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Universidade Tiradentes

Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo

Noemia Marcela Cordeiro Costa

Arquitetura e Sustentabilidade:
Telhados verdes em habitações de interesse social

Maceió
2019
Noemia Marcela Cordeiro Costa

Arquitetura e Sustentabilidade:
Telhados verdes em habitações de interesse social

Trabalho final de graduação apresentado ao


curso de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade Tiradentes, campus Amélia
Maria Uchôa, como requisito para obtenção
de bacharel.

Orientadora: Prof.ª Msc.ª Franciany Prudente


de Melo França

Maceió
2019
Folha de Aprovação

NOÊMIA MARCELA CORDEIRO DA COSTA

Arquitetura e Sustentabilidade: Telhados verdes em habitações de interesse social /


Trabalho final de graduação em Arquitetura, da Universidade Federal de Alagoas, na
forma normalizada e de uso obrigatório.

Trabalho final de graduação submetido ao corpo


docente do Bacharelado em Arquitetura e
Urbanismo da Universidade Tiradentes –
Campus Amélia Maria Uchôa e aprovada em
_____ de _____________ de 2019.

______________________________________________________________
Prof.ª Msc.ª Franciany Prudente de Melo França - Orientadora

Banca Examinadora:

______________________________________________________________
Prof.ª Esp. Moana Karla Lopes Bastos – Avaliadora Interna

______________________________________________________________
Prof.ª Dr.ª Juliana Oliveira Batista – Avaliadora Externa
Dedicatória: Pode ser dedicado a alguém, à
instituição, às pessoas da pesquisa, a quem
achar que deve.
Agradecimentos

Agradecer aqui a todo mundo que lhe ajudou na pesquisa, pode citar familiares pelo
apoio, amigos, empresas, orientador, instituição, amigos de trabalho etc. O que você achar
que deve agradecer.
Epígrafe: aqui pode ser adicionado o texto de
algum livro que você goste ou uma
dedicação rápida. Algo que tenha a ver com
o sentido do trabalho ou sobre suas intenções
com o projeto
Resumo

Com o avanço econômico e populacional das grandes cidades, também cresceram os


riscos e os problemas sociais, especialmente para as pessoas em vulnerabilidade
econômica e sociocultural. Desta forma, ideias e estudos que resultem em caminhos de
melhores mudança para essas pessoas são sempre convidativas. Por conta de suas
situações econômicas, alternativas que conscientizem em como poupar sem agredir o seu
meio ambiente se apresentam de forma harmônica nesse processo. A sustentabilidade tem
esta capacidade e as opções que envolvem seus conceitos geralmente resultam em boas
propostas para o desenvolvimento social. Um exemplo delas pode ser desenvolvida a
partir do conceito dos tetos verdes, por conta dos seus inúmeros benefícios tanto para com
o edifício, quanto para a cidade no geral. Este trabalho tem como objetivo elaborar um
projeto arquitetônico de um conjunto de habitações de interesse social com telhados
verdes, baseado no Programa Minha Casa Minha Vida - PMCMV. Para isto, segue um
percurso divido em três fases principais: a pesquisa bibliográfica e toda investigação
inicial; o segundo passo se trata das decisões e definições de projeto; a última a execução
do projeto arquitetônico. Possui como resultado a apresentação das ideias projetuais, bem
como uma discussão sobre as alternativas de elementos construtivos selecionados a partir
dos objetivos alçados.

Palavras-chave: Telhado Verde; Sustentabilidade; Habitação de Interesse Social


Abstract
The economic and population advancement of large cities increases social risks and
problems, especially for poor people. In this way, research and ideas that have results in
improvement for these people are always well accepted. Because of the lack of money,
alternatives that make poor people economize, without harming the environment, are well
accepted. Sustainability has the capacity to generate many ideas that help in social
development. An idea can be through the green roof. It brings several benefits to the
building and to the city. This work aims to elaborate an architectural project, with green
roof, for houses of social interest, based on the Programa Minha Casa Minha Vida -
PMCMV. For this, it follows a methodology divided in three phases: the first one of
theoretical research; the second in design decisions; the third in the practice of
architectural design. The result is the presentation of the ideas and proposals and the
discussion of the alternatives adopted, based on the objectives of the work.

Key words: Green Roof; Sustainability; Houses of social interest


Lista de Ilustrações

Figura 1 – Conjunto Habitacional elaborado por Le Corbusier em Marselha, França, para


pessoas sem moradia, vítimas da Segunda Guerra Mundial ...........................................21
Figura 2 – Simulação eletrônica dos Jardins Suspensos da Babilônia ............................32
Figura 3 – Casas com telhados verdes na Islândia ..........................................................32
Figura 4 - Teto-jardim projetado por Burle Marx ...........................................................34
Figura 5 – Esquema de coberturas verdes intensivas ......................................................37
Figura 6 - Esquema de coberturas verdes extensivas ......................................................38
Figura 7 – Esquema de coberturas verdes semi-intensivas ............................................39
Figura 8 – Segundo Pavimento e Pavimento térreo do conjunto ...................................43
Figura 9 – Apresentação do bairro com propostas de intervenção .................................44
Figura 10 – Apresentação do pátio central a direita e a cozinha com área de serviço
integradas com o restante da casa a esquerda. ................................................................45
Figura 11 – A esquerda um jardim vertical no pátio central da casa. A direita uma horta
sobre a laje, no piso superior. ........................................................................................46
Figura 12 – Na esquerda a fachada da casa, na direita a demonstração da sala integrada
com o corredor que dá na cozinha e área de serviço. ....................................................47
Figura 13 – Representação tridimensional de uma das residências ................................47
Figura 14 – Corte das residências ...................................................................................48
Figura 15 – Representação do telhado verde trabalhado no projeto ...............................49
Figura 16 – Estudo de acessibilidade do projeto ............................................................49
Figura 17 – Diferença de nível entre a planície litorânea e a região dos tabuleiros .......59
Figura 18 – Demonstração da incidência dos ventos predominantes ..............................61
Figura 19 – Planta baixa do condomínio de casas – proposta de projeto .......................66
Figura 20 – Planta baixa humanizada - Térreo – proposta de projeto .............................67
Figura 21 – Planta baixa humanizada – Piso Superior – proposta de projeto .................68
Figura 22 – Planta baixa humanizada – Coberta – Proposta de projeto ..........................69
Figura 23 – Planta de setorização do condomínio ...........................................................70
Figura 24 – Planta de setorização da residência ..............................................................71
Figura 25 – Fluxograma do Condomínio ........................................................................73
Figura 26 – Fluxograma Residencial ...............................................................................74
Tabela 27 – Árvores Frutíferas para o projeto, em perspectiva.......................................76
Figura 28 – Coleta seletiva em 3 frações .........................................................................77
Figura 29 – Planta de Expansão, apresentando o jardim ocupado, ampliando assim, alguns
cômodos da casa, como os quartos ..................................................................................78
Figura 30 – Modelo de sistema para captação de águas pluviais ....................................81
Figura 31 – Perspectiva do telhado verde com horta.......................................................81
Figura 32 – Detalhe da horta proposta no telhado verde. ................................................82
Figura 33 – Detalhe em perspectiva da horta. .................................................................82
Figura 34 – Planta baixa apresentando a incidência dos ventos e do sol ........................83
Lista de Mapas

Mapa 1 – Disposição de alguns empreendimentos do PMCMV de 0 a 3 salários mínimos


.........................................................................................................................................25
Mapa 2 – Atual demarcação do bairro Tabuleiro do Martins na cidade de Maceió .......52
Mapa 3 – Terreno escolhido para intervenção no bairro Tabuleiro do Martins .............53
Mapa 4 – Terreno escolhido (amarelo), próximo a instituições importantes, como colégios
(laranja), conjuntos residenciais (verde), faculdades (lilás) e a proximidade da avenida
principal que corta a cidade de Maceió, a Durval de Góes Monteiro (vermelho). .........54
Mapa 5 – Desenvolvimento da estruturação Viária de Maceió. .....................................56
Mapa 6 – Maceió no final do século XX, com destaque para região “tabuleiros” ..........57
Lista de Tabelas

Tabela 1 – Conjuntos Habitacionais financiados pelo IPASEAL ...................................23


Tabela 2 - Requisitos para o planejamento de telhados verdes ......................................36
Tabela 3 - Principais Benefícios dos Telhados Verdes ..................................................40
Tabela 4 – Parâmetros urbanísticos por zonas e corredores de atividades múltiplas. ....62
Tabela 5 – Programa de Necessidades do Projeto ..........................................................63
Tabela 6 – Árvores Frutíferas para o projeto ..................................................................76
Tabela 7 – Hortaliças para cultivo no telhado verde .......................................................77
Tabela 8 – Vegetação do telhado verde ...........................................................................80
Sumário

Introdução ..........................................................................................................14
Objetivo Geral ..............................................................................................................17
Objetivos Específicos ...............................................................................................17
Procedimentos Metodológicos .....................................................................................17

1. Referencial Teórico............................................................................................19
1.1 Habitações de Interesse Social: panorama histórico e social .................................19
1.2 Arquitetura e Sustentabilidade .................................................................................2
1.2.1 Habitações de Interesse Social no caminho da sustentabilidade .....................28
1.3 Telhados Verdes: História e Desenvolvimento ......................................................30
1.3.1 Tipologia e Benefícios dos Telhados Verdes ..................................................34

2. Estudo de Caso ...................................................................................................41


2.1 Nueva Democracia – Conjunto Habitacional Popular ...........................................41
2.2 Casa de Dona Dalva ............................................................................................44
2.3 Casas Térreas – Concurso Habitação Para Todos ...............................................46

3. Diagnóstico da Área...........................................................................................50
3.1 Localização ............................................................................................................50
3.2 Área de Implantação ..............................................................................................50
3.3 Potencialidades ......................................................................................................50
3.4 Aspectos Naturais ..................................................................................................53
3.5 Uso e Ocupação do Solo ........................................................................................54
3.6 Condicionantes Climáticos ....................................................................................57
3.7 Topografia ..............................................................................................................58
3.8 Aproveitamento da Iluminação Natural .................................................................59
3.9 Aproveitamento da Ventilação Natural..................................................................59
3.10 Plano Diretor ........................................................................................................60
3.11 Código de Edificações .........................................................................................61
3.12 Legislação ............................................................................................................61
4. Proposta de Telhado Verde para Habitação de Interesse Social ...............64
4.1 Programa de Necessidades .....................................................................................64
4.2 Fluxograma ............................................................................................................72
4.3 Conceito .................................................................................................................73
4.4 Partido Arquitetônico .............................................................................................74
4.4.1 Propostas para Telhado Verde ..........................................................................78
4.4.2 Influência dos ventos e da luz natural ..............................................................82

5. Conclusão ..........................................................................................................84
6. Referências ........................................................................................................85
6. Apêndice ............................................................................................................89
15

Introdução

Com o apogeu da revolução industrial, por volta do século XVIII, as grandes


cidades europeias mudaram sua forma de comércio, saindo da tradicional vida rural para
a industrial, esta que, cada vez mais, obrigava pessoas do campo a migrarem para esses
grandes centros. Com a massificação de cidadãos, também começaram a surgir problemas
sérios sanitários, sociais e econômicos, forçando o poder público desses lugares a
iniciarem uma discussão sobre as habitações (BRITO, 2017).
Este pensamento chegou mais tardiamente ao Brasil, se iniciando após o golpe
militar de 1964 e se consolidando após a década de 1986 com a criação do Ministério das
Cidades em 2003, conjuntamente por meio do Plano de Aceleração do Crescimento
(PAC) de 2007 e do Programa Minha Casa Minha Vida de 2009. Atualmente é perceptível
a grande quantidade de conjuntos habitacionais com interesse social projetados e
executados para milhares de famílias em todo o país. Mas, este tipo de atuação da
construção civil carrega consigo elementos importantíssimos que influenciam no bem-
estar da cidade e da população a qual está inserida (BRITO, 2017).
Sabe-se que a grande quantidade de habitações, especialmente nas capitais, onde
está contextualizada a vida urbana tem provocado diversos problemas, tais como a
contribuição para o efeito estufa e o aquecimento global, a emissão de CO2 e outros
poluentes, o aumento das ilhas de calor, a perda do ecossistema onde nutrem diversas
espécies, além do mal uso da água, aumento do uso de energia elétrica, dentre outros
problemas. Desta forma, surge a necessidade de um pensamento mais rebuscado diante
do projeto de edifícios, se unindo a conceitos que reforcem o pensamento do melhor
consumo de recursos para as gerações atuais e futuras (SAVI, 2012). E é justamente com
esta intenção que conceitos arquitetônicos podem se relacionar aos da sustentabilidade.
Os conceitos de sustentabilidade têm se tornado cada vez mais pertinentes no
projeto de habitações de interesse social, visto que apresentam resultados mais viáveis
econômica e socialmente, com benefícios decorrentes da aplicação na vida real das
pessoas. Pode-se dizer ainda que:
A sustentabilidade aplicada à arquitetura pode ser entendida como uma
série de condicionantes e critérios de projeto, que independente do
estilo arquitetônico, levam consigo o conceito base da relação entre
natureza e arquitetura, baseada em três dimensões essenciais para o
desenvolvimento de um projeto sustentável: o desempenho ambiental,
o desenvolvimento econômico e a inclusão social (BRITO, 2017, pg
07).
16

Para que essa relação se consolide segundo a citação acima, existem diversas
possibilidades, como a aplicação de telhados verdes, datados de 600 a.c. pelos
mesopotâmicos, com os conhecidos jardins verticais da Babilônia, em países europeus
frios em meio às inóspitas regiões rurais, dentre outros contextos. Mas, seu apogeu surge
especialmente durante o século XX, através da Revolução Industrial, com o
descobrimento de novos materiais e técnicas, bem como o avanço das pesquisas com
relação ao conforto (CORRENT, 2017).
Na Europa, ganha destaque a Alemanha, onde se percebe o uso desta tecnologia
em edifícios significativos, aliados ao estudo científico e o crescimento de uma indústria
voltados para a aplicação desses telhados. Fora da Europa, mais tardiamente, os Estados
Unidos. O Brasil ainda apresenta um lento processo no entendimento da importância dos
telhados verdes na vida urbana (CORRENT, 2017).
Segundo Savi (2012), os telhados verdes podem proteger os edifícios da radiação
solar através da flora, atuando no reflexo da radiação. Diminui também a possibilidade
de enchentes, ilhas de calor, a emissão de CO2; auxiliam no conforto acústico de
ambientes internos, reforçam o ecossistema de pássaros e outros animais, dentre outros
benefícios. Possui diferentes técnicas, tipologia e possibilidades de uso, materiais,
ampliando os vieses de estudos associados ao tema. Eles estão presentes em residências,
prédios públicos e espaços de convivência, mas as pesquisas em torno de sua evolução e
aplicabilidade no Brasil ainda é lento. Uma dessas aplicações pode ser em conjuntos
habitacionais, particularmente aqueles que envolvem pessoas desfavorecidas social e
economicamente (CORRENT, 2017).
As habitações de interesse social têm em sua história o contributo na evolução da
construção dos edifícios em grandes centros urbanos, bem como no aumento da dimensão
populacional e atualmente vem ganhando espaço nos estudos acadêmicos, não somente
por seus fatores sociais, mas também econômicos, culturais e também sustentáveis, visto
seu impacto ambiental por ser um produto da construção civil (BRITO, 2017).
Seus fatores sustentáveis ainda são voltados aos sistemas construtivos da estrutura
de edifícios, separação e tratamento de resíduos, dentre outras abordagens que não deixam
de ser de grande importância, mas apresentam indiretamente uma lacuna para outros
estudos sustentáveis nesses espaços, visto sua capacidade de resultados em massa e suas
potencialidades com relação à cidade e o meio ambiente como um todo (BRITO, 2017).
17

