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APOSTILA – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL

Professora Milla Câmara

1. ESCRITA E FALA: AS DIFERENÇAS ENTRE OS DOIS REGISTROS 1

Fala: conversação espontânea, debate, entrevista, conferência, etc.

a- interação face a face;


b- planejamento simultâneo à execução;
c- impossibilidade de apagamento;
d- sem condições de consulta a outros textos;
e- ampla possibilidade de reformulação (marcada, pública, tanto pelo falante como pelo
ouvinte);
f- acesso imediato ao feed-back
g- Redirecionamento a partir das reações do ouvinte.

- maior liberdade de estruturação sintática, tanto no que se refere ao caráter local (unidade
sintática), quanto ao global (a nível de inter-relacionamento de tópicos);
- maior uso de elementos contextualizadores;
- maior frequência de marcadores conversacionais;
- maior ocorrência de expressões generalizadoras.

Escrita: carta familiar, editorial, artigo para revista científica, etc.

a- interação à distância (espaço-temporal);


b- planejamento;
c- possibilidade de revisão;
d- livre consuta a outros textos;
e- a reformulação pode não ser tão marcada, é privada e promovida apenas pelo escritor;
f- sem possibilidade de feed-back imediato;

- menor liberdade de estruturação sintática, tanto no que se refere ao caráter local (unidade
sintática), quanto ao global (a nível de inter-relacionamento de tópicos);
- Concretude x generalização.

Aspectos a serem observados na passagem da escrita para a fala

→ Concordância

→ Incompatibilidade entre as partes de uma sentença

→ Pontuação

→ Ortografia e vocabulário
1
Retirado e adaptado de: ANDRADE, Maria Lúcia. Língua falada e língua escrita: como se processa a construção
textual. http://www.fflch.usp.br/dlcv/lport/pdf/maluv013.pdf.
Passagem da fala para a escrita

Oh: eu tenho uma prima cara que ela foi pra Cancun... aí ela foi ela e uma amiga dela que é
mergulhadora... aí:: elas tavam/foram num rio que é tipo uma correnteza assim... né? Aquele lá que
é cheio de coRAL no no fundo... cheio de peixes legal pra ver sabe? Aí:: alugu MÁScara alugou pé
de pato meu? Que sem pé de pato ela ia cortar os pés lá tudo... aí:: aí:: ela foi lá no rio... E foi
mergulhar lá com a mulher só que ela não sabe nem nadar... aí chegou lá no rio e se DESESPEROU
né meu? E ela começou a agarrar na outra mulher lá! E não podia mergulhar porque ela tava
segurando nela... foi a maior CONFUSÃO... aí:: pra elas pra elas saírem... chegou uma hora lá
que... lá que era tipo assim... era o lugar mais fundo que tinha pra mergulhar né? Aí:: a mulher não
podia mergulhar por causa da minha prima... daí ela falou “eh::vou mergulhar né?...” “cês segurem
aí em algum lugar” tinha um monte de pedra assim... “cês que segurem aí vou lá mergulhar” ela
falou “ah então vai que eu fico aqui seguro/eu me seguro aqui na/no coral aqui na pedra né?”... aí
ela foi lá... a mulher mergulhou daí não voltava né? Ela ficou IMPACIENTE aí:: tava passando
outra mulher... acho que também não sabia nadar... só tinha VELHO ninguém sabia nadar com o
snorkel né meu? Aí... ela se agarrou n cara quase se afogou todo mundo... e pra ela pra ela chegar no
lugar onde ela tinha que sair ela tinha que atravessar o rio inteiro... porque o ônibus ficava
esperando do outro lado... maior CONFUSÃO cara...

Construção do parágrafo

Unidade: uma ideia principal, sem acréscimos ou digressões;


Coerência: evidência do que é principal; relação de sentido entre a ideia principal e as
secundárias;
Concisão: quantidade de informação adequada ao objetivo do texto;
Clareza: leitura eficiente.

Coesão

Fala
→ Repetições
Ex.: “Ele já ia à escola da manhã quando eu comecei, quando eu comecei a trabalhar...
comecei a trabalhar há dois anos, só antes eu não trabalhava...”

→ Paráfrase
Ex.: “L1: Mesmo porque aí que vai procurar ajuda, né?”
“L2: Vai procurar terapia, né?”

→ Coesão sequencial
Ex.: “L1: e daí o entusiasmo para nove filhos...”
“L2: exatamente nove ou dez...”
“L3: e dão muito trabalho, tem esses problemas de juventude.”

→ Marcadores conversacionais
1) marcador simples: agora, então, aí;
2) marcador composto: aí depois, quer dizer;
3) marcador oracional: eu acho que;
4) marcador prosódico: entonação, pausa, hesitação.
Tópico discursivo

Fala
→ Sentido construído enquanto se fala;
→ Pode estar não no texto, mas no contexto situacional;

Ex.: L1: “perdeu alguma coisa?”


L2: “nao, por que? tá com muita pressa?”
L1: “eu só :: queria te ajudar...”
L2: “só se eu não te conhecesse...”

Aspectos fundamentais do texto

Destinatário
→ Meta
→ Coerência
→ Coesão
→ Economia
→ Continuidade e informatividade
→ Não contradição
→ Imprevisibilidade

Agora observe a transposição:

1- Textos produzidos por G.G.A., 13 anos, aluno da 7a. série do primeiro grau de uma escola
particular, da cidade de São Paulo, em 1993:

1a- TEXTO FALADO: A Civilização Mexicana


Inf.- primeiro eram os olmecas né? daí:: eles... começaram onde que é a Cidade do México
hoje... começaram a fazer os templos aí... depois veio os astecas né? Que comecaram tudo fizeram
mais templos fizeram templos mais luxuosos assim fizeram... tinham mais crenças... religiões essas
coisas assim... depois vieram os toltecas que deu origem à civilização mexicana e toda essa
civilização milenar foi destruída pelos espanhóis que quando chegaram ao México assim é::
des::truiram tudo as pirâmides os templos aí foi o fim da... da civilização.

1b- TEXTO ESCRITO: A Civilização Mexicana


Os primeiros foram os olmecas, que fizeram suas pirâmides, seus templos
onde fica hoje a Cidade do México; tinham técnicas muito atrasadas. Depois os astecas, que
faziam templos mais luxuosos e tinham técnicas mais aperfeiçoadas. Os últimos foram os toltecas,
povo que deu origem à atual civilização mexicana. Toda essa civilização milenar foi destruída pelos
espanhóis que invadiram suas terras e acabaram com muito do que encontraram.

2a - Texto produzido por A. A., 26 anos, estudante do 4o. ano do curso de Letras
da USP, em 199:

TEXTO FALADO: Comentário sobre a peça Sinal de Vida

Inf.- vou fazer o resumo ahn... de um livro ou melhor de uma peça... que eu li ahn...
recentemente é uma das peças de que eu mais gostei ahn:: foi escrita pelo Lauro Cesar Muniz é e::
encenada entre 1972 a primeira versão dela é de 1972 e a segunda versão é de 1979 é:: a peça
chama-se Sinal de Vida é. Nessa peça a peça, é, retrata ela ela retrata toda a angústia da personagem
principal que se chama Marcelo que é um jornalista de origem pequeno burguesa né? e:: foi
militante da::do:: partido comunista nesse período de exceção né? da DITADURA militar de 1964 a
1985 e:: a peça retrata e:: toda a toda a angústia né? passada por esse por esse personagem por esse
jornalista que é Marcelo como eu já disse Marcelo Estradas o nome dele e:: essa angústia e:: deriva
de ela deriva de uma... de um... do desaparecimento de uma ex- companheira dele ex- companheira
e:: amante porque é::que ele a levou a ingressar no partido comunista né?.... né? então... essa
companheira so::some ele tem a motícia de que ela e:: ela foi MORTA foi metraLHAda e:: mas ele
ele fica na dúvida ele não teve teve foi uma notícia ele recebeu por uma pessoa e:: algum tempo
depois recebeu outras por outras vias né? notícias que não:: não:: se casavam essas notícias elas se
desencontravam e o que ele então e:: sempre fica nessa dúvida é:: de que essa ex- companheira de::
nome Verônica e:: havia ou não morrido... então é:: o tempo da narrativa é o tempo dessa narrativa
ele se estende durante toda a noite que é nessa noite que ele ele fica diante dessa angústia de ter
levado essa pessoa a ingressar e:: dentro de uma atividade ilegal e:: e na qual ele na qual houve esse
desfecho né? então e:: me perdi e:: na verdade o que se passa é isso e:: eu não sei se valeria a pena
aqui te contar a história toda né? de de como ele a conheceu e:: as outras personagens secundárias
que entram nessa peça... mas uma coisa que e:: que eu achei que ficou bastante... que me chamou
bastante atenção foi ao final da peça quando ele ele o Marcelo né?... a personagem principal e::
durante todo esse questionamento essa procura né? A procura dessa finalização dessa dessa angústia
né? ele então na peça ele vira-se para o palco né? e e pergunta né? "onde está Verônica?" e:: depois
que eu li assim num primeiro momento eu não havia refletido sobre o teor dessa dessa questão
dessa pergunta dele "onde está Verônica? onde está Verônica?" que ele fala por duas se não me
engano por duas ou mais vezes e::... aí que eu me dei conta depois de porque eu li essa peça foi
trabalhando né? como cê sabe eu trabalho como revisor de textos então você está atento sim claro
lógico atento ao conteúdo né? toda a semântica né? toda a semântica toda a sintaxe mas com uma
preocupação maior né? que é a ortografia é dessa forma principalmente né? melhorar a sintaxe mas
depois que eu parei para refletir sobre essa frase o que quer dizer "onde está Verônica? Onde está
Verônica?" na verdade era um apelo haja vista que essa peça foi encenada durante a ditadura militar
de 70 como eu disse logo no começo a primeira versão é de 1972 e a segunda versão modificada em
1979 então quando da encenação dessa peça em 79 né? é até aí já havia ah:: já havia sido noticiado
o desaparecimento de todas essas pessoas ligadas ah:: contra... essa contra a ideologia né? da do
movimento do do golpe de 64 então essa frase "onde está Verônica? onde está Verônica?" soou pra
mim como e:: a pergunta ao clamor do autor né? que se manifesta por meio da personagem né?
perguntando né? onde está? o que significa Verônica? Verônica era toda aquela força toda aquela
juventude de um autor era toda a juventude de toda a juventude ah:: era toda aquela ânsia aquela
busca de mudança então Verônica ele ta/tava ah::ah Verônica simbolizava a vontade de mudança
então o que me soou foi issoquando o autor pergunta "onde está Verônica? onde está Verônica?" ele
está perguntando por todo mundo onde... onde está a esperança?

