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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIÊNCIAS


Departamento de Engenharia Química
N° XXX

G
E Relatório de estágio

A
Q DESENVOLVIMENTO DE MACROS APLICADAS EM
PLANILHAS ELETRÔNICAS DE ÍNDICE DE QUALIDADE
DAS ÁGUAS DISTRIBUÍDAS PELA COMPANHIA
PERNAMBUCANA DE SANEAMENTO (COMPESA)

Carlos Henrique Alves de França

Prof.a Dra. Yêda Medeiros Bastos de Almeida

DEQ – Departamento de Engenharia


Química
Recife/PE
Cidade Universitária- Recife – PE
CEP. 50640-901 Dezembro/2018
Telefax: 0-xx-81- 21268717
DESENVOLVIMENTO DE MACROS APLICADAS EM PLANILHAS
ELETRÔNICAS DE ÍNDICE DE QUALIDADE DAS ÁGUAS
DISTRIBUÍDAS PELA COMPANHIA PERNAMBUCANA DE
SANEAMENTO (COMPESA)

Relatório de estágio apresentado a


Coordenação do Curso de
Graduação em Engenharia Química
da Universidade Federal de
Pernambuco, como requisito parcial à
obtenção do grau de Bacharel em
Engenheira Química.

Orientadora: Prof.ª Dra. Yêda


Medeiros Bastos de
Almeida

Recife
Dezembro/2018
DEDICATÓRIA

À minha saudosa avó Nenzinha, meu


anjo da guarda.
AGRADECIMENTOS

À Deus, essa energia de bondade e misericórdia infinita que sempre


permeou minha vida, me banhando de bênçãos e aprendizados.
À minha mãe, Lêda Alves da Silva, pelo seu exemplo de garra e coragem,
pelo seu amor intenso e incomparável, por ser meu porto seguro e por ter me
colocado aqui. Tudo o que sou hoje e me tornarei futuramente se deve a ela.
À minha querida Manuela Leite, meu bem, por me motivar, inspirar e
acalentar em todos os momentos possíveis. O exemplo literalmente mais
próximo que tenho de grande engenheira e pesquisadora.
À equipe da Coordenação de Tratamento da Gerência de Qualidade da
COMPESA, pelas pacientes instruções e excelentes explicações laboratoriais, e
por contribuírem para a construção do meu interesse e conhecimento na área.
À Universidade Federal de Pernambuco, em especial suas Pró-Reitorias
de Pesquisa e de Assistência Estudantil (PROPESQ e PROAES), por todo apoio
cedido ao longo da graduação.
Agradeço a todos que contribuíram de alguma forma para este trabalho e
para minha formação.
“A imaginação é mais importante que o
conhecimento. O conhecimento é limitado.
A imaginação envolve o mundo. ”

(Albert Einstein)
RESUMO

A Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA) é uma sociedade de


economia mista que tem como finalidade principal a distribuição de água tratada
para o estado de Pernambuco, operando em 173 dos 185 municípios do Estado,
incluindo 97 distritos/povoados e o arquipélago de Fernando de Noronha. Tendo
em vista a grande relevância da água para a alimentação, saúde e produção do
ser humano, não basta garantir apenas a abrangência da distribuição, mas
também deve-se observar a qualidade do produto distribuído. Diversos
indicadores de qualidade da água foram desenvolvidos ao longo dos anos, sendo
capazes de qualificar, numericamente, a água a ser captada, tratada ou
fornecida à população. A COMPESA, por exemplo, utiliza seus próprios índices
de qualidade da água distribuída e da água tratada em estações e em poços
(IQAD, IQAP e IQAPP), com cálculos baseados nos parâmetros de cor, turbidez,
presença de coliformes e cloro residual, cujos valores são determinados a partir
de numerosas análises laboratoriais para cada ponto de coleta no estado de
Pernambuco. Incumbe aos estagiários da Coordenação de Tratamento da
Gerência da Qualidade (CTR-GQL) realizar o tratamento de todos os dados de
qualidade de água e esgoto (IQAD, IQAP, IQAPP, dentre vários outros) e
organizá-los em diversas planilhas eletrônicas, elaborando gráficos
comparativos e enviando todos os resultados aos superiores. A problemática que
reside nesta atribuição está no longo tempo despendido para a sua realização e
na grande possibilidade de ocorrência de erros, tendo em vista a inúmera e
fatigante quantidade de dados a serem observados. Diante deste cenário, o
presente trabalho teve como objetivo implementar recursos computacionais do
Microsoft Excel para automatizar os cálculos e tratamento dos dados essenciais
à execução da atividade com os dados de IQAD. Foi criado o “Estagiário
Eletrônico”, que consiste em um conjunto de macros capaz de importar dados,
organizá-los e tratá-los, realizando de forma autônoma boa parte da incumbência
conferida aos estagiários. A lógica implementada baseou-se na observância de
padrões na organização/ordenação das localidades de coleta e das análises,
utilizando pesquisa por “varredura” linha a linha, com critérios fixos de início e de
parada de execução. O “Estagiário Eletrônico” foi capaz de preencher a planilha
de IQAD da empresa em um tempo 95% menor, sem qualquer tipo de erro,
tornando possível aos graduandos a utilização do tempo antes gasto no
preenchimento desta planilha no envolvimento em outras atividades de rotina da
coordenação, mais relevantes para suas formações enquanto químicos e/ou
engenheiros.

Palavras-chave: COMPESA. IQAD. Macro. Planilha.


LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Pesos para cálculo do IQA-NSF ........................................................17

Tabela 2: Estudo comparativo do tempo médio (em minutos) utilizado pelos


estagiários CTR-GQL em confronto com o utilizado pelo Estagiário Eletrônico,
no preenchimento da planilha de IQAD ..............................................................38

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Processos diversos de tratamento de água, classificados de acordo


com suas etapas................................................................................................14

Figura 2: Esquema de tratamento de água em ciclo completo (tratamento


convencional).....................................................................................................15

Figura 3: Exemplificação de parte de uma planilha de IQAD.............................21

Figura 4: Exemplificação de parte de uma planilha de IQAD.............................22

Figura 5: Parte final da planilha IQAD, contendo as linhas com os somatórios


referentes aos resultados das análises na COMPESA como um todo, na Região
Metropolitana (DRM) e no interior do estado (DRI).............................................25

Figura 6: Aparência inicial de parte da nova planilha de IQAD proposta............26

Figura 7: Exemplificação de parte dos dados da planilha de origem que serão


copiados (indicados em destaque pela tonalidade amarelada) quando o usuário
solicita o preenchimento da GNR AGRESTE CENTRAL....................................28

Figura 8: Dados da GNR AGRESTE CENTRAL colados na planilha de destino.


Observa-se que ainda não há somatórios nesta planilha, a serem posteriormente
realizados...........................................................................................................29

Figura 9: Fluxograma simplificado da Macro utilizada para importação dos dados


das planilhas de origem......................................................................................30

Figura 10: Fluxograma da sub-rotina “Previsto x Realizado”.............................31


Figura 11: Fluxograma da sub-rotina de preenchimento da coluna “Portaria de
E. coli”................................................................................................................ 32

Figura 12: Fluxograma da sub-rotina de realização e preenchimento dos


somatórios das gerências...................................................................................33

Figura 13: Formulário do Estagiário Eletrônico..................................................35

Figura 14: Caixa de diálogo para seleção do arquivo que contém os dados a
serem importados.............................................................................................. 36

Figura 15: Caixa de mensagem ao usuário indicando êxito na importação de


dados de uma planilha de origem (indicada em segundo plano).........................36

Figura 16: Caixa de mensagem ao usuário indicando a seleção de outro arquivo


para complementar o preenchimento da GNM OESTE......................................37

Figura 17: Caixa de mensagem ao usuário indicando o término dos ajustes


finais...................................................................................................................37

Figura 18: Caixa de mensagem ao usuário indicando a ocorrência de quantidade


de amostras dentro dos padrões maior que a quantidade de análises realizadas
numa localidade fictícia......................................................................................37
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ARPE Agência de Regulação de Pernambuco

