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COLEÇÃO LEIS COMENTADAS APROVAÇÃOPGE

PROFESSOR CAIO ALBUQUERQUE

SOBRE O AUTOR

Caio Felipe Caminha de Albuquerque é advogado, autor de materiais voltados


para concursos públicos e professor do AprovaçãoPGE.
Possui ampla experiência em concursos públicos, tendo sido aprovado em 6
procuradorias: PGM-JP (4º LUGAR), PGE-PE (10º LUGAR) PGE-MT, PGE-
AM, PGM-BH e PGE-SE.

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COLEÇÃO LEIS COMENTADAS APROVAÇÃOPGE
PROFESSOR CAIO ALBUQUERQUE

APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO E OBRA

A Coleção Leis Comentadas-AprovaçãoPGE é mais uma ferramenta essencial


para tornar mais eficiente o estudo para concursos públicos.
O professor Caio Albuquerque escolheu as principais leis cobradas em
provas, separou os dispositivos em quadros (com cores, para facilitar a
memorização) e realizou comentários a todos os artigos com doutrina e muita
jurisprudência, abordando os principais tópicos de forma específica.
O presente E-book contém a Lei da Medida Cautelar Fiscal comentada, uma
lei muito importante para concursos públicos, especialmente da advocacia pública,
e que é deixada de lado por muitos estudantes.
Agora ficou mais fácil e prático estudar a lei seca.
Equipe AprovaçãoPGE

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PROFESSOR CAIO ALBUQUERQUE

SUMÁRIO
Ponto 1 – Art. 1º.............................................................................................................................. 7
1.1. Introdução ................................................................................................................................. 7
1.2. Créditos abrangidos pela medida cautelar fiscal ....................................................................... 8
1.3. Necessidade de constituição do crédito .................................................................................... 8
1.4. Assertivas corretas cobradas em concursos públicos .............................................................. 10
1.5. O que é importante decorar sobre o art. 1º .............................................................................. 11

Ponto 2 – Art. 2º ............................................................................................................................ 12


2.1. Situações que permitem o requerimento da medida cautelar fiscal ........................................ 13
2.2. Assertiva correta cobrada em concurso público ..................................................................... 13
2.3. O que é importante decorar sobre o art. 2º .............................................................................. 13

Ponto 3 – Art. 3º ............................................................................................................................ 15


3.1. Requisitos para a concessão da medida cautelar fiscal ........................................................... 15
3.2. Assertiva correta cobrada em concurso público ..................................................................... 15
3.3. O que é importante decorar sobre o art. 3º .............................................................................. 16

Ponto 4 – Art. 4º ............................................................................................................................ 17


4.1. Efeitos da medida cautelar fiscal ............................................................................................ 17
4.2. Alcance da medida cautelar fiscal ........................................................................................... 18
4.3. Alcance da indisponibilidade em relação às pessoas jurídicas ............................................... 19
4.4. Possibilidades de extensão da indisponibilidade .................................................................... 19
4.5. Requisitos para a extensão da indisponibilidade..................................................................... 20
4.6. Assertivas corretas cobradas em concursos públicos .............................................................. 20
4.7. O que é importante decorar sobre o art. 4º .............................................................................. 21

Ponto 5 – Arts. 5º, 6º e 7º.............................................................................................................. 23


5.1. Juízo competente para processar a medida cautelar fiscal ...................................................... 23
5.2. Petição inicial da medida cautelar fiscal ................................................................................. 24
5.3. Provimento liminar do pedido................................................................................................. 25
5.4. Assertivas corretas cobradas em concursos públicos .............................................................. 25
5.5. O que é importante decorar sobre os arts. 5º, 6º e 7º .............................................................. 25

Ponto 6 – Art.8º e 9º ..................................................................................................................... 27

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6.1. Contestação do requerido na medida cautelar fiscal ............................................................... 27


6.2. Produção de provas na medida cautelar fiscal ........................................................................ 28
6.3. Revelia na medida cautelar fiscal............................................................................................ 28
6.4. Assertiva correta cobrada em concurso público ..................................................................... 28
6.5. O que é importante decorar sobre os arts. 8º e 9º .................................................................... 29

Ponto 7 – Art. 10 ........................................................................................................................... 30


7.1. Substituição da medida cautelar fiscal .................................................................................... 30
7.2. O que é importante decorar sobre o art. 10 ............................................................................. 30

Ponto 8 – Arts. 11, 12 e 13 ............................................................................................................. 32


8.1. Medida cautelar requerida como procedimento preparatório ................................................. 32
8.2. Eficácia temporal da medida cautelar fiscal ........................................................................... 33
8.3. Cessação da eficácia da medida cautelar fiscal ....................................................................... 33
8.4. Assertivas corretas cobradas em concursos públicos .............................................................. 34
8.5. O que é importante decorar sobre os arts. 11, 12 e 13 ............................................................ 35

Ponto 9 – Arts. 14, 15, 16, 17, 18 e 19 ............................................................................................. 36


9.1. Indeferimento da medida cautelar fiscal ................................................................................. 37
9.2. Coisa julgada e recurso contra a sentença na medida cautelar fiscal ...................................... 37
9.3. O que é importante decorar sobre os arts. 14, 15, 16, 17, 18 e 19 .......................................... 38

Ponto 10 ....................................................................................................................................... 39
10. O que é importante decorar sobre toda a Lei da Medida Cautelar Fiscal ................................ 39

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Ponto 1 – Art. 1º
Art. 1° O procedimento cautelar fiscal poderá ser instaurado após a constituição do
crédito, inclusive no curso da execução judicial da Dívida Ativa da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas autarquias. (Redação dada pela Lei nº
9.532, de 1997)
Parágrafo único. O requerimento da medida cautelar, na hipótese dos incisos V, alínea
"b", e VII, do art. 2º, independe da prévia constituição do crédito tributário. (Incluído
pela Lei nº 9.532, de 1997)

1.1. Introdução

A Fazenda Pública dispõe de diversos instrumentos processuais específicos


voltados à satisfação de seus créditos. Um desses instrumentos é a ação ou medida
cautelar fiscal, disciplinada pela Lei nº 8.397/92, que tem o propósito mais específico de
indisponibilizar o patrimônio do devedor e assegurar uma execução fiscal futura ou
atual.
A tutela cautelar requerida em caráter incidental ou antecedente, regida Código de
Processo Civil, é a forma genérica da ação cautelar e pode ser requerida por qualquer
litigante processual. Já a ação cautelar regida pela Lei nº 8.397/92 é uma espécie de tutela
cautelar, que também pode ser requerida de forma incidental ou antecedente, mas que
pode ser intentada exclusivamente pela Fazenda Pública, incluindo as autarquias. Essa
diferença nos regimes justifica-se pelos interesses públicos que são defendidos pelo
Poder Público em juízo.

