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INFORMATIVO SEMANAL DE ECONOMIA BANCÁRIA – DE 8 A 12 DE JULHO DE 2019

AGENDA DA SEMANA NACIONAL


Período de Consenso de
Data Indicadores Nacionais Anterior
Referência Mercado
Reforma da Previdência: Votação em 1º turno do
Sem data - - -
Plenário

0,78% m/m 0,40% m/m


08/jul FGV: IGP-DI Jun/19
6,21% aa 6,92% aa

-0,02% m/m 0,13% m/m


10/jul IBGE: IPCA Jun/19
3,34% aa 4,66% aa

0,3% m/m 0,0% m/m


11/jul IBGE: Pesquisa Mensal de Comércio Mai/19
6,3% a/a 3,1% a/a

0,3% m/m
12/jul IBGE: Pesquisa Mensal de Serviços Mai/19 3,2% a/a
-0,8% a/a
Fonte: Bloomberg

Expectativa por possível votação da Quadro 1: IPCA – Var.% mensal e Acum. 12 meses
Reforma da Previdência no plenário da
1,40 6,0%
Câmara 1,20

Taxa de Inflação acum. 12 meses


5,0%
1,00 4,39%
Com a aprovação por 36 votos a 13 do parecer da reforma da
Taxa de Inflação mensal

0,80 4,0%
Previdência na Comissão Especial da Câmara, as atenções se voltam para
0,60 0,48
a votação no plenário em 1º turno. O presidente da Casa, Rodrigo Maia 3,34% 3,0%
0,40
(DEM-RJ), afirmou que pretende iniciar as discussões sobre o tema nesta 0,20 0,13 2,0%
terça-feira (09). Para ser aprovado, por se tratar de uma Proposta de 0,00
1,0%
Emenda Constitucional (PEC), são necessários os votos de 308 dos 513 -0,20 -0,02
-0,40 0,0%
deputados. Além disso, a aprovação da proposta exige a votação em
dois turnos. Após aprovação na Câmara, a proposta segue para análise
do Senado. A expectativa do mercado é que a reforma da Previdência Var. % Mensal Acum. 12 meses
seja aprovada na Câmara dos Deputados até o dia 18 de julho, antes do
início do recesso parlamentar, que se inicia no dia 19. Caso contrário, a
proposta será apreciada apenas em agosto. Fonte: IBGE. Projeção: Bloomberg

Na agenda de indicadores, o IBGE divulga na quarta-feira (10) o IPCA do mês de junho. O consenso do mercado, segundo coleta Bloomberg,
projeta deflação de 0,02% no mês, levando o índice a acumular alta de 3,34% em doze meses, forte desaceleração ante a taxa de 4,66%
observada no mês anterior. O expressivo recuo esperado é função da saída da base da forte alta de junho de 2018 (+1,26%), decorrente da
greve dos caminhoneiros. Além disso, devem contribuir para o recuo do índice: a queda dos preços dos alimentos in natura, refletindo a
melhora das condições de oferta, como já capturado pelo IPCA-15; a queda dos preços dos combustíveis, decorrente do movimento de queda
do preço do barril do petróleo no mercado internacional e pela sazonalidade favorável da safra da cana-de-açúcar (para a produção do etanol);
e a saída da tarifa adicional nas contas de energia elétrica, com a volta da bandeira verde.

Os números do IPCA devem reforçar o quadro inflacionário benigno, cujas projeções do mercado e do Banco Central já são inferiores a 4,0%,
abaixo da meta (4,25%) deste ano. Tal cenário, em conjunto à elevada ociosidade da atividade, e aprovação da reforma da Previdência, pelo
menos, em 1º turno no plenário da Câmara, podem levar o Banco Central a voltar a reduzir a taxa Selic já na próxima reunião do Copom, que
acontece nos dias 30 e 31 de julho.
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INFORMATIVO
INFORMATIVO
INFORMATIVO
SEMANAL
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DE ECONOMIA
DE
DEECONOMIA
ECONOMIA
BANCÁRIA
BANCÁRIA
BANCÁRIA
- DE-–29
DE
DEDE
10
8 AABRIL
12
14 DEA JULHO
3JUNHO
DE MAIO
DE
DE2019
2019
DE 2019

Com relação à atividade, na quinta-feira (11) o IBGE divulga o resultado


Quadro 2: Varejo e Serviços –
da pesquisa mensal do comércio de maio, que deve mostrar alta de 0,3% Índice com ajuste sazonal
no mês, no conceito ampliado (que inclui veículos e materiais de 116,0
construção), segundo coleta Bloomberg. A expectativa reflete os 114,0
112,0
resultados dos indicadores antecedentes já divulgados, que, de maneira
110,0
geral, mostraram um cenário relativamente positivo para o comércio no 108,0
mês: as vendas nos supermercados (Abras) avançaram 1,0%* em maio; o 106,0
fluxo de veículos leves (ABCR) subiu 0,9%, e as consultas de lojistas ao 104,0
102,0
SPC cresceram 1,0%*. Por outro lado, o emplacamento de veículos
100,0
(Fenabrave) registrou queda de 2,1%*. Caso o resultado se confirme, 98,0
mostrará alguma melhora em relação ao mês anterior, quando registrou 96,0
estabilidade (+0,0%). 94,0

jun/17

jun/18
dez/16

set/17

dez/17

set/18

dez/18
mar/17

mar/18

mar/19
Na sexta (12), o IBGE divulga o resultado do setor de serviços de maio,
cuja expectativa do mercado é de alta de 3,2% ante o mesmo mês do ano
anterior. Apesar do resultado positivo esperado, o setor segue com a Varejo restrito Varejo Ampliado Serviços
recuperação mais atrasada, se mantendo próximo ao nível visto no início Fonte: IBGE.

da retomada da atividade (janeiro de 2017), mostrando a falta de * Dados dessazonalizados pela Febraban

dinamismo do setor desde então.

