.000 milhões de metros cúbicos de água por ano, cerca
de 67% da descarga de todos os rios de Moçambique (HOGUANE, 2007).

O regime dos rios de Moçambique é classificado de torrencial com escoamentos elevados


durante a estação de chuvas, de Novembro a Março e escoamentos baixos durante a estação seca,
de Abril a Outubro. Em média 60% a 80% do escoamento dos rios ocorre durante poucos meses.
Quanto as bacias hidrográficas Moçambique possui bacias de: Rovuma, Zambeze, Búzi, Púnguè,
Save, Limpopo, Incomat, e Umbeluzi. Das actividades desenvolvidas nas bacias,destacam-se
principais a irrigação dos campos agrícolas, geração electricidade, uso doméstico, pesca,
transporte, recriação (HOGUANE & PEREIRA, 2003).

2.4.1. Cobertura de abastecimento de água em Moçambique

A cobertura actual de abastecimento de água a nível nacional, segundo a DNA, é


estimada em cerca de 62%, sendo 64% para o abastecimento de água urbana e 60% de água
rural. Particularmente para a água rural, grande parte da cobertura é assegurada pelas fontes
dispersas (poços e furos equipados com bomba manual). O último grande inquérito realizado
pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em 2013 indica que a cobertura do abastecimento de
água no país se situava em 43%, sendo 36% para o abastecimento de água rural e 70% para o
abastecimento de água urbana. São estes os dados que parecem estar mais próximos da realidade
e que levaram os peritos das Nações Unidas a afirmar que Moçambique faz parte do grupo dos
países que não alcançarão as metas do milénio nesta área (UANDELA, 2014).

Segundo a política de água de 2016, com a realização cimeira das Nações Unidas sobre o
Desenvolvimento Sustentável, em Setembro de 2015 na cidade de Nova Iorque foi adoptada
nova meta do milénio e uma agenda global para irradicação da pobreza até 2030 e garantir um
futuro sustentável para todos, onde o objectivo do milénio é de “até 2030, alcançar o acesso
universal e equitativo a água potável e segura para todos Moçambicanos”. De acordo com AIAS
(2011), o abastecimento de água em Moçambique é assegurado por várias fontes das quais,
destacam-se sistemas de abastecimento de água gerenciados pelos sectores púbicos e privados.
Estes sistemas são responsáveis pela captação, tratamento e distribuição de água em grandes
cidades e vilas do País. Para além dos grandes sistemas já referenciados, constituem também
fontes de abastecimento de água fornecedores unipessoais, os quais abrangem pequenos bairros e

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auxiliam a rede púbica no fornecimento do precioso líquido. Segundo (Uandela, 2014), em zonas
rurais onde a população é dispersa a Administração de Infra-estruturas de Água e Saneamento
(AIAS), opta na montagem de sistemas fotovoltaicos para a captação de água, bombas manuais e
sistemas de captação da água pluvial com vista assegurar a disponibilidade da água para os
residentes. Segundo o Ministério das Obras Públicas e Habitação (MOPH) (2010), o sector
privado será utilizado para realização de testes-pilotos, produzir e comercializar tecnologias
alternativas, tais como a bomba de corda, recolha de água pluvial e bombas de água movidas por
energia solar ou eólica, quando os produtos tenham aprovação.

2.5. Sistema de captação de água da chuva

Segundo Meira (2004), no contexto da captação da água da chuva, todas as partes


constituintes do sistema de abastecimento de água, com a diferença da fonte de captação, são
integradas em uma unidade denominada Sistema de Captação de Águas Pluviais. Nas instalações
prediais de captação de águas pluviais segundo Mello & Netto (1997), e de acordo com Tomaz
(2005) e Alves et al., (2008), um sistema de aproveitamento de água de chuva é detalhado
conforme a figura 2.

Área de Captação

Calha

Tubo de queda

Filtro volumétrico

Reservatório
Descarte das
primeiras
chuvas

Figura n0 2: Esquema típico de aproveitamento das águas pluviais

Fonte: (3P – TECHNIK, 2008).

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2.5.1. Área de captação (telhado)

De acordo com Santos (2008), a área de captação consiste na projecção horizontal da


região em que as águas que nela se precipitam se dirigem para um mesmo ponto. Para o seu
cálculo são considerados: a cobertura, os incrementos devido a inclinação e as que interceptam a
água de chuva. Para um mesmo sistema pode haver diferentes áreas de contribuições, as quais
serão mensuradas separadamente e terão suas próprias vazões de projecto.

A maior ou menor contaminação da água da chuva na superfície de recolha pode ser


dependente do tipo de cobertura e/ou ser originada pelos próprios materiais de cobertura (fonte
de contaminação interna), onde a água da chuva pode reagir física e quimicamente com os
materiais constituintes (superfícies metálicas, de madeira, de plástico, de cerâmica, etc.)
(SANTOS, 2011). Uma pesquisa feita por Farreny et al., (2011) que centrou-se no fornecimento
de critérios para a selecção de coberturas de modo a maximizar a disponibilidade e qualidade da
água da chuva, concluíram que as coberturas planas de gravilha apresentaram níveis mais
elevados de contaminação ao contrário das coberturas inclinadas (revestidas de telhas cerâmicas,
de plástico ou chapas metálicas ou de zinco); devido aos processos de deposição de partículas,
desgaste do telhado e colonização de plantas. Ainda afirmaram que o volume da água captada
depende essencialmente pela área de captação, ou seja, quanto maior for a área de captação
maior será o volume de água captada no local.

Outro estudo foi desenvolvido por Lee et al., (2012), na Coreia do Sul, onde analisaram a
adequação de quatro tipos de materiais de cobertura (telhado de madeira, de betão, de chapas
metálicas ou de zinco e cerâmico) para recolha de água pluvial para uso doméstico, através da
avaliação de parâmetros de qualidade da água físicos, químicos e biológicos. Os resultados deste
estudo mostraram que o tipo de material da cobertura utilizado teve alguma influência sobre a
qualidade da água da chuva recolhida. As concentrações de carbono orgânico total no telhado de
madeira foram mais elevadas em relação aos outros materiais de cobertura devido ao desgaste do
material que é em si composto de material orgânico (LEE et al., 2012). Ainda no mesmo estudo
altas concentrações de ferro e zinco foram observadas nos primeiros milímetros da água
recolhida das chapas metálicas ou de zinco derivando, segundo os autores da composição do
próprio aço e da deposição atmosférica.

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2.5.2. Calhas

Segundo Meira (2004), calhas são dispositivos que captam as águas directamente dos
telhados impedindo que estas caiam livremente causando danos nas áreas circunvizinhas,
principalmente quando a edificação é bastante alta. As calhas podem ser de materiais
diversificados, sendo eles de chapa galvanizada, chapa de cobre, PVC, cimento amianto, e
concreto. Podem ter formas e seções variadas, dependendo das condições impostas pela
arquitectura, bem como dos materiais empregados na confecção das mesmas.

 Calhas de PVC

Segundo a Norma Brasileira-NBR 10844, as calhas de PVC são dispositivos


frequentemente caracterizados em formato circular, rectângular e trapezoidal, a escolha do
formato depende do projectista do sistema, mas, sugere-se o uso do formato circular pela
facilidade de escoamento da água. De acordo com Meira (2004), estas calhas oferecem diversas
vantagens em relação a outros materiais pois, possuem flexibilidade, baixo custo, durabilidade,
adaptabilidade, facilidade de instalação bem como para limpar. Outra vantagem em questão de
decoração, as calhas em PVC são visivelmente mais bonitas que outros materiais (figura 3).

Figura n0 3: Calhas de PVC

Fonte: (3P – TECHNIK, 2008).

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 Calhas de Metal

Existem vários tipos de calhas metal, alumínio, aço galvanizado, dentre outros.
Normalmente são caras e possuem instalação mais difícil, para além de possibilidade de corrosão
com o decorrer do tempo. Por isso a cada dia que passa o uso de PVC tem sido mais frequente
usado em muitos sistemas de captação das águas pluviais (Figura 4). (MARINOSKI, 2007)

Figura n0 4: Calhas de Metal

Fonte: (3P – TECHNIK, 2007).

