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Tribunal Regional do Trabalho - 1º Grau

Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região - 1º Grau

O documento a seguir foi juntado ao autos do processo de número 0002045-72.2016.5.22.0003


em 11/08/2016 08:21:17 e assinado por:
- AUGUSTO CASTELO BRANCO RIBEIRO

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16081108202014200000002384806
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PODER JUDICIÁRIO

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Tipo de documento: Administrativo


Código de rastreabilidade: 52220168211035
Nome original: DESPACHO MS 0080322-14.2016.5.22.0000.pdf
Data: 10/08/2016 15:00:01
Remetente:
Paulo Cezar Goncalves De Moura
Coordenadoria do Tribunal Pleno
TRT 22ª Região
Prioridade: Alta.
Motivo de envio: Para providências.
Assunto: Em anexo, a Notificação CTP nº 456/2016, a inicial e a decisão proferida no MS 0
080322-14.2016.5.22.0000.
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I.
PROCESSO TRT - MS 0080322-14.2016.5.22.0000

MANDADO DE SEGURANÇA

RELATOR: DESEMBARGADOR ARNALDO BOSON PAES

IMPETRANTES: SINDICATO DOS MÉDICOS DO ESTADO DO PIAUÍ, JOÃO ORLANDO RIBEIRO GONÇALVES, JOSÉ DE
JESUS MARTINS BRINGEL, JOSEMAR CARVALHEDO LIMA

ADVOGADO: KAIRON RUBENS NOGUEIRA DE CASTRO CARVALHO

AUT.COATORA: JUÍZA DA 3ª VARA DO TRABALHO DE TERESINA

LITISCONSORTE: AURIMAR BEZERRA MELO DE SOUSA

DECISÃO LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA

Trata-se de mandado de segurança, com pedido de liminar, impetrado contra decisão da 3ª


Vara do Trabalho de Teresina que, nos autos da RT-0002045-72.2016.5.22.0003, deferiu tutela de urgência para
determinar a suspensão das eleições sindicais designadas para o dia 11/8/2016 (quinta-feira).

Alegam os impetrantes a legalidade do processo eleitoral, bem como a extemporaneidade


do pedido de registro da chapa do litisconsorte, além da ausência de prova da quitação das contribuições associativas
junto ao Sindicato dos Médicos do Estado do Piauí-SIMEPI.

Sustentam que o litisconsorte apresentou à comissão eleitoral, em 7/7/2016, uma relação


com 46 nomes requerendo declaração de quitação de cada médico junto ao SIMEPI.

Afirmam que na mesma data responderam informando que a quitação devia ser solicitada
junto à tesouraria do sindicato e que a função da comissão limita-se à análise do pedido de registro da chapa.

Asseveram que o requerimento de quitação foi formulado no último dia do prazo para
registro da chapa e que houve alteração da lista, demonstrando com isso que sequer havia uma chapa definida.

Acrescentam a dificuldade na coleta de informações uma vez que, como a maioria dos
associados é servidor público, faz-se necessário examinar as informações junto a todos os entes públicos.

Pontuam que o próprio contracheque do associado constitui documento hábil para


demonstrar a quitação da contribuição sindical.

Argumentam que o edital de convocação das eleições sindicais foi publicado em 23/6/2016,
com pleito previsto para o dia 11/8/2016, e que todas as regras editalícias foram cumpridas.

Alegam que a comissão eleitoral indeferiu inscrição da chapa porque não preenchido o
requisito de comprovação de exercício efetivo de dois anos de profissão dentro da base territorial do Estado do Piauí.

Defendem a imparcialidade da comissão eleitoral e sustentam a tese da existência do


alegado direito líquido e certo como apoio no princípio da autonomia sindical (CF, art. 8º, I).

Destacam que o perigo da demora reside no fato de que o ato coator foi exarado um dia
antes da realização do pleito, quando já houve divulgação em massa das eleições, que atinge todo o Estado do Piauí.

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Assim, requerem tutela de urgência no sentido de suspender os efeitos da decisão


impetrada, possibilitando a regular realização das eleições sindicais no dia 11/8/2016.

