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Ribeirão Preto, março de 2016

Edição: v. 7, Ed. Especial (2016)

EMPREENDEDORISMO E ECONOMIA SOLIDÁRIA: UM


ENSAIO DE SUAS CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS

ENTREPRENEURSHIP AND SOLIDARITY ECONOMY: AN ESSAY ON THEIR CONVERGENCES


AND DIFFERENCES

DOI: http://dx.doi.org/10.13059/racef.v7i1.185

Diego César Terra de Andradea, Danielle Martins Duarte Costab, Vanessa Nunes de
Sousa Alencar Vasconcelosc e Heidy Rodriguez Ramosd
a
Diego César Terra de Andrade
Professor no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais –
IFSULDEMINAS e doutorando em Administração na
Universidade Nove de Julho – UNINOVE
contato@diegoterra.com.br

b
Danielle Martins Duarte Costa
Professora no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais –
IFSULDEMINAS e doutoranda em Engenharia de Produção na
Universidade Federal de Itajubá – UNIFEI
danielle.costa@ifsuldeminas.edu.br

c
Vanessa Nunes de Sousa Alencar Vasconcelos
Professora na Universidade Estadual do Piauí – UEPI e no
Centro Universitário UNINOVAFAPI e doutoranda em Administração na
Universidade Nove de Julho – UNINOVE
vanessalencar@hotmail.com

d
Heidy Rodriguez Ramos
Professora na Universidade Nove de Julho - UNINOVE
heidyr@gmail.com
RACEF – Revista de Administração, Contabilidade e Economia da Fundace. v. 7, n. 1, Ed. Esp. Ecossistemas de Inovação
e Empreendedorismo, p. 175-186, 2016. 176

Resumo Schommer e França Filho (2008) afirmam que “a magia do


Palavras-chave: empreendedorismo” é incapaz de gerar emprego formal para todos e apresentam a
Empreendedorismo, economia solidária como uma alternativa a esse cenário. Nesse sentido a pergunta
empreendedorismo que orienta este trabalho é: economia solidária é diferente de empreendedorismo,
social, economia ou é mais do mesmo? Diante dessa indagação, o objetivo foi verificar as convergências
solidária. e divergências entre empreendedorismo e economia solidária. Para tanto, uma
revisão bibliográfica sobre as principais características da economia solidária e do
empreendedorismo é realizada, passando pelo tema empreendedorismo social.
Depois, se discutem as interseções e diferenças entre eles. O que se observou foi
que há sobreposições entre os domínios do empreendedorismo tradicional, o
empreendedorismo social e a economia solidária. O objetivo da economia solidária
e do empreendedorismo estão relacionados ao desenvolvimento, apesar de
distinguirem-se quanto ao local de atuação e a forma de distribuição dos dividendos.

Keywords: Abstract Schommer and França Filho (2008) state that “the magic of
entrepreneurship” is unable to generate formal employment for all present and
Entrepreneurship,
show the solidarity economy as an alternative to this scenario. In this sense
social entrepreneurship, the question that guides this work is: is the solidarity economy different from
solidarity economy. entrepreneurship, or is it more of the same? Faced with this question, the objective
was to verify the convergences and divergences between entrepreneurship and
solidarity economy. A literature review on the main features of the social economy
and entrepreneurship is carried out, including the subject of social entrepreneurship.
Then the paper discusses the intersections and differences between the concepts.
It was observed that there is an overlap between the domains of traditional
entrepreneurship, social entrepreneurship and social economy. The purpose of
the solidarity economy and entrepreneurship is related to development, although
it is distinguished as the site of action and the form of dividends distribution.

1 INTRODUÇÃO desenvolvimento de atividades de sobrevivência,


de produção popular e da ilegalidade (prostituição,
A partir da década de 1980, com a interrupção do tráfico humano, de armas de fogo, de drogas,
ciclo de industrialização, o Brasil ingressou na mais assaltos, jogos de azar, pirataria) (POCHMANN,
longa crise de desenvolvimento desde 1840. Com 2004).
isto, há a ruptura na tendência de estruturação do Como alternativa a esta crise, o movimento de
mercado de trabalho e consequentemente, o país empreendedorismo começou a tomar força, quando
registra sinais expressivos de regressão ocupacional, entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às
após cinco décadas de avanços consecutivos neste Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e a Sociedade
processo (POCHMANN, 2004). Brasileira para Exportação de Software (SOFTEX)
Para contribuir com este cenário socialmente foram criados (DORNELAS, 2001). A popularização
negativo, a promoção de políticas de ajuste do microcrédito também corroborou para a
econômico, principalmente a partir de 1995 com a institucionalização deste movimento.
adoção do receituário neoliberal conduzidos pelo De acordo com pesquisa realizada pelo
então Ministério da Administração Federal e da Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Reforma do Estado – MARE (GRANEMANN, 2006), se Socioeconômicos – Dieese (2007), o Brasil tem mais
ampliou o quadro de estagnação da renda per capita de 6 milhões de micro e pequenas empresas, que
acompanhado pela desaceleração na abertura de totalizam 99% dos negócios do País. Ainda, são
novas vagas assalariadas formais, a denominada responsáveis por quase 60% dos empregos formais
“crise do trabalho” (FRANÇA FILHO, 2014). O do Brasil (SEBRAE, 2008).
resultado desses fatos foi a elevação do desemprego, Para Schumpeter (1982, p. 37), “o empreendedor
a constituição de postos de trabalho precários, o é aquele que destrói a ordem econômica existente
através da introdução de novos produtos e serviços,
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pela criação de novas formas de organização, ou 2 EMPREENDEDORISMO


