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CURSOS ON-LINE – CONTABILIDADE GERAL – ICMS/SP

PROFESSORES VELTER & MISSAGIA


AULA 01

Caros alunos virtuais,


Esse curso é uma condensação, com alguns ajustes, dos cursos
anteriores de contabilidade introdutória e contabilidade intermediária.
É chegada a hora de mostrarmos a cara e dizermos porque estamos
aqui.
A tarefa de ensinar contabilidade por meio eletrônico é, certamente,
uma das tarefas mais árduas a que nos propusemos. Demonstrar de forma clara
e objetiva os passos que devem ser seguidos na escrituração de fatos contábeis
e todos as suas facetas é um desafio a enfrentar, ao final do qual, esperamos,
que os vitoriosos sejam todos vocês.
Normalmente no primeiro dia de aula fazemos todas aquelas
recomendações indispensáveis ao bom andamento do curso. No entanto, no
presente caso, entendemos que a maioria delas seja dispensável, salvo as
seguintes, com ênfase ao item 3:
1 – Considerando que a contabilidade não é uma matéria exatamente
fácil, é necessário que se dê uma dedicação toda especial no seu estudo;
2 – Os exercícios propostos devem ser realizados pelo aluno. Por meio
deles, o aluno vai fixando a matéria, e quando chegar no final do curso ele estará
com todo o conteúdo na cabeça; e
3 – Não será desculpado nenhum aluno que se esqueça de nos
convidar para a festa da aprovação no concurso!!!
Em assim procedendo, temos a certeza de que não será a
contabilidade que irá atrapalhar a aprovação de todos vocês, mas repetimos:
vocês devem se empenhar ao máximo, pois não se consegue aprovação em um
concurso, cujo cargo remunere R$ 8.000,00 ou mais por mês, sem muito esforço
e sacrifício!!!
Já chega de blá, blá, blá e vamos ao que interessa, começando pelo
início, ou seja, pelos conceitos básicos, lembrando que o nosso curso será
dividido em pontos (ponto 1, ponto 2, ponto 3 e assim por diante). Cada ponto é
dividido em itens.
Bom proveito e muito estudo!

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PONTO 1: CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

1. CONCEITO DE CONTABILIDADE
Antes de analisarmos o conceito de contabilidade (afinal, o que é
contabilidade?) propriamente dito, devemos saber porque existe a contabilidade, ou
porque surgiu a contabilidade.
A contabilidade surgiu da necessidade de controlar o patrimônio das pessoas
(entidades).
Todos fazemos, indistintamente, algum tipo de contabilidade, pois quando
recebemos o nosso salário nos obrigamos a fazer as contas para verificar se a "grana"
será suficiente para o aluguel, água, luz, telefone, condomínio, “o curso”, entre outros
compromissos, estamos, de certa forma, fazendo uma contabilidade, de maneira
desordenada, é verdade, mas estamos a fazer contabilidade.
Agora imaginem se as empresas fizerem a sua contabilidade da forma como
nós fazemos! Seria o caos, pois ninguém se entenderia. As informações registradas por
uma empresa não seriam entendidas por quase ninguém, a não ser por aquele que
realizou os registros.
Para evitar que cada pessoa registre as suas contas ao bel prazer, foi
necessário adotar certas regras a fim de uniformizar esse procedimento. Essa
necessidade foi o ponto de partida do surgimento da contabilidade.
Por enquanto, já sabemos que a contabilidade veio para controlar o
patrimônio, registrando-o de forma organizada, seguindo uma metodologia para que as
pessoas nela interessadas possam obter as informações que lhes interessarem.
Assim, a contabilidade, na qualidade de ciência econômico-administrativa, se
ocupa no estudo dos aspectos inerentes ao controle, registro e orientação/divulgação de
informações relativas ao patrimônio. Neste contexto, durante o 1º congresso brasileiro
de contabilidade ocorrido no Rio de Janeiro, em 1924, foi formulado o seguinte conceito
para contabilidade:

“A Contabilidade é a ciência que estuda e pratica as funções de


orientação, de controle e de registro relativos à administração
econômica.”

Por fim, a contabilidade ainda pode ser conceituada conforme segue:


“Ciência econômico-administrativa que utiliza metodologia própria
para registrar, analisar e controlar os aspectos relativos ao
patrimônio das entidades, com o objetivo de fornecer informações
aos agentes interessados para subsidiar a tomada de decisões”.

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O assunto apareceu em prova da seguinte forma:
1. (ESAF/TTN–1992/SP) O Primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade,
realizado na cidade do Rio de Janeiro, de 17 a 27 de agosto de 1924, formulou
um conceito oficial de CONTABILIDADE. Assinale a opção que indica esse conceito
oficial.
a) Contabilidade é a ciência que estuda o patrimônio do ponto de vista econômico e
financeiro, observando seus aspectos quantitativo e específico e as variações por ele
sofridas.
b) Contabilidade é a ciência que estuda e pratica as funções de orientação, de controle e
de registro relativas à Administração Econômica.
c) Contabilidade é a metodologia especial concebida para captar, registrar, reunir e
interpretar os fenômenos que afetam as situações patrimoniais, financeiras e
econômicas de qualquer ente.
d) Contabilidade é a arte de registrar todas as transações de uma companhia, que
possam ser expressas em termos monetários, e de informar os reflexos dessas
transações na situação econômico-financeira dessa companhia.
e) Contabilidade é a ciência que estuda e controla o patrimônio das entidades, mediante
registro, demonstração expositiva, confirmação, análise e interpretação dos fatos nele
ocorridos.

2. OBJETIVOS DA CONTABILIDADE
O principal objetivo (ou finalidade) da contabilidade é fornecer informações
sobre o patrimônio que ela controla aos seus usuários.
Com base nessas informações, os usuários podem tomar decisões. Desta
forma, o administrador de uma empresa, de posse das informações fornecidas pela
contabilidade, pode avaliar a situação de sua organização, constatar a ocorrência de lucro
ou prejuízo, podendo redirecionar os rumos da entidade.
Assim, o objetivo da contabilidade é efetuar os registros de todos os fatos
patrimoniais para possibilitar um controle efetivo deste, de modo que os usuários possam
tomar decisões a partir das informações obtidas. De outra forma, poder-se-ia dizer que o
objetivo da contabilidade é permitir o estudo e o controle dos fatos contábeis decorrentes
da administração do patrimônio das empresas ou entidades econômico-administrativas.

3. OBJETO
O objeto de estudo da contabilidade é o patrimônio das aziendas.
Entende-se por patrimônio o conjunto de bens, direitos e obrigações
vinculados a uma entidade. A palavra azienda se refere ao conjunto de todas as
entidades, pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, com ou sem fim lucrativo,
do tipo limitada ou por ações, de capital aberto ou fechado. Entidades com fins lucrativos
são as empresas, ao passo que sem fins lucrativos são os entes públicos, as associações,
as entidades de classe, clubes de futebol etc. O termo azienda se refere a um patrimônio
com a sua respectiva gestão.
Desta forma, o objeto de estudo da contabilidade é o conjunto de bens,
direitos e obrigações pertencentes a qualquer entidade, seja ela pública ou privada e
ainda com fins lucrativos ou não.

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4. CAMPO DE APLICAÇÃO
Se atentarmos ao objeto da contabilidade e ao conceito, fica fácil delimitar o
seu campo de atuação ou campo de aplicação, visto que esta é aplicada a todas as
entidades que possuem um patrimônio a ser controlado, ou seja, a contabilidade se
aplica às aziendas, que são o universo das entidades econômico-administrativas.
Entidades econômico-administrativas são aquelas que reúnem pessoas,
patrimônio, ação administrativa e finalidade estabelecida.
As finalidades das entidades podem ser econômicas (visam o lucro, como as
empresas comerciais e industriais), sócio-econômicas (buscam superávit a reverter em
benefício de seus filiados, como cooperativas e entidades de classe) e entidades com fins
sociais, que é caso das entidades públicas como a União, os Estados e os Municípios.
O assunto apareceu em prova da seguinte forma:
2. (ESAF/TTN–1994/vespertino) “... o patrimônio, que a Contabilidade estuda e
controla, registrando todas as ocorrências nele verificadas.”
“... estudar e controlar o patrimônio, para fornecer informações sobre sua
composição e variações, bem como sobre o resultado econômico decorrente da
gestão da riqueza patrimonial.”
As proposições indicam, respectivamente:
a) o objeto e a finalidade da Contabilidade;
b) a finalidade e o conceito da Contabilidade;
c) o campo de aplicação e o objeto da Contabilidade;
d) o campo de aplicação e o conceito de Contabilidade;
e) a finalidade e as técnicas contábeis da Contabilidade.

5. USUÁRIOS
Todos nós somos, de certa forma, usuários da contabilidade. Alguns possuem
interesse direto por estarem ligados à administração de uma empresa (são os usuários
internos), ao passo que outros possuem interesse indireto, como os acionistas
minoritários, os investidores, os empregados, os concorrentes, ou mesmo o fisco (são os
usuários externos).
O fisco possui interesse na contabilidade pois o valor de devido pela empresa
de alguns tributos é calculado a partir de informações contábeis. Exemplo: o imposto de
renda das pessoas jurídicas é calculado a partir do lucro obtido pelas empresas, que por
sua vez é apurado por meio da contabilidade.

O assunto apareceu em prova da seguinte forma:


3. (MEMORIAL/SP/99) O objetivo da utilização da informação contábil pelo FISCO
é:
a) avaliação da informação para tomada de decisões;
b) verificação da liquidez da sociedade;
c) comprovação dos dividendos distribuídos;
d) tributação das atividades da empresa;
e) n.d.a.

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6. FUNÇÕES DA CONTABILIDADE
Pode-se afirmar que a contabilidade possui uma função econômico-
administrativa.
A função administrativa consiste em controlar o patrimônio das entidades,
ao passo que a função econômica está voltada à apuração do resultado ou rédito
(lucro ou prejuízo).

7. TÉCNICAS CONTÁBEIS
A contabilidade é uma ciência, e tem por objetivo o registro dos fatos
contábeis, o controle do patrimônio e a geração de informações úteis aos seus usuários.
Para que possa alcançar esses objetivos, são utilizadas técnicas (ou procedimentos)
contábeis. São as ferramentas utilizadas para se alcançar o objetivo.
As técnicas contábeis são: escrituração, demonstrações contábeis, análise das
demonstrações contábeis ou de balanço e auditoria.

7.1. ESCRITURAÇÃO
É a técnica contábil que se encarrega do registro dos fatos que alteram o
patrimônio de uma entidade, vale dizer, toda vez que ocorrer alguma alteração nos bens,
direitos e obrigações de uma entidade, essas alterações devem ser registradas por meio
da técnica de escrituração.
Assim, as alterações devem ser registradas (escrituradas) tão logo se tenha
conhecimento de sua ocorrência, resultando, assim, que a escrituração estará posta em
ordem cronológica de dia, mês e ano.
A técnica de escrituração encontra capitulação legal por meio do artigo 177 da
Lei no 6.404/1976 (Lei das S.A.) e pela Lei nº 10.406/2002 (novo Código Civil).
Segundo o dispositivo da Lei das S.A., a escrituração das empresas deve
manter registros permanentes em obediência à legislação comercial, aos preceitos da
referida Lei e aos princípios contábeis geralmente aceitos.

O assunto apareceu em prova da seguinte forma:


4. (CONTROLADADORIA/2000) Os fatos contábeis provocam modificações na
estrutura do patrimônio e o seu registro deverá ser feito de maneira cronológica,
selecionando-os em grupos homogêneos e evidenciando seus aspectos
qualitativos e quantitativos. Isso caracteriza a Técnica Contábil de:
a) controle;
b) planejamento;
c) auditoria;
d) escrituração;
e) demonstrações contábeis.

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7.2. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
A técnica das demonstrações contábeis está voltada à elaboração de relatórios
resumidos e consolidados, onde são apresentadas a situação patrimonial em determinada
data (Balanço Patrimonial), a demonstração do resultado do exercício, as fontes ou
origens de recursos e suas aplicações, a demonstração dos lucros ou prejuízos
acumulados, além de outros demonstrativos.
Tais demonstrativos são imprescindíveis a gerentes, diretores e acionistas da
empresa que desejem avaliar o desempenho econômico financeiro da organização.

As demonstrações contábeis obrigatórias, segundo a Lei no 6.404/1976 (Lei


das S/A.), são:
• BALANÇO PATRIMONIAL
• DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
• DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS
• DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS

Oportunamente estudaremos, detalhadamente, cada uma dessas


demonstrações, com sua estrutura completa. Cabe esclarecer que, conforme disposto no
§ 2º do art. 186 da Lei das S/A, a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados
fica dispensada se a empresa elaborar a Demonstração das Mutações do Patrimônio
Líquido, que incluirá aquela. Então, se aparecer na prova como demonstração obrigatória
a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e não estiver presente uma
alternativa que contemple a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, a
resposta a ser assinalada é a que contemple a Demonstração das Mutações do
Patrimônio Líquido!

7.3. AUDITORIA
A contabilidade, já o dissemos, é a ciência que estuda e pratica as funções de
orientação, de controle e de registro das mutações patrimoniais.
Essas operações estão sujeitas a erros e falhas. Para evitar que esses erros e
falhas persistam, a própria contabilidade possui um sistema de controle que é exercido
pela técnica de auditoria. Assim, auditoria é a técnica contábil que tem por objetivo a
verificação ou revisão de todos os registros, demonstrações e procedimentos adotados
para a escrituração.
A auditoria é dividida em duas áreas: A auditoria interna e a auditoria externa
ou independente. A auditoria interna abrange a auditoria de gestão e contábil. Possui o
objetivo de verificar a adequação dos registros contábeis, prevenir fraudes e erros e
emitir um relatório para a administração. A auditoria externa ou independente tem por
objetivo analisar as demonstrações financeiras ou contábeis para verificar a sua
adequação quanto às práticas contábeis adotadas no Brasil, a fim de emitir um parecer
sobre as mesmas, a ser publicado juntamente com as demonstrações contábeis.

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7.4. ANÁLISE DE BALANÇO
A análise de balanço ou análise das demonstrações contábeis ou financeiras é
a técnica que utiliza métodos e processos científicos ou estatísticos, por meio da
decomposição das demonstrações ou da comparação destas com demonstrações de
outros períodos. Assim, interpretam-se os dados obtidos a fim de se extraírem
informações analíticas, ou seja, mais detalhadas. Com informações desse tipo, é possível
avaliar mais precisamente a situação patrimonial e financeira da empresa. A análise de
balanços fornecerá, por exemplo, a capacidade de pagamento a curto prazo, a
rentabilidade do capital investido, a garantia de capitais de terceiros, o índice de liquidez,
etc.
É oportuno que chamemos a atenção ao fato de que a Auditoria e a Análise de
Balanços, a par de serem técnicas contábeis são, também, especializações ou ramos da
Contabilidade.
Outros ramos da contabilidade seriam, a Contabilidade Pública (contabilidade
do governo e das empresas públicas), contabilidade de custos (contabilidade das
empresas industriais), contabilidade gerencial (voltada especificamente para a análise de
desempenho da empresa).
O foco do nosso estudo será a contabilidade comercial, ou seja, os registros,
procedimentos e demonstrações realizadas por empresas que tenham como objetivo o
lucro, conseguido através da revenda de mercadorias adquiridas.
O assunto apareceu em prova da seguinte forma:
5. (TFC/ESAF/96) Decomposição, comparação e interpretação dos demonstrativos
do estado patrimonial e do resultado econômico de uma entidade é:
a) função econômica da Contabilidade;
b) objeto da Contabilidade;
c) técnica contábil chamada Análise de Balanços;
d) finalidade da Contabilidade;
e) função administrativa da Contabilidade.