Segundo Mello & Netto (1997), afirmam que as formas mais comummente usadas são
PVC circulares e rectângulares por serem de fácil fabricação, podendo ser empregadas quase
todos os tipos de cobertura. Outra secção é a trapezoidal, onde o concreto já é o menos
recomendado por causa da maior dificuldade na confecção das formas, sendo a chapa
galvanizada o material preferido. De acordo com Gusmão (2017) em um estudo comparativo
entre sistemas colectores de captação da água da pluvial, onde foi utilizada calha convencional
de PVC e calha feita de garrafa PET, afirma que o sistema convencional de calhas PVC tem em
média de 15% a mais de eficiência no escoamento das águas em relação aos de mais calhas por
conta do material utilizado na sua construção. Salientando que a calha de garrafa pet mesmo
sendo menos eficiente na colecta da água da chuva não deixa de cumprir seu papel na captação
da mesma.

A tabela 1, extraída da Norma Brasileira (NBR) 10844/89, indica os coeficientes de


rugosidade dos materiais normalmente utilizados na confecção de calhas.

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Tabela n0 1: Coeficientes de rugosidade “n” de Manning

Material n
Plástico, fibrocimento, aço, metais não ferrosos 0,011
Ferro fundido, concreto alisado, alvenaria revestida 0,012
Cerâmica, concreto não-alisado 0,013
Alvenaria de tipo não revestidos 0,015
Fonte: (NBR 10844-ABNT, 1989).

2.5.3. Tubos de queda

Tubos de queda são dispositivos verticais que conduzem as águas das calhas às redes
colectoras que poderão estar situadas no terreno ou presas ao tecto no caso dos edifícios com este
pavimento, ou despejar livremente na superfície do terreno. Os materiais mais comuns para
fabricação destes tubos são ferro fundido, PVC, concreto e mesmo de aço inox (ALVES et. A.,
2008).

 Tubos de ferro fundido

Os tubos de ferro fundido são usados em serviços de baixa pressão, temperatura


ambiente, e onde não ocorram grandes esforços mecânicos. Esses tubos têm boa resistência à
corrosão, principalmente à corrosão pelo solo, e grande durabilidade, veja figura 5 (TELLES,
1987). Existem dois tipos de tubos de ferro fundido: o cinzento e o dúctil, sendo que o ferro
fundido cinzento não é mais fabricado, devido a sua elevada fragilidade e vulnerabilidade à
corrosão, principalmente em terrenos agressivos. De acordo com Sanks et al., (1998), os tubos de
ferro fundido dúctil apresentam grande resistência à corrosão, elevada resistência mecânica,
resistência à ruptura pela pressão interna, aproximadamente três vezes maior do que a do ferro
fundido cinzento e grande resistência às cargas externas e à acção de choques.

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Figura n0 5: Tubos de ferro fundido


Fonte: (CATÁLOGO ALVENIUS, 2005).

 Tubos PVC

Segundo Sanks et al., (1998) os tubos de PVC são altamente resistentes à corrosão e são
bastante utilizados em redes colectoras. As vantagens citadas por Passeto (1972) na utilização
das tubulações destacam-se sendo tubos mais longos, lisos, leves, flexíveis e completamente
estanques; grande resistência química; ligações dos colectores prediais são mais simples. Uma
pesquisa feita por Possamai em 2012 no estudo comparativo entre diferentes tipos de tubulações
nas redes de instalações hidráulicas prediais, mostra que o material mais utilizado para
instalações hidráulicas e em sistemas de captação das águas pluviais é o PVC, pois entre suas
características mais marcantes estão o baixo custo, boa resistência química e baixa tendência ao
entupimento, conforme figura 6.

Figura n0 6: Tubos PVC


Fonte: (CATÁLOGO ASPERBRAS, 2005).

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 Tubos de Concreto

Refere-se aos dispositivos normalmente utilizados em emissários, interceptores e


colectores tronco, com diâmetros maiores que 400 mm e funcionando como conduto livre. Os
tubos de concreto possuem uma alta resistência mecânica. Entretanto, deve ser dada atenção
especial ao acabamento das superfícies internas e externas dos tubos, não devendo apresentar
defeitos visuais, tais como fissuras e danos oriundos do manuseio e transporte, porque estes
factores afectam significativamente a durabilidade, permeabilidade e resistência dos tubos de
concreto, figura 7 (CHAMA NETO, 2004).

Figura n0 7: Tubos de concreto


Fonte: (ABTC, 2002).

 Tubos de Aço Inox

São dispositivos de transporte de água recomendados nos casos onde ocorrem esforços
elevados sobre a linha, como em travessias directas de grandes vãos, cruzamentos subaquáticos
ou ainda quando se deseja uma tubulação com pequeno peso, de absoluta estanqueidade e com
grande resistência a pressões de ruptura. Devido à sua grande flexibilidade os tubos de aço
resistem aos efeitos de choques, deslocamentos e pressões externas, figura 8 (CHAMA NETO,
2004).

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A tubulação de aço geralmente é competitiva em comparação à tubulação de ferro


fundido dúctil quando se trata de grandes diâmetros e pressões elevadas, sendo que suas
principais vantagens são: vazamentos quase inexistentes quando soldadas; baixa fragilidade; alta
resistência às pressões internas e externas; e disponíveis para vários diâmetros e tipos de juntas.
Como desvantagens destacam-se: maior cuidado com o transporte e armazenamento; cuidados
com a dilatação térmica; dimensionamento adequado quanto ao colapso das paredes dos tubos;
pouca resistência à corrosão externa, necessitando de revestimentos especiais, (TSUTIYA,
2004).

Figura n0 8: Tubos de aço inox


Fonte: (CATÁLOGO ALVENIUS, 2005).

2.5.4. Sistemas de lavagem do telhado (Filtro volumétrico)

A chuva que escorre pelo telhado e pela calha arrasta muitas impurezas. No entanto, o
primeiro passo é remover essas impurezas da água utilizando um filtro (filtro volumétrico, figura
9). Filtrar a água antes de armazenar é fundamental para sua qualidade final pois, remove
impurezas grossas que tenham sido trazidas do telhado, como galhos, folhas e insectos
(SANTOS, 2008). Outro tipo de dispositivo de auto-limpeza foi mencionado pelo Rodrigues
(2010), onde descreveu a construção do mesmo através de tubos PVC com o sistema e uma tela
inclinada que através dela e a força da água fazem com que as impurezas sejam retidas ou até
descartadas, facilitando a limpeza do filtro. Segundo Santos (2008), um pouco da água também é
perdida no processo, por isso é recomendável que o filtro seja instalado em um local que possa
ser molhado.

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Ainda Rodrigues enfatizou que o filtro volumétrico possui uma maior eficiência na
limpeza dos telhados quando comparado com o dispositivo construído por Tubos de PVC.
Contudo, para aplicação do sistema de descarte das primeiras águas em sistemas de captação de
pequena dimensão (residências familiares, pequenas estruturas escolares), recomenda-se o uso de
dispositivo PVC, por este ser considerado de baixo custo, fácil montagem bem como a sua
manutenção.

Figura n09: Filtro de água de chuva modelo auto-limpante


Fonte: (DOCOL, 2014).

2.5.5. Sistema de descarte das primeiras águas

Segundo Santos (2008), a lavagem do telhado, ou a eliminação da água dos primeiros


minutos de chuva, é uma questão particular quando a chuva colectada será usada para consumo
humano, pois esta eliminação das primeiras águas lava a maior parte da poeira e outros
contaminantes como fezes de aves que se acumularam no telhado e nas calhas durante o período
seco. Tomaz (2003), salienta que esta água pode causar danos à saúde humana, como contaminação
por bactérias e parasitas gastro-intestinais, e por este motivo é recomendável que seja
desprezada.

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Vários factores alteram a qualidade inicial da água da chuva como o número de dias
secos antecedentes à precipitação, a intensidade inicial da mesma, a variedade de contaminantes
presentes e tipo de área de captação. Porém estes factores acabam não sendo avaliados devido à
dificuldade de analisar a sua real influência (HAGEMANN, 2009). Embora haja aceitação quase
universal de que este é benéfico, não há acordo sobre a quantidade de água que deve ser
desviada, ou se tal desvio deve ser baseado em profundidade, volume ou intensidade da chuva,
Dacach (1983) recomenda como volume de descarte 0,8 a 1,5L por metro quadrado de telhado,
sendo o limite superior para casas próximas de estradas de terra ou de fábricas com descargas
gasosas, capazes de aumentar as impurezas do telhado. Já Hagemann em 2009 comentou que na
cidade da Flórida costuma-se descartar 40 litros de chuva para cada 100 m2 de área de captação,
ou seja, 0,4L/m2. Por outro lado, Yaziz et al., (1989), no estudo de avaliação da qualidade de
água em pequenos sistemas de captação da água pluvial, afirmaram que para um pequeno
telhado, o descarte dos primeiros cinco litros de chuva resultou na melhora da qualidade da água
aproveitada. Nesta mesma publicação descrevem que para um telhado médio (40 a 50 m2) o
descarte das primeiras águas deve ser de 20 a 25 l. Segundo Dacach (1983) os reservatórios de
descarte mais usados são: reservatório com bolinha flutuante e reservatório de tubos (figura 10).

