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CLARETIANO – CENTRO UNIVERSITÁRIO

ALUNO: GILSON SANTANA DOS SANTOS JÚNIOR – RA: 8052070 CURSO: LICENCIATURA EM MÚSICA

PROJETO SOCIAL

DISCIPLINA: ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO

PROFESSORA: KELLY DOS REIS CANAVEZ

Aracaju

2018

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TEMA

O papel da divisão de tarefas na Regência Coral – Um estudo de caso em na disciplina Canto Coral no Conservatório de Música de Sergipe.

INTRODUÇÃO

A atividade da Regência

Embora a civilização seja marcada pela produção criativa e consumo de música ao longo de toda a história da humanidade, atualmente não é raro, mesmo dentre músicos, que se levante a dúvida do papel do regente diante de um grupo. Segundo Eugene Ormandy, a arte da regência é uma das mais complexas

atividades no reino da música 1 (GREEN, 1961, tradução nossa). Nota-se, portanto, que embora a regência seja uma atividade que a sua prática performática levante mais dúvidas do que respostas para o olhar leigo, há mais do que se pode imaginar de uma atividade que é tida como uma das mais complexas na música. A complexidade da Regência também pode ser atestada em:

A regência é o ato de comunicar idéias musicais a um conjunto por meio de gestos. Embora essa habilidade possa parecer descomplicada, ou até mesmo fácil, a totalidade da condução é complexa e exigente. […] a condução é uma atividade muito física. Exige vigor físico considerável, como você encontrará quando realizar um ensaio de orquestra de duas horas e meia ou uma ópera completa. Apenas para se preparar e andar de um lado para o outro, para que os músculos do braço e do ombro não se ajustem, é uma consideração séria. […] Ao mesmo tempo, a condução é uma intensa busca intelectual. Um bom regente estuda obras musicais tão exaustivamente quanto um estudioso de clássicos examina manuscritos antigos. (DEMAREE JUNIOR; MOSES, 1995, p. 2, tradução nossa) 2

Canto Coral no Conservatório de Música de Sergipe

Por diversas questões que vão desde a realidade do investimento em educação no Brasil até a particularidades internas do Conservatório de Música de Sergipe, a disciplina de Canto Coral no ano 2018 estava a cargo apenas de uma professora, que

1 No original: The art of conducting, one of the most complex and demanding activities in the realm of music. 2 No original: Conducting is the act of communicating musical ideas to an ensemble through gesture. Although that skill itself can be made to look uncomplicated, or even easy, the totality of conducting is both complex and demanding. […] conducting is a very physical pursuit. It demands considerable bodily stamina, as you will find when you conduct a two and one half hour orchestra rehearsal or a complete opera. Just to prepare and pace yourself so that your arm and shoulder muscles do not tighten up is a serious consideration. […] At the same time, conducting is an intense intellectual pursuit. A fine conductor studies musical works as exhaustively as a classics scholar scrutinizes ancient manuscripts.

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tinha que cumprir funções acumuladas de preparadora vocal, correpetidora ao piano e regente do grupo. Como visto nas descrições das atividades da Regência, existem uma série de demandas intensas e exigências àquele que se propõe a conduzir um grupo desde a montagem inicial de uma obra até a sua performance pública. Foi levando em conta essas dificuldades e o meu interesse particular pela Regência que este projeto foi proposto e executado. Embora eu estivesse ciente das minhas limitações por estar no início da minha formação, considerei que, ainda assim, seria positivo para a disciplina e ao grupo que a oferta do meu trabalho voluntário se concretizasse. À época, eu tinha como base de conhecimento dois semestres na Universidade Federal da Bahia cursando Regência

Suplementar com os professores Guilherme Hübner e Ângelo Rafael Fonseca e uma

participação integral no Curso de Regência Coral promovido pelo CEB/CEPESC, categoria de aluno ativo, tendo aulas teóricas e práticas ministradas por Ângelo Rafael Fonseca frente ao Coral Ecumênico da Bahia no período de 17 a 20 de abril de 2018 – 20 horas. Assim sendo, o projeto foi planejado e executado ao longo do primeiro semestre, culminando em uma apresentação pública que ocorreu dia 1 de agosto de 2018, com registro em vídeo que constará neste trabalho.

