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World of Metal
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Director
Fernando Ferreira

Colaboradores EDITORIAL
Miguel Correia
Sónia Ferreira
Hélio Cristovão Crescer Nem Sempre É Fácil
Roberto Raposo
Cameramen Metálico
Escrevo estas palavras após a derrota e consequente eliminação da nossa selecção do
Dico
Mundial da Rússia 2018. E vou directo ao assunto. Foi o nosso melhor jogo e fomos
Carlos Lichman eliminados. Claro que evidenciámos os nossos problemas crónicos desde da chamada
Paulo Barros geração de ouro - o medo da finalização. O andar à volta da área à procura de uma auto-
estrada com passadeira vermelha em vez de arriscar em chutar. Futebolices e tácticas de
um treinador de bancada. Mas o que importa reter para o exercício desta missiva é que
Garage World apesar dos nossos erros e problemas comuns, fizemos o nosso melhor jogo de toda a
campanha. E apesar disso também, fomos eliminados.
Miguel Correia
mcinbox@gmail.com Há por aqui algures uma lição Zen e espiritual a retirar, mas até ela surgir de forma
esotérica, o que temos é a comparação com este projecto, que tanto tem crescido nos
últimos tempos, sendo também extensível a qualquer outro que seja sustentado por
Publicidade apostas pessoais e/ou colectivas. Tudo começa de certa forma do zero, mas crescer
Tiago Fidalgo - tiagofidalgo.wom@ a partir daí nem sempre é fácil. Controlar as expectativas, não desanimar quando o
gmail.com esperado (ou desejado) não acontece. A lição aprendida pelas várias aulas ao longo desta
escola de vida é que não é vergonha nenhuma cair, nem sequer interessa muito no final
Rosa Soares - worldofmetal.pub@
gmail.com do dia. O mais importante mesmo é a forma como nos levantamos. Se nos levantamos.
Se temos vontade ou se achamos que o melhor é desistir.
Design
Não basta também levantar-nos para estarmos sempre a cometer os mesmos erros, temos
Dina Barbosa também que aprender com eles, mesmo que tenhamos muitas das vezes aquele instinto
mais primário que insiste em que nos voltemos para erros passados. Hábitos passados.
Tiago Fidalgo Não é fácil crescer, assim como não é fácil manter um nível - qualquer que seja - que
tenha sido conquistado a pulso. Será assim para a Selecção que agora terá encontrar um
novo rumo e reformular a equipa - todos os ciclos têm o seu fim - e assim é também
para a nossa/vossa World Of Metal, que continua a expandir-se e a renovar-se. Nesta
edição contamos com uma série de novas rúbricas e colaboradores que esperamos que se
mantenham por muitos mais edições. E claro, os enormes Powerwolf, que deram um dos
concertos do ano na edição passada do Vagos Metal Fest, está presente na nossa capa,
numa edição recheada de bons nomes, bons álbuns e, claro boa música.

"You win some, lose some, It's all the same to me." - Motörhead

Fernando Ferreira – Julho 2018

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Indice

6 - Sempre A Partir 40 - Powerwolf


7 - Krull 46 - Garage world - Esold
10 - issa 48 - Metal Business - Carlos Lichman
12 - Dead Label 50 - guia musical - Laurus Nobilis
14 - Sotz' 56 - Road To Vagos - ratos de porãao
16 - Thornbridge 60 - road to Vagos - simbiose
17 - Teias de Aranha - Cameraman 63 - road to Vagos - Rui Alexandre
Metalico (Terror Empire)
18 - Phantom winter 62 - Golden Years - Rui Vieira
20 - vicious rumors (Machinergy)
22 - Follow the cipher 66 - Artwork Insights
24 - The making of - Paulo Barros 68 - Top 20 1965
26 - Lucifer 71 - Reviews
28 - Tarantula 91 - ÁAlbum do Mêes
31 - Em chamas - Dico 93 - Máaquina do Tempo
32 - Lords OF Black 96 - WOM Live Report
36 - Dico 110 - agenda
Foto na4Contracapa
por Sónia Ferreira
Este espaço pode ser teu em todas as edições da
nossa revista. para mais informações contacta-nos:
Worldofmetal.pub@gmail.com
Tiagofidalgo.wom@gmail.com

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Sempre A Partir

Por Conan, o Barbeiro

Já dissemos muitas vezes, gostamos do que fazemos. Gostamos desta equipa, que é mais pequena do que parece, e
gostamos da luta diária de manter vivo este projecto que é de todos nós. Um projecto que tem a visão de fãs para
fãs. Uma linguagem mais simples, mais informal. Tentamos ajudar quem nos pede ajuda, divulgar a música pesada
e menos pesada. E foi com esse intuito que criámos toda a dinâmica de foto-reportagens no nosso site. Certas
bandas de estatuto maior não precisam desse tipo de serviço, o seu nome já se espalha quase sozinho e preferem
ter um cuidado maior com que é espalhado. Compreendemos isso.
Já menos compreensível é termos entidades que parece que desvalorizam todo o trabalho que é feito nas nossas
reportagens. É uma polémica que não é de agora. Com o aparecimento da internet e, consequentemente, dos
blogs, zines, rádios, revistas digitais e outras plataformas de divulgação da música, também cresceu o número
de acreditações a serem solicitadas, o que obriga a uma selecção mais cuidada por parte das promotoras de
espectáculos. O que levou a criar uma espécie de mentalidade pelo underground de que quem pede acreditações é
apenas para aos concertos de borla - o que admito que poderá ser verdade em alguns casos.
O pior são as generalizações e o traço que deve ser traçado no chão. Nem somos todos bons, nem somos todos
maus. E mesmo os bons, nem sempre estamos ao nosso melhor nível - continuamos a ser todos humanos, certo?
Dentro dos bons, que é quem nos interessa para esta missiva, teremos que referir que continua a ser trabalho
voluntário. Poderemos pensar que os nossos colaboradores, que fazem o que fazem por amor à camisola, têm a sua
própria recompensa mas muitas vezes, principalmente no caso dos fotógrafos, estão presentes para fazer coberturas
jornalísticas de eventos que até não são os que lhes são mais queridos.
Isso nunca foi impedimento para que apresentássemos o melhor trabalho possível, sempre com o orgulho e
responsabilidade de vestirmos não só a nossa camisola, como a de todo o underground e de cumprirmos o nosso
papel de apoio, não só pelo resumo dos eventos mas como também na partilha e divulgação dos mesmos. Vão
existir sempre algumas ovelhas negras e já sabemos que é mais fácil o justo pagar pelo pecador, no entanto, o apelo
que fazemos é que pense. A estupidez é mais fácil de se espalhar do que o bom senso. Não enriquecemos com este
projecto, não é esse o propósito, definitivamente. Assim como só diz que é fixe ir ver concertos de borla quem
depois não tem que os relatar num texto minimamente interessante ou perder horas infindáveis a fazer tratamento
de fotografias. Provavelmente os mesmos que gostariam de fazer parte de um projecto como o nosso mas quando
chega na hora de trabalhar, chutam para canto. Assim também sou valente em opinar. Somos todos.
Vivemos tempos rápidos e de coisas descartáveis e todos nos queixamos disso. No entanto, cabe-nos a cada um de
nós investigar um pouco e separar o trigo do joio. Não ir em postos inflamatórios no Facebook ou onde quer que
seja para ver que as coisas nem sempre são branco ou preto. Que existem excepções. Sempre! Tudo o que aparece
feito, levou tempo, amor, esforço e dedicação para chegar até ao produto final. Pensem nisso um pouco. Agora se
o produto final não aparecer ou não tiver qualidade que merece... bem, a dita separação do trigo do joio fica feita,
certo?

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eNTREVISTA

Os Krull são um dos grandes valores da cena de metal tradicional brasileira. com uma carreira
que iniciada duas décadas atrás com outra designação. só este ano pudemos apreciar o seu álbum
de estreia, o excelente "The Black Coast, um colosso de heavy metal tradicional inspirado pelas
aventuras escritas por Robert E. Howard, que os apreciadores de banda desenhada reconhecerão
como o criar de personagens marcantes como Conan, Kull e Solomon Kane. Luís Domingos, o vocalista
do grupo brasileiro, foi o nosso guia pela fantástico mundo dos Krull e dos tempos de grande aventura
da era hiboriana, sempre tendo o heavy metal como fio condutor.

Fernando Ferreira

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Olá Luís e bem vindo ao World teve uma pressão bem maior, pois 80, São nossas maiores influências
Of Metal! E parabéns pelo sabíamos da responsabilidade de pessoais, e da banda.
vosso álbum de estreia que está fazer um trabalho bem feito, bom,
fantástico! Começava por aí coeso e consistente, estávamos A cena de heavy e power metal
mesmo, pelo “The Black Coast”. bem consciente de que o álbum brasileira é bastante poderosa.
Que opiniões têm tido dele até seria lançado mundialmente, e isso Pelo menos é a sensação que passa
agora? pesou muito para nós, sabíamos para fora? Como é a realidade
que teríamos que fazer algo bom, e como é concretamente a cena
Olá amigos e leitores da World Of simples mas convincente. Mas heavy/power metal de São Paulo?
Metal Magazine, muito obrigado quando vimos o resultado final,
pelo convite para a entrevista. ficamos muito felizes e aliviados, Na verdade a cena Power Metal/
Fico muito feliz e honrado por com a sensação de dever cumprido, Heavy Metal brasileira é bem forte,
nos convidarem, agradecemos e de missão cumprida. são centenas de bandas excelentes
imensamente vocês, e fico muito que surgem todos os dias aqui no
feliz também que tenham gostado Brasil, e a cidade de São Paulo, sem
do nosso humilde trabalho de
vinte anos, o 'The Black Coast'. "Na verdade não foi dúvidas é um grande expoente
de bandas desses estilos do metal.
Obrigado pelo grande suporte que
sempre nos deram, e parabéns pelo muito fácil, foi um Após os Sepultura no final dos
anos 80 abrir grandes portas para
vosso excelente trabalho impecável
e majestoso. Desde antes do seu pouco exaustivo e as bandas brasileiras ganharem o
mundo, vieram muitas outras como:
lançamento, no dia 27/04, até
agora, estamos a ter uma óptima complicado gravar o Sarcófago, Vulcano, Korzus, e entre
elas Viper e Angra, que abrangem
respercussão Mundial, por parte da
mídia especializada, dos fãs,e dos 'The Black Coast', todos esses estilos do Heavy/Power.
Ganharam grande notoriedade
seguidores, com óptimas críticas.
É claro, também com algumas nós da banda moramos mundial fazendo essa linha de
som,isso possibilitou e influenciou
critícas negativas, pois é comum,
(não se pode agradar a todos), em cidades diferentes, toda uma geração pós anos 90, uma
avalanche de excelentes bandas
aprendemos muito com elas, e
sempre em busca da perfeição, mas e longe uma das outras, começaram a surgir nos anos 90,
devido ao 'boom', do Power Metal
as positivas superam, fazem com
que nada atrapalhe o brilho, e a as sessões de gravação dos anos 90 Mundial. Aqui em
São Paulo, temos diversas bandas
alma do novo álbum, e faz jus a sua
temática e toda magia que o álbum foram um pouco optimas, nessa linha, posso citar
a banda Metaltex, Hellish War,
possui.
desgastantes" Lecher, Biter, entre outras. O
único problema que temos aqui é
Como foi a experiência de a falta de união entre as bandas e
estúdio, comparando com o EP público,o famoso 'Bairrismo', ou a
“Metal Swords And Fire” de 2016? São inegáveis as influências de famosa 'panela', ou seja, se você não
Mais ou menos pressão nos vossos bandas como Iron Maiden e faz parte dela, todos te boicotam,
ombros? Manowar quer no imaginário criticam, e etc. Talvez na Europa,
fantástico como na música em si. isso não seja muito comum, mas faz
É, na verdade não foi muito fácil, foi Estas bandas são influências? E parte de tudo, o mais importante e
um pouco exaustivo e complicado que mais têm? tirarmos tudo isso como lição pra
gravar o 'The Black Coast', todos nós mesmos, e continuar fazendo
nós da banda moramos em cidades Com toda certeza, sem pestanejar o nosso trabalho com humildade,
diferentes, e longe uma das outras, (risos), são grandes bandas de simplicidade, amor, afinco e
as sessões de gravação foram um renome mundial, que fazem parte acima de tudo com honestidade,
pouco desgastantes, devido às de nossas vidas e de nossa história. e o restante tudo acaba fluindo
horas que passámos no estúdio, foi Cada um de nós da banda tem naturalmente.
uma experiência normal, porém um gosto peculiar e particular em
com um ritmo um pouco mais relação a música, mas as principais Como é ter um álbum vosso a
aprofundado, acelerado e exaustivo, influências da banda são: Iron ser lançado oficialmente num
em comparação ao 'Metal Swords Maiden, Judas Priest, Manowar, dos maiores festivais de heavy
and Fire'. O EP foi bem tranquilo, Medieval Steel, Cirith Ungol, metal do mundo, o “Keep It True
as gravações foram mais rápidas, Manilla Road, Omen, Accept, Festival”? Existem planos de irem
sem nenhuma pressão, sem contar Grave Digger, Riot V, Exciter, lá tocar?
a pressão nos ombros, e pressão Chastain, Running Wild, King
psicológica em relação a gravadora Diamond, Angel Witch, Metal É simplesmente indescritível,
Alemã, pois no EP não tínhamos Church, Warlord, Mercyful Fate, em outras palavras, surreal e
com o que se preocupar, pois Jag Panzer, Helloween(antigo), maravilhoso. Sempre sonhámos
lançara ele na época, de forma e muitos outros... Amamos as com esse dia, desde meninos, é
independente, já o 'The Black Coast', bandas de Heavy Metal dos anos uma sensação diferente de tudo
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que já sentimos, passares tua da Era Hiboriana de 10.000 AC, da essas bandas de metal da década de
vida a dedicares-te à sua música, saga de um Rei Guerreiro chamado oitenta que aderiram a essa temática
teus discos, tua banda, e num dia Batlhus, seu filho Conn, e sua dos contos do Conan, Kull, entre
normal, gravare um álbum por amada Bélit. a Feiticeira Taramis, outros, na época.Acredito que o
uma editora alemã, e teres o teu e seu exercito de espectros, o Heavy Metal é um estilo único que
disco lançado num dos maiores Druida Picto, e os Imortais. É tem tudo a ver com essa temática,
festivais de Metal do Mundo? É bem simples, mas foi feito de mitologia, história, fantasia e ficção,
indescritível, com toda certeza, um coração e com sentimento, foi um não consigo imaginar uma banda de
sonho realizado. Existem planos trabalho extremamente árduo, R&B, ou de Blues abrangendo essa
para tocarmos lá, e fazermos uma minucioso, e prazeroso, foram dois temática, (risos) seria hilariante,
pequena digressão europeia. Isso anos para conseguir terminar a e o Heavy Metal sempre teve esse
já está quase certo, temos alguns história, todas as letras do álbum, e poder de dar essa liberdade para
contactos que fizemos nestes vinte compor as músicas para ele. Mas o voares, dar essa liberdade para
anos de banda, e se tudo der certo, resultado final foi muito prazeroso, imaginares e sonhar. Toda essa
se o 'The Black Coast', tiver uma é um sentimento único de êxtase magia, essa mística, esses contos
boa repercussão na Europa, uma e dever cumprido, vocês podem de Espada e Feitiçaria, são o nosso
boa venda de discos, nós estaremos acompanhar, toda a saga do Rei maior combustível, são nossos
a tocar na Europa, em meados de Balthus que descrevo na história sonhos, nosso trabalho. Amamos
Abril/Maio de 2019, para encerrar do álbum no livreto do mesmo fazer isso, levar a música para as
a 'The Black Coast Tour', que já (tanto em CD, cassete como vinil) pessoas com todo esse clima épico
começou aqui no Brasil. Com a Confiram, é imperdível, pessoal, e de misticismo, é nossa dádiva ,
ajuda da nossa editora Iron Shield tenho certeza que irão gostar. nossa missão. Acredito piamente
Records, a arranjar as datas e (risos) que ainda nos dias de hoje, é
locais dos shows. Quem sabe não possível sim trazer todo esse clima
tocamos nos proximos 'Keep it épico e nostálgico. Tenho três filhos,
True Festival', ou passamos pelo
Portugal, não é? (risos)
"É bem simples, mas um bebé, o Lyon de 1 aninho, o
Lucas de 15 anos e o Luis Vinicius

E quão abragente será essa


foi feito de coração e de 17, esses ultimos dois, adoram
essas histórias, jogar vídeo Games.
digressão europeia? com sentimento, foi um Minha esposa Kimberley, meus
filhos, e eu, sempre conversamos
Está quase tudo certo para
passarmos por catorze países,
trabalho extremamente sobre esses assuntos, então posso
perceber que os míudos de hoje
Como te disse, dependerá das
vendas, mas seria muito bom
árduo (.. ) foram dois anos ainda amam jogos com essa
temática, músicas dessa época, os
passarmos por Portugal.Seria
maravilhoso e um sonho realizado
para conseguir terminar filmes de super heróis, que de uma
forma ou de outra nos remete para
para todos nós, tocarmos para os
irmãos do Portugal.
a história, todas as letras a B.D., e aos seus tempos áureos.
Então vendo tudo isso, tenho a

Curiosidade... será que “The


do álbum, e compor as impressão de que talvez isso nunca
saíra de moda, sempre estará em
Black Coast” se refere à saga do
Conan, “Rainha da Costa Negra”?
músicas. " alta. É o caso dos Blind Guardian
por exemplo e tantas outras bandas
que ainda apostam nessa temática.
Exactamente (risos), na verdade O Conan, tanto a banda desenhada Acreditamos que é possível sim,
o álbum 'The Black Coast' é como os filmes (principalmente o trazermos tudo aquilo que vivemos
conceptual. Escrevi todas as letras primeiro e principalmente a sua em nossa infância, para a molecada
e as músicas, e todo o enredo da banda sonora) foram uma grande dos dias atuais. Quanto ao último
história, criei as personagens, a influência para muitas bandas da Conan, com o actor Jason Momoa,
história em si, baseado nos contos década de oitenta, transportando gostamos muito, achamos que ele
e na obra de Robert E. Howard, uma certa mística. Foi o caso se encaixou bem no personagem,
o mestre do 'Sword & Sorcery'. com vocês? Achas que é possível tem uma feição muito parecida
Desde criança (estou com 38 anos a personagem ser recuperada nos com o personagem do Gibi em
hoje) que sou fã e apaixonado pelas tempos de hoje e conseguir ter quadrinhos. (risos) A história que é
histórias em quadrinhos do Conan essa mística? Qual a opinião do contada no filme, também é muito
e Kull da Atlântida. Li e leio muito, último com Jason Mamoa? boa, sem contar a produção e os
até os dias de hoje, as histórias da efeitos especiais que é excelente.
Era Hiboriana, e amo tudo que Acredito que sim, nunca é tarde Mas lamento em diz que amamos
o Robert escreveu. Baseado num para sonharmos, e acreditarmos, o primeiro Conan, aquele que
dos contos dele, de Maio de 1934, por exemplo, eu nunca me canso se encaixou perfeitamente com
intitulado 'Queen of the Black de ler as história em quadrinhos, o personagem da B.D., Arnold
Coast', criei uma história para o e ver os filmes dessa época, somos Schwarzenegger, é ainda nos dias de
álbum, 'The Black Coast', nesta uma banda de 1998, final do anos hoje, nosso Eterno Conan. HAIL &
história relato um acontecimento 90, mas somos influenciados por KILL !!
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eNTREVISTA

É de Oslo, na Noruega a mais recente sensação da cena musical mundial. Issa, juntou ao já fantástico
catálogo “Run With The Pack”, o quinto longa duração pautado mais uma vez por som hard rock
melódico onde a voz de Issa brilha como uma estrela destinada ao sucesso. Começou a trabalhar
no mundo da música e aos 17 anos, e aos 19 ganhou um concurso com a participação de quase
150.000 vozes, com a música “Fade Away” escrita por Stian Aarstad que tinha sido um membro dos
Dimmu Borgir, daí para a frente a ascensão tem pautado a sua carreira e o futuro esse definitivamente
promete!
Miguel Correia
Foto: Steven Christie

Olá Issa, muito obrigado Anos depois, comecei a tudo o que estava para eu acho... Eu lembro-me de
pela oportunidade e trabalhar para um artista vir e foi uma sensação ter muitos companheiros
vamos então saber um norueguês que abriu uma incrível ganhar assim da banda que lançaram
pouco mais sobre ti... escola de talentos com tão jovem. Durante esse álbuns, mas parecia ser
começaste no mundo da um estúdio para jovens. período, também trabalhei sempre tudo muito curto,
música aos 17 anos! Tens Eu comecei a trabalhar lá com vários produtores e então eu também tinha
com toda a certeza muitas como recepcionista e foi compositores, cantando e muito poucas expectativas.
histórias para contar? assim que também tive a escrevendo, fazia algumas Quem pensaria que agora
oportunidade de cantar, apresentações para bandas eu fiz 5 álbuns em 8
Olá! Eu é que quero fazer pré-formações e e outros amigos meus. anos - isso é mais do que
agradecer esta trabalhar no estúdio - foi Como podes imaginar, eu muitas outras bandas e
oportunidade de me dar a um grande momento e era uma rapariga ocupada, artistas teriam certamente
conhecer. Sim, é verdade, eu aprendi muuuuito... tinha também uma banda sonhado, eu me sinto
sempre fui muito ligada Chamei mais a atenção com de covers, viajando com incrivelmente sortuda e
à música, desde criança. uma música que fiz para eles por todo o país. Eu agradecida!
Eu lembro-me dos meus um concurso online para sinto que tudo isso me deu
pais me darem dinheiro a Fox Kids Hits. Ganhei uma enorme experiência e O teu novo álbum é o
para eu cantar e usava esse concurso, então acho ter esse tipo de paixão teria incrível “Run With The
minha voz o tempo todo. que foi o principio de que levar para algum lugar, Pack”. Qual é o conceito
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por detrás disso? Como deixar a editora escolher. em muitos casos nunca faltaram
descreves o álbum? boas músicas para mim. E eu
Quais são as principais sou da Noruega e nós gostamos
Sinto que este álbum está muito diferenças para o trabalho da nossa música rock e metal.
mais alinhado com o meu anterior? (risos)
primeiro lançamento. Eu queria
voltar às minhas raízes e também Como te disse, acho que esse Quem são as tuas influências
queria fazer um álbum mais álbum é mais sombrio e mais músicais?
obscuro desta vez, é o que eu amo parecido com o meu primeiro
fazer. Eu acho que "Run With álbum. Eu diria que estou Alguém com grandes músicas e
The Pack" tem muita variedade, crescendo também como pessoa vozes enormes, Billy Idol, Heart,
na verdade...tem as músicas e aprendi muito com meus outros Madonna, Blondie, Def Leppard,
mais pesadas, mas ainda tem as lançamentos. Ter sido mãe na Queen e bem, a lista podia
grandes baladas que todos os altura do meu último disco continuar...
meus álbuns têm – eu dou tudo também ajudou, eu cresci apenas
para uma grande balada... mais um pouquinho... A Noruega é famosa pelo
seu género Black Metal, não
Como surgiu a colaboração com poderia haver na tua música
Dean em "Sacrifice Me"? influências desse lado musical?

Ah, isso é engraçado... o " Que surpresa, Bem, muitos dos meus amigos
Alessandro enviou-me a música
para "Sacrifice Me" e perguntou-
me se eu poderia escrever algo
eu nunca teria estão em bandas de Black
Metal, logo para mim não é
nada estranho... tem sido uma
mais nela. Eu escrevi letra e a
melodia e apenas cantei a música
sonhado em fazer enorme influência eu acho... a
maioria dos músicos com que
em casa antes de enviá-la de
volta para o Alessandro. Eu acho um dueto com uma eu toquei tem esse background
e pessoalmente eu acho que eles
que nesta altura o Dean estava
no estúdio a trabalhar noutro
projecto com ele, então, ele ouviu
lenda como Dean." são dos melhores músicos que eu
conheço. O Black Metal é uma
área difícil e é preciso saber o
a música quando Alessandro que está a fazer para tocar.
a recebeu. De qualquer forma,
a próxima coisa que soube foi Dizer que é um disco fantástico, Com que tipo de música tu
ao receber a música de volta é certamente muito motivador cresceste?
com Dean a cantar nela – dizia para ti, mas, também acredito
o Alessandro, "espero que não que a critica tem sido isso Sabes, nós também temos muita
te importes". Que surpresa, eu mesmo...fantástica! música country na Noruega - é
nunca teria sonhado em fazer uma pena que seja uma porcaria
um dueto com uma lenda como Obrigado... sim, eu estou muito (risos), mas eu acho que nós
Dean. feliz por todo o feedback positivo produzimos com muito mais
e pelos comentários recebidos... qualidade em géneros como
Qual é o teu tema favorito deste é uma coisa muito agradável o Metal e Rock, que também
trabalho? quando algo que trabalhaste são muito populares. Todos os
recebe uma boa resposta... Eu tipos à minha volta...lembro-
Bem, adoro todas as músicas só faço o que eu gosto, por isso me de amigos a organizar as
de "Run with the pack", estou sempre muito nervosa suas coleções de cd’s com estilos
acho que todas as músicas se antes de um lançamento... diferentes - onde tudo era óptimo
complementam. Quero dizer, a – havia um pouco de tudo...
balada "Everything To Me" foi Porquê este estilo de música,
escrita por Bob Michall, que achas que é onde encaixas mais Issa e agora, o próximo passo?
escreveu também "The Flame" com a tua voz?
para os Cheap Trick... é aquele Eu continuarei a escrever e
estilo de balada escola antiga, Bem, acho que nos meus cantar músicas... o meu marido
já não se ouve muito disso primeiros anos quando eu é um óptimo compositor, então
por aí. Quando acabámos de cantava aquelas covers eu nunca há um momento para
trabalhar no álbum, nem eu nem gostava muito mais de rock - estar parada ou para parar...
o Alessandro sabíamos qual a eu descobri o que eu gostava é incrível toda vez que uma
musica que iriamos escolher para e não gostava e também o que música entra num álbum... vai
fazer um vídeo, todas as eram tão eu era boa a cantar. Acho que a ser sempre assim!
boas que no final nós tivemos que música de hoje é só diferente e
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eNTREVISTA
eNTREVISTA

Falando dos Dead Label, foi a curiosidade que me levou a eles. Andava eu atrás dos Diamond
Head, quando me deparo com esta magnifica banda de thrash metal irlandesa. Dan O. Grady
(nosso interlocutor), voz e baixo, Danny Hall, guitarra e a magnifica Claire Percival, bateria, foram
este trio que tem tudo para voar alto. Com influências de nomes como Metallica, Machine Head e
Gojira têm em “Sense Of Slaughter” o seu ambicioso álbum de estreia.

Miguel Correia

Como surgiu a ideia para Dead Label é como "uma Label, para nós, significa gostamos das mesmas
este nome? morte para os rótulos", já uma morte para todos bandas, com a mesma
que não deveríamos julgar esses subgéneros. Somos paixão, o que se pode
O nome era para ser o as pessoas ou categorizar uma banda de metal pura tornar em algo raro. Nossas
título de uma de nossas as pessoas por causa da e simples. Se gostamos de principais influências são
primeiras canções, mas a aparência delas ou do tipo algo, nós o usamos. Essa Metallica, Machine Head
Claire foi quem deu a ideia de música que elas ouvem. música se tornou "Rest in e Gojira, mas há outras
e disse "Vocês sabem que Esse foi um conceito que Pieces" no nosso primeiro também, mas estas são as
realmente seria um nome pudemos relacionar com álbum. Um tema dedicado principais, sem dúvida.
muito forte para a banda". os ideais da banda. Somos aos assassinos de Sophie.
A tal música falava sobre uma banda de metal, A melhor banda de
Sophie Lancaster, uma gostamos de todos os tipos E quais são as vossas sempre para ti?
menina que foi assassinada, de metal. Nós odiamos o influências musicais?
por ser ela mesma, por modo como a cena metal Metallica, eles serão
ser apenas o que essas é dividida em todos esses O que eu acho óptimo sempre a banda que me fez
pessoas consideravam hoje diferentes em nós como banda é querer ser músico.
subgéneros, que todos nós temos as
"diferente". Então o título então o nome da Dead E o underground irlandês
mesmas influências. Todos
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como está a passar? ainda mais da banda. novamente. Foi incrível a tour
do “Demanufacture” com
A cena do metal na Irlanda os Fear Factory, se eles nos
neste momento é incrivelmente
saudável na minha opinião. Para quem não vos ouviu quiserem também de volta
A quantidade de bandas de ainda, comparativamente como era uma honra poder fazê-lo.
descreves então o vosso som? Obviamente, se a oportunidade
qualidade que estão a surgir por de apoiar os Metallica surgisse,
todo o país é algo indescritível, Há tempos nós recebemos uma eu iria perder a cabeça.
há um grande sentido de união review que nos descreveu como
também. Todas as bandas se "Se Machine Head e Gojira Tocar ao vivo é cada vez
apoiam umas às outras, o que é tivessem um filho, esse seria os algo essencial para a vida ou
fantástico de ver. Dead Label", pensei que esse era o carreira de uma banda, certo?
O que é realmente muito bom maior elogio de sempre. Acabamos Oh, é essencial especialmente
e falando mais de vocês, até de ser comparados a duas das para nós. Nós somos uma
agora com dois álbuns e um som nossas maiores influências. Mas é banda de palco. É por isso que
devastador... como tem sido as claro que estamos sempre a correr fazemos isso. Nós escrevemos
reacções aos Dead Label? atrás do nosso próprio som. nossas músicas projetadas para
Hoje em dia existem elementos o palco, para serem tocadas
A reacção tem sido muito positiva dessas influências com certeza, ao vivo. Não há sentimento
em todos os sentidos. É claro que mas estamos sempre tentando melhor no mundo do que tocar
quando recebes uma review mais encontrar aquela coisa que faz músicas que escreveste para
estranha aqui ou ali, não é bom, dela uma música dos Dead Label. uma multidão de pessoas e que
mas está tudo bem, porque não estão a reagir a isso. Tem que
se pode agradar a tudo e a todos. ser o melhor, o mais natural que
Contanto que possas estar bem
contigo e com o fazes, com a nossa "São tantas as possas conseguir.
arte, isso é tudo o que realmente
nos importa e se essa arte ressoa dificuldades que, Queres falar um pouco sobre os
planos para os DL? Digressão,
com outras pessoas, então é
ainda mais motivador. O nosso realmente, se torna novo álbum ...
Olha, estamos muito
último álbum, "Throne of Bones",
recebeu avaliações incríveis, o necessário sermos nós empenhados no processo de
composição do próximo álbum.
que achamos fantástico. Nós
lançamos um single com um próprios a produzir Acho que temos cerca de 11 ou
12 faixas neste momento e é
vídeo o ano passado chamado
"Pure Chaos" que teve uma reação os nossos discos e a um dos melhores materiais que
já criamos. Quando tocarmos
incrível e ainda está a chamar a
atenção das pessoas e ao vivo é organizar os nossos essas músicas ao vivo, não
posso deixar de as sentir, de
demais. É como a tal música no
set que as pessoas querem muito concertos. " saltar com elas. São músicas
realmente fortes. Nós realmente
ouvir e quando elas a perdem...
merda! elevamos os limites de algumas
Qual é a melhor música do Dead dessas novas músicas que
Sabes, vou-te confessar, quando Label? Ou pelo menos aquele poderiam e vão surpreender,
vos descobri e pesquisei mais com mais te identificas... mas esse é o nosso objetivo. Nós
sobre a banda dei com algo do Bem, tem de ser o nosso último não queremos ser uma dessas
género: "Se querem algo de single "Pure Chaos". É a música bandas que produz o mesmo
novo que vai acabar com vocês, mais recente que nós lançamos, álbum várias vezes. Queremos
não procurem mais, têm Dead mas há algumas novas músicas arriscar, queremos evoluir. Se
Label (...)", pensei, certamente que escrevemos para o próximo tentarmos algo e não funcionar,
não há melhor descrição para o álbum que estão realmente a seremos os primeiros a admitir,
que me foi dado ouvir. É assim deixar-me muito animando mas pelo menos tentamos.
que vocês sentem o vosso som? para entrar no estúdio para as Além disso, temos alguns shows
chegando. Temos o Amplified
Ah nem mais, absolutamente, gravar. Fest e Bloodstock no Reino
quero dizer que eu sou o maior Com quais bandas gostavas de Unido e depois o The Unleashed
fã dos Dead Label. Eu amo tudo fazer uma tour novamente ou Festival aqui em Dublin. Eu
sobre o que fazemos. Os riffs, o pela primeira vez? estou realmente estou ansioso
groove, tudo. Divirto-me muito para sair e tocar algumas coisas
a tocar e a ouvir a nossa música. Nós já tocamos com os Machine novas e ver que tipo de reacção
E o melhor disso é a constante Head e com os Gojira e eu nós recebemos.
evolução, o que me faz gostar adorava poder tocar com eles
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eNTREVISTA
eNTREVISTA

Os Sotz foram uma grande surpresa no panorama nacional do ano passado. Não só devido ao
EP "Tzak' Sotz'" que já passou pelas páginas da nossa secção de reviews mas também devido
a grandes prestações em cima dos palcos nacionais. Razões mais que suficientes para termos
uma conversa com a banda do Porto, mais concretamente com a dupla de guitarristas João
(Jisus) Rocha e Pedro Magalhães que apresentaram oficialmente os Sotz à World Of Metal.
Fernando Ferreira

Vamos começar mesmo guitarra, Dan Vesca na trabalho em conjunto, eu inicio aos primeiros
pelo início. Quem voz e Miguel Silva no e o Pedro nas guitarras concertos. Após alguns
são os Sotz' e como baixo. Sotz´surgiu como e na altura o Emanuel concertos e bastante
surgiram? E já agora um projecto caseiro, Ribeiro (o nosso ex- trabalho de casa,
o que significa Sotz' e através do Jisus (eu... baixista) na voz. Em decidimos gravar o
“Tzak' Sotz'” ahahaha) e pelo meu meados de 2013, depois nosso primeiro trabalho
fascínio pela civilização de alguma mudanças no intitulado como Tzak'
Jisus - Ora boas. Sotz' Maia, por volta do ano grupo (normal numa Sotz' que é o título de
(que significa Morcego de 2008. Numa conversa banda na sua fase inicial) um tema presente no
na língua índigena) de amigos, o Pedro tinhamos um grupo EP - talvez a música que
é composto por João incentiva a que este mais defenido, com melhor retrata a banda -
"Jisus" Rocha na guitarra, projecto saia da gaveta todos os instrumentos e que significa "Conjurar
Pedro Magalhães na e logo começamos o necessários para dar ou Invocar o espírito do
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morcego". Hate, Gojira, Revocation, banda, é da nossa natureza estar
Suffocation... e a lista continua. em constante "movimento".
Iniciar uma discografia com Relativamente ao primeiro
EP é quase contra-natura Algo que por vezes escapa albúm, não podemos afirmar
hoje em dia, onde as bandas às bandas mais novas é a que virá brevemente, mas a
avançam logo para o álbum importância da dinâmica, nossa intenção é essa.
de estreia. No vosso caso, de saber dotar o som com
decidiram desde o início diversas nuances de forma a Têm andado bastante activos
que o EP seria a melhor torná-lo mais interessante e em cima dos palcos nacionais.
apresentação? esta é uma das características Esta é uma parte que vão
de “Tzak' Sotz”. Algo que tentar apostar em força? E
Pedro - Muito bem, gostei podemos considerar fazer chegar até lá fora, têm planos
bastante desta pergunta e foi parte da vossa identidade disso?
bem colocada. Como tenho musical?
uma pequena colecção de Pedro - Nesta fase, sim, é a
música onde vários exemplares Pedro - Pergunta interessante, nossa intenção apostar nos
são EP's, sempre achei "graça" na minha opinião, sim, acho palcos nacionais e, sendo o
e inteligente por parte de que "Tzak' Sotz'" é um óptimo sonho de qualquer banda,
muitas bandas, há uns bons EP para caracterizar a banda mais tarde chegar aos palcos
anos atrás, optarem por e o seu estilo, derivado ao seu estrangeiros. Até lá temos
gravar primeiramente um EP tom agressivo, melódico e a sua muito caminho para percorrer.
e, sinceramente, na minha propria atmosfera envolvente.
opinião, há EP's que estão Como surgiu a ligação à
acima de albúns. Decidimos Raising Legends Records?
então fazer o mesmo, pois
queriamos algo com qualidade
"É a nossa intenção Jisus - Nós tivemos
conhecimento da Raising
para apresentar ao público
e sem querer correr muitos apostar nos palcos Legends através de bandas
amigas como os Equaleft, e
riscos, pois não sabiamos se
iriam gostar ou não. Fiquei/ nacionais e, sendo o na altura achamos que o ideal
seria fazer o nosso primeiro
ficámos bastante contentes
com as críticas e novidades sonho de qualquer registo num estúdio. Como
tinhamos um ótimo feedback
estão para vir, mas com mais
duração (risos) banda, mais tarde por parte dos nossos amigos
decidimos entrar em contato
O vosso som é bem moderno
mas não deixa de ter as
chegar aos palcos com o André Matos e foi aí que
a nossa vida enquanto banda
suas raízes plantadas no
death metal tradicional. Por
estrangeiros. Até mudou consideravelmente!
Estando agora a começar a
onde situariam as vossas
influências?
lá temos muito carreira, quais são as vossas
ambições? Esperam poder
Jisus - Esta é uma pergunta caminho para viver a música?
bastante complicada
responder, pois todos nos
de
percorrer. " Pedro - Acho que falo por
todos neste aspecto, estariamos
temos diversas influências, que a mentir se dissemos que não
a meu ver é um ponto positivo queriamos ou gostariamos
na nossa banda. As bandas de viver da música mas,
que mais me influenciam no O que se segue, o primeiro inevitavelmente, essa ambição
meu dia-a-dia são Death, álbum? Já estão a trabalhar está sempre associada aos
Vital Remains, Gorgoroth, nas novas músicas? musicos no geral. No entanto,
Neurosis... temos noção da realidade em
Jisus - De momento já que vivemos e da dificuldade
Pedro - Tal como o Jisus, esta constamos com algumas
é uma pergunta complicada, músicas novas, algumas das de atingir esse patamar. Nada
pois tenho muitas bandas que quais já tocamos ao vivo, é impossível e por isso mesmo
me influenciam na minha vida, como Kinich Ahau, Baak' e continuaremos a lutar pelas
ja que ouço de tudo dentro do Architectures of Madness. nossas ambições, convicções e,
Rock/Metal, mas as principais No entanto, o processo de especialmente, pelo valor que
em Sotz' são Decapitated, composição é contínuo e é a música tem para nós!
Death, Behemoth, Pantera, algo característico da propria
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eNTREVISTA
eNTREVISTA

Bem, conhecer os Thornbridge foi algo indescritível e quando foi proposta a entrevista para a
World Of Metal a resposta foi pronta: “ok, mas tens de fazer perguntas parvas, não levamos
nada a sério!”. E assim foi quebrado o gelo com a banda germânica de Power metal, que
acedeu divertidamente a uns minutos de conversa. Acaba assim com o envio por parte da
WoM de alguns vídeos de... guitarra portuguesa! Assim, com o sucesso obtido com “What
Will Prevail”, o álbum de estreia, os Thornbridge através de Patrick Bughard, baixista, dão-se a
conhecer aos fãs portugueses!
Miguel Correia

Bem, naturalmente teremos Quem são as vossas Nós geralmente perguntamos Então, esse foi um dos vossos
de vos apresentar, para os influências musicais? sempre aos mais novos o objetivos?
fãs portugueses que não que eles querem ser quando
vos conhecem, quem são os Ah nomes como os Helloween, crescerem, mas o que vos Sim, muitas pessoas cresceram
Thornbrigde? Running Wild, Blind Guardian quero perguntar é o que com esse som. Agora eles
se encaixam muito bem no vocês querem fazer quando ouvem a nossa música e
Uma ótima nova banda alemã nosso som. se tornarem famosos? lembram-se dos bons e velhos
de Power metal... tempos do heavy metal. Há
E decididamente quem não (risos) Somos muito modestos, uma grande recetividade às
Um pouco da vossa história. influencia o vosso som? nós adoramos fazer música, nossas músicas.
tocar e o contato direto com
Olha, os Thornbridge foram Hip hop, eu não sou nada fã de nossos fãs, quando chegarmos Isso significa que vocês
fundados em 2008 por mim hip hop... (risos) aí será tudo igual... sem sempre vão optar por uma
(Mo) e Pat. Depois de algumas mudanças! abordagem da "velha escola"
mudanças no nosso line-up "What Will Prevail" é
um álbum muito bem nas vossas músicas, é isso?
conseguimos finalmente ter Vocês disseram que com este
as pessoas certas em 2012 e conseguido, na minha álbum trouxeram as antigas Não, estamos abertos para
pudemos assim dar novos opinião, é claro. Como foram raízes do power metal. O que muitas influências. A nossa
passos. as críticas? sentem para afirmar isso? música, poderá vir a sofrer
Está a vender... outras influências, existem
Sabias que Thornbridge é Nós somos metaleiros dos ótimos sons criados com outro
a marca de uma cervejaria E a promoção? Tem corrido anos 90 e percebemos que tipo de instrumentos também
inglesa... como é surgiu esse tudo dentro do normal? muitas bandas mudaram interessantes. Vamos ver o que
nome? de som depois ao virar do acontece, o que podemos vir a
Sabes, foi o nosso primeiro século. O som da velha escola fazer, mas a base é esta!
Algo aleatório. Eu inventei o álbum e a primeira vez que está a derreter na mente de
nome e fiz algumas pesquisas. trabalhamos com uma editora, Mianmar, eu particularmente Power metal é definitivamente
E percebi que o nome era igual a Massacre, e sentimos que eles não consigo dizer nada o vosso estilo?
sim, boa, assim ficou... trabalharam bem a promoção diferente disto com esta força,
do disco, tem corrido bem... nada mesmo. (risos) Sim, sem dúvida!
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T-Shirts
São uma das melhores maneiras de uma banda se mostrar aos fãs.
Desde cedo comprei e usei t-shirts de heavy metal, a primeira
salvo erro foi a da "Somewhere Tour" dos Iron Maiden, depois
tive a dos Motörhead "Rock'n'Roll", curiosamente comprada em
1988 ainda resiste e anda por aí no corpo de um amigo.
Cheguei a ter perto de 200 t-shirts
e ainda conservo boa parte, as
bandas de eleição foram sempre as
clássicas Metallica, Motörhead,
Saxon, Manowar, Iron Maiden...
Tive algumas t-shirts raras
como uma de Metallica da tour
norte-mericana de 1994, uma de
Moonspell tie-die amarela (ainda
a tenho), uma de Grateful Dead tie-die multicolorida, etc.
Ainda tenho uma shirt com o simbolo do Planet Hollywood mas
que diz Plant Holyweed... Tive algumas com os logos da Ford mas
a dizer Fuck, Shell e Hell, Heineken e Marijuana, Carlsberg e
Cannabis, etc.
Uso com orgulho shirts de bandas portuguesas como Cruz de Ferro, Alkateya, Attick Demons, Tarantula,
Midnight Priest, Ironsword, etc. Acho muito importante as bandas saberem onde se imprime shirts com
qualidade, e apostarem nisso, pois um fã com uma shirt é publicidade gratuita... Uma t-shirt usada com 20 anos
vale agora o dobro do que custou! Pensem nisso... Ah já me esquecia, a gramagem... há por aí t-shirts muito
fraquinhas... As minhas tem durado tanto tempo porque são de qualidade... por ex. Fruit Of The Loom
E não se esqueçam, nem todas as shirts são pretas, eu prefiro azuis ou verde tropa!
Cameraman Metálico - Julho 2018

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eNTREVISTA

Quando tomámos contacto com os Phantom Winter, tardiamente, confesso (com o segundo
álbum de 2016, “Sundown Pleasures”) ficámos esmagados com o seu poder e com o ambiente
opressivo com que conseguem mergulhar o ouvinte. O mais recente trabalho, “Into Dark
Science” não perdeu nada em relação aos seus antecessores e até eleva a fasquia um pouco
mais. Para saber mais detalhes sobre esta ciência negra, fomos falar com Andreas, guitarrista
e alma dos Phantom Winter.
Fernando Ferreira