Por fim, a FGV divulgou hoje (8) o IGP-DI de junho, o qual registrou alta
de 0,63% no mês, consideravelmente abaixo da expectativa de alta de
0,78%. Com o resultado, o índice acumula alta de 6,04% em 12 meses,
registrando mais uma desaceleração ante o mês anterior (6,92%), a
quarta seguida. A principal contribuição para a desaceleração veio do
arrefecimento dos preços industriais no atacado, refletindo a queda dos
preços dos combustíveis. Este é mais um resultado que deve pressionar o
Copom para que inicie o processo de ajuste dos juros já na próxima
reunião.

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INFORMATIVO
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DE
DEECONOMIA
ECONOMIA
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BANCÁRIA
- DE -29
–DEDE
DE
088ABRIL
AA12
13DE
ADE3JULHO
ABRIL
DE MAIO
DE
DE2019
2019
DE 2019

AGENDA DA SEMANA INTERNACIONAL

País ou Período de Consenso de


Data Indicadores Internacionais Anterior
Região Referência Mercado
08/07 EUA Crédito ao Consumidor Mai/19 US$ 17,0 bi US$ 17,5 bi
09/07 China Índice de Preços ao Consumidor (CPI) Jun/19 2,7% a/a 2,7% a/a
09/07 China Índice de Preços ao Produtor (PPI) Jun/19 0,2% a/a 0,6% a/a
10/07 EUA Ata da última reunião do Fomc - - -
0,0% m/m 0,1% m/m
11/07 EUA Índice de Preços ao Consumidor (CPI) Jun/19
1,6% a/a 1,8% a/a
-1,7% a/a 1,1% a/a
11/07 China Balança Comercial (Exportações / Importações) Jun/19
-4,6% a/a -8,5% a/a
0,2% m/m -0,5% m/m
12/07 Zona do Euro Produção Industrial Mai/19
-1,6% a/a -0,4% a/a
0,1% m/m 0,1% m/m
12/07 EUA Índice de Preços ao Produtor (PPI) Jun/19
1,6% a/a 1,8% a/a
Sem data China Novos Empréstimos Jun/19 ¥ 1700 bi ¥ 1180 bi

Fonte: Bloomberg
Quadro 3: EUA – Inflação ao Consumidor (CPI) –
Dados de inflação e ata do Fomc podem 3,2 Var.% a/a
2,9
levar a ajustes nas expectativas para a
2,7
trajetória de juros nos EUA 2,4

Nos EUA, destaque para a ata da última reunião do Fomc, que será 2,2 2,0
divulgada na quarta-feira (10); e os dados de inflação ao consumidor
1,7
e ao produtor referentes ao mês de junho, que serão conhecidos na
1,6
quinta (11) e sexta-feira (12), respectivamente. Apesar do Fomc
1,2
(Comitê de Política Monetária do Fed/EUA) ter mantido a taxa de
out-18

abr-19
jun-18
jul-18

nov-18

jan-19

mai-19
jun-19
set-18

dez-18

fev-19
ago-18

mar-19

juros estável na última reunião, a interpretação do comunicado pós-


reunião foi que é iminente o início de um novo ciclo de cortes de CPI A/A CPI Núcleo A/A
juros. Fonte: Bloomberg

Desta forma, a ata da última reunião pode trazer ajustes na comunicação do colegiado, indicando se a tendência é que de fato ocorra o início
de um novo ciclo de cortes de juros, e se sim, em que intensidade. Nesta mesma linha, os dados de inflação que serão divulgados na semana
trarão informações adicionais ao mercado neste sentido. A inflação ao consumidor tem se mantido abaixo da meta de 2,0% (ficou em 1,8% em
maio), levantado preocupações junto ao Fomc dos efeitos negativos da persistente baixa inflação no país. A expectativa do mercado é de
desaceleração para 1,6%, que caso se concretize, deve aumentar as apostas em um ciclo mais intenso de redução dos juros.

Na China, destaque para o resultado da balança comercial de junho, que será divulgado na quinta-feira (11). Os dados tem mostrado perda
expressiva do ímpeto do comércio exterior chinês. O consenso do mercado projeta nova queda das exportações (-1,7%) e das importações (-
4,6%) em relação ao mesmo período do ano anterior, que caso se confirme, reforçará o sentimento de pessimismo com a economia global.
Ainda na China, cabe destacar os dados de inflação ao consumidor e produtor, que serão divulgados na terça-feira (9). Neste caso, as atenções
são para o efeito da peste suína sobre a inflação do país asiático. Em maio, a inflação ao consumidor atingiu 2,7%, o maior nível em 15 meses,
e a expectativa é que se mantenha estável neste nível. Por fim, cabe destacar o resultado da produção industrial de maio da Zona do Euro, que
será divulgada na quinta-feira (12), e cuja expectativa do mercado é de ligeira alta no mês, de 0,2%, devolvendo apenas parcialmente a queda
acumulada de 0,9% dos dois meses anteriores.
INFORMATIVOINFORMATIVO SEMANAL DE
SEMANAL DE ECONOMIA ECONOMIA
BANCÁRIA - DEBANCÁRIA – DE 8 A A1201DEDEJULHO
25 DE FEVEREIRO MARÇODEDE
2019
2019 3
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Análise Especial

O que explica o elevado volume de IED?