O sistema de descarte com bolinha flutuante consiste num reservatório pequeno com
volume calculado conforme a área do telhado, a qual possui uma bolinha flutuante com tamanho
suficiente para fechar a entrada de água quando o reservatório estiver preenchido da primeira
chuva (HAGEMANN, 2009). De acordo com estudo feito por Hagemannem 2009, este sistema
de descarte é mais recomendando pela sua capacidade de impedir o contacto da água com
impurezas e água destinada ao reservatório principal. Quanto ao sistema de descarte por tubos,
Dacach (1983) descreve que trata-se de pequeno reservatório de tubos onde deve ser conectado
no tubo de queda e pode ser fixado na parede. As escolhas de tamanho e diâmetro dependem da
quantidade de água a ser descartada. Ainda Dacach salienta que a água só começa a entrar no
reservatório quando o volume do tubo estiver totalmente preenchido. Tomaz (2003), recomenda
que se instale um registo na parte de inferior do tubo para permitir o esvaziamento diário do
reservatório.

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Figura n° 10: Reservatórios de descarte das primeiras águas


Fonte: (DACACH, 1983).

2.5.6. Reservatório

Um dos componentes mais importantes de um sistema de aproveitamento de água pluvial


é o reservatório. Segundo Carlon (2005), a escolha do método para o dimensionamento dos
reservatórios depende da sua aplicação. Para tal devem ser considerados os aspectos hidrológicos
locais, o atendimento ao consumo, os aspectos sanitários e também a sustentabilidade hídrica da
bacia hidrográfica.

Os reservatórios podem ser constituídos de diversos tipos de materiais, tais como


cerâmicos, de madeira, metálicos, de concreto armado, em polietileno, de fibra de vidro, ou
ainda, em polietileno aditivado, os quais deverão satisfazer as condições básicas de:
estanquidade, paredes lisas, impossibilidade o acesso de elementos que contaminem ou alterem a
qualidade da água e abertura para inspecção, limpeza e eventuais reparos (FENDRICH &
OLIYNIK, 2002). Sendo o reservatório um elemento essencial de um sistema de captação e
aproveitamento de água de chuva, no seu dimensionamento devem constar alguns importantes
critérios, tais como: custos totais de implantação, demanda de água, áreas de captação, regime
pluviométrico e confiabilidade requerida para o sistema. Ressalta-se que, a distribuição temporal
anual das chuvas é uma importante variável a ser considerada no dimensionamento do
reservatório (CASA EFICIENTE, 2007).

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA UEM-ESUDER 37


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Os critérios acima citados são relevantes, pois, geralmente, o reservatório de


armazenamento é o elemento que exige maiores investimentos financeiros. Assim sendo, o
dimensionamento incorrecto do reservatório poderia facilmente inviabilizar toda a implantação
do sistema de aproveitamento de água pluvial (CASA EFICIENTE, 2007). De acordo com Meira
(2004), através do volume obtido no cálculo e das condições do local, o armazenamento da água
de chuva poderá ser realizado para atender a demanda em períodos curtos, médios ou longos de
estiagem. O Carlon em 2005, descreveu 4 (quatro) tipos de reservatórios para água pluvial onde
destacam-se:

a) Reservatórios de Polietileno

Os reservatórios de polietileno são um dos tipos mais comuns de reservatório a ser


vendido hoje em dia. Eles são mais leves do que outros tipos de tanques, incluindo os de fibra de
vidro e, consequentemente, mais fáceis de transportar (SANTOS, 2008). Mazer (2010), destacou
principais vantagens destes reservatórios a estanquidade, resistência a radiações ultra-violetas,
durabilidade, não enferrujarem e serem comparativamente mais baratos que os outros tipos de
reservatório (Figura11). De acordo com Associação Brasileira De Captação e Manejo de Água
de Chuva-ABCMAC, (2006), este tipo de reservatórios é também fácil de manusear e garante a
resistência ao impacto para toda a vida útil do reservatório. Este material assegura também a não
transmissão para a água de substâncias tóxicas que possam interferir com a qualidade da água
armazenada, ao contrário da fibra de vidro (CARLON, 2005).

Figura n0 11: Reservatório de polietileno


Fonte: (ABCMAC, 2006).

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b) Reservatórios em fibra de vidro

De acordo com Carlon (2005), este tipo de reservatório, embora seja mais adequado para
instalação à superfície, pode também ser instalado no solo desde que a sua estrutura e resistência
sejam reforçadas. Reservatórios de fibra de vidro são de longa duração, são resistentes à
ferrugem e corrosão química, resistem a temperaturas extremas e, por causa de sua construção
leve, são fáceis de transportar (Figura 12). Segundo Casa Eficiente (2007), a durabilidade dos
reservatórios de fibra de vidro foi exaustivamente testada e comprovada nos Estados Unidos da
América, onde são mais utilizados. No entanto Alves em 2010, enfatiza que estes reservatórios
são mais caros, especialmente para reservatórios de menor capacidade, que é o caso de um
reservatório para uma habitação unifamiliar e nas escolas.

Figura n012: Reservatório de fibra de vidro


Fonte: (ABCMAC, 2006).

c) Reservatório de chapa de aço galvanizado

Tal como acontece com os reservatórios em polietileno, os reservatórios de chapas de aço


galvanizado podem também ser uma boa opção para quem pretende um reservatório de
superfície (ALVES, 2010). Eles estão disponíveis em vários tamanhos, são leves e fáceis de
mover, à semelhança dos de polietileno. Ainda o Alves descreve que a maioria dos reservatórios
de aço galvanizado é moldurada, e para oferecer uma maior resistência à corrosão, são revestidos
com uma cobertura de zinco (Figura 13).

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA UEM-ESUDER 39


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

Tomaz (2003), defende que para prolongar o tempo de vida útil deste tipo de
reservatórios e para assegurar a não transmissão de substâncias tóxicas para a água, estes devem
ser revestidos com PVC ou polietileno ou pintados com uma tinta especial. Já para Santos
(2008), salienta que alguns cuidados adicionais devem ser tomados durante as operações de
limpeza destes reservatórios para garantir que o revestimento plástico não é danificado no seu
decorrer, impedindo o fenómeno da corrosão.

Figura n0 13: Reservatório de aço galvanizado


Fonte: (DOCOL, 2014).

d) Reservatórios de Betão

É o mais versátil de todos os tipos de reservatórios, pois por poderem ser construídos
insitu, podem tomar as mais variadas formas e tamanhos dependendo da capacidade e resistência
pretendida. Este tipo de reservatório pode ser instalado acima do solo ou enterrado (CARLON,
2005). As principais vantagens que estes reservatórios apresentam são mencionadas por Mazer
(2010), onde destaca a sua durabilidade, o facto de o cálcio presente no betão contribuir para
reduzir a acidez da água proveniente de chuvas com acidez elevada e a sua capacidade de resistir
a condições meteorológicas adversas (Figura 14). Os reservatórios de betão são geralmente mais
caros e são muito mais difíceis de instalar. Por outro lado, Alves (2010), salienta que devido ao
seu peso, estes reservatórios não são móveis sendo considerados permanentes após a sua
construção.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA UEM-ESUDER 40


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

Figura n0 14: Reservatórios de betão


Fonte: (3P – TECHNIK, 2007).

2.6. Critérios para o dimensionamento de reservatórios

Os reservatórios a serem construídos para captação de água pluvial para fins potáveis,
podem ser dimensionados seguindo os métodos apresentados pelo manual técnico Português
(ETA 0701), manual técnico Moçambicano de 2001, bem como pelas Associações Brasileiras
das Normas Técnicas (ABNT 10844-89 e ABNT 15527/2007) dependendo do tipo do tipo do
sistema e a disponibilidade dos dados. Esses métodos são apresentados por Soares et al., (2000),
onde classificam-os em cinco (05) tipos principais segundo a forma de uso dos dados.