pela exploração de novos recursos ou materiais”.
Já Fischborn (2004) define empreendedor como
O aumento da investigação sobre
pessoas que perseguem o benefício, o resultado
empreendedorismo acaba por ser um
positivo, trabalhando individual ou coletivamente.
reconhecimento da importância que o fenômeno
Esses podem ser indivíduos que inovam, identificam
assume no desenvolvimento das economias,
e criam oportunidades de negócios, montam e
situação já sublinhada por Schumpeter (1982) a
coordenam novas combinações de recursos, para
mais de sessenta anos. A importância atribuída pela
extrair os melhores benefícios de suas inovações em
literatura a este fenômeno abrange três aspectos
um meio incerto. São, então, aqueles que possuem
principais: a criação de emprego, a inovação e a
uma visão diferenciada, de alcance superior ao da
economia (BARROS; MIRANDA, 2008).
maioria, analisando o ambiente interno e externo
Palavra de origem francesa, “entreprende”
de forma distinta, vislumbrando possibilidades não
ou “entrepreneur” literalmente significa “o
vistas pelos demais.
intermediário”, aquele que está no centro ou no
Entretanto, França Filho e Schommer (2008)
meio. Originalmente, estava relacionado com a
afirmam que “a magia do empreendedorismo”, é
atividade de um intermediário, aquele que fica
incapaz de gerar emprego formal para todos. Ou
“entre” o fornecedor e o mercado e que facilita o
seja, que a ideia de transformar ex-assalariados, em
processo de troca (BLAIS et al. 1997). Entretanto,
situação de desemprego, em novos detentores de
Gomes (2011) diz que, empreendedorismo ou
micro e pequenos negócios ou empreendedores, não
empreendedor são substantivos derivados do verbo
leva em conta o fato de não haver espaço para todos
empreender que, por sua vez, tem sua origem na
que empreendem em uma economia de mercado,
forma verbal latina imprehendo ou impraehendo
em razão da própria natureza competitiva de tal
que significa “tentar executar uma tarefa”. E, conclui
iniciativa. Esses autores apontam como evidências
que, a entrada desse termo no léxico português não
empíricas, dados, também do SEBRAE, relativos
se deu através do francês entrepreneur, mas sim
à longevidade de micro e pequenos negócios, na
diretamente do latim.
qual verifica-se que 90% de tais iniciativas não
Neste sentido, o empreendedor é a pessoa que
resistem aos primeiros cinco anos de vida. Nesse
“faz acontecer”. A figura do empreendedor pode
sentido França Filho (2003) apresenta o conceito
ser vista como a criadora: aquele que transforma
de economia solidária, como alternativa a crise do
uma troca em potencial em uma troca real, aquele
trabalho.
sem o qual a transação poderia nunca ocorrer. No
De acordo com a Secretaria Nacional de
caso onde a demanda por um produto existe, mas
Economia Solidária (SENAES, 2007), economia
o fornecimento não, o empreendedor pode criar o
solidária é o conjunto de atividades econômicas, que
fornecimento e efetuar a troca. Em se tratando de
engloba produção, distribuição, consumo, prestação
tecnologias novas, o empreendedor pode mesmo ter
de serviços, poupança e crédito, organizados e
que criar um mercado que ainda não existe (FERRO;
realizados sob a forma coletiva e autogestionária.
TORKOMIAN, 1988).
Mas, economia solidária é diferente de
Segundo Filion (2000), aqueles que pesquisam
empreendedorismo, ou é mais do mesmo? Diante
sobre o assunto concordam em dizer que este
dessa indagação, o objetivo desse trabalho é
conceito tem suas origens nas obras de Richard
verificar as convergências e divergências entre
Cantillon (1680 – 1734), banqueiro e economista
empreendedorismo e economia solidária.
do século XVIII. O interesse de Cantillon pelos
Neste ensaio, uma revisão bibliográfica sobre as
empreendedores não era um fenômeno único em
principais características da economia solidária e do
sua época, pois corroborava com o ideário dos
empreendedorismo é realizada, passando inclusive
pensadores liberais que exigiam, entre outras coisas,
pelo tema empreendedorismo social. Depois, se
liberdade plena para que cada um pudesse tirar o
discutem as interseções e diferenças entre eles,
melhor proveito dos frutos de seu trabalho.
findando o trabalho com as considerações finais.
Nesse período da história, Cantillon chamou
de empreendedores àqueles indivíduos que
compravam matérias-primas (geralmente um
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produto agrícola) por um preço certo e as vendiam 4. Conquista de uma nova fonte de oferta de
a terceiros a preço incerto, depois de processá-las, matérias-primas ou de bens semimanufaturados;
pois identificava nesta ação uma oportunidade 5. Estabelecimento de uma nova organização de
de negócio e assumiam riscos diversos. (PAULA; qualquer indústria.
CERQUEIRA; ALBUQUERQUE, 2000). Já se entendia, De acordo com a visão Schumpeteriana, o
portanto, que se houvera lucro além do esperado, desenvolvimento econômico processa-se auxiliado
isto ocorrera porque o indivíduo (empreendedor) por três fatores fundamentais: as inovações
havia inovado, feito algo de maneira diferente. tecnológicas, o crédito bancário e o empresário
Um pouco mais tarde, o industrial, economista inovador.
e Professor do College de France, Jean-Baptiste O empresário inovador é o agente capaz de
Say (1767 - 1832), disse que o desenvolvimento realizar com eficiência as novas combinações,
econômico é resultado da criação de novos mobilizar crédito bancário e empreender um novo
empreendimentos, e elaborou uma teoria das negócio. Assim, Schumpeter (1982) caracterizou o
funções do empresário e lhe atribui um papel de empreendedor como elemento essencial, senão
especial importância na dinâmica de crescimento único, capaz de propor e introduzir inovações
da economia. Afirmou ainda que o bem-estar de um que venham a criar prosperidade e riqueza no