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1.2. Créditos abrangidos pela medida cautelar fiscal

A Dívida Ativa da Fazenda Pública, de natureza tributária e não tributária,


corresponde aos créditos exigíveis em razão do transcurso do prazo para pagamento,
nos termos do art. 39, §1º, da Lei nº 4.320/64.
A Dívida Ativa Tributária é o conjunto de créditos exigíveis e que tenham como
causa de existência as obrigações legais relativas ao pagamento de tributos e respectivos
adicionais e multas, conforme dispõe o art. 39, §2º, da Lei nº 4.320/64. Por sua vez, a
Dívida Ativa Não Tributária representa o conjunto de todos os demais créditos da
Fazenda Pública que não sejam tributários.
Nesse contexto, os arts. 1º e 2º da Lei nº 8.397/92 dispõem que o procedimento
cautelar fiscal será cabível após a constituição do crédito e pode ser requerida contra
sujeito passivo de crédito tributário ou não tributário. Portanto, qualquer crédito que
componha a Dívida Ativa da Fazenda Pública pode ser assegurado pela medida cautelar
fiscal.
Cumpre ressaltar que estão incluídos nesses créditos aqueles decorrentes das
contribuições sociais previstas no art. 195 da CF, por expressa disposição do art. 18 da
Lei nº 8.397/92.

1.3. Necessidade de constituição do crédito

O art. 1º da Lei nº 8.397/92 expressamente afirma que o requerimento da medida


cautelar fiscal depende da prévia constituição do crédito tributário ou não tributário.
Portanto, em regra, é necessário que o Poder Público realize a constituição do crédito
antes de poder demandar perante o Judiciário para assegurá-lo.
No que tange aos créditos tributários, a constituição ocorre no momento da
notificação do sujeito passivo para que seja realizado o pagamento ou, no caso de

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tributos sujeitos a lançamento por homologação, no momento de entrega da declaração


pelo contribuinte reconhecendo o crédito tributário (Súmula nº 436 do STJ). Entretanto,
a constituição definitiva do crédito ocorre apenas no dia seguinte ao fim do prazo para
pagamento da exação, ou, sendo o caso, após a prolação de decisão irrecorrível no
processo administrativo fiscal (se ocorrer alguma das hipóteses previstas no art. 145 do
CTN).
Resta saber se o art. 1º da Lei nº 8.397/92, ao falar da prévia constituição do
crédito, está fazendo referência à notificação do sujeito passivo ou à constituição
definitiva. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (REsp 577395/PE,
Rel. Min. Francisco Falcão, Data do Julgamento: 07/12/2004, DJ 17/12/2004), a regra é
a necessidade de constituição definitiva para o requerimento da medida cautelar fiscal.
Isso porque, quando impugnado administrativamente o lançamento tributário, ocorre a
suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do art. 151, III, do CTN.
Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça, no julgado mencionado, reconhece
também a existência de exceção à regra da necessidade de constituição definitiva nos
casos do parágrafo único do art. 1º da Lei nº 8.397/92. De acordo com esse dispositivo,
a medida cautelar poderá ser requerida mesmo antes da constituição do crédito em duas
situações: I- quando o devedor, notificado pela Fazenda Pública para que proceda ao
recolhimento do crédito fiscal, põe ou tenta por seus bens em nome de terceiros; e II-
quando o devedor aliena bens ou direitos sem proceder à devida comunicação ao órgão
da Fazenda Pública competente, quando exigível em virtude de lei.
Na primeira hipótese, basta a constituição do crédito pela notificação do
contribuinte para que a Fazenda Pública possa requerer a medida cautelar fiscal, de
modo que é dispensada a constituição definitiva. Já na segunda hipótese, não é
necessário que haja sequer a notificação.
Em suma, a regra é que um dos pressupostos da medida cautelar fiscal é a
constituição definitiva do crédito passível de cobrança. Por outro lado, nos casos do art.

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1º, parágrafo único, da Lei nº 8.397/92, não é necessário que haja essa constituição
definitiva para que seja requerida a medida.

1.4. Assertivas corretas cobradas em concursos públicos

• (FCC/2018/Prefeitura de Caruaru/Procurador do Município): A medida cautelar


fiscal pode ser proposta mesmo em caso de crédito tributário constituído, mas
sem execução fiscal ajuizada.
• (CESPE/2017/Prefeitura de Fortaleza/Procurador do Município): O efeito da
medida cautelar fiscal é a indisponibilidade patrimonial do sujeito passivo em
consequência de crédito tributário constituído, ainda que não definitivamente,
uma vez que pode ser proposta durante a fase administrativa de impugnação do
lançamento.
• (VUNESP/2018/Prefeitura de Porto Ferreira/Procurador Jurídico): Nos termos
da lei que disciplina a matéria, um dos requisitos para a concessão da medida
cautelar fiscal é a prova literal da constituição do crédito tributário. Entretanto,
independe da prévia constituição do crédito tributário quando o devedor, sem
proceder à devida comunicação ao órgão da Fazenda Pública competente, quando
exigível em virtude de lei, aliena bens ou direitos.
• (VUNESP/2016/Prefeitura de Rosana/Procurador do Município): O
requerimento da medida cautelar fiscal independe de prévia constituição do
crédito tributário quando o devedor notificado pela Fazenda Pública para que
proceda ao recolhimento do crédito fiscal põe ou tenta por seus bens em nome de
terceiros.

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1.5. O que é importante decorar sobre o art. 1º

✓ A medida cautelar fiscal é uma espécie de tutela cautelar, que tem como
legitimado ativo exclusivo a Fazenda Pública (incluindo as autarquias);
✓ A medida cautelar fiscal pode ser proposta para assegurar o pagamento de
quaisquer créditos da Dívida Ativa, sejam eles tributários ou não, incluindo os
decorrentes das contribuições sociais previdenciárias (art. 195 da CF);
✓ Em regra, o requerimento da medida cautelar fiscal depende da constituição
definitiva do crédito. No entanto, há duas hipóteses que permitem o
requerimento sem a prévia constituição do crédito: I- quando o devedor,
notificado pela Fazenda Pública para que proceda ao recolhimento do crédito
fiscal, põe ou tenta por seus bens em nome de terceiros; e II- quando o devedor
aliena bens ou direitos sem proceder à devida comunicação ao órgão da Fazenda
Pública competente, quando exigível em virtude de lei.

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Ponto 2 – Art. 2º
Art. 2º A medida cautelar fiscal poderá ser requerida contra o sujeito passivo de crédito
tributário ou não tributário, quando o devedor: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de
1997)
I - sem domicílio certo, intenta ausentar-se ou alienar bens que possui ou deixa de pagar
a obrigação no prazo fixado;
II - tendo domicílio certo, ausenta-se ou tenta se ausentar, visando a elidir o
adimplemento da obrigação;
III - caindo em insolvência, aliena ou tenta alienar bens; (Redação dada pela Lei nº
9.532, de 1997)
IV - contrai ou tenta contrair dívidas que comprometam a liquidez do seu
patrimônio; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)
V - notificado pela Fazenda Pública para que proceda ao recolhimento do crédito
fiscal: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)
a) deixa de pagá-lo no prazo legal, salvo se suspensa sua exigibilidade; (Incluída pela Lei
nº 9.532, de 1997)
b) põe ou tenta por seus bens em nome de terceiros; (Incluída pela Lei nº 9.532, de
1997)
VI - possui débitos, inscritos ou não em Dívida Ativa, que somados ultrapassem trinta
por cento do seu patrimônio conhecido; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)
VII - aliena bens ou direitos sem proceder à devida comunicação ao órgão da Fazenda
Pública competente, quando exigível em virtude de lei; (Incluído pela Lei nº 9.532, de
1997)
VIII - tem sua inscrição no cadastro de contribuintes declarada inapta, pelo órgão
fazendário; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)

