Você está na página 1de 3

Revista Nossa Fé – 1º tri 2011 Significados e lições dos

APOIO DIDÁTICO – LIÇÃO 01 MILAGRES DE JESUS

A FAMÍLIA NO NT

A única família retratada de fato no NT é a de Jesus, e, além disso, apenas


raramente e ocasionalmente. Está claro, entretanto que, enquanto um amplo “estábulo”
(confinamento para fins de imposição cultural) tinham sido impingido a um grande grupo
de príncipes, jovens e adultos, pelos governadores helênicos e romanos, o povo comum
ainda seguia a tradição familiar do AT. O pai ainda era o cabeça, a esposa ocupada com
a maternidade e os filhos criados nas obrigações da comunidade. A única mudança
significativa parece ter sido o crescimento da sinagoga e do rabinato, o que providenciou
módica participação e educação para os garotos israelitas por todo o país.

Até certo ponto, isso pode ter sido uma oposição consciente ao zelo pela educação
causado pelo helenismo e os esquemas dos governantes helênicos, de paganização.
Seja o que for, teve um grande efeito sobre a família judaica.

Como em toda a urbanização, o crescimento das cidades do período romano


causou cada vez mais o rompimento do antigo sentido de família expandida. A visita de
Maria e a viagem subsequente a Belém mostram o rompimento dos vínculos mais antigos
do clã (Lc 1.36-40; 2.4). Primeiro, houve uma acentuada mudança na terminologia
aplicada e, segundo, as muitas e difíceis determinações, relativas aos clãs semissociais,
que marcaram o padrão do AT, não estavam mais em uso. A terminologia grega é mais
precisa, analítica e diretamente individualista; nada restou da antiga concentricidade.

A. Terminologia. Visto que o nascimento e os primeiros anos de vida do nosso


Senhor foram consumados sob a velha dispensação, os termos são simples tradução do
Heb., e.g. “casa e família de Davi” (2.4). Os termos são gregos e logo desenvolveram os
significados helênicos mais precisos. O mais frequente é o grego oivki,a “casa”, usada no

Rua Miguel Teles Júnior, 394 – CEP: 01540-040 – São Paulo – SP


Caixa Postal 15.136 – CEP 01599-970 – São Paulo – SP
Fone (11) 3207-7099 – Fax (11) 3209-1255 – 0800-0141963
www.editoraculturacrista.com.br – cep@cep.org.br
Revista Nossa Fé – 1º tri 2011 Significados e lições dos
APOIO DIDÁTICO – LIÇÃO 01 MILAGRES DE JESUS

sentido de “família”, como na literatura clássica ática (Mt13.57; Mc 6.4; Jo 4.53; et al.).
Menos frequente é o grego patri,a, “família”, “clã”, “relacionamento” como nas suas três
ocorrências no NT (Lc 2.4; At 3.25; Ef 3.15). Essas duas palavras são subdivisões da
tribo, Gr. Fnlh,( “nação”, “povo”, “tribo” (LXX e Mt 19.28 et al.). Mais frequentemente que
no AT, as relações dos indivíduos dentro da família são enfatizadas e os termos para pai,
mãe, maridos, esposas e filhos são, desse modo, os mais importantes.