CETESB Companhia Ambiental do Estado de São Paulo

COMPESA Companhia Pernambucana de Saneamento

CTR Coordenação de Tratamento

DBO Demanda Bioquímica de Oxigênio

E. coli Echerischia coli

ETA Estação de Tratamento de Água

ETE Estação de Tratamento de Esgoto

GNM Gerência de Unidade de Negócio Metropolitana

GNR Gerência de Unidade de Negócio Regional

GQL Gerência de Qualidade

IGAM Instituto Mineiro de Gestão das Águas

IQA Índice de Qualidade da Água

IQAD Índice de Qualidade da Água Distribuída

IQAP Índice de Qualidade da Água Produzida

ITR Instrução de Trabalho

NSF National Sanitation Foundation

OD Oxigênio Dissolvido

PLANASA Plano Nacional de Saneamento

Sanepe Saneamento do Interior de Pernambuco

Saner Saneamento do Recife

VBA Visual Basic For Applications


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.................................................................................. 10
1.1 COMPANHIA PERNAMBUCANA DE SANEAMENTO .................... 10
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA........................................................ 12
2.1 SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA.................................... 12
2.2 ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA (ETA).............................. 14
2.3 ÍNDICE DE QUALIDADE DA ÁGUA (IQA)........................................ 16
3 ATIVIDADE REALIZADAS NO ESTÁGIO........................................ 19
3.1 ESTUDO DE CASO........................................................................... 21
3.2 ANÁLISE DA PLANILHA E CONSIDERAÇÃOS PRELIMINARES... 24
3.3 LÓGICA DE FUNCIONAMENTO DO “ESTAGIÁRIO
ELETRÔNICO”.................................................................................. 27
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO........................................................ 34
5 CONCLUSÕES................................................................................. 39
REFERÊNCIAS................................................................................. 40
APÊNDICES...................................................................................... 42
10

1 INTRODUÇÃO

O presente relatório foi desenvolvido após o programa de estágio


oferecido pela Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA) na
Gerência de Qualidade (GQL), localizada no bairro de Dois Irmãos, em Recife.

O estágio foi realizado na Coordenação de Tratamento (CTR), onde o


estudante obteve a oportunidade de visitar algumas Estações de Tratamento de
Água (ETA’s), realizar análises laboratoriais, redigir relatórios e vivenciar outras
atividades de cunho administrativo.

1.1 COMPANHIA PERNAMBUCANA DE SANEAMENTO

Sociedade anônima de economia mista com fins de utilidade pública, a


Companhia Pernambucana de Saneamento está vinculada ao Governo do
Estado de Pernambuco por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
É dotada de personalidade jurídica de direito privado, cujo Estado é o maior
acionista. Sua missão é “ prestar, com efetividade, serviços de abastecimento de
água e esgotamento sanitário, de forma sustentável, conservando o meio
ambiente e contribuindo para a qualidade de vida da população” (COMPESA,
2018).

A Companhia Pernambucana de Saneamento teve sua criação advinda


da Lei Estadual nº 6307 de 29 de julho de 1971, com a finalidade de gerir os
projetos integrantes do Plano Nacional de Saneamento (PLANASA), criado pelo
Governo Federal na época do “milagre econômico brasileiro”, com o intuito de
expandir as redes de água e esgoto. O PLANASA consistiu de um amplo plano
de financiamento para a criação de empresas estaduais de saneamento, que por
sua vez firmaram com municípios de todo o país contratos de concessão dos
serviços de água e esgoto por até 30 anos. Desta maneira, houve crescimento
de 31% na rede de água e de 68% na rede de esgoto nacional (ARANHA;
ROYER, 2004). Para atender às exigências do plano nacional, as duas empresas
de saneamento antecessoras à COMPESA, a Saneamento do Recife (Saner) e
11

a Saneamento do Interior de Pernambuco (Sanepe), tornaram-se suas


subsidiárias. Três anos mais tarde, as organizações foram extintas e a unificação
dos serviços foi concluída em 1974 (COMPESA, 2018).

Atualmente, a companhia opera em 173 dos 185 municípios de


Pernambuco, incluindo 97 distritos/povoados e o arquipélago de Fernando de
Noronha. Possui ainda mais de 2 mil unidades operacionais em todo o estado,
tais como Estações de Tratamento de Água e Esgoto (ETA’s e ETE’s), Estações
Elevatórias (EE’s), reservatórios e barragens. Por conta de uma parceria público-
privada firmada em 2013 com a BRK Ambiental (antiga Odebrecht Ambiental),
intitulada “Cidade Saneada”, as operações dos serviços de esgoto não são mais
realizadas pela COMPESA. O projeto prevê que até 2037 90% da região
metropolitana do Recife possua a devida cobertura dos serviços de coleta e
tratamento de esgoto. Em 2018 o percentual foi de 37% (COMPESA, 2018).

Administrativamente, a empresa pode ser subdividida em vinte e uma


gerências espalhadas por todo o estado, sendo seis delas Gerências de Unidade
de Negócio Metropolitanas (GNM’s) abrangendo a Região Metropolitana do
Recife e quinze Gerências de Unidade de Negócio Regionais (GNR’s), que
abrangem o interior do estado e o arquipélago de Fernando de Noronha:

1. GNM SUL
2. GNM OESTE
3. GNM NORTE
4. GNM CENTRO NORTE
5. GNM CENTRO
6. GNM LESTE
7. GNR AGRESTE CENTRAL
8. GNR ALTO CAPIBARIBE
9. GNR AGRESTE MERIDIONAL
10. GNR MATA SUL
11. GNR MATA NORTE
12. GNR UNA
13. GNR IPOJUCA
14. GNR NORONHA
15. GNR MOXOTÓ
12

16. GNR RUSSAS


17. GNR PAJEÚ
18. GNR SERTÃO CENTRAL
19. GNR ARARIPE
20. GNR ALTO DO PAJEÚ
21. GNR SÃO FRANCISCO

Além das gerências citadas, a COMPESA possui outras três unidades


organizacionais: os complexos Cabugá, Cabanga e Dois Irmãos. Neste último se
encontra a Gerência de Qualidade (GQL), outro tipo de gerência de grande
relevância, onde se localiza o Laboratório Central da companhia. Na GQL são
desenvolvidas diversas atividades com a finalidade de melhorar a qualidade da
água produzida e distribuída à população, promovendo desde discussões acerca
de possíveis melhoras estruturais nas concepções das ETA’s quanto testes de
novos produtos químicos para tratamento de água. Ademais, são realizadas
análises físico-químicas, de metais, de toxinas, hidrobiológicas e microbiológicas
de água bruta e tratada.

Dentro da GQL se encontra a Coordenação de Tratamento (CTR), onde


são realizadas atividades de auditoria e avaliações de boas práticas em ETA’s,
treinamento de operadores, desenvolvimento de manuais de operação, testes
com coagulantes, análises granulométricas de leitos filtrantes e tratamento de
dados de parâmetros da qualidade da água. O projeto no presente relatório teve
seu campo de aplicação nas atividades administrativas da CTR, mais
especificamente no tocante ao tratamento de dados de qualidade da água
distribuída nas redes de abastecimento do estado de Pernambuco.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

Sistemas de abastecimento são constituídos por obras, instalações e


serviços destinados a produzir e distribuir água de qualidade para uma
13

comunidade, seja para fins domésticos ou industriais. A COMPESA (2017)


descreve seus sistemas de abastecimento dividindo-os em oito
componentes/operações:

1. Manancial: Fonte de água superficial ou subterrânea utilizada para


abastecimento humano;

2. Captação: Coleta da água do manancial (denominada de água


bruta) de forma adequada;

3. Adutora: Tubulação de grande diâmetro responsável pela


condução da água do ponto de captação do manancial até a
Estação de Tratamento (adutora de água bruta) ou da Estação de
Tratamento até os reservatórios de distribuição (adutora de água
tratada);

4. Estação Elevatória de Água Bruta: Instalações e equipamentos de


bombeamento, destinados a transportar água bruta do manancial
até a Estação de Tratamento;

5. Estação Elevatória de Água Tratada: Instalações e equipamentos


de bombeamento, destinados a transportar água bruta da Estação
de Tratamento até reservatórios ou pontos mais elevados da rede
de distribuição;

6. Estação de Tratamento: Unidade industrial responsável pela


purificação da água bruta, seguindo critérios de qualidade
especificados na legislação vigente;

7. Reservatório: Grandes caixas de concreto onde se reserva a água


tratada;

8. Rede de distribuição: Conjunto composto por adutoras e


tubulações por onde se distribui água para a população.
14

2.2 ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA (ETA)

O tratamento da água deve ser capaz de eliminar qualquer fator que


possa causar danos à saúde humana, seja tal fator de origem química, física ou
biológica. Etapas operacionais de caráter químico ou físico são responsáveis por
realizar o tratamento, e a partir destas as ETA’s são classificadas em diversos
tipos de categorização, dentre as quais a divisão básica entre “ETA de Ciclo
Completo” (ou “ETA Convencional”) e “ETA de Ciclo Compacto” se sobressai. A
Figura 1 ilustra essa classificação.