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IX - pratica outros atos que dificultem ou impeçam a satisfação do crédito. (Incluído


pela Lei nº 9.532, de 1997)

2.1. Situações que permitem o requerimento da medida


cautelar fiscal

Além da comprovação da constituição do crédito, quando esta não for


dispensada, o requerimento da medida cautelar fiscal depende também da comprovação
da ocorrência de alguma das hipóteses mencionadas no art. 2º da Lei nº 8.397/92, cujo
rol é taxativo. Dessa forma, não basta o inadimplemento do débito para o requerimento
da medida cautelar.
As hipóteses do art. 2º representam fatos consittutivos do direito da Fazenda
Pública de requerer a indisponibilidade dos bens do devedor. Por essa razão, o ônus da
prova documental da ocorrência dessas situações fáticas recai sobre a própria Fazenda
Pública interessada, nos termos do art. 373, I, do CPC.

2.2. Assertiva correta cobrada em concurso público

• (FUNRIO/2018/AL-RR/Procurador): É cabível o ajuizamento de Medida


Cautelar Fiscal contra o contribuinte que, apesar de ter domicílio certo, ausenta-se
ou tenta se ausentar, visando elidir o adimplemento da obrigação.

2.3. O que é importante decorar sobre o art. 2º

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✓ A Fazenda Pública interessada tem o ônus de provar a ocorrência de algum dos


casos constitutivos do seu direito de requerer a indisponibilidade dos bens do
devedor, dentre as hipóteses previstas no art. 2º da Lei nº 8.397/92.
✓ A medida cautelar pode ser requerida quando o devedor: I - sem domicílio certo,
intenta ausentar-se ou alienar bens que possui ou deixa de pagar a obrigação no
prazo fixado; II - tendo domicílio certo, ausenta-se ou tenta se ausentar, visando a
elidir o adimplemento da obrigação; III - caindo em insolvência, aliena ou tenta
alienar bens; IV - contrai ou tenta contrair dívidas que comprometam a liquidez
do seu patrimônio; V - notificado pela Fazenda Pública para que proceda ao
recolhimento do crédito fiscal: a) deixa de pagá-lo no prazo legal, salvo se
suspensa sua exigibilidade; b) põe ou tenta por seus bens em nome de
terceiros; VI - possui débitos, inscritos ou não em Dívida Ativa, que somados
ultrapassem trinta por cento do seu patrimônio conhecido; VII - aliena bens ou
direitos sem proceder à devida comunicação ao órgão da Fazenda Pública
competente, quando exigível em virtude de lei; VIII - tem sua inscrição no
cadastro de contribuintes declarada inapta, pelo órgão fazendário; IX - pratica
outros atos que dificultem ou impeçam a satisfação do crédito.

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Ponto 3 – Art. 3º
Art. 3° Para a concessão da medida cautelar fiscal é essencial:
I - prova literal da constituição do crédito fiscal;
II - prova documental de algum dos casos mencionados no artigo antecedente.

3.1. Requisitos para a concessão da medida cautelar fiscal

A concessão da tutela cautelar requerida em caráter antecedente, como espécie de


tutela provisória que é, depende da comprovação dos requisitos previstos no art. 300 do
CPC. São eles: I- a probabilidade do direito; e II- o perigo de dano ou o risco ao
resultado útil do processo.
Considerando que a medida cautelar fiscal também é uma forma de tutela
cautelar, os requisitos para a concessão são praticamente os mesmos, com algumas
alterações de acordo com a especificidade do procedimento. Dessa forma, nos termos
do art. 3º da Lei nº 8.397/92, a Fazenda Pública deve comprovar os seguintes requisitos:
I- a prova literal da constituição do crédito fiscal (a probabilidade do direito); e II- a
prova documental de algum dos casos mencionados no art. 2º da Lei nº 8.397/92 (o
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo).

3.2. Assertiva correta cobrada em concurso público

• (FCC/2018/SEFAZ SC/Auditor Fiscal da Receita Estadual): Para a concessão da


medida cautelar fiscal, é essencial que a Fazenda Pública apresente prova literal da
constituição do crédito fiscal e prova documental de que o sujeito passivo da

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obrigação tributária pratica atos, previstos em lei, que estejam dificultando ou


impedindo a satisfação da referida obrigação.

3.3. O que é importante decorar sobre o art. 3º

✓ A concessão da medida cautelar fiscal depende de dois requisitos, semelhantes aos


requisitos da tutela cautelar comum: I- a prova literal da constituição do crédito
fiscal (a probabilidade do direito); e II- a prova documental de algum dos casos
mencionados no art. 2º da Lei nº 8.397/92 (o perigo de dano ou o risco ao
resultado útil do processo).

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Ponto 4 – Art. 4º
Art. 4° A decretação da medida cautelar fiscal produzirá, de imediato, a
indisponibilidade dos bens do requerido, até o limite da satisfação da obrigação.
§ 1° Na hipótese de pessoa jurídica, a indisponibilidade recairá somente sobre os bens
do ativo permanente, podendo, ainda, ser estendida aos bens do acionista controlador e
aos dos que em razão do contrato social ou estatuto tenham poderes para fazer a
empresa cumprir suas obrigações fiscais, ao tempo:
a) do fato gerador, nos casos de lançamento de ofício;
b) do inadimplemento da obrigação fiscal, nos demais casos.
§ 2° A indisponibilidade patrimonial poderá ser estendida em relação aos bens
adquiridos a qualquer título do requerido ou daqueles que estejam ou tenham estado na
função de administrador (§ 1°), desde que seja capaz de frustrar a pretensão da Fazenda
Pública.
§ 3° Decretada a medida cautelar fiscal, será comunicada imediatamente ao registro
público de imóveis, ao Banco Central do Brasil, à Comissão de Valores Mobiliários e às
demais repartições que processem registros de transferência de bens, a fim de que, no
âmbito de suas atribuições, façam cumprir a constrição judicial.

4.1. Efeitos da medida cautelar fiscal

O propósito da medida cautelar fiscal é tornar indisponível o patrimônio do


devedor para evitar a sua dilapidação e assegurar a satisfação da obrigação. Por esse
motivo, o pedido da medida é justamente a determinação dessa restrição.
Essa indisponibilidade produz efeitos imediatos, até o valor necessário para o
pagamento da dívida, nos termos do art. 4º da Lei nº 8.397/92. Para a produção imediata

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de efeitos, uma vez decretada a medida cautelar, deverá haver a comunicação ao registro
público de imóveis, ao BACEN, à CVM e a todas as repartições que processem registros
de transferência de bens, para que cumpram a decisão, conforme prevê o art. 4º, §3º, da
Lei nº 8.397/92.

