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R EPÚBLICA F EDERATIV

EDERATIV A
TIVA DO B RASIL
Presidente: Fernando Henrique Cardoso
Vice-Presidente: Marco Antonio de Oliveira Maciel

M INISTÉRIO DO M EIO A MBIENTE


Ministro: José Sarney Filho
Secretário-Executivo: José Carlos Carvalho
Secretário de Biodiversidade e Florestas: José Pedro de Oliveira Costa
Diretor do Plano Nacional de FLorestas: Raimundo Deusdará Filho
Gerente do Projeto de Uso Sustentável dos Recursos Florestais: Newton Jordão Zerbini

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A AGRICULTURA E ALIMENTAÇÃO - FAO


Subdiretor Geral do Departamento de Florestas: Hosny El-Lakane
Chefe de Políticas e Instituições Florestais: Manuel Paveri Anziani
Subdiretor Geral para América Latina e Caribe: Gustavo Gordillo de Anda
Chefe de Operações: Roberto Samanez Mercado
Representante no Brasil: Richard W. Fuller
Estado da Arte da Certificação Florestal
M INISTÉRIO DO M EIO A MBIENTE
P ROJET
ROJETOO UTF/BRA/047 (A GEND A P OSITIV
GENDA OSITIVAA PARA O S ET OR F LOREST
ETOR AL
ORESTAL NO B RASIL )
Diretor Nacional: Raimundo Deusdará Filho
Coordenador: Newton Jordão Zerbini

Consultor
Humberto Angelo

Editoração
Patrícia da Gama
Capa
Eduardo da Gama
Humberto Angelo

Estado da Arte da Certificação Florestal

M INISTÉRIO DO M EIO A MBIENTE


B RASÍLIA
1999
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

INTRODUÇÃO
Os países do Hemisfério Norte, com a liderança da Comunidade Européia, começa-
ram a exigir que determinados produtos, para entrarem em seus mercados, deveriam
possuir um aval de qualificação ambiental. Entre estes produtos encontravam-se os de
base florestal, como a madeira para a indústria moveleira e a celulose para papel.
O início de adoção dessas medidas começou a ser visto por muitos setores, como um
instrumento de retaliação aos países em desenvolvimento, devido ao aumento de
competitividade no mercado industrializado do Primeiro Mundo. Entretanto, fica muito
difícil justificar, por exemplo, que um produto oriundo de exploração de uma Floresta
Nacional de forma clandestina tenha a mesma oportunidade no mercado de produtos
oriundos de florestas que praticam o manejo sustentado.
Existe uma preocupação mundial cada vez mais forte no sentido da conservação dos
recursos naturais. O Brasil destaca-se neste cenário, principalmente pelo seu patrimônio
florestal. Uma das maneiras encontradas pelos países de dependências florestais para
tentar diminuir a pressão sobre as florestas foi colocar exigências aos países detentores
desse patrimônio, exigindo-se, por exemplo, um modelo de certificação ou rotulação das
florestas ou dos produtos derivados. Neste sentido criou-se como referencial de qualida-
de a exigência da produção da madeira sob um plano de manejo florestal ambiental,
social e economicamente sustentável.
A certificação florestal é o processo de análise das práticas de uso da floresta, docu-
mentado por escrito, seguindo parâmetros objetivos e replicáveis por terceiros. A
certificação florestal é um atestado de qualidade para ser apresentado ao mercado con-
sumidor. A qualidade não se restringe apenas àquela intrínseca do produto, mas tam-
bém está ligada ao processo fabril e a todos os parâmetros que a empresa possui para
atender e satisfazer aos consumidores. É considerado um instrumento influenciador a
ser adotado pelas empresas para conseguir promover seus produtos ou linhas de produ-
ção ambiental e socialmente saudáveis e sustentáveis (FSC, 1998). Para o empresário, a
certificação pode ser um instrumento de marketing ou representar redução de custos e
aumento verticalizado de produtividade da empresa.
A certificação pode possuir enfoques diferentes, principalmente a gestão de qualida-
de e a gestão ambiental, que juntas caracterizam a gestão total almejada pelas empresas.
A meta principal da certificação da matéria-prima de origem florestal é valorizar os
produtos que utilizam critérios ambientais, sociais e econômicos inseridos no conceito
do desenvolvimento sustentável.
Várias entidades surgiram com a finalidade de credenciar e/ou certificar as florestas
ou produtos originários destas. Pode-se citar como exemplos Forest Stewardship Council
(FSC), Center for International Forestry Reseach (CIFOR), Rainforest Alliance, Smart Wood,
Cerflor (Sociedade Brasileira de Silvicultura), Instituto Brasileiro de Certificação Florestal
e Agricola (IMAFLORA), entre outras. Existem, ainda, outros processos de certificação
que tratam da qualidade ambiental de produtos e linhas de produção como as séries

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PROGRAMA NACIONAL DE FLORESTAS

ISO. A grande maioria das entidades certificadoras adotam em seus documentos de ava-
liação a série ISO de controle de qualidade.
O mundo possui cerca de 10 milhões de hectares de florestas certificadas por uma
das principais entidades certificadoras, o Forest Stewardship Council (FSC). Dos 24 paí-
ses pioneiros na certificação florestal pelo FSC, a Suécia lidera com 4.275.900 hectares,
distribuídos entre 13 empresas. O Brasil está em sexto lugar no ranking, com 383.549
hectares abrangendo seis empresas. Esta entidade tem como meta até o ano 2001 certi-
ficar 25 milhões de hectares de florestas.
A certificação é uma tendência em ascensão no mundo. Os consumidores estão cada
vez mais consciente da necessidade de se conservar as florestas para garantir o sustento
e a qualidade de vida no planeta.
O setor florestal brasileiro tem enorme potencial de expansão devendo direcionar
esforços no sentido de garantir a sustentabilidade dos seus recursos florestais, fazendo
da certificação uma ferramenta poderosa para atingir o objetivo.
O objetivo deste trabalho é mostrar de uma forma sucinta a situação da certificação
no setor florestal considerando não somente o manejo das florestas, mas também exa-
minando seus produtos, colocando, os principais pontos envolvidos na questão e ten-
tando diferenciar enfoques levados em consideração nos programas de certificação.