Os dados dos últimos meses têm mostrado um avanço significativo entre créditos recebidos do exterior menos as amortizações
no ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) no país. Como pagas ao exterior. Estes últimos podem ser subdivididos em:
reportado no boletim da semana passada, o IED registrou entrada de
a. Empréstimos concedidos pelas matrizes sediadas no
US$ 7,1 bi no mês de maio, acumulando US$ 96,6 bi em doze meses,
exterior a suas subsidiárias ou filiais estabelecidas no
representando 5,19% do PIB, maior nível percentual desde o início
Brasil;
da série histórica (iniciada em dezembro de 1995). Chama atenção,
b. Concessão de crédito pelas subsidiárias ou filiais no
no entanto, que os números vão na contramão aos dados de
exterior a suas matrizes no Brasil;
atividade econômica (PIB e investimento), que seguem bastante
deprimidos. Dessa forma, uma pergunta que surge é: de onde vêm c. Operações entre empresas irmãs (empresas que
esses valores tão altos de IED, aparentemente, incompatíveis com o possuem uma mesma matriz e que possuem entre si
estágio de recuperação econômica do Brasil? uma participação menor que 10% do capital social).

O Banco Central considera como investimento estrangeiro direto no O quadro 4 apresenta a série histórica do IED e de seus
país os fluxos financeiros de passivos entre residentes e não componentes em percentual do PIB (acumulados em 12 meses). É
residentes, sendo dividido em dois componentes: possível observar que o volume de IED mostrou uma aceleração
expressiva nos últimos meses, saindo de 3,24% em abril de 2018
1. Participação no capital - considera as entradas de recursos em
para os atuais 5,19% do PIB (+1,95 pp). Além disso, o valor registrado
moedas ou bens relativos à aquisição, subscrição ou aumento
agora em maio superou o ingresso de IED observado em maio de
total (ou parcial) do capital social das empresas residentes por
2001, de 5,09% do PIB, antiga máxima histórica da série.
estrangeiros.

2. Operações intercompanhia - incluem operações de crédito


entre o mesmo grupo econômico, e correspondem a diferença

Quadro 4: IED e seus componentes (Participação do Capital e Operações Intercompanhia) – % do PIB


6,00%

5,09% 5,19%
5,00%

4,00%

2,93%
3,00%
2,26%
2,00%

1,00%

0,00%
nov/96
set/97
jul/98

set/02
jul/03

set/07
jul/08

set/12
jul/13

mar/15

set/17
jul/18
mai/99

mai/04

mai/09

mai/14

mai/19
mar/00

nov/01

mar/05

nov/06

mar/10

nov/11

nov/16
jan/96

jan/01

jan/06

jan/11

jan/16

-1,00%
IED Op. Intercompanhia Part. Capital

Fonte: Bacen
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INFORMATIVO SEMANAL DE ECONOMIA BANCÁRIA - DE 8 A 12 DE JULHO DE 2019

Dentre seus componentes, o volume de ingresso de IED via participação no capital segue andando relativamente de lado desde o início da
recuperação da atividade econômica brasileira, iniciada em janeiro de 2017, tendo ficado em 2,93% do PIB agora em maio. E diferente do IED
total, este componente está longe da máxima histórica atingida no ano 2000, e ainda abaixo do volume que ingressou no país em 2011. Dessa
forma, fica evidente que não é via entrada de recursos relativos à aquisição de capital social que o volume de IED vem aumentando
recentemente.

As operações intercompanhia, por sua vez, aumentaram sua participação de forma significativa nos últimos meses, passando de 0,37% do PIB
em abril de 2018 para 2,26% em maio de 2019 (+1,89 pp), atingindo, inclusive, seu pico na série histórica. Fica claro, portanto, que são das
operações intercompanhia que estão vindo os elevados ingressos de IED no país.

Assim, convém buscar entender um pouco melhor as entradas de Quadro 5: Operações Intercompanhia – crédito
recebido do exterior e amortizações (% do PIB)
recursos externos via operações intercompanhia. O quadro 5
5,00%
4,8%
abre tal divisão em outros dois subcomponentes:
4,00%
i. Crédito recebidos do exterior (+);
3,00%
ii. Amortizações (-);
2,5%
Os créditos recebidos entram com sinal positivo, ou seja, 2,00%

aumentam o volume de IED, enquanto as amortizações reduzem.