4.2. Alcance da medida cautelar fiscal

É claro que a indisponibilidade de bens decorrente da medida cautelar fiscal não


pode abranger todo o patrimônio do devedor. Isso violaria o princípio da
proporcionalidade e feriria diversos direitos fundamentais. Dessa forma, a
indisponibilidade é limitada, em primeiro lugar, pelo valor da dívida objeto de cobrança,
de acordo com o art. 4º da Lei nº 8.397/92.
Além disso, apesar de a lei não mencionar expressamente, a indisponibilidade não
poderá alcançar os bens considerados impenhoráveis. Assim, conforme o entendimento
do STJ (REsp 671632/SC, Rel. Min. José Delgado, Data do Julgamento: 15/03/2005,
DJ 02/05/2005), o bem de família não poderá ser tornado indisponível com a finalidade
de garantir o pagamento da dívida. No mesmo sentido, os bens arrolados no art. 833 do
CPC não podem sofrer a constrição.
Entretanto, em relação ao bem de família, existe uma situação excepcional.
Segundo o art. 3º, IV, da Lei nº 8.009/90, a impenhorabilidade dessa espécie de bem não
é oponível no caso de cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições
devidas em função do imóvel familiar. Portanto, entendemos que, sendo a medida
cautelar fiscal requerida com o propósito de assegurar o pagamento dessas dívidas, a
decretação da indisponibilidade será possível.

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4.3. Alcance da indisponibilidade em relação às pessoas


jurídicas

No caso de o requerido ser uma pessoa jurídica, o art. 4º, §1º, da Lei nº 8.397/92
determina recaia apenas sobre os bens do ativo permanente. O propósito desse
dispositivo é proteger o funcionamento da empresa e de sua função social. Dessa forma,
o ativo circulante não pode ser alcançado.
Contudo, o Superior Tribunal de Justiça permite, em casos excepcionais, que a
decretação da indisponibilidade alcance bens do ativo não permanente. Para tanto, é
necessário demonstrar que a empresa não está exercendo suas atividades ou que não
foram localizados em seu patrimônio bens capazes de garantir a execução fiscal (REsp
677424/PE, Rel. Min. Castro Meira, Data do Julgamento 14/12/2004, DJ 04/04/2005).

4.4. Possibilidades de extensão da indisponibilidade

O art. 4º, §§1º e 2º, da Lei nº 8.937/92 preveem três hipóteses em que a
indisponibilidade poderá ser estendida para abranger o patrimônio de terceiros:
I- Para alcançar os bens do acionista controlador e dos que, em razão do contrato
social ou estatuto, tenham poderes para fazer a empresa cumprir suas obrigações fiscais,
ao tempo: a) do fato gerador, nos casos de lançamento de ofício; b) do inadimplemento
da obrigação fiscal, nos demais casos.
II- Para alcançar bens adquiridos a qualquer título do devedor; e
III- Para alcançar os bens daqueles que sejam ou tenham estado na função de
administrador da pessoa jurídica.
Cumpre ressaltar que esses casos de extensão dependem da comprovação da
possibilidade de frustração da pretensão da Fazenda Pública.

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4.5. Requisitos para a extensão da indisponibilidade

De acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, as hipóteses de


extensão da indisponibilidade previstas no art. 4º, §2º, da Lei nº 8.937/92 configuram
uma espécie de redirecionamento da execução fiscal. Por esse motivo, os requisitos
necessários para a responsabilização patrimonial secundária na ação principal devem ser
observados na ação acessória (a medida cautelar fiscal).
Nos termos do art. 135 do CTN, a responsabilidade do administrador da pessoa
jurídica depende da demonstração de atuação com abuso de poder, infração à lei,
contrato social ou estatutos. Nesse contexto, para o STJ, tratando-se de uma
responsabilidade subjetiva, o sócio que não era administrador da sociedade à época da
ocorrência do fato gerador da dívida tributária não pode ser responsabilizado no âmbito
da medida cautelar (REsp 197278/AL, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ
24.06.2002).
Dessa maneira, “a indisponibilidade patrimonial, efeito imediato da decretação da
medida cautelar fiscal, somente pode ser estendida aos bens do acionista controlador e
aos dos que em razão do contrato social ou estatuto tenham poderes para fazer a
empresa cumprir suas obrigações fiscais, desde que demonstrado que as obrigações
tributárias resultaram de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei,
contrato social ou estatutos” (REsp 722998/MT, Rel. Min. Luiz Fux, Julgamento em
11/04/2009, DJ 28/04/2006).

4.6. Assertivas corretas cobradas em concursos públicos

• (VUNESP/2018/Prefeitura de Sorocaba/Procurador do Município): A


decretação da medida cautelar fiscal produzirá, de imediato, a indisponibilidade
dos bens do requerido, até o limite da satisfação da obrigação.

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• (CESPE/2018/TJ-CE/Juiz Substituto): A decretação da medida cautelar fiscal


acarretará a indisponibilidade dos bens do requerido até o limite da satisfação da
obrigação tributária.
• (TRF – 4ª Região/2016/Juiz Federal Substituto): Excepcionalmente, o Superior
Tribunal de Justiça admite a decretação de indisponibilidade de bens de pessoa
jurídica, ainda que estes não constituam o seu ativo permanente quando não
forem localizados no patrimônio do devedor bens que possam garantir a execução
fiscal.

4.7. O que é importante decorar sobre o art. 4º

✓ A medida cautelar fiscal tem o propósito de tornar indisponível o patrimônio do


devedor para assegurar a satisfação da dívida. Essa indisponibilidade não pode
superar o valor devido e produz efeitos imediatos.
✓ A indisponibilidade dos bens do devedor não pode alcançar os bens
impenhoráveis previstos no art. 833 do CPC nem o bem de família resguardado
pela Lei nº 8.009/90.
✓ A impenhorabilidade do bem de família não será oponível no caso de medida
cautelar fiscal proposta para a cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e
contribuições devidas em função do imóvel familiar
✓ Se o requerido for pessoa jurídica, a indisponibilidade dos bens pode alcançar
apenas os bens do ativo permanente para manter o funcionamento da empresa.
No entanto, o STJ reconhece duas hipóteses que permitem a decretação da
indisponibilidade dos bens do ativo não permanente: I- se a empresa não está
mais exercendo suas atividades; ou II- se não forem encontrados em seu
patrimônio bens capazes de garantir a execução.

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✓ A medida cautelar fiscal pode ser estendida para alcançar o patrimônio de


terceiros nos seguintes casos: I- Para alcançar os bens do acionista controlador e
dos que, em razão do contrato social ou estatuto, tenham poderes para fazer a
empresa cumprir suas obrigações fiscais, ao tempo: a) do fato gerador, nos casos
de lançamento de ofício; b) do inadimplemento da obrigação fiscal, nos demais
casos; II- Para alcançar bens adquiridos a qualquer título do devedor; e III- Para
alcançar os bens daqueles que sejam ou tenham estado na função de
administrador da pessoa jurídica.

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Ponto 5 – Arts. 5º, 6º e 7º


Art. 5° A medida cautelar fiscal será requerida ao Juiz competente para a execução
judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública.
Parágrafo único. Se a execução judicial estiver em Tribunal, será competente o relator
do recurso.

