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Sobre o texto “Bachelard: o filósofo da desilusão” de Alice Ribeiro Casemiro

Lopes:
Achei interessante que a autora buscou criticar a fácil aproximação entre a
produção dos filósofos e sua vida onde “a vida de um filósofo se reflete em uma
obra”, sendo assim coerente com as ideias de Bachelard e sua concepção de
ruptura (“em Bachelard, nitidamente observamos ser o pensamento o que
dinamizava a sua vida, instaurava novos significados em sua existência”).
A crítica de Bachelard sobre os continuístas, a construção do conhecimento
científico como um fio condutor, ainda é pertinente em tempos atuais.
Continuamos expressando a história da ciência como uma série de eventos
contínuos nos materiais educacionais. Assim reforçando a ideia de que a ciência
se produz por meio de insights geniais.
Sobre o texto “Senso comum e Ciência: uma análise hermenêutica e
epistemológica do senso comum de oposição” de Ivan Penteado Dourado
Quando o autor descreve que para Bachelard “a ciência se opõe a opinião” e diz
em nota de rodapé na página 223 sobre a oposição ao senso comum que:
“Em linhas gerais, a postura arrogante apresenta uma crença na existência
legítima que hierarquiza e diferencia o saber popular (inferior) e o saber erudito
(superior), reforçando a distância entre o que se estuda, o que se pensa no
ambiente acadêmico e o que se vive fora dos muros universitários, sendo
tradicionalmente considerado o primeiro como mais importante que o segundo”
Dourado nos coloca em uma “saia justa”, pois não podemos dizer que o saber
popular tem essa relação tão estreita com o conhecimento cientifico e ao mesmo
tempo não queremos dizer que um saber é superior ou inferior ao outro. Se a
ideia de que temos que romper com as primeiras ideias é criticada pelo o autor
eu o crítico por ele pensar que partir do senso comum é a melhor ideia, vamos
correr o risco de reforçar mitos? Trabalhar física e biologia partindo das ideias
do “Thetahealing”? A ideia de Bachelard de que não podemos nos manter no
raso, nas discussões de senso comum, que é preciso romper com o que se
acredita que era conhecido e superar os erros para estruturar o conhecimento
científico me parece uma melhor ideia. Concordo com o trecho do texto “A Noção
de Obstáculo Epistemológico” onde na página 23 é dito que
“Os professores de ciências imaginavam que o espirito começa como uma aula,
que é possível reconstruir uma cultura falha pela repetição da lição, que se pode
fazer entender uma demonstração repetindo-a ponto por ponto. Não levam em
conta que o adolescente entra na aula de Física com conhecimentos empíricos
já constituídos: não se trata, portanto de adquirir uma cultura experimental, mas
sim mudar de cultura experimental, de derrubar os obstáculos já sedimentados
pela vida cotidiana”
E é nesse sentido que entendo as rupturas com o senso comum, não colocando
o saber popular como inferior e o cientifico como superior, mas sim como saberes
que estão em esferas diferentes: “o conhecimento é a reforma de uma ilusão”.
Também não é colocando os conhecimentos científicos como verdade absoluta:
“Não podemos mais nos referir à verdade, instância que se alcança em definitivo,
mas apenas às verdades múltiplas, históricas, pertencentes às esferas da
veridicidade, da capacidade de gerar credibilidade e confiança. As verdades só
adquirem sentindo ao fim de uma polêmica, após a retificação dos primeiros
erros” (LOPES, p. 253).
Dourado não deixa claro sobre como funcionaria a ideia de senso comum
aplicada a vida mas acredito que temos que tomar cuidado como professores
com a ideia de partir do senso comum, para não reforçar ideias que prejudicam
as pessoas e a ideia de que só o que se vê no cotidiano é útil. Nos tempos em
que estamos vivemos falarmos só do que é de interesse, só do que está presente
no senso comum é um risco de só ficar com pesquisas relacionadas a temas que
a sociedade acredita que é interessante, e a sociedade não rompeu com o senso
comum para conseguir compreender outras coisas que não estão na superfície
mas que também são caras a ela.