2b- TEXTO ESCRITO: Comentário sobre a peça Sinal de Vida

Sinal de Vida - peça de Lauro Cesar Muniz escrita em 1972 e encenada em


1979 - retrata o momento crítico em que a personagem Marcelo Estradas, um
jornalista de origem pequeno-burguesa e ex-militante do partido comunista, se vê impotente
diante de uma situaçào que surge: a notícia da morte de uma excompanheira e amante, Verônica,
cujo engajamento político se deu por meio de sua influência. Numa angustiante noite de espera, a
personagem Marcelo faz uma revisão de tudo o que aconteceu entre ambos, procurando de algum
modo avaliar a sua parcela de culpa nesse trágico desfecho.
A peça termina com Marcelo, de frente para o palco, perguntando: "Onde está Verônica?
Onde está Verônica?" à semelhança de tantas pessoas que durante o período de exceção (1964-
1985) desejavam saber onde se encontravam os desaparecidos políticos. Verônica é o símbolo de
luta pelos ideais, da juventude que quer mudança a qualquer preço, é o grito de protesto, de
insatisfação à pergunta: onde estão todos os desaparecidos?

Na passagem da fala para a escrita, podemos observar:

1- eliminação de:
a- marcadores conversacionais: "né?"; "daí::"; "aí"; "assim"; "essas coisas assim"; "então";
"e::"; "ah::"; entre outros.

b- marcas prosódicas, tais como:


- alongamentos: "des::truiram"; "é::"; "da::"; "so::some".
- hesitações: "da...do", "da...da", "contra...essa contra a ideologia"; "já havia ah:: já havia sido
noticiado"; "deriva de uma... de um... do desaparecimento".
- entonação enfática: "da DITADURA militar de 1964 a 1985"; "ela foi MORTA".

c- repetição: "fizeram mais templos fizeram templos mais luxuosos"; "passada por esse por
esse personagem por esse jornalista".

d- correção: "assim fizeram... tinham mais crenças"; "vou fazer o resumo ahn... de um livro
ou melhor de uma peça"; "nessa peça a peça é:: retrata".

2- inclusão de:

a- pontuação: vírgula, dois pontos, ponto e vírgula, travessões, parênteses e ponto final.

b- introdução de substituição do referente por pro-forma ou elipse: "os olmecas, que fizeram
suas pirâmides, seus templos onde fica hoje"; "Marcelo faz uma revisão de tudo o que aconteceu
entre ambos, procurando de algum modo".

c- uso de expressões nominais definidas para evitar a repetição do referente: "os toltecas,
povo que deu origem"; "a notícia da morte (...) nesse trágico desfecho"; "é o símbolo de luta pelos
ideais (...) é o grito de protesto".

d- uso de expressões ordenadoras ou continuadoras: "Os primeiros (...) Depois (…) Os


últimos".

e- encadeamento sintático adequado ao resgate sucinto das idéias: "Toda essa civilização
milenar foi destruída pelos espanhóis, que invadiram suas terras e acabaram com muito do que
encontraram"; "(...) Verônica, cujo engajamento político se deu por meio de sua influência".

f- supressão de trechos em que ocorrem digressões: "e:: me perdi e::"; "como cê sabe eu
trabalho como revisor de textos (...)".

As operações realizadas pelos informantes durante a atividade de produção textual podem ser
sintetizadas no seguinte quadro:

1a. operação: eliminação de marcas estritamente interacionais e a inclusão da pontuação;

2a. operação: apagamento de repetições, redundâncias e autocorreções e a introdução de


substituições;

3a.operação: substituição do turno por parágrafos;


4a. operação: diferenciação no encadeamento sintático dos tópicos;

5a. operação: tratamento estilístico com seleção do léxico e da estrutura sintática, num
percurso do menos para o mais formal.
2. APRENDA A LER EM PÚBLICO
Reinaldo Polito - 03/09/2007

Muitas pessoas acham que ler em público é simples, já que basta transmitir o texto que está
pronto no papel. Posso garantir, entretanto, que a leitura se constitui na técnica mais difícil e
complexa para o orador comunicar uma mensagem. Ao longo dos últimos 30 anos, tenho treinado
pessoas das mais diferentes atividades para falar com desembaraço e confiança diante da plateia.

Essa experiência me permitiu constatar que é muito raro encontrar alguém que saiba ler em
público de maneira correta e eficiente. A maioria não se dá conta de como deverá se dedicar para ter
o domínio total da técnica da leitura. A não ser que você já tenha alguma experiência, precisará de
pelo menos cinco horas de exercícios para desenvolver uma leitura de boa qualidade.

Ao pesquisar os motivos que levam as pessoas a ter tanta dificuldade com essa técnica de
comunicação, entre as causas mais relevantes pude observar duas que se destacam:

A primeira é que a maioria teve poucas chances de ler em público. Se você pensar bem, vai
concluir que falamos de improviso desde o primeiro ano de vida. Entretanto, as chances de ler em
voz alta diante de um grupo de ouvintes são bem mais reduzidas. Alguns passam a vida toda sem
nenhuma oportunidade de ler em público.

A outra causa é que além de, normalmente, as pessoas não terem experiência suficiente para
ler em público, quando precisam recorrer a esse recurso de comunicação se apresentam sem
critérios técnicos adequados.

Embora a técnica seja complexa e exija treinamento, as orientações que você deve seguir para
aprender a ler bem em público são bastante simples. Cuidado - comece agora mesmo a se aprimorar
na leitura em público. Se você esperar o momento em que tenha necessidade de ler, talvez a
circunstância impeça que se prepare de forma conveniente. Observe quais os pontos mais
importantes para tornar a leitura em público eficiente:

Mantenha contato visual com os ouvintes

Tenha em mente que a mensagem deve ser transmitida para os ouvintes. Por isso, não fique
olhando para o texto o tempo todo, como se estivesse conversando com o papel. Durante as pausas
prolongadas e nos finais de frases, olhe para os ouvintes e demonstre com essa atitude que as
informações estão sendo transmitidas para eles.

Cuidado também para não olhar sempre para as mesmas pessoas. Distribua a comunicação
visual olhando ora para um lado, ora para outro. Assim, todos se sentirão incluídos no ambiente.

Uma boa dica para você não se perder, enquanto olha para os ouvintes, é marcar a linha de
leitura com o dedo polegar, pois ao voltar para o texto saberá exatamente onde parou. Outro defeito
que aparece com frequência é o de tirar os olhos do texto, mas em vez de olhar para os ouvintes o
orador olha para o teto, revirando os olhos como se estivesse em transe.

Mantenha o papel na altura correta

Se você deixar o papel muito baixo, terá dificuldade para enxergar o texto. Se, entretanto,
deixar muito alto, esconderá seu rosto da plateia. Por isso, procure deixar a folha na parte superior
do peito, para ler com mais facilidade e não se esconder do público.
Considere também que, se o papel estiver muito baixo, você terá que abaixar muito a cabeça
para ler e levará muito tempo para retornar, olhar e ver as pessoas. Deixando a folha na parte
superior do peito, bastará levantar um pouco a cabeça para tirar os olhos do texto e já estará
mantendo a comunicação visual com os ouvintes.

Falando em não abaixar a cabeça, ao digitar o texto procure usar apenas os dois terços
superiores da página, deixando o terço inferior em branco. Esse cuidado permitirá um contato visual
mais tranquilo e suave, já que para ver as pessoas bastará apenas levantar os olhos, sem movimentar
muito a cabeça.

Faça poucos gestos

Se a gesticulação na fala de improviso, sem papel nas mãos, deve ser moderada, na leitura,
essa moderação dos gestos deve ser ainda maior. Exceto nos casos em que a mensagem exigir
expressão corporal mais ativa, como nas circunstâncias de grande emoção, ao ler uma página, de
maneira geral, você poderá se limitar a meia dúzia de gestos.

É melhor que você faça poucos gestos, que destaquem as informações mais relevantes com
convicção e firmeza, do que demonstrar hesitação e insegurança soltando repetidamente a mão do
papel e retornando depressa, como se estivesse arrependido de ter feito aquele gesto.
Como a falta dos gestos não trará tanto prejuízo ao resultado da apresentação, se você for
muito inexperiente e encontrar dificuldade para gesticular, será melhor que não gesticule. Fique o
tempo todo segurando a folha com as duas mãos.