COAGULAÇÃO COAGULAÇÃO COAGULAÇÃO COAGULAÇÃO COAGULAÇÃO COAGULAÇÃO


FLOCULAÇÃO FLOCULAÇÃO FLOCULAÇÃO FLOCULAÇÃO FLOCULAÇÃO FLOCULAÇÃO

FILTRAÇÃO
FLOTAÇÃO DECANTAÇÃO
ASCENDENTE

FILTRAÇÃO FILTRAÇÃO FILTRAÇÃO FILTRAÇÃO FILTRAÇÃO


FILTRAÇÃO
ASCENDENTE DESCENDENTE DESCENDENTE DESCENDENTE

FILTRAÇÃO FILTRAÇÃO FILTRAÇÃO DUPLA TRATAMENTO TRATAMENTO


DIRETA DIRETA DIRETA FILTRAÇÃO COM CONVENCIONAL
ASCENDENTE DESCENDENTE DESCENDENTE FLOTAÇÃO
COM
FLOCULAÇÃO

TRATAMENTO COMPACTO

Figura 1 – Processos diversos de tratamento de água, classificados de acordo com


suas etapas.
Fonte: COMPESA, 2017 (Adaptado).

A diferença básica entre o tratamento convencional e o compacto é a


presença da etapa de decantação, como observado na Figura 2. O ciclo
completo tem aplicação geral na água bruta com altos teores de impurezas e a
área total de operação é maior que nas ETA’s compactas. Ao longo do processo
de tratamento, a água passa pelas etapas básicas de coagulação, floculação,
decantação, filtração e desinfecção.
15

Figura 2 - Esquema de tratamento de água em ciclo completo (tratamento


convencional).
Fonte: COMPESA. Relatório Anual da Qualidade da Água: GNM CENTRO (2017).

Na etapa de coagulação ocorre a adição do agente coagulante (na


COMPESA costuma-se utilizar sulfato de alumínio) através do processo de
mistura rápida, adicionando o produto químico no ressalto hidráulico turbulento.
A interação do coagulante com as impurezas contidas na água ocasiona a
formação de compostos com carga elétrica distinta de tais impurezas,
acarretando em um desequilíbrio de cargas que contribui para a posterior união
das partículas na etapa de floculação.

Na floculação, os compostos químicos formados anteriormente reagem


com a alcalinidade da água, originando flocos capazes de adsorver partículas de
cargas elétricas contrárias às suas. Desta maneira, os flocos (carga positiva)
adsorvem coloides, sais e bactérias (carga negativa), aumentando
consideravelmente de tamanho, à medida em que se dirigem à etapa de
decantação.

Decantação é um processo que consiste no conceito de sedimentação,


onde os flocos pesados vão tender a se depositarem nas partes inferiores de um
compartimento (decantador). Esse fenômeno se fundamenta no fato de que os
flocos, por serem mais densos que a água, “afundam” pela ação gravitacional.

Na etapa de filtração, a água é separada das impurezas de menor


tamanho que não foram retidas na etapa de decantação, permanecendo em
suspensão. Hidraulicamente, faz-se a água transpassar uma camada filtrante
constituída por um leito de areia sustentado por cascalhos, fazendo com que
impurezas suspensas (principalmente bactérias) fiquem retidas e a água na
saída do filtro seja límpida. Os filtros podem ser classificados, mediante seus
sentidos de fluxo, em ascendentes (água entra pela parte inferior e sai pela
superior) ou descentes (água entra na parte superior e sai na parte inferior).
16

A desinfecção é feita na água saída dos filtros, aplicando cloro livre


gasoso numa quantidade suficiente para eliminar agentes patogênicos e manter
o efeito desinfetante ao longo da rede de distribuição (cloro residual), garantindo
água de qualidade nas torneiras das residências e indústrias. A depender da
ETA, podem ser realizadas também as operações de fluoração ou correção de
pH, de acordo com a necessidade.

2.3 ÍNDICE DE QUALIDADE DA ÁGUA (IQA)

A água é o solvente universal, e como tal, não se apresenta no ambiente


em sua forma pura, apresentando entre as suas moléculas impurezas dos mais
diversos tipos: matéria orgânica, sais, micro-organismos e metais (VON
SPERLING, 2014). Os indicadores da qualidade da água (conhecidos também
por parâmetros de qualidade da água) se baseiam justamente na quantidade
destas impurezas dissolvidas, sendo estas, portanto, indiretamente
responsáveis pela sua classificação de acordo com a nobreza de seu uso
(OLIVEIRA, 2017; JORDÃO E PESSOA, 2011).

Embora o monitoramento regular da qualidade das águas tenha grande


relevância para a saúde pública, em contrapartida, a demanda por tempo,
excesso de possíveis parâmetros, falhas nos testes e até mesmo o custo podem
ser fatores limitantes para a avaliação desse recurso, especialmente no tocante
a países emergentes (GOHER et al., 2014; SRIVASTAVA; KUMAR, 2013).
Diante deste cenário, tais países tomam como base técnicas/índices de
avaliação já consolidados, adequando seus parâmetros às características das
águas locais.

Desde a década de 40, diversos pesquisadores ao redor do mundo vêm


desenvolvendo novas fórmulas para avaliar a qualidade da água através da
compilação de diversos resultados de análises de parâmetros em um único
número, de forma que seja representativo para a água que se deseja classificar,
refletindo a realidade de maneira verossímil: os chamados “índices de qualidade
da água”. O índice mais difundido e amplamente utilizado foi o desenvolvido por
Brown et al. (1970) para a National Sanitation Foundation (NSF), dos Estados
17

Unidos, que se baseia no produtório ponderado de nove parâmetros de


qualidade da água: oxigênio dissolvido (OD), coliformes fecais, pH, demanda
bioquímica de oxigênio (DBO), mudança de temperatura, fosfato, nitrato,
turbidez e sólidos totais. Este índice é bastante utilizado no Brasil e conhecido
como IQA-NSF, cuja fórmula original está representada pela Equação 1,

9
 qiw i
(1)
i1

Onde ‘q’ representa o valor da qualidade de um determinado parâmetro,


sendo um número compreendido entre 0 e 100, obtido a partir de “curvas médias
de variação da qualidade” e ‘w’ representa o “peso” de tal parâmetro (mostrado
na Tabela 1).

Tabela 1 – Pesos para cálculo do IQA-NSF.


Parâmetros Pesos (w)
Oxigênio dissolvido 0,17
Coliformes fecais 0,16
pH 0,11
DBO 0,11
Mudança de temperatura 0,10
Fosfato 0,10
Nitrato 0,10
Turbidez 0,08
Sólidos totais 0,07
Fonte: SILVEIRA, 2017.

O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), bem como a Companhia


Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) realizaram algumas modificações
na formulação, de acordo com seus padrões locais e características peculiares
de suas águas, de forma a melhor representar, de maneira geral, a qualidade
destas. Isto ocorre pelo fato de que, apesar do IQA-NSF apresentar vantagens,
há limitações para seu uso dependendo da localidade de onde se aplica tal
índice. Desta forma, pesquisadores de localidades diversas resolvem
18

desenvolver suas próprias fórmulas de índice de qualidade da água, como por


exemplo o Distrito Federal e Pernambuco (CPRH, 2018).

No caso de Pernambuco, a COMPESA utiliza índices distintos para a água


captada, produzida (tratada) e distribuída. O Índice de Qualidade da Água
Distribuída (IQAD), relevante para o presente relatório, aborda cinco parâmetros
da qualidade: cor, turbidez, coliformes totais, Escherichia coli e cloro residual.
Cada um destes parâmetros tem seu limite de tolerância segundo o preconizado
pelo Anexo XX da Portaria de Consolidação número 5 do Ministério da Saúde
(BRASIL, 2017), e o cálculo do índice consiste em uma média ponderada
modificada da quantidade relativa de amostras dentro destes limites para cada
tipo de análise realizada. Diz-se “modificada” por haver um fator extra, além dos
mencionados anteriormente: um parâmetro que engloba a eficiência na
realização das análises, isto é, resultante da razão entre a quantidade total de
amostras efetivamente analisadas e a quantidade de amostras previstas para
análise. A Equação 2 indica a fórmula do IQAD utilizada na COMPESA:

6
 (pi  w i ) (2)
i1

Onde:
 O termo ‘pi’ indica uma percentagem, referente à quantidade
relativa de amostras dentro dos padrões para uma certa análise
(i<6) ou referente à quantidade relativa de amostras com análises
realizadas em relação ao total previsto para o mês (i=6);
 O termo ‘wi’ indica o peso de cada fator considerado;
 Conforme a legislação vigente, os valores máximos considerados
“dentro dos padrões” para as análises mensais da água distribuída
são: 15 uH (unidades Hazen) para análise de cor; 5 uT (unidades
de turbidez) para análise de turbidez; 0,2 mg/L para análise de cloro
residual; ausência em 100 mL de água para análise de E. coli;
ausência em 100 mL de água para análise de coliformes totais, em
municípios com menos de 20 mil habitantes e ausência de
19

coliformes totais em 100 mL de água em 95% das amostras


coletadas, no caso de municípios com mais de 20 mil habitantes;
 O valor final do IQAD é um número compreendido entre 0 e 100.