país dependia da sua população ativa, do progresso contexto econômico, principalmente pelo fato do
técnico, do dinamismo de seus empresários. O empreendedorismo se destacar como uma das bases
mesmo autor professou que o empresário é um fundamentais para que se compreenda o processo
agente econômico racional e dinâmico que age num da criação de riquezas e ciclos de crescimento
universo de incertezas, ou ainda, o empresário é econômico.
representado como aquele que, aproveitando-se O empreendedor não é necessariamente o
dos conhecimentos postos à sua disposição pelos dono do capital (capitalista), mas um agente
cientistas, reúne e combina os diferentes meios de capaz de mobilizá-lo na inovação que venha a ser
produção para criar produtos úteis (FILION, 1999; implementada A origem deste investimento pode
PAULA; CERQUEIRA; ALBUQUERQUE, 2000; FILION, ser advinda de um investidor de risco na pessoa
2000). dos capitalistas, ou do governo como agente
A concepção que Say tinha do empreendedor, fomentador de desenvolvimento, que aposta no
como alguém que inova e é agente de mudanças, poder de inovação e superação de dificuldades,
permanece até hoje. Drucker (1987) retratou que são características do empreendedor. Na visão
de forma precisa este conceito, elaborado por de Schumpeter uma resposta criativa pode mudar
Say, ao atribuir-lhe o papel de transferir recursos situações econômicas e sociais para melhor, ou seja,
econômicos de um setor de produtividade mais como diz a cultura japonesa que vê na crise uma
baixa para um setor de produtividade mais elevada fonte inesgotável de oportunidades (LEITE, 2011).
e de maior rendimento, possibilitando, desse Souza e Carvalho Neto (2009), dizem que
modo, uma maior eficiência e eficácia à economia. a natureza e as atividades do empresário são
Mas, foi Schumpeter quem trouxe visibilidade ao condicionadas pelo ambiente sociocultural em que
tema, associando definitivamente o empreendedor vive e trabalha, para realizar sua função e impulsionar
ao conceito de inovação e apontando-o como o o desenvolvimento econômico local.
elemento que dispara e explica o desenvolvimento Percebe-se, portanto, que atualmente há um
econômico (GOMES, 2011). interesse em estudar o empreendedorismo não
Para Schumpeter (1982), o empreendedor é só do ponto de vista individual, mas, também, do
aquele que destrói a ordem econômica existente ponto de vista estrutural e de como as estruturas
pela introdução de novos produtos e serviços, pela macroeconômicas causam impacto sobre a
criação de novas formas de organização ou pela iniciativa e a capacidade empreendedora de
exploração de novos recursos materiais. Diz ainda segmentos específicos da população. Cruz et al.
que, esse conceito engloba cinco casos: (2009) propõem que a base para uma teoria geral
1. Introdução de um novo bem; do empreendedorismo seja estabelecida sobre
2. Introdução de um novo método de produção; fatores tanto psicológicos, quanto não psicológicos.
3. Abertura de um novo mercado; Portanto, torna-se necessário estudar a realidade
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social de pessoas envolvidas em diferentes áreas Dentre outros autores que, de alguma forma fazem
de atuação, de diferentes grupos e em diferentes colocações sobre o tema, destaca-se Nasser (2002),
culturas, a fim de identificar maneiras distintas de que utiliza a designação de “empreendedor cívico”
lidar com obstáculos específicos, preconceitos, para caracterizar um tipo de agente social envolvido
assim como oportunidades (SEELOS; MAIR, 2005). com o processo de desenvolvimento; o que Bornstein
Na última década do século XX, definiu-se, uma (2004) chama de “empreendedor social”.
nova modalidade de empreendedorismo, o social, Alvord et al. (2004) sustentam que o
que difere do empreendedorismo propriamente empreendedorismo tradicional é medido e testado
dito em dois aspectos: 1) não produz bens e serviços pela sua capacidade de criar organizações com fins
para vender, mas para solucionar problemas lucrativos, viáveis e sustentáveis ao longo do tempo.
sociais: e 2) não é direcionado para mercados, Já o empreendedorismo social deve ser testado
mas para segmentos populacionais em situação pela sua capacidade de provocar mudanças sociais
de risco social, como pobreza, miséria, risco de duradouras. É um processo que estimula o aumento
vida e exclusão social (MELO NETO; FROES, 2002). da participação em ações empreendedoras locais,
Segundo esta compreensão, empreendedorismo é o aumento do sentimento de conexão das pessoas
também o conjunto de iniciativas implementadas com sua cidade, terra e cultura, e o surgimento de
por segmentos sociais excluídos, organizações, novas ideias. Inclusive de alternativas sustentáveis
comunidades e instituições públicas em busca de para o desenvolvimento, inclusão social, maior auto
novas possibilidades para grupos sociais menos suficiência e melhoria da qualidade de vida das
favorecidos (NOVAES; GIL, 2009). pessoas e da comunidade.
Vale (2000, p. 24; 2004), especificamente Cabe ressaltar que o empreendedorismo social
nesse campo de estudos, chama a atenção para não é responsabilidade social empresarial, pois
esse novo agente empreendedor, destacando esta supõe um conjunto organizado e devidamente
que ele deveria ser capaz de “perseguir interesses planejado de ações internas e externas, e uma
comunitários com a mesma capacidade de inovação, definição centrada na missão e atividade da empresa,
comprometimento e obstinação do empreendedor ante as necessidades da comunidade. Melo Neto e
privado, muito embora também dotado de uma visão Froes (2002) distinguem empreendedorismo social e
do tecido social e da habilidade de cooperação e responsabilidade social empresarial (Quadro 1).
articulação com os vários grupos sociais relevantes”.