1. CONTROLE DE QUALIDADE E AS NORMAS ISO


As exigências crescentes de qualidade e produtividade, impostas pela globalização da
economia e conseqüente exposição desta à concorrência internacional, têm submetido
as organizações a transformações significativas, a fim de se adaptarem à nova realidade.
Através da melhoria da qualidade e produtividade, pode-se obter bons produtos e/ou
serviços a custos competitivos e, com isso, a empresa torna-se mais competitiva e asse-
gurará a sua sobrevivência.
A qualidade, a eficácia e a excelência passam a ser fatores imprescindíveis para as
empresas que pretendem ganhar e manter mercados. O fator qualidade ganha ênfase. O
controle de qualidade, que preconizou a inspeção do produto, evoluiu para tornar-se o
desafio da qualidade total.
Para garantir a permanência das empresas no mercado e torná-las competitivas em
nível global, a gestão e mensuração de custos da qualidade estão se tornando questões
estratégicas.
Segundo ROBLES JR. (1994), a gestão e mensuração dos custos proporcionam às em-
presas vantagens competitivas. Aquela empresa que se antecipar na implementação do
processo de gestão e mensuração de custos da qualidade certamente estará assumindo
também a liderança do processo de mudança organizacional.
ROTHERY (1993) definiu qualidade como sendo a totalidade dos fatores e caracterís-
ticas do produto ou serviço, que lhe confere a capacidade de satisfazer determinadas
necessidades. As normas ISO 9000 acompanham este conceito.

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MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

O conceito de uma empresa entre consumidores e profissionais é o ponto determinante


de sucesso ou fracasso. Quase sempre isso é conseqüência de avaliações informais e/ou
de troca de informações.
Se uma indústria tem produtos de boa qualidade e são facilmente encontrados, os
consumidores encarregam-se de promovê-los. O comerciante sabe se essa indústria é
um fornecedor que cumpre prazos, atende com eficiência eventuais reclamações. Os
profissionais também têm opinião sobre as chances do negócio prosperar. São impres-
sões legítimas e em geral verdadeiras, não implicando porém em resultados exatos e
rigorosos.
Na opinião de CAMPOS (1992), a qualidade não se restringe apenas à qualidade in-
trínseca do produto, mas também se preocupa com atendimento ao cliente, custos, moral
dos funcionários, ambiente e segurança, tanto dos usuários como dos funcionários.
Atualmente, as empresas estão preocupadas não somente com a qualidade do produto,
mas também com o processo fabril e com todos os parâmetros que a empresa lança mão
para atender e satisfazer aos consumidores. Essa preocupação desde os processos adminis-
trativos, industriais até o acompanhamento do produto junto aos consumidores é conhecida
como Total Quality Control (Controle de Qualidade Total - CQT), (ROBLES JR., 1994).
Segundo DRUMOND (1987), para implantação da CQT alguns parâmetros básicos
devem de ser levados em considerações pela empresa: definição de políticas claras pela
direção, clima organizacional voltado para o CQT, participação de todos os departamen-
tos no CQT e na sua implantação, participação de todos os empregados, em todos os
níveis e funções, realização do controle integrado (integração da qualidade, lucratividade
e quantidade) e finalmente educação e treinamento.
Levando isso tudo em consideração a International Organization Standardization (ISO),
um organismo mundial de controle de qualidade, criou procedimentos para avaliar as
empresas de forma sistemática: a série 9000.
O sistema ISO 9000 foi criado para servir como referencial de padrão de qualidade
dos produtos fabricados e comercializados na Europa Unificada. Esse sistema é hoje um
padrão de qualidade reconhecido em todo o mundo. Cada vez mais as empresas bus-
cam a certificação de qualidade em resposta às exigências do mercado, principalmente
o externo.
A padronização é a base do controle operacional em um processo industrial eficaz. A
produção artesanal não é economicamente viável, pois gera desuniformidade sendo ex-
cessivamente demorada, gerando custos elevados.
Na atualidade as empresas estão envolvidas em programas de qualidade visando
reordenar a gestão empresarial para atingir os níveis industriais das empresas que parti-
cipam da globalização de mercados. A padronização é importante, pois além de raciona-
lizar o trabalho garante a sustentabilidade da empresa.
A normas ISO estão sendo consideradas como uma das formas de se conseguir atin-
gir um padrão mínimo de qualidade, obtendo-se assim um passaporte simples de distri-
buição de mercadorias no exterior. Outras normas e procedimentos certamente tam-

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bém podem contribuir para atender um mundo cada vez mais exigente quanto ao quesi-
to qualidade, fazendo da normalização uma peça chave para alcançar a Qualidade Total.
No Brasil, o Inmetro, do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, é uma das
instituições cadastradas para a realização desses testes, que são financiados pelos can-
didatos interessados em promover seus produtos. Se o produto da empresa for aprova-
do recebe um selo de qualidade, que pode ser ISO 9001, 9002, 9003 ou 9004.
Segundo a REVISTA DA MADEIRA (1994), em 1994, o Brasil possuía cerca de 200
empresas certificadas. Do setor de base florestal, pelo menos cinco possuíam o certifi-
cado de qualidade, todas do segmento de papel e celulose.
Duas informações básicas devem de constar na proposta de certificação pretendida
por uma empresa: qual o tipo de produto ou serviço da empresa e quais suas dimensões
quanto ao número de funcionários, de plantas e escritórios. Com base nessas informa-
ções é que a empresa vai optar pela série da ISO 9000 em que melhor se enquadrar,
chegando à uma entidade credenciadora mais específica.
Cada um dos selos da ISO 9000 indica um tipo de avaliação diferente, adequado
àquele tipo de negócio. A ISO 9001, por exemplo, é a mais completa. Avalia as etapas de
projeto, desenvolvimento, produção e instalação. Ao todo são 20 itens de avaliação. A
ISO 9002 tem 19 itens a serem checados. É realizada a verificação da produção, instala-
ção e o atendimento pós-venda. A ISO 9003 possui 16 itens de avaliação. E assim por
diante.
Existe também a série ISO 14000. Nesse caso, a preocupação principal é verificar os
cuidados que as empresas possuem com o meio ambiente em suas atividades. Além de
ser importante para os consumidores, esse selo está sendo exigido por governos de muitos
países. No mercado o selo é conhecido como “selo verde”.
Confrontando-se a ISO 9000 e a 14000, verifica-se basicamente que são sistemas
diferentes, com estruturas e níveis de detalhamento distintos, terminologia, modelos e
linguagem também diferenciados para exigências semelhantes.
Segundo WYATT (1998), além das diferenças presentes no conteúdo, outras apare-
cem no momento da implementação de normas devido à desconsideração de afinida-
des, custos extras, ausência de informações sobre a integração, períodos de revisão de-
fasados e pelo fato de existirem muitas certificações ISO 9000 e poucas ISO 14000. As
certificações são múltiplas, faltando apoio aos sistemas combinados de órgãos
certificadores e consultores, assim como interpretações diferentes por parte de tercei-
ros. Assim, faz-se necessário o esclarecimento dos contratos e a separação dos enfoques.
Resumidamente: Qualidade visa a necessidade dos clientes, enquanto o Meio Ambiente,
as da sociedade.
Receber um certificado ISO é sinônimo de garantia dos serviços prestados. Com essa
filosofia de trabalho, as empresas estão buscando qualificar e melhorar o seu atendi-
mento ao público consumidor e/ou utilizador desses bens, ampliando seus espaços no
mercado externo, não perdendo de vista a qualidade ambiental.