OBJETIVO GERAL

Demonstrar na prática como a divisão de tarefas na Prática Coral é benéfica e necessária através da minha prática voluntária como regente em uma disciplina do Conservatório de Música de Sergipe.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Integrar – complementarmente ao trabalho da professora titular – a disciplina Canto Coral no Conservatório de Música de Sergipe por um semestre;

Realizar as atividades concernentes à função de regente no período determinado;

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Colaborar com o processo de montagem da obra Messe Solennelle de Sainte-Cécile, Charles Gounod. Movimentos:

Glória e Credo.

Apresentar ao público, em recital marcado pelo Conservatório de Música de Sergipe, o resultado do trabalho realizado.

METAS Realizar, num espaço de um semestre letivo, ensaios com o grupo da disciplina Canto Coral do Conservatório de Música de Sergipe de maneira que o grupo seja capaz de apresentar em uma apresentação pública uma execução de dois movimentos da obra Messe Solennelle de Sainte-Cécile, Charles Gounod: Glória e Credo.

JUSTIFICATIVA

Este trabalho surgiu da percepção da necessidade da existência de múltiplas funções em um ambiente de preparação de Coral. Meu histórico com apresentações Coral demonstraram que, mesmo diante da presença de um regente de excelente competência, ao longo do período de preparação sempre era convidado um pianista correpetidor para assumir as funções da orquestra, deixando livre o regente para dedicação exclusiva às tarefas e demandas que lhe cabiam. Também foi possível notar a presença de preparadores vocais convidados, como no ano de 2012, na preparação do coral para executar a 9ª Sinfonia de Beethoven pela Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia, o regente responsável, José Maurício Brandão, sempre contava com a ajuda de uma preparadora vocal, Ana Paula Barreiro, para otimizar a possibilidade de que fizéssemos um trabalho eficiente. Assim sendo, notei a ausência da devida divisão de tarefas na execução da disciplina de Canto Coral no Conservatório de Música de Sergipe no ano 2018 e, com o conhecimento que tinha sobre regência até então, julguei que a oferta voluntária da minha presença seria benéfica a todos, tirando o peso de funções acumuladas da professora titular, Gisane Monteiro e colaborando com a eficiência da montagem e execução do repertório proposto para aquele semestre.

METODOLOGIA

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Foram utilizados métodos de ensaios com o coral. A montagem das obras se deu através da divisão dos dias de trabalho em: estudo das partes, ensaio de naipes e ensaio geral.

CRONOGRAMA - 2018

Data

HORÁRIO

Horas

ATIVIDADES

Início

Término

Estágio

05/03

7:30

8:20

1h

PS – Escolha do tema

05/03

8:30

9:10

1h

PS – Escolha do público alvo

06/03

7:30

8:20

1h

PS – Introdução

06/03

8:30

9:10

1h

PS – Objetivo

07/03

8:30

9:10

1h

PS – Definição das metas

07/03

9:10

10:00

1h

PS – Justificativa

08/03

8:20

9:10

1h

PS – Metodologia

08/03

9:10

10:00

1h

PS – Cronograma

09/03

7:30

8:20

1h

PS – Recursos materiais

09/03

8:20

9:10

1h

PS – Avaliação

12/03

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio Geral

14/03

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio de naipes

19/03

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio geral

21/03

8:20

10:00

2h

PS – Estudo das partes

26/03

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio geral (noções de regência)

28/03

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio geral

02/04

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio de naipes

04/04

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio de naipes

09/04

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio geral

11/04

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio de naipes

16/04

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio geral

18/04

8:20

10:00

2h

PS – Estudo das partes

23/04

8:20

10:00

2h

PS – Estudo das partes

25/04

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio geral

30/04

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio de naipes

02/05

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio geral

07/05

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio de naipes

09/05

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio geral

14/05

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio de naipes

16/05

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio geral

21/05

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio de naipes

30/05

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio geral

13/06

8:20

10:00

2h

PS – Ensaio geral

25/07

8:20

10:00

2h

PS – Preparação para apresentação

01/08

8:20

10:00

2h

PS – Apresentação

Tabela 1 – Cronograma de atividades

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RECURSOS MATERIAIS

Os recursos utilizados foram os mesmos necessários para ensaio de um Coral:

Auditório do Conservatório de Música de Sergipe – sala Henrique de Souza;

Piano;

Estantes de partitura;

Cópias da partitura da obra a ser trabalhada.