Aqui você poderia perguntar: mas, Polito, se a falta do gesto não prejudica tanto o resultado
da leitura, por que gesticular? A falta do gesto não prejudica a apresentação a ponto de comprometer
o objetivo da mensagem, mas é evidente que gestos harmoniosos, coerentes e expressivos serão
importantes para tornar a leitura ainda mais eficiente. Em outras palavras. A gesticulação na leitura
é boa. Mas, enquanto você não souber gesticular, é melhor não correr riscos.

Faça marcações

Pequenas marcações no texto podem facilitar a interpretação da mensagem. Use, por


exemplo, traços verticais antes das palavras para indicar o momento de fazer pausas mais
expressivas, e traços horizontais embaixo das palavras que mereçam maior destaque.

Observe que essas marcações não coincidirão necessariamente com a pontuação gramatical.
Por exemplo, nessa frase que você acabou de ler, se você fizesse uma pausa depois da palavra
"marcações", poderia dar mais expressividade à leitura.

E se você tremer?

Até oradores muito experientes chegam a temer quando precisam ler diante do público. Se
você também costuma sentir tremores nas mãos, uma boa saída é usar folhas de gramatura mais
encorpada. Somente pelo fato de saber que, com as folhas mais grossas os pequenos tremores não
serão percebidos, você irá se comportar com mais tranquilidade e, provavelmente, não tremerá.

Não se canse de treinar

Você não pode ter preguiça para treinar. Para exercitar, selecione textos de jornais ou de
revistas, faça marcações para ajudar na interpretação e treine com auxílio de uma câmera de vídeo –
na falta desse equipamento, faça os exercícios na frente de um espelho. Dê atenção especial às
pausas expressivas, à comunicação visual e aos gestos.

Um texto para ser bem lido e interpretado necessita de pelo menos quinze ensaios, pois
somente aí é que conseguirá soltar-se do papel com tranquilidade e se comunicar de forma eficiente
com os ouvintes. Não se esqueça, entretanto, de que para você ter domínio total da técnica precisará
daquelas cinco horas que comentei no início.

Cuidado também para não ensaiar muito a ponto de decorar a mensagem e se esquecer de
olhar para o papel. Se este fato ocorrer, diante da plateia, pelo menos finja que está lendo.
3. A IMPORTÂNCIA DO PARÁGRAFO

Ao ler o texto a seguir, observe como são estruturados os parágrafos.

Boa formação faz a diferença


A cultura ajuda a melhorar a capacidade de julgar

Os responsáveis pelas áreas de seleção das principais empresas do Brasil são unânimes em
apontar uma falha grave na formação dos profissionais brasileiros: a falta de cultura. A crítica vale
tanto para jovens trainees quanto para executivos que já ocupam cargos de liderança. Falta
conhecimento de história, geografia, pintura, música e literatura. Esse defeito pode definir sua
próxima contratação ou promoção: as empresas precisam de gente culta. Por quê? Porque é o nível
cultural que melhora a capacidade de diagnóstico, de entender rapidamente contextos complexos e
de fazer julgamentos. Não é à toa que as escolas de administração europeias (que nos últimos anos
lideram os rankings internacionais) oferecem cada vez mais cursos que discutem pintura, prosa e
poesia, neurologia, filosofia, antropologia e história.
A origem do problema está nos cursos de graduação, que despendem muito tempo ensinando
técnicas e práticas de gestão, modelos de análise e decisão e novas técnicas de marketing e de
finanças. Nada de cultura. É como se o aspecto cultural fosse menos importante. Os executivos mais
experientes já sentiram o drama e correram para sanar o desvio de formação. É o que explica o
sucesso da Casa do Saber, que oferece no Rio de Janeiro e em São Paulo uma extensa lista de
cursos de humanidades, da psicanálise à geopolítica, com alta frequência de homens de negócios.
Nestes dias em que estamos tentando decifrar uma das mais complexas crises econômicas dos
últimos 50 anos, são muito importantes outros pontos de vista, outros modelos, mas estes só vão
aparecer se os profissionais tiverem um olhar mais amplo. Acontece que o desenvolvimento cultural
é um projeto individual: você precisa estabelecer seu plano e algumas metas. Minha sugestão: ler
um livro por quinzena, assistir a um filme por quinzena, ir a um concerto por mês, fazer uma visita
a um museu a cada dois meses, fazer um curso sobre filosofia a cada três meses. Seu papo vai ficar
melhor. Cultura é um grande diferencial competitivo. Ou você pensa que só falar inglês vai fazer a
diferença?
Luiz Carlos Cabrera – professor da Eaesp-FGV,
diretor da PMC Consultores e membro da Amrop Hever Group. Revista Você S.A.
http://vocesa.abril.com.br/edicoes-impressas/0135.shtml (adaptado).

A modalidade escrita tem características diferentes da modalidade falada, que normalmente se


apresenta de forma contínua, com pausas marcadas pela entonação. O texto escrito, por não contar
com a melodia do texto oral, depende de outros expedientes, próprios dessa modalidade. O
parágrafo é um desses expedientes.
Os parágrafos organizam sequências de informações ou raciocínios. Servem para facilitar a
leitura e compreensão do texto, sinalizando ao leitor a progressão dos argumentos e a segmentação
entre eles. Não se abre um novo parágrafo ao sabor do acaso, ou simplesmente pelo número de
linhas, mas porque se encerra um grupo de informações e se inicia outro, relacionado com o
anterior.
Graficamente, o parágrafo pode ser destacado do conjunto pela entrada da primeira linha ou
pelo espaço em relação ao parágrafo anterior (como se vê frequentemente em sites e blogs).

Estrutura do parágrafo
Em linhas gerais, o parágrafo é composto do tópico frasal, também chamado de tópico de
parágrafo, e dos períodos que o explicitam.
O tópico frasal introduz o argumento central do parágrafo, aquele que tem o potencial de
gerar desdobramentos. É uma afirmação ou negação que leva o leitor a esperar mais do texto —
explicações, provas, detalhes ou exemplos. Também pode aparecer em forma de pergunta, que, além
de estabelecer uma relação com o leitor, “encaminha” as sentenças seguintes do parágrafo. Aqui
trabalharemos com o tópico no início do parágrafo, embora ele possa aparecer em outras posições.
Os outros períodos do parágrafo demonstram a afirmação ou negação que se fez no início, ou
procuram responder à pergunta inicial, ou refletir sobre o questionamento feito. De qualquer forma,
é imprescindível que todos os demais períodos do parágrafo estejam relacionados ao tópico. Veja
oexemplo no texto acima.

Exercícios:
1- Roteiro de leitura: inicialmente, iremos determinar os argumentos principais de cada parágrafo e
suas relações com os demais, a fim de compreender como o texto se organiza. Preencha as lacunas
construindo um discurso próprio — isto é, use suas palavras, mas mantenha o sentido original:

- 1º parágrafo: o argumento central, apresentado no tópico, é .... Os demais períodos do parágrafo


especificam os seguintes subtópicos: ... (faça um esquema das relações entre os subtópicos e o
tópico de parágrafo).

- 2º parágrafo: No tópico, é introduzido o argumento central do parágrafo: “A origem do problema


está nos cursos de graduação, que despendem muito tempo ensinando técnicas e práticas de gestão,
modelos de análise e decisão e novas técnicas de marketing e de finanças.” De que forma os demais
períodos do 2º parágrafo relacionam-se a esse tópico? Que relação tem esse argumento com o do
parágrafo anterior?
- 3º parágrafo: o argumento central, aqui, pode ser enunciado da seguinte forma: ... Para defender
esse argumento, os recursos empregados são: …

2- Construção de parágrafos: agora, você vai elaborar dois parágrafos para apresentar sua opinião
sobre o texto (dizendo se você concorda ou não com o ponto de vista apresentado). No entanto,
você não usará “eu”, mas construirá o texto na terceira pessoa. Observe as orientações sobre o
conteúdo de cada parágrafo e as sugestões de organização.

1º parágrafo: apresente, em um tópico de parágrafo e mais três períodos, um resumo do texto. Aqui
deve entrar apenas o ponto de vista do autor. Sugestões para a organização:

Segundo Luiz Carlos Cabrera, no artigo...., uma das maiores deficiências dos jovens profissionais
brasileiros é..... (acrescente mais três períodos que apresentem as principais justificativas e os
desdobramentos desse argumento.)
OU
Uma das maiores deficiências dos jovens profissionais brasileiros é..... É o que defende Luiz Carlos
Cabrera, em seu artigo..... (acrescente mais três períodos que apresentem as principais
justificativas e os desdobramentos desse argumento.)

2º parágrafo: aqui você vai apresentar a sua opinião sobre o ponto de vista apresentado no artigo.
Você deve começar o parágrafo “costurando-o” com o anterior e, depois, deve elaborar mais duas
ou três sentenças. Veja alguns exemplos:
A FAVOR: Esse ponto de vista é bastante lúcido, porque/já que..... De fato, .... Além disso, .....
OU
Essa avaliação do problema é bastante adequada. Afinal...
CONTRA: Essa posição diante do problema não se justifica porque.... OU
Embora tenha seus méritos, essa visão é contestável. O caso é que...