Olá e bem vindo à World grandes como Metal questão muito pessoal e Estas músicas poderão
Of Metal! E parabéns Hammer alemã, Deaf todos têm a sua própria parecer menos imediatas
pela obra de arte suja (no Forever e Svbterranean. ciência negra, ou seja, comparadas com os
bom sentido) que é “Into objectivos a atingir, álbuns anteriores, mas
Dark Science”! Como vês O vosso som traz-nos coisas pelas quais querem isso não faz com que sejam
o álbum agora que está sempre à superfície tudo lutar, coisas que querem menos interessantes.
cá fora? E quais foram as o que é negro e obscuro corrigir. “Dark Science” Pelo contrário, faz com
reacções que conseguiste mas desta vez esmeram- é uma metáfora para que queiras mergulhar
reunir até agora? se mesmo com a as forças que usamos nelas por uns tempos.
negritude! De onde é que numa luta contra a nossa Tiveste hipótese de te
Estamos muito gratos, veio esta “ciência negra”? própria escuridão. Nós colocar na posição do
o álbum foi recebido de ouvinte e ouvir o álbum
forma muito positiva. Este álbum é uma ópera invocamos os nossos
negra. Eu tento estudar próprios demónios todos ou é impossível desligar
Tivemos muitas notas o músico em ti que está
10/10 e 9/10 nas reviews e examinar este tema de os dias então precisamos
vários ângulos diferentes. de formas de combatê-los. a analisar toda a parte
mesmo em revistas técnica da música?
Penso que isto é uma
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Este espaço pode ser teu em todas as edições da
nossa revista. para mais informações contacta-nos:
Worldofmetal.pub@gmail.com
Tiagofidalgo.wom@gmail.com
Escrevi estas canções tão qualquer outra banda que ouvi Europa?
espontaneamente como as antes, então estou satisfeito com
outras nos álbuns anteriores. isso. O nosso trabalho e as nossas
Penso que são mais sentimentos famílias fazem com que seja
do que estudos técnicos É o primeiro álbum com impossível para nós fazermos
analíticos. Não sou assim um o Florian Brunhuber nas digressões numa escala mais
grande músico, sou mais um guitarras. Teve ele algum alargada. Vamos tocar alguns
mineiro a desancar que nem um impacto na composição destas concertos durante aos fins-de-
animal nas rochas numa mina músicas? semana e alguns espectáculos
escura, a tentar encontrar algo fixes e cidades, mas é difícil para
Não já que sou eu que faço a nós fazermos mais que isso. Mas
com que se consiga aquecer. composição sozinho. vamos ter alguns concertos pela
É perceptível que estão a Quando temos álbuns tão Europa, sim!
evoluir em cada lançamento poderosos como este, é Sentes como libertador tocar
e já têm o vosso próprio impossível não ficar curioso estas e as tuas músicas mais
som, que parece ser bastant em saber como a magia antigas ao vivo? Não ficas
abrangente em termos de é convocada. Como foi a contaminado com todas essas
influencias, indo do doom experiência de estúdio?
metal ao sludge, passando pelo emoções negras?
post metal ou até mesmo black É sempre uma mistura de Penso que seja uma catarse para
metal. Decidiram de alguma divertimento e de cansaço de todos nós. Sempre ponho muito
forma a direcção estilística ou comer e beber na sala de espera positivismo na música e nas letas,
simplesmente aconteceu. para depois repetir tudo outra mesmo que pareça o contrário.
vez, tocar tudo outra vez, dar Rimos e festejamos muito e
Apenas acontece. A única coisa e destruir tudo e ter doze anos podemos muito estúpidos e
que não queria fazer era uma outra vez.
cópia dos Omega Massif, já que infantis e depois há aquela
fiz esse tipo de música durante O que é que podemos esperar hora em cima do palco onde os
nove anos. E queria que os para a promoção do “Into nossos demónios rastejam cá
Phantom Winter fossem algo Dark Science”? Têm algumas para foram e nós pegamos nos
novo. E penso que é diferente de digressões planeados pela nossos instrumentos e lutamos
contra eles.
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eNTREVISTA
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é o que nos apresenta e


Os norte americanos Vicious Rumors, celebram os 30 anos do identifica, mas é também
um pouco de uma
brilhante “Digital Dictator”, segundo álbum de originais, que maldição. Nós somos
ajudou a catapultar a banda para o estrelato da cena heavy verdadeiramente nós
metal mundial. Em conversa com o fundador Geoff Thorpe, mesmos, com elementos
guitarrista e vocalista, a WoM ficou a saber de momentos, do som da Bay, que nós
sentimentos de mais de 30 anos de carreira e o significado que também ajudamos de
certa forma a criar.
teve o sucesso de “Digital Dictator”.
Miguel Correia "Digital Dictator",
com Carl Albert como
vocalista e, infelizmente,
falecido. Havia alguns
Bem, estamos especi- altos, mas acima de tudo Canadá neste ano com a nomes que ocuparam o
ficamente aqui para falar eu sinto-me como um dos europa a seguir. Tudo no lugar de vocalista, mas
sobre “Digital Dictator”, mais sortudos do mundo, caminho certo... por isso! todos por muito pouco
que comemora 30 anos por ter conseguido os meus tempo. Porquê?
e, claro, saber um pouco sonhos durante todos estes Curiosamente, vocês são
mais sobre os Vicious anos! Tours à volta do uma banda oriunda da Quando começas com o
Rumours. E como disse mundo, encontrei grandes Bay Area, mas pouco melhor, é sempre muito
anteriormente, pelo fans, foi uma honra para influenciados pela cena difícil preencher esse
menos sobre esse álbum a vida! Celebramos thrash que nasceu na espaço, não há para ti pés
época? para esses sapatos. Larry
já passaram 30 anos? quarenta anos no próximo Howe e eu seguramos a
ano! Já passaram por Nós somos a parte do banda juntos. Procuramos
Pois, é verdade, caminho aqui membros com muito
longo e difícil meu power do movimento alimentar a química e
talento e agora a banda thrash, tínhamos o nosso quando não há mais
amigo! Naturalmente nós ainda está mais forte. 45
temos muitos momentos próprio som. Eu acho que volta a dar procuramos
datas de tour já agendadas,
20
alternativas. Nós temos que com uma aceitação fantástica. originais deste tipo de música.
fazer o que é necessário ser Como foi para vocês se O álbum influenciou muitas
feito. É uma indústria dura. depararem com a forma como outras bandas de bandas e claro
Com muitos obstáculos, mas, as portas se estavam a abrir? está na memória de muitos fãs.
nós amamos o que fazemos e
nunca tive medo de avançar, de Olha, ficamos felizes para fazer Esse seria o disco que usavas
arriscar outras escolhas. parte de algo histórico. Nós para apresentar a banda
apenas demos tudo em todos os àqueles que não a conhecem?
Brian Allen que outrora já álbuns, mas “Digital Dictator” é
tinha passado pela banda está algo especial! Carl, Mark, larry Sim, ele é uma parte de quem
agora de volta. É a aposta e eu realmente encontramos a somos! Eu geralmente uso uma
final? chave. Uma coisa engraçada é mistura do que nós somos hoje e
nós não termos feito grandes o que fizemos no passado.
Não, o Brian tem outras digressões até nosso terceiro
prioridades. Ele fez um Eu vou confessar, esse é um
álbum. Aí, tudo mudou, é como dos vinis da minha coleção
excelente trabalho connosco dizes, as portas abriram e nós
enquanto esteve disponível, mas e foi meu primeiro contato
demos concertos por todo o com a banda. São trinta anos,
agora nós temos outros grandes mundo. Quem sabe agora
planos a caminho! mas parece que foi ontem... o
trinta anos mais tarde faremostempo passou muito depressa.
Eu também percebi que a novamente o mesmo? Queremos E o futuro? Existem planos
estabilidade foi algo difícil de mostrar o disco para esta novapara vocês?Como será a
encontrar na banda, certo? geração... comemoração dos 30 anos de
Normalmente, com essas Dynamo Open Air para mais "Digital"?
mudanças, uma banda tem uma de 40.000 pessoas! Como Nós vamos tocar o álbum na
tendência a terminar, mas nós viveste tudo isso? integra em mais de de sessenta
estamos aqui. A vida é feita de Yeah, incrível, Wacken, Bang concertos por todo o mundo,
mudanças! Os Vicious Rumors Your Head, muitos outros estamos muito orgulhosos.
tem sido uma banda que está festivais, suporte a bandas Estamos muito fortes, mais
a perto de fazer qurenta anos, como os Aerosmith, Metallica, do que nunca. Temos algumas
tudo o resto é apenas parte Sabbath, tours com os grandes coisas para fazer. Nós
da vida.... Sermos capazes de Hammerfall, Accept, Savatage, vamos viver a vida ao máximo.
seguir em frente é a chave para muitos mais, com muito mais Todas as noites nesta digressão
estar ainda aqui! Nisso com toda para vir, com toda a certeza! será para recordar! Temos um
a certeza não somos diferentes Não tenho certeza de como novo DVD pronto para sair, está
de muitas outras bandas com a podemos medir o sucesso, mas previsto para 31 de agosto e
nossa longevidade. eu sou mesmo muito grato por estará disponível apenas através
tudo... da banda on-line. Estejam
Ok, vamos falar sobre "Digital atentos ao nosso site às redes
Dictator", um trabalho Definitivamente aquele foi o sociais e muito, muito obrigado
reconhecido na época pela álbum? pela oportunidade. METAL
especialista Rockhard como ON!
o melhor disco daquele ano e Nós somos um dos criadores
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eNTREVISTA
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Os Follow The Cipher são uma excelente surpresa no panorama do som mais melódico. Não
só é modern como também é melódico de uma forma old school – basta ouvir a versão de
“Carolus Rex” para ver como a mesma soa tão válida como a versão dos Sabaton. Ficámos
fascinados com eles e fomos falar com Ken Kängström, mastermind da banda sueca para
esmiuçar e expandir esse fascínio.
Fernando Ferreira
Fotos - Georgios Grigoriadis

Olá Ken e bem vindo à e Sabaton, e de alguma com o Joakim Brodén e anos e parece que não me
World Of Metal. Qual forma isso faz um certo apenas depois decidiste consigo desfazer deste
a sensação de lançar sentido… no entanto focares-te nas tuas meu interesse.
um álbum numa editor a minha questão é, são ideias musicais. Foi essa
como a Nuclear Blast? estas bandas realmente experiência crucial para Como foi este caminho
Ainda para mais sendo o uma influência como aquilo que os Follow The para chegar à Nuclear
vosso álbum de estreia. escritor e músico? Cipher são hoje em dia? Blast e ao álbum de
O que mudou? estreia? Difícil e árduo?
Obrigado! Como uma Diria que não a esta Já tinhas o álbum pronto
banda que não teve questão. Eu nunca me Essa experiência foi quando assinaram pela
nenhuma editor antes foquei numa única crucial pelo facto que editor?
dissto, foi mesmo banda como inspiração estava disposto a dar
esmagador. A Nuclear durante o meu processo o próximo passo na A sensação é que
Blast é uma parceira de composição mas minha própria carreira. tínhamos uma espécie
fantástica e não tenho influências de Eu comecei por confiar de luz ao fundo do túnel
poderiamos desejar por outra espécie, como nas minhas próprias com esta viagem que
outra editor para Hans Zimmer e qualquer capacidades de certa fizemos com os Follow
trabalharmos com. É um música que me faça sorrir forma. Eu queria ver o que The Cipher. Alguns de nós
sentimento de estarmos no momento. poderia conseguir atingir já estão no negócio (n.e. -
com amigos e família. sozinho. Primeiramente da música) há já bastante
Antes de decidires é apenas algo que amo tempo e isso ajuda muito
Tem sido ditto que o vosso começares com os fazer, tenho estado a fazer quando tentamos mostrar
som é uma mistur entre Follow The Cipher, a minha própria música a nossa música ao mundo.
Nightwish, In Flames começaste por trabalhar desde que tenho treze A Nuclear Blast foi a
22
primeira editor com quem mim. E ela foi completamente Nós realmente temos a ideia
contactámos mas isto é graça deslumbrante, com a sua de nós próprios como sendo
ao Per Sundström dos Sabaton e performance e personalidade. O pessoas humildes e não gostamos
ao Markus Wosgien da Nuclear que nos levou a criar juntos os de estabelecer qualquer tipo de
Blast. Estamos agora num lugar Follow The Cipher, e com isso expectativas. Estamos muito
que nunca poderíamos sequer formámos a banda em vez do felizes com o sítio onde estamos
imaginar quando tínhamos álbum a solo. neste momento e se for alguma
catorze anos. Já tinhamos as coisa que as pessoas gostem,
músicas quase todas escritas É espantoso como uma canção vamos continuar a espalhar a
mas apenas mais ou menos como “Carolus Rex” pode nossa música.
metade do álbum estava gravado ser reinterpretada mas com
naquela altura. um feeling totalmente novo. Estamos a chegara ao Verão
Tiveste algum feedback do e a todos os festivais que
Como é que chegaram à Linda? Joakim, daquilo que ele pensa existem por todo o lado. Já
Pensaste desde o início que da versão que fizeram? têm planeado onde irão? Seria
precisavam de uma voz como fantástico introduzir-vos ao
a dela? (Risos) Não! Por acaso não público português.
tenho falado com o Joakim de
Na realidade tivemos uma todo sobre esta canção. Vou No que ao Verão diz respeito,
audição na minha casa, e ainda certificar-me de confirmer com apenas temos dois concertos
houve algumas pessoas a tentar ele, daquilo que ele pensa. agendados, Metalfeste Open Air
o lugar de vocalist naquilo que na Républica Checa e o Graspop
julgava ser, naquela altura, o Quais são as vossas expectativas Metalmeeting na Bélgica. Temos
meu álbum a solo. Linda foi a em relação à reacção ao álbum esperança de vos ver no próximo
última a fazer a audição para de estreia? Onde é que esperas ano.
que vos leve?

23
Por Paulo Barros

Olá pessoal antes de mais quero agradecer o convite da WOM para colaborar nesta rúbrica. Nas próximas edições
vou procurar dar opiniões sobre aspectos relacionados com o que está por trás das bandas de Heavy Metal, olhando
mais para o lado técnico e artístico, para assim poder ajudar futuros músicos e fãs deste estilo a compreender a
posição e a carreira dos artistas.
Nestes primeiros artigos vou dar destaque à composição. Para haver música tem que haver composição, e como tal
escolhi quase aleatoriamente 3 musicas de 3 grupos de 3 gerações diferentes, mas todos eles fantásticos.
Megadeth - "Symphony Of Destruction"; Disturbed - "The Stage"; Bullet For My Valentine - "Your Betrayal"
Um dos maiores segredos para ter sucesso está na chamada “Fórmula Mágica”. Todos os grupos que tiveram
sucesso usaram a formula mágica para compor musica, e o mais interessante é que mesmo os artistas que vocês
detestam fora da nossa área usam perfeitamente a utilizaram. Seria muito difícil construir uma carreira sem ter
pelo menos uma musica com a formula. Muitos músicos estariam a pensar que fugindo a estas formulas seriam
originais.
Original... sim, talvez... mas, se quiserem entrar na industria musical vão ter que usar estes parâmetros. Eu já ouvi
algumas vozes que salientam que isso seria vender-se... e prefiro usar as palavras, sobrevivência... ou regras... claro
que quando entramos neste caminho de percorrer o arco-íris todos nós gostaríamos de ir mais longe. Como músico
e fã, respeito todo as estéticas possíveis que queiram criar, pois estamos a falar de arte.
Agora… cuidado com as escolhas, porque isto agora é o século 21, a indústria musical mudou radicalmente e
existem milhões de músicos a fazer todo o tipo de musica. Nos anos 70 os músicos podiam fazer músicas com 20
minutos e com mudanças de ritmo radicais, compassos compostos e 10 partes diferentes na mesma musica, a partir
dos anos 80 mudou. Nos dias de hoje podemos ver muitos grupos de Heavy Metal com 2 e 3, 4 partes nas suas
musicas, ou seja, cada vez mais os grupos são mais directos na sua mensagem, pois o mundo está mais acelerado,
e as pessoas não têm o mesmo tempo disponível para ouvir musica como no passado.
Eu sou um fãn dos Megadeth e também sei que a maior parte dos fãns diz que os álbuns preferidos são os anteriores,
mas um dia a editora deles ou alguém ligado a eles propôs-lhes trabalhar com um produtor chamado Max Norman,
para fazer “Countdown To Extinction”, que que vendeu, penso eu, cerca de 12 milhões de cópias, onde se destacou,
entre outros o tema “Symphony Of Destruction”, que se tornou num dos maiores hits de todos os tempos e não
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diminuiu em nada a carreira da banda pelo contrario, proporcionou-lhes definitivamente o reconhecimento eterno
e isto aconteceu com todas as bandas que fizeram grandes carreiras.
Vou expor de uma forma acessível o que se passa na composição destes grupos. Cada letra uma parte estrutural da
música.

Megadeth – “Symphony Of Destruction”


A B C
A B C solo fantástico do Marty...
A B C
muito, muito simples!

Disturbed – “The Stage”


ainda mais simples...
A C A C solo
A C
A

Bullet For My Valentine – “Your Betrayal”


simples mais directo!
intro instrumental - A B C
A B C D
C

Classifico na minha linguagem a parte C como o refrão da música, aquela que fica mais no ouvido e curiosamente
acontece 3 vezes durante todas elas. Poderíamos, noutras músicas, dos mesmos álbuns destas bandas trocar as
combinações que de certeza iriamos encontrar o mesmo tipo de composição, ou seja, como é lógico, vamos sempre
encontrar a mesma intenção de alguma repetição, simplesmente para não saturar vamos alterando um pouco a
forma por exemplo:
A B A B C solo, C, A B C.
Outra música: C, A B C A B C D solo, B C.
Se fizermos algumas variações dentro do mesmo álbum o grupo nunca se torna indigesto será sempre comestível,
mas também podemos ter uma musica ou outra como nos anos 70, mais conceptual ou psicadélico, mas 1 ou 2
temas, não a maior parte dos temas.
No próximo numero vou falar de outros tipo de grupos que contrariaram a minha tese! ... e agora? O que é que
faço? Ninguém é perfeito pessoal...

Um grande abraço para todos e divirtam-se!

25
eNTREVISTA
eNTREVISTA
NTREVISTA

Há sempre um certo tom depreciativo que vem apegado ao termo ”retro”.


Apesar de ser uma ilustração perfeita do som que se ouve, nós preferimos Esperamos que quando
empregar o termo ”clássico” já que se afigura como mais justo a bandas como gravarmos o próximo álbum
os Lucifer com o seu segundo álbum ”II” que vai beber directamente às raízes com os novos membros, que
da década de setenta e de bandas como Black Sabbath. No entanto há muito eles possam lançar ainda
mais do que apenas isso. Com uma voz fantástica e sensual e um instrumental mais achas para a fogueira.
único, os Lucifer são uma lufada de ar fresco para o heavy metal em geral e o
doom metal em particular. Foi com Johanna (vocalista) e Nicke (guitarrista ) que Para muitos fãs de rock e
conversámos sobre este segundo capítulo e como chegaram até ele. metal, vocês vão chegar
como uma nova banda,
Fernando Ferreira graças à maior exposição
de que agora gozam.
Tendo noção disso, quais
Bem vindos ao World Of fixes e bastante acessíveis por isso acho que não houve são as expectativas para a
Metal e bem vindos de com aquela eficácia alemã mesmo pressão nenhuma. recepção deste álbum? E
volta com este segundo (risos) e uma grande equipa como é que acham que os
álbum que vamos falar de nerds de música, tal como O alinhamento da banda
mudou no ano passado fãs do primeiro álbum vão
daqui a pouco. Por agora nós próprios. Eles foram receber este?
começava por querer saber a nossa primeira escolha (com o Nicke a entrar) e
o que sentem por esta nova e estamos contentes que também este ano com as Johanna – Para mim
fase da vossa carreira. eles também nos tenham entradas de Mayr e Martin, pessoalmente, „Lucifer II“
Começaram num editora escolhido. baixista e guitarrista é um passo superior em
pequena (mas excelente) respectivamente. Estas relação a tudo o que fizemos
como a Rise Above Records Houve alguma pressão mudanças tiveram um anteriormente. Eu espero
e agora estão na Century adicional para este segundo impacto no álbum? Tiveram que este álbum consiga
Media Records, uma das álbum, devido à nova os novos membros algum tocar tantas pessoas como
maiores do mundo. Como editora e principalmente especial nas novas canções? me tocou a mim e estou
se sentem em trabalhar com às excelentes reacções que a bastante excitada para levar
estreia teve? Johanna – O álbum foi
a Century Media? escrito por mim e pelo Nicke agora a banda a um patamar
Nicke - Não, o álbum já e gravámo-lo juntos com superior.
Johanna - Estamos
extremamente contentes estava gravado quando o nosso outro guitarrista Nicke – Acho que podes
com a mudança para a começámos as negociações Robin Tidebrink. Fomos especular como é que as
Century Media. É fantástico com a Century Media. Eles apenas nós três. Recrutámos pessoas o vão receber mas eu
trabalhar com eles. Muito ouviram duas canções e os outros malucos depois posso apenas ter esperanças
quiseram assinar connosco das gravações do álbum.
26
que alguns o curtam tanto como e ainda consigo encontrar aquela Johanna – E os Estados Unidos no
eu. Alguns vão gostar do nosso vibe muito própria dos Scorpions próximo ano.
segundo álbum melhor e alguns vão da década de setenta (menos
preferir o primeiro. É simplesmente espaciais, todavia) através de Numa era em que temos tantas
como as coisas são. músicas como „Dancing With bandas retros, pensam que a cena
Mr. D“. Cruzaram-se com está a sufocar-se a si própria? Por
Vamos então falar de "Lucifer II" alguma ideia que no processo de vezes sente-se que a palavra “retro”
mais profundamente. Tem um som composição tenham pensado que tem um mau sentido e por vezes
tão clássico ao trazer de volta todo seria muito similar com esta ou subestima aquilo que uma banda
aquele velho bom som da década aquela banda? é realmente – como no vosso caso,
de setenta mas também é mais do que tem muito mais a acontecer
que uma simples homenagem e é Nicke – Nem por isso. Falámos do que apenas algo “retro”.
claro que tentam ir um pouco mais realmente em orientar as nossas
além, a mostrar mais cores do que canções numa direcção e até Nicke – Nunca considerei nada que
aquelas reveladas no primeiro mesmo uma certa música por fizesse como “retro” e também não
álbum. Tinham algum objectivo uma certa banda que gostemos considero que os Lucifer o sejam.
específico quando começaram a mas normalmente acaba por soar Tocamos a música que amamos e
compôr para este álbum? bastante diferente no final, o que isso só aconhece porque gostamos
claro, é uma coisa boa. Existem dos sons gravados nas décadas
Johanna - Sim, para além de obviamente algumas homenagens de sessenta e setenta mais do que
querermos voltar com os Lucifer aos nossos heróis e algumas são qualquer outra década. Era quando
para a ideia original de som mais óbvias que outras. uma tarola soava como uma tarola e
que vem das profundezas da não como uma lata de óleo. Os sons
década de setenta, o objetivo era Têm alguma coisa agendada para de guitarra nunca soaram melhor
também libertar-nos de muitas a estrada? É algo fácil de arranjar do que nas décadas de sessenta e
das convenções do underground. já que têm membros a viver em de setenta. É apenas o nosso gosto
Quisemos abrir mais os horizontes países diferentes? e tem sido assim desde que me
e fazê-lo mais pessoal, menos lembro.
envolto de metáforas místicas. Não Nicke – Sim, tirando os festivais
te preocupes, que o diabo ainda este Verão, estamos a planear uma Johanna – Não gosto da palavra
anda à espreita por aí. digressão pela Europa no Outono. “retro”. Apenas penso que (n.e. –
Japão nos inícios do Inverno, com nossa música) é apenas intemporal.
Temos aquele feeling dos Sabbath, esperança Rock intemporal.

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eNTREVISTA
eNTREVISTA
eNTREVISTA

Tarântula, um nome que fica para a eternidade do metal nacional. Há tempos li algo do género,
“Se há banda que em Portugal merece uma estátua, essa banda chama-se Tarântula!” e não podia
estar mais de acordo e foi como que o despertar para chegar a eles e trazer a história desta enorme
banda para a nova geração de metaleiros nacionais. Agradecimentos ao Rudy Sagres por ter
aberto esta porta e permitir chegar ao agora amigo Paulo Barros, um dos fundadores e falar sobre
passado, presente e desvendar um pouco do futuro.
Miguel Correia

Obrigado Paulo, por de Junkies onde demos um A maior dificuldade importante e que nos deu
esta entrevista e digo concerto no maior concurso
seria o aspecto social. motivação.
que é com muito gosto de bandas em Coimbra, queOs cabelos compridos, o
estar a entrevistar uma foi desastroso… depois visual agressivo as próprias Passaram pelo famoso
das bandas mais antigas foram os Mac Zac onde letras das músicas era festival de Santo António
da história do metal já fizemos um percurso muito chocante para as dos Cavaleiros. Na altura
nacional. Como foi que interessante, com convites
pessoas… e claro comprar na nossa cena metal
tudo começou? para tocar na Alemanha material para a banda pois ainda eram escassas as
seriamos uma espécie não havia dinheiro para oportunidades das bandas
Isto começou comigo e de AC\DC cantado em nada… lembro-me de andar se poderem mostrar ao
com o meu irmão a tentar português. Depois varias mais de 6 anos a tocar em vivo. Ainda te lembras
tocar aquilo que seria mais alterações no lineup, até5 cordas pois não havia desse momento?
fácil na altura pois em nos transformarmos numa hipóteses de reparar o sexto
1977 começávamos a dar Sim, Santo António dos
banda de black-metal uma afinador da guitarra, o meu Cavaleiros foi primeiro
os primeiros toques em mistura de King Diamond irmão penso que teve a
instrumentos, penso que festival de Heavy Metal
com Judas Priest. primeira bateria passado 7 em Portugal. Onde apesar
começamos a tentar tocar ou 8 anos porque tocava em
Ramones e Status Quo pois Que memórias guardas baldes de detergente para a de ser muito positivo para
seria o mais fácil para uns desses tempos iniciais, máquina de lavar roupa… algumas bandas, para
miúdos dai juntamos amigos entre dificuldades mas o concerto que demos outras foi péssimo porque
de escola e formamos uma e momentos mais na Alemanha foi uma coisa apareceu a policia e não
primeira banda com o nome marcantes? puderam actuar todas…
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mas foi sem duvida um evento que por sua vez os alemães lhe pois penso que depois do
que se deveria repetir dada a chamariam German Metal...claro "Metalmorphosis "a banda só
importância que teve na altura que isto não seria importante, mas gravou muito tempo depois o
pois seria o primeiro evento serio se calhar quando os meus amigos ultimo álbum para outra editora.
dentro do panorama Heavy Metal destas três bandas lançaram estes
onde tudo começou em Portugal... discos em finais dos anos setenta Por entre discos gravados,
para nos foi um bom começo sem poderíamos também dizer que eles registo que o último trabalho
dúvida… é que foram as primeiras bandas dos Tarântula foi há 8 anos,
de Heavy metal em Portugal... tirando a reedição de “KOL”.
Em 1990, assinam pela sem dúvida. O que têm feito durante este
Polygram, algo que também tempo?
vos ajudou a serem conhecidos
A nossa forma de estar na música
"A
internacionalmente e lançam
“Kingdom Of Lusitânia”. Foi sempre foi esta… tu tiras da
um enorme passo? música aquilo que tu investes,
Sim, mas, em 1987 já tínhamos internacionalização sabes que nós fazemos muitas
coisas. Eu e o Zé damos aulas
lançado o primeiro “Tarântula”
pela Transmedia, se calhar teve
mais impacto que o “Kingdom
dos Tarântula de guitarra, o Luís tem o cargo
de direcção do Coliseu e o Jorge
é um artista plástico, estas são
Of Lusitânia”, isto porque seria
mesmo o primeiro lançamento de
esteve a milímetros as principais actividades mas
fazemos isso porque também
uma banda portuguesa e como tal
teve um grande impacto mediático, de acontecer gostamos no meio deste trabalho,
é natural que a gente se perca um
apesar de limitações musicais e
de produção do som não impediu
que esgotássemos algumas salas e
através do manager pouco… e depois demoramos
muito tempo a lançar outro
trabalho, somos muito lentos na
fizemos muitos concertos e muita
televisão. Tivemos muito apoio da
dos Helloween produtividade tenho que admitir,
mas, às vezes pergunto-me se
nossa editora e das pessoas que
la trabalhavam… ao contrário do pois despertou o tivessemos lançado mais discos e
feito mais tours se a banda ainda
“Kingdom of Lusitânia” em que
não tivemos nenhum apoio da
editora e seria um disco muito
interesse…" estaria activa.
É difícil viver da música em
melhor… a internacionalização Portugal?
dos Tarântula esteve a milímetros Sim, é difícil, em Portugal, mas,
de acontecer através do manager Curiosamente vocês mantêm a também em qualquer parte do
dos Helloween pois despertou o vossa formação desde 1994, algo mundo, ao contrário de que
interesse… inédito numa banda. Como é a
química entre vocês? muitos portugueses pensam.
Há quem diga que vocês foram Eu penso que uma vantagem
a primeira banda a gravar Sem duvida a amizade, as relações que os Tarântula tiveram foi a
um disco de heavy metal... é de amizade são o mais importante possibilidade de conviver com
verdade? para uma banda durar... uma outros músicos estrangeiros
banda é um casamento de quatro desde muito jovens, entre outras
Essa é uma questão não muito pessoas. Somos muito diferentes coisas, lembro-me de um amigo
consensual…pois os NZZN os uns dos outros e talvez por isso nosso, dono de uma casa de
Xeque-Mate e os Ferro E Fogo, também as coisas resultam e claro instrumentos o Sr. Paulo Nogueira
se calhar seriam as primeiras o gosto e o respeito que temos teve a possibilidade de organizar
bandas a gravar o som mais pela música. Workshops com músicos muito
pesado... repara que eu acredito conhecidos no principio dos anos
que estamos a falar de rótulos… Em 1998 chegam à AFM noventa e convidava-nos para
eu acho que a palavra Heavy- records, uma editora com peso andar a acompanhá-los durante
metal surge pelos americanos na cena mundial e ainda lançam os dias de visita em Portugal e o
pois eles têm a mania de mudar três discos com eles. Mas foi facto de perguntarmos a eles como
o nome a tudo, na minha opinião uma relação curta, porquê? funcionava a indústria da música
os ingleses puseram o nome de Não foi curta. O nosso contrato nos seus respectivos países deu-
Hard-rock ao rock mais pesado... com a AFM foi de 3 álbuns e nos muita informação. Tu podes
mas isso daria um outro debate foi rigorosamente cumprido viver da música se trabalhares
interessante com mais gente para por ambas as partes, ainda hoje muito e tiveres espírito aberto
falar... nesse caso podemos dizer recebemos relatórios de vendas para fazer tudo o que envolve esta
que os Tarântula apareceram e direitos deles, a nossa relação industria e tocares todo o tipo de
mais ou menos na altura que os com eles foi sempre muito música. Para surpresa nossa o
americanos mudaram para New boa, agora quem se demorou a dono da AFM records disse-nos
Wave Of British Heavy Metal dar continuidade fomos nós… uma vez que só os Tarântula os
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Annihilator a Doro Pesch e os mais! porque tivemos sempre uma
Edguy seriam os únicos da editora vida cheia de acontecimentos
que eram profissionais. Agora as Sentes que vos faltou alguma fantásticos, por exemplo quando
pessoas não sabem é que, muita coisa para poderem estar em actuámos com os Deep Purple
gente famosa faz outras coisas outro patamar musical? no Coliseu dos Recreios a cerca
no seu dia a dia para ter outros Sabes que os seres humanos de quinze minutos do início do
rendimentos…mas isso não é querem sempre mais… quando espetáculo tínhamos a sala cheia
problema nenhum… no mundo os fãs comentam que podíamos a gritar pelo nosso nome e muitos
inteiro bandas muito famosas que estar noutro patamar isso para nós a agitar as bandeiras de Portugal
vivem somente disto contam-se é sem duvida um grande elogio e fizemos o espetáculo com as
pelos dedos das mãos...interessa pois, demonstram um grande lagrimas nos olhos percebendo
é tu fazeres aquilo que gostas. carinho pela banda, eu tal como que aquilo seria o ponto mais alto
Eu pessoalmente já fiz de muita o resto dos elementos pensei que da nossa carreira e comentamos
coisa desde tocar música de tivemos muita sorte em ter feito para dentro do grupo, podíamos
baile até roadie de outras bandas este caminho através do arco íris, perfeitamente acabar agora a
e acreditem que tenho orgulho agora se no fim do arco íris estaria banda, porque nós éramos uns
de ter executado essas tarefas um pote de ouro ou não isso é o putos que comprávamos os
e, claro, se for preciso volto a que menos importa, conforme discos daqueles senhores e agora
fazer essas e outro tipo de coisas diria um dos nossos ídolos e estávamos a partilhar o mesmo
que eu consiga fazer, eu conheço uma das nossas influências o Sr. palco deles, com o público a
muitos amigos e alunos meus que Ronnie James Dio. aplaudir ao rubro. Foi sem dúvida
vivem da musica em Portugal, um momento fantástico, por isso
agora por vezes também existem estamos eternamente gratos a
pessoas que se recusam a fazer todos os fãs e pessoas que nos
determinadas tarefas dentro da
indústria musical.
"Tu levas da música apoiaram até á eternidade!

Temos falado do passado e para aquilo que investiste Para quando um novo disco dos
Tarântula?
ti um nome que és uma referência
nacional do meio, comparando
passado e presente, o que sentes
nela e isto num Eu não sei, mas, posso adiantar
que temos os temas prontos para
e não fecho o circulo ao nosso
país. Achas que as ideias para
sentido de entrega começar a gravar.

física e psicológica,
Sei que está mesmo a sair
algo de novo estão esgotadas? um trabalho solo teu, “More
Humanity Please...”. É fácil
Sim, as ideias estão esgotadas
na minha opinião. Mas isso já
acontece desde há muitos anos.
e continuo a sentir perceber a inspiração para um
título destes, basta olharmos
Já tudo foi feito… isto porque
já se misturaram todos os estilos
que os Tarântula para o estado da sociedade...

foram muito
Concordo contigo, a minha maior
praticamente com a musica rock, preocupação neste disco foi passar
penso que vai ser muito difícil uma mensagem o mais directa
alguém surpreender, mas, também
acho que quem tiver algo de longe em relação possível…
pessoal e um bom som, uma boa
produção ou seja um bom produto,
poderá sobreviver neste meio.
a tudo porque Quem te acompanha neste
projecto e o que podemos
esperar na sonoridade. O que
Qual a banda nacional que tivemos sempre está previsto?
mais te marcou? E já agora
qual a que mais te impressiona uma vida cheia de Vou ter o Ray Van D na voz o
Pico Moreira na bateria e Vera

acontecimentos
actualmente? Sá no baixo e claro que vou
fazer concertos já tenho quatro
Os Xeque-Mate os NZZN os marcados, mas, estamos a
Jaroujoupe, Genocide, W.C.
Noise, Gangrena, Casablanca, fantásticos" marcar mais, eu procurei neste
disco ir buscar mais as minhas
Roxigénio, isto no passado, influências dos anos setenta e
actualmente são umas dezenas menos dos oitenta... as músicas
delas, Nine O Nine, Ibéria, são de composição simples e
Elektrogod, Ramp, Sabino, Como disse atrás. Tu levas da minimalista, eu comecei desde
Intuitive, Nihility, Apotheus, música aquilo que investiste nela os meus dez ,onze anos de idade
The Temple, Booby Trap, André e isto num sentido de entrega a ouvir Deep Purple, Black
Indiana, Host, Fantasy Opus, física e psicológica, e continuo Sabbath, Van Halen, AC/DC como
Sacred Sin, Alkateya, Attick a sentir que os Tarântula foram tal queria fazer algo desse género.
Demons... Lyzzard... e muitos muito longe em relação a tudo
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Por Dico

The Portuguese “Sharon Osbourne” and her Little Puppy

Os portugueses sempre se distinguiram pela falta de noção que têm da sua diminuta dimensão em numerosas áreas,
prestando-se bastantes vezes a figuras inacreditavelmente ridículas. A música é uma delas.
Um destes dias falei com aquela a quem chamo a “Sharon Osbourne portuguesa” (que nem sequer é manager de
nada, mas julga que sim) para entrevistar um seu amigo músico. Já enviara ao dito as perguntas, agradecendo a
disponibilidade em dar seguimento ao meu pedido (aliás, já noutra altura entrevistara o músico, sem intermediários
ou problema de qualquer espécie).
Todavia, dado que uma semana mais tarde ainda não obtivera resposta, contactei a “Sharon”, para lhe pedir que
fizesse um “forcing” junto do amigo. A resposta, crua, bruta, mal-educada e preconceituosa, veio nestes termos: “E
tu explicaste-lhe o objetivo da entrevista? É que se não explicaste ele não adivinha”. Isto sem saber minimamente
a forma como me dirigi à “grande estrela”. Obviamente que tive de lhe responder no mesmo tom: “Amiguinha, sou
jornalista há 19 anos e do meu ofício sei eu. Tu saberás do teu, mas não me ensinas nada sobre o meu trabalho,
estamos entendidos?”.
Com a bolinha mais baixa, a nossa pequena “Sharon” (ou será melhor “Sharonzinha?” “Mini-Sharon?” “Candidata
a candidata a Sharon?” Escolham vocês, porra, não vou ficar aqui a noite toda!) perguntou de seguida: “E quais são
as condições?” Então, percebi logo: “Esta gaja está a perguntar-me quanto lhe pago para a ‘grande estrela de Rock’
me dar a entrevista!’” Fazendo-me de parvo, afirmei que a entrevista podia perfeitamente fazer-se por e-mail, com
prazo de entrega a duas semanas, e que ia proporcionar à banda uma razoável exposição, o que seria bom para o
grupo do amigo.
Face a esta resposta, a “Sharonzita” (estão a ver, já fiz mais uma variação), tão pura que ela é, não perdeu tempo a
dizer, seca e duramente, “o ‘X’ não está disponível para dar entrevistas!” E acabou ali a conversa. Dois dias mais
tarde voltei a contactar directamente a “mega-estrela planetária” (qual Lars Ulrich, qual quê), que respeitosa e
educadamente declinou o convite para a entrevista, certamente com a “cabeça feita” pela “Sha-Sha” (estão a ver?
Mais outra! Foda-se, estou inspirado!).
E assim vai a música underground feita em Portugal. Gente a viver das glórias do passado, que vem saltando de
grupo em grupo, mas se dá ao luxo de recusar propostas de exposição. Quem sabe um dia virão parar-me às mãos.
Aqui estarei para conversar… à minha maneira!

Dico - Julho 2018

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eNTREVISTA
eNTREVISTA
eNTREVISTA

Tenho de confessar o meu, não digo total, mas parcial desconhecimento com a banda
espanhola Lords Of The Black. Cheguei a eles através de Ronnie Romero e graças às
vantagens das novas tecnologias consegui apurar todo o trabalho realizado até ao momento.
Com a chegada de um novo disco, achei importante realizar esta entrevista e saber algo
mais sobre eles. Tony Hernando, um dos fundadores acedeu a uma conversa com a WoM
e numa abordagem muito franca falou-nos dos Lords Of Black e da forma como olham e
vivem tudo o que fazem no mundo da música.
Miguel Correia

Quatro anos de carreira, Eu acho que a semente um óptimo trabalho, mas projetos chegaram ao
muitos sucessos, como foi plantada quando quando eu estava em fim e nasceram os Lords
tem sido? o Ronnie e eu nos palco com o Ronnie era... Of Black... escrevendo,
conhecemos em 2013, electrizante... havia uma ensaiando e fazendo o
Tem sido óptimo! Mas na época eu organizei vibração, a química entre álbum de estreia quase
não podemos cometer um grande espetáculo nós, era inegável. Mas em total sigilo... só
erros nesta indústria, tem de tributo para Ronnie nada mais, nada sobre queríamos apresentar
sido - e ainda é - trabalho, James Dio, montando fazer algo juntos foi tudo feito e completo,
dedicação e sacrifícios, uma espécie de "All falado naquele momento, evitando interferências
mas amamos o que Star Band" com alguns nós estávamos envolvidos e especulações, sabes
fazemos e acreditamos dos melhores músicos com outros projetos como é...
muito e sabíamos desde da cena espanhola, com e seguimos os nossos
o começo que não iria ser 5 ou 6 dos melhores caminhos, mas nas nossas Na vossa estreia com
fácil. cantores. Eu era o diretor cabeças, sabíamos que de o álbum "Lords Of
Black" a produção
Sim, é isso mesmo, e a musical, tocámos 22 ou alguma forma, mais cedo
foi feita por ti e pelo
semente para os Lords 25 músicas de todo o ou mais tarde íamos fazer
Roland Grapow. Como
Of Black, como foi catálogo do Dio... tudo algo juntos... e no final
surge o Roland aqui,
lançada? correu bem, todos fizeram do mesmo ano nossos
neste processo?
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Sim, Roland e eu temos seguinte... ou até como neste E veio uma tour para o Japão.
trabalhado juntos há muitos novo "Icons Of The New Days". Como é tocar lá?
anos... nós começamos com
um dos meus álbuns a solo Já com o selo da Frontiers. Um óptimo mercado! O Japão
instrumentais e mais tarde eu Como surgiu esse interesse? é absolutamente incrível! Nós
até o trouxe para misturar os tivemos um fã seguir-nos desde
Nós quando terminamos a o primeiro álbum, mas ter
álbuns da banda que eu tinha, produção de "II", tendo a uma editora e distribuição no
antes dos Lords Of Black. maioria das músicas misturadas Japão fez as coisas realmente
Temos um relacionamento e masterizadas, então acontecerem de forma superior.
incrível tanto profissionalmente estávamos à procura de uma Nós fomos primeiro para tocar
quanto como amigos e respeito editora com esse novo material, no Loud Park Festival, que é
e confiança total e mútua, então que sabíamos que era óptimo, enorme e vimos quantos fãs
eu sabia que o queria envolvido também já tendo um álbum de nós já tínhamos! Mais tarde,
com os Lords Of Black, mas estreia lançado que se tinha tocámos nossos primeiros
só para trabalho de produção, tornado numa espécie de álbum concertos em clubes e foi
como co-produtor e orientação. de "culto" no underground, o novamente uma experiência
Ele simplesmente amou as que se dizia de boca em boca inesquecível. Nós gostamos
músicas e a energia delas desde e que se espalhou bastante muito de tocar lá, os fãs que
o primeiro momento em que rápido, é que também eramos temos, a coisa toda sobre estar
comecei a mostrar as primeiras uma grande banda ao vivo, lá num país tão grande com
gravações e ficou muito tudo ajudou, com certeza... mas uma grande cultura.
impressionado com a voz do mesmo a maioria das editoras
Ronnie, então sim, ele estava estavam muito interessadas, Tens a noção de que outros
muito feliz por estar a bordo e mas coisas estavam um pouco... mercados pretendes afirmar
ele está connosco desde então. lentas... digamos que as ofertas o nome dos Lords Of Black?
"II" foi o segundo trabalho foram boas, mas não óptimas,
e o que teve maior impacto não o que queríamos... e Sim, claro, Japão, Alemanha,
no mundo da musica metal. nós decidimos esperar um Reino Unido, EUA são grandes
O que tem sido especial para pouco mais pelo anúncio de mercados para nós, mas
vocês sobre isso e como vocês Ronnie como novo cantor dos adoraríamos esperamos tocar
se sentem sobre o álbum e sua Rainbow... e foi quando as na Europa Oriental e em alguns
receção? melhores ofertas começaram a países escandinavos, vamos ver
aparecer e nós fomos directos o que virá em breve. Espero
Bem, a escrita, a gravação e a para a Frontiers. poder passar pela América do
energia geral no segundo álbum Sul também!
eram bem diferentes do álbum "Icons Of The New Days" é o
de estreia, já que nessa altura já
tínhamos várias apresentações "Decidimos esperar single escolhido, uma música
fantástica...
ao vivo e experimentamos a
reação dos fãs em relação às
um pouco mais pelo Tem uma energia nova e
diferentes músicas... então
eu, digamos, que estávamos a
anúncio de Ronnie diferente para nós e sabíamos
que era meio arriscado colocá-
escrever inconscientemente as
novas músicas numa abordagem
como novo cantor la como primeiro single porque
as pessoas tendem a comparar
de espectáculo ao vivo, por isso, dos Rainbow.. e foi agora que não temos apenas
um álbum. Isso acontece
lançamos músicas mais directas
como "Merciless", "Everything quando as melhores sempre, é natural. Mas é uma
You're Not", "Shadows of War"
ou "New World" - que ao vivo ofertas começaram óptima música com riffs muito
fortes e letras que definem uma
funcionam fantasticamente.
Mas ainda tínhamos outras a aparecer e nós vibração geral para o álbum,
que fala sobre o mundo em
músicas como "Ghost Of You"
ou "Only one life away" que
fomos directos para a que vivemos e o caminho que a
humanidade está a seguir.
eram mais obscuras ou épicas
como algumas das músicas do
Frontiers." Criar um disco é sempre
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duro? Ronnie é ótimo e é um prazer Claro, que sim, mas deve ser
e uma alegria ter apenas um difícil criar uma agenda com
Como sempre é, uma estrada vocalista dessa natureza nos Ronnie envolvido em tantos
tortuosa! Muito trabalho, tempos actuais. Nós quase outros projetos?
escrever, demonstrar, ir e que nos esquecemos como
voltar a cada detalhe... até que era ter um cantor pesado mas Bem, nós tentamos gerir tudo
estejamos sempre satisfeitos e melódico nos últimos 15 ou da melhor forma possível.
decidimos quais músicas que 20 anos, quando era muito
vamos produzir e gravar para Estamos aqui mesmo ao lado,
melhor para todos ter alguém no país chamado "irmão"...
o álbum. Então, novamente, não cantor, mas um artista... a
muitos dos arranjos e para quando uma visita a
mesma coisa com guitarristas... Portugal?
reviravoltas finais podem vir por isso houve uma fase em
durante o processo de gravação que realmente bom e melódico, Seria óptimo! Estamos a
e mistura e, novamente, como não chegava, não era cool... vender muitos discos em
nós gostamos de dar sempre mesmo os solos, foi tudo Portugal, desde o primeiro
um extra, nós gravamos colocado nesse patamar... momento, mas é uma questão
temas bónus, como versões então aqui estamos nós, uma de ter uma oportunidade ou
alternativas ou algumas banda que faz exactamente um promotor português capaz
covers... então acabamos com isso, música forte e pesada de tornar isso possível. Nós
um álbum que tem mais de com uma abordagem moderna gostaríamos muito de tocar aí.
70 minutos de duração e um mas a focar num conjunto
disco bónus com ainda mais Por falar nisso, como está
de referências old school, no a agenda para este verão e
material... nós sabemos que vocalista e no guitarrista ... bem
queremos chegar aos fans que para o resto de 2018?
voltando à tua pergunta, Lords
apreciam tudo isso. Of Black é o quadro perfeito Estamos actualmente a ensaiar
Até onde vão chegar os Lords para o Ronnie, não só, porque para alguns festivais de verão,
Of Black? ele começou tudo aqui comigo, vamos abrir para o Ozzy em
mas, também aqui ele canta Praga e para os Priest em
Olha, eu realmente acredito que algo que é cem por cento dele, Bilbao. Espero que possamos
é um grande disco, muito forte, não tendo a injustiça de ser ter a confirmação de um outro
assim como os dois primeiros comparado com os outros. Pela álbum para o outono.
álbuns foram, mas é como eu forma como canta, entendes o
sinto uma energia algo diferente que eu quero dizer? E para ti, algo de especial,
em torno deste... mas não só os ouvir falar em algo a solo...
nossos fãs, mas a imprensa e o
público em geral agora estão
numa posição melhor para nos
"Lords Of Black é o Estou constantemente
escrever material e a gravar,
a

entender... nós sabemos que quadro perfeito para neste momento estou a
trabalhar em algo muito
não somos a banda de metal
típica da atualidade e fazemos o Ronnie, não só, diferente dos Lords Of Black
ou do meu material solo
música que requer um pouco
mais de atenção do ouvinte, porque ele começou instrumental. Vais ouvir falar
disso quando estiver pronto,
mas eu acredito que os "Icons
Of The New Days" tem um
tudo aqui comigo, com certeza!
conjunto de músicas com letras
e conceitos que fazem do álbum
mas, também aqui ele Uma mensagem para os fãs
portugueses!
uma óptima declaração para os canta algo que é cem Muito obrigado pelo seu
tempos actuais.
por cento dele, não apoio e adoraríamos tocar em
E Ronnie? De certa forma, foi Portugal, vamos fazer com
através dos Lords Of Black tendo a injustiça de isso aconteça!
que ele se tornou conhecido.
Pensaste em algum momento ser comparado com os
que ele iria deixar os Lords
Of Black?
outros. "
34
Apresenta
emigrantes, imigrantes

