Você está na página 1de 60

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 1
UMA BREVE HISTÓRIA DO SAXOFONE ...................................................................... 2
O SAXOFONE NO BRASIL ............................................................................................... 3
CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS .......................................................................... 5
A FAMÍLIA DOS SAXOFONES ........................................................................................ 7
AS PARTES DO SAXOFONE ............................................................................................ 8
TESSITURA......................................................................................................................... 9
CARACTERÍSTICAS BÁSICAS PARA EXECUÇÃO ................................................... 14
VIBRATO .......................................................................................................................... 15
O SAXOFONE E A FAMILIA DAS MADEIRAS ........................................................... 17
BOQUILHA ....................................................................................................................... 19
PALHETAS........................................................................................................................ 22
ABRAÇADEIRA ............................................................................................................... 24
CUIDADOS BÁSICOS ...................................................................................................... 24
ORIENTAÇÕES PARA COMPRAR O INSTRUMENTO ............................................. 25
SUGESTÃO PARA POSTURA DO CORPO E O USO DE CORREIAS ....................... 26
PRINCÍPIOS DA RESPIRAÇÃO PARA SAXOFONE ................................................... 30
EMBOCADURA ................................................................................................................ 33
NOTAS LONGAS .............................................................................................................. 39
AFINAÇÃO E ARTICULAÇÃO ...................................................................................... 42
ESCALA MAIOR .............................................................................................................. 47
EXERCÍCIOS DE MECANISMOS .................................................................................. 48
ESTUDO/PRÁTICA DE CONJUNTO ............................................................................. 50
SAXOFONE BARÍTONO ................................................................................................. 52
OITAVA CORRETA DO SAXOFONE BARÍTONO NO HINÁRIO:............................ 52
SAXOFONES, BARÍTONO, BAIXO E CONTRA BAIXO ............................................. 54
REPERTÓRIO BÁSICO PARA REFERÊNCIA ............................................................. 55
Métodos adicionais para o estudo do saxofone: ................................................................ 55
CONCLUSÃO .................................................................................................................... 56
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 57
INTRODUÇÃO

Após sua primeira audição em uma obra orquestral, por volta de 1844 na ópera Last King of
Juda, de Georges Kastner (1810-1867), o saxofone se popularizou pelo território europeu,
passando a fazer parte das bandas militares francesas. Com a fabricação em série, o saxofone
passou a ser distribuído em todos os continentes, adquirindo uma personalidade distinta em
cada cultura.

Na Europa seu som aproxima-se das cordas; nos Estados Unidos da América o saxofone
tornou-se uma das vozes mais radicais e importantes do Jazz, conquistando o mercado
fonográfico e tornando-se conhecido em todo mundo.

O saxofone é um instrumento muito versátil e expressivo, por isso ele deve ser bem
controlado. Se o músico não aprender a controlar bem o seu saxofone, ele sempre vai soar
exagerado e caricato, e é justamente aí que se esconde a dificuldade de tocar verdadeiramente
bem. Dependendo da boquilha, palheta, embocadura, possui uma gama de timbre e
sonoridades que vai do som mais amadeirado e escuro (saxofone erudito) ao som mais
metálico e estridente (música popular, Jazz, Rock, pop etc.); portanto é necessário ter
conhecimento do instrumento para buscar um timbre que seja compatível com instrumentos
de orquestras sinfônicas.

Esse trabalho está inclinado totalmente para a vertente da Música de Concerto e/ou a chamada
Música Erudita, visto que é nesta segmentação onde nossa orquestra encontra-se situada. O
objetivo desse trabalho é instruir os irmãos candidatos e saxofonistas da CCB quanto às
características sonoras e a execução do saxofone na música de concerto, visando adequação
do instrumento à proposta musical de nossas orquestras.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 1
UMA BREVE HISTÓRIA DO SAXOFONE

Antoine Joseph Sax nasceu no dia 6 de Novembro de 1814 numa cidade belga chamada
Dinant. Sax aprendeu o ofício de seu pai, que era construtor de instrumentos e desde muito
novo esteve ligado ao mundo da fabricação de instrumentos musicais. Antoine Joseph,
apelidado de “Adolphe”, estudou clarinete e flauta no conservatório de Bruxelas com Bender
(diretor de música do regimento de Guides). Ao tocar e familiarizar-se com o clarinete foi-se
apercebendo daquilo que achava serem imperfeições e logo fez questão de melhorá-las.

Sax destacou-se na construção de instrumentos de sopro: clarinetes, flautas, mas também


guitarras, harpas, violinos e pianos. Apresentou-se oficialmente pela primeira vez na
Exposição Nacional de Bruxelas entre Outubro e Novembro de 1835, exibindo um clarinete
com 24 chaves. O trabalho deste fabricante foi apoiado por muitas personalidades estrangeiras
tais como Georges Kastner (autor de obras pedagógicas e algumas composições), Fétis
(fundador da revista francesa Revue Musical), Habeneck (que estreou as sinfonias de
Beethoven em Paris), Savart (professor do Colégio de França), Berlioz e o general Rumigny.

Em Outubro de 1842, depois de obter um subsídio do governo belga, Sax fixou-se na Rua
Neuve-Saint-Georgesem Paris, onde teve que competir com outros grandes fabricantes de
instrumentos. Graças a um empréstimo do flautista Dorus, Sax adquire uma espécie de
armazém que vai lhe servir de alojamento. Pouco depois, em 1843 abre uma fábrica de
instrumentos onde vende seus produtos, em Outubro do mesmo ano a Revueet Gazette
Musicale fala do interesse despertado pelo clarinete baixo de Sax nos clarinetistas da ópera de
Paris.

No ano de 1848, transformou a sua modesta oficina numa grande fábrica, que contava com
191 trabalhadores e de onde saíram 20.000 instrumentos entre os anos de1843 e 1860. Nessa
mesma oficina construiu também uma sala de concertos que, pouco a pouco, foi conseguindo
uma grande reputação. Com este sucesso, não tardaram as conspirações contra Sax.

Em Dezembro de 1843 amplia novamente o seu clarinete baixo e desta vez Berlioz utiliza-o
no seu Réquiem, sendo o próprio Sax a interpretá-la. Pouco tempo depois, o mesmo Berlioz
organiza um concerto que foi realizado na sala Herz de Paris, transcrevendo o seu Chant
Sacré para um conjunto de seis instrumentos, todos eles inventados por Sax. Sax demonstrou
que o timbre de um instrumento está determinado, não pela natureza do material que o
instrumento é construído, mas sim pela proporção de ar que é emitida para dentro deste.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 2
Bom entendedor dessa lei, conhecida como Lei das proporções, Sax aperfeiçoou, engrandeceu
e completou grande parte dos instrumentos de sopro, madeira ou metal. Inventou novos tipos
de instrumentos, como:
Saxtrompas ou Bombardinos/Eufonium (corno sax), família de seis membros, foi um
instrumento que se utilizou em bandas com frequência e foi patenteado em 1843.
Sax-trombas, família de sete membros patenteada em 1845.
Saxofones, família de oito membros registrada em 1846.
Saxtubas, patenteada em 1849.
Sax também se interessou por instrumentos de percussão e durante os anos de 1852 e 1863
registrou uma série de patentes relativas a timbales, bombos e tambores. Sax viveu uma vida
longa; ficou arruinado por três vezes, mas nunca deixou de estudar, inventar e aperfeiçoar
instrumentos. Morreu em 7 de Fevereiro de 1894 com 80 anos de idade, completamente
arruinado, deixando ao mundo da música uma grande contribuição.

O SAXOFONE NO BRASIL

A literatura musicológica sobre o saxofone no Brasil é bastante escassa e com isso é


impossível determinar precisamente quando este instrumento foi introduzido no país. É
sabido, porém, que a sua trajetória sempre esteve intimamente ligada à música popular
brasileira, pois os primeiros expoentes do saxofone eram justamente músicos ligados aos
grupos de choro, estilo musical muito popular no Brasil que começou a ser estruturado no
final do século XIX e início do século XX, e também às bandas militares.

Os primeiros registros da utilização dos saxofones no Brasil são do final do século XIX e
constam justamente em registros de bandas militares, seguindo a tendência das formações
militares francesas que haviam incorporado esses instrumentos aos seus contingentes. No
Brasil, o saxofone chega 40 anos após a sua invenção e insere-se justamente nesse meio.
Frequentemente essas bandas marciais se apresentavam nos coretos de praças e jardins e
começaram a incluir em seus repertórios os gêneros musicais mais em voga na época, a saber
valsas, polcas, schottisches e mazurcas, todos eles importados da Europa. Aos poucos, esses
gêneros foram se modificando para se tornar o que conhece-se hoje por choro.

