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UMA CIDADE SEM PASSADO

Sonia Rosenberger narra a história de sua cidade mesclada à sua própria


história. Sônia é a terceira filha de um casal de professores, sua mãe deixou de
trabalhar quando ela nasceu e passou a dedicar-se à família. A família de Sônia
é bastante religiosa, inclusive seu pai é um membro de destaque na comunidade
religiosa da qual eles participam. Sonia estuda em uma escola religiosa.

A professora de Sônia lhe falou que havia um concurso de redação cujo


tema era Liberdade na Europa. Sônia então foi ao arquivo da sua cidade a fim
de colher material para embasar sua redação. Após algum tempo, Sonia recebe
correspondência comunicando que ela venceu o concurso, com isso ganha uma
viagem à Paris-França. Essa viagem é deslumbrante para a jovem, durante sua
estadia em Paris teve contato com jovens de outros países e usualmente eles
conversavam sobre seus países, cada um tinha que falar a respeito de seu país,
relatar como era, nesse ponto é interessante notar como diferia a visão que
Sônia tinha de seu país da visão que os demais tinham.

Ao retornar à sua cidade Sonia foi homenageada pela prefeitura com uma
medalha. Após algum tempo Sônia. Tempos depois sua professora lhe sugeriu
participar de outro concurso de redação, dessA vez a escolha poderia ser feira
entre dois temas: Sua cidade natal durante o Terceiro Reich e o Conceito de
Europa. Prontamente Sonia escolheu o tema Sua cidade natal durante o Terceiro
Reich dizendo que ria falar como sua cidade havia lutado contra o nacional
socialismo, principalmente a Igreja. Interessante que a mãe de Sônia lhe pediu
para falar coisas positivas em seu texto, o que denota a necessidade delta em
preservar lembranças positivas desse período.

Sônia entrevistou diversos amigos e parentes sobre o que eles lembravam


da Época. O primeiro a ser entrevistado foi seu Tio Franz, este disse que ele e
seus companheiros do internato em que morava não sabiam muito sobre os
nazistas, à época um pastor da comunidade local chamado Schult fora preso e
depois solto, esse pastor pregava contra as leis raciais e seguiu pregando
mesmo após ter sido preso, por isso foi executado posteriormente.
Sônia procurou, sob indicação seu tio, o professor Juckenack para saber
mais a respeito do pastor Schult, aquele era responsável pelos arquivos
episcopais e poderia ajuda-la. Porém este disse que não tinha informações sobre
ele, que os documentos do pastor haviam sido levados para Berlim na época de
sua condenação, se resumiu a falar sobre o prefeito da cidade na época,
Zumtobel, o qual seria, segundo o professor, o único nazista convicto da cidade,
disse também que ele era muito cruel e teve o fim que mereceu, mas não
mencionou qual foi o fim. Sonia pediu para acessar os arquivos da época, mas
Juckenack disse que os arquivos existentes se tratavam de uma biblioteca.

Sônia então decidiu pesquisar mais sobre o prefeito Zumtobel, sem


sucesso ela foi informada de que os arquivos sobre ele eram confidenciais e para
ter acesso a eles teria que pedir permissão à viúva. Ela então marcou um horário
e foi conversar com a viúva de Zumtobel, local marcado era a grande Fábrica da
família. A viúva foi ríspida com Sônia acusando-a de querer trazer de volta à
tona as mentiras que contavam sobre seu marido. Sônia disse que queria saber
apenas dos fatos. A viúva passa então a relatar que seu falecido esposo passou
seis anos nos campos de trabalho enquanto os outros desfrutavam de luxo e por
fim haviam morrido de tristeza, afirmando que estes eram os fatos e não permitiu
que Sônia falasse mais nada pedindo que ela se retirasse imediatamente -
Interessante notar como a visão dela difere da do professor Juckenack.

Em seguida Sônia conversa com sua avó, a qual diz que Zumtobel não
era ruim, que na verdade ele havia impedido que ela fosse presa. O motivo que
quase a levou à prisão foi o fato dela se ajuntar a demais mulheres para protestar
contra a ordem de retirar crucifixos das salas de aula.