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MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

2. CONTROLE DE QU ALID
QUALID ADE E A CERTIFIC
ALIDADE AÇÃO NO
CERTIFICAÇÃO
SETOR FL OREST
FLOREST AL
ORESTAL
Segundo TRINDADE et al. (1986), o primeiro sistema de qualidade implantado no setor
florestal foi a Vistoria de Qualidade (VQ), que surgiu no Estado de São Paulo em 1980,
onde periodicamente eram realizadas vistorias por equipe especifica, quase sempre da
própria empresa, notificando-se as situações que estavam fora das normas técnicas.
A partir de 1987, algumas empresas partiram para a aplicação do sistema participativo,
em que os executores das operações e as chefias de áreas faziam o próprio controle de
qualidade. Porém questões básicas como falta de comprometimento das pessoas com o
sistema, falta de treinamento, falta de auditorias de qualidade e falta de apoio da direção
geral da empresa fizeram com que os resultados obtidos ficassem abaixo do esperado.
Esses resultados quase sempre não eram considerados para análise como pontos estra-
tégicos da empresa.
Recentemente, com a implantação, nas industrias, do sistema de Qualidade Total e a bus-
ca de Certificação com base nas normas ISO, as empresas florestais integradas estão implan-
tando programas relâmpagos de Controle de Qualidade. Essa forma de implantação tem
acarretado um custo alto e os resultados são ainda incertos.
Hoje, mais do que nunca, a palavra chave em uma empresa é a qualidade. O desper-
dício está sendo perseguido com rigor e os materiais estão sendo aproveitados na sua
totalidade. Fazer certo da primeira vez, procurando minimizar ou mesmo eliminar as
perdas de todos os fatores, inclusive de tempo, é a diretriz que está norteando a direção
geral das empresas.
De maneira geral, as empresas têm procurado implantar programas de qualidade para
atender aos requisitos da certificação não somente de seus produtos, mas também dos
processos envolvidos. Assim também agem as empresas do setor florestal que utilizam
os programas de qualidade como uma das metas para atingir a certificação florestal,
optando, em uma primeira etapa, pela certificação da floresta e após, de seus processos
e produtos.
A certificação florestal é um processo que resulta num documento escrito, atestando a
origem da matéria-prima e seu status e/ou qualificações validados por “terceira-parte inde-
pendente”, baseando-se em princípios e critérios reconhecidos e aprovados (GARLIPP,1995).
Normalmente a certificação está baseada numa avaliação objetiva das operações en-
volvidas no manejo florestal, segundo padrões ou normas que obedecem princípios e
critérios aceitos internacionalmente, porém adaptados às condições regionais e locais. A
partir de uma avaliação favorável do processo produtivo e da cadeia de comercialização
(cadeia de custódia) a entidade certificadora emite um “selo / rótulo” que tem a finalida-
de de informar e garantir ao consumidor que o produto foi produzido de uma maneira
responsável do ponto de vista social, econômico e ambiental.
De acordo com FSC (1998), a não destruição das florestas é traduzida em crescentes exigên-
cias ambientais, sociais e econômicas aos mercados para produtos de origem florestal.

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Em função dessa preocupação, surgiram várias iniciativas de certificação, de rotulação,


de criação de selos no mercado visando garantir ao consumidor final que o produto que
consumia era originário de uma floresta manejada, assim não contribuía para sua des-
truição, mas para sua conservação. A proliferação desses rótulos, selos, e processos de
certificação provocou desconfiança quanto à sua confiabilidade aparecendo
credenciadores de certificados, que avaliavam, credenciavam e monitoravam os
certificadores e produtos florestais com credibilidade perante ao consumidor.
Estas entidades estabeleceram princípios e critérios básicos para uma certificação flo-
restal. No entanto, para que esse sistema seja coerente com as peculiaridades das forma-
ções florestais de cada país, devem ser estabelecidos padrões de desempenho locais, regi-
onais, nacionais que, interpretando os critérios gerais da entidade, impeçam que sejam
utilizadas regras inadequadas às regiões e países. “Como o Brasil tem a maior reserva de
floresta tropical do mundo e é um grande produtor potencial de madeiras tropicais e de
plantações florestais, espera-se que a certificação florestal seja um instrumento que contri-
bua para a conservação destas, garanta benefícios sociais às populações que vivem em
áreas de floresta e proporcione a conquista de novos mercados” ( FSC, 1998).
A base da certificação são parâmetros objetivos, replicáveis, reconhecidos internacio-
nalmente e adequados a cada tipo de floresta. Assim, com parâmetros de análises elabo-
rados seguindo uma estrutura lógica, será possível comparar os sistemas de produção
em todo o mundo e o consumidor que comprar um produto madeireiro certificado terá
garantia de que o sistema florestal, qualquer que seja ele, mantém sua integridade social,
econômica e ecológica.
O setor florestal brasileiro, como parte integrante do processo de produção industri-
al, também deverá se engajar nesse novo sistema organizacional. Melhorar a qualidade,
diminuir os custos, reestruturar e reengenheirar os processos são itens indispensáveis
para ser buscados pelo setor, tornando-o competitivo e, principalmente, sobrevivente.
Neste setor não se tem os números dos desperdícios. Pode-se inferir pelas suas carac-
terísticas que não são pequenos, e, quando contabilizados, deixarão alarmados a maio-
ria dos empresários florestais.
A certificação florestal tem como objetivos o acesso aos mercados com alto grau de
consciência ambiental, apresentar vantagem competitiva em relação à madeira não cer-
tificada; demonstrar transparência interna e externa das operações produtivas e comer-
ciais da empresa; promover a melhoria do manejo florestal e conseqüente aumento de
produtividade; conscientizar ambientamente a comunidade (interna e externa à empre-
sa) e legar às gerações futuras o usufruto de ecossistemas conservados.
O modelo de certificação florestal implementado pelas empresas até hoje, tem como
eixo principal dois núcleos básicos: o da qualidade de origem da matéria-prima, através
do manejo florestal e ambiental. Muitas empresas implementam a certificação exclusi-
vamente para atender o ponto de vista ambiental. Neste caso as normas baseadas na
série ISO 14000 fazem esse credenciamento.

