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Curso de Setup | Aula 10 - Efeitos de Repetição e Ambiência

Por Kleber K. Shima

CONCEITOS - DIFERENÇA ENTRE REVERB E DELAY

Reverberação é o tempo que o som sai da sua fonte, bate num obstáculo e
retorna ao seu ouvido. Quanto maior for a distância do obstáculo, maior será a
reverberação.

A reverberação ocorre quando o intervalo de tempo não é suficiente para se


distinguir o som refletido do original, causando um efeito de prolongamento do som
e acontece quando a distância do obstáculo é inferior a 17 metros, sendo que essa
distância está relacionada com a velocidade do som.

Considera-se que a cada segundo o som percorre uma distância de 340 metros
(340 ms.),esse valor pode variar conforme a temperatura, mas o detalhe é que o
ouvido humano demora 0,1 segundo pra captar o som a partir do momento que ele
foi emitido.

Então ao invés de 340 metros por segundo temos que ter 34 metros, para o ouvido
distinguir esse mesmo som gerando o efeito de prolongamento.

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Como o som vai e volta (do ponto de emissão ao obstáculo e o retorno ao nosso
ouvido) então temos que dividir 34 por 2, totalizando 17 metros.

Acima dessa distância nosso ouvido ouvirá separadamente o som original com o
som refletido, gerando um atraso, que é chamado de eco ou delay (atraso). Essa é a
diferença básica entre reverb e delay.pedais, amplificadores e simuladores:

Se quiser ouvir o eco emitido pela sua própria


voz você deverá ficar pelo menos a 17 metros
de distância do obstáculo (que pode ser uma
parede). Se você gritar diante de uma parede a
17 metros de distância, o som que sairá da sua
voz caminhará 17 metros até a parede e mais
17 metros de volta para você, numa distância
total de 34 metros.

Como o som tem a velocidade de 340 metros


por segundo, deverá percorrer essa distância
em 0,1 segundo. O eco chegará a seu ouvido
0,1 de segundo depois de você ouvir sua voz
original. Você poderá, portanto, distinguir o
eco, ouvindo dois sons, o som original e o som
refletido.

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REVERB

TIPO 1 - MECÂNICOS
Os reverbs mecânicos são unidades físicas que geram o efeito de reverb com
características próprias.

Os tipos mais comum são: Spring Reverb e Plate Reverb

Spring Reverb ou reverb de mola


É o tipo de reverb mais encontrado e mais desejado pela maioria dos guitarristas.
Produz um timbre característico obtido através de um tanque de reverb com molas
que vibram de acordo com o ataque das notas produzidas na guitarra.

O reverb de mola vem equipado em vários amplificadores, sendo o modelo Twin


Reverb da Fender um dos mais famosos do mundo. Esse efeito começou a ser
explorado nos aos 50 num estilo musical conhecido como “Surf Music” (ouça
“Miserlou” de Dick Dale para entender a essência do efeito). O reverb de mola pode
funcionar com válvula ou com transistor.

Fender Twin Reverb Blackface 55

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Accutronics Long Pan Reverb

Accutronics Short Pan Reverb

Tanque de reverb valvulado da Fender 56

Plate Reverb
É um tipo de reverb produzido por placas de metal produzindo uma reverberação
similiar a de uma sala muito reflexiva, com timbres metálicos e brilhantes. Pelo alto
custo e pelo seu tamanho, as placas de reverb são caríssimas e pouco utilizadas
nos dias de hoje, sendo mais comum encontrar o plate reverb em plugin ins digitais
e simuladores.

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Circuito - Plate Reverb Placa de reverb

TIPO 2 - EMULADORES DE AMBIÊNCIA


As unidades de reverb de ambiência simulam o tamanho ou o tipo de uma sala,
sendo que os tipos mais comuns são:

Room - emula a reverberação de uma sala de pequeno ou médio porte, soando


quente e acústico.

Hall - Emula salas de concerto ou igreja, soando como se você tivesse num grande
salão vazio.