1,00%
Pode-se observar que, no período recente, houve tanto um
aumento dos créditos recebidos do exterior quanto uma queda 0,00%
mai/98
mai/96

mai/00
mai/02
mai/04
mai/06
mai/08
mai/10
mai/12
mai/14
mai/16
mai/18
das amortizações pagas ao exterior; ambos influenciando o
movimento de alta do volume de IED via operações Créditos recebidos do exterior
intercompanhia. Fonte: Bacen Amortizações pagas ao exterior

Buscando aprofundar um pouco mais, abriu-se as subdivisões das Quadro 6: Operações Intercompanhia – Crédito líquido de
operações intercompanhia por sede da empresa de origem amortização – por origem da sede da empresa (% do PIB)

(nacional com filial no exterior, estrangeira com filial no Brasil, ou 2,00% 2,0%
empresas irmãs). O quadro 6 mostra o volume de crédito líquido
1,50%
(de amortizações) recebido para cada tipo de empresa, como
percentual do PIB. 1,00%

De um lado, observa-se que as concessões líquidas de crédito 0,50%


0,3%
pelas empresas cujas matrizes sediadas no exterior e que 0,00% 0,0%
possuem filiais no Brasil, e as operações entre empresas irmãs
-0,50%
mantêm-se relativamente constantes e pouco representativas
nos últimos meses. De outro lado, nota-se um expressivo
aumento da entrada líquida de empréstimos pelas subsidiárias ou Matriz no exterior e filial no Brasil
Filial no exterior e matriz no Brasil (investimento reverso)
filiais no exterior para a empresa matriz brasileira, o chamado
Empresas irmãs
investimento reverso. Tais operações saltaram de 0,2% do PIB em
Fonte: Bacen
julho de 2018 para 2,0% em maio de 2019.

Apenas para reforçar a importância de tal movimento, desde abril de 2018 até maio deste ano, tais operações saltaram 1,76 pp do PIB,
enquanto o volume total de IED aumentou 1,95 pp, ou seja, representando 90,5% do total do aumento em relação do PIB do volume de
IED. Neste mesmo período, o recebimento de crédito de empresas com sede no Brasil por suas filiais no exterior passou de uma
representatividade de apenas 7,1% do total de IED para 38,3% do total, um volume bastante considerável.
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Podemos concluir, portanto, que é este movimento que vem gerando o forte aumento no ingresso de investimento estrangeiro direto no
país nos últimos meses. O aumento das operações de crédito entre empresas brasileiras com filiais no exterior pode decorrer de vários
fatores. Podemos trabalhar com algumas hipóteses (que podem ou não ser convertidas em investimento produtivo):

1. Dificuldade financeira da matriz: As filiais no exterior mandam dinheiro via crédito para suprir as necessidades de caixa da matriz, as
quais podem estar enfrentando algum tipo de dificuldade, dado o baixo dinamismo da economia local.

2. Depreciação cambial: Pensando em investimentos futuros no Brasil, o câmbio desvalorizado torna vantajoso trazer o dinheiro para o
país, pois pode ser traduzido em investimentos mais baratos com uma possível futura apreciação do real. Este, sim, de caráter
produtivo. Por sinal, a cotação do real/dólar chegou a ultrapassar os R$ 4,10 em agosto de 2018, período em que se iniciou o forte
ingresso de crédito das filiais externas a sede no Brasil.

3. Ganhos de tesouraria: Perspectiva de apreciação cambial; ganho via diferencial de juros; perspectiva otimista com mercados locais;
entre outros, são fatores que podem ter impulsionado o ingresso de tais recursos.

Vale citar que são apenas hipóteses, e que uma explicação exata para tal fenômeno ainda merece futuras investigações. De toda forma, o
ponto relevante é que atualmente o elevado ingresso de IED parece refletir de maneira apenas parcial o real apetite dos investidores
estrangeiros em investimentos produtivos no Brasil, cujo dado agregado tem sido inflado de forma expressiva por operações de crédito
entre empresas brasileiras com filiais no exterior.

As operações de participação no capital, que medem as aquisições de capital por estrangeiros, não mostram um quadro tão benigno. O nível
atual, de cerca de 2,9% do PIB, está bem abaixo da máxima de 5,3% registrada em janeiro de 2000 (beneficiada pelo processo de
privatizações), e do volume de 3,6% atingido em 2011, impulsionado pela recuperação pós-crise 08/09, embora o nível atual seja superior ao
período da crise 2015/16, quando esteve abaixo de 2,0%.

Em suma, a análise buscou mostrar que boa parte do elevado ingresso de recursos de IED é proveniente de operações de crédito de
empresas brasileiras com filiais no exterior, enquanto as operações de aquisição de capital de empresas brasileiras por parte dos
estrangeiros apresentam um comportamento moderado, mais compatível com o atual estágio da recuperação econômica. De toda forma,
com o encaminhamento das reformas econômicas, não só da Previdência, mas também tributária e o avanço do processo de privatizações e
concessões, o volume de IED com recursos estrangeiros para aquisição de capital deve aumentar e ser um dos vetores do processo de
recuperação econômica e de incremento do investimento produtivo no país. Em outras palavras, caso o país avance nas reformas
estruturais, é possível esperar uma entrada ainda mais expressiva de investimentos externos, decorrente especialmente dos estrangeiros e
não apenas de subsidiárias de empresas brasileiras no exterior.