Relatados.

Decide-se.

O mandado de segurança é remédio admissível contra atos estatais que lesarem ou


ameaçarem direitos líquidos e certos, enquadrando-se nesse conceito decisão judicial (Lei nº 12.016/2009 - LMS, art.
1º).

No caso, estando-se diante de decisão interlocutória, irrecorrível de imediato, não havendo


outro instrumento para impugnar o ato judicial (CLT, art. 893, § 1º), admite-se o manejo do mandado de segurança.

Esta a orientação contida na Súmula nº 414, II, do TST, segundo a qual "no caso da tutela
antecipada (ou liminar) ser concedida antes da sentença, cabe a impetração do mandado de segurança, em face da inexistência de
recurso próprio".

Em sede de liminar, examina-se a configuração ou não de arbitrariedade ou ilegalidade


capaz de violar direito líquido e certo, verificando-se a plausibilidade do direito alegado e o risco de ineficácia da tutela
jurisdicional.

Nesse sentido, dispõe o art. 300, caput,do CPC/2015 que "a tutela de urgência será concedida
quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo".

A pretensão mandamental funda-se na existência de direito líquido e certo à cassação da


decisão impetrada que, concedendo tutela de urgência, determinou aos impetrantes absterem-se de realizar a eleição
sindical na data designada.

A decisão impetrada também determinou a reabertura do prazo para inscrição e


impugnação de candidaturas, na forma e prazo do regulamento e estatuto da categoria, ficando o sindicato ciente de
sua obrigação de fornecer toda a documentação exigível para inscrição dos membros da chapa que teve o seu registro
indeferido.

Consta do ato coator:

Anulação do Processo Eleitoral

A parte reclamada sustenta a preclusão do direito do reclamante de impugnar o pleito eleitoral em questão,
inclusive no que pertine à inscrição de sua Chapa, eis que já concluídos os procedimentos correspondentes,
sem qualquer insurgência, impugnação a tempo quando da realização destes. Todavia, a garantia
constitucional de livre acesso ao Judiciário não está condicionada a prazos e normas internas do sindicato.

Por certo que o art. 8º da Constituição Federal de 1988 assegurou a liberdade e autonomia dos sindicatos,
aos quais a partir de então é garantido o direito de autodeterminação e organização, de modo que podem
estabelecer no seu estatuto normas próprias para regular o processo eleitoral, inclusive no que pertine à
elegibilidade dos associados.

Assim, tendo por base tais premissas constitucionais, não se vislumbra em princípio a ilegalidade e ou
inconstitucionalidade na constituição do novo estatuto da entidade sindical em questão, até porque, ao que
consta, a aprovação do estatuto impondo rol de requisitos para disputa das eleições sindicais da categoria se
deu por assembléia geral, refletindo o desejo da maioria dos associados de tornar elegíveis aqueles que
cumprem os requisitos listados, a exemplo de quitação regular das obrigações sindicais e tempo na condição
de associado. Assim, entende-se pela razoabilidade as exigências contidas no novo estatuto para condição de
elegibilidade.

Assim, em face do princípio da autonomia e da liberdade sindical, não se vislumbra em princípio a alegada
ilegalidade e ou inconstitucionalidade do Estatuto do SIMEPI. Entretanto, quanto ao indeferimento de inscrição
da chapa encabeçada pelo reclamante, entende-se, neste juízo preliminar, que existiu abuso de direito,
mostrando-se arbitrário e ilegal o ato da comissão eleitoral, na medida em que o indeferimento se baseou
principalmente na não entrega de documentos no prazo estipulado. Ocorre que pelo que restou evidenciado, a
conduta de não entrega de documentação dentro do prazo não dependeu tão somente dos integrantes da
chapa do reclamante, mas em especial por conduta de terceiro, no caso o sindicato reclamado, vez que o

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sindicato era o guardador/detentor legal de toda documentação dos associados.