 Método de Rippl

Segundo Amorim & Pereira (2008), o método baseia-se na aplicação da área de captação,
coeficiente de escoamento e na altura da precipitação. Nos manuais técnicos de Portugal (ETA
0701) e Moçambicano salientam que deve-se usar valores anuais da precipitação com objectivo
de tornar o procedimento de cálculo menos trabalhoso. No entanto, a Norma Brasileira
ABNT15527/2007 acrescenta que pode se aplicar dados mensais dependendo da disponibilidade
dos mesmos. O Siqueira (2004), recomenda que quanto menor o intervalo nos dados
pluviométricos, maior será a precisão no dimensionamento.

 Método Prático Australiano

Para aplicação deste método utilizam-se dados médios mensais de precipitação, área de
captação e a demanda necessária. Segundo a Norma Brasileira 15527/ 2007, o cálculo do volume
o reservatório é realizado por tentativas, até que sejam utilizados valores optimizados ao volume.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA UEM-ESUDER 41


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

 Método Prático Brasileiro

Este método também é conhecido como Método Azevedo Neto. Sua metodologia é
prática e consiste na manipulação da média anual de precipitação e também pelo somatório de
meses com incidência de “pouca chuva”. Segundo Amorim & Pereira (2008), o critério adoptado
para caracterizar o parâmetro “pouca chuva” são meses em que a precipitação foi inferior a 100
mm. Por outro lado alguns autores consideram este método inapropriado, pós não leva em conta
o coeficiente de escoamento superficial um dos pontos consideráveis para óptima captação das
águas pluviais em coberturas (SOARES et al., 2000).

 Método Prático Inglês

Este método é considerado pelo Soares et al., (2000) como simples e seu critério de
determinação do volume do reservatório baseia-se no volume ideal para o reservatório de 5% da
precipitação média anual captada, sendo que a demanda é desprezada.

 Método prático alemão

É um método empírico, segundo o qual se toma o menor entre os, seguintes valores para
o volume do reservatório: 6% do volume anual de consumo ou 6% do volume anual de
precipitação aproveitável (SIQUEIRA, 2004).

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA UEM-ESUDER 42


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

III. METODOLOGIA

3.1. Descrição da área de estudo

Segundo o Ministério de Administração Estatal-MAE, (2014) o distrito de Vilankulo fica


situado a Norte da província de Inhambane, tendo como limites a Norte com o distrito de
Inhassoro, a Sul com o distrito de Massinga, a Oeste com os distritos de Mabote e Funhalouro e a
Este com o Oceano Índico (veja figura 15), com uma superfície de 5.869km2. De acordo com o
INE (2017), o distrito tem uma população de 193.895 habitantes, e uma densidade populacional
de 23,6 hab/km2.

Figura n0 15: Mapa do distrito de Vilankulo


Fonte: (INE, 2011).

3.1.1. Clima e Solos

O clima do distrito é dominado por clima tropical seco, no interior, e húmido, à medida
que se caminha para a costa, com duas estações: a quente ou chuvosa que vai de Outubro a
Março e a fresca ou seca de Abril a Setembro. A zona litoral, com solos acidentados e
permeáveis, é favorável para a agricultura e pecuária, apresentando temperaturas médias entre os

METODOLOGIA UEM-ESUDER 43
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

18° e os 33° C. A precipitação média anual na época das chuvas (Outubro a Março) é de 1500
mm, com maior incidência nos meses de Fevereiro e Março. A zona interior do distrito apresenta
solos franco-arenosos e areno-argilosos e uma precipitação média anual de 1000 a 1200 mm.
(MAE, 2014).

3.1.2. Divisão administrativa


De acordo com MAE, (2014), o distrito tem dois Postos Administrativos nomeadamente:
Vilankulo-Sede e Mapinhane que, por sua vez, estão subdivididos em cinco (05) Localidades,
sendo (Vila de Vilankulo, Quewene) pertencentes ao posto administrativo de Vilankulo-Sede e
(Mapinhane, Belane, Muabsa) pertencentes ao posto administrativo de Mapinhane.

3.1.3. Caracterização da cobertura de água no distrito de Vilankulo

A Vila de Vilankulo é servida por sistema de abastecimento de água canalizada. No resto


do distrito o abastecimento de água potável em muitas comunidades é deficiente, estima-se que
cerca de 41% das famílias tem acesso a fontes de água potável onde, são constituídas por
pequenos sistemas de abastecimento de água e pequenas fontes dispersas (MAE, 2014). O
distrito de Vilankulo possui 88 escolas das quais, 80 do ensino primário e 8 do ensino secundário
(SDEJT, 2019), e está servido por 17 unidades sanitárias, incluindo um Hospital Rural que
possibilitam o acesso progressivo da população aos serviços do Sistema Nacional de Saúde
(MAE, 2014). Quanto a cobertura de água, 80,68% das escolas possuem uma fonte de água
potável, e cerca de 19,32% ainda enfrentam dificuldades para o acesso ao precioso líquido
(SDEJT, 2019).

3.2. Fluxograma das actividades

O projecto debruça-se sobre Captação das aguas pluviais nas escolas do distrito de
Vilankulo, e para a sua realização foi dividido em quatro etapas que são: pesquisa bibliográfica,
colecta de dados, Processamento e análise de dados e por fim Redacção do relatório final (figura
16).

METODOLOGIA UEM-ESUDER 44
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

Metodologia

PesquisaBibliográfica Colecta de dados

Consulta de Consulta Diagnóstico Selecção


da Observação Dimensio
informação demanuais de sistemas Entrevista
amostra directa namento
via Internet em já existentes
algumas das
bibliotecas escolas

Processamento e
análise de dados

Redacção do
relatório final

Figura n0 16: Fluxograma das actividades realizadas

3.3. Pesquisa Bibliográfica

A informação observada em manuais e artigos na internet ajudou na discrição detalhada


do projecto, foi com base na pesquisa bibliográfica que se fez a análise do método adequado para
o dimensionamento de sistemas de captação das águas pluviais mediante os dados disponíveis de
cada local de implantação.

METODOLOGIA UEM-ESUDER 45
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

3.4. Colecta de dados

Esta fase compreende quatro (04) etapas, sendo a primeira, o diagnóstico dos sistemas de
captação já existentes na província de Inhambane, a segunda contou com selecção da amostra
das escolas, a terceira contou entrevista e observação directa com vista na recolha de dados para
posterior uso no dimensionamento e a quarta etapa constituiu o dimensionamento dos sistemas
de captação das águas pluviais.

3.4.1. Diagnósticos de sistemas de captação existentes na província de Inhambane

Inicialmente foi necessário efectuar visitas aos sistemas já existentes nas escolas ao nível
da província de Inhambane no período de três (3) dias onde, foram escalados quatro (4) distritos
nomeadamente, Jangamo, Murrombene, Massinga, e Cidade da Maxixe. Estas visitas tiveram
como foco a recolha de dados relacionados com o método usado na construção de cada sistema,
material usado, forma de gestão do sistema e para que tipo de usos é dada água captada. Para o
efeito foram feitas entrevistas aos representantes das escolas seleccionadas em cada distrito por
forma a perceber até que ponto os sistemas eram vantajosos para as escolas.

3.4.2. Selecção da amostra das escolas para execução do projecto

O distrito possui cerca de 88 escolas, das quais 80 são escolas primárias e oito (08) são
escolas secundarias. Do total das escolas, 71 delas contam com uma fonte de água potável, sendo
17 que ainda não foram abrangidas. Mediante os dados, o projecto teve foco para as escolas com
deficiência de água visando assim o aumento da sua cobertura. Contudo, foram seleccionadas
cinco (05) escolas primárias do distrito de Vilankulo disponibilizados pelo conselho distrital,
onde pertencem a localidade Mapinhane nomeadamente (EP 10 Grau de Massunze, EP 10 de
Macuhane, EP 10 e 20 Graus de Chifunhaunga, EP 10 Grau de Pendzuca, EP 10 e 20 Graus de
Matsenhane). A amostra seleccionada foi intencional compreendendo 6% do total das escolas
primárias do distrito, onde tomou-se em consideração escolas com graves problemas de água e
saneamento, necessitando estes de uma fonte de abastecimento de água segura e
economicamente viável. Para o efeito, foram efectuadas visitas às escolas e entrevistas aos
representantes com vista a recolha de informação relevante para o dimensionamento dos sistemas
de captação da água da pluvial e a relevância de instalação do sistema para a escola. Essas
entrevistas foram possíveis através de um questionário pré-elaborado (apêndice 1).