Quadro 1 – Características do Empreendedorismo Social, Responsabilidade Social Empresarial e


Empreendedorismo Privado
EMPREENDEDORISMO RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPREENDEDORISMO SOCIAL
PRIVADO EMPRESARIAL
É individual com possíveis
É individual É coletivo e integrado
parcerias
Produz bens e serviços Produz bens e serviços para si e Produz bens e serviços para a
para o mercado para a comunidade comunidade, local e global
Tem o foco no mercado e atende Tem o foco na busca de soluções
Tem o foco no mercado à comunidade conforme sua para os problemas sociais e
missão necessidades da comunidade
Sua medida de desempenho é o
Sua medida de Sua medida de desempenho são o
retorno aos envolvidos no
desempenho é o lucro impacto e a transformação social
processo stakeholders
Visa a satisfazer Visa a agregar valor estratégico
Visa a resgatar pessoas da situação
necessidades dos clientes ao negócio e a atender
de risco social e a promovê-las, e a
e a ampliar as expectativas do mercado e da
gerar capital social, inclusão e
potencialidades do percepção da sociedade /
emancipação social
negócio consumidores
Fonte: Adaptado de Melo Neto e Froes (2002)
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De acordo com Seelos e Mair (2005), o de fontes de pesquisas e na entrevista com