Os primeiros saxofonistas brasileiros foram flautistas ou clarinetistas que migraram para o


saxofone, muitos dos quais fizeram do saxofone, posteriormente, o seu instrumento musical.
Todavia, a maior parte deles dedicaram-se quase que exclusivamente à prática da música
popular. A exceção a eles foi Ladário Teixeira (1895-1964), músico mineiro, cego de
nascença que dedicou à prática da música de concerto e conquistou, na sua época, grande

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 3
renome internacional. Ladário ficou muito conhecido por conseguir tocar notas muito agudas,
fora da extensão do saxofone. Outros nomes da primeira geração de saxofonistas eruditas
brasileiros foram Waldemar Szpilman (de origem polonesa), Sandoval de Oliveira Dias e
Paulo Moura, porém esses três últimos não dedicaram exclusivamente à prática da música de
concerto.

Há de se mencionar ainda os trabalhos do professor Dilson Florêncio, que estudou no


Conservatório de Paris sob a tutela de Daniel Deffayet. Dilson Florêncio é o único saxofonista
latino-americano a ganhar o primeiro prêmio do concurso para saxofone do Conservatório de
Paris (Conservatoire National Supérieur de Musique de Paris), um dos principais prêmios
para o instrumento.

Além de instrumentistas, alguns compositores brasileiros escreveram obras para o saxofone.


A primeira peça brasileira escrita para saxofones é da autoria de Francisco Braga (1868-
1945), na peça melodramática O Contratador de Diamantes, um dos movimentos intitulado
Cantigas e danças de pretos foi adaptada para Quarteto de Saxofones. Heitor Villa-Lobos
(1887-1959) dedicou a sua Fantasia para Saxofone Soprano e Pequena Orquestra para o
segundo professor de saxofone do Conservatório de Paris, Marcel Mule. A peça acabou sendo
estreada anos mais tarde por Waldemar Szpilman. Outro compositor que escreveu obras que
hoje fazem parte do repertório tradicional do saxofone foi Radamés Gnatalli (1906-1988). Sua
peça mais conhecida para esse instrumento é o Concertino para Saxofone Alto e Orquestra.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 4
CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS

O Saxofone é um instrumento jovem, nascido em meados do século XIX. Nessa época, a


fabricação de instrumentos baseava-se na afinação, na facilidade da emissão de som e na
digitação. Em 1840, Adolphe Sax, já em Bruxelas, se encarrega de gerir a oficina de seu pai;
ele teve a ideia de criar um instrumento de sopro em que a sonoridade deste se aproximasse
dos instrumentos de cordas, mas que tivesse mais intensidade e, ao mesmo tempo, não fosse
muito difícil de tocar.

A partir dessa ideia surge o saxofone, um dos poucos instrumentos de uso comum na música
ocidental que é tão conhecido e, ao mesmo tempo, tão desconhecido. Este instrumento
combina as características do oboé (tubo cônico, porém mais largo) e do clarinete (boquilha e
palheta simples). A popularidade do saxofone deve-se à sua difusão em meios como o teatro
musical, a opereta e em movimentos musicais tais como música militar e, sobretudo, o Jazz,
apesar de ter sido criado para tocar em bandas e orquestras sinfônicas.

Os saxofones foram construídos em várias tonalidades: em Fá e Dó, destinados à orquestra


sinfônica e em Mib e Sib, destinados a tocar em bandas militares. O saxofone surge a partir de
uma experiência de Adolphe, que adaptou uma boquilha de Clarinete ao bocal de um
Oficleide.

O Oficleide é um instrumento antecessor ao Saxofone e foi largamente usado em bandas


marciais e civis até o século passado. Trata-se de um instrumento feito de metal que possuía
chaves com sapatilhas e bocal como o trompete. É uma evolução de outro instrumento
chamado “Serpentão”, que também era feito de um tubo oco contorcido de madeira. O
resultado foi um novo instrumento que ele batizou de Saxofone; o nome é o resultado da
junção do nome de sua família,” Sax”, com o sufixo “fone” que quer dizer voz.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 5
O Saxofone foi patenteado em 1846 incluindo 14 variações: Sopranino em Eb, Sopranino em
F, Soprano em Bb, Soprano em C, Alto em Eb, Alto em F, Tenor em Bb, Tenor em C,
Barítono em Eb, Barítono em F, Baixo em Bb, Baixo em C, Contra Baixo em Eb, Contra
Baixo em F. Contudo os mais usados pela relação acústica são o Soprano em Bb, Alto em Eb,
Tenor em Bb e o Barítono em Eb.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 6
A FAMÍLIA DOS SAXOFONES

Apesar de o saxofone pertencer a uma família de oito membros (contrabaixo, baixo, barítono,
tenor, melody (tenor em C), alto, soprano e sopranino, os compositores se limitaram a utilizar
o saxofone alto na maioria das peças e algumas poucas vezes o tenor e o soprano, deixando os
restantes para segundo plano.

Estes instrumentos comportam-se como uma verdadeira família, tendo qualidades e defeitos,
que se podem considerar como hereditários, guardando cada um o seu próprio caráter e
personalidade. Um é ligeiro, o outro é sombrio, um é caprichoso e outro é profundo. Hoje em
dia são fabricados em série seis destes oito saxofones, e mesmo assim em quantidades muito
desiguais.

O contrabaixo só existe cerca de uma dezena de exemplares, sendo alguns deles já peças de
museu. Reunidos todos os saxofones, estes atingem um âmbito igual ao de uma orquestra. A
combinação do corpo metálico com a embocadura proporciona ao saxofone uma vasta
variedade de sons, desde a sugestão de notas metálicas da trompa ao som profundo e
melodioso do violoncelo, passando pelos timbres agudos e delicados da flauta.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 7
AS PARTES DO SAXOFONE

O saxofone é composto de: boquilha (com palheta e braçadeira), tudel e corpo (campana com
a curva soldada).

FIGURA 1 DA ESQUERDA PARA A DIREITA:

TUDEL, PALHETA, ABRAÇADEIRA, BOQUILHA,

CAPA PARA BOQUILHA E O CORPO COM A CAMPANA SOLDADA.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 8
TESSITURA

O saxofone, tal como muitos outros instrumentos, é transpositor, isto quer dizer que não se
escreve na partitura do saxofone as mesmas notas que o público ouve. Isto acontece para que
os saxofonistas só tenham de aprender uma digitação para toda a família dos saxofones.

Por exemplo, se quer que um saxofonista toque o lá do diapasão, na partitura aparecerá: Para
saxofone sopranino: Fá # Para saxofone soprano: Si Para saxofone alto: Fá # Para saxofone
tenor: Si Para saxofone barítono: Fá # (agudo).

Diz-se que o soprano está em Si b, porque quando ele toca a nota Dó, o que se ouve é um Si b.
Apesar das possibilidades de extensão no superagudo (harmônicos), todos os saxofones têm o
mesmo âmbito, duas oitavas e uma sexta menor, à exceção do saxofone barítono, que possui
mais uma nota (Lá grave), que lhe permite tocar, em som real, um Dó, que seria um Dó grave
para o violoncelo.

A família, do mais agudo ao mais grave, se apresenta assim (as proporções mostradas
nas fotos entre os instrumentos, não correspondem as dos tamanhos reais):

SOPRANINO EM MIb

Fabricado em forma reta, como mostra o exemplo acima. Trata-se de instrumento raro, no
Brasil há poucos exemplares.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 9
SOPRANO RETO / CURVO EM SIb

Fabricado em dois modelos, reto e curvo. O modelo de soprano que têm formato curvo é
erroneamente chamado de sopranino. Seu tubo é curvo ao invés de reto, devido a isso ele
parece ter um tamanho menor, mas tem as mesmas medidas, sendo, tal como o reto, também
um saxofone soprano.

ALTO EM MIb

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 10
TENOR EM SIb

BARÍTONO EM MIb

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 11
BAIXO EM SIb

CONTRA BAIXO EM MIb

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 12
©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 13
SAXOFONES ACEITOS NA ORQUESTRA CCB

CARACTERÍSTICAS BÁSICAS PARA EXECUÇÃO

O Som do saxofone / como o som é produzido:

O som do saxofone é produzido através da vibração da palheta que se espalha pela vibração
da boquilha e para todo o instrumento. A palheta vibra porque ela é flexível. Fazemos a
palheta vibrar porque quando sopramos criamos uma diferença de pressão de ar.

“SOM BÁSICO” E “SOM MODIFICADO”

Texto extraído do Caderno de Saxofone - Sopro Novo Yamaha, por Erik Haimann Pais
(PAIS, 2008, pg. 14).

Todos que decidem aprender tocar saxofone iniciam nesse momento (ou deveriam), suas
buscas, discussões, pesquisas, debates e experiências sobre os equipamentos e fundamentos
básicos necessários para tocar esse instrumento. Contudo, antes de qualquer coisa, julgamos
necessário pensar um pouco sobre o lugar que o saxofone ocupa em nosso universo musical.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 14
Com frequência, as pessoas iniciam o estudo do saxofone tendo em mente um estilo musical
determinado que gostam de ouvir. É natural, portanto, que dediquem todas suas forças em
tentar (desde as primeiras notas) reproduzir o som e esses estilos ao tocar o instrumento.