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2.1. C ARACTERÍSTICAS , F UNDAMENTOS E C USTOS DA C ERTIFICAÇÃO


F L OREST AL
ORESTAL
Segundo GARLIPP (1995), em geral os sistemas de certificação florestal têm como
filosofia básica avaliar e monitorar os impactos ecológicos, sociais e econômicos da ati-
vidade. Todos preconizam a existência de planos de manejo documentados e
implementados, avaliam os procedimentos e atitudes legais, prevêem a participação e a
priorização de benefícios para as comunidades sob influência do empreendimento. Os
planos devem considerar a sustentabilidade da produção mediante conservação dos fa-
tores bióticos e abióticos dos ecossistemas florestais. Os procedimentos operacionais
devem, portanto, contribuir para a proteção dos recursos hídricos, edáficos, mantendo a
diversidade biológica.
A estrutura lógica da certificação consiste em parâmetros organizados sob a hierar-
quia de princípios, critérios e indicadores. De maneira geral, os princípios são mais ge-
rais, se aproxima do enunciado de metas e são internacionalmente aceitos. Os critérios e
indicadores são discutidos regionalmente para serem aplicáveis e relevantes para as
especificidades técnicas de cada sistema florestal (FSC,1998).
Os fundamentos para se estabelecer sistemas de certificação florestal são os mesmos
que regem os demais programas conhecidos. Nesse sentido, seu sucesso deve preencher
os seguintes requisitos: ter credibilidade perante o público e usuários; ser voluntário; ter
estrutura e procedimentos em conformidade com normas internacionais aceitas; ser claro
quanto aos seus objetivos e operação; permitir acesso eqüitativo a todos os fornecedores/
produtores interessados; ter reciprocidade e ser reconhecido internacionalmente; ter apli-
cação prática; oferecer benefícios, incentivar o melhoramento contínuo e promover a
sustentabilidade florestal; estar adaptado e ser compatível com as realidades ecológicas,
sociais, econômicas, culturais e legais da região (GARLIPP,1995 ; FSC,1998).
O custo do processo de certificação varia bastante. Além das taxas cobradas pelos
organismos credenciadores, existem os custos de implementação do sistema de opera-
ção e administração de acordo com as normas ISO, o que pode ser implementado com
recursos próprios subsidiados por uma consultoria (REVISTA DA MADEIRA,1994). Esta
mesma fonte, cita como exemplos de custo na implantação do processo de certificação
as empresas Riocell, grupo Imaribo e Champion, todas do setor de celulose e papel,
sendo que o grupo Imaribo também atua no setor de painéis de madeira. A Riocell levou
dois anos para implantação das normas, gastando cerca de US$ 675 mil, incluído o salá-
rio das pessoas diretamente envolvidas, encargos sociais, consultorias, passagens, esta-
dias, e o custo da própria certificação. O grupo Imaribo fez um investimento global da
ordem de US$ 2 milhões e 700 mil para implantação do programa de qualidade em suas
cinco empresas. A Champion gastou cerca de US$ 200 mil, durante 18 meses, na prepa-
ração de um grupo de funcionários que promoveria o levantamento das atividades a
serem normalizadas de forma adequada aos requisitos da ISO 9002.
Os valores dos investimentos mudam conforme as condições e proporções da em-
presa, mas o esforço sempre é recompensado trazendo benefícios imediatos.

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Desta forma, pode-se incluir o custo da certificação em três pontos básicos:


a) O custo de preparação para a certificação que inclui as alterações necessárias das
práticas de manejo e outras ações preliminares. Este custo é bastante variável de-
pendendo do estado da arte do manejo florestal da empresa.
b) O custo das pré-auditorias e auditorias que pode variar de US$ 2.000,00 a US$
80.000,00 de acordo com a escala e a complexidade da operação.
c) O custo da manutenção da certificação onde se incluem os custos das visitas de
reavaliação e a manutenção dos padrões mínimos exigidos pelo organismo
credenciador (AZEVEDO e VIANA,1996).
Em 1993, um levantamento da Agência de Proteção ao Meio Ambiente (EPA) dos Esta-
dos Unidos diagnosticou 13 programas de certificação cobrindo um largo espectro de
produtos em 11 países. Freqüentemente, esses programas de certificação funcionam
como um instrumento suplementar às leis e regulamentos oficiais referentes a questões
sócio-ambientais (CABARLE et al.,1995 e FREITAS, 1996),
Os principais órgãos credenciadores / certificadores são: INMETRO (Instituto Brasilei-
ro de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), Fundação Carlos Alberto
Vanzolini, Instituto Falcão Bauer, Instituto Brasileiro de Qualidade Nuclear (IBQN), Bureau
Veritas Quality International (BVQI), Lloyd’s Register Quality Assurance Ltda do Brasil,
American Bureau of Shiping Quality Evaluations, Forest Stewardship Council (FSC), Insti-
tuto Brasileiro de Certificação Florestal e Agrícola (IMAFLORA), Programa CERFLOR da
Sociedade Brasileira de Silvicultura, Programa QUALIFOR da SGS do Reino Unido, Gru-
po LEI - Lembaga Ekplabel Indonesia, Programa Smartwood da Rainforest Alliance dos
EUA, Center for International Forestry Research (CIFOR), entre outros.

3. CERTIFIC AÇÃO FL
CERTIFICAÇÃO OREST
FLOREST AL - MANEJO FL
ORESTAL OREST
FLOREST AL - SÉRIE
ORESTAL
ISO 14000
Os silvicultores deve compreender o manejo florestal como uma prática a ser obtida
gradual e evolutivamente, a partir de uma série de variáveis qualitativas e quantitativas.
O ambiente onde está inserido uma floresta reúne vários elementos físicos (árvore, solo,
clima, fauna, etc.) que interagem com outros componentes, como o humano, sócio-eco-
nômico e cultural das áreas sob sua influência. Considerando ainda a região (temperada
ou tropical), o local, a finalidade da floresta (proteção e/ou produção), a sustentabilidade
poderá ser obtida por meio de diferentes técnicas de manejo (GARLIPP, 1996).
A consciência ecológica e as necessidades do mercado impõem ação rápida de em-
presas e de governos para adotar medidas voltadas a gestão ambiental.
A certificação florestal pode ser dividida em dois componentes que, embora possam
até ser complementares, são aspectos separados.
Em uma primeira instância, certifica-se a sustentabilidade do manejo adotado. O objeto
aqui é a floresta propriamente dita e não os produtos derivados. Verifica-se principalmente