Aliando a tecnologia dos telhados verdes à construção de habitações de interesse


social, esta lacuna apresenta diversas possibilidades de construção e aplicabilidades de
técnicas, assim como desafios que podem sugerir contribuições inovadoras. As
potencialidades estão na construção de espaços de convivência através da natureza, o
conforto de modo geral que contribui para a valorização econômica desses conjuntos
considerados de baixa qualidade ou que despertam pouco interesse social do ponto de
vista arquitetônico.
Essas potencialidades estão também na capacidade de sistemas construtivos
integradores que levem em consideração a aplicabilidade em série dessas tecnologias; o
cultivo da vegetação local, assim como a discussão de custos orçamentários diante dos
telhados verdes, valendo-se da sua execução projetual, bem como sua manutenção, diante
de pessoas com poucos recursos econômicos.
Aumentam as discussões tanto sobre os telhados verdes quanto sobre habitações
sociais em Maceió, através de eventos, palestras, trabalhos acadêmicos, dentre outros
meios, mas ainda sim de forma isolada, seja na discussão de telhados verdes em
residências ou edifícios residenciais/comerciais específicos, seja no estudo projetual
aliado a conceitos sociais sobre habitações de interesse social. Estas tem ganhado mais
força em aplicações projetuais para comunidades pobres, seja por meio do Governo
Federal ou através da administração local do estado.
Diante desta lacuna, este trabalho procura abrir discussão sobre a aplicação da
tecnologia dos telhados verdes em projeto de habitação de interesse social através da
linguagem projetual, aliando conceitos de arquitetura e sustentabilidade, considerando os
contextos geográficos, climáticos, sociais, culturais e econômicos necessários e adotando
um percurso metodológico amplo e interdisciplinar.
Desta forma, resulta num projeto arquitetônico de telhado verde para uma
habitação de interesse social voltada a pessoas em vulnerabilidade social, afim de
influenciar nos estudos de conforto ambiental e sustentabilidade em habitações para
pessoas de baixa renda, utilizando para isto o modelo de casas do Programa Minha Casa
Minha Vida – PMCMV. O local de intervenção é a cidade de Maceió e a área de projeto
encontra-se no bairro Tabuleiro do Martins.
18

Objetivo Geral

Desenvolver projeto de um conjunto de habitação de interesse social com a


aplicação de telhados verdes, apoiando-se em conceitos arquitetônicos e sustentáveis, a
fim da melhor utilização de recursos naturais e melhoria da vida cotidiana dos usuários.

Objetivos Específicos

- Estudar a história, configuração arquitetônica, tipologias e demais características dos


telhados verdes, levando em consideração seus principais benefícios para as edificações.
- Pesquisar telhados verdes no Brasil e em outros lugares do mundo para análise, busca
de referências projetuais eficazes existentes e suas demais características, tais como
vegetações, materiais, metodologia de projeto e sistemas construtivos.
- Investigar referências bibliográficas e técnicas sustentáveis ligadas à arquitetura que
deem suporte ao desenvolvimento da escrita e ao projeto arquitetônico deste trabalho.
- Buscar diferentes exemplos de habitações de interesse social, que se enquadrem nos
interesses de projeto, para que se possa entender quais os principais problemas e como os
telhados verdes podem ser aplicados.

Procedimentos Metodológicos

A pesquisa foi dividida em três fases: a primeira se refere ao aprofundamento no


tema através de investigação exploratória de textos científicos e não científicos sobre os
assuntos pertinentes ao universo do tema abordado, bem como a busca por outros
suportes, tais como documentários, vídeos, fotos, projetos sociais, dentre outros.
Ainda nesta fase se configurou os elementos que deram suporte ao entendimento
da investigação: fichamentos de textos, primeiras transcrições das impressões pessoais
diante do tema, levando em consideração os principais elementos que poderiam ser
considerados tanto na fase de construção do referencial teórico, quanto no processo
projetual.
A segunda fase se aplica a questão da linguagem projetual, onde se configura uma
seleção de que tipo de habitação social se enquadra a pesquisa, o plano de necessidades
envolvendo propostas básicas para uma habitação social e para telhados verdes e então a
seleção de técnicas e suportes elementares na associação das duas abordagens no projeto.
19

Dado este planejamento foi necessário também um estudo das características


geográficas, climáticas, culturais e sociais da cidade de Maceió para que isso fosse posto
em prática, uma vez que, conhecendo melhor o meio, o indivíduo se apropria do que é
seu. Mas isso foi importante não somente por conta do indivíduo que lá mora, mas para
dar suporte na escolha de materiais, sistemas construtivos, vegetação escolhida e as
propostas de manutenção desses telhados por essas pessoas.
A terceira fase se configura no projeto arquitetônico incluindo as primeiras
propostas, suas readequações e comparações com os elementos adotados tanto para a
questão conceitual, quanto, especialmente, a material e física da proposta arquitetônica.
Nesta fase estão também as imagens e desenhos técnicos finais, sempre
considerando as elucidações quanto ao planejamento e execução de telhados verdes
apresentados na literatura que mais se adequam ao tipo de habitação social adotada. São
especificadas o tipo de vegetação, o estudo de clima local, as propostas de manutenção e
as visões sobre o impacto de um sistema de telhados verdes em habitações sociais para
quem lá vive e suas redondezas.
Desta forma, o trabalho escrito se constitui do referencial teórico, onde são
apresentadas as principais referências do trabalho, explanadas por meio de uma discussão
de conceitos e teorias relevantes para o entendimento da temática adotada. O segundo
capítulo seria o estudo de caso, sendo apresentadas três principais propostas projetuais
semelhantes às intenções de projeto deste trabalho, servindo como suporte de avaliação e
modelo de alternativas adequadas.
O terceiro capítulo se refere ao diagnóstico da área tomada como implantação do
projeto, sendo discutidos vários pontos norteadores para o desenvolvimento do projeto.
O último capítulo se trata do projeto arquitetônico, com todas as alternativas adotadas,
fluxogramas, plano de necessidades e demais etapas fundamentais, que compõe a
linguagem projetual.
20

Capítulo 1 - Referencial Teórico

Neste capítulo estão dispostos alguns conceitos que resultam na perspectiva


teórica adotada para este trabalho. Foi dividido em quatro subtemas onde o primeiro
contém o panorama histórico e social das habitações de interesse social, buscando
apresentar alguns elementos diacrônicos marcantes e importantes para o desenvolvimento
dessas moradias no mundo e especialmente no Brasil. A segunda parte fala sobre a
discussão cada vez mais frequente da importância em associar conceitos sustentáveis ao
projeto dessas habitações, levando em consideração mais alguns subtópicos, tais como:
Arquitetura e sustentabilidade, abordando as relações entre as duas áreas do
conhecimento; a importância do estudo do conforto sob o viés da sustentabilidade.

1.1. Habitações de Interesse Social: panorama histórico e social.

Pode-se considerar como precedente histórico das habitações sociais as


consequências da Revolução Industrial na Europa, a partir do século XVIII, onde uma
grande quantidade da população rural migra para as localidades próximas às indústrias,
em busca de melhores condições de emprego e qualidade de vida. Com poucos recursos
econômicos essa população pobre passou a viver em locais precários em vários aspectos,
seja nas condições sanitárias, de saúde, dentre outras, proliferando epidemias. Durante
muitos anos os grandes centros urbanos foram se desenvolvendo e formando regiões onde
as pessoas pobres sobreviviam como podiam (BRITO, 2017). Segundo Santana (2006):
A habitação do operariado que trabalhava nas indústrias era do tipo
coletiva, em cortiços, vilas operárias e/ou cubículos que faziam parte
do sistema rentista, ou seja, de um sistema baseado no lucro através do
aluguel dos imóveis localizados próximos aos locais de trabalho dos
centros urbanos. Porém, dadas as características das habitações
coletivas (dormitórios individuais com banheiros e áreas de serviço em
comum) e as mudanças constantes nas locações (não havia interesse dos
proprietários na manutenção dessas habitações), foram desencadeados
problemas de higiene com graves consequências para a saúde pública
no país (SANTANA, 2006, pg. 56)

Após o início do estopim da Revolução Industrial, outro fator muito importante a se


comentar são as Guerras Mundiais, que a partir da destruição de vários edifícios e bairros
inteiros, as pessoas, sem dinheiro, comida e local para morar, passaram a se adaptar às
condições que lhe eram impostas. “A destruição em massa e a escassez de materiais e de
recursos levaram o mundo a discutir e pensar em soluções para a população afetada pela
21

falta de moradia” (BRITO, 2017, pg. 03). A ideia de moradia comunitária teve grande
influência e força no pensamento modernista, especialmente nos conceitos de Le
Corbusier, a partir das novas formas de morar, o que promulgou nos primeiros conjuntos
habitacionais na Europa (figura 1).

Figura 1 – Conjunto Habitacional elaborado por Le Corbusier em Marselha, França, para


pessoas sem moradia, vítimas da Segunda Guerra Mundial.

Fonte: Archdaily (2017)

Segundo Bonduki (1994), a ideia de habitação social diante da visão


governamental no Brasil deu-se início ainda mais tarde que na Europa, sendo
consideradas ações iniciais durante a revolução de 30. O autor diz que após o poder
público destruir sua imagem de representante dos interesses econômico da agro
exportação, se desenvolve na década de 1930 um processo longo e consolidado de criação
de novas condições para as atividades urbano-industriais, fazendo com que a sustentação
22

do novo regime político estivesse em grande parte voltado aos interesses das massas
populares urbanas.
Com esse interesse voltado à ideia de populismo, foram nos governos Vargas
(1930-1945) e Dutra (1946-1951) que surgiram os primeiros órgãos públicos federais
para atuar na produção de conjuntos habitacionais, tais como o Instituto de
Aposentadorias e Pensões (IAPs) e a Fundação Casa Popular (BRITO, 2017). Com
relação à Casa Popular:
(...) no entanto, sua fragilidade, carência de recursos, desarticulação
com os outros órgãos que, de alguma maneira, tratavam da questão e,
principalmente, a ausência de ação coordenada para enfrentar de modo
global o problema habitacional mostram que a intervenção dos
governos do período foi pulverizada e atomizada, longe, portanto, de
constituir efetivamente uma política (BONDUKI, 1994, pg. 718).

Desta forma, embora existissem instituições federais responsáveis por esse tipo
de moradia, ainda sim faltava uma efetiva ação política, que agisse através de políticas
públicas, incentivando a criação e discutindo a importância desses conjuntos
habitacionais. Mesmo assim não se pode obscurecer a importância desses órgãos,
especialmente porque eles representam uma ação concreta e original sobre a ideia de
habitação social no Brasil e qual o papel do Estado nesse processo (BONDUKI, 1994).
Alguns anos se passaram até que esse conceito evoluísse, tendo ganhado mais
força somente após o golpe militar de 1964, quando surgiu o Banco Nacional de
Habitação - BNH, sendo este um grande impulsionador da garantia da moradia e no
desenvolvimento industrial da construção civil nesse processo, mas que tem suas boas
intenções desconfiguradas por meio de uma série de erros nas soluções projetuais
adotadas e com relação às questões ambientais.
Foi em 1986 que se deu início a fase conhecida como “pós-BNH”, com um longo
hiato até a criação do Ministério das Cidades em 2003, onde a questão da habitação
ganhou força após a criação do Plano de Aceleração do Crescimento - PAC de 2007, o
Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social - FNHIS e o Programa Minha Casa
Minha Vida – PMCMV de 2009. Mas entre este hiato, é importante citar a criação durante
a década de 1990 de alguns programas habitacionais logo extintos no país, tais como o
Programa Pró-Moradia e o Programa de Arrendamento Residencial – PAR (BRITO,
2017; CUNHA, 2017).
Este capítulo não visa esgotar a bibliografia que trata da desenvoltura desses
programas no Brasil, mas apresenta um panorama geral da história deles. Para isto,
23

destaca-se a pesquisa de Santana (2006) onde ela cita a política habitacional em Maceió
no período de atuação do BNH (1964-1986), que se davam com a atuação da Companhia
de Habitação Popular de Alagoas – COHAB/AL (implementada em 26 de maio de 1966),
dentre outras companhias do município e do estado, como o Instituto de Previdência e
Assistência dos Servidores do Estado de Alagoas – IPASEAL. Este último financiou
muitos conjuntos habitacionais em Maceió, como os apresentados na tabela 1.

Tabela 1 – Conjuntos Habitacionais financiados pelo IPASEAL


Conjunto Habitacional Apartamentos Bairro
Conjunto Rui Palmeira 672 Serraria
Conjunto José Tenório Lins 2000
Conjunto Medeiros Neto 496 Santa Amélia
Conjunto Henrique Equelman 228 Antares
Conjunto Alfredo Gaspar de Mendonça 784 Jacarecica
Conjunto Dom Adelmo Machado 492 Cruz das Almas
Conjunto Arnon de Melo Poço
Climério Sarmento 656 somados Jatiúca
Fonte: da Autora (2018) baseado em Santana (2006).

Já a atuação da COHAB/AL na cidade de Maceió pode ser divida em dois


momentos: o primeiro se refere à implantação dos conjuntos no litoral e o segundo na
região conhecida como tabuleiros – dentre outras regiões periféricas, algumas delas já
apresentadas na tabela 1. Com isto, este órgão valorizou a ocupação de alguns bairros que
estavam pouco povoados por serem mais afastados do grande centro da cidade.
Os conjuntos habitacionais próximo ao litoral tinham valores mais elevados, com
financiamentos mais elevados, porque essas áreas tinham valores de terra mais altos,
bloqueando o acesso de moradia às pessoas com recursos econômicos inferiores, desta
forma:
(...), a lógica da política habitacional em Alagoas foi a mesma daquela
adotada nacionalmente, que privilegiou classes de renda mais elevada,
dando suporte às empresas de construção civil, sem beneficiar a maior
parte da população. (...) O resultado foi a ocupação e o uso dos vazios
em áreas mais periféricas e distantes do centro, alimentando um padrão
e segregação socioespacial (SANTANA, 2006, pg. 78-79).