Agora que vocês já estão cheios de conceitos e se ainda tiverem “saco” para
seguir em frente na busca da aprovação, resolvam os seguintes exercícios propostos:

6. Hodiernamente, uma das principais finalidades da Contabilidade é a de:


a) apurar a base de cálculo do Imposto de Renda;
b) cumprir exigências da Legislação Comercial;
c) refinar a linguagem e os procedimentos adotados no controle do patrimônio;
d) constituir instrumento essencial nas funções de planejamento e controle das
aziendas;
e) apurar o valor dos dividendos dos investidores.

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7. O uso da informação contábil pode ser catalogado de várias formas, porém
a mais importante é:
a) controle e mensuração;
b) análise e escrituração;
c) previsão e registros contábeis;
d) econômica e administrativa;
e) política e auditoria.

8. Com relação à Contabilidade, pode-se afirmar:


a) As entidades públicas estão fora do rol dos interessados na informação contábil.
b) A contabilidade visa, em última análise, a fornecer informações úteis acerca da
gestão econômico-administrativa da azienda.
c) Uma das grandes vantagens da informação contábil é que por meio dela se obtém a
estrutura política de uma S.A.
d) O objeto da contabilidade é o patrimônio das entidades, por isso a sua finalidade é
controlar a riqueza dos sócios de uma empresa.
e) A contabilidade se comunica com os interessados da informação contábil por meio da
imprensa escrita e, em face de sua complexidade, não pode ser utilizado outro meio
de comunicação.

9. Assinale a opção incorreta.


a) A Contabilidade registra apenas os fenômenos econômicos que afetam as empresas,
desde que afetam o Imposto de Renda.
b) Agentes fiscais, gerentes de bancos, clientes, fornecedores, acionistas,
administradores e investidores têm interesse na informação contábil.
c) Avaliar as decisões e o planejamento, auxiliar o controle e determinar o rédito de
período são objetivos (fins) da Contabilidade.
d) O objeto de estudo da Contabilidade é o patrimônio das aziendas.
e) O campo de aplicação da Contabilidade abrange qualquer tipo de pessoa física ou
jurídica, com finalidades lucrativas ou não, que tenha necessidade de exercer
atividades econômicas para alcançar suas finalidades, desde que possua um
patrimônio.

10. Quanto à Contabilidade como um todo, analise e julgue os itens abaixo.


1) É o único meio utilizado para o planejamento eficaz de uma empresa.
2) As leis que disciplinam sua eficácia são veiculadas pelo Conselho Federal de
Contabilidade.
3) Rédito é sinônimo de resultado e este pode ser positivo ou negativo, conforme lucro
ou prejuízo.
4) Um bom controle evita perda de tempo e dinheiro.
5) Gestão é aplicada às aziendas para obtenção de rédito positivo, enquanto que
Administração está voltada para réditos beneficentes.

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11. É/são objeto(s) da Contabilidade:
a) os bens, direito e situação líquida;
b) o conjunto dos haveres, direitos e obrigações;
c) o controle da entidade;
d) o conjunto de bens, direitos e obrigações;
e) a evidenciação do patrimônio, para que os bancos possam emprestar dinheiro às
entidades.

12. O campo de aplicação e o objeto da Contabilidade:


a) confundem-se;
b) são distintos, pois o primeiro é o patrimônio e o segundo é a azienda;
c) podem ser dissociados, pois o primeiro independe da existência do segundo;
d) são distintos, pois o primeiro é a azienda e o segundo é o patrimônio;
e) são a identificação das receitas e a apuração do resultado.

13. A função econômica da Contabilidade é:


a) apurar lucro ou prejuízo;
b) controlar o patrimônio;
c) evitar erros e fraudes;
d) efetuar o registro dos fatos contábeis;
e) verificar a autenticidade das operações.

14. Assinale a alternativa correta.


a) Os elementos essenciais da azienda são patrimônio, administração e Contabilidade
b) A função principal da Contabilidade é organizar o orçamento da empresa.
c) O objeto da Contabilidade é o patrimônio, que ela estuda e pratica, registrando as
ocorrências que lhe afetam a estrutura qualitativa.
d) Contabilidade é a ciência que estuda e pratica as funções de registro, de auditoria e
de coordenação dos atos da administração econômica.
e) O campo de atuação e o objeto da Contabilidade são distintos um do outro, pois o
primeiro é a azienda e o segundo é o patrimônio.

15. A palavra AZIENDA é comumente usada na Contabilidade como sinônimo de


fazenda, na acepção de:
a) conjunto de bens e haveres;
b) mercadorias;
c) finanças públicas;
d) grande propriedade rural;
e) patrimônio, considerado juntamente com a pessoa que tem sobre ele poderes de
administração e disponibilidade.

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16. As demonstrações financeiras obrigatórias são:
a) Balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício, demonstração de lucros
ou prejuízos acumulados, demonstração das origens e aplicações de recursos.
b) Demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados e demonstração do resultado do
exercício.
c) Demonstração do resultado do exercício e demonstração das origens e aplicações de
recursos.
d) Demonstração das origens e aplicações de recursos.
e) Balanço Patrimonial, Demonstração do Fluxo de Caixa, Demonstração do Valor
Agregado e Demonstração do Resultado do Exercício.

17. Para alcançar os seus objetivos a Contabilidade utiliza certas técnicas. São
elas:
a) escrituração, planejamento, coordenação e controle;
b) escrituração, balanços, inventários e orçamentos;
c) contabilização, auditoria, controle e análise de balanços;
d) auditoria, análise de balanços, planejamento e controle;
e) auditoria, escrituração, análise de balanços e demonstrações.

18. Além de serem técnicas contábeis, são também considerados ramos da


Contabilidade:
a) a auditoria e a análise de balanço;
b) a fiscalização e a auditoria;
c) o planejamento e a análise de balanço;
d) o controle e a auditoria;
e) a meteorologia e a escrituração.

19. Julgue os itens abaixo e assinale o correto.


a) A função econômica da Contabilidade é a obtenção de fluxo de caixa, isto é, rédito
positivo.
b) O interesse dos acionistas na Contabilidade da entidade está voltado mais à liquidez e
ao fluxo de pagamentos dos dividendos.
c) Um empregado de qualquer entidade não tem interesse na Contabilidade da mesma
se estiver recebendo o seu salário em dia.
d) Empresa que paga seus tributos normalmente não desperta interesse do fisco em sua
Contabilidade.
e) As técnicas contábeis são: escrituração, balancete, demonstrações contábeis e
aziendas.

E daí, acharam fácil?!


Se por acaso haja alguma dúvida, por favor nos escrevam. Teremos a maior
satisfação em dirimir as dúvidas de todos vocês. Ademais, o fato de terem dúvidas já é
um bom começo, é sinal de que está havendo esforço para a compreensão do assunto!!!

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PONTO 2: O PATRIMÔNIO

1. CONCEITO

O patrimônio é estudado por muitas ciências, e para cada uma delas possui
significado próprio. Para a maioria destas ciências, o patrimônio representa “bens de
família”, “fazenda”, “herança paterna”, ou “riqueza”. Talvez você também possua esta
concepção (sempre positiva) de patrimônio.
Para a Contabilidade, entretanto, o patrimônio possui uma conotação com
amplitude maior, representando o conjunto de bens, direitos e obrigações vinculado
a uma entidade.
O objeto de estudo da contabilidade, conforme já vimos na aula passada, é o
patrimônio das entidades. Logo, a contabilidade estuda todos os bens, direitos e
obrigações vinculados a uma entidade, independentemente de ela possuir fins lucrativos
ou não.
Conforme já visto, uma das principais finalidades da Contabilidade é fornecer
informações úteis aos seus usuários e demais pessoas que possam ter algum interesse
na situação econômico-financeira da entidade. Para que isto seja possível, é necessário
que registremos todos os fatos que alterem a movimentação do patrimônio (bens,
direitos e obrigações) de uma entidade, quer qualitativa ou quantitativamente.
As alterações do patrimônio ocorrem em conseqüência de operações
comerciais próprias das empresas como as compras, as vendas, os pagamentos, os
recebimentos, os investimentos, a formação de capital social etc. Assim, só vejamos
alguns eventos que devem ser registrados pela contabilidade, por afetarem o patrimônio
da entidade:
• Pagamento de salário a funcionários
• Compra de mercadorias para revenda
• Pagamento de imposto de renda
• Venda de mercadorias
• Compra de móveis de escritório etc.
A Contabilidade possui regramento pela Lei n° 6.404/1976 (Lei das S.A.), pelo
Código Civil (Lei n° 10.406/2002), por Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade
(CFC), pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e por outras entidades dependendo
do ramo de atuação ou de sua atividade.
Com pertinência sobre o assunto patrimônio, exercendo sua competência
normativa, o CFC, por meio da RESOLUÇÃO CFC no 774/94, estabelece:

1.2. O Patrimônio, objeto da Contabilidade


O objeto delimita o campo de abrangência de uma ciência, tanto nas ciências
formais quanto nas factuais, das quais fazem parte as ciências sociais. Na
Contabilidade, o objeto é sempre o PATRIMÔNIO de uma Entidade, definido
como um conjunto de bens, direitos e de obrigações para com terceiros,

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pertencente a uma pessoa física, a um conjunto de pessoas, como ocorre nas
sociedades informais, ou a uma sociedade ou instituição de qualquer
natureza, independentemente da sua finalidade, que pode, ou não, incluir o
lucro. O essencial é que o patrimônio disponha de autonomia em relação aos
demais patrimônios existentes, o que significa que a Entidade dele pode
dispor livremente, claro que nos limites estabelecidos pela ordem jurídica e,
sob certo aspecto, da racionalidade econômica e administrativa.
O Patrimônio também é objeto de outras ciências sociais – por exemplo, da
Economia, da Administração e do Direito – que, entretanto, o estudam sob
ângulos diversos daquele da Contabilidade, que o estuda nos seus aspectos
quantitativos e qualitativos. A Contabilidade busca, primordialmente,
apreender, no sentido mais amplo possível, e entender as mutações sofridas
pelo Patrimônio, tendo em mira, muitas vezes, uma visão prospectiva de
possíveis variações. As mutações tanto podem decorrer da ação do homem
quanto, embora quase sempre secundariamente, dos efeitos da natureza
sobre o Patrimônio.
Por aspecto qualitativo do patrimônio entende-se a natureza dos elementos
que o compõem, como dinheiro, valores a receber ou a pagar expressos em
moeda, máquinas, estoques de materiais ou de mercadorias etc.
A delimitação qualitativa desce, em verdade, até o grau de particularização
que permita a perfeita compreensão do componente patrimonial. Assim,
quando falamos em “máquinas”, ainda estamos a empregar um substantivo
coletivo, cuja expressão poderá ser de muita utilidade, em determinadas
análises.
Mas a Contabilidade, quando aplicada a um patrimônio particular, não se
limitará às “máquinas” como categoria, mas se ocupará de cada máquina em
particular, na sua condição do componente patrimonial, de forma que não
possa ser confundida com qualquer outra máquina, mesmo de tipo idêntico.
O atributo quantitativo refere-se à expressão dos componentes
patrimoniais em valores, o que demanda que a Contabilidade assuma posição
sobre o que seja “Valor”, porquanto os conceitos sobre a matéria são
extremamente variados.
Do Patrimônio deriva o conceito de Patrimônio Líquido, mediante a equação
considerada como básica na Contabilidade:
(Bens + Direitos) – (Obrigações) = Patrimônio Líquido
Quando o resultado da equação é negativo, convenciona-se denominá-lo de
“Passivo a Descoberto”.
O Patrimônio Líquido não é uma dívida da Entidade para com seus sócios ou
acionistas, pois estes não emprestam recursos para que ela possa ter vida
própria, mas, sim, os entregam, para que com eles forme o Patrimônio da
Entidade.
O conhecimento que a Contabilidade tem do seu objeto está em constante
desenvolvimento, como, aliás, ocorre nas demais ciências em relação aos
respectivos objetos. Por esta razão, deve-se aceitar como natural o fato da

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existência de possíveis componentes do patrimônio cuja apreensão ou
avaliação se apresenta difícil ou inviável em determinado momento.

Se vocês leram atentamente o dispositivo normativo emanado pelo CFC,


então já não podem mais ter dúvida de que o patrimônio é o conjunto de bens, direitos
e obrigações de uma entidade.
Já falamos muito em “entidade” e acreditamos que nem todos tenham a exata
percepção do seu significado, e antes que alguns fiquem imaginando que estamos
falando de seres espirituais, devemos deixar muito claro que aqui tratamos apenas de
seres materiais, ou seja, a expressão entidade é utilizada para designar uma pessoa,
uma empresa, um ente público que possua um patrimônio a ser controlado e/ou
administrado.
Seguindo na análise do ato normativo do CFC, percebe-se, ainda, que o
patrimônio das entidades é autônomo em relação aos demais patrimônios, isto é, o
patrimônio da entidade não pode ser confundido com o patrimônio de seus sócios ou
acionistas, podendo a entidade dispor dele livremente, em face de possuir personalidade
jurídica própria e distinta da personalidade de seus instituidores.
Dessa forma, não pode o dono de uma empresa misturar a contabilidade do
seu negócio com a sua contabilidade pessoal, pois são duas entidades com patrimônios
independentes entre si.
Em que pese haver outras ciências que têm como seu objeto o patrimônio, à
Contabilidade ele interessa sob o aspecto qualitativo e quantitativo.
Entende-se por aspecto qualitativo a natureza de seus elementos, como
dinheiro em caixa, valores a receber e valores a pagar expressos monetariamente (em
moeda), máquinas, estoques de materiais ou mercadorias, participações societárias etc.
Desta forma, é função da contabilidade acompanhar individualmente cada um
dos elementos patrimoniais para que estes reflitam qualitativamente a sua composição, e
se possa analisá-los adequadamente.
Já o aspecto quantitativo quer dizer a expressão monetária dos
componentes patrimoniais, isto é, os valores em dinheiro. É de salientar que o aspecto
monetário não é exatamente objetivo, pois a valoração depende de empresa para
empresa, isto é, pode um determinado bem ser considerado completamente obsoleto
para determinada empresa e ser de extrema utilidade para outra, quando para esta
ultima terá valor econômico superior ao da primeira.
Para as empresas cuja finalidade é a obtenção de resultado econômico
positivo (lucro) o interesse do aspecto valorativo ou monetário se sobrepõe ao aspecto
qualitativo. Para estas, os bens servem de meio à consecução dos objetivos sociais na
produção de resultados, quer diretamente, quer por meio de investimentos em outras
empresas, quando então produzirão resultados acessórios. Assim, se determinada
empresa vender mercadorias ao preço de custo, ela apenas trocou mercadorias por
dinheiro e houve tão somente uma variação qualitativa no Patrimônio. Porém, se houver
uma venda de mercadorias com lucro ou prejuízo, então a variação terá sido qualitativa e
quantitativa, pois trocou bens de venda por dinheiro ou direitos em valor superior (lucro)
ou inferior (prejuízo) ao valor do bem.