à venda na loja da world of metal ou


através do e-mail emigmetal@gmail.com

35
eNTREVISTA
eNTREVISTA

Eduardo José Almeida, mais conhecido no meio por Dico, é um dos entrevistados
deste mês na World Of Metal. Depois de "a Breve História do Metal Português",
surge, através da mega Talentos, "Emigrantes, Imigrantes: Experiências de
Vida no Universo Metálico Português (1989-2018)", com data de lançamento
prevista para o próximo dia 3 de julho, com o apoio da WoM. Fomos tentar saber
todos os pormenores que estão por detrás deste livro do nosso mais recente
colaborador.
Miguel Correia

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Olá amigo, começando por algo a este novo livro, "Emigrantes, Portugal para viver e para quem
muito óbvio, depois de “Breve Imigrantes – Experiências de também o Metal é uma parte
História do Metal Português”, Vida no Universo Metálico essencial das suas vidas,
lanças algo com fortes ligações Português (1989-2018)", foi
Jeff Dunn, sei que ele vive em
ao mundo da música. Prefácio muitíssimo fácil chegar a esses
Portugal, mas como surgiu a
de Jeff “Mantas” Dunn, músicos, ao contrário do que
ideia e como chegaste até ele?
entrevistas a nomes como possa pensar-se.
Mike Gaspar, Orlando Matias, Tentei fazer as coisas by the book,
só para citar alguns. Qual a ou seja, contactar o departamento
tua ligação a esta área? Como
começou?
"Continua a perceber- de imprensa da Nuclear Blast
explicando a ideia e tentando
A música pesada começou
se que as grandes marcar uma entrevista. Semana
desde os sete anos, quando ouvi editoras continuam após semana eles engonhavam e
nem davam respostas plausíveis.
o «Bohemian Raphsody» dos
Queen pela primeira vez. Depois
sem querer adaptar- A mensagem subliminar era
conheci Iron Maiden, Deep se convenientemente “nunca ouvimos falar de ti, vai
para o caralho”. Depois que
Purple, UFO, Ted Nugent, Black
Sabbath, AC/DC, entre tantos a todo um novo quatro semanas nisto achei que
eu é que devia cagar neles e
outros e foi inevitável querer ter
uma banda. Sempre tive uma
paradigma de contactei diretamente a banda
enorme paixão por bateria. Então, mercado e merecem ir através da página Facebook. Era
o próprio Mantas que estava
tive a sorte de estar nos Dinosaur
e nos Sacred Sin nos momentos
à falência. " do outro lado. Em 20 minutos
fizemos a entrevista. É um gajo
certos e orgulho-me de ter feito
cordialíssimo, sempre pronto a
história com essas bandas. Ainda
Porquê “Emigrantes”, como ajudar, muito humilde e só espero
toquei nos Paranóia (Lisboa),
surge a ideia de escrever sobre que recupere e rapidamente a
Timeless e Powersource, mas
um tema tão abrangente? Qual 110% do problema cardíaco que
depois veio a faculdade e, apesar
o foco deste teu livro? teve recentemente. Portanto,
de o curso que frequentei ter
por este exemplo, continua
sido Sociologia, o jornalismo A ideia do livro surge
a perceber-se que as grandes
surgiu naturalmente na minha literalmente três meses depois de
editoras continuam sem querer
vida profissional. Sempre adorei sair a edição revista e aumentada
adaptar-se convenientemente
escrever. Criei blogs sobre do Breve História do Metal
a todo um novo paradigma de
Metal, escrevi para múltiplas Português, portanto, reporta-
mercado e merecem ir à falência.
zines, sites, webzines e revistas se a junho de 2016. Certo dia
Ainda não perceberam aquilo que
da especialidade e aprofundei o estava a ver uma reportagem
está à sua volta. Estão totalmente
meu estilo. Chegar à escrita de sobre o suplício dos migrantes
à toa e inertes. Não ajudam as
livros sobre Metal acabou por em alto mar numa louca busca
bandas nem querem investir na
ser um passo natural, que não por melhores condições de vida
sua promoção, mesmo que isso
esta minimamente planeado; e na Europa e comecei também a
não lhes custe um chavo, como
orgulho-me imenso do impacto pensar que, além de sermos um
era o caso. Puta que as pariu é a
que o Breve História do Metal país de emigrantes, também o
mensagem que tenho para lhes
Português (o meu primeiro somos de imigrantes. Ora, tendo
dar!
livro) teve, em especial a edição o Metal como fio condutor,
revista e aumentada. Não havia achei interessante comparar as Olha e como começou a surgir a
nada do género em Portugal, experiências dos Portugueses ideia para este livro?
portanto posso dizer com um ligados ao Metal que neste
pouco orgulho e peito inchado No seguimento do que disse
momento vivem noutros países,
(risos) que fui pioneiro. Quanto anteriormente, surgiu-me a ideia
à dos imigrantes que escolheram
37
de, com o pretexto de uma vez com cordialidade, criticando amigos, conhecidos, amigos
mais, escrever sobre Metal, fazer construtivamente e com base e amigos e mesmo familiares,
um cruzamento entre música de sustentação algo que não além do seu manager) para
pesada, política, economia, ficou bem ou aludindo a algum tentar conseguir a entrevista.
populismo e o assustador aspecto que faltou, agradeço Esteve mesmo, mesmo quase
fenómeno da ascensão da genuinamente e da próxima a acontecer, mas um familiar
extrema-direita na Europa de há vez incorporo essas sugestões. acabou por me dizer que ele estava
20 anos a esta parte, quer através Aliás, foi isso que aconteceu com “muito ocupado”. Se a entrevista
de coligações governamentais, algumas críticas construtivas fosse para a Guitar Player
quer do aumento exponencial do feitas à edição original do Breve certamente que encontraria logo
eleitorado, dos parlamentares e História do Metal Português e que trinta minutos disponíveis na
dos simpatizantes de ideologias foram contempladas na reedição. sua agenda. Está visto que não se
xenófobas, anti-imigração, Pelo contrário, se alguém me pode importunar as Rock stars...
homofóbicas e racistas. aborda criticando por criticar,
Sendo tu alguém ligado ao meio
de forma agressiva, só para
Quais os primeiros passos musical, achas que ainda se faz
chatear e dizer mal mando-os
para lhe dares corpo e quando música como antigamente?
logo para o caralho porque não
sentiste que: "ok, vou mesmo
há conversa possível. É só perder Nem pensar e ainda bem. Os
fazer isto!"
tempo. De resto, as dificuldades músicos e os grupos são mais
A decisão de escrever o livro foi encontrar músicos dos autónomos, trabalham de forma
foi logo na altura em que vi anos 80 que, aparentemente, mais tranquila, com menos
a suprarreferida reportagem. se eclipsaram e se revelaram stress e independente. Cada
Depois, foi começar a pensar impossíveis de contactar. um faz a sua parte em casa,
nos portugueses ligados ao trocando ficheiros com os outros
Metal que haviam emigrado e músicos até à construção final
nos estrangeiros que tinham "Todavia, a maior de um disco, quando chega a
vindo para Portugal. Portanto,
fiz uma lista de nomes, pedi que dificuldade, e que altura de o ensaiar, pré-produzir,
gravar, gravar e misturar em
alguns amigos me recordassem
de outros possíveis nomes, dei
também não consegui casa (frequentemente).
democratização da internet veio
A

início aos contactos, iniciei um ultrapassar, foi fazer possibilitar tudo isto. sem terem
longo processo de pesquisa
(que durou até ao texto final)
uma entrevista, de gastar dinheiro em estúdios,
ou pelo menos minimizando
e, em simultâneo, passei para a mesmo que muito esse passo. Este aspecto foi
realização das entrevistas. Desse
ponto de vista, foi um processo breve, com o Nuno determinante para que de há
duas décadas para trás, mas
muito linear e simples. Depois,
foi tratar as entrevistas e os dados
Bettercourt." essencialmente a partir dos
cinco anos iniciais do milénio,
que recolhi da investigação, tenham surgido inúmeros
escrever o texto e revê-lo. Outros decidiram não aceitar o músicos e bandas que rivalizam
convite para participar no livro. em termos qualitativos com
Como em qualquer projeto há
Todavia, a maior dificuldade, os grupos estrangeiros. Aliás,
sempre dificuldades. Sentiste
e que também não consegui muita da nossa “produção” é
isso? Desta vez também houve
ultrapassar, foi fazer uma hoje igual ou até melhor do que
detratores?
entrevista, mesmo que muito aquilo que vem de fora. Temos
Ui, isso há sempre. Eu sou um breve, com o Nuno Bettercourt. músicos e grupos absolutamente
gajo humilde e gosto de aprender Andei atrás dele mais de um ano. fantásticos. Portanto, hoje a
com os erros. Se alguém se A dado momento tinha mais de forma de as bandas trabalharem
dirigir a mim educadamente, dez pessoas através dele (entre é muito mais profissional, mas
38
a nível de promoção/divulgação referir, de bandas que obtiveram cínico e hipócrita do que nos
ainda há muito para fazer, êxito súbito e uma assinalável anos 80 e 90. Há mais falsidade,
embora todas as ferramentas influência no cenário europeu, menos entreajuda e, por parte
se encontrem gratuitamente mas não souberam lidar com dos fãs, uma maior segmentação
à disposição. Possivelmente, essa realidade e acobardaram- estilística (quem vai a concertos
não são bem usadas nem se, terminando a carreira de Death Metal não vai aos de
devidamente aproveitadas, mas prematuramente. Black Metal e por aí fora). Nada
essa é outra questão. disto beneficia a nossa “cena”.
Agora para além da colaboração
Achas mais fácil para as nossas
bandas conseguirem sucesso lá
"Hoje, quer em termos com a World Of Metal, a qual
fora, ou sentes que o metal aqui de quantidade quer em nos honramos de poder contar,
o que vais fazer a seguir, que
ainda é visto e tratado como
algo marginal?
termos de qualidade, planos tens?

Se a nossa posição geográfica


nunca tivemos tantas A minha autobiografia musical
está em curso, mas muito
fosse mais central e as editoras bandas. No entanto, lentamente. Não defini um prazo
tivessem maior capacidade
de investimento não tenho julgo que também para a concluir. Vou-a fazendo,
com calma. Entretanto, existe a
dúvidas que além dos o que prejudica o possibilidade de concretizar mais
Monspell, Holocausto Canibal,
Heavenwood, Ironsword, desenvolvimento de dois projetos relacionados com
o Metal mas ainda não é certo,
Ravensire, Corpus Christii,
Black Cilice, entre vários
uma carreira fora do dado que não depende de mim.
De resto, o objetivo é desenvolver
outros, já teríamos muito maior país é a competição a minha empresa ao máximo
exposição europeia, se não
internacional. Infelizmente,
não saudável e as e continuar sempre activo no
underground.
estamos no cu da Europa e graves rivalidades que O que farias diferente neste
colocam-se problemas logísticos
e financeiros significativos para
hoje se verificam entre “Emigrantes”?
as bandas fazerem nome fora os grupos." Pergunta-me isso daqui a
de portas. O baixo nível de um ano. Ainda é cedo para
vida dos portugueses também responder com distanciamento,
é um factor impeditivo a um Mas eu vejo bandas a surgir de mas uma coisa de que tenho
maior desenvolvimento das todos os lados e até com muita, pena, mas à qual fui alheio, é que
bandas nacionais em termos muita qualidade, o que me deixa foram incluídas vinte entrevistas
de exposição europeia. De a certeza de um crescimento do com emigrantes portugueses e
qualquer forma, também noto metal por estes lados. apenas catorze com estrangeiros
uma grande falta de vontade de a viver em Portugal. A ideia era
Como referi, essa é uma verdade ser 20/20, mas foi algo que não
arriscar, como por exemplo os inquestionável. Hoje, quer em
More Than a Thousand fizeram, consegui ultrapassar, teve a ver
termos de quantidade quer em com a disponibilidade e vontade
quando toda a banda emigrou termos de qualidade, nunca de algumas pessoas, bem como a
para o Reino Unido. Isso sim, tivemos tantas bandas. No dificuldade em encontrar outras.
é ter coragem e vontade de ir entanto, julgo que também o que
mais longe, ultrapassando as prejudica o desenvolvimento "Emigrantes, Imigrantes –
Experiências de Vida no Universo
agruras e fazendo enormes de uma carreira fora do país é Metálico Português (1989-2018)"
sacrifícios. Ainda falta muito a competição não saudável e as está disponível para compra através
isso às bandas nacionais. Aliás, graves rivalidades que hoje se do e-mail emigmetal@gmail.com
temos alguns exemplos, poucos, verificam entre os grupos. Hoje o ou então através do link http://
worldofmetalmag.com/produto/
mas cujos nomes não vale a pena nosso underground é muito mais emigrantes-imigrantes/
39
O som segue a linha de bandas sinfónicas, mas com mais peso e melodia.A gravação
do álbum “Bible of the Beast”, foi talvez das mais arrojadas de sempre, uma vez
que contou com um órgão de igreja para tornar o som ainda mais envolvente,
além da participação de um grupo coral de 25 vozes. “Sacrament Of Sin” é o
mais recente trabalho e “Demons Are A Girl’s Best Friend” o single escolhido
para a sua apresentação, tendo também as honras de vídeoclip em mais um
momento alto!A avaliar por esta apresentação, “Sacrament Of Sin”, promete
40
a continuidade de uma banda que aposta muito na qualidade e que faz das
suas apresentações um momento visual muito forte que facilmente se torna
inesquecível para quem assiste. Por entre avanços e recuos a WoM conseguiu
um exclusivo nacional com os Powerwolf, em conversa com Matthew Greywolf,
tentou desvendar um pouco mais sobre o presente, com o novo disco e o futuro
da banda.
Por: Miguel Correia 41
Olá Matthew, tenho de começar música. A música em si é bastante Nós chegamos a esse título depois
por agradecer a vossa rápida leve e descontraída em comparação que percebemos que algumas
disponibilidade para esta entrevista com o resto do álbum, é mais um músicas do álbum lidam com o
e, claro, não posso deixar de vos dar estilo rock song do que metal song. conceito de pecado e perdão de uma
os parabéns, não só pela música, mas Foi muito divertido interpretar e forma ou de outra. Nós percebemos
também pelo vídeo de “Demons Are A escrever e acho que será uma ótima o conceito de pecado e a forma como
Girl’s Best Friend”, é fantástico, mas eu música para tocar ao vivo! é utilizado no catolicismo, o que foi
sempre ouvi dizer que o melhor amigo muito interessante: no catolicismo o
de uma mulher são os diamantes. Qual Pois e com uma igreja daquelas, não homem já nasce um pecador. Mesmo
é o conceito por detrás dessa música? haverá falta de fiéis. Quem pensou antes de poderes falar ou andar, és
o vídeo? Como surgiu a ideia? definido como pecador, que só pode
A música é sobre o tema clássico da vencer o pecado ao levar uma vida
tentação, que é tão antiga quanto a Ah, nós tivemos a ideia do vídeo muito piedosa e confessar sempre
humanidade. A clássica história da quando escrevemos a música. todos os pecados. Então o pecado
serpente no jardim do Éden. Claro Finalmente foi filmado numa igreja é na realidade utilizado quase como
que as letras são escritas com toda em Itália. Nós tivemos o cuidado de um ritual, como um sacramento.
a ironia e também a referência tema procurar um espaço, neste caso uma Psicologicamente visto isso é bonito…
dos Evergreen, “Diamonds Are a igreja, sem qualquer uso religioso. bem… estranho. Um campo perfeito
Girls Best Friend” imortalizado pela para se abordar e escrever letras.
Marilyn Monroe, o que são sugestões E o título do álbum, como surgiu a
para a honra que incluímos nesta ideia? Sem dúvida e ao ouvir essa música
42
sinto o som dos Powerwolf mais acabava qual o balanço feito? primeira verdadeira balada, será
poderoso e intenso do que nunca. certamente a mais surpreendente,
O que nos espera com o novo Eu posso dizer que facilmente pois nunca fizemos nada parecido no
álbum? Vamos ter um álbum percebemos a nossa visão para este passado. Na verdade, ficamos algo
conceptual, como o “Lupus Dei”? álbum, e ainda mais: incluímos muito surpreendidos quando a começamos
mais aspectos e elementos em nosso a escrever e organizar as ideias e
Não, “Sacrament Of Sin” não será som, mantendo a nossa imagem descobrimos que simplesmente a
um álbum conceptual, embora todo de marcas. Na composição nós adorávamos.
o conceito de pecado seja como uma experimentámos orquestrações um
linha vermelha que passa em muitas pouco mais detalhadas, até mesmo Temos falado aqui em compor e como
das suas canções. Nós não nos elementos como gaitas de foles ou é feita essa tarefa nos Powerwolf?
sentimos confortáveis ​​hoje em dia teremins, e tudo isso parecia muito Quem colabora mais com ideias?
com álbuns conceptuais, acho que natural e que facilmente encaixava
me sentiria algo preso num quadro numa música nossa. Olha, na maioria dos casos, sou que
de tal conceito. “Sacrament Of Sin”, escrevo as linhas básicas das músicas,
musicalmente é de longe o nosso E de todo o álbum, que música, ou e que depois apresento ao Átila e ao
álbum mais diversificado, assim como músicas achas que vão surpreender Falk e discutimos no que essas ideias
as suas letras. mais? se podem ou não tornar. Então nós
vamos lá e escrevemos a música em
Qual foi a vossa visão original para Provavelmente “Where The Wild torno da ideia básica, que na maioria
este disco, e quando o dia de gravações Wolves Have Gone”, que é a nossa dos casos é na verdade o refrão.
43
E quando as estão a escrever, vocês power metal, uma voz com mais Bem, nossa agenda parece estar
pensam em como elas podem soar ao profundidade, mais drama e mais muito agitada para os próximos dois
vivo? baixo. anos, basicamente muitas turnés e
festivais pela frente - mal podemos
Claro, e eu acho que isso é muito Quais bandas que mais influenciam o esperar para voltar aos palcos e tocar
importante, já que a situação ao vosso som? as novas músicas de “Sacrament Of
vivo é a mais honesta e as músicas Sin”
deveriam funcionar todas nessa ideia, Falando por mim pessoalmente, eu
é por isso que eu sempre imagino definitivamente terei de referir Iron Pergunta difícil. Já imaginaste a
como uma música sairá no palco Maiden, Mercyful fate, Black Sabbath banda apresentar-se um dia sem
quando a escrevo. e Scorpions. Desde cedo quando eu maquilhagem?
era um jovem, e ainda hoje eles são
Quanto tempo levaram em estúdio, e a base do que eu considero grandes Não. Tudo é mais do que isso. O
quais as vossas melhores lembranças bandas de metal, mesmo que os processo de fazer a maquilhagem
desses momentos? Scorpions hoje em dia possam não é como uma transformação das
ser considerados como tal, mas são pessoas que somos na vida real, para
Passamos mais ou menos três meses uma das minhas principais influências os personagens que somos no palco.
entre gravações e mixagem. Nós de composição de qualquer maneira. Demora cerca de 90 minutos e é
nos divertimos muito no Fascination super importante para nós. Ninguém,
Street Studios e realmente amamos Os Powerwolf estão caracterizados exceto alguém da banda, pode entrar
a atmosfera de uma gravação no por usar grandes “encenações” épicas na sala, ouvimos música e, lentamente
meio do nada na Suécia. Não havia - órgão, imagens, sinfonia. Ambicionas prepara-mo-nos para fazer o concerto.
literalmente nada ao redor, exceto a fazer algo do género... peça teatral? Eu não posso imaginar entrar no palco
natureza e muita neve. O ambiente sem esse ritual. Então como vês, não é
perfeito para realmente nos focar no Não. Somos uma banda de metal apenas só o aspecto visual ...
processo de gravação. depois de tudo, (risos) … devemos
ficar com o que sabemos fazer de Uma mensagem para os fãs
Deixe-me dizer que eu pessoalmente melhor! Eu amo teatro, mas eu não portugueses
acredito que Átila foi a melhor nos vejo realizando qualquer coisa
escolha para o vocalista da banda. nessa direção. Basicamente somos Nós adorámos ter estado no festival
Concordas? uma banda de rock’n’roll e é isso que de Vagos Metal o ano passado, vocês
fazemos. foram inacreditáveis e nós esperamos
Claro! Queríamos um cantor que Bom, pergunta cliché...e agora? poder voltar um dia a Portugal!
soasse diferente da voz habitual do
44
”Na composição nós experimentámos orquestrações um pouco mais
detalhadas, até mesmo elementos como gaitas de foles ou teremins, e
tudo isso parecia muito natural e que facilmente encaixava numa música
nossa.”

45
Garage World
O intuito desta rúbrica desde o primeiro dia de apoiar as bandas nacionais, porque é na garagem onde tudo
acontece que os sonhos nascem. Esold - Eternal Search Of Lucy's Diamonds - chegam-nos de Abrantes e
são a banda deste mês da rúbrica Garage World.

“Os ESOLD são 4 amigos que gostam de Rock e que óbvias, para quem nos ouve, o Grunge e o Stoner.
se juntam para fazer o que gostam e lhes dá prazer – Todos os elementos da banda têm um passado ligado
Rock! Na voz temos o Cláudio Brandão, na bateria o à música e já tivemos vários projetos ao longo dos
Jorge Neves, no baixo o Sérgio Marques e na guitarra anos, o que permitiu que cada um de nós crescesse
o Rui Duarte.” Assim, segundo Rui Duarte, “ESOLD como músico e compositor e em ESOLD juntamos
é um projeto de Rock relativamente recente com todo esse conhecimento e experiência acumulada
diversificadas influências sendo as mais vincadas e num projeto que acreditamos ser forte, honesto e com

46
“O nome do projeto Eternal Search Of Lucy’s Diamonds (ESOLD) nasce pela mão
do nosso vocalista, o Cláudio, que se inspirou nalgum psicadelismo dos anos 60
e 70 com referências aos Beatles ou aos Pink Floyd.”

potencial.” contemporaneidade.”
Normalmente as bandas que vão nascendo tem
O Grunge e o Stoner são a imagem de marca do seu som sentido sempre dificuldades no nosso mercado, o
e pelo que nos foi dado a ouvir na demo, totalmente meio underground continua a ser o único espaço
independente, composta por três fantásticas faixas, o existente e poucas são as que tem a oportunidade para
projeto promete e vai com toda a certeza enriquecer atuar ao lado de outros nomes, pisando outros palcos.
a cena musical nacional. “Um dos nossos principais Para a banda a ambição é consciente e equilibrada de
objetivos com este pequeno trabalho é que possa acordo com o que os rodeia, “O mercado nacional
servir de “cartão-de-visita” e que possa despertar a é pequeno e apesar do underground ter crescido em
curiosidade a quem nos ouve.”. termos de espaços e condições logísticas e técnicas
dos mesmos continua a ser um ambiente controlado
Os ESOLD, fazem valer na composição das suas por um grupo restrito. É difícil para projetos
músicas a experiência e as influências musicais de recentes e totalmente independentes como os ESOLD
cada um dos seus elementos, pois as origens musicas conseguir garantir a sustentabilidade e sair para a
de cada um vem de bandas como os Assemblent, The estrada sem riscos desmedidos. Nos ESOLD temos
Grim Reaper Society, Perfect Sin, Dog Ways e até procurado o equilíbrio entre o custo/benefício e do
a trabalho de parceria com nomes como Fernando que conhecemos são muitas as bandas que funcionam
Ribeiro (Moonspell) e Miguel Fonseca (Bizarra nesta lógica. Mas é mesmo este “agridoce” do
Locomotiva),“A experiência e o conhecimento underground que também nos faz por cá andar … Se
acumulado são elementos diferenciadores, permite- fosse tudo fácil perdia a piada!“
nos saltar alguns estádios e encarar o projeto de
um modo mais rigoroso, mas, ao mesmo tempo Apesar de tudo há a noção de possíveis obstáculos,
sem pressões que por vezes criam aqueles atritos comuns a todas as bandas, afinal a Era Tecnológica
desnecessários. Em termos de composição todos poderá ser uma mais valia e comparativamente
compomos individualmente e levamos essas ideias com o passado, temos mais meios de divulgação,
para o grupo de uma forma natural e sem ideias as tecnologias de gravação são as mais variadas, há
pré-concebidas e é em conjunto que as músicas mais espaços para as bandas atuarem, mas sinto que
corporizam a sua forma final…É um trabalho de ainda existem algumas limitações, para muitas das
equipa.” e tudo surge de forma natural, apesar das bandas que vão surgindo. “Sim é verdade que hoje
ditas influências serem de diferentes quadrantes, os existe um maior número de ferramentas disponíveis
gostos, esses acabam por ser comuns a toda a banda, que permitem agilizar processos, seja na divulgação
não existindo na opinião de Rui Duarte nada que os ou na gravação ou nos espaços disponíveis e na
“afaste” no processo criativo, “E não é só no som que qualidade destes, o que é fenomenal. Contudo, se as
fazemos, mas também na forma como encaramos o pessoas não estiverem por detrás tudo se esvanece. Se
projeto e como todos nos relacionamos, interagimos a malta não aparecer nos concertos, não comprar os
e desenvolvemos o processo de composição e criação. discos e o merchandise, não passar entre os amigos
Todos temos gostos e influências próprias, no entanto os novos projetos fica difícil. Temos vistos que o que
há uma linha condutora entre todos e é isso que faz o vai importando é o número de likes, o número de
nosso som. Quanto a influências é difícil de responder seguidores, o número de visualizações, etc. mas sou
porque são muitas. Contudo, e ouvindo a nossa cético em relação a este modelo… No final receio
música penso que é possível identificar referências que represente uma “mão cheia de nada”, mera
e influências que passam pelos grandes projetos de especulação.”
finais da década de 60 e década de 70 como os Black
Sabbath, os Led Zeppelin, os Blue Cheer ou os Pink Os ESOLD como qualquer banda ambiciosa, tem os
Floyd só para citar alguns nomes. Depois e de forma seus planos e a vontade, essa é enorme, “Os planos
mais proeminente as nossas influências também passam por continuar a trabalhar em mais alguns
passam pelas bandas de finais de 80 e década de 90 temas que temos na calha, continuar a divulgar e a
como os Soundgarden, Alice in Chains, Deftones, mostrar ao vivo o nosso trabalho nos espaços que
Tool ou os Kyuss. nos queiram receber e para o final do ano, mas ainda
sem data concreta, voltar para estúdio para gravar um
Até certo ponto somos um projeto algo revivalista, trabalho mais robusto e representativo dos ESOLD.”
mas sem perder contacto e o foco com a

47
Por Carlos Lichman

Como fazer os teus fãs comprarem as tuas músicas


Hail! Meu nome é Carlos Lichman, sou músico desde 1996 e estou muito feliz de poder escrever para
a World Of Metal. Com a minha coluna Metal Business irei trazer assuntos muito importantes para as bandas
de rock e metal, pois com mais de vinte anos de carreira passei por muitos momentos que me ajudaram a
entender como funciona a música profissional por traz dos palcos, assuntos como venda de músicas, concertos,
gravações, arranjos, equipamento e estudos musicais. Hoje irei abordar como fazer os teus fãs comprarem as
tuas músicas! É impossível querer trabalhar com venda de músicas como era feito durante os anos 80, 90 e
começo do século 21. Mas existem pontos que são interessantes de revermos e repensarmos. Pára de pensar
nos mitos antigos que fazem fãs não comprarem as tuas músicas, cria uma forte relação com a tua base de fãs
e com pessoas que te vão ajudar a agendar mais concerts e outras oportunidades no mundo musical, tudo a
longo prazo. Aprende ideias simples que vão transformar a relação em dinheiro e vão agregar muito valor aos
teus fãs, fazendo com que eles se tornem leais à tua música.
Mito #1: Meus fãs não tem dinheiro
Os teus fãs tem dinheiro, eles simplesmente preferem comprar outras coisas ou manter vícios como
bebida e tabaco.
Mito #2: Qualquer pessoa pode fazer download de música de graça na internet, não há razão para
comprar
As pessoas não compraram as tuas músicas poque não deste uma razão forte para isso. A internet não
tem culpa. As pessoas muitas vezes não compram música pelas melodias e arranjos. Existe um valor pelo o
que a música significa.
Sugestões que farão os teus fãs comprarem a tua música
Hoje a venda de música está muito ligada às plataformas digitais, ou até mesmo ligada à tua pagina na
internet. As bandas e artistas estão com maior poder sobre os direitos de suas obras e controle de venda do que
na época em que editoras "mandavam" no negócio.
Sugestão 1: Criar um site com um sistema de vendas eficiente é uma forma directa de entrar em contato
com o comprador/fã. Criar combos de venda com o merch da banda. Hoje uma banda não pode sobreviver
sem seus produtos na web store, camisas, bonés, etc. Agregar valor de compra por exemplo: Combo 1: camisa
+ novo álbum da banda em versão digital, Combo 2: Novo álbum + bilhete para concertos, Combo 3: 2
álbuns da banda + camisa + bilhete para concerto. Existem diversas combinações que podem ser feitas
dentro do site da banda/artista.
Sugestão 2: Criar um relacionamento com os donos das casas de espectáculos. Relacionamentos
próximos no mundo da música são tão importante quanto saber tocar bem o teu instrumento ou ter um
material bem gravado. Criar combos através da ajuda do dono da casa nocturna ou bar que a banda/artista
vai se apresentar. Agregar valor de compra por exemplo: Combo 1: camisa + novo álbum da banda em
versão digital dá direito a uma bebida de valor alto na casa, Combo 2: Novo trabalho + Bilhete para o
concerto, com direito a bebida grátis após consumo de uma. Existem diversas combinações que podem ser
feitas dentro do site da banda/artista. Isso tudo será possível através da construção de um relacionamento
forte com os donos e promotores dos locais onde a banda costuma apresentar-se.
Resumo: para obter dinheiro com a venda das tuas músicas é importante incentivar as pessoas
a tornarem-se de fãs passivos para activos com ofertas que vão além de comprar música. Sê criativo e
incentiva os teus fãs a comprarem o teu material e irem aos teus concertos!
Para os interessados a conhecerem mais o meu trabalho podem procurar-me no Facebook,
Instagram, Youtube e no meu site www.carloslichman.com.
Até a próxima!
48
Todos os dias um programa diferente

Segunda - A Hora da Morte


Terça - A Hora do Chifrudo
Quarta - A Hora Delicatessen
Quinta- A Hora do Monolito
Sexta - A Hora do Heavy Mental
Sábado - A Hora do Rasganço

Todos os domingos um programa diferente


Heróis do Mar
A Hora do Entulho
A Hora do Prog
A Máquina do Tempo

às 21h com repetições à 1h e 9h


http://worldofmetalmag.com
App no google play 49
Guia
Musical
Por Fernando Ferreira
50
51
O festival Laurus Nobilis Music
Familicão é o exemplo de como
desde o regresso em 2012.
"Overloaded" de 2016 foi uma Sotz'
a música pesada é uma aposta pedrada intensa no charco e
forte a considerar. Depois o ano anterior foi povoado por
de ter uma abordagem mais dois splits e um EP. Juntando
generalista, com apenas um energia e irreverência, motivos
dia dedicado às sonoridades mais que suficientes para um
pesadas, a organização decide grande concerto.
apostar na edição de 2018
em bandas de metal - ou Cruz De Ferro
pelo menos de sonoridades
próximas ao metal, uma decisão
que sabemos que vai ser bem
sucedida e que só temos a
saudar. Vamos guiar-vos então
pelos nomes do Laurus Nobilis
que, resta acrescentar, tem
como objetivo a angariação de O nosso underground está
fundos para a construção da mais rico que nunca, com
Casa do Artista Amador. novas bandas a surgirem
constantemente. E se
É de salutar a aposta em bandas todas tiverem metade da
Dia 1 - 26-07-18 de heavy metal tradicional,
uma vertente quase sempre
qualidade daquela que os
Sotz' evidenciaram no seu
Atreides esquecida nos festivais. Quando
temos os Cruz de Ferro, um
EP de estreia "Tzak' Sotz'",
então estamos mais que bem
dos mais batalhadores grupos encaminhados. Death metal
de heavy metal lusitano, então poderoso e moderno a iniciar
é regozijo a dobrar. O recém as hostilidades do palco Estrella
lançado EP "Imortal" é o último Da Galicia no segundo dia do
lançamento e deverá juntar-se festival.
a "Morreremos de Pé" como
centro das atenções dos temas In Vein
escolhidos.
Infraktor

Os Atreides são um dos bons


nomes do heavy metal do nosso
país vizinho, tendo lançado já
dois álbuns, sendo o último
"Neopangea", que data do ano
passado. Um pé no heavy metal
mais melódico e outro no power
metal, fazem com que esta seja
uma das boas apostas do som Este é um ponto que insistimos
sagrado em qualquer cartaz. em repetir - a qualidade que
as bandas que iniciaram a
Booby Trap actividade discográfica
excepcional. "Resurrect", de
é
Raramente temos uma banda
que chega ao primeiro álbum 2017, foi o álbum de estreia dos
e consegue criar um impacto In Vein e evidencia uma banda
tão grande como aquele que com uma sonoridade que é
os Infraktor causaram. Com tanto extrema como moderna.
membros e ex-membros de A sua actividade em palco já
bandas como Pitch Black, lhes rendeu uma experiência
Revolution Within e Echidna, os que garante um festim metálico
Infraktor têm em "Exhaust" um apreciável.
dos grandes álbuns de 2018,
death/thrash metal poderoso Nine O Nine
que irá fazer mossa no final do
Um dos nomes clássicos do primeiro dia.
thrash/crossover nacional, os A mais recente aventura de Tó
Booby Trap estão a ter uma Pica é sem dúvida uma das mais
segunda encarnação fulgurante
52
Dia 2 - 27-07-18 interessantes do underground
diferente no palco Porminho. Uma das bandas mais históricas
do nosso thrash metal, que
SepticFlesh conseguiu suportar todas as
adversividades e manter a sua
actividade quer em estúdio quer
em cima dos palcos, sempre
com uma energia difícil de
superar ou mesmo igualar. É o
que se espera no fecho do palco
Estrella de Galicia no segundo
dia.

nacional dos últimos anos.


Sonoridade bastante aberta Dia 3 - 28-07-18
onde o rock alternativo, o hard
rock e o metal progressivo fluem
em harmonia, num dos grandes Os cabeças de cartaz para o Legacy Of Cynthia
álbuns de estreia do rock segundo dia são os gregos
português, "The Time Is Now". Septicflesh e este é um dos
concertos mais antecipados dos
Hills Have Eyes últimos tempos. A atravessar um
dos melhores períodos criativos
(como o mais recente "Codex
Omega" comprova), os gregos
vêm espalhar o seu misticismo e
peso bruto sinfónico no Laurus
Nobilis.
Mata-Ratos
Os Legacy Of Cynthia são um
bom exemplo de como só basta
ter criatividade para apresentar
algo que fuja às convenções
e modas estabelecidas. Com
Os Hills Have Eyes são uma um som moderno, tendências
banda que dispensam atenções progressivas e muita experiência
e também são eles que iniciam as graças a dois álbuns e muitos
festividades no palco Porminho, concertos dados, este será
o palco principal. Metalcore sempre um nome atractivo
explosivo e contagiante que faz para os fãs de música pesada.
Uma festa da música nunca o
com que seja impossível parar
quieto. poderia ser verdadeiramente Low Torque
sem que os nossos pais do
Equaleft punk estivessem presentes para
partir tudo. A instituição que é
Mata-Ratos colocará um ponto
final no som do palco principal
com a sua já esperada energia
rebelde, liderada por Miguel
Newton, o seu eterno frontman.
WEB

Como é que o rock pode estar


Por este ponto já é bastante inútil morto, com bandas como os
dizer o quer que seja sobre os Low Torque a andar por aí e a
Equaleft. Não que não mereçam espalhar groove? Com tanto de
mas porque são apenas um dos southern rock como de stoner
nomes mais sólidos do metal metal, a banda portuguesa
nacional, onde cada concerto é está a promover o seu terceiro
sempre antecipado como uma trabalho "Chapter III: Songs
explosão de energia. Não será From The Vault", o que é garantia
de concertos inesquecíveis.
53
Revolution Within school do mais viciante que
pode haver e um novo álbum
às costas, "Against The Odds",
são razões mais que suficientes
para um grande concerto que
se antecipa como memorável.
Tarantula

Os The Godiva sempre


evidenciaram o som lusitano
desde cedo, misturando
Podemos atribuir à qualidade a melodia com o peso de
da nova vaga de thrash metal forma irrepreensível. A banda
lusitano muitos factores, mas o atravessou algumas dificuldades
principal para nós é a energia mas este será um regresso em
que os Revolution Within força e muito aguardado, com
trouxeram. Energia essa que uma formação renovada e a
também é uma constante nos preparar o próximo de trabalho
seus já míticos concertos. Algo Nenhuma festa metálica de estúdio.
que é sempre motivo para não portuguesa o poderá ser sem
faltar ao chamado. aqueles que são considerados
como um dos seus principais informacoes
The Temple bastiões. Os Tarantula poderão
Campismo é gratuito!
não lançar um álbum à mais de
oito anos mas ao vivo continuam A localização do Laurus Nobilis,
a despejar heavy metal como na freguesia do Louro, permite
ninguém, sendo sempre um conjugar a proximidade de um
ponto alto em qualquer cartaz. centro urbano, pois o centro de
V.N.Famalicão fica a apenas 4km,
Dark Tranquillity com a vertente rural do local onde
se realiza o festival.

Como chegar de automóvel:


As estradas nacionais EN 204
Os The Temple poderão nem (Famalicão – Barcelos) e EN 206
ser muito activos mas os seus (Famalicão – Póvoa de Varzim)
concertos já são frenesins encarregam-se de dar boas e
memoráveis de energia. rápidas rotas de acesso ao evento.
"Serpentiger" sucedeu "Diesel Ao nível da rede de autoestradas,
Dog Sound" onze anos depois qualquer autoestrada do país pode
mas não desiludiu, já que a desaguar em Famalicão através
intensidade e poder estão lá da A3 ou da A7. Para quem vier
todos. Tal como o que se espera de norte e de Espanha, é possível
ao vivo. chegar a Famalicão através da A3.

Crisix O cabeça de cartaz do Como chegar de comboio:


A 500 m da entrada do recinto
último dia é outro nome que tens o apeadeiro do Louro (com
dispensa atenções entre o horário alargado de paragem de
público português. O seu comboios) para quem utilizar o
death metal melódico evoluiu e comboio como meio de transporte
teve muitas metamorfoses ao para o festival.
longo dos últimos anos, mas a
consistência como conseguiram Como chegar de autocarro
sempre manter a qualidade é público:
comparável apenas à forma Utilizando a Rede Nacional de
como sempre deram tudo em Expressos, com trasfega na central
cima dos palcos. "Atoma", de camionagem de V.N.Famalicão,
lançado em 2016 é o trabalho para a rede local de autocarros. A
que servirá de base para a localização do evento proporciona
actuação mas espera-se uma um alargado circuito de autocarros
Os nuestros hermanos Crisix viagem por toda a carreira dos públicos (rotas locais), dando uma
são sempre uma boa escolha suecos. possibilidade viável da deslocação
para manter o público activo ao Laurus Nobilis ser por este
e animado. Thrash metal old
54
The Godiva meio de transporte.
http://www.telefoniadaamadora.pt

55
56
Que os ratos de porão são uma das instituições do Crossover/hardcore mundial,
não existem dúvidas. Que são uma das bandas brasileiras mais respeitadas e
adoradas em Portugal, também não. Basicamente só temos certezas em relação
ao seu valor e ao respeito que todos temos por eles. Nada mais apropriado ter
uma conversa com o mítico João gordo, um dos nossos heróis de sempre, sobre
aquilo que podemos esperar pela próxima visita da sua banda ao nosso país,
através do palco do vagos metal fest.
Fernando Ferreira

57
"A brutalidade do público é parecida no mundo todo mas a paises que são
particularmente queridos como Portugal”

Olá João e bem vindo ao nosso Nos últimos anos tem se notado uma mais fãs ou não existe propriamente
World Of Metal. É uma grande honra abrandamento da actividade editorial essa separação?
podermos ter esta pequena conversa - na última década editaram apenas
contigo, tanto para a nossa revista um álbum, “Século Sinistro” que já RDP é uma das poucas bandas do
como para mim pessoalmente, que tem quatro anos neste momento – no mundo que consegue unir facções
sou um grande fã de Ratos de Porão entanto continuam bastante activos do rock muito diferentes... Acho que
há já mais vinte anos – o tempo voa. em cima dos palcos. Foi algo natural, é pelo facto da salada musical que
E se calhar começava por este ponto algo que simplesmente aconteceu ou fazemos nos nossos vários discos... A
mesmo, alguma vez pensaste que foi uma decisão consciente? base é sempre o punk .. Mas é uma
os Ratos de Porão poderiam ter uma mistura de thrash metal, crust, grind e
longevidade destas? Afinal são quase Temos dificuldade para ensaiar visto rock alternativo bem diferente.... Nao
quarenta anos, cada vez mais sujos e que moramos longe uns dos outros... conheçoo muita banda parecida.
agressivos! Não temos muito interesse em fazer
músicas novas, as pessoas ao vivo só Assisti ao vosso último concerto
Bem , eu e o guitarrista Jao somos querem saber de ouvir os classicos em Portugal, no RCA Club e é
os membros mais antigos e somos e temos o maior trabalho de fazer impressionante o maravilhoso caos
daquela geraçao punk “no future” músicas para nao tocá-las nunca... que é criado. Em cima do palco e à
,nunca pensámos que iriamos chegar Tem o factor preguiça. Para tocar frente do mesmo, onde o público
tao longe. Eu particularmente sempre músicas conhecidas nao presisamos enlouquece literalmente. É o tipo de
achei que iria morrer cedo e colaborei ensaiar. reacção que conseguem arrancar um
bastante com isso... Mas somos caras pouco por toda a parte ou trata-se de
de sorte e nossa amizade e bom Cá em Portugal, o que sempre senti algo mais comum a alguns países?
humor supera qualquer diferença . foi que os Ratos sempre conseguiram
Outra é que gostamos muito do som conquistar o público apreciador de A brutalidade do público é parecida
que fazemos a sensaçao de estar em metal mais extremo como também o no mundo todo mas a paises que
cima do palco tocando rápido e brutal do punk e hardcore. Em Brasil também são particularmente queridos como
é viciante . é o mesmo? De onde sentes que têm Portugal (afinal cantamos na vossa
58
língua) Espanha, Itália, França, Os fãs de música pesada esperam O concerto é igual ao de sempre,
Argentina... Geralmente países de um concerto brutal como é o vosso percorremos quase todos os discos
língua latina hábito – e para quem têm dúvidas, numa urgência e brutalidade que só os
basta lembrar-se da poeira que Ratos de Porão sabem fazer .
Não tiveste a tentação de voltar levantaram no festival da Zambujeira
a escrever temas em inglês ou do Mar no final da década de noventa Há pouco estava a falar em relação ao
neste momento sentes que não há – mas pessoalmente, vocês preferem lançamento de novos álbuns e estava
necessidade de fazer compromissos? tocar em ambientes mais fechados e a pensar que hoje em dia, infelizmente,
Achas que se tivessem alguns temas intimistas (onde a energia é sentida de continuamos a ter muitas fontes de
em inglês que poderiam aprofundar o forma mais intensa) ou tocar para um inspiração para temas de Ratos de
vosso impacto na Europa? público mais alargado é igualmente Porão. Com a passagem dos anos
gratificante? sentes que de alguma forma a tua
Simplesmente não domino o idioma... inconformidade e a da banda em geral
E penso assim se os suecos cantam Já fizemos concertos lindos e já fizemos diminuiu ou pelo contrário, quanto
em sueco e os finlandeses cantam em concertos toscos em Portugal... Sem mais vives e quanto mais vês menos
finlandês porque é que eu não posso dúvida somos queridos e queremos queres ver?
cantar em português? Para mim, fazer o melhor. Para mim, tanto faz
um brasileiro cantando em inglês é tocar para 300 ou 3000 gajos... Mas Meu país e o mundo em geral é uma
perpetuar o imperialismo americano estamos numa fase que queremos fonte de inspiracao infinita dado o
fazer mais fetstivais e tocar menos numero de injustiças, guerras, racismo
Os Ratos de Porão foram uma das em clubes...A idade pesa, estou com e neo nazismo. Inspiração e ódio é o
últimas confirmações para o Vagos 54 anos e nao tenho saúde pra fazer que não me falta para boas letras...
Metal Fest. Já tinham ouvido falar do longas tourneés. Mas tenho outras prioridades no
festival? momento, como minha família e
Que tipo de alinhamento vamos poder nossa sobrevivência neste mundo de
Sim, claro faz tempo que queríamos ter no Vagos Metal Fest, algo que merda .
tocar (aí). percorra a vossa já longa carreira?
59
60
Os Simbiose são a nossa instituição de crust/death/grindcore. Uma instituição
construída há mais de um quarto de século - marca admirável para qualquer
projecto que seja mas ainda mais para um tão abrasivo e directo como este.
Como um dos grandes destaques nacionais da próxima edição do vagos metal
fest, fomos falar com jonhie sobre as bodas de prata, O tributo, o futuro e...
claro, sobre vagos.