METODOLOGIA UEM-ESUDER 46
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

3.4.3. Entrevista Semi-estruturada

Esta técnica permitiu a recolha de informações com os representantes das escolas em


estudo, por meio de perguntas previamente elaboradas com objectivo de saber o tipo de fonte
de abastecimento de água usado actualmente, a frequência de ocorrência da chuva no local,
os benefícios que um sistema de captação da água da pluvial pode trazer para a escola e
também que uso daria água captada nesses sistemas.

3.4.4. Observação directa

Observou-se nos locais de estudo aspectos ligados ao local de captação da água, tipo de
material a se usar para o projecto, as medições feitas para obtenção da área de captação, a
qualidade do material a usar no projecto com vista a garantir a qualidade de água a ser captada.
Adicionalmente observou-se as fontes de água usadas nas escolas bem como o estado das
mesmas.

3.4.5. Dimensionamento de sistemas de captação das águas pluviais

Para execução dessa etapa foi com base no método de prático apresentado pelas
Especificações Técnicas de Água (ETA 0701) de Portugal, que aprovam sistemas de
aproveitamento de águas pluviais em edifícios. Aplicação deste método levou em consideração o
coeficiente de escoamento superficial da cobertura e eficiência do sistema de captação para
correcção do volume perdido no dispositivo de descarte de sólidos e desvio das primeiras águas,
caso este seja utilizado. No entanto, foi necessária a determinação dos itens descritos a seguir:

a) Dados pluviométricos

Os dados de precipitação foram obtidos na estação meteorológica do Instituto Nacional


de Meteorologia (INAM) de Vilankulo. Para a pesquisa foram colectados dados de onze anos de
monitoramento (2007 a 2017), que possibilitaram obter uma precipitação anual e mensal,
observando os períodos de sazonalidade (anexo 1).

METODOLOGIA UEM-ESUDER 47
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

b) Área de Captação das Águas

O levantamento das áreas de captação das escolas seleccionadas se fez necessária, para
estimar o volume do reservatório de água de chuva. O cálculo desta área é baseado no
comprimento e largura do telhado, obtidos a partir da medição com uma fita métrica de 100
metros de comprimento. Devido a insuficiência das fórmulas no manual técnico de Moçambique
aprovado pelo MOPH em 2001 no primeiro projecto nacional de desenvolvimento de água rural
que determinam critérios para o dimensionamento de um sistema de captação das águas pluviais
em cobertura, a área de contribuição de cobertura para a captação da chuva foi calculada
utilizando a equação (1) da NBR 10844, tendo sido considerado uma forma rectangular da
cobertura para facilitar os cálculos, conforme a figura 17.

𝐴 = 𝑎∗𝑏 Equação (1)

Onde:

A = área de contribuição (m²);

a = largura da cobertura (m);

b = comprimento da cobertura (m).

Figura n0 17: Superfície Plana Horizontal


Fonte: (NBR 10844-ABNT, 1989).

METODOLOGIA UEM-ESUDER 48
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

c) Volume da água a ser captada

Para o cálculo do volume da água aplicou-se o método prático rippl (equação 2)


apresentado na ETA 0701. A sua metodologia é baseada nas séries históricas de precipitações
médias anuais, na área de captação, no coeficiente de escoamento o qual depende do tipo de
material usado na cobertura e na eficiência hidráulica da filtragem.

𝑃∗𝐴∗𝐶∗𝜂𝑓
V= Equação (2)
1000

Onde:

V: Volume de chuva captada no tempo (m³)

P: Precipitação anual (mm);

A: Área de captação (m²);

C: Coeficiente de escoamento superficial ou de runoff (adimensional).

𝜂𝑓: eficiência do sistema de captação ou eficiência hidráulica da filtragem, levando em conta o


dispositivo de descarte de sólidos e desvio de escoamento inicial. Sendo admitida uma eficiência
hidráulica (ηf) de 0,9 para filtros com manutenção e limpeza regulares pode como recomendado
pela ETA 0701.

Os valores de coeficiente de escoamento superficial ou de runoff para cada tipo de


material usado na cobertura estão inscritos na tabela 2 onde, para o projecto foi considerado 0,90
para telhas de metal de acordo com a cobertura usada de chapas de zinco.

Tabela n0 2: Coeficientes de runoff médios


Material Coeficiente de Runoff
Telhas cerâmicas 0,8 a 0,9
Telhas esmaltadas 0,9 a 0,95
Telhas corrugadas de metal 0,8 a 0,9
Cimento amianto 0,8 a 0,9
Plástico, PVC 0,9 a 0,95
Fonte: (TOMAZ, 2003)

METODOLOGIA UEM-ESUDER 49
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

d) Cálculo da vazão de projecto

A vazão de projecto foi calculada pela equação (3), segundo as orientações da NBR
10844/1989.

𝑖∗𝐴
𝑄= Equação (3)
60

Onde:

Q = vazão de projecto (l/min);

i = Intensidade pluviométrica (mm/h);

A = área de contribuição (m²).

Uma vez não conhecidos os valores a duração de precipitação e o período de retorno do


local, o projecto adaptou a intensidade recomendada pelo Fendrich & Oliynik (2002) e NBR
10844 -89 na qual determinam que para uma cobertura até 100m2 de área de projecção horizontal
a intensidade deve ser de 150 mm/h.

e) Acessórios (Calhas, abraçadeira, condutores e descarte das primeiras águas)

O dimensionamento do número de calhas em cada sistema de captação foi de acordo com


o comprimento comercial da calha, onde considerou-se que cada calha tem seis (6) metros de
comprimento, para o efeito foi usada a equação (4). Quanto ao dimensionamento de número de
abraçadeiras a serem usadas para cada calha, o cálculo foi baseado na equação (5)

𝐶𝑢𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑎 á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑝𝑡𝑎çã𝑜


N0 de calhas = Equação (4)
6

𝐶𝑢𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑎 á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑝𝑡𝑎çã𝑜


N0 de abracadeiras = Equação (5)
1 𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜

 Condutores

O dimensionamento dos condutores foi determinado a partir dos seguintes dados: Q =


vazão do projecto (l/mm); H = altura da lâmina d’água da calha (mm) e L = comprimento do
condutor (m). O diâmetro (D) foi obtido através no ábaco da figura 18.

METODOLOGIA UEM-ESUDER 50
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

Figura n0 18: Ábaco para determinação de diâmetros de condutores verticais - com saída
em aresta viva
Fonte: (NBR 10844-ABNT, 1989).

 Descarte das primeiras águas

Para o cálculo do volume do dispositivo de descarte das primeiras chuvas foi tomado em
consideração a teoria do Dacach (1983), tendo sido adoptado um litro em cada 1m2 da área de
captação. Esse descarte permitirá a redução da quantidade de impurezas contidas na água
captada, recolhidas na atmosfera e na cobertura no acto da precipitação e escoamento.

METODOLOGIA UEM-ESUDER 51
Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. Sistemas de captação das águas pluviais existentes na província de Inhambane

O diagnóstico foi efectuado em 10 escolas primárias da província nomeadamente


(Malaissa-Nhanala, Guirruta, Ravene 1, Ravene 2, Chuchululo, Ligogo) pertencentes ao distrito
de Jangamo, (Chilaqua, Nhaloia- Aldeia) pertencentes ao distrito de Masssinga, (Mabiou)
perctecnte aao distrito de Murrombene e (Mawewe) pertencente a cidade da Maxixe. As escolas
possuem sistemas de captação da água pluvial, das quais aproximadamente a 80% usam água
captada para o consumo doméstico e irrigação sem nenhum tipo de tratamento. Dos sistemas
observados, apenas o sistema da escola de Mawewe contem um filtro de rede para eliminação
das impurezas existentes na água. De referir que nenhum sistema contem o dispositivo de
descarte das primeiras águas, não obedecendo assim o critério mencionado por Tomaz (2005),
onde considera um sistema de captação das águas pluviais para fins potáveis aquele que contenha
os requisitos básicos como (área de captação em óptimas condições, acessórios de transporte da
água, sistema de descarte das primeiras águas, filtro de agua, bem como um reservatório
mediante as dimensões requeridas).