empreendedorismo social combina a habilidade empreendedores sociais brasileiros, que vivenciam, e
do empreendedor tradicional, com a missão de não só teorizam sobre o assunto, como apresentado
mudar a sociedade. Oliveira (2004) elabora o perfil no Quadro 2.
do empreendedor social, com base na catalogação
Quadro 2 – Perfil do Empreendedor Social
CONHECIMENTOS HABILIDADES COMPETÊNCIAS POSTURAS
Saber aproveitar as Ter visão clara Ser visionário Ser inconformado e indignado
oportunidades com a injustiça e desigualdade
Ter iniciativa Ter senso de responsabilidade
Ter competência gerencial Ser determinado
Ser equilibrado Ter senso de solidariedade
Ser pragmático e responsável Ser engajado
Ser participativo Ser sensível aos problemas
Saber trabalhar de modo sociais Ser comprometido e leal
empresarial para resolver Saber trabalhar em equipe
problemas sociais Ser persistente Ser ético
Saber negociar
Ser consciente Ser profissional
Saber pensar e agir
estrategicamente Ser competente Ser transparente

Ser perceptivo e atento aos detalhes Saber usar forças latentes e Ser apaixonado pelo que faz
regenerar forças pouco usadas (campo social)
Ser ágil
Saber correr riscos calculados
Ser criativo
Saber integrar vários atores em
Ser crítico torno dos mesmos objetivos

Ser flexível Saber interagir com diversos


segmentos e interesses dos
Ser focado diversos setores da sociedade

Ser habilidoso Saber improvisar

Ser inovador Ser líder

Ser inteligente

Ser objetivo
Fonte: Oliveira (2004)

Vale, Amâncio e Lima (2006) afirmam que 2006); Gaiger (2003; 2004a; 2004b). Neste contexto,
diferentes espaços coletivos pressupõem a França Filho (2002) expõe a necessidade de se
presença de distintos perfis empreendedores. Neste aumentar o número de pesquisas empíricas sobre
sentido, as convergências e divergências entre esse assunto. Epistemologicamente a economia
empreendedorismo e empreendedorismo solidário solidária encontra-se no quadrante didático Marxista
devem ser analisadas num contexto social local. de Burrel e Morgan (1979), e busca provar que esse
tipo de organização econômica é uma alternativa ao
capitalismo. Ou seja, visualizam uma oportunidade,
3 ECONOMIA SOLIDÁRIA alternativa a um segmento a que o capitalismo não
visualiza ou aproveita.
De acordo com Singer (2002) a economia
A maioria dos estudos sobre economia solidária
solidária foi constituída por operários, nos
partem de trabalhos teóricos como Singer e Souza
primórdios do capitalismo industrial, como resposta
(2000); Singer (2002; 2008); Arruda (2003; 2004;
à pobreza e ao desemprego resultantes da difusão
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desregulamentada das máquinas-ferramenta e formas de gestão, destrincha as quatro dimensões