Fernando Ferreira
Foto por José Dinis
61
"O que cantamos é sempre sentido e temas para dar voz a esse sentimento
é o que não faltam no nosso dia a dia.”

Olá Johnie e bem vindo ao World Of clássicas do death/grind/crust Por outro lado, o vosso
Metal. O vosso mais recente álbum, nacional. Pessoalmente sempre vos reconhecimento pelos vossos pares
“Trapped”, já data de 2015 mas a encarei no mesmo patamar de uns no underground nacional também é
vossa actividade ao vivo não tem Napalm Death ou Ratos de Porão, considerável, fruto disso é a forma
parado, inclusive uma digressão embora tenha noção dos diferentes como conseguiram reunir nomes de
pelo Brasil. Com alguma distância mundos em que cada uma dessas peso para o vosso álbum de tributo.
do lançamento do álbum e já com bandas habita. Mas pelo estilo de De quem partiu esta iniciativa?
muitos concertos ao vivo depois, música, pelos valores defendidos
qual o sentimento em relação ao por cada uma das bandas acaba por Pois é, a iniciativa partiu de um
álbum e à forma como o mesmo ser inevitável para mim fazer essa grande amigo/fa o João Nuno e
foi recebido? Isto sabendo que não ligação. Consideras estes dois nomes depois todos ajudaram as bandas,
esperavam ter um disco de platina ou como influência naquilo que fazem o Daniel Macosh da Raging Planet
algo de género mas qual o feedback ou pelo menos fizeram? chegar a esse ponto é quase o mais
e os vossos sentimentos em relação gratificante que pode haver para
a “Trapped”? Claro que sim. Por acaso são duas uma banda. E o ao contrário do que
bandas que fazem parte da nossa se diz para ai o underground está
Acho que realmente o “Trapped” adolescência e que nos identificamos unido e recomenda-se.
foi um disco muito especial a vários muito ideologicamente e
níveis. Para já foi um disco que foi musicalmente. Temos o prazer de “Trapped” foi editado pela vossa
misturado pelo nosso guitarrista ter construído uma grande amizade própria editora Anti-Corpos, depois
Nuno Rua, o que para quem gosta com os RDP ao longo destes anos de algum tempo inactiva. Alguns
da cultura DIY, é o auge da vida e Napalm Death é o exemplo de lançamentos planeados para além do
de Simbiose, era algo que sempre ideologia que não se verga nem por material dos Simbiose?
tínhamos pensado e realmente nada. Sobre o tocar , infelizmente
conseguimos e o mais interessante em portugal a tocar o estilo que Para já não.
é que o resultado nos superou, tocamos nem conseguimos comer,
as opiniões foram muito boas e são realidades diferentes, mas o A primeira vez que vos vi, tinham
realmente era o som que realmente que realmente interessa é que dois vocalistas e dois guitarristas.
queríamos e isso para nós acaba por estamos ao patamar destas bandas Entretanto a vossa formação
ser o mais importante. e se vivessemos da musica, era um “emagreceu”, com menos dois
patamar que se calhar estávamos, membros, o que obviamente levou
Os Simbiose são uma das bandas nao sei... (risos) a algum reajustamento de alguns
62
temas. Nunca ponderaram arranjar O que cantamos é sempre sentido e que nos respeita e que tem algo a
substitutos para as pessoas que temas para dar voz a esse sentimento dizer.Por isso em Vagos vamos estar
saíram? é o que não faltam no nosso dia em casa.
a dia. Por isso acaba por ser uma
A culpa foi da crise (risos)... não forma muito natural de escrever e O que é que podemos esperar da
ponderamos e achamos que a compor. vossa actuação? Um alinhamento a
banda ganhou com isso, o núcleo focar toda a vossa carreira?
realmente ficou. É óbvio que uma Os Simbiose são uma das
banda com 27 anos, tem sempre confirmações para a edição deste Sim em 40 minutos tocar um pouco
mudanças.Para já estamos a gostar ano do Vagos Metal Fest, um local de tudo o que fizemos em 27 anos.
muito desta formação e como se diz onde já tocaram (ainda com outra ou seja, dará 2 musicas de cada
na gíria “equipa vencedora não se gerência). Como é para vocês este disco. (risos)
muda”. regresso a Vagos e como é que vêem
aquela que é considerada a meca do Hoje em dia temos assistido a cada
Já estão a trabalhar num próximo metal nacional? vez mais concertos, cada vez mais
trabalho? Há a perspectiva de ter promotores, muitos por amor à
novidades em breve no que diz Nunca tocámos em Vagos, vai ser a camisola, de tal forma que chegamos
respeito a originais? primeira vez, pelo menos nao me a ter três e quatro concertos na
lembro de ter tocado lá. De qualquer mesma cidade. Não muito tempo
Sim claro temos músicas novas e forma, o cartaz não poderia ser atrás não se tinha nem um terço do
pretendemos gravar ainda este ano. melhor. que temos hoje em dia. Acham que
isto tem sustentação? Como é que
Hoje em dia continua a haver muita Confusão da minha parte, peço encaram a cena da vossa perspectiva?
matéria para poder inspirar temas/ desculpa. De qualquer forma só
álbuns dos Simbiose, infelizmente. faz com que o interesse pela vossa Acho que não. Nem as pessoas
De tal forma que ao contrário de actuação ainda seja maior. Sentem-se que vão aos concertos tem poder
não se ter inspiração e bloquear, confortáveis para tocar num cartaz econômico para o que está a
corre-se o risco de se bloquear por tão diverso como o do Vagos Metal acontecer, nem temos público para
ter inspiração a mais. Como é que Fest ou têm preferência em tocar isto tudo. Ou então haver uma união
chegam aos temas que querem com outras bandas mais próximas do mais forte de quem organiza e juntar
abordar? É algo mais sentido ou é punk/hardcore/crust? eventos que calhem ao mesmo dia
um processo mais cerebral? como se faz em outros países.
Sempre tocamos com toda a gente  
63
O Espirito de Vagos
por Rui Alexandre (Terror Empire / Mosher)

O festival de Vagos é um marco incontornável na história do metal em Portugal, independentemente


da versão de que falamos. A sua importância passa por diversos factores, sendo que o maior poderá
ser o golpe que desfere na centralização de concertos em Lisboa e Porto, uma vez que decorre na zona
de Aveiro. Não é o primeiro nem o único, mas é claramente um dos mais emblemáticos.

Desde 2011 que marco presença no festival, e se inicialmente ia como espectador, desde 2014 que vou
como vendedor da Mosher Clothing e a experiência tem sido extremamente agradável. À hipótese de
ver grandes nomes do panorama metálico nacional e internacional junta-se a melhor parte dos festivais
de Verão: o convívio entre festivaleiros. Neste aspecto, o Vagos tem uma aura muito particular e que se
desenvolveu ao longo de muitas edições. Talvez seja por isto que tanta gente experimente, talvez seja
por isso que tanta gente volte. Independentemente de quem vai actuar. Este será porventura o maior
tesouro do festival.

Talvez seja pelas bandas, pelo campismo na zona da floresta, pela cerveja artesanal, pelas bancas
de merch, pelos amigos que se revêm, pela tradição em ir que se quer manter, pelas melgas que nos
deixam marcas, pelo hidromel na relva, por uma data de coisas. A verdade é que voltamos sempre.

Até Vagos.

64
NO PRINCÍPIO ERA O WALKMAN
por Rui Vieira (Machinergy/Miss Cadaver/ Baktheria)

Em finais de 80, no intervalo das aulas, costumávamos O único tema registado da primeira banda de metal
“brincar” às bandas. Alguém aparecia com uma de Arruda dos Vinhos – MORTALHA – foi gravado
formação – normalmente quarteto ou quinteto – nesse quarto e com o referido P.A. Lembro-me
rasurada nos cadernos, a qual mostrávamos aos sempre daquela cena de abertura de “Back To The
restantes “elementos” para discussão e, eventual, Future” – onde Michael J. Fox está com a sua guitarra
aprovação. Lembro-me, pelo menos, de “ser” baterista em frente a uma enorme coluna –, quando montámos
e guitarrista nesses brainstorming’s metálicos, o P.A. no quarto do Nuno e ele exclamou: “Isto tem
encontros usualmente feitos na cantina. A função de uma grande jarda! Olhem só...”. Qual não foi o nosso
baterista fascinava-me pela sua espectacularidade espanto quando verificámos que a fonte de reprodução
mas acabei por nunca o ser. O facto de estar lá para aquele monstruoso equipamento de som iria sair
atrás, escondido, também devia pesar nessa escolha. de um pequeno... walkman! Possivelmente, através
Passado algum tempo, já com uma formação pré- de uma cassete com Motörhead ou Carnivore.
definida, começámos a comprar os primeiros Dava, com certeza, um óptimo videoclip e ainda
instrumentos (com dinheiro angariado por trabalho estou esperançoso de o vir a fazer um dia. Também
efectuado no Verão) e a dar os primeiros “toques”. ensaiámos numa colectividade das redondezas
(Martim Afonso) onde, a determinada hora, abriam
Percorremos Arruda de lés a lés. Primeiro, na sala as portas para as pessoas que lá moravam poderem
do Telmo (guitarrista), onde os copos de cristal assistir ao “baile”. Essa tinha sido uma das condições
tremiam com a “chinfrineira” da guitarra Samick, para lá ensaiar. E quando aquilo era invadido por
modelo Warlock, à Max Cavalera. Depois, migrámos miúdos e graúdos, automaticamente, mudávamos de
para a casa do Helder (num 1.º andar), onde a sua distorção para acústico, por forma a “agradar” aos
mãe chegava a “agredi-lo” com o chinelo para que presentes. Eles não iriam perceber o que estávamos
tocasse mais baixo. Não o instrumento mas a bateria. a tocar, aquele “barulho” poderia ser traumático para
“Dona Bárbara, é difícil baixar a bateria...”, diria eu, os habitantes da aldeia onde morei até aos meus 13
a tentar colocar alguma água na fervura. Acresce anos.
um zangado vizinho do rés-do-chão, que num belo
dia nos esperou cá fora com uma moca! "MOCA: Outro problema frequente era ter de explicar o
substantivo feminino; Pedaço de madeira que serve nome da banda, porque o gozo era – amiúde –
de arma" E nem tínhamos sido nós a fazer o barulho! frequente, com alusões a “ganzas” e outros opiáceos.
A responsabilidade era inteira e exclusivamente de Invariavelmente, a minha resposta era: “Mortalha é
Samuel Palitos e Orlando Cohen (Censurados), no dia o lençol que cobre o mundo, mundo esse que está...
em que nos visitaram. Mais tarde, passámos a ensaiar morto.”. Estas eram as minhas nobres e eloquentes
– já como trio – num 2.º andar! Já estávamos a subir... palavras, explicação que me via forçado a dar a alguns
mas em termos habitacionais. Neste segundo piso, energúmenos. Sim, porque nessa altura, o metal era
no quarto do Nuno (baixista) – devidamente forrado algo exclusivo dos “drogados”, um estilo de música
com posters –, conseguimos alojar um... P.A.!!! E bastardo e mal amado e, no nosso caso, associado aos
era com ele que ensaiávamos! Uma banda que ainda párias daquela bonita vila, mais conhecidos como
agora tinha começado e já pensava em grande! G.M.A. - Grupo Metálico de Arruda!
65
Este mês resolvemos variar um pouco. Em vez sinta que já tudo foi visto e feito, há sempre a
de nos focarmos nas capas, vamos focar-nos tentativa de fazer algo original. Vamos tentar
dos títulos dos álbuns e até na representação focar-nos num tipo de letra só: Old English.
gráfica dos nomes das próprias bandas. Este tipo de letra está presente nas fonts do
Como já falámos no caso dos Sepultura, Word ou de qualquer outro programa desde
Metallica e Amorphis, o lettering das bandas tempos imemoriais. Aliás, até mesmo antes
é fulcral para a identificação. Então o que de haver computadores. Talvez os principais
acontece quando temos uma banda que culpados sejam os Bathory, cujo lettering/
usa um tipo de letra que já existe em vez logo usa precisamente essa font, conforme
de tentar criar algo novo - por muito que se ver acima. Talvez pelo imaginário suscitado
66
por esse álbum e por todo o imaginário do black metal, estabeleceu
uma norma que o género viria a usar. Até à exaustão, na nossa
opinião. E não é necessário fazer uma pesquisa muito profunda para
encontrarmos alguns exemplos óbvios. Temos o primeiro álbum
auto-intitulado dos Burzum - Varg Vikernes usou diversas fonts para
o seu logo, mas a primeira foi mesmo o bom e velho Old English. O
célebre "Deathcrush", o primeiro EP dos Mayhem de 1987, também
usa a mesma font como título. Poderão achar que a capa é horrível,
e é, mas esta versão clássica é ainda assim superior à original que
em vez de usar o vermelho, tinha um rosa choque... mas divergimos.
Mesmo sem usar no seu logo, era visível o impacto que o tipo de
letra tinha na emergente cena de black metal. Matando dois coelhos
com uma cajadada só, temos os Deathspell Omega e os Clandestine
Blaze, no seu mítico split. Tem que ser dito também algo óbvio. Atrás
do lettering, temos sempre capas monocromáticas (excepto pelos já
citados Mayhem e pela capa ao lado dos Bathory que originalmente
tinha o bode em amarelo - parece que o monocromático óbvio
demorou um pouco a estabelecer-se). E claro que os Hellhammer,
pioneiros de toda a música extrema, teriam que estar presentes. Os
Venom não poderiam ficar de fora, já que foram provavelmente a
banda que iniciou tudo. Quer em termos líricos, quer em termos de
imaginário e de imagem. O tipo de font Old English era uma constante.
E teríamos que falar, inevitavelmente, dos nossos Decayed. Se houve
(se há!) alguma banda nacional que incorporou o espírito dos Venom,
Hellhammer e todos os outros deuses do metal extremo, essa banda
é sem dúvida Decayed. Apesar de usarem ainda o lettering criado
desde o início da carreira, sempre tiveram uma apetência forte pelo
uso da font, principalmente nos livretos, algo que fazia com que se
tornasse extremamente difícil perceber o que raio J.A. e companheiros
estavam a falar. É black metal, o chifrudo sabe.

67
Top 20 1965
BOB DYLAN THE BEATLES
“ Highway 61 Revisited” "Rubber Soul"
Columbia Records Parlophone Records

O S e por um lado Dylan fugiu do golk para


álbum que
revolucio- o rock, os The Beatles pode-se dizer
nou a carreira de
Bob Dylan e que que fizer o caminho inverso, no entanto,
mostrava como e representativos do génio que tinham,
Dylan estava não se trata apenas de uma mudança
aborrecido com estilística. Trata-se de uma ampliação e
o caminho da
evolução do seu espectro musical, onde
sua carreira
musical, tendo chegado a ponderar desistir a parte psicadélica foi muito importante
da música. Não só não desistiu como para o florescimento de toda a cena do
escreveu e criou um clássico intemporal flower power. E alguma dessa experimentação influenciou uma
do rock norte-americano, "Like A Rolling série de outros músicos, onde podemos incluir os Rolling Stones.
Stone". O álbum em si não depende só
desse tema como apresenta muitos outros,
inclusive mantendo a faceta acústica.

BOB DYLAN THE BEATLES


"Bringing It All Back Home" "Help!"
Columbia Records EMI

A T alvez o último álbum convencional


pós o concer-
to de Newport
Folk Festival, a
dos The Beatles, banda sonora do
comunidade folk seu filme com o mesmo título, onde
ficou revoltada temos muitos clássicos, a começar pelo
com Dylan, pela
inclusão de
próprio "Help!", como pela canção que já
instrumentos teve mais versões até aos dias de hoje,
eléctricos na sua "Yesterday". A partir daqui, os tempos do
música. Farto de dizerem aquilo que devia
de fazer e de não gostar daquilo que fazia,
velho rock'n'roll dos Fab Four estavam
o músico afastou-se quer das músicas de acabados.
protesto quer do formato folk, embora
tivesse mantido o lado acústico em pelo
menos metade do disco.

68
THE WHO THE BEACH BOYS
"My Generation" "Beach Boys Today!"
Brunswick Capitol Records

"
My Gene-
ration"
visto
é
pela
O s Beach
B o y s
deste ál-
banda como bum já
um trabalho
m e n o r. estavam
Lançado bastante
pela banda longe da
um pouco à p r a i a .
pressa após Com Brian
o sucesso Wilson
dos seus apostado
dois singles, e m
os The Who
admitem que não houve muito cuidado com este aprofundar cada vez mais a vertente
álbum. Ironia das ironias, foi o primeiro álbum de estúdio (tendo passado por um
na década de sessenta a pavimentar o caminho esgotamento nervoso e desistido de tocar
para o rock pesado, com uma agressividade que ao vivo) e em evoluir, temos a banda com B.B. KING
era inédita, seja na forma como os instrumentos composições bastante orquestrais e visto "Live At The Regal"
eram cantados seja pelo próprio som. O tema como uma preparação para aquele que
título é um exemplo de como o rock lançou as seria o seu álbum mais marcado "Pet ABC Records

B
bases para o que se veio a tornar o punk. Sounds". .B. King foi um dos maiores e/ou
mais celebrados guitarristas de
blues de sempre e grande parte desse
respeito foi ganho muito cedo na sua
THE BYRDS THE SONICS carreira, onde este álbum, "Live At The
“Mr. Tambourine Man” “!!!Here Are The Sonics!!!” Regal", se revelou muito importante.
Columbia Records Etiquette Records Tido como um dos trabalhos
mais importantes e históricos do
Oforam
s
Byrds
The

a
Se os The
W h o
foram uma
género, não são necessárias muitas
audições para perceber o porquê da
resposta à das grandes
chamada influências
classificação. Obrigatório em qualquer
british in- do proto audioteca que se preze.
vasion no punk e do
geral e hard rock,
aos The os The
Beatles em Sonics, a um
p a r t i c u l a r. nível muito
mais under-
Aproximando-se mais da toada folk rock, a ground, praticamente deram significado ao
banda confiou numa série de covers de Bob termo garage rock. Com um poder e fúria pouco
Dylan (que tinha um passado muito forte na comuns por esta altura, a banda de Seattle
cena folk) para ter um impacto grande, inclusive influenciou na América toda uma próxima
na excelente cover que é o tema-título deste geração de (punk) rockers.
álbum.

THE ROLLING STONES THE BEACH BOYS


“Out Of Our Heads” “Summer Days (And Summer Nights!!)”
Decca Records Capitol Records

A pesar do
título, a
música aqui
A pesar
da sua
qualidade,
JACKSON C. FRANK
contida não o anterior “Jackson C. Frank”
saiu propria- álbum dos Columbia Records / Castle Music

Pálbum
mente da The Beach or vezes aparecem álbuns assim.
m ú s i c a Boys, "The
Produzido por Paul Simon, o
dos Rolling Beach Boys
Stones, mas To d a y ! " ,
homónimo de Jack C. Frank -
foi aqui que não foi um
o primeiro e último - influenciou toda
começou sucesso
uma geração de cantautores, pela
esse ca- esmagador sua simplicidade e alma. Consta que
minho. A banda tem apenas duas composições em termos comerciais. Para este trabalho, Jack estava tão nervoso que teve que
próprias, sendo que o resto são covers de RnB Brian Wilson fez um compromisso de voltar aos ser rodeado por ecrãs para proceder
norte-americano. É um aperitivo para o que temas mais simples e acessíveis dos primeiros à gravação do álbum, sessões que
viríamos ter com "Aftermath" mas no que ao trabalhos, enquanto não deixava de ter aquela levaram apenas três horas para ser
rock'n'roll diz respeito, temos aqui muitos bons veia mais experimental. "Help Me Rhonda" e concluídas. A lidar com problemas
temas como "Cry To Me" e "Good Times". "California Girls" são duas das grandes malhas pessoais e com um diagnóstico
que contém. de esquizofrenia, o músico viria a
tornar-se um sem-abrigo e a morrer
de pneumonia em 1999. Ficou
imortalizado com um grande álbum.69
THE ROLLING STONES THE PAUL BUTTERFIELD BLUES BAND

“The Rolling Stones Now!” “The Paul Butterfield Blues Band”


London Records Elektra Records

A i n d a
c o m
bastantes
Os
P a u l
The

Butterfield
covers, são um
os Stones dos bons
estavam exemplos
cada vez como o
a ganhar talento
m a i s bruto por
confiança vezes só
nos seus precisa de
próprios temas. Apesar das versões, este uns ajustes. Foi o que aconteceu graças a
é um álbum bastante sólido onde temas Paul Rothchild, célebre produtor, que ficou
BERT JANSCH como "Heart Of Stone" e "Off The Hook" apaixonado pela forma como o, na altura,
convivem lado a lado da melhor maneira quarteto, interpretava o seu blues ao bom
“Bert Jansch” com "You Can't Catch Me" e "Little Red estilo de Chicago. Já feito sexteto, e um
Transatlantic Records Rooster". dos primeiro grupos de blues com um

P rimeiro álbum de um dos nomes vocalista branco a gravar um álbum, esta


mais influentes do folk britânico em estreia é uma das mais fortes de sempre.
geral e escocês em particular. Jansch
relembra-nos o porquê de gostarmos
tanto do género e este primeiro álbum JOHN FAHEY THE YARDBIRDS
(da carreira e deste ano de 1965) foi “The Transfiguration Of Blind Joe Death” “Having A Rave Up”
um sucesso de culto, influenciando Riverboat Records Epic Records
nomes tão díspares como Elton John
ou Jimmy Page. Jé oFuma hhdose ny JClapton
á sem
E r i c
e
exemplos com Jeff
de mú- Beck a
sicos que substituí-
pratica- lo, não só a
m e n t e banda não
passaram esquece as
desperce- suas raízes
b i d o s b l u e s
nos anos n e s t e
em que estavam activos para depois trabalho, como também avança na
ganharem notariedade muito mais tarde. direcção do som mais psicadélico e do
E este álbum tem um pouco a mesma endurecimento da sonoridade que mais
história, tendo-se tornado um trabalho de tarde viria ficar conhecida como hard rock.
culto muitos anos após o seu lançamento. "Rave Up" era o que se chamava ao período
Um álbum conceptual que pega na nas músicas onde a banda começava a
personagem apresentada no primeiro improvisar, esticando os comuns temas de
trabalho do músico. três minutos para seis ou mais.

THE FUGS THEM


“The Fugs First Album” “The Angry Young Them”
JUNIOR WELLS Folkways Records Decca Records
“Hoodoo Man Blues”
Delmark Records "FTVui gl lhas g—ee O s Them
eram

Á lbum de estreia de Junior Wells, uma banda


Ballads da Irlanda
um dos grandes nomes do Blues, and Songs do Norte
com uma voz marcante e uma arte of Contem-
porary que teve
de tocar harmónica igualmente Protest, c o m o
impressionante. E um dos bons Points of vocalista
exemplos de como a cena de Chicago View and V a n
General Morrison,
de blues não sé única, como uma Dissa- influente
das melhores de todas. Ainda é visto tisfaction" era o título original deste músico. Com covers e originais à mistura,
como um dos melhores trabalhos do trabalho por parte de uma banda que não deixaram de ser uma lufada de ar fresco
era tão refundida, tão refundida que só perante o panorama do seu país de origem.
músico. poderia dar em culto. E assim foi, com
uma abordagem única ao garage rock, E é uma estreia cujo interesse se mantem
misturando-o com o folk e com um certo apesar de todos estes anos.
feeling psicadélico.

70
Reviews do mes

11TH DIMENSION 2 SHADOWS A TEAR BEYOND


“Paramnesia” “Transference” “Humanitales”
Edição de Autor Edição de Autor House Of Ashes Prod.
Temos falado muitas Cheira-nos que por Terceiro álbum dos
vezes de como a vezes o nome dos italianos A Tear
indústria musical está Slipknot é deitado Beyond surge-
diferente e de como ao acaso e este é nos como uma
temos cada vez mais as um desses casos.
bandas a fazer pela vida Compreendemos declaração de
e o nosso underground pelo aspecto do caos, quem sabe o que
também é fértil nesses no entanto a música faz. Misturando
casos, como o álbum dos canadianos 2 de forma muito
de estreia dos 11Th Shadows é um pouco sóbria os elementos
Dimension. A banda já tem dado de falar nos mais apoiada na fórmula de industrial do que industriais e electrónicos que compõem
últimos anos, dando boas indicações em a dos norte-americanos mascarados, sem falar o seu metal gótico que também tem uns
relação à sua música, seja pela qualidade do que tem um pouco menos de ganchos. E este tiques sinfónicos. Parece uma mistura
seu metal de orientação progressiva, seja pela é o perigo de oferecer nomes de orientação
voz da sua frontwoman, Diana Rosa. Imaginem quando se fala de uma banda. Poderá levar- demasiado arriscada - normalmente ou
uns The Gathering (era de Anneke) mas mais se demasiado a sério. A verdade é que os 2 temos metal gótico sinfónico ou metal
pesados e com capacidade de ir mais além Shadows não têm aproximação com nenhuma gótico industrial - mas resulta mesmo,
do que a simples soma das suas partes e dos banda em particular embora ofereçam uma resulta de forma surpreendente. Sem ser
talentos individuais. Tudo flui de forma positiva série de semelhanças generalistas com o metal propriamente um nome muito conhecido,
e sobretudo memorável, mesmo que o estilo industrial. No fim o que contam é mesmo a este terceiro álbum pode ter o necessário
não seja imediato. O que nós gostamos, porque música e a que temos aqui simplesmente não para inverter essa situação.
de música descartável está o mundo farto. convence.

[8.8/10] Fernando Ferreira [4/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira

ABDUCTION ABHOR ABIGAIL


“A Crown Of Curses” “Occulta ReligiO” “Far East Black Metal Onslaught”
Clobber Records Iron Bonehead Productions Helldprod Records
Não há muita Nome histórico da Os Abigail são os reis
informação disponível cena de black metal do underground do
sobre esta one-man italiana que regressa black metal japonês.
band britânica. Desde para o seu sétimo Poderá não parecer
2016 que tem lançado
algo e agora em 2018 trabalho. Para quem muito mas este não
chegou a vez do já os conhece sabe é um caso de quem
seu segundo álbum. que o seus om é tem um olho numa
Apesar de algum bastante ritualístico terra de cegos é rei.
(algum, não muito) e mais interessado A carreira dos Abigail
encanto lo-fi, existe alguns problemas com em criar ambientes do que propriamente é enorme seja em termos de lançamentos
que nos deparamos, de ordem puramente em explosões de blast beats e composições como de duração. Já há muito que perdemos
técnica. A voz está bem conseguida, a
forma como as guitarras criam a atmosfera, tocadas à velocidade da luz - embora a conta dos lançamentos da banda - só este
também. No entanto, a bateria tem um som tenhamos alguns assomos uptempo. Uma ano já têm cá fora cinco splits e ainda agora
demasiado artificial - e está algo enterrada no das suas componentes mais reconhecíveis vamos a meio do ano - mas este EP não deixa
fundo do reverb, realçando-se principalmente são os teclados vintage que dão um colorido de ser recomendado, principalmente por ser
com o som dos pratos - e o som no geral muito especial e são essenciais para criar o uma edição limitada a duzentas unidades
está algo afunilado. Afunilado em modo ambiente que é o que mais distingue a sua (trinta se estivermos a falar da edição die
mono, criando uma aura de barulho que faz música. Para quem só chegou aqui agora, hard com t-shirt, EP, autocolante e poster).
com que estejamos no estaleiro da Trafaria, também é uma boa forma de apresentação. A fórmula podre de black/thrash metal dos
nos seus tempos aúreos e que cuja maior
recompensa é mesmo o silêncio. Mudando Peculiar, apenas para alguns mas que Abigail continua a ter tanto encanto hoje em
certos pormenores técnicos e este seria um recomendamos conhecer. dia como em 1992.
álbum de black metal que seria bem mais
proveitoso do que aquilo que é realmente.

[6/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira 71


ABYTHIC ADVERSVM AIRBORN
“Beneath Ancient Portals” “Aion Sitra Ahra” “Lizard Secrets”
Blood Harvest Iron Bonehead Productions Xtreem Music
As portas do inferno As informações É a primeira parte
estão escancaradas dos Adversvm são de algo que ainda
e cada vez aparecem escassas. Sabemos está por vir! Os
mais bandas saíndas apenas que são uma italianos Airborne
do quintal do chifrudo espécie de one-man
band cujo centro é tem um trabalho
dispostos a juntar- digno se ser ouvido.
se à maralha que S.B. e que de vez em
quando vão aparecendo Baseado num estilo
anda cá por cima. Os músicos de sessão para power metal, a
Abythic são daqueles
que se enganaram na época. Em vez de
ajudar na programação lembrar muito os
da bateria (ou a tocar mesmo bateria) e Freedom Call, num registo alegre e
aparecerem em 1988, enganaram-se na teclados. Depois de uma promo editada no ano
saída e apareceram trinta anos mais tarde. emotivo para os nossos ouvidos. A
passado, é chegada a hora do álbum de estreia fórmula não é nova, mas está bem
E... não há nada de errado com isso. A que nos traz funeral doom inesperadamente
sonoridade poderá soar vintage mas o seu dinâmico. Temos os riffs arrastados, é certo aplicada. Som moderno, limpo rápido
poder metálico continua bem actual afinal mas também temos uma guitarra lead irrequieta e com melodias de encher a audição.
estamos a falar de death metal primitivo que que ajuda (e muito) a colocar o ambiente Aconselho muito a todos os fans do
apesar de ser alemão, bem poderia passar bastante interessante. No final a impressão é género, e afirmo que Airborne é um
por holandês. Não interessa, interessa é que muito boa, levando a que qualquer fã de doom nome a ter em conta para o futuro!
como álbum de estreia, é uma apresentação (não só funeral doom) encontre aqui material
eficaz que os fãs de death metal gostarão para repetidas audições.
mesmo sem impressionar a concorrência.

[7.7/10] Fernando Ferreira [8.2/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia

AL ARD ALBIONIC HERMETICISM ALTAR OF PERVERSION


“Al Ard ” “Ancient Hermetic Purity” “Intra Naos”
Code666 Signal Rex The Ajna Offensive / Norma Evangelium Diaboli
Já temos um pouco Quando se fala de Os italianos
de expectativa quando black metal lo-fi e surpreenderam-nos
nos surgem propostas cru, pensa-se sempre com este segundo
dao Code666. A em algo extremo, álbum. A banda não
editora italiana já nos bruto e violento. No nos era particularmente
habituou a propostas entanto também é conhecida, apesar de já
pouco usuais dentro da possível encontrar algo ter mais de vinte anos
música extrema, pelo minimalista e até, de de carreira - e também
que não é surpresa certa forma, ambiental. não é particularmente
nenhuma termos uma Este álbum de estreia activa - mas dezassete
de lá este álbum dos Al Ard, o seu trabalho dos enigmáticos Albionic Hermeticism não anos depois e numa altura que o black metal
de estreia. Música electrónica mas que não é é para qualquer um consumir - apesar da já não tem o hype todo que tinha no início da
significado de música acessível como a própria melodia que encerra. Não é, assim como entre década, é-nos provada a teoria da evolução
editora tão bem provou com os clássicos os apreciadores de música extrema também em que apenas os mais fortes sobrevivem.
"With No Human Intervention" dos Aborym não será qualquer um que cairá aqui nas suas Bem, mais parece que os Altar Of Perversion
ou "The Dark Blood Rising (The Hatecrowned boas graças. Se isso, por acaso (só por acaso) estiveram a hibernar mas definitivamente que
Retaliaton)" dos DiabolicuM. Não podemos acontecer, então é porque conseguiram agarrar- a sua música consegue atrair a nossa atenção,
dizer que o que tenhamos aqui se assemelhe se às coisas boas (ambiente e melodias) e mesmo que toque nos lugares comuns que
literalmente a qualquer uma destes álbuns, ignorar as más (a produção precária que apesar se espera que toque. É um excelente segundo
no entanto temos o mesmo espírito, a mesma de ajudar a estabelecer o ambiente, chateia álbum e esperamos que seja uma alavanca para
atmosfera ameaçadora. Dito isto, não se pode por vezes). Ou seja, o copo está meio cheio, que a banda esteja mais activa.
esperar que seja algo que entre à primeira mesmo que esteja mais que vazio - o optimismo
porque isso simplesmente não vai acontecer. O aplicado ao black metal.
que só faz com que se torne mais interessante.
[8/10] Fernando Ferreira [7.7/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira

ARCHAIC TOMB ÁRSTÍÐIR ART OF DECEPTION


“Congregations For Ancient Rituals” “Nivalis” “Path Of Trees”
Caverna Abismal Records Season Of Mist Rob Mules Records
Mais uma banda Os Árstíðir são uma O comunicado de
nacional a iniciar o daquelas propostas que imprensa diz que se
seu percurso e embora não sabemos onde os não se conhece os
atipicamente - quer- colocar. Se tivessemos Art Of Deception, que
se dizer, atipicamente uma prateleira física esta é a melhor altura
agora porque umas (e não só imaginária), para o fazer. Depois
décadas atrás qualquer sinceramente seria de algumas (poucas)
banda que se prezasse difícil encontrar uma audições deste
começava pelas onde eles ficassem trabalho, facilmente
demos - a estreia não confortáveis. chegamos a esta
poderia ser melhor. Editado originalmente Provavelmente teríamos que criar uma conclusão. Falar em metal extremo poderá ser
pela Caligari Records, nada como termos a especialmente para ela. O que por si só é já enganador assim como death metal, já que o que
nossa Caverna Abusmal a reeditar o trabalho motivo para ficarmos interessados. Ao quarto temos aqui é precisamente uma das melhores
em cassete com a qualidade que já lhe é álbum a banda traz-nos precisamente aquilo representações de death metal moderno,
reconhecida, que aliado a um death metal que queríamos, aquela mistura adorável melódico, mas sem ir propriamente chafurdar
blasfemo a fazer lembrar os momentos mais entre a suavidade do folk com alguma da no charco já algo fétido de tudo o que representa
clássicos e inspirados dos Incantation. Sem complexidade (muito bem disfarçada) do moderno nos dias de hoje. Raízes thrash metal,
dúvida que temos aqui um diamante bruto. rock progressivo e o espírito alternativo que estruturas de música longe de serem óbvias e
por vezes nos lembra Radiohead, mas nunca melodia que assenta mais nas guitarras do que
deixa de abalar a sua identidade já firmada. propriamente em refrões bonitinhos ao ouvido.
Este é um trabalho que poderá passar Em suma, um grande álbum, recomendado.
despercebido porque ser low-profile fas parte
da sua maneira de ser. É também essa a
razão que nos faz gostar tanto deste trabalho.

72 [8.5/10] Fernando Ferreira [8.7/10] Fernando Ferreira [8.6/10] Fernando Ferreira


ARTHEDAIN ASG ASSUMPTION
“Infernal Cadence Of The Desolate” “Survive Sunrise” “Absconditus”
Naturmacht Productions Relapse Records Sentient Ruin Laboratories
Quando uma banda Este sexto álbum dos Mais uma estreia no
chega ao primeiro ASG cai que nem underground italiano.
álbum, há sempre gingas. E nem é pela Estreia nos álbuns porque
muito trabalho por ausência de cinco os Absconditus já tinham
trás, trabalho que anos. É mesmo pela lançado uma demo em
normalmente é feito forma como estas 2012 e um EP em 2014.
durante um período malhas batem, com Este álbum, lançado
mais alargado de aquele cheirinho bem em cassete e de forma
digital pela Sentient
tempo. No caso dos característico do rock Ruin Laboratories e
checos Arthedain, musculado misturado em Cd pela Everlasting Spew Records, não é um
são três anos. Três anos que deram um bom com um stoner/sludge. Para quem não faz trabalho indicado para ouvir no Verão. Ou depois
álbum de estreia de uma banda que tanto tem a mínima ideia do que estamos a falar e de do almoço. Uma dinâmica letárgica instala-se de
death como black metal no adn. Dinâmica que quem são os ASG (porque cinco anos é uma forma... lenta, claro, e traz-nos memórias de um
surge através de temas mais compassados vida inteira hoje em dia) pensem em Red Fang, doom/death meta mais cavernoso e sufocante que
mas que não impede que de vez em quando Baroness e outras coisas parecidas, juntando- aparece apenas esporadicamente por aí. Caminha
não meta o pé no acelerador. É este jogo de lhe um pouco daquele espírito muito próprio muito tenuamente aquele percurso difícil entre
trocas entre os mais variados géneros (black, dos Jane's Addiction (só porque nos apetece!). o excelente doom metal e o aborrecimento (se
death, black melódico, death melódico, doom, Ganchos melódicos com fartura e grandes for ouvido nos períodos indicados atrás, é esta a
etc) e tempos que faz com esta seja uma grande malhas que nos faz parecer que quando a dificultar a vida sem necessidade) e nem sempre
estreia. Veremos se manteremos a fasquia bem banda andar a tocar ao vivo, que a malta nem se safa, com alguns dos temas a perderem-se nos
elevada com o segundo trabalho mas por agora, se importaria de ouvir isto tudo de rajada. Claro devaneios mais ambientais ou na construção dos
excelente. que posso estar a exagerar... afinal nós só ambientes. Não dizemos que não possa conseguir
gostamos de música. crescer após mais audições. Apenas que, para nós,
não cresceu o suficiente.

[8.8/10] Fernando Ferreira [8.8/10] Fernando Ferreira [6.5/10] Fernando Ferreira

ATROCITY AVI ROSENFELD AXEGRESSOR


“Okkult II” “Bluesy Breeze” “Bannerless”
Massacre Records Edição de Autor Brutal Records

Finalmente Já perdi a conta Se há uma coisa que


às reviews feitas os Axegressor nos
um álbum dos habituaram foi a thrash
Atrocity. Parece de trabalhos metal corrosivo e até
de Avi. Sim, é um pouco extremo
que não mas já (o tipo de thrash
verdade, o músico
lá vão cinco anos israelita nunca me
metal que parece
deturpar um pouco as
desde o anterior dececionou, senti fronteiras com o death,
trabalho. Matámos sempre uma qualidade altíssima em
principalmente pela
forma como a voz é usada), isto já para não falar
as saudades da melhor forma o cada um dos seus discos. Tecnicamente pelos temas uptempo. Ao quarto álbum dos
ano passado com o EP "Masters fabuloso, musicalmente único e com finlandeses podemos dizer que essa identidade
permanece intacta, embora a intensidade parece
Of Darkness" e a boa impressão aí uma capacidade criativa notável, é assim ter diminuído em alguns temas - "Igno-rant" por
deixada tem um bom seguimento que posso definir de forma sucinta Avi exemplo - o que acrescenta alguma dinâmica a
Rosenfeld. “Bluesy Breeze” é mais do este conjunto de temas, embora saibamos o que
neste que é o seu décimo álbum de para uns é dinâmica, para outros é amolecer. Na
originais (isto se contarmos com os mesmo, uma briza no caminho, que nossa opinião, é um trabalho que vai conseguir
nos traz um conjunto de músicas mais agradar tanto aos fãs como atrair novos.
álbuns de covers "Werk 80" e "Werk
uma vez bem conseguidas na onda
II"). Já é sabido que a banda tem
blues e rock progressivo! Avi, venha
a apetência para a experimentação o próximo!
e para as coisas pouco usuais. [9/10] Fernando Ferreira [7.5/10] Fernando Ferreira
O seu senso de aventura sempre
lhes custou um pouco da posição
que tinham no início da década de BLACK HOWLING BLACK SWAMP WATER
noventa, mas aos poucos, esse é um “Return Of Primordial Stillness” “Distant Thunder”
sentimento que parece estar a ser Signal Rex Mighty Music

contrariado. "Okkult" foi um grande Regresso do duo Ao longe os trovões


nacional de black metal ecoam fazendo as
álbum de death metal que pegou nos lo-fi, Black Howling. devidas obséquias
melhores momentos de "Atlantis" e é Confesso que da nova de abertura para
vaga de black metal,
precisamente esse espírito que temos os Black Howling foi aquilo que vão
aqui. Mais sóbrio pela forma como um nome que menos ser os primeiros
nos prendeu a atenção. seis minutos de
utiliza os componentes sinfónicos, No entanto é inegável audição para os
mais acutilante nas grandes malhas... a frequência da sua dinamarqueses
actividade e a coerência em termos do seu Black Swamp Water, através de “Bitter
apetece dizer que é a surpresa de 2018 som. "Return Of Primordial Stillness", o sexto Harvest” eles apresentam o som da velha
no que ao death metal diz respeito mas álbum não se desvia um milimetro naquilo que escola hard and heavy. Riffs muito fortes,
esperaríamos e por um lado ainda bem. Por outro,
como EP o ano passado tinha deixado apresentam argumentos musicais que só teriam vibrantes, cheios de Groove e sente-se a
o aperitivo, é apenas a confirmação. a ganhar num outro contexto mais... cuidado. inspiração da Southern rock no seu som.
O problema é na realidade meu. Confesso que Encaixei muito bem este disco e até o
gostaria de ouvir este chavascal num contexto voltei a ouvir, não para perceber algo que
mais hi-fi, de forma a que o seu poder ficasse te possa eventualmente ter escapado na
mais inequívoco e pudesse agradar a muito mais primeira audição, mas porque o achei
pessoas fora do reduto algo diminuto que o black muito bom, mesmo muito bom! Bom, são
metal lo-fi tem, porque em termos musicais 10 faixas, tirando a intro, claro, criadas com
temos muitas boas ideias. Ainda não perdemos
a esperança. inspiração e inspiradoras. Força ai!