Pode-se perceber dessa forma, que a configuração de conjuntos de habitação


social em Maceió acompanhou a lógica do desenvolvimento nacional, a partir das
implementações de órgãos e programas que viabilizavam civilizar os brasileiros, mas
24

segundo a literatura existente, esses conjuntos ficaram restritos à periferia, distantes dos
grandes centros, formados por moradores com recursos econômicos inferiores aos do
centro e região litorânea, segregando-os social e culturalmente.
Com o passar dos anos conjuntos habitacionais ainda são criados e financiados
por órgãos públicos na cidade de Maceió, seja com recurso municipal, estadual ou federal,
se destacando aqueles que envolvem o financiamento através do programa Minha Casa
Minha Vida, já citado.
O programa atualmente leva em consideração a proporcionalidade de renda para
dispor o subsídio, onde segundo CUNHA (2017), podem ser observados três grupos cujas
rendas variam de 0 a 3 salários mínimos, tendo o subsídio integral; os de 3 a 6 salários
mínimos e os de 6 a 10 salários mínimos, com subsídios parciais.
Para o primeiro grupo é utilizado o Fundo de Arrendamento Residencial, sendo
feita uma doação dessas residências à uma lista de pessoas - elaborada pela prefeitura de
cada cidade -dentro dessa faixa salarial.
Alguns dos conjuntos dessa categoria na cidade de Maceió são: Conjunto
Residencial Morada do Planalto, Conjunto Cely Loureiro II, Residencial Parque dos
Caetês, Conjunto José Aprígio Vilela, Residencial José Quintela, no bairro do Benedito
Bentes; Residencial Maceió I, Residencial Jardim Tropical, Conjunto Santa Helena e
Conjunto Geraldo Sampaio no bairro Cidade Universitária; Residencial Rio Novo, no
bairro Rio Novo; Residencial Parque Petrópolis, no bairro Jardim Petrópolis; Residencial
Ouro Preto, no bairro Ouro Preto; Residencial Vila dos Pescadores no bairro Trapiche da
Barra (Mapa 1).
Este último se caracterizou especialmente pela remoção da comunidade para um
local diferenciado, mudando todo sistema cultural e social, fazendo com que se
adaptassem a um sistema de moradia contrastante aos que viviam.
Todo este panorama de fatos sobre os residenciais se mostra como uma maneira
de discutir o problema do trabalho que está ligado aos conceitos sustentáveis. Desta
forma, fica aberta a ligação da criação e configuração desses conjuntos habitacionais e os
seus aspectos sustentáveis, seja na questão de planejamento projetual ou na apresentação
de propostas para os já construídos.
Desta forma, pode-se enfatizar o interesse da autora em abordar no processo
projetual, o tipo de conjunto habitacional formados por pessoas que recebem de 0 a 3
salários mínimos, desafiando-se a configurar um projeto sustentável para esses conjuntos,
a partir de uma proposta projetual. Outro fator impulsionador é a capacidade de
25

crescimento desse tipo de conjunto diante da necessidade que as cidades da região


metropolitana apresentam – em especial Maceió.

Mapa 1 – Disposição de alguns empreendimentos do PMCMV de 0 a 3 salários mínimos.

Fonte: CUNHA, 2017.

1.2. Arquitetura e Sustentabilidade

O acúmulo populacional das grandes cidades - como já discutido no tópico


anterior - reflete não só a autocrítica das sociedades quanto às melhores condições de
moradia, mas também à melhor utilização de recursos para as múltiplas necessidades das
pessoas. Com o avanço de tecnologias na construção civil, pôde-se criar mais casas, com
espaços diversificados e maiores, associados a diferentes materiais, em pouco espaço de
tempo. O sistema multiplicador dessas moradias bem como elementos de seus entornos -
asfaltos, sistema de energia, água, saneamento básico, dentre outros - ganham cada vez
mais força, gerando desperdícios, uso indevido dos recursos e demais consequências que
influenciam diretamente no meio ambiente.
26

Sabe-se que o homem depende dos recursos naturais e por utilizá-los de forma
indevida e exacerbada, as alterações na biosfera aparecem como fenômeno sucessor,
associando a elas as mudanças climáticas, decorrente do aumento da concentração de
gases na atmosfera, aumento também da temperatura da Terra, resultando no conhecido
Efeito Estufa. Seu principal causador é o dióxido de carbono (CO2) e são os edifícios
uma de suas principais fontes. Por conta desses e outros eventos do uso exagerado dos
recursos naturais, as várias áreas da construção civil - tais como a arquitetura - voltam
seus estudos para os modos de fazer e viver sustentáveis, com cada vez mais frequência.
O conceito sustentável se amplia não somente para as formas de construir, mas de ser
enquanto sociedade. (CAVALCANTI, 2016). Desta forma,

(...), é importante assinalar que a transição para sociedades mais


sustentáveis pressupõe o tratamento de temas ambientais urbanos
tangíveis, como transporte, uso do solo, qualidade do ar e conservação
de energia, da mesma forma que temas intangíveis, como os de saúde e
segurança pública, igualdade entre sexos, educação ambiental,
responsabilidade ambiental global, etc (CASTELNOU, 2003, pg. 139).

Desta forma, os elementos tangíveis e intangíveis entram no processo de análise


e criação do arquiteto como elementos não somente integradores, mas que dão suporte a
ideias inovadoras e que tem como norte a utilização consciente de recursos naturais que
levem às próximas gerações a dispor deles. Segundo Castelnou (2003), seguindo a ideia
de um certo suporte oferecido pela natureza, as sociedades organizadas precisam se
adequar à essas demandas, para que possam se sustentar e suprir o aumento populacional
contínuo, bem como os níveis de consumo. Desta forma, o desafio da arquitetura na
contemporaneidade estaria nessa problemática, necessitando o arquiteto, que envolver
métodos e materiais da construção urbana apropriados.
Trata-se de um desafio particular e estimulante para indivíduos e
coletividades, sendo necessário enfrentá-lo o mais cedo possível, pois,
à medida que o tempo passa, torna-se cada vez mais difícil implementar
as medidas necessárias à sua efetivação. Ele provavelmente representa
para a humanidade o mais importante desafio de toda a história. Têm-
se hoje extraordinários instrumentos científicos para prever a evolução
do meio ambiente. Seria possível saber evitar as catástrofes e, ao mesmo
tempo, melhorar a qualidade de vida? Ou deve-se deixar arrastar até a
crise por modelos econômicos que levam a crer na existência do infinito
em um mundo finito (CASTELNOU, 2003, pg. 140).

Dentro desse desenvolvimento sustentável fica difícil de apresentar uma fórmula


que exiba um caminho certeiro ao que se imagina ser sustentabilidade, mas ela é
constituída não somente do equilíbrio físico-ambiental, crescimento econômico e
27

equidade social, mas também os aspectos culturais. É através destes que se pode sanar a
necessidade de evitar conflitos culturais e isso pode vir através da especificidade de
soluções para cada cultura e local, levando em conta sua particularidade.
Desta forma, segundo Villela (2007), o arquiteto e urbanista não está somente
como agente social, mas cultural e pode intervir e contribuir, de forma mais prática, com
suas várias atuações projetuais. Diante deste conceito que leva em consideração a
sustentabilidade como um estilo de vida, na arquitetura, o ideal seria com que esse
pensamento estivesse de forma intrínseca e inconsciente, sem necessariamente se
transformarem em termos e estudos específicos.
Segundo o Guia Sustentabilidade Na Arquitetura (2012, pg. 13) “Projetar é buscar
soluções coerentes com as condições de exposição do empreendimento e com as
demandas de seus clientes, usuários e sociedade”. E esses projetos baseados em conceitos
de sustentabilidade podem ganhar nomenclaturas diferenciadas e despertar várias
perspectivas diante do ambiente construído, algumas por sua vez, até ilusórias.

Uma delas é o de edifícios vivos, exemplificado por Villela (2007) em suas


pesquisas, onde ela comenta sua definição como lugares perfeitos, sem qualquer tipo de
erro, que obtém água e energia no próprio local, adaptado ao local e clima, não polui, não
gera resíduos, pode promover saúde, bem-estar, ecossistema saudável, maximiza a
eficiência e conforto e por fim é belo e inspira o olhar. Em seguida, a autora critica esse
tipo este exemplo, e esclarece que ele apresenta uma ideia de arquitetura sustentável
utópica, sem considerar as diversas limitações e realidades da construção de edifícios.

Castelnou (2003) apresenta um caminho divido em quatro pilares que podem


servir como ideia fundamental podendo resultar em soluções mais adequadas às suas
situações. São eles: a realização de um programa ecológico, para que se possa criar algo
que contribua para sustentar a diversidade da sociedade e da qualidade dos recursos
naturais; O segundo é considerar as energias do comportamento, recriando identidades e
as tendências de convivência regionais e locais. O terceiro seria analisar as energias do
espaço e do clima para que se possa aproveitá-los melhor e poupar energias, contribuindo
positivamente para o conforto humano. O último seriam as práticas morfológicas e
tecnológicas mais adequadas, capitalizando a mão de obra do lugar e os materiais locais
que não se esgotam, resultando assim em uma morfologia que se alinha à história e as
condições ambientais.
28

Em uma sociedade onde os riscos passam a compor o dia-a-dia das


pessoas, em especial nos ambientes urbanizados, a prática arquitetônica
e urbanística deve procurar avançar em direção a metodologias e
procedimentos que objetivam, essencialmente, a diminuição do
desperdício energético das edificações, a utilização de matérias-primas
renováveis, a adequação topográfica e bioclimática das estruturas, a
reciclagem de edifícios antigos, o zoneamento ambiental e a
preservação das áreas naturais (CASTELNOU, 2003, pg. 142).

Mesmo diante dessas possibilidades e importância de atuação social do arquiteto,


ainda uma boa quantidade de formados na área da construção civil tem dificuldades de
integrar conhecimentos e técnicas de forma que harmonize o objetivo e a prática de
projetos sustentáveis.
Em sua pesquisa, Cavalcanti (2016) apresenta um estudo com base em entrevistas
onde ela conclui que embora os formados em arquitetura conheçam de modo geral o que
seriam projetos baseados em conceitos sustentáveis, a grande maioria quase não aplicava
de forma efetiva técnicas que se enquadrassem nesses conceitos, seja por questões
econômicas – uma vez que as técnicas que conheciam poderiam ser de alto valor
econômico -, ou falta de conhecimento das formas de aplicações diferenciadas.
Com relação aos métodos para se alcançar objetivos sustentáveis, Villela (2007)
apresenta algumas sugestões que podem contribuir este aspecto: O arquiteto deve
respeitar a topografia e vegetação existente, tem que desenvolver um estudo do impacto
ambiental, analisar planos urbanísticas e efetuar a verificação da infraestrutura existente.
Sempre utilizar iluminação e ventilação naturais, uso adequado das proteções solares,
especificar materiais, aproveitar ao máximo as condições climáticas locais para o melhor
uso de energia, contribuindo com melhor conforto do usuário.
Os materiais construtivos são outro ponto importante, bem como as tecnologias
adotadas que podem favorecer ou desfavorecer a melhor utilização dos recursos e/ou
auxiliar no melhor uso do impacto energético. Os materiais têm seu ciclo de vida, da sua
extração – levando em conta seus impactos a partir daí -, perpassando o transporte,
aplicação e o seu desempenho no edifício, bem como a longevidade, reutilização,
reciclagem e decomposição.
Para isto é necessário o estudo dos selos de qualidade e equipamentos. De forma
resumida, o projeto deve se embasar na regra dos três erres: reduzir, reutilizar e reciclar,
sendo necessário antes de reciclar, pensar na geração de resíduos.
O Guia Sustentabilidade Na Arquitetura (2012) apresenta algumas ações com
relação à algumas características de projetos importantes que podem ser levadas em
29

consideração na fase de planejamento. Com relação aos recursos naturais ele indica que
sejam analisados a insolação, clima, água, qualidade do ar, solo, bem como a fauna e a
flora. Com relação à infraestrutura urbana: o sistema viário, transporte coletivo, rede de
distribuição de água, rede de coleta de esgoto, sistema de drenagem de águas pluviais,
rede de distribuição de energia e gás, sistemas de comunicação e sistema de coleta de
resíduos sólidos urbanos.

Na análise da vizinhança e comunidade local: infraestrutura de abastecimento,


infraestrutura de saúde e educação, equipamentos de esporte, lazer e cultura, segurança
pública, qualidade da paisagem urbana edificada, organização sociocultural da
comunidade. Sugere também uma pesquisa quanto a mobilidade urbana, abordando a
acessibilidade e as possibilidades de desenho universal, estudo dos materiais mais
adequados e os sistemas construtivos; gestão de resíduos, conforto térmico, visual,
olfativo e acústico; salubridade. Inclui-se aqui a parte de pós-obra com a operação,
manutenção e adaptabilidade.

Esta complexidade de fases e métodos se contextualizada muitas vezes de forma


integrada, mas o que vale salientar é que o projeto arquitetônico – especialmente o que
possui cunho sustentável – tem mais chances de ser eficaz quando associa ao seu ato
projetual, conhecimentos da antropologia, sociologia, geografia, geologia, biologia,
ecologia, dentre outras áreas do conhecimento. De forma paralela a associação aos
saberes populares e tradicionais poderiam conduzir na construção de uma “racionalidade
ambiental” possível de compreender e transformar o seu meio (CASTELNOU, 2003).

Contudo, é perceptível a impossibilidade de projetar e construir edificações com


todos esses métodos baseados nos conceitos positivistas da sustentabilidade. Muito
embora estes conceitos sejam completos e apresentem dificuldades em definição
universal – especialmente por conta de seu dinamismo enquanto disciplina -, seus
objetivos e intensões não se invalidam, sendo um grande suporte e pensamentos para a
busca de construções e planejamentos mais adequados às complexidades locais.

