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Arranjo Físico e Fluxo

INTRODUÇÃO vez em uma unidade produtiva. Também determi­


na a maneira segundo a qual os recursos transfor­
o arranjo físico de uma operação produtiva mados - materiais, informação e clientes - fluem
preocupa-se com o posicionamento físico dos re­ pela operação. Mudanças relativamente peque­
cursos de transfonnação. Colocado de forma sim­ nas na localização de uma máquina numa fábrica
ples, definir o arranjo físico é decidir onde colo­ ou dos produtos em um supermercado ou a mu­
car todas as instalações, máquinas, equipamentos dança de salas em um centro esportivo podem
e pessoal da produção. O arranjo físico é uma afetar o fluxo de materiais e pessoas por meio da
das características mais evidentes de uma opera­ operação. Isso, por sua vez, pode afetar os custos
ção produtiva porque determina sua "forma" e e a eficácia geral da produção. A Figura 7.1 mos­
aparência. É aquilo que a maioria de nós notaria tra o papel do arranjo físico no modelo geral de
em primeiro lugar quando entrasse pela primeira projeto em produção.

Princípios gerais de projeto


de produção

Projeto de Projeto de
produtos e serviços processos

Projeto da rede
Geração do conceito

Triagem

Projeto preliminar

Avaliação e melhoria

Prototipagem e projeto
final

W4"Fi 7.1 Atividades de projeto em administração de produção abordadas neste capítulo.


IJ O ]'ís!co E FLl'\O 201

Ouais são os tipos básicos de arranjo físico usados em produção?

Oual tipo de arranjo físico uma operação deveria escolher?

o que o projeto do arranjo físico deseja alca nçar? __J


Como deveria ser o projeto detalhado de cada tipo básico de arranjo físico?

PROCEDIMENTO DE ARRANJO FÍSICO Selecione o tipo de processo

Há algumas razões práticas pelas quais as O conceito do tipo de processo é, muitas ve­
decisões de arranjo físico são importantes na zes, confundido com o arranjo físico . Descreve­
maioria dos tipos de produção: mos a decisão de qual o tipo de processo adotar
no Capítulo 4. Os tipos de processo ilustrados na
Figura 7.2 são abordagens gerais para a organi­
• Mudança de arranjo físico é freqüente­ zação das atividades e processos de produção.
mente uma atividade difícil e de longa
Arranjo físico é um conceito mais restrito, mas é a
duração por causa das dimensões físicas manifestação fís ica de um tipo de processo. É a
dos recursos de transformação movidos. característica de volume-variedade que dita o
tipo de processo. Há, entretanto, freqüentemen­
• O rearranjo físico de uma operação exis­
tente pode interromper seu funcionamen­ te, alguma superposição entre tipos de processo
to suave, levando à insatisfação do cliente que podem ser utilizados para determinada posi­
ou a perdas na produçã.o. ção do binômio volume-variedade. Em casos em
que mais do que um tipo de processo é possível,
• Se o arranjo físico está errado, pode levar a importância relativa dos objetivos de desempe­
a padrões de fluxo longos ou confusos, es­ nho da operação pode influenciar na decisão. Em
toque de materiais, filas de clientes for­ geraJ, quanto mais importante for o objetivo cus­
mando-se ao longo da operação, inconve­ to para a operação, mais provável será que ela
niências para os clientes, tempos de adote um tipo de processo próxi mo ao extremo
processamento longos, operações inflexí­ alto volume - baixa variedade do espectro de ti­
veis, fluxos imprevisíveis e altos custos. pos de processo.

De fato, há uma dupla pressão para adeci­ Selecione o arranjo físico básico
são sobre o arranjo físico . A mudança de arranjo
físico pode ser de execução difícil e cara e, por­
tanto, os gerentes de produção podem relutar em Depois que o tipo de processo foi seleciona­
fazê-la com freqüência. Ao mesmo tempo, eles do, o tipo básico de arranjo físico deve ser defini­
não podem errar em sua decisão. A conseqüência do. O tipo básico de arranjo físico é a forma geral
de qualquer mau julgamento na definição do ar­ do arranjo de recursos produtivos da operação.
ranjo físico terá efeitos de longo prazo considerá­ A maioria dos arranjos físicos, na prática.
veis na operação. deriva de apenas quatro tipos básicos de arranjo
físico:
Projetar o arranjo físico de uma operação
produtiva, assim como qualquer atividade de • arranjo físico posicional;
projeto, deve iniciar-se com os objetivos estraté­
gicos da produção. Entretanto, isso é apenas o • arranjo físico por processo;
ponto de partida do que é um processo de múlti­
• arranjo físico celular;
plos estágios que leva ao arranjo físico final de
uma operação (veja Figura 7.2). • arranjo fís ico por produto.
202 PROJETO

Processo por projeto Serviços profissionais


Processo jobbing Loja de serviços
Processo em lotes ou bateladas Serviços em massa
Processo em massa
Processo contín uo

Arranjo físico posicional


Arran jo físico por processo
Arranjo físico celular
Arranjo físico por produto

Posição física de
Projeto detal~a do todos os recursos
de arranjo físico de transformação

IiJml1I 7.2 A decisão de arranjo físico.

A relação entre tipos de processo e tipos bá­ podem ajudar nesse estágio, algumas das quais
sicos de arranjo físico não é totalmente determi­ são descritas posteriormente neste capítulo.
nística. Um tipo de processo não necessariamente
implica tipo básico de arranjo físico em particu­
lar. Como a Tabela 7.1 indica, cada tipo de pro­ TIPOS BÁSICOS DE ARRANJO FÍSICO
cesso pode adotar diferentes tipos básicos de ar­
ranjo físico. Arranjo físico posicional

Arranjo físico posicional (também conheci­


Selecione o projeto detalhado de arranjo do como arranjo físico de posição fixa) é, de cer­
físico ta forma, uma contradição em termos, já que os
recursos transformados não se movem entre os re­
Embora a escolha do tipo básico de arranjo cursos transformadores. Em vez de materiais, in­
formações ou clientes fluírem por uma operação,
físico governe a maneira geral segundo a qual os
quem sofre o processamento fica estacionário, en­
recursos vão ser arranjados uns em relação aos quanto equipamento, maquinário, instalações e
ourros, ela não define precisamente a posição pessoas movem-se na medida do necessário. A
exata de cada elemento da operação. O estágio razão para isso pode ser que ou o produto ou o
final na atividade de definição do arranjo físico é sujeito do serviço seja muito grande para ser mo­
a definição do projeto detalhado de posiciona­ vido de forma conveniente, ou podem ser (ou es­
mento físico dos recursos. Há muitas técnicas que tar em um estado) muito delicados para serem
ARRANJ O FÍSI CO F. FLUXO 203

Tabela 7.1 Relação entre tipos de processo e tipos básicos de arranjo físico.

Tipos de processo L Tipos básicos d. Tipos de processo

I
em manufatura arranjo fisico de serviço

I Processo
por projeto
Processo tipo jobbing
Arranjo flsico posicionai
1 Serviços
profissionais

i
Arranjo físico por processo +
Processo
Loja de serviços

I Processo
em massa
tipo batch

Processo 1
!
I
Arranjo flsico celular

Arranjo físico por produto


Serviços
de massa
continuo I

movidos, ou ainda podem objetar-se a ser movi­ • todos os subcontratados possam ter aces­
dos, por exemplo: so à área do canteiro onde estejam traba­
lhando sem interferir na movimentação
• Construção de uma rodovia - produto é dos recursos dos outros subcontratados;
muito grande para ser movido.
• a movimentação total dos subcontratados,
• Cirurgia de coração - pacientes estão em de seus veículos e de materiais seja mini­
um estado muito delicado para serem mo­
mizada tanto quanto possível.
vidos.
• Restaurante de alta classe - clientes obje­ Na prática, a eficácia de um arranjo físico
tariam em mover-se para onde a comida é posicional como este está ligada à programação
preparada. de acesso ao canteiro e à confíabilidade das en­
tregas. Na maioria dos canteiros, não há espaço
• Estaleiro - produto muito grande para para alocar áreas pennan entes a todos os sub­
mover-se . contratados que porventura venham a necessitar
• Manutenção de computador de grande por­ de acesso à obra. Apenas os maiores, mais impor­
te - produto muito grande e provavel­ tantes ou aqueles subcontratados de prazo mais
mente também muito delicado para ser longo provavelmente ganharão espaço perma­
movido e o cliente poderia negar-se a tra­ nente (ao longo da duração da obra). Outros
zê-lo para manutenção. subcontratados terão áreas alocadas temporaria­
mente. Isso deixa o arranjo físico sujeito a altera­
Um canteiro de obra é tipicamente um ções no planejamento e controle do projeto (al­
exemplo de arranjo físico posicional, já que exis­ gumas das questões são discutidas em detalhes
te uma quantidade de espaço limitada que deve no Capítulo 16) .
ser alocada aos vários recursos transformadores.
O principal problema em projetar o arranjo fís ico Arranjo físico por processo
será então alocar áreas do canteiro aos vários
subcontratados de forma que: O arranjo físico por processo é assim chama­
do porque as necessidades e conveniências dos
• eles tenham suficiente espaço para execu­
recursos transformadores que constituem o pro­
tar suas atividades;
ce sso n a operação dominam a decisão sobre o ar­
• eles possam receber e armazenar seus su­ ranjo físico. No arranjo por processo, processos
primentos; similares (ou processos com necessidades simila­
204 PROJETO

res) são localizados juntos um do outro. A razão seus negócios é a gestão de projeto , manufatura e cons­
pode ser que seja conveniente para a operação trução de estações geradoras de eletricidade. turbinadas
mantê-1os juntos, ou que dessa forma a utilização a gás com ciclo combinado. Um projeto típico como o
dos recursos transformadores seja beneficiada. ilustrado na Figura 7.3 é uma operação gigantesca, le­
Isso significa que, quando produtos, informações vando pelo menos três anos para ser executado. A maior
ou clientes fluíre m pela operação, eles percorre­ parte do equ ipamento , muito grande e pesado, é feita
rão um roteiro de processo a processo, de acordo sob encomenda e fabricada para atender a uma alta es­
com suas necessidades. Diferentes produtos ou pecificação e confo rm idade.
clientes terão diferentes necessidades e, portan­ Quase todos os aspectos da construção de uma es­
to, percorrerão diferentes roteiros na operação. tação de energia envolvem arranjos físicos posicionais.
Por essa razão, o padrão de fluxo na operação Componentes e materiais brutos, como concreto e aço,
são trazidos para o ponto de uso e são progressivamente
poderá ser bastante complexo.
incorporados ao trabalho. Gruas, maquinário de constru­
Exemplos de arranjo físico por processo in ­ ção e todos os equipamentos especialistas necessários
cluem: às tarefas são trazidos para o local, juntamente com fun­
cionários habilitados e pessoal contratado que desenvol­
• Hospital - alguns processos (e.g.: apare­ vem tarefas no projeto.
lhos de raios-X e laboratórios) são neces­ Uma vez que todo esse trabalho esteja terminado,
sários a um grande número de diferentes os itens mecânicos e elétricos são entregues ao local, de
tipos de pacientes; alguns processos (e.g.: acordo com uma programação preparada cuidadosa­
alas gerais) podem atingir altos níveis de mente. Alg uns deles chegam como unidades completas,
utilização de recursos (leitos e equipe de outros como módulos ou conjuntos de partes a serem
atendimento) . construídas no local, segundo arranjo ffsico posicionaI.
• Usinagem de peças utilizadas em m otores Por exem plo, uma parte da turbina de vapor é feita e
de aviões - alguns processos (e.g.: trata­ montada na fáb rica, também usando arranjo físico posi­
mento ténnico) necessitam de instalações cionai, e então transportada como uma peça única para o
local da estação . Uma abordagem parecida é usada para
especiais (para exau tão de fu maça, por
a montagem de um estator do gerador, que é construído
exemplo); alguns processos (e.g.: machi­ na fábrica.
ning centres) requerem supOlt e comum de
Há algum tempo, era normal que toda a turbina ge­
preparadore / operadores de máquina; al­
radora fosse montada em um arranjo físico posicional na
guns processos (e.g. : esmerilhadeiras) fábrica, e então desmontada e levada para o local da es­
atingem altos níveis de utilizaçãoJ pois to­ tação para remontagem . Isso ocorria porque muitas pe­
das as peças que requerem operações de ças tinham que ser ajustadas para se encaixar perfeita­
esmerilharnento passam por uma única mente e a pré-montagem era utilizada para garantir que
seção. tudo se encaixasse corretamente antes da entrega final.
• Supermercado - alguns processos, como a Agora, entretanto, melhorias no projeto e em tecnologias
área que dispõe de vegetais enlatados, de manufatura propiciaram à empresa fabricar esses
oferecem maior fa cilidade na reposição grandes componentes de forma muito mais precisa, per­
dos produtos se mantidos agrup ados. mitindo que maior número de montagens possa ocorrer
Alguns setores, como o da comida conge­ no local exato necessário na estação. Isso também aju­
lada, necessitam de tecnologia similar de dou a empresa a responder a pressões de mercado que
exigem lead times menores e preços mais baixos .
armazenagem, em gabinetes refrigerados.
Outros, como as áreas que dispõem de ve­
Questões
getais frescos, podem ser mantidos juntos,
pois dessa fonna pod em tornar-se mais 1. Embora os produtos desc ritos neste quadro sejam
atraentes aos olhos do cliente. montados no lugar usando arranjo ffsico posicional ,
eles não são exatamente de um só tipo ou modelo. A
empresa precisa ter instalado muitos desses tipos de
Arranjo fisíco posicional na Alstom geradores de ciclo máquinas. Vocêacha que a natureza do arranjo físico
combinado 1 para a instalação de um gerador é sempre a mesma?
A Alston é um dos maiores fabricantes de máquinas Caso contrário, quais os fatores que podem influen­
de tração e geradores de ene rgia. Uma área crescente em ciar o arranjo físico em cada local?
2. Cada vez mais, peças desses produtos são montadas
na fábric e transportadas para a estação. Qual vanta­
1 Discussões com os funcionários da Alstom . gem isso traz para a empresa?
ARRANJO FÍSICO F. FLUXO 205

Planta de geração de energia de ciclo combinado

VEGA 109F de eixo único - 350 MW

00"01 7.3 Produtos como este são produzidos em arranjo físico posicionaL

A Figura 7.4 mostra um arranjo físico por são pré-selecionados (ou pré-selecionam-se a si
processo numa biblioteca de uma escola de admi­ próprios) para movimentar-se para uma parte es­
nistração de empresas. Os vários "processos" - li­ pecífica da operação (ou célula) na qual todos os
vros de referência, mesa de informações, periódi­ recursos transformadores necessários a atender a
cos, e assim por dian te - são localizados em suas necessidades imediatas de processamento se
partes diferentes da operação. O cliente fica livre encontram. A célula em si pode ser arranjada se­
para mover-se entre processos conforme sua con­ gundo um arranjo físico por processo ou por pro­
veniência. A figura mostra também o roteiro per­ duto (veja a próxima seção).
corrido por um cliente numa visita à biblioteca. Se
os roteiros percorridos por todos os clientes que Depois de serem processados na célula, os
visitam a biblioteca estivessem superpostos à recursos transformados podem prosseguir para
planta baixa, o padrão do tráfego de clientes ao outra célula. De fato, o arranjo físico celular é
longo da operação seria revelado. A densidade uma tentativa de trazer alguma ordem para a
do fluxo de tráfego é uma informação importante complexidade de fluxo que caracteriza o arranjo
no projeto detalhado de arranjo físico, como será físico por processo.
visto adiante neste capítulo. O principal ponto a
ser entendido agora é que alterando-se a locali­ Exemplos de arranjo físico celular incluem:
zação dos vários processos na biblioteca alte­
rar-se-á o padrão de fluxo de tráfego para a bi­ • Algumas empresas manufa tureiras de com ­
blioteca toda. ponentes de computador - a manufatura e
a montagem de alguns tipos de peças
para computadores podem necessitar de
Arranjo físico celular alguma área dedicada à produção de pe­
ças para clientes em particular que te­
O arranjo físico celular é aquele em que os nham requisitos especi ais como, por
recursos transformados, entrando na operação, exemplo, níveis mais altos de qualidade.
206 PROJETO

Livros para empréstimo organizados por assunto

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reservada
Balcão de atendimento

Entrada Saída

W71';Z' 7.4 Exemplo de arranjo fisico por proces o em uma biblioteca mostrando o caminho de apenas
um cliente.