No que concerne ao material usado na instalação dos sistemas, cerca de 80% dos sistemas
usam calhas e tubos de queda PVC com formato circular, por estes serem considerados mais
económicos, facilidade na instalação bem como a sua disponibilidade no mercado nacional.
Mesma ideia foi partilhada pelo Marinoski (2007), onde considera as calhas e tubos de PVC
vantajosas em relação a outros materiais por estas possuírem flexibilidade, baixo custo,
durabilidade, adaptabilidade, facilidade de instalação bem em questão de decoração. Quanto ao
tipo de reservatórios usados, 60% das escolas usam reservatórios de polietileno com volumes que
variam de 1500 a 5000 litros, e resto das escolas usam reservatórios de betão.

4.2. Condições físicas existentes nas escolas seleccionadas no distrito de Vilankulo

O projecto foi implementado em cinco (05) escolas do distrito, onde cerca de 77,78% das
salas usadas foram construídas por material local e cobertura de chapas de zinco (apêndice 4a e
b), sendo que apenas uma escola é que possui salas construídas por alvenaria (EP1 de
Macuhane). As coberturas das escolas de Massunze, Pendzuca, e Chifunhaunga apresentaram

RESULTADOS E DISCUSSÃO UEM-ESUDER 52


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

degradação dos elementos estruturais, onde foi necessário a reabilitação da área de captação
composta por chapas de zinco e pau-ferro. (apêndice 5 a e b).

Segundo os representantes das escolas, o motivo da degradação do material esteve


associado ao tempo de uso bem como a qualidade baixa do mesmo. A substituição da cobertura
teve foco na qualidade da água a ser captada, pois como referido por Lee et al., em 2012 a água
captada em chapas metálicas ou de zinco em péssimo estado de conservação apresenta elevadas
concentrações de ferro e zinco presentes nos dois primeiros milímetros de água derivado da
própria composição do aço. O mesmo foi partilhado por Farreny et al., em 2011, onde afirmaram
que a qualidade da água captada depende pela área de captação e o estado do material, ou seja, a
cobertura em degradação contamina a água captação por meio do escoamento superficial das
águas captadas.

4.3. Dimensionamento de sistemas de captação das águas pluviais

4.3.1. Dados pluviométricos

O INAM de Vilankulo forneceu os dados pluviométricos mensais da precipitação de 11


anos (2007-2017) (ver anexo 1), a partir dos quais por meio de processamento dos dados com o
auxílio do programa Microsoft-Excel se verificou a maior precipitação anual de 1082,4 mm, para
o ano de 2014 (gráfico 1).

Gráfico n0 1: Dados da precipitação média anual (mm)

Distribuicao da precipitacao ao longo do periodo


1200
Precipitacao anual (mm)

1000

800

600

400

200

0 Anos
2005 2010 2015 2020

RESULTADOS E DISCUSSÃO UEM-ESUDER 53


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

A partir das precipitações anuais correspondente a série histórica analisada, observa-se no


gráfico 1 o ano de 2014 apresenta maior precipitação com 1082,4 mm (apêndice 6), também foi
obtida como precipitação mínima ocorrida no ano 2015 com cerca199,9 mm.

Gráfico n0 2: Dados da precipitação mensal (mm)


Distribuicao da precipitação em 2014

450
400
Precipitaão mensal

350
300
250
200
150
100
50
0
jan fev mar abr maio jun jul agos set out nov dez

Observou-se mediante o gráfico pequena sazonalidade durante o ano, sendo que nos
meses mais quentes do ano que correspondem os meses de Novembro a Abril, o índice
pluviométrico foi relativamente maior tendo médias mensais de aproximadamente 165,62 mm.
Já os meses em que as temperaturas são menores, ou seja, Maio, Junho, Julho e Agosto, o índice
pluviométrico foi menor tendo uma média mensal nesses quatro (04) meses de aproximadamente
19,8 mm. Mesmo período de sazonalidade foi considerado pelo INAM (2018), onde descreve
que a época das chuvas estende-se de Outubro a Maio, embora a maior parte da precipitação se
concentre entre Novembro e Abril. Contudo o intervalo chuvoso que estende-se de Novembro a
Abril, contribuiu com aproximadamente 91,81 % na precipitação anual de 2014, sendo apenas
8,19% correspondentes aos meses de maio a Outubro.

4.3.2. Área de Captação das Águas

O cálculo das áreas descrito na tabela 3 foi baseado no comprimento e largura do telhado
obtidos a partir da medição directa, e utilizando a equação (1).

RESULTADOS E DISCUSSÃO UEM-ESUDER 54


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

Tabela n0 3: Determinação das áreas de captação


Nome de escolas Áreas de captação em (m2)
EP1 de Massunze Area1=12 Area2=39
EP1 de Pendzuca Area1=21 Area2=18
EP1 de Macuhane Area1=77,67 Area2=81,18
EP1 e 2 de Matsenhane Area1=54,92 Area2=46,2
EP1 e 2 de Chifunhaunga Area1=20,1

As áreas foram delimitadas com vista a determinar o volume de água a ser captada a em
cada local. Conforme dos dados, a EP1 de Macuhane apresentou maior área de captação com
(77,67m2 para Area1 e 81,18 m2 para Area2), seguido da EP1 e 2 de Matsenhane com (54,92 m2
para Area1 m2 e 46,2 m2 para Area2). Portanto, as coberturas menores foram observadas na
Area1de Massunze e na Area2 de Pendzuca.

4.3.3. Volume da água a ser captada

O volume da água nas escolas foi determinado com base na equação (2), levando em
consideração as áreas de captação calculadas na tabela 3 e precipitação anual para o ano com
maior precipitação (2014 com 1082,4 mm). Os resultados do cálculo são mostrados na tabela 4.

Tabela n0 4: Determinação dos volumes de água a ser captada em cada escola por ano
Nome de escolas Áreas de captação em (m2) Volume da água a captar (m3)
EP1 de Massunze Area1=12 Area2=39 44,71394
EP1 de Pendzuca Area1=21 Area2=18 34,19302
EP1 de Macuhane Area1=77,67 Area2=81,18 139,2708
EP1 e 2 de Matsenhane Area1= 54,92 Area2=46,2 88,6539
EP1 e 2 de Chifunhaunga Area1=20,1 17,62255

Na tabela 4 são apresentados os volumes de água a ser captada considerando a


precipitação anual de 1082,4 mm. Mediante a tabela é notório que a EP1 de Macuhane apresenta
maior volume de água a ser captada seguida da EP1 e 2 de Matsenhane, isso, devido a maior área
de captação. As escolas restantes demonstram volumes reduzidos de água, por essas

RESULTADOS E DISCUSSÃO UEM-ESUDER 55


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

apresentarem áreas menores de captação. Uma pesquisa feita por Mazer (2010), na qual
considerou área de captação de 1519,41 m2, precipitação anual de 1404,02 mm e obteve-se um
volume de 1813,29 m3. Essa elevada diferença dos volumes de água captada é explicada pela
discrepância das áreas de captação. Mesma conclusão foi tirada por de Farreny et al., (2011), em
uma pesquisa de selecção de coberturas de modo a maximizar a disponibilidade e qualidade da
água da chuva, onde descreve que quanto maior for a área de captação maior será o volume de
água captada.

4.3.4. Cálculo da vazão de projecto

As vazões foram dimensionadas de acordo com a equação 3, e considerando uma


intensidade pluviométrica de 150 mm/h, tabela 5.