3 ATIVIDADES REALIZADAS NO ESTÁGIO

Ao longo do período de estágio, foram realizadas tarefas típicas do setor,


de cunho laboratorial, de campo ou administrativa, bem como atividades volitivas
de iniciativa do próprio estagiário:

 Testes de Jarro (Jar Test) – Atividade realizada em equipamento


específico, com a finalidade de observar condições ótimas de
coagulação/floculação a partir da definição de parâmetros ótimos
como concentração de coagulante, tempo de mistura rápida e
gradiente de velocidade;

 Análise granulométrica de leitos filtrantes – Realizada em um


peneirador, com o intuito de fazer a avaliação da qualidade do leito
a partir de parâmetros como diâmetro equivalente e coeficiente de
desuniformidade das partículas de areia/antracito constituintes;

 Testes de Cor, Turbidez e de teor de Ferro, Cloro, Magnésio e


Alumínio – Com a finalidade de verificar a qualidade da água na
saída dos filtros, comparando com os limites preconizados pela
legislação vigente;

 Visitas a Estações de Tratamento de Água – Visitas de cunho


avaliativo, a fim de verificar possíveis não-conformidades na
infraestrutura, processo, segurança ou administração das ETA’s da
Região Metropolitana do Recife;

 Avaliação de boas práticas nas ETA’s – A partir das observações


realizadas nas visitas, tem a finalidade de atribuir avaliações com
conceitos numéricos aos aspectos avaliados, atribuindo média
geral e selos simbólicos de qualidade às estações;
20

 Elaboração de instruções de trabalho (ITR’s) atualizadas, contendo


metodologia das análises rotineiras de laboratório;

 Aprimoramento e alteração de planilhas eletrônicas para


tratamento de dados de qualidade a partir da implementação de
recursos sofisticados como Macros, filtros e fórmulas avançadas,
de modo a tornar mais intuitiva a interação/aprendizagem do
estagiário com suas atividades computacionais na empresa;

 Compilação e tratamento de dados mensais de parâmetros da


qualidade da água produzida/distribuída e esgoto tratado – Esta
atividade é a mais importante para o estagiário, tendo em vista que
é atribuída unicamente a ele, além de ser constante e cíclica, pois
a cada mês chegam novos dados. Consiste em reunir todos os
dados recebidos de cada gerência administrativa de Pernambuco
numa única planilha eletrônica, realizar a organização e tratamento
das informações e apresenta-las à Coordenação do setor de forma
gráfica comparativa, entre gerências e entre os meses e anos
antecedentes.

A última atividade citada foi objeto de estudo de caso no presente


relatório, tendo em vista que foram observadas diversas limitações por parte da
técnica empregada na realização desta, impactando de forma negativa na
qualidade e confiabilidade dos resultados, bem como na disponibilidade dos
estagiários em atividades mais enriquecedoras para suas formações como
engenheiros. Desta maneira, vislumbrou-se, portanto, a possibilidade da
implementação de um projeto inovador de impacto positivo nesta atividade,
atuando diretamente na ferramenta de execução das compilações, tratamentos
e formatações gráficas: o editor de planilhas eletrônicas Microsoft Excel.
21

3.1 ESTUDO DE CASO

O desenvolvimento do estudo foi direcionado à planilha eletrônica


denominada “Análise Crítica da Qualidade por Parâmetro” (que por vezes será
referida como “planilha de análise crítica” neste relatório), atualizada
mensalmente e contendo, dentre outros, dados de índices da qualidade da água
produzida e distribuída (IQAP e IQAD) nas ETA’s, poços e redes de distribuição
em Pernambuco. Em virtude da duração curta do contrato de estágio e das
demais atividades a serem realizadas concomitantemente ao longo do período,
o foco das análises e o alvo do projeto foi unicamente a pasta de trabalho
referente ao IQAD, por ser a maior e mais relevante em termos de dados gráficos
a serem extraídos. As Figuras 3 e 4 ilustram a pasta de trabalho estudada no
relatório.

Figura 3 – Exemplificação de parte de uma planilha de IQAD. Nomes de


localidades e dados numéricos não condizentes com a realidade.
Fonte: O autor.
22

Figura 4 – Exemplificação de parte de uma planilha de IQAD. Nomes de localidades e


dados numéricos não condizentes com a realidade.
Fonte: O autor.

A pasta de trabalho “IQAD” possui 27 colunas e cerca de 321 linhas. Trata-


se, portanto, de mais de 8600 de células de dados analisáveis, demandando
grande atenção e paciência do estagiário. As informações contidas nas colunas
são relativas a:

 Números de amostras previstas para a análise e efetivamente


analisadas, nos testes de cor, turbidez, coliformes (totais e E.coli)
e cloro residual;

 Números de amostras que atenderam aos padrões do Ministério da


Saúde;

 Percentuais de amostras com análise realizada e com resultados


dentro dos padrões;

 Número de amostras com presença de coliformes (totais e E.coli);

 Percentual de amostras com presença de coliformes (totais e


E.coli);

 Portaria em relação à presença de E. coli.: Apresentando números


de amostras com presença inaceitável deste coliforme. Vale
ressaltar que se emprega aqui o termo “inaceitável” devido ao
Anexo XX da Portaria de Consolidação nº 5 do Ministério da Saúde
23

tolerar que 1 amostra, no caso de localidades com menos de 20 mil


habitantes, e que 5% do total de amostras, no caso de localidades
com mais de 20 mil habitantes, estejam contaminadas com E. coli.

A atividade relacionada a atualização da planilha de análise crítica


consiste em:

 Até o dia 10 de cada mês, receber de cada gerência administrativa,


via e-mail, os dados em planilhas eletrônicas referentes às análises
dos parâmetros integrantes do IQAP e IQAD;

 Reunir todos esses arquivos em uma única pasta e em seguida


alimentar a planilha de análise crítica com os dados contidos nas
planilhas de cada gerência, atualizando-a com as informações mais
recentes;

 Verificar, em cada uma das mais de 300 localidades, se há algum


caso de número de amostras analisadas maior que número de
amostras previsto para cada análise (caso que caracteriza erro por
parte da gerência que enviou a planilha);

 Aplicar os “descontos” no número de ocorrências de E. coli em


cada localidade a partir dos limites preconizados pelo Ministério da
Saúde, subtraindo 5% da quantidade de amostras analisadas do
número de presenças de E. coli, no caso de localidades com mais
de 40 amostras analisadas (mais de 20 mil habitantes) e subtraindo
1 amostra contendo o coliforme, no caso de localidades com menos
de 40 amostras analisadas (menos de 20 mil habitantes);

 No caso de surgimento/subtração de localidade, tais alterações são


feitas manualmente, adicionando/excluindo linhas na planilha.

Foi observado de imediato no primeiro dia de estágio, a partir das


instruções recebidas, que a incumbência do estagiário de atualizar a planilha de
análise crítica pode se tornar algo maçante, tendo em vista a quantidade de
dados a serem analisados e copiados das planilhas de origem. Além disso, trata-
24

se de uma atividade repleta de procedimentos repetitivos, que por ser longa,


compromete a qualidade e confiabilidade dos dados finais: pequenos descuidos
relativos a números ou cálculos que passam despercebidos podem ser
frequentes, embora perfeitamente justificáveis; afinal, a capacidade de
percepção de erros a partir da observação atenta diante de milhares de células
numeradas pode se reduzir ao longo da execução da atividade, em virtude da
fatiga visual.

O tempo demandado na execução da atividade compromete também a


disponibilidade do estagiário para outras atividades mais relevantes para sua
formação, que podem ser de grande valia para o conhecimento e vivência
profissional na área.

A solução encontrada para esses problemas foi utilizar os conhecimentos


adquiridos na disciplina de “Computação na Engenharia Química” e num curso
de “Excel Avançado Online” para a implementação de sub-rotinas programadas
na linguagem Visual Basic For Applications dentro das próprias planilhas de
interesse. O projeto foi denominado “Estagiário Eletrônico”, e teve como objetivo
desenvolver um arquivo habilitado para Macros do Excel capaz de realizar todas
as atividades relacionadas aos dados de IQAD para a planilha de análise crítica:
importação, organização e tratamento dos dados. Programas computacionais
realizam operações repetitivas e lógicas em intervalos de tempo muito menores
que os seres humanos, além de serem menos passíveis de erros, garantindo,
desta maneira, maior confiabilidade e eficiência para atingir os resultados.