Em seguida Sônia, por indicação de sua mãe, conversa com o Sr. Kogler,
que terira trabalhado no Tribunal Civil na época- Nesse ponto é interessante
notar que a mãe de Sônia diz que talvez Kogler não devesse ser levado a sério,
ao ser questionado sobre o porquê, ela responde que é pelo fato dele ser
socialista, vemos aí a tendência de desconsiderar o que diz alguém que pensa
diferente dela.

Sr. Kogle diz à Sônia que não pode falar nada sobre o que acontecia na
cidade de Pfilzing porque estava em Berlim na época, tempos difíceis diz ele,
momento que ela pergunta se ele se referia à Berlim, ele então se exalta um
pouco e pergunta por que ela que saber da informação, ela pergunta sobre o
Tribunal Civil, este diz que no tribunal a justiça era entreguista(partidária-
tendenciosa) e que ele e os demais não estavam felizes com as condenações,
que estavam em guerra. Em seguida manda ela ir embora.

Sônia conversa, por indicação do tio, com o reverendo da Catedral da


cidade, o qual lhe recomenda conversar com a senhora Gugwisser, a qual fora
presa pelos americanos por ter denunciado o pastor Schult outrora. Gugwisser
diz que os americanos a prenderam por 14 meses, que não queria que o referido
pastor fosse condenado, queria apenas que ele se calasse, ela também disse
que apenas ela fora punida pelos americanos pois nada acontecera ao juiz que
sentenciou o pastor à morte, o qual deveria ter sido preso, não apenas ele,
Heinrch Marrom também. Gugwisser estava cansada e Sonia teve que terminar
a conversa nesse ponto e não houve oportunidade de perguntar mais sobre
Henrich Marron pois Gugwisser morreu em seguida.

O prazo para a apresentar a redação expirou, porém Sônia seguiu


interessada no tema.

Nesse ponto o filme se concentra no presente, Sônia está com a família e


o noivo em uma festa com outras pessoas, em dado momento dois homens
conversam sobre a construção de uma estrada que seria próximo à uma arvore
tida como milagrosa, um deles diz que não cristão construir a estrada próximo à
arvore, e o outro questiona porque ele diz isso já que tentou construir um galpão
no lugar- Nesse ponto cabe evidenciar que muitas vezes as opiniões variam de
acordo com o que é conveniente para que a emite.

Sônia se casa e, ao voltar da igreja após se casar, o carro em que está


com a família tem o para brisa traseiro atingido por uma pedra arremessada por
rapazes com os rostos cobertos por máscaras. Sônia fica abalada mas segue
sua vida.
Sônia e o marido Martin tem sua primeira filha Sarah e depois nasce a
segunda: Rebecca. Apesar de estar feliz, ela sentia que havia falhado, o que a
entristecia. Quanto aos seus concidadãos, Sônia acreditava que estavam
aliviados pelo fato dela ter cessado sua pesquisa.

Sônia decidiu ingressar na universidade, começou a cursar Teologia,


Alemão e História, tudo no fito de terminar sua pesquisa. Ela se matriculou na
disciplina do professor Juckenack e foi visita-lo no Jornal de Pfulzing, do qual ele
era editor. Juckenack permite que ela tenha acesso a todos os arquivos do
Jornal.

Sônia se encontra o jornal de 2 de Novembro de 1936, no qual há a notícia


que Gimmickry, judeu típico vendeu 100 cuecas à prazo a padres, a notícia o
chamava de aproveitador hebreu e que o citado havia sido denunciado pelos
padres por cobrar o preço inflacionado, segundo eles o “sócio da raça judia os
teria colocado em estado de transe” e por este motivo o judeu havia sido enviado
ao campo de concentração Hackeldorf..

Sônia encontra registro de 1940, no qual o Dr. Juckenack afirma: “nós


alemães lutamos pela nossa integridade racial, pureza da rala ariana e seu
espaço vital Deus está conosco, Deus está com nosso amado fuhrer”. A mãe de
Sônia se espanta ao ouvir isso dizendo que Juckenack fora membro da
resistência, que qualquer outro poderia ter dito isto, menos Juckenack.