• Área para produtos específicos em super­ de produtos em vários pontos da loja. Dessa for­
mercados - alguns clientes usam o super­ ma, o arranjo físico predominante da loja é o
mercado apenas para comprar lanches, arranjo físico por processo. Cada área pode ser
salgadinhos, refrigerantes, iogurte etc . considerada um processo separado dedicado a
para consumo, por exemplo, em seu horá­ vender um tipo particular de produto - sapatos,
rio de almoço. Estes, em geral, são locali­ roupas, livros, e assim por diante. A exceção é o
zados juntos, de forma que o cliente que setor de esportes. Essa é uma loja-dentro-da-Ioja,
está apenas comprando seu almoço não . dedicada a vender vários tipos de produto com
necessite procurá-los pelo supermercado um tema comum: o esporte. Por exemplo, ela
todo. disporá de roupas esportivas, calçados esporti­
• Maternidade em um hospital - clientes que vos, sacolas esportivas, revistas e vídeos sobre es­
necessitam de atendimento em materni­ portes, equipamentos e artigos esportivos para
dade formam um grupo bem definido que presentes e talvez bebidas energéticas. Dentro da
pode ser tratado em conjunto; eles têm "célula", há vários "processos", que também se
probabilidade pequena de necessitar de encontra m em outr s pontos da loja. Eles foram
cuidados de outras partes do hospital ao localizados dentro da "célula", não porque sejam
mesmo tempo em que requerem cuidados produtos similares (calçados, roupas e livros nor­
e pecíficos de maternidade. malmente não seriam localizados juntos), mas
porque são necessários para satisfazer às necessi­
Embora a idéia de arranjo físico celular seja dades de um tipo particular de consumidor. A ge­
em geral associada à operação de manufatura, os rência da loja calcula que número suficiente de
mesmos princípios podem ser, e são usados em consumidores vêm à loja para comprar especial­
serviços. Na Figura 7.5 o piso térreo de uma loja mente "artigos esportivos" (mais do que sapatos,
de departamentos contém displays de vários tipos roupas, e assim por diante) para que seja compen­
i\R RANJO FísICO E FLlJXO 207

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O Corredores

diA"" 7.5 Piso térreo de loja de departamentos mostrando a "loja-dentro-da-Ioja" ou célula de artigos
desportivos.

sador devotar uma área específica para eles. A clientes é muito claro e previsível no arranjo físi c
gerência também considera que, se alguém vem co por produto, o que faz dele um arranjo
à loja com a intenção de comprar um calçado es­ relativamente fácil de controlar. De fato, em al­
portivo, pode ser persuadido a comprar outros gumas operações de processamento de clientes,
artigos esportivos se eles estiverem disponíveis um arranjo físico por produto é adotado ao me­
na mesma área.
nos em parte para ajudar a controlar o fluxo de
clientes ao longo da operação. Predominante­
Arranjo físico por produto mente, entretanto, é a uniformidade dos requisi­
tos que leva a operação a escolher um arranjo fí­
o arranjo físico por produto envolve locali­ sico por produto.
zar os recursos produtivos transformadores intei­
ramente segundo a melhor conveniência do recur­
Arranjo físico do supermercado Delhaize De leeuw em
so que está sendo transformado. Cada produto,
Ouderghem, Bélgica 2
elemento de informação ou cliente segue um ro­
teiro predefinido no qual a seqüência de ativida­ Ogrupo Delhaize opera em 400 pontos-de-venda de
varejo na Bélgica, dos quaiS 100 são supermercados De­
des requerida coincide com a seqüência na qual
Ihaize De Leeuw locais. Os supermercados Delhaize com­
os processos foram arranjados fisicamen te. Esse é petem tanto com base na localização, quanto com base
o motivo pelo qual, às vezes, esse tipo de arranjo
físico é chamado de arranjo físico em "fluxo" ou
em "linha". O fluxo de produtos, informações ou 2 Entrevistas com funcionários da empresa.
208 PROJETO

na qualidade de seus produtos e serviços. Para permane­ Questões


cer lucrativo, cada gerente Delhaize necessita não só ma­ 1. Qual o tipo de arranjo físico básico utilizado por este
ximizar a receita e a contribuição por metro quadrado da supermercado?
loja, como também diminuir os custos de operação em
termos, por exemplo, do manuseio de material ou produ­ 2. Os objetivos de um projeto de arranjo físico de um
tividade das caixas registradoras . supermercado são parecidos com os de uma opera­
ção de manufatura? Caso contrário, qual a diferença?
O supermercado em Ouderghem possui um arranjo
físico um tanto fora do comum, com dois pontos de en­
Exemplos de arranjo físico por produto in­
trada e dois pontos de saída. A localização das caixas re­
cluem:
gistradoras é como na maioria dos arranjos físicos de
supermercado , posicionadas perto da parede externa, • Montagem de automóveis - quase todas as
mas durante o dia apenas poucas são usadas. Jornais variantes do mesmo modelo requerem a
são vendidos perto das filas de saída para que os clientes mesma seqüência de processos.
possam atualizar-se com as notícias enquanto esperam.
As operadoras de caixa trabalham viradas para a loja e • Programa de vacinação em massa - todos
para a fila, enfatizando a necessidade de se trabalhar rápi­ os clientes requerem a mesma seqüência
do quando há fila. A loja possui 10 caixas registradoras ­ de atividades burocráticas (preenchimen­
um número alto para uma loja de apenas 1500 metros to das cadernetas de vacinação), médicas
quadrados. Isso se dá devido ao pico de vendas no início e de aconselhamento (possível resguardo
da noite e porque longas filas nos caixas é considerado necessário, por exemplo).
.inaceitável. • Restaurante self-service - geralmente, a se­
Delhaize utiliza corredores relativamente largos en­ qüência de serviços requeridos pelo clien­
tre gôndolas, garantindo um bom fluxo de carrinhos, te (entrada, prato principal, sobremesa,
mas isso foi feito às custas da redução de espaço nas bebidas) é comum para todos os clientes,
gôndolas, o que permitiria a armazenagem de uma varie­ mas o arranjo físico auxilia também a
dade maior de produtos. A localização dos produtos é manter controle sobre o fluxo de clientes.
uma decisão crítica, e afeta diretamente a conveniência
dos clientes, seus níveis de compras por impulso e os A Figura 7.6 mostra a seqüência de proces­
custos de reposição das prateleiras. Oarranjo físico geral sos numa operação de manufatura de papel.
do supermercado tem áreas claramente marcadas de au­ Uma operação como essa usaria um arranjo físico
to-serviço para comida embalada, bebidas, frutas, vege­ por produto. O fluxo de materiais ao longo da
tais e itens para casa. A área de delicatessen (que vende operação é tanto evidente como regular. Não há
produtos com margens acima da média) é posicionada as complexidades que caracterizam os arranjos fí­
centralmente, de forma que todos os compradores pas­ sicos por processo e, com menor intensidade, os
sem por ela. As frutas e vegetais ficam dispostos perto arranjos físicos celulares e, apesar de diferentes
da entrada principal, como um sinal de que são frescos e tipos de papel serem feitos nessa operação, todos
íntegros, e oferecem uma entrada atraente eacolhedora. requerem a mesma seqüência de processos. Pri­
Itens com grande rotatividade, "essenciais" e de va­ meiro, à madeira em pequenos pedaços são adi­
lor conhecido, como arroz, massa, açúcar e óleo, são lo­ cionados produtos químicos, água e vapor d'água
cali zados de forma central e visível, de modo que sejam no processo de "cozimento" para que se forme a
fáceis de achar. Itens lucrativos e com rápida saída ficam "polpa". A "polpa" passa por um processo de lim­
dispostos na altura do olho, tanto para ajudar os consu­ peza antes de ser refinada, para auxiliar as fibras
midores. quanto para facilitar a reposição por parte dos a se entrelaçarem. O processo de mistura combi­
funcionários. De forma inversa, itens com margem pe­ na a polpa refinada com mais água, material
quena e pouca saída são dispostos nas prateleiras de aglomerante, produtos químicos e corantes, de­
baixo Prod tos pesados e volumosos, como pacotes de
pois do que a massa resultante é espalhada sobre
cerveja, ficam dispostos perto da área de estoque para
uma tela fina (que funciona como uma esteira
facilitar sua reposição. Comidas congeladas localizam-se
no fi nal dos corredores, perto das caixas registradoras, rolante) de arame ou plástico. A massa é então
para que possam ser adquiridas por último. Em alguns agitada lateralmente à medida que progride para
supermercados, essas posições só são usadas para pro­ que as fibras se "prendam" umas às outras, for­
moções, uma vez que os consumidores movem-se mais mando a folha de papel e também para que o ex­
lentamente no final dos co rredores e os produtos podem cesso de água seja drenado. Os cilindros con­
ser vistos de várias direções. tra-rotativos de pressão retiram mais água da
ARRANJO FíSICO E FLUXO 209

Mistura
Cozimento

Embobinamento Secagem Rolos de Alinhamento

pressão

W4"F' 7.6 Seqüência de processos na manufatura de papeL Cada processo será arranjado fisicamente
com a mesma seqüência.

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W,"FI 7.7 Um centro de alistamento militar usando arranjo físico por produto.

folha pré-formada e pressionam as fibras. O pro­ e deixar os materiais fluírem ao longo dos está­
cesso de secagem continua a reduzir o nível de gios de maneira previsível. De fato, esse exemplo
umidade da folha até que, fin almente, a folha é particular de arranjo físico por produto é, até cer­
enrolada em grandes bobinas. 3 to ponto, um exemplo extremo, pois, pelo menos
Faz sentido, então, localizar esses processos na primeira parte do processamento, o papel está
na ordem em que são requeridos pelos produtos em forma semilíquida. Seria fisicamente difícil li­
dar com o produto de qualquer outra forma que
não fosse fazendo-o fluir entre os processos.
3 Pape,. and lhe Environmenl". Arjo Wiggins Fine Pa­
Entretanto, outros produtos que têm seqüências
pers, usado com permissão, 1991. comuns de processos, como televisores,geladei­
210 PROJETO

ras, aparelhos de ar-condicionado e outro , são caso de clientes que desejem os três, eles terão
também produzidos com uso de arranjo físico de ser processados por meio das três células (buf­
por produto. fets), antes que o serviço se complete. Finalmen­
Operações de serviço podem também adotar te, num restaurante do tipo bandejão (como os
arranjo físico por produto se as necessidades de restaurantes por quilo), todos os clientes passam
"processamento" dos clientes ou informações ti­ pelo mesmo roteiro quando estão servindo-se.
verem Uma seqüência comum. Por exemplo, re­ Eles podem não se servir de todos os pratos dis­
crutas que se alistam para o Exército provavel­ poníveis, mas mover-se-ão na mesma seqüência
mente serão "processados" num pro grama de de processos.
alistamento organizado segundo um arranjo físi­
co por produto. A Figura 7.7 mostra o arr anjo fí­ Yamaha afina suas linhas de montagem
sico de uma unidade de alistamento do Exército. A linha de montagem do piano de cauda da Yamaha
A Yamaha Corporation do Japão, fundada em 1887,
Arranjos físicos mistos cresceu tornando-se o maior fabricante de instrumentos
musicais do mundo, além de prodUZir uma variedade
imensa de outros produtos, que vão de semicondutores
Muitas operações ou projetam arranjos físi­
e robôs até materiais esportivos e móveis. Recentemen­
cos mistos, que combinam elementos dalguns te , ela desenvolveu a reputação de diversificar seus pro­
ou todos os tipos básicos de arranjo físico, ou dutos, abranger novos mercados e, especialmente, ino­
usam tipos básicos de arranjo fís ico de fo rma var em métodos de manufatura. Por exemplo, ela foi um
"p ura " em diferentes partes da operação. Por dos primeiros fabricantes de piano a produzir pianos de
exemplo, um hospital normalmente seria arranja­ cauda utilizando técnicas de linhas de montagem. Tradicio­
do conforme os princípios do arranjo fi ico por nalmente, pianos de cauda (em contraposição aos pia­
processo - com cada departamento representan­ nos de gabinete, menos caros e mais vendáveis) eram fa­
do um tipo particular de processo (departamento bricados utiHzando-se métodos de fabricação individ uais
de radiologia, salas de cirurgia, laboratório de baseados em habilidades artesanais . A grande vantagem
processamento de sangue, entre outros) . Ainda disso era que os artesãos podiam acomodar as variações
individuais dos materiais (geralmente inconsistentes) de
assim, dentro de cada departamento, diferentes
que são fabricados os pianos. Cada piano individual era
tipos de arranjos físicos são utilizados. O depar­
construído em cima das idiossincrasias do material, pro­
tamento de radiologia provavelmente é arranja­ duzindo um produto único, em seu tom e afinação . Para
do por processo, as salas de cirurgia, segundo um a Yamaha isso não acontece , porque embora produzindo
arranjo físico posicional, e o laboratório de pro­ um dos pianos de maior qualidade do mundo, ela conse­
cessamento de sangue, confonne um arranjo físi ­ guiu enfatizar consistência e confiabilidade, assim como
co por produto. riqueza sonora.
Outro exemplo é ilustrado na Figura 7.8.
Aqui, um complexo de restaurantes é mostrado Questão
com três Lipos diferentes de restaurante e a cozi­ Um piano branco desloca-se na linha de montagem
nha que serve aos três. A cozinh a é organizada junto a outros pianos pretos . Você acha que isso causa
conforme um arranjo físico por processo, com os algum problema na gestão da linha de montagem?
processos (annazenamento de ingredientes, pre­
paração da comida, processos de cozimento etc.)
Fluxo de chocolate e visitantes na Cadbury4
agrupado '. Dife rentes pratos percorrerão diferen­
tes roteiros entre processos dependendo de seus Fluxo de chocolate
requisitos de processamento, O restaurante tradi­
cional é organizado segundo um arranjo fís ico Na famosa fábrica de chocolate Cadbury, em Bourn­
ville, nos arredores de Birmingham, Reino Unido, pro­
posicional. Os clientes ficam em suas mesas en­
dutos de chocolate são fabricados num alto grau de
quanto comida é trazida (e às vezes até prepa­
rada) à mesa. O restaurante do tipo buffet é ar­
ranjado de forma celular, com cada área de
4 Entrevistas com funcionários da empresa e JOHNS­
buffet tendo todos os processos (pratos) necessá­ TON, R.; CHAl'vIBERS , S.; HARLAND, c.; HARRlSO N, A.;
rios para servir os clientes em suas necessidades SLAC K, N. Cases in operatiol1s mal1agemcnt. 2. ed. Pirman
de entradas, prato principal ou sobremesa. No Publi hing, 1997.
ARRA;\iJO PiSIt;ü Il FLlJ.'O 211