Tabela nº 5: Valores da vazão de cada sistema de captação da água pluvial

Nome de escolas Áreas de captação em (m2) Vazão do sistema (L/min)


EP1 de Massunze Area1=12 Area2=39 QA1=30 QA2=97,5
EP1 de Pendzuca Area1=21 Area2=18 QA1=52,5 QA2=45
EP1 de Macuhane Area1=77,67 Area2=81,18 QA1=194,175 QA2=202,95
EP1 e 2 de Matsenhane Area1= 54,92 Area2=46,2 QA1=137,293 QA2=115,5
EP1 e 2 de Chifunhaunga Area1=20,1 QA1=50,25

As vazões na tabela 5 foram calculadas para cada sistema, na qual ilustram de acordo
com Mazer (2010), que a área de captação influenciou na redução ou aumento da vazão, sendo
que a intensidade usada considera-se considerada constante para todos os sistemas. Pode-se
observar na tabela que EP1 de Macuhane destacou-se com maiores vazões nos dois sistemas
(QA1=194,175 L/min QA2=202,95 L/min), devido a maiores dimensões das áreas de captação.
Mesma abordagem foi partilhada por Farreny et al., (2011), onde descreve que em caso da
intensidade pluviométrica seja considerada constante no dimensionamento dos sistemas, a
variação da vazão do projecto poderá depender a área de captação. O cálculo das vazões teve
importância na determinação do diâmetro dos condutores aplicados no projecto para a queda de
água nos reservatórios, tendo sido usado a média das vazões para uniformizar os diâmetros os
condutores usados e facilitar na sua instalação.

RESULTADOS E DISCUSSÃO UEM-ESUDER 56


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

4.3.5. Acessórios (Calhas, abraçadeiras, condutores e descartes das primeiras águas)

Através das dimensões das áreas de captação das salas foram dimensionados os
acessórios de acordo as equações (5) e (6), onde os resultados são demonstrados na tabela 6.

Tabela n0 6: Quantidade dos acessórios necessários para os sistemas de captação por escola

Nome de Comprimento da Nr de Calhas Nr de Volume de descarte


escolas Sala (m) por Sala Abraçadeiras da 1ª chuva (m3)
EP1 de CA1= 4 S1= 0,4 S1= 4 VA1= 0,012
Massunze CA2= 13 S2= 2,1 S2= 13 VA2= 0,039
EP1 de CA1= 6 S1= 1 S1= 6 VA1= 0,021
Pendzuca CA2= 6 S2= 1 S2= 6 VA2= 0,018
EP1 de CA1= 8,63 S1= 1,263 S1= 9 VA1= 0,0777
Macuhane CA2= 12,3 S2= 2,3 S2= 12 VA2= 0,081
EP1 e 2 de CA1= 7,67 S1= 1,167 S1= 8 VA1= 0,055
Matsenhane CA2= 7 S2= 1,1 S2= 7 VA2=0,046
EP1 e 2 de CA1= 6,7 S1= 1,07 S1= 7 VA1= 0,0201
Chifunhaunga

Segundo a tabela 6, nota-se para as escolas com salas de maior comprimento requerem
maior número de calhas de maneira para maximizar o aproveitamento da água precipitada sobre
a cobertura. Ainda pode se observar através da tabela que o comprimento e o numero de
abraçadeiras exercem uma proporcionalidade directa, ou seja, quanto maior for o comprimento
da sala maior será a quantidade das abraçadeiras a serem usadas em cada sistema. O mesmo
processo da proporcionalidade directa ocorre com volume da água a ser descartada, onde a
medida que aumenta-se a área de captação o volume de água a ser descartada também aumenta
em mesmo incremento. Esses volumes de água a descartar estão em concordância com o volume
de descarte encontrado por Santos et al., em 2008, na determinação dos volumes de descarte em
uma instalação predial, em que uma das áreas com cerca 77 m2 teve como volume de descarte
0,077 m3. Outros resultados foram abordados pelo Amorim & Pereira em 2008, na qual
consideraram uma área de captação de 140 m2, tendo encontrado 0,14 m3 como volume de

RESULTADOS E DISCUSSÃO UEM-ESUDER 57


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

descarte. Esse valor difere-se dos resultados obtidos no projecto em estudo devido a diferença
acentuada das áreas de captação da água pluvial as quais influenciam directamente no volume de
descarte de cada sistema.

4.3.6. Condutores de água

Mediante os dados de vazão média de todas as escolas Q=102,80 L/min, altura da lâmina
de água considerada H =50 mm (recomendada pela NBR 10844/89) e comprimento dos
condutores L =3m (comprimento comercial), por meio da tabelada Figura (18) - Ábaco para a
determinação de diâmetros de condutores não foi possível encontrar o diâmetro através da
interpolação dos dados, entre tanto, foi adoptado o diâmetro D= 80 mm com vista a facilitar o
escoamento da água na tubulação. Esse diâmetro é aceitável segundo a NBR 10844/89, onde
determina que diâmetro interno mínimo dos condutores para a captação das águas pluviais deve
ser de 70 mm. A norma recomenda ainda, que a drenagem seja feita por mais de uma saída,
excepto em casos em que não houver riscos de obstrução. É importante salientar que os
condutores foram instalados com auxílio curvas de 90° de raio longas ou curvas de 45°. Outros
diâmetros foram aplicados por Mazer (2010), no dimensionamento de um sistema de captação
das águas pluviais em escola da rede estadual de ensino no município de Curitiba, na qual
considerou diâmetro de 75 mm e de 100 mm, sendo os dois diâmetros encontram-se nos padrões
recomendados pela NBR 10844/89.

4.4. Execução do projecto

Os sistemas foram instalados baseando-se no modelo da figura 19, e com vista a facilitar
a aquisição e a uniformização do material, foi usado um tipo de material para todos sistemas
instalados (reservatórios de polietileno, calhas PVC, tubos de queda PVC). A escolha dos
reservatórios de polietileno como reservatórios de água para os sistemas deveu-se a
disponibilidade do material no mercado, fácil transporte e instalação. Mesmo pensamento foi
partilhado também pelo Carlon em 2005, onde considera os reservatórios de polietileno leves,
resistentes a radiações ultra-violeta, e ainda são comparativamente mais baratos que os outros
tipos de reservatórios. Entretanto as actividades desenvolvidas em cada escola no âmbito da
instalação dos sistemas estão descritas na tabela 7.

RESULTADOS E DISCUSSÃO UEM-ESUDER 58


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

Figura n0 19: Modelo do sistema de captação das águas pluviais

Tabela n0 7: Descrição da instalação dos sistemas de captação para cada escola

Nome de Caracterização dos sistemas instalados (material usado)


Escola
EP do 10 grau Primeira área de captação: conta com um reservatório de 500 L assente na
de Massunze base de poste, Calha de 110 mm com respectivos bujões, tubo de queda de três
(03) metros com diâmetro de 80 mm, quatro (04) abraçadeiras, um balde de 25
L para descarte da primeira água (apêndice 7a), filtro de rede (apêndice 7b).
Segunda área de captação: possui um reservatório de 5000 L assente na base
de poste, 2,10 calhas de 110 mm com respectivos bujões, tubo de queda de
três (03) metros com diâmetro de 80 mm, 13 abraçadeiras, um balde de 30
litros para descarte da primeira água, filtro de rede. (apêndice 8a).
EP do 10 grau Primeira e segunda área de captação: cada área possui reservatório de 1500
de Pendzuca L assente na base de poste, Calhas de 110 mm com respectivos bujões, tubo de
queda de três (03) metros com diâmetro de 80 mm, seis (06) abraçadeiras, um
balde de 25 L para descarte da primeira água, filtro de rede.

RESULTADOS E DISCUSSÃO UEM-ESUDER 59


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EP do 10 grau Primeira e segunda área: cada área possui reservatório de 2500 L assente na
de Macuhane base de poste, duas calhas de 110 mm com respectivos bujões, dois tubos de
queda de três (03) metros com diâmetro de 80 mm, 12 abraçadeiras, dois (02)
baldes de 30 L para descarte da primeira água (apêndice 8b), filtro de rede,
junções e cotovelos.
EP do 10 e 20 Primeira e segunda área: cada área possui um reservatório de 2500 L assente
graus de na base de poste, duas calhas de 110 mm com respectivos bujões, dois tubos
Matsenhane de queda de três (03) metros com diâmetro de 80 mm, 12 abraçadeiras, dois
(02) baldes de 30 L para descarte da primeira água, filtro de pano, junções e
cotovelos.
EP do 10 e 20 Primeira área: conta com um reservatório de 2500 L assente na base de
graus de poste, uma calha de 6,10 m com respectivos bujões, um tubo de queda de três
Chifunhaunga (03) m com diâmetro de 80 mm, sete (07) abraçadeiras, dois (02) baldes de 30
L para descarte da primeira água, filtro de pano, junções e cotovelos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO UEM-ESUDER 60


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

V. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Mediante as informações observadas na execução do projecto, pode se dar a conhecer que


os sistemas visitados com vista a recolha de experiencias a nível da instalação não possuem
condições mínimas para a captação das águas pluviais para fins potáveis, carecendo estes de
melhorias a nível técnico como instalação de dispositivos de descarte das primeiras águas.
Apesar da deficiência dos sistemas, maior parte das escolas visitadas usam água captada para o
consumo doméstico. Para o distrito de Vilankulo, das cinco (05) escolas seleccionadas para a
construção dos sistemas, mais que a metade das salas foram construídas por material local e
cobertura de chapas de zinco, onde algumas apresentaram degradação dos elementos estruturais.
Contudo, das nove (09) salas usadas como área de captação apenas seis (06) apresentavam
condições básicas para instalação de sistema.