Entretanto, o saxofone é um instrumento muito propício às modulações do timbre e às


distorções do som. Aliás, essas são características principais que tornaram o saxofone tão
popular como instrumento solista. Desta forma, acreditamos ser de grande utilidade a reflexão
sobre dois conceitos sonoros extremamente importantes, os quais chamaremos de “som
básico” e de “som modificado” (ou “som alterado”).

Compreender a diferença entre esses dois simples conceitos é determinante para o bom
desenvolvimento dos fundamentos básicos, para a escolha dos fundamentos básicos e para a
metodologia a ser utilizada para aperfeiçoar o controle sobre o que realmente se quer realizar
com o instrumento.

“Som básico” - É aquele que reflete fielmente o timbre do conjunto


instrumento-boquilha-palheta-abraçadeira, produzido por um sopro com
velocidade constante através de uma embocadura firme e estável. Esse som
tem as mesmas características de timbre nas diferentes regiões do instrumento
e nas diferentes dinâmicas. As notas não possuem modulações ou distorções
de afinação.

“Som modificado” - É toda e qualquer alteração que se faça ao “som


básico”, por movimento e alterações da embocadura, da língua, do sopro, da
garganta etc. No “Som modificado”, a nota não aparece simplesmente com
aquela altura definida por uma frequência, mas, sim, envolta por efeitos
sonoros que caracterizam determinados estilos musicais.

VIBRATO

Vibrato são pequenas oscilações de uma nota, muito usado no canto, tanto lírico como
popular, onde cada estilo/gênero vocal/instrumental têm sua forma própria quanto ao tamanho
da oscilação de amplitude e velocidade do vibrato. Frequentemente, o vibrato é usado como
forma de compensar inadequado desenvolvimento sonoro e afinação imprecisa. Quando
tocamos em naipe, não devemos usar vibrato para não interferir na afinação e no equilíbrio
sonoro do naipe. O bom vibrato, equilibrado e usado adequadamente, deveria integrar-se ao
estilo musical; quando chama atenção, é porque provavelmente se destaca dos limites do bom
gosto musical.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 15
O vibrato é um elemento expressivo no som do saxofone, muitos saxofonistas utilizam o
vibrato incessantemente tornando-o parte de seu som, porém, quando usado inadequadamente,
pode também ser uma parte muito traiçoeira no som do instrumento. Essa prática não é
aconselhada, pois o uso excessivo desse ornamento torna-se sem efeito; ele deverá ser usado
de acordo com o estilo em execução e, em alguns casos, torna-se desnecessário. O vibrato é
um ornamento como qualquer outro e precisa ser usado comedidamente, por exemplo, se
comparado a apoggiatura: imagine se colocarmos uma apoggiatura em cada nota que
tocamos; como ficaria? O saxofone é um instrumento com muita projeção sonora e
naturalmente se destaca, portanto todo cuidado é necessário.

 Evite o uso de vibrato quando estiver tocando em naipe.


 Pelas razões citadas nos itens elencados neste tópico, nas orquestras da CCB não é
aconselhado o uso do vibrato.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 16
O SAXOFONE E A FAMILIA DAS MADEIRAS

O saxofone pertence à família das madeiras ou dos metais, ou nenhuma? Abaixo segue alguns
itens que sustentam o saxofone como pertencente à família das madeiras.

 Estruturalmente ele tem a conicidade e a tessitura semelhante ao oboé.


 Os primeiros métodos para o instrumento eram de oboé pela
semelhança de tessitura. Atualmente as principais universidades do
mundo e do Brasil que oferecem o curso de bacharelado em saxofone
erudito utilizam-se de um dos principais métodos escritos para oboé,
FERLING, W. 48 Études. Paris: Alphonse Leduc, 1946.
 A digitação é semelhante à flauta e a clarineta.
 O sistema de chaveamento assemelha-se aos demais instrumentos dessa
família, ou seja, as notas são obtidas por combinações de chaves; uma
combinação de chaves é acionada e os orifícios são abertos ou fechados
dependendo da nota.
 A boquilha é semelhante à da clarineta.
 O som é obtido por meio da vibração de uma palheta simples como a
clarineta (de todos os instrumentos da família das madeiras somente a
flauta não utiliza palheta).
 As características timbrísticas originais (som real).
 Quando há a participação do saxofone nas orquestras (seja ela qual for)
e bandas sinfônicas (neste caso sempre), o saxofone posiciona-se com a
seção das madeiras (inclusive ensaia junto com este naipe).

A seguir um excerto visual da obra “Bolero de Ravel”, onde os saxofones tenor e soprano são
utilizados. Nota-se que o posicionamento de ambos é feito na mesma fileira das madeiras, ao
lado dos clarinetes, clarones e fagotes, e atrás do flautim, flautas, oboés e corne inglês:

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 17
Demais
madeiras

Saxofone
Tenor

Demais
madeiras

Saxofone
Soprano Reto

Todos os fatores elencados na página anterior, somados ao capítulo do livro didático


Instrumentos da Orquestra de Roy Bennett (BENNETT, 1988, p. 12-30) onde o saxofone está
incluído como instrumento pertencente à família das madeiras, reforça a tese que o saxofone
pertence a esta família. Outrossim, se queremos o saxofone com tal característica sonora para
o bem de nossas orquestras, é importante reforçar isso, porém, como tudo na vida, nada é
absoluto.

Nas orquestras da Congregação Cristã no Brasil, o saxofone é considerado como família, pela
grande quantidade desta categoria existente no seio das orquestras (desproporcional se
comparado aos demais instrumentos) e pelo fato que é admitido o quarteto de saxofones:
soprano (reto ou curvo), alto, tenor e barítono. Todavia tem que ser referenciado pela escola
erudita do instrumento, buscando sempre uma sonoridade dentro dos padrões da música
sinfônica.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 18
BOQUILHA

As boquilhas normalmente são construídas em ebonite ou


metal, mas também podem ser construídas em plástico e,
muito raramente, em madeira ou cristal.

Ao contrário do que se costuma pensar, o material com que


as boquilhas são construídas importa muito menos do que a
sua forma, pois a geometria da boquilha é mais determinante
na formação do timbre. Todavia, atualmente não existem
boquilhas de metal em fabricação adequadas para a prática da
música de concerto. A boquilha é constituída por várias
partes: a abertura, a mesa, a câmara, paredes laterais, bisel,
janela e ponta.

A abertura é a distância que separa a ponta da boquilha da


palheta. Com uma abertura pequena (uma boquilha fechada),
o saxofonista tem tendências a tocar com palhetas mais duras
e o seu som será mais fosco e aveludado (som de madeira).
Com uma abertura grande (uma boquilha aberta), será difícil tocar afinado e a tendência é
tocar com palhetas moles, deixando o som mais brilhante e estridente.

A mesa da boquilha é a parte plana que se prolonga até a parte curva. É sobre esta (mesa) que
deve ser colocada a palheta. O comprimento da mesa inclui também o comprimento da parte
curva. A câmara é a parte interior da boquilha onde nasce o som. O seu formato é muito
importante e determina a qualidade do som. Uma câmara pequena, com um teto baixo produz
um som rico em harmônicos.

Por outro lado, uma câmara grande, com um teto alto produz um som mais sombrio. Em
geral, na música erudita utiliza-se uma boquilha com uma mesa curta ou mediana e de
abertura pequena (boquilha fechada). No Jazz, as boquilhas com abertura grande são as
preferidas (boquilha aberta). Existem muitas boquilhas voltadas a prática da música popular,
Pierret, Otto link, Claude Lakey, Bari, Yamaha, Yanagisawa, B e N, Meyer, etc.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 19
 Alguns modelos de Boquilhas apropriadas para a prática do saxofone (clássico)
voltado à música de concerto (orquestra / música sacra CCB).