CJ CJ C CJ

00 000 0000 o()o

CJ D o o

Restaurante - arranjo flsico


+-­
posicional
D D D

00 000 000 00 0
D c o
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Buffet- arranjo físico


celular

Sala

refrigerada

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~ físico por processo ~
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(!)

Fomos

Arranj o físico em linha - "bandejão"

m4!if' 7.8 Complexo de restaurantes com os quatro tipos básicos de arranjo físico.

consistência e eficiência_Os processos produtivos são exemplo, a produção das barras Dairy Milk da Cadbury_
baseados em arranjo físico por produto _Isso proporcio­ Primeiro, o chocolate líquido básico é preparado a partir
nou aos engenheiros da Cadbury desenvolver e procu rar de grãos de cacau, leite fresco e açúca r, utilizando-se de
maquinário que atendesse às exigências técnicas e de equipamentos espeCializados conectados uns aos outros
capacidade de cada estágio do processo _Considere, por por meio de tubos e transportadores. Estes processos
212 PROJETO

operam continuamente, dia e noite, para garantir consis­ Questão


tência tanto do chocolate propriamente quanto da taxa de Tanto a fabricação de chocolates como a visita guia­
saída. Em seguida, o líquido é bombeado através de um da na operação Cadbury parecem ser conformadas em
sistema de canos aquecidos até o departamento de mol­ um arranjo físico do tipo por produto. Isso significa que
dagem, onde ele é automaticamente despejado em uma ambas as operações possuem os mesmos objetivos?
esteira de moldes de plástico feitos com precisão que
formam as barras de chocolate e as vibram para a remo­
ção de eventuais bolhas de ar. Os moldes são continua­ Volume-variedade e tipo de arranjo físico
mente transportados até um grande refrigerador, permi­
tindo que fiquem o tempo suficiente para o chocolate
A importância do fluxo para uma operação
endurecer. O próximo estágio consiste em virar os mol­
des de cabeça para baixo e liberar as barras moldadas.
dependerá de suas características de volume e
Estas passam diretamente para um conjunto de máqui­ variedade. Quando o volume é baixo e a varieda­
nas automáticas de embalagem e empacotamento, de de é relativamente alta, o "fluxo" não é uma
onde partem para o depósito. questão central. Por exemplo, em operações de
manufatura de satélites de comunicação, a maior
Fluxo de visita ntes probabilidade é que um arranjo físico posicional
seja utilizado porque cada produto é diferente
Em 1990, a empresa abriu um grande centro de vi­
dos outros e porque produtos "fluem" pela opera­
sitas ao longo da fábrica chamado "Mundo Cadbury" (li­
gado a uma área de observação que dá para a seção de
ção muito pouco freqüentemente. Sob essas con­
empacotamento descrita). O Mundo Cadbury é uma exi­ dições, simplesmente não vale a pena arranjar os
bição permanente dedicada inteiramente ao chocolate e à recursos de forma a minimizar o fluxo por meio
parte que a Cadbury tem desempenhado nessa história da operação.
fascinante. Dado que a maior parte das atrações é inter­ Com volumes maiores e variedade menor, o
na, com área de circulação limitada, a exposição princi­ fluxo dos recursos transformados torna-se uma
pal e as áreas de demonstração foram projetadas para questão mais importante que deve ser tratada
permitir um fluxo suave de visitantes, evitando-se sem­ pela decisão referente a arranjo físico. Se a varie­
pre que possível gargalos e atrasos. O projeto é também
dade ainda é alta, entretanto, um arranjo defini·
um arranjo físico "por produto" com uma rota única para
todos os visitantes.
do completamente por fluxo torna-se difícil por­
que produtos ou clientes terão diferentes padrões
A entrada para a exposição se dá por meio de um de fluxo. Por exemplo, a biblioteca da Figura 7.4
ingresso com horário, o que garante fluxo constante de arranjará seus diferentes tipos de livros e seus
visitantes, que são livres para andar de acordo com sua
outros serviços parcialmente para minimizar a
própria velocidade, mas são obrigados a manter a rota
única através da seqüênCia de demonstrações. Ao sair distância que seus clientes terão de percorrer,
dessa seção, eles são direcionados para o andar superior porque as necessidades de seus clientes variam;
até o setor de embalagem do chocolate, onde um guia entretanto, a biblioteca poderá ser arranjada,
acompanha grupos com um número limite de visitantes quando muito, para satisfazer à maioria de seus
até os lugares adequados onde eles podem ver os pro­ clientes, qua nto à minimização das distâncias,
cessos de embalagem e um vídeo de apresentação . Os possivelmente prejudicando uma minoria. Quan­
grupos são então levados para o andar inferior até a área do a variedade de produtos e serviços se reduz
de demonstração, onde funcionários habilitados de­ de forma que um grupo de clientes com necessi­
monstram a fabricação em pequena escala de chocolates dades similares possa ser identificado, mas a va­
feitos à mão. Finalmente, os visitantes podem passear riedade ainda é grande, um arranjo celular tor­
desacompanhados por uma passagem longa e sinuosa e na-se mais adequado, como na célula de artigos
visitar as exposições restantes.
esportivos da Figura 7.5. Quando a variedade de
A Cadbury escolheu usar o projeto do arranjo físico produtos e serviços é relativamente pequena, o
por produto tanto para a produção de chocolates como fluxo de materiais, informações ou clientes pode
para o processamento de seus visitantes. Em ambos os ser regularizado e um arranjo físico por produto
casos, os volumes são altos e a variedade oferecida, li­ pode tornar-se mais adequado, como no caso de
mitada. Existe demanda suficiente para cada "produto"
uma montadora de veículos.
padrão e o objetivo das operações é alcançar alto nível
de qualidade e consistência a custos baixos. Nenhuma Examinando esses exemplos dos diferentes
operação possui muita flexibilidade de volume e ambas tipos básicos de arranjo físico, pode-se identificar
são caras para mudar. o efeito de volume e variedade (veja a Figura
ARRA,' JO l'iSICO E Fll xO 213

7.9). Aumentando-se o volume, aumenta a im­ considerar as características de baixo custo do ar­
portância de se gerenciar bem os fluxos e, redu­ ra njo físico por produto interessante, e um
zindo-se a variedade, aumenta a viabilidade de parque de diversões pode adotar o mesmo tipo
um arranjo físico baseado num fluxo evidente e de arranjo predominantemente pela maneira
regular. com que ele controla o fluxo de clientes. Pode
também haver outros meios de atingir objetivos
Selecionando um tipo de arranjo físico relacionados a fluxo. O terminal de passageiros
"Eurohub" no aeroporto de Birmingham, Ingla­
terra, altera a direção do fluxo usando tecnologia
A decisão de qual tipo de arranjo físico ado­
tar raramente, se tanto, envolve uma escolha en­ para mudar o roteiro percorrido pelos clientes.
tre os quatro tipos básicos. As características de De todas as características dos vários tipos
volume e variedade de uma operação vão reduzir básicos de arranjo físico, talvez a mais significati­
a escolha, grosso modo, a uma ou duas opções. va seja a implicação, para os custos unitários, da
Ainda assim, como ilustra a Figura 7.9, as faixas escolha do tipo de arranjo físico . Isso pode ser
de volumes e variedades contidas em cada tipo melhor entendido com base na distinção entre as
de arranjo físico sobrepõem-se. A decisão sobre repercussões sobre os elementos de custo fixo e
qual arranjo específico escolher é influenciada variável ao se adotarem os diversos tipos básicos
por um entendimento correto das vantagens e de arranjo físico . Para qualquer produto ou servi­
desvantagens de cada um .
ço, o custo fixo de se estabelecer um arranjo físi­
A Tabela 7.2 mostra algumas das mais signi­ co posicional é relativamente baixo quando com­
ficativas vantagens e desvantagens associadas a parado com qualquer outra forma de se produzir
cada tipo básico de arranjo físico. Deve ser enfa­ os mesmos produtos ou serviços. Entretanto, os
tizado, entretanto, que o tipo de operação vai in­ custos variáveis de se produzir cada produto ou
fluenciar sua importância relativa. Por exemplo, serviço particular são relativamente altos quando
uma operação de manufatura de televisores pode comparados a qualquer outro tipo de arranjo físi­

Baixo Alto
·---Fluxon - - ._ - --­ •
~ntermitente
Arranjo físico

2
~ posicional

Arranjo físico ã3
por processo .~
+-'
u
~
Vl
IV
'O ArranjO físico .~

'"
'O
IV
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celular E
12::l
>'" Ol
Arranjo físico ~
por produto o
x
::l
Li:

c
.~
~
~

~\ Fluxo torna
se contínw
Fluxo regular mais importante
"
Di4"" 7.9 Posição do processo no cont(nuo volume - variedade influencia seu arranjo físico e. conse­
qüentemente, o fluxo dos recursos transformados.
214 PROJ ET O

Tabela 7.2 Vantagens e desvantagens dos tipos básicos de arranjo físico .

Vantagens Desvantagens

Posicional Flexibilidade muito alta de mix e produto Custos unitários muito altos
Produto ou cliente não movido ou perturbado Programação de espaço ou atividades pode ser
Alta variedade de tarefas para a mão-de-obra complexa
Pode significar muita movimentação de equipa­
mentos e mão-de-obra

Processo Alta flexibilidade de mix e produto Baixa utilização de recursos


Relativamente robusto em caso de interrupção de Pode ter alto estoque em processo ou filas de
etapas clientes
Su pe rvisão de equipamento e instalações relativa­ Fluxo complexo pode ser difícil de controlar
mente fácil

Cel ular Pode dar um bom equllíbr-io entre custo e flexibili­ Pode ser caro reconfigurar o arranjo físico atual
dade para operações co m variedade relativamente Pode requerer capacidade adicional
alta Pode reduzir níveis de utilização de recursos
Atravessamento rápido
TraballlO em grupo pode resultar em melhor moti­
vação
- - --­ - ­
Produto Baixos custos unitários para altos volumes Pode ter baixa flexibilidade de mix
Dá oportunidade para especialização de equipa­ Não muito robusto contra interrupções
mento Trabalho pode ser repetitivo
Movimentação conveniente de clientes e materiais

(a) (b)
Custos Posicionai Custos

I I
I I
I I
I I
I I
I I
I I I I

:Use pro-: Use Use :? ?:?


cesso I celular produto I
I
I

Volume Volume
Use produto
Use celular ou produto
Use processo, celular ou produto
Use processo ou celular
Use processo
Use posicional ou processo
Use posicional

Wa"" 7.10 (a) Os tipos básicos de arranjo físico têm características diferentes de custos fixos e variáveis
que parecem determinar qual usar. (b) Na prática, a incerteza sobre os custos fixos e variá­
veis exatos de cada tipo de arranjo físico significa que raramente a decisão pode basear-se
exclusivamente na consideração de custo.
Rt"-XlO FfslCO ~: FLUXO 215

co. Os custos fixos tendem, então, a aumentar à


medida que se migra do arranjo posicional, pas­
sando pelos arranjos por processo e celular para
o arranjo por produto. Os custos variáveis por
produto ou serviço, por sua vez, tendem a de­
crescer. Os custos totais para cada tipo básico de
arranjo físico dependerão dos volumes de produ­
tos ou serviços produzidos e são mostrados na Fi­
gura 7.l0(a). Isso parece implicar que para cada
volume haveria um tipo básico de arranjo físico
de custo mínimo.
Entretanto, na prática, as análises de custo
para a seleção do arranjo físico raramente são Célula de produção de roupas de estilo
tão claras. O custo exato de operar o arranjo físi­
co é difícil de prever e provavelmente dependerá o projeto do trabalho é uma questão essencial na
de fatores numerosos e difíceis de quantificar. indústria de vestuário européia. A maior parte das em­
Mais do que usar linhas para representar os cus­ presas opera sob a pressão das mudanças do estilo e da
moda, de acordo com as estações e sob as pressões de
tos que variam conforme aumentam os volumes
custo constantes. Os salários relativamente altos da Eu­
produzidos, o uso de bandas largas, dentro das ropa fazem com que as empresas sempre temam con­
quais, com maior probabilidade, os custos reais correntes de economias de salários mais baratos. Encon­
vão cair, é provavelmente a abordagem mais trar uma solução que responda a ambas as necessidades
adequada (veja Figura 7.l0(b)). A discriminação é um desafio permanente para os gerentes de produção
dos diferentes tipos de arranjo físico é agora mui­ industrial. Por exemplo, linha de produção de roupas ín­
timas e de dormir para mulheres e crianças possui apro­
to menos clara. Há faixas de volumes para as ximadamente 30 pessoas e os produtos permanecem so­
quais quaisquer dos dois ou três tipos de arranjo mente alguns segundos em cada estação (uma única
envolvidos poderiam prover os custos de opera­ pessoa) . Depois de terminar sua tarefa, cada operador
ção mínimos. Quanto menor a certeza a respeito dispõe o produto em uma área reservada para "trabalho
dos custos, mais largas serão as "bandas" de cus­ em andamento" entre as estações. Normalmente, os fun­
tos, e menos claras serão as escolhas. Os custos cionários desenvolvem somente suas próprias tarefas,
mas existem três ou quatro volantes que podem cobrir
prováveis de se adotar um tipo. básico de arranjo tarefas dos funcionários ausentes.
físico devem ser entendidos com uma perspectiva
Um tipo diferente de organização seria um time de
mais ampla, de vantagens e desvantagens, mos­ cinco ou seis operadores que fabricam roupa feminina de
trada na Tabela 7.2. estilo - prod utos mais complexos. Os lotes de roupas,
uma vez produzidos. raramente são repetidos, portanto,
os operadores necessitam "aprender de novo" a cada vez
Times e linhas na indústria de vestuário que começam um novo lote. Os operadores estão orga­
nizados de uma forma relativamente flexível, moven­
do-se em uma célula em forma de ferradura e utilizando
as máquinas dispostas ao redor da célula. Geralmente,
existem três vezes mais máquinas que operadores, que
se movem por entre as máquinas conforme seja neces­
sário. Dado que as tarefas alocadas aos funcionários in­
dividuais mudam com freqüência, eles necessitam ser
multicapacitados.