Bibliografia:
ABREU, Antônio Suárez. Curso de redação. 11ª ed São Paulo: Ática. 2001;
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão. Oficina de texto. Petrópolis: Vozes, 2003. 319 p. (p. 208-221 –
adaptado).
FIGUEIREDO, Luiz Carlos. A redação pelo parágrafo. S/ed. Brasília: Editora UnB. 1999.
Colaboração: prof. Alexandre Batista.
4. COESÃO TEXTUAL 2

A coesão textual se refere aos mecanismos que tecem as relações de sentido no interior de um texto
e que o definem como tal. A coesão ocorre quando algum elemento do discurso depende da
interpretação de outro.

Seguem algumas possibilidades de coesão:

Perífrase ou antonomásia – figura de estilo que consiste na substituição de uma palavra por uma
expressão mais longa e com o mesmo significado.

- O Rio de Janeiro é uma das cidades mais importantes do Brasil. A cidade maravilhosa é
conhecida mundialmente por suas belezas naturais.

Nominalizações – uso de um substantivo que remete a um verbo enunciado anteriormente.

- A moça foi declarar-se culpada do crime. Essa declaração, entretanto, não foi aceita pelo
juiz responsável pelo caso.

Sinônimos – ainda que se considere a inexistência de sinônimos perfeitos, algumas substituições


favorecem a não repetição de palavras.

- Os automóveis colocados à venda durante a exposição não obtiveram muito sucesso. Isso
ocorreu porque os carros não estavam em destaque no evento.

Repetição vocabular – ainda que não seja o ideal, algumas vezes há a necessidade de repetir uma
palavra.

- A fome é uma mazela social que vem se agravando no mundo moderno. São vários os
fatores causadores desse problema, por isso a fome tem sido uma preocupação constante dos
governantes mundiais.

Termo síntese – usa-se, eventualmente, um termo que faz uma espécie de resumo de vários outros
termos precedentes, como uma retomada.

- O país é cheio de entraves burocráticos. É preciso preencher uma enorme quantidade de


formulários, que devem receber assinaturas e carimbos. Depois de tudo isso, ainda falta a
emissão dos boletos para o pagamento bancário. Todas essas limitações acabam
prejudicando as relações comerciais com o Brasil.

2
Retirado e adaptado de: http://www.graudez.com.br/redacao/coesao.html
Pronomes – todos os tipos de pronomes podem funcionar como recurso de referência a termos ou
expressões anteriormente empregados.

- A teoria da administração científica foi desenvolvida entre 1870 e 1930. Ela constitui
um marco na história da administração.
- Paulo vendeu as ações da empresa. Depois que seus sócios começaram a se desentender,
ele preferiu sair da sociedade.
- O estado é regido por leis. Algumas são constitutivas do próprio Estado e formam, assim, a
Constituição.
- O governo adotou medidas cujas consequências são ainda imprevisíveis.
- Li o livro do qual você me falou.
- As hipóteses egocentristas da Idade Média estavam todas equivocadas. Giordano Bruno,
entre outros, demonstrou que tais hipóteses eram todas falsas.
- Há uma grande diferença entre Paulo e Maurício. Este guarda rancor de todos, enquanto
aquele tende a perdoar.
- Realizara todos os seus desejos, menos este: o de entrar para a Academia.
- Vitaminas fazem bem à saúde. Mas não devemos tomá-las ao acaso.

Numerais – as expressões quantitativas, em algumas circunstâncias, retomam dados anteriores


numa relação de coesão.

- Foram divulgados dois avisos: o primeiro era para os alunos e o segundo cabia à
administração do colégio. / Mário e João comemoravam a vitória do time do bairro, mas os
dois lamentaram não serem aceitos no time campeão.

Advérbios – expressões adverbiais como aqui, ali, lá, acolá, aí servem como referência espacial para
personagens e leitor.

- Ele não podia deixar de visitar o Corcovado. Lá demorou mais de duas horas admirando as
belezas do Rio.

Elipse – omissão de um termo ou expressão que pode ser facilmente depreendida em seu sentido
pelas referências do contexto.

- O diretor foi o primeiro a chegar à sala. Abriu portas e janelas.

Repetição de parte do nome próprio

- Machado de Assis revelou-se um dos maiores contistas da literatura brasileira. A vasta


produção de Machado garante a diversidade temática e a oferta de variados títulos.
11. Metonímia – Substitui uma palavra por outra, por contiguidade semântica.

- O governo tem demonstrado preocupação com os índices de inflação. O Planalto não


revelou ainda a taxa deste mês.

12. Definitivização: passagem do indefinido para o definido.

- O bandido disparou um tiro. O tiro acertou uma mulher que passava despreocupada pela
calçada.

13. Hiperônimos/Hipônimos: do significado mais geral para o mais específico


- Logo depois de o sargento ter sido vítima de um acidente, foi levado ao hospital.
Felizmente, o militar sobreviveu.
- Várias atividades preenchiam o tempo da aula: ditados, cópias, redações.

14. Epítetos: qualificação


- Glauber Rocha fez filmes memoráveis. Pena que o cineasta mais famoso do cinema
brasileiro tenha morrido tão cedo

15. Símbolos: figura ou imagem que representa algo abstrato


- Santo Inácio foi um soldado da Igreja e divulgou, por meio de sua ordem, os ideais da
cruz.

Exercícios 

1- A língua seria impossível – e insuportável – sem os anafóricos. Se você duvida, veja um


exemplo simples. Sua tarefa será a de tornar legível o parágrafo abaixo.

Parecia uma miragem, mas o pescador africano Tomé Tavares, 59 anos, distinguiu no
horizonte a silhueta de uma embarcação. Fazia 48 dias que o pescador africano Tomé Tavares e o
sobrinho do pescador africano Tomé Tavares, chamado Eusébio, de 23 anos, estavam à deriva no
Oceano Atlântico, a bordo de um pequeno barco danificado (o nome do barco danificado que estava
à deriva no Oceano Atlântico com o pescador africano Tomé Tavares e o sobrinho do pescador
africano Tomé Tavares de nome Eusébio era Celina), alimentando-se de carne de peixe e tomando
água da chuva. Quando o pescador africano Tomé Tavares distinguiu no horizonte a silhueta de uma
embarcação, o pescador africano Tomé Tavares reuniu as forças que restavam ao pescador africano
Tomé Tavares e o pescador africano Tomé Tavares deu um grito de socorro.

2- Utilizando os recursos de coesão, substitua os elementos repetidos quando necessário.


Material sugerido pela profª Patrícia Neves. Exercícios 3 e 4 extraídos de:
http://loucospormatematicaunibh.blogspot.com/2008/09/2.html
Todos ficam sempre atentos quando se fala de mais um casamento de Elizabeth Taylor. Casadoura
inveterada, Elizabeth Taylor já está em seu oitavo casamento. Agora, diferentemente das vezes
anteriores, o casamento de Elizabeth Taylor foi com um homem do povo que Elizabeth Taylor
encontrou numa clínica para tratamento de alcoólatras, onde ela também estava. Com toda pompa, o
casamento foi realizado na casa do cantor Michael Jackson e a imprensa ficou proibida de assistir
ao casamento de Elizabeth Taylor com um homem do povo. Ninguém sabe se será o último
casamento de Elizabeth Taylor.

3- Para cada frase abaixo, redija uma segunda, utilizando o recurso de coesão sugerido entre
parênteses.

a) Um dos graves problemas das metrópoles são os meios de locomoção. ______________

_________________________________________________(sinônimo ou quase-sinônimo)

b) Ayrton Senna foi um dos maiores esportistas brasileiros. _________________________

__________________________________________________________________(epíteto)

c) Não se pode comparar São Paulo com o Rio de Janeiro. __________________________

___________________________________________________(pronomes demonstrativos)

d) Muitas pessoas estão preferindo ir morar em pequenas cidades do interior. ___________

_______________________________________________________(advérbio pronominal)

e) O crescimento desordenado degrada qualquer cidade. ____________________________

____________________________________________________________(nominalização)

4. a) Leia o texto abaixo, e tente torná-lo claro e coeso, a partir das estratégias que você
aprendeu em sala de aula.
b) Em seguida, faça um resumo dos pontos principais.

SHIMOYAMA, Claudio; ZELA, Douglas Ricardo. SHIMOYAMA, Cláudio; ZELA, Douglas


Ricardo. Marketing Empresarial. Coleção Gestão Empresarial, 2005. Disponível em:
http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/mkt/1.pdf, p. 1-2.
5. PLÁGIO3

O plágio acadêmico se configura quando um aluno retira, seja de livros ou da Internet, ideias,
conceitos ou frases de outro autor (que as formulou e as publicou), sem lhe dar o devido crédito,
sem citá-lo como fonte de pesquisa.
Trata-se de uma violação dos direitos autorais de outrem. Isso tem implicações cíveis e penais.
E o “desconhecimento da lei” não serve de desculpa, pois a lei é pública e explícita.
Na universidade, o que se espera dos alunos é que estes se capacitem tanto técnica como
teoricamente. Que sejam capazes de refletir sobre sua profissão, a partir da leitura e compreensão
dos autores da sua área. Faz parte da formação dos alunos que estes sejam capazes de articular as
ideias desses autores de referência com as suas próprias ideias.
Para isto, é fundamental que os alunos explicitem, em seus trabalhos acadêmicos, exatamente
o que estão usando desses autores, e o que eles mesmos estão propondo. Ser capaz de tais
articulações intelectuais, por tanto, torna-se critério básico para as avaliações feitas pelos
professores.