Art. 6° A Fazenda Pública pleiteará a medida cautelar fiscal em petição devidamente


fundamentada, que indicará:
I - o Juiz a quem é dirigida;
II - a qualificação e o endereço, se conhecido, do requerido;
III - as provas que serão produzidas;
IV - o requerimento para citação.

Art. 7° O Juiz concederá liminarmente a medida cautelar fiscal, dispensada a Fazenda


Pública de justificação prévia e de prestação de caução.
Parágrafo único. Do despacho que conceder liminarmente a medida cautelar caberá
agravo de instrumento.

5.1. Juízo competente para processar a medida cautelar fiscal

A medida cautelar fiscal deve ser proposta pela Fazenda Pública perante o mesmo
juízo competente para processar e julgar as execuções fiscais, nos termos do art. 5º da
Lei nº 8.397/92.

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É possível, como visto, que a medida seja requerida antes ou após a propositura
da execução fiscal. Como o procedimento cautelar é acessório em relação à execução,
em ambos os casos a regra aplicável é a mesma.
Nesse contexto, a Fazenda Pública deve observar o art. 46, §5º, do CPC, que trata
das execuções fiscais. Logo, a medida cautelar fiscal requerida de forma antecedente
deve ser proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde
for encontrado. Caso a execução fiscal já esteja em curso, a medida será apensada aos
autos (art. 14 da Lei nº 8.397/92) e deve ser requerida perante o mesmo juízo em que
esteja tramitando o processo.
Na hipótese de a execução fiscal estar sendo processada perante o segundo grau
de jurisdição, caberá ao relator do eventual recurso processar a medida cautelar, de
acordo com o art. 5º, parágrafo único, da Lei nº 8.397/92.

5.2. Petição inicial da medida cautelar fiscal

O art. 6º da Lei nº 8.397/92 apresenta os requisitos da petição inicial da medida


cautelar fiscal: I - o Juiz a quem é dirigida; II - a qualificação e o endereço, se conhecido,
do requerido; III - as provas que serão produzidas; IV - o requerimento para citação.
É muito importante perceber que há uma diferença entre o procedimento da
execução fiscal e o da medida cautelar fiscal. Na execução, a Fazenda Pública não precisa
requerer a produção de provas na petição inicial, nos termos do art. 6º, §3º, da Lei nº
6.830/80. No entanto, esse requerimento é necessário na medida cautelar fiscal. Isso
decorre da necessidade de comprovação da ocorrência de alguma das hipóteses do art. 2º
da Lei nº 8.397/92 para que a cautelar seja concedida.

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5.3. Provimento liminar do pedido

No procedimento da medida cautelar fiscal, o juiz pode determinar liminarmente


a indisponibilidade dos bens do devedor, ou seja, antes que ocorra a citação, nos termos
do art. 7º da Lei nº 8.397/92. Vale ressaltar que o rito específico da cautelar fiscal
dispensa qualquer justificação prévia ou prestação de caução pela Fazenda Pública para
que seja deferido o pedido liminarmente. É válido afirmar, assim, que o risco da demora
é presumido, o que decorre da natureza dos interesses protegidos pelo Poder Público.
Contra a decisão que defere ou indefere o pedido de provimento liminar, o
recurso cabível será o agravo de instrumento, de acordo com o art. 7º, parágrafo único,
da Lei nº 8.397/92, por tratar-se de uma decisão interlocutória que versa sobre tutela
provisória.

5.4. Assertivas corretas cobradas em concursos públicos

• (VUNESP/2018/Prefeitura de Marília/Procurador Jurídico): A medida cautelar


fiscal e a execução fiscal são ações judiciais dependentes e relativamente
subordinadas, pois correrão perante o mesmo juízo, os autos serão apensados e,
eventual decisão judicial que acolha alegação de extinção do crédito tributário nos
autos da medida cautelar fiscal comunicará à execução fiscal correlata.
• (VUNESP/2016/Prefeitura de Sertãozinho/Procurador Municipal): Estando a
execução judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública em tribunal, a medida
cautelar será requerida ao relator do recurso.

5.5. O que é importante decorar sobre os arts. 5º, 6º e 7º

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✓ A medida cautelar fiscal deve ser requerida perante o juízo competente para
executar a Dívida Ativa da Fazenda Pública, que será aquele do foro de domicílio
do réu, de sua residência ou do do lugar onde for encontrado.
✓ Caso a execução fiscal já esteja em curso e no segundo grau de jurisdição, caberá
ao relator do recurso processar a medida cautelar fiscal.
✓ A petição inicial da medida cautelar fiscal deve conter as provas que a Fazenda
Pública pretende produzir no processo, ao contrário da petição inicial da execução
fiscal.
✓ É possível o deferimento liminar da indisponibilidade dos bens no procedimento
da medida cautelar fiscal. Para tanto, a Fazenda Pública não precisa apresentar
justificação prévia ou prestar caução.
✓ Contra a decisão que versa sobre a liminar, será cabível o agravo de instrumento.

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Ponto 6 – Art.8º e 9º
Art. 8° O requerido será citado para, no prazo de quinze dias, contestar o pedido,
indicando as provas que pretenda produzir.
Parágrafo único. Conta-se o prazo da juntada aos autos do mandado:
a) de citação, devidamente cumprido;
b) da execução da medida cautelar fiscal, quando concedida liminarmente.

Art. 9° Não sendo contestado o pedido, presumir-se-ão aceitos pelo requerido, como
verdadeiros, os fatos alegados pela Fazenda Pública, caso em que o Juiz decidirá em dez
dias.
Parágrafo único. Se o requerido contestar no prazo legal, o Juiz designará audiência de
instrução e julgamento, havendo prova a ser nela produzida.

6.1. Contestação do requerido na medida cautelar fiscal

O requerido será citado para apresentar contestação no âmbito da medida cautelar


fiscal dentro do prazo de 15 dias, nos termos do art. 8º da Lei nº 8.397/92. Esse prazo
pode ter dois termos iniciais diferentes (parágrafo único do art. 8º da Lei nº 8.397/92): I-
a data da juntada aos autos do mandado de citação, devidamente cumprido; ou II- a data
da juntada aos autos do mandado de execução da medida cautelar fiscal, no caso de
concessão liminar.
Diferentemente do que ocorre com os embargos à execução fiscal, nos quais é
vedada a alegação de compensação (art. 16, §3º, da Lei nº 6.830/90), o requerido pode
alegar essa causa extintiva do direito da Fazenda Pública, assim como quaisquer causas
extintivas do crédito, em razão do previsto no art. 15 da Lei nº 8.397/92.

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Sendo apresentada a contestação, o juiz designará a audiência de instrução e


julgamento (art. 9º, parágrafo único, da Lei nº 8.397/92).

6.2. Produção de provas na medida cautelar fiscal

Como foi mencionado, a Fazenda Pública tem o ônus de comprovar


documentalmente a ocorrência de algum dos fatos previstos no art. 2º da Lei nº
8.397/92 para ter direito à concessão da medida cautelar fiscal. Isso porque a ocorrência
desses fatos é o que constitui o direito que fundamenta o pedido.
Por outro lado, o requerido terá o ônus de provar a existência de fato impeditivo,
extintivo ou modificativo do direito da Fazenda Pública, de acordo com o art. 373, II, do
CPC. Nesse sentido, o art. 8º da Lei nº 8.397/92 demanda que o requerido, ao contestar
o pedido, indique as provas que pretenda produzir.