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O controle do patrimônio das entidades representa a função administrativa
da Contabilidade e, para que o controle seja eficaz, deve prever os aspectos qualitativos
e quantitativos nos registros dos fatos contábeis.
Assim, estamos aptos a apresentar uma definição para o patrimônio.

PATRIMÔNIO

É o conjunto de bens, direitos e obrigações vinculadas a uma determinada


entidade, com ou sem fins lucrativos, utilizados na consecução de seus
objetivos.

Um aspecto interessante que pode ser extraído dessa definição de


patrimônio diz respeito às partes que o compõem, ou seja, os bens e direitos de um
lado e as obrigações de outro. Por enquanto, podemos estabelecer que o patrimônio
envolve uma parte “positiva” (representado pelos bens e direitos) e outra “negativa”
(representado pelas obrigações). Denota-se que o patrimônio, aqui para a contabilidade,
possui significado diverso daquele atribuído por outras ciências, abarcando, além dos
bens, também os direitos e as obrigações. Desta forma, caros alunos, tenham cautela
quando emitirem algum comentário sobre a grandeza patrimonial de determinada
pessoa, pois, em que pese ela possuir muitos bens como carros, imóveis, equipamentos
e dinheiro em banco, estes bens podem estar comprometidos por dívidas a serem pagas
a terceiros (obrigações).
Então temos uma parte do patrimônio que representa aquilo que a empresa
possui de valor (bens e direitos) e outra que ela deve a terceiros (obrigações). A
diferença entre esses montantes será, digamos, o valor líquido deste patrimônio, por isso
chamado de patrimônio líquido.
Analisando o patrimônio sob esse prisma (parte positiva e parte negativa),
somos forçados a estabelecer uma equação, qual seja, “bens + direitos” – “obrigações” =
Patrimônio Líquido.
Percebam que apareceu mais uma faceta da contabilidade, o Patrimônio
Líquido (PL). O estudo do patrimônio das entidades empresariais tem no Patrimônio
Líquido o ponto culminante, visto ser objetivo deste tipo societário a obtenção de
resultados positivos, e de estes serem representados pelo PL. Daí resulta que a maioria
das análises de viabilidade da empresa são aplicadas sobre o PL.
O Patrimônio Líquido recebe, ainda, as designações de Situação líquida,
Capital Próprio ou Riqueza Própria, estas duas últimas designações derivadas da
autonomia patrimonial, onde a expressão própria (o) possui a conotação da empresa ou
entidade.
Pela própria definição de patrimônio, que compreende os bens, direitos e
obrigações, podem resultar três situações distintas de Patrimônio Líquido, conforme o
montante [bens + direitos] seja superior, igual ou inferior às obrigações.
Quando a soma dos bens mais direitos for superior à soma das obrigações,
teremos Patrimônio Líquido “positivo” ou situação líquida positiva, e para determinadas
entidades situação líquida superavitária.

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Quando o resultado da equação for nulo, teremos a chamada situação líquida
nula ou a inexistência de capital próprio.
Quando a soma dos bens mais direitos for inferior à soma das obrigações
(resultado da equação negativo), o Patrimônio Líquido será negativo o que configura o
chamado “Passivo a Descoberto”.
Na constituição de uma sociedade ocorre a entrega de recursos por parte de
seus sócios ou acionistas, para a formação do capital social da empresa. Isso quer dizer
que estes recursos passaram a compor o patrimônio da empresa, e não mais dos sócios.
Estes, os sócios ou acionistas, passarão a possuir, respectivamente, cotas de capital ou
ações da empresa.
Percebam que o patrimônio destas empresas deve ser considerado autônomo
em relação ao patrimônio dos seus instituidores, pois com sua criação fizeram surgir uma
nova pessoa – “a Pessoa Jurídica”. Desta forma, como os sócios ou acionistas não
fizeram um empréstimo à sociedade, mas entregaram recursos a esta para que atingisse
os objetivos de sua criação, o Patrimônio Líquido não representa uma dívida da Entidade
para com aqueles instituidores.
Analisando a questão sob o aspecto da formação do Patrimônio Líquido
positivo, chega-se à conclusão de que ele representa o excesso da parte positiva sobre a
parte negativa do patrimônio, logo não poderia representar obrigação, visto que
obrigações representam parte negativa do patrimônio.
Para exemplificar imaginem a seguinte situação:

Exemplo

José e João resolvem formar uma sociedade, a empresa JJ Ltda, com capital social de R$
10.000,00. Cada sócio terá 50% do negócio. José possui um patrimônio total de R$
8.000,00 no banco e um automóvel que vale R$ 6.000,00. João possui R$ 7.000,00 no
banco e um imóvel avaliado por R$ 50.000,00. Como cada um dos sócios tem que
entregar R$ 5.000,00 à empresa para constituí-la, a situação patrimonial das entidades
ficará:

Antes da constituição da Após a constituição da empresa


empresa

José dinheiro no banco R$ 8.000,00 dinheiro no banco R$ 3.000,00


veículo R$ 6.000,00 veículo R$ 6.000,00
cotas de JJ Ltda R$ 5.000,00
João dinheiro no banco R$ 7.000,00 dinheiro no banco R$ 2.000,00
imóvel R$ 50.000,00 imóvel R$ 50.000,00
cotas de JJ Ltda R$ 5.000,00
Empresa ------- dinheiro R$ 10.000,00

Vamos ver uma exemplo de uma variação patrimonial qualitativa: uma


empresa adquire um veículo por R$ 10.000,00. Nesta operação, apenas foram trocados
R$ 10.000,00 em dinheiro por um veículo no valor de R$ 10.000,00. Não houve
alterações na situação líquida. Porém, é importante ressaltar que, tanto as alterações

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patrimoniais qualitativas quanto as quantitativas devem ser registradas pela
Contabilidade.

PATRIMÔNIO

ASPECTO QUALITATIVO COMPONENTES

ASPECTO QUANTITATIVO EXPRESSÃO MONETÁRIA

Conforme enfatizamos no início desta aula, ela está sendo bastante teórica.
Por enquanto seguimos nesta linha, mas não se desesperem que logo, logo partiremos a
parte prática!!!

É bastante improvável que seja cobrado em provas de concursos o conceito


de aspectos qualitativos ou quantitativos. Entretanto, para provas de concursos, o
assunto começa a ter relevância no momento em que nos deparamos com os fatos
contábeis, pois, a partir da análise do aspecto patrimonial, podemos definir se em dado
fato contábil ocorreu uma receita, uma despesa ou ambas, ou, ainda, uma mera permuta
entre elementos patrimoniais, vale dizer, se houve apenas uma variação patrimonial
qualitativa. O assunto fatos contábeis terá o devido destaque noutra aula de nosso
curso.

Para finalizar esta parte conceitual sobre o patrimônio das entidades, veremos
as características dos seus componentes e a evolução da situação patrimonial.

1.1. BENS

Temos o costume de nos referirmos a algo que não sabemos o nome como
uma “coisa”. Assim, podemos dizer que tudo, de certa forma, é uma “coisa”.
Nesta parte inserimos definições sobre bens do livro de Direito Civil da Maria
Helena Diniz.
Digamos que as coisas são o gênero dos quais os bens são espécies.
Os bens são coisas materiais ou imateriais que têm valor econômico para
alguém e que podem servir de objeto de uma relação jurídica. É nesta acepção que os
bens interessam à contabilidade.

CLASSIFICAÇÃO DOS BENS

Um mesmo bem pode enquadrar-se em várias categorias, desde que tenha


múltiplos caracteres.
Ex: a moeda é móvel e conversível; o rio é imóvel, público e fora do
comércio, por mais que suas águas se movam constantemente.
a) Bens em si mesmo considerados
1. Bens corpóreos e incorpóreos
Bens corpóreos – são coisas que têm existência material, como uma casa, um
livro. Possuem corpo próprio.
Bens incorpóreos – são aqueles que não têm existência tangível e como
existência patrimonial representam os direitos que as empresas detêm sobre a

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propriedade intelectual, comercial ou industrial, como o fundo de comércio, as fórmulas
de produtos, a marca da empresa.

2. Bens imóveis e móveis


Bens imóveis – são aqueles que não se podem transportar, sem destruição,
de um lugar para outro. Ex: um edifício.
Bens móveis – os que sem deterioração, na substância ou na forma, podem
ser transportados de um lugar para outro, por força própria ou estranha, como os
semoventes, as mercadorias, os veículos etc.

Os bens imóveis, por sua vez, classificam-se em:


Imóveis por natureza como terrenos ou fazendas.
Imóveis por acessão física artificial, como, por exemplo, os prédios.

Os bens móveis, por sua vez, classificam-se em:


Móveis por natureza – Ex.: semoventes (cobras, lagartos, bois, cavalos etc.).
Móveis por antecipação – a vontade humana mobiliza bens imóveis, em
função da finalidade econômica. P. Ex.: árvores, frutos, pedras e metais, aderentes ao
imóvel, são imóveis; separados para fins humanos, tornam-se móveis. P. ex.: são
móveis por antecipação árvores cortadas e convertidas em lenha.

3. Bens fungíveis e infungíveis (trocáveis ou não trocáveis)


São fungíveis os móveis que podem e infungíveis os que não podem,
substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade.
O bem mais fungível que se conhece é o dinheiro. Um tipo de bem infungível
é uma obra de arte. Apesar da fungibilidade ou infungibilidade decorrer da natureza da
coisa, pode ocorrer dos contratos tornarem infungíveis coisas fungíveis. P. Ex.: quando
se empresta a alguém moeda, cesta de frutas, etc. para serem utilizados numa
exposição ou ornamentação, com a obrigação de serem restituídos, sem que possam ser
substituídos por outros da mesma espécie.
Em regra, a fungibilidade é própria dos bens móveis e a infungibilidade dos
imóveis. Entretanto, há móveis que são infungíveis, como p. ex.: o cavalo de corrida
Faraó.

4. Bens consumíveis e inconsumíveis


Consumíveis – os que terminam logo no primeiro uso, havendo imediata
destruição de sua substância caso em que se tem a consuntibilidade natural. Ex.: a
famosa “camisinha”.
Inconsumíveis – os que podem ser usados continuamente, possibilitando
que se retire todas as suas utilidades sem se atingir a sua integridade. Coisas
inconsumíveis podem se tornar consumíveis se destinadas à alienação. P. Ex.: uma roupa
é inconsumível, porque não se consome com o primeiro uso, mas nas lojas, colocada à
venda, se torna consumível, pois se pretende fazer com que ela desapareça do acervo
em que se integra.
Como se vê, a consuntibilidade não decorre da natureza do bem, mas de sua
destinação econômico-jurídica, sendo que a vontade humana pode influenciar sobre a

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consuntibilidade, pois pode tornar inconsumível coisa consumível, como se dá quando
alguém empresta frutas para uma exibição, devendo estas ser devolvidas, permanecendo
então não consumíveis até a sua devolução, ou ainda, tornar consumível algo que é
inconsumível, como um livro exposto à venda em uma livraria.
Não há que se confundir a fungibilidade com a consuntibilidade, uma vez que
pode haver bem consumível que seja infungível. Ex.: manuscritos de uma obra de um
autor célebre colocados à venda.

5. Bens divisíveis e indivisíveis


Divisíveis – os que puderem ser fracionados em partes homogêneas e
distintas, sem alteração das qualidades essenciais ao todo, e sem desvalorização,
formando um todo perfeito. Ex.: um saco de café.
Indivisíveis – os que se divididos perdem a sua essência. Ex.: um cavalo
vivo;

b) Bens reciprocamente considerados


1. Coisa principal e acessória
Coisa principal – é a que existe por si, exercendo a sua função e finalidade,
independentemente de outra. Ex.: o solo
Coisa acessória – é a que supõe, para existir, uma principal. Ex.: as
benfeitorias.

Resumindo, pode-se dizer que:

As coisas são gênero dos quais bens são espécies. Os bens são coisas
materiais ou imateriais que têm valor econômico e que podem servir de
objeto de uma relação jurídica.

Para a contabilidade, há, ainda, outras classificações como os bens de venda


(mercadorias), bens de renda (para aluguel), bens fixos ou de uso (utilizados na
atividade da empresa).

1.2. DIREITOS
Direitos representam os créditos da empresa para com terceiros. São valores
que a empresa tem a receber de terceiros ou valores de propriedade da entidade que se
encontram em posse de terceiros, decorrentes ou não da atividade principal ou
operacional da entidade.
Os direitos se apresentam, geralmente, sob a forma de títulos e documentos,
tais como duplicatas a receber, cheques pré-datados a sacar, adiantamentos a
empregados, tributos a recuperar (ICMS a Recuperar, IPI a Recuperar, PIS a Recuperar,
Cofins a Recuperar, Imposto de Renda a Restituir etc.), adiantamentos a fornecedores,
empréstimos concedidos, vendas a faturar e notas promissórias a receber.
Dentro da categoria dos direitos, alguns merecem destaque especial em face
de suas particularidades, especialmente os títulos de crédito. São eles:

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Duplicata: um dos pecados mais comuns cometidos pelos estudantes
incipientes na disciplina diz respeito ao estabelecimento da responsabilidade do emitente
de um título de crédito. No que concerne à duplicata, ela é um título de crédito,
exclusivamente comercial, decorrente de operações de venda de mercadorias e/ou
prestação de serviços, vinculado a estas operações. O título é emitido pelo credor
(vendedor ou prestador de serviço). Numa operação deste tipo, o vendedor emite a
fatura comercial, contendo a relação das mercadorias negociadas e servindo como
prova da concretização do negócio. É comum a emissão de um segundo documento
relativo à venda, a duplicata, que possui força de execução (judicial) e é transferível a
terceiros por endosso1. Para que a dívida seja reconhecida pelo devedor, é necessário
que este assine a duplicata. Esta assinatura chama-se aceite. Portanto, as duplicatas
emitidas por uma empresa são direitos (créditos) seus junto aos clientes, enquanto que
as duplicatas aceitas pela empresa representam obrigações (débitos) para com
terceiros. Atentem-se ao fato de que os direitos são créditos da empresa e as obrigações
são débitos da empresa, o que não deve ser confundido com as contas representativas
dos créditos e débitos que possuem, respectivamente, natureza devedora e credora,
conforme veremos na aula relativa às contas.
Nota promissória: é um título de crédito que pode ser emitido por qualquer
pessoa, não possuindo nenhuma vinculação com a causa que gerou o crédito2. Percebe-
se que não se trata de título exclusivo de atividade comercial. O emitente do título é o
devedor, pois se constitui em promessa de pagamento. Também possui força executiva e
é endossável. Não há necessidade de aceite na nota promissória, uma vez que a própria
emissão do título já equivale ao reconhecimento da dívida. Portanto, as notas
promissórias emitidas pela empresa representam obrigações, enquanto as notas
promissórias recebidas pela mesma (aceitas) são créditos junto a terceiros (direitos).
Cheque: os cheques não são títulos de crédito. O cheque é, por definição
legal (lei do cheque), uma ordem de pagamento à vista contra a conta-corrente do
emissor, que deve ser paga pelo banco no momento de sua apresentação. Todavia, é
largamente adotada no comércio a prática de realizar compras e vendas mediante
cheque pré-datado, ou seja, sob o compromisso de somente ser apresentado ao banco
sacado em determinada data posterior. Não existe na legislação pátria previsão legal
para o cheque pré-datado, embora haja julgado pelo STJ no sentido de que o
comerciante deva honrar o compromisso de somente apresentá-lo ao banco sacado na
data aprazada. Sendo assim, os cheques pré-datados recebidos pela empresa, em que
pese serem ordem de pagamento à vista, e caso a empresa considere honrar o contrato
de pré-datado, geram uma promessa de pagamento futuro, ou seja, são direitos da
empresa, devendo ser contabilizados dessa forma. No mesmo sentido, os cheques pré-
datados emitidos pela empresa equivalem a obrigações assumidas com terceiros
quando estes honrarem a disposição de pré-datado.
Em face do exposto acima, e por uma questão de prudência, o
reconhecimento das obrigações decorrentes da emissão de cheques pré-datados somente
deve ser efetuado se a empresa emissora não possuir, na data da emissão do cheque,
fundos suficientes no banco para cobrir o cheque.