Segundo o professor Lécio Ramos, citado por Garschagen (2006), podemos listar pelo me nos
3 tipos de plágio:

Integral

Parcial: que ocorre quando o trabalho é um “mosaico” formado por cópias de parágrafos e
frases de autores diversos, sem mencionar suas obras.

Vamos imaginar que, por solicitação do professor, alguns alunos “fizeram” artigos
acadêmicos sobre os chamados “tempos pós-modernos”. É uma situação hipotética, não ocorreu de
fato, mas nos ajudará a entender como se configura o plágio e como evitá-lo. Suponhamos,
primeiramente, que eles “escreveram” assim:

Se desde a época do ‘desencaixe’ e ao longo da era moderna, dos ‘projetos de vida’, o


‘problema da identidade’ era a questão de como construir a própria identidade (...) – atual mente, o
problema da identidade resulta principalmente da dificuldade de se manter fiel a qualquer
identidade por muito tempo.
A pós-modernidade representa o momento histórico preciso em que todos os freios
institucionais que se opunham à emancipação individual se esboroam e desaparecem, dando
lugar à manifestação dos desejos subjetivos, da realização individual, do amor-próprio.
A substituição crescente dos ideais da cultura por ideais estritamente consumistas, com fins de
utilização dos indivíduos como mera força de consumo e o atual aguçamento da descrença em
projetos coletivos unificadores – talvez ainda existentes nas chamadas “culturas de massas” –
promovem a constituição de um tipo de “pseudo individuação” ancorada ainda mais estritamente,
em mecanismos de idealização.

Tudo muito bonito, mas acontece que, além de o professor conhecer muito bem o estilo de
escrita do aluno - e saber se ele escreve tão bem ou não – o texto é o típico exemplo de plágio
parcial, porque os parágrafos são copiados na íntegra, sem citação, de obras de Bauman, Lipovetsky
e Severiano, respectivamente.

Mesmo citando as fontes ainda assim a forma de escrever é incorreta, pois o pesquisador, ou
seja, o aluno, não deve apenas fazer um levantamento de trechos de autores
(“colcha de retalhos”), mas sim, criar um texto diferente baseado nas ideias dos mesmos,
explicando o que eles quiseram dizer com exemplos esclarecedores, entre outros complementos.
3
Retirado da “Nem tudo o que parece é: entenda o que é plágio”
Dessa forma, é incorreto, por exemplo, colocar, em vários parágrafos sucessivos, literalmente
o texto deles (entre aspas, portanto), ou mudando apenas uma ou outra palavra. Abaixo, uma versão
incorreta, mesmo tendo as fontes citadas (as palavras alteradas estão em negrito).

Se desde a época do ‘desencaixe’ e ao longo da contemporaneidade, dos ‘projetos de vida’, o


‘problema da identidade’ era o modo como construir a própria identidade (...) – hoje, o problema da
identidade resulta principalmente da dificuldade de se manter fiel a qualquer identidade por muito
tempo. (BAUMAN, 1999, p. 155)
A pós-modernidade significa a época histórica precisa em que todos os freios institucionais
que se opunham à emancipação individual se desmoronam e desaparecem, dando lugar à
manifestação dos desejos subjetivos, da realização individual, do amor-próprio. (LIPOVETSKY,
2004, p. 23)
A substituição progressiva dos ideais da cultura por ideais totalmente consumistas, com fins
de utilização dos indivíduos como mera força de consumo e o atual aguçamento da descrença em
projetos coletivos unificadores – talvez ainda existentes nas chamadas “culturas de massas” –
promovem a constituição de um tipo de “pseudo-individuação” baseada, ainda mais estritamente,
em mecanismos de idealização. (SEVERIANO, 1999, p. 162-163)

Conceitual: a utilização da ideia do autor escrevendo de outra forma, porém, novamente, sem
citar a fonte original.

Agora vamos imaginar que este aluno mudou um pouco ou bastante este texto, ou seja,
parafraseou as citações, mas, na intenção ou não de fazer a ideia parecer genuinamente sua,
novamente não colocou as referências. Suponhamos que o texto ficou assim:

Em outras épocas, os dilemas existenciais eram mais simples que atualmente. Na


modernidade, a questão subjetiva central girava em torno de um pensamento como algum dia
formar uma família e chegar à diretoria de uma empresa. Atualmente, diversificam-se os ideais;
A “pós-modernidade” significa uma postura (pensamentos e ações) do indivíduo de, não
apenas se perceber mais livre para constituir uma identidade por negar a obediência cega à
“tradição” e utilizar sua razão para questionar o que melhor pode lhe preencher, mas sim, de sentir
essa liberdade ao extremo, e ainda, de se permitir experimentar sem culpa também o seu lado
irracional/emocional.
Vê-se na maioria das sociedades capitalistas atuais a valorização de modelos de identidade
focados no consumo, isto é, na compra constante das tecnologias e marcas em destaque no
momento e a desvalorização daqueles relacionados a escolhas duradouras, como fazer parte de
grupos voltados a alguma transformação social, formar uma família, entre outras. Isso poderia
estimular uma pseudo-individuação, ou seja, uma ilusão de saciedade que poderia levar à
continuação de uma sensação de mal-estar.

Sem dúvida, o texto ficou escrito de forma diferente à dos autores retratada anteriormente,
porém continua sendo a ideia deles a presente aqui, sendo necessário, da mesma forma, citar as
fontes. Do modo como está acima, temos novamente uma situação de plágio, dessa vez em sua
versão conceitual.

Então, qual é a forma correta de colocar estas ideias no texto acadêmico?

É simples: basta escrever com suas próprias palavras de modo a explicar todas as citações,
apresentar as fontes no próprio texto, e, se necessário, incluir as citações diretas (texto literal do
autor utilizado) à medida que o trabalho vai sendo desenvolvido.
6. PARÁFRASE4

Caracterização geral

Há operações sintáticas que “preservam o sentido”. O uso dessas operações torna-se então um
recurso para construir frases sinônimas.

Material linguístico

A paráfrase tem em muitos casos um fundamento sintático: passamos de uma sentença à sua
paráfrase usando as mesmas palavras (ou palavras da mesma família) e mudando apenas a
construção. Os exemplos mais célebres de operação sintática que resulta em paráfrase são:

✓ a formação da voz passiva: Cabral descobriu o Brasil ≈ O Brasil foi descoberto por Cabral;
✓ a nominalização: A justiça ordenou a entrega imediata da criança aos pais ≈ A justiça ordenou
que a criança fosse entregue imediatamente aos pais;
✓ a substituição de uma forma verbal finita por uma forma verbal infinita: Aos 30 anos, ficaria mal
eu pedir dinheiro a meu pai ≈ Aos 30 anos pegaria mal que eu pedisse/se eu pedisse dinheiro a meu
pai. ≈ Aos 30 anos, pegaria mal eu pedir dinheiro a meus pais;
✓ alçamento de certos verbos: Para a maionese endurecer, é preciso que a vasilha esteja
absolutamente seca ≈ Para que a maionese endureça, a vasilha precisa estar absolutamente seca;
✓ a substituição de verbos por advérbios e vice-versa (aparentemente: parecer; possivelmente:
poder; necessariamente: precisar; geralmente: costumar etc.): Os ensaios da banda são feitos
habitualmente na noite da quarta-feira ≈ Os ensaios da banda costumam ser feitos na noite de
quarta-feira.

Exercícios

1. Modifique conforme o exemplo:

Foi assim que José descobriu que estava doente =


Deste modo, José descobriu sua doença.

a) Os testes desmentiram que boa parte do material estivesse contaminado.


b) O discurso mostra que o presidente não está despreparado para exercer o cargo.
c) Ninguém duvida hoje que as motivações com que circulou o boato tinham caráter político.
d) Certos fatos só se explicam pela hipótese de que a célebre espiã estava simultaneamente
comprometida com as duas potências em conflito.
e) Surpreendeu os jornalistas que o velhinho estivesse lúcido, aos 103 anos.
f) Naquele momento, alguém lembrou que o presidente do sindicato não era hábil no trato de
questões que exigiam sensibilidade política.
g) Desde o primeiro momento, nenhum dos técnicos do laboratório se dispôs a afiançar que a fita
cassete era autêntica.
h) Qualquer químico confirmará a você que as sementes de mamona, com que você brincava em
criança, são altamente tóxicas.

4
Retirado de: ILARI, Rodolfo. Introdução à semântica – brincando com a gramática / Rodolfo Ilari. – São Paulo:
Contexto, 2001.
7. RESUMO 5

CONCEITO

Resumo é a apresentação concisa dos pontos mais importantes de um texto. Sua característica
principal é a fidelidade às ideias do autor. A interpretação deve ficar em nível de objetividade e a
estrutura implica um plano lógico, orgânico, capaz de revelar o fio condutor traçado pelo autor:
introdução, desenvolvimento e conclusão. O resumo deve ter, ainda, um cunho pessoal que permita
mostrar os conceitos fundamentais do texto a partir da assimilação individual de quem o redige.

EXTENSÃO

Recomenda-se que os resumos tenham as seguintes extensões:

a) para notas e comunicações breves, os resumos devem ter até 100 palavras;
b) para monografias e artigos, até 250 palavras;
c) para relatórios e teses, até 500 palavras.