[9/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia 73


BLOOD OF THE WOLF BLOOD RITES BLOODBARK
“II: Campaign Of Extermination” “Demo 1” “Bonebranches”
Edição de Autor Caverna Abismal Records Northern Silence Productions
Uma das coisas Como o próprio Já temos como
mais gratificantes nome indica, este certa a qualidade
de fazermos o que é a primeiro demo que a Northern
fazemos é termos por parte dos Blood Silence Productions
acesso a lançamentos nos apresenta em
de autor que de outra Rites, uma entidade termos de black
forma dificilmente de metal extremo metal underground
chegariam às nossas que segundo o de característica mais
mãos, como este comunicado de melódica e atmosférica
segundo álbum dos imprensa tem por isso foi com
Blood Of The Wolf, que é um petardo de black/ alguns pontos em comum com a cena expectativa com que mergulhámos neste
death metal de impôr respeito. Ou melhor, de de black metal grega do antigamente, trabalho de estreia da misteriosa one-man band
death/black metal, já que a voz e algumas das algo que concordamos - apenas achamos Bloodbark, que consta ser de origem russa.
estruturas que aqui se impõem são sem dúvida Três longos temas que nos trazem melodia,
death metal, enquanto as melodias e os riffs em que o death metal também tem igual peso e um sentimento épico que faz pensar
tremolo picking não deixam qualquer dúvida. importância. São três temas onde o como seria bom que os Summoning tivessem
Isso e o tom blasfemo das letras. O resultado factor primitivo é o principal encanto feito algo assim. Som viajante ainda que algo
é um álbum de porrada épica que tão depressa pela forma como estabelece o ambiente. denso e longo, não permitindo que seja fácil
não vamos conseguir largar. E, fazendo uma Lançado em cassete, este é um daqueles que o mesmo entre ou pelo menos permaneça.
previsão que nem sempre corre bem, cheira-nos lançamentos puramente underground e Sendo o primeiro trabalho, acreditmos que é um
que a banda encontrará editoras interessadas que os coleccionadores devem agarrar - de projecto em crescimento mas definitivamente
para lançar este trabalho com uma distribuição salientar a "Dark Majestics" que transpira existe aqui valor que queremos ver ser
mais alargada. explorado.
Celtic Frost, Venom e Decayed tudo junto.
[8.6/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [8.7/10] Fernando Ferreira

BLEEDING THROUGH BLIXTEN BLOODY FALLS


“Love Will Kill All” “Stay Heavy” “Thanatos”
Sharptone Records Edição de Autor Inverse Records
Os Bleeing Through Trabalho de estreia Honestamente tem
foram uma das dos brasileiros Blixten sido através de reviews
primeiras propostas que nos chama a que vou tomando
de Metalcore a surgir atenção de uma conhecimento directo
dos Estados Unidos. forma bem positiva. com muitos dos
Assumidamente A produção pode ser nomes que proliferam
metalcore, talvez crua mas o seu heavy na cena de música
mesmo antes do termo metal é tão honesto metal. Sei que da
se tornar popular ou Finlândia tem surgido
quanto o nosso amor grandes nomes e
sequer mesmo de
ser usado. É também das únicas entidades a pelo género. Poderá não parecer muito para sei também que agora surgem os Bloody
conseguir reunir algum respeito fora do meio os mais cépticos ou até para aqueles que Falls, candidatos a ficar na história do metal
onde se movem e nós somos exemplo disso. estranham as palavras de devoção ao som mundial. “Thanatos” marca a estreia, cliché,
O interesse deste álbum é motivado não só pela sagrado no entanto a sua qualidade falará mas ok é verdade e acreditem que ninguém
banda que é mas sobretudo por este representar ao coração de todos que nunca deixaram de vai ficar indiferente a este disco. Com toda
o primeiro álbum desde que voltaram ao mundo acreditar. Com uma vocalista, Kelly Hipólito, a influência do que se faz nas terras gélidas
dos vivos neste mesmo ano. E é um regresso com uma voz que consegue ser marcante por da Finlândia, os Bloody Falls tem no seu
em grande, daqueles que entusiasma e nos faz ser tão sensual como forte, este EP é uma som uma estrutura death metal melódico e
relembrar (ou aprender caso não tivessemos excelente apresentação do som da banda. não são mesmo mais uma banda...são os
noção) do porquê do sucesso e do estatuto Vamos ficar atentos, recomendamos o Bloody Falls!
da banda. Directo, sem grandes concessões mesmo para vós.
comerciais, este é definitivamente um álbum
que vai andar a rodar por aqui durante muito
tempo.
[8.7/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira [9/10] Miguel Correia

BLUTVIAL BONG CASKET FEEDER


“Mysteries Of Earth” “Thought And Existence” “Scalps”
Heidens Hart Records Ritual Productions Hibernacula Records
Na senda de Duas faixas, quarenta A mistura vencedora
desbrabar caminho minutos. Mais coisa entre o death metal
no nosso mundo do menos coisa. Adoramos sueco e hardcore
estas matemáticas. sempre nos trouxe
metal, encontramos Nem sempre é
bandas que resultado certo de algumas boas
consegue voar matéria boa, mas os propostas. Os
Bong já nos habituaram Casket Feeder são
abaixo do radar, sem dúvida uma
bem. Ou mal, conforme
que é algo que dá a perspectiva. delas. Este novo EP
jeito se quisermos fazer contrabando Obviamente que temos aqui a sua fórmula "Scalps" é a prova que não precisávamos
ou invadir um país de forma sorrateira certeira de drone/doom metal paquidérmico que que nos dessem. A forma como sempre
para resgatar prisioneiros de guerra. se move à velocidade de uma lesma. Mas é uma nos deram porrada no lombo mas ao
lesma graciosa, atenciosa aos detalhes e ágil
No contexto musical do black metal na forma como consegue tocar exactamente mesmo tempo conseguiram um groove
é... irritante. Irritante sobretudo porque naqueles pontos esperados. Não é algo que se assinalável é uma das duas maravilhosas
investigando o passado da banda, o seu possa generalizado já que este tipo de música características - ouçam o malhão que é
som é bem atractivo e este seu terceiro é um gosto adquirido. Para quem o tem, não "Carve Their Names Upon The Hanging
há melhor que isto. É uma viagem épica que Tree" e vejam como até juntam melodia à
álbum não é excepção. Demorou sete anos vamos querer ter várias vezes embora não seja coisa sem soar de forma gratuita ou até
a que chegasse mas esperemos que agora para efectuar a toda a hora. De uma perspectiva acessível, não sacrificando um pedaço
consiga marcar os fãs do género. Deste do fã do metal, isto é chillout. E do bom. que seja do seu peso. E ainda bem
lado fez um excelente trabalho nesse ponto.

74 [8.6/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira


CAVUS COLDBOUND CORAM LETHE
“The New Era” “The Gale” “In Absence”
Satanath Records Moonlight Productions Buil2Kill Records
Costumamos dizer que Fantástico álbum. Seis anos foi o tempo
o pessoal na Finlândia A vida é curta e a necessário para que
é todo abençoado pelo sociedade empurra- os Coram Lethe
alto nível de qualidade nos cada vez mais para precisaram para
que a sua música, uma maratona sem lançar cá para fora o
quer em termos fim. E isso por vezes seu quinto álbum, até
técnicos quer em chega até à forma agora o maior período
termos sonoros. Os como apreciamos a de tempo que tiveram
Cavus vêm cá só para música, leva-nos a entre álbuns e por
provar o contrário, que não ter o tempo (ou a uma lógica (saloia)
também há lá produções bem javardas e que paciência) para apreciar trabalhos que demoram presume-se que quanto mais tempo tiver
não se preocupam em demonstrar habilidades (e precisam) o seu tempo a crescer no interior passado, maior é a obra prima. Bem já muitas
técnicas. "The New Era" é o segundo álbum mas de cada ouvinte. Os finlandeses são uns que vezes tivemos a prova de que não é bem assim
não aponta no sentido de uma nova era e sim no tais, que correm o risco de passar ao lado dos que as coisas se processam, embora neste
da podridão do costume. E isso nem sempre é fãs de metal que podem cair na armadilha de caso, não possamos dizer que também temos
bom, porque neste caso a podridão até nem traz querer algo mais rápido, mais descartável. "The um mau trabalho. Muito pelo contrário, não será
valor acrescentado à música - tendo em conta Gale" é o tipo de trabalho sobrevive à passagem o seu melhor álbum mas apresentam muitos
de que estamos a falar de black metal e que o dos anos, com melodias tão intricadas como bons argumentos que vão' convencer sem
ambiente costuma ser favorecido pela podridão. simples, tão memoráveis quanto instantâneas. grandes problemas todos os fãs de death metal
Recomendado apenas a quem vive e respira E o que pode ser encarado como o seu ponto progressivo, que não cai no erro de cair nos
underground. E não seja muito selectivo. fraco, é sem dúvida o seu maior trunfo. lugares comuns expectáveis do género. E com
as consequentes audições, vai crescer até que
não restem outras alternativas senão admitir a
sua superioridade. Surpreendentemente bom.

[5/10] Fernando Ferreira [8.9/10] Fernando Ferreira [8.8/10] Fernando Ferreira

CRAFT CRYONIC TEMPLE CULT OF EXTINCTION


“White Noise And Black Metal” “Deliverance” “Black Nuclear MagicK Attack”
SOM - Underground Activists Scarlet Records Sentient Ruin Laboratories
Sete anos depois, aí Os veteranos Lançamento de
estão os Craft para o suecos estão aí estreia da one-man
seu quinto álbum de com “Deliverance”, band alemã Cult Of
originais. Ultimamente parece cliché, mas Extinction, um EP
a actividade da banda uma análise destas
não tem sido muita mas que parece ser o
o que sabemos é que a tem de passar por elo perdido entre
cada álbum que nos isso mesmo, riffs, o death cavrnoso
trazem, a garantia é que melodias, vozes, de uma banda
as portas do inferno se ritmos, refrões, como Mortician
abram e de lá saia toda a escuridão. Mesmo estruturas musicais, bla, bla, bla Sim e em (principalmente devido ao som ultra
que toda esta coisa da escuridão e trevas e que ficamos? “Deliverance” é soberbo! grave) e o black metal mais ritualista
tal já possa estar um pouco batida, os suecos Dizer que é um trabalho ambicioso, próprio de bandas como Abruptum ou
encontram sempre forma de conseguir manter parece-me injusto, pois estamos perante
a sua identidade protegida e ao mesmo tempo vizinhos. É uma amostra curta (quatro
apresentar-nos uma lufada de fresco em forma uma banda que também já não tem nada temas em menos de quinze minutos) mas
de metal negro e obscuro - "Undone" e "YHVH's a perder, pois o seu passado e presente é o ambiente geral e aquilo que apresentam
Shadow" são bons exemplos. No entanto, não demonstrativo de que a ambição faz parte é mais que suficiente para sabermos com
se trata de trazer aquilo que já esperávamos deles. Power metal com grandes bases o que podemos contar no futuro. Edição
e sim de conseguir apresentar aquele que é o de heavy metal clássico, muito épico de vinil limitada a duzentas cópias apenas.
seu melhor álbum de sempre. Não um que se mostrando a boa forma dos Cryonic, o que
apanha à primeira ou à segunda, mas daqueles se recomenda e deseja por muitos mais
que sabemos que vão continuar a dar coisas lançamentos.
novas a cada audição.
[8.9/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia [7.3/10] Fernando Ferreira

DALLIAN DEATH.VOID.TERROR DEATHLESS LEGACY


“Automata” “To The Great Monolith” “Rituals Of Black Magic”
Edição de Autor Iron Bonehead Productions Scarlet Records
É sempre um prazer Quando temos uma Os italianos
vermos mais uma declaração que assenta Deathless Legacy
banda nacional a em "os Death.Void.
surgir nos escarapes. Terror transcendem estão com mais
Relativamente recente as convenções de um trabalho na
(a origem data do ano "composição" e rua, o quarto do
passado), não deixa performance" na cultura seu catálogo. Auto
de ser impressionante da música moderna e intitulam-se horror
a banda a surgir com reduzem a criação à sua
essência, despindo-a metal numa onda
um álbum de estreia muito teatral, mas
tão forte coo este. Podemos dizer que os Dallia de convolução e excesso até que tudo o que
são sinfónicos, que são étnicos e até que são resta é uma singularidade de negro colhida por diretamente, ouvi algo do género metal
progressivos com base no metal extremo.
aqueles que estão envolvidos na sua criação" é gótico, sinfónico com requintes de power
natural que se pense... "pois, pois, estás a dar-me metal. Falar de “Rituals Of Black Magic” é
Tudo faz sentido. O que faz sentido também é música". Teremos que engolir as nossas palavras
o número de vezes com que nós voltamos a (preconceitos?) porque é exactamente isso que falar de algo que é um álbum fantástico,
carregar no play depois deste trabalho chegar temos aqui. Não podemos colocar no mesmo profano carregado de metal conceitual
ao final, algo que leva o seu tempo. Assim como patamar de outras propostas de black metal, sobre antigos rituais de magia negra, que
a absorção deste trabalho, denso como se quer noise, death, drone porque o que se ouve aqui é me impressionou num todo de forma
todas as grandes obras. A banda de Leiria tem tudo isso mas não é só isso, é muito mais. Como muito positiva. O trabalho vocal de Stevia
um primeiro capítulo promissor não em relação sempre com tudo o que foge ao convencional, não
é muito acima da média tornando todo o
ao futuro mas sim em relação ao presente é material para se ouvir non-stop (dois temas um
porque o que temos aqui é a maior confirmação com mais de vinte cinco minutos, outro com quase trabalho muito poderoso, obscuro e com
do seu talento. Definitivamente uma das estreias vinte), até porque poderá ter efeitos inesperados na um alcance sonoro impressionante.
do underground nacional deste ano de 2018. psique do ouvinte... mas por vezes dá vontade de
correr o risco.

[9/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia 75


DECAYED DECLINE OF THE I DEFIATORY
“Of Fire And Evil” “Escape” “Hades Rising”
Lusitanian Music Agonia Records Black Lion Records
Há certas coisas na Parece que foi ontem Existem algumas
vida que não falham. que os Decline Of
Impostos, a estupidez The I nos foram coisas às quais
natural dos seres apresentados através não conseguimos
humanos e regularmente do álbum "Inhibition".
termos cá fora um álbum Não foi ontem mas foi r e s i s t i r .
dos Decayed. Se as duas
primeiras incomodam
em 2012. Seis anos Admitimos. Uma
depois encontramo-
e fazem criar cabelos
nos outra vez para delas é quando
brancos, já a última é
algo que se antecipa com entusiasmo. No entanto, tratar da análise do nos é apresentado
as três podem encaixar no mesmo ponto que é de terceiro álbum e apesar da evolução ser notória,
não surpreender - embora por vezes a estupidez também é evidente que a essência da banda o termo "Bay Area". Testament,
natural dos seres humanos poder ser demasiado continua inalterada, seja pela apetência pelas Metallica, Exodus, Death Angel, entre
criativa e assumir formas inesperadas. E isso melodias dissonantes - aqui mais sofistificadas
é uma coisa boa, sabermos o que esperarmos e inteligentes que nunca - seja pelos ambientes muitos outros surgem logo na nossa
porque para os fãs é precisamente o que querem sufocantes, qual teia de aranha, que constroi à cabeça. Nem queremos saber mais
e para quem não é fã... bem, também não é aqui nossa volta, deixando-nos encurralados. Algo
que vão encontrar qualquer tipo de concessão ao que nunca chega a ser uma preocupação já que nada. Se são de São Francisco, se são
seu som. Os Venom e os Bathory tiveram um filho não temos intenções nenhumas de fugir. Dentro bandas influenciadas pela cena thrash
bastardo na década de noventa e hoje já com mais do black metal, continua a não ser unânime mas
de vinte anos de carreira (quase trinta aliás), esse a banda sempre demonstrou não querer ficar da década de oitenta de São Francisco
filho está feito um homem, apostado em levar o
legado black metal para o futuro. "Of Fire And Evil"
presa nesse mundo. Um trabalho hipnótico que ou se simplesmente passaram por lá.
deverá requerer a vossa máxima atenção, sem
é isso mesmo, black metal clássico (ou seja, pré-
rótulo certo em cima ou não. É um defeito do qual nos orgulhamos.
vaga escandinava).
[8.5/10] Fernando Ferreira [8.6/10] Fernando Ferreira E foi o termo que encontramos
no comunicado de imprensa dos
DEMONIC OBEDIENCE Defiatory, banda sueca que com
DEIQUISITOR
“Fatalistic Uprisal Of Abhorrent Creation”
"Hades Rising" chega ao segundo
“Downfall Of The Apostates”
Dark Descent Records Satanath Records
álbum. Tendo em conta que as bandas
citadas atrás têm todas a sua própria
Death metal Tal como um relógio
dinamarquês que nos suiço, eis um identidade, podemos dizer que os
atinge com uma força álbum dos Demonic Defiatory não soam a nenhuma delas
Obedience, dois anos
extraordinária. Sem após "Nocturnal Hymns mas concordamos que o seu som está
ser particularmente To The Fallen", o seu
técnico mas com mais próximo daquilo que é feito nos
segundo. E se podemos
bons pormenores contar com isso por E.U.A. do que propriamente na Europa,
instrumentais parte da banda, também embora o seu teor mais moderno os
(onde a guitarra podemos contar
definitivamente é quem se destaca mais), com death metal blasfemo a fazer lembrar afaste da chamada sonoridade de
este power trio relembra-nos tudo aquilo os momentos mais javardos dos Immolation "Bay Area". Não chega a ser desilusão
ou dos Incantation (o que preferirem). O que
que precisávamos para que ficássemos é bom, são (sempre) boas referências. Não porque o som é realmente poderoso
novamente apaixonados pelo death metal... chegam a cair na cópia felizmente e apresentam
caso tivessemos deixado de estar. Não se e as malhas agarram-nos com força.
bons pormenores, principalmente ao nível das
trata apenas de demonstração gratuita de harmonias de guitarras e de solos, que nos Dois anos depois de "Extinct" (que foi
técnica ou brutalidade, tudo faz sentido fazem manter o entusiasmo que poderia afastar- bem recebido por fãs e imprensa), não
e flui na direcção de termos um álbum se por causa do déjà vú. Poderá não ser global
forte. Talvez não se destaque das muitas este entusiasmo, mas para nós resultou. há nada aqui que não os faça elevar
propostas do género, mas qualquer fã vai ainda mais a fasquia. Bom e potente,
reconhecer que é diversão da boa que se tal como gostamos.
tem aqui.
[7.8/10] Fernando Ferreira [7.5/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira

DERDIAN DISFIGURED HUMAN MIND / CORPSE EATER


DODENGOD
“DNA” “Rotten Minds Infection” “Salvation”
Edição de Autor Murder Records | Whisky Warfare Records Antitheus Productions
Temos por vezes É possível ser-se fã Das cinzas dos
bandas que parece de uma banda mesmo Ascend-Ency,
que andam a lançar que esta não tenha
apresentado em toda nasceram os
álbuns nas nossas
costas - isto é uma a sua história um DodenGod, um duo
lançamento que nos belga que aposta
maneira simpática tenha conquistado
de dizer que por completo? Claro na mistura do black
andamos a dormir que sim, é o que nos e death metal para
- e os Derdian são acontece com os nos trazer metal potente e bruto. No
uma delas. "DNA" é já o sétimo álbum da Disfigured Human Mind. A banda portuguesa
banda e mostra que os italianos têm uma é um exemplo de como o underground da anterior projecto haviam umas influências
apetência para o power metal grandioso música extrema ainda mexe com força. A industriais que agora desapareceram.
sua mistura muito própria entre death/grind
e viciante. A banda insere-se naquela improvisado e noise acaba sempre por trazer Essas influências até poderiam fazer a
vertente mais happy (não chegando no mais coisas positivas do que negativas e diferença em realçar alguma identidade
entanto a um extremo de uns Freedom este split com os Corpse Eater, de quem não própria mas temos em crer que tal não
Call) tão popular no início do milénio, mas temos muitas informações, não deixa de ser
não deixa de ter em conta o peso que é cativante mesmo que corra o risco de nos seria necessário, até porque a potência
necessário para justificar o estilo - afinal arrebentar com os ouvidos. Os Disfigured aqui apresentada não deixa que o som caia
ainda estamos a falar de POWER METAL! Human Mind trucidam os Corpse Eater por no aborrecimento, mesmo que não exista
Bons ritmos, bons solos (tanto de guitarra completo mas não deixam de fazer uma boa
paarelha. Não é, definitivamente, para fracos. a mínima intenção de se fugir aos lugares
como de teclados) e bons refrões. Déjà comuns. É forte o suficiente para aguentar.
vú? Talvez... mas... bom? Definitivamente!
76 [8.7/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira
DOKKEN DOOMSDAY OUTLAW DRAKKAR
“Return To The East Live 2016” “Hard Times” “Cold Winter's Night”
Frontiers Music Frontiers Music My Kingdom Music
Estamos na época “Hard Times” é disco Os Drakkar foram um
das reuniões, já forte de sonoridade dos nomes da nova
todos percebemos, ao vaga de power metal
mesmo tempo outros muito rockeira com
que após algum
fecham as atividades e traços blue, cheio de reconhecimento
ficam para a história. Groove e com riffs
Os Dokken, que na com os seus dois
época foram platina bem conseguidos. primeiros álbuns
numa série de álbuns, A voz é fantástica acabaram por ir
tinham em "Beast
criando o ambiente ideal para o género. decrescendo em
From the East" o expoente máximo da termos de popularidade. A banda nunca
sua carreira. As diferenças criativas entre Assim, os Doomsday, apresentam o seu desistiu e continuou a lançar álbuns. Três
Lynch e Don levaram a uma separação que mais recente trabalho, agora com o selo anos após o seu último, está aqui este
agora teve o seu retorno. Se as diferenças
estão devidamente ultrapassadas, pois, da Frontiers, nitidamente mais maduro, EP para marcar presença que confirma
não sabemos, a única certeza é que eles composto por 11 temas muito bem que continuam a ter a apetência para as
voltaram e “Its Another Day” não sendo trabalhados e conseguidos. “Hard Times” melodias marcantes e para bons temas.
nada do outro mundo, também não é má de Algo que sempre lhes reconhecemos
todo, mas sim soa a Dokken, sem dúvida e abre as portas para um caminho bem mas tal como anteriormente, fica-nos a
deixa o no ar que muita coisa de positiva porreiro de se percorrer acompanhado sensação de que falta aqui qualquer coisa.
ainda está por vir. Tudo o resto fica para deste brilhante, dinâmico e contemporâneo Algum gancho forte o suficiente para que
os fans e a somar ainda a presença de não caísse no esquecimento. Ainda não é
duas faixas acústicas, “Heaven Sent”e “Will conjunto de músicas.
The Sun Rise”, e que na minha opinião desta que assim temos.
enriquecem muito este disco.
[8.5/10] Miguel Correia [10/10] Miguel Correia [6.5/10] Fernando Ferreira

ELDRITCH ELVENSTORM EMMERHOFF & THE MELANCHOLY BABIES

“Cracksleep” “The Conjuring” “Circle Six”


Scarlet Records Massacre Records Apollon Records
A banda de power metal Houve uma altura em A banda norueguesa
italiana lança o seu 11º que andava por aí uma Emmerhoff & The
álbum! Curiosamente porrada de bandas com Melancholy Babies não
olhando para o passado elfos no nome. Ou se será a mais conhecida
e pelo pouco que fui calhar não mas apenas entre os nossos leitores,
conhecendo deles ouvi parecia isso e este tipo apesar deste ser já o
de coisas acontece seu sexto álbum de
influências de nomes originais, mas para
como Machine Head, quando apanhamos quem gosta de ter os
Metallica mas com num curto espaço de horizontes alargados,
o passar do tempo e tempo o mesmo tipo de poderá encontrar muitos bons motivos para
possivelmente com as mudanças de line-up na coisa. Elfos, power metal e por aí fora. No caso ficar contentes por ficar a conhecê-los. Apesar
banda o caminho sonoro foi indo numa direção dos Elvenstorm que tanto poderiam servir para da banda ser norueguesa, o seu estilo de música
mais progressista e eis “Cracksleep”. Ok, não um lado e para outro mas nada como o tempo tem mais proximidade com o que se faz (ou fazia)
fiquei entusiasmado com esta nova opção, para afastar aquilo que nos pressiona a ter do outro lado do Atlêntico. Além de uma pitada
mas também não me defraudou por completo, alguns preconceitos. O tempo faz com que não de rock psicadélico, temos aquele feeling rock
porque ouvi em todo o trabalho grandes toques olhemos para os Elvenstorm como apenas mais americano que não é imediato mas também uma
técnicos traduzidos em solos fantásticos, vocais uns que tocam power metal até porque apesar esquisitice adorável que faz com que fiquemos
muitos bons e riffs que ficam logo colados no da voz de Laura apontar para campos mais agradavelmente agradados. Poderão não parecer
nosso ouvido. No global achei o trabalho muito melódicos (que estamos habituados a ouvir em grandes argumentos mas a qualidade é mesmo
sólido, mas que não vai superar as expectativas. contextos mais sinfónicos), ela move-se muito evidente, mesmo que não seja um lançamento
à vontade neste contexto mais tradicional. Com muito linear em termos estilísticos, mas esta
mudanças de formação que não lhes prejudicou esquizofrenia acaba por resultar de forma positiva.
em nada, este é um daqueles trabalhos que vai
conseguir vencer o teste do tempo.
[8.5/10] Miguel Correia [9/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira

EXCOMMUNICATED FERVENT HATE FROZEN CROWN


“Death Devout” “Tales Of Hate, Lust And Chaos” “The Fallen King”
Satanath Records Satanath Records Scarlet Records
Apesar do que possa Do Peru, senhores e Mais um nome para
aparecer por aí na net, senhoras, os Fervent deter na nossa lista.
"Death Devout" não Hate. A banda dá- Hoje proliferam as
é o segundo álbum lhe bem no death bandas e essas são
dos Excommunicated, para todos os gostos.
apesar de ter a duração metal tendo por Felizmente que tenho
como tal. Trata-se base o thrash metal uma mente aberta a
de uma colecção de e o resultado deste procurar novidades e
covers. Uma colecção seu segundo álbum assim com um amigo
de luxo, acrescente-se. de originais é bem me confidenciou, amo
E não optam por irem buscar os temas mais cativante para não dizer entusiasmante. música, tenho de andar sempre a descobrir
emblemáticos - tirando a óbvia "For God Your E curiosamente não é coisa que nos soe bandas e sons novos, não sou fechado a
Soul, For Me Your Flesh" dos Pungent Stench ao típico trabalho sul-americano, o que nada musicalmente falando e ok fiquei super
ou "Lunatic Of God's Creation", já para não entusiasmado com estes Frozen Crown! Eles
falar das escolhas de Morbid Angel (é também de certa forma representa uma lufada de tocam um power metal muito, mas muito
complicado escolher músicas dos primeiros ar fresco com o seu death metal cheio melódico, cheio de garra, rápido e com linhas
álbuns dos Morbid Angel e não tropeçar nalgum de groove. Não há muito por onde pegar vocais soberbas. Grandes riffs, grandes solos e
clássico). De Morgoth a Samhain (a banda neste álbum, ou melhor, não há mesmo onde há passagens de elementos death metal,
mais fora dos meandros do death metal) é uma nada, apenas malhões atrás de malhões pesadas, modernas e o a utilização ocasional
colecção de clássicos que um fã de death metal que dão mesmo gozo a ouvir. de vocais agressivos, numa excelente e variada
deverá sentir no mínimo curiosidade. composição musical. Não percam, mesmo!

[8.5/10] Fernando Ferreira [8.7/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia 77


FUZZ LORD GODTHRYMM GOST
“Fuzz Lord” “A Grand Reclamation” “Possessor”
Fuzzdoom Records Transcending Records Blood Music
Há qualquer coisa Há um nome que se Black industrial bruto
neste nome que torna logo evidente vintage! Que raio, se
nos indica logo ao quando o tema-título todos podem criar
que é que os norte- se faz ouvir deste rótulos estapafúrdios
EP de estreia dos porque não nós?
americanos Fuzz britânicos Godthrymm Temos aquele sonzinho
Lord vêm não é - Candlemass. O de sintetizador típico
verdade? Não há sentimento de déjà dos filmes da década
que enganar, temos vú, todavia, não de oitenta, temos
aqui stoner/doom impede que seja um ritmos formatados no
de grande qualidade onde o power trio reconhecimento muito positivo, afinal estamos som buzzsaw (o nome diz tudo), alguns berros
não só nos traz aquele sabor do deserto a falar de uma banda que impactou o doom próprios do metal mais extremo, temática
como também nos indica que há uma metal na década de oitenta como ninguém relacionado com a adoração do chifrudo e um
e que soube manter viva a sua carreira ao ambiente creepy como se estivessemos presos
reverência (apropriada na nossa opinião) longo de mais de três décadas. A fusão entre num filme de terror da década de oitenta. Parece
ao heavy metal como um género. São oito heavy metal e o doom metal é apresentada de um elenco para algo disparatado, não negamos
temas cheios de feeling e poder metálico e forma irreprensível e poderá estar aqui um dos mas não é mau de todo. Pelo contrário, chega
de toda a sua tradição que nos hipnotizam grandes valores do género. Havendo até espaço a ser quase bom pela forma como consegue
sem qualquer resistência da nossa parte. para uma evolução para fora das influências sacar melodias intemporais - ou próximas das
Temos a ssensação de que vamos ouvir citadas aqui e omnipresentes. mesmas. Acabámos por ouvir mais vezes do
muito mais desta banda no futuro próximo. que aquelas que tinhamos suposto inicialmente.

[8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [6.6/10] Fernando Ferreira


GRAVEHILL GRAVEYARD GRIFT
“The Unchaste, The Profane & The Wicked” “Peace” “Vilsna Andars Boning”
Massacre
Dark Descent
Records
Records
Pure Steel Records Massacre
Nuclear Blast
Records Pure Steel Records Nordvis
Apesar de não Regresso em grande Há qualquer coisa
serem sobejamente dos Graveyard. no folk escandinavo
conhecidos, os Se houve por aí (assim como no celta)
Gravehill já nos pessoal que não que nos entra com uma
habituaram, ficou muito agradado facilidade extremo.
mesmo que de com o "Innocence Sabemos que não é
forma irregular, a & Decadence" - a primeira vez que
uma boa mistura não foi o nosso iniciamos uma análise
de metal extremo. caso - este "Peace" com este tipo de
É essa mistura e até, de certa forma, a definitivamente vai puxá-los de volta para afirmação mas apesar de odiarmos a repetição,
indefinição, que sempre nos atraiu no a banda, ainda para mais quando este é o é importante referir isto. Este EP composto por
seu som. O metal tradicional mais cru, primeiro álbum após o regresso em 2016. apenas dois temas é assombroso pela forma
junto à potência do death metal e até um A soar mais clássico que nunca - já deixou como consegue estabelecer um ambiente com
certo toque blasfemo que nos remonta de importar há muito tempo o termo apenas recurso a instrumentos acústicos e
ao lado mais primitivo (e genuíno?) do retro - temos uma colecção de temas onde o silêncio é quase tão importante como
metal extremo surge de forma muito memoráveis onde o hard rock é muito o som em si. Não é minimalista mas existe
bem equilibrada. Este equílibrio, não bem tratado que prova que teríamos muito muito espaço para as melodias respirarem
sendo fácil de atingir (até pela própria a perder se a banda tivesse desistido três e crescerem. Um aperitivo e uma forma de
banda) é assinalável. Mesmo sem se anos atrás. Hard rock, ou melhor, música introdução a este projecto fantástico.
destacar muito da concorrência, o seu desta é imortal.
valor está à vista ou aos ouvidos de todos.
[7.3/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira

GWYDION HALCYON DAYS forma como a qualidade abunda em


“Thirteen” “Rain Soaked Pavements & Fresh Cut Grass” trabalhos como neste "Rain Soaked
Ultraje Indie Recordings Pavements & Fresh Cut Grass", onde
Afinal não é só nos Este trabalho dos a melodia que está aqui presente
filmes e na B.D. que se torna viciante sem grandes
o pessoal volta dos britânicos Halcyon
mortos. Também é Days traz-nos dificuldades. Um vício inesperado,
comum no mundo da
música mas não tão algumas memórias principalmente para quem não tem o
comum de forma a que
em relação ao hardcore como escolha principal.
não nos surpreenda,
como neste caso. Não passado não
era de supor que os
Gwydion voltassem, mesmo que tivessem uma muito longínquo.
boa base de fãs mas como muitas coisas cá neste Numa altura em que o hardcore
canto esquecido da Europa, essa base de fãs só
parece acordar quando as coisas já não existem. estava a explodir um pouco por todo
E "Thirteen" pega exactamente onde "Veteran" ficou,
com um metal viking (ou seja, aquele equilíbrio o lado. Onde apanhámos de tudo,
entre o death metal melódico e o folk) de fazer do bom e do menos bom, em modo
concorrência a qualquer outro que queira desafiar,
ou seja, é precisamente o que se antecipava nestes enxurrada e como tudo na vida, no
cinco anos de ausência, onde a acutiância melódica meio de enxurradas, a única coisa que
e épica de temas como "Revenge" se tornam
mesmo memoráveis. Uma das grandes bandas queremos (que precisamos!) é ar para
portuguesas voltou e com um grande álbum. É
momento de celebrar esta benção dos deuses! respirar. Agora, passada um pouco
mais de enxurrada é fácil perceber a
78 [9/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira
HALCYON WAY HAMMERSTROKE HIDDEN INTENT
“Bloody But Unbowed” “Satan's Claw” “Fear, Prey, Demise”
Agonia Records DocRock Music Records Scarlet Records
Nada como Trabalho de estreia De terras australianas
conhecer uma dos Hammerstroke, os Hidden Intent têm
banda através de banda alemã que desbravado o caminho
um concerto (neste nasceu após os com armas thrash
caso com Angra e dois guitarristas metal bem aguçadas.
DocRock e Kürsche As raízes americanas
terem saído da da Bay Area estão
banda rock The Siks bem presentes neste
segundo trabalho
para formarem uma denominado “Fear, Prey, Demise”, trata-se
Operation:Mindcrime) e passado poucos banda que tocasse heavy metal a sério. de um disco cheio de energia e com riffs
meses conferir o seu novo álbum de O resultado são estes temas, escritos bem rasgados. Fantástica coleção de 10
originais. A banda norte-americana pelos dois músicos e pelo baixista Isy faixas que não serão indiferentes aos fans da
regressa assim com o quarto álbum de que entrettanto se juntou ao projecto. sonoridade, eu sou um deles e fiquei mais do
originais, o primeiro pela polaca Agonia Com uma sonoridade típicamente alemã, que convencido com o que ouvi...”Addicted
Records. O seu metal progressivo está não podemos dizer que tenhamos aqui To Thrash”. O álbum num todo funciona
mais forte que nunca, juntando assim um deslumbro de um EP, mas cumpre os muito bem e não é muito comum em mim
certezas às boas impressões que já tinham requisitos mínimos para quem procura destacar uma ou outra faixa, mas aqui não
deixado pela sua passagem por Portugal. heavy metal musculado e com ocasionais hesito em o fazer e refiro precisamente
Conseguem juntar no mesmo tacho o explosões de velocidade. Consta que a “Apocalypse Now”, são 8 minutos de pura
feeling old school do género (com um banda, agora um duo novamente, procura destreza musical! Long live metal!
pouco de power metal à mistura) assim novos membros para poderem trabalhar
como sem deixarem de parte tiques no novo álbum.
[8.4/10] Fernando Ferreira [6.5/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia
HIIDENHAUTA HOLLYWOOD BURNS HORRORGRAPHY
“1695” “Invaders” “Season Of Grief”
Inverse Records Blood Music Satanath Records

Black metal melódico Começamos a ver aqui Álbum de estreia


vindo da Finlândia um padrão. Parece dos gregos
é algo que nos incrível mas há por aí
pinta logo o retrato uma verdadeira cena de Horrorgraphy
bandas e projectos de qye parece que
em relação ao que música electrónica retro
podemos esperar, que fazem bom uso dos perderam o
no entanto, "1695" sintetizadores que se comboio e só
até nos consegue pensava terem caído em
surprender, pelo desuso na década de conseguiram
menos pela esquisitice em alguns oitenta. Hollywood Burns iniciam este "Invaders" chegar agora aos escaparates. Isto
temas - como a "Musta Leipä". Não é com "Opening Titles", que é como quem diz,
uma esquisitice muito acentuada mas silêncio que o filme vai começar. E se esse início porque "Season Of Grief" soa-nos a
é orquestral, já a música que se lhe segue é qualquer coisa que poderia muito bem
definitivamente que serve para se separar totalmente assente nos sintetizadores retros,
um pouco da maralha. Totalmente cantado bateria programada (ou digitalmente retro) com ter sido lançada no final da década
em finlandês, a música não deixa de ter temas que... convencem. Pois é, estamos a ser de noventa. Os arranjos orquestrais
um poder considerável em termos de peso constantemente surpreendidos pelas escolhas
mesmo que nem sempre se revele efectivo. da Blood Music. Não é algo que queiramos movidos a teclado (que parece que
Felizmente são poucas as ocasiões em que ouvir com frequência mas definitivamente hoje em dia já não tem o mesmo efeito,
isso acontece. que se conseguem encontrar aqui pontos de
interesse e reconhecer-lhe qualidade. Para os principalmente de tudo agora arranjar
mais aventureiros e nostálgicos. orquestras ou pelo menos samples
muito bons de orquestras para dar
[7.7/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira
o mesmo efeito), a voz feminina
operática arraçada de soprano, com
I AM K IMPERIUM a distorção não muito impressionante
“Humans” “Beyond The Stars” a surgir acompanhada de gutural e
Apollon Records AOR Heaven registo mais rasgado por cima de
A premisa dos Imperium é o projeto estruturas e melodias estranhas e
noruegueses I solo do baterista
Am K poderá ser Mika Brushane, complexas. Tudo que na teoria parece
automaticamente responsável não só que resulta e, de certa forma até
pela composição, mas
algo que afaste a também por todas as resulta mas não deixamos de ter a
maior parte dos linhas de bateria, baixo, sensação de que falta algo. Bem, como
nossos leitores - teclados e coros. A
melódico, com uma música é rock melódico bons anfitriões que somos, teremos
voz que se aproxima de grandes e naturais que dizer bem vindos, no entanto, não
bastante do pop ao mesmo tempo influências de sons dos anos 80, cheias de
que temos os elementos electrónicos melodia com refrões e riffs muitos cativantes deixa de ficar o desejo que exista uma
apresentados em algo muito próximo do e os solos esses, abundam e estão na primeira evolução para fora deste ponto que
linha de execução. Todos os vocais e guitarras
rock moderno. O preconceito dita "fugem!" são executados por vários músicos muito nos é apresentado agora. Destaque
mas temos que ser corajosos, porque talentosos da cena rock / metal. Em “Beyond no entanto para a cover dos Therion,
nunca se sabe o que se pode encontrar por The Stars”: Dennis Ward - vocal principal e
trás de um preconceito. Neste caso, temos backing vocal (Gus G, Khymera, Unisonic, Pink "The Rise Of Sodom And Gomorrah", o
uma banda com apetência para boas Cream 69, Place Vendome, Sunstrom), Markku primeiro dos trabalhos da banda sueca
músicas que se instalam sem qualquer Kuikka, (Crow's Flight, Agonizer, KenZiner, The
dificuldade e uma voz que nos remete para Ragged Saints, Status Minor), Antti Railio, com uso a orquestra. Curiosamente,
os campos mais folk nórdico como Of vocalista e backing vocal (vencedor do The resulta.
Voice Of Finland, ex-Celesty), Rob Lundgren,
Monsters And Men. O resultado é bom o vocalista e backing vocal (The Midgard project,
suficiente para que lhe dediquemos umas Barque Of Dante).
audições valentes.
[7.6/10] Fernando Ferreira 10/10] Miguel Correia [6.5/10] Fernando Ferreira 79
INFINITEE ISATHA ISSA
“The Possibilities Are Endless” “Tavaszi Szél” “Run With The Pack”
Edição de Autor Edição de Autor Frontiers Music
Infinitee é um Depois do álbum de A rainha do rock
projecto, uma one- estreia lançado em melódico norueguês
man band criada 2013 ("Erdei Regék") Issa, lança assim com
por Tres Tomas (dos já era momento de “Run With The Pack”,
o seu quinto álbum
Tales Of The Tomb) termos novidades de originais. Para
que se baseia numa dos Isatha banda mim e pelo que tenho
sonoridade bem de folk metal bruto acompanhado este será
moderna onde o vinda da Hungria. o melhor de todos os
terma djent é capaz A sua mistura lançamentos de Issa e
de surgir em mente. Várias vezes. Desde entre as melodias e sonoridades folk aqui destacar um ponto alto é extremamente
o início. Até ao fim. Ok, não gostamos do (principalmente aquele som de flauta que difícil, poderia até destacar “Sacrifice Me”, num
termo porque achamos que é daqueles é para lá de viciante) e a brutalidade do dueto com Deen Castronovo, mas seri injusto
para todas as outras faixas deste brilhante
rótulos que todas as bandas que encaixam death metal resulta muito bem, mesmo trabalho. Rock, melódico, grande vocais e
nele soam todas à mesma coisa. E sim, que por vezes nos fique uma sensação de melodias essas assombrosas! O line-up deste
temos um pouco essa sensação, mas o déjà vú. Felizmente não é muito forte e que trabalho é composto por Simone Mularoni dos
facto de ser instrumental, acreditem ou as músicas em si têm qualidade para além gigantes do metal progressivo italiano DGM, na
não, faz com que seja bastante interessante. da fórmula já bem conhecida por todos. É guitarra, Andrea ToWer Torricini (Vision Divine)
Também ajudam as dinâmicas em termos um bom aperitivo enquanto não surge o e Marco Di Salvia (Kee of Hearts) na seção
rítmicos (o principal problema) que fazem segundo álbum e serve para reapresentar rítmica para aquele que é indiscutivelmente a
com que este seja mais agradável do que a banda ao público. oferta musical mais completa de Issa!
esperaríamos. Uma boa surpresa.

[7/10] Fernando Ferreira [7.4/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia

JAMES CHRISTIAN KAOSPHERE KATAKLYSM


“Craving” “Kaosphere ” “Meditations”
Frontiers Music Edição de Autor Nuclear Blast Records
Dos House Of Lords Poderá não parecer Um título como
para o seu espaço pelo o que dizemos "Meditations" poderá
e momento a solo. habitualmente mas há levar a supor que a
muito tipo de metalcore banda canadiana tenha
É isso que James diferente, muitas entrado numa fase
de vez em quando fórmulas e muitas mais contemplativa
faz, optando por perspectivas diferentes. da sua carreira. No
possivelmente deitar E é principalmente por entanto, o que temos
cá para fora a sua esse motivo que por é o bom e velho death
metal melódico bem
inspiração aquela vezes nos irrita estar a modernaço que a banda tem vindo a aperfeiçoar
que não entra nos HOL. Naturalmente, ouvir sempre a mesma banda. Os Kaosphere, ao longo dos últimos anos. A sua carreira não é
a linha sonora de James é a de um rock por outro lado, mostram que esses maus propriamente consensual mas temos que ser
melódico, muito variada com pontos costumes ainda não chegaram à Austrália, sinceros, com toda esta concorrência do metalcore
pelo menos a avaliar por este EP que tanto e com a sua fórmula a ser esminfrada ao longo
que chegam a ser perfeitos na audição. nos dá thrash metal moderno, como algumas dos últimos tempos, um álbum como estes acaba
Momentos onde a introdução de guitarras das características do metalcore e ainda tem por soar sempre fresco. Os críticos vão encontrar
acústica e piano soam magistralmente espaço e tempo para algo mais tradicional como sempre razões para criticar, no entanto, na nossa
criando hinos AOR que podem ficar solos de guitarra. Poderoso e cativante, podem opinião, todos os elementos que fazem esta uma
perfeitamente na história do género. conferir que é seguro. das melhores propostas de música extrema do
“Craving” é um produto altamente Canadá continuam a estar presentes. Intenso mas
ainda bastante melódico, "Meditations" acrescenta
inspirado de James Christian e facilmente mais uma série de malhas ao já longo repertório
recomendado. da banda.