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ÚLTIMOS INDICADORES
ACONTECIMENTOS ECONÔMICOS NACIONAIS
Atividade
Indústria tem outro mês fraco e deve Quadro 7: Indústria Extrativa e Indústria de
Transformação – série com ajuste sazonal
amargar retração pelo 3º seguido 105 95

A produção industrial nacional, segundo dados do IBGE, registou 100


90
retração de 0,2% na passagem de abril para maio, em linha com o
95
esperado pelo mercado (-0,3%), praticamente devolvendo a alta
90 85
do mês anterior (+0,3%). Na comparação com maio de 2018, a
indústria registrou avanço de 7,2%, decorrente, entretanto, da 85
80
fraca base de comparação (greve dos caminhoneiros).
80
Dentre as grandes categorias, a queda do mês foi influenciada
75 75
jul/17
set/17

jul/18
set/18
mai/17

nov/17

mar/18
mai/18

nov/18

mar/19
mai/19
jan/18

jan/19
pelo fraco desempenho das categorias de bens de consumo
duráveis (-1,4%) e semi e não duráveis (-1,6%). Na contramão, a
categoria de bens de capital subiu 0,5% no mês, o quarto avanço Extrativa - esq. Transformação - dir.
Fonte: IBGE
consecutivo; enquanto a indústria de bens intermediários
registrou avanço de 1,3%, após quatro quedas consecutivas, Quadro 8: Produção Industrial - Var.% trimestral (carry
over para o 2º tri/19)
refletindo a melhora da atividade extrativa.
2,5%
2,2%
Em relação as 26 atividades que fazem parte da pesquisa, 18
registraram queda no mês. Pior resultado desde maio de 2018, e 1,2%
igual ao patamar apresentado no último mês de novembro. As
maiores quedas foram observadas na produção de couro e
artefatos (-7,1%), produtos diversos (-5,8%) e madeira (-4,4%). Do 0,0%
-0,6% -0,5%
lado positivo, destaque para a indústria extrativa que registrou
-1,2%
alta de 9,2%, interrompendo quatro quedas seguidas. De toda
forma, o resultado apenas compensa parcialmente os resultados
negativos apresentados no início do ano em função do acidente
-2,8%

de Brumadinho, e acumula queda de 13,2% nos primeiros meses


3T17 4T17 1T18 2T18 3T18 4T18 1T19 2T19
de 2019, em relação ao mesmo período do ano anterior. Fonte: IBGE

Com o resultado de maio, o carry over estatístico do setor para o segundo trimestre do ano está em -0,5%. Em outras palavras, se a produção
industrial ficar estável em junho, o setor irá registrar retração pelo terceiro trimestre seguido. Para não apresentar queda no 2° tri do ano, a
produção industrial deve avançar 1,6% no mês, resultado pouco provável diante do baixo dinamismo da atividade econômica. A última vez
que o setor cresceu em um mês em tal intensidade (ou mais) foi em dezembro de 2017 (+2,8%), desconsiderando junho do ano passado
(+12,6%), mês atípico devido a base fraca de comparação do mês anterior (-11,0%).

Em suma, o setor industrial segue registrando uma performance muito fraca, devendo registrar queda pelo terceiro trimestre seguido. A
expectativa é que a indústria volte a trajetória de recuperação no segundo semestre, impulsionado pela melhora da confiança interna com a
aprovação da reforma da Previdência.

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Setor Externo
Corrente de comércio perde força no importações fecharam o semestre em US$ 83,8 bi, avanço de

primeiro semestre do ano 0,8% em relação a igual período do ano anterior. No acumulado
de janeiro a junho, as importações de bens de capital (+5,4%) e
O saldo comercial de junho, divulgado pelo Ministério da
bens intermediários (+1,9%) mostraram avanço, enquanto bens
Economia, registrou superávit de US$ 5,0 bi, queda de 4,2%, pela
de consumo (-6,4%) e combustíveis e lubrificantes (-0,9%)
média diária, ao registrado em junho de 2018 (US$ 5,8 bi). Com o
mostraram queda; todos em comparação com igual período do
resultado, o saldo comercial do primeiro semestre do ano ficou
ano anterior.
em US$ 27,1 bi, valor 8,9% inferior ao registrado no mesmo
período do ano passado (US$ 30,0 bi). Em geral, a corrente de comércio externo do Brasil se encontra
comprometida por uma série de fatores. Do lado das
Neste período, a corrente de comércio recuou 0,7% ante os
exportações, pesa a desaceleração econômica mundial, em
primeiros seis meses do ano anterior, com resultado fraco tanto
especial, a crise econômica da Argentina, principal destino das
do lado das exportações, como importações.
manufaturas brasileiras, cujas exportações totais recuaram 41,1%
As exportações foram de US$ 18,0 bi no mês, retração de 0,8% no 1º semestre. Além disso, a peste suína na China, que tem
ante junho de 2018, pela média diária. No acumulado em 2019, prejudicado as exportações do complexo soja também
as exportações somam US$ 110,9 bi, queda de 1,8% em relação prejudicou o resultado do período. Do lado das importações, o
ao mesmo período do ano passado. O resultado negativo do resultado é negativamente impactado pela lenta recuperação
semestre reflete a queda nos manufaturados (-4,7%) e da econômica.
categoria de operações especiais que não registrou transação
Alguns fatores podem amenizar a queda nas exportações
neste ano, ante exportações de US$ 2,7 bi em 2018,
brasileiras neste ano, como a alta dos preços do minério de ferro
impulsionadas pela contabilização das vendas de plataformas de
e a maior demanda por carne suína pela China, além da alta de
petróleo no ano passado. Por outro lado, os produtos básicos
seus preços (esperada principalmente para o segundo semestre).
registraram alta de 4,8%, seguidos pelos semimanufaturados
(+0,4%). De toda forma, o saldo comercial deve permanecer robusto,
fechando o ano com superávit acima dos US$ 50 bi.
Já as importações apresentaram ligeiro avanço de 0,5% em
relação a junho de 2018, somando US$ 13,0 bi no mês. As

Quadro 9: Saldo Comercial – Acumulado em 12 Quadro 10: Exportações e Importações – Mês a