Questões
1. Quais são as vantagens e desvantagens desses dois
tipos de organização do trabalho?
2. Como pOderiam as diferenças de produtos/mercados
entre tipos diferentes de produtos afetar a escolha
Linha de produção de roupas íntimas e de dormir entre esses dois sistemas?
216 PROJ ETO

PROJETO DETALHADO DE ARRANJO • Clareza de fluxo - todo o fluxo de mate­


FÍSICO riais e clientes deve ser sinalizado de for­
ma dara e evidente para clientes e para
Uma vez que o tipo básico de arranjo físico mão-de-obra. Por exemplo, operações de
foi decidido, o próximo passo é decidir seu proje­ manufatura em geral têm corredores mui­
to detalhado. O projeto detalhado é o ato de ope­ to claramente definidos e marcados. Ope­
racionalizar os princípios gerais implícitos na es­ rações de serviços em geral usam roteiros
colha dos tipos básicos de arranjo físico. sinalizados, como, por exemplo, alguns
As saídas do estágio de projeto detalhado de hospitais qu e usam faixas pintadas no
arranjo físico são: chão com diferentes cores para indicar o
roteiro para os diferentes departamentos.
• a localização física de todas as instala­ • Conforto da mão-de-obra - a mão-de-obra
ções, equipamentos, máquinas e pessoal deve ser alocada para locais distantes de
que constituem os centros de trabalho da partes barulhentas ou desagradáveis da
operação; op eração. O arranjo físico deve prover um
• o espaço a ser alocado a cada centro de ambiente de trabalho bem ventilado, ilu­
trabalho; minado e, quando possível, agradável.
• as tarefas que serão executadas por cen­ • Coordenação gerencial - supervisão e coor­
tro de trabalho. denação devem ser facilitadas pela locali­
zação da mão-de-obra e dispositivos de
Que faz um bom arranjo físico? comunicação.
• Acesso - todas as máquinas, equipamentos
Antes de considerar os vários métodos usa­ e instalações devem estar acessíveis para
dos no projeto detalhado de arranjo físico, é útil p ermitir adequada limpeza e manuten­
definir quais são os objetivos dessa atividade. De ção.
certa forma, os objetivos dependerão das circuns­ • Uso do espaço - todos os arranjos físicos
tâncias específicas, mas há alguns objetivos ge­ devem permitir uso adequado de espaço
rais que são relevantes para todas as operações: 5 disponível da operação (incluindo o espa­
ço cúbico, assim como o espaço de piso).
• Segurança inerente - todos os processos Isso em geral implica minimizar o espaço
que podem representar perigo, tanto para utilizado para determinado propósito,
a mão-de-obra como para os clientes, não mas às vezes pode significar criar uma im­
devem ser acessíveis a pessoas não autori­ pr ssão de espaço luxuoso, como no lobby
zadas. Saídas de incêndio devem ser cla­ de entrada de hotéis de luxo.
ramente sinalizadas com acesso desimp e­ • Flexibilidade de longo prazo - os arranjos
dido . Passagens devem ser claramente físicos devem ser mudados periodicamen­
marcadas e mantidas livres. te à medida que as necessidades da ope­
• Extensão do fluxo - o fluxo de materiais, ração mudam. Um bom arranjo físico terá
informações ou clientes deve ser canaliza­ sido con ebido com as potenciais necessi­
do pelo arranjo físico, de forma a atender dades futur s da operação em mente. Por
aos objetivos da operação. Em muitas exemplo, se é provável que a demanda
operações, isso significa minimizar as ,dis­ cresça para determinado produto ou servi­
tâncias percorridas pelos recursos trans­ ço, o arranjo físico foi projetado de modo a
formados . Esse não é sempre o caso, en­ poder acomodar a futura expansão?
tretanto: os supermercados, por exemplo,
gostariam de garantir que os clientes pas­ Projeto detalhado de arranjo físico
sassem por determinados produtos em posicional
seu trajeto dentro da loja.
Em arranjos pos 'cionais, a localização dos
5 Lista ge ntilmente cedida por Paul Walley da War­ recursos não vai ser definida com base no fluxo
wick Unive rsity Business School, Reino Unido, de recursos transformados, mas na conveniência
ARRANJO FÍSICO E FLt'XO 21

dos recursos transformadores em si. O objetivo Até certo ponto, é por essa comple:xidade
do projeto detalhado de arranjo físico posicional é combinatória que, na prática, dificilmente solu­
conceber um arranjo que possibilite aos recursos ções ótimas podem ser encontradas. A maioria
transformadores maximizarem sua contribuição dos arranjos físicos por processo é projetada por
potencial ao processo de transformação, permi­ uma combinação de intuição, bom-senso e pro­
tindo-lhe prestar um bom "serviço" aos recursos cessos de tentativa e erro aplicados sistematica­
transformados. O projeto detalhado de alguns ar­ mente.
ranjos físicos posicionais como, por exemplo, os
canteiros de obra, pode tornar-se bastante com­
Informação para arranjo físico p or pm cesso
plicado, especialmente se o programa de ativida­
des for freqüentemente alterado. Imagine o caos Antes de começar o processo de projeto de­
num canteiro de obra se caminhões pesados con­ talhado em arranjos físicos por processo, há algu­
tínua e ruidosamente passassem pelo escritório mas informações essenciais de que o projetista
de gerenciamento da obra, caminhões de entrega necessita :
de uma empresa subcontratada tivessem que cru­
zar a área de outra subcontratada para chegar a • a área requerida por centro de trabalho;
seu local de armazenagem, ou se a mão-de-obra • as restrições sobre a forma da área a ser
que despendesse a maior parte de seu tempo na alocada para cada centro de trabalho;
obra fosse alocada para uma posição distante • o nível e a direção do fluxo entre cada par
dela. Embora haja técnicas que ajudem a posicio­ de centros de trabalho (por exemplo, nú­
nar recursos em arranjos físicos posicionais, elas mero d e jornadas, número de carrega­
não são amplamente utilizadas. Uma técnica cha­ mentos, ou custo do fluxo por unidade de
mada "análise de recursos locacionais" avalia os distância percorrida) ;
efeitos de se localizar os vários recursos de trans­ • o quão desejável é manter centros de tra­
formação em todas as localizações disponíveis na balho p róximos entre si OU próximos de
planta e da forma como esses recursos interagem algum ponto fixo do arranjo físico.
entre si.
Os dois últimos itens são de particular im­
portância, porque ambos influenciam diretamen­
Projeto detalhado de arranjo físico por te as conseqüências de se localizarem centros de
processo trabalho próximos uns dos outros.
O projeto detalhado de arranjo físico por O nível e a direção do fluxo são em geral re­
processo é marcado pela complexidade, que tam­ presentados em diagramas de fluxo (também cha­
bém caracteriza o fluxo desse tipo de arranjo físi­ mados de cartas "de-para"), como mostrado na
co. O principal fator que leva a essa complexida­ Figura 7.11(a) , que registra, neste caso, o núme­
de é o número muito grande de diferentes ro de carregamentos transportados entre depar­
alternativas. Por exemplo, no caso mais simples tamentos. Há muitas maneiras que poderiam ser
de apenas dois centros de trabalho, há apenas u tilizadas para coletar essa informação. Por
duas formas de arranjá-los, um em relação ao ou­ exemplo, em algumas operações, dados sobre
tro. Mas há seis maneiras de arranjar quatro cen­ fluxo podem ser obtidos com base em informa­
tros de trabalho e 120 maneiras de arranjar cinco ções sobre o roteiro de produção dos produtos e
centros. da demanda desses produtos. Onde o fluxo é
mais aleatório, como numa biblioteca, por exem­
A relação é fatorial. Para N centros, há N fa­ plo, a informação poderia ser obtida por observa­
torial (N!) diferentes maneiras de arranjá-los ção das rotas percorridas pelos clientes ao longo
onde: de determinado período de tempo representati­
N! = N x (N - 1) x (N - 2) x .... (1) vo. Se a direção do fluxo entre centros produti­
vos faz pouca diferença para a decisão sobre ar­
Então, mesmo para arranjos fís icos por pro­ ranjo físico, a informação pode ser simplificada.
cesso relativamente simples com, digamos 20 como mostrad o na Figura 7.11 (b) , sendo que
centros de trabalho, há 20! = 2,433 x 10 18 ma­ uma alternativa a essa forma de representação é
neiras de arranjar a operação. mostrada na Figura 7.11 (c).
218 PROJ ETO

(a) Carregamentos/dia (d) Custo unitário/distância percorrida

~
Para A B C O E
Se o custo do fluxo ~
Para A B ' C O E
A 17 - 30 10 A 2 2 2 2
difere entre centros
B 13 20 - 20 de trabalho, B 3 3 3 3
C - 10 - 70 combinar com C 2 2 2 2
O 30 - - 30 O 10 10 10 10
E 10 10 10 10 E 2 2 2 2

lse a direção não é relevante,


simpUficar para 1 Que dá

(b) Carregamentos/dia (e) Custo unitário/distância percorrida

I~ A B C O E ~
Para A B C O E
A ~ 30 - 60 20 A 34 60 20
60

""
B 30 - 30 B 39
C ~ - 80 C 20 140
300 - 300
O
E "" 40
~
O
E 20 20 20 20

(e)
ou alternativam/
l se a direção não é relevante,
simplificar para
(I) Custo unitário/distância percorrida

~
A , A B C O E
B fi;­

""
73 360 40
C
o
B ~ 80 80
C ~ 160
E
O
E "" 120
~
m4"I' 7.11
Coleta de informações para arranjo físico por processo.

Em algumas operações, há diferenças signi­ de custo por distância percorrida mostrados na


ficativas no custo de mover materiais ou clientes Figura 7 .11 (e). Esses dados são mostrados de
entre diferentes centros de trabalho. Por exem­ forma simplificada na Figura 7.11(f).
plo, na Figura 7.11 (d), é mostrado o custo unitá­
rio de transportar um carregamento entre cinco Um método qualitativo alternativo de se in­
centros de trabalho. Aqui, o custo unitário de dicar a importância relativa das relações entre
mover cargas do centro B é sensivelmente maior centros é a carta de relacionamentos. Uma carta
do que o custo de mover cargas da maioria dos de relacionamentos indica o quão desejável é
outros centros. Poderia haver várias razões para manter pares de centros juntos uns dos outros. A
isso, por exemplo, porque os produtos se encon­ Figura 7.12 mostra uma carta de relacionamen­
tram em um estado delicado depois de terem tos para um laboratório de testes. É de particular
sido processados por B e, portanto, necessitam importância que alguns departamentos sejam
de manuseio cuidadoso, ou porque eles precisam mantidos juntos, como, por exemplo, teste ele­
manter sua temperatura elevada depois de serem trônico e metrologia. Outros departamentos de­
tratados termicamente, enquanto não sofrem vem ser mantidos tão longe quanto possível uns
processos subseqüentes. Combinando os dados dos outros, como por exemplo, metrologia e teste
sobre custos unitários e fluxo , chega-se aos dados de impacto .
ARRA..'lJJO nSlco E RllXO 219

Código I Proximidade é...


AI Absolutamente necessário
EI Especialmente importante
II Importante
oI Proximidade normal
UI Não importante
Departamento xI Indesejável
Metrologia
Teste eletrônico
Análise
Teste ultra-sônico
Teste de fadiga
Teste de impacto

W.4"fl7.12 Diagrama de ,·elacÍonamentos.