Chamber - Emula a acústica de uma sala de concerto

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Shimmer - Adiciona harmônicos criando um efeito similar a um pad de sintetizador

TC Electronic M350 - Reverb de Rack

CONTROLES MAIS COMUNS:


Reverb Type - seleciona o tipo de reverberação desejada

Decay (Reverb Time) - controla o tempo de duração do reverb ou o tempo que ele
demora pra enfraquecer

Pre Delay - controle o tempo que o sinal emitido pela fonte sonora demora pra
começar a refletir

Filter - altera a equalização do sinal refletido

Mix (Dry/Wet) - mistura do som reverberado com o som seco

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Exemplos de modelos de Reverb

Electro Harmonix -
Strymon Bluesky Mr. Black - Supermoon
Holy Grail

TC Electronic - Carl Martin - Headroom


Hall Of Fame

Lexicon PCM 81

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DELAY

DELAY DE FITA MAGNÉTICA VALVULADO (TUBE TAPE DELAY)


Um dos primeiros guitarristas a utilizar o delay foi Les Paul, que também foi o pio-
neiro em gravação multi pistas e um dos pais da guitarra sólida, criando o modelo
que leva seu nome. Scotty Moore (Elvis Presley) e Chet Atkins também ajudaram a
popularizar o efeito.

Tendo início nos anos 50, os primeiros efeitos de delay se consistiam em gravar o
sinal numa fita magnética e reproduzir o som gravado na sequência. Esse é o delay
de fita (tape delay).

Modelos como o Maestro Echoplex e o Binson Echorec ficaram famosos e foram


usados por muitos artistas da época.

Maestro Echoplex Binson Echorec 2

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Sonoramente, a característica do delay de fita é que o sinal de repetição é mais


abafado do que o sinal original, podendo ter oscilações de afinação e até saturação.
Porém, essas variações são desejadas por muitos músicos fazendo com que essas
imperfeições tenham uma característica orgânica. O efeito slapback (com o tempo
bem curto de delay) também foi muito utilizado nos anos 50 e 60.

A partir dos anos 70 a maioria dos delays de fita


valvulados teve o seu funcionamento substituído
por transistores, como o Roland Space Echo, usa-
do em quase todas as gravações da época. Esse
modelo ficou famoso nas mãos de Andy Sum-
mers (The Police) e Brian Setzer (Stray Cats).
Maestro Echoplex

DELAY ANALÓGICO (ANALOG DELAY)

Entre os anos 70 e 80, empresas como a Boss e Electro Harmonix lançaram delays
analógicos transistorizados em formato de pedais, com o advento do Bucket-Bri-
gade Device (BBD), que possui uma sonoridade similiar ao som do delay de fita. Os
modelos Dm-2 da empresa japonesa Boss e o Memory Man da emrpesa americana
Electro-Harmonix foram os mais utilizados da época.

Sonoramente, a característica do delay analógico emula o som do delay de fita, mas


sem as imperfeições produzidas pelas oscilações da fita magnética.

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Panasonic Bucket-Brigade BBD Electro Harmonix Memory Man Boss Dm-2

DELAY DIGITAL (DIGITAL DELAY)

A partir dos anos 80, quando a febre do som digital e dos racks começou a dominar
o mercado, o delay digital começou a se popularizar. Músicas como “Where The
Streets Have No Name” do U2, “Run Like Hell” e “Another Brick On The Wall” do Pink
Floyd começaram a fazer parte dos timbres desejados por muitos guitarristas.

A Eventide, empresa americana fundada por Richard Factor, foi uma das pioneiras
no desenvolvimento do delay digital, substituindo os transistores BBD por chips e
criando efeitos através de algorítimos criados por computador. A dinamarquesa TC
Electronic lançou o modelo 2290 em rack, que foi um dos modelos mais usados
nas gravações dos anos 80. O delay digital em formato de pedal compacto foi o
Boss DD-2, lançado em 1984.

Sonoramente, o delay digital possui o mesmo som do timbre original.

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Eventide 1745 Digital Delay Boss DD-2

TC Electronic 2290 62

OUTROS MODELOS

T Rex Replica Fulltone Tube Tape Echo

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TC Electronic Flashback - Possui Eventide Time Factor


sistema “Audio Tap”

Maxon AD 999 Analog Delay Strymon Timeline

CONTROLE

Delay Level - Controla o nível do efeito


Delay Time - Controla a distância entre o som original e as repetições (em milise-
gundos e/ou segundos)
Feedback ou Repeat - Controla o número de repetições do delay
Subdivision - Controla se as repetições serão tocadas em semínimas, colcheias,
tercinas ou semicolcheias