1.3. OBRIGAÇÕES

1
O endossante se torna, no endosso, responsável solidário pelo adimplemento da obrigação.
2
Pelo fato de a nota promissória não possuir vinculação com o fato que gerou o seu crédito, ela é muito utilizada
como promessa de pagamento decorrente de atividades ilícitas, como as dívidas de jogo.
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Conforme já vimos, as obrigações representam a parte “negativa” do
patrimônio, pelo menos no que concerne à equação patrimonial. São valores que a
empresa deve pagar a terceiros. São as dívidas ou compromissos de qualquer natureza,
assumidos perante terceiros, ou bens de terceiros que se encontram em posse da
entidade, sobre os quais esta possui uma responsabilidade, quer pela devolução
(empréstimo), quer pela indenização, pelo pagamento ou pela obrigação de entregar um
bem em contrapartida de haver recebido um adiantamento em dinheiro. Exemplos:
contas a pagar, fornecedores, financiamentos bancários, impostos a recolher, impostos a
pagar, adiantamento de clientes, receitas antecipadas para entrega futura de bens etc.
Estas são as obrigações propriamente ditas ou exigíveis (contraídas com terceiros),
independentemente do prazo de vencimento.
As obrigações, considerando-se a autonomia patrimonial e dentro de uma
concepção econômica, recebem a designação de Capital de Terceiros ou Capital
Alheio.

2. COMPONENTES PATRIMONIAIS E A REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO


PATRIMÔNIO
Os componentes patrimoniais Já foram estudados de forma exaustiva nos
tópicos anteriores, e vimos que o patrimônio é o conjunto de bens, direitos e obrigações
de uma entidade. Vimos também que entidade, para fins contábeis, é qualquer ente que
possua um patrimônio a ser controlado, como, por exemplo, um órgão público e as
empresas. No nosso estudo nos concentraremos nas entidades com fins lucrativos, ou
seja, as empresas comerciais, industriais e prestadoras de serviços.
Assim, de posse dos conhecimentos acima, podemos seguir no nosso estudo,
incrementando os conhecimentos aos poucos.
Ao conjunto dos bens e direitos ou créditos de uma entidade, que representa,
em tese, à parte positiva do patrimônio, chamamos de ATIVO. Às obrigações, que
constituem, teoricamente, a parte negativa do patrimônio de uma entidade, chamamos
de PASSIVO EXIGÍVEL ou, simplesmente, de PASSIVO.
Para Lopes de Sá3 o ATIVO representa um fundo de valores integrados por
investimentos ou aplicações do patrimônio ou do capital das empresas.
No balanço patrimonial, o Ativo aparece sempre do lado esquerdo, sendo
subdividido em Ativo Circulante (AC), Ativo Realizável – Longo Prazo (ARLP) e Ativo
Permanente (AP).
Ainda para Lopes de Sá, o PASSIVO é a parte do balanço que representa as
fontes ou proveniências dos valores que se acham espalhados do Ativo. São as origens
dos recursos.
No balanço patrimonial, o passivo estará assim composto: Passivo Circulante
(PC), Passivo Exigível a Longo Prazo (PELP), Resultado de Exercícios Futuros (REF) e
Patrimônio Líquido (PL).
Percebam que o patrimônio líquido aparece no passivo, assim como os
Resultados de Exercícios Futuros. Porém, nem o patrimônio líquido nem o resultado de

3
Antonio Lopes de Sá, Dicionário de Contabilidade, ed. Atlas, 9ª edição.
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exercícios futuros representa obrigações da empresa. Este assunto será devidamente
estudado no momento oportuno.
O Balanço Patrimonial é estruturado de forma padronizada e apresentado,
para publicação, em forma de tabela de duas colunas. Assim, os componentes
patrimoniais são dispostos na demonstração contábil chamada balanço patrimonial, de
forma simplificada, num gráfico em forma de “T”, como segue:

PATRIMÔNIO PATRIMÔNIO

Bens
ou
+ Obrigações ATIVO PASSIVO

Direitos

Ou

PATRIMÔNIO

ATIVO PASSIVO

Ativo Circulante Passivo Circulante

Ativo Realizável Longo Prazo Passivo Exigível Longo Prazo

Ativo Permanente Resultado de Exercícios Futuros

Patrimônio Líquido

Se conseguirmos gravar, por enquanto, que os bens e direitos figuram no


lado esquerdo e que as obrigações e o patrimônio líquido figuram no lado direito do
gráfico, então já temos um avanço considerável.

Conforme se denota do gráfico acima, a Contabilidade atribui um nome a cada


um dos lados do gráfico, em forma de “T”, chamando de ATIVO o conjunto de direitos e
bens que formam o conjunto de elementos positivos da entidade, sempre situados no
lado esquerdo do gráfico. O conjunto de bens e direitos, ou seja, o Ativo, representa as
aplicações dos recursos provenientes de investimentos dos sócios ou acionistas e de
recursos de terceiros representados por dívidas ou resultados.

No lado direito do gráfico são inscritas as obrigações com terceiros (Passivo


Exigível), os resultados de exercícios futuros e o patrimônio líquido. Ao conjunto assim
formado chamamos de PASSIVO, que é representam as origens de recursos aplicados
no ativo. Devemos fazer uma advertência neste momento, pois em muitas situações nos
apresentam o passivo como sendo apenas o passivo exigível.

Por enquanto vamos tecendo alguns comentários sobre a apresentação


gráfica do patrimônio. Neste sentido, percebam que no lado direito aparece, também, o
PATRIMÔNIO LÍQUIDO (PL), que corresponde à diferença entre ATIVO e PASSIVO
EXIGÍVEL. O Patrimônio Líquido é denominado também de investimento próprio, por
alguns autores, ou capital próprio, e até mesmo de situação líquida. O fato de o

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Patrimônio Líquido, em que pese não ser propriamente uma obrigação, figurar no lado
direito é explicado por alguns autores com o argumento de que no lado direito estão as
obrigações com terceiros (é o passivo propriamente dito ou passivo exigível – PE), e
as obrigações da entidade para com os sócios (patrimônio líquido – PL), sendo que
este último não é exigível. Percebam que os resultados de exercícios futuros também não
representam passivo exigível, por mais que figure no passivo.

O Patrimônio Líquido representa o valor investido pelos sócios na empresa,


acrescido dos resultados gerados pela entidade não distribuídos aos acionistas. Não se
trata exatamente de uma obrigação da empresa, pois a mesma não deve o valor
investido pelos sócios a estes a qualquer instante. Então, podemos concebê-lo como um
“passivo não-exigível”. Trata-se do capital próprio da entidade, que corresponde à
diferença entre o ativo e o passivo exigível.

O passivo exigível é também chamado por alguns autores de PASSIVO


REAL.

Quando queremos nos referir a ambos os tipos de obrigações (com os sócios


e com terceiros), podemos utilizar também o termo PASSIVO TOTAL, compreendendo o
PASSIVO EXIGÍVEL e o PATRIMÔNIO LÍQUIDO. O PASSIVO da empresa equivale às
origens de recursos. Assim:

PASSIVO TOTAL = PASSIVO EXIGÍVEL + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Chamamos mais uma vez a atenção aos futuros funcionários públicos para o
fato de o termo PASSIVO ser normalmente utilizado para representar as obrigações com
terceiros (passivo exigível), ou seja, usam-se as expressões PASSIVO e PASSIVO
EXIGÍVEL como sinônimas e nesta situação o patrimônio ficaria assim representado:

PATRIMÔNIO

Bens Passivo Exigível


+ REF
Direitos Patrimônio Líquido

3. EQUAÇÃO PATRIMONIAL
Por equação entendemos uma expressão matemática. A equação patrimonial
é uma expressão do tipo x – y = z, onde x é representado pelo ativo (A), y pelo passivo
exigível (PE) e z pelo patrimônio líquido (PL) . Podemos então escrever esta equação
como sendo:

A – PE = PL

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Desta forma, podemos definir o patrimônio líquido como sendo a diferença
entre o ativo e o passivo exigível e, como já vimos, recebe também as denominações de
situação líquida ou capital próprio ou, ainda, por alguns autores, de investimento
próprio, por representar a parte do patrimônio que efetivamente pertence à entidade,
pois o restante dos bens e direitos estará comprometido por obrigações com terceiros,
chamando-se a estes de bens de terceiros ou capital de terceiros ou capital alheio.
Diante de tudo o que já dissemos, e considerando a equação patrimonial,
temos que os bens, os direitos e as obrigações, aliados ao patrimônio líquido,
considerando o termo “passivo” como o “passivo exigível”, devem satisfazer a equação
apresentada a seguir:
Patrimônio líquido = Bens + Direitos – Obrigações
Ativo – Passivo = Patrimônio Líquido

Devemos deixar muito claro que, quando a equação patrimonial for


apresentada pela forma acima, o passivo (P) utilizado na fórmula representa o passivo
exigível (PE), ou seja, ativo menos passivo é igual ao patrimônio líquido, ou ativo
menos o passivo exigível é igual ao patrimônio líquido.
Partindo do conceito da EQUAÇÃO FUNDAMENTAL DO PATRIMÔNIO (A – P =
PL), verifica-se a possibilidade de o Patrimônio Líquido assumir situações distintas,
dependendo do valor das somas do ATIVO e do PASSIVO EXIGÍVEL.
Analisaremos, a seguir, cada uma das situações possíveis que podem resultar
do confronto entre o ativo e o passivo exigível.

1a) Situação Líquida Positiva, Favorável ou Superavitária – Ocorre esta situação


quando o valor do ativo (bens e direitos) for superior ao valor do passivo exigível
(obrigações com terceiros), ou, em forma matemática, quando A > P; como resultado
dessa situação teremos sempre o patrimônio líquido com valor maior do que zero (PL
> 0). É a situação desejada por todas as empresas.
Exemplo:
Determinada empresa apresenta os seguintes valores para seus bens, direitos
e obrigações:

Bens:
Dinheiro em caixa = R$ 500,00
Mercadorias para Revenda = R$ 3.000,00
Veículos = R$ 4.000,00
Móveis e utensílios = R$ 1.500,00
Imóveis = R$ 6.000,00

Direitos:
Duplicatas a Receber = R$ 1.800,00
Impostos a Recuperar = R$ 1.200,00
Adiantamento a Fornecedores = R$ 2.000,00
Obrigações:
Notas Promissórias emitidas = R$ 1.700,00
Impostos a Pagar = R$ 2.300,00
Salários a Pagar = R$ 1.500,00
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Fornecedores = R$ 2.500
Pede-se apurar o valor do Patrimônio Líquido e representar a situação
resultando no Balanço Patrimonial.

SOLUÇÃO:
Percebam que o valor da soma dos bens resulta em R$ 15.000,00. Dos
direitos em R$ 5.000,00. Das obrigações em R$ 8.000,00.
Como [bens + direitos] representa o ativo, temos que o valor deste é de R$
20.000,00 e o passivo exigível é representado pelas obrigações, ele vale R$ 8.000,00.
Assim, o Patrimônio Líquido terá o valor de R$ 12.000,00 (R$ 20.000,00 – R$
8.000,00).
A representação gráfica da situação patrimonial desta empresa ficará da
seguinte forma:

PATRIMÔNIO (valores em R$)


ATIVO PASSIVO
Caixa 500,00 Impostos a Pagar 2.300,00

Duplicatas a Receber 1.800,00 Salários a Pagar 1.500,00

Impostos a Recuperar 1.200,00 Fornecedores 2.500,00

Adiantamentos a Fornecedores 2.000,00 Promissórias 1.700,00

Mercadorias 3.000,00

Veículos 4.000,00 Patrimônio Líquido 12.000,00

Móveis e Utensílios 1.500,00

Imóveis 6.000,00

Total Ativo 20.000,00 Total Passivo 20.000,00

É fácil perceber que o total do Passivo é composto pelo Passivo exigível +


Patrimônio Líquido. Também podemos perceber que o total do Ativo (lado esquerdo) no
valor de R$ 20.000,00 coincide com o valor do total do Passivo (lado direito). Não são
meras coincidências estas situações, elas são decorrentes ou a confirmação da equação
fundamental do patrimônio (A = P + PL).
Salientamos mais uma vez que o fato de o Patrimônio Líquido estar
representado no lado direito (no lado do passivo) não nos autoriza deduzir que ele
representa uma obrigação, pois ele poderá aparecer do lado do ativo em determinadas
condições. Devemos concluir, isto sim, que ele aparece no lado do passivo (direito) ou do
ativo (esquerdo) por duas razões: uma é para fechar a equação fundamental do
patrimônio; a outra é que a soma das origens de recursos deve ser igual a soma das
aplicações de recursos.
Quando a situação líquida da empresa é positiva, como no caso do exemplo
apresentado, ela possui condições de liquidar todas as suas obrigações para com

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terceiros. Para que isto aconteça é necessário apenas que a empresa promova a venda
de bens ou providencie a cobrança de seus direitos.
Se a empresa do nosso exemplo receber todos os seus direitos e providenciar
a venda de todos os seus bens, mesmo que a preço de custo, ela terá uma sobra de R$
12.000,00, que corresponde exatamente ao valor do Patrimônio Líquido. Essa situação
quer dizer que o passivo encontra cobertura no ativo, ou seja, o ativo é suficiente para
saldar o passivo.
Graficamente, a situação de patrimônio líquido positivo pode ser representada
da seguinte forma:

E a equação é:
P
A A = P + PL

PL A – P = PL

Assim, teremos Situação Líquida positiva sempre que o ativo for maior do que
o passivo exigível. A situação líquida positiva pode ser, em termos relativos, algo maior
que 0% até 100% do ativo. Quando o Patrimônio Líquido for 100% positivo teremos o
que se chama de Situação Líquida Plena ou Propriedade Total dos Ativos. Esta
situação ocorre somente se o passivo for nulo, ou seja, em situação de ausência de
obrigações. Em termos práticos esta situação é mais comum de ocorrer no início das
atividades da empresa e no término de suas atividades, após o pagamento de todas as
dívidas e antes da partilha das sobras entre os sócios.
Ex.: A = 100; P = 0 => PL = 100 – 0 = 100

Ativo Passivo

Obrigações 0
Bens e Direitos 100
Patrimônio Líquido 100

Total 100 Total 100

A representação gráfica neste caso fica assim:

E a equação é:
A PL A = PL

2a) Situação Líquida Negativa, Desfavorável, Deficitária ou Passivo a


Descoberto – Esta situação, nos dias atuais, ocorre com uma razoável quantidade de
empresas, pois representa a condição de o ativo ser menor que o passivo exigível (A
< P), ou seja, quando as obrigações da empresa forem maiores do que a soma dos
bens e direitos. Teremos como conseqüência um patrimônio líquido negativo ou menor
que zero (PL < 0).
Ex.: A = 100; P = 150 => PL = 100 – 150 = -50

Ativo Passivo

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Obrigações 150
Bens e Direitos 100
Patrimônio Líquido (50)

Total 100 Total 100

Reparem que apresentamos o patrimônio líquido, cujo valor é negativo de 50,


entre parêntesis no lado do passivo. Nestas situações, o patrimônio líquido pode aparecer
entre parêntesis ou no lado do ativo. Se ele for colocado junto com o passivo, devemos
colocá-lo entre parênteses, e não com sinal de menos. Esta situação também é
conhecida como capital próprio negativo ou passivo a descoberto.
Lembramos que a situação acima poderia ser representada com o PL no lado
esquerdo, conforme determina o CFC (Conselho Federal de Contabilidade), que, por meio
da Resolução nº 847/99, ao proceder alterações na NBC T 3, enunciou: “3.2.2.13 – No
caso do Patrimônio Líquido ser negativo, será demonstrado após o Ativo, e seu valor final
denominado de Passivo a Descoberto.”.
A representação gráfica ficaria assim:

E a equação é:
A
P A + PL = P

PL A – P = (PL)

A situação é conhecida por passivo a descoberto porque o passivo exigível


não encontra cobertura no ativo, ou seja, se a empresa vender todos os bens e apurar
todos os direitos, mesmo assim, ela não consegue pagar (cobrir) todas as sua
obrigações.
Em termos relativos, a pior situação desfavorável é a Situação de
Inexistência de Ativos, isto é, o passivo está 100% descoberto. Esta situação ocorre
quando a empresa já vendeu todos os bens e apurou todos os direitos, efetuou o
pagamento de algumas obrigações com o resultados dos bens e direitos, mas sobram
dívidas e não há mais bens e direitos que os garantam. Diz-se que nesta situação é
impossível a recuperação da empresa. Ela está falida ou “quebrada”.
Ex.: A = 0; P = 100 => PL = 0 – 100 = -100

Ativo Passivo

Obrigações 100
Bens e Direitos 0
Patrimônio Líquido (100)

Total 0 Total 0

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A representação gráfica neste caso fica assim:

E a equação é:
PL P P = PL

3a) Situação Líquida Nula ou Compensada ou Equilíbrio Aparente ou ausência


de capital próprio – Esta situação ocorre quando a soma dos bens com os direitos
resulta em valor igual ao valor das obrigações, isto é, a soma do ativo é igual a soma
do passivo exigível (A = P). Em decorrência da equação patrimonial, o patrimônio
líquido será nulo (PL = 0).
Ex.: A = 100; P = 100 => PL = 100 – 100 = ZERO

Ativo Passivo

Obrigações 100
Bens e Direitos 100
Patrimônio Líquido 0

Total 100 Total 100

A representação gráfica fica assim:

E a equação é:
A P A=P

4. O RESULTADO (RÉDITO)
Sabemos que à Contabilidade são conferidas diversas funções. Uma dessas
funções da contabilidade é a econômica, ou seja, apurar o resultado que uma entidade
(azienda) obteve em determinado período. Quando falamos em resultado econômico
devemos ter sempre em mente o confronto de receitas e despesas do período
considerado. Quando as receitas forem maiores que as despesas teremos uma situação
superavitária, ou seja, teremos lucro. Nos casos em que as despesas superam as
receitas, o resultado será deficitário, isto, estaremos diante de uma situação de
prejuízo.
Neste momento alguns de vocês devem estar se olhando e dizendo que o
Velter e o Missagia estão malucos, pois estão falando que o resultado é o confronto entre
receitas e despesas, sem se quer ter mencionado o que são receitas e despesas!!! Não se
apavorem!!! Tudo tem a sua hora. Por hora, vamos a alguns conceitos e exemplos de
receitas e despesas e, em momento oportuno, o assunto será aprofundado!!!

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4.1. RECEITAS
A receita corresponde, em geral, às vendas de mercadorias, produtos ou
prestações de serviços. Ela é refletida no balanço patrimonial através da entrada de
dinheiro no Caixa/Bancos (venda à vista) ou entrada em forma de direitos a receber
(venda a prazo) – Duplicatas a Receber.
Percebe-se que as receitas (contas de resultado) não aparecem no balanço
patrimonial. Elas são a ele incorporadas em forma de resultado via patrimônio líquido.
Isso quer dizer que as receitas aumentam o patrimônio líquido da empresa, enquanto
que as despesas o reduzem. Na realidade, o resultado obtido é que será incorporado ao
patrimônio líquido. Caso este seja positivo (lucro), haverá um incremento do PL. Em caso
de prejuízo (resultado negativo), o PL será reduzido. O resultado final do exercício será
obtido por meio da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), a ser estudada em
momento oportuno.
Podemos, assim, definir receitas como sendo as variações patrimoniais que
provocam aumento da situação líquida. Neste contexto, podemos ter receita sempre
que houver aumento do ativo sem que haja, também, aumento do correspondente
passivo. O desaparecimento total ou parcial de um passivo sem que haja a
correspondente diminuição do ativo também representará uma receita, conforme reza
um dos Princípios Fundamentais da Contabilidade, o Princípio da Competência dos
exercícios.
Exemplo1: A empresa vende mercadorias à vista para um cliente. Com isso,
haverá uma entrada de dinheiro no caixa da empresa, que corresponde a um bem
(dinheiro). Há, então, um aumento no ativo que teve como origem uma receita gerada
pela venda de um produto ou mercadoria. É o que chamamos de receita de vendas.
Exemplo 2: A empresa recebe o perdão de uma dívida para com um
fornecedor. Neste caso, haverá uma redução do passivo exigível (obrigações com
terceiros), oriunda do perdão da dívida. Também é considerada uma receita, pois a
empresa ficou mais rica, isto é, aumentou a sua situação líquida.

4.2. DESPESAS
Despesa é todo o sacrifício ou todo esforço da pessoa jurídica para obter uma
receita (o consumo de bens e serviços com o objetivo de obter receitas é um sacrifício,
um esforço para a empresa). Ela é refletida no balanço através de uma redução do
Caixa/Bancos (quando é paga a vista) ou mediante um aumento de uma dívida (passivo,
quando a despesa é incorrida, mas não paga). A despesa pode, ainda, originar-se de
outras reduções de ativo, além do Caixa, como é o caso do desgaste de máquinas e
equipamentos de uso, através dos encargos de depreciação, entre outras.
Para a legislação do Imposto de Renda, as despesas não computadas nos
custos, ou seja, não diretamente relacionadas à produção (ex: gastos com papel para
máquina copiadora do setor de pessoal) e que sejam necessárias à atividade da
empresa, bem como à manutenção da respectiva fonte produtora, devem ser
classificadas como despesas operacionais.Para esses fins, devemos entender como
necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou
operações exigidas pela atividade da empresa.
Assim, despesas são gastos incorridos para a obtenção de receitas. Podem
diminuir o Ativo ou aumentar o passivo exigível, mas sempre reduzem a situação
líquida ou o patrimônio líquido.

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Exemplo1: A empresa paga salários a seus funcionários em dinheiro. Com
isso, houve uma redução no ativo correspondente à saída de dinheiro do caixa,
decorrente dos salários do mês. É o que chamamos de despesas de salários.
Concluímos, portanto, que as receitas e as despesas alteram o patrimônio
líquido. Porém, elas não são apresentadas expressamente no balanço patrimonial. Elas
são a ele incorporadas por meio do patrimônio líquido, após a apuração do resultado do
exercício.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
20. Dentre as situações patrimoniais abaixo, marque a que representa o pior
estado patrimonial.
a) Ativo = 820,00
Passivo = 790,00.
b) Bens = 380,00
Direitos = 120,00
Obrigações = 520,00.
c) Ativo = 80,00.
PL = 0,00
d) Passivo = 1.200,00.
PL = 10,00
e) Passivo = 30,00.
Ativo = 50,00

21. Assinale a opção correta.


a) As receitas deduzidas das despesas produzem o que chamamos de resultado. Este
será incorporado ao balanço patrimonial, via lucros ou prejuízos acumulados. Assim,
as receitas decorrentes do desaparecimento de um ativo sem o correspondente
passivo vão aumentar o PL.
b) Nas associações sem fins lucrativos, não há necessidade de se contabilizarem receitas
e despesas.
c) Podemos, de uma forma matemática e em determinada situação, expressar a
equação patrimonial como sendo: bens + direitos – obrigações – capital social +
despesas – receitas = 0.
d) As receitas pertencem ao ativo e as despesas pertencem ao passivo.
e) As contas de receita são da mesma natureza que as contas de ativo, pois ambas
aumentam o PL.

22. Sabemos que uma empresa tem passivo a descoberto quando o seu
patrimônio é representado pela seguinte equação:
a) ativo = passivo;
b) ativo = passivo – situação líquida;
c) ativo = passivo + situação líquida;
d) ativo = passivo + capital próprio;
e) ativo = passivo – capital de terceiros.

23. A situação patrimonial em que os recursos aplicados no ativo são


originários, parte de riqueza própria e parte de capital de terceiros, é
representada pela equação:
a) A = PL, portanto P = zero;
b) A = P, portanto PL = zero;
c) A > P, portanto PL > zero;
d) A < P, portanto PL < zero;
e) P = (-) PL, portanto A = zero.
Importante: PL = patrimônio líquido;
A = ativo;

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P = passivo exigível (não inclui o PL)

24. (TFC/1996–ESAF) Entre as situações patrimoniais abaixo relacionadas,


marque a opção que indica maior percentual de riqueza própria:
a) P=SL e SL<A;
b) A>SL e SL>P; Legenda:
c) A=SL e SL>P; A = ativo
d) SL<P e P<A; P = passivo exigível
e) A=P e P>SL; SL = situação líquida

25. (ESAF/TFC–SFC/97) Indique a equação patrimonial que configure passivo


a descoberto.
a) A = PE.
b) PE = A + SL. Legenda:
c) A = PE + SL. A = ativo
d) SL = A – PE. PE= passivo exigível
e) PE = A – SL. SL= situação líquida

26. Quando A < P, sendo A o ativo e P o passivo exigível, teremos:


a) inexistência de dívida;
b) inexistência de ativo;
c) passivo a descoberto;
d) passivo menor que bens e direitos;
e) situação superavitária.

27. Numa situação patrimonial, o ATIVO, em nenhuma hipótese, poderá ser:


a) maior do que o passivo exigível;
b) menor do que o passivo exigível;
c) maior do que a situação líquida;
d) menor do que a situação líquida;
e) maior do que o capital dos proprietários.

28. O patrimônio líquido de uma empresa não pode ser:


a) maior do que o ativo;
b) menor do que o passivo exigível;
c) menor do que o ativo;
d) maior do que o passivo exigível;
e) igual ao Passivo exigível.

29. Assinale a opção incorreta.


a) O patrimônio líquido equivale aos bens e direitos da empresa.
b) O patrimônio é composto pelo conjunto de bens, direitos e obrigações.
c) Chama-se de ativo o conjunto de bens e direitos e de passivo exigível ao conjunto
das obrigações com terceiros.
d) Azienda tem correlação com fazenda, uma vez que ambos consideram um patrimônio
sob ação (gestão) do homem.
e) Apurar resultado é função econômica da Contabilidade e, nas sociedades comerciais,
o objetivo é um rédito positivo.

30. Abaixo são dadas diversas situações patrimoniais. Assinale a que indica a
pior situação econômica da empresa.
a) Situação líquida igual a zero.
b) Situação líquida igual ao ativo.
c) Situação líquida igual ao passivo exigível.
d) Situação líquida positiva, mas menor que o passivo exigível.
e) Passivo exigível maior do que o ativo.

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31. Assinale a alternativa que indica situação patrimonial inconcebível.
a) Situação líquida igual ao ativo.
b) Situação líquida maior do que o ativo.
c) Situação líquida menor do que o ativo.
d) Situação líquida maior do que o passivo exigível.
e) Situação líquida menor do que o passivo exigível.

32. Não são considerados bens sob o ponto de vista econômico:


a) semoventes; d) águas do mar;
b) frutos pendentes; e) uma marca de empresa.
c) animais no pasto;

33. Na maioria das empresas comerciais, o ativo suplanta o passivo


(obrigações). Assim, a representação mais comum do patrimônio de uma
empresa comercial assume a forma:
a) passivo + ativo = patrimônio líquido;
b) ativo + patrimônio líquido = passivo;
c) ativo = passivo + patrimônio líquido;
d) ativo permanente + ativo circulante = passivo;
e) ativo + situação líquida = passivo.

34. Diz-se que a situação líquida é negativa quando o ativo total é:


a) maior que o passivo total;
b) maior que o passivo exigível;
c) igual à soma do passivo circulante com o passivo exigível a longo prazo;
d) igual ao passivo exigível;
e) menor que o passivo exigível.

35. Assinale a alternativa correta.


a) Patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações.
b) Os bens se dividem em tangíveis e intangíveis.
c) As alternativas A e B estão corretas.
d) Patrimônio é um conjunto de bens.
e)Os direitos podem ser corpóreos e incorpóreos.

35. Assinale a única alternativa correta.


a) Direitos representam valores a receber, por vendas a prazo.
b) Obrigações representam dívidas ou compromissos perante terceiros.
c) Resultado é a diferença entre o valor das receitas e o valor das despesas.
d) A pessoa física ou natural é o ser humano (o homem ou a mulher), enquanto pessoa
jurídica é o ser de existência abstrata que nasce da reunião de duas ou mais pessoas
físicas ou jurídicas.
e) Todas as alternativas estão corretas.