1.2.1. Habitações de Interesse Social no caminho da sustentabilidade

O estudo das habitações de interesse social tem se ampliado em diferentes áreas


do conhecimento, dentre elas a arquitetura, seja através da análise crítica ou dos processos
construtivos, uma vez que ela se configura como um produto da construção civil. Por
30

conta da sua alta concentração de pessoas, utilização de recursos naturais e possível


geradora de resíduos com capacidade poluente, essas habitações podem ser estudadas
tanto no seu planejamento quanto no ambiente já construído, onde na primeira podem ser
sugeridas alternativas de organização, execução e manutenção e a segunda especialmente
as adaptações.
Segundo Brito (2017) é perceptível que o tema da sustentabilidade tem
influenciado os empreendedores – em especial os que estão no mercado comercial da
construção civil – a adotarem soluções inovadoras para os projetos, sugerindo áreas
verdes, diminuindo os gastos energéticos, o consumo de água e gás, instalação de
equipamentos que estimulem o convívio social e o lazer, a preocupação com a orientação
solar e a coleta seletiva.
Mas ainda assim este tipo de atitude por conta do seu cunho comercial ainda está
quase que estritamente aliada aos conjuntos de habitações que abordam pessoas com
poder econômico notável, apresentando essas propostas como alternativas agregadoras
de valores dos imóveis.
Percebe-se ainda uma falta desse investimento nos conjuntos que são qualificados
para pessoas com baixo poder econômico, apresentando uma lacuna de mercado ou
especialização nesse campo, bem como de políticas públicas que estimulem o pensamento
de técnicas construtivas sustentáveis em produtos da construção civil para pessoas com
baixos recursos econômicos. Este tipo de atuação ajudaria a voltar o olhar dos arquitetos
com mais atenção para os aspectos sociais, de conforto, a metragem quadrada útil e as
grandes distâncias em que esses conjuntos são implantados (Villa, 2012; BRITO, 2017).
Villa (2012), apresenta um procedimento para o desenvolvimento das habitações
sociais na contemporaneidade, criticando os modelos tradicionais tanto no aspecto da
disposição de ambientes, quanto na metodologia adotada para chegar ao objetivo
proposto. Segundo a autora as habitações sociais são produtos da arquitetura com
capacidade de estreitar pessoas com recursos econômicos diferenciados e contribuem na
inclusão de pessoas que, em certas localidades, são excluídas dos grandes centros
culturais e sociais.
Para Dall’Agnol (2013), as construções sustentáveis também são fortes
oportunidades de inovação, no ponto de vista da construção, seja na criação de ambientes
diferenciados, quanto na utilização de materiais que são resultados de pesquisas recentes
e específicas.
31

Sugere algumas alternativas como a utilização de blocos produzidos a partir de


entulhos moídos dos próprios resíduos das construções, a madeira manufaturada
produzidas a partir da serrafem e restos de madeiras demolidas, os blocos de pedra,
madeira certificada, tijolos de terra produzidos a partir de terra cruz, água e palha –
elaborados até no local de obra -, dentre outros.
Mas, mesmo diante das muitas possibilidades de materiais construtivos, o
mercado sofre ou com a falta de mão de obra ou ainda o receio de utilizá-los, muitas vezes
pela falta de conhecimento.
A autora apresenta ainda algumas propostas de edificações sustentáveis, como a
casa sustentável sem tijolos, criada pela empresa Tecverde, projetada com uma estrutura
em madeira autoclavada de reflorestamento, isolamento térmico com lã de vidro e garrafa
pet. Utiliza menos mão de obra que uma casa normal e já foi modelo para casas do
Programa Minha Casa Minha Vida com trezentas casas construídas utilizando a mesma
técnica na cidade de Curitiba-Paraná. A empresa ganhou vários prêmios, tais como o
Prêmio Nacional de Inovação da Confederação Nacional da Indústria.

1.3. Telhados verdes: história e desenvolvimento.

Os telhados ou coberturas verdes se constituem em uma cobertura de edifício que


está parcial ou completamente envolta com solo e vegetação sobre uma membrana
impermeável, podendo incluir sistema de irrigação, drenagem e outras camadas que
podem servir de barreira contra as raízes. Pode ser incluso o conceito de “verde” se elas
também possuírem algum elemento que resulte em benefícios ambientais, tais como os
painéis solares e sistemas fotovoltaicos (MARTINS, 2010).
Atualmente vêm ganhando cada vez mais notoriedade tanto no campo projetual,
quanto nos estudos científicos, tendo estes comprovado muitos de seus benefícios em
instituições respeitadas. Mas, antes da compreensão da adoção desses telhados na
contemporaneidade, é importante salientar alguns fatos históricos que ajudam a atinar
como essas tecnologias se consolidaram.
A sua mais remota constatação vem do nos 600 a.c. na Mesopotâmia, onde situa
atualmente o Iraque, ganhando o nome de Jardins Suspensos da Babilônia (figura 2), que
segundo historiadores, o rei Nabucodonosor construiu esses jardins suspensos para a sua
32

esposa que estava doente, assim ela poderia lembrar sua viagem à Pérsia (CORRENT,
2017).
Ainda, segundo Savi (2012), sua utilização também remota à sua aplicação em
países de temperaturas baixas, tais como a Islândia (figura 3) e Escandinávia, assim como
em países quentes, tendo exemplo a Tanzânia. Em países frios garantia o isolamento
térmico, evitando o uso da calefação. Seus usos e técnicas foram se aperfeiçoando e
disseminando.
Figura 2 – Simulação eletrônica dos Jardins Suspensos da Babilônia

Fonte: Dicas de Arquitetura (2019)

Figura 3 – Casas com telhados verdes na Islândia

Fonte: Archtrends (2019)


33

É perceptível sua utilização também durante a Idade Média, na Europa, em


especial na conservação da água e produção de alimentos. O início da sua grande evolução
se deu com o desenvolvimento do concreto armado, já no século XVIII, se consolidando
em países da Europa e América. Um exemplo dessa evolução foi um modelo de concreto
armado de cobertura natural como projeto experimental, apresentado na exposição
mundial de 1858 em Paris.
Em 1880, destaca-se a construção do Rudolph Aronson’s Casino Theater, o
primeiro teatro nos Estados Unidos a ter uma coberta verde. O grande advento dos
telhados verdes se deu com o modernismo, em particular, com a adoção dos toit-jardim,
chamados assim por Le Corbuisier, onde ele passa a inserir a natureza nos espaços ociosos
de cobertas, resultando como um dos cinco princípios do modernismo. Resulta daí
também trabalhos como de Frank Lloyd Wright, dentre outros arquitetos e projetos que
foram ganhando a popularidade, se adequando às residências mais simples, como na
Alemanha (SAVI, 2012; MARTINS 2010).
A Alemanha é um grande exemplo da evolução dessas tecnologias, levando em
consideração seu desenvolvimento histórico e social, especialmente na década de 1960,
onde por decorrência da grande população, escassez de água potável e as inundações
frequentes, foi necessária a criação de alternativas construtivas que combatessem esses
problemas. Contando com isso, os aspectos econômicos e ambientais estimularam o
desenvolvimento desses sistemas, evitando inclusive enchentes, resultando em uma
estimativa atual de 10% das cobertas de edifícios alemães, segundo Matins (2010):

A criação de um grupo de estudos, a sociedade para pesquisa do


desenvolvimento da construção paisagística, as leis alemãs com atos de
proteção e definição de especificações e a ambientação da indústria em
amplo padrão, formam a base desse desenvolvimento (...) Algumas
empresas começaram a oferecer especialistas em coberturas verdes e a
estabelecer os seus próprios programas de pesquisa, como a ZinCo e
Optigrün, perto de Estugarda, sul da Alemanha. Então, o crescimento
de plantas nas coberturas e paredes, deixou de pertencer aos
movimentos ambientais alternativos dado que encontraram suporte
científico e sustentação económica (MARTINS, 2010, pg 4-5)

Ainda, segundo o autor, na Alemanha este tipo de tecnologia se deu para atenuar
a perda dos espaços, habitat e paisagens, por conta da grande urbanização, além da falta
de recursos. Nos Estados Unidos as coberturas têm ganhado cada vez mais força, sendo
um dos principais países a desenvolver esta tecnologia de forma industrial, levando em
consideração as razões econômicas, como a melhor utilização de recursos, baixando os
34

custos das edificações. Já na Noruega, os telhados são vistos como parte do patrimônio
nacional e estão ligados a conceitos folclóricos ligados à natureza. Isso quer dizer que em
cada país ou região, sua adoção e contextualização estão relacionadas à política,
geografia, clima, cultura e estrutura econômica, bem como o desenvolvimento industrial
e social.
No Brasil, é o modernismo que traz o pensamento norteador para a evolução dos
telhados verdes, contanto com os projetos de Burle Marx, tendo como obra o teto-jardim
do Ministério da Saúde e Educação do Rio de Janeiro dos arquitetos Afonso Reidy, Carlos
Leão, Ernani de Vasconcelos, Jorge Moreira, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer (figura 04).
Na contemporaneidade, algumas empresas vêm se destacando na aplicação dessas
tecnologias no Brasil, mas ainda assim caminha a passos lentos, tendo o seu
desenvolvimento impulsionado pelas certificações ambientais. Uma delas é a Aqua da
Fundação Vanzolini, que objetiva averiguar a Alta Qualidade Ambiental do
Empreendimento, assim como a LEED – Leadership in Energy and Environmental U.S.
Green Building Council, salientando indiretamente os telhados verdes como pontos
importantes para a certificação (SAVI, 2012). Segundo Corrent (2017):
Embora ainda não haja leis específicas quanto a isenção fiscal para o
uso do telhado verde em algumas cidades brasileiras, há programas de
incentivo do governo para o uso de técnicas de sustentabilidade, que
incluem o uso de materiais ecológicos e que adotam ações como a
separação de lixo doméstico, utilização de energias renováveis, entre
outros, inclusive o telhado verde (CORRENT, 2017, pg 11).

Figura 4 - Teto-jardim projetado por Burle Marx.

Fonte: Faculdademarx (2018).


35

Ou seja, embora as discussões e estudos mais específicos de telhados verdes no


brasil tenha crescido, ainda sim é visto como um dos pontos integrantes de ações
sustentáveis, surgindo como alternativa e tendo menos autonomia nesse sentido. Assim,
se mostra importante a implantação de políticas de incentivo que estimulem o uso de
telhados verdes, assim como estudos científicos e projetuais, levando em consideração as
particularidades climáticas, geográficas, culturais e sociais locais, visto que esta técnica
pode auxiliar na redução de problemas decorrentes do desflorestamento e índice crescente
de urbanização.
Um dos fatores que mais contribuiu para a crescente urbanização nas cidades, em
especial, nas capitais, foi a Revolução Industrial, que fez com que o homem do campo
migrasse para as regiões de fábrica e lá se instalassem. Com o tempo essas localidades
foram se aglomerando e se consolidando a partir da construção de casas e outros edifícios
para comércios que sanavam as necessidades dessas pessoas (BRITO, 2017).
Desta forma, as áreas verdes foram dando espaço para o concreto e o asfalto, sendo
as áreas de escoamento pluvial totalmente impermeabilizadas, as coberturas ganhando
cerâmica, fibras minerais, resultando na diminuindo a absorção da aquosidade e
consequentemente, elevando a temperatura dos ambientes e estrutura de edifícios. Com
isso, nasceu o condicionador de ar, para aliviar as temperaturas internas dos edifícios.
Mas seu uso intenso, associado ao crescimento de automóveis nas ruas e às poucas áreas
de vegetação, contribuem para o aumento ainda maior das temperaturas das cidades. Os
telhados verdes podem contribuir para reduzir o uso ou até substituir esses sistemas, por
conta dos seus benefícios tão expressivos nas áreas urbanas (SAVI, 2012).

1.3.1. Tipologia e benefícios dos Telhados Verdes.

Alguns dos principais requisitos para o desenvolvimento das coberturas verdes é


a fixação dos componentes da cobertura, estrutura resistente, proteção térmica e acústica,
bom planejamento de impermeabilização, abranger a possibilidade da circulação de
pessoas, propostas de dispositivos que permitam a drenagem e a evacuação de água. Para
cada um desses requisitos existem características que devem nortear o processo projetual
dos tetos-jardim. Essas características estão apresentadas na tabela 2, elaborada a partir
da leitura em Martins (2010):
36

Tabela 2 - Requisitos para o planejamento de telhados verdes

Requisitos Características

Requer três principais propriedades: resistência, materiais


Fixação dos compatíveis com as necessidades e o peso, focando
Componentes de cobertura sempre no mais leve possível. São necessárias, uma boa
aderência, boas características mecânicas e espessura
adequada.
Estrutura Resistente Propriedades necessárias: resistência e rigidez, tendo o
suporte estrutural que cobrir e suportar a estrutura.
Devem garantir condições de habitabilidade necessárias
Proteção Térmica e Acústica para o espaço coberto, reduzir a influência térmica do
exterior, incluindo elementos complementares de
proteção térmica e proteção à ruídos.
É necessária a utilização de revestimentos de
Impermeabilização impermeabilização para a vedação das coberturas, com
características de deformação, sem rotura e fissuração e
impedindo a penetração da água.
Revestimentos que sejam resistentes às ações mecânicas
Revestimentos de e ao efeito do envelhecimento dos sistemas de
proteção e circulação impermeabilização, assim como os que possuam proteção
necessária às ações da circulação frequente.
As coberturas devem ser confinadas para facilitar a
Dispositivos de evacuação das águas pluviais, com uma cobertura que
drenagem e evacuação da água possuir elementos construtivos que conduzam essas
águas ao ponto de evacuação.
Fonte: Da autora (2018), baseado em Martins (2010).

Esses requisitos são de extrema importância, devendo sempre levar em


consideração que a suas características podem ser ainda mais especificas, assim como sua
quantidade, porque a maioria deles dependem e se adequam às tipologias existentes de
telhados verdes. Segundo Savi (2012), existem três tipos principais de telhados verdes:
intensivo, extensivo e o semi-intensivo e suas propostas de configuração variam, bem
como os materiais que podem ser aplicados.
Os telhados intensivos são os que necessitam de mais adubo e água e uma estrutura
reforçada para suportar o jardim, devido ao peso que este tipo de cobertura possui, já que
são construídos com fins recreativos e estéticos. A limitação para vegetação é pouca,
sendo possível escolha de árvores ou arbustos, atentando para plantas com raízes de
grande comprimento, sendo estas evitadas.
A camada de terra deve ser superior a 15cm, podendo chegar a 30 cm, sendo
necessária uma seleção prévia da vegetação desejada para que se escolha a melhor altura
da camada de terra, o que acaba influenciando também no peso sobre a edificação. Esta
camada tem como função absorção de nutrientes, água e oxigênio e deve ter
decomposição biológica e compactação mínimas, sendo necessária em sua constituição
37

componentes inorgânicos e com camada superficial de materiais porosos, de natureza


mineral (MARTINS 2010; CORRENT, 2017). Martins complementa que (2010):

A camada filtrante deverá estar situada em cima da camada drenante


para impedir a passagem de partículas finas do substrato e, portanto, a
obstrução da camada drenante. Esta última, deverá situar-se acima da
membrana impermeabilizante, assegurando a sua funcionalidade em
condições de chuva continuada e intensa (MARTINS, 2010, pg 15).

Ainda, segundo o autor supracitado, as membranas impermeabilizantes devem


possuir resistência a microrganismos e perfuração de raízes. Requer uma manutenção
constante, com rega e outros cuidados peculiares. Na figura 5 pode-se identificar uma
ilustração esquematizada como resumo das fases básicas mais importantes na construção
de telhados tipo intensivos, descrita na pesquisa de Savi (2012):

Figura 5 – Esquema de coberturas verdes intensivas

Fonte: Savi (2012)

Já as coberturas extensivas são telhados que não precisam de muita manutenção e


possuem a camada de substrato mais fina, com vegetação de baixa manutenção, como
plantas que não necessitam de regas constantes. Com sua espessura de substrato menor –
38

menor do que 15cm -, ela possui uma influência de peso muito menor, podendo se
assemelhar à telhados e lajes convencionais. A decomposição biológica e a compactação
nesta camada devem ser mínimas, podendo conter componentes orgânicos, mas ainda sim
inorgânicos em sua maioria.
A sua camada filtrante deve situar acima da drenante, impedindo a passagem de
partículas finas do substrato. A camada drenante deve se situar sobre a camada de
impermeabilização para proteção mecânica e meio de drenagem, resultando em um
telhado forte sobre a ação de chuva. Também precisam de uma resistência à perfuração
de raízes e microrganismos. (MARTINS 2010; CORRENT, 2017). Savi (2012) também
apresenta uma figura que ilustra uma proposta de configuração deste tipo de telhado
(figura 6).