Saxofone soprano:

1. Vandoren - S15, S25


2. Selmer Concept
3. Selmer Série C* S80
4. Selmer Série S90 170
5. Optimum - SL3, SL4 e SL5

Saxofone Alto:

1. Vandoren - A17, A20, A27 e A28


2. Selmer Concept
3. Selmer Série C* S80
4. Selmer Série S90 170
5. Optimum - AL3, AL4 e AL5

Saxofone Tenor:

1. Vandoren - T20
2. Selmer Série C* S80
3. Selmer Série S90 170 até 200
4. Optimum - TL3, TL4 e TL5

Saxofone Barítono:

1. Vandoren - B35
2. Selmer Série C* S80
3. Selmer Série S90 170 até 200
4. Optimum - BL3, BL4 e BL5

Palhetas indicadas para as boquilhas relacionadas acima:


Vandoren Tradicional - números: 2.5 / 3.0 / 3.5
Rico Reserve - números: 2.5 / 3.0 / 3.5

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 20
 Outras boquilhas de modelos similares para a prática da música de concerto
(orquestra / música sacra):

Eugene Rousseau modelo Classic “R” e modelo New Classic

Jaf (linha erudita)

Barkley (linha erudita) “Classic S”

Nota: Para obter o som puro do saxofone, além de embocadura apropriada, respiração correta
e boquilha indicada é necessária uma combinação de boquilha e palheta com numeração
adequada para essa boquilha (conforme exemplo citado). É importante também colar uma
almofada (adesivo gelatinoso colado onde se apoiam os dentes sobre a boquilha no bisel).
Além do conforto e de interferir diretamente na sua embocadura e sonoridade, este adesivo
amortece a vibração na boquilha produzida pela palheta, principalmente nos instrumentos
mais graves (tenor, barítono, baixo e c. baixo). As horas de estudo somadas ao longo do
tempo podem afetar a dentição superior causando enfraquecimento e soltura da raiz dos
dentes.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 21
PALHETAS

A palheta, somada aos outros itens elencados no capítulo “o saxofone e a família das
madeiras” desta apostila, classificam o saxofone como membro pertencente à família das
madeiras. É uma das partes mais delicadas e importantes para a emissão do som. Da sua
qualidade depende não só o som, mas também a flexibilidade do instrumentista.

As palhetas de saxofone extraem-se duma planta chamada Arundo donax. O Arundo donax
mais apreciado provém de da região de Var, no sul de França junto ao Mediterrâneo.
Dependendo da parte onde é cortada pé ou cabeça da planta, a palheta tem qualidades
diferentes, distribuindo de maneira diferente a umidade e resistindo de maneira diferente à
temperatura. A palheta é constituída por várias partes: talão, partes laterais, bisel, coração e
ponta.

Se a sua palheta está molhada, seque o mínimo possível com pano de algodão e guarde numa
caixa especial de palhetas, nunca deixe a palheta solta no estojo, ela é muito frágil e vai
quebrar. Evite passar panos e os dedos na palheta demasiadamente. Procure tocar apenas na
parte onde há a casca. Devemos ter um cuidado especial com as palhetas. Tenha pelo menos 4
palhetas e use-as alternadamente para que durem mais.

Nunca mexa na ponta da palheta, não corte, não aperte, não toque, não lave, não esquente, não
lixe, não torça. Se você acha que a sua palheta precisa ser ajustada, peça ajuda a quem sabe
fazer isso. Se mesmo depois de ajustada, a palheta não ficar boa, jogue fora e compre outra,
pois palhetas não duram para sempre, elas precisam ser trocadas sempre que não estiverem
vibrando mais ou estiverem quebradas. Tente não se acostumar a “trabalhar” (lixar, raspar,

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 22
cortar) todas as suas palhetas, pois a tendência é que, com o passar do tempo, só se consiga
tocar com palhetas previamente lixadas ou modificadas.

Quando for comprar uma palheta, escolha uma que seja simétrica: coloque-a contra a luz e
observe se ela é igual: se um lado não está mais escuro que o outro. (foto1). Escolha palhetas
maduras, fuja das verdes e claras: olhe na parte traseira e você vai observar uma linha escura
muito fina logo abaixo da casca; isso indica que a palheta está madura (foto 2). Não fique
trocando de marca e número de palheta todo dia.

Use a mesma marca e número durante alguns meses, antes de criar sua opinião sobre ela.
Sempre umedeça a palheta antes de tocar, colocando-a na boca por alguns instantes. Se
preferir molhá-la com água, não a deixe imersa por muito tempo, pois isso a deformará.
Existem fabricantes que pesquisam palhetas de outros materiais, que não são cana.

No mercado atualmente, além das palhetas plastificadas (plasticover), temos palhetas em


plástico e fibra de vidro (bari e fibracell). A vantagem dessas palhetas é estarem sempre
prontas para o uso e estáveis com as mudanças climáticas. Contudo, nenhuma dessas
tecnologias ainda foi capaz de reproduzir o som rico em harmônicos e o timbre caloroso
e vivo de uma palheta de cana.

Não se acostume a usar apenas uma palheta. A pressão da embocadura se relaxa à medida que
a palheta se enfraquece e assim todas as palhetas parecerão forte demais.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 23
ABRAÇADEIRA

Para fixar a palheta à boquilha, Adolphe Sax, já em meados do século XIX, fabricou uma
abraçadeira metálica com parafusos (parecida com a que se utiliza hoje em dia). Mesmo assim
os fabricantes e saxofonistas não param de criar novos modelos de abraçadeiras que permitam
uma maior aderência de palheta à mesa da boquilha sem ter de pressionar demasiado o talão.

Abraçadeiras metálicas: São mais adequadas para grandes salas de concerto ou para solistas.

Abraçadeiras maleáveis (couro e outros): São em geral adequadas a pequenas salas, musica
de câmara ou pequenos grupos.

Como testar uma abraçadeira:

Toque primeiro com sua abraçadeira habitual. Depois, sob as mesmas condições, teste a nova
abraçadeira; procure observar a suavidade, passagem por entre os registros, a consistência de
volume e qualidade de som nos graves, médios e agudos. Ao mesmo tempo, escute as
diferenças encontradas quando toca piano e forte. Verifique se é mais fácil tocar staccato ou
não. Se possível faça o teste com outro músico presente. Por vezes, as diferenças entre as
abraçadeiras são identificadas mais facilmente por outra pessoa e não pelo próprio músico.
Como escolher uma abraçadeira: Experimente os vários modelos de abraçadeiras disponíveis
em uma loja. Diversos tipos de abraçadeiras satisfazem necessidades diversas, qualquer que
seja o modelo.

Existem também outros modelos e marcas diferentes. Vale sempre lembrar:” A melhor
abraçadeira é a que melhor se adapta as suas necessidades”.

CUIDADOS BÁSICOS

Mais importante do que ter um instrumento de boa marca, é que o seu ESTEJA bom.
Portanto, entregue seu saxofone sempre que for preciso aos cuidados de um técnico
profissional e responsável para realizar a sua manutenção. Ele só trabalha com isso e tem
ferramentas e acessórios apropriados para a realização de tais serviços. Desconfie se seu
instrumento estiver apresentando muita resistência ou grande dificuldade na emissão de
algumas notas; pode ser que o problema seja de regulagem mecânica e não de execução.

Nunca, em hipótese alguma, lave seu instrumento montado na água corrente ou na banheira!
Limpe seu saxofone por fora após tocá-lo com uma flanela macia e seque-o por dentro com

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 24
um pano amarrado a um barbante numa ponta e um pequeno peso revestido na outra. A cada
dois anos, no máximo, leve seu instrumento ao seu técnico de confiança para fazer uma
limpeza completa e ele desmontará totalmente o saxofone e limpará minuciosamente peça por
peça. Seque seu instrumento mesmo depois de ter tocado poucos minutos, pois a condensação
começa a se formar a partir dos primeiros instantes de uso. Não utilize o “Pad Saver”, também
chamado de escovão (espécie de arame com fios sintéticos em sua volta), feito para ficar
dentro do instrumento. Ele é extremamente ineficaz, pois conserva a umidade e permite a
oxidação dentro do corpo do saxofone e dos reverberadores (presos às sapatilhas) quando
feitos em metal. Também soltam fios dentro do tubo, e se um desses fios ficarem entre uma
chaminé e uma sapatilha isso causará o chamado micro vazamento. Além disso, o couro das
sapatilhas perde sua elasticidade e prejudica a sua função de junta. Depois de algum tempo de
utilização, algumas sapatilhas têm tendência a colar. Para evitar que isso aconteça, passe um
pano que não solte fios com um pouco de álcool líquido entre a sapatilha e a chaminé. Melhor
que o papel com talco que com o tempo acentua o problema. - Use pedaços de papel
recortados em forma de quadrado para secar as sapatilhas. Isso retardará o desgaste das
mesmas, principalmente as das chaves do registro agudo, que ficam mais úmidas que as
demais. Lubrifique seu saxofone em intervalo máximo de dois meses. O atrito de metal contra
metal é a principal causa de jogo nas chaves. Use uma pequena chave de fenda para colocar
uma gota de óleo em cada junta com parafuso e não se esqueça de lubrificar as molas.

ORIENTAÇÕES PARA COMPRAR O INSTRUMENTO

Na hora de comprar um saxofone, temos dúvida sobre as marcas de saxofones. São


recomendados para os iniciantes os saxofones de mecânica moderna “made in China”, porque
são baratos, mais fáceis de pagar, de boa afinação e anatomia moderna. Algumas marcas são
facilmente encontradas no mercado como: Michel, Dolphin, Coniff, Condor, Eagle, Vince,
CSA, Maxtone, Conductor, Stagg, Jupiter, HandCraft, SelmerBandy, Shelter, Century, Olds,
L.A., Armstrong, Winston, Arena, Rmv, Pierret, Dolnet, York, Antigua, Winds, Buffet
Crampon, Conn e o nacional WERIL. Para quem deseja adquirir um instrumento superior
existem as linhas profissionais Yamaha, Yanagisawa, ou Selmer (Frances). Se preferir
comprar um instrumento mais antigo, os chamados instrumentos “vintage”, como por
exemplo: Martin, Buerscher, Conn, King, Galasso, Weril e outros, apesar de sua comprovada
e incontestável superioridade sonora, você pode se deparar com uma série de inconvenientes,

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 25
como afinação, mecânica ruim, ergonomia ruim e etc. Nesse caso é preciso consultar uma
pessoa experiente.