37. Marque a opção incorreta.


a) A ocorrência de despesas acarreta, em tese, redução de PL.
b) A ocorrência de receita acarreta, em tese, aumento de PL.
c) Situação líquida é expressão equivalente a patrimônio líquido.
d) O patrimônio é o conjunto de bens, direitos e obrigações.
e) Todas estão incorretas.

38. Haverá passivo a descoberto, se o passivo exigível for:


a) menor do que o patrimônio líquido;
b) maior do que o patrimônio líquido;
c) menor do que o ativo;
d) maior do que o ativo;
e) maior do que o ativo circulante.

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39. Se o passivo exigível de uma empresa é de R$ 19.650,00 e o patrimônio


líquido de R$ 9.850,00, o valor do seu capital próprio será de:
a) R$ 29.500,00; d) R$ 9.850,00;
b) ZERO; e) R$ 19.650,00.
c) R$ 9.800,00;

40. Um examinador, ao preparar uma questão para prova, não se deu conta de
que colocara alternativas que, embora diferentemente redigidas, tinham a
mesma significação conceitual. A questão estava assim formulada:
Surge o passivo a descoberto quando:
1) o valor do ativo excede o valor do passivo;
2) o valor do passivo é menor que o valor do ativo;
3) o valor do ativo é menor que o valor do passivo;
4) os bens e direitos superam as obrigações;
5) a situação líquida tem valor negativo.
As alternativas com significação idêntica, são as de no:
a) 1/2/4 e 3/5;
b) 1/3 e 2/5;
c) 1/2/3 e 4/5;
d) 1/2 e 4/5;
e) 1/3/5 e 2/4.

41. (ESAF/FISCAL–FORTALEZA/98) Na representação gráfica do estado


patrimonial de uma entidade, coloca-se normalmente o ativo no lado
esquerdo e o passivo exigível e o patrimônio líquido no lado direito. Às
vezes, entretanto, o patrimônio líquido aparece do lado esquerdo. Isso
ocorre quando:
a) não há passivo exigível;
b) o passivo exigível é maior do que o patrimônio líquido;
c) o ativo é maior do que o patrimônio líquido;
d) o passivo exigível é maior do que o ativo;
e) o ativo é maior do que o passivo exigível.

42. Assinale a opção incorreta.


a) A ocorrência de um desfalque de caixa é um evento que afeta o patrimônio,
diminuindo o ativo e, conseqüentemente, a situação líquida, pois não altera o
passivo.
b) O resultado da empresa equivale ao total das receitas menos o total das despesas.
c) A situação em que as obrigações suplantam os bens e direitos é conhecida por
passivo a descoberto.
d) Os capitais próprios, no balanço patrimonial, são classificados dentro do passivo total,
no grupo do PL.
e) O patrimônio líquido contempla apenas os lucros acumulados da empresa.

43. (Agente–ICMS–PI/2001) Identifique a situação em que se caracteriza a


existência de passivo a descoberto (sendo A = ativo, PE = passivo exigível e
PL = patrimônio líquido).
a) A – PE = PL. d) A = PE + PL.
b) A + PL = PE. e) A = PE.
c) A – PL = PE.

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44. No momento da constituição de uma empresa, seus sócios entregaram o
valor de $100.000,00 a esta, logo utilizados para adquirir mercadorias e um
imóvel para a sede, nos valores de $10.000,00 e $30.000,00,
respectivamente. Além disso, a empresa comprou um veículo de
$20.000,00, totalmente financiado. Sendo assim, monte a equação
patrimonial e assinale a opção incorreta.
a) O ativo total vale $160.000,00.
b) O capital alheio vale $20.000,00.
c) O capital próprio vale $100.000,00.
d) O capital nominal vale $100.000,00.
e) A situação líquida neste momento é positiva.

45. Assinale a opção incorreta:


a) A Contabilidade não é aplicada no serviço público.
b) Rédito é o resultado da atividade econômica.
c) A maioria dos aspectos da Lei das S.A. relativos à Contabilidade aplica-se tanto às
sociedades por ações quanto às em companhias limitadas.
d) Período administrativo é, em regra, o período de um ano.
e) As sociedades comerciais distinguem-se das associações porque aquelas buscam um
rédito econômico.

46. Dentre os itens abaixo, assinale aquele que não representa uma assertiva
verdadeira.
a) A Contabilidade é uma ciência que possui princípios próprios, cujo fundamento reside
na valoração econômica dos bens.
b) Durante o exercício social, a empresa realiza suas atividades. Ao final de cada
exercício, deve elaborar demonstrações que evidenciam a sua situação patrimonial e
financeira.
c) Ao final do exercício social, a empresa deverá obrigatoriamente elaborar o seu
demonstrativo de fluxo de caixa.
d) O passivo exigível da sociedade equivale ao capital de terceiros.
e) O capital próprio poderá ser superior, inferior ou até igual ao capital alheio.

47. Quando o ativo é menor que o passivo exigível, dizemos que:


a) o capital próprio é positivo;
b) os bens e direitos da empresa são suficientes para cobrir as dívidas com terceiros;
c) a empresa possui lucros acumulados;
d) os direitos da empresa são maiores que as obrigações;
e) a situação líquida é deficitária, ou seja, passivo a descoberto.

5. ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS


Já vimos que na representação gráfica do patrimônio o lado direito contém os
recursos originados dos sócios ou da própria empresa, ou seja, o PATRIMÔNIO LÍQUIDO,
bem como os recursos oriundos de terceiros, que equivalem ao PASSIVO EXIGÍVEL, além
dos resultados de exercícios futuros. Estes elementos correspondem às ORIGENS DE
RECURSOS da empresa (capital próprio e capital alheio).
Os recursos vindos do capital próprio ou do capital de terceiros são destinados
pela empresa na aquisição de bens e direitos, que representam as aplicações daqueles
recursos. Por isso, diz-se que os recursos destinados à aquisição de bens e direitos,
enfim o ativo da empresa, correspondem às APLICAÇÕES DE RECURSOS da empresa.
Assim, de forma estática, de acordo com a equação do patrimônio, o total das origens
será sempre igual ao total das aplicações. Esquematicamente:

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PASSIVO EXIGÍVEL + REF Capital de terceiros


ORIGENS DE RECURSOS
PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital próprio

APLICAÇÕES DE
ATIVO
RECURSOS

ORIGENS = APLICAÇÕES

OU

A = PE+ REF + PL

Exemplo: Uma empresa possui capital alheio no valor de $6.000,00. Sabendo


que este corresponde a 40% do total de recursos à disposição da empresa, calcule o
valor dos recursos aplicados e o patrimônio líquido.
Resolução:
O capital alheio ou de terceiros equivale ao passivo (P). Já o total de recursos
à disposição da empresa é o capital de terceiros (P) somado ao capital próprio (PL) que,
pela equação fundamental do patrimônio (A = P + PL), considerando nulos os resultados
de exercícios futuros, é igual ao ativo (A), que equivale ao total de recursos aplicados.
Assim:
P = $ 6.000; P = 40% x A
6.000 = 40% x A
A = 6.000 / 0,4 = $15.000
Como A = 15.000, então: A = P + PL
15.000 = 6.000 + PL
PL = 15.000 – 6.000 = 9.000
R: PL = $9.000,00 e A = $15.000,00

6. DEFINIÇÕES IMPORTANTES

6.1. ATIVO REAL


Ativo, como já afirmamos em outro momento, representa a parte positiva do
patrimônio, por ser constituído do conjunto de bens e direitos de uma entidade. Ocorre
que nem todos os bens e direitos terão conversão em dinheiro. Veremos que dentro do
ativo há um subgrupo chamado ativo diferido, que contempla gastos pré-operacionais,
gastos com reorganização da sociedade e outros que dificilmente serão convertidos em
dinheiro.

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É justamente neste contexto que surge o conceito de ativo real, que
representa o conjunto de bens e direitos suscetíveis de venda ou de realização (em
dinheiro), embora não possuam essa finalidade, ou, ainda, o conjunto de bens e direitos
transformáveis na forma mais líquida ou que já constituem esta própria forma. Assim,
não fazem parte do ativo real aquelas compensações ainda não efetivamente realizáveis,
tais como despesas do exercício seguinte ou despesas diferidas.

6.2. ATIVO FIXO


A expressão “fixo” nos dá a conotação de algo permanente ou imobilizado
pela empresa. Desta forma, o ativo fixo equivale à parte do ativo que está representada
pelos bens de uso, ou seja, bens que a empresa utiliza na sua atividade (ex: máquinas,
veículos, móveis), vale dizer, é o ativo imobilizado. Com relação à liquidez desses bens e
direitos podemos dizer que, geralmente, ela é muito baixa, visto que as empresas
possuem suas especificidades, e dentro deste contexto os bens do imobilizado de uma
empresa podem não interessar à maioria das demais empresas, interessando apenas às
empresas que possuem o mesmo ramo de atividade.
Ressalte-se que os bens e direitos do ativo permanente, em especial os do
imobilizado, não possuem a característica de realização, isto é, não é intenção da
empresa a sua alienação, embora sejam passiveis de alienação.
Integram o ativo fixo as contas representativas de bens móveis e imóveis,
tangíveis e intangíveis, como máquinas e equipamentos, prédios, marcas e patentes,
entre outros.
Com relação ao volume do ativo fixo, geralmente, as empresas industriais
possuem um valor mais elevado do que estabelecimentos comerciais, o que leva a
concluir que, em termos relativos, essas empresas têm um percentual maior de seu
capital aplicado no ativo permanente, como também é chamado.
O ativo fixo recebe, ainda, a designação de ativo de raiz ou bens de raiz,
devido a sua fixação na empresa.

6.3. CRÉDITOS E DÉBITOS DA EMPRESA


Em termos econômicos, créditos representam direitos da entidade para com
terceiros, ou seja, representam bens da entidade que se encontram na posse de terceiras
pessoas, quer por financiamento, originando os créditos de financiamento, quer por
atividades inerentes ao funcionamento da entidade, ocasionando os créditos de
funcionamento.
Assim, se a empresa vende mercadorias a prazo para um cliente estará
obtendo um crédito de funcionamento junto ao mesmo, ao passo que se a empresa
empresta dinheiro a terceiros, estará obtendo um crédito de financiamento para com
estes.
Débitos representam dívidas ou as obrigações da empresa para com terceiros,
quer pela contratação de empréstimos financeiros, quando os denominamos de débitos
de financiamento, quer por débitos decorrentes das atividades normais da empresa, os
operacionais, quando são chamados de débitos de funcionamento.
Analogamente, se a empresa compra mercadorias a prazo de um fornecedor,
estará contraindo um débito de funcionamento junto ao mesmo, ao passo que se a

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empresa pega dinheiro emprestado no banco, estará contraindo um débito de
financiamento junto à instituição financeira.

6.3.1. CRÉDITOS DE FINANCIAMENTO


As empresas, em geral, possuem como objeto social a comercialização de
mercadorias, produtos ou a prestação de serviços. Entretanto, podem, em determinadas
condições, efetuar empréstimos, o que gera um crédito para a mesma. A esses créditos
chamamos de créditos de financiamento, por serem derivados de financiamentos ou
empréstimos, fugindo do objeto social.
Assim, podemos definir que os créditos de financiamento são os direitos da
empresa derivados de operações de empréstimos.
Os créditos de financiamento são oriundos de operações anormais, por isso
são normalmente classificados no ativo realizável a longo prazo, assunto a ser discutido
mais adiante.
Ressalte-se que nas empresas operadoras no mercado financeiro, como
instituições financeiras, nas quais essas operações são normais, esses créditos serão
chamados de créditos de funcionamento, pois serão decorrentes de suas atividades
operacionais.

6.3.2. CRÉDITOS DE FUNCIONAMENTO


Por créditos de funcionamento entendemos aqueles créditos decorrentes das
operações normais das entidades comerciais, atreladas ao seu objeto social, como, por
exemplo, as vendas a prazo ou adiantamento a fornecedores. Geralmente são
encontrados no ativo circulante, sendo assim de curto prazo. Entretanto, podem aparecer
no ativo realizável a longo prazo, pois as empresas podem efetuar vendas ou prestar
serviços para recebimento após o final do exercício social seguinte.
Assim, para classificar corretamente os créditos em resultantes do
funcionamento ou resultantes de financiamentos devemos nos atentar ao objeto social da
empresa.

6.3.3. DÉBITOS DE FINANCIAMENTO


Os recursos vindos dos sócios ou acionistas e os recursos gerados pela
atividade operacional, na forma de lucro, podem ser, muitas vezes, insuficientes para
fazer face às obrigações assumidas, ou mesmo para a implementação de projetos e
programas de expansão. Quando isto ocorre, a empresa possui algumas alternativas,
como aumentar o capital social com a arrecadação de novos recursos vindos dos sócios,
ou simplesmente buscar esses recursos nas instituições financeiras. Caso a empresa opte
pela última alternativa, estaremos diante dos chamados débitos de financiamento.
Assim, podemos dizer que os débitos de financiamento representam o passivo
exigível das empresas advindo da contratação de empréstimos financeiros e que são
decorrentes de situações anormais às atividades da entidade.

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Em termos práticos, as situações que normalmente ensejam dívidas dessa
natureza são a assunção de hipotecas, os empréstimos bancários, o desconto de títulos
(promissórias) etc.

6.3.4. DÉBITOS DE FUNCIONAMENTO


Representam os débitos decorrentes das operações normais da empresa. São
as dívidas decorrentes da aquisição de mercadorias a prazo, de impostos incidentes
sobre vendas, de salários a pagar, de contribuições a pagar ou a recolher e de outras
obrigações normais da empresa.
Assim, os débitos de funcionamento são as dívidas da entidade decorrentes
de operações normais de sua gestão, visto que representam operações de troca, e não o
ingresso de novos valores financeiros vindos de terceiros.
Os débitos de funcionamento representam as aquisições a prazo de
mercadorias, tributos, salários e outros bens que são necessários ao funcionamento
normal da entidade e, geralmente, são classificados no passivo circulante, dadas as suas
características. Porém, podem aparecer no passivo exigível a longo prazo.

6.4. PASSIVO REAL


O passivo, como já sabemos, representa o lado direito do gráfico patrimonial
e é composto pelas contas do passivo circulante, do passivo exigível a longo prazo, dos
resultados de exercícios futuros e das contas representativas do patrimônio líquido.
Denota-se que o passivo é composto por capitais de terceiros (as obrigações)
e por capitais próprios.
Neste contexto é que se insere o conceito de passivo real que representa o
passivo exigível, ou seja, o passivo circulante e o passivo exigível a longo prazo.

PASSIVO REAL = PASSIVO EXIGÍVEL

6.5. PATRIMÔNIO BRUTO


Patrimônio bruto, na linguagem contábil, representa o conceito de patrimônio
para outras ciências, ou seja, patrimônio bruto representa o conjunto de bens e direitos
de uma entidade, o que equivale ao ativo total. Como o ativo total é igual ao passivo
total, pode-se dizer que o passivo total é, também, igual ao patrimônio bruto.