6.3. Revelia na medida cautelar fiscal

Não apresentada a contestação pelo requerido, ele será considerado revel. Os


efeitos dessa revelia são aqueles previstos no art. 9º da Lei nº 8.397/92: haverá uma
presunção de que os fatos alegados pela Fazenda Pública são verdadeiros e foram aceitos
pelo réu. Ademais, nessa situação o juiz deverá proferir a sentença no prazo de 10 dias.
Vale ressaltar que essa presunção é relativa e não vincula o juiz, que poderá
analisar as provas dos autos e verificar se as provas apresentadas pela Fazenda Pública
são suficientes e se as alegações são verossímeis (art. 345, III e IV, do CPC).

6.4. Assertiva correta cobrada em concurso público

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• (VUNESP/2018/Prefeitura de São Bernardo do Campo/Procurador): Em sede


de medida cautelar fiscal, o requerido será citado para, no prazo de 15 dias,
contestar o pedido, indicando as provas que pretenda produzir. Quando a medida
cautelar fiscal é concedida liminarmente, referido prazo conta-se da juntada aos
autos do mandado da execução da medida cautelar fiscal.

6.5. O que é importante decorar sobre os arts. 8º e 9º

✓ O requerido será citado para contestar a medida cautelar fiscal no prazo de 15


dias, devendo apresentar as provas dos fatos impeditivos, extintivos ou
modificativos do direito da Fazenda Pública de requerer a indisponibilidade de
seus bens.
✓ É possível alegar a compensação e outras causas extintivas do crédito na
contestação da medida cautelar fiscal.
✓ Caso o requerido seja revel, haverá uma presunção relativa de que os fatos
alegados pela Fazenda Pública são verdadeiros e foram aceitos pelo réu.

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Ponto 7 – Art. 10
Art. 10. A medida cautelar fiscal decretada poderá ser substituída, a qualquer tempo,
pela prestação de garantia correspondente ao valor da prestação da Fazenda Pública, na
forma do art. 9° da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980.
Parágrafo único. A Fazenda Pública será ouvida necessariamente sobre o pedido de
substituição, no prazo de cinco dias, presumindo-se da omissão a sua aquiescência.

7.1. Substituição da medida cautelar fiscal

O art. 10 da Lei nº 8.397/92 permite que a indisponibilidade dos bens decretada


em razão da medida cautelar fiscal seja, a qualquer tempo, substituída pela prestação de
garantia equivalente ao valor cobrado.
Essa garantia deve assumir alguma das formas previstas no art. 9º da Lei nº
6.830/80: I- depósito em dinheiro; II- fiança bancária ou seguro garantia; III- nomeação
de bens à penhora; IV- indicação ou oferecimento à penhora de bems de terceiros, desde
que aceitos pela Fazenda Pública.
Em observância ao contraditório, a Fazenda Pública deverá ser ouvida antes da
substituição, dentro do prazo de 5 dias. Um detalhe muito importante é que, caso não
haja manifestação, haverá a presunção de concordância com a substituição da
indisponibilidade pela garantia, nos termos do art. 10, parágrafo único, da Lei nº
8.397/92.

7.2. O que é importante decorar sobre o art. 10

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✓ A medida cautelar fiscal pode ser substituída, a qualquer tempo, pela prestação de
garantia em alguma das seguintes formas: I- depósito em dinheiro; II- fiança
bancária ou seguro garantia; III- nomeação de bens à penhora; IV- indicação ou
oferecimento à penhora de bems de terceiros, desde que aceitos pela Fazenda
Pública.
✓ A Fazenda Pública deve manifestar-se no prazo de 5 dias sobre a substituição da
indisponibilidade pela garantia, presumindo-se a concordância em caso de
omissão.

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Ponto 8 – Arts. 11, 12 e 13


Art. 11. Quando a medida cautelar fiscal for concedida em procedimento preparatório,
deverá a Fazenda Pública propor a execução judicial da Dívida Ativa no prazo de
sessenta dias, contados da data em que a exigência se tornar irrecorrível na esfera
administrativa.

Art. 12. A medida cautelar fiscal conserva a sua eficácia no prazo do artigo antecedente
e na pendência do processo de execução judicial da Dívida Ativa, mas pode, a qualquer
tempo, ser revogada ou modificada.
Parágrafo único. Salvo decisão em contrário, a medida cautelar fiscal conservará sua
eficácia durante o período de suspensão do crédito tributário ou não tributário.

Art. 13. Cessa a eficácia da medida cautelar fiscal:


I - se a Fazenda Pública não propuser a execução judicial da Dívida Ativa no prazo
fixado no art. 11 desta lei;
II - se não for executada dentro de trinta dias;
III - se for julgada extinta a execução judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública;
IV - se o requerido promover a quitação do débito que está sendo executado.
Parágrafo único. Se, por qualquer motivo, cessar a eficácia da medida, é defeso à
Fazenda Pública repetir o pedido pelo mesmo fundamento.

8.1. Medida cautelar requerida como procedimento


preparatório

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O art. 11 da Lei nº 8.397/92 dispõe sobre o requerimento da medida cautelar


fiscal antes da propositura da execução fiscal. Nesse caso, como ocorre com as tutelas
cautelares antecedentes em geral (art. 308 do CPC), é necessário que o autor deduza em
juízo o pedido principal.
No caso da Fazenda Pública, é necessário que a execução fiscal (pretensão
principal) seja proposta em até 60 dias. No entanto, esse prazo não tem como termo
inicial a concessão da medida em si, mas sim o momento em que o crédito se considera
definitivamente constituído e exigível: na data em que se tornar irrecorrível na esfera
administrativa.

8.2. Eficácia temporal da medida cautelar fiscal

Concedida a medida cautelar e decretada a indisponibilidade dos bens do


requerido, os efeitos serão conservados enquanto durar a execução fiscal em curso ou
que venha a ser proposta no prazo de 60 dias, de acordo com o art. 12 da Lei nº
8.397/92. Isso não impede, contudo, que ela seja modificada ou revogada, a qualquer
tempo, por causas supervenientes.
É importante ressaltar que, ainda que o crédito tributário ou não tributário venha
a ter sua exigibilidade suspensa, a medida cautelar fiscal concedida continuará
produzindo efeitos, nos termos do art. 12, parágrafo único, da Lei nº 8.397/92.