80,0 meses – Em US$ bi Mês em 2018 e 2019 – Em US$ bi
24,0
70,0 67,1 22,0
60,0 20,0
56,9
50,0 18,0
40,0 16,0
30,0 14,0
20,0 12,0
10,0
10,0
0,0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez
Exportações 2019 Exportações 2018
Importações 2019 Importações 2018

Fonte: Bacen Fonte: Bacen

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INFORMATIVO SEMANAL DE ECONOMIA BANCÁRIA – DE 8 A 12 DE JULHO DE 2019

CRÉDITO/BANCOS

Pesquisa Febraban de Economia Bancária e Expectativas


A Pesquisa Febraban de Economia Bancária, realizada com 19 Tal melhora foi observada na projeção para o crédito de aquisição
bancos entre os dias 26 de junho a 02 de julho, captou ligeira piora de veículos (de 13,2% para 14,0%), enquanto houve alguma piora
na projeção média para o desempenho da carteira total de crédito marginal na projeção para o crédito pessoal (de 11,2% para 11,1%).
neste ano, de expansão de 6,8% (na pesquisa de maio) para 6,4%.
Ainda para 2019, cabe citar que houve piora pela terceira pesquisa
Tal resultado está em linha com os últimos dados de crédito, que consecutiva para o comportamento esperado da inadimplência da
mostraram arrefecimento do crescimento da carteira PJ livre, e carteira livre. Agora em julho, a projeção ficou em 3,8%, ante
intensificação da retração da carteira direcionada total. Além disso, projeção de 3,7% em maio. Tal fato pode ser explicado pela
pesam as constantes revisões baixistas para o crescimento do PIB decepção com a recuperação econômica e seus efeitos negativos
de 2019. O comportamento captado na pesquisa é similar às para o mercado de trabalho.
projeções divulgadas recentemente pelo Bacen, que espera
Para 2020, houve melhora marginal na projeção média para a
crescimento de 6,5% para a carteira total de crédito neste ano.
carteira total (de 7,8% para 7,9%), decorrente tanto da revisão para
A revisão para baixo da projeção para o crédito total decorre de cima da projeção da carteira livre (de 10,8% para 10,9%), quanto
expectativas mais modestas para o desempenho do crédito direcionada (de 4,0% para 4,1%). Pode-se acreditar que os
direcionado, cuja projeção para este ano recuou de expansão de economistas consultados estejam transferindo parte do
1,9% (em maio) para 1,3%; e do crédito Livre PJ, em que a expansão crescimento esperado até então para este ano, para o ano que vem,
média projetada ficou em 9,5% (ante 10,0% em maio). como fica claro com o aumento da projeção para o crédito Livre PJ,
de 10,8% para 11,0% para 2020, a despeito da revisão para baixo do
Por outro lado, a projeção para o crescimento da carteira livre
crescimento deste ano.
mostrou melhora marginal, de expansão de 10,9% (em maio) para
11,0% agora em julho, em função das expectativas mais otimistas O quadro 11 apresenta o resultado consolidado da pesquisa,
para o crédito livre PF, cuja projeção média ficou em 12,4% (ante comparando com o resultado da pesquisa de maio.
11,8% em maio).

Quadro 11: Projeções para o Crescimento da Carteira de Crédito (Pesquisa Febraban de Economia Bancária)

2019 2020
Projeções para Saldo de Crédito e Inadimplência
(média entre as instituições) Pesquisa Pesquisa Pesquisa Pesquisa
Maio/19 Julho/19 Abr/19 Mai/19
Carteira Total (var. % nominal, fim de período, total do SFN) 6,8 6,4 7,8 7,9
Recursos Direcionados (var. % nominal, fim de período, total do SFN) 1,9 1,3 4,0 4,1
Recursos Livres (var. % nominal, fim de período, total do SFN) 10,9 11,0 10,8 10,9
Pessoas Jurídicas (var. % fim de período, total do SFN c/recursos livres) 10,0 9,5 10,8 11,0
Pessoas Físicas (var. % fim de período, total do SFN c/ recursos livres) 11,8 12,4 10,7 10,8
Crédito Pessoal (var. % nominal, inclui consignado) 11,2 11,1 10,0 9,7
Aquisição de Veículos (var. % nominal, inclui leasing) 13,2 14,0 10,8 12,4
Taxa de Inadimplência (% da Carteira Livre, fim de período, acima de 90 dias) 3,7 3,8 3,6 3,7