B. O ensino de Jesus acerca da família. Muitas das instruções de Cristo,


concernentes à família, são simples reiterações dos mandatos da criação, com o
acréscimo da responsabilidade da motivação (Mt 5.27-32). Contudo, a família é usada
como o padrão do perdão, amor e longanimidade de Deus. De fato, o uso do afetuoso,
“Pai Nosso”, é um dos mais profundos discernimentos da natureza de Deus revelada
através do ensino de Jesus. Está claro que a monogamia é superior e o vínculo do amor é
central em tais discursos (Mt 18; 19; 20).
A família como aliança e os membros da aliança como uma família são dois temas
recorrentes nas ilustrações feitas por Cristo (19.13-15). A instituição da nova aliança, com
seu rito central da eucaristia, estendeu a prática do rito às mulheres. Contudo, o conceito
de salvação coletiva ou “familiar” certamente está representado nas narrativas do
Evangelho. Também é importante que alguns dos milagres do nosso Senhor fossem
concernentes às famílias, seus sofrimentos e seus relacionamentos. (Mt 8.1-13,14,15;
9.18-26; 15.21-28; 17.14-20; Mc 1.30,31; 5.21-43; 7.24-30; 9.14-29; Lc 4.38,39; 7.1-10;
8.40-56; 9.37-43; Jo 2.1-11; 4.46-54; 7.11-17; 11.1-46; 21.6-11.)

C. O ensino apostólico e epistolar acerca da família. O conceito de família era


tão facilmente ampliado que os apóstolos aparentemente o usavam em suas pregações
para descrever não somente o Israel da teocracia, mas também a igreja de Cristo.
Instruções específicas concernentes à família são dadas para as relações de marido e
mulher (1Co 7.1-28; 11.3; Ef 5.22; Cl 3.18; 1Tm 5.8; 1Pe 3.7). Dá-se especial ênfase ao
tema da sujeição da mulher a seu marido. Este tema é repetido em muitas epístolas de
Paulo e em 1 Pedro 3.1-7.

Rua Miguel Teles Júnior, 394 – CEP: 01540-040 – São Paulo – SP


Caixa Postal 15.136 – CEP 01599-970 – São Paulo – SP
Fone (11) 3207-7099 – Fax (11) 3209-1255 – 0800-0141963
www.editoraculturacrista.com.br – cep@cep.org.br
Revista Nossa Fé – 1º tri 2011 Significados e lições dos
APOIO DIDÁTICO – LIÇÃO 01 MILAGRES DE JESUS

A dissolução da família no período final da república romana e início do império foi


provavelmente um problema recorrente nas igrejas. A relação dos filhos com os pais era
muito menos proeminente do que no AT (Rm 1.30; 2Tm. 3.2; e as exortações de Ef 6.1-4;
Cl 3.20,21 e 1Tm. 4.12). Nas três epístolas joaninas a figura do filho alcança sua
realização por meio da repetição do amor apostólico para com a igreja, em termos de
afeto familiar (1Jo 3.10 et al.). A posição legal dos filhos, herança, adoção, ilegitimidade e
dar o nome, tudo é usado como figura da aplicação da expiação, nas epístolas (Gl 4.5; Ef
1.5; Fp 4.3; Hb 12.8; 1Pe 1.4 et al.).

D. A família na igreja primitiva. O fato de que as primeiras igrejas reuniam-se em


residências particulares, como a que foi descoberta em Dura Europos e que os primeiros
convertidos em geral eram grupos de famílias, deu um caráter específico à imagem do
cristianismo como uma família (At 16.31 et al.). Os símbolos de Jesus como o Bom
Pastor, o assassinato dos inocentes, as cenas da infância de Jesus, todos sobrevivem na
primitiva arte cristã.

No livro apócrifo de Hermas, do NT, foram coletadas algumas histórias populares


da infância de Jesus. De todos os conceitos cristãos, os que se aplicam à família como
unidade parecem ter sido os mais atrativos. Até mesmo o amor de Cristo pela igreja é
declarado como o amor de um marido por sua esposa. Esta imagem do noivo e da noiva
é usada nas visões apocalípticas finais da Nova Jerusalém (Ap 18.23; 21.2,9; 22.17).

Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, Merril C. Tenney, p.747-749

Rua Miguel Teles Júnior, 394 – CEP: 01540-040 – São Paulo – SP


Caixa Postal 15.136 – CEP 01599-970 – São Paulo – SP
Fone (11) 3207-7099 – Fax (11) 3209-1255 – 0800-0141963
www.editoraculturacrista.com.br – cep@cep.org.br