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A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO.

Leonardo de Souza

Introdução:

Avaliar um educando implica, antes de mais nada, acolhe-lo no seu ser e no seu
modo de ser, como está, para, a partir daí, decidir o que fazer. A disposição de acolher
está no sujeito do avaliador, e não no objeto da avaliação. (LUCKESI, 2000, p.2). Luckesi
(1998) a essência da prática da avaliação da aprendizagem, só se torna aplausível quando
o seu objetivo estiver centralizado na aprendizagem do educando, para isso o docente
deve se empenhar para que o aluno seja capaz de absorver o que está sendo explicado.
Qual a importância da avaliação no processo de ensino e aprendizagem? Avaliação da
aprendizagem tem se descaracterizado e deixado de lado a sua função principal que é o
acompanhamento da evolução da aprendizagem do educando, sem esse
acompanhamento não é possível identificar as suas dificuldades e os seus avanços. O
objetivo consiste em analisar a importância da avaliação no processo de ensino e da
aprendizagem, buscando orientar a ação do professor na prática pedagógica.

O processo avaliativo

No Brasil a avaliação da aprendizagem é uma trajetória recente e ganhou destaque


no final de 1960 e início dos anos 1970 do século XX, porém a prática dos exames
escolares que acontece em nossas escolas até nos dias atuais é a prática pedagógica
usada pelos Jesuítas desde o século XVI em que as provas e os exames eram praticados
como um ritual e assim sucedeu até o século XVII, segundo Luckesi (2014):

“[...] Em nossas escolas, públicas e particulares, assim como nos nossos


diversos níveis de ensino, praticamos muito mais exames escolares do que
avaliação da aprendizagem. [...] Estamos necessitando de “aprender a
avaliar”, pois que, ainda estamos mais examinando do que avaliando. [...]’’
(LUCKESI,2014, p. 23, Apud SOUZA F. S. 2018).

A avaliação escolar é fundamental sobre os rumos do sistema de ensino, além de


auxiliar o trabalho do professor, o permite conhecer seus alunos e encontrar quais são
suas dificuldades. É um mecanismo que permite definir as prioridades sobre os resultados
encontrados, direcionando sua prática para um ensino de qualidade na busca do
desenvolvimento dos educandos. Segundo Libânio (1994) ‘‘A avaliação é uma tarefa
complexa que não se resume à realização de provas e atribuição de notas” (1994, p. 195).
O resultado da prova não aponta exatamente o que o educando sabe ou não, pois se
pensarmos na hipótese de que no dia da prova o aluno esteja passando ou passou por
algum problema emocional que dificultou a sua concentração.

A avaliação é uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente,


que deve acompanhar passo a passo o processo de ensino e aprendizagem. Através dela
os resultados que vão sendo obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos
alunos são comparados com os objetivos propostos a fim de constatar progressos,
dificuldades, e reorientar o trabalho para as correções necessárias. O processo avaliativo
se faz necessário tanto para o aluno quando ao professor, pois ao avaliar o rendimento de
seus alunos, ele também terá informações sobre o desempenho do seu próprio trabalho, e
assim saberá quais atitudes deveram ser tomadas, uma vez que sua atuação fará toda
diferença. Luckesi (2000) ‘‘[...] a avaliação só se completa com a possibilidade de indicar
caminhos mais adequados e mais satisfatórios para a ação, que está em curso [...]”.
Compreendemos que toda avaliação gera informações para o processo de ensino,
porém, o modo que o educando é avaliado nem sempre o possibilita a um resultado
satisfatório de aprendizagem, já que muitas vezes são apenas classificados em aspectos
positivos e negativos. Falar sobre as concepções de avaliação, nos remete a pensar, qual
seria a avaliação correta a ser utilizada? Para Esteban (2000, p. 8) “[...] O processo de
avaliação do resultado escolar dos alunos e alunas está profundamente marcado pela
necessidade de criação de uma nova cultura sobre avaliação[...]’’. Sabemos que chegar a
um resultado satisfatório não é fácil, mas para se alcançar um ensino de qualidade, requer
um maior envolvimento por parte do educador que caberá a ele escolher qual caminho
traçar; assim:

No âmbito educativo, o ato de avaliar como procedimento sistemático,


consciente, reveste-se de muitos significados e importância, pois é o meio
através do qual se evidencia o progresso do aluno, as mudanças de
comportamento e indica as falhas no ensino-aprendizagem para o devido
encaminhamento, seja relativo a pessoas, programas ou instituições.
(FERREIRA, 2004, p. 9, Apud SOUZA F. S. 2018).

A avaliação do processo de ensino e aprendizagem, é realizada de forma contínua,


cumulativa e sistemática na escola, com o objetivo de diagnosticar a situação de
aprendizagem de cada aluno, em relação à programação curricular. A avaliação não deve
priorizar apenas o resultado ou o processo, mas deve como prática de investigação,
interrogar a relação ensino aprendizagem e buscar identificar os conhecimentos
construídos e as dificuldades de uma forma dialógica. O erro, passa a ser considerado
como pista que indica como o educando está relacionando os conhecimentos que já possui
com os novos conhecimentos que vão sendo adquiridos, admitindo uma melhor
compreensão dos conhecimentos solidificados, interação necessária em um processo de
construção e de reconstrução.

Desenvolver uma nova postura avaliativa requer desconstruir e reconstruir a


concepção e a prática da avaliação e romper com a cultura de memorização, classificação,
seleção e exclusão, tão presente no sistema de ensino. Isto remete a uma reflexão em
torno de algumas questões básicas que constituem a compreensão epistemológica e
pedagógica do conceber e do fazer da avaliação. São elas: para que avaliar? O que é
avaliar? O que avaliar? Quando avaliar? Como avaliar e o que fazer com os resultados da
avaliação? Estes questionamentos representam as principais dúvidas dos docentes na
hora de concretizar seu trabalho pedagógico e elaborar e implementar a dinâmica
avaliativa. O domínio sobre estas perguntas colabora para o desenvolvimento da
autonomia didática do professor e da professora, conduzindo-os a uma sólida
fundamentação teórica e prática do seu fazer docente e a sua implementação de forma
consistente, sistemática e intencional.

Considerações finais

A avaliação escolar, também chamada avaliação do processo ensino-aprendizagem


ou avaliação do rendimento escolar, tem como dimensão de analisar o desempenho do
aluno, do professor e de toda a situação de ensino que se realiza no contexto escolar.
Portanto, a avaliação apenas como instrumento de classificação tende a descomprometer
a equipe escolar com o processo de tomada de decisão para o aperfeiçoamento do ensino,
que é a função básica da avaliação.
Referências

ARAÚJO, Francisco Roberto Diniz; ESTEVAM, Aparecida Suiane Batista. Avaliação da


Aprendizagem e a Subjetividade: repensando os processos educativos. Editora
realize. 2016

ESTEBAN, Maria Tereza. et al. Avaliação: Uma prática em busca de novos sentidos. 2
Edições. Editora DP&A. 2000.

FERREIRA, Lucinete Maria Souza. Retratos da avaliação: Conflitos, desvirtuamentos e


caminhos para a superação. 2 eds. Porto Alegre: Editora Mediação. 2004

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. Cortez Editora: São Paulo, Coleção Magistério 2° Grau
Série Formando Professor, 1994.

LUCKESI, Cipriano. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições.


Editora: Cortez; Edição: 2013. ISBN-13: 978-8524917448.

LUCKESI, Cipriano. Avaliação da aprendizagem: componente do ato pedagógico.


Editora: Cortez; edição:2013. ISBN-13: 978-8524916571