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a preocupação ambiental como ponto de chegada. Consequentemente, o certificado diz


respeito ao padrão do manejo adotado, ou seja, das operações florestais de produção e
dos seus impactos, sociais, econômicos e principalmente ambientais.
Na segunda instância, existe a certificação da madeira. O propósito é verificar, de-
monstrar e atestar a cadeia de comercialização desde a floresta até o ponto de
processamento. A qualidade do produto originado é a finalidade principal da certificação.
Após a madeira ser retirada da floresta pode não se distinguir de qualquer outra ma-
deira, sendo necessário, portanto, o seu histórico desde a procedência até a
comercialização para atestar as empresas que usam ou processam matéria-prima oriun-
da de florestas certificadas. O rótulo ou selo, aqui, terá interesse se houver demanda do
consumidor. Ainda que desejável em alguns casos, não significa que seja necessário para
o sucesso da certificação florestal. Se o incentivo, maior preço, por exemplo, é dirigido
às florestas e sua conservação, levando como meta principal a proteção do meio ambi-
ente, só o credenciamento do manejo será suficiente.
Embora a norma ISO possa contribuir marcantemente para o manejo florestal susten-
tável, não tem mandato para estabelecer parâmetros de sustentabilidade. A série ISO
14000 e suas derivadas (ISO 14001, 14004, 14010, ...) são consistentes com o conceito
de desenvolvimento sustentável. Esta série desempenha um papel importante na pro-
moção e avaliação da silvicultura sustentada, podendo fornecer os meios para tratar o
manejo florestal em um contexto genérico e não necessariamente em um contexto setorial
específico (GARLIPP, 1996). Garlipp apresenta ainda que, a ISO 14001 pode ser utilizada
para demonstrar o alcance do manejo florestal sustentável na medida em que seja uma
política da empresa. Esta norma preconiza que as organizações façam um diagnóstico,
cataloguem os aspectos ambientais e os possíveis impactos da atividade, a fim de definir
objetivos e metas dentro de sua política para com o meio ambiente, especificando o
treinamento e reciclagem dos funcionários envolvidos com a atividade.
O Forest Stewardship Council (FSC) é uma das entidades certificadoras específica
para o setor florestal que considera o manejo sustentado das florestas. Neste bojo, a
gestão ambiental deverá integrar os objetivos da certificação, tendo como opção a
implementação das normas da série ISO 14000.
O FSC foi criado em 1993, no México, com o objetivo de promover o manejo florestal
ambientalmente responsável, socialmente benéfico e economicamente viável.
Após vários estudos, esse Conselho estabeleceu 10 princípios e critérios básicos para
a certificação das florestas de todo o mundo: obediência às leis e aos princípios do FSC;
direitos e responsabilidades de posse e uso da terra; direitos das comunidades indíge-
nas; relações comunitárias e direitos dos trabalhadores; benefícios das florestas; impac-
to ambiental; plano de manejo; monitoramento e avaliação; manutenção de florestas
naturais e plantações florestais (FSC,1998).
Para atingir as metas a serem alcançadas por este sistema, padrões de desempenho
locais, regionais e nacionais devem de ser estabelecidos, levando em consideração os 10
princípios gerais do FSC.

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No Brasil, em 1997, criou-se um grupo de trabalho do FSC, que estabeleceu como


uma de suas metas a instauração do processo de elaboração de padrões regionais e
nacional para o manejo florestal. Fazem parte desse grupo, seis entidades do setor
ambiental, seis do setor social e seis do setor empresarial, incluindo ainda outras entida-
des que atuam como observadoras, como as universidades (representada pela Escola
Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - ESALQ), o governo (representado pelo Minis-
tério de Meio Ambiente - MMA) e os certificadores (representados pelo Instituto de Ma-
nejo e Certificação Florestal e Agrícola - IMAFLORA e pela Cooperativa de Pesquisa
Tecnológica Industrial - CPTI).
Por sua vez, esse grupo de trabalho criou dois subgrupos, um que se ocupa das flores-
tas plantadas e outro da floresta de terra firme da Amazônia brasileira. Esses subgrupos
são a primeira instância a participar do processo de discussão para a elaboração de
padrões regional e nacional. Após, a documentação é encaminhada ao GT - FSC - Brasil
que irá analisar e aprovar. Os documentos aprovados vão para a discussão com a socie-
dade e para testes de campo, retornando com sugestões e adaptações, para chegar ao
documento final, que é enviado ao FSC para aprovação. O documento aprovado será o
utilizado pelas credenciadoras que trabalham com o FSC.
Existem ainda outros processos de certificação, que tratam da qualidade ambiental de
produtos e linhas de produção, que diferem da certificação proposta pelo FSC. Destaca-
se neste sentido, a consideração do FSC de determinações da Agenda 21, definida na
Conferência Mundial ECO-92. FAILLANCE (1996), VIANA (1996) e SOARES (1996), cita-
dos pelo FSC(1998) tratam com mais detalhe este tema.
É importante observar que a série ISO 14000 pode tornar-se um instrumento de fun-
damental importância para a certificação das florestas, adotando-se princípios, critérios
e indicadores de sustentabilidade florestal de acordo com as peculiaridades regionais,
incluindo-os nos objetivos da gestão da empresa via uma das norma da série, talvez a
ISO 14001. As normas ISO têm credibilidade e abrangência internacional, tornando-se
um veículo de viabilização do manejo florestal no plano da certificação, não importando
qual seja a entidade certificadora/credenciadora.

4. CERTIFIC AÇÃO DOS PRODUTOS FL


CERTIFICAÇÃO OREST
FLOREST AIS
ORESTAIS
CERTIFIC AÇÃO AMBIENT AL
AMBIENTAL

O mercado de produtos provenientes de florestas tem apresentado uma evolução


importante quanto a sua qualidade. Inicialmente preocupava-se com a variedade da es-
pécie comercializada; após, com a uniformidade de superfície; em seguida, a exigência
por madeira aparelhada com dimensões padronizadas. Como referencial atual de quali-
dade, o mercado está exigindo uma demanda crescente de produtos certificados desde
sua origem (FILHO, 1996). As gestões de qualidade e ambiental, mais uma vez, devem
de ser analisadas em conjunto em busca da qualidade total.
A certificação de produtos florestais, sem dúvida nenhuma, é uma das formas efica-
zes de estimular a adoção do manejo sustentado para todos os tipos de florestas. É uma