Figura 6 - Esquema de coberturas verdes extensivas

Fonte: Savi, 2012

Alguns pesquisadores ainda destacam o sistema tipo semi-intensivo, reúne


elementos das intensivas e extensivas é nelas onde estão presentes vegetações de médio
porte que necessitam de manutenções e rega mais frequentes que no sistema extensivo,
sendo utilizado com frequência plantas herbáceas. Algumas de suas principais
características são: maior manutenção, custos elevados e maior peso sobre os edifícios,
com relação às extensivas. Podem se utilizar do aproveitamento de água armazenada e do
aproveitamento da energia eólica e solar para melhor manutenção desse tipo de telhado
39

verde (MARTINS, 2010; CORRENT, 2017). Savi (2012) apresenta também um exemplo
deste tipo de cobertura verde (figura 7).
Esses três tipos de telhados são os mais discutidos na literatura científica e estão
envoltos de particularidades e até diferentes formas de aplicações para diferentes
situações, sejam ligadas ao local e o clima, seja às particularidades da edificação. De
qualquer forma, os telhados verdes resultam em benefícios que devem ser discutidos e
estruturados, com base nos projetos já efetuados, que se configuram na própria edificação
ou ainda contribuindo com a sociedade em geral.
Savi (2012) em seu estudo relata que nas grandes cidades 1/3 de sua constituição
se refere à edifícios, outros 1/3 à ruas e praças, sobrando apenas 1/3 da vegetação natural,
sendo possível dobrar a quantidade de folhas nas cidades se a cada 5, 1 casa tiver coberta
verde, resultando em diversos benefícios que ela mesma relata. Alguns deles foram
dispostos na tabela 3 – para melhor sistematização.

Figura 7 – Esquema de coberturas verdes semi-intensivas

Fonte: Savi (2012)


40

Tabela 3 - Principais Benefícios dos Telhados Verdes


Benefícios Características
A autora indica a pesquisa do arquiteto alemão Jörg Spangenberg,
indicando que a temperatura das cidades poderia diminuir de 1ºC a
Redução das 2ºC, com a ajuda da direção e intensidade dos ventos. As ilhas de
Ilhas de Calor calor são intensificadas especialmente por conta da incidência de
radiação sobre as cobertas, podendo ser evitadas por meio da
evapotranspiração das vegetações.
A variação climática influencia a durabilidade de materiais usados
Redução da variação nos telhados e lajes, porque estes sofrem variações de até 100ºC.
de temperatura Nos telhados verdes essa variação cai para 30ºC, além de que a
durante o dia e a noite variação de temperatura diminui por conta da presença de
vegetação, garantindo um microclima no interior da edificação bem
mais agradável.
Indica um estudo da Universidade de São Carlos, onde foi possível
Isolamento Térmico e comparar através da comparação de protótipos de talhados, a
conservação de energia eficiência energética. O telhado verde apresentou estabilidade de
temperatura, o que ressalta sua capacidade de isolante.
Protegem as Contribuem para a proteção da radiação solar através das folhas que
edificações dos raios acabam refletindo esta radiação, não permitindo que ela penetre a
solares superfície.

Os telhados verdes são aliados para desafogar os sistemas de


Sistemas de Drenagem drenagem das cidades, tão sobrecarregados, especialmente através
mais eficazes de evapotranspiração e armazenamento, reduzindo a água de chuva
direcionada à galerias de águas pluviais.
Os telhados verdes garantem a qualidade das águas superficiais,
Aumento da reduzindo a poluição. As suas camadas agem como filtro para esta
quantidade de água água, podendo ser utilizada para fins potáveis. Podem reter ainda
filtrada partículas de pós, fuligem e substâncias nocivas ao meio ambiente
e ao ser humano.
Melhor desempenho As coberturas verdes, através de sua vegetação, podem absorver as
acústico da edificação ondas sonoras, reduzindo expressivamente os ruídos no seu interior
e também em seu exterior.
Auxiliam passivamente O uso de ar condicionado expõe das pessoas a um ar impuro, se
na qualidade de vida e configurando numa “edificação suja”. A utilização da vegetação
na saúde humana agrega valor ao edifício e influencia no conforto visual da cidade.
Configuram novos Mesmo que pequena, sua contribuição é significativa no
ecossistemas ecossistema de pássaros, insetos e outro animais, garantindo suas
consistências diante de suas particularidades locais.
Fonte: Da autora (2018), baseado em Savi (2012).

Matins (2012) ainda comenta alguns outros benefícios mais específicos, além dos
já exemplificados, como a de que o aumento da quantidade de biomassa em área urbana
sobre as coberturas, contribui na redução dos níveis de dióxido de carbono emitidos por
veículos, indústrias, dentre outros, resultando numa melhor qualidade do ar e
contribuindo na redução de problemas respiratórios.
Podem também diminuir a dilatação, fissuras e envelhecimento da edificação,
aumentando sua vida longa e consequentemente valorizando economicamente o imóvel.
Pode contribuir na segurança, uma vez que está menos propício a vandalismos e assaltos.
41

Pode contribuir na geração de emprego, vistas as possibilidades de estudos e aplicações


dessas tecnologias como campo a se trabalhar no campo industrial e comercial.
Segundo o mesmo autor, um dos maiores problemas do desenvolvimento dessas
tecnologias enquanto mercado industrial e comercial é a falta de incentivo às pesquisas e
consequentemente a ignorância sobre as possibilidades de atuações, o que acarreta no
aumento dos custos para implantação, decorrência da sua quase escassez de mercado em
panorama nacional.
Dependendo da tipologia e dos sistemas e técnicas adotados o custo varia em até
duas ou três vezes mais. Savi (2012) comenta que se construído do início junto à
edificação, seu custo é equivalente a um telhado convencional, mas que pode encarecer
se forem feitas reforças ou adaptações em edificações já construídas.
A autora explicita ainda que os resultados de aplicação dessas cobertas verdes
apresentam mais vantagens que desvantagens, porque seu custo inicial pode ser mais alto
que os sistemas tradicionais, mas esses custos são diluídos no ciclo de vida dos edifícios
munidos dessa tecnologia. Desta forma, o seu tempo de vida não exige muitos
investimentos ou manutenções, fazendo com que, com o tempo, além de não precisar
investir dinheiro na manutenção desses telhados, os usuários ainda possam economizar
com consumo de energia e outros fatores, por conta da melhor utilização dos recursos
naturais.
42

CAPÍTULO 2 - Estudo de Caso

O estudo de caso na arquitetura é feito nas fases pré-projetuais, servindo para


analisar trabalhos referenciais que estejam de acordo com os objetivos de projeto. Para
este trabalho foram analisadas propostas nas de Roaf (2014), o conjunto de habitação
popular que virou bairro, chamado Nueva Democracia na Venezuela; o projeto Casas
Melhoradas, expondo as cinco fases principais do projeto realizadas nas regiões próximas
ao centro de Moçambique; e a proposta vencedora do Concurso de Habitação para Todos,
na categoria Casas Térreas, apresentando os principais dados coletados bem como as
contribuições possíveis para esta pesquisa.

2.1. Nueva Democracia – Conjunto Habitacional Popular.

Este projeto é ideia dos arquitetos Andres Echeverría, Pablo La Roche e Marina
Gonzalez de Kauffman, encontrado nas pesquisas de Roaf (2014). Localiza-se na cidade
de Maracaibo, Venezuela, a 40m acima do nível do mar, com área de 90 a 140 m². O
clima do local é quente e úmido. Tem como principais características sustentáveis o baixo
custo e a adaptabilidade ao clima, casas expansíveis, ventilação natural, sombreamento e
coberturas verdes.
Trata-se de um conjunto habitacional de baixo custo contendo 900 casas,
desenvolvido a partir de um assentamento irregular desde 1994. O Governo do Estado –
Zulia – negociou a retirada da população com a promessa de desenvolver um conjunto de
moradias de forma legal para essas pessoas. Foi construído o bairro entre 1994 e 1996. A
proposta seria fazer com que o conjunto fosse habitado de tal forma que minimizasse os
custos do Governo e dos usuários.
Para a proposta urbana foram utilizados os seguintes princípios de
sustentabilidade: racionalização da ocupação assim como da utilização do espaço, afim
de otimizar a infraestrutura, reduzindo os custos da urbanização; minimizando áreas
públicas difíceis de controlar, para o aumento de áreas privadas, fazendo com que os
moradores se sintam responsáveis e cuidem de seus espaços; maior controle de espaços
coletivos, com divisas adequadas nos terrenos; reforço do pensamento comunitário diante
do bairro, através de uma organização social e espacial, influenciando nos usuários a
intenção de melhoria (figura 8).
43

Figura 8 – Segundo Pavimento e Pavimento térreo do conjunto

Fonte: Roaf (2014)

As casas foram pensadas com a propostas de ampliações futuras, tendo dimensões


iniciais de 30m², podendo ser ampliadas até 140m². Os espaços principais projetados com
sala/dormitório, cozinha, banheiro/lavanderia. As casas têm formato de I, L ou C,
formando pares laterais que auxiliam na ventilação e iluminação dos interiores. Segundo
a autora, a maior parte das casas cresceram, ficam algumas irreconhecíveis:

Em busca de individualização, os proprietários têm


personalizado suas casas de formas bastante significativas. Esse
é o objetivo de um projeto desse tipo – promover uma residência
para a família e apoiá-la na medida em que ela se transforma
(ROAF, 2014, pg. 400).

Com relação ao clima quente e úmido, foram geradas alternativas para o conforto
térmico como ventilação natural cruzada e o sombreamento, resultando em pátios internos
e espaços abertos sombreados. Um problema que tem acontecido é que os moradores têm
coberto seus pátios internos para a criação de novos ambientes de suas casas, bloqueando
a circulação de vento nos ambientes. Desta forma é estimulado o uso de condicionadores
44

de ar, sem uma análise prévia do uso de energia, que aumentou com o tempo, assim como
as temperaturas nos ambientes, por conta do resfriamento mecânico: “alguns limites
deveriam ter sido estabelecidos para os casos em que as alterações refletissem
negativamente no desempenho das casas” (ROAF, 2014, pg. 401).
Por conta do aumento das temperaturas dentro das casas, foram desenvolvidas
algumas propostas de intervenção para amenizar esses problemas, dispostas na figura 9.
São elas: a redução da temperatura – a qual o aumento é decorrente da radiação solar -
por meio da aplicação de janelas que permitem o sombreamento interno, externos,
podendo ser ainda pérgolas, árvores ou beirais; a redução da temperatura pelos telhados
com a instalação de cobertura vegetal sobre a laje de concreto e a instalação de
isolamentos internos a partir do sistema de forro; aumentar a ventilação cruzada nos
espaços modificados incorretamente, abrindo novas janelas; aumentar a quantidade de
vegetação nas áreas externas, reduzindo as superfícies de pavimentação, influenciando no
aumento de água drenada pelo solo.

Figura 9 – Apresentação do bairro com propostas de intervenção

Fonte: Roaf (2014)


45

2.2. Casa de Dona Dalva

O segundo estudo de caso se refere a um projeto do Terras e Tuma Arquitetos


Associados, formado por Danilo Terra, Pedro Tuma e Fernanda Sakano, na cidade de São
Paulo, no bairro Vila Matilde, na casa de Dona Dalva (75 anos). Ela vive nesse mesmo
local há muitos anos, próximo de amigos e familiares.
A casa, com o passar do tempo, apresentou muitos problemas de estrutura e
salubridade, surgindo a possibilidade de vende-la, para morar em algum apartamento na
mesma localidade e assim evitar os limitados gastos da família em reformas na edificação.
Assim, a proposta surgiu com o principal objetivo de adequar o projeto às condições
financeiras de Dona Dalva.
O grande desafio se deu na fase inicial com os quatro meses de demolição
cuidadosa da antiga edificação, descarte de resíduos, aplicação das fundações e iniciação
da execução das alvenarias. A casa possui 4,8 metros de largura por 25 metros de
profundidade em terreno.
A nova proposta dos arquitetos dispõe de uma casa com sala, lavabo, cozinha área
de serviço, suíte. No centro da casa, foi feito um pátio afim de contribuir na iluminação e
ventilação da edificação, assim como extensão da cozinha e área de serviço. Todos os
ambientes necessários para o dia a dia de Dona Dalva foram dispostos no térreo, afim de
contribuir com menos exigências de esforço e trabalho, por conta de sua idade.

Figura 10 – Apresentação do pátio central a direita e a cozinha com área de serviço


integradas com o restante da casa a esquerda.

Fonte: Archdaily (2019)


46

Foi proposto também um pavimento superior com uma suíte projetada para visitas.
A área que fica sobre a laje foi disposta uma horta que pode ser coberta afim de atender
demandas de ampliações futuras da casa.
Foram utilizados blocos de concreto, sem acabamentos aprimorados, afim de
baratear a construção. A escolha de móveis simples, aproveitando os que já pertenciam à
moradora. Optou-se também por uma instalação elétrica aparente, permitindo qualquer
manutenção de forma facilitada e sem precisar quebrar paredes ou revestimentos.

Figura 11 – A esquerda um jardim vertical no pátio central da casa. A direita uma horta
sobre a laje, no piso superior.

Fonte: Archdaily (2019)


47

Figura 12 – Na esquerda a fachada da casa, na direita a demonstração da sala integrada


com o corredor que dá na cozinha e área de serviço.

Fonte: Archdaily (2019)

2.3.Casas Térreas – Concurso Habitação para Todos.