[10/10] Miguel Correia [7/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira

KATHINKA KEYS OF ORTHANC KISSIN' DYNAMITE


“Kathinka” “Dush Agh Golnauk” “Ecstasy”
Apollon Records Naturmacht Productions Metal Blade Records
Apesar de não sermos Ainda nos conseguimos Os Kissin' Dynamite são
propriamente fãs de espantar com a um exemplo perfeito no
pop, há várias coisas qualidade de novos que diz respeito à forma
a term em conta. Pop projectos que nos são como o hard'n'heavy
representa popular. servidos pelas mãos da voltou a estar no topo
The Beatles e os The Naturmacht Productions. da procura dos fãs da
Rolling Stones já Invarialmente o género é música pesada. E ainda
o black metal atmosférico
foram pop, era aquilo e invariavelmente são bem. A banda optou
que representava ser one-man-bands, como desde o primeiro álbum
pop. Hoje em dia o que os Keys Of Orthanc, projecto canadiano que no a trazer bons temas/
é popular é música electrónica, descartável com mesmo ano em que inicia funções lança um álbuns de metal tradicional melódico e é o que
boas vozes ou vozes com bons tratamentos de álbum de estreia que não surpreendendo no seu nos trazem mais uma vez. Refrões maiores que
estúdio. Não gostamos disso por norma. Mas conteúdo, surpreende pela sua qualidade e pela a vida e feitos para serem tocados ao vivo -
há algo no dream pop que se aproxima bastante forma como consegue, sem grande esforço, aquela "Somebody's Gotta Do It" foi feita para
do shoegaze e do rock alternativo, música acrescente-se, carregar em todos os botões certos. ser tocada numa arena - e aquela lembrança
suave, muito bem construída e apesar dos Um trabalho que até se poderá perder nas areias de que não é preciso inovar para fazer com
elementos tecnológicos envolvidos, orgânico do tempo mas que definitivamente será sempre que as coisas se mantenham relevantes. Que
por norma. E esta é uma descrição perfeita uma agradável redescoberta caso isso aconteça. O só é preciso ter mesmo grandes músicas e
para os noruegueses Kathinka que têm aqui um timeline de "Dush Agh Golnauk" é impressionante. isso os Kissin' Dynamite têm apresentado de
grande álbum de estreia. Sonoridade etérea, A banda forma-se algures no início de 2018, lança forma bastante regular, de dois em dois anos.
nostálgica e bem feita, conduzida por uma voz o álbum de forma independente e digital no início "Ecstasy" não é só um bom álbum de hard
doce que nos matém no sonho. de Fevereiro e em Maio e Junho vê esse mesmo rock/heavy metal como evidencia que o estilo
álbum a ser reeditado pela Naturmach em vinil e
digipack respectivamente. pode manter-se relevante sem se transfigurar e
adulterar a sua essência.
80 [8/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira
LECHEROUS NOCTURNE LENORE S. FINGERS L'HOMME ABSURDE
“Occultaclysmic” “All Things Lost On Earth” “Sleepless”
Willowtip Records My Kingdom Music Soundage Productions
Um dos grandes desafios A Itália tem um dom Os L'Homme Absurde
da música moderna é de nos apresentar já nos tinham sido
conseguir não só superar
propostas dentro apresentados por
o que já foi feito como alturas do seu álbum
distinguir-se de alguma do metal gótico que de estreia dois anos
forma de tudo aquilo acabam por ficar cá atrás e desde aí que
que é feito actualmente. dentro. Os Lenore ficámos com uma boa
É um desafio porque é S. Fingers estão impressão mesmo que
impossível, principalmente
se se estiver demasiado apostados em manter eles se inserissem na
concentrado nesse ponto. Ora no caso dos norte- a tradição com o vertente mais melódica
americanos Lecherous Nocturne, o que temos é um seu segundo álbum. Talvez a bonita voz e até mais polémica do black metal, o tão temido
death metal ultra bruto e ultra técnico. E não podemos de Lenore nos aponte a princípio para post-black metal. Sempre nos interessa mais a
dizer que os Lecherous Nocturne não nos tragam o música que ouvimos, mesmo que o preconceito
aquelas propostas que eram populares nos apanhe na curva. Não é o caso. As boas
seu próprio som, estabelecido aliás nos três anteriores
trabalhos. A questão é que essa individualidade no underground em meados da década indicações do álbum de estreia continuam aqui
sacrifica a nossa capacidade de absorvermos os seus de noventa. No entanto, o sentimento de e até vão um pouco mais além no impacto. A
temas de forma eficaz, excepção feita para o melódico déjà vú não aparece já que as músicas potência sónica aliada à melodia poderão fazer
"Remembrance", um tema que nos traz qualidades apresentam-se de uma forma a que não com que realmente estes temas sejam (ainda)
que faziam falta noutros temas, sendo que a dinâmica nos deixam uma alternativa a não ser ficar mais apetecíveis, e até fazem com que se
é o maios importante. É a limitação que a primeira afastem da fórmula bem estabelecida do post-
parte do disco deixa a nu e que a segunda parte não rendidos. Mesmo com a sensação de que
um contraponto à voz feminina fizesse black metal. Claro que esta evolução poderá não
melhora, a não ser pela lufa de ar fresco a meio. É ser do agrado de todos mas na nossa opinião é
daqueles discos que não tendo maus temas, músicos com que as músicas ganhassem pontos, um segundo álbum à altura do primeiro.
e interpretações, acaba por não nos convencer. não deixamos de ficar agradavelmente
surpreendidos por este segundo álbum.
[6/10] Fernando Ferreira [8.4/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira
LILLYE LIVING ALTAR LONDON PLANE
“Evolve” “Scythes Towards Psyche” “New York Howl”
Eclipse Records Inferna Profundus Records Edição de Autor
Falar de Lillye é o Não há nada melhor Existem sons
mesmo que falar de termos trabalhos vindos nostálgicos que
de terras exóticas
Virginia Lillye, actriz/ (ao metal isto é) e nos apanham
cantora australiana sermos surpreendidos desprevinidos.
que participou em agradavelmente. Como este álbum de
super produções Os Living Altar estreia dos London
teatrais como "Cats" demonstram ser um Plane. A nostalgia é
ou "Jesus Christ dos nomes mais fortes directa à década de
Superstar". A sua da música extrema oitenta e ao pós-rock
proposta musical assenta numa mistura vinda da Lituania embora a sua carreira e som da vanguarda. Não são então os
discográfica apenas tenha começado em
de hard rock e rock/metal alternativo 2015 através da demo "Universe Of Thralls". ganchos nostálgicos que nos agarram mas
onde o centro é, previsivelmente, a voz Por enquanto ainda não chegaram ao ábum sim as músicas que surgem com o mesmo
de Lillye. Sem ser muito espalhafatosa, mas este EP "Scythes Towards Psyche" é uma impacto como se já as conhecêssemos.
a vocalista tem espírito de rocker e estas pedrada de death metal enegrecido, tão sujo, Como se não fosse a primeira vez (ou as
músicas foram feitas à sua medida. Apesar tão sujo que até gosma negra saiu das nossas primeiras vezes) que estamos em contacto
de ficarmos com a sensação de que teria colunas enquanto o ouvíamos. Muitas vezes com os temas. Algo que não é de todo
muito mais impacto quinze ou vinte anos falamos que como o ambiente por vezes se habitual. O que só faz com que seja mais
atrás, sem dúvida que não deixamos de sobrepõe a tudo o resto e este é um exemplo especial.
perfeito. Recomendado e ficar de olho até o
reconhecer o seu mérito. álbum de estreia ser finalmente lançado.

[7/10] Fernando Ferreira [7.6/10] Miguel Correia [8/10] Fernando Ferreira

LORDS OF BLACK LUCIFER MADBALL


“Icons Of The New Days” “Lucifer II” “For the Cause”
Frontiers Music Century Media Records Godz Ov War Productions
Nuestros hermanos, são Queremos lá saber Os Madball são daquelas
gloriosos. A WoM teve a das modas retro, bandas que parece
oportunidade de conversa queremos lá saber que que andam nesta vida
com Tony Hernando e a existam mais bandas desde sempre quando
conversa naturalmente apostadas em explorar na realidade não é bem
também teve ponto de o som do passado assim. É o problema da
referência neste mais do que propriamente mentalidade moderna.
recente trabalho. Mas concentrados no Pensamos que tudo
conversas à parte, os presente. Concordamos se limita ao que temos
LoB estão na calha que a melhor música agora. Que sempre
para o sucesso e mais uma vez o tão requisitado foi feita lá atrás mas também concordamos que o tivemos e que sempre vamos ter. Fazendo o
Ronnie Romero juntamente com Tony e seus pares vivemos a melhor era de sempre na música (apesar contraponto, os Madball já têm trinta anos de
tem aqui um disco muito acima da média. Que do lixo mainstream que anda por aí à espreita), carreira e são um dos nomes mais importantes do
sorte a minha poder fazer esta e outras reviews, porque não só temos a criatividade mais apurada hardcore vindo de Nova Iorque e seria de esperar,
mas especialmente esta porque facilmente me que nunca como temos um reconhecimento pelo menos dos mais cépticos, que este álbum já
identifiquei com a música dos LoB e assim tudo pelo melhor que se fez no passado. É esse apresentasse a banda menos relevante, com falta
se torna mais fácil. Adoro o timbre de Ronnie, reconhecimento que vemos aqui, apresentado de de energia... não poderiam estar mais enganados.
adoro a capacidade criativa de Tony e tudo o resto forma fresca. Os Lucifer são uma mistura sensual Quem poderia esperar que estivessemos a falar
é música, numa combinação explosiva! Muito entre o que os Black Sabbath fizeram metendo ao de hardcore corriqueiro como o que vai surgindo
metal melódico, cheio de energia e que se sente barulho aquele feeling místico (mas não tão etéreo) regularmente por aí, também não poderia estar mais
logo na abertura com “World Gone Mad”, e depois? como o que os Scorpions tinham nos primeiros errado. Até porque este é um trabalho bem dinâmico
Depois, tudo o resto é acima dos limites se é que tempos, isto tudo comandados pela enorme voz onde não faltam surpresas seja a participação de
eles existem para a banda. Como foi dito por Tony de Johanna Sadonis que é simplesmente hipnótica. Ice-T na furiosa "Evil Ways" ou a bem punk "The Fog"
eles gostam de apetrechar os seus lançamentos Três anos após a estrondosa estreia, os Lucifer, (que conta com a participação de Tim Timebomb
com extras e eu destaco a brilhante versão acústica agora na Century Media, demonstram que a que também produziu o álbum). É um álbum muito
de “Forevermore” que apanhei na edição japonesa. promessa foi cumprida, eles vieram mesmo para poderoso que só o tempo dirá se será visto como
arrasar. E arrasararam efectivamente. um clássico, no entanto, aquilo que prova agora é
que a banda continua a estar na sua máxima força.
[10/10] Miguel Correia [9.2/10] Fernando Ferreira [8.8/10] Fernando Ferreira 81
MADHOUSE MARCO MENDOZA MASK OF PROSPERO
“Metal Or Die” “Viva La Rock” “The Observatory”
Iron Shield Records Mighty Music Edição de Autor
É sempre interessante O conhecido Que boa surpresa
termos bandas que que são os gregos
começaram o seu baixista está
Mask Of Prospero.
caminho décadas atrás numa de trabalho "The Observatory"
(neste caso três) e
que só agora chegam solo, tem todo é o seu álbum de
ao seu álbum de o seu direito e estreia e traz-nos um
estreia. os Madhouse, metal progressivo
tiveram uma primeira ainda bem que o bem modernaço
encarnação de 87 a 90, fez, porque dá a mas não menos bom
com apenas duas demos editadas mas voltaram devido a esse facto. Não escondendo o
quatro anos atrás dispostos a recomeçar os sensação de ter tido essa necessidade
seu ar mais extremo - presente sobretudo
assuntos inacabados. Nestes casos, não existe criativa, para poder fazer este “Viva nas vocalizações - e misturando com uma
propriamente uma modernização do som e por
um lado ainda bem, mas por outro fica por La Rock”. De Mendoza vamos vendo estética que não soaria desfasada de uma
vezes um travo datado a déjà vú. Apesar do o seu trabalho com The Dead Daisies, proposta metalcore. O resultado é bem
rótulo thrash metal, a banda aproxima-se mais melhor do que aquilo que a premissa
de um heavy/power metal mais musculado Whitesnake, Thin Lizzy e muitos sugere, embora fique claro que ainda há
e uptempo há boa maneira alemã. Cheios de outros e aqui como referi que a ideia muito espaço para evoluir. Cá estaremos
garra e vontade, só falta mesmo músicas que para apreciar essa evolução mas "The
nos convençam, algo que calhava mesmo bem. é demonstrar que é mais do que um
Observatory" é um bom início, um bom
“simples” baixista. Aqui canta, toca, álbum de estreia.
compõe e é rock’n’roll...tudo em
[6/10] Fernando Ferreira nome do rock! Neste disco sente-se [7.8/10] Fernando Ferreira
a celebração do género do primeiro
ao ultimo segundo, a abertura é
MASS WORSHIP MASTER BOOT RECORD
contagiante, enérgica e devidamente
“Spiritual Destitution” “Direct Memory Access”
clara do que vamos esperar dali em
Isolation Records Blood Music
diante. Engraçado, naturalmente
Se quisermos Cypher metal. À partida
dissecar da melhor não o conheço pessoalmente, mas um rótulo parvo, no
forma de misturar ao ouvir as suas musicas, descrevo entanto, como muita
metal e hardcore, coisa parva na vida,
Marco como um tipo que leva a vida depois de olhar um
os Mass Worship
são um bom ponto descontraidamente, aproveitando o pouco para elas (ou
de estar em contacto
de partida. A parte que tem de aproveitar e que não gosta com as mesmas)
do metal poderá de estar parado. Não sendo o destaque, até começam a fazer
estar entregue à sentido. Seria mais fácil
sonoridade sueca death metal (que nos até porque o disco é muito sólido, mas chamar isto de metal industrial embora não
traz à memória nomes como Dismember a presença em colaboração com Mike seja de todo adequado. Vamos lá a ver, temos
e claro Entombed) enquanto a parte do melodias que poderiam estar num álbum de
Tramp, no tema “Chinatown” tem um power metal neo-clássico, temos ainda uma
hardcore definitivamente tem um espectro
mais alargado em termos de influência. brilho bem diferente, a voz de Mike é sonoridade de sintetizadores que parece ter sido
retirado da Nintendo (8-bit rula muito"), uma
É um EP que poderá converter muitos à perfeita para aquilo! Não podia faltar a voz (Öxxö Xööx dos Igorrr) grave, carregada de
causa. Nós estamos na primeira fila e não balada da ordem e “Leah” é um hino efeitos, o que também representa uma estreia
foi preciso um esforço muito grande. já que o projecto é por defeito instrumental. É
bem old school! Bora lá Marco, isso é intrigante, pouco usual e... cativante. Poderá
para levar em frente! demorar a chegar a esta conclusão mas
eventualmente vão lá chegar.

[7.8/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia [7.4/10] Fernando Ferreira

MATTERHORN MORGENGRAU MOTOR CITY MAYHEM


“Crimes Of Man” “Blood Oracle” “Shitfaced And Outta Luck”
Edição de Autor Unspeakable Axe Records Metalopolis Records
Epá, não desgostei Cinco anos foi o tempo Estes alemães
disto... Os australianos que demorou os são o produto das
Matterhorn debitam Morgengrau a voltar com
um som incrivelmente o seu segundo álbum cinzas dos Shotgun
pesado, agressivo, e com a sua fórmula Express, banda
onde a voz de Amanda muito própria que bebe rockeira de Stuttgart,
Ozolins são no mínimo directamente da fonte Alemanha e o legado
fantásticos e digo isto da música extrema. continua a bom
porque não tenho Assim sendo, não se
outro adjectivo para admirem se pensarem ritmo e guardei esta
os descrever! “Crimes Of Man” são assim 13 os que meteram o disco errado ou até que se trata de audição para último,
crimes de puro metal, cheios de Groove, oriundos uma reedição em vez de trabalho novo, já que os depois estar a ouvir muita onda AOR
de Adelaide que nos arrasam numa audição para temas aqui contidos apontam para a era em que o deparo com algo que me fez abanar, sem
a qual tem de estar devidamente preparados... death e o black metal ainda estavam em formação dúvida! MCM e o seu “SAOL” eheh é algo
arrasam! Certamente adorar. - nomes como Morgoth, Celtic Frost e Pestilence
não serão estranhos de todo (ajuda também o facto de extraordinariamente arrasador...que
de termos a produção encarregue por Harris Johns, malhas eu pude ouvir. Muita distorção,
tão responsável pelo Scott Burns pelos melhores grandes ritmos, energia punk, rock e o
trabalhos/produções na década de oitenta e mundo a acordar para esta nova realidade
noventa no metal extremo). Para os saudosistas, que é o som que eles distribuem por todo o
sem dúvida que este será um trabalho muito bem
recebido, já que esta fórmula é intemporal, no lado inspirados em bandas comos os MC5,
entanto, poderá ser vintage demasiado para quem The Stooges, Backyard Babies a estreia
gosta de coisas contemporâneas. dos Motor City Mayhem é prometedora.

82 [9/10] Miguel Correia [7.2/10] Fernando Ferreira [9/10] Miguel Correia


MYSTAGOS NECRODEATH NERVOSA
“Pvrvsha” “The Age Of Dead Christ” “Downfall Of Mankind”
BlackSeed Productions Scarlet Records Napalm Records

Depois do “The Age Of Dead Já há muito tempo que


interessante álbum Christ” é o novo não falávamos do mito
álbum dos italianos do terceiro álbum. Faz
de estreia editado Necrodeath, o 11º da todo o sentido referir
no ano passado a carreira, 33 anos de agora nele, quando nos
one-man band do história. O black metal cruzamos com o terceiro
nuestro hermano italiano num nítido álbum do power trio
Heolstor está de brasileiro Nervosa. Se
retorno às raízes num antes a banda chamou
volta com este EP dos capítulos mais a atenção pelo factor
onde o black metal rápidos, mais violentos exótico de ter uma banda feminina a tocar thrash
reina supremo. Ou quase supremo porque e brutais. Inclui a música “The Return Of The metal agressivo, não foi preciso muito tempo
o som da mistura final está um pouco mais Undead”, uma nova versão do clássico da para ficar provado de que não precisa de qualquer
banda “The Undead” (originalmente incluída no gimmick e que a música fala mesmo mais alto. O
baixo do que seria expectável. No entanto, álbum de estreia de 1987 “Into The Macabre”), seu thrash/death metal vitaminado é sem dúvida
não lhe falta sangue na guelra e no punhal apresentando mais uma lenda do metal um dos melhores que temos actualmente e dois
para sacrificar a Satanás que deverá estar extremo nos vocais, o poderoso AC Wild dos anos após o excelente "Agony" (que ainda passa
satisfeito com esta colheira. Quatro temas Bulldozer. Originalmente formados sob o nome non stop na nossa rádio), temos mais uma série de
instrumentais são intercalados com três "a de Ghostrider, os Necrodeath são uma das temas sólidos e com uma formação renovada com
sério" numa proposta que é mais indicada primeiras bandas de metal extremo a emergir de a entrada da baterista Luana Dametto que prova
Itália, falam em nomes como Venom, Bathory, que estão mais fortes que nunca. Curto e grosso,
ao underground mais trve da coisa. bem mais directo e brutal com o anterior mas
Slayer, Kreator e Celtic Frost como influências.
Eles são decididamente notáveis no que fazem e também maduro para evidenciar toda evolução
da banda, este é um dos álbuns do ano dentro do
para os fans é uma peça obrigatória! género.

[6.8/10] Fernando Ferreira [9/10] Miguel Correia [9.3/10] Fernando Ferreira

NICK OLIVERI NOZOMU WAKAI'S DESTINIA NYTT LAND


“No Hits At All Vol. 4” “Metal Souls” “Odal”
Heavy Psych Sounds Records Records Ward Records Cold Spring
Podridão. Apesar das Grande surpresa, Adoramos o folk metal
atenções que o nome que não vai atrás das
Nick Oliveri possa grande disco e ao regras que são agora
atrair, podemos dizer ouvir e reconhecer populares. Neste caso
que este álbum tanto os siberianos Nytt Land
poderá ser o que se a voz de Ronnie trazem-nos a música
esperava como o R o m e r o , tradicional da povoação
que os seus fãs não da Sibéria. Com o
esperavam. Confusos? honestamente conceito de herança
A malta explica. Nick elevou bastante (reforçado pelo facto
Oliveri, que participou em bandas como Kyuss e do filho de apenas de quatro anos [!] de dois
The Queens Of The Stone Age, poderá provocar as minhas expectativas e na realidade dos seus membros participar nas vozes) e sem
nos fãs destas bandas a sensação de que elas corresponderam de forma recorrer ao uso de samples, este é um trabalho
vamos ouvir algo que tenhamos ouvido por que aproveita da melhor forma o facto de todo o
parte das mesmas. Por outro lado, aquilo que muito agradável. O jovem guitarrista álbum ter sido gravado sem recorar a qualquer
apresenta, é algo que associamos perfeitamente japonês não se fez rogado e pata tipo de samples. Isso e o facto de ter sido
ao músico. Rock cru, em muitos casos próximo captado num dos melhores estúdios russos,
do punk ("Susy Is A Headbanger" é um daqueles além de Ronnie angariou para este tirando o facto dos sons da natureza terem sido
rip offs gigantes a Ramones mas que não nos projeto nomes como Marco Mendoza captados na Sibéria e no norte da Noruega.
cansamos de ouvir). Temos oit temas que se Todas estas questões técnicas poderiam não
despacham em menos de vinte minutos e que e Tommy Aldrige. Precisam de saber valer de nada se a música não tivesse qualidade.
poderão surpreender quem não conhecer o mais sobre eles? Quando me deparei Mas tem. É hipnótica e traz-nos tudo aquilo
músico. Nós que conhecemos minimamente, que adoramos na world music, com ambientes
achamos pouco. com este disco e ao saber a origem muito familiares para quem gosta de metal.
de Nozomu, pensei logo em Akira dos Recomendado.
[6.5/10] Fernando Ferreira Loudness e na sua capacidade técnica. [8.6/10] Fernando Ferreira
Ao começar a audição de “Destinia”
OBSEQVIES pensei logo: e ver isto ao vivo? Bem, OCEANS
“The Hours Of My Wake” descrever o disco é tentar localiza-lo “Far From Composure”
Rain Without End Records musicalmente num ambiente AOR Edição de Autor
Todos os meses a mesma ao estilo norte americano e uma Este novo EP dos
história, e ainda bem! sonoridade mais rockeira praticada na Oceans chamou-
Sabe-nos bem saber
que todos os meses velha Europa nos anos 80. As marcas nos a atenção.
temos prendinhas da da guitarra são arrasadoras, com solos Pela positiva. Com
Naturmacht Productions uma mistura muito
ou da sua subsidiária estonteantes até parece que estou saudável entre os
Rain Without End inevitáveis tiques
Records, como é o caso a falar de um jogo de futebol, mas a
do álbum de estreia dos realidade é que Wakai é muito, muito hardcore, o rock
Obseqvies. Não há muita informação acerca da moderno e até um
banda mas é daqueles casos em que a música trata acima da média, um prodígio! Depois certo sabor alternativo. Mas principalmente
de todo o falatório. Temos um doom cavernoso, ter aquele acompanhamento é meio pelos temas, como conseguem conjugar
lento (a roçar o funeral doom, se é que não o é uma série de estilos diferentes, não
de todo) mas ainda assim melódico o suficiente caminho andado para a qualidade que apenas porque sim, mas principalmente
para vermos o sol a espreitar no meio de todas
as nuvens. E nevoeiro, há por aqui montes de nos é dada a ouvir. “Metal Souls” está para favorecer as músicas em si. Trata-se
nevoeiro. São três temas que ocupam quase uma no pote dos favoritos a álbum do ano de música acessível mas que não perde o
hora, ou seja, não é o trabalho que queiramos tocar
de 2018 e apesar da forte concorrência seu peso e o seu interesse por esse factor.
quando vamos para o trabalho, até porque só se E este é um bom ponto de partida para o
trabalharmos noutro distrito é que conseguíriamos tem tudo para ganhar. A Frontiers está seu som.
ouvir tudo. Ainda assim, é perfeito para estabelecer
ambientes e para soar quando apenas relaxar. Sim, de parabéns por esta aposta...ganha!
relaxa. Nem todos poderão encontrar motivos para
tal - aliás, poderá ser um convite à depressão - mas Vai ter tourné? Epá adorava...com
este é um álbum que se assume como um dos todos estes ingredientes...
destaques do género em 2018.
[8.6/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia [7/10] Fernando Ferreira83
OKSENNUS OLD MAN WIZARD ORDEALS / DAETHORN
“Kolme Toista” “Blame It All On Sorcery” “Split”
Nuclear War Now! Productions Edição de Autor Blood Harvest
Quando já pensamos Há por aqui um sabor Não há mais
que já vimos tudo... bastante clássico e... underground que isto.
vintage. Não dizemos De um lado os norte-
temos uma banda isto pelo nome dos americanos Ordeals
finlandesa de death Jethro Tull surgir que nos trazem death
metal cavernoso no comunicado de metal selvagem e
imprensa, até porque blasfemo. Do outro
que lança um álbum não seria o nome
que escolheríamos
os franceses Daethorn
com apenas três que nos trazem um
como ponto de
temas, todos chamados "Toinen" e todos comparação - talvez Blue Oyster Cult será mais black metal igualmente selvagem. Tradicional
com treze minutos. Parece estranho não próximo, principalmente pelas vocalizações. No na forma como se apresentam, este split de
é? Se ainda fosse death/doom cavernoso, entanto, o importante é mesmo a música em tiragem limitada e exclusivamente em cassete
si que se assume como viciante e intrigante revela-se bem interessante e revelador da
mas não, o que temos é death metal, (não propriamente por esta ordem) desde o potencialidade que ambas as bandas têm.
com uma produção mesmo podre e que primeiro momento. A banda contou consigo Gostamos mais da proposta dos Daethorn
parece ser mais um ensaio registado própria e com os fãs para lançar este álbum mas ambas são muito interessantes e
e não sendo um género musical muito recomendadas.
no início da década de noventa do que procurado (hard'n'heavy meio progressivo de
um álbum lançado em 2018. A banda foi características vintage), os resultados são mais
criada em 2010 e este é o terceiro álbum. que satisfatórios o que mostra que desde que
tenhamos paixão pelo o que fazemos, as coisas
Daquilo que lhes conhecemos, apenas acontecem. E ainda bem, porque esta música
agora fizeram algo do género e é preciso merece o investimento.
coragem porque os resultados são todos [8/10] Fernando Ferreira [7.6/10] Fernando Ferreira
menos garantidos. Poderá até ser visto
como um tiro no pé, já que se torna um
trabalho extremamente difícil de absorver, PERFECT PLAN PRAYING MANTIS
mesmo tendo em consciência o seu factor “All Rise” “Gravity”
experimental. Acho que vamos precisar Frontiers Records Frontiers Music
de uns bons anos... (até porque a vontade “All Rise” é mais A banda de Tino Troy está
de voltar a ouvir estes quase quarenta um plano perfeito de volta com “Gravity” e
do mundo do rock uau, que discaço! Logo
minutos não é coisa que se tenha todos os melódico, para se na abertura deparo-
dias) mas a conclusão que conseguimos estabelecer como
me com um tema
chegar agora é que...não é dos trabalhos uma referência a ter
sempre em conta numa arrasador, “Keep It Alive”
que queiramos ouvir outra vez. fonte que também ela é uma malha bem forte
se vai demonstrando para os ouvidos, bem
inesgotável, pois os NWOBHM, refrão que
recursos quando são bem explorados tornam- cola logo na primeira audição e as coisas não
se sempre inovadores. Os escandinavos Perfect ficam por aqui. A banda que é para mim uma
Plan, com origem sueca, estão na minha lenda da cena British e que merecia ombrear com
opinião ao nível de nomes como os Eclipse e os
H.E.A.T. e tem aqui um disco cheio de energia, os icónicos Maiden, Saxon, só para citar alguns
melodia e um sério concorrente a álbum do ano retorna com o seu 11º álbum de originais, um
dentro do género. Este ano de 2018 está a ser verdadeiro clássico PM com tudo o que aquilo
algo fantástico! que podíamos esperar de um álbum deles.
Grandes ritmos, grandes melodias elevando
“Gravity” para um ponto onde muitos outros
títulos estão neste brilhante ano de 2018 no que a
lançamentos discográficos diz respeito. Precisam
de apresentação? Não, precisam é de ouvir este
disco fantástico!!!

[5/10] Miguel Correia [10/10] Miguel Correia [10/10] Miguel Correia

PROJECT EVIL QUANTUM HIERARCHY RAGDOLL SUNDAY


“Project Evil” “Neutron Breed” “Immigrant”
Mighty Music Everlasting Spew Records FBP Music Publishing
Tudo indicaria começar Estreia absoluta dos EP de estreia dos
como uma bonita italianos Quantum Ragdoll Sunday que
história diabólica,
mas não passou da Hierarchy com este apresentam uma
intenção. Ok, ao lerem EP "Neutron Breed", sonoridade bem
isto nem vão ler mais que nos traz um catchy, uma mistura
nada, ou ouvir o death metal bem entre o rock mais
disco sequer. Oiçam bruto - daqueles cru e gingão e um
e possivelmente vão
achar interessante, eu capazes de deitar certo espírito punk
pelo menos achei algumas dentro dessa descrição! uma casa abaixo - (ou proto-punk,
Mas falando dos Project Evil que tiveram o seu e cheio de poder. Por esta altura já não à la New York Dolls ou The Stooges) ou
inicio no ano de 2016, são uma banda muito heavy estamos à procura de algo novo dentro até hardcore mais moderno (e melódico)
metal do mais clássica, com arranjos e melodias deste espectro, mas isso também não resultam em quatro temas viscerais que
de influências Doom, Thrash, muito abrangentes.
O conceito é engraçado e quando comecei por quer dizer que nos contentamos com se apresentam com orgulho e confiança
escrever que estava à espera de uma história foi qualquer coisa. Os Quantum Hierarchy de quem sabe do seu próprio valor. É
por indicação da intro de “Project Evil”, que para tal poderão ter um nome sem jeito para ficar sempre curto analisar uma banda pelo o
nos prepara. A atmosfera criada é correspondente na memória, mas a sua música consegue que apresentam em quatro temas mas o
porque é isso que a banda pretende, contar uma atingir esse equilíbrio muito delicado, com que temos aqui é sem dúvida interessante
história através das suas músicas e basta fechar
os olhos e deixarmo-nos ir nesta viagem que peca quatro malhas onde a violência sónica e que nos faz querer ouvir mais num futuro
pela produção, poderia ser mais arrojada, mas nos é entregue de forma a que não lhe próximo.
forte, eu sei que os PE pretendem, mas na minha conseguimos resistir.
opinião o disco ganhava muito, muito mais!

84 [8/10] Miguel Correia [7.6/10] Fernando Ferreira [6.9/10] Fernando Ferreira


REAL FRIENDS RED ELEVEN RIPPED TO SHREDS
“Composure” “Fueled By Fire” “Mai-Zang”
Fearless Records Secret Eterntainment Craneo Negro Records / Necrolatry Records

Os Real Friends têm Se calhar engánomo- O nome do álbum é


aquele som amigável nos na rúbrica, se chinês ou pelo menos
que mistura punk oriental, a banda é norte-
calhar deveríamos americana e embora
com pop que tanto estar a escrever para seja o álbum de estreia,
sucesso fez na a música soa como
transição para o novo a máquina do tempo. se tivesse saído das
milénio, no entanto Não é que este seja u entranhas da transição
são uma banda que som demasiado retro da década de oitenta
surgiu muito mais pela década de noventa.
mas é impossível não pensar no (bom) A única coisa que não engana mesmo é o nome:
tarde que isso, neste que é, contunua a ser rock do início da primeira década deste
a nossa opinião, um excelente momento Ripped To Shreds supõe death metal clássico
século, embora tenhamos que admitir, sem e é isso mesmo que temos. Mas daquele que
para todos os tipos de música, havendo não cheira a mofo e que nos surpreende pela
espaço para tudo. Podemos falar o que dificuldade, que este som apresenta-se sua vitalidade. Não fosse a mistura estar um
quisermos acerca deste estilo de música, com muito mais poder do que aquele que pouco mais baixa do que seria desejável e seria
como é descartável e inconsequente, mas tivemos anos atrás. Rock, hard rock, um perfeito. Para todos os fãs de death metal não
quando é bem feito e honesto, como é o pouco alternativo e usando os melhores
há como colocar defeitos em malhões como
caso, consegue conquistar-nos a atenção "Talisman to Seal the Hopping Corpse Before It
sem dificuldades. Melodias contagiantes elementos da nova e da velha escola. Uma Steals Your Qi" e "Yellow River Incident, 1938".
e uma capacidade para escrever músicas boa apresentação a estes finlandeses. A estranheza da escolha dos títulos chineses é
intrigante o suficiente para nos perguntarmos
memoráveis é o que apresentam. E chega. onde é que a mesma vai parar mas com uma
sonoridade como esta "who gives the fuck?!"
[8/10] Fernando Ferreira [7.2/10] Fernando Ferreira [8.8/10] Fernando Ferreira
SALTAS SANGUINE GLACIALIS SATAN MY MASTER
“Currents” “Hadopelagic” “The King Of Hell Arrives”
Nuclear War Now! Productions WormholeDeath Helldprod Records
Não fosse a Já houve o tempo Lançamento de estreia
informação da sua dos Satan My Master,
em que ficámos banda portuguesa
origem, nunca
iríamos supor rendidos ou pelo que parece que foi
que se tratava de menos ficávamos resgatada por Satanás
uma banda sueca. das profundezas do
r e n d i d o s tempo. Isto porque o
Temos um death/
doom arrastado, facilmente aos que temos aqui é black
metal como mandam
claustrofóbico e encantos do gothic as regras se tivermos em conta que toda a
bastante feio - mas feio como a noite metal mais pujante e sinfónico. A cena escandinava não aconteceu. Não é que
escura - temos um ambiente que não é não tenha importância ou que haja um voltar
fácil recriar e uma apresentação oficial de conjugação das melodias com a de costas a ela. Apenas não é o elemento
valor. À boa moda antiga, este primeiro brutalidade não era de todo comum o mais importante. Em pouco menos de meia
lançamento é uma demo editada em que fazia com que nós, pobres jovens hora temos violência cuspida de forma
cassete e apropriado para todos os javarda naquele que se assume como um
amantes do underground. Não sendo fácil incautos, ficássemos hipnotizados. Ok, pequeno tesouro no underground. Claro que
de ouvir, é sem dúvida, um pedaço de há muita coisa errada neste raciocínio, na nossa opinião com uma produção melhor,
prova como o underground continua vivo principalmente na forma como se menos baça, teria muito mais impacto mas
e pulsante. também provavelmente perderia toda a sua
generalizou porque estas coisas piada. Edição limitada a cem unidades em
sinfónicas nunca foram propriamente cassete. Recomendado.
consensuais. No entanto, o que quero
[7/10] Miguel Correia referir é que houve um tempo em que [8/10] Fernando Ferreira
a sonoridade era bem recebida e até
procurada o que levou a um excedente
SEAN ALAN AND THE TRUE LOVE BAND
e a uma série de propostas abaixo "quesafoda", desligar o computador e
“The Show Must Go On” da média em termos qualitativos. ir dormir a sesta. Bem, talvez tenha
Edição de Autor Passados muitos anos temos os um significado qualquer que agora
Está um calor Sanguine Glacialis que surgem com não conseguimos atingir por causa
desgraçado. uma potência considerável - quer do calor, mas o que salva a coisa - e
Portugal tem em termos de peso, quer em termos no fundo, o que é mesmo importante,
duas maneiras de de produção - e que além de juntar é a músca. Temos uma espécie de
viver as coisas. os elementos góticos e sinfónicos rock suave (muito suave, a roçar o
Ou demora a também nos trazem uma dose pop, mas tudo de forma orgânica
chegar e quando saudável de esquisitice e esquizofrenia sem samples e coisas electrónicas)
demora é para valer, ou demora a musical. Uma clara evolução desde o muito boa onda que dá um pezinho
chegar e depois é uma desilusão. álbum de estreia (lançado seis anos naquele feeling meio americana, meio
Talvez para todos os aficionados do atrás) por parte da banda canadiana, folk, meio country (são três metades,
aquecimento global, este calor seja este é um trabalho recomendado. mas apertem bem a coisa para caber
bom e talvez seja uma desilusão pelas tudo num) e que agarra-nos quando
suas flutuações. O que é que isto tem só queremos é fugir. Agora tenho que
a ver com o novo álbum dos Sean admitir, as primeiras audições disto
Alan And The Ture Love Band? Nada, foram mesmo recostado no sofá a
é só difícil aguentar com este calor e apreciar a brisa marroquina. Boa
olhar para uma capa destas e não dizer onda. Muito boa onda.
[8.6/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira 85
SENSE OF FEAR SEPTEKH SHOTGUN RODEO
“As The Ages Passing By” “Pirlgrim” “By Hook Or By Crook”
Rockshots Records Mighty Music Mighty Music
Não deixamos de sentir Mais um produto sueco Os Shotgun, são
simpatia por parte de com o selo da Mighty oriundos da Noruega,
bandas que já têm uma Music, que nos trazem país tão prolifero em
longa carreira mas um som devastador. sons mais obscuros,
apenas agora chegam A percorrer trilhos de mas neste caso o
ao seu álbum de black, death e thrash destaque é por ser
estreia, como os Sense metal, “Pilgrim” é algo precisamente
Fear, que já andam nisto o segundo disco da oposto ao que estamos
desde 1999, mesmo banda e uma peça habituados, pois eles
terminando funções inquestionável em numa são uma banda de
em 2007 e voltando em 2012). A Grécia poderá coleção discográfica de qualquer metalhead. Só heavy metal autointitulada de “Heavy Metal On
ser comparada de muita forma a Portugal. País 9 temas e digo só, porque ouvir este disco é Steroids”, porque será? Acima de tudo porque
soalheiro, dificuldades económicas, gente de um flash e lá temos de o voltar a ouvir e ouvir não se incluem num único rotulo musical
sangue quente e com um forte underground e ouvir... Capta com muita facilidade a nossa pois navegam por um mar de subgéneros de
no que diz respeito ao heavy metal. Essa paixão atenção e a vontade descrita de ouvir este disco metal indescritivelmente criando um som bem
que lhe está nos genes salta ao ouvido aqui e é fruto do punhado de riffs brilhantes, pesados, conseguido de tirar o fólego. “By Hook Or By
deixa muitas boas indicações para o seu futuro. umas vezes rápidos, outras mais arrastados, Crook” é o segundo disco e pela comparação
Por enquanto a sonoridade ainda é um pouco a voz a vaguear entre o rosnado e o grunhido é decididamente um passo em frente e as
genérica mas dá para ver que há potencial para (é possível tal? Sim, é!), criando melodias por escolhas produziram um som muito metódico,
muito mais. vezes um ambiente aterrador de tão obscuras limpo de grande impacto sonoro. É o começo
que nos soam. Honestamente não tenho aqui do caminho para o estrelato? Assim lhes deem
uma faixa favorita, porque acho “Pilgrim” muito as devidas oportunidades e acredito que não
sólido, insano e arrisco...perfeito! vão defraudar ninguém.

[7/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia [10/10] Miguel Correia


SHRINE OF THE SERPENT SIPHER SKINNED
“Entropic Disillusion” “Disco Aces” “Shadow Syndicate”
Memento Mori Apollon Records XenoKorp
Se há uma Chegou-nos esta Os Skinned mesmo
sonoridade em que pequena amostra sem serem uma das
os E.U.A. se têm bandas mais activas
vindo a especializar, dos Sipher. “Disco do espectro death
essa sonoridade Aces” é o segundo metal, continuam a
é sem dúvida o single extraído do ser um nome bastante
sludge/doom metal. relevante. Não será
O álbum de estreia futuro álbum da alheio ao facto da sua
dos Shrine Of The banda norueguesa. música continuar a
Serpent estabelece Bom rock’n’roll, grande refrão, alguma trazer-nos qualidade,
precisamente o seu acampamento nesse como é o caso desde "Shadow Syndicate".
território. Peso bruto, melodias macabras energia, deixando alguma curiosidade A forma como o conseguem fazer é tornar
e aquele ambiente desconfortável para o álbum. Vou aguardar, para já fiquei o seu som dinâmico. Por esta altura já não
fazem com que estes temas se tornem surpreso!
se surpreende no death metal, pelo que a
rapidamente obrigatórios para quem gosta inclusão de outros elementos (como melodias
do seu doom metal inacessível e a roçar e vocalizações mais próximas do black metal),
o claustrofóbico. Se se enquadrar nessa juntando uma produção moderna (que faz
categoria, então definitivamente este será lembrar um pouco os Kataklysm) e voilá,
um trabalho a conhecer. Uma excelente temos um grande álbum de death metal, que
estreia, capaz de deitar um quarteirão surpreende e agarra - não exactamente por esta
abaixo. ordem. Ouçam a instrumental "Black Rain" e
poderão encontrar grande parte do que estamos
a falar. Poder destrutivo, daquele que só faz bem
à saúde.