do motor a vapor, no início do século XIX. Tempo interdependentes da Economia Solidária:
em que o homem era “um apêndice da máquina”. a) a dimensão social refere-se à interação das
Nesse sentido as organizações cooperativas foram pessoas dentro da organização.
utilizadas por parte dos trabalhadores como b) a dimensão econômica trata das formas
alternativa de recuperar trabalho e autonomia de gestão dos recursos, financeiros e não
econômica, aproveitando as novas forças produtivas. financeiros, utilizadas na organização.
Sua estruturação obedecia aos valores básicos do c) a dimensão ecológica considera as relações
movimento operário de igualdade e democracia, da organização com o meio ambiente externo,
sintetizados na ideologia do socialismo. numa perspectiva de complementaridade entre
França Filho e Laville (2004, p.167-169) refletem as noções de autonomia e de dependência.
sobre os empreendimentos da Economia Solidária d) a dimensão organizacional e técnica aborda os
destacando cinco grandes traços característicos: aspectos referentes ao funcionamento interno
a) pluralidade de princípios econômicos, visto que das organizações e seus impactos sobre os
essas iniciativas apresentam distintas fontes indivíduos.
de recursos: comercialização e prestação de Segundo Gaiger (2003) as iniciativas da economia
serviços, poder público (governo ou ONGs) e solidária representam uma opção efetiva para os
práticas reciprocitárias (trabalho voluntário, segmentos sociais de baixa renda, que podem ser
doações); atingidos pelo quadro de desocupação estrutural
b) autonomia institucional, a qual se refere à e pelo empobrecimento. Ainda para esse autor,
independência desses empreendimentos em em diferentes países pesquisas apontam que os
relação à possibilidade de controle por outras empreendimentos solidários estão convertendo-se
instituições, obtendo uma autonomia de gestão em considerável mecanismo gerador de trabalho e
e ao mesmo tempo não impedindo parcerias ou renda, por vezes alcançando níveis de desempenho
arranjos institucionais; que os habilitam a permanecerem no mercado.
c) democratização dos processos decisórios, que Schütz (2008) afirma que a economia solidária
pressupõe formas de organizações coletivas com vem crescendo, num espaço privilegiado de
participação democrática dos seus associados desenvolvimento, e em uma dinâmica em construção,
nos processos decisórios, sendo contra qualquer recém-iniciada e com múltiplas possibilidades
forma heteronômica de gestão; enquanto possível referência estratégica.
d) sociabilidade comunitário pública, em que as Buscando conceituar e diferenciar terceiro setor,
empresas solidárias desenvolvam um modo economia social, economia solidária, economia
de sociabilização que combine os padrões popular e economia informal França Filho (2002,
comunitários de organização e relações sociais p.9) expõe que esses vários termos fariam assim
com as práticas profissionais, não sendo “[...] alusão a um espaço de sociedade recentemente
toleradas relações impessoais no trabalho, percebido também como lugar de produção e
e valorizando as relações comunitárias e o distribuição de riqueza, portanto, como mais um
princípio da alteridade; espaço econômico, isto é, lugar de geração de
e) finalidade multidimensional, que indica emprego e renda”. Lechat (2002, p. 3) corroboram
integralização por parte da organização tanto com essa ideia ao afirmarem que a economia
da dimensão econômica quanto das dimensões: solidária é uma forma de enfrentar os projetos das
social, cultural, ecológica e política; em que classes hegemônicas nos espaços democráticos,
a primeira é só um meio para a realização de ampliados e radicalizados e que essa é “um nicho
um objetivo centrado em alguma das outras dentro do capitalismo”.
dimensões. De acordo com Kraychete (2008), no Brasil, a
No mesmo sentido, Andion (2005) com base nas economia solidária encontrava-se da seguinte forma,
complexas abordagens do fenômeno administrativo na época do estudo:
e considerando as particularidades das organizações a) A maior parte dos empreendimentos estava
não como acidentes contingenciais, mas como organizada sob a forma de associação (54
fatores essenciais para compreensão das suas %), seguida dos grupos informais (33 %) e
cooperativas (11 %);
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b) A principal motivação para a formação dos dos conhecimentos postos à sua disposição pelos
grupos era a busca de uma alternativa de cientistas, reúne e combina os diferentes meios de
trabalho face ao desemprego; produção para criar produtos e serviços úteis, na
c) O trabalho associativo era majoritariamente economia solidária essa é compartilhada, não há
decorrente do esforço e dos recursos exclusivos um dono. No entanto, é recorrente no mercado
dos próprios trabalhadores; empresas com múltiplos proprietários.
d) Predominavam os empreendimentos que atuam Quanto à questão da inovação (KANAN; ARRUDA,
exclusivamente na área rural; 2013), muitas vezes implícitas ao empreendedorismo
e) Os empreendimentos apresentavam uma escala tradicional, não se observa uma negação a esse
de produção reduzida e concentrada em poucas fato no ambiente da economia solidária. Contudo,
atividades: agropecuária, extrativismo e pesca essas devem ser de menor intensidade, uma
(mais de 40 %), alimentos e bebidas e produção vez que produtos muito inovadores demandam,
de artesanatos; normalmente, a utilização de grandes quantias
f) Apenas 6 % dos empreendimentos produziam de recursos financeiros destinados a pesquisa e
exclusivamente para o autoconsumo. Ou seja, desenvolvimento. Portanto, o que interfere nesse
os empreendimentos associativos estavam sentido é, conforme exposto por Singer (2008), a
inseridos em pleno mundo do mercado e do falta de recurso econômico/financeiro para financiar
cálculo econômico, por mais simples e modestos projetos maiores ligados a economia solidária.
que sejam estes cálculos; Segundo Filion (2000), Say já afirmava que o
g) Os produtos e serviços dos empreendimentos bem-estar de um país dependia da sua população
destinavam-se, predominantemente, aos ativa, do progresso técnico, do dinamismo de
espaços locais; seus empresários. Gaiger (2003) confirma essa
h) Em 64 % dos empreendimentos a matéria-prima possibilidade, uma vez que as iniciativas de economia
provinham de empresas privadas e, em 30 %, solidária representam uma opção efetiva para os
era adquirida dos próprios associados. Apenas segmentos sociais de baixa renda, que podem ser
6 % adquiriram a matéria-prima de outros atingidos pelo quadro de desocupação estrutural e
empreendimentos solidários; pelo empobrecimento. Portanto, o que se observa
i) Apenas 38 % dos empreendimentos conseguiam é que ambas as iniciativas são responsáveis por
pagar as despesas e ter alguma sobra. Embora a alteração no quadro sócio / econômico local, com
obtenção de uma fonte complementar de renda possível impacto nacional.
apareça como um dos principais motivos para a Quanto ao fato de ser uma alternativa aos
organização dos empreendimentos é plausível atingidos pelo quadro de desocupação (desemprego),
supor que esta renda seja a complementação de encontram-se dentre as correntes empreendedoras
outra igualmente precária. o chamado “empreendedorismo por oportunidade”
Esse contexto traz informações relativas ao setor e “empreendedorismo por necessidade”. No
de atividade, processos e recursos subjacentes a primeiro, observa-se uma lacuna no mercado, com
economia solidária naquele momento. No entanto, possibilidade de exploração comercial. Enquanto no
pode se concluir que, conforme Singer (2008) segundo, essa oportunidade não é observada, mas
observa, é reflexo, sobretudo, de uma falta de um novo empreendimento é iniciado, normalmente
recurso econômico / financeiro. uma cópia de algum outro já existente, sendo uma
alternativa fonte de renda ao (s) seu (s) proprietário
(s).
4 CONVERGÊNCIAS E Schumpeter (1982) afirmou que, dentre as cincos
características do empreendedorismo, a abertura
DIVERGÊNCIAS de um novo mercado está implícita a essa forma de
geração de renda. No mesmo sentido, encontra-se a
A partir da revisão bibliográfica exposta, pode economia solidária, que conforme Kraychete (2008),
se buscar intersecções entre o empreendedorismo está concentrada em espaços locais. Esses espaços,
tradicional e a economia solidaria. Do ponto de onde se verifica baixo poder aquisitivo, muitas vezes
vista da propriedade, enquanto o empresário é não são economicamente viáveis a sua exploração
representado como aquele que, aproveitando-se comercial. É nessa lacuna que a economia solidária
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se desenvolve, aproveita, portanto, um espaço ainda da realidade social de pessoas envolvidas em