Todas as informações foram coletadas do site Concursos de Projeto e fala sobre o
projeto vendedor do concurso Habitação Para Todos, na categoria casas térreas, dos
arquitetos Gustavo dos Santos Correa Tenca, Inácio Cardona, Giuliano Augusto Pelaio e
Érica Christina Rodrigues Souza, da cidade de Campinas-SP. O concurso foi promovido
pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo –
CDHU e organizado pelo IAB/SP, com objetivo de apresentar propostas de habitação em
seis tipologias: casas térreas, casas escalonadas, sobrados, edifícios de três pavimentos,
edifícios de quatro pavimentos, seis pavimentos e sete pavimentos.
Figura 13 – Representação tridimensional de uma das residências

Fonte: Concursosdeprojeto (2019)


48

A proposta buscou corresponder aos conhecimentos técnicas do momento


histórico, tangenciando a ideia de que os elementos estéticos e a qualidade das habitações
devem corresponder a classes sociais. O objetivo foi uma casa compacta que permitisse
liberdade aos moradores, com espaços livres nos ambientes internos. Buscou também
quebrar paradigmas com elementos estéticos das residências, buscando inovação.
Com a forma alongada, visa apresentar uma melhor iluminação e o recebimento
da radiação direta, baseado nos elementos do clima da cidade de São Paulo. Foram
pensadas casas com dois dormitórios e outra com três, possuindo a mesma área de
ocupação, prevendo a ampliação da casa de dois dormitórios, caso a família viesse a
crescer. Para tanto, foram também ouvidos depoimentos de moradores de sistemas
habitacionais para que pudessem contribuir com as propostas de projeto.
O projeto visou a otimização dos recursos naturais, tais como o sol, o vendo e a
água da chuva. Optou-se por métodos de construção simples, para que os próprios
moradores possam ampliar suas residências futuramente, se assim preferirem. As casas
são aquecidas através do efeito estufa, com o aquecimento da água por meio de placas
solares. Foi construído também telhados verdes para melhor adequação e variação da
temperatura, com vegetação baixa, com a presença de gramíneas e pequenas plantações.
Figura 14 – Corte das residências

Fonte: Concursosdeprojeto (2019)

Figura 15 – Representação do telhado verde trabalhado no projeto

Fonte: Concursosdeprojeto (2019)


49

Optou-se por uma iluminação natural predominante na edificação, evitando o


consumo exacerbado de energia elétrica, bem como ventilação constante para se refrescar
nos meses mais quentes. Desta maneira a residência necessita de menos manutenções,
menos trabalho mecânico e assim grande economia e melhor utilização dos recursos.
Toda a residência também foi pensada para a movimentação de cadeirantes, para todos
os cômodos.
Figura 16 – Estudo de acessibilidade do projeto

Fonte: Concursosdeprojeto (2019)

É perceptível a intenção dos arquitetos dos projetos, sobre a utilização de


sugestões consideradas simples, práticas, fáceis de implementação e custo. Uma dessas
propostas é o telhado verde. Em todas a opções no projeto Casas Melhoradas percebeu-
se a implementação dos telhados verdes como uma proposta inovadora e apropriada para
os contextos do projeto, sendo uma alternativa que visa melhoras consideráveis para o
consumo dessas famílias, de forma geral.
Este tipo de construção foi proposta para um país com consumos desordenados de
recursos naturais e vulnerabilidade social, o que se apresenta como uma ideia valiosa de
se implementar nas moradias, influenciando numa mudança de hábitos sociais por meio
da conscientização sustentável de uma comunidade.
50

O uso dos recursos naturais de forma inteligente, como o vento, ar, água, os efeitos
físicos e químicos normais da natureza também são ótimas propostas para melhor
adequação e economia diante da obra das edificações, mas também do tempo de vida,
assim como ampliação dessas moradias. A possibilidade de ampliação da edificação é
uma realidade dos projetos, ou seja, entender que eles não finalizam após a concretização
das obras, mas permanece em mudança constante, especialmente pela dinamicidade das
vidas dos moradores.
Percebe-se assim que os telhados verdes apresentam benefícios importantes para
as edificações e o conforto ambiental. Podem ser usados como propostas de novas
edificações, como também em readequação de construções já edificadas, influenciando
especialmente no bem-estar das pessoas nos ambientes habitados.
51

CAPÍTULO 3 – Diagnóstico da Área

Este capítulo apresenta as propostas iniciais de projeto, dentre elas algumas


considerações sobre a cidade em que se situa o projeto, o terreno para intervenção e
contextualização territorial, continuando com a legislação aplicável às habitações de
interesse social pelo Governo Federal e do estado de Alagoas. Finaliza com a
apresentação dos estudos arquitetônicos acompanhados das plantas de situação, locação
e coberta. Para tanto se faz necessário entender, de forma resumida, a formação e
desenvolvimento urbano e social da cidade de Maceió, a fim de compreender o universo
cultural, histórico e social da área de implementação do projeto.

3.1. Localização
Maceió é a capital do estado de Alagoas e se desenvolveu econômica e
socialmente de forma acelerada no decorrer do século XX. Atualmente ocupa uma área
de 509,5 km², possuindo 50 bairros oficiais, sendo o município mais populoso do Estado
com aproximadamente um milhão e doze mil habitantes. É ligada a várias vias federais,
como a BR 101, 104 e 306 e tem o turismo e o comércio alicerces principais da sua
economia (NASCIMENTO, 2016).
É conhecida popularmente por suas regiões baixas que compreendem o litoral e seus
bairros vizinhos – localidades valorizadas economicamente, bem como o centro da cidade, um
dos responsáveis pelo seu desenvolvimento. E a região alta que compreende muitos bairros, sendo
a maioria de classe média. Dentre esses bairros está o Tabuleiro do Martins, um dos mais
conhecidos por conta da sua grande área territorial e densidade populacional, sendo um dos mais
populosos da cidade.

3.2. Área de Implantação

O bairro do Tabuleiro é divido popularmente em Tabuleiro Velho e o Novo, em


conjuntura do desenvolvimento gradativo dos conjuntos habitacionais e a Rodovia BR
104, conhecida atualmente como Avenida Durval de Góes Monteiro. Por conta do fácil
acesso à avenida, foi crescendo o número de agências bancárias, padarias, farmácias,
supermercados.
A sua avenida principal se transformou numa das mais importantes para a cidade
por conta do acesso a outros bairros e municípios vizinhos. Atualmente (Mapa 2) é um
52

dos bairros mais populosos da capital alagoana, com aproximadamente 64.755 habitantes
(ALENCAR, 2013).
Mapa 2 – Atual demarcação do bairro Tabuleiro do Martins na cidade de Maceió.

Fonte: Adaptado de Alencar (2013).

O número de instituições importantes para o desenvolvimento da cidade aumentou


gradativamente no bairro a partir da segunda metade do século XX. A maior parte da
população ainda tem como principal meio de transporte o ônibus, apesar do crescimento
da compra de carros convencionais, o que indica também um aumento do poder de
compra da população. Configura-se como um bairro de classe média, de localização
central e com muitos acessos comerciais e residenciais (MELO, 2009).
O espaço de intervenção deste projeto localiza-se no bairro Tabuleiro do Martins,
na cidade de Maceió, está situado próximo à Avenida Durval de Góes Monteiro, como
53

também a supermercados, lojas de construção, faculdades, demais estabelecimentos


comerciais, assim como igrejas e escolas públicas (Mapa 3).

Mapa 3 – Vista aérea do terreno para intervenção no bairro Tabuleiro do Martins.

Fonte: Adaptado de GooleMaps (2017).

3.3. Potencialidades

O terreno possui muitas potencialidades que reforçam a importância da


localização e implementação do edifício, uma das principais, a proximidade a comércio
e serviços diversos (Mapa 4). Uma de suas principais potencialidades também é por estar
próximo à avenida principal – Durval de Góes Monteiro - o que facilita o acesso à
mobilidade por conta dos ônibus e outros transportes coletivos.
A área possui outros conjuntos residenciais e escolas nas redondezas, mas sem
qualquer terreno dedicado a famílias de baixa renda através de residências legalizadas,
apresentando ruas e pequenas vilas ocupadas ilegalmente. Desta maneira, apresenta-se
como uma área de interesse de pessoas em vulnerabilidade, podendo ser uma
oportunidade de investimento e moradia para pessoas que se interessem pela localização.
54

Um outro fator importante: por se tratar da parte alta da cidade, é uma região que
tem grande influência dos ventos, o que pode ser um motivo considerável para propostas
de ventilação natural – como ventilação cruzada -, bem como outros aspectos naturais
importantes para o resultado.

Mapa 4 – Terreno escolhido (amarelo), próximo a instituições importantes, como colégios


(laranja), conjuntos residenciais (verde), faculdades (lilás) e a proximidade da avenida
principal que corta a cidade de Maceió, a Durval de Góes Monteiro (vermelho).

Fonte: Intervenção da Autora em GooleMaps (2019).

3.4 Aspectos Naturais

A capital de Maceió é o maior município e o mais populoso de Alagoas, com uma


área de 508 km², possuindo ligação comercial e econômica com a maioria das cidades do
Estado. Seu desenvolvimento, como já explanado, partiu da região sul, possuindo ainda
hoje centros urbanos importantes. A região considerada “alta” da cidade ainda possui seus
“vazios” territoriais, muitos deles em áreas residenciais, aptos para instalações de
edifícios.
55

Um grande fator impulsionador da economia local são os serviços, uma das


principais formas de economia e deve ser levado em consideração ao se planejar
edificações por conta das facilidades que o usuário deve possuir, como acesso à locais
que possa adquirir roupas, comida, etc. No caso do Tabuleiro do Martins é um bairro com
forte comércio, se caracterizando como uma localização estratégica para moradia.
Tem em sua paisagem muitos estabelecimentos comerciais, onde o consumo é
facilitado, bem como o acesso a bancos, escolas e outras instituições. É um local
arborizado, com vários residenciais – composto por resquícios de mata atlântica. É
composto de regiões ocupados ilegalmente por pessoas em vulnerabilidade econômica,
apresentando ruelas que dão em pequenas comunidades.
Segundo Japiassú (2015) os recursos hídricos da cidade são subterrâneos,
localizados cerca de 40m de profundidade. Ainda segundo a autora, podem ser citadas
quatro áreas onde se tem os maiores agrupamentos com declividades acentuadas em suas
redondezas, dentre eles o bairro do Tabuleiro do Martins, embora seja, em sua maiora,
favorável a ocupação.
Mas um grande problema que pode ser citado é a fragilidade ambiental, apesar de
muitos de seus recursos naturais não estejam em riscos iminentes por conta da abundância
desses recursos, é perceptível a agressão diária ao meio ambiente, por meio do
desmatamento de áreas verdes sem avaliação prévia ou pequenas áreas com acúmulo e
lixo e sujeira.

3.5. Uso e Ocupação do Solo

A cidade de Maceió surgiu a partir de um engenho de açúcar por volta do século


XVII, e foi se desenvolvendo a partir de construções arquitetônicas e formações urbanas
sem planejamento, como os fortes, o desenvolvimento dos povoados, até se configurar
sede da capitania alagoana que efetivou sua emancipação política em 1817. Mas só em
1839, após muitos tumultos, Maceió se transforma em sede do governo, iniciando a
industrialização. O nome origina-se do tupi Maçayó ou Maçaio-k e significa “o que tapa
o alagadiço” (IBGE, 2014).
A cidade se desenvolveu a partir dos bairros do Jaraguá e Centro e foi se
ampliando, fazendo com que as regiões consideradas “tabuleiros” se tornassem grandes
campos periféricos, fato que se constata até os dias atuais. Romão (2016), apresenta em
seus estudos sobre o desenvolvimento da estruturação viária da cidade desde o Porto de
56

Jaraguá a partir de 1850 até os anos 1980, sendo esta última década o início de um
desenvolvimento econômico e social da cidade, considerado rápido, levando em conta
também o desenvolvimento das habitações de interesse social – já discutida no capítulo
do referencial teórico deste trabalho (Mapa 5).
A figura supracitada apresenta os mapas desta evolução do eixo viário, partindo
do bairro Jaraguá e Centro, se direcionando para a cidade de Rio Largo, pela parte baixa
a cidade, onde é apresentada uma aglomeração do eixo viário na região sul da cidade,
apenas se espalhando no decorrer do desenvolvimento econômico e social da cidade.
Desta forma, é perceptível na figura a ausência da região “alta” da cidade nesse processo
de crescimento de Maceió entre as décadas de 1850, 1900, até a metade do século XX, na
década de 1960. Começa-se então na década de 1980 uma expansão comercial e
demográfica, expandindo também o eixo viário próximo das regiões mais altas.
Mapa 5 – Desenvolvimento da estruturação Viária de Maceió.

Fonte: Romão (2016).

O bairro do Tabuleiro do Martins (Mapa 6) surgiu por meio do sítio do casal João
Martins Oliveira – funcionário da fábrica têxtil de Fernão Velho - e Stella Cavalcante de
Oliveira, que foi se desenvolvendo por meio do aglomerado de pessoas que iam se
apropriando por meio de casebres e uso do solo para subsistência, surgindo ruas e outros
pequenos sítios, se transformando de forma desordenada em um bairro. Era chamado
inicialmente de Taboleiro de Fernão Velho e Tabuleiro do Pinto, derivando para o então
57

conhecido Tabuleiro do Martins. O bairro sofreu com problemas de saneamento básico,


acesso à água, por conta da sua distância dos centros econômicos (PIMENTEL, 1996;
TICIANELI, 2017).
Mapa 6 – Maceió no final do século XX, com destaque para região “tabuleiros”.

Fonte: Adaptado de Silva (1991).

A partir dos anos 1960 o bairro começa a ganhar atenção da prefeitura com a
criação da Praça João Martins em homenagem ao benfeitor e fundador e um posto de
saúde, além do Distrito Industrial de Maceió, sediando as concretizações da política de
industrialização do Estado. A partir do distrito, surgem novas indústrias na região junto
com a implementação da Universidade Federal de Alagoas, o mercado da produção, com
58

um anexo para atender as feiras livres da cidade que eram comuns e tradicionais
(TICIANELI, 2017).
Segundo Nascimento (2016, pg. 23), a ocupação do solo em Maceió num sentido
geral, cresceu a partir do século XX, estruturando uma cidade mais preenchida com
residências, estabelecimentos comerciais, industriais, dentre outros. Mesmo com o Plano
Diretor e o Código de Urbanismo e Edificações – aqueles que regem a cidade em zonas
de atividades e determina o número máximo de pavimentos, dentre outras especificações
técnicas – ainda sim são desenvolvidos projetos e ocupações de forma errônea,
comprometendo o planejamento urbano como um todo.

3.6. Condicionantes Climáticos

Maceió está localizada no litoral oriental do nordeste brasileiro, com margens para
o Oceano Atlântico e com o complexo lagunar Mundaú-Manguaba. Segundo o IBGE, em
1991 a cidade tinha 1.357,64 hab/km² de densidade demográfica. Possui um clima quente
e úmido, apresentando temperaturas constantes, com média anual em torno dos 25ºC. A
pluviosidade média anual é de 1654mm, sendo abril a junho os meses mais chuvosos
(BARBIRATO, 2000).
Segundo a autora supracitada, Maceió possui alguns pontos onde há constância de
ventos por conta da ação do Oceano Atlântico e das Lagoas, bem como regiões de
vegetação, que ajudam no efeito amenizador do calor, além do sombreamento. De forma
geral, a temperatura não varia nos diferentes pontos de localização da cidade, por conta
da influência atenuante da umidade atmosférica.
A cidade apresenta um aumento gradativo de temperatura por volta entre às 9h e
12h e um resfriamento também gradativo até por volta das 18h. A temperatura do ar na
malha urbana se apresenta mais alta do que nas regiões vizinhas, fora das frações urbanas.
Desta forma, se faz necessário um estudo sobre a influência do clima na
edificação, levando em consideração informações importantes quanto às temperaturas
características da cidade, bem como fatores que auxiliam no seu aumento ou resfriamento,
por meio de técnicas construtivas que ajudam a controlar de maneira eficiente o ambiente
térmico das residências.
59

3.7. Topografia

Segundo Melo (2009), Maceió está situada sob uma restinga arenosa,
apresentando uma planície marinho lagunar e o planalto sedimentar dos tabuleiros,
formando três planos topográficos delineados por: a parte baixa a alta e o intrínseco das
encostas.
A região dos tabuleiros está situada a norte e é formada por sedimentos da era
terciária, possuindo uma composição areno-argilosa, com altitude por volta dos 80m,
estando o bairro Tabuleiro do Martins em torno dos 100m.
Segundo a autora, esta região dos tabuleiros possuem uma pequena inclinação no
sentido do oceano, o que apresenta momentos críticos nos períodos chuvosos, o que reduz
a segurança nas áreas aos redores (Figura 17). Com as constantes agressões ao meio
ambiente, a retirada de vegetação acelera infiltrações e erosões, que por meio de
sobrecargas, resulta em instabilidade do solo.
Figura 17 – Diferença de nível entre a planície litorânea e a região dos tabuleiros

Fonte: Melo (2009).