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Tap Tempo - é um controle (geralmente no footswitch) onde é possível controlar o


tempo do delay dando duas pisadas no footswitch.
Filter ou Tone - alguns delays digitais possuem o recurso de filtro para cortar os
agudos, emulando o efeito do delay analógico e de fita, que possui a repetição mais
abafada.
Tails - é o rastro deixado ao desligar o efeito.
Hold - Mantém o efeito soando infinitamente.
Mod - Simula a oscilação de afinação que os antigos ecos de fita reproduziam cri-
ando efeitos através de algorítimos criados por computador. A dinamarquesa TC
Electronic lançou o modelo 2290 em rack, que foi um dos modelos mais usados
nas gravações dos anos 80. O delay digital em formato de pedal compacto foi o
Boss DD-2, lançado em 1984.

Fire Custom Shop - Boss DD-3 - Possui MXR Carbon


Kronos Delay - Possui Hold e Direct Out Copy - Possui
Tails, Mod e Tone (Saída seca sem efeito Modulação com
(Vintage/Modern) para usar em estéreo) regulagem interna
de profundidade e
velocidade

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Looper - Algumas unidades de Delay (Line 6 DL-4, TC Electronic Flashback X4, Even-
tide Time Factor, etc) possuem um recurso chamado Looper, que permite gravar
uma base para usar como backing track/ playback. Normalmente o Looper possui
os seguintes controles: rec (gravar), play (tocar repetindo infinitamente), once (tocar
uma vez sem repetição) e undo (desfazer a última gravação). Também é possível
utilizar a função “Overdub”, para gravar camadas em cima do trecho que já foi gra-
vado. Para gravar o overdub, aperte o controle rec enquanto o play está acionado.

Além dos modelos citados acima, também existem pedais e pedaleiras específi-
cas de Looper. Modelos como Boss Loop Station e Digitech Jam Man possuem os
recursos já citados e também permitem salvar os loops já gravados, fazendo com
que seja possível gravar várias partes de uma música. Hoje em dia existem muitos
músicos que sozinhos fazem o som de uma banda inteira, apenas com a ajuda de
um Looper.

Maxon AD 999 Analog Delay Strymon Timeline

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Sound On Sound (Som sobre som) - É um recurso onde o sinal com delay se divide
em dois canais, sendo que no primeiro ele fica soando infinitamente, e no segundo
é possível tocar sobre o efeito como se estivesse um backing track. Normalmente
usa-se um pedal de volume para controlar o efeito.

David Gilmour (Pink Floyd) foi um dos primeiros a explorar esse recurso no CD
acústico de 2002 na música “Shine On You Crazy Diamond”

Diagrama da cadeia de David


Gilmour, para reproduzir o efeito
Sound On Sound

DICAS:
• Utilize o recurso feedback (ou repeat) com critério, pois muito feedback pode
embolar o som. Para criar texturas e dar um efeito tridimensional do delay,
apenas para sentir a sua presença sem ouvir de fato a repetição, use pouco
feedback e dê preferência para os timbres de delay analógico ou de fita, pois o
delay digital, por possuir o mesmo timbre do sinal original, pode embaralhar o
som caso o efeito esteja muito alto e com muito feedback, principalmente nos
solos.

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• Experimente o efeito estéreo! Use as duas saídas do delay usando uma para
cada amp. Dessa forma também é possível usar o efeito “ping pong”, onde cada
repetição vai alternando entre dois amplificadores.

• Utilize dois amplificadores, um com efeito e outro seco. Muitos guitarristas


(como Steve Morse e Brian May) utilizam esse recurso. Use um pedal com o
recurso Direct Out (como o Boss DD-2) para ligar na saída sem efeito. Na saída
Out normal ligue o segundo amplificador, que soará com efeito.

• Nem sempre é necessário que o tempo do delay esteja sincronizado com o


tempo da música, sendo que muitas vezes o delay soa melhor fora do tempo,
pois assim é possível ouvir o efeito com mais destaque.

• Na cadeia de sinal, coloque sempre o delay depois da distorção.

• Ao usar um pedal de volume para controlar o delay, temos duas opções com
resultados diferentes:
1) Antes do delay, onde é possível ouvir o rastro do delay ao abaixarmos o
volume.
2) Depois do delay, onde não é possível ouvir o rastro do delay ao abaixarmos o
volume.

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