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Informação Detalhamento

1. Nome do Curso
MÍDIA E DIREITOS HUMANOS
2. Justificativa            A mídia é vista como elemento replicador de preconceitos, provérbios e ditados popularizados, generalizações  que
diminuem a autoestima de populações vulneráveis como negros, índios, ciganos etc. O papel protagonizado pela mídia na
sociedade de massa tem implicações profundas na educação. Essa constatação, verificável no cenário internacional, assume
uma dimensão ainda mais importante no Brasil. Em nosso país, os meios de comunicação (MC) tiveram (e têm) enorme
participação   na   criação,   difusão   e   reprodução   de   costumes   e   tradições.   Não   é   demais   afirmar   que   eles   foram   (e   são)
protagonistas na construção de uma identidade nacional. 
      Torna­se imprescindível a capacitação de profissionais da área de comunicação social – rádio, jornal, televisão, internet –
com especialização nos assuntos atinentes à defesa e à promoção dos direitos universais da pessoa humana. 
      No Brasil, os Meios de Comunicação – especialmente a televisão ­­  se universalizaram. A escola, não. Segundo o Censo
Demográfico 2000, produzido pelo IBGE, 53% da população brasileira não ultrapassou o ensino fundamental. Apenas 47%
estudaram mais de oito anos. De outro lado, a mesma pesquisa estatística aponta que 88% dos domicílios brasileiros possuem
televisão, e 87% possuem rádio. Possibilitando o acesso a comportamentos e modelos de conduta, a programação midiática
transmite um saber – visões de mundo, cosmogonias, valores e opiniões – que atinge virtualmente a totalidade da população
do   país,   num   alcance   muito   maior   que   o   da   escola.   A   circulação   do   saber   fora   da   escola,   via   mídia,   portanto,   é   uma
característica constitutiva das sociedades de massa, intensificada na sociedade brasileira. Isto posto, podemos inferir que se
existe um tema hodierno que urge o debate qualificado é o papel da mídia na promoção dos direitos humanos fundamentais. 

3. Objetivos Geral:

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1) Estimular entre os participantes uma consciência crítica construtiva a respeito da qualidade do conteúdo da mídia sobre as
questões sociais brasileiras;

2) Desenvolver com os estudantes metodologias para uma leitura crítica dos conteúdos apresentados pela mídia;

3) Indicar alternativas qualificadas para operar mudanças na visão do comunicador acerca da agenda social;

4) Influir na construção de uma representação mais democrática na mídia a partir da exploração da multiplicidade de temas e
da inclusão de diversos atores da cena social brasileira.

Específicos:

1) Produzir análises críticas sobre o tratamento editorial, cultural e ético oferecido pela mídia brasileira às políticas públicas
sociais no contexto da Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada pelas Nações Unidas em 10/12/1948.

2) Capacitar os estudantes a refletir de forma crítica sobre o tratamento que a mídia oferece às políticas sociais em geral.
4. Carga Horária 60 horas/aula, divididas da seguinte forma: 
 15 aulas expositivas de 3 horas (total: 45 horas) 
   3 workshops de análise, interpretação de mensagens midiáticas e produção de material  jornalístico (total: 15 horas) 