Objetivos do arranjo físico por processo xo, mais do que minimizar custos. Operações de
varejo, especialmente, poderiam arranjar sua
Na maioria dos exemplos de arranjo físico operação visando atingir este objetivo (veja, por
por processo, o principal objetivo é minimizar os exemplo, o boxe sobre o Supermercado Delhai­
custos para a operação, que são associados com o ze). Algumas operações de lazer, como os par­
fluxo de recursos transformados ao longo da ope­ ques de diversões, podem também visar a esse
ração. Então, por exemplo, um fabricante de mó­ objetivo. Entretanto, o objetivo mais comum é,
veis localizaria os centros de trabalho em sua fá­ de longe, minimizar custos.
brica de modo a minimizar a necessidade de No nível mais simples, uma operação pode­
transportar componentes. Similarmente, um hos­ ria julgar a eficácia de seu arranjo físico simples­
pitallocalizaria seus departamentos para minimi­ mente com base nas distâncias totais percorridas
zar a movimentação de seus pacientes (e talvez n a operação. Por exemplo, a Figura 7.13(a) mos­
de sua equipe). Em algumas operações, a ênfase tra um arranjo físico por processo simples com
muda para maximizar a receita associada ao flu­ seis centros de trabalho com o número total de

(a) (b)

40 40
~ 30
~ 30

~ 20
~ 20

10
10

O O

o 10 20 30 40 50 60 Metros o 10 20 30 40 50 60 Metros
Eficácia do arranjo físico = Distância total percorrida 'Eficácia do arranjo físico = Distância total percorrida
= 4.450 metros = 3.750 metros

W4'Iij'7.13 (a) e (b) O objetivo da maioria dos arranjosfisicos por processo é minimizar o custo
associado com movimentação, às vezes simplificado para minimizar a distância percorrida.
220 PROJETO

jornadas percorridas entre centros em um dia. A Passo 1 - Colete as informações sobre os


eficácia do arranjo físico, nesse nível simples, po­ centros de trabalho e os fluxos entre eles.
deria ser calculada conforme a seguir:
Passo 2 - Desenhe um arranjo físico esque­
Eficácia do arranjo físico = LFii Di; para todo mático, mostrando os centros de trabalho e os
i =1= j onde: fluxos entre eles, colocando os pares de centros
de trabalho com fluxo mais intenso próximos en­
Fi) :;;: o fluxo em carregamentos ou jornadas
tre si.
por período, do centro de trabalho i
para o centro j. Passo 3 - Ajuste o arranjo físico esquemático
D i) = ditância entre o centro de trabalho i e de forma a levar em conta as restrições da área
o centro j. dentro da qual o arranjo físico deve caber.
Passo 4 - Desenhe o arranjo físico mostran­
Quanto mais baixo o índice de eficácia do
do as áreas reais dos centros de trabalho e as dis­
arranjo físico, melhor o arranjo físico.
tâncias que os materiais e as pessoas devem per­
Neste exemplo, o total do número de jorna­ correr. Calcule a medida da eficácia do arranjo
das multiplicado pela distância para cada par de físico, levando em conta ou as distâncias totais
departamentos onde há algum fluxo é 4.450 m. percorridas ou os movimentos custeados.
Essa medida indica se mudanças no arranjo físico
representam melhora em sua efetividade (pelo Passo 5 - Cheque se a troca da localização
menos nos termos simples definidos aqui) . Por de quaisquer dos centros faz reduzir a distância
exemplo, se os centros C e E são trocados, como total percorrida ou o custo total de movimenta­
na Figura 7. 13(b), a medida total de eficácia pas­ ção. Se sim, faça a troca e retome ao passo 4. Se
sa a ser 3.750, e mostra que o arranjo físico ago­ não, faça deste o arranjo físico final.
ra acarretará uma redução nas distâncias totais
percorridas na operação. Exemplo: Grupo Educacional Rotterdam
Esse cálculo assume que todas as jornadas Como exemplo de arranjo físico por proces­
se equivalem, por representarem o mesmo custo so, considere o Grupo Educacional Rotterdam
para a operação. Em algumas operações, entre­ (GER), uma empresa que comissiona, projeta e
tanto, isso não é assim. Por exemplo, algumas
manufatura material didático para cursos de edu­
jornadas que envolvem a equ ipe (saudável) ou
cação e treinamento a distância. O grupo acaba
pacientes em boa forma teriam pouca importân­
de realizar um leasing de um novo edifício com
cia relativa se comparadas com outras jornadas
em que pacientes doentes necessitam ser movi­ uma área de 1.800 metros quadrados, dentro do
dos do centro cirúrgico para unidades de terapia qual pretende fazer caber 11 "departamentos".
intensiva. Antes de mudar-se, o grupo realizou um exercí­
cio para descobrir o número médio de viagens fei­
Nesses casos, poderia valer a pena incorpo­
tas por sua equipe entre os 11 departamentos.
rar um elemento de custo (ou de dificuldade) na
Embora algumas viagens sejam mais significati­
med ida da eficácia do arranjo físico que se tenta
minimizar. vas que outras (devido à carga carregada pela
equipe), foi decidido que todas as viagens seriam
Eficácia do arranjo físico = LFu DiJ. Cu para tratadas como tendo igual valor:
todo i =1= j onde :
CJ = custo por distância percorrida de fazer Passo 1 - Colete informações
a jornada entre os departamentos i e j.
As áreas requeridas por departamento junto
Método geral de projeto de arranjo físico por com o número médio de viagens entre departa­
processo mentos são mostradas na carta de fluxo da Figu­
ra 7.14. Nesse exemplo, a direção do fluxo não é
A abordagem geral de determinar a localiza­ relevante e fluxos muito pequenos (menores que
ção de centros de trabalho em arranjo físico por cinco viagens por dia) n ão foram incluídos na
processo é a seguinte. análise.
ARRANJO FÍSIC O E FI.CXO 221

Departamento Área
(m 2)
Código I
Recepção 85 A
Sala de reuniões 160 B
Layout e projeto 100 C
Editorial 225 D
Gráfica 200 E
Corte 75 F
Recebimento e expedição 200 G
Encadernação 120 H
Produção de vídeo 160
Embalagem 200 I J
Produção de áudio 100 I K
Dimen.sões do edifício =30 metros x 60 metros
WaI'" 7.14 Fluxo de informações para o Grupo Educacional Rotterdam.

Passo 2 - Desenhe o arranjo físico Passo 3 - Ajuste o arranjo esquemático


esquemático
Se os departamentos fossem arranjados exa­
A Figura 7.15 mostra o primeiro arranjo físi­ tamente como mostrado na Figura 7.15, o edifí­
co esquemático dos departamentos. As linhas cio que os abrigará deveria ter uma forma irregu­
mais grossas representam fluxos de alta intensi­ lar e, portanto, de alto custo. O arranjo físico
dade, entre 70 e 120 viagens por dia; as linhas necessita ajustes para que se leve em conta a for­
de grossura média são usadas para representar ma do edifício. A Figura 7.16 mostra os departa­
mentos arranjados de forma mais ordenada às di­
fluxos entre 20 e 69 viagens por dia e as mais fi­
mensões do edifício.
nas para fluxos de baixa intensidade, entre 5 e
19 viagens por dia. O objetivo aqui é arranjar os
centros de trabalho de forma que aqueles depar­ Passo 4 - Desenhe o arranjo físico
tamentos entre os quais haja linhas mais grossas
fiquem o mais junto possível. Quanto mais inten­ A Figura 7.17 mostra os departamentos ar­
so o fluxo, mais curta a linha deve ser. ranjados com as dimensões reais do edifício e

7.15 Arranjo físico esquemático colocando centros com altos níveis de tráfego próximos uns dos
outros.
222 Pl'OJETO

WaiiZi 7.16 ArrClIljo físico esquemático ajustado para adequar-se às dimensões do edifício.

OI 60 metros

Sala de
reuniões Produção Encader­
Embalagem Recebimento
de vídeo nação
e
Produção expedição
de áudio
Recepção
Corred or

Layout
Editorial e Gráfica Corte
projetos

lih':'" 7 .17 Arranjo fís ico final do edifício.

ocupando áreas que se aproximam de sua áreas reduzir o movimen to total de fluxo. Por exemplo,
requeridas. Embora as distâncias entre os cen­ a posição dos departamentos H e J pode ser tro­
tróides dos departamentos tenham mudado seu cada e a distância total percorrida calculada com
formato físico, suas posições relativas permane­ a nova configuração para identificar se reduções
cem as mesmas. É nesse estágio que se pode cal­ foram obtidas.
cular uma expressão quantitativa do movimento
associado com esse arranjo físico relativo.
Projeto de arranjo físico por processo
auxiliado por computador
Passo 5 - Cheque as possíveis trocas
A complexidade combinatória do arranjo fí­
o arranjo físico da Figura 7.17 parece razoa­ sico por processo levou ao desenvolvimento de
velmente eficaz, mas geralmente vale a pena che­ numerosos procedimentos heurísticos com o in­
car se é possível melhorá lo trocando as posições tuito de auxiliar no processo de projeto. Procedi­
relativas de pares de departamentos de forma a mentos heurísticos usam o que tem sido chama­
,~RRA:\JO FÍSICO E FLUXO 223

(a)
Padrão de localização Iteração O
1 234567 8 9 101,1 12 13 14 15 16 17 18 19 20
1 A A A A A A B B B B C C C C C C C O O O
2 A A B B C O O
3 A A B B C C O O
4 A A A A A A B B C C C C C C C O O
5 E E E E E E B B B B C C C C C C C O O O
6 E E F F F F F G G G G G G G G G
7 E E F F G G
8 E E E E E E F F F F F G G
9 H H H I I I I I I I I G G
10 H H I I G G
11 H H I I I G G G G G G G G G
12 H H I J J J J J K K K K K K
13 H H I J J K K
14 H H H I I I I I J J J J J K K K K K K
Custo total 11 .711 ,24 Redução de custo estimada O

(b)
Padrão de localização Iteração 4
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
1 E E E E E EBBBBC C C C C C C J J J
2 E E B B C J J
3 E E B B C C J J
4 E E E E E E B B C C C C C C C J J
5 A A A A A A B B B B C C C C C C C J J J
6 A A O O O O O G G G G G G G G G
7 A A O O G G
8 A A A A A A O O O O O G G
9 K K K I I I I I I I I G G
10 K K I I G G
11 K K I I I G G G G G G G G G
12 K K I F F F F F H H H H H H
13 K K I F F H H
14 K K K I I I F F F F F H H H H H H
Custo total 11.238,43 Redução de custo estimada 472,81
Move A para E
Move Opara F
Move K para H
Move Fpara J

W§"h 7.18 (a) Arranjo foico inicial para a heurística CRAFT, (b) Arranjo foico final depois de quatro
iterações da heurística CRAFT.

do "atalhos no processo racional" e "regras de que).6 O racional por trás desse procedimento é
bom-senso" na busca de soluções razoáveis. Eles que, enquanto é inviável avaliar N fatorial (N!)
não buscam a solução ótima (embora uma possa arranjos físicos alternativos quando N é grande, é
ser achada, por acaso), mas tentam obter uma viável começar com um arranjo físico inicial e en­
boa solução subótima.

Um desses procedimentos heurísticos basea­ 6 ARMOUR, G. c.; BUFF.I\, E. S. A heuristic algorithm


dos em computador é o chamado CRAFT (Com­ and simulation approach to the relative location of facüities.
puterized Relative Allocation of Facilities Techni- Management Science, v. 9, nU 2, 1963.
224 PROJETO

tão avaliar todas as possíveis formas de trocar a • ao porte e à natureza das células que de­
localização de pares de centros de trabalho. cidiu adotar; e
Há: • a quais recursos alocar para cada célula.
N!
2! (N -2)! Porte e natureza das células

possíveis maneiras de trocar dois de N centros de A natureza das células pode ser descrita
trabalho. Para um arranjo físico de 20 centros de examinando-se a quantidade de recursos diretos
trabalho, há 190 maneiras de se trocar a posição e indiretos alocados dentro da célula. Recursos
de centros de trabalho, dois a dois. diretos são aqueles que transformam material,
informação ou clientes diretamente. Recursos in­
Três informações iniciais são necessárias
diretos existem para apoiar os recursos diretos
para a heurística CRAFT: uma matriz de fluxo
em suas atividades de transformação. A Figura
entre departamentos, uma matriz de custo asso­
7.20 mostra uma classificação de células baseada
ciado com o transporte entre departamentos e
na quantidade de recursos diretos e indiretos in­
uma matriz espacial mostrando o arranjo fís ico
cluídos na célula.
inicial. A partir disso:
No quadrante inferior direito, encontram-se
• a localização dos centróides de cada de­ as que podem ser chamadas uma célula pura.
partamento é calculada; Suas atividades são focalizadas em completar
toda a transformação, e todos os recursos para
• a matriz de fluxo é ponderada pela matriz isso necessários estão incluídos na célula. O
de custo e essa matriz ponderada é então quadrante superior direito representa a exten­
multiplicada pela distância entre departa­ são lógica do conceito de célula de forma a in­
mentos para se obterem os custos totais cluir todos os recursos indiretos de apoio e admi­
de transporte do arranjo físico inicial; e nistrativos necessários para que a célula seja
• o modelo, então, calcula as conseqüências "auto-suficiente". Essas grandes células às vezes
para os custos de se trocarem as posições são chamadas "fábricas-dentro-da-fábrica". Simi­
de todos os departamentos, dois a dois. larmente, uma unidade de maternidade pode, se
contiver todos os recursos de apoio, ser au­
A troca que resulta na maior melhoria é en­ to-suficiente. O quadrante inferior esquerdo re­
tão fixada e o ciclo completado é repetido com a presenta o tipo de célula em que os recursos são
matriz de custos atualizada. Essas iterações são localizados juntos, porque são freqüentemente
repetidas até que nenhum melhoramento seja necessários na mesma parte do processo geral de
obtido pela troca de dois departamentos. A Figu­ transformação. Por exemplo, duas máquinas que
são sempre usadas, uma logo depois da outra,
ra 7.18 mostra o arranjo físico inicial, que foi um
poderiam ser localizadas juntas. Da mesma for­
input para o modelo, e o arranjo físico final, ge­
ma, urna grande biblioteca, embora com um se­
rado pelo modelo. tor de máquinas copiadoras, poderia também co­
locar uma máquina copiadora no setor de
Projeto detalhado de arranjo físico referências para o caso de cópias serem necessá­
rias ao usuário desse setor. Finalmente, o qua­
celular
drante superior esquerdo representa células que
algu mas pessoas questionam até se merecem
Células representam um compromisso entre mesmo o nome de células. Elas apenas possuem
a flexibilidade do arranjo físico por processo e a recursos diretos suficientes para serem aplicados
simplicidade do arranjo físico por produt o (trata­ sobre parte do processo total e, dessa forma, pa­
do a seguir). Por exemplo, a Figura 7.19 mostra recem ter pouca diferença de um setor ou centro
corno um arranjo físico por processo foi dividido de trabalho convencional de um arranjo físico
entre quatro células, cada uma das quais com re­ por processo. A diferença é que elas possuem to­
cursos suficientes para processar uma "família" dos os recursos indiretos de que necessitam. No­
de peças. Fazendo isso, a gestão da operação to­ vamente, conceitualmente elas poderiam ser ca­
mou implicitamente decisões com relação: pazes de ser auto-suficientes em relação ao
ARRAI\JO FlSICO E I'U1XO 225

B A c D

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I

W..IiF' 7.19 Arranjo físico celular agrupa processos necessários para uma família de produtos.

restante da operação. Uma célula especialista de Alocação de recursos às células


tratamento térmico numa operação de manufatu­
ra poderia conter todo o apoio especialista de
manutenção, supervisão e apoio técnico suficien­ O projeto detalhado de arranjos físicos celu­
te para prover um serviço técnico e de manuten­ lares é difícil parcialmente porque a idéia de cé­
ção até para o resto da fábrica. O setor de audito­ lula, por si própria, representa um compromisso
ria interna de um banco poderia também conter entre arranjos físicos por processo e por produto.
seu apoio técnico e administrativo - nesse caso No caso do arranjo físico por processo, o foco
talvez manter sua independência do resto da or­ está na localização dos vários recursos dentro da
ganização que estará auditando. operação. Já no caso de arranjo físico por produ­
226 PROJETO