3.2 ANÁLISE DA PLANILHA E CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Foram observadas características-padrão na planilha eletrônica analisada


ao longo dos meses no estágio, relevantes para direcionar o desenvolvimento
do código-fonte das Macros:

 No fim de cada sequência de localidades de uma determinada


gerência administrativa da COMPESA, há uma linha colorida
indicando o seu respectivo nome e somatórios dos valores de todos
os parâmetros analisados;
25

 A ordem em que as gerências administrativas são apresentadas


nunca muda, assim como a ordem das localidades em cada
gerência;

 Algumas localidades não possuem nenhum dado coletado, seja por


falta de equipamentos na gerência ou por qualquer outro problema
interno. Nesses casos, as suas células na planilha encontram-se
preenchidas na cor amarela, para facilitar a identificação;

 Em alguns casos, a quantidade de localidades pode aumentar ou


diminuir em um certo mês, pois algum ponto de coleta em rede de
distribuição pode ser inativado, bem como ser ativado/reativado;

 Ao fim dos dados por localidade e por gerência, há 3 linhas finais


de somatórios: A primeira leva em conta a COMPESA como um
todo e é homônima à empresa; a segunda considera apenas as
somas das GNM’s (localidades da região metropolitana) e é
intitulada “DRM”; a terceira abrange as GNR’s (localidades do
interior do estado) e é intitulada “DRI”, como ilustrado na Figura 5.

Figura 5 – Parte final da planilha IQAD, contendo as linhas com


os somatórios referentes aos resultados das
análises na COMPESA como um todo, na Região
Metropolitana (DRM) e no interior do estado (DRI).
Localidades e valores numéricos não condizentes
com a realidade.
Fonte: O autor.
26

Por conta da possível variação na quantidade de localidades mês a mês,


a nova planilha adotada para a execução do projeto não poderia apresentar os
nomes de todas as localidades já fixados, nem as linhas coloridas de somatório.
Foi pensado, então, que inicialmente ela conteria apenas os títulos das colunas,
como exemplificado na Figura 6.

Figura 6 – Aparência inicial de parte da nova planilha de IQAD proposta.


Fonte: O autor.

A característica de ordenamentos fixos para localidades e gerências


serviu para a determinação de critérios de início e parada para o programa
computacional no preenchimento automático. As informações de cada gerência
vêm em arquivos individuais (planilhas de origem, enviadas pelas gerências)
contendo apenas dados pertinentes às suas localidades; portanto, as Macros
deveriam ser programadas para detectarem o momento correto de parar de
copiar os dados de uma planilha e realizar a preparação para copiar os próximos.

Decidiu-se que a execução da atividade não seria totalmente


automatizada: a seleção das planilhas para cada gerência seria feita pelo
estagiário, pois os nomes dos arquivos recebidos das gerências não continham
a padronização necessária para criação de um código-fonte de execução
totalmente independente. Mesmo se o próprio estagiário padronizasse os
nomes, a característica de alta rotatividade de estagiários da COMPESA poderia
contribuir para que algum novo estudante não renomeasse de maneira correta,
prejudicando a execução das Macros.
27

A rotina computacional inicialmente copiaria quase todas as informações


das planilhas de origem para a planilha de destino (chamada de planilha de
análise crítica, aba do IQAD), sem copiar, no entanto, os somatórios, tendo em
vista que, em alguns casos, dados complementares de uma gerência se
encontram no arquivo de outra gerência. Como exemplo se tem o caso da GNM
OESTE, cujas localidades de Bonança, Jangadinha e Moreno encontram-se
sempre no arquivo referente às GNM’s CENTRO e LESTE. Desta maneira, seria
necessário, portanto, copiar os dados desses locais para as linhas da GNM
OESTE, de forma a completar todas as informações desta gerência, e só então
realizar os seus somatórios.

Considerou-se que a interface usuário-máquina se daria a partir de um


Formulário da Microsoft Excel, que consistiria de uma janela contendo botões e
caixas de diálogo com apresentação autoexplicativa de suas funções, para que
fosse de fácil operação. Os botões teriam as funções de preencher dados das
gerências, realizar os ajustes finais de somatórios e portaria de E. coli, identificar
erros na contagem de amostras, calcular percentuais, identificar localidades sem
coleta de dados e por fim limpar a planilha para atualizá-la com dados do mês
subsequente.

3.3 LÓGICA DE FUNCIONAMENTO DO “ESTAGIÁRIO ELETRÔNICO”

A pasta de trabalho “Análise Crítica da Qualidade por Parâmetro” passou


a ser o que o Windows denomina como “habilitada para Macros do Excel”. Desta
maneira, o arquivo foi capaz de executar o formulário com as sub-rotinas do
Estagiário Eletrônico. O formulário foi programado para ser exibido quando o
usuário digitasse a combinação de teclas “Ctrl + E” (mnemônico sugestivo para
indicar o controle por parte do Estagiário Eletrônico).

Ao clicar em um botão de preenchimento, uma caixa de diálogo do tipo


“Abrir Arquivo” surge, para que o usuário localize e selecione a planilha da
gerência desejada, cujos dados sejam devidamente importados. Essa operação
se repete para todas as vinte e uma gerências da COMPESA. Uma vez que o
usuário clica no botão relativo à gerência desejada, o Estagiário Eletrônico
28

reconhece os critérios de localização, início e término dos dados relevantes a


serem copiados, afinal, a ordenação das gerências é fixa e assim descrita (e
deve ser seguida pelo usuário nas seleções para os preenchimentos): GNM
CENTRO NORTE; GNM NORTE; GNM SUL; GNM CENTRO; GNM LESTE;
GNM OESTE; FERNANDO DE NORONHA; GNR MATA NORTE; GNR MATA
SUL; GNR AGRESTE CENTRAL; GNR ALTO CAPIBARIBE; GNR UNA; GNR
RUSSAS; GNR AGRESTE MERIDIONAL; GNR IPOJUCA; GNR ALTO PAJEÚ;
GNR MOXOTÓ; GNR PAJEÚ; GNR ARARIPE; GNR SÃO FRANCISCO e GNR
SERTÃO CENTRAL.

Então, quando o usuário seleciona o botão “GNR AGRESTE CENTRAL”,


por exemplo, o software interpreta que os dados relevantes a serem copiados da
planilha de origem estarão sempre contidos entre as linhas coloridas que indicam
os somatórios da GNR MATA SUL e da GNR AGRESTE CENTRAL, conforme a
Figura 7. Vale ressaltar que as linhas de somatórios se encontram ao final das
localidades que a integram, e não antes destas.

Figura 7 – Exemplificação de parte dos dados da planilha de origem que serão


copiados (indicados em destaque pela tonalidade amarelada)
quando o usuário solicita o preenchimento da GNR AGRESTE
CENTRAL. Localidades e dados numéricos não condizentes com a
realidade.
Fonte: O autor.

Desta maneira, ao selecionar e abrir um arquivo de origem, o Estagiário


Eletrônico faz inicialmente a busca pela gerência antecessora à gerência
desejada pelo usuário: este é o critério de início para as cópias, como ilustrado
na Figura anterior. Após encontrá-la, a Macro copia todos os dados das 27
29

colunas contidas em cada localidade, até atingir o critério de parada (a linha


colorida da gerência subsequente) e os cola na planilha de destino (a planilha
IQAD de análise crítica). A linha colorida do critério de parada não é copiada,
porém, na planilha de destino, é feita uma linha semelhante com o nome da
gerência e sem nenhum dado numérico, como ilustrado pela Figura 8.

Figura 8 – Dados da GNR AGRESTE CENTRAL colados na planilha de destino.


Observa-se que ainda não há somatórios nesta planilha, a serem
posteriormente realizados. Localidades e dados numéricos não
condizentes com a realidade.
Fonte: O autor.

Ao término do preenchimento, o arquivo de origem é automaticamente


fechado, e uma caixa de mensagem indica ao usuário que os dados foram
copiados com êxito. A Figura 9 mostra o fluxograma simplificado da metodologia
da Macro.
30

PROCURE O
SELEÇÃO DA DEFINA CRITÉRIOS ABRA A PLANILHA CRITÉRIO
GERÊNCIA INÍCIO/TÉRMINO DE ORIGEM DE INÍCIO

NÃO

PROCURE O CRITÉRIO ARMAZENE O SIM ENCONTROU


DE TÉRMINO ENDEREÇO DA CRITÉRIO DE
LINHA DE INÍCIO INÍCIO?