Sônia então procura saber se houve de fato o campo de concentração


em Hackeldorf, Juckenack afirma que não, que pelo contrário, pessoas vieram
de campos de concentração para essa base e estavam felizes por virem e
trabalhavam pouco. A avó de Sônia diz que no lugar havia uma cerca alta de
arame farpado, que as pessoas estavam presas lá e imploravam por comida,
cera feita ela teria lhes atirado um pedaço de pão, ocasião em que um guarda
lhe disse que era proibido jogar pão e iria prende-la caso ela repetisse, mas
mesmo assim ela o fez outras vezes

Em seguida Sônia foi impedida de pesquisar no arquivo Jornal local sob


a suposta alegação que eles estavam sendo microfilmados.
Sônia conseguiu autorização para acessar os arquivos de Zomtobel, o
deste deste permitiu pois acredita que seu avô não nazista e que os documentos
revelariam isso. Mas mesmo assim ela foi impedida de acessar os documento
sob a justificativa que os documentos continham informações de muitas outras
famílias. Diante disso ela decidiu processar a cidade no fito de ter acesso aos
documentos, mas encontra dificuldade em encontrar um advogado para assisti-
la no processo, porém, decido movê-lo mesmo assim. Isso faz com que ela seja
duramente criticada, ameaçada e ofendida por seus concidadãos. Por fim, ela
consegue na justiça o direito de prosseguir com a pesquisa, sendo a cidade
obrigada a permitir que ela tenha acesso aos documentos da cidade,
especialmente os de Zumtobel.

Ao ser questionada sobre seus motivos Sonia diz que se inspira em sua
avó e diz “Você tem que saber de onde vem, senão você não sabe para onde
vai.”
Mesmo com a ardem judicial a pesquisa segue sendo sabotada, sob
ordens o arquivista lhe entrega materiais irrelevantes e dizem que os almejados
arquivos sobre Zomtobel estão emprestados, e vão postergando entrega-los à
Sônia. E por fim mudaram a lei, a nova previa que os documentos pessoais só
poderiam ser consultados após 50 anos, antes eram 30 anos, diante disso Sônia
processou a cidade novamente, questionando a mudança da lei. Mesmo tendo
vencido o processo, ela ainda não conseguiu acessar os documentos, o
responsável por entrega-los disse que eles não poderiam ser encontrados.

Após um tempo o responsável pelos arquivos foi substituído, este a levou


aos documentos, finalmente. Ela então, apressadamente copiou o que pode
daquilo que achava mais importante. Nessa parte ocorre algo muito interessante,
ela habilidosamente consegue fazer com as cópias que queria chegassem até
ela. A partir daí ela chamou a imprensa, eles foram ao prefeito, mostrou que saia
onde estavam os documentos que precisava, sob pressão ele cedeu os
documentos.
Os documentos revelaram que muitos judeus foram desapropriados por
motivos fúteis, e mediante processo tendencioso. Ela descobre que o prof.
Juckenack e o Padre Brumel foram os que denunciaram os Judeu Krakauer por
vender as 100 cuecas.

A partir daí a repressão aumenta, chega ao ponto da casa dos pais de


Sônia ser bombardeada. Ela é ameaça pelo professor Juckenack também.

Por fim Sônia publicou o livro Minha Cidade Natal do Terceiro Reich,
recebeu boas críticas, e foi premiada pela Universidade de Viena, Academia
Sueca, Soberbone de Paris. Foi encorajada a prosseguir pesquisando.

Em sua pesquisa ela chegou à conclusão de que Pfilzing era uma cidade
nazista típica, não uma cidade símbolo da resistência como ela acreditava antes
de fazer a pesquisa.

Mostrou-se no filme a importância de praticar o ofício de historiador com


responsabilidade, perquirindo a verdade, levando em consideração nossa
própria bagagem e valores, mas impedindo que isto nos impeça de chegar o
mais próximo possível à verdade dos fatos. Ele nos ajuda a entender que é
importando saber sobre o passado, encarar os erros, as injustiças e agir no
sentido de não repeti-los.