PATRIMÔNIO BRUTO = ATIVO TOTAL

6.6. EMPRESA
Fran Martins, estudioso do direito comercial, define empresa como sendo um
organismo econômico, isto é, assenta-se em uma organização fundada em princípios
técnicos e leis econômicas. Objetivamente considerada, apresenta-se como uma
combinação de elementos pessoais e reais, colocados em função de um resultado
econômico, e realizada em vista de um intento especulativo de uma pessoa, que se
chama empresário. Como criação de atividade organizativa do empresário e como fruto
de sua idéia, a empresa é necessariamente oferecida à sua pessoa, dele recebendo os
impulsos para o seu eficiente funcionamento.
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De modo sintético, podemos dizer que empresa representa a atividade
econômica organizada, cujo empresário é o organizador e gestor.
Portanto, sua maior diferença em relação à azienda é que a empresa
preocupa-se com a atividade econômica, enquanto a azienda preocupa-se em gerir um
patrimônio que nem sempre representa uma atividade econômica. A propósito, azienda é
denominação mais abrangente, compreendendo as instituições, mesmo as sem fins
lucrativos, e as empresas, conforme visto antes.
Pode-se dizer, ainda, que azienda é gênero da qual empresa é espécie.

6.6.1. EMPRESÁRIO
Empresário é uma designação moderna do que se chamava outrora de
comerciante. O atual Código Civil (Lei no 10.406/2002) traz o conceito de empresário no
art. 966. No artigo 967 traz a obrigação de sua inscrição na junta comercial. Vejamos os
dois artigos deste diploma legal que vieram inovar o nosso ordenamento jurídico:
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente
atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens
ou serviços.
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão
intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o
concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da
profissão constituir elemento de empresa.
Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de
Empresas Mercantis (Junta Comercial) da respectiva sede, antes do
início de sua atividade.

6.6.2. FIRMA INDIVIDUAL


O conceito de firma refere-se ao nome empresarial. Assim, se uma pessoa
física quiser exercer a atividade de empresário isoladamente, constitui o que se chama
de firma individual, por meio do Registro da Declaração de Constituição da empresa na
Junta Comercial. Assim, por exemplo, José Manoel Torres resolve abrir um frigorífico na
cidade de Vitória (ES). Para tanto, deverá registrar uma Declaração na Junta Comercial.
O nome escolhido é José Manoel Torres Frigoríficos. Assim, o empresário José Manoel
atua sob a firma (individual) José Manoel Torres Frigoríficos.

6.6.3. SOCIEDADE
Sociedade nos lembra a associação de duas ou mais pessoas físicas ou
jurídicas para a consecução de um objetivo comum. Sociedade vem a ser a junção de
duas ou mais pessoas, com intuito de continuidade, para a execução de um objeto social.
O assunto está disciplinado pelo Novo Código Civil da seguinte forma:
Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que
reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o
exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados.
Este mesmo diploma legal define dois tipos de sociedade:

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a) sociedades empresariais: aquelas que têm por objeto o exercício próprio
da atividade de empresário sujeito a registro. Devem ser registradas no
Registro Público das Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais;
b) sociedades simples: as demais. Devem ser registradas no Cartório de
Registro Civil das Pessoas Jurídicas. As sociedades simples, antes
designadas sociedades civis, reúnem pessoas que exercem profissão
intelectual, de natureza científica, literária ou artística (art. 966, parágrafo
único da Lei no 10.406/2002 – Código Civil). Nesta situação, estariam
todas as sociedades de profissões regulamentadas, como as sociedades de
advogados, médicos, dentistas, agrônomos, contabilistas, economistas, as
sociedades educacionais sem fins lucrativos, os partidos políticos, as
cooperativas etc.

6.6.3.1. SOCIEDADE POR AÇÕES


As sociedades se dividem em sociedades de pessoas e em sociedades de
capital.
Nas sociedades de pessoas o importante são as pessoas, que se sobrepõem
ao capital, isto é, se um dos sócios quiser se retirar da sociedade ela poderá se extinguir
ou este sócio retirante será obrigado a oferecer suas quotas aos demais sócios.
Sociedades de capital são aquelas onde a identificação das pessoas não é
relevante, pois o que interessa é o capital com que as pessoas possam contribuir para a
sociedade.
A sociedade por ações é uma típica sociedade de capital, conhecida por
sociedade anônima ou S.A., regida por um estatuto social, cujo capital é dividido em
ações (títulos representativos de cotas-parte do capital) e a responsabilidade dos
acionistas (proprietários das ações) é limitada à integralização de sua parte ao preço de
emissão das ações subscritas ou adquiridas. Pode ter seus títulos negociados no mercado
de valores mobiliários (companhia aberta) ou não (companhia fechada). As sociedades
por ações são sempre consideradas sociedades empresariais, dentro do novo conceito do
Código Civil, e são regidas pela Lei nº 6.404/76. Vejamos o que diz o Código Civil sobre
outros aspectos da referida forma societária:
Art. 1.088. Na sociedade anônima ou companhia, o capital divide-se em
ações, obrigando-se cada sócio ou acionista somente pelo preço de
emissão das ações que subscrever ou adquirir.
Art. 1.089. A sociedade anônima rege-se por lei especial, aplicando-se-
lhe, nos casos omissos, as disposições deste Código.

6.6.3.2. SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA


A sociedade por quotas de responsabilidade limitada se caracteriza,
essencialmente, por ser uma sociedade de pessoas, apesar de haver casos em que possa
ser caracterizada como sociedade de capital.
Assim, a sociedade por cotas de responsabilidade limitada é a empresa,
regida por um contrato social, cujo capital é dividido em partes iguais (cotas), onde os
sócios (cotistas) possuem responsabilidade limitada ao capital social, vale dizer, os sócios

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devem integralizar o capital social. Em caso de falência, os sócios respondem
solidariamente pela parcela do capital não-realizado (capital a integralizar) dentro de 5
anos de sua constituição. Vejam o que diz o Novo Código Civil (Lei no 10.406/2002) a
respeito:
Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo,
pelas normas da sociedade simples.
Parágrafo único. O contrato social poderá prever a regência supletiva da
sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima.
...
Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais,
cabendo uma ou diversas a cada sócio.

§ 1o Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social


respondem solidariamente todos os sócios, até o prazo de cinco anos da
data do registro da sociedade.

§ 2o É vedada contribuição que consista em prestação de serviços.

6.6.4. LEI DAS S.A.

É a Lei no 6.404/76 e suas alterações posteriores, que regula a


atividade das sociedades por ações. Porém, muitos de seus dispositivos (aqueles
relativos a procedimentos contábeis e outros não-específicos sobre as ações) são
aplicáveis a todo tipo de sociedade, inclusive às sociedades por cotas de responsabilidade
limitada.
O seu domínio é fundamental para o aprendizado da Contabilidade,
particularmente o Capítulo XV (Exercício Social e Demonstrações Financeiras), que se
encontra inserido nos tópicos correspondentes deste material, representados pelos
artigos 1° ao 10º, e pelo 166º ao 205º.

6.7. CAPITAL PRÓPRIO


O princípio contábil da Entidade afirma a autonomia patrimonial, distinguindo
o patrimônio da empresa do patrimônio de seus sócios ou acionistas.
Como o patrimônio da empresa é autônomo em relação aos demais
patrimônios existentes no universo, o excesso de bens e direitos sobre as obrigações
consiste no patrimônio líquido, o que equivale ao capital que efetivamente pertence à
Entidade.
Desta forma, podemos dizer que capital próprio corresponde ao total do
patrimônio líquido (PL). São os recursos originários dos sócios e os rendimentos
auferidos na atividade empresarial. É o que se chama também de capital efetivo,
compreendendo o capital nominal mais as reservas acumuladas.
Por mais que figura dentro do passivo, o capital próprio somente constitui
uma obrigação exigível da empresa em caso de extinção da mesma ou retirada de sócio.

CAPITAL PRÓPRIO = PATRIMÔNIO LÍQUIDO

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6.8. CAPITAL SOCIAL OU CAPITAL NOMINAL
De forma resumida, podemos afirmar que o capital representa o investimento
realizado pelos sócios junto à empresa, caracterizado pelo aporte de dinheiro ou outros
bens, com o objetivo de receber uma parcela dos lucros obtidos por ela.
Trata-se do valor registrado em nome da sociedade no órgão competente. Se
for uma sociedade empresária, o registro será na Junta Comercial do Estado; se for uma
sociedade simples, será no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Pode ainda ser
chamado de capital registrado ou capital declarado. O capital nominal somente
poderá ser alterado nos casos previstos na Lei das S.A. (art.166).

6.9. CAPITAL SUBSCRITO


Subscrição significa compromisso. Assim, o capital subscrito corresponde ao
valor pelo qual os sócios comprometem-se, perante a empresa, no momento da
assinatura do contrato social (Ltda.) ou na subscrição das ações (S.A.). Com isso, os
sócios obrigam-se a entregar (realizar) em dinheiro ou em bens o valor subscrito.
Então, conclui-se que o capital subscrito corresponde ao capital social da
empresa (conceito anterior).

6.10. CAPITAL REALIZADO (INTEGRALIZADO)


Representa a parcela do capital social ou capital subscrito pelos sócios e que
foi efetivamente entregue por estes à sociedade, tanto em dinheiro quanto em bens ou
direitos.

6.11. CAPITAL A REALIZAR (A INTEGRALIZAR)


É a parcela do capital subscrito pelos sócios ou acionistas que ainda não foi
entregue à empresa. Sua aferição é efetuada subtraindo-se o valor do capital realizado
do capital social (subscrito). Diz-se que esta parcela ainda não foi integralizada ou
realizada.

Conforme consta no artigo 182 da Lei no 6.404/76, no balanço patrimonial, “a


conta do Capital Social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda
não realizada”.

CAPITAL SOCIAL
(-) CAPITAL A REALIZAR
(=) CAPITAL REALIZADO

6.12. CAPITAL AUTORIZADO


Capital autorizado é uma figura jurídica prevista no artigo 168 da lei das
sociedades anônimas e não representa efeitos contábeis.
É um valor previsto no estatuto da empresa até o qual o capital social pode
ser elevado, sem a necessidade de anuência da Assembléia, e sem efetuar reforma
estatutária (art.168).
A lei permite a todas as companhias estabelecer a previsão em seus estatutos
da autorização para aumento de capital social. A parcela deste capital autorizado que

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encontra colocação, ou seja, sócios que subscrevam as ações ou cotas, corresponde ao
capital social subscrito. Já a parcela do capital autorizado que não encontrou sócios,
ou seja, que não está em circulação, recebe o nome de capital social não-subscrito,
portanto sem reflexo contábil.
Assim, o capital autorizado, enquanto tal, constitui figura meramente jurídica,
não trazendo reflexos contábeis, isto é, não merece registro contábil. Aparece no
Estatuto e, portanto, está registrado na Junta Comercial, mas não aparece no Balanço
Patrimonial.

6.13. CAPITAL DE TERCEIROS OU CAPITAL ALHEIO


Conforme já vimos, os recursos aplicados na atividade empresarial podem vir
de recursos próprios ou de recursos de terceiros. Quando os recursos são originados do
patrimônio de terceiras pessoas a empresa assume obrigações.
Assim, consoante o princípio da entidade, as parcelas de recursos obtidas de
fontes externas à empresa são chamadas de capital de terceiros ou capital alheio.
Corresponde às dívidas da empresa com terceiros. É o passivo exigível (P).

6.14. CAPITAL TOTAL OU CAPITAL À DISPOSIÇÃO DA EMPRESA


É o conjunto de todos os valores disponíveis (fontes ou origens de recursos)
para a empresa em um determinado momento. É a soma do capital próprio (PL) com o
capital de terceiros ou passivo exigível (PE) e de resultados de exercícios futuros (REF).
Assim:

CAPITAL TOTAL = PE + REF + PL

O capital total (CT) corresponde, então, ao total do ativo, pois A = P + PL


(equação fundamental do patrimônio).

6.15. EXERCÍCIO SOCIAL


O exercício social, muitas vezes chamado de período administrativo ou
período contábil, representa o período de tempo correspondente ao conjunto de
operações e outros eventos, realizados pela companhia ou empresa, e seus efeitos
patrimoniais em que, ao seu final, a direção da entidade elaborará e divulgará os
relatórios contábeis (demonstrações contábeis). Este período poderá coincidir ou não
com o ano civil, conforme dispuser em seus atos constitutivos e pela observância da
legislação fiscal.
Trata-se do período de apuração do resultado parcial da empresa. Isso porque
o resultado global (final) de uma sociedade somente poderia ser apurado ao fim de suas
atividades. Porém, a empresa precisa apurar resultados parciais, seja para levantar
análise da situação econômico-financeira da organização, seja para remunerar os
sócios/acionistas, seja para acertar as contas com o fisco.
A Lei das S.A. estabelece, em seu art. 175, que o exercício social terá a
duração de 1 (um) ano e, ao cabo deste, a diretoria fará elaborar as demonstrações
financeiras (contábeis):

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Art. 175. O exercício social terá duração de 1 (um) ano e a data do
término será fixada no estatuto.
Parágrafo único. Na constituição da companhia e nos casos de alteração
estatutária o exercício social poderá ter duração diversa.
Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com
base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes
demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação
do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício:
...
O fato de a lei estabelecer que a duração do exercício social terá a duração de
um ano não impede que as empresas elaborem demonstrativos mensais, trimestrais ou
semestrais, para melhor atender as suas necessidades gerenciais e as exigências do
fisco. Portanto, não devemos confundir a legislação societária com a legislação fiscal.
Salienta-se, ainda, que é atribuição do estatuto ou do contrato social
estabelecer a data do término do exercício social, sendo que no início das atividades, ou
em casos de alteração dos atos constitutivos ou término das atividades empresariais, a
duração poderá ser menor que 1 (um) ano.