NÃO

COPIE OS DADOS
ENCONTROU SIM ARMAZENE O COMPREENDIDOS
CRITÉRIO DE ENDEREÇO DA ENTRE AS LINHAS
TÉRMINO? LINHA DE TÉRMINO DE INÍCIO E
TÉRMINO

COLE OS ATIVE A PLANILHA


TORNE A LINHA SEGUINTE DADOS NA DE DESTINO E
COLORIDA E COM O NOME LINHA PROCURE A ÚLTIMA
DA GERÊNCIA SELECIONADA SEGUINTE LINHA COM DADOS

ATIVE A PLANILHA DE
ORIGEM E FECHE-A FIM

Figura 9 – Fluxograma simplificado da Macro utilizada para importação dos dados das
planilhas de origem.
Fonte: O autor.

Após a cópia de todos os dados, o Estagiário Eletrônico, mediante


acionamento por botão, realiza “ajustes finais” na planilha IQAD. Tais ajustes
consistem em comparar os números de análises previstas com as análises
realizadas (corrigindo casos onde houver mais análises feitas do que previstas),
preencher a coluna referente à “Portaria de E. coli”, realizar os somatórios, colorir
de amarelo as localidades sem dados coletados e preencher as fórmulas de
cálculos de porcentagens, bem como dos índices de qualidade da água
distribuída de cada localidade. Apesar de todos estes procedimentos estarem
contidos em um único botão, os desenvolvimentos das sub-rotinas foram
individuais, e todas elas têm como base um laço (estrutura de repetição) que
“percorre” a planilha de destino do começo ao fim, fazendo os devidos ajustes
31

linha a linha. Partes dos códigos-fonte em VBA mais relevantes encontram-se


nos Apêndices deste relatório.

O ajuste final denominado “Previsto x Realizado” percorre a planilha


verificando, para cada localidade, se a quantidade de análises realizadas é maior
que a quantidade de análises previstas. Em caso positivo, a Macro modifica o
valor contido na célula de análise prevista, imputando o mesmo valor da
respectiva célula de análise realizada. A verificação atua nas análises de cor,
turbidez, coliformes e cloro residual. A Figura 10 ilustra um fluxograma da sub-
rotina.

INÍCIO

SIM
PRÓXIMA CHEGOU AO FIM
LINHA DA PLANILHA? FIM

NÃO

REALIZADO SIM PREVISTO


VÁ PARA
ANÁLISE DE COR MAIOR QUE =
PREVISTO? REALIZADO

NÃO

SIM VÁ PARA
PREVISTO REALIZADO
= MAIOR QUE ANÁLISE DE
PREVISTO? TURBIDEZ
REALIZADO

NÃO

VÁ PARA REALIZADO SIM PREVISTO


ANÁLISE DE MAIOR QUE =
COLIFORMES PREVISTO? REALIZADO

NÃO

SIM
PREVISTO REALIZADO VÁ PARA ANÁLISE
= MAIOR QUE DE CLORO
REALIZADO PREVISTO? RESIDUAL

NÃO

Figura 10 – Fluxograma da sub-rotina “Previsto x Realizado”.


Fonte: O autor.
32

O preenchimento da coluna “Portaria de E. coli” segue a mesma lógica


utilizada quando preenchido manualmente, tomando como base os limites de
tolerância indicados pelo Ministério da Saúde. Tem-se, portanto, o seguinte
procedimento, representado na Figura 11 como fluxograma:

INÍCIO

SIM
PRÓXIMA CHEGOU AO FIM
DA PLANILHA? FIM
LINHA

NÃO

SIM
PORTARIA = 0 E. COLI = 0?

SIM NÃO

NÃO
PORTARIA < 0?

SIM
PORTARIA
= N > 40?
E. COLI – 0,05 N
(ARREDONDA)
NÃO

PORTARIA
=
E. COLI - 1

Figura 11 – Fluxograma da sub-rotina de preenchimento da coluna


“Portaria de E. coli”. A variável “PORTARIA” se refere ao valor
a ser colocado na coluna em questão, enquanto “N” e “E. COLI”
se referem, respectivamente, ao número de amostras
analisadas e à quantidade de amostras contaminadas com E.
coli.
Fonte: O autor.

A sub-rotina para realização dos somatórios para as localidades de cada


gerência usou a coloração das células como critério de início/término dos
intervalos de dados a serem copiados, tendo em vista que todas as localidades
possuem suas células “descoloridas” (que embora visualmente semelhantes,
diferem logicamente de células coloridas na cor branca). As gerências
administrativas, no entanto, bem como as linhas “COMPESA”, “DRM” e “DRI”
33

têm suas linhas coloridas. A Figura 12 representa o fluxograma dos


procedimentos de execução da atividade.

INÍCIO

NÃO

ARMAZENE O LINHA É
PRÓXIMA
ENDEREÇO DA COLORIDA?
LINHA
LINHA DE INÍCIO

SIM

SOME OS VALORES DA PARA CADA ARMAZENE O ENDEREÇO


LINHA DE INÍCIO A LINHA COLUNA DA LINHA ANTERIOR
DE TÉRMINO NUMÉRICA, FAÇA: (LINHA DE TÉRMINO)

COLE OS SIM
DADOS NA PRÓXIMA LINHA É A DA
COMPESA? FIM
CÉLULA LINHA
COLORIDA

NÃO

NÃO
É FERNANDO
DE NORONHA?

SIM
PRÓXIMA
LINHA

Figura 12 – Fluxograma da sub-rotina de realização e preenchimento dos somatórios


das gerências.
Fonte: O autor.

A ilha de Fernando de Noronha é uma gerência administrativa contendo


apenas ela mesma como localidade. Portanto, não há valores para somar, e o
resultado final é aquele anteriormente obtido na cópia dos dados, ocasionando,
desta maneira, a instrução de ignorar a localidade na sub-rotina de somatórios.

Após a execução das instruções até o momento citadas, a planilha IQAD


estará praticamente preenchida ou atualizada em sua totalidade, restando
apenas as colunas referentes ao IQAD e às percentagens (“% amostras com
presença de E. coli” e colunas do tipo “% realizado” e “% dentro dos padrões”).
Para realizar o preenchimento/atualização destas colunas, as fórmulas para
cálculo do IQAD e das percentagens foram fixadas na linha 5 da planilha (onde
34

não há nenhuma localidade), e a sub-rotina foi programada para realizar o


autopreenchimento das demais linhas, respeitando estes cálculos fixos.

Próximo ao término da realização do projeto, no mês de setembro, foi


observado que, naquele mês, haviam algumas localidades com números de
amostras dentro dos padrões maiores que seus respectivos números de análises
realizadas. A coordenação informou que, nessa ocasião, o procedimento
recomendado ao estagiário é avisar a algum superior, para que este contate a
gerência e requeira explicação para o ocorrido. Desta maneira, decidiu-se
implementar um complemento ao código-fonte do software, similar à sub-rotina
“Previsto x Realizado”, capaz de percorrer todos os dados e realizar a
verificação, bem como a posterior notificação ao usuário - com o nome da
localidade e a respectiva análise - da ocorrência anteriormente descrita.

O último procedimento realizado pelo Estagiário Eletrônico após o fim do


preenchimento/atualização da planilha IQAD é destacar as localidades que não
apresentaram resultados de análise, modificando a cor das suas linhas para
amarelo, sendo assim identificadas e contabilizadas posteriormente. A mesma
planilha pode ser utilizada para os meses subsequentes, bastando apenas
apertar o botão “Limpar Tudo”, responsável por apagar todos os dados
numéricos e descolorir todas as células.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

O software foi executado com todas as funcionalidades integradas e


alimentado por todas as gerências administrativas após 4 meses de pesquisas,
testes e reformulações de código.

A Figura 13 mostra a interface do software, na configuração de formulário


da Microsoft Excel.
35

Figura 13 – Formulário do Estagiário Eletrônico.

Observa-se botões individuais numerados para a importação dos dados


de cada gerência administrativa, a fim de que o usuário siga a ordenação padrão.
Os botões de “Ajustes Finais” e de “Limpar Tudo” são destacados, e há uma
caixa de texto denominada “Último Registro”, com a função de indicar ao usuário
qual foi o último botão apertado, para que ele não se confunda ao longo da
operação de preenchimento da planilha.

A Figura 14 mostra a caixa de diálogo para abrir o arquivo da gerência


desejada, e as Figuras 15 a 18 ilustram algumas das caixas de mensagem
exibidas ao usuário durante a execução do Estagiário Eletrônico.
36

Figura 14 – Caixa de diálogo para seleção do arquivo que contém os dados a serem
importados.

Figura 15 – Caixa de mensagem ao usuário indicando êxito


na importação de dados de uma planilha de
origem (indicada em segundo plano).
37

Figura 16 – Caixa de mensagem ao usuário indicando a seleção de outro arquivo


para complementar o preenchimento da GNM OESTE.