Por certo que as regras, os prazos do processo eleitoral devem ser obedecidos, no entanto, é preciso se ater
que no caso em concreto, as dificuldades de entrega da documentação necessária para inscrição da chapa de
oposição foram obstaculizadas pelo sindicato SIMEPI, vez que incontroverso que existiu requerimento por
parte de representantes da chapa do autor na data de 07.07.2016, que expressava no mencionado
documento a vontade de participação na eleição vindoura, onde listava os nomes dos médicos, ao tempo em
que solicitava a entrega da documentação que era exigida para inscrição de chapa, constando carimbo de
assinatura, e ao que se observou foram dois requerimentos formulados na referida data, sendo um
endereçado ao Tesoureiro do sindicato e outro à comissão eleitoral.

Por outro lado, se verificou resposta da comissão eleitoral datado de 07.07.2016, mas com carimbo de
entrega no horário das 8h do dia 08.07.2016(último dia para inscrição), onde esta informa não ser a
responsável pela entrega dos documentos solicitados. De fato, a comissão não era a responsável pela
entrega dos ditos documentos, no entanto, é de se convir que esta não foi diligente no sentido de dar o
encaminhamento adequado dentro do estabelecimento do sindicato e ou uma resposta urgente aos
interessados, pois deixou para entregar a resposta apenas no dia seguinte, que era o prazo fatal para
inscrição de chapas, o que dificultou sobremaneira a entrega da documentação necessária para inscrição.

Resta evidenciado, portanto, que a referida conduta da comissão eleitoral, bem como dos responsáveis pela
confecção da documentação no estabelecimento sindical implicou em prejuízo à participação no pleito de
todos aqueles que pretendessem concorrer à diretoria sindical.

Cabe destacar que o sindicato, por ser o responsável pela guarda de documentos, diante do principio da
publicidade a que está vinculado, e diante da necessidade de prestação de contas aos seus associados,
incube a este se organizar, diligenciar, e que disponibilize a documentação aos seus associados, de modo que
possa viabilizar e não dificultar a participação do associado no processo democrático eleitoral. Assim, sabedor
que havia pleito solicitando documentação para registro de chapa, vez que expressamente dito no ofício,
caberia aos responsáveis diligenciar a fim de atender ao pleito com a urgência que o caso merecia, pois se
tratava de situação excepcional e como tal merecia tratamento especial, diga-se, maior esforço concentrado
para entrega de documentação, até porque, é de se entender como razoável que o sindicato pudesse ter
organizado de forma antecipada, inclusive com vistas ao pleito eleitoral, as informações quanto as datas de
inscrição de seus associados, se estes estavam quites e quanto tempo de estabelecimento no exercício na
profissão no Estado do Piauí, vez que eram estas as informações exigíveis para elegibilidade, e não
simplesmente indeferir por que a documentação não foi entregue, se o próprio sindicato e comissão
reconhecem que não houve tempo hábil para entrega da documentação.

Por conseguinte, conclui-se que o indeferimento da inscrição da chapa encabeçada pelo reclamante na forma
como realizada, implicou em afronta ao princípio da proporcionalidade/razoabilidade e feriu o direito de
organização e ampla participação dos associados no pleito, tornando-o nulo a partir de então, sendo assim,
necessária a paridade de armas, a garantia de lisura e transparência no pleito em questão.

Destaca-se, por oportuno que o registro de chapa extemporâneo (45 minutos de atraso) foi consequência das
dificuldades ampliadas pelo próprio sindicato, vez que confessado que a entrega parcial de documentação
(referente a 17 nomes) foi disponibilizada tão somente às 17h do dia 08.07.2016 (último dia de inscrição).
Também incontroverso que membros da mencionada chapa estavam á espera da mencionada documentação
na sede do sindicato antes do término do horário de inscrição da chapa, e, no entanto, não entregaram e ou
efetivaram a inscrição a tempo por força alheia às suas vontades.

Portanto, a conduta do sindicato em não disponibilizar a documentação de forma antecipada e ou em tempo


hábil trouxe potencial prejuízo aos associados como um todo, especialmente àqueles que pretendiam
concorrer à diretoria da entidade, como o caso da chapa do autor. Isto porque sem tais dados restou obstada
inclusive a possibilidade de regularização da Chapa oposicionista, que teve seu registro negado em face da
ausência de documentos. Além disso, restou sobremaneira dificultada a apresentação de impugnação à
Chapa da situação, que figurou como única candidata.