6.16. PERÍODO CONTÁBIL


Para o Fisco Federal (Receita e INSS), o que importa é o período de apuração
do tributo, que poderá ser mensal, trimestral ou anual, conforme a situação do
contribuinte. Segundo a Lei no 8.541/92, o período contábil da empresa pode,
perfeitamente, ser diferente do período-base do imposto sobre a renda. Porém, o mais
usual é o empresário fazer coincidir o período de apuração contábil com o período de
apuração dos tributos, pelo seu próprio interesse e comodidade.
Não devemos, entretanto, confundir período de apuração do tributo, que
poderá ser mensal, trimestral ou anual, com período de pagamento. O pagamento do
imposto sobre a renda da pessoa jurídica pode ser mensal ou trimestral, conforme o
critério utilizado (lucro estimado, presumido ou real), e as contribuições previdenciárias,
parte patronal, são devidas mensalmente, tomando por base a folha de salários.
O período de existência de uma entidade deve estar, sempre, previsto nos
atos constitutivos. O mais comum, entretanto, é que a pessoa jurídica tenha duração
ilimitada. Todavia, dependendo da atividade a ser explorada, algumas empresas têm sua
existência predeterminada.
O resultado exato de uma empresa comercial, portanto, somente poderá ser
apurado no final de sua vida, após a venda de todo seu ativo e o pagamento de suas
obrigações para com terceiros (passivo). O resultado do empreendimento, durante a sua
existência, será medido pela diferença entre o patrimônio líquido apurado, no final da sua
vida, e o patrimônio líquido inicial, o da constituição.
No entanto, os acionistas ou sócios e o governo precisam saber como está
indo o empreendimento. Os primeiros, a fim de verificar o retorno do capital investido
para, se for o caso, tomar decisões para correção ou redefinição de rumos da entidade. O
segundo, para poder cobrar os tributos devidos. Em função desses interesses, o

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resultado das operações desenvolvidas pela empresa deve ser informado em intervalos
regulares de tempo, podendo ser anual, semestral, trimestral ou mensal.
Assim, a Contabilidade registra e resume todas as mudanças no patrimônio
líquido que ocorrem durante o período escolhido e apresenta o resultado obtido.
O período contábil determinado pelos acionistas/sócios, no contrato social ou
estatuto, pode ser de um ano ou de intervalos menores. Apesar de a Lei no 6.404 dizer-
nos, pelo art. 175, que o exercício social terá a duração de 1 (um) ano, na verdade ela
nos quis informar que ele será de, no máximo, um ano, ou melhor, que pelo menos ao
final de cada ano de atividade a companhia é obrigada a elaborar suas demonstrações
financeiras.

7. EXEMPLO PRÁTICO
Vamos agora levantar a situação patrimonial de uma empresa passo a passo,
desde a sua constituição.
1) Os sócios Pedro e Paulo juntam R$ 5.000,00 cada um, em dinheiro, para
integralizar o capital da empresa FAZ-TUDO S/A.

ATIVO PASSIVO

Dinheiro R$ 10.000,00 Passivo Exigível

Patrimônio Líquido
Capital Social R$ 10.000,00

Total R$ 10.000,00 Total R$ 10.000,00

2) A empresa adquire R$ 2.000,00 em mercadorias, pagando em dinheiro.

ATIVO PASSIVO

Dinheiro R$ 8.000,00 Passivo Exigível


Mercadorias R$ 2.000,00
Patrimônio Líquido
Capital Social R$ 10.000,00

Total R$ 10.000,00 Total R$ 10.000,00

A empresa apenas trocou dinheiro por bens (mercadorias), no valor de R$


2.000,00. Reparem que o total do ativo permanece sempre igual ao total do passivo.

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3) A empresa compra móveis de escritório, no valor de R$ 5.000,00, para


pagamento em 90 dias.

ATIVO PASSIVO

Dinheiro R$ 8.000,00 Passivo Exigível


Mercadorias R$ 2.000,00 Títulos a Pagar R$ 5.000,00
Móveis e Utensílios R$ 5.000,00 Patrimônio Líquido
Capital Social R$ 10.000,00

Total R$ 15.000,00 Total R$ 15.000,00

Agora a empresa adquiriu mais bens (móveis), no valor de R$ 5.000,00,


porém não houve desembolso (saída de dinheiro), já que a compra foi a prazo. Houve,
sim, o aumento do passivo exigível, pelo registro de uma dívida (títulos a pagar) a ser
quitada pela empresa no futuro. Reparem que o total do ativo aumentou para R$
15.000,00, mas permanece igual ao total do passivo.

4) A empresa vende metade do seu estoque de mercadorias, em dinheiro, por


R$ 3.000,00.

ATIVO PASSIVO

Dinheiro R$ 11.000,00 Passivo Exigível


Mercadorias R$ 1.000,00 Títulos a Pagar R$ 5.000,00
Móveis e Utensílios R$ 5.000,00 Patrimônio Líquido
Capital Social R$ 10.000,00
Lucros R$ 2.000,00

Total R$ 17.000,00 Total R$ 17.000,00

Metade do estoque foi vendida. Como o estoque valia R$ 2.000,00, foram


vendidos R$ 1.000,00 do mesmo. Porém, o preço de venda foi de R$ 3.000,00. Isso quer
dizer que a empresa vendeu por R$ 3.000,00 algo que comprou por R$ 1.000,00,
gerando um lucro de R$ 2.000,00.
Os lucros são da empresa, representando seu capital próprio, sendo por esse
motivo registrados no patrimônio líquido.
Como sempre, o total do ativo (agora em R$ 17.000,00) mantém-se
rigorosamente igual ao total do passivo.

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5) A empresa paga salários aos seus funcionários, no valor de R$ 500,00, em
dinheiro.

ATIVO PASSIVO

Dinheiro R$ 10.500,00 Passivo Exigível


Mercadorias R$ 1.000,00 Títulos a Pagar R$ 5.000,00
Móveis e Utensílios R$ 5.000,00 Patrimônio Líquido
Capital Social R$ 10.000,00
Lucros R$ 1.500,00

Total R$ 16.500,00 Total R$ 16.500,00

Os salários pagos pela empresa a seus funcionários são gastos necessários à


obtenção de receitas, sendo por isso considerados como DESPESAS.
O resultado obtido pela empresa, ao final do exercício, será apurado da
seguinte forma:

RESULTADO = RECEITAS - DESPESAS

Como a nossa empresa já possuía R$ 2.000,00 de lucros relativos à venda de


mercadorias, com essa despesa de R$ 500,00 terá esse lucro reduzido para R$ 1.500,00,
mantendo-se o total do ativo igual ao total do passivo.
Pessoal, agora compete a vocês resolverem todos os exercícios a seguir. Boa
sorte !!!

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS
48. (CESPE/TCU–1996) Pertence ao conjunto de contas do passivo a conta
denominada:
1. fornecedores;
2. obrigações fiscais;
3. duplicatas a receber;
4. títulos a pagar;
5. benfeitorias em propriedades de terceiros.

49. (ESAF/TRF-2000) Considerando as regras fundamentais da digrafia


contábil, que determina o registro da aplicação dos recursos
simultaneamente e em valores iguais às respectivas origens, temos como
correta a seguinte equação contábil geral:
a) ativo = passivo + capital social + despesas – receitas;
b) ativo + receitas = capital social + despesas + passivo;
c) ativo – passivo = capital social + receitas + despesas;
d) ativo + capital social + receitas = passivo + despesas;
e) ativo + despesas = capital social + receitas + passivo.

50. Com relação ao patrimônio, julgue os seguintes itens.


1) Patrimônio bruto é igual ao capital aplicado.
2) Patrimônio líquido negativo quer dizer passivo a descoberto, que ocorre somente se a
empresa possuir prejuízos acumulados.
3) O patrimônio deve ser autônomo, não podendo ser compartilhado por diversas
empresas, pois do contrário teríamos diversos patrimônios autônomos, segundo o
princípio da entidade.
4) Patrimônio líquido menor em decorrência de diminuições de ativos, legalmente
previstas, satisfaz a correta aplicação do princípio da prudência.
5) O ativo realizável a longo prazo e o passivo exigível a longo prazo não podem existir
em um patrimônio, cuja entidade tem o seu término previsto no final do exercício
social em curso.

51. (TFC/ESAF/96) Em relação ao patrimônio bruto e ao patrimônio líquido de


uma entidade, todas os afirmações abaixo são verdadeiras, exceto:
a) o patrimônio bruto nunca pode ser inferior ao patrimônio líquido;
b) o patrimônio bruto e o patrimônio líquido não podem ter valor negativo;
c) o patrimônio bruto e o patrimônio líquido podem ter valor inferior ao das obrigações
da entidade;
d) o soma dos bens e direitos a receber de uma entidade constitui o seu patrimônio
bruto, enquanto o patrimônio líquido é constituído desses mesmos bens e direitos,
menos as obrigações;
e) o patrimônio bruto pode ter valor igual ao patrimônio líquido.

52. Assinale a opção incorreta.


a) Os investimentos efetuados pelos proprietários em troca de ações, quotas e outras
participações são fontes de PL.

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b) Definimos patrimônio líquido, situação líquida ou capital próprio como sendo a
diferença entre o valor do ativo e do passivo de uma entidade, em determinado
momento e circunstância.
c) Os lucros acumulados na entidade são fontes (adicionais) de financiamento.
d) O capital de terceiros corresponde aos investimentos feitos na empresa, com recursos
proveniente de terceiros.
e) O capital próprio equivale ao ativo total.

53. Num balanço patrimonial, o capital próprio da empresa é representado pelo


saldo:
a) do grupo de contas do patrimônio líquido;
b) do grupo de contas do ativo;
c) da conta caixa;
d) das contas caixa e bancos;
e) da conta capital.

54. (ESAF/AFRF–2001) José Henrique resolveu medir contabilmente um dia de


sua vida, começando do “nada” patrimonial.
De manhã cedo, nada tinha. Vestiu o traje novo (calça, camisa, sapatos
etc.), comprado por R$ 105,00, mas que sua mãe lhe deu de presente. Em
seguida, tomou R$ 30,00 emprestados de seu pai, comprou o jornal por R$
1,20, tomou o ônibus pagando R$ 1,80 de passagem. Chegando ao CONIC,
comprou fiado, por R$ 50,00, várias caixas de bombons e chicletes e passou
a vendê-los no calçadão. No fim do dia, cansado, tomou uma refeição de R$
12,00, mas só pagou R$ 10,00, conseguindo um desconto de R$ 2,00.
Contou o dinheiro e viu que vendera metade dos bombons e chicletes por R$
40,00.
Com base nessas informações, podemos ver que, no fim do dia, José
Henrique possui um “capital próprio” no valor de:
a) R$ 120,00;
b) R$ 189,00;
c) R$ 2,00;
d) R$ 187,00;
e) R$ 107,00.

55. O patrimônio de determinada empresa, em dois momentos sucessivos,


apresentava-se da seguinte maneira:
1º momento Dinheiro $ 10,00
Bens de venda $ 50,00
Obrigações com terceiros $ 40,00
Bens de uso $ 20,00
Capital próprio $ 40,00
2º momento Dinheiro $ 13,00
Bens de venda $ 40,00
Direitos $ 5,00
Obrigações com terceiros $ 40,00
Bens de uso $ 20,00
Capital próprio $ 38,00

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O fato ocorrido foi:
a) venda de mercadoria à vista e a prazo;
b) venda de mercadoria à vista e a prazo, com prejuízo;
c) venda de mercadorias à vista e a prazo, com lucro;
d) aplicação de recursos próprios com prejuízo;
e) compra de mercadorias para revenda.

56. Quanto ao que são dívidas, julgue os seguintes itens.


1) Débitos de funcionamento, quando decorrentes de operações normais da empresa.
2) Créditos de terceiros junto à nossa empresa.
3) Débitos de financiamentos, quando são oriundas de empréstimos contraídos.
4) Compõem o patrimônio líquido.
5) Compõem o passivo exigível.

57. O patrimônio de uma empresa, em um determinado momento, está


representado por numerário (R$ 70,00), bens de venda (R$ 80,00), débitos
de funcionamento (R$ 120,00), bens de uso (R$ 230,00), débitos de
financiamento (R$ 140,00), bens de renda (R$ 70,00) e créditos de
funcionamento (R$ 130,00). Seu patrimônio líquido é de:
a) R$ 230,00; d) R$ 580,00;
b) R$ 70,00; e) R$ 320,00.
c) R$ 340,00;

58. “É o valor até onde o capital da empresa pode ser elevado sem a
necessidade de alteração estatutária”. Este conceito refere-se a:
a) capital nominal; d) capital próprio;
b) capital a realizar; e) capital de terceiros.
c) capital autorizado;

59. Considere os dados abaixo:


Capital nominal = $100.000,00
Capital integralizado = $80.000,00
Capital próprio = $130.000,00
Ativo total = $350.000,00
Assinale a opção incorreta.
a) O capital a realizar vale $20.000,00.
b) O capital de terceiros vale $220.000,00.
c) O patrimônio líquido vale $ 130.000,00.
d) O capital autorizado vale $150.000,00.
e) As origens de terceiros superam as origens dos sócios em $90.000,00.

60. Supondo que o ativo da empresa corresponde ao triplo do seu capital


próprio e que as obrigações com terceiros valem $100.000,00, e ainda que o
capital social da empresa é de $80.000,00, assinale a opção correta.
a) O ativo vale $50.000,00.
b) A empresa está em situação de passivo a descoberto.
c) O patrimônio líquido é igual a $80.000,00.
d) Os prejuízos acumulados totalizam $30.000,00.

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e) Os lucros acumulados equivalem a $50.000,00.

61. No passivo exigível, constam:


a) capital social;
b) dívidas de terceiros com a empresa;
c) dinheiro em caixa e valores a pagar;
d) impostos a pagar e empréstimos tomados;
e) dinheiro no banco, salários a pagar e dinheiro em caixa.

62. O patrimônio de uma empresa está assim dividido: os bens valem $250, os
empréstimos concedidos, $300, as dívidas com terceiros valem $200 e o
capital social é de $150. Podemos afirmar que há:
a) lucros acumulados de $550;
b) capital próprio de $200;
c) lucros acumulados de $200;
d) capital próprio de $550;
e) prejuízos acumulados de $200.

63. Assinale a opção incorreta.


a) O patrimônio bruto equivale à soma do capital de terceiros com o capital próprio.
b) Capital a realizar é a parcela do capital social ainda não entregue pelos sócios,
podendo ser em dinheiro ou em bens.
c) O patrimônio líquido da empresa contempla o capital próprio, os lucros acumulados e
as reservas.
d) Bens tangíveis e intangíveis pertencem ao ativo.
e) Capital próprio e capital de terceiros são origens de recursos, respectivamente, dos
sócios e de terceiros.

64. Considerando a nova ordem jurídica implementada pela Lei nº 10.406/2002


(Código Civil), no que pertine às sociedades, julgue os itens seguintes.
1. Sociedades empresariais têm por objeto o exercício de atividade econômica
organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços.
2. Sociedades simples são as sociedades de pessoas que exercem profissão intelectual,
de natureza científica, literária ou artística.
3. Tanto as sociedades empresariais quanto as sociedades simples e a firma individual
devem ter seus atos constitutivos registrados no Registro Público das Empresas
Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais, antes do início de sua atividade.
4. Nas sociedades por cotas de responsabilidade limitada os acionistas respondem
solidariamente pela integralização do capital social.
5. As sociedades anônimas são regidas por lei especial e, de forma supletiva, em casos
de omissão dessa lei especial, pelas disposições do Código Civil.

GABARITO AULA 01
1. B 11. D 20. B 30. C 40. A 50. CCCCC
2. A 12. D 21. C 31. B 41. D 51. B 60. D
3. D 13. A 22. B 32. D 42. E 52. E 61. D
4. D 14. E 23. C 33. C 43. B 53. A 62. C

50
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5. C 15. E 24. C 34. E 44. A 54. E 63. C
6. D 16. A 25. B 35. C 45. A 55. B 64. CCECC
7. D 17. E 26. C 36. E 46. C 56. CCCEC
8. B 18. A 27. D 37. E 47.E 57. E
9. A 19. B 28. A 38. D 48. CCECE 58. C
10. EECCE 15. E 29. A 39. D 49. E 59. D

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