Por outro lado, essa declividade facilita a penetração dos ventos nos dois planos
da cidade: planície litorânea e na região dos tabuleiros, o que resulta no favorecimento da
circulação do ar, o que é ótimo para climas quentes e úmidos como o de Maceió. Para
Melo (2009), a região dos tabuleiros tem solo moldável às necessidades humanas para
ocupação do solo, sendo este constituído de argila – sendo assim, argiloso -, o que diminui
a incidência de radiação solar e possui alta umidade.
60

3.8 Aproveitamento da Iluminação Natural

A iluminação natural é almejada e discutida na arquitetura especialmente por


conta dos interesses sobre eficiência energética e as questões ambientes, se apresentando
como alternativas importantes para o desenvolvimento de projetos. A iluminação natural
precisa considerar alguns elementos, tais como a fonte da luz natural, as possíveis
aberturas e suas características. (LIMA, 2015).
Para Philips (2004 apud LIMA, 2015), existem quatro estratégias para projetar luz
natural, dos quais: avaliar a localização e as características do local onde o edifício se
situa, tais como orientação, trajetória solar e paisagem do entorno; examinar a função do
edifício para dimensionamento de ambientes e suas subdivisões; determinar o tamanho
da janela e sua disposição, levando em consideração os materiais adotados, focando no
conforto do usuário; definir sistemas de controle entre os ambientes externo e interno –
influência da luz solar e brilho – e a integração da luz natural com a artificial, resultando
assim numa melhor eficiência energética por meio da economia de energia.

Todas essas decisões de projeto devem levar em conta tanto as


possibilidades estruturais, quanto os custos de construção e
manutenção, a fim de garantir um adequado funcionamento da
edificação (LIMA, 2015, pg. 17).
A área de intervenção proposta apresenta-se com boas condições de iluminação
natural, mas deve-se levar em consideração uma posição da planta baixa onde a influência
do Sol não prejudique nas melhores condições de iluminação e ventilação, evitando o
máximo o uso de alternativas artificiais que encareçam a economia dos usuários e ao
mesmo tempo, ofereçam conforto.

3.9. Aproveitamento da Ventilação Natural

Como já discutida, a região conhecida como tabuleiros, é a com maior altitude em


Maceió e tem influência direta dos ventos na cidade, especialmente por conta das
declividades presentes na topografia da cidade. Esse índice pode resultar desvio no fluxo
horizontal do ar na malha urbana, especialmente por conta dos ventos predominantes no
município, oriundos do leste, que ao encontrar as encostas, elevam sua altura, podendo
provocar turbulências na região do topo das declividades, onde se inicia os tabuleiros –
figura 18 . (MELO, 2009).
61

Figura 18 – Demonstração da incidência dos ventos predominantes.

Fonte: Melo (2009).

O bairro Tabuleiro do Martins, sendo um dos maiores bairros dessa região dos
tabuleiros, tem grande influência desses ventos e se apresenta como território propício a
ação deles de forma favorável, necessitando que seja estudada uma forma estratégica que
permita o cruzamento do ar, ajudando no resfriamento do ambiente interno do edifício,
considerando o vento leste como fator importante nessa decisão.

3.10. Plano Diretor

De acordo com o Plano Diretor de Maceió (2006) a localização para intervenção


do projeto arquitetônico faz parte da Zona Residencial 7, que em como principal objetivo
a ampliação da possibilidade de mobilidade urbana, com o transporte sobre trilhos,
melhorias nas vias para que o acesso ao serviço e comércio se estruture de forma mais
adequada, possibilidade de transporte através de planos inclinados para interligar o
tabuleiro a outras localidades.
O plano entende que embora o bairro ainda não possua infraestrutura urbana
adequada, ainda sim é um local que se desenvolve espontaneamente com o decorrer dos
anos, sendo necessário um aprofundamento da formação do bairro para que possa haver
propostas e práticas de melhoria com relação à mobilidade e acessibilidade, bem como
de saneamento básico.
Dentre as diretrizes para a região estão o estímulo da construção de mais moradias
e outros estabelecimentos para ocupar os vazios existentes, controle do trânsito, propostas
para recuperação e ampliação de espaços públicos e melhorias no sistema viário. Mas o
plano não deixa claro quais os planos específicos para cada ponto apresentado.
62

O bairro possui algumas invasões e localidades onde residem pessoas em


vulnerabilidade social, constando ruas e grotas na Zonas Especiais de Interesse Social do
Plano Diretor. Estas zonas são consideradas áreas públicas ou privadas que tem como
atenção principal as pessoas em situação de vulnerabilidade social.

3.11. Código de Edificações

O terreno proposto faz parte da Zona Residencial 9 (ZR-9) do Código de


Urbanismo e Edificações de Maceió (2006). É uma zona considerada predominantemente
de uso residencial e deve seguir algumas diretrizes indicadas no documento, tais como:
verticalização baixa; instalação de estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços
compatibilizadas às residências.

Tabela 4 – Parâmetros urbanísticos por zonas e corredores de atividades múltiplas.

Fonte: Código de Urbanismo e Edificações de Maceió (2006).

O documento indica como um de seus parâmetros, o estímulo para a construção


de conjuntos habitacionais de interesse social, afim de atender a demanda em
vulnerabilidade econômica e social da cidade. A ZR-9, assim como zonas vizinhas
possuem vazios de habitações, ou seja, terrenos em ótimas condições para residências,
sendo um dos principais objetivos do documento citado, o preenchimento destes vazios.

3.12. Legislação

De acordo com a legislação Federal, Lei nº 11.124 de 16 de junho de 2005 que


discorre sobre o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social – SNHIS, e o Fundo
63

Nacional de Habitação de Interesse Social – FNHIS é necessário que a população de


menor renda tenha acesso à terra urbanizada e à habitação digna. Para isto, segundo a lei,
é necessário o desenvolvimento de políticas públicas pertinentes ao assunto e o
investimento massivo, sendo necessário o apoio e acompanhamento das instituições e
órgãos que sejam do setor.
A lei ainda apresenta os seguintes princípios, tais como, a integração de políticas
habitacionais federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal, associadas às políticas
ambientais, de inclusão social e desenvolvimento urbano; moradia como direito e
elemento de inclusão social; proibição da especulação imobiliária e permitir acesso à terra
urbana.
A lei apresenta como órgãos principais para o processo diante do Governo
Federal: o Ministério das Cidades, o Conselho Gestor do FNHIS; a Caixa Econômica
Federal – sendo o agente operador do FNHIS – e o Conselho das Cidades. A Caixa é a
instituição depositária dos recursos do FNHIS e aquela que define e implementa os
procedimentos operacionais, além de controlar a execução físico-financeira dos recursos,
por fim, prestando conta ao Ministério das Cidades. Ainda segundo a lei referida:

Art. 17. Os Estados que aderirem ao SNHIS deverão atuar como


articuladores das ações do setor habitacional no âmbito do seu
território, promovendo a integração dos planos habitacionais dos
Municípios aos planos de desenvolvimento regional,
coordenando atuações integradas que exijam intervenções
intermunicipais, em especial nas áreas complementares à
habitação, e dando apoio aos Municípios para a implantação dos
seus programas habitacionais e das suas políticas de subsídios
(PLANALTO, 2005).
Levando em consideração o desenvolvimento da Habitação Social no município,
é apresentada aqui a Lei nº 5.653 de 5 de dezembro de 2007. Tem como fundamentos a
moradia digna, a cidadania, e outros deveres do município, ajudando a combater a
pobreza e marginalização, contribuindo para a melhoria econômica e social dos cidadãos
e da própria cidade.
A lei exige a adoção de alguns elementos como critérios para desenvolvendo dos
projetos de habitação, tais como utilização de materiais construtivos que viabilizem o
mercado atual e a sustentabilidade, ampliação do atendimento ao serviço público, além
de métodos de racionalização nos processos de construção e a soluções de alternativas de
sustentabilidade.
Faz-se interessante também apresentar alguns aspectos sobre a Lei nº 6.766, de 19
de dezembro de 1979, que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano. Para tanto, o seu
64

capítulo tanto trata dos requisitos urbanísticos para loteamento, sendo eles: áreas
destinadas à circulação, instalação de equipamentos urbanos e comunitários, espaços
livres para uso público; ao longo de águas correntes e dormentes e faixas de domínio
público das rodovias e ferrovias, é obrigatória uma faixa não edificável de 15 metros para
cada lado; as vias do loteamento deverão articular-se com as vias adjacentes oficiais.
De acordo com as a quantidade de dados coletados pela autora, com relação a
criação de leis que tratam diretamente dos telhados verdes, o Brasil anda a passo largos,
mas nos últimos anos tem se intensificado a consciência dessa técnica arquitetônica.
Maceió não tem nenhuma legislação que trate do assunto. Mas a cidade de Recife do
estado de Pernambuco possui uma que trata sobre a melhoria das edificações por meio do
telhado verde como obrigatoriedade: Lei Municipal nº 18.112/2015.
Esta legislação obriga as edificações multifamiliares com mais de quatro
pavimentos e não habitacionais com mais de 400m² de área coberta, possuírem um projeto
de telhado verde a ser aprovado de acordo com alguns critérios básicos, como: nas lajes
de pisos de edifícios multifamiliares com 60% de área verde e nas áreas de lazer em
pavimento de coberta 30%; pode ser extensivo ou intensivo e com espécies de flora nativa
para resistir ao clima do município.
65

CAPÍTULO 4 – Proposta de Habitação de Interesse Social com Telhados Verdes

Nesta sessão serão apresentadas as propostas adotadas para a implementação de


Telhado Verde para um conjunto de habitações de interesse social. Para tanto, são
apresentados o programa de necessidades, fluxograma e as alternativas do projeto
arquitetônico.

4.1. Programa de Necessidades

Para o programa de necessidades foram utilizadas informações das necessidades


mínimas para moradias que são construídas para pessoas com renda entre 0 e 3 salários
mínimos do Programa Minha Casa Minha Vida do Governo Federal (TRIBUNAL DE
CONTAS DA UNIÃO, 2019). Este programa não considera dimensões mínimas, mas
espaços em que se configurem alguns móveis, tais como: dormitório de casal que caiba
cama para casal, criado mudo, guarda roupa e um espaço para circulação entre os
mobiliários.
Assim, segue apresentando no documento com mais um dormitório para duas
pessoas, sendo necessárias duas camas, um criado mudo, um guarda roupa, circulação
mínima para os usuários. Uma cozinha que caiba pia, fogão, geladeira e previsão para
armários e gabinetes.
Sala de estar e refeições com sofá, mesa para quatro pessoas, estante/armário para
TV. Banheiro com lavatório, sanitário, box com chuveiro – dependendo do caso, o espaço
para o uso de barras de apoio e banco articulado, com área de circulação de cadeira de
rodas. Na área de serviço, ao menos tanque e máquina de lavar e em todos os cômodos
espaço livre de obstáculos frente as portas, se atentando a Norma Brasileira 9050.

Tabela 5 – Programa de Necessidades do Projeto


Programa de Necessidades
1 Sala de estar/jantar Ambientes integrados para o lazer e descanso da família
2 Dormitório casal Ambiente proposto para possível casal
3 Dormitório duas pessoas Ambiente proposto para possíveis filhos ou hóspedes
4 Cozinha Cozinha com sistemas tradicionais
5 Banheiro Banheiro com pia, vaso e box
6 Área de serviço Próximo à cozinha, podendo ser integrado
7 Telhados Verdes Telhado verde de caráter extensivo.
66

Fonte: Autora (2019)

Logo abaixo estão apresentadas a planta baixa do condomínio (figura 19), bem
como um modelo de casa com os dois pavimentos (superior e inferior), que replicarão de
acordo com o modelo proposto (Figuras 20 a 22) a partir do programa de necessidades.
São apresentadas também as plantas de setorização, tanto do condomínio, quanto das
residências (Figuras 23 e 24).

Figura 19 – Planta baixa do condomínio de casas – proposta de projeto

Fonte: Autora (2019)


67

Figura 20 – Planta baixa humanizada - Térreo – proposta de projeto

Fonte: Autora (2019)


68

Figura 21 – Planta baixa humanizada – Piso Superior – proposta de projeto

Fonte: Autora (2019)


69

Figura 22 – Planta baixa humanizada - Coberta – proposta de projeto

Fonte: Autora (2019).


70

Figura 23 – Planta de setorização do condomínio

Fonte: Autora (2019).


71

Figura 24 – Planta de setorização da residência

Fonte: Autora (2019).


72
73

As moradias elaboradas se constituem de casas, levando em consideração que


cada família irá cuidar e desenvolver seu próprio teto verde. As casas foram dispostas a
fim de facilitar o sistema estrutural dos edifícios, dispondo os ambientes de forma que
pudessem ser ampliados, adequando à essa ideia o teto verde.
Foi escolhido um layout com poucos cômodos, contendo o mínimo de ambientes,
influenciando na praticidade e economia com relação a manutenções da edificação.
Pensou-se no tipo ventilação cruzada para que se aproveitasse o máximo possível os
ventos fortes da região.

4.2. Fluxograma

O Fluxograma é um direcionamento das atividades e ambientes que fazem parte


da casa-modelo para compor o conjunto habitacional, baseado no programa de
necessidades. É a partir dele que se entende como foram escolhidas as alternativas de
projeto, os acessos e as áreas (figuras 25 e 26).