Por certo que é de interesse de todos os sindicalizados que a diretoria seja composta exclusivamente por
membros que atendam a todos os requisitos de elegibilidade, quanto a isto não há dúvida, entretanto, devem
ser ofertados os meios, as informações necessárias a tempo, entendendo este juízo, que embora a chapa do
reclamante tenha inicialmente solicitado a documentação dos possíveis membros para composição de chapa
no penúltimo dia para encerramento do prazo, isto não pode ser interpretado apenas como negligência da
parte solicitante, mas em especial como ausência de um dever maior dos responsáveis do sindicato em
guardar as informações necessárias de seus associados e diligenciar para a entrega de documentação, de
modo a assegurar com transparência e legitimidade o processo eleitoral e via de consequência as eleições
sindicais.

Portanto, pelas razões acima apontadas e por força dos ditames constitucionais, concede-se parcialmente a
tutela de urgência requerida (art. 300, cpc), devendo os reclamados, se absterem de tentar realizar a eleição
na data designada, devendo ser marcada data posterior.

Destaca-se, todavia, que não cabe a este Juízo especificar data para realização de novas eleições e nem
tampouco definir a composição de comissão eleitoral, eis que o ente sindical possui estatuto próprio a
regulamentar o pleito, entretanto, tem-se como inviável a manutenção da data designada para as eleições,
qual seja, 11.08.2016, e sendo assim, atendendo-se parcialmente os pedidos da inicial, e via de
consequência, determina-se a suspensão das eleições marcadas para o dia 11/08/2016, com reabertura do
prazo para inscrição e impugnação de candidaturas, na forma e prazo do regulamento e estatuto da categoria,
ficando o sindicato reclamado ciente de sua obrigação de fornecer toda a documentação exigível para
inscrição dos membros da chapa que teve o seu registro indeferido, sob pena de multa a ser arbitrada pelo
juízo, de tudo zelando o sindicato, membros da comissão eleitoral, e candidatos para a lisura do pleito
eleitoral, observando os ditames do estatuto e regimento do sindicato da categoria.

No caso, a autoridade coatora reconheceu como abuso de direito o indeferimento de

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inscrição da chapa encabeçada pelo litisconsorte ao fundamento de que a comissão eleitoral baseou-se apenas na não
entrega de documentação no prazo estipulado, mero aspecto formal.

A prova pré-constituída revela as etapas do processo eleitoral, desde o edital de


convocação das eleições, de 3/6/2016 (id. 7818e92 - p. 4), divulgação, inscrição de chapa, requerimento de
regularidade da contribuição associativa por médicos componentes de pretensa chapa (id. 15011ac - p. 3) e a
informação da comissão eleitoral de que se trata de atribuição do SIMEPI (id. e98ca50 - p. 1).

A prova pré-constituída com a ação mandamental traz ainda divulgação do pleito eleitoral e
declarações de atuação profissional dos médicos na área territorial do SIMEPI.

Posto o quadro fático, a autonomia sindical assegurada pelo art. 8º, I, da CF manifesta-se
no poder, em que está investida a categoria, de estruturar internamente o sindicato, à sua conveniência.

Isso compreende o poder de elaborar seus estatutos e regulamentos administrativos, de


eleger livremente seus representantes, de organizar sua gestão e suas atividades e de formular seu programa de ação.

Nesse contexto, a democracia sindical centra-se num sistema competitivo, que permite a
participação ampla dos filiados em condições iguais de apresentar a seus eleitores sua plataforma de administração e
de debater suas propostas de defesa dos interesses da categoria.

O pluralismo sindical prioriza a democratização da organização dos trabalhadores. Por tal


motivo, no âmbito mais restrito, também se faz necessário possibilitar às categorias opções de escolhas que melhor
correspondam aos seus anseios.

Em razão da garantia da inafastabilidade do controle jurisdicional (CF, art. 5º, XXXV), é


possível a intervenção do Poder Judiciário em eleições ou outras deliberações de entidades associativas, de modo a
assegurar a observância das regras do jogo fixadas pelas normas legais, estatutárias e complementares.