Quantidade de
recursos indiretos
incluídos na célula

Alto

Por exemplo , cél ula de Por exemplo, operação de


manufatura de um processo manufatura do tipo
especial "fábrica-dentro-da-fáb rica"

Grupo interno de auditoria


Maternidade em um hospital
em um banco
Proporção dos recursos
diretos necessários para
completar o processo de
Baixo Alto transformação incluídos
na célula
Por exempl ,células de Par exemplo, célula de
múltiplas máquinas de produção de produto completo
pequeno porte

Área de livros de referência e Área de produtos para lanche


fotocopiado ra juntas em e salgadinhos em
uma biblioteca su permercado

Baixo

iih"h 7.20 Tipos de célula.

to (tratado a seguir), o foco está nos requisitos Os códigos indicam características das peças ou
do "produto" - o arranjo celular deve consid rar produtos como forma, tamanho, material usado e
as necessidades de ambos. outros fatores que definem algumas de suas ne­
cessidades de processamento. Há vários sistemas
Às vezes, para simplificar a tarefa, é interes­ comercialmente disponíveis, por exemplo, o sis­
sante concentrar-se no aspecto processo ou no as­ tema Brisch do Reino Unido, o sistema Opitz da
pecto produto para o projeto da célula. Se o pro­ Alemanha e o sistema MIClASS da Holanda.
jetista decide concentrar-se no aspecto processo,
ele pode usar cluster analysis para descobrir quais Análise do fl uxo de produção (Production
grupos de processos agrupam-se naturalmente. flow Analysis - PFA) 7
Isso envolve o exame de cada tipo de processo e
o questionamento de quais outros tipos de pro­
Tal ez a abordagem mais conhecida para
cesso um produto ou uma peça que use aquele
alocar tarefas e máquinas a células, a análise do
processo tem maior probabilidade de requerer.
fuxo de produção (PFA) , analisa ambos os requi­
Por exemplo, na manufatu ra de móveis, se todas
as peças que necessitam de furaç ão também ne­ sitos do produto e agrupamento de processos si­
cessitam de rosqueamento, qualquer que seja a multaneamente. Na Figura 7.21 (a), uma opera­
decisão final de alocação de recursos às células, ção de manufatura agrupou os componentes que
as máquinas de furação e rosqueamento deverão produz em oito famílias - por exemplo, os com­
ficar juntas na mesma célula. Alternativamente, ponentes da família 1 requerem máquinas 2 e 5.
se a operação decide concentrar-se em seus pro­ Nesse caso, a matriz não parece exibir qualquer
dutos para projetar suas célul s ela provavel­
mente usará um dos sistemas de codificação e clas­
sificação de peças. Esses sistemas utilizam códigos 7 BURBlDGE, J. L. The principies of production con­
de múltiplos dígitos para cada peça ou produto. tra/. 4. ed. Macdonald and Evans, 1978.
ARRANJO FÍSICO E FLUXO 227

agrupamento natural. Se a ordem das linhas e • Se há vários componentes com esses pro­
colunas é mudada, entretanto, de forma a mover blemas, pode ser necessário conceber
as cruzes para o mais próximo possível da diago­ uma célula especial para eles (normal­
na] da matriz, que vai do canto superior esquer­ mente, chamada de célula de remanescen­
do ao canto inferior direito, então um padrão tes), que seria qu ase como um miniarran­
mais claro emerge. Isso é ilustrado n a Figura jo físico por processo. Novamente, isso não
7.21 (b) e mostra que as máquinas poderiam ser está totalmente de acordo com a simplici­
convenientemente agrupadas em três células, in­ dade buscada pelo arranjo físico celular e
dicadas no diagrama como células A, B e C. também pode envolver algum investimen­
Embora esse procedimento seja particularmente to de capital. A célula dos remanescentes,
útil para se alocarem máquinas a células, a análi­ entretanto, remove os componentes in­
se raramente é simples e "limpa". Esse é o caso convenientes do resto da operação, dei­
aqui, em que o componente 8 necessita de pro­ xando-a com um fluxo mais simples e pre­
cessamento pela máquina 3 que foi alocada para visível.
a célula B.
Geralmente, há três formas de lidar com
isso, nenhuma delas totalmente satisfatória:
Projeto detalhado de arranjo físico por
produto
• Outra máquina igual à máquina 3 poderia
ser comprada e colocada n a célula A. Isso Poderia parecer que é necessário pouco tra­
claramente resolveria o problema, mas re­ balho de projeto detalhado em arranjo físico por
quereria investimento de capital para a produto, pois ele envolve arranjar os recursos de
compra da nova máquina que poderia fi­ maneira a confo rmar"se às necessidades de pro­
car subutilizada. cessamen to do produto ou serviço produzido.
• Componentes da família 8 poderiam ser Entretanto, embora a consideração do produto
mandados para a célula B depois de te­ realmente domine o projeto do arranjo físico por
rem sido pro ces sados na célula A (ou produto, são ainda necessárias numerosas deci­
mesmo no meio de seu roteiro de produ­ sões quanto a esse tipo de projeto detalhado. A
ção, se necessário) ; essa solução evita a natureza da decisão de projeto também muda
necessidade de compra de outra máquina, um pouco. Em outros tipos de arranjo físico, a
mas entra em conflito com uma das idéias decisão é do tipo "onde localizar o quê". No ar­
básicas do arranjo físico celular - obter ranjo físico por produto, a decisão é mais sobre
simplificação de um fluxo previamente "o que localizar onde", pois em geral a decisão
complexo. sobre localização está tomada e, então, as tarefas

(a) (b)
Famílias de componentes Famílias de componentes
2 3 4 5 6 7 8 3 6 8 5 2 4 1 7
x X 4 X X X
2 X X X 1
X X Célula A
3 X X X 6
X X
cn cn
ê 4 X X X ê 3 X X X Célula 8
::::J ::::J
.g 5 X X X .g 8 X X
:2 2
6 X X 2 X X X
7 X X 5
Célula C X X X
8 X X X 7
X X

7.21 (a) e (b) Uso da anause do fluxo de produção para alocar máquinas a células.
228 PROJ ETO

são alocadas à localização decidida. Por exemplo, Número de estágios


pode ter sido decidido que quatro estações de
trabalho serão necessárias para produzir pastas A próxima decisão no projeto detalhado do
para executivos numa linha de montagem. A de­ arranjo físico por produto refere-se ao número de
cisão então é sobre quais tarefas necessárias à estágios do arranjo físico. Na prática, pode ser
montagem da pasta serão alocadas a quais esta­ qualquer número entre um e diversas centenas,
ções de trabalho. dependendo, entre outras coisas, do tempo de ci­
Essa decisão de projeto é chamada de balan­ clo envolvido e da quantidade de trabalho neces­
ceamento de linha e é apenas umas das decisões sário para completar o produto ou o serviço. Este
(embora freqüentemente a mais difícil) envolvi­ último elemento de informação é chamado de
das no projeto detalhado de arranjo físico por conteúdo de trabalho do produto ou serviço.
produto. Essas decisões são as seguintes: Quanto maior o conteúdo de trabalho e quanto
menor o tempo de ciclo, maior o número de está­
• Que tempo de ciclo é necessário? gios necessários .
• Quantos estágios são necessários?
• Como lidar com variações no tempo para Exemplo
cada tarefa? Suponha que o banco do exemplo anterior calculou
• Como balancear o arranjo físico? que o conteúdo de trabalho médio de processar uma so­
licitação de empréstimo hipotecado é 60 minutos. O nú­
• Como arranjar os estágios? mero de diferentes estágios necessários a processar soli­
citações a cada 15 minutos pode ser calculado conforme
a seguir:
Tempo de ciclo dos arranjos físicos por
produto Número de estágios = Conteúdo total de trabalho

Ciclo de tempo necessário

o tempo de ciclo dos arranjos físicos por


60 minutos = 4 estágios
produto é o tempo que decorre entre a finaliza­ 15 minutos
ção de dois produtos, elementos de informação
ou clientes pela operação. O tempo de ciclo é um Se ele não tivesse resultado em um número inteiro,
elemento vital no projeto do arranjo físico por teria sido necessário arredondá-lo, sempre para cima. É
produto e tem influência significativa sobre a difícil, embora nem sempre impossível, alocar frações de
maioria das outras decisões detalhadas de proje­ pessoas para staff dos estágios.
to. É calculado considerando a demanda de tem­
po provável dos produtos e a quantidade de tem­ Variação do tempo de tarefa
po disponível para a produção durante o mesmo
intervalo. Até agora, pudemos imaginar uma linha de
quatro estágios, cada um contribuindo com um
Exemplo quarto do conteúdo de trabalho de processar
Suponha que o setor de operações regionais de re­ uma solicitação e passando a documentação para
taguarda (ou back-office) de um grande banco esteja o próximo estágio a cada 15 minutos. Na prática,
projetando uma operação que vai processar suas solicita­ evidentemente, o fluxo não seria tão regular.
ções de empréstimos hipotecados. O número de solici­ A alocação de trabalho para cada estação
tações a serem processadas é 160 por semana e o tem­ poderia em média durar 15 minutos, mas quase
po disponível para processar as solicitações é de 40
com certeza esse tempo irá variar a cada vez que
horas por semana.
uma solicitação é processada. Essa é uma carac­
Otempo de ciclo para o arranjo físico
terística geral de qualquer processamento repeti­
Tempo disponível
tivo (e, de fato, de praticamente qualquer traba­
=------------------­
Quantidade a ser processada lho processado por pessoas) e pode ser causada
por um grande número de fatores:
= 40/160 = 1;,; de hora = 15 minutos
Então, o arranjo físico do banco deve ser capaz de • Cada produto ou serviço processado pode
processar solicitações a cada 15 minutos. ser diferente dos outros - por exemplo,
ARRA.NJO FÍS ICO E FLUXO 229

diferentes modelos de automóvel proces­ Técnicas de balanceamento H


sados na mesma linha.
Como nos outros tipos de arranjo físico, há
• Produtos ou serviços em série, embora es­ várias técnicas que podem ser usadas para apoiar
sencialmente semelhantes, podem reque­ o balanceamento de linha. De novo, na prática,
rer pequenas diferenças de tratamento. as abordagens mais comumente utilizadas são as
Por exemplo, no processamento dos em­ heurísticas simples. Entre elas, desraca-se a técni­
préstimos hipotecados, o tempo que será ca de diagrama de precedência, que é urna repre­
gasto em determinadas tarefas dependerá sentação do ordenamento dos elementos que
das circunstâncias pessoais do solicitante compõem o conteúdo do trabalho total do produ­
do empréstimo. to ou serviço. Os círculos são conectados por se·
• Há em geral ligeiras variações na coorde­ tas que significam o ordenamento dos elemenros.
nação física e no esforço da pessoa que Duas regras aplicam-se quando se está consrruin·
executa a tarefa. do o diagrama:
• os círculos que representam os elemen­
Essas variações podem introduzir irregulari­ tos são desenhados o mais possível à es­
dades no fluxo ao longo da linha, o que, por sua querda;
vez, pode causar duas coisas: criação de filas
• nenhuma das setas que representam rela­
temporárias E perda de tempo disponível de tra­ ções de precedência deve ser desenhada
balho. Pode até ser necessário introduzir mais re­ no sentido vertical.
cursos na operação para compensar a perda de
eficiência resultante da variação dos tempos de O diagrama de precedências, seja usando
trabalho. círculos e setas, seja usando forma tabular, é o
ponto de partida para a maioria das técnicas de
balanceamento de linha. As técnicas mais com­
Balanceamento da alocação de tempo de plexas não serão tratadas aqui, mas é importante
trabalho descrever a abordagem geral para o balancea­
mento de arranjos físicos por produto.
Talvez a mais problemática de todas as deci­
sões de projeto detalhado de arranjo físico seja Exemplo
aquela de garantir uma alocação equânime de A Figura 7.22 ilustra as alocações de trabalho em
trabalho para cada estágio da linha. Esse proces­ uma linha de Quatro estágios. A Quantidade total de tem­
so é chamado de balanceamento de linha. No po investido na produção de cada produto ou serviço é
Quatro vezes o tempo de ciclo porque, para cada unidade
exemplo do processamento dos empréstimos, foi produzida, todos os Quatro estágios estão trabalhando
assumido que o conteúdo de trabalho foi dividi­ pelo tempo de ciclo. Quando o trabalho é igualmente alo­
do igualmente entre os quatro estágios, cabendo cado entre estágios , o tempo total investido em cada
a cada um 15 minutos. Isso é virtualmente im­ produto ou serviço produzido é 4 x 2,5 = 10 minutos.
possível de obter em situações práticas e algum Entretanto, Quando o trabalho não é igualmente alocado,
desbalanceamento no trabalho alocado a cada es­ conforme ilustrado, o tempo investido é 4 x 3,0 = 12 mi­
nutos, o Que Quer dizer Que 2 minutos do tempo, 16,67%
tágio ocorrerá. Inevitavelmente, isso irá aumen­ do total , são desperdiçados.
tar o tempo de ciclo efetivo de linha. Se ele se
torna maior que o tempo de ciclo requerido,
Essa abordagem geral é a de alocar os ele­
pode ser necessário devotar mais recursos, na
mentos do diagrama de precedência ao primeiro
forma de um estágio adicional, para compensar o estágio, começando da esquerda, na ordem das
desbalanceamento. A eficácia da atividade de ba­ colunas, até que a quantidade de trabalho aloca­
lanceamento de linha é medida pelo que se cha­
ma de perda de balanceamento . Isso refere-se ao
tempo desperdiçado por meio da alocação desi­ 8 Há diversos mé todos de balanceamento, veja por
exemplo, KILBRIDG E, K.; WESTER, L. A heuristic method of
gual de trabalho como uma porcentagem do tem­ assembly line balancing. Journal Df Industrial Engin ecring, v.
po total investido no processamento de um pro­ 57, 11" 4, 1961, ou STEYN, P. G. Scheduling illulti-model
duto ou serviço. production lines . Busin ess Managcm cnt, v. 8, n" 1, 1977.
230 PROJETO

"Equilíbrio" ideal em que o Mas se o trabalho não for alocado igualmente,


trabalho é alocado ig ualmente o tempo de ciclo irá aumentar e perdas por
entre estági os balanceamento ocorrerão