SUGESTÃO PARA POSTURA DO CORPO E O USO DE CORREIAS

Posição do corpo:

Os ombros devem estar soltos (sem tensão) para criar espaço para o pescoço. Ajuste a correia
para que o saxofone fique numa altura confortável e que sua cabeça não fique forçada para
trás nem para frente. O tudel e a boquilha devem ser girados e ajustados numa posição em que
não seja necessário dobrar a coluna ou o pescoço para o lado, em função de alcançar a boca na
boquilha. É o instrumento que deve moldar-se no corpo e não ao contrário. A melhor maneira
de posicionar as mãos no instrumento pode ser definida como uma maneira sem nenhuma
tensão nos dedos, nas mãos, nos braços ou nos ombros. O peso não pode ficar totalmente
sobre as mãos e a maior parte do peso do instrumento deve ser distribuído na correia. Com
uma posição correta é muito fácil chegar a uma boa técnica com limpeza e agilidade nas
notas.

Postura do corpo ao instrumento / Saxofone

Postura e posição do instrumento sempre são aspectos ignorados e desempenham


um papel importante. O saxofone deve ser considerado como uma parte do músico, e uma
associação íntima com o instrumento cria um sentimento espontâneo e natural ao tocar.
Quando uma pessoa assume uma atitude tensa ao tocar, o resultado é um atraso nos aspectos
físico e mental do progresso musical, comprometendo a respiração, a sonoridade, a execução,
e é nitidamente percebido, comprometendo a qualidade na orquestra. Peso e equilíbrio ditam a
maneira de segurar o saxofone, o qual é determinado por tipo de instrumento e o aspecto
físico do executante (TEAL,1963, p.26).

A questão postural é de fundamental importância para termos uma respiração


eficiente e um bom dedilhado das chaves. Tanto tocando em pé quanto sentado, devemos ficar
com as costas retas e as pernas descruzadas, de forma natural, sem nenhuma espécie de tensão
ou torção muscular, para ter equilíbrio par assoprar e, ao mesmo tempo, controlar a digitação
do instrumento, ou seja, é essencial que o músico esteja com seu instrumento em uma posição
confortável para tocar. (PAIS, 2008, p.18). Diversos saxofonistas possuem dúvidas quanto à

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 26
posição de segurar o instrumento. Iremos conhecer as posições indicadas para cada tipo de
saxofone.

Saxofone soprano: Sempre seguro de frente, ao centro da pessoa, da mesma


maneira que o clarinete e o oboé, exceto que a campana do instrumento situa-se um pouco
mais longe. Isto é regulado pela posição da boquilha, a qual é de 45 graus se comparado aos
30 graus do clarinete (Posição frontal).

Saxofone barítono: Ao se utilizar correias, seja a de pescoço ou a que se prende


ao tronco, segure-o na lateral da perna direita. Porém, no caso dos músicos que se utilizam do
suporte (pé de apoio, pezinho) fica facultado ao músico escolher a posição, posição lateral, ou
a posição frontal (no centro do corpo). O importante ao se optar por uma posição em
particular, é, ter o cuidado de não ficar em uma posição desconfortável, com o corpo mal
posicionado (torcido, tensionado), comprometendo a respiração e, à longo prazo, causando
danos à coluna vertebral. Além disso, há de se observar de que o espaço entre os bancos em
boa parte das igrejas é bastante limitado, o que agrava as tensões dos braços e mãos do
músico ao adotar o posicionamento lateral do instrumento com suporte. Dessa forma, para
àqueles que se utilizam do suporte, a posição mais indicada é a frontal (entre as pernas), como
o clarone e o violoncelo.

Saxofone alto: De acordo com TEAL (1963, p. 27), “o alto parece ser, em geral, o
tipo mais irregular e a posição de ser segurada deve ser controlada pela pessoa em particular.
Um adulto segura frequentemente o sax de frente – posição frontal, enquanto uma pessoa
menor usa-o de lado. O peso dos braços é um fator determinante quando alguém decide por
sua posição particular. Se os braços estão confortáveis e o ângulo da boquilha está correto não
há razão para preocupação”.

Saxofone tenor: A mesma regra que vale para o saxofone alto. Assim sendo, tanto
a posição frontal quanto a lateral são posições corretas. Alguns músicos de estatura elevada
seguram o saxofone de lado por desconhecimento ou receio de estarem errados, mas se o
segurarem na posição frontal, além de se sentirem mais confortáveis, estarão otimizando a
respiração, além evitar danos à coluna vertebral. Logo, a definição entre a posição frontal ou
lateral é de caráter exclusivamente ergonômico e deve ser empregada em função do que
permite o melhor conforto do músico. Em geral, músicos de estatura mais alta optam pela
posição frontal, enquanto músicos de estatura mais baixa tendem a priorizar a posição lateral,
porém isso não é uma regra e sim uma tendência de escolha. Deve se ter o cuidado de não
adotar posturas prejudiciais como apoiar o saxofone sobre a perna, condição habitualmente

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 27
observada em alguns músicos que tocam o saxofone soprano ou alto e não utilizam a correia.
O saxofone é um instrumento pesado e o uso da correia distribui melhor o peso do
instrumento, aliviando o peso sobre os braços e deixando as mãos livres apenas para a
digitação do instrumento.

Posição frontal: O saxofone é posicionado na posição central, em frente ao corpo.


Posição lateral: O saxofone é posicionado na lateral do corpo, apoiado na lateral da perna
direita. Cada músico deve procurar a posição mais confortável que lhe proporcione melhor
ergonomia para aplicar as técnicas de respiração e digitação do saxofone. O instrumento deve
se ajustar ao corpo como se fosse uma extensão natural do mesmo.

EXEMPLOS:

SAX SOPRANO FRONTAL SAX ALTO LATERAL SAX ALTO FRONTAL

SAX TENOR LATERAL SAX TENOR FRONTAL

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 28
SAX BARITONO LATERAL SAX BARITONO FRONTAL

Posição das mãos e dedos para o saxofone


A posição correta das mãos e dedos para tocar o saxofone é de suma importância para o
desenvolvimento técnico dos estudos. Os dedos devem estar levemente flexionados e somente
as pontas dos dedos devem tocar nas chaves nos locais próprios para o apoio. A pressão
exercida deve ser firme, porém, relaxada, assim possibilita maior velocidade na execução.
Quando os dedos não estiverem acionando as chaves eles devem permanecer próximo a elas e
“não devem ficar levantados”.

EXEMPLOS:

 Correto

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 29
 Errado

PRINCÍPIOS DA RESPIRAÇÃO PARA O SAXOFONE

Texto, exercício e ilustrações extraídos do trabalho acadêmico “Respiração para instrumentos


de sopro” do professor Amarildo Nascimento (NASCIMENTO, 2015, p. 6-11).

Antes de começar a tentar produzir qualquer tipo de som em qualquer instrumento de sopro, é
de fundamental importância que se aprenda a respirar de maneira correta de forma a aplicar
essa respiração ao tocar. Cabe ao professor ser rigoroso em ensinar este tópico a seus alunos.
A prática da respiração deve ser feita diariamente antes de abrir o estojo do instrumento e essa
prática será para a vida toda. O processo respiratório é realizado de forma simples e natural
com apenas dois atos: inspirar (“puxar” o ar para dentro dos pulmões) e expirar ou exalar
(soltar o ar que entrou nos pulmões). Mas, até que o ar chegue aos pulmões é necessário que
percorra um longo caminho. Todo esse processo do ar acontece através de um sistema
chamado: Sistema Respiratório. O sistema respiratório é formado por: “dois pulmões, as
fossas nasais, a boca, a faringe, a laringe, a traqueia, os brônquios, os bronquíolos e os
alvéolos”.

Veja ilustração do sistema respiratório na figura abaixo.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 30
Todo ser - humano respira desde o primeiro até o último segundo de vida sem que ninguém
lhe ensine. Respirar é um processo natural e é uma das funções mais importantes do corpo.
Porém, quando se trata de tocar um instrumento de sopro ou de cantar, a respiração que
utilizamos em nosso cotidiano não é suficiente para a realização dessas atividades. É
necessário que se estude como respirar corretamente de maneira a aplicar estes estudos na
realização de tais atividades.