[8.5/10] Fernando Ferreira [8/10] Miguel Correia [8.5/10] Fernando Ferreira

SKJULT SONS OF ALPHA CENTAURI SOOM


“Progenies Ov Light” “Continuum” “Djebars”
Satanath Records H42 Records Robustfellow Prods.
Pelo teor do black metal Foram precisos onze Não sabemos bem como
tipicamente escandinavo anos para que os encarar este segundo
aqui evidenciado, não britânicos Sons Of álbum dos ucranianos
deixa de ser curioso que Alpha Centauri nos Soom. Apesar do rótulo
os Skjult sejam oriundos trouxessem o seu stoner/doom (que até
de Cuba. De todos os segundo álbum de faz algum sentido) há
sítios, Cuba. Por esta originais mas isso não para aqui algo bem
altura já não deveria quer dizer que a banda mais profundo. O doom
representar surpresa já tivesse estado parada, definitivamente é um
que temos tido provas tendo lançado uma ponto central mas
todos os meses de que a boa música chega-nos série de splits e colaborações ao longo destes temos também uma espécie de feeling meio
de todo o lado, até mesmo da terra de Fidel Castro. anos. Como split é coisa de underground e ambient, meio drone, algo que faz com que este
Nao fosse a origem e este trabalho poderia até normalmente restrita a um número menor não seja um trabalho fácil de absorver. Ou pelo
assumir-se como banal, pela forma como segue de pessoas, vamos fazer as apresentações. menos tão fácil quanto o rótulo stoner/doom
à risca as convenções do black metal da segunda Este pessoal, tal como os Karma To Burn sugere. Conforme vamos avançando na audição
vaga. No entanto, e mesmo assim, com origem apresentam um stoner instrumental no entanto (e nas suas repetições) a coisa vai-se instalando
exótica ou não, este é um trabalho ao qual nos diferienciando-se dos norte-americanos nas de forma hipnótica. Vamos ser sinceros, estes
vemos a voltar facilmente, seja agora seja daqui atmosferas e nos ambientes mais progressivos, mais de setenta minutos não são da música mais
a uns meses, ou até anos. Mesmo tendo uma uma distinção muito bem recebida. apetecível que ouvimos ultimamente mas não tem
considerável falta de dinâmica, não deixa de ser nada de errado com ela a não ser o facto de por
uma excelente surpresa. vezes não conseguir prender a atenção do ouvinte.
Temnas muito longos poderão estar na causa da
coisa mas a falta de ganchos deverá ser o principal
"culpado".
86 [8/10] Fernando Ferreira [8.6/10] Fernando Ferreira [6.7/10] Fernando Ferreira
SPACE ELEVATOR SPOCK'S BEARD STORMWITCH
“II” “Noise Floor” “Bound To The Witch”
Steamhammer / SPV InsideOut Music Massacre Records

Na viagem da máquina Não odeiam a Os alemães Stormwitch


do tempo deste mês lançam “Bound To The
prepotência de Witch” e para quem
vão poder visitar a alguém começar não os conhece, são
primeira parte desta algo por "parece que uma banda com um
saga dos Space som tradicional Heavy
foi ontem?" dando a Metal sem grandes
Elevator. Se quiserem
podem ir lá e voltar ideia arrogante que já colagens à NWOBHM,
se é bastante vivido e mas apresenta
aqui. Nós esperamos. grandes riffs, musicas
Não, a sério, podem ir sem problemas. Já que se tem uma vasta experiência? Bem, pensadas de forma simples e grandes refrões a
está? Ok, vamos continuar. Feitas as devidas se a vossa resposta é assim, felizmente completar a estrutura. Som puro, limpo e direto
apresentações no devido disco, já sabemos que começámos com esta questão porque sem grandes invenções técnicas, mas que se
bem o que esperar por aqui: hard rock raçudo traduzem num disco bastante agradável. Este é
assim não começamos por dizer que o 11º álbum, e foi produzido pela própria banda
e com um toque de classe. Muito sobretudo parece que foi ontem que Neal Morse saiu em conjunto com Marc Ayerle. A qualidade
à voz viciante da Duquesa. The Duchess tem do som é excelente, ao nível da musica,
dos Spock's Beard, numa altura em que a
um carisma especial que lhe permite passear clara e pesada e com a quantidade certa de
à vontade por estes temas que sem ela seriam banda estava basicamente no topo do rock agressividade. A energia dos anos 80 continua
um pouco mais banais, com alguns temas a progressivo. Muito se falava do futuro dos bem presente neles e é fácil de ser sentida em
Spock's Beard mas é que a banda, mesmo toda a audição. The witch is back!!!
aproximarem-se do pop. Tudo se conjuga de
forma para que ela brilhe e é mesmo isso que com algumas entradas e saídas, conseguiu
acontece. manter-se relevante com bons álbuns a
[8/10] Fernando Ferreira sair cá para fora. Não é neste "Noise Floor" [10/10] Miguel Correia
que a coisa se perde. Nick D'Virgilio volta
a sentar-se atrás da bateria, mas desta
SUBDUER vez apenas como músico de sessão e
TARJA
“Better Luck Tomorrow” a inspiração parece estar mais afinada “Act II”
Death Monolith earMusic
que nunca, com temas verdadeiramente
Hodene-se! É castigo. clássicos que nos lembram os melhores Se há alguém
Só pode ser. Por todas
as vezes que nos momentos de Genesis assim como dos que conseguiu
queixamos que uma Marillion. Isto se não os conhecessemos erguer-se de uma
mistura tem um volume bem, porque o que isto soa é mesmo a
demasiado baixo. situação muito
Este EP de estreia dos Spock's Beard. "What Becomes Of Me"
complicada, esse
Subduer traz-nos um e "Somebody's Home" são excelentes
volume estupidamente representações da sua qualidade e como
alguém foi Tarja
alto e uma identidade Turunen, após ter
bem noise, misturada com o black metal se não bastasse ainda temos um CD bónus
mais experimental. E quem diz black metal diz com um EP composto por músicas que sido despedida dos Nightwish de
death metal também. Corrosivo, barulhento, foram registadas nas mesmas sessões de uma forma nada agradável. Apostada
incómodo e por aí fora. Não estamos a prestar
um bom serviço a despejar adjectivos mas gravações mas que por qualquer motivo em fazer aquilo que gostava de fazer
é impossível não o fazer após este autêntico não chegaram ao álbum (o EP chama-se e tendo conquistado o carinho de
frenesim de música extrema. Não é para todos, "Cutting Room Floor", o que já diz tudo).
nem sabemos bem se será para nós, já que a dor muitos fãs, nasceu a sua carreira a
física não é bem o que procuramos na música. solo que tanto pegava no metal mais
sinfónico, como entrou pelo rock/pop
ou até por caminhos mais sinfónicos
e clássicos. Essa abertura e amplitude
[5/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira
poderão não ter sido muito saudáveis
nos primeiros tempos mas ajudaram
a estabelecer a sua própria carreira
THE FIVE HUNDRED THE GARD que hoje é bem sólida e isso esta
“Bleed Red” “Madhouse” bem patente nesta segunda parte,
Long Branch Records Edição de Autor onde temos não só uma selecção dos
Os The Five Hundred Iniciar um álbum melhores momentos dos seus quatro
têm tudo para serem de estreia com álbuns lançados até ao momento
uma das escolhas da uma cover dos Led
nova geração dos fãas Zeppelin não é algo
assim como um mdeley com clássicos
de música pesada. usual mas ajuda (e dos Nightwish e ainda algumas outras
Produção moderna muito) para que se
e bem poderosa, covers. Só tivemos acesso ao suporte
tenha uma ideia mais
melodias contagiantes clara sobre a banda. aúdio (que foca apenas o concerto
e as estruturas que
assentam na fórmula Os The Guard embora de Milão) e o mesmo soa perfeito,
sempre tenham apostado desde o início nos
(um pouco já gasta) do metalcore onde os
originais, tiveram durante algum tempo um não nos podemos, no entanto,
breakdowns brilham com fartura. Há também
um pouco de história um pouco por trás da espectáculo de tributo aos Led Zeppelin, pronunciar sobre a parte visual. Este
banda, de atribulações que os seus músicos do qual sobreviveu até aqui "The Immigrant é um álbum obrigatório para todos
tiveram que superar desde doenças até vícios Song", numa versão diferente da original -
de jogo e drogas, o que também poderá algo que até exige uma certa coragem, afinal os fãs da cantora finlandesa, mesmo
fornecer algum poder emocional a estes temas. clássicos não são para serem mexidos - que estejamos num tempo em que
Temos então uma série de condições que todas dizem os mais intolerantes. Um espírito rock
juntas poderão cativar, no entanto, em termos que está bem presente em todos os temas os álbuns ao vivo não tenham a
musicais acaba por soar a déjà vú. Temas como aqui apresentados e que mostra fazer parte importância que tinham tempos atrás.
"Buried" ou os dois singles de avanço "Smoke & do código genético da banda é o principal
Mirrors" e "Oblivion" são sem dúvida bons mas É uma celebração de uma carreira
ponto de atracção. A voz parece esforçada
não apresentam nada de valor acrescentado em (talvez demais?) e o instrumental é muito que felizmente não acabou com os
relação à concorrência. sólido. A conferir por todos os amantes de Nightwish.
rock e hard rock clássico.
[6.5/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira87
THE HERETIC ORDER THE SLOTHS THE SPERM
“Evil Rising” “Back From The Grave” “50Th Erection”
Massacre Records Eternal Sound Records Svart Records

Longe vão os Reza a lenda que Quando temos uma


os The Sloths entidade chamada
tempos em The Sperm e um
nasceram na década
que ficaríamos de sessenta e faziam álbum intitulado "50Th
Erection", até temos
desiludidos por parte da cena da medo de ouvir a música.
ter uma banda Hollywood Strip, Pekka Airaksinen é o
em Los Angeles, homem por trás deste
de heavy metal influenciada por toda projecto que esteve
com uma imagem a British Invasion. A apenas activo de 1967
coisa durou pouco mais de um ano. No a 1971 e agora para comemorar os cinquenta
própria de algo mais extremo. Não anos do projecto, é editado esta colectânea
entanto, ficou a memória, principalmente
mesmo quando o som é desta pela inclusão do tema "Makin Love" numa que junta em 2 cds ou 4 lps algum material
previamente lançado, devidamente restaurado,
quaidade. Depois da boa estreia três compilação na década de oitenta. A coisa assim como uma série de temas que nunca
anos atrás, os britânicos The heretic foi crescendo até que a banda original (ou antes foram lançados. Polémico, desconcertante
quase toda, já que alguns dos membros e bastante... peculiar, este é um trabalho não
Order apresentam-se com o seu tinha falecido) reuniram-se para tocar as para mentes abertas mas sobretudo para
segundo álbum de originais, "Evil velhas malhas de 1965 que surgem aqui quem tem os seus horizontes escancarados.
com uma frescura assinalável. Boa onda, Tivemos alguma dificuldade, confesso, apesar
Rising", que é clássico até dizer chega. de reconhecermos a importância histórica para
rock de garagem que se instala facilmente
E por muito que esta palavra já esteja e que revela ser intemporal. a música experimental deste lançamento.
a escaldar de tanto uso hoje em dia,
não há mesmo nenhum termo que [8/10] Fernando Ferreira [5/10] Fernando Ferreira
se adeque tão bem aqui como este.
Apesar disto, não deixa de apresentar THEOTOXIN TREMONTI
uma sonoridade poderosa e, porque “Consilivm” “A Dying Machine”
não, moderna. Aquelas melodias lead Massacre Records Napalm Records
que se instalam confortavelmente Quando temos Já o disse algumas
sabendo que o seu lugar é no nosso uma banda que vezes e não me
cérebro ao lado de vocalizações algo começa em 2016, importo de voltar
macabras, com a temática blasfema lança de forma a repetir sempre
a comandar os destinos. Talvez surja que possa (ou que
independente um
o sinta que o deva
um pouco longo demais, o que faz que bom álbum de fazer) mas Tremonti
possa perder algum do seu poderio estreia em 2017 (tanto o músico como a sua carreira a
mas ainda assim, é um dos álbuns ("Atramentvm") e volta um ano depois solo) foram uma das grandes surpresas
de heavy metal tradicional deste ano com um excelente segundo álbum... dos últimos anos. Sabem quando todos
de 2018, isto tendo tantos elementos estamos oficialmente interessados vão numa direcção e dizemos a nós
que o colocariam noutro lado qualquer na coisa. O que não admira que a mesmos que só por teimosia vamos à
- o que também não deixa de ser Massacre também estivesse. Os volta? É o que se pode chamar à forma
impressionante por si próprio. Aquele austríacos Theotoxin demonstram como encarei os Alter Bridge. Nunca lhes
épico "The Scourge Of God" é algo dei o devido valor, principalmente por
ter uma capacidade única para tornar
encarar que se tratavam simplesmente
digno de nota. interessante algo que já é mais batido como uma continuação dos Creed, banda
que os tremoços com cerveja: a à qual nunca me chamou particularmente
junção do black com death metal. atenção. Não ir com a corrente é bom,
[8.7/10] Fernando Ferreira Temos que dizer que não é uma no entanto, o objectivo é pensar por si
mistura equilibrada, já que o death próprio e fazer o seu próprio julgamento
TUSMØRKE metal demonstra estar mais presente e não simplesmente fazer o contrário.
“Fjernsyn I Farver” mas ainda assim, o ponto de distinção Nunca é tarde e hoje admito que não só
é mesmo a dinâmica que faz com que Alter Bridge é uma grande banda como
Karisma Records
o seu guitarrista, Mark Tremonti, tem um
Já temos tecido tenhamos o midtempo e o uptempo
talento enorme e realmente dá-lhe bem
rasgados elogios usados de forma inteligente e que na metalada, como a sua própria carreira
à cena folk faz com que este álbum seja bastante
escandinava, a solo prova, sendo este o seu quarto
assim como à cena interessante. A banda até pode ter trabalho. Temos o peso que Tremonti já
progressiva. Os passado um pouco despercebida nos habituou (ouçam o ritmo da "From The
Tusmørke juntam os mas temos em crer que este segundo Sky" e "Throw Me To The Lions" e digam lá
dois mundos e ainda
lhe acrescentam uma trabalho fará com que a banda se não sentem vontade de fazer headbang
dose de maluquice que faz com que a sua suba uns (merecidos) degraus no furioso ao seu som), o espírito alternativo
música soe bastante alucinada. Alucinada reconhecimento. que aqui parece estar um pouco mais
no máximo, no minímo esquisito, o presente que no passado, e sobretudo as
que faz com que a sua audição não seja grandes músicas, que rivalizam até com
exactamente um passeio no parque
mas ao sexto álbum nota-se que a a da sua banda principal. Um trabalho
experiência dá frutos. Sonoridade vintage bastante rico quer para quem aprecia a
e desconcertante que poderá ser uma sonoridade mais alternativa como para
viagem interessante para todos os fãs de todos os outros que amam metal. Sem
coisas como Jethru Tull e King Crimson. dúvida... vício!
On drugs.

88 [7.7/10] Fernando Ferreira [8.3/10] Fernando Ferreira [8.7/10] Fernando Ferreira


ULTRAPHONIX UNDUSTED UNIVERSE
“Original Human Music” “Method To Madness” “Universe”
earMusic Edição de Autor Pride & Joy Music
Quantas super bandas O que é groove Suecos de origem, os
temos tido nos últimos metal? Já muitas Universe trazem-nos
anos? Centenas para vezes dissemos mal o mais obscuro do
não dizer milhentas. deste rótulo, assim heavy metal dos anos
No entanto, há sempre como algumas vezes 80. Mais uma banda
mais espaço para mais acabámos por usá- influenciada pela já tão
uma, principalmente lo pela proposta nos propalada NWOBHM,
quando nos é juntado obrigar a isso (ou num conjunto de riffs
no mesmo espaço por preguiça, não me
George Lynch (dos escuso a admitir). bem progressivos e
Dokken e Lynch Mob), Corey Glover (dos Living Os Undusted poderão ser um desses casos, onde tudo soa e funciona muito bem. Não
Colour) e ainda uma secção rítmica assombrosa pela forma como usam os riffs meio djenty esperem os ouvintes algo muito pesado
composta por Chris Moore e Pancho Tomaselli. ou pelo ritmo balançante, mas groove metal ou na linha feita na referida década, mas
E claro que com uma equipa destas, temos hard parece-nos manifestamente pouco. Death metal senti um som muito alegre e muito bem
rock de qualidade mas que não se limita a ficar moderno com toques progressivos? Metalcore estruturado. Penso que talvez com outra
por aí, indo por vezes por terrenos inesperados bruto? Deathcore soft? Bah, não interressa! produção poderia ganhar mais força, mais
como o rock mais suave com tiques de jazz O que interessa é que este por parte dos impacto, contudo não é algo a que vamos
- aquela "Another Day" é um assombro de Undusted, uma banda da Letónia, que anda à ficar indiferentes. Vamos lá dar a devida
música - ou até funk (como a "Take A Stand"). procura de editora. Com este poder, apesar oportunidade.
No entanto, também temos momentos mais dos modernismos (que de vez em quando até
metal onde toda a classe de Lynch nas seis calham bem) há por aqui muito potencial.
cordas vêm ao de cimo. Não é um álbum fácil de
catalogar mas é bem fácil de ouvir e sobretudo
gostar. Um nome a ter em conta.
[8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [8/10] Miguel Correia

UTBURD VAHRZAW VANHELGA


“The Horrors Untold” “Husk” “Fredagsmys”
Satanath Records Blood Harvest Records Osmose Productions
Tão bom termos Os australianos A Osmose
algo que encaixa Vahrszaw andaram
perfeitamente num desaparecidos mas tem estado
estilo mas que este terceiro álbum ultimamente a
ao mesmo tempo definitivamente lançar grandes
nos consegue que faz esquecer o
surpreender. Os tempo que estiveram bombas cá para
Utburd são russos ausentes. A banda fora, remetendo-
(ou melhor é russo, está mais acutilante
já que se trata de uma one-man-band) e nos para o seu
que nunca e demonstra o porquê de ser um
"The Horros Untold" é o seu segundo álbum
dos melhores tesouros do underground poderio na década de noventa - e não
de black metal depressivo e atmosférico. A
forma como o fazem é que surpreende. Mais da terra dos cangurus. Têm aquele toque dizemos isto apenas pelos sagrados
directo, terra-a-terra e sem se esconderem javardo que faz com que o seu black/death Filii Nigrantium Infernalium. Nos mais
por de trás de toneladas de reverb (não que metal nos surja de forma bem mais pura
do que as propostas modernas que por variados campos da música extrema,
haja alguma coisa de errado nisso, até porque
gostamos muito dessa estética), as malhas aí andam. É esse encanto que faz metade a editora francesa tem demonstrado
aqui apresentadas trazem a meloncolia de do trabalho em convencer-nos - e não é ouvido atento e olho certeiro para
uma forma zangada e agressiva, uma mistura preciso muito - de que este "Husk" é uma
que não é comum vermos mas que resulta pomada a provar repetidamente. apresentar grandes álbuns e sobretudo
bastante bem. Falta ainda termos um pouco grandes bandas que poderiam de outra
de algo mais memorável mas não deixa de forma passar despercebidos. como o
ser uma surpresa muito agradável.
caso dos Vanhelga, que, assumimos,
[7.5/10] Miguel Correia [8.6/10] Fernando Ferreira não serão o nome mais badalado
do underground o black metal, nem
VENTRE MALIGNO VERMILIA trazem um historial de aclamação
“Navel-Gazin” “Kätkyt” global aos seus trabalhos lançados
Edição de Autor Edição de Autor até agora, mas ao quinto álbum, a
Não temos muitas Achamos sempre banda consegue ir bem mais além do
informações acerca do que estranho quando
parece ser um projecto encontramos promoção que se suponha. É black metal, sem
solitário levado a cabo sobre o primeiro álbum dúvidas mas também apresenta uma
por Esomfesh (a.k.a. de qualquer entidade,
Joel Alfonso). Sempre seja de que estilo se melodia estranha que se entranha
curiosos em conhecer
novos projectos nacionais,
trate, que se refere ao sem qualquer dificuldade e é esse
dito trabalho como
foi com curiosidade
bastante aguardado. sentido de melodia que acaba por ser
que abordámos este
lançamento que apesar de apresentar boas ideias, Bem, como é que se memorável, sobretudo por também
sofreu do facto de ser uma one-man band. A bateria pode aguardar sobre algo que se desconhece?
é demasiado simplista e os riffs (no metal extremo, Eu sei, eu sei, por vezes não pensamos ter um pedigree doom muito forte.
para quem não abusa da técnica, a solução é ter underground o suficiente. Neste caso também Um álbum recomendado mesmo para
riffs mesmo muito bons. Quem diz metal extremo, ainda bem, porque Vermilia é uma espécie de
diz também na música pesada em geral) na maioria one-man band (ou duo, já que não sabemos aqueles que nunca deram nada por
dos tempos não convence. O tributo a Saramago, qual o impacto que Somnia, o produtor, teve nas eles. Poderá mudar depois disto.
através do tema "1993" só se torna perceptível músicas em si) que não deixa de parte o seu
quando temos a voz a citar uma passagem do peso. Black folk metal com melodias marcantes
citado livro, mas parece não fazer grande sentido - principalmente pela voz de Vermilia que é
neste contexto. Vários problemas de produção só bastante marcante. Sem revolucionar, sem
podem fazer com que não seja uma audição que dúvida que provoca impacto o suficiente para
nos dê o prazer antecipado. Ficamos a aguardar por voltarmos aqui no futuro próximo.
mais (e melhores) trabalhos.

[4/10] Fernando Ferreira [8.9/10] Fernando Ferreira [8.3/10] Fernando Ferreira 89


VOMITILE WAND WHYZDOM
"Pure Eternal Hate" “Perfume" “As Time Turns To Dust"
Satanath Records Drag City Scarlet Records

O Chipre não é um Para quem não Dizia eu numa


colosso do metal conhece a cena, o análise ao novo
mas podemos rock psicadélico,
considerar os embora tenha dos Temperance
Vomitile como uma nascido na década de que o metal
das boas bandas a sessenta, definitiva- sinfónico tem o
surgir nesta década. mente percorreu um
"Pure Eternal Hate" longo caminho desde futuro de certa
é o seu terceiro aí. Ouçam este álbum forma assegurado,
álbum e poderá não ser impressionante dos Wand e apercebam-se disso mesmo. quando me entra por aqui outro nome
na forma como trata o seu death metal. Não se trata apenas de usar a fórmula pré-
Poderá ser até um bocado genérico mas estabelecida de maluquice e realmente do género e falo dos Whyzdom. Com
sem dúvida que possui entusiasmo, com tentar (e conseguir!) uma verdadeira ambientes algo mais orquestrais e
uma boa produção que faria maravilhas fusão de vários mundos. Apesar da curta pesados, “As Time Turns To Dust” é
caso estivessemos na década de noventa. duração (pouco mais de trinta minutos),
Infelizmente não estamos, pelo que o este trabalho consegue demonstrar várias outra obra de arte, embora algo longe
alcance deste trabalho, apesar de sem faces e ainda conseguir ter uma identidade daquilo que os referidos Temperance
defeitos, acaba por ser reduzido. Para os que não os coloca numa esperada fazem, por exemplo, mas não ficam
fãs de death metal, este será sem dúvida manta de retalhos. Peculiar, estranho,
um trabalho recomendado. Para quem desconcertante mas com música muito aqui os créditos em mãos alheias,
espera algo mais, lamentamos mas não é boa. porque os Whyzdom debitam muita
por aqui. energia no seu som, guitarras bem
[7/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira pesadas as partes orquestradas são
soberbas e muito bem delineadas e
WIDOW'S PEAK WORMLIGHT a voz essa por momentos, chega a
“Graceless" “Wrath Of The Wilds” atingir proporções épicas, pois, Marie
Edição de Autor Black Lion Records Mac Leod solta sua voz em múltiplas
Já dissemos muitas Grande álbum de camadas, indo do rock à ópera num
vezes que o death estreia. Sem serem
metal técnico e bruto revolucionários - é piscar de olhos. O caminho está a
tem tendências a cair black metal, alguém começar a ser desbravado e pode
no aborrecimento, seja espera revoluções
pelo equilíbrio entre nesta altura? - os parecer descabido, mas anseio pelo
demonstrar que se Wormlight trazem- próximo trabalho da banda, este já cá
sabe tocar sem que nos metal extremo
se torne numa lição que surpreende pela canta e é fantástico e sinto que com
de aprendizagem de qualidade e sobretudo o natural amadurecimento musical o
escalas, seja por não fazer o que já muitas vezes pela dinâmica, que é ajudada por uma
foi feito anteriormente. Com este EP de estreia, produção cristalina e bem poderosa e com próximo será ainda melhor!
os canadianos Widow's Peak demonstram pormenores técnicos. Sim, leram bem. Black
como se deve fazer a coisa. Há por aqui uma metal, pormenores técnicos (melódicos) e uma
tendências mais modernas que quase que produção moderna. E não há por aqui nenhuma
sugerem o deathcore. Quase. Fresco, poderoso aproximação comercial de qualquer tipo, o
e acima de tudo, muito inteligente pela forma que só faz com que este trabalho nos fique na
como nos entrega uma técnica absurda que memória pelo menos como um trabalho que
serve acima de tudo a canção em si e não o ego queremos ouvir repetidamente. Ainda mais
dos seus exectutantes. Queremos ouvir mais, do que aquelas que já nos fartámos de ouvir.
porque a coisa promete. Brincadeira. Não fartámos nada. E duvidamos
que nos fartemos.

[9/10] Fernando Ferreira [8.9/10] Fernando Ferreira [9/10] Miguel Correia

WORSHIPPER WYKAN ZURRAPA


"Mirage Daze" “Solace” “Zurrapa Som Sistema”
Tee Pee Records Edição de Autor Edição de Autor
E não é que há esperança Que grande Os Zurrapa são um
para os Estados misturada vai para daqueles novos
Unidos?! Brincadeira, aqui. Os canadianos
brincadeira, até valores da música
porque em termos de
Wykan tocam um nacional que
underground, temos stoner enegrecido prevemos que se
muita coisa boa vinda (enegrecido de black instale rapidamente
do país das Coca- metal) e arraçado nos gostos. Isto
Colas. Neste caso os de doom metal que dentro do espectro
Worshiper são mais também acaba por do punk rock
uma a acrescentar a uma longa lista. E poderão ter muitos pontos em comum com algum nacional. Melódico mas cru e com sempre
achar exagerado isto já o que temos aqui neste misticismo folk americano - e por folk
EP são uma colecção de covers mas quem o bom humor presente - brincar a falar
tem gostos destes, definitivamente merece o
americano referimo-nos aos verdadeiros de coisas sérias - faz com que estes seis
nosso apreço. Temos assim "Easy Livin" dos americanos, aos que já lá estavam antes temas se prevejam como obrigatórios
Uriah Heep, "Night Child" dos The Oath, "Julia dos colonos se instalarem. Um EP que nos concertos da banda. Todos eles (são
Dream" dos Pink Floyd (fantástica!) e "Heaven sabe a álbum com três temas longos - o seis, contando com o tema bónus, o hino
And Hell" dos The Who. Não só a escolha é de mais pequeno tem quase sete minutos "Taberna do B.A.", retirado do primeiro
extremo bom gosto como as músicas em si - mas que instala o bichinho necessário EP com o mesmo nome) surgem como
surgem revitalizadas e uniformizadas perante para ficarmos com vontade de ouvir mais. infecções que não queremos que passe. O
a identidade dos Worshipper e o resultado é A misturada resulta. Não sabemos bem
viciante. Obrigatório. segredo do sucesso? Amor ao punk rock
como, e queremos perceber isso, pelo que tipicamente português e a simplicidade de
fica a vontade de descobrir em próximos quem faz as coisas com o coração e não
trabalhos. com a cabeça. Mais difícil do que parece.

90 [9/10] Fernando Ferreira [8.7/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira


album do mêes
20 The Heretic Order 14 Vermilia 08 Septekh
“Evil Rising” “Kätkyt" “Pirlgrim”
Massacre Records Edição de Autor Mighty Music
Stormwitch
19 ÁRSTÍÐIR 13 Kissin' Dynamite 07
“Nivalis” “Ecstasy” “Bound To The Witch”
Season Of Mist Metal Blade Records Massacre Records

18 Coram Lethe 12 Dallian 06 Shotgun Rodeo


“In Absence” “Automata” “By Hook Or By Crook”
Buil2Kill Records Edição de Autor Mighty Music

17 Arthedain 11 Praying Mantis 05 Atrocity


“Infernal Cadence Of The “Gravity” “Okkult II”
Desolate”
Naturmacht Productions Frontiers Music Massacre Records

16 ASG 10 Graveyard 04 Spock's Beard


“Survive Sunrise” "Peace” “Noise Floor”
Relapse Records Nuclear Blast InsideOut Music

15 Coldbound 09 Perfect Plan


“The Gale” “All Rise"
Moonlight Productions Frontiers Records

03 Gwydion 02 Black Swamp Water 01 Halcyon Way


“Thirteen” “Distant Thunder” “Bloody But Unbowed“
Ultraje Mighty Music Agonia Records 91
,
Maquina do tempo

AWS BLACK EARTH CORONER


“Kint A Vizbol” “Diagrams Of A Hidden Order” “No More Color"
Edge Records Sentient Ruin Laboratories Century Media Records
O que temos aqui não A Sentient Ruin Os Coroner são um
é simplesmente uma já nos habituou caso raro, se não único
reedição do clássico de a esperarmos no panorama do metal
"Symposium Of Rebirth" propostas negras e mundial. Nunca gozaram
- até porque o facto de claustrofóbicas mas de um sucesso fantástico
ter outro título já é uma que os permitisse
excelente indicação os nuestros hermanos sair do underground
disso mesmo - lançado Black Earth devem mas também sempre
originalmente em 1994. bater recordes com reuniram uma espécie
Não só temos o álbum este EP São quase de consenso acerca dos
original remasterizado em todo o seu esplendor vinte minutos separados por três músicas seus trabalhos e do seu valor. Cinco álbuns onde
podre, que na altura foi um enorme marco não só na que estabelecem um ambiente sufocante. se nota uma evolução e onde todos são aclamados
carreira da banda francesa como também se tornou Lançado originalmente em 2016 em cassete como clássicos eternos - talvez o "Grin" seja o que
um clássico de culto da música extrema, como usufrui menos deste estatuto - e sem dúvida que
também temos o mesmo álbum (agora intitulado e CD, a Sentient Ruin disponibiliza o trabalho este "No More Color" é um deles. Thrash Metal
de "Rebirth") regravado. Isto tudo em dois CDs que para colecionadores com um lançamento bem complexo e com laivos de progressivo a
trazem alguns bónus, como versões demo, versões limitado em vinil e cassete. É totalmente demonstrar que era possível o género expandir-se
de temas sem estarem finalizados, etc. Para os fãs apropriado porque apenas o underground se para além dos estereótipos do thrash metal. Quase
da banda, este é um item obrigatório de ter na encontra preparado para receber de braços trinta anos depois, continua a rockar como na
colecção mas para todos os outros, é uma boa abertos uma proposta tão hermética como altura, o que por si só diz da sua longevidade e da
forma de tomar conhecimento com um dos bons esta. Se há um lado negro para o ambient, importância desta reedição remasterizada (que até
valores do death metal francês - isto sem referir então ele tem um nome: Black Earth. pode não se notar grandes diferenças, mas "who
que aquela "Theology/Civilization/Wheel Of Pain" é cares?!") no caso do CD ou do master original em
obrigatória para qualquer fã de Conan que se preze. vinil.

[8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira

DREAMFIRE ENTOMBED FLAME ACAUSAL


“Atlantean Symphony” “Songs Of Satan Praise The Lord” “Contra Mundum In Aeternum”
Minotauro Records Music For Nations Blood Harvest
Este "Atlantean Não é novidade Este é um daqueles
S y m p h o n y " , nenhuma e chega até lançamentos em
originalmente editado ser redundante dizer que é apontado
em 2014, vê-se agora isto mas... gostamos directamente
reeditado com duas mesmo de álbuns de
faixas bónus, uma delas covers. Gostamos para quem é fã
uma cover do tema "The também quando dos encantos do
Rains Of Castamere" da bandas lançam cá underground. Trata-
série Game Of Thrones. para fora álbuns de se da reedição de
Temos música ambient covers por muito que uma demo lançada
apoiando-se unicamente em sintetizadores isso levante questões de falta de criatividade em cassete de forma extremamente
clássicos, algo que até nos ajuda a relaxar, sem ou de tentar ganhar uns cobres de forma fácil. limitada e com um poder que é assinalável
entrar propriamente nos campos do chillout. É Nunca levamos isso a sério, porque a hipótese mesmo que esse poder não surja
sempre complicado falar em dinâmicas neste de termos uma banda a prestar homenagem
estilo de música porque bastante não haver aqueles que consideram as suas influências. necessariamente através de uma produção
apreço por algo tão calmo para se cair num No caso dos suecos Entombed, temos todas bem cuidada. Aliás, nesse ponto há
coma profundo. Independente de ter ou não as covers gravadas pela banda até então (2002) muita coisa a assinalar como ponto de
dinâmica, a qualidade é evidente pela qualidade em dois cds e que compreendem uma série melhoria. No entanto, apesar desse som,
dos arranjos e pelas melodias. É certo que é de géneros para além do metal. E no final flui o que fica é mesmo essa energia e poder
mais adequado como banda sonora de algo tudo como se fosse tudo criado pela mesma descomprometido e inequívoco. E só isso
com imagens do que propriamente se apoie banda. É assim que as covers devem soar, diz muito. Vale a pena conferir, os amantes
pelos seus próprios pés mas não deixa de ser como se fossem reinventadas perante quem as da música extrema não se vão desiludir.
uma proposta interessante. toca. Recomendado para qualquer fã de música
pesada, dos Entombed e claro... de covers. Até
para quem acha que não gosta de Entombed.
92 [7/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira [7.4/10] Fernando Ferreira
FRONTLINE HEAVEN & HELL ILDRA
“Heroes” “The Devil You Know” “Eðelland”
AOR Heaven Roadrunner Records Heidens Hart Records
Estamos perante Quis o destino que este Viagem ao passado
uma reedição e ainda fosse o primeiro último para o álbum de
bem que ela teve trabalho dos Heaven estreia (e único
& Hell,banda
lugar, porque é mais que reunia uma das até ao momento)
um grande álbum formações dos Black dos britânicos Ildra
da história dos Sabbath com Ronnie que nos trazem um
Frontline e lembro James Dio a comandar black metal pagão
que “Heroes” foi os destinos do microfone e folk de qualidade
- tudo por uma birra
lançado numa altura de Ozzy Osbourne que na altura tinha o olho em assinalável. Claro
em que todas as bandas “combatiam” a mais uma reunião da banda. Quando a malta quer que os mestres Bathory acabam por estar
onda grunge e os Frontline não fugiam à música, a música acontece de qualquer forma. E muito presentes na música que podemos
regra, eles na época eram uma das bandas foi o que eles fizeram, novo nome, símbolo da fase ouvir aqui no entanto, quando a banda
que tentava manter-se à tona num enorme dos Black Sabbath na década de oitenta, quando brilha realmente são nos momentos
a banda conseguiu reinventar-se contrariamente
esforço para que o espirito rock clássico a todas as expectativas. Neste álbum não temos acústicos e mais folk. O toque das
da época continua-se a conquistar o seu propriamente essa reinvenção e também seria letras estarem todas na língua anglo-
espaço. “Heroes” é um puro hard rock impossível isso acontecer, mas temos aquilo que já saxónica arcaica também faz com que
melódico AOR, com todos os ingredientes tivemos nas ocasiões em que estes quatro senhores o ambiente seja estabelecido de forma
conhecidos do género criado por um dos se reuniram: heavy metal de qualidade inegável. Não mais apropriada. Esperemos que esta
há propriamente uma música que se assuma como
enormes nomes da cena! clássico - já lá vão nove anos - mas ainda é um reedição após sete anos de silêncio seja
trabalho que ouvimos e voltamos a descobrir com o representativo de que música nova poderá
maior dos prazeres. estar a caminho.

[10/10] Miguel Correia [8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira


INTERNAL SUFFERING INTERNAL SUFFERING MARK DEUTROM
“Chaotic Matrix” “Choronzonic Force Domination“ “Brief Sensuality & Western Violence”
Satanath Records Satanath Records
Season Of Mist
Reedição do segundo Depois da reedição
álbum dos Internal do segundo álbum, Reedição do álbum
Suffering, um dos nomes chega a vez deste de estreia do
mais históricos do death "Chorozonic Force colectivo francês de
metal técnico mais brutal black metal industrial
vindo da Colômbia. Os Domination", que
Internal Suffering são basicamente inclui editado em 2009.
daquelas que dedicam todos os aspectos Curiosamente, Helel
tanto tempo a colocar que já fazem parte da significa Lucifer
técnica absurda na sua banda, no entanto é em hebraico, o que
música como que a escrever títulos de músicas possível de ver a sua evolução, com temas assegura logo o
maiores e com mais complexidade que letras de mais sólidos. No que à produção diz respeito, carácter blasfemo da coisa. Em termos
outros grupos. Bem, quanto a técnica absurda
talvez hoje em dia não seja assim, mas quando continuamos a ter o mesmo problema de musicais, que no fundo é o que nos
foi lançado (em 2002), este trabalho era uma boa sentirmos que não faz jus ao que a banda interessa mesmo, temos a vertente mais
representação para onde o death metal brutal se fez com as canções (e ao que elas próprias caótica e abrasiva do industrial que coloca
estava a dirigir. Não deixa de ser um bom resgate, pedem) mas também aí se notam melhorias. esta sonoridade como seguidora de uns
embora em termos sonoros, o facto de termos No geral este é um trabalho superior e que Anaal Nathrakh, sem conseguir atingir, no
uma sonoridade algo baça (apesar de ter sido valerá a pena adquirir (aliás, tal como o
remasterizado) faz com que o impacto seja mais entanto, o mesmo nível de eficácia. Ainda
anterior) por parte de todos os fãs de death assim são pouco menos de trinta minutos
reduzido do que aquilo que nos lembrávamos. metal técnico. Também aqui temos temas
Ainda assim, um bom momento por parte de um
remasterizados e também aqui temos temas cheios de javardeira musical que vale a
dos grandes da Colômbia que vale a pena conferir. pena relembrar.
E com faixas bónus a acompanhar, onde se incluem bónus que enriquecem o álbum original.
duas ao vivo.

[7/10] Fernando Ferreira [7.5/10] Fernando Ferreira [7.8/10] Fernando Ferreira

MEGADETH melhor da banda de Dave Mustaine. bem poderoso onde o trabalho


“Killing Is My Business... And Business Is Good” Apesar do poder da sua faixa título, de remasterização prova ser bem
Century Media Records este álbum soa apresessado e com recompensador - dos poucos em que
Este deverá ser um falta de maturidade, onde tínhamos se nota uma real diferença positiva da
dos mais reeditados um Mustaine desejoso de fazer melhor versão original como agora. Os temas
álbuns do heavy que os seus ex-companheiros de ao vivo são crus mas ainda têm uma
metal. Talvez não, banda mas sem conseguir encontrar boa qualidade. No geral é a reedição
não sabemos, mas as músicas necessárias para atingir definitiva contendo no livreto extensas
assim parece, tendo tal feito. Um dos pontos em que é notas pelo próprio Mustaine.
sido reeditado possível verificar isso é na "Mechanix",
regularmente, principalmente pela música que os Metallica rebaptizaram
Century Media que é a editora que de "The Four Horsemen", onde se nota
tem os direitos deste trabalho. Esta que a ansia de tocar mais rápido que a
é a mais recente onde temos além do concorrência acaba por fazer com que
álbum (contendo a cover da "These a música perca o poder que tem. Aliás,
Boots Were Made For Walking", tal como a já referida cover de Nancy
popularizado por Nancy Sinatra) Sinatra que perde todo o groove que
temos o álbum tocado ao vivo e tem. De qualquer forma, não deixa de
ainda algumas versões demo. Uma ser um bom trabalho, apesar da sua
versão de luxo e talvez definitiva para imprudência e falta de maturidade.
este trabalho que está longe de ser o Em relação ao som, o mesmo surge
[8/10] Fernando Ferreira 93
PSEUDOGOD SEVI SPACE ELEVATOR
“Sepulchral Chants” “The Battle Never Ends” “I“
Nuclear War Now! Productions Edição de Autor Steamhammer / SPV
Reedição digital e em Os Sevi são uma Clássico. Esta é a
vinil da compilação boa banda búlgara forma como muitas
originalmente editada que junta a uma voz vezes nos vemos
em 2015 que busca agradável e forte com "obrigados" a chamar
os momentos mais um rock melódico e
raros da carreira dos muitas bandas e
potente quando tem muitos álbuns hoje
russos Pseudogod. que ser. Incorporando
Black e death metal (e em dia. Não é algo
por vezes doom) numa
tanto elementos da assim tão estranho,
forma muito primitiva e nova como da velha afinal o metal já tem
até, de certa forma, pura é o que temos aqui por escola, este álbum é
uma excelente apresentação para o seu som. mais de quarenta anos, e o rock, sessenta.
faixas compreendidas entre 2006 e 2015, com as No entanto não deixamos de ser chamados
já esperadas diferenças de produção e de som de É provável que a bonita Svetlana Bliznakova
música para música. Proposta bastante hermética esteja no centro das atenções já que a sua voz é a atenção quando uma banda no seu álbum
e limitada para quem acompanha a carreira da realmente muito boa, conseguindo capturar um de estreia se apresenta com uma sonoridade
banda - que tem estado bastante silenciosa, já que pouco daquele feeling mais soul que tantas vezes tão intemporal - e aqui o intemporal é uma
o último trabalho na sua discografia é precisamente encontramos noutros contextos mais pop e que forma de dizer que estamos perante algo que
a edição original desta compilação em 2015 - e que sempre achámos que ficava bem com outra tanto nos cheira a década de setenta e oitenta
poderá ser limitada para atrair novos fãs para fora roupagem. Pois bem, esta é a prova. Lançado como nos soa totalmente ajustado aos
do reduto por vezes reduzido do underground. O em 2016, este álbum foi-nos reapresentado pela tempos de hoje. Rock bem raçudo, liderado
seu valor está bastante evidente assim como as própria banda como aperitivo para o seu álbum pela voz (vozeirão!) da Duquesa, lançado
suas próprias limitações, principalmente a nível de de originais que se encontra a ser registado.
dinâmica, algo que se verifica um pouco por todo originalmente em 2014 mas que continua a
Ficamos a aguardar com expectativa. soar bem hoje em dia. Destaque para a cover
esta lançamento, salvo algumas excepções.
dos Thin Lizzy "Don't Believe A Word" que
surge como faixa bónus.
[6/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [8.4/10] Fernando Ferreira

SLOMATICS / CONAN STRIBORG STRIBORG


“Split” “Spiritual Catharsis” “Mysterious Semblance”
Black Bow Records Satanath Records Satanath Records
Originalmente lançado Diz a regra dos Tal como "Spiritual
sete anos atrás, este mercados que quanto Catharsis", este
split trouxe uma maior mais procura tem "Mysterious Semblance"
percepção para a um artigo, mais foi lançado em 2004 e
máquina de "doomar" valor terá ele e, ambos sofrem honras
que eram (e são!) os p r o p o rc i o n a l m e n t e , de reedição pela editora
Conan. Ainda antes de quanto mais oferta tem Satanath Records. Tal
terem lançado qualquer como dissemos na
um produto, menos análise que poderão ler
álbum, a banda estava valor terá ele. Podemos nesta mesma página,
a dar os seus primeiros aplicar essa regra a esta banda tem uma capacidade única para fazer
passos, tendo lançado apenas duas demos e Striborg, a mais famosa one-man band vinda e, sobretudo, lançar música sem filtro. O que
um EP. Os Slomatics por outro lado já tinham da Austrália. Deitando mais álbuns cá para alguns chamam ensaios, jams, experiências,
uma carreira mais sólida com dois álbuns fora do que uma ninhada de ratos após uma Striborg chama de álbum, split. Neste caso temos
lançados. A união dos dois não só foi um intoxicação afrodisíaca, ficamos na dúvida se um efeito bem conseguido em termos de ambient
ponto de viragem para ambas como cimentou haveria realmente necessidade de reeditar um - provavelmente superior ao "Spiritual Catharsis" -
a relação entre as duas. Resumindo, não só é álbum desta entidade. Ok, é um dos que mais mas por outro lado temos um som péssimo que nos
um trabalho histórico para as duas bandas em impacto positivo teve mas se formos a analisar parece o zumbido dos geradores de emergência
questão, como para o próprio género do doom este trabalho a sério, é capaz de ficar uns furos quando a luz falha. Tudo bastante fraco e capaz de
metal, que agora é reeditado em vinil, de forma abaixo perante todas as outras propostas que levar qualquer mortal ao mais profundo dos sonos.
limitada. Para coleccionadores e historiadores. temos actualmente dentro do black metal E supostamente este é um dos trabalhos "bons" de
ambient/lo-fi. E felizmente são muitas. Ainda Striborg.
assim, para os coleccionadores, poderá haver
algum interesse, embora, lá está, pegando nas
leis de mercado... desconfiamos que não.
[8.5/10] Fernando Ferreira [6/10] Fernando Ferreira [6/10] Fernando Ferreira

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revista. para mais informações contacta-nos:
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94
95
WOM Live Report
Inverno Eterno, Black Howling, Gaerea
26/05 - RCA Club, Lisboa
Texto e Fotos Hélio Cristovão | Agradecimentos: Notredame Productions

“E a Sombra acabou sem ser”. Aconteceu no Sábado dia Começa o ritual Gaerea. A luz é fria. Não irá mudar muito
26 de Maio, no RCA Club, Lisboa, o concerto de Inverno durante o concerto. Entra o fumo e entra o som, com a
Eterno, o qual terá sido a última aparição da banda. luz azul a espalhar-se pelo palco. A primeira inquietação
Passados 10 anos após o lançamento do álbum “Póstumo”, da noite é o som de ´Santificato’, o mesmo que inicia o
a banda decidiu reunir-se para dar este último concerto. primeiro disco da banda, o seu EP homónimo, editado
A celebração contou com a presença dos Black Howling: pela italiana Everlasting Spew Records, em 2016. Será este
passaram 11 anos desde a primeira actuação da banda, EP o manifesto tocado praticamente na íntegra, apenas à
também com Inverno Eterno, o que assinala assim uma exceção de um tema. E pela mesma ordem, segue-se ‘Final
data mística nessa noite. E a iniciar todas as hostilidades, Call’… a sério? Aquela introdução de bombo duplo a
tivemos em palco os Gaerea, que nos trouxeram o tom contrastar apenas com os acordes soltos, apenas comparada
sinistro e perturbador do seu black metal moderno. com igual final épico do tema. Estão apresentados; o black
metal é melódico, cortado por vocais rasgados e agressivos,
Nota: parte deste texto e momentos relatados foram a música é intensa, e a atuação teatral. Por vezes parece que
escritos durante o concerto, tentando conservar fielmente estão a pregar a palavra.
o sentimento e a memória desses momentos.
O som mais uma vez está incrível no RCA, e em
poucos minutos, o pessoal já presente concentrou-
se na sala talvez já mais de metade cheia e apreciou.
Do EP de estreia, tocaram ainda os temas ‘Pray to your
false God’, ‘Void of Numbness’ e ‘Endless Lapse’, este apenas
disponível em versão digital e na edição limitada em vinil.

Considero a actuação dos Gaerea devastadora. Não dirigem


muitas palavras para o público. A comunicação deles
expressa-se de outra maneira: em forma de raios de luz e a
névoa que atravessa o público enquanto detonam o palco
com aquele peso. Aquele peso, pois é o momento em que
apresentam ‘Whispers’, primeira música da noite retirada
do novo disco ‘Unsettling Whispers’, o primeiro longa-
duração da banda, editado pela Transcending Obscurity
Gaerea Records. Apesar do lançamento oficial do disco estar
marcado para 22 de Junho, os Gaerea tiveram a gentileza
96
de o disponibilizar no concerto, em versão muito limitada Pessoa, o black metal melódico. Solidão, desespero, morte.
de Box-set, e em digipack.

Inverno Eterno
Black Howling
A luz não varia muito. E agora o tom é frio. O azul, o
Terminam com mais um tema do álbum novo, a apoteótica fumo, a noite no tema ‘A beleza da vida em dias que não
‘Catharsis’, que se alimenta de ritmos brandos ao começo, existem’. A música são gritos de lamentação e desespero,
mas ao seu tempo avança para uma pulsação inesquecível. e conseguem-se ver os olhares apreciativos, e é como
É isso mesmo. Arrebatador. Gaerea a mostrar que estão se a mistura da guitarra e o baixo fosse um choro que
preparados para a conquista. Quer se seja um defensor se manifesta por gritos. Os contrastes de melodia e
conservacionista de black metal tradicional, puro e duro, voz limpa, declamada, apenas se tornam mais pesados
ou um apreciador mais permeável a várias infusões quando todo o peso desaba sobre nós, em guturais dilacerantes,
modernas dentro do estilo, uma coisa é certa: não será mais bateria a carregar e as cordas a gritar. Os Inverno Eterno a
possível ficar indiferente à qualidade e inovação que esta transportar-nos para paisagens de desespero e lamentação.
banda traz à cena. Há toda uma imagem coesa, artwork
Gerou-se um ambiente intimista. O concerto circundou entre
e sonoridade disruptiva, aliadas a um lançamento de um os temas alternados de ‘Póstumo’ e o álbum homónimo, ambos
muito aguardado disco, um promissor triunfal. Voltava editados pela Portuense Bubonic Productions, em 2008 e 2011,
para outra dose já amanhã. respetivamente. De Póstumo, serviram-nos ’À sombra do passado’,
‘Enquanto a morte demora…’, ‘Depois que tu morreste…’ e ‘…O
A massa de audiência já se faz sentir e está compacta. O cansaço de viver’. Do álbum ‘Inverno Eterno’, ‘Áspera consonância’,
RCA está perto de esgotado nesta noite. É a segunda parte ‘A ruína em silêncio’ e ‘Saudade revisitada’. Aplausos a encerrar
do ritual, e tudo começa com a luz vermelha e o fumo que cada música, de uma multidão por vezes quieta e assombrada.
invade o palco. Os Black Howling vão começar.
“Agradeço do fundo, do fundo do coração… Esta noite é algo que me
O vocalista Pedro Esteves define-se entre o fumo de costas marca profundamente. Vamos então para... Desaparecer em Sintra”.
E durante aquele minuto somos transportados ao som
para o público, descalço em palco e estará pronto para dedilhado da introdução, para logo em pouco tempo a casa
arranhar a voz do caos. Há muitas partes instrumentais tremer outra vez quando o peso rebenta num instante. Não
de peso, interessantes, muitas partes instrumentais em há muitas palavras que façam justiça a este clima. Já perto
contínua destruição, e que fazem do som da banda uma do final, segue-se ‘Indizível Melancolia’, um tema que a
grande pomada. banda disponibilizou ao vivo na gravação de 2013 do Side-B,
Benavente, e que pode ser ouvido na página do Soundcloud.
Eles levam o seu tempo, com muitas passagens melódicas,
e ainda bem. Mas aquele som estilhaçante. E por vezes E chega o invariável momento final em toda a negritude e peso
não é fácil. A actuação é um acto de exorcismo, é como com ‘Trago a Morte no Olhar’, desta feita, assistida com a voz
um caminho que tens de percorrer. Um caminho até um do Pedro Esteves (Black Howling) que se junta em palco para
assombrar mais ainda este grand finale. “Na janela, o teu sorriso
estado de transe. Aqui não há adornos, só luz vermelha e / A sombra que te faz existir / E na mão que acena devagar: o
peso em bruto. Adeus mudo / A morte que eu trago no olhar.” Final épico.
Confesso que não fez a minha praia. O som estava estridente,
por vezes não era fácil entender. Por vezes algumas paragens
um pouco mais demoradas entre as músicas, mas faz-se
silêncio na casa. A descarga não deixou de ser pura energia e
entrega da banda, e acredito que foram apreciados pelos fãs.