não ocupado, com a inserção de novos produtos diferentes áreas de atuação, de diferentes grupos e
e, muitas vezes, produzidos sobre novo método / em diferentes culturas, a fim de identificar maneiras
conceito. distintas de lidar com obstáculos específicos,
Guimarães (2002) afirma que o empreendedorismo preconceitos, assim como oportunidades.
é uma resposta criativa para mudar situações A economia solidária para Gaiger (2003) é
econômicas e sociais para melhor. A natureza e as destinada a segmentos sociais de baixa renda,
atividades do empresário são condicionadas pelo onde se desenvolve num espaço privilegiado com
ambiente sociocultural em que vive e trabalha, para múltiplas possibilidades enquanto possível referência
realizar sua função e impulsionar o desenvolvimento estratégica capaz de gerar produção e distribuição
econômico local. Essas ideias coadunam com os de riqueza. E isso não é empreendedorismo? De
pressupostos da economia solidária, em que se forma didática, o Quadro 3 apresenta as principais
encontra focada na alternativa local. Seelos e Mair características dos ditos empreendedorismo
(2005) também corroboram com essas perspectivas tradicional, empreendedorismo social e economia
ao afirmarem que o empreendedorismo depende solidária.

Quadro 3: Empreendedorismo Tradicional, Empreendedorismo Social e Economia Solidária.

Tipo de
Convencional Social Economia Solidária
Empreendedorismo
Base Epistemológica
(BURREL; MORGAN, Funcionalista Interpretacionista Humanista Radical
1979)
Um agente que permite ou
Conjunto de atividades
aprova uma visão baseada Um ator que aplica princípios
econômicas organizadas e
em novas ideias para a de negócios para resolver
Definição realizadas sob a forma coletiva
criação de inovações de problemas sociais (DACIN et
e autogestionárias (SENAES,
sucesso (SCHUMPETER, al., 2012).
2007).
1950)
Acionistas ou partes Associação, grupos informais
Distribuição da Riqueza Proprietário ou acionistas
interessadas ou cooperativas.
Forma Organizacional Com fins lucrativos ou sem Com fins lucrativos ou sem fins
Com fins lucrativos
Predominante fins lucrativos lucrativos
Objetivos primários
Econômico Mudança social / bem-estar Mudança social / bem-estar
(Motivações)
Criar e / ou distribuir o
Promover a ideologia / Criar e / ou distribuir o produto
Produto produto ou serviço ao
mudança social ou serviço à comunidade local
consumidor
Crescimento versus Sustentabilidade econômica
Tensões Expansão a outros territórios.
sobrevivência versus missão social
Provedores de serviços,
Gerando Falcões, Instituto Banco de Palmas, Anteag,
desenvolvimento de
Exemplos Chapada, Graacc, Asid, Unisol, Conforja, Abapan,
software e companhias de
Adaptsurf. Ecobloco, Coonarte, Astemarp.
turismo.
Fonte: Elaborado pelos autores.
RACEF – Revista de Administração, Contabilidade e Economia da Fundace. v. 7, n. 1, Ed. Esp. Ecossistemas de Inovação
e Empreendedorismo, p. 175-186, 2016. 184