O músico que toca instrumento de sopro ou canta precisa ter em mente que, além de tocar ou
cantar, o corpo necessita do ar para manter seu bom funcionamento. O primeiro treinamento
respiratório que se deve fazer é: como ter uma respiração completa. Para a maioria das
pessoas acontece o seguinte: quando se pede para alguém, não treinado, fazer uma respiração
profunda, nota-se que esse alguém estufa o tórax de maneira à quase “explodir”. Percebe-se
que essa não foi uma respiração completa porque, foi utilizada apenas uma parte dos pulmões.
Para que a respiração seja completa, é necessário que se imagine que está “enchendo a barriga
de ar” e depois o “tórax”. (Foi dito para imaginar porque é impossível encher a barriga ou o
tórax de ar. O ar só vai para um local: os pulmões). Entre os diversos músculos que envolvem
o ato de respirar, existe um que é o mais importante entre eles. Esse músculo é o diafragma. O
diafragma é classicamente descrito como um músculo delgado e achatado, que separa a
cavidade torácica da cavidade abdominal.

Veja figura abaixo.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 31
Quando inspiramos de maneira correta, o diafragma desce, aumentando a cavidade do peito e
diminuindo a pressão interna do ar, que por consequência, entra nos pulmões. Pode-se
observar também que os órgãos do corpo logo abaixo do diafragma ficam com menor espaço,
o que causa uma expansão do diâmetro da cintura. A expansão da cintura é um resultado da
contração do diafragma no momento da inspiração. A respiração está para os instrumentos de
sopro assim como o arco está para o violino e os instrumentos da família das cordas. Um dos
primeiros ensinamentos que um aluno de violino recebe é como se deve trabalhar o arco,
porque, para produzir som o violinista dependerá totalmente dos exercícios realizados com o
arco. Do mesmo modo, os instrumentistas de sopro dependerão exclusivamente do ar para
conseguir produzir qualquer tipo de som. Levando tudo isso para a prática, é o momento de
vivenciar alguns exercícios de respiração para serem aplicados ao tocar.

EXERCÍCIO DE RESPIRAÇÃO

(ESTUDO DIÁRIO)

1- Com o dedo indicador encostado nos lábios (veja figura abaixo), faça inspirações e
expirações lentas e profundas. Respire sempre pela boca mantendo os cantos
relaxados. Pronuncie WÔW ao inspirar e THÔW ao expirar.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 32
2- Encoste o dedo indicador nos lábios (como na figura acima) mantendo os cantos da
boca relaxados. Agora, pela boca, faça uma inspiração de 5 tempos seguida de uma
expiração de 5 tempos. Ao inspirar, pronuncie a palavra WÔW. Ao expirar pronuncie
a palavra THÔW.

EMBOCADURA

A embocadura é a posição dos lábios e da musculatura facial correta para se obter o som do
instrumento. A embocadura é a conexão mais importante com seu instrumento.

Existem três conceitos básicos de embocadura.

1- Os dentes superiores se fixam sobre a boquilha (F.1).


2- Os lábios e a musculatura facial envolvem a boquilha por todos os lados (F.4).
3- O lábio inferior fica em contato com a palheta (F.1).
A partir deste conceito existem as variações:

A quantidade de boquilha que se põe dentro da boca determina a qualidade do som. Pouca
boquilha na boca (tocando na pontinha) deixa o som apagado a instável. Muita boquilha na
boca (engolindo mais) deixa o som estourado e descontrolado.
©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 33
Geralmente os dentes superiores posicionam-se em torno de um centímetro e meio (1½)
partindo da ponta da boquilha (F. 3). A quantidade de lábio inferior para dentro ou para fora
depende da formação física de cada um. Contudo não se deve dobrar todo o lábio inferior,
nem deixar que a parte interna, mais vermelha, do lábio inferior escape para fora e apareça.

Exercícios:

1 - Faça várias vezes a embocadura sem o instrumento na frente de um espelho, sempre se


avaliando. Observe a máscara facial e veja se está no formato dos exemplos.

2 – Repita a etapa anterior só com o tudel, boquilha e palheta, depois com o saxofone (tocar
notas longas). Procurar não dobrar muito o lábio inferior, porque quanto menos lábio na
palheta, mais ela vibra produzindo mais harmônicos.

 Importante: Evite a embocadura “lip out” (Lábio para fora)

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 34
©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 35
©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 36
©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 37
.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 38
Nota
 Todos os exercícios intitulados como Estudos Diários deverão ser praticados na frente
de um espelho com o auxilio de metrônomo e afinador, observando a embocadura,
respiração, postura, precisão rítmica e afinação.
Exemplos musicais elaborados com Finale 2014

NOTAS LONGAS

“Para produzir um som firme, limpo e principalmente afinado, é extremamente importante


que todos os músicos pratiquem exercícios com notas longas diariamente, (não “pulem” essa
parte do estudo em hipótese alguma). Infelizmente, o estudo de notas longas tem sido muito
negligenciado pelos estudantes de instrumentos de sopro na CCB. Muitos acham que o estudo
é “chato” e outros, têm pressa para começar a tocar um “monte” de notas rápidas ou “passar
logo” aquele estudo do método para começar a tocar mais rápido nos ensaios e cultos, mas se
esquecem de que: para correr é preciso, primeiro, saber andar” (NASCIMENTO, 2014, p. 23).
Músicos profissionais estudam notas longas todos os dias.

Principais benefícios:
.
 Estabilidade do fluxo da coluna de ar e domínio sobre a velocidade do ar, habilitando
para execução de dinâmicas mp, p e pp.
 Fortalecimento e moldagem da mascara facial (todos os músculos que compõem a
embocadura).
 A somatória dos itens acima resulta em uma melhora significativa favorecendo o
maior controle sobre a afinação.

Pratique os exercícios de notas longas a seguir:

EXERCÍCIO DE NOTAS LONGAS

Estudo diário: estudar em media 2 exercícios por dia, não mais. Exemplo, “A” e “C”

Procurar tocar com som firme e reto, atento à embocadura, afinação, respirações,
indicação de metrônomo e dinâmicas.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 39
©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 40
H) Praticar somente com a boquilha:
1 - Tocar uma nota o mais grave que consiga alcançar somente com a boquilha.
Após encontrar e estabilizar esta nota, tocar de forma diatônica ascendentemente partindo da
nota mais grave até completar um pentacorde.
Exemplo - Sax alto: Fá, Sol, La, Si, Dó.
2 – Repetir o exercício completando o pentacorde cromaticamente.
Exemplo: De meio em meio tom, Fá, Fá#, Sol, Sol#, La, La#, Si, Dó.
3 - Havendo progresso nas etapas anteriores, estudar a parte do soprano dos Hinos 39 e 208
(somente com a boquilha).

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 41
AFINAÇÃO

Estude com o afinador eletrônico, mas não tenha nele seu único recurso. Aprenda utilizar seus
ouvidos para corrigir as falhas de afinação do seu instrumento, e lembre-se que mesmo as
melhores marcas de saxofones também têm correções de afinação a ser feitas. O uso do
afinador é de grande utilidade, mas o principal objetivo é o desenvolvimento do treinamento
auditivo e não do visual.

Ao afinarmos o nosso instrumento com uma nota de referência (órgão na igreja ou com
diapasão e etc.) sopre sempre de forma natural e procure com pequenas alterações de pressão
e relaxamento na embocadura, perceber se sua afinação está “alta” ou “baixa” em relação a
referência. Ou seja, se houver oscilações ao tocar junto e elas diminuírem à medida que você
aumenta um pouco a pressão dos lábios, sua afinação está “baixa”. Se as oscilações
diminuírem à medida que você relaxa a pressão dos lábios, sua afinação está alta.

Principais benefícios:

 Notas bem afinadas estabilizam o acorde beneficiando todo o conjunto musical.

ARTICULAÇÃO

Damos o nome de articulação ao procedimento utilizado para iniciar um som ou separa-lo de


outro. Esta tarefa é realizada com a língua. No jargão musical, você verá muitas vezes,
referindo-se ao início do som, termos como “golpe de língua” e “ataque”. Apesar de serem
termos válidos e consagrados pelo uso, deve-se ter cuidado, porque muitas vezes eles podem
inconscientemente conter um significado muito agressivo. Um golpe pode conter uma carga
de agressividade. Esta pode ser uma das razões do porque muitos saxofonistas usam a língua
de maneira excessivamente percussiva e agressiva. Fica grosseiro e pesado. É muito melhor
pensar em termos como início da nota ou pronúncia (PINTO, 2014, p.14).

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 42
EXEMPLOS DE ALGUNS TIPOS DE ARTICULAÇÃO (MED, 1996, p. 218-220):

 As formas de execução das articulações exemplificadas permitem pequenas


variações dependendo do período da historia música e/ou do compositor.
Recomenda-se pesquisar a representação gráfica dos sons segundo o autor
Bohumil Med (MED, 1996, p. 218-220).