Figura 17 – Caixa de mensagem ao usuário indicando o término dos ajustes


finais.

Figura 18 – Caixa de mensagem ao usuário indicando a ocorrência de


quantidade de amostras dentro dos padrões maior que a
quantidade de análises realizadas numa localidade fictícia.
38

Em relação ao tempo total de execução de todas as operações propostas


pelo algoritmo, em confronto com o tempo gasto no método de preenchimento
tradicional, a Tabela 2 mostra uma comparação, utilizando o tempo médio para
realização da atividade dos dois estagiários da CTR-GQL juntamente com o
tempo médio do Estagiário Eletrônico, executado em um computador de médio
desempenho (processador Intel® Core Celeron, 4GB de memória RAM).

Tabela 2 – Estudo comparativo do tempo médio (em minutos) utilizado


pelos estagiários CTR-GQL em confronto com o utilizado
pelo Estagiário Eletrônico, no preenchimento da planilha
de IQAD.
Operador Tempo de execução da atividade

Estagiário 1 104 minutos

Estagiário 2 95 minutos

Estagiário Eletrônico 5 minutos

Nota-se expressiva diferença no tempo necessário para execução da


atividade: o Estagiário Eletrônico permitiu otimizar em 95% o procedimento, sem
nenhum erro de cálculo, como se poderia esperar. Foi observado que os
preenchimentos efetuados pelos estagiários continham erros pontuais,
especialmente no que se refere ao cálculo da “Portaria de E. coli”. Além disso,
nem sempre foi possível perceber os equívocos das gerências administrativas
no preenchimento das colunas de análises previstas/realizadas/dentro dos
padrões, tendo em vista o desconforto visual ocasionado pelo excesso de células
numeradas, que porventura pode vir a obstaculizar o eficaz cumprimento da
incumbência.

Uma vez aplicado efetivamente, o software já permitiu maior inserção dos


estagiários em outras atividades do setor, de cunho mais “prático”. No primeiro
mês de inserção combinada do Estagiário Eletrônico com as “facilidades
avançadas do Excel” (elaboração de Macros menores, fórmulas novas e
referências) implementadas nas demais planilhas, o coordenador da CTR-GQL
convocou reunião para promover o estímulo à inclusão mais direta dos
estagiários, por parte dos servidores do setor, em suas atividades rotineiras
39

(estudos/elaboração de manuais de operação, relatórios de viabilidade, dentre


outras), tendo em vista que a partir daquele mês os graduandos disporiam de
mais tempo para se dedicarem a novos aprendizados. Muitas das tarefas que
antes tomavam horas diárias ao longo do mês passaram a durar poucos minutos
(ou até cerca de 10 segundos, como o preenchimento automático via Macro de
uma planilha destinada mensalmente a Agência de Regulação de Pernambuco
– ARPE).

5 CONCLUSÕES

A partir da análise dos resultados obtidos na execução do presente


trabalho, pode se concluir que houve êxito na execução de todas as atividades
concernentes às atribuições de um estagiário CTR-GQL, contribuindo bastante
para o desenvolvimento de aptidões que um engenheiro e/ou um químico
usualmente necessitam para galgar sua trajetória profissional.

No tocante ao planejamento, testes e execução do projeto do Estagiário


Eletrônico, também houve êxito na realização de cada etapa, e o programa
apresentou comportamento e desempenho dentro do esperado: houve redução
significativa no tempo de execução da atividade de preenchimento da planilha
IQAD (cerca de 95%, sem erros de cálculo), que, juntamente com outras
intervenções de otimização nas demais planilhas eletrônicas complementares de
tratamento dos dados, permitiram ao estagiário confiabilidade, agilidade e
eficiência na entrega de seus resultados para a Coordenação.

O projeto apresenta diversos pontos que poderiam ser aprimorados


computacionalmente; porém, em virtude de limitações teóricas em programação
na linguagem VBA por parte do estagiário, bem como da duração do contrato
com a empresa, não houve disponibilidade para realização das revisões
pertinentes. Apesar disso, o projeto encontra-se com a codificação aberta na
CTR-GQL, sendo possível sua alteração e leitura por qualquer pessoa, tendo em
vista que todo o código-fonte se encontra comentado em português, indicando a
função dos comandos nele escritos, conforme demonstrado nos Apêndices
40

REFERÊNCIAS

ARANHA, E., ROYER, L. Plano Nacional de Saneamento. Disponível em: <


http://www.correiocidadania.com.br/antigo/ed354/politica3.htm>. Acesso em: 16,
nov. 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº05, anexo XX,


setembro de 2017. Dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da
qualidade de água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, 2017.
Disponível em: <http://bvsmssaude.gov.br/bvs//gm/2017/prc0005_03_10_2017.
html>. Acesso em: 30, nov. 2018.

BROWN, R. M., MCCLELLAND, N. I., DEININGER, R. A., TOZER, R. G. A water


quality index - Do we dare? WATER & SEWAGE WORKS, v. 117, n. 10, p. 339–
343, 1970.

COMPESA. Apostila de tratamento de água. 1. Ed. Recife: Gerência de


Qualidade, 2017.

COMPESA. COMPESA anuncia mudanças no contrato da PPP do


Saneamento da Região Metropolitana do Recife. Disponível em:<
https://servicos.compesa.com.br/compesa-anuncia-mudancas-no-contrato-da-
ppp-do-saneamento-da-regiao-metropolitana-do-recife/>. Acesso em: 15, nov.
2018.

COMPESA. Conheça sua empresa. Apresentação de slides para treinamento


de estagiários. Recife, 1, abr., 2018.

COMPESA. História e Perfil. Disponível em: < https://servicos.compesa.


com.br/historia-e-perfil/ >. Acesso em: 15, nov. 2018.

CPRH – Agência Estadual de Meio Ambiente. Seleção de índices e


indicadores de qualidade da água. Disponível em:<http://www.cprh.pe.gov.br/
downloads/pnma2/qualidadeagua/ selecaoIndiceIndicadores.pdf>. Acesso em:
30 nov. 2018.

GOHER, M. E. et al. Evaluation of surface water quality and heavy metal indices
of Ismailia Canal, Nile River, Egypt. The Egyptian Journal of Aquatic
Research, v.40, n. 3, p. 225–233, 2014.
41

JORDÃO, E. P.; PESSÔA, C. A. Tratamento de esgotos domésticos. 6. ed.


Rio de Janeiro: ABES, 2011.

OLIVEIRA, A. R. M. Desenvolvimento de índices de qualidade da água com


número reduzido de parâmetros. Tese de Doutorado. Universidade Federal de
Viçosa, Viçosa, 2017.

SRIVASTAVA, G.; KUMAR, P. Water quality index with missing parameters.


International Journal of research in Engineering and Technology, v. 2, n. 4,
p. 609–614, 2013.

VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de


esgotos. 4. Ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014.
42

APÊNDICES
43

APÊNDICE A – PARTE DE CÓDIGO-FONTE GENÉRICO PARA


PREENCHIMENTO DE GERÊNCIA ADMINISTRATIVA FICTÍCIA:
“GERÊNCIA B”

Private Sub Bt_GERENCIA_B_Click() ‘Rotina ativada ao clicar no botão da “Gerência B”

Dim wsOrigem As Worksheet ‘Declara planilha de origem (enviada pela Gerencia B)

Dim wsDestino As Worksheet ‘Declara planilha de destino (Planilha de Análise Crítica)

Dim NOME As String ‘Declara nome do arquivo

Set wsDestino = ThisWorkbook.Sheets("IQAD")

NOME = AbrirArquivo() 'Abrir arquivo pela caixa de diálogo (a função “AbrirArquivo” foi
retirada pronta da Internet e adaptada para o presente trabalho)

Workbooks.Open (NOME), UpdateLinks:=0

Set wsOrigem = ActiveWorkbook.Sheets("IQAD")

With wsOrigem ‘Com a planilha de origem, serão feitos os seguintes procedimentos:

Dim linha2 As Integer ‘criar variável para se referir às linhas da planilha origem

