Você está na página 1de 2

O Aprendizado na Tradicionalidade Yorùbá

Em muitas das comunidades de Òrìsà, em território Yorùbá, os jovens de cada comunidade aprendem
sobre aquele Òrìsà (Orins, Orikis, Ìtàns, Odù e ritualística). Em uma comunidade de Òrì ṣà, o que vai
determinar o fato de você se tornar um sacerdote ou não, além da sua pré-destinação, é também, o seu
nível de aprendizado, através da oralidade e da visualização.

Nas comunidades, a escrita, por muitas das vezes, é algo recente, mas que, para muitas coisas, ainda é
dispensada e a oralidade se mantém. Segundo relatos de sacerdotes de tal área e de diversas
comunidades diferentes de Òrìṣà, há um tipo de "prova oral", que é onde o sacerdote vos faz perguntas
e você tem de responder com o seu aprendizado, mas isso não garante o seu sacerdócio, mas sim, a
fixação do que você aprendeu.

Os jovens, por muitas das vezes, não são sacerdotes e muitos, nem iniciados são, pois acreditam que
têm muito a aprender. Um jovem aprendiz pode compartilhar com os membros de sua comunidade, os
seus aprendizados, mas isso nunca será a garantia de que esse jovem será ou não superior ou inferior à
um ancião (sacerdote).

Na Tradicionalidade Yorùbá, nós temos ritualísticas para descobrir o nome de novos membros (os
bebês). Essas ritualísticas são chamadas de Esèntáyé (ou Àkosèjayé), Ikomojade e Isomoloruko.

Durante o ritual de Àkosèjayé, é sacado um Odù de nascimento, nesse odù, estará contido o caráter da
criança e outros. Assim como também estará o nome da criança, nome a qual a criança será
reconhecida e chamada por toda a sociedade. Prefiro não trabalhar com datas aqui, pois as datas de
realização variam entre famílias, ou seja, variam de acordo com tradições.

No ritual de Orunmila se utiliza ikin ou opele, assim como no egbe orun, egungun e outros Òrì ṣà que
não possuem Eèrìndínlógún, se utiliza obi. Os Òrìsàs que possuem tal oráculo, em sua maioria, é
utilizado o mesmo. Esse ritual ele nunca é feito em fase adulta, mas sim, na fase de recém-nascido.

O ritual de Isomoloruko é o momento onde a criança receberá seu nome. Nesse ritual são utilizados
vários ingredientes para adoçar a vida da criança e ele é praticado dias após o Àkosèjayé.

O Ikomojade é realizado quando a criança que passou pela ritualística de Àkosèjayé, é mostrada
oficialmente para toda a sua comunidade, com o seu nome obtido e é recebida com uma grande festa.
Hoje em dia, muitas famílias Yorùbá praticam o Àkosèjayé e Ikomojade na mesma data para a
economia de gastos, mas eles podem ser praticados no mesmo dia ou não.

O Àkosèjayé é praticado por todos os Yorùbá, assim como, o Ikomojade, mas o Isomoloruko é
praticado apenas pelas famílias de tradição de Òrìṣà.

Eu não passei por esse processo e, no Brasil, poucas crianças que nasceram do meu ano de nascimento
(2002) para trás, não realizaram essa ritualística, tal como, recentemente que ela vêm sendo adotada
pelas famílias que praticam a Tradicionalidade Yorùbá. No Candomblé, essa ritualística, até então, não
existia, mas há famílias que estão adotando essa ritualística.
Eu, como um mero aprendiz, busco sempre compartilhar um pedaço pequeno de meus aprendizados
aqui, para que eu possa ajudar todos e estimular os estudos sobre a sua tradição. Eu também estou aqui
para mostrar o prazer e o amor que eu tenho por estudar a religião de meu ancestral - Ọbàtálá - tal
como, meu lugar é dentro de seu culto, e não, realizando atos de vandalismo ou qualquer outro ato que
fira a dignidade de um ser humano, de um cidadão.

O estudo enobrece e enriquece o ser humano e eu estou aqui em busca disso, do enriquecimento de
meu intelectual e do enobrecimento do mesmo. Minha posição jamais será acima dos meus anciões
(mais velhos), tal como, nunca será abaixo dos aprendizes como eu (seja de onde for), mas sim, sempre
lado-a-lado, pois formamos uma comunidade (ẹgbẹ)."

Texto : Caio Victorino - Ọmọ Ọbàtálá