No exercício desse controle, o Poder Judiciário deve ser deferente às deliberações da


maioria. Com essa postura, deve respeitar e assegurar o respeito àquilo que ficou deliberado, não podendo se sobrepor
à vontade manifestada pelo colegiado.

Evidentemente, havendo vícios no processo de deliberação, ficando clara a inobservância


das regras do jogo, sendo inquestionável o desrespeito que as normas legais, estatutárias e complementares foram
respeitadas, é legítima a intervenção do Poder Judiciário.

Nesse contexto, somente na hipótese de manifesta fraude no processo deliberativo é que


se justificaria a intervenção estatal, a fim de que as deliberações se realizassem efetivamente em bases democráticas,
com observância das regras do jogo.

No caso, merece destacar a manifestação do Ministério Público do Trabalho (id. 8c0cbfd),


ouvido pela autoridade coatora antes do deferimento da tutela de urgência, consignando que "tudo, portanto, indica ser
regular no plano formal, quanto ao prazo estabelecido para o registro das chapas que porventura tinham interesse em participar do
pleito eleitoral do SIMEPI".

Destaca o MPT que "apenas no dia 07/07/2016, véspera do término do prazo de registro das chapas,
o representante da chapa do reclamante requereu ao SIMEPI documentos comprobatórios da aptidão de 45 componentes (v. doc. ID
de7b1f9 juntado pelo próprio reclamante). E no dia 08/07/2016, dia do término do prazo de registro das chapas, requereu novamente
ao tesoureiro do SIMEPI documentos comprobatórios da elegibilidade de seus candidatos, mas agora na quantidade de cinquenta e

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duas pessoas".

Todavia, conclui que, em sede de tutela de urgência, não vislumbra " arbitrariedade ou
irregularidade que inquine o processo eleitoral do SIMEPI".

Isso porque, " essa situação não configura uma conduta abusiva da comissão, mas consequência de
uma conduta aparentemente descuidada da referida chapa, que "deixou as coisas para a última hora", isto é, parece ter sido pouco
diligente e açodada, acabando por não conseguir comprovar, no prazo devido, o cumprimento das exigências estatutárias".

Manifesta ainda o Parquet Laboral que "se os grupos de oposição não concordam com a forma de
constituição da comissão eleitoral devem, em vez de criticá-la sem provas visíveis de parcialidade e com o processo eleitoral já em
curso, propor democraticamente a alteração do Estatuto, para se fazer representar".

Posta a manifestação do MPT, adicione-se que somente na hipótese de manifesto óbice da


comissão eleitoral ao acesso às informações necessárias à inscrição da chapa é que poderia configurar o alegado
abuso de direito, do que poderia resultar violação às regras do processo eleitoral.

Nesse contexto, a suspensão da eleição sindical não reúne, nessa cognição sumária, as
condições necessárias para prosperar, posto que não se vislumbram violações legais e estatutárias no ato da comissão
eleitoral de indeferimento de inscrição da chapa.

Ademais, o processo eleitoral em curso foi previamente agendado dentro das normas
estatutárias e seria uma temeridade suspender a eleição às vésperas da data aprazada, dados os prejuízos que
certamente ocorreriam.

De qualquer sorte, a manutenção da eleição não é óbice para a discussão do procedimento


eleitoral em ação própria, com cognição exauriente, de sorte a perquirir eventuais vícios no procedimento.

Do exposto, defere-se o pedido liminar para suspender o ato impugnado, mantendo-se a


eleição sindical para o dia 11/8/2016, conforme as regras estatutárias, sem prejuízo de discussão da validade ou não do
procedimento eleitoral em curso por meio de ação própria.

Cientifique-se a autoridade coatora para cumprimento e prestação de informações,


notificando-se o litisconsorte para manifestação.

Após, remetam-se os autos ao MPT.

Publique-se.

Teresina, 10 de agosto de 2016.

Desembargador ARNALDO BOSON PAES

Relator

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Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a:


[ARNALDO BOSON PAES] 16081014115285600000000814109

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