Os Black Howling estão presentes desde 2002, e detém uma


discografia extensa para a sua década e meia de existência.
O próximo trabalho, será o recentemente lançado álbum
‘Return Of Primordial Stillness’, com data anunciada para
27 de Julho de 2018. A luz não varia muito. O tom é quente,
vermelho, e o fumo… no momento da abertura dos Inverno
Eterno soa o tema instrumental ‘A Influência Sombria da
Alma Humana’. A casa estava perto de cheia, e a atuação
da próxima hora viria a ser um momento de culto muito
apreciado, com a quietude de uma audiência hipnotizada.
E é a música da escuridão, inspirada na poesia de Fernando Inverno Eterno
97
The Casualties, M.E.D.O.
04/06 - Bafo de Baco, Loulé
Texto e Fotos por Roberto Raposo | Agradecimentos: Amazing Events e Bafo de Baco

Punk's Not Dead e os americanos  The Casualties vieram


mostrar isso mesmo aos portugueses e neste caso mais
concreto, aos algarvios. Que brutalidade, que energia, que
noite... A abertura das hostes esteve a cargo dos algarvios
M.E.D.O.  que  se apresentaram com uma formação
renovada, que passou de um quarteto a um quinteto
com a Tatiana Lopes a assumir e muito bem as quatro
cordas.  Foram cerca de quarenta minutos a  aquecer bem
a malta onde não faltou muito mosh e slam dance e alguns
banhos de cerveja.

The Casualties

Estes nova-iorquinos mostraram-se muito acessíveis


ao no final sairam do palco e se juntaram ao público e
acederam a dezenas de pedidos de selfies e fotos. Não me
alongo mais nesta pequena report, pois apesar de gostar de
Punk, não tenho grandes conhecimentos sobre este género
musical, mas uma coisa eu sei.... FOI BRUTAL... Foi mais
uma grande noite no Bafo de Baco e de certeza que os
The Casualties sairam de cá bem impressionados com os
M.E.D.O. portugueses.​

Logo de seguida os nova-iorquinos The Casualties entram


em palco e logo a loucura começou. Dois minutos depois
de começarem, o chão da sala já estava transformado
numa autêntica piscina de cerveja que era constantemente
absorvida pelas roupas dos constantes moshers que voavam 
come se não existisse amanhã. O movimento era tanto com
tanto mosh  e slam, que a temperatura no Bafo começou
a subir e a se tornar numa autêntica sauna de vapores de
cerveja e suor.

Os americanos brindaram-nos com pouco mais de uma


hora de actuação, onde tocaram todos os seus temas mais
conhecidos, o que fez com que em muitas das musicas, a voz
do Nick Rodriguez fosse abafada pelo coro do público. Aliás,
em alguns temas, membros do público subiam ao palco e
apoderavam-se dos microfones perante a estupefacção do
Nick, que sorria e até incentivava a malta a cantar mais. The Casualties
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Corpus Christii, Flagellum Dei
02/06 - RCA Club, Lisboa
Texto e Fotos Hélio Cristovão | Agradecimentos: Notredame Productions

Lisboa acolhe na noite uma celebração especial. É o


concerto comemorativo de 20 anos de Corpus Christii, uma
instituição de black metal e influência incontornável no
underground nacional. O pontífice da obra é representado
pelo último disco, o tenebroso ‘Delusion‘, lançado há
cerca de um ano pelas mãos da Folter Records, e que
visivelmente deixou orgulhoso o seu mentor. Ao ritual,
juntam-se os convidados especiais Flagellum Dei que
conforme anunciado, se “apresentam com a sua formação
antiga e a tocar na integra o “Victory of Tyranny”, entre
outros clássicos”. Apesar das inúmeras propostas por essas
salas fora, o RCA estava muito bem composto. Esta é a
reportagem da noite da chama negra, Sábado, 2 de Junho,
no RCA Club.
Corpus Christii
e o som entra a partir com ‘Crimson Hour, logo seguida de
'Become the Wolf '. Momento de grande forma, momento
de glória e consagração, este último disco ‘Delusion’
(Folter Records, 2017). Set triunfal, este trio de abertura.
“Este é um tema um bocado polémico na minha vida. Há
três mulheres importantes na minha vida; uma delas a
minha mãe, que está cá hoje. Foi ela que me criou. Quero
dedicar a minha carreira a ela. Ela sabe de tudo. Sabe a
merda toda.” É assim introduzida ‘Stabbed’. Nocturnus
Horrendus muito comunicativo.

Flagellum Dei
Aquela luz vermelha. Bastam os primeiros segundos de
exposição ao forte pulso do black metal de Flagellum Dei,
e é o som do inferno. Foi o som do inferno em 30 minutos
de actuação. A banda já conta com mais de 20 anos de
existência, muitas trocas de formação, muita resistência,
e o que nos trouxeram é um som imersivo, tecnicamente
fortíssimo e a um ritmo avassalador; porque quando
anunciada a ‘Victory of Tyranny’, a luz é sempre vermelha
e o som extremo. A música extrema é a música da bateria a
partir com o baixo rápido, a guitarra estilhaçante à boa moda
do black metal, os ritmos rápidos e demolidores. O gutural Corpus Christii
é agudo, como se aquele gutural demoníaco fosse purgar
a nossa alma. Os fãs desta época tiveram um banquete.
Aplausos e metal horns é o que é. Apresentaram-se, Viagem ao passado, entra um convidado especial
debitaram, poucas palavras, poucas introduções e sempre para se juntar em palco, é Vulturis na guitarra para
a rasgar. Foi uma abertura aplaudida. O que aconteceu acrescentar ainda mais peso e brutalidade a ‘Rape,
ali foi um clima especial. Os Corpus Christii inflamaram Torture & Death’, dos idos fins de ’90, vinda da demo
a noite com a chama negra, uma noite cheia de peso e tape ‘Anno Domini’ (Nightmare Productions, 1998).
tormenta de black metal. A congregação dos danados. Um Verdadeira antologia. Este concerto percorreu uma extensa
concerto de celebração de 20 anos, portanto, que começa setlist para uma hora e meia de atuação em 15 temas. E
o ritual do extremo com ‘Throne of The Proud’; e a partir alguma conversa nos interlúdios. Enfoque para o mais
desses primeiros instantes, soltou-se uma besta de som que recente ‘Delusion’ com três temas apresentados, e o regresso
avança, invencível a um poder voraz. à demo de 1998; uma viagem onde andaram pelo meio, uma
ou duas músicas de cada álbum entre 2001 ‘The Fire God’ e o
É a segunda música da noite. Agora está negro. Tudo negro revoltado, altamente pessoal ‘PaleMoon’ de 2015. Foi brutal.
99
Hell Of A Weekend
07/06 - RCA Club, Lisboa
Texto por Fernando Ferreira | Fotos por Sónia Ferreira | Agradecimentos: Hell Xis Agency

O fim de semana infernal iniciou-se a uma quinta-feira e mas não só cumpriu na perfeição o que lhes era pedido
de maneira pouco usual tendo em conta que estamos em - aquecerem o público - como também definitivamente
Junho - chuva. Por esse motivo ou por Portugal estar a jogar, conquistaram mais fãs. E também apresentaram um tema
o público tardou a aparecer no RCA Club para aquele que se novo, "Rivals" do álbum que a banda se encontra a gravar,
antecipava ser o primeiro dia de uma festa rija. Com poucas que nos faz antecipar o trabalho com ansiedade.
pessoas ainda no recinto, os algarvios Villain Outbreak
subiram ao palco à hora certa - algo que se verificou
neste primeiro dia e que é de salutar - e surpreenderam
quem não os conhecia. Entraram em cena com uma intro
instrumental (isto é, tocada pela própria banda) de muito
bom gosto e fizeram a ponte perfeita para o tema "Shaken
Faith". A actuação da banda foi curta (trinta minutos)

Don't Disturb My Circles


Os senhores que se seguiam foram os Don't Disturb My
Circles, com o seu metal espásmico e extravagante. Não é
das bandas mais melodiosas ou com mais ganchos - não
era definitivamente no contexto do cartaz deste primeiro
dia - mas continuam a ser uma das bandas que mais nos
dá gozo ver tocar ao vivo. Principalmente pela actuação do
Villain Outbreak baterista, João Seixas. Um autêntico polvo a bater nas peles,
100
com uma graça e técnica e hipnótica. Obviamente que há
muito mais a acontecer numa actuação dos Don't Disturb
My Circles, onde a guitarra, baixo e voz se fundem de forma
dissonante para nos trazer temas como "Pandemia", do seu
primeiro lançamento. A banda anunciou no final que iam
fechar a loja até ao último trimestre para o lançamento do
seu próximo EP, o que significa que este concerto no Hell
Of A Weekend foi o último antes de uma nova fase na sua
carreira.

Caliban
esta era a banda que todos queriam ver e foi com os
alemães também que vimos as primeiras movimentações
a sério entre a assistência, com os primeiros circle pits a se
formarem na "Walk Alone". Andreas Dörner esteve muito
falador, quer com o público em inglês, quer com o técnico
de som em alemão (e o público reagia às duas o que levou
ao vocalista a dizer irónicamente que percebíamos tudo).
Hills Have Eyes A par da forma como Dörner agarrou o público e
comunicou de forma a puxar ainda mais pelo entusiasmo,
Se nos dois primeiros concertos o público estava algo estiveram também os agradecimentos, não só às bandas
apático, foi com Hills Have Eyes que o mesmo se começou de abertura (aliás, tal como todas as restantes bandas do
a soltar mais mas mesmo assim ainda se notava um fosso cartaz, é importante salientar) como a todos os presentes. A
entre aqueles que estavam em frente ao palco e os que timidez do público no entanto era o que mais concentrava
estavam mais no fundo da sala. É sabido que a experiência as atenções do vocalista - diga-se de passagem, foi uma
que a banda portuguesa tem em cima dos palcos é mais constante ao longo deste primeiro dia - mas mesmo assim
que muita mas não deixa de ser satisfatório ver como ainda conseguiu reunir à sua frente pessoas suficientes
conseguem agarrar o seu público quer num concerto ao para ensaiar uma espécie de stage diving em câmara lenta
ar livre como numa sala mais pequena como é o caso do que se tornou num tímido crowd surfing. A despedida
RCA. ficaria com "Memorial", encerrando assim a sua actuação
e com ela também o primeiro dia, onde tudo correu bem
E muito isso acontece devido ao enorme frontman que é excepto talvez pela tal timidez e alguma apatia do público,
Fábio Batista, que se mostrou incansável quer na agilidade algo que não é, de todo, costume para o género e bandas
em conseguir mexer-se no palco mais reduzido (as baterias em questão. O saldo sem dúvida que foi positivo. Venha o
das primeiras bandas estavam montadas à frente da dos segundo, que a fasquia ficou elevada.
Caliban), quer na forma como não se cansou de puxar pelo
público. "Never Quit" e "Pintpoint" são daqueles malhões
que surtem sempre efeito. Um concerto sem falhas e a
justificar, por si só, o bilhete deste primeiro dia.

Para o final ficaram os cabeças-de-cartaz deste primeiro


dia, Caliban. Onze anos depois da sua actuação em Portugal
(N.E. - apesar do que o vocalista afirmou, a banda esteve no
nosso país em 2009, no concerto do Porto, no Teatro Sá da
Bandeira, abrindo para Kreator), a banda entrou a declarar
guerra com o primeiro tema do seu novíssimo álbum
"Elements", "This Is War". Este foi aliás o trabalho mais
chamado acima do palco, com quatro temas (os quatro
primeiros para se ser mais exacto, onde além do já citado
"This Is War" pudemos ouvir "Intoxicated", "Ich Blute Für
Dich"" e "Before Later Comes Never. A banda conquistou o
público presente apenas por entrar em palco. Nitidamente Caliban
101
Hell Of A Weekend
08/06 - RCA Club, Lisboa
Texto por Fernando Ferreira | Fotos por Sónia Ferreira | Agradecimentos: Hell Xis Agency

Grande antecipação pelo segundo dia desta segunda edição bastante elevada.
do Hell Of A Weekend, que se focaria exclusivamente nas
sonoridades hardcore. Infelizmente devido às mudanças Após os Mordaça, seria o momento de abrir as portas às
de horário, não nos foi possível apanhar a actuação dos propostas internacionais, sendo que os primeiros foram os
algarvios  M.E.D.O., onde terão sido uma das melhores londrinos  Knuckledust. A banda já tem uma carreira de
maneiras de começar a maratona, tendo em conta a sua vinte anos e essa experiência e classe vieram ao de cimo
entrega e energia em cima dos palcos. Sabemos no entanto
que Ivo Salgado, ex-Okkultist e actual Mordaça, deu uma
perninha (e restantes membros) rápida na bateria num dos
temas.

Por falar em Mordaça e por falar em Ivo Salgado, a energia


com que se apresentaram em palco foi épica. De tal forma
que se tornou incompreensível como é que estavam mais
pessoas fora do recinto do que propriamente no seu interior.
Perda deles porque o som não só estava perfeito como a
entrega do grupo de Linda a Velha foi energética. Apesar
de ser apenas o segundo concerto de Ivo com a banda, o
baterista mostrou-se bem integrado como malhões como
"De Costas Voltadas" e "Tiro P'la Culatra" garantiram. O
grande destaque da sua actuação foi o seu último álbum
de originais, "Sempre A Lutar" onde destacamos o hino à
cena LVHC, "2795" e a "Terra de Camões". A fasquia ficou Mordaça
102
Knuckledust Slapshot
ao longo da sua actuação. Desde o primeiro instante até ao salientar para aqueles que acham que o hardcore é
final que a banda, através do seu guitarrista Wema e do seu um estilo mais limitado musicalmente, como tivemos
vocalista Pierre, não se cansaram de pedir ao público para cinco bandas e cinco propostas musicais distintas. Os
se chegar à frente, já que havia um fosso considerável entre clássicos Slapshot seriam os últimos a subir ao palco neste
o palco e a grande concentração de público. Tal até era segundo dia. A banda já tem mais de trinta anos de carreira
compreensível, já que assim que "Sick Life", o primeiro tema e a julgar pela forma como agarraram este concerto...
após a intro "8 Stabs", começou a soar, alguns aprendizes ninguém diria. Incansáveis mas também com muita classe.
de helicópteros começaram a agitar violentamente as suas Quando as primeiras palavras de  Jack "Choke" Kelly  são
pernas e braços. Não levantaram vôo mas terá sido por "como estás tu?", bem... está tudo dito, certo? Bom humor,
pouco. A banda apresentou-se com um baixista substituto, boa energia e ritmos incansáveis.  Kelly, que já tinha
já que  Nicky  não pôde embarcar nesta viagem, mas em confessado ter raízes lusitanas da parte da mãe, perguntou
termos sonoros a potência estava toda lá. E o público, com ao público se este gostava de breakdowns, que perante a
mais ou menos distância do palco, também. O final seria resposta algo difusa responde: "Ainda bem, porque aqui
intenso, com Pierre a saltar para meio do público para não temos nenhuns". Ritmos uptempo são uma constante
cantar a "Bla" e a fechar com chave de ouro. e isso poderia supor-se que a música não se sentisse tão
dinâmica como noutros casos, mas isso não foi o caso.
Definitivamente.

No Turning Back
Da Holanda chegariam os  No Turning Back  que já nos Slapshot
habituaram, felizmente, a grandes concertos dados em
solo nacional. E como bem habituados que estamos, não
ficámos desiludidos. A tendência do dia foi das bandas Aliás, ainda a propósito da dinâmica, teremos que assinalar
pedirem ao público para se chegarem à frente e os  No dois momentos. Primeiro com a potência de "Old Tyme
Turning Back  não foram excepção.  Martijn, o vocalista Hardcore" que fez rebentar uma autêntica batalha campal,
foi bastante insistente neste ponto e também bastante digna de ser apreciada. Sobretudo do balcão de cima. a
eficaz na nem sempre fácil arte de puxar pelo público. banda conseguiu surpreender durante uma versão mais
Teve uma ajuda preciosa também por parte das malhas prolongada da "Step" - algo bastante incomum no contexto
que fizeram com que aqueles que estavam mais próximos do punk/hardcore - onde  Craig Silverman, o guitarrista
do palco atendessem ao chamado de Martijn para cantar nos guiou por alguns dos riffs mais emblemáticos do rock/
versos e refrões, sempre que este esticava o microfone. metal - "Run To The Hills" dos Iron Maiden, "Cat Scratch
Entre provocações ao público (referindo-se à distância Fever" de Ted Nugent,  "Seek And Destroy" dos Metallica e
de maior parte do público do palco e pelo facto de não se "Lick It Up" dos Kiss. A banda ainda saiu para um curto
terem verificado stage divings até ao momento) e elogios à intervalo, tocando em regime de hardcore os temas "Pennies
cena hardcore lisboeta como uma das melhores da Europa, From Heaven" (que a banda confessou não tocar há anos)
o RCA estava rendido a esta energia aparentemente e fechando com "Break Your Face" do último trabalho de
inesgotável. Antes de terminarem a sua actuação, a banda originais. O público, que tinha a indicação de que teria
ainda confirmou o seu regresso ao nosso país na segunda de sair do recinto antes da meia noite, saiu satisfeito por
semana de Setembro, no Algarve. esta autêntica lição em Hardcore, curso dividido em cinco
capítulos. Esta é uma escola que merece ser apoiada, sem
Os níveis energéticos estavam bem altos e é importante dúvida.
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Hell Of A Weekend
09/06 - RCA Club, Lisboa
Texto por Fernando Ferreira | Fotos por Sónia Ferreira | Agradecimentos: Hell Xis Agency

E assim se chegou ao terceiro dia do Hell Of A Weekend, álbum de originais que vem a caminho, do qual tivemos um
uma segunda edição bastante rica em propostas musicais, cheirinho com "Children Of The Tides" e "Home Invasion".
estando cada um dos dias destinados a sonoridades Terminaram com o seu hino, "Diabolical Crew", dedicado
específicas. Se no primeiro dia o metalcore era o foco, o a todos aqueles que nunca deixaram de acreditar na banda.
hardcore puro representou o segundo. Para o terceiro
estava reservado a proposta mais tradicional no que ao Mais experientes e com uma rotatividade em palco notável
metal diz respeito, sendo que as propostas mais modernas são os Burn Damage, que deram um concerto quase
estavam reservadas ao contingente nacional representando
pelos Diabolical Mental State e Burn Damage, enquanto as
bandas internacionais, Gama Bomb e Grave representavam
as sonoridades mais tradicionais dentro do thrash e death
metal respectivamente.

Este último dia começou então com os Diabolical Mental


State, banda que enfrentou algumas dificuldades e
mudanças de formação e encetou o seu regresso aos palcos
precisamente neste concerto. O seu thrash metal moderno
e cheio de groove beneficiou, e muito, do bom som onde o
baixo pulsante de Apache Neto se destacou naturalmente.
Apesar de algum nervosismo que era aparente no início do
concerto e alguma descoordenação principalmente à forma
como a banda se movimentava em palco foi um regresso
digno de se ver e onde fica evidente todo o potencial dos
Diabolical Mental State e onde fica a expectativa para o Diabolical Mental State
104
Burn Damage Grave
perfeito - e só não o foi porque um dos pratos da bateria as coisas estavam ao rubro. Good Metallic Fun, naquele
de Alex caiu e provocou uma quebra no som de guitarra que será provavelmente O concerto de todo o festival.
de Ivo Durães, logo na primeira música "Age Of Vultures",
tema-título do álbum de estreia. A sua mistura muito A fasquia tinha ficado sem dúvida bastante elevada, ficando
própria entre death metal e thrash cheio de groove é para lá a dúvida até se uma banda como os Grave seria capaz de
de eficaz, com a voz (vozeirão) de Inês a ser um dos pontos superar, afinal estamos a falar de estilos e estados de humor
de destaque, mas teremos que referir a qualidade técnica completamente diferentes. Todas as dúvidas dissiparam-se
de todos os instrumentistas, bastante elevada. Inês puxou assim que a banda de death metal sueco entrou em palco
pelo público e por alguma apatia (incompreensível, diga-se e simplesmente arrasou com a dupla "Deformed" e "Black
de passagem, aliás, como já referido em relação aos outros Dawn". Com um som estupidamente perfeito, onde todo
dias) que se verificava no público perante todo o poderio o groove e o poder da banda estava em evidência, o RCA
metálico que era transmitido do palco. O foco continuou tremeu perante tal poder metálico. Literalmente - uma das
a ser o já citado álbum de estreia mas ainda houve tempo caveiras que estava a adornar os amplificadores caiu no
para as novidades "Fire Walk With Me" e a "They Live", chão tal não era a trepidação do som no palco.  A banda
a serem incluídas no próximo álbum de originais que se não comunicou praticamente com o público no início do
"encontra no forno", citando as palavras da vocalista. Uma concerto, despejando clássicos atrás de clássicos como
actuação fortíssima que conseguiu, apesar da tal apatia, "Day Of Mourning" e "Morbid Way To Die".
agarrar o público com garra.

Gama Bomb Grave

Ola Lindgren, o guitarrista e frontman, quebrou o silêncio


Lembram-se do que falámos da apatia? Esqueçam. Aquilo de forma mais prolongada do que os agradecimentos
que esperávamos por parte do público durante todo o entre músicas, afirmando que este era um concerto
festival concentrou-se no concerto dos Gama Bomb. Não especial de celebração dos trinta anos da banda e que
terá sido por acaso, já que também a banda da Irlanda do como tal iriam revisitar alguns dos seus momentos mais
Norte é aquele furacão thrash metal cheio de humor e poder clássicos. Efectivamente assim foi, onde o destaque não
metálico. A celebrar uma década do lançamento do álbum só foi para o seu clássico álbum de estreia, "Into The
"Citizen Brain", Philly Byrne disse, após tocar a primeira Grave", que tem versões de muitos dos temas contidos
música desse trabalho, "Zombie Blood Nightmare", que nas demos lançadas até então como "Extremely Rotten
havia boas e más notícias. Para festejar o aniversário, iriam Flesh" e o próprio tema-título. Foi incrível verificar como
tocar o álbum na íntegra e as boas é que todas as músicas os níveis energéticos nunca baixaram. Por um lado, a
eram iguais ao primeiro tema, sendo que as más eram banda que despejou o seu death metal clássico sem dó
precisamente todas as músicas serem iguais à primeira. nem perdão, por outro, o público que reagiu da melhor
Aquilo que podemos dizer é que não existiram más notícias, maneira e pedia ainda por mais. Apesar de terem tocado
assim como não houve um momento de descanso em frente cerca de uma hora, ficou-se com a sensação que o set foi
ao palco, com circle pits e crowd surf (até mesmo quando um pouco curto e após os dois últimos temas, "Eroded" e
não havia música). De tal forma que Byrne perguntou ao "Annihilated Gods" (este último a ser o primeiro tema que
público que estava no fundo da sala como é que eles estavam a banda fez), a sensação geral é que ainda se queria mais.
lá atrás e se fosse ele também estaria lá, porque à frente
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Sangue, Suor & Aço
23/06 - RCA Club, Lisboa
Texto Fernando Ferreira | Fotos Sónia Ferreira | Agradecimentos: Jó, Metalhead Events e Xxxapada Na Tromba

Podemos queixar-nos de muita coisa na vida aqui no nosso ter desligado sem querer, com o seu headbang frenético, a
cantinho por vezes esquecido no fundo da Europa, mas o guitarra de João Elvas  até à forma como o baterista Marcus
estado do nosso querido underground não é um deles. Reis tocou, aparentando estar em esforço e com dores, o que
Não é perfeito - nada é - e há muito a fazer mas é graças prejudicou a prestação de alguns temas, principalmente
a propostas como a noite de metal nacional intitulada "Molnia," que teve duas tentativas para ser interpretado
Sangue, Suor & Aço que sentimos que estamos no caminho mas mesmo assim, sem sucesso. Uma verdadeira pena
correcto. Quatro bandas nacionais e uma brasileira que porque que quando corre bem, corre mesmo bem (como
conta quase como portuguesa já que à excepção do seu no tema de abertura "Po Kanam").
frontman, a sua banda de apoio é totalmente lusitana.

Lvnae Lvmen
Yar
Após os momentos mais atribulados com os Yar, seria a
Com a casa ainda a meio gás, os Yar subiram ao palco vez dos Lvnae Lvmen, que também eles surgem renovados
para aquela que foi uma actuação confusa e com muitos desde a última vez que os vimos, no palco do SMSF. Com
pontos a melhorar. A banda com raízes ucranianas já nos Sérgio Páscoa (da organização Xxxapada Na Tromba
tinha sido apresentada ao vivo na segunda edição do Oeste que dividiu esforços com a Metalhead Events de Jó dos
Underground e ficámos com uma boa impressão com o seu Theriomorphic) na voz e no bandolim a ser a face mais
death metal meio melódico meio folk. Desta vez, com uma visível dessa mudança, a banda alentejana agora sediada
formação renovada (onde temos por exemplo, a guitarrista em Lisboa demonstrou grande potencial para esta sua
Susana Gamito a libertar o vocalista Stanislav Savchenko segunda encarnação. A sua componente histórica, focada
dessa função), as coisas não correram tão bem. A acusar principalmente em Portugal e fazendo sempre um ponto
algum nervosismo e inexperiência que causaram alguns de comparação com os tempos actuais, são sem dúvida
dissabores, ocorreram algumas situações desde o vocalista um dos pontos de interesse. Isso e o seu death metal ora
106
mais melódico, ora mais bruto.  Só não correu tão bem punk, bastante familiar para os fãs de Motörhead) com o
foi a forma como os discursos de Sérgio retiraram alguma aspecto mais clássico e tradicional do heavy metal (onde
da fluidez do concerto mas de qualquer forma, ficou-se as harmonias entre as duas guitarras foram um dos pontos
a conhecer muito mais sobre o foco da banda e como o mais altos), ainda por cima cantado em português, foi
conceito é fundalmental para a mesma. Seria bom conferir viciante o que nos faz querer que queiramos repetir a
temas como "Forgotten Sunrise" noutras ocasiões, assim experiência muitas mais vezes.
como apanhá-los num registo de estúdio.

Theriomorphic
Annihilation
Chegávamos ao final da noite com os Theriomorphic, uma
Apesar da hora tardia - pelo menos para o que é normal das mais interessantes propostas death metal saídas do
nos concertos no RCA Club - o público estava mais nosso underground cujo o único problema é não ser tão
que motivado para levar a noite até ao fim. As bandas activa quanto desejaríamos. Problemas de fãs. Tal só faz
que faltavam actuar não mereciam menos que isso. Os com que se aprecie ainda mais cada nova oportunidade para
Annihilation já andam a espalhar fruta de death metal os ver ao vivo. A promover o seu mais recente lançamento,
bruto há já catorze anos, mas foi com o seu segundo o EP "Of Fire And Light", a banda de Jó apresentou-
álbum, "The Undivided Wholeness of All Things" lançado se com um grande som, onde malhas já clássicas como
o ano passado, que nos chamaram verdadeiramente a "Theriomorphic" e "Burning Freedom" do primeiro álbum
atenção. Com Sofia Silva (ex-Neoplasmah) na voz, a banda ou "Maledict" e "Operators Of Triumph" do segundo foram
parece ter encontrado a fórmula perfeita, provada com grandes destaques. E claro, não faltaram também temas
uma actuação demolidora. Com um som bem poderoso do já mencionado EP, sendo que alguns deles já a banda
(dos mais poderosos e perfeitos que ouvimos no RCA andava a tocar há já algum tempo, como "Absent Light".
Club), a banda alternou temas do primeiro e do segundo
álbum, onde a complexidade e o peso são uma constante. Pelo meio ainda houve tempo para um sorteio sui generis
Impressionante, para dizer no mínimo e razões mais que de três bilhetes para o Vagos Metal Fest, com a ajuda de
suficientes para que queiramos ver mais. Sérgio Páscoa, que subiu ao palco para o efeito, e muitos
agradecimentos para a presença do público numa casa
muito bem composta. Os Theriomorphic finalizariam a
sua actuação com o já hino "The Beast Brigade", deixando-
nos convencidos que esta besta está mais poderosa que
nunca. Caso ainda restassem dúvidas daquilo que disse no
início desta reportagem, elas já tinham desaparecido. O
underground está de excelente saúde, por termos espaços
como o RCA Club, por promotoras como a Xxxapada Na
Tromba e Metalhead Events, por bandas como aquelas que
subiram ao palco (todas elas) e sobretudo pelo apoio do
público, base e fundamento para que noites como esta se
repitam muitas mais vezes.

Flageladör
Os Flageladör têm andado a arrasar por Portugal. Depois de
grandes passagens pelo SWR Barroselas e pelo Masmorra
Fest, o final ficaria reservado para o Sangue, Suor &
Aço. Apesar de serem brasileiros, apenas o seu vocalista
Armando Exekutor viajou do outro lado do Atlântico
até ao nosso país, sendo acompanhado por músicos
portugueses (onde temos War Tank e Tiago Steelbringer
dos Midnight Priest na bateria e guitarra respectivamente, 
e ainda SpeedFaias Axe Crazy no baixo). E que concerto
deram. A energia que mistura o feeling mais primitivo
do thrash metal (e da sua mistura do heavy metal com o Theriomorphic
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Marilyn Manson, Amazonica
27/06 - Campo Pequeno, Lisboa
Texto Fernando Ferreira | Fotos gentilmente cedidas por Nuno Conceição e Everything Is New | Agradecimentos Everything Is New

Era já esperado que encontrássemos o Campo Pequeno


inundado de almas negras (e não só) para receber Marilyn
Manson, um panorama que é sempre agradável de
presenciar. Sinal de que apesar da enorme oferta verificada
este ano, as apostas continuam a ser bem sucedidas e bem
recebidas pelo público. Os quase dez anos de ausência dos
palcos portugueses da banda também ajudou a que este fosse
um evento a ganhar ainda mais relevo. Tenho também que
referir um pormenor que faz toda a diferença - enquanto o
público entrava no recinto e até ao início da música principal
propriamente dita, pudemos ouvir clássicos do rock e heavy
metal, desde Annihilator até Scorpions. Um exemplo para
todos aqueles eventos onde somos obrigados a levar com a
pastilha de música descartável enquanto aguardamos.

Por falar em clássicos de rock e heavy metal, tenho que admitir


que o facto da primeira parte ser responsável por uma DJ era
algo que me deixou algo... apreensivo. Preconceito admito. Amazonica
Felizmente Victoria Harry, cantora transformada em DJ Aquecimento feito e enquanto esperávamos que o
Amazonica já há alguns anos, conseguiu entreter da melhor soundcheck fosse feito para Marilyn Manson (será que
forma o público. Inicialmente a expectativa não era muito o som de Amazonica foi assim tão complexo, que tenha
alta, apesar do início com aquela melodia inesquecível do obrigado a uma reconfiguração do som?) tivemos direito a
"Baba O'Riley", seguiu-se uma série de batidas agressivas por mais clássicos que foram de Iron Maiden a Slayer, algo que
baixo de alguém a dar-lhe no rap, mas o desfile de malhões o público parecia não apreciar, achando que cada final de
dos mais variados géneros da música pesada não pararam música significava o início da actuação - bastava também
de se suceder - Slipknot, Deftones, Nirvana, Sepultura, AC/ olhar para o relógio para ver quando é que a banda que
DC, Pantera, Black Sabbath. Quem é que poderia resistir a todos queriam ver ia entrar. De qualquer maneira, foi após
um elenco destes? No final teremos que admitir que esta não o clássico "Ziggy Stardust" de David Bowie que as luzes se
foi uma ideia má de todo, embora continuemos a preferir apagaram e sob uma enorme camada de nevoeiro artificial
bandas a tocar do que alguém a passar música. Mas pronto, entrou em palco e atacou logo com "Irresponsible Hate
uma questão de gostos. Anthem", fazendo com que os níveis de adrenalina fiquem
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desde logo ao rubro. uma introdução de "I Don't Like The Drugs (But The
Drugs Like Me)" algo estranha, não sabemos se ensaiada
e natural), a cover de Eurythmics "Sweet Dreams (Are
Made Of This)" e "Antichrist Superstar" que viu manson a
subir ao palanque como que a pregar sermão aos seus fieis.

Marilyn Manson
A resposta do público foi alucinante, levando a que Manson
dissesse que aquele era o público mais barulhento do
mundo - acreditamos que fosse simpatia, porque os décibeis Marilyn Manson
debitados pelo público eram mesmo superiores aos que as
colunas deitavam cá para fora. Quanto ao som em si, mesmo Na recta final, o ritmo perdeu-se um pouco com as pausas
que a música de Marilyn Manson não seja propriamente entre as músicas a serem algo longas, o que se sentiu ainda
límpida e cristalina, a distorção e feedback foram os seus mais nos dois encores que nos reservaram a, desconhecida
principais componentes. Facto que influenciou também para grande parte do público, cover de Gerard McMann,
o som foi o facto de Manson atirar em média, por canção, "Cry Little Sister", lançado originalmente como fazendo
duas vezes o microfone para o chão. Não sabemos se por parte do clássico filme de vampiros, "The Lost Boys" e que
insatisfação se por fazer parte do espectáculo, a verdade é Manson lançou poucos dias atrás como single e como
que isso acabou por ter impacto no som final. E em relação fazendo parte do novo filme de terror da Marvel, "The
a isso, temos que dizer que se o futebol tem apanha-bolas, New Mutants". Claro que não poderia faltar "The Beautiful
Manson tem apanha-micros. E temos em crer que são mais People" e ainda "Coma White" num dos melhores momentos
eficazes em recuperar o micro (e trazer outro), no escuro, da noite. Manson esteve igual a si próprio, exuberante,
em tempo recorde. O que não deixa de ser impressionante. provocante e ainda assim afável em cada vez que se dirigiu
Ainda tivemos a que tem sido habitual participação de fãs ao público, nitidamente impressionado com a recepção do
no palco na "Kill4Me", um dos destaques do mais recente público português - mesmo que no final tenha sido algo frio
trabalho, "Heaven Upside Down". Um momento que não na hora da despedida mas faz parte do espectáculo. Um bom
fluiu lá muito bem, na interacção das três jovens com o espectáculo que deu para saciar um Campo Pequeno cheio
músico. Apesar da boa recepção dos temas novos, foram de saudades.
os já clássicos "Disposable Teens", "The Dope Show" (com
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Agenda
Julho The Lemon Lovers,  Blame Zeus, Flying Cages,
Daniel's Dead Bird - Terras De Bouro
11- Thirty Seconds To Mars - Forum Braga, Braga

01 - Invicta Hardcore Matine #1 - Realm Of Torment, 12- Thirty Seconds To Mars - Altice Arena, Lisboa
Faced Out, Reclusive, Less Than Zero - Metalpoint, Porto 26 a 28 - Festival Laurus Nobilis Music Famalicão 2018 21 - Warm Up Under The Doom - Primordial, Aura,
- Septicflesh, Dark Tranquillity,  Hills Have Eyes, Basalto - Hard Club, Porto
02 - Ozzy Osbourne, Judas Priest - Altice Arena, Lisboa Crisix,  Tarântula, Mata Ratos,  Web, Revolution
5 e 7 - Souto Rock - Hüll, This Penguin Can Fly, Baleia Whitin,  In Vein, Equaleft, Nine O Nine, Sotz,  The 22 - Warm Up Under The Doom - Primordial, Aura,
Baleia Baleia,  Paraguaii, Black Bombaim, O Gringo Temple, Low Torque, The Godiva, Legacy Of Cynthia Decayed - Hard Club, Porto
Sou Eu, El Señor, Doutor Assério, 800 Gondomar,  - Vila Nova de Famalicão 24 - Batushka - RCA Club, Lisboa
J.C.Satàn - Roriz, Barcelos 28 - Apresentação EP "Demon's Owl" - Pledge, 25 - Batushka - Hard Club, Porto
06 - JC Satàn - Sabotage Club, Lisboa Wakeupdeadman - Cave Avenida, Viana do Castelo 29 - Not Dead Yet Fest - Fleshcrawl, Neocaesar, Disaffe
06 - Mars Red Sky - Sabotage Club, Lisboa 28 - Terror Empire,  Hochiminh - Cine Incrível - Alma cted, Undersave - Stairway Club, Cascais
06 - Nine O Nine, StoneRust - Stairway Club, Cascais Danada, Almada 30 - Porto Deathfest 4 - Fleshcrawl, Necrot, Burial Invoc
07 - Apresentação Novo Álbum "Thirteen" - Gwydion, 31 - Northlane, Thirdsphere - RCA Club, Lisboa ation, Neocaesar, Biolence - Metalpoint, Porto
Beyond Carnage, Dogma, Bleeding Display - RCA Club,
Lisboa
07 - Vizir, Dead Meat, Congruity, Grievance, Dawn Of Agosto Outubro
Ruin - A.C.D.R. Brunheiras, Vila Nova de Milfontes 03 a 04 - Lord Metal Fest - W.A.K.O., Second Lash, Venial 02 e 03 - V Festival Portalegre - Altarados - CAE Portalegre,
Sin, Equaleft,  Nihility, Xeque-Mate  - Parque do Rio Portalegre
07 - Scúru Fitchádu - Cine Incrível - Alma Danada, Almada
Ferreira, Lordelo 05 e 06 - Faro Alternativo - HochiminH,  Steal Your
07 - Rasgo, Toxikull - Stairway Club, Cascais
09 a 12 - Vagos Metal Fest 2018 - Cradle Of Filth, Crown - Associação Recreativa e Cultural de Músicos, Faro
07 - Vagos Metal Fest Party - Painted Black, This Fallen Moonspell, Kamelot, Suicidal Tendencies, Orphaned 05 e 06 - Festival Bardoada e Ajcoi - The Parkinsons,
Curse - Cer de Vagos, Vagos Land, Enslaved, Municipal Waste, Sonata Arctica, Iberia, Dapunk Sportif, Revolution Within, Besta,
08 - NOS Primavera Sound - Black Bombaim, Solar Ross The Boss, Ensiferum, Converge, Sinister, Tales For The Unspoken, The Year, Nowhere To Be
Corana - Parque da Cidade, Porto Masterplan, Integrity, Dagoba, Carach Angren, Found, Since Today, Decreto 77, Desalmado, Bizarra
10 e 11 - Legends Of Rock - Kiss, Megadeth, Scorpions - Memoriam, Bölzer, Holocausto Canibal, Gwydion, Locomotiva, Simbiose, Reality Slap, Serrabulho,
Estádio Municipal de Oeiras, Oeiras Serrabulho, Attic, Lost In Pain, In Vein, Blame Zeus, Grankapo, Kandia, Hochiminh, Steal Your Crown,
Stonerust, Invoke, Rasgo, Dust Bolt, Gwydion, Dalai Lume, Challenge, Cigarette Vagina - Pinhal Novo
11 - Stone Sour - Coliseu dos Recreios, Lisboa
Analepsy, Feed The Rhino, Dollar Llama, Simbiose,
12,13 e 14 - NOS Alive 2018 - Queens Of The Stone Age, 06 - Not Dead Yet Fest - Necrot,  Grog,  Derrame,
Theriomorphic, Wicked Inc., Trinta E Um, Destroyers
Pearl Jam - Passeio Marítimo de Algés, Oeiras Autopsya, Bowelism - Stairway Club, Cascais
Of All, Booby Trap, Dark Embrace,  Lost In Pain - Quinta
13 - Iron Maiden, Tremonti, The Raven Age  - Altice do Ega, Vagos 29 - The Soft Moon - RCA Club, Lisboa
Arena, Lisboa 10 e 11 - Sonic Blast Moledo 2018 - Kadavar, Nebula, 12 e 13 - Bairrada Metal Fest - Grog, Desire, Simbiose,
13 - Mars Red Sky - Cave Avenida, Viana do Castelo Conan, Naxatras, Earthless, Ufomammut, Purple Hill Bizarra Locomotiva, GodVlad, Terror Empire, Diesel
Witch, Atavismo, Ruff Majik - Moledo, Viana do Castelo Humm! - Club De Ancas, Aveiro
13 e 14 - Festival Glória Ao Rock - Sunflower - Glória do
Ribatejo 24 - Extramuralhas - Ulver - Extramuralhas, Leiria 13 - Raging Planet Showcase 2018 - Desalmado, Besta,
Surra - Musicbox, Lisboa
14 - 5ª Concentração Motard do Douro - Moonspell, 24 - Festas de Corroios - Ramp - Parque Urbano Quinta Da
Ledderplain - Peso da Régua Marialva, Corroios 13 - Neuropsy, Happy Farm, The Blood Of Tyrants  -
Metalpoint, Porto
14 - Rock da Velha - Cruz de Ferro, Low Torque - Portas 24 e 25 - XI Milagre Metaleiro Open Air - Débler, Elvenking,
do Sol, Santarém Tarantula, Hourswill, Atlas Pain, Jarojupe, Cenizas 20 - Annihilation, Grog, Burn Damage - Cave Avenida,
Del Eden, Aephanemer, Fantasy Opus  - Pindelo dos Viana Do Castelo
15 - Days N Daze, We The Heathens  - Disgraça Bar,
Lisboa Milagres, Viseu 21 - Annihilation, Grog, Burn Damage - Metalpoint, Porto
15 - Mournkind - Projecto CR.U, Tomar 25 - Battle Session II - Grievance, All Against  - Jardim 27 - Cartaxo Metal Fest III - Cruz de Ferro, Dead Meat,
Portas do Sol, Santarém Undersave, Destroyers of All, Thrashwall - Centro
17 - Wrath Sins, Sotz' - Drac, Figueira da Foz Cultural do Cartaxo, Cartaxo
30 - Vircator, Wax Flamingos - Rrusstyk Bar, Olhão
19 - Woodrock Festival - Ecstatic Vision, Dream Weapon, 27 - Road Fest - Blame Zeus, Revenge Of The Fallen -
Igwana, Niña Coyote Eta Chico Tornado, Riding Moto Clube Alverca, Alverca
Pânico, Earth Drive, Planet Of Zeus, Nu, Fast Eddie
Nelson, Huana Stone - Praia de Quiaios, Figueira da Foz
Setembro 29 - Bob Wayne - Stairway Club, Cascais
01 - Casaínhos Fest - Bizarra Locomotiva, Ramp,
19 - Los Tones, Cool Trash Club - Sabotage Club, Lisboa
Heavenwood, Hills Have Eyes, Rasgo, Viralata,
19 - 25 Anos de - Bizarra Locomotiva - Sabotage Club, Lisboa Backflip, Artigo 21, Infraktor, Contrasenso, Take Novembro
21 - Viseu Rockfest - Process Of Guilt, Back! - Campo Futebol S.C. Casaínhos
Anarchicks, Clockwork Boys, Infraktor, 03 - Oeste Underground Fest - Serrabulho, Repulsive
01- A Place To Bury Strangers - RCA Club, Lisboa Vision, Analepsy, Prayers Of Sanity, GAEREA,
Sonneillon BM, Zurrapa, Karbonsoul, Fuzzil,
Torn, Divine Ruin  - Asdreq, Quintela de Orgens 01- Cryptor Morbious Family, The Black Koi - Cine- Hourswill, Warhammer, Rencor, Undersave, Fear
27 e 28 - Gerês Rock Fest - Moonspell, Linda Martini, Incrível Alma Danada, Almada The Lord, Oppidum Mortuum - Pavilhão do Multiusos da
Malveira, Malveira

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