Tempo de ciclo =2,5 minutos Tempo de ciclo = 3,0 minutos


3,0 r­ 3,0
<'<l 2,5 - - -- r - - ­ -- - -- - - «! 2.5 3.0
~ ~
u
<'<l 2,0 c­ u
<'<l 2,0 2.3 2.2
1,5 r­ 1,5
0,5 r­ 0.5

2 3
4
2 3 4
Estágio Estágio

O Trabalho alocado para estâgio


Cálculo da perda por balanceamento'
•_ Tempo ocioso
Tempo ocioso a cada ciclo = (3,0 - 2,3) +
= (3,0 - 2,5) +
=(3,0 - 2,2) =2,0 minutos

Perda por balanceamento 2,0


4 x 3.0
= 0,1667
= 16.67%

mg"f' 7.22
Perda por balanceamento é a proporção do te.mpo investida no processamento do produto
não usado produtivamente.

da ao estágio se encontre próxima, mas não su­ deia de supermercados, de um bolo especial na forma de
perior ao tempo de ciclo. Quando aquele estágio uma nave espacial. Foi decidido que os volumes envolvi­
estiver tão cheio de trabalho quanto possível , dos nesse fornecimento justificariam uma linha de pro­
sem exceder o tempo de ciclo, passe ao próximo dução dedicada ao acabamento, decoração e embalagem
estágio, e assim por diante, até que todos os ele­ do bolo. Essa linha teria então de executar os elementos
de trabalho mostrados na Figura 7.23, que também mos­
mentos de trabalho tenham sido alocados . A tra o diagrama de precedência para o trabalho total. O
questão-chave é como selecionar um elemento a pedido inicial do supermercado foi de 5.000 bolos por
ser alocado a um estágio quando mais de um ele­ semana e o número de horas trabalhadas pela fábrica é
mento pode ser escolhido. Duas regras heurísti­ 40 por semana.
cas são particularmente úteis nessa decisão : A partir dessas informações:
• Simplesmente escolha o maior que "caiba" · Io requeri'd o 40 h x 60 min
no tempo remanescente daquele estágio. Otempo de CIC =40 mln.
5.000
• Escolha o elemento com o maior número
de atividades subseqüentes, ou seja. aque­ Estágios requeridos
le com maior número de elementos que só 1,68 min (conteúdo total de trabalho
podem ser alocados depois que ele o for. 0,48 min (tempo de ciclo requerido)
= 3,5 estágios
Exemplo: Bolos Karlstad Isso significa quatro estágios
Considere a Bolos Karlstadl (BK), uma empresa ma­ Começando do lado esquerdo do diagrama de pre­
nufatureira de bolos especiais, que recentemente conse­ cedências, os elementos a e b podem ser alocados ao
guiu um contrato de suprimento, para uma grande ca­ estágio 1. Alocar o elemento c ao estágio 1 faria com que
ARRA NJO FÍSICO E. FlL'XO 231

Element08 ­ Deformagem e rebarbação 0,12 minutos

Element00 ­ Conformação e recortes 0,30 minutos

Element08 ­ Colocação de recheio de amêndoas 0,36 minutos

Element00 ­ Colocação de recheio branco 0,25 minutos

Element08 - Decoração com cobertura vermelha 0,17 minutos

ElementoG) ­ Decoração com cobertura verde 0,05 minutos

Element00 ­ Decoração com cobertura azul 0,10 minutos

Element00 - Aplicação de transfers 0,08 minutos

ElementoG) ­ Transferência para embalagem 0,25 minutos


Concluído total de trabalho = 1,68 minutos

0,17 min utos

/
8.
0,05
/ minutos ~ 0,25 minutos
8
~0 ~8 ~0 ~G) ~0 ~G
0,12
minutos
0,30
minutos
0,36
minutos
0,25
min utos ~
°
~ 0,1 minu~
os
'0
0,08 minutos

lil'yiif' 7.23 Listagem de elementos e diagrama de precedências para Bolos Karlstad.

o tempo de ciclo fosse excedido. De fato , apenas o ele­ Isso, entretanto, não necessariamente precisa ser
mento c pode ser alocado ao estágio 2, pois a inclusão assim . Re tomemos ao exemp lo do processamen­
do elemento d faria exceder o tempo de ciclo. O elemen­ to do emp réstimo que requer quatro estágios que
to d pode ser alocado ao estágio 3. Tanto o elemento e
como o elemento f podem também ser alocados ao está­
trabalham na tarefa de manter um ciclo de uma
gio 3, mas não ambos, caso em que o tempo de ciclo se­ solicitação processada a cada 15 minutos. O ar­
ria excedido. Seguindo a regra heurística do "elemento ranjo convencional dos quatro estágios seria or­
com maior conteúdo de trabalho", o elemento e é o es­ dená-los em uma linha, com cada estágio tendo
colhido. Os elementos remanescentes, então, são aloca­ um conteúdo de trabalho de 15 minutos. Entre­
dos ao estágio 4. A Figura 7.24 mostra a alocação final e tanto, nominalmente, a mesma taxa de saídas
as perdas por desbalanceamento da linha. também poderia ser obtida arranjando os quatro
estágios em duas linhas mais curtas, cada uma
com um conteúdo de trabalho de 30 minutos.
Arranjando os estágios Alternativamente, seguindo a lógica, os estágios
poderiam ser arranjados em quatro Unhas parale­
Até aqui, foi pressuposto que todos os está­ las, cada uma responsável pelo conteúdo de tra­
gios necessários aos requisitos do arranjo físico balho total de processar uma solicitação. A Figu­
serão arranjados em uma linha única seqüenciaL ra 7.25 mostra essas opções.
232 PROJETO

Estágio 1 Estágio 2 Estágio 3 Estágio 4

0,25 minutos

(0 ~0 8 0 ~0 ~8
0,12 0,30 0,36 0,25 0,10min~
minutos minutos minutos minutos
(0
0,08 minutos

Tempo de ciclo = 0,48 minutos

0,48
0,42 0,42
0,36

2 3 4
Tempo ocioso a cada ciclo = (0,48 - 0,42) + (0,48 - 0,36) + (0,48 - 0,42)
= 0,24 minutos
- d t
Proporçao . .I 024 12,5%
e empo OCIOSO por CIC o = 4 x' 0,48

Wa!'E' 7.24 Alocação de elem entos a estágios e perdas por balanceamento para Bolos Karlstad.

Isso pode ser um exemplo simples, mas re­ • Fluxo controlado de materiais e clientes - o
presenta uma questão plausível e genuína. Deve­ qual é mais fácil de gerenciar.
ria o arranjo físico ser configurado como uma li­
nba "longa e magra", como uma linha "curta e • Manuseio simples de materiais - especial­
gorda" ou como algo entre essas duas opções ex­ mente se o produto manufaturado é pesa­
tremas? (Not e que a ''longa'' significa número de do ou difícil de mover.
estágios e "gorda" significa a quantidade de tra­
balho alocada a cada estágio.) Em qualquer si­ • Requisito de capital mais moderado - Se
tuação particular, há normalmente restrições téc­ um equipamento especial é necessário em
nicas que limitam o quanto "longo e magro" ou um elemento do trabalho, apenas uma
"curto e gordo" o arranjo físico pode ser, mas unidade do equipamento necessitaria ser
normalmente ainda sobra urna faixa de possibili­ comprada; em configurações curtas-gor­
dades dentro das quais a escolha deve ser feita. das, cada estágio necessitaria de uma.
As vantagens de cada extremo do espectro lon­
go-magro até curto-gordo ·são bastante diferentes • Operação mais eficiente - se cada estágio
e ajudam a explicar o porquê de determinados executa apenas uma parte pequena do
arranjos serem escolhidos. trabalho total, a pessoa responsável pelas
atividades desse estágio terá uma propor­
ção maior de trabalho direto produtivo, di­
As vantagens do arranjo longo-magro ferentemente das partes não produtivas
do trabalho, como apanhar ferramentas e
Entre elas, encontram-se: materiais.
ARRANJO FÍS ICO E FLUXO 233

Arranjo
"longo-magro"

I-ci-ci- ci- ci-I

--+ ~ --+ ~ --+



--+ ~ --+ ~ --+
Exemplo

Uma tarefa de 60 minutos


--+ ~ --+
com um tempo de ciclo

- ~-I-
necessário de 15 minutos

Como arranjar os estágios


no arranjo físico?
--+ ~ --+

--+ ~ --+

Arranjo
"curto-gordo"

W4"iji 7 .25 O arranjo de estágios no arranjo físico por produto pode ser descrito com um espectro de
"longo-magro" a "curto-gordo".

Este último ponto é particularmente impor­ • Maior robustez - Se um estágio quebra ou


tante e é explicado em detalhes no Capítulo 9, pára de operar, de certa forma os estágios
onde se discute o projeto do trabalho. paralelos não são afetados; um arranjo
longo-magro pararia de operar por com­
pleto.
As vantagens do arranjo curto-gordo
• Trabalho menos monótono - No exemplo
Algumas vantagens são: do empréstimo, a mão-de-obra no arranjo
curto-gordo repete -sua tarefa a cada hora,
• Maior flexibilidade de mix - se o arranjo enquanto, no arranjo longo-magro, isso
físico necessita produzir vários tipos de ocorre a cada 15 minutos.
produtos ou serviços diferentes, cada es­
tágio ou linha poderia especializar-se. em Novamente, este último ponto é particular­
tipos diferentes. mente importante, e será tratado com maior de­
talhe no Capítulo 9.
• Maior flexibilidade de volume - À medida
que os volumes variam, estágios podem
simplesmente ser eliminados ou formados Forma da linha
conforme necessário; arranjos longos-ma­
gros necessitam ser rebalanceados a cada Quando se decide adotar um arranjo que
vez que os tempos de ciclo mudam . envolve fluxo seqüencial entre estágios arranja­
234 PROJ ETO

Estágios podem ser arranjados linearmente, mas


isso traz dificuldade para lidar com variação nos
tempos de processamento

I ~

Arranjos em forma de Uou em serpentina são melhores


porque os funcionários podem ajudar-se uns aos outros
se um estágio fica sobrecarregado

w;1iiFi 7.26 Arranjo dos estágios.

dos em série, uma decisão adicional é necessária: (seja ele feito por uma pessoa ou por
a de que forma de linha adotar. Parcialmente ins­ equipamento - robô, talha ou empilha­
piradas pela experiência de empresas manufatu­ deira, por exemplo) pode ser feito con­
reiras japonesas, muitas operações de manufatu­ venientemente.
ra estão adotando a prática de encurvar arranjos • Passagem. Linhas longas e retas interfe­
de linha para a forma de U ou de "serpentina" rem mais no fluxo cruzado do resto da
(veja Figura 7.26). A fo rma de U é usada em ge­ operação. É irritante quando as gôndolas
ral para linhas mais curtas enquanto serpentinas dos supermercados são muito longas. As
são usadas para linhas mais longas. Richard pessoas protestam quando uma auto-es­
Schonberger, um especialista em manufatura ja­ trada corta uma cidade em duas. É o mes­
ponesa, vê várias vantagens nisso:9 mo com linhas de produção.
• Trabalhos em grupo. Um semicírculo até
• Flexibilidade e balanceamento de mão-de­ mesmo se parece com um time.
obra. A forma de U permite que uma pes­
soa trabalhe em várias estações de traba­
lho - adjacentes ou cruzando o U - sem RESUMO DAS RESPOSTAS A
ter de caminhar muito. Isso abre opções
QUESTÕES-eRAVES
para um melhor balanceamento entre
pessoas : quando a demanda cresce, mais Quais são os tipos de arranjo físico bási­
mão-de-obra pode ser acrescentada, até cos usados em produção?
que uma pessoa esteja ocupando cada es­
tação de trabalho. • Existem quatro arranjos físicos básicos:
• Retrabalho. Quando a linha se curva sobre - arranjo físico posicional;
si própria, é mais fácil retornar trabalho - arranjo físico por processo;
defeituoso para uma estação anterior para
- arranjo físico celular;
retrabalho, sem muito estardalhaço e sem
muita necessidade de caminhar. - arranjo físico por produto.
• Ma nuseio. Da posição central do U, o
Que tipo de arranjo físico uma operação
manuseio do material e de ferramentas
produtiva deveria escolher?

9 SCHONBERGER, R. Building a chain of custo­ • Em parte, isso é influenciado pela nature­


mers. Hutchinson Business Books, 1990. za do tipo de processo, que, por sua vez,
AR.RAJ\lJO FÍSICO E fLl.:xa 235

depende das características de volume e formadores ao longo da operação. Tanto


variedade da operação. métodos manuais como baseados em
• Em parte, também, a decisão dependerá computador podem ser usados na elabo­
dos objetivos da operação. Custo e flexibi­ ração do projeto detalhado.
lidade são particularmente afetados pela • No arranjo físico celular, os recursos ne­
decisão sobre o arranjo físico. cessários para uma classe particular de
• Os custos variáveis e fixos implícitos por produtos estão agrupados de alguma for­
cada arranjo físico diferem tanto que, em ma. A tarefa de detalhar o projeto é agru­
teoria, um arranjo físico particular terá par os tipos de produtos ou consumidores
custo mínimo para determinado nível de de tal forma que possam ser projetadas
volume . Na prática, entretanto, incertezas células convenientes a suas necessidades.
sobre o custo real envolvidas nos arranjos Técnicas como a análise de fluxo de pro­
físicos tornarão difícil precisar qua[ o ar­ dução podem ser usadas para alocar os
ranjo físico que terá custo mínimo. produtos às células.
• No arranjo fís ico por produto, os recursos
o que se deseja alcançar com o projeto transformadores estão localizados em se­
do arranjo físico? qüência, especificamente por conveniên­
• Adicionalmente aos objetivos operacio­ cia dos produ tos ou tipos de produtos. O
nais convencio nais que serão afetados projeto detalhado do arranjo físico por
pelo projeto do arranjo físico, fatores de produto inclui um número de decisões,
importância incluem o comprimento e como o tempo do ciclo a que o projeto
clareza do fluxo de informação, material e precisa confonnar-se, o número de está­
consumidor; segurança para os funcioná­ gios da operação, a fo rma como as tarefas
rios e/ ou consumidores; conforto para os são alocadas aos estágios na linha e o ar­
funcionários, acessibilidade para funcioná­ ranjo dos estágios na linha. O tempo de
rios e consumidores; habilidade de coor­ ciclo de cada parte do projeto, juntamen­
denar decisões gerenciais; uso do espaço; te com o número de estágios, é uma fun­
e flexibilidade de longo prazo. ção de onde o projeto situa-se no espectro
dos arranjos "longo-magro" a " curto-gor­
Como deveria ser o projeto detalhado de do". Essa posição afeta os custos, a flexi­
cada arranjo físico? bilidade, a robustez e a atitute dos funcio­
nários. A alocação de tarefas nos estágios
• Obviamente, isso depende muito do tipo é chamada balanceamento de linha, que
de arranjo físico escolhido. pode ser desempenhada tanto manual­
• No arranjo físico posicional, os matenaIs mente ou por meio de algoritmos compu­
ou pessoas sendo transformadas não se tadorizados.
movem, mas os recursos transformadores
movem-se ao redor delas. Técnicas rara­
mente são usadas nesse tipo de arranjo fí­ ESTUDO DE CASO
sico, mas algumas, como a análise de re­
Ferramentas Weldon
cursos locacionais, trazem uma abordagem
sistemática para minimizar custos e incon­ Ferramentas Weldon, um dos fabricantes de ferra­
veniências no fluxo em uma posição fixa. mentas manuais de maior sucesso na Europa, decidiu
entrar no mercado de ferramentas para trabalho em ma­
• No arranjo físico por processo, todos os deira. Previamente, seus produtos se restringiarn a ferra­
recursos transformadores similares são mentas para manutenção de automóveis, ferramentas
agrupados juntos na operação. A tarefa domésticas e ferramentas manuais de uso geral. Um dos
do projeto detalhado visa geralmente primeiros produtos Que a Weldon decidiu fabricar foi
(embora nem sempre) minimizar as dis­ uma plaina de uso geral, uma ferramenta Que alisa e con­
tâncias percorridas pelos recursos trans- forma superfícies de madeira. Seus projetistas de produ­
236 PROJETO