ESTILO E ESTRUTURA

O estilo do resumo deve ser conciso, mas não uma enumeração de tópicos. Deve-se dar
preferência ao uso da 3ª pessoa do singular e do verbo na voz ativa.

PROPOSTAS DE TRABALHO

1) Refaça os resumos já propostos anteriormente, atentando agora para outros aspectos como a
coesão e a paráfrase.

2) Construa agora um resumo de até 100 palavras sobre o mesmo texto.

5
Adaptado de: MARTINS, Dileta Silveira & ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português instrumental de acordo com as
atuais normas da ABNT. Porto Alegre: Editora Sagra Luzzatto, 2003.
7. COMO TORNAR A LINGUAGEM MAIS COMPREENSÍVEL 6

1 Frases curtas

O uso da frase curta apoia-se no fato de que é mais fácil assimilar uma ideia por vez. Os
períodos recheados de orações subordinadas, em geral contém muitas ideias, tornando-se
complexos e de difícil entendimento. Frequentemente, frases com 10 a 15 palavras são as de
decodificação mais simples.
Sempre que possível, é preferível transformar uma frase longa em várias unidades menores.
Frases curtas possibilitam rápida compreensão. Terminada sua leitura, é provável que o leitor já as
tenha assimilado. Assim, quando passar à seguinte, já estará pronto para novas informações. Isto,
porém, não quer dizer que frases curtas reproduzem por si mesmas rápido entendimento.

Exemplos:

 "A expectativa de expansão da demanda e dos reajustes nos preços do biodiesel, aliada às ações
da Brasil Ecodiesel para tentar ganhar produtividade e reduzir custos, farão de 2008 um 'mundo
diferente' para a companhia." (Gazeta mercantil, 10 de agosto de 2007)

Contamos hoje com a expectativa de expansão da demanda e dos reajustes nos preços do biodiesel.
Essa conjuntura, aliada às ações da Brasil Ecodiesel para tentar ganhar produtividade e reduzir
custos, fará de 2008 um "mundo diferente" para a companhia.

 "Os Estados Unidos perderam 36.000 empregos em fevereiro, mais que o registrado em janeiro,
com uma taxa de desemprego de 9,7%, segundo o relatório oficial divulgado nesta sexta-feira,
apontando melhores resultados que os previstos por analistas." (Revista Veja, 5 de março de
2010)

Um relatório oficial sobre o desemprego nos EUA foi divulgado nesta sexta-feira, apontando
melhores resultados do que os previstos por analistas. Os Estados Unidos perderam 36.000
empregos em fevereiro, mais que o registrado em janeiro. A taxa de desemprego é de 9,7%.

 Nos últimos meses, grandes custos sociais arcados pelos trabalhadores, alvos de demissões em
massa e da flexibilização dos direitos trabalhistas, são justificados para sanar a perda de lucro e
do poder concorrencial de empresas. (Le Monde Diplomatique, 6 de março de 2010)

Nos últimos meses, grandes custos sociais arcados pelos trabalhadores são justificados para sanar a
perda de lucro e do poder concorrencial de empresas. Eles são alvos de demissões em massa e da
flexibilização dos direitos trabalhistas.

* Até três verbos para formar o período 7

O período longo e o vocabulário inadequado são os principais erros em um texto formal. Em


cursos nos tribunais, dedico muito tempo ao assunto. Criou-se o hábito de escrever com períodos
longos na atividade jurídica. Não é um problema só brasileiro. Diversos países europeus organizam
campanhas nos órgãos públicos para melhorar o texto jurídico e torná-lo mais objetivo. Eu tenho
presenciado o esforço para isso.
Se você tiver a curiosidade para pesquisar textos jurídicos de países anglos, nórdicos e mesmo

6
Retirado e adaptado de: MEDEIROS, João Bosco. Redação empresarial. São Paulo: Editora Atlas, 2009.
7
Retirado de: curso de português jurídico.
dos Estados Unidos e Canadá, ficará surpreso com o tamanho dos períodos e dos parágrafos. Eles
são exageradamente concisos. Podemos encontrar um meio-termo.

Observe o exemplo a seguir, retirado de uma reportagem:

Mesmo fervidas diariamente, as lentes de contato gelatinosas ficam impregnadas de sujeira, o


que pode até causar conjuntivite, mas, desde o começo do ano, os míopes da Califórnia podem
resolver o problema jogando as lentes no lixo pois lá acabam de ser lançadas lentes descartáveis que
custam apenas 2,5 dólares cada, que só em desde o começo do ano, os míopes da Califórnia podem
resolver o problema jogando as lentes no lixo pois lá acabam de ser lançadas lentes descartáveis que
custam apenas 2,5 dólares cada, que só em julho estarão disponíveis no Brasil.

Veja como fica melhor:

Mesmo fervidas diariamente, as lentes de contato gelatinosas ficam impregnadas de sujeira, o


que pode causar conjuntivite. Desde começo do ano, porém, os míopes da Califórnia podem
resolver o problema. Acabam de ser lançadas lentes descartáveis que custam apenas 2,5 dólares
cada. Em julho, elas estarão disponíveis também no Brasil.

Quase sempre o período longo mistura pensamentos. Sem perceber, o autor acaba por tratar de
diversos assuntos diferentes e sem continuidade. Observe exemplo de uma redação para concurso
público com essa falha:

Quando paramos para pensar sobre quem foi o responsável por todas as mazelas que sofremos
nos últimos anos no Brasil, gerando desordem na área da saúde e da educação principalmente e
poucos resultados eficientes na área do crescimento, aquele que permitiu que toda esperança se
perdesse e fosse por água abaixo, deixando escapar uma oportunidade para o Brasil ocupar um
assento permanente na ONU e em diversas representações internacionais

Texto bom é objetivo e claro. O período curto facilita o entendimento rápido por parte do
leitor. O texto a seguir foi editorial do jornal Correio Braziliense. Observe a separação das ideias
nos períodos.

A União Europeia completa 50 anos hoje como a mais bem-sucedida experiência de


integração regional do planeta. Quando a Guerra Fria começava a mergulhar Estados Unidos e
União Soviética numa era de autossuficiência e competição, os europeus concretizavam sua aposta
na cooperação como diferencial para enfrentar desafios do século 21. Os problemas do bloco são
vários, mas os benefícios inegáveis dão a outros países importantes lições sobre desenvolvimento.

2 Voz ativa

A utilização de verbos na voz ativa proporciona ao texto leveza, movimento, vigor e clareza,
além de emprestar-lhe maior exatidão. Em textos científicos ou didáticos, a preferência ainda é pela
voz passiva, particularmente quando o sujeito é o autor. Acredita-se que tal forma transmite certa
neutralidade e impessoalidade à mensagem.
A voz passiva, no entanto, tem contra si o fato de que é construída com auxiliares ser e estar,
que dão ao texto monotonia. A voz passiva desvitaliza a mensagem e dificulta ao leitor a rápida
assimilação de ideias.
As frases passivas exigem maior número de palavras, desfiguram textos, enfraquecem verbos.

3 Vocabulário
Evite o uso de palavras técnicas e abstratas. A utilização de palavras técnicas em
desconformidade com as possibilidades do receptor prejudica a compreensão do texto. O emissor
deve, portanto, atentar para um vocabulário acessível ao receptor, bem como ao uso de uma
linguagem própria à área de atuação da empresa ou do cliente.

3.1 Palavras abstratas

Outro cuidado do redator de textos comerciais refere-se ao uso de palavras abstratas ou de


conotação que envolve preconceito. Assim, há palavras que, por causa de sua ampla carga
semântica, apresentam significados diferentes para diferentes indivíduos. Também se devem evitar
palavras que encerram juízo de valor. Por isso a necessidade de concretizar ideias.

Palavras abstratas Palavras que encerram Palavras amplas de


juízo de valor referencial impreciso
felicidade errado reacionário
liberdade bom comunista
mau esquerda
certo direita

3.2 Generalização

O uso de vocabulário genérico deixa de particularizar, torna o texto comum, não


característico. Assim, em vez de profissional, que é genérico, diz-se metalúrgico, bancário,
engenheiro, agrônomo, revisor, secretária.
A generalidade de sentido das palavras torna o discurso vago, impreciso, inexpressivo. A
vantagem em converter um vocabulário genérico em específico está em concretizar os fatos, torná-
los reais, precisos. As generalizações tornam as ideias confusas, não defensáveis logicamente.
Restringindo o sentido, amplia-se a compreensão. Daí a necessidade de fugir ao adjetivo
genérico que não acrescenta nenhuma ideia ao substantivo. Exemplos:
prédio feio (excessivamente vago)
prédio abandonado, sujo (menos vago)
prédio com rachaduras na estrutura, desabamento na cobertura, abandonado (concretização
dos fatos)
A redação melhora, portanto, quando são empregados termos adequados, precisos, simples.