AVALIAÇÃO

Como este trabalho se propôs a dialogar com uma instituição pedagógica, o processo avaliativo se deu por dois pontos de vista, sendo um deles o do Conservatório de Música, que avaliou seus alunos e o resultado final segundo suas normas internas e seus critérios, e o outro é o ponto de vista é aquele relacionado à proposta do projeto em si, que é a de tornar mais efetivo, dinâmico, didático e proveitoso o processo de montagem e execução de um dado repertório coral em um período previamente determinado.

BREVE ANÁLISE DO PROJETO APLICADO

O projeto foi aplicado conforme a Tabela 1 apresentada na seção Cronograma.

O planejamento de ensaios sobre a obra foi o guia da execução do trabalho,

ocupando a maior parte de todas as atividades postas em prática. Foram utilizadas técnicas diversas de ensaio a fim de passar as informações aos coralistas e que estes se tornassem familiares com a obra trabalhada. As dificuldades iniciais dos coralistas fizeram com que se tornasse padrão o uso de divisão dos dias de trabalhos em três tipos:

ensaio geral, ensaio de naipes e ensaio das partes. Ao fim da montagem, a obra finalizada foi apresentada a público na sala Henrique de Souza do Conservatório de Música de Sergipe no dia 1 de agosto de 2018. (disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jPNirnXZET8)

CONCLUSÃO

A surgimento da proposta deste projeto teve origem nas minhas experiências

pessoais com a música coral, sendo regido por maestros e também acompanhando ensaios como ouvinte. Por perceber, nessas experiências, as dificuldades quando havia a

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ausência de uma das partes ditas como essenciais para a realização das obras, supus que seria útil à disciplina Canto Coral do Conservatório de Música de Sergipe que eu me oferecesse voluntariamente a trabalhar junto com a professora e preparadora vocal Gisane Monteiro. A experiência na prática mostrou-se desafiadora, mas também deu vários sinais positivos alinhados com aquilo que planejei antes de qualquer passo concreto ter sido tomado. Haviam evidências a cada ensaio de que a tarefa da professora Gisane estava mais leve, já que ela podia focar em ocupações concernentes à sua especialidade enquanto eu realizava funções mais específicas da regência. Era possível notar que, de uma forma ou de outra, os ensaios se tornavam mais eficientes do que quando a professora Gisane tinha que fazer tudo sozinha. Por fim, o dia da apresentação pública também mostrou evidências práticas na melhora do trabalho por conta da Divisão de Tarefas, pois a professora pôde integrar o grupo cantando no naipe das Contralto ao invés de se incumbir da tarefa de reger o grupo. Outro fator notável foi a congratulação que recebi de alunos e de espectadores no dia da apresentação pela iniciativa de realizar o trabalho.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DEMAREE JUNIOR, Robert W.; MOSES, Don V. The Complete Conductor: A comprehensive resource for the professional conductor of the twenty-first century. New Jersey:

Prentice Hall, 1995.

The Modern Conductor: A college text on conducting based on the

technical principles of Nicolai Malko as set forth in his The Conductor and His Baton. 6. Ed.

New Jersey: Prentice Hall, 1961.

MARCONI, Marina de A.; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica. 3ª ed. São Paulo:

Editora Atlas S. A., 2000.

PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar de. Metodologia do Trabalho Científico: Métodos e Técnicas da Pesquisa e do Trabalho Acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo:

Universidade Feevale, 2013. 276 p.

ZANDER, Oscar. Regência Coral. 5. ed. Porto Alegre: Movimento, 2003.

GREEN, Elizabeth A. H

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ANEXO

9 ANEXO

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