8.3. Cessação da eficácia da medida cautelar fiscal

Apesar de a medida cautelar fiscal ter o propósito de assegurar o pagamento de


uma dívida, ela não poderá produzir efeitos indefinidamente, sob pena de violação do

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princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, o Enunciado nº 420 do FPPC dispõe


que: “Não cabe estabilização de tutela cautelar”.
Dessa maneira, o art. 13 da Lei nº 8.397/92 arrola as hipóteses em que a medida
cautelar fiscal perderá a eficácia: I - se a Fazenda Pública não propuser a execução
judicial da Dívida Ativa no prazo fixado no art. 11; II - se não for executada dentro de
trinta dias; III - se for julgada extinta a execução judicial da Dívida Ativa da Fazenda
Pública; IV - se o requerido promover a quitação do débito que está sendo executado.
Além desses casos, cabe aplicar o Enunciado nº 504 do FPPC: “Cessa a eficácia
da tutela cautelar concedida em caráter antecedente, se a sentença for de procedência do
pedido principal, e o direito objeto do pedido foi definitivamente efetivado e satisfeito”.
Assim como nas cautelares comuns (art. 310 do CPC), a cessação da eficácia da
medida cautelar fiscal não impede que o pedido seja formulado novamente, desde que
por novo fundamento, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei nº 8.397/92.
Entretanto, não será possível a renovação do pedido se ocorrer alguma das
hipóteses do art. 15 da Lei nº 8.397/92, que obstam, inclusive, a propositura da execução
fiscal. Portanto, a medida cautelar fiscal não poderá ser requerida novamente se o juiz
acolher alegação de pagamento, de compensação, de transação, de remissão, de
prescrição ou decadência, de conversão do depósito em renda, ou qualquer outra
modalidade de extinção da pretensão deduzida.

8.4. Assertivas corretas cobradas em concursos públicos

• (VUNESP/2017/Câmara de Mogi das Cruzes/Procurador Jurídico): De acordo


com a Lei da Medida Cautelar Fiscal, salvo decisão em contrário, a medida
cautelar fiscal conservará sua eficácia durante o período de suspensão do crédito
tributário ou não tributário.

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• (VUNESP/2016/IPSMI/Procurador): A medida cautelar fiscal conserva a sua


eficácia no prazo de sessenta dias, contados da data em que a exigência se tornar
irrecorrível na esfera administrativa e na pendência do processo de execução
judicial da Dívida Ativa, mas pode, a qualquer tempo, ser revogada ou modificada.
• (VUNESP/2013/Câmara Municipal de São Carlos/Advogado): Cessa a eficácia
da medida cautelar fiscal se for julgada extinta a execução judicial da Dívida Ativa
da Fazenda Pública.

8.5. O que é importante decorar sobre os arts. 11, 12 e 13

✓ Caso a medida cautelar fiscal concedida tenha sido requerida antes da propositura
da execução fiscal, esta deve ser proposta no prazo de 60 dias, contados da data
em que a exigência se tornar irrecorrível na esfera administrativa.
✓ A medida cautelar fiscal perderá a eficácia: I - se a Fazenda Pública não propuser a
execução judicial da Dívida Ativa no prazo fixado no art. 11; II - se não for
executada dentro de trinta dias; III - se for julgada extinta a execução judicial da
Dívida Ativa da Fazenda Pública; IV - se o requerido promover a quitação do
débito que está sendo executado.
✓ É possível a renovação da medida cautelar fiscal que perdeu a eficácia, desde que
por novo fundamento.
✓ A renovação da medida cautelar fiscal que perdeu a eficácia não será possível se o
juiz acolher alegação de pagamento, de compensação, de transação, de remissão,
de prescrição ou decadência, de conversão do depósito em renda, ou qualquer
outra modalidade de extinção da pretensão deduzida.

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Ponto 9 – Arts. 14, 15, 16, 17, 18 e 19


Art. 14. Os autos do procedimento cautelar fiscal serão apensados aos do processo de
execução judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública.

Art. 15. O indeferimento da medida cautelar fiscal não obsta a que a Fazenda Pública
intente a execução judicial da Dívida Ativa, nem influi no julgamento desta, salvo se o
Juiz, no procedimento cautelar fiscal, acolher alegação de pagamento, de compensação,
de transação, de remissão, de prescrição ou decadência, de conversão do depósito em
renda, ou qualquer outra modalidade de extinção da pretensão deduzida.

Art. 16. Ressalvado o disposto no art. 15, a sentença proferida na medida cautelar fiscal
não faz coisa julgada, relativamente à execução judicial da Dívida Ativa da Fazenda
Pública.

Art. 17. Da sentença que decretar a medida cautelar fiscal caberá apelação, sem efeito
suspensivo, salvo se o requerido oferecer garantia na forma do art. 10 desta lei.

Art. 18. As disposições desta lei aplicam-se, também, ao crédito proveniente das
contribuições sociais previstas no art. 195 da Constituição Federal.

Art. 19. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

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9.1. Indeferimento da medida cautelar fiscal

Na hipótese de a medida cautelar fiscal ser indeferida, tendo em vista tratar-se de


uma ação acessória que não afeta a principal, a Fazenda Pública ainda poderá propor a
execução fiscal da dívida, nos termos do art. 15 da Lei nº 8.397/92.
Entretanto, o dispositivo mencionado prevê algumas hipóteses em que o
indeferimento da medida cautelar fiscal obstará o ajuizamento da execução. Essas
hipóteses estão relacionadas a todos os casos de extinção da dívida. Caso seja
reconhecida essa extinção, não haverá interesse da Fazenda Pública para propor a
execução fiscal.
Portanto, a execução não pode ser intentada se a cautelar fiscal for indeferida em
razão de o juiz acolher alegação de pagamento, de compensação, de transação, de
remissão, de prescrição ou decadência, de conversão do depósito em renda, ou qualquer
outra modalidade de extinção da pretensão deduzida.

9.2. Coisa julgada e recurso contra a sentença na medida


cautelar fiscal

Também em razão de a medida cautelar fiscal ser uma ação acessória em relação à
execução fiscal, a sentença proferida no procedimento da medida não fará coisa julgada
material, uma vez que, em regra, não haverá análise do mérito da dívida. Por outro lado,
caso o juiz acolha alguma das hipóteses de extinção do crédito previstas no art. 15,
haverá análise do mérito e coisa julgada material, nos termos do art. 16 da Lei nº
8.397/92.
Ademais, contra a sentença será cabível a interposição de apelação, a qual, por
expressa dicção do art. 17 da Lei nº 8.973/92, não terá efeito suspensivo, ressalvada a
hipótese de o requerido oferecer a garantia prevista no art. 10.

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9.3. O que é importante decorar sobre os arts. 14, 15, 16, 17, 18 e
19

✓ O indeferimento da medida cautelar fiscal não impede a propositura da execução


fiscal, salvo se o juiz acolher alguma alegação de extinção do crédito.
✓ A decisão da medida cautelar fiscal não faz coisa julgada material, salvo se
reconhecida a extinção do crédito.
✓ Contra a sentença da medida cautelar fiscal, será cabível apelação sem efeito
suspensivo, salvo se o requerido oferecer garantia da dívida.