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O Estado da Arte da Certificação Florestal
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

fonte de informação ao consumidor que está procurando adquirir produtos cujo proces-
so produtivo tenha sido adequado do ponto de vista ambiental e social. A certificação da
qualidade do produto, dos processos produtivos, enfim, do conjunto que leva o produto
até o consumidor final, antes e após a venda, complementam a cadeia da certificação
dos produtos florestais.
O mercado de produtos de origem florestal ainda é bastante localizado, destacando-
se os países da Comunidade Européia e o mercado norte-americano, cada vez mais exi-
gentes por esse tipo de produto. Percebe-se claramente a tendência crescente do au-
mento de demanda dos produtos certificados. Os comerciantes têm alertado com fre-
qüência seus fornecedores sobre a necessidade de certificação dos seus produtos, des-
de a origem até o consumidor final.
Segundo FILHO (1996), apesar do Brasil não deter uma fatia significativa do mercado
mundial de produtos florestais, mostra claramente um processo de participação se ampli-
ando marcantemente, com sinais evidentes de procura da certificação. Os objetivos desta
procura, além da conquista de novos mercados, estão diretamente ligados ao fato das
questões ambientais passar pela qualidade total almejada pelas empresas. A certificação
dos produtos florestais não deixa de estar dentro de um contexto global de qualidade das
organizações. Assim, em um processo de ampliação de nossa participação no mercado
mundial, em que certamente a certificação será um fator de diferenciação, tem-se oportu-
nidade de colocar, cada vez mais, os produtos oriundos de nossas florestas.
Conforme já visto, existem algumas entidades que fazem a certificação de produtos
oriundos das florestas. Destaca-se, no caso brasileiro, o Cerflor (Certificado de Origem de
Matéria Prima Florestal) em conjunto com a Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT). É um programa coordenado pela Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), aplica-
do aos produtos de base florestal e que tem como objetivo garantir que a matéria-prima
usada nos produtos se origina em plantações manejadas em regime sustentável. Aplica-se
a madeiras em toras, serrada ou processada mecanicamente, aos diversos painéis a base
de madeira, como chapas de fibras, compensados, aglomerados, lâminas e a celulose. O
sistema visa valorizar o produto brasileiro, garantindo livre trânsito, aceitação e
comercialização internacional.
Uma outra ótica de análise de certificação de produtos florestais que pode apresentar-se
isolada e ser objetivo de certificação das empresas é a questão ambiental.
Pressionada pelos movimentos ambientalistas, a sociedade tem aumentado seu inte-
resse e preocupação pelas questões ambientais e tem buscado meios de prevenir, ou
pelo menos, reduzir os impactos que se fizerem inevitáveis.
Com o intuito de preencher este novo requisito, o mercado passa a ser informado dos
“atributos ambientais” dos produtos, isto é, as qualidades positivas ou neutras dos produtos
em relação ao meio ambiente. Isto é feito através do uso de etiqueta, selo ou marca. Encon-
tram-se sob esta denominação os “selos verdes”, os rótulos ecológicos ou as eco-marcas.
A conceituação ambiental de produtos ultrapassa a definição de marca de conformidade, que é
aquela concedida ao produto que, após ensaios em laboratório credenciado, atinge um nível míni-
mo de qualidade exigido por norma vigente, em questões relativas ao seu uso (NAHUZ, 1995).

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AGENDA POSITIVA PARA O SETOR FLORESTAL DO BRASIL
PROGRAMA NACIONAL DE FLORESTAS

Esta certificação de produtos para comercialização internacional geralmente é feita


por organismos credenciados e reconhecidos pelos países importadores e se baseia em
regras conhecidas e aceitas de comum acordo. Daí a necessidade de normalização, isto
é, a elaboração/adaptação e implantação de regras gerais nacionais e/ou internacionais
para estabelecer e aplicar os selos ambientais.
Segundo NAHUZ (1995), a certificação ambiental apresenta alguns pontos básicos
que a caracterizam:

N é voluntária e quase sempre independente, pois é aplicada por terceiros a quem se


disponha a integrar o sistema;
N é aplicada, conforme critérios bem definidos, a produtos e processos;
N é positiva, pois pode representar premiação, tornando-se um instrumento de marketing
das empresas;
N é uma forma de informação ao consumidor;
N possui objetivos diferentes dos rótulos informativos de produtos, que apresentam
dados técnicos, como composição, reciclabilidade, etc.;
N também difere das etiquetas de advertência ou alerta, normalmente obrigatórias, como
a periculosidade de venenos, cigarros etc.
Esse mesmo autor relata que existem vários tipos de programas de certificação
ambiental. Os mais conhecidos são os selos de aprovação, os chamados “selos verdes”.
O selo verde é o grau mais alto de conformidade. Além de atestar a conformidade, atesta
também que o produto não causa efeitos negativo ao meio ambiente ou quando isso
ocorre é em quantidade aceitável. Quando de sua concepção, o selo verde era atribuído
somente a produtos; posteriormente, incluíram-se também os processos, em vários ní-
veis de adequação ambiental.
Os selos de aprovação identificam produtos ou serviços menos prejudiciais ao ambi-
ente que seus similares com mesma função. Esses selos apresentam exclusivamente ca-
racterísticas positivas. Exemplos: Blau Engel/Blue Angel (Alemanha); Environmental Choice
(Canadá); Ecomark (Japão); White Swan (Conselho Nórdico); Green Seal (EUA) - EEC
Ecobel (Comunidade Européia); SCS Forest Conservation Progam (EUA), que enfoca pro-
dutos de base florestal provenientes de áreas sob manejo sustentável.
Estes selos estão sendo cada vez mais exigidos, podendo sua abrangência ser restrita a
um produto, ou ampla, atingindo matéria-prima, processo e/ou produtos conforme o obje-
tivo da certificação. Os programas de selo de aprovação concedem o uso de um selo aos
produtos ou serviços julgados como menos prejudiciais ao meio ambiente do que produ-
tos ou serviços comparáveis, com base em critérios previamente definidos (NAHUZ, 1995).
Um esquema básico de implantação inicia-se pela definição de uma categoria de pro-
dutos. Esta seleção esta baseada na similaridade de uso ou em outras características
relevantes. Na seqüência, os critérios de análise são definidos ou desenvolvidos para a
categoria de produtos que foi selecionada. Esses critérios são, então, aplicados a todos

18
O Estado da Arte da Certificação Florestal
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

os produtos da mesma categoria. O selo de aprovação é outorgado por um período


definido, sujeito a auditorias periódicas. Os critérios de concessão do selo podem ser
revistos e modificados, tornado o sistema mais restritivo (NAHUZ, 1995).
No Brasil a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) vem trabalhando na
implantação do programa ABNT Qualidade Ambiental. Este programa vem suprir as ne-
cessidades brasileiras na área da certificação ambiental. Algumas diretrizes já foram
estabelecidas, sendo as mais importantes: transparência e gestão participativa; inserção
no sistema ISO; abrangência de famílias de produtos comparáveis; estabelecimento de
critérios de abrangência ampla (avaliação de ciclo de vida), refletindo a realidade
tecnológica e ambiental do País; a busca tanto quanto possível e adequada, da conver-
gência com critérios já aceitos no Exterior; aderência metodológica a modelos aceitos e
a busca do reconhecimento internacional (NAHUZ, 1995).
É consenso geral que os sistemas de gestão ambiental terão sua implementação gene-
ralizada, tendo como ponto de chegada o consumidor. A forma mais provável que isto
aconteça também para os produtos de origem florestal é através do sistema ISO 14000.