5. Conteúdo Disciplinas Ementas Bibliografia Básica


Programático do
primeiro
semestre
1 - Breve histórico sobre o surgimento da ARAÚJO, Alba Christina. Ética, Ciência e Jornalismo: Uma
imprensa Discussão sobre Questões Morais na Produção Científica e
 Linha do tempo em sua Cobertura Jornalística. In: Revista Digital Ciência e
Comunicação. V. 3, n.5, dezembro de 2006.
2 - Evolução dos meios de comunicação ARAÚJO, Washington e CREMA, Roberto. Liderança em
 Jornal impresso – Galáxia de Gutenberg Tempo de Transformação. Brasília.Letrativa Editorial. 2008.
 Rádio – Nas ondas de Marconi ARBEX JR., José. Uma outra comunicação é possível (e
 Televisão – A caixa mágica necessária). In: MORAIS, Denis de (org.). Por Uma Outra
 Internet – Galáxia de Gates Comunicação: Mídia Mundialização Cultural e Poder. Rio
de Janeiro: Editora Record, 3ª edição, 2006.
2
BARBERO, Jesus Martin, em Dos Meios às Mediações, p.
3 - Definições e conceitos 69 a 71. Rio de Janeiro, editora UFRJ, 2003.
 Comunicação BERNARDO, Gustavo. Educação Pelo Argumento, capítulo
 Imprensa 1, “A Premissa Maior”, p. 25 a 33, e capítulo 4, “A
 Meios de Comunicação Preparação do Argumento”. Rio de Janeiro, Rocco, 2000.
 Mídia BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão, Prólogo e capítulo
1, “O Estúdio e Seus Bastidores”, p. 9 a 54. Rio de Janeiro,
4 - Mídia, Direitos Humanos e combate as Jorge Zahar, 1997.
opressões - Questões pertinentes ALMEIDA, Jorge. Mídia, Opinião Pública Ativa e Esfera
 Existe a “Verdade” com “V” maiúsculo, Pública Democrática. Trabalho apresentado no IV Congreso
tão buscada pelos jorna-listas? Latinoamericano de Ciencias de la Comunicación. 1998.
 Quando a veiculação de informações BRIGGS, Asa e BURKE, Peter. Uma História Social da
pela mídia pode ser considerada Mídia: de Gutenberg à Internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
ideológica, ou seja, a serviço do poder? 2004.
BUCCI, Engênio. Sobre a Ética na Imprensa. São Paulo:
 O que é valor-notícia?
Companhia das Letras, 2002.
 O que é valor-escândalo?
CAMARGO, Marculino. Fundamentos de ética geral e
 Pode a mídia atuar como agre-miação profissional. Petrópolis:
político-partidária? Vozes,1999.
 Dilemas da apuração jornalística são DEBORD, Guy. A sociedade do Espetáculo. 1967. São
dilemas eminentemente éti-cos? Paulo: CISC –Centro Interdisciplinar de Semiótica da
 O que é ética jornalística? Cultura e Mídia.
 A quem interessa a seletividade de ESTEVES, João Pissarras. Opinião Pública e Democracia
fontes? na Sociedade de Informação. Lisboa: Universidade Nova de
 A concessão para os meios de Lisboa, 1999.
comunicação é pública... ou pri-vada? FENAJ. Código de Ética do Jornalista Brasileiro.
 Existe diferença entre Opinião Pública e FERNANDES, Adélia Barroso. Jornalismo, Cidadania e
Opinião Publicada? Direitos Humanos: uma Relação Reflexiva no Espaço
 Quem são, no Brasil, os donos da mídia? Público. In: Congresso Brasileiro de Ciências da
 Como criar um filtro crítico para o que é Comunicação, v. 25, 2002, São Paulo: Intercom, 2002.
difundido pelos meios midiáticos? FONSECA, Virginia Pradelina da S.. O Jornalismo e a
 Porque os direitos humanos são Lógica do Capital: Mediação ou Prestação de Serviço?.
negligenciados na cobertura da mídia? Texto apresentado no encontro da COMPÓS (Associação
 Como identificar os vários tipos de Nacional dos Programas de Pós-graduação em
3
opressão? (política, religiosa, econômica,
Comunicação), 2004. Disponível em: <
sexual etc.) http://www.facom.ufba.br/Pos/gtjornalismo/home_2004.htm
 Qual o papel do comunicador, mais >. Acesso em: 08.08.2007
especificamente, do publici-tário no ______. Os construtores da informação: Meios de
combate a essas opres-sões e a força quecomunicação, ideologia e ética. Petrópolis: Vozes, 2000.
seu trabalho tem de mudar essa HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da esfera
realidade? pública: investigações quanto a uma categoria da
 O mercado não está interessado apenas sociedade burguesa. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro,
em comprar bons produ-tos ou se 2003.
interessa também pelas boas idéias? HOHLFELDT, Antônio. Os estudos sobre a hipótese do
 A construção de uma marca pelo agendamento. In: Revista Famecos, n. 7, Porto Alegre,
publicitário pode ser feita a partir de novembro de 1997, p.42-51. Disponível em:
idéias que promovam a igualdade social, <http://www.pucrs.br/famecos/pos/revfamecos/index.htm>.
combatendo a criação de estereótipos e oAcesso em: 25 de outubro de 2007.
preconceito? ______. Espiral do Silêncio. In: Revista Famecos, n. 8,
Porto Alegre, julho de 1998, p. 36-47.
5 - Jornalismo ideal: imparciali-dade e HOWLETT, MichaeL. A dialética da opinião pública:
outros mitos em textos e fotos efeitos recíprocos da política pública e da opinião pública
em sociedades democráticas contemporâneas. In: Opinião
6 - Jornalismo real: as influências do Pública, v. 6, n. 2, Campinas, outubro de 2000, p. 171-191
poder econômico, político e cultural KUCINSKI, Bernardo. Jornalismo na Era Virtual. São
Paulo, Perseu Abramo/Unesp, 2005
7 - Televisão: sua história, sua fun-ção, PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS –
suas polêmicas Ministério da Justiça. Secretaria de Estado dos Direitos
Humanos.
8 - Trabalho jornalístico ROSSI, Clóvis. O Que é Jornalismo, introdução e capítulo
 Processo decisório 1, “A Batalha por Dentro”, p. 8 a 47. São Paulo, Brasiliense,
 Denúncia, apuração, divulgação 2000.
 Contextualização – armadilhas e SETTON, Maria da Graça Jacintho. A Educação Popular
percalços no Brasil: A Cultura de Massa, p. 62. In Revista USP nº 61,
março/maio 2004. São Paulo, Edusp, 2004.
 Editorias
THOMPSON, J. B. Ideologia e Cultura Moderna.
9 - Exposição de preconceitos, aforismos e
Petrópolis, Vozes, 1995.
generalizações replicados pela mídia