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Ponto 10

10. O que é importante decorar sobre toda a Lei da Medida


Cautelar Fiscal

✓ A medida cautelar fiscal é uma espécie de tutela cautelar, que tem como
legitimado ativo exclusivo a Fazenda Pública (incluindo as autarquias);
✓ A medida cautelar fiscal pode ser proposta para assegurar o pagamento de
quaisquer créditos da Dívida Ativa, sejam eles tributários ou não, incluindo os
decorrentes das contribuições sociais previdenciárias (art. 195 da CF);
✓ Em regra, o requerimento da medida cautelar fiscal depende da constituição
definitiva do crédito. No entanto, há duas hipóteses que permitem o
requerimento sem a prévia constituição do crédito: I- quando o devedor,
notificado pela Fazenda Pública para que proceda ao recolhimento do crédito
fiscal, põe ou tenta por seus bens em nome de terceiros; e II- quando o devedor
aliena bens ou direitos sem proceder à devida comunicação ao órgão da Fazenda
Pública competente, quando exigível em virtude de lei.
✓ A Fazenda Pública interessada tem o ônus de provar a ocorrência de algum dos
casos constitutivos do seu direito de requerer a indisponibilidade dos bens do
devedor, dentre as hipóteses previstas no art. 2º da Lei nº 8.397/92.
✓ A medida cautelar pode ser requerida quando o devedor: I - sem domicílio certo,
intenta ausentar-se ou alienar bens que possui ou deixa de pagar a obrigação no
prazo fixado; II - tendo domicílio certo, ausenta-se ou tenta se ausentar, visando a
elidir o adimplemento da obrigação; III - caindo em insolvência, aliena ou tenta
alienar bens; IV - contrai ou tenta contrair dívidas que comprometam a liquidez
do seu patrimônio; V - notificado pela Fazenda Pública para que proceda ao

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recolhimento do crédito fiscal: a) deixa de pagá-lo no prazo legal, salvo se


suspensa sua exigibilidade; b) põe ou tenta por seus bens em nome de
terceiros; VI - possui débitos, inscritos ou não em Dívida Ativa, que somados
ultrapassem trinta por cento do seu patrimônio conhecido; VII - aliena bens ou
direitos sem proceder à devida comunicação ao órgão da Fazenda Pública
competente, quando exigível em virtude de lei; VIII - tem sua inscrição no
cadastro de contribuintes declarada inapta, pelo órgão fazendário; IX - pratica
outros atos que dificultem ou impeçam a satisfação do crédito.
✓ A concessão da medida cautelar fiscal depende de dois requisitos, semelhantes aos
requisitos da tutela cautelar comum: I- a prova literal da constituição do crédito
fiscal (a probabilidade do direito); e II- a prova documental de algum dos casos
mencionados no art. 2º da Lei nº 8.397/92 (o perigo de dano ou o risco ao
resultado útil do processo).
✓ A medida cautelar fiscal tem o propósito de tornar indisponível o patrimônio do
devedor para assegurar a satisfação da dívida. Essa indisponibilidade não pode
superar o valor devido e produz efeitos imediatos.
✓ A indisponibilidade dos bens do devedor não pode alcançar os bens
impenhoráveis previstos no art. 833 do CPC nem o bem de família resguardado
pela Lei nº 8.009/90.
✓ A impenhorabilidade do bem de família não será oponível no caso de medida
cautelar fiscal proposta para a cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e
contribuições devidas em função do imóvel familiar
✓ Se o requerido for pessoa jurídica, a indisponibilidade dos bens pode alcançar
apenas os bens do ativo permanente para manter o funcionamento da empresa.
No entanto, o STJ reconhece duas hipóteses que permitem a decretação da
indisponibilidade dos bens do ativo não permanente: I- se a empresa não está

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mais exercendo suas atividades; ou II- se não forem encontrados em seu


patrimônio bens capazes de garantir a execução.
✓ A medida cautelar fiscal pode ser estendida para alcançar o patrimônio de
terceiros nos seguintes casos: I- Para alcançar os bens do acionista controlador e
dos que, em razão do contrato social ou estatuto, tenham poderes para fazer a
empresa cumprir suas obrigações fiscais, ao tempo: a) do fato gerador, nos casos
de lançamento de ofício; b) do inadimplemento da obrigação fiscal, nos demais
casos; II- Para alcançar bens adquiridos a qualquer título do devedor; e III- Para
alcançar os bens daqueles que sejam ou tenham estado na função de
administrador da pessoa jurídica.
✓ A medida cautelar fiscal deve ser requerida perante o juízo competente para
executar a Dívida Ativa da Fazenda Pública, que será aquele do foro de domicílio
do réu, de sua residência ou do do lugar onde for encontrado.
✓ Caso a execução fiscal já esteja em curso e no segundo grau de jurisdição, caberá
ao relator do recurso processar a medida cautelar fiscal.
✓ A petição inicial da medida cautelar fiscal deve conter as provas que a Fazenda
Pública pretende produzir no processo, ao contrário da petição inicial da execução
fiscal.
✓ É possível o deferimento liminar da indisponibilidade dos bens no procedimento
da medida cautelar fiscal. Para tanto, a Fazenda Pública não precisa apresentar
justificação prévia ou prestar caução.
✓ Contra a decisão que versa sobre a liminar, será cabível o agravo de instrumento.
✓ O requerido será citado para contestar a medida cautelar fiscal no prazo de 15
dias, devendo apresentar as provas dos fatos impeditivos, extintivos ou
modificativos do direito da Fazenda Pública de requerer a indisponibilidade de
seus bens.

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✓ É possível alegar a compensação e outras causas extintivas do crédito na


contestação da medida cautelar fiscal.
✓ Caso o requerido seja revel, haverá uma presunção relativa de que os fatos
alegados pela Fazenda Pública são verdadeiros e foram aceitos pelo réu.
✓ A medida cautelar fiscal pode ser substituída, a qualquer tempo, pela prestação de
garantia em alguma das seguintes formas: I- depósito em dinheiro; II- fiança
bancária ou seguro garantia; III- nomeação de bens à penhora; IV- indicação ou
oferecimento à penhora de bems de terceiros, desde que aceitos pela Fazenda
Pública.
✓ A Fazenda Pública deve manifestar-se no prazo de 5 dias sobre a substituição da
indisponibilidade pela garantia, presumindo-se a concordância em caso de
omissão.
✓ Caso a medida cautelar fiscal concedida tenha sido requerida antes da propositura
da execução fiscal, esta deve ser proposta no prazo de 60 dias, contados da data
em que a exigência se tornar irrecorrível na esfera administrativa.
✓ A medida cautelar fiscal perderá a eficácia: I - se a Fazenda Pública não propuser a
execução judicial da Dívida Ativa no prazo fixado no art. 11; II - se não for
executada dentro de trinta dias; III - se for julgada extinta a execução judicial da
Dívida Ativa da Fazenda Pública; IV - se o requerido promover a quitação do
débito que está sendo executado.
✓ É possível a renovação da medida cautelar fiscal que perdeu a eficácia, desde que
por novo fundamento.
✓ A renovação da medida cautelar fiscal que perdeu a eficácia não será possível se o
juiz acolher alegação de pagamento, de compensação, de transação, de remissão,
de prescrição ou decadência, de conversão do depósito em renda, ou qualquer
outra modalidade de extinção da pretensão deduzida.

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✓ O indeferimento da medida cautelar fiscal não impede a propositura da execução


fiscal, salvo se o juiz acolher alguma alegação de extinção do crédito.
✓ A decisão da medida cautelar fiscal não faz coisa julgada material, salvo se
reconhecida a extinção do crédito.
✓ Contra a sentença da medida cautelar fiscal, será cabível apelação sem efeito
suspensivo, salvo se o requerido oferecer garantia da dívida.

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