to haviam desenvolvido um projeto adequado e os técni­ Tabela 7.4 Tempos-padrão para cada elemento da ta­
cos de tempos e métodos da empresa já haviam refa de montagem em minutos-padrão
estimado o tem po (em minutos-padrão) que levaria para (MP).
executar cada uma das operações da montagem. O de­
partamento de marketing também já havia estimado a Operação de prensa mecânica
provável demanda (para todo o mercado eu ropeu) para o
novo produto. A previsão de vendas é mostrada na Tabe­ Montar sub-montagem (SIM) (cursor es­
la 7.3. querdo, cursor direito, cupilha) 0,12 MP
Aj ustar SIM cursor ao corpo (cursor SIM,
pino do cursor, corpo) 0,10 MP
Tabela 7.3 Previsão de vendas para plaina de madeira. Rebitar alavanca de ajuste ao corpo (alavan­
ca de ajuste, re bite, corpo) 0,15 MP
Período Volume
Montar parafuso ao corpo por interferência
Ano 1 (corpo, parafus de ajuste) 0,08 MP
Primeiro trimestre 98.000 unidades TOTAL DA OPERAÇÃO DE PRENSA MEC­
Segundo trimestre 140.000 unidades NICA 0,45 MP
Terceiro trimestre 140.000 unidades
Quarto trimestre 170.000 unidades Operação de bancada

. Ano 2 Montar botão de ajuste ao carro 0,15 MP


Primeiro trimestre 140.000 unidades Montar parafuso ao carro 0,05 MP
Segundo trimestre 170.000 unidades
Terceiro trimestre 200.000 unidades SEMI-ACABADO CARRO PRONTO
Quarto trimestre 230.000 unidades Montar apoi Oà base 0,15 MP
Montar manopla à base 0,17 MP
O departamento de marketing, entretanto. não esta­ Montar SIM carro à base 0,15 MP
va completamente confiante nas previsões. Montar SIM lâmina 0,08 MP
"Uma proporção substa ncial da demanda pro­ Montar SIM lâmina, a trava e a etiqueta à 0,20 MP
vavelmente será devida a exportações, as quais base
nós achamos difíCil de prever. Mas qualquer que
seja a demanda, teremos de reagir rápido para PLAI NA PRONTA
atendê-Ia. Qua nto mais entramos nessa parte do TOTAL OPERAÇÕES DE PR ENSA E MON­
mercado, mais esta mos num mercado de compra TAGEM 1,40 MP
de impulso e ma is vendas perderemos se não con­
seguirmos suprir as pontos de venda . " Montar caixa, embalar plaina e estocar 0,20 MP
TOTAL TRABALHADO - ÁR EA DE MON­
Essa plaina era provavelmente a primeira de muitas TAGEM 1,60 MP
outras similares. Um modelo adicional já havia sido
aprovado para lançam ento aproxi madamente um ano MP = minutos-padrão
após o lançamento desta, e dois ou três outros mod los
encontravam-se no estágio de planejamento. Todas as
plainas eram iguais, vari ando apenas em largura e com­ Uma idéia da operação de montagem pode ser dada
pri menta. pela vista parcialmente expl odida do prOduto (veja Figura
7.27). A Tabela 7.4 traz os tempos-pad rão para cada ele­
mento da tarefa de montagem. Algumas das operações
Projetando a operação de manufatura
são descritas como operações de prensa mecânica. Uma
Foi decidido que a montagem das plainas sena feita prensa mecânica é uma ferramenta relativamente sim­
na fábrica menor da empresa, na qual um setor inteiro ples, em torno de 1 metro de altura, que tem duas mas­
estava sem uso. Dentro desse setor, há espaço suficiente sas montadas em uma rosca sem fim. Quando as duas
para expansões caso a demand se mostre mais alta que massas giram, acarretam um momento que aplica a for­
as previsões. Todas as operações de usinagem e acaba­ ça de prensagem para baixo. Essa força é usada para
mento das peças seriam executadas na fábrica principal operações si mples como dobramento . rebitagem, ou
e as peças seriam transportadas para a fáb rica menor, montagem por interferência. Uma prensa mecânica não é
onde seriam montadas. uma ferramenta de tecnologia sofisticada ou cara.
NJO FislCO E f'lID."O 23

Lâmina

Alavan ca
de ajuste
SIM
Corpo

"

Base

S/A = sub montagem

Ui.."" 7.27
Vista parcialmente explodida da llovaplaina.

Custo e preço 4. Como o arranjo físico deveria ser ajustado à medida


Que a demanda por ele e outros produtos similares
O sistema de custeio-padrão da empresa envolvia a
crescesse?
adição de 150% aos custos diretos de mão-de-obra
como custos gerais de produção e o produto era vendido
na Europa pelo eqUivalente a 35 dólares americanos. Os QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
revendedores geralmente colocavam um sobrepreço de
70-120% do preço cobrado pelo fabricante. 1. Identifique o tipo de arranjo físico que
deveria ser adotado pelas seguin tes or­
Questões ganizações justificando:
1. Quantos funcionários diretos a empresa deveria con­ - uma estação de esqui;

tratar? - uma fazenda de gado leiteiro;

2. Que tipo de instalação e tecnologia aempresa deveria - uma empresa de jardinagem;

adquirir para montar esse tipo de prod uto? - uma padaria;

3. Projete um arranjo físico para a operação de monta­ - um banco.

gem (incluindo à trabalho de prensa mecânica) , con­


siderando as tarefas que devem ser executadas em Discuta as implicações de varieda­
cada parte do sistema. de e volume do fl uxo.
238 PROJITO

2. Faça um croqui da loja, lanchonete ou Assumindo que a direção do fluxo


recepção do setor esportivo de sua Uni­ de materiais não seja importante, cons­
versidade. Observe a área e desenhe so­ trua um diagrama de relacionamentos,
bre o croqtú o movimento das pessoas um arranjo físico esquemático e um ar­
sobre a área ao longo de um período de ranjo físico sugerido, dado que cada de­
tempo suficiente para registrar 20 obser­ partamento é do mesmo tamanho e os
vações. Avalie o fluxo em termos de vo­ oito departamentos devem estar quatro
lume, variedade e tipo de arranjo físico. de cada lado do corredor.
3. Uma empresa fabricante de tratores, fa­
zendo uma faixa ampla de produtos sob 7. O centro acadêmico estudantil de uma
encomenda dos clientes, está conside­ Universidade vai refazer o arranjo físico
rando alterar seu arranjo físico de arran­ de seu saguão. Foi identificado que gru­
jo físico por produto para arranjo fís ico pos diferentes de estudantes usam os
por processo. Discuta as implicações dois bares e as quatro máquinas de con­
dessa mudança. veniências de formas diferentes, como
4. Identifique as principais etapas n a cons­ ilustrado na Tabela 7.6. O centro acadê­
tru ção de uma casa, desde as fundações mico gostaria de agrupar as conveniên­
até o acabamento. Se cada uma das ta­
cias em duplas. Quais sugestões você
refas fosse delegada a empresas subcon­
daria, sabendo que o bar de sanduíches
tratadas, quais seriam os potenciais pro­
blemas de arranjo físico? e o bar de bebidas estão em lados opos­
tos e não podem ser alterados?
5. a. Visite u m supermercado de sua re­
gião. Tente marcar uma entrevista
com o gerente, para discutir o as­ Tabela 7.6 Uso de conveniências no centro acadê­
sunto projeto de arranjo físico. mico.
b. Quais os principais critérios q ue
você considera no projeto do arran­ Tipo de estudante
jo físico de um supenuercado? Facilidade
c. Que mudanças ambientais ou com­ 1 2 3 4 5 6
petitivas podem resultar na necessi­ MáqUina de refrigerantes X X X
dade de mudar o arranjo físico dos Bar de bebidas X X
supermercados do futuro? Essas Máqui na de bebidas quentes X X X
mudanças aplicam-se a todos os su­ Máquina de cigarro X X
permercados ou apenas a alguns, Bar de sanduíches X X
como os pequenos supermercados Máquina de chocolate X X
de bairro?
6. O fluxo de materiais através de oito de­
partamentos é mostrado na Tabela 7.5. 8. A Tabela 7.7 mostra 12 elementos de
trabalho que se constituem no conteúdo
total de trabalho de uma tarefa de mon­
Tabela 7.5 Fluxo de materiais.
tagem. Usando a informação sobre tem­
01 02 03 04 05 D6 07 08 pos de duração e sobre as precedências
01 \ 30 na tabela, desenhe um d iagrama de
precedências e desenhe uma linha de
02 10 \ 15 20
montagem para produzir o mais próxi­
03
5 \ 12 2 15 mo possível de (mas não menos do
04 6 \ 10 20
que) três itens por hora. Calcule a per­
05
8 \ 8 10 12 da por balanceamento da linha.
06 3 2 30 9. Visite uma fábrica que tenha linhas de
3 13 \ 2 montagem e observe a forma das li­
nhas. Descubra o porquê de as linhas
10 6 15 \ terem as formas observadas.
ARRANJO FÍSlCO E FLUXO 239

Tabela 7.7 Conteúdo de trabalho da linha de GAITHER, N.; FRAZIER, B. V.; WEI, J. C. From job
montagem. shop to manufacturing cells. Production and Invento0'
Management Journal , v. 31, nº 4, 1990.
Elemento Duração Elemento(s) GREEN, T. J.; SADOWSKY, R. P. A review of cellular
número (mln) precedente(s) manufacturing assum pt ions and advantages and de­
sign techniques. Journal of Operatiom Management, v.
1 4 4, n ~ 2, 1984.
2 7
3 5 1 GUNTHER, R. E. ; JOHNSON, G. D.; PETERSON, R. S.
4 6 1,2 Currently practiced fo rm ulations of the assembly line
5 4 2 balance prob lem. JOlLrnal of Operations Managenrent,
6 3 2 v. 3, nº 3, 1983.
7 4 3 HYER, N. L.; WEMMERLOV, U. Group technology and
8 6 4,5 productivity. Harvard Business Review , v. 62, nU 4,
9 5 5,6 July/ Aug. 1984.
10 4 9
KARLSSON, C. Radically new prod uction systems.
11 6 8,10
International Journal of Operations and Production Ma­
12 6 7,11
nagement, v. 16, nU 11, 1996.
MALAS, G. H. Assembly line balancing: let's remove
10. Uma fábrica de bicicletas atualmente tbe m istery. Journal of Industrial Engineerillg,. May
tem um processo de montagem em li­ 1990.
nha de 20 etapas; com a matéria-prima
MELLOR, R. D.; GAU, K. Y. The facility layou t pro­
vindo por um lado da fábrica e as bici­
blem~ recent an d emerging trends and perspectives .
cletas acabadas saindo pelo outro. Ava­ Journal of Manufacturing Systems, v. 29, n" 5, 1996.
lie as implicações de se alterar o arranjo
físico para linha em forma de U. MILLER, J. G.; VOLLMANN, T. E. The hidden factory.
Harvard Business Review, Sept./Oct., v. 63, nO5, 1985.
11. Observe a preparação de uma refeição
em uma cozinha (faça você mesmo ou PRICKETT, P. E. Cell-based manufacturing systems:
observe outra pessoa fazendo). Repre­ design and implementation. International Journal of
Operations and Production Management, v. 14, nU 2,
sente graficamente o movimento ao re­
1994.
dor da cozinha e sugira formas de me­
lhoria no arranjo físico da cozinha. SCHULER, R. S.; WRITZMAN, L. P.; DAVIS, V. L. Mer­
ging prescriptive and behavioural approaches for offi­
12. Identifique duas operações de serviço
ce layout. JOlLr/wl of Operations Management, v. 1, nO
que usem um arranjo físico por produ­ 3, 1981.
to. Discuta as implicações dessa escolha
para a organização e para o cliente. SCHAFER, S. M.; MEREDITH, J. R. An empirically
based simulation study of functional versus cellular
13. Selecione uma empresa de sua escolha layouts with operations overlapping. International
e submeta seu arranjo físico a uma ava­ Joul'llal of Operations and production Management, v.
liação baseada na lista contida na seção 13, nO 2, 1993.
deste capitulo "Que faz um bom arranjo
SHAMBU, G.; SURESH, N. c.; PEGELS, C. C. Perfor­
físico?" mance evaluation of cellular manufacturing systems .
Intemational Joumal of Operations and Production Ma­
nagement, v. 16, n" 8, 1996.
LEITURAS COMPLEMENTARES
SULE, V. E. Manufacturing facilities: location planni ng
SELECIONADAS
and designo PWS-Kent, 1988.
BRANDON, J. A. Cel/ular manufacturing: integrated WINARCHIK, c.; CALDWEL, R. D. Physical interactive
technology and management, New York: John Wiley, simulation: a hands-on approach to facilities improve­
1996. ments. IlE Solutions, v. 29, nO 5, 1997.
FRANCIS, R. L.; WHITE, J. A. Facility layout and loca­ WU, B. Manufacturing system design and analysis . 2.
tion: an analytical approach. Prentice Hall, 1987. ed . Chapman and Hall, 1994.

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