Fonte: Pesquisa Febraban de Economia Bancária

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Em relação ao sentimento dos participantes sobre a economia na próxima semana, como indicado nas declarações do
brasileira, os principais pontos captados pela Pesquisa Febraban de presidente Rodrigo Maia;
Expectativas foram:
• Não há consenso entre os participantes sobre o efeito líquido (se
• Todos os participantes acreditam que haverá um novo ciclo de expansionista, neutro ou contracionista) para o Brasil em relação
queda da taxa Selic. A dúvida é quanto ao timing. A maioria ao cenário externo esperado, de menor crescimento, mas, com
(63,2%) acredita que o novo ciclo se iniciará apenas na reunião maior liquidez. 31,6% dos participantes acreditam que o efeito é
de setembro, mas por uma expectativa de atraso na votação em expansionista; a mesma proporção acredita que o efeito é
plenário da reforma da previdência, que ficaria para depois do contracionista; enquanto 26,3% estimam com neutro; além dos
recesso. Nesse sentido, vários participantes indicaram que a 10,5% que não escolheram nenhuma das três alternativas.
chance de queda da taxa Selic ocorrer já em julho não é
• Os participantes da pesquisa acreditam que o potencial de
desprezível, caso a aprovação ocorra agora antes do recesso.
apreciação cambial com a aprovação da Reforma da Previdência
• Em relação ao tamanho do ciclo, 89,5% dos participantes (de 850 bi/10 anos) está entre baixo (com câmbio na faixa de R$
acreditam que deve ser de, pelo menos, 0,75 pp (ou seja, Selic 3,80), para 33,3%, a moderado (com câmbio na faixa de R$
indo para 5,75% aa), sendo que 47,4% apostam exatamente 3,70), para 38,9%.
neste cenário.
• Em relação ao mercado de crédito, a maioria dos participantes
• Quanto à mensagem do Copom sobre a necessidade de (88,9%) acredita que o ritmo de crescimento da carteira de
“avanços concretos” na agenda de reformas para consolidar o crédito livre continuará estável (para 61,1%), ou ainda poderá
cenário inflacionário benigno, 68,4% dos participantes interpreta acelerar (22,2%) em relação ao ritmo atual de expansão (em
que a aprovação da Reforma da Previdência em 1º turno no torno de 11,0%). Tal proporção é superior à pesquisa anterior
plenário da Câmara seria suficiente para satisfazer tal condição. (83,3%). E está em linha com os resultados apresentados
Tal constatação reforça o cenário de possibilidade de queda da anteriormente pela Pesquisa de Economia Bancária.
Selic em julho, caso a votação da Previdência aconteça nesta ou

Quadro 13: Entendimento sobre o termo “sinais


Quadro 12: Expectativa quanto à queda da Selic e se
concretos” na agenda de reformas usado pelo Copom
sim, quando
para consolidar o cenário inflacionário benigno
63,2% 68,4%

31,6%
15,8%
10,5%
5,3%
0,0%

Aprovação Aprovação Aprovação Aprovação Nenhuma


5,3%
da reforma da reforma da reforma da reforma das
0,0% da da da da anteriores
Previdência Previdência Previdência Previdência
Não haverá Sim. Já na Sim. Apenas na Nenhuma das na Comissão em 1º turno em dois em dois
reunião de reunião de anteriores Especial da no Plenário turnos no turnos no
Julho Setembro Câmara da Câmara Plenário da Plenário do
Câmara Senado

Fonte: Pesquisa Febraban de Economia Bancária Fonte: Pesquisa Febraban de Economia Bancária
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ÚLTIMOS INDICADORES
ACONTECIMENTOS ECONÔMICOS INTERNACIONAIS
No cenário internacional, os dados de atividade e mercado de Na outra direção, os dados do ISM (instituto de gestão de
trabalho vieram, em geral, acima do esperado nos EUA, levando o suprimentos) mostraram piora na passagem de maio para junho,
mercado a reduzir suas apostas em um ciclo agressivo de corte de tanto para a indústria, quanto serviços. No primeiro, o índice ficou
juros pelo Fomc, ajudando a fortalecer o dólar frente a uma cesta de em 51,7, pontos ante 52,1 em maio; para o setor de serviços, o
moedas. Tal fato se contrapôs ao cenário doméstico, onde o dólar indicador recuou de 56,9 para 55,1 pontos.
caiu em função da aprovação da reforma da Previdência na
Na Zona do Euro, o resultado do PMI mostrou números mistos. No
Comissão Especial da Câmara. Por outro lado, na Zona do Euro e na
caso da indústria, o indicador registrou ligeira piora ante maio,
China, os dados de atividade mostraram deterioração adicional,
recuando de 47,7 para 47,6 pontos, aprofundando em terreno
reforçando o quadro de baixo crescimento global em 2019.
contracionista (abaixo de 50 pontos). Para os serviços, o índice ficou
Nos EUA, a geração de vagas de emprego surpreendeu em 53,6 pontos, superior ao dado de maio (52,9). O resultado das
positivamente ao registrar incremento de 224 mil trabalhadores no vendas no varejo de maio decepcionou, ao registrar queda pelo
mercado de trabalho no mês de junho. O número foi superior à segundo mês seguido, de 0,3%, ante expectativa de expansão de tal
expectativa de geração de 160 mil vagas no mês, e reverteu a magnitude. Por fim, cabe destacar a forte desaceleração do índice
desaceleração observada em maio, quando apenas 72 mil vagas de inflação ao produtor, que recuou de 2,6% no acumulado em 12
foram criadas. Assim, a média móvel de 3 meses que vinha em meses, para 1,6% em maio, reforçando o quadro de baixa inflação,
desaceleração, saindo de cerca de 245 mil contratações líquidas por dando espaço para novos estímulos monetários na região.
mês em janeiro, para 150 mil em maio, voltou a mostrar alguma
Na China, os dados também mostraram piora em junho, ante maio.
melhora, e ficou em 170 mil.
No caso do PMI da indústria, o indicador permaneceu em 49,4
Na mesma direção, os dados finais de junho do PMI (índice de pontos, em terreno contracionista. Para o setor de serviços, o
gerentes de compras) tanto para o setor manufatureiro, quanto indicador recuou de 54,3 para 54,2 pontos. Já o índice Caixin,
serviços, mostraram melhora ante o mês de maio, ficando acima das calculado pelo setor público, recuou de 50,2 para 49,4 pontos para a
expectativas. No caso da manufatura, o indicador ficou em 50,6 manufatura, enquanto para os serviços ficou em 52,0 pontos, ante
pontos, ante 50,5 em maio, e acima da expectativa de 50,1 pontos 52,7 em maio.
do mercado. Para o setor de serviços, o resultado final ficou em 51,5
pontos, ante 50,9 em maio, e expectativa de 50,7 pontos.