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10 - Analisando a mídia que temos
 concentrada
 partidária
 ideologizada
 focada nas crises
 difusora de estereótipos e preconceitos

11 - Discorrendo sobre a mídia que


queremos ter
 livre
 plural
 desconcentrada
 independente
 inclusiva
 promotora do bem-estar e da igualdade
 promotora dos direitos humanos
 atenta aos anseios de populações
vulneráveis

12 - Democratização da mídia: imprensa


alternativa e comunica-ção comunitária
 desafios atuais
 protagonismo transformador
 auto-sustentabilidade por parte da
comunidade atendida
6. Corpo Docente Nome Titulação Experiência acadêmica Experiência profissional

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Professor da Pós-Graduação do Curso
de Direito mantido pelo UniCEUB, Bra-
Articulista do Observatório da
sília, DF.
Imprensa, da Agência de Notícias
Mestre em Comunicação Carta Maior, do Jornal do Brasil
Washington Professor da Universidade do Legislati-
Social pela Universidade de (Rio de Janeiro);
Araújo vo Brasileiro – UNILEGIS.
Brasília (UnB) Comentarista da Rádio Nacional
do Rio de Janeiro e da Rádio
Autor de 16 livros sobre mídia, direitos
Câmara.
humanos, populações vulneráveis e
políticas públicas
7. Metodologia  aulas expositivas
 discussão sobre textos selecionados da bibliografia
 debates sobre as principais polêmicas do mês/semana/dia
 exercícios práticos de análise e interpretação de mensagens midiáticas (texto e audiovisual)
 produção de resenhas críticas e material jornalístico

8. Avaliação  Provas escritas quinzenais


 Trabalhos em grupo