OUTRAS SÍLABAS UTILIZADAS PARA ARTICULAÇÃO:

 LETRA “N”: “NA”, “NI” e “NU”


 LETRA “F”: “FU”
 LETRA “D”: “DA”, “DE”, “DI” e “DU”
 LETRA “H”: “HOO” (Mais utilizada na música popular)

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 43
EXERCÍCIO DE ARTICULAÇÃO

(ESTUDO DIÁRIO)

O estudo da articulação é para que se obtenha controle sobre a língua, tanto na pronúncia da
sílaba quanto na velocidade, bem como a clareza e definição das notas.

Principais benefícios:

 Precisão, agilidade e leveza na emissão do som,


 Iniciar a nota com qualidade sonora, intensidade correta (conforme a necessidade) e
afinação constante.
 Articular as notas sem alterar a forma de soprar.

Obs.: O domínio da articulação contribui significativamente para um melhor manuseio do


fraseado no texto musical. Por se tratar de ser um trabalho voltado para a TÉCNICA BÁSICA
do estudo do saxofone, nos exercícios propostos, é indicado somente o uso da silaba “T”, por
entendermos ser a articulação mais difícil de obter o controle.

Pronunciar as notas com a sílaba “TU” (“Ti”)

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 44
©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 45
©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 46
ARTICULAÇÃO/LIGADURA/ALTERNANCIA DE REGISTRO

(Na mudança de registro não fazer band/glissando (“Quaein”).

ESCALA MAIOR

A escala é a fonte para o domínio do idioma do instrumento e também um meio de


comunicação dentro da linguagem musical.

A importância do estudo das escalas:

“O estudo de escalas auxilia o músico a ter uma boa afinação e uma melhora na sincronia dos
dedos. É importante enfatizar que qualquer música é escrita a partir de uma escala. Portanto, é
imprescindível o estudo de escalas. Na CCB, é impressionante a quantidade de irmãos
músicos que não tem a menor noção do que é uma escala (a maioria conhece o “famoso” dó a
dó). Todo músico tem por obrigação decorar, no mínimo, todas as escalas maiores haja vista
que os hinos são todos em tonalidade maior” (NASCIMENTO, 2014, p. 35).

Principais benefícios:

 O estudo diário das escalas propicia maior agilidade nos dedos e maior fluência na
digitação em todas as tonalidades.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 47
EXEMPLO DE EXERCÍCIO DE ARTICULAÇÃO SOBRE A ESCALA MAIOR
(ESTUDO DIÁRIO)

Praticar este estudo sobre a escala maior em todos os tons com dinâmicas diferentes e
articulações variadas.

Forma de estudo: Começar lento, havendo progresso, aumentar a velocidade em quatro bpm
para cada repetição, objetivando cada vez mais, fluência nas escalas e suavidade nas
articulações.

EXERCÍCIOS DE MECANISMOS

(ESTUDO DIÁRIO)

Principais benefícios:

 O estudo dos exercícios de mecanismos proporciona precisão, agilidade e


familiaridade com todas as posições objetivando o desenvolvimento do equilíbrio na
velocidade da digitação do saxofone.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 48
Mecanismos 1

Mecanismos 2

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 49
OBSERVAÇÕES PARA A PRÁTICA EM GRUPO

Nos cultos e ensaios, nota-se que há muitos irmãos tocando saxofone com sonoridades que
não são compatíveis com a massa sonora de uma orquestra e também não é raro a prática de
tocar mais forte, com uma intensidade muito acima dos demais instrumentos que tocam a
mesma voz, até mesmo, cobrir toda uma orquestra com o som do seu instrumento. Fato que se
dá, talvez, por não possuírem boas referências sonoras do instrumento e não ter o
entendimento da proposta musical de uma orquestra e principalmente das orquestras da CCB.

Efeitos: bands (Quaein), glissando, som rocado e outros.

Na música popular, muito embora haja liberdade para o uso, estes efeitos/ornamentos, são
utilizados comedidamente. Na música erudita ou na chamada música de concerto
contemporânea, também são utilizados quando o compositor escreve na partitura o efeito
desejado por ele. Nas orquestras da CCB não devemos fazer uso de tais efeitos por duas
razões lógicas; os hinos não são considerados música popular e tais ou nenhum efeito está
escrito no hinário. Portanto cuidemos para guardar os princípios básicos de coerência
musical.

ESTUDO/PRÁTICA DE CONJUNTO

Este estudo destina-se para aplicação de todas as técnicas estudadas nas etapas anteriores.

Principais benefícios:

 Desenvolver a prática de grupo, percepção e a cognição musical.


 Aprimoramento da escuta ativa. A escuta ativa é não ouvir apenas apropria voz, é
ouvir ou tentar ouvir todas as vozes ao mesmo tempo e interagir de maneira
apropriada.
 Desenvolver a capacidade de timbrar o som. Primeiro com o seu naipe ou categoria,
segundo com os outros instrumentos que tocam a mesma voz e por fim, com todo o
conjunto/orquestra.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 50
©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 51
SAXOFONE BARÍTONO

“Efeito Ping-pong”

O que trataremos aqui como “efeito ping-pong” são as quebras de frases ocorridas durante a
execução da quarta voz do nosso hinário pelo sax barítono. A quarta voz também é tocada
pelos saxofones, baixo e contra baixo, porém esses são menos propensos a tal problema
(efeito ping-pong) pelo fato de alcançar até a nota Fá -1 (uma oitava abaixo do que está
escrito).

Na busca por notas no registro mais grave do instrumento, os irmãos tocam uma oitava abaixo
do que está escrito, além de saírem da tessitura proposta no hinário, gera saltos inexistentes na
voz do baixo, contrários aos escritos originalmente, proporcionando alteração de timbre e
quebra de frase no caso especificamente do saxofone barítono.

OITAVA CORRETA DO SAXOFONE BARÍTONO NO HINÁRIO:

O saxofone barítono deve fazer a voz do baixo (salvo em necessidades especiais). Para uma
correta execução do baixo pelo saxofone barítono, é necessário que ele toque na altura escrita
no hinário, ocupando o espaço entre o baixo profundo (tuba e pedaleira) e o tenor, cumprindo
assim a sua função de barítono*.

Essa regra (de não trocar as oitavas do baixo) pode parecer ter sido criada somente para
“atrapalhar”, porém é muito fácil compreender sua lógica se fizermos o mesmo em outra parte
que não seja o baixo:

Exemplo: Troca de oitava na voz do soprano

OBS: Essa regra também se aplica aos seguintes instrumentos: Violoncelo, Fagote, Clarinete
baixo (“Clarone” baixo) Eufônio/Bombardino (de 3 ou 4 pistos).

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 52
EFEITO PING PONG NO HINO 395.

As figuras circuladas são as notas que a tessitura do saxofone barítono não alcança quando
tocado uma oitava abaixo do que está escrito para a quarta voz.

Obs.: As notas assinaladas com asterisco*(Sib) são alcançadas apenas pelos saxofones barítonos
modificados. Esta modificação acrescenta geralmente as notas Lá, Lab e Sol (Do, Si e Sib – som
real) nos saxofones com mais de vinte anos. Lab e Sol (Si e Sib – som real) para os saxofones
fabricados a partir de vinte anos, aumentando sua extensão respectivamente até a nota Sib -1
(som real).

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 53
SAXOFONES, BARÍTONO, BAIXO E CONTRA BAIXO

Quando tocamos em naipe, tudo é importante em relação à unidade sonora. A primeira


preocupação que devemos ter é com a afinação e o timbre, precisamos tocar afinados, timbrar
e equilibrar o som com os outros instrumentos que fazem a mesma voz. Para os saxofones,
equilibrar o som buscando uma unidade sonora com as tubas é uma tarefa que exige bastante,
devido às diferenças nas características construtivas desses instrumentos. Além disso, os
saxofones (barítono, sax baixo e contra baixo) usados na CCB, atualmente, são poucos os
modelos originais. Muitos destes instrumentos foram adaptados para alcançarem notas mais
graves e outros até construídos ou reconstruídos artesanalmente. Como resultado, temos
percebido ao longo do tempo, muitos problemas ergonomia e principalmente de afinação.

Portanto, toque sempre dentro da tessitura escrita no hinário e use instrumentos originais
buscando sempre uma unidade sonora com os outros instrumentos que tocam a quarta voz.

BOQUILHAS PARA SAX BAIXO E CONTRA BAIXO

Boa parte dos irmãos que tocam sax baixo acaba usando boquilha de sax barítono por serem
muito parecidas. Por fora as boquilhas se parecem em forma e tamanho, porém as câmaras
possuem tamanhos diferentes, fato que dificulta um timbre homogêneo com os demais
instrumentos que fazem a quarta voz. Outro fator que contribui significativamente para isso
são os preços. Atualmente existem poucos fabricantes e o preço de uma boquilha para sax
baixo custa em torno do dobro de uma para barítono. Uma saída para este problema é buscar
alternativas em boquilhas de marcas genéricas.