Quadro 14: EUA – Geração de vagas de emprego – em Quadro 15: EUA, Zona do Euro e Europa – PMI
350
milhares 61,00
Manufatura
300
59,00
250 216 224 57,00
200 55,00
150 53,00

100 72 51,00

50 49,00

47,00
0
jun-17

jun-18

jun-19
set-17

set-18
dez-16

dez-17

dez-18
mar-17

mar-18

mar-19
mai-18

mai-19
jul-18
jan-18

mar-18

set-18

jan-19

mar-19
nov-18

EUA China Zona do Euro Neutro


Fonte: Bloomberg
Fonte: Bloomberg
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MERCADOS E
MERCADOS LOCAIS
EXPECTATIVAS
FOCUS – 2019 2020
Indicadores
Selecionados 05/07/19 28/06/19 07/05/19 Viés 05/07/19 28/06/19 07/05/19 Viés

IPCA (%) 3,80 3,80 3,89 1 3,91 3,91 4,00 1

PIB (% de crescimento) 0,82 0,85 1,00 q 2,20 2,20 2,23 1

Meta Selic - fim do ano (%a.a.) 5,50 5,50 6,50 1 6,00 6,00 7,00 1

Taxa de Câmbio - fim do ano


(R$/US$) 3,80 3,80 3,80 1 3,80 3,80 3,80 1

Fonte: Banco Central do Brasil

Variação %
Indicadores do Mercado 05/07/19 Na semana No mês No ano 12 meses
Taxa de câmbio (R$/US$) 3,82 -0,73% -0,73% -1,42% -2,81%
CDS Brasil 5 anos (em pontos) 145,99 -2,93% -2,93% -30,67% -44,31%
Juros DI 30 dias (% a.a.) 6,38 -0,34% -0,34% -0,40% -0,72%
Juros DI 1 ano (% a.a.) 5,65 -2,65% -2,65% -13,72% -27,51%
Juros DI 5 anos (% a.a.) 6,89 -1,99% -1,99% -22,15% -37,03%
Índice Ibovespa (em pontos) 104.089,50 3,09% 3,09% 18,44% 39,62%
IFNC (setor financeiro) 12.541,60 4,47% 4,47% 23,85% 64,20%
Banco ABC Brasil 18,85 -1,93% -1,93% 12,48% 25,74%
Banco Alfa 7,90 0,38% 0,38% 21,54% #VALOR!
Banco do Brasil 55,00 1,97% 1,97% 18,31% 84,63%
Banco Indusval 4,70 -5,05% -5,05% 41,91% 90,13%
Banco Inter 12,98 27,86% 27,86% 101,80% 455,89%
Banco Mercantil 8,86 -1,45% -1,45% 25,85% 66,85%
Banco Pan 10,20 14,22% 14,22% 423,08% 496,49%
Banco Pine 2,50 3,73% 3,73% 13,12% -4,21%
Banestes 6,03 7,30% 7,30% 46,00% 74,78%
Banrisul 25,09 5,64% 5,64% 13,12% 69,18%
Bradesco ON 35,11 4,96% 4,96% 24,47% 68,53%
Bradesco PN 39,41 4,43% 4,43% 22,36% 68,36%
BTG Pactual 56,11 10,28% 10,28% 138,26% 206,61%
Itaú Unibanco ON 31,80 2,15% 2,15% 5,82% 29,31%
Itaú Unibanco PN 37,40 3,14% 3,14% 5,35% 34,53%
Santander 47,41 4,29% 4,29% 11,03% 60,93%
Fonte: Bloomberg

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INFORMATIVO
INFORMATIVO
SEMANAL
SEMANAL
D ECONOMIA
DE ECONOMIA
BANCÁRIA
BANCÁRIA
- DE 29
– DE
DE8ABRIL
A 12 DE
A 3JULHO
DE MAIO
DE 2019
DE 2019

Variação %
Indicadores do Mercado 05/07/19
Na semana No mês No ano 12 meses
Fed Funds (% a.a.) 2,50 0,00% 0,00% 0,00% 25,00%
T-NOTE - 2 anos (% a.a.) 1,86 5,95% 5,95% -26,10% -27,11%
T-NOTE - 10 anos (% a.a.) 2,03 1,43% 1,43% -25,18% -28,11%
Dollar Index 97,29 1,20% 1,20% 0,92% 3,06%
Índice S&P 500 (em pontos) 2.990,41 1,65% 1,65% 20,30% 9,27%
Índice de ações de bancos - EUA 101,16 0,95% 0,95% 13,87% -12,09%
Índice Euro Stoxx 50 3.527,98 1,56% 1,56% 18,13% 2,53%
Índice de ações de bancos - Zona do Euro 92,04 4,42% 4,42% 6,09% -18,55%
Barril de Petróleo - tipo Brent (US$) 64,23 -3,49% -3,49% 23,05% -17,00%
Fonte: Bloomberg

Diretoria de Regulação Prudencial, Riscos e Economia


economia@febraban.org.br

Rubens Sardenberg
Jayme Alves
Luiz Fernando Castelli
Douglas Nishida
Daniel Casula

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