5. CERTIFIC AÇÃO DE SISTEMA DE GESTÃO VERSUS


CERTIFICAÇÃO
CERTIFIC AÇÃO AMBIENT
CERTIFICAÇÃO AL DE PRODUTOS VERSUS
AMBIENTAL
CERTIFIC AÇÃO FL
CERTIFICAÇÃO OREST
FLOREST AL.
ORESTAL.
Este tópico do trabalho está baseado no estudo de GARLIPP (1996), apresentado no
Seminário sobre Processamento e Utilização de Madeiras de Reflorestamento - IV SEMADER.
A certificação de um sistema de gestão, incluindo-se a atividade florestal, significa
atestar conformidade a uma norma de gestão tendo como meta verificar o cumprimento
de compromissos preestabelecidos. No caso da ISO 14001 as especificações pretendem
assegurar conformidade com a política e objetivos ambientais incluindo o cumprimento
da legislação e compromisso com a melhoria contínua da performance, não estabele-
cendo valores limites para os seus resultados.
A certificação ambiental de produtos atesta os atributos e/ou características relativos aos
impactos e riscos ambientais desses produtos. A divulgação das normas ambientais de confor-
midade dos produtos pode ser realizada via selo/rótulo verde ou auto-declaração do produtor.
Um rótulo dessa natureza não requer, obrigatoriamente, um certificado ISO 14000, assim como
também um certificado ISO 14000 não requer obrigatoriamente um selo ecológico.
A certificação florestal, conforme já dito, pode ser separada em dois componentes. O
primeiro é o da sustentabilidade do manejo silvicultural. Neste caso o objetivo da certificação
é a floresta propriamente dita, o manejo florestal sustentado. A certificação procura con-
templar o padrão do manejo adotado (operações florestais de produção e seus impactos
sobre o meio ambiente). O outro componente contempla os produtos oriundos da flores-
ta, os aspectos ambientais, sociais e econômicos ligados ao manejo. É oportuno ressaltar
uma outra diferença básica importante entre as dois sistemas: enquanto o sistema de ges-
tão ambiental avalia quase que exclusivamente os aspectos ambientais e legais, a certificação
florestal avalia os aspectos sociais e econômicos da atividade.
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PROGRAMA NACIONAL DE FLORESTAS

A certificação florestal é um processo não muito simples que inclui adoção de normas
de inspeção e auditorias, tendo como base a conformidade de princípios, critérios e
indicadores de sustentabilidade regionais, enquanto a certificação do produto originado
da madeira certificada é um processo adicional.
Seria aconselhado à uma empresa que está fazendo a certificação de qualidade de seu
produto que tem como matéria prima a madeira, iniciar a certificação pela floresta, pas-
sando pela certificação ambiental, pois as etapas a cumprir em cada fase de cada tipo de
certificação são semelhantes, apenas tendo de complementar exigências específicas da
certificação almejada. É certo que os custos serão minimizados e o processo estará com-
pleto valorizando ainda mais a imagem da empresa no mercado.

6. CERTIFIC AÇÃO NAS FL


CERTIFICAÇÃO OREST
FLOREST AS NACIONAIS
ORESTAS
Criadas na década de 40 com a denominação de Parques Nacionais, as Florestas Na-
cionais (FLONAS) vieram a receber este nome já na década de 60, quando foi criado o
Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) pelo Governo Federal. A regula-
mentação deu-se pelo Decreto no 1.298, de 27 de outubro de 1994.
Atualmente, as FLONAS ocupam uma área aproximada de 15,22 milhões de hectares,
totalizando 46 unidades, distribuídas em todo território nacional.
As Florestas Nacionais são áreas de domínio público, providas de cobertura vegetal
nativa ou plantadas criadas com a finalidade de utilização racional dos recursos naturais
renováveis para fins de produção e pesquisa, respeitando os mecanismos de sustentação
de seu ecossistema. Assim, a filosofia de trabalho está baseada nos seguintes objetivos:
promover o manejo dos recursos naturais, com ênfase na produção de madeira e outros
produtos vegetais; garantir a proteção dos recursos hídricos, das belezas cênicas e dos
sítios históricos e arqueológicos; fomentar o desenvolvimento da pesquisa científica bási-
ca e aplicada, da educação ambiental e das atividades de recreação, lazer e turismo.
Para cumprir seu papel de produção, a exploração madeireira nas FLONAS deverá ser
realizada de forma sustentável.
Estudos nesse sentido estão sendo desenvolvidos. Uma das formas proposta é atra-
vés de sistemas de concessões. A utilização de um sistema como esse poderá incentivar
a exploração madeireira sustentável. Alguns cuidados deverão ser tomados, como por
exemplo o monitoramento eficiente e incentivos para a viabilização do processo.
Por outro lado, se as possibilidades atuais de desmatamento continuarem, as empre-
sas que exploram de maneira não sustentável, que possuem insumos baratos para pro-
cessar a madeira e vender no mercado local, podem inviabilizar o manejo sustentável.
Consequentemente, com a existência desse mercado dual, é bastante provável que a
exploração sustentável seja economicamente inviável.
Esta inviabilidade pode ser explicada por dois motivos principais: pela incapacidade
de diferenciação do produto e a disposição do consumidor em pagar um pouco mais
pelo produto oriundo de floresta manejada. Observa-se que esse é um típico problema

