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No referido vídeo, vê-se, em primeiro lugar, que a juíza Ludimila Lins Grilo enseja críticas à tese

do jurista constitucionalista Peter Härbele, intitulada Sociedade aberta dos intérpretes da


Constituição. Segundo a juíza, o amplo círculo de intérpretes possibilita que todos “deem
pitaco” no texto constitucional, de modo a gerar pessoalidade e seletividade no que tange às
decisões. Entretanto, torna-se imperioso observar que a dita tese é voltada para a
consideração dos diversos pensamentos e formas de entendimento existentes numa
sociedade regida por uma Constituição. Isto é, uma sociedade aberta de intérpretes vai de
encontro a ideias dominantes previstas por apenas alguns grupos, o que limita o alcance
interpretativo da norma e exclui diversos setores políticos e sociais.

Um segundo fator aborda a crítica de Ludimila à Mutação Constitucional, a qual, segundo ela, é
positivada em diversos livros de direito, com o objetivo de formalizar um procedimento
informal, pelo qual se modifica uma constituição. Para exemplificar, Ludimila versa acerca do §
3° do art. 226 da Constituição Federal de 1988, que tem como redação: “Para efeito da
proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade
familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.” Nessa perspectiva, a juíza alude
a ideia de que a mutação constitucional possibilitou a extensão desse dispositivo às relações
homossexuais, de forma a alterar a literalidade do texto puro e dar ensejo ao ativismo judicial,
bem como a aspirações da militância.

É equivocado pode afirmar, no entanto, que a mutação constitucional burla procedimentos


legais e formais, isso porque, como preleciona Paulo Nader, o direito deve acompanhar a
evolução social, isto é, conforme mudanças de pensamento social, é de bom aviltre alterar-se,
também, as normas reguladoras da vida social, pois estas não terão mais eficácia, não serão
mais seguidas por seus destinatários. Além disso, é importante ressaltar que a mutação
constitucional desenvolve-se dentro de limites pré-estabelecidos que impossibilitam mudanças
no conteúdo da lei, mas não no sentido da lei, pois este é dado mediante interpretação.

Ainda, Ludimila critica o fato da constituição configurar-se essencialmente analítica, de maneira


de são diversas normas desnecessárias, a exemplo do § 2º, do art.242, segundo o qual
traduz “O Colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro será mantido na órbita
federal”, o que segundo ela, implica a “onipresença constitucional”, visto que regula grande
parte da vida social. Ao revés, Martín Gustavo Moscovo Salas, em sua tese de doutorado “La
interpretación, aplicación y argumentación de los princípios jurídicos em el Estado
Constitucional”, defende a demanda de um Estado Constitucional pluralista, a fim de promover
os direitos humanos, garantir a proteção dos indivíduos e assegurar os direitos fundamentais.