Concluindo essa discussão, pode-se perceber pesquisas nesse contexto. A mais significativa reside
que as três modalidades de desenvolvimento em uma melhor compreensão da natureza distinta
(Empreendedorismo Convencional, em relação à missão, processos e recursos em um
Empreendedorismo Social e Economia Solidária) contexto que se observa a dita economia solidária.
possuem similaridades. Quando não se observam Ainda, as lições do empreendedorismo tradicional,
convergências entre as três, constata-se que isso está tais como o fracasso empresarial e a compreensão
mais associado ao posicionamento epistemológico dos processos de mobilização de recursos poderão
de seus teóricos do que no “como”, “onde” e ser estudados e mais bem aplicados no ambiente
“porque” se desenvolveram. das tais economias solidárias. Isso poderá resultar
em um aprofundamento de um campo emergente,
criando novas oportunidades de pesquisa e como
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS reflexo mais desenvolvimento empírico.

Esse trabalho verificou as convergências e


divergências entre Empreendedorismo e Economia REFERÊNCIAS
Solidária, buscando responder a seguinte pergunta
de pesquisa: economia solidária é diferente ALVORD, S. A.; BROWN, L. D.; LETTS, C. W. Social
de empreendedorismo, ou é mais do mesmo? entrepreneurship and societal transformation: an
A estratégia de pesquisa adotada foi a revisão exploratory study. The Journal of Applied Behavioral
bibliográfica. Science, v. 40, n. 3, p. 260-282, 2004.
O que se observou foi que há a presença ARRUDA, M. ¿Qué es la economía solidaria?
de sobreposições entre os domínios el renacimiento de una sociedad humana
do empreendedorismo tradicional, o matrística. Ecología política: cuadernos de debate
empreendedorismo social e a economia solidária. internacional, n. 27, p. 71-75, 2004.
O objetivo de ambos está relacionado ao ARRUDA, M. Sócio economia solidária. A outra
desenvolvimento, apesar de distinguirem-se quanto economia. Porto Alegre: Veraz editores, p. 232-241,
ao local de atuação e a forma de distribuição dos 2003.
dividendos. O que fica evidente é que há uma ARRUDA, M. Tornar real o possível, a formação
referência a um espaço de vida social e de trabalho do ser humano integral: economia solidária,
intermediário entre as esferas do Estado e do desenvolvimento e o futuro do trabalho. Vozes,
mercado, e que isso não seria suficiente para (des) 2006.
categorizar uma frente a outra. BARROS, A.; MIRANDA, C. M. Empreendedorismo
No entanto, acredita-se que empiricamente tais e crescimento econômico: uma análise empírica.
definições não sejam situação sine qua non para Revista de Administração Contemporânea, v. 12, n.
o sucesso ou insucesso de um empreendimento 4, p. 975-993, 2008.
desses. Muito pelo contrário, essa divisão foi uma BLAIS, R. A.; DOYLE, D. J.; GILSIG, T.; HEFFERNAN,
criação acadêmica, sobretudo baseada em diferentes G. D.; LAMARRE, B.; LYRETTE, B.; MAHER, P. M.;
posicionamentos epistemológicos, baseado nas PARADI, J. C.; Technological Entrepreneurship in
ideias de incomensurabilidade paradigmática. Canada, The Canadian Academy of Engineering
Essa afirmação certamente causará “arrepios” Press: Ottawa, 1997.
nos puristas e defensores da economia solidária, BORNSTEIN, D. How to change the world: social
mas acredita-se que enxergá-la sob essas as lentes entrepreneurs and the power of new ideas. New
marxistas apenas enfraquece o movimento que não York: Oxford University Press, 2004.
possui/possuirá força para remar contra a corrente BURRELL, G.; MORGAN, G.. Sociological
econômica vigente. paradigms and organisational analysis. London:
Assumir que a economia solidária é uma forma Heinemann, 1979.
de empreendedorismo, bem como seus princípios CRUZ, N. M.; ESCUDERO, A. I. R.; BARAHONA,
norteadores, distintos apenas por se tratar de um J. H.; LEITAO, F. S.. The effect of entrepreneurship
movimento que se desenvolve em local e contexto education programmes on satisfaction with
diferente amplia uma série de oportunidades de innovation behaviour and performance. Journal of
RACEF – Revista de Administração, Contabilidade e Economia da Fundace. v. 7, n. 1, Ed. Esp. Ecossistemas de Inovação
e Empreendedorismo, p. 175-186, 2016. 185

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