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O Estado da Arte da Certificação Florestal
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

de informação assimétrica, onde o comprador de madeira não sabe se a madeira foi


explorada de forma sustentável ou tradicional. Desta forma o comprador estará disposto
a pagar somente o valor equivalente à madeira extraída de forma não sustentável.
Neste sentido, a certificação da madeira proveniente de florestas manejadas pode
fazer a diferenciação do produto, levando sua origem ao consumidor. No entanto, essa
certificação só poderá ser feita depois de alguns períodos de extração e a empresa terá
que sobreviver até então, comercializando madeira a um preço abaixo do preço real de
madeira certificada. Adicionalmente, mesmo com a certificação do produto, o mercado,
principalmente o interno, poderá não estar disposto a pagar o diferencial de preço entre
a madeira certificada e a não certificada.
Observa-se que a certificação pode contribuir de forma significativa no controle da
retirada de madeira das Floresta Nacionais, podendo ser considerado como um dos prin-
cipais requisitos para a exploração destas florestas.
Por outro lado, alguns pontos anteriormente levantados, aliados a uma atuação efici-
ente de órgãos governamentais ligados diretamente ao problema, torna-se fundamental
para o sucesso do empreendimento. A certificação por si só não viabilizará os progra-
mas futuros de produção nas FLONAS. É oportuno a preocupação no sentido do desem-
prego local, que poderá advir do processo de certificação devido à exigência de mão-de-
obra mais especializada. Talvez, a exigência por parte do Governo, administrador das
FLONAS, da utilização de mão-de-obra local, seria um dos meios para amenizar este
ponto negativo. Assim, as empresas que irão participar desse processo já deverão compu-
tar em seus custos o treinamento de mão-de-obra para atingir os objetivos da certificação.
O monitoramento das florestas exploradas e o plano de manejo que está sendo aplicado
também irão influir decididamente no processo.

7. CONCLUSÃO
Os sistemas de certificação florestal poderão vir a desempenhar um importante pa-
pel, informando consumidores e o público sobre a sustentabilidade dos produtos flores-
tais existentes no mercado.
As empresas que estão iniciando a implantação de um modelo de gestão de qualidade
com base na ISO 9000 ou outra série devem ampliar o processo, contemplando também
a implantação da gestão ambiental, seguindo, no caso, o modelo da ISO 14000.
A política da qualidade da organização, bem como a política ambiental, além dos
objetivos para os dois aspectos, deve ser aberta para os clientes internos e externos, e
para a sociedade
As empresas florestais poderão ter várias opções de certificação, que nada valerão se
os consumidores não reconhecerem sua credibilidade.
Na implantação da certificação da floresta ou do seus produtos, as empresas passam
a se diferenciar no mercado pela sua própria imagem e melhoria do sistema produtivo.
A certificação altera o perfil tecnológico das empresas florestais destacando-se as ques-

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AGENDA POSITIVA PARA O SETOR FLORESTAL DO BRASIL
PROGRAMA NACIONAL DE FLORESTAS

tões ambientais, até a pouco tempo relegadas a segundo plano, nos seus programas de
pesquisas e desenvolvimentos.
É fato que existem muitas empresas preocupadas em atender apenas às pressões
ambientalistas para permanecerem no mercado. Essas empresas devem considerar que
os passos para implantação da gestão de qualidade total, meta final que todas as empre-
sas devem perseguir, também passa pela questão ambiental. A experiência adquirida em
um dos processos de certificação certamente será aproveitado no complemento da qua-
lidade total, além de baixar os custos por ter uma fase concluída.
A certificação de produtos oriundos de florestas é uma forma eficaz de estimular a
adoção do manejo sustentado de todos os tipos de florestas. Pode ser visto como um
veículo de informação ao consumidor que esteja procurando adquirir produtos cujo pro-
cesso produtivo tenha sido adequado do ponto de vista ambiental e social.
A certificação por si só tem como objetivo principal a preocupação com o manejo
sustentável das florestas que originaram a madeira e não “emissões”, nem “deposições
de resíduos” no curso do processamento, fabricação ou utilização da madeira. É um
sistema de “certificação simples”, ao contrário dos “ecolabels” de certificação múltipla
que avaliam os impactos ambientais associados ao produto nos diferentes estágios do
seu ciclo de vida. Um sistema de certificação florestal, por exemplo, preenche parte dos
requisitos de um Eco-Label da Comunidade Européia.
Um certificado pode oferecer informações não aparentes para o consumidor quanto
ao mérito ambiental da matéria prima. Portanto, diferencia os produtos através do pró-
prio “marketing ecológico” e o consumidor poderá então identificar, optar e privilegiar a
aquisição de madeira produzida sob manejo sustentado.
Não resta dúvida que a certificação das florestas e de seus produtos transforma-se em
um instrumento de marketing das empresas, cabendo a cada uma aproveitar melhor
este veículo de transformação da imagem de seus produtos e serviços.
O setor florestal brasileiro, apesar de mostrar ainda pequena resistência por parte de
alguns empresários, já está se engajando no processo, talvez até mesmo pela sua sobre-
vivência, sobretudo daqueles que exportam.
A certificação possui um custo relativamente alto, principalmente na implantação do pro-
cesso. Isto torna quase proibitiva a participação de pequenas empresas nesses programas. A
formação de cooperativas e associações de produtores seria a solução desse problema.
O Brasil precisa permanecer atento aos rumos da certificação, principalmente em
relação aos mercados americano e europeu, pois poderão ser embutidos critérios de
avaliações de normas, segundo padrões diferentes dos brasileiros, o que poderia repre-
sentar restrições ao livre acesso dos produtos e serviços no mercado internacional.

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O Estado da Arte da Certificação Florestal
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

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Sumário
INTRODUÇÃO ....................................................................................................................................... 7
1. CONTROLE DE QUALIDADE E AS NORMAS ISO ..................................................................... 8
2. CONTROLE DE QU ALID
QUALID ADE E A CERTIFICAÇÃO NO SET
ALIDADE OR FL
SETOR OREST
FLOREST AL ........................ 1 1
ORESTAL
2.1. CARACTERÍSTICAS, FUNDAMENTOS E CUSTOS DA CERTIFICAÇÃO FLORESTAL ..................... 13
3. CERTIFICAÇÃO FL OREST AL - MANEJO FL
ORESTAL
FLOREST OREST
FLOREST AL - SÉRIE ISO 14000 .............................. 1 4
ORESTAL
4. CERTIFICAÇÃO DOS PRODUT OS FL
PRODUTOS OREST
FLOREST AIS CERTIFICAÇÃO AMBIENT
ORESTAIS AL .................... 1 6
AMBIENTAL
5. CERTIFICAÇÃO DE SISTEMA DE GESTÃO VERSUS CERTIFICAÇÃO AMBIENT AMBIENTAL AL DE
PRODUT
PRODUTOSOS VERSUS CERTIFICAÇÃO FL OREST
FLOREST AL. ....................................................................... 1 9
ORESTAL.
6. CERTIFICAÇÃO NAS FL OREST
FLOREST AS NACIONAIS ......................................................................... 2 0
ORESTAS
7. CONCLUSÃO .................................................................................................................................. 2 1
BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................................................... 2 3

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