Quando ao dimensionamento dos sistemas, é necessário tomar em consideração o ano


com maior precipitação, com vista a maximizar o aproveitamento da água. De acordo com os
dados pluviométricos observados, foi notório que o ano de 2014 apresentou maior quantidade de
água precipitada no distrito de Vilankulo. Outro factor importante para a viabilidade de projecto
de aproveitamento da água pluvial nas escolas é o tamanho da área de captação possível de ser
utilizada, entretanto, observou-se que a EP1 de Macuhane apresentou maiores áreas de captação.
De salientar que o tipo e o estado do material usado na cobertura das salas são pontos
importantes a se levar a cabo para a preservação da qualidade da água captada. Os reservatórios
usados nos sistemas instalados são considerados economicamente viáveis, fáceis de instalar bem
como a não contaminação da água por substâncias tóxicas que possam interferir com a qualidade
da água armazenada. O aproveitamento da água da pluvial mostrou-se bastante atractivo,
sobretudo em regiões do distrito onde o serviço de abastecimento público não atinge. Espera-se
que os benefícios exibidos neste trabalho possam incentivar a propagação dessa tecnologia não
só na área de estudo, mas também para diversos distritos do país que sofrem com problemas no
abastecimento de água. Vale destacar a importância da educação ambiental, através da
participação da população na preservação dos recursos naturais da região. O aproveitamento da
água da chuva, assim como qualquer solução técnica, é apenas um auxiliar na resolução da
questão, por isso é necessário o engajamento e sensibilização da comunidade para que sejam
obtidos resultados mais eficientes, duradouros, e o tão almejado desenvolvimento sustentável.

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES UEM-ESUDER 61


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

5.1. RECOMENDAÇÕES

Recomenda-se que seja realizada a avaliação e verificação da qualidade da água da chuva


captada nos sistemas instalados a fim de analisar a necessidade ou não do tratamento da água.

Recomenda-se ainda aos futuros projectos de implantação dos sistemas de captação de


água pluvial a usarem outro tipo de material como reservatórios metálicos, e betão bem como as
calhas metálicas e de betão de modo a analisar a viabilidade do material.

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES UEM-ESUDER 62


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UEM-ESUDER 69


Captação das águas pluviais nas escolas do distrito de Vilankulo

Apêndices
&
Anexos

APÊNDICES E ANEXOS UEM-ESUDER 70


APÊNDICES
Apêndice 1: Questionário referente a instalação dos sistemas nas escolas

Questionário referente a instalação dos sistemas nas escolas

I. Estrutura da Escola

1. Qual é o nome da escola, e em que ano ela foi construída?

2. Qual é o posto administrativo em que a escola se localiza?

3. Quantos alunos e funcionários a escola possui?

Halunos= Hfuncionarios

Malunos= Mfuncionarios

4. Qual é a fonte de água?

5. Quais são os principais usos água?

6. Qual é a quantidade de água gasta por pessoa/dia?

10 a 20l - 50 a 60l-

30 a 40l- 70 a 80l-

7. Qual é a frequência de ocorrência da chuva no local?

8. Qual é o tempo gasto para o local da alocação da água?

1 a 2h- 3 a 4h-

2 a 3h 4 a 5h-

LXXI
II. Dimensionamento do sistema de captação da chuva

1. Qual é a área de Captação (m)?

C=

L=

2. Qual é o número de calhas necessário para o sistema?

3. Quantas abraçadeiras serão necessárias para o sistema?

4. Caso seja distante deve se colocar prolongador, qual será o seu comprimento e que tipo de
material a usar?

4. Quantos tubos de queda serão necessários?

5. Qual deve o diâmetro ser usado para o sistema e que tipo de tupo a usar?

6. Quantos reservatórios serão necessários para o sistema?

7. Existe pessoal local para auxiliar na montagem do sistema?

III. Qualidade da água captada

1. Qual é o tipo de cobertura da escola?

2. Qual é tipo de chapas de zincos usados na cobertura e o estado da conservação?

LXXII
3. A escola encontra-se localizada perto de estradas?

4. Quais são as principais fontes de impurezas (presença de aves, plantas)?

6. Quais são os tipos de usos que a escola pode dar a água proveniente da água?

IV. Limpeza do sistema

1. Quantas vezes por anos o sistema deve ser feito limpeza?

2. Que tipos de filtros devem ser usados para filtração de impurezas?

3. Há necessidade de se fazer a desinfecção?

4. Há ocorrência de doenças no local relacionadas com água?

5. Tem apoio da assistência medica na escola?

6. Existem desistências na escola? E qual deve ser o motivo da desistência.

7. Qual deve ser a localização do tanque, (possível sombra ou cobertura para a sua
protecção)?

LXXIII
Apêndice 2: Sistema de captação das águas pluviais para uso potável

a) Sistema de captação b) Consumo da água captada

Apêndice 3: Calhas usadas nos sistemas de captação das águas pluviais

a) Calhas PVC circulares b) Tubos de queda PVC circulares

LXXIV
Apêndice 4: Salas com cobertura de captação das águas pluviais

a) Sala de captação convencional b) Sala de captação de alvenaria

Apêndice 5: Sala com estado péssimo de cobertura para captação das águas pluviais

a) Sala com cobertura em péssimas condições b) Área de captação em construção

LXXV
Determinação
médias anuais

dados pluviometricos
Anos jan fev mar abr maio jun jul agos set out nov dez Precip. total anual Precit.media annual
2007 54,6 0 0 0 0 51,9 11 3,2 1,3 4 95,7 129,4 351,1 29,25833333
2008 122,6 64,9 12,2 14,8 8,8 28,1 9,7 2,7 6,7 0,6 12,3 277,3 560,7 46,725
2009 25,3 168,6 117,7 51,5 103,9 7,8 22,8 2,5 11,8 15,2 41,6 86,6 655,3 54,60833333
2010 62,2 178,8 61,4 109,7 55,6 3,4 12,9 1,6 0 2,8 39,8 130,9 659,1 54,925
2011 179,4 59 16,6 126,4 19,7 49,8 75,6 0,2 1,2 47,5 23,9 55,8 655,1 54,59166667
2012 161 24,1 154,2 218,5 7,1 3,8 0,6 1,5 20,6 20,8 25,8 45,6 683,6 56,96666667

LXXVI
2013 71,6 152 71,4 25,8 7,4 3,2 12,6 26,5 8,4 68 14 209,5 670,4 55,86666667
2014 396,7 166,3 17 150,4 0 0,8 0,4 78 6,1 3,4 15,5 247,8 1082,4 90,2
2015 66,1 24,1 39,7 9,9 0,3 1,4 1,2 0 4,7 0,9 20,5 31,1 199,9 16,65833333
2016 18,4 87,1 47,1 42,4 43,9 26,4 16,3 8,7 0,2 4,5 115,9 74,4 485,3 40,44166667
2017 298,8 275,5 38,6 136,1 4,3 14,9 16,1 3,9 0,1 14,9 17,5 160,7 981,4 81,78333333
Total 1456,7 1200,4 575,9 885,5 251 191,5 179,2 128,8 61,1 182,6 422,5 1449,1 6984,3 582,025
6:
precipitações
Apêndice
das
Apêndice 7: Instalação do sistema de captação da água na área 1, escola de Massunze

a) Sistema de captação de área 1 b) Filtro usado no sistema

Apêndice 8: Instalação do sistema de captação da água na área 2, escola de Massunze e


Macuane

a) Sistema de captação de Massunze b) Sistema de captação de Macuane

LXXVII
ANEXOS
Anexo 1: Dados Pluviométricos de 2007 a 2017, do INAM de Vilankulo

Fonte: (INAM, 2018)

LXXVIII