Figura 25 – Fluxograma do Condomínio

Fonte: Autora (2019)


74

Figura 26 – Fluxograma Residencial

Fonte: Autora (2019)

4.3. Conceito

Para Pelicioni (1998), a sustentabilidade aliada a educação se configura na


incorporação das dimensões sociais, políticas, culturais econômicas, éticas e ecológicas,
resultando em um assunto complexo e que ao ser trabalho na prática, pode ter uma
amplitude considerável. A autora cita em seu trabalho as decisões e conceitos sobre
educação ambiental da Primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação
Ambiental, realizada em 1977 em Tbiisi, na Geórgia:

A educação ambiental é considerada um processo permanente,


no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do
meio ambiente e adquirem os conhecimentos, os valores, as
habilidades, as experiências e adquirem os conhecimentos, os
valores, as habilidades, as experiências e a determinação que os
tornam aptos a agir individual e coletivamente para resolver
problemas ambientais presentes e futuros (PELICIONI, 1998, pg.
20)

O conceito deste projeto se alia na essência da educação ambiental, que seria o


entendimento da sua amplitude e a formação de habilidades e conhecimentos sobre como
cada indivíduo pode agir enquanto um cidadão que pratica sustentabilidade no dia a dia.
Não é uma proposta pedagógica, mas uma forma de influenciar na percepção e na prática
75

diária do usuário, através da sua própria casa e tudo que a envolve: economia, questões
sociais e culturais. Segundo a autora:

Entre as orientações de Tbilisi destaca-se ainda que a Educação


Ambiental deve considerar o meio ambiente em sua totalidade,
em seus aspectos naturais e criados pelo homem. Enquanto
processo contínuo e permanente a Educação Ambiental, deve
atingir todas as fases do ensino formal e não formal; deve
examinar as questões ambientais do ponto de vista local,
regional, nacional e internacional, analisando suas causas,
conseqüências e complexidade. Deve também, desenvolver o
senso crítico e as habilidades humanas necessárias para resolver
tais problemas e utilizar métodos e estratégias adequadas para
aquisição de conhecimentos e comunicação, valorizando as
experiências pessoais e enfatizando atividades práticas delas
decorrentes (PELICIONE, 1998, pg. 20).

A proposta projetual desse trabalho considera que a maioria das pessoas ainda são
carentes de educação ambiental e as possibilidades e potencialidades que a prática
sustentável pode ter em suas vidas, por isso usa de elementos e técnicas arquitetônicas
para que seus usuários vivenciem e compreendam os aspectos positivos das alternativas
sustentáveis, evitando por exemplo, impactos ambientais negativos.

4.4. Partido Arquitetônico

O terreno de intervenção, como um todo, possui uma vegetação considerável,


podendo ser aproveitada, sendo esta um fator importante no resfriamento de ambientes
internos e externos, bem como contribui com o bem-estar das pessoas. Pode se preservar
plantas nativas e servir de espaço interativo, onde os usuários podem plantar novas mudas
e cultivar novas espécies no terreno.
Com relação a vegetação dos jardins e arredores das casas e dos edifícios, as do
tipo frutíferas de baixo e médio porte, apresentam-se como uma proposta interessante,
visto que atraem pássaros e proporcionam ambientes agradáveis (figura 27). Algumas
sugestões apropriadas seriam a aceroleira – muito comum no Nordeste e na alimentação
dos brasileiros, pode dar frutos até três vezes ao ano, necessitando para seu
desenvolvimento de raios solares constantes, se adequando bem ao clima quente de
Maceió -, pitangueira – ideal para clima quente e úmido como o da capital alagoana, bom
custo-benefício, fácil de encontrar, cuidar e necessita de banhos de sol constantes -,
dispostas na tabela 6 (DUARTE, 2019).
76

Tabela 27 – Árvores Frutíferas para o projeto, em perspectiva

Fonte: Autora (2019)

Tabela 6 – Árvores Frutíferas para o projeto

Nome Nome Científico Clima Sol Altura


(m)
Pitangueira Eugenia Uniflora Tropical, mediterrâneo, oceânico, semi- Sol pleno 1 a 2,5
árido, subtropical, temperado
Cajueiro Anacardium Sol pleno 3 a 4,5
occidentale Equatorial, semi-árido, subtropical, tropical
Mangueira Mangifera Indica Tropical-subtropical-equatorial Sol pleno 12
Limoeiro Citrus Limonum Tropical-subtropical-tropical Sol pleno 3 a 3,5
Goiabeira Psidium guajaval Tropical-subtropical-equatorial Sol pleno 6a9
Mamoeiro Carica Papaya Tropical-subtropical-equatorial Sol pleno 3a6
Aceloreira Malpighia Tropical, equatorial, mediterrâneo, Sol pleno 2,4 a 3
emarginata oceânico, semi-árido, subtropical
Laranjeira Citrus sinensis Tropical, continental, mediterrâneo, Sol pleno 4a6
oceânico, subtropical, temperado

Fonte: Autora (2019) adaptado de Jardineiro.net (2019).

Para o condomínio foi proposta uma praça central onde seriam cultivadas também
espaços verdes com a vegetação indicada, aos redores de quadras poliesportivas,
parquinho e academia, sendo assim, um espaço de convívio entre os moradores.
77

Foi pensado também para a coleta de lixo a do tipo seletiva. Segundo o Ministério
do Meio Ambiente, os resíduos podem ser divididos em três frações principais (figura
26): os resíduos secos – compostos por metais, papelão, papel, plásticos e vidros -,
orgânicos – restos alimentares e de jardim - e os rejeitos – os lixos não recicláveis,
geralmente de banheiros e produtos de limpeza (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE,
2019).
Esta coleta pode ser realizada por instituições de reciclagem como a Cooperativa
dos Recicladores de Alagoas – Cooprel – que atua no Benedito Bentes e que com o apoio
da Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió, faz a coleta no bairro que funciona
e nas regiões adjacentes (PREFEITURA DE MACEIÓ, 2019).
Foi pensada também na possibilidade de expansão das edificações, visto os
desejos e necessidades futuras das famílias de ampliação. Assim, optou-se como
alternativa de projeto, uma área com regiões amplas e livres para cada residência, onde
ficam os jardins, servindo futuramente como sugestão para ampliação. O usuário não
precisará deformar a fachada para ampliar a residência (Figura 29).

Figura 28 – Coleta seletiva em 3 frações

Fonte: Ministério do Meio Ambiente (2019)


78

Figura 29 – Planta de Expansão, apresentando o jardim ocupado, ampliando assim, alguns


cômodos da casa, como os quartos.

Fonte: Autor (2019).


79

4.4.1. Proposta para Telhado Verde

Para a coberta foi utilizado um telhado verde de caráter extensivo. Como


apresentado no referencial teórico, não é necessária a manutenção constante da vegetação
ou das camadas necessárias e iniciado na fase de construção do edifício pode ser
comparado a uma coberta tradicional, levando em consideração os processos mais fáceis
de aplicação para este tipo de coberta, bem como a escolha de vegetação adequada.
Para o isolamento térmico optou-se pela utilização da argila que apresenta
temperatura ambiente considerada estável e ajuda no controle da temperatura e
resfriamento dos ambientes internos. Para o acesso ao telhado, foi sugerido inicialmente
a instalação de uma escada, que influenciou na ideia de um pavimento superior com
utilidade para os usuários, resultando assim, em um quarto e banheiro
O elemento mais importante do telhado verde para este projeto foram as hortas,
onde os próprios moradores poderiam plantar e colher seus legumes, sem adição de
agrotóxicos ou outros produtos químicos. Para Yamasaki (2016), é necessário definir um
local com muita luminosidade e observar se o solo é profundo, porque solos rasos
costumam limitar o crescimento da vegetação, bem como secar rapidamente.
As plantas mais fáceis para cultivar são o Alface, o Rabanete, o Espinafre,
Manjericão, Alecrim, Hortelã, Salsinha, dentre outras hortaliças e ervas aromáticas
(Tabelas 7 e 8). As plantas podem ser adquiridas em mudas ou em sementes e serem
cultivadas na terra ou em bandejas. Para o plantio na terra é necessário um canteiro no
local especificado, rega frequente nos primeiros dias e acompanhamento do crescimento.
As hortaliças geralmente crescem mais rapidamente.

Tabela 7 – Hortaliças para cultivo no telhado verde


Nome Nome Científico Clima Sol Altura
(m)
Alface Lactuca Sativa Continental, equatorial, mediterrâneo, Sol pleno 0,3
subtropical, temperado, tropical
Repolho Brassica oleracea Continental, mediterrâneo, subtropical, Sol pleno 0,5
temperado, tropical
Cebolinha Allium Continental, mediterrâneo, subtropical, Sol pleno 0,4
schoenoprasum temperado, tropical
Tomate Solanum Equatorial, mediterrâneo, oceânico, Sol pleno 0,5
lycopersicum subtropical, tropical
Pimenta Piper nigrum Continental, equatorial, mediterrâneo, Meia 0,3
subtropical, temperado, tropical sombra
Salsa Petroselinum Mediterrâneo, oceânico, subtropical, Sol pleno 0,4
crispum temperado, tropical
80

Nome Nome Científico Clima Sol Altura


(m)
Cenoura Daucus carota Equatorial, mediterrâneo, subtropical, Sol pleno 0,6
tropical
Pimentão Capsicum annuum Meia 0,4
sombra
Cebola Allum cepa Continental, equatorial, mediterrâneo, Meia 0,4
subtropical, temperado, tropical sombra
Fonte: Autora (2019) adaptado de Jardineiro.net (2019).

Tabela 8 – Vegetação do telhado verde

Nome Nome Científico Porte

Ixora Ixora Coccinea Arbusto


Pingo de Ouro Agapanto (Apaganthus Africanus) Arbusto
Grama Pasppalum Notatum Fluegge Rasteira
Palmeira-areca Dypsis lutescens Pequeno
Ipê amarelo Handroanthus albus Pequeno
Quaresmeira Tibouchina granulosa Médio
Trepadeira Argyreia nervosa Médio

Fonte: Autora (2019) adaptado de Jardineiro.net (2019).

Como substrato mostra-se ideal a utilização de uma massa de compostos


orgânicos e compostos sintéticos, reciclados. É um material comum e fácil de ser
encontrado e utilizado em projetos dessa natureza. Para a camada de drenagem o ideal é
utilizar a argila expandida, fácil de ser encontrada, para separar a camada de substrato dos
espaços para drenagem do excesso de água.
Para a rega foi pensado a capitação de águas pluviais, fazendo com que o usuário
consuma menos a água encanada. Segundo Ferreira (2007), o telhado verde tem a
capacidade de reter água da chuva e isso tem a ver com sua capacidade de
evapotranspiração – perda de água pela evaporação do solo e transpiração das plantas.
O funcionamento deste aproveitamento de águas pluviais se inicia com os
elementos básicos de captação dessas águas, tais como condutores e calhas. Eles captam
essa água e antes de chegar a um reservatório, passa por um filtro grosseiro, eliminando
mecanicamente grandes impurezas, como folhas, falhos ou algo parecido. Em seguida,
passa por filtros finos, pelo separador e unidade de desinfecção, para assim, resultar no
armazenamento. Por meio de uma rede hidráulica, a água é distribuída para as torneiras
de jardins e banheiros, por não ser considerada uma água potável (Figura 30).
81

Figura 30 – Modelo de sistema para captação de águas pluviais.

Fonte: Blog Engenharia de Projetos (2019).

Abaixo, são apresentadas algumas perspectivas do telhado verde adotado como


proposta arquitetônica, apresentando elementos estéticos, mas especialmente a horta –
elemento principal do terraço da casa (Figuras 31-33).
Figura 31 – Perspectiva do telhado verde com horta.

Fonte: Autora (2019).


82

Figura 32 – Detalhe da horta proposta no telhado verde.

Fonte: Autora (2019).

Figura 33 – Detalhe em perspectiva da horta.

Fonte: Autora (2019).


83

4.4.2. Influência dos ventos e da luz natural

A posição da planta foi desenvolvida para favorecer o vento leste, levando em


consideração sua predominância na região da área de intervenção, recendo ventilação
cruzada, amenizando o calor nos momentos do dia que as temperaturas aumentam,
influenciando na melhor utilização possível de ventilação mecânica.
Os ambientes privativos, como o quarto e terraço, foram voltados para o leste,
nordeste e norte, afim de receber os raios mais leves da manhã, a nascente. Os ambientes
sociais estão na influência do oeste, fazendo com que todo a incidência do Sol da tarde,
aqueça no período noturno. Para o sul, foi pensado os ambientes secundários, por receber
pouca incidência solar (figura 25).
Optou-se também por elementos construtivos que auxiliam no resfriamento de
ambientes como o cobogó – utilizado neste projeto, na área de serviço -, assim, ele
permite também privacidade ao usuário e influencia na aparência do edifício, no desenho
da fachada.

Figura 25 – Planta baixa apresentando a incidência dos ventos e do sol

Fonte: Autora (2019)


84

Optou-se também pela instalação de painel solar fotovoltaico, afim de converter a


energia solar em energia elétrica, influenciando na economia de luz dos usuários,
aproveitando o clima tropical de Maceió, com alto índice de radiação solar.
85

Considerações Finais

Os estudos sustentáveis vêm se desenvolvendo no Brasil e no mundo não comente


como uma alternativa estratégica por apresentar resultados favoráveis, mas especialmente
pela necessidade de novas propostas de viver que influenciem e auxiliem num
comportamento que utilizem de forma mais adequada os recursos naturais.
Adotar uma vida sustentável não é somente uma questão de opinião ou gosto, mas
de necessidade e contribuição para o planeta, o habitat dos homens e animais das gerações
atuais e futuras.
Esse significado transformador e necessidade se tornam ainda mais valiosos em
contraponto com os aspectos indesejáveis das obras de construção de edificações. Estas,
têm gerado cada vez mais objetos de estudos envolvendo tanto a gestão, quanto o
desenvolvimento de alternativas favoráveis para o melhor aproveitamento dos resíduos e
facilidade dos processos.
Os telhados verdes podem influenciar na temperatura da edificação e das cidades,
no conforto térmico e qualidade de vida das pessoas de forma direta. Podem servir de
propostas que ampliem a quantidade de ambientes verdes, aumentando a relação homem-
natureza por meio da vegetação e sistemas construtivos adequados.
Este trabalho utilizou dos telhados verdes como proposta sustentável para
aplicação em um conjunto de habitação de interesse social, visando influenciar os seus
usuários na melhor utilização dos recursos, economia no consumo de energia e água por
meio de técnicas arquitetônicas, bem como outros fatores que sugerem uma
conscientização sustentável de seus usuários.
O projeto resultante apresentou algumas propostas arquitetônicas partindo da ideia
dos telhados verdes, baseando-se em dados e normas que regem as edificações de
habitação social, bem como sustentáveis e foram apresentados os desenhos técnicos com
suas respectivas especificações.
Como se trata de um terreno e uma área específica da cidade de Maceió – Bairro
do Tabuleiro, região dos tabuleiros -, não pode ser considerado um trabalho definitivo,
mas uma proposta inicial sobre um aprofundamento inicial no universo dos telhados
verdes para conjuntos habitacionais direcionados à pessoas em vulnerabilidade
econômica e social, estando aberto à correções e sugestões para melhorias projetuais, bem
como de referências bibliográficas e demais dados que influenciem nas alternativas de
projeto.
86

Referências

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APÊNDICE I