4 Economia verbal

De modo geral, os relatórios e as cartas comerciais são prolixos e podem ser reduzidos; são
extensos porque não se determinou previamente o objetivo da mensagem. Por isso, é preciso afastar
ideias secundárias ou sem interesse para o objetivo que se tem em vista.
Com frequência, diz-se que um texto está bom quando há organização do pensamento, as
ideias são relevantes, não há repetições, o texto é claro e compreensível. Por fim, o tamanho ideal
de um texto é determinado pela adequação à necessidade.
Recomenda-se reescrever um texto até que ele alcance a precisão e a clareza necessária para
atingir o objetivo previamente determinado. Ao término do rascunho, verifica-se a possibilidade de
eliminar palavras, de substituir outras, de cortar as que nada acrescentam e são desnecessárias.
Observe o exemplo a seguir:
Prolixo Conciso
Agradecemos imensamente sua carta Agradecemos seu interesse em publicar
e seu interesse em publicar conosco conosco sua obra. Essa Editora não está
seus maravilhosos trabalhos. Nossa investindo em novas publicações no
diretriz editorial, contudo, está sendo momento, embora reconheçamos que
gerida pelas atuais e catastróficas sua obra foi elaborada com apuro
dificuldades por que atravessa o país, científico. Obrigado por nos ter
não podendo, por isso, a empresa oferecido seu texto.
investir em novos e atraentes títulos Atenciosamente,
no presente momento. Confúcio de Oliveira
Fossem outras as condições do
momento, certamente teríamos a
maior satisfação em publicar sua
insigne obra. Com nossos melhores
agradecimentos pela oferta,
manifestamos ao ensejo as expressões
de nossa elevada consideração e
apreço.
Confúcio de Oliveira

5. Vagueza8

No dia 12 de junho de 2000, os cadernos de esporte dos principais jornais do Brasil dedicaram
reportagens de página inteira ao tenista Gustavo Kuerten, o Guga, que, na véspera, havia vencido o
torneio de Roland Garros, tornando-se com isso o primeiro tenista na chamada “corrida dos
campeões”. Como de hábito, essas reportagens eram anunciadas na primeira página por textos mais
breves. Veja estas passagens transcritas do jornal O Estado de S. Paulo, e faça em seguida os
comentários pedidos.

[caderno de esportes interno]

GUGA NO TOPO DO MUNDO


Com o bicampeonato em Paris, o “roi de France” assume a liderança da corrida dos campeões
CHIQUINHO LEITE MOREIRA
Especial para o Estado

Paris – Com banho de champanhe em plena quadra central, Gustavo Kuerten foi coroado
como “roi de France”, ao conquistar o bicampeonato de Roland Garros, o Aberto da França, com
uma impressionante vitória sobre o sueco Magnus Norman por 3 sets a 1, parciais de 6/2, 6/3, 2/6 e
7/6 (8/6). Com a emocionante vitória, Guga subiu ao topo do ranking da corrida dos campeões da
Associação do Tenistas Profissionais (ATP) e, pela primeira vez na história, um brasileiro realiza a
façanha de assumir a posição de número 1 do tênis mundial.
“Realizei novamente um grande sonho”, celebrou Guga. “Mais uma vez meu nome entra para
a história, agora como bicampeão de Roland Garros.” A conquista valeu ao brasileiro 200 pontos
para a lista da corrida dos campeões que, assim, destronou Magnus Norman da posição de número
1. O título também rende ao tenista a condição de um dos maiores ídolos do esporte brasileiro,
numa modalidade que ele mesmo conseguiu popularizar, atraindo o interesse do grande público.
8
ILARI, Rodolfo. Introdução à semântica – brincando com a gramática / Rodolfo Ilari. – São Paulo: Contexto, 2001.
Majestade – “Não me sinto um grande ídolo”, comentou Guga. “Mas fico feliz por levar
alegria a muita gente a cada torneio que conquisto.” Em Paris, Guga mostrou o seu lado
carismático. Muitos brasileiros vieram especialmente para vê-lo em ação em Roland Garros. Em
sua última edição, o boletim oficial da competição estampou “Kuerten, roi de France” revesti do de
majestade a façanha do brasileiro na quadra...

[primeira página]

GUGA É BICAMPÃO NA FRANÇA

Com uma emocionante vitória sobre o sueco Magnus Norman por 3 sets a 1, parciais de 6/2,
6/3, 2/6 e 7/6 (8/6) Gustavo Kuerten, o Guga, conquistou ontem o bicampeonato de Roland Garros,
o Aberto da França, tomou um banho de champanhe em plena quadra central e foi coroado como
“roi de France”. Guga subiu ao topo do ranking da corrida dos campeões da ATP e, pela primeira
vez na história, um brasileiro realiza a façanha de assumir a posição de número 1 do tênis mundial.
“Não me sinto um grande ídolo”, disse. “Mas fico feliz por levar alegria a muita gente a cada
torneio que conquisto.” Muitos brasileiros foram a Paris para ver Guga jogar. O Presidente FHC
mandou telegrama ao atleta: “Caro Guga: Parabéns. Você continua nos enchendo de orgulho”.
Agora Guga sonha com uma medalha nas Olimpíadas de Sidney, em setembro.

a) O texto do Caderno de Esportes trata do mesmo acontecimento, mas é bem mais longo. O
que o torna mais longo?
b) Qual dos dois textos nos dá o melhor perfil do novo campeão?
c) Qual dos dois textos nos dá o melhor conjunto de informações objetivas sobre a vitória de
Guga?
d) Compare os dois textos, e avalie, globalmente, qual dos dois é mais “informativo” (entenda
“informativo” como uma relação custo/benefício: o texto informativo é aquele que nos permite
saber mais coisas que antes não sabíamos, com um uso menor de espaço).
8. ERROS RECORRENTES 9

Você

A Unicamp (Universidade de Campinas) é reconhecida no país por muitos de seus méritos. E, a


bem da verdade, a Unicamp começa bem já no vestibular. Muitas das questões – é pena que não
sejam todas – são interessantes, inteligentes, de ótimo nível.
O vestibular dessa importante escola começou em 1987. Nesse ano, justamente a primeira questão
da prova de português pedia ao aluno que indicasse as marcas típicas da oralidade, ou seja, da
língua falada, presentes no discurso de um engenheiro eletrônico. Tratava-se de uma entrevista
concedida por ele a um jornal. Disse o engenheiro: "Os grandes problemas, você deve ter um
desenvolvimento tecnológico local". A questão pedia que o aluno reescrevesse a frase, adequando-a
"à língua escrita culta". De imediato, chama a atenção a falta de conexão. A expressão "os grandes
problemas" parece atirada, jogada, perdida. Falta verbo, falta algo que una essa expressão ao resto
da frase. Talvez algo como "Para resolver os grandes problemas, você...". Epa!
“Você?” Quem é “você”?
Até prova em contrário, você é a pessoa com quem estou conversando. Você é meu interlocutor.
E esse "você" da resposta do engenheiro parece muito pouco para a dimensão – nacional – do
pensamento. "Para resolver os grandes problemas, é preciso desenvolvimento tecnológico local".
Ou: "A solução dos grandes problemas exige desenvolvimento tecnológico local". Ou ainda: "Para a
solução dos grandes problemas, exige-se desenvolvimento tecnológico local".
Percebeu?
O "você" do engenheiro não era a pessoa com quem ele conversava.
Pelo menos na linguagem formal, culta, é bastante desejável a eliminação desse cacoete. É
cansativo, pobre e enfadonho o uso da palavra "você" como indicador de algo genérico, coletivo.

Exercício

I) Corrija o texto abaixo, substituindo os “vocês” ambíguos e desnecessários por expressões


apropriadas.

Márcia querida,

Você nem imagina o que tenho para lhe contar! Depois de alguns meses, resolvi seguir os

conselhos de uma grande amiga, que me disse que, quando você percebe que o casamento não vai

muito bem, o melhor que você pode fazer é pular fora o quanto antes. Ele acha que se existe a

possibilidade de a relação fracassar, é melhor você poupar as crianças. Alguns especialistas, no

entanto, dizem que você tem de suportar a situação, pois o que a criança quer mesmo é ver os pais

juntos, mesmo que infelizes. O que você acha?

Independentemente de qualquer coisa, resolvi ouvir o meu coração, sábio e fiel conselheiro e

pus um fim naquela história toda. Quando você houve a voz do coração, não há erro! Porque, no

fim das contas, é ele quem mais conhece você mesma...

9
Retirado de: NETO, Pasquale Cipro. Ao pé da letra. Rio de Janeiro: EP&A, 2001.
Mas, voltando às novidades, o coração me pregou outra peça: descobri-me apaixonado por um

velho amigo, alguns meses depois da separação. Você sabe, as pessoas logo fazem mau juízo e

começam aquela velha ladainha de que você agiu de caso pensado... Será que é tão difícil assim

você acreditar nos semelhantes? Está certo que tudo se passou apenas dois meses depois, mas por

que iria esconder um romance se o casamento já havia chegado ao fim? Quando você age com

determinação, a inveja parece tomar todos os nossos amigos de sobressalto.

Mas, para encurtar essa história, casei com esse antigo amigo e estamos muito felizes. Daqui a

um mês teremos nosso primeiro filho!

II) Promova as alterações necessárias para que o texto abaixo da subjetividade para a
impessoalidade:

Palmada na lei
Eliane Brum, Revista Época, 26/07/10 (trechos)

O projeto, que ficou conhecido como “lei da palmada”, se propõe a alterar o artigo 18 do

Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Nele, fica proibido o uso de castigos corporais de

qualquer tipo na educação dos filhos. O castigo corporal é definido como “ação de natureza

disciplinar ou punitiva com o uso de força física que resulte em dor ou lesão à criança ou

adolescente”. Li, pesquisei, estudei e continuo achando um total disparate. Não encontro um único

argumento que me convença de uma lei proibindo palmadas.