EXERCÍCIO FINAL:

APLICAÇÃO PRÁTICA DAS TÉCNICAS ESTUDADAS NO HINÁRIO

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 54
REPERTÓRIO BÁSICO PARA REFERÊNCIA

“A escuta musical, além de ser um prazer, é considerado parte dos estudos”.

Repertório sinfônico:

Quadros de uma exposição Modest Mossorgsky - orquestração de Maurice Ravel, A


Criação do Mundo – Darius Milhaud, Suíte L`arlesiana - Georges Bizet, Sinfonia Domestica
- Richard Strauss, Porg and Bess, Rapsody in blue - George Gershwin, Opera de quatsous -
Kurt Weill, O tenente Kijé op. 60 - Prokofiev, Concerto em memória de um anjo- Alban
Berg, Sinfonia nº 6 - Vaugham-Williams, Polyphonie- Pierre Boulez, Gruppen – Karlheinz
Stokhausen, West Side Story - Leonard Bernstein.

Concertos para saxofone e orquestra:

Concerto em Eb - Alexander Glazounov, Concertino da Câmera - Jacques Ibert, Concerto -


Pierre Max Dubois, Ballade - Henri Tomasi, Ballade - Frank Martin, Scaramouche –
Darius Milhaud, Concertino para sax alto e orquestra - Radamés Gnattali, Fantasia para sax
soprano e orquestra - Villa Lobos.

Repertório camerístico (solo, duos e pequenas formações):

Capriceen Forme de Valse -Paul Bonneau, 12 Études-Caprices – Eugène Bozza,


Improvisation I, II e III- Ryo Noda, Sequenza IX b - Luciano Berio, Aria - Eugène Bozza,
Sonate - Paul Hindemith, Sonatine Sportive - Alexandre Tcherepnine, Sonata Opus 19. -
Paul Creston, Quartett Op.109 - Alexander GLASOUNOV.

Métodos adicionais para o estudo do saxofone:

FERLING, W. 48 Études du Marcel Mule. Paris: Alphonse Leduc, 1946.

KLOSÉ, H. Methode Complete per Saxophones. Paris: Alphonse Leduc, 1951.

LACOUR, Guy. 50 Études Faciles et Progressives 1 e 2. Paris: Gérard Billaudot, 1989.

LONDEIX, Jean Marie. Exercises Méchaniques pour lês Saxophones vol. 1. París: Henry
Lemoine, 1961.

MULE, Marcel. Enseignement du Saxophone – 24 Études Faciles – A. Samie. Paris:


Alphonse Leduc, 1946.

PRATTI, Hubert. L´Alphabet du Saxophoniste-Méthodo pour débutants. Paris: Gérard


Billaudot, 1979.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 55
CONCLUSÃO

Buscou-se neste trabalho, abordar a técnica básica e os principais benefícios proporcionados


pelo estudo consciente e sistemático delas, fundamentado nos principais pilares para uma boa
execução do saxofone. Espera-se com isso, auxiliar nossos irmãos encarregados regionais,
locais e instrutores no ensino do instrumento, como também propagar e incentivar o estudo do
saxofone na música de concerto, visando um futuro próspero do mesmo dentro de nossas
orquestras.

Entretanto, é extremamente importante que os irmãos músicos e candidatos que desejam tocar
saxofone na CCB, estarem esclarecidos sobre qual é a proposta musical de uma orquestra e
que o saxofone oferece inúmeras possibilidades de som, por isso, é preciso estar atento e
consciente buscando sempre o timbre do instrumento referenciado na escola erudita do
saxofone.

É sabido que o estudo de qualquer instrumento musical exige disciplina durante uma vida
toda, é necessário ter paciência, força de vontade e saber que é somente com o tempo e a
prática constante que se alcançará um maior domínio técnico e mecânico sobre o instrumento.

A persistência ainda é o melhor método para vencer as dificuldades.

“Mas esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra tem uma
recompensa” (II Crônicas – 15:7).

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus pela força e a disposição para este trabalho em sua obra, à
minha família, esposa e filhos, por suportarem minha ausência, me apoiando e
incentivando em todos os momentos. Aos caríssimos irmãos em Cristo, companheiros que o
Senhor tem chamado para este trabalho na parte musical das Reuniões Técnicas para a
família de saxofone em todo o Brasil, de maneira incondicional vêm contribuindo
significativamente com este trabalho na obra de Deus, desde a ministração das RTs para
saxofone, sugestões e revisões das edições até aqui. São eles, irmãos Fabiano Marques
Canudo (revisão), Giancarlo de Medeiros, Davi Caxias, Henrique de Nicola Neto e
Matheus Felipe de Carvalho Oliveira.

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 56
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMORIM, Bruno Barreto. A trajetória do saxofone no cenário musical erudito brasileiro


sob o enfoque do representacional.169 p. Dissertação (Mestrado em Música) – Programa de
Pós-Graduação em Música Stricto Sensu da Escola de Música e Artes Cênicas da
Universidade Federal de Goiás. Goiânia, 2012.
BATISTA, Paulo Cesar. A metodologia para o estudo do trompete.Dissertação (Mestrado em
Musicologia) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2010.
BENNETT, Roy. Instrumentos da orquestra. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.
CAPISTRANO, Rodrigo. Apostila para o primeiro festival de musica de câmara do Ceará.
Paraná, 2006.
EGLER, Guy. L’Enseignement du Saxophone. Pour Une Double Pedagogie. França, 1997.
GUEST, Ian. Arranjo, Método Prático Vol I, II e III. Lumiar Editora: Rio de Janeiro,
1996.
KLOSÉ, H. Methode Complete per Saxophones. París: Alphonse Leduc, 1951.
LARRY, Teal. The Art of Saxophone Playing. Princeton, New Jersey, USA:
Summy-Birchard Music, 1963.
LIMA, César Edgar Ribeiro. O Saxofone: História e Evolução, contributos para uma nova
sonoridade na Música Erudita. Belo Horizonte, UFMG, 2003.
FALLEIROS, Manu. O som do Sax - Método de Saxofone. São Paulo: Editora Hmp, 2008.
MED, Bohumil. Teoria da Música. 4 ed. rev. e simpl. Brasilia: Musimed, 1996.
METAIS, Sax &,Revista. Melhore o som e a técnica nº 18. São Paulo: M e M editorial, 2008.
MIJAN, M. Técnica de Base - Escuela Moderna de Saxofone – Vol. 1 Cidade: Real Musical,
1976.
NASCIMENTO, Amarildo Coelho do. A respiração para instrumentos de sopro. Faculdade
Cantareira: São Paulo, 2015.
__________, Fundamentos do Trompete. Suzano: CCB, 2014.
PAIS, Erik Heimann. Sopro Novo Yamaha: Caderno de Saxofone. São Paulo: Irmãos Vitale,
2008.
PINTO, Marco Túlio de Paula. Saxofone fácil: método prático para iniciantes. 1 ed. – São
Paulo: Irmãos Vitale, 2014.
PRATTI, Hubert. L´Alphabet du Saxophoniste – Méthode pour débutants. Paris: Gérard
Billaudot, 1979.
REGENMORTER, Paula J. Van.Brazilian music for saxophone: a Survey of solo and small
chamber Works.Dissertation submitted to the Faculty of the Graduate School of the

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 57
University of Maryland, College Park, in partial fulfillment of the requirements for the degree
of Doctor of Musical Arts, 2009.
RASCHÈR, Sigurd. The Saxophone History. (1972). Disponível em
<http://www.classicsax.com> Acesso em 12 de janeiro. 2016.
RASCHÈR, Sigurd. Top-tones for the saxophone. New York: Carl Fischer, inc , 1941.
RYDLEWSKI, Paulo Eduardo de Mello. Uma Abordagem do Processo Composicional de
Mario Ficarelli a Partir da Análise de “Concertante para Sax Alto e Orquestra”. Dissertação
(Mestrado em Musicologia) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo,
1999.
SAX, Adolphe. In: The New Grove's Diccionary Of Music And Musicians. London:
Macmillan Publisher Limited, 1980.
SAXOPHONE. In: The New Grove's Diccionary Of Music And Musicians. London:
Macmillan Publisher Limited, 1980: 534-539.
SOARES, Carlos. O saxophone na música de câmara de Heitor Villa-Lobos. UFRJ –
Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2001.
TRONI, Paolo. Objetivos de la Orquesta en la Congregación. Pg. 232 – 241.
Barcelona,2015.

Sites de interesse para compra e informações sobre saxofones, boquilhas, palhetas e


acessórios:
http://www.armazemdosopro.com.br/
http://www.jazzlab.com/en/
http://www.amazon.com/Jazzlab-Saxholder-Harness-All-Saxophones/dp/B005J3EZZY
http://www.saxplus.com/

©José de Carvalho/2017
josedecarvalhosax@gmail.com 58