Dim x, y As String ‘criar variáveis para guardar os endereços de início e fim

linha2 = 5

linha = linha + 1 ‘linhas que se referem à planilha destino

Do While wsOrigem.Cells(linha2, 1) <> "GERENCIA A" ‘critério de início

'Pula dados da “GERÊNCIA A” até achar nos da “GERÊNCIA B”

linha2 = linha2 + 1

Loop

linha2 = linha2 + 1

wsOrigem.Activate

wsOrigem.Cells(linha2, 1).Activate

‘Seleciona e guarda o endereço da célula de início

x = ActiveCell.Address

Do While wsOrigem.Cells(linha2, 1) <> "GERENCIA B" ‘critério de parada

linha2 = linha2 + 1

Loop
44

linha2 = linha2 - 1

wsOrigem.Cells(linha2, 24).Activate

‘Seleciona e guarda o endereço da célula final

y = ActiveCell.Address

Range(x & ":" & y).Copy ‘copia tudo o que estiver entre os critérios de início e fim

wsDestino.Cells(linha, 1).PasteSpecial xlValues ‘cola na planilha destino

wsDestino.Activate

‘definir linha imediatamente abaixo da última preenchida, para próximo preenchimento

linha = Range("A6").End(xlDown).Row + 1

wsDestino.Cells(linha, 1) = "GERENCIA B" ‘colocar nome da gerência na


planilha destino

wsDestino.Cells(linha, 1).Font.Bold = True

For i = 1 To 27 ‘colorir e formatar linha da Gerência B na planilha de destino

wsDestino.Cells(linha, i).Interior.Color = RGB(0, 112, 192)

wsDestino.Cells(linha, i).Font.Bold = True

Next i

wsOrigem.Activate

Application.CutCopyMode = False

End With ‘fim dos procedimentos associados ao arquivo de origem

Cx_Ultimo = "GERENCIA B" ‘coloca o nome da gerência na caixa “Último registro”

ActiveWindow.Close False ‘fecha arquivo de origem

MsgBox "Importação de Dados Concluída" ‘mensagem ao usuário

End Sub
45

APÊNDICE B – PARTE DE CÓDIGO-FONTE GENÉRICO PARA A FUNÇÃO


“PREVISTO X REALIZADO”

‘Enquanto não analisar todas as cidades (enquanto não chegar na linha COMPESA)...

Do While wsDestino.Cells(linha, 1) <> "COMPESA"

'verificar se COR realizado é maior que previsto:

If wsDestino.Cells(linha, 3) > wsDestino.Cells(linha, 2) Then

‘em caso positivo, igualar célula PREVISTO com a célula REALIZADO

wsDestino.Cells(linha, 2) = wsDestino.Cells(linha, 3)

End If

'verificar se TURBIDEZ realizado é maior que previsto:

If wsDestino.Cells(linha, 8) > wsDestino.Cells(linha, 7) Then

wsDestino.Cells(linha, 7) = wsDestino.Cells(linha, 8)

End If

'verificar se COLIFORMES realizado é maior que previsto:

If wsDestino.Cells(linha, 13) > wsDestino.Cells(linha, 12) Then

wsDestino.Cells(linha, 12) = wsDestino.Cells(linha, 13)

End If

'verificar se CLORO realizado é maior que previsto:

If wsDestino.Cells(linha, 22) > wsDestino.Cells(linha, 21) Then

wsDestino.Cells(linha, 21) = wsDestino.Cells(linha, 22)

End If

Loop
46

APÊNDICE C – PARTE DE CÓDIGO-FONTE GENÉRICO PARA A FUNÇÃO


RESPONSÁVEL PELO PREENCHIMENTO DA “PORTARIA DE E. COLI”

'Se “PRESENÇA E. coli” for maior que a célula “PRESENÇA COLI TOTAL”, então...

If wsDestino.Cells(linha, 18) > wsDestino.Cells(linha, 15) Then

‘Célula PORTARIA E. COLI recebe o valor de PRESENÇA E. COLI

wsDestino.Cells(linha, 16) = wsDestino.Cells(linha, 18)

Else ‘Mas caso isso não ocorra...

If wsDestino.Cells(linha, 15) <> 0 Then 'Se houver PRESENÇA COLI TOTAL ≠ 0

If wsDestino.Cells(linha, 13) < 40 Then 'E houver menos que 40 análises, então...

'PORTARIA E.COLI = PRESENÇA COLI TOTAL - 1

wsDestino.Cells(linha, 16) = wsDestino.Cells(linha, 15) - 1

End If

If wsDestino.Cells(linha, 13) >= 40 Then 'Se Nº de análises ≥ 40, então...

‘Faz-se o “desconto” de 5% das análises fora dos padrões (máximo tolerável) para
preencher a “Portaria”

wsDestino.Cells(linha,16) = wsDestino.Cells(linha,15) - wsDestino.Cells(linha, 13) * 0.05

If wsDestino.Cells(linha, 16) < 0 Then ‘Se desse desconto originar número


negativo...

wsDestino.Cells(linha, 16) = 0 ‘...então se adota o valor ZERO.

Else

‘No caso de haver um número decimal positivo, ele será arredondado

wsDestino.Cells(linha, 16) = Round(wsDestino.Cells(linha, 16))

End If

End If

Else

If wsDestino.Cells(linha, 15) = 0 Then ' Se não houver coli totais nas análises...
47

wsDestino.Cells(linha, 16) = wsDestino.Cells(linha, 15) '...entao portaria igual a


zero

End If

End If

End If

‘Se mesmo após os “descontos” na “Portaria” o nº de E. coli for maior...

If wsDestino.Cells(linha, 18) > wsDestino.Cells(linha, 16) Then

‘...então o novo valor de “Portaria” será o valor de “análises com presença de E. coli”

wsDestino.Cells(linha, 16) = wsDestino.Cells(linha, 18)

End If

APÊNDICE D – PARTE DE CÓDIGO-FONTE PARA A FUNÇÃO


RESPONSÁVEL PELO PREENCHIMENTO DAS LINHAS DE SOMATÓRIO

Dim interruptor, linha As Integer

interruptor = 1 ‘Essa variável é responsável por fazer as somas apenas da primeira gerência,
pois esta não apresenta o mesmo padrão das demais (ela se inicia SEMPRE
pela linha 6 e não possui linha azul-escuro antecedente).

linha = 6

Do While wsDestino.Cells(linha, 1) <> "COMPESA" ‘Enquanto não finalizar as localidades...

If interruptor = 1 Then ‘O “interruptor está aceso”. Então serão feitas as instruções


seguintes.

‘Quando se chegar a uma célula colorida, então...

If wsDestino.Cells(linha, 1).Interior.ColorIndex <> xlNone Then

Cells(6, 2).Activate ‘Será armazenado o endereço da primeira cidade (linha=6), no


tocante às suas análises de cor previstas (coluna=2)

x = ActiveCell.Address

Cells(linha - 1, 2).Activate

y = ActiveCell.Address ‘Será armazenado o endereço da última cidade, no tocante às


suas análises de cor previstas (coluna=2)
48

Cells(linha, 2).Activate ‘Preparar a célula do somatório das análises de cor previstas...

z = ActiveCell.Address

Range(z).Formula = "=SUM(" & x & ":" & y & ")" ‘…para receber a fórmula de que
seu valor será resultante da soma de todos os valores contidos desde a primeira cidade até
a última, localizados na coluna 2 ( denominada “AMOSTRAS P/ COR PREVISTO”)

Cells(6, 3).Activate ‘Agora começam as operações com a coluna seguinte. Será


armazenado o endereço da primeira cidade (linha=6), no tocante
às suas análises de cor realizadas (coluna=3).

A partir daqui o mesmo procedimento feito na coluna 2 será repetido para as colunas das demais
análises (previstas e realizadas), de amostras dentro dos padrões e de coliformes. No código,
apenas se modificará os valores numéricos das colunas (representadas pelo número após a
variável “linha”, subsequente da vírgula).

(...)

interruptor = 0 ‘Interruptor “desligado”: quando a estrutura de repetição voltar


ao início, todos os comandos anteriores localizados abaixo da estrutura “If” não serão
executados novamente, e sim apenas os comandos a partir deste ponto.

End If

Else

If wsDestino.Cells(linha, 1) = "FERNANDO DE NORONHA" Then

linha = linha + 1 ‘Ignora Fernando de Noronha, como explanado no relatório

End If

‘Os comandos seguintes são semelhantes aos do início, e, portanto, serão parcialmente
omitidos.

Dim lin As Integer

If wsDestino.Cells(linha - 1, 1).Interior.ColorIndex <> xlNone Then

lin = linha ‘”lin” é uma variável auxiliar a “linha”. Ela guardará o valor da linha
referente aos dados da primeira cidade de cada uma das demais
gerências, pois não são valores fixos. A cada mês, há a possibilidade
de algumas delas mudarem de localização.
49

Cells(lin, 2).Activate

x = ActiveCell.Address

End If

Cells(lin, 3).Activate

x = ActiveCell.Address

Cells(linha - 1, 3).Activate

y = ActiveCell.Address

Cells(linha, 3).Activate

z = ActiveCell.Address

Range(z).Formula = "=SUM(" & x & ":" & y & ")"

(…) Comandos semelhantes aos anteriores preenchem as demais células

End If

linha = linha + 1

Loop