Antes de seguir, quero deixar muito claro que, obviamente, espancamento é crime. Seja dos

pais ou de quem for. Palmada não. E nada me convence de que precisamos de mais uma lei, já que a

legislação existente pune o espancamento e demais agressões físicas. Nada tampouco me convence

de que o Estado deve interferir neste nível na vida privada, na maneira como cada um educa seus

filhos. Não por uma postura liberal, mas por algo bem mais sério que vou abordar mais adiante.

Um dos argumentos em defesa da nova lei é de que as pessoas não saberiam a diferença entre

uma palmada e um espancamento. Acredito que a maioria das pessoas sabe muito bem a diferença

entre dar um tapa na bunda de uma criança e espancar uma criança. Não vale como estatística, mas
nunca conheci ninguém que não soubesse, exceto pessoas com distúrbios muito graves, que também

não sabiam a diferença entre quase tudo. Quem espanca não acha que está dando uma palmada.

Tem certeza de que espanca e quer espancar.

[...]

Me parece muito perigoso tachar de criminosos pais que dão palmadas. Por vários motivos. O

primeiro deles é a injustiça da afirmação. Crime é algo muito sério e algo com que o Estado e todos

nós precisamos nos preocupar porque rompe e ameaça o tecido social, portanto a sobrevivência de

todos. Não pode e não deve ser banalizado. Chamar de criminoso um pai ou uma mãe que dá uma

palmada na criança na tentativa de educar é, além de um equívoco, um flagrante abuso.

[...]

Este tipo de debate é rico porque todos têm suas próprias experiências. E eu acredito muito na

experiência. Vivemos numa época em que a tradição foi desmoralizada e a maioria corre para

especialistas de todo o tipo para saber como deve agir ou pensar. Não confia nem na soma de

experiências próprias e dos que acertaram e erraram antes – nem em seus próprios instintos. Uma

pena, porque perdemos muito. Todos nós perdemos muito. E, talvez, mais que todos, nossas

crianças.

Espancamento, ouso dizer que a maioria de nós não experimentou. Mas palmadas quase todos

conhecem na pele. Eu nunca fui espancada pelos meus pais, mas recebi várias palmadas. E todas

elas, na minha percepção, foram atos de amor e de educação. Eu nunca espanquei minha filha, mas

dei várias palmadas nela. E também foram atos de amor e de educação.

Quando eu era criança, só conheci um colega que era espancado pela mãe. Numa ocasião, esta

mulher entrou na escola em que estudávamos com um pedaço de pau e deu uma surra pública no

meu amigo. Para nós aquilo foi algo totalmente apavorante. Tínhamos oito anos e não sabíamos que

os pais eram capazes de tal violência. Sabíamos perfeitamente a diferença entre aquela surra

sangrenta que testemunhamos e o que acontecia dentro da nossa casa quando aprontávamos alguma

arte. Lembro que nos reunimos para conversar. Estávamos assustados e precisávamos explicitar e
assegurar a diferença para termos certeza de que nossos pais nunca fariam algo assim. A forma que

encontramos foi cada um contar como os pais procediam quando faziam algo errado. Rememorar os

limites era a única maneira de nos tranquilizar diante daquela cena de horror.

[...]

Li num artigo de jornal a seguinte afirmação de uma psiquiatra: “Crianças que sofrem

palmadas são induzidas a pensar que podem dar palmadas nos outros, que a violência é a maneira

de resolver as coisas, e se tornam agressivas na escola”. Me parece um pensamento bastante

inconsistente. Nunca achei que pudesse dar palmadas em ninguém nem permiti que outros que não

fossem meus pais me dessem palmadas. Era muito claro que esta prerrogativa, a de me dar

palmadas para me educar, era só dos meus pais. E que eu só as teria quando fosse mãe. Assim como

era muito claro para mim e para meus irmãos que a violência não era a forma de solucionar

conflitos. Possivelmente porque nós – e a maioria das crianças ao nosso redor – não decodificavam

a palmada como violência. Nunca conheci nenhuma criança que saísse dando tapas nos outros

porque recebia palmadas em casa. Vi, sim, especialmente em trabalhos de reportagem, crianças

espancadas que se tornaram muito agressivas ou totalmente alheias. Garanto: é de outra ordem.

Outro argumento que aparece neste debate é o da desproporção. Não há comparação entre a

força de um adulto e a capacidade de se defender de uma criança, entre o tamanho da mão que

aplica a palmada e a mão de quem a recebe. É verdade. E não vejo como poderia ser diferente. Não

compreendo como poderia existir um processo educativo que não parta de uma desproporção. Se eu

tenho condições de ser mãe é justamente porque assumo a desproporção. Para me tornar mãe ou pai,

eu preciso antes acreditar que tenho o que transmitir ao meu filho e tenho meios para educar. É

minha esta responsabilidade. E dá um trabalho enorme – muito maior do que deixar para lá e não

colocar limites, como se vê cada vez mais por aí.

[...]

Mas o aspecto que mais me preocupa se este projeto de lei for aprovado é o de reforçar aquele

que me parece ser – este sim – um dos grandes problemas atuais: a dificuldade dos pais de educar
seus filhos. Não me parece que o problema da maioria das crianças hoje seja a palmada que

eventualmente recebe dos pais. Mas o fato de não receber limites de seus pais, de não ser

efetivamente educada.

[...]

Não tenho dúvida de que os autores e apoiadores da lei são bem intencionados. Mas acho que

se equivocaram e erraram o alvo. Uma lei como esta desautoriza os pais – e o faz numa época em

que eles mesmos, por diversas razões, já desautorizam a si mesmos. Ao exercer sua autoridade de

forma abusiva, o Estado esvazia de autoridade e infantiliza seus cidadãos. Isto é grave. Embora eu

tenha poucos motivos para confiar neste Congresso que aí está, espero que vozes com bom senso se

ergam para impedir este projeto de virar lei. Se virar, como todas as leis sem lastro na realidade, não

será cumprida. E isto desmoraliza a democracia.


Vírgula
Por incrível que pareça, ainda há professores de português que ensinam a seus alunos que
“vírgula é para respirar”. Dizem que “toda vez que se respira, coloca-se vírgula”. Isso é uma santa
loucura. Se assim fosse, imagine como seria o texto de um asmático. Uma vírgula atrás de outra. A
vírgula é, antes de tudo, um instrumento sintático, ou seja, um elemento que está diretamente
associado ao papel que um termo tem na estrutura da frase.
Mas nada de complicar, que não é esse o nosso papel. Vamos direto ao assunto. Compare a frase
“Pedro, nosso primo comprou uma casa” com “Pedro, nosso primo, comprou uma casa”. Percebeu a
diferença?
Na primeira, “Pedro” é a pessoa a quem se dirige a palavra, a pessoa chamada, interpelada.
“Pedro” não é nosso primo. Sintaticamente, diz-se que é vocativo. Vocativo vem do latim “vocare”
(chamar). E o vocativo sempre é separado por vírgula. Não se espante se encontrar por aí frases
como “Acorda Brasil. Está na hora da escola”, sem a vírgula que deveria separar “Brasil”, vocativo.
A frase corretamente pontuada é “Acorda, Brasil. Está na hora da escola”.
Na célebre frase “Maria, sai da lata!”, “Maria” é vocativo, recebe um apelo. Sem a vírgula,
“Maria” passa a sujeito e efetivamente sai da lata.
Voltando ao glorioso “Pedro”, o que ocorre na segunda frase (Pedro, nosso primo, comprou uma
casa)? Não existe mais vocativo, ou seja, não se chama ninguém. Pedro e nosso primo são a mesma
pessoa. Pedro, que é nosso primo, comprou uma casa.
Agora pense em outra dupla: “Os atletas despreparados abandonaram a competição” / “Os
atletas, despreparados, abandonaram a competição”.
Qual é a diferença?
Vamos lá. Na primeira frase, havia na competição atletas preparados e despreparados. Só
abandonaram a competição os despreparados. O termo “despreparados” restringe o universo de
atletas a uma parcela. E não se separam por vírgula termos restritivos.
Na segunda, todos os atletas estavam despreparados e abandonaram a competição. Note que, se
você quisesse, enfatizar a condição, o estado dos atletas, bastaria colocar o adjetivo “despreparados”
no início, separando-o por vírgula: “Despreparados, os atletas abandonaram a competição”. Percebe
que nesse caso aumenta o destaque para a condição dos atletas?
Lamento dizer, mas não existem milagres. Só se consegue o domínio pleno da pontuação,
principalmente do uso da vírgula, com o estudo da estrutura sintática. O problema é que o estudo e
o ensino de análise sintática quase sempre são catastróficos.
Para encerrar, uma brincadeira. Pontue o seguinte trecho, com a liberdade de transformar
minúsculas em maiúsculas, se necessário:
“Maria antes do banho sua mãe diz ela traga a toalha”.
Pode começar a quebrar a cabeça.Que tal? Já conseguiu?

Exercícios 10
Antes de fazer os exercícios, preste atenção à explicação a seguir:

É proibido o uso da vírgula para separar:

a) Sujeito e verbo: Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil.

b) O verbo e seus complementos (objeto direto e indireto): Joaquim deu o disco ao garoto.
Comunicamos aos interessados que os diplomas já saíram.

Na frase ou oração, separam-se por vírgulas:

a) O vocativo: Maira, venha cá!

b) O aposto explicativo: Pedro, imperador do Brasil, foi justo.


(Aposto é o termo da oração que modifica um outro, identificando-se com ele.) Na sentença
acima, imperador do Brasil modifica Pedro e é Pedro.

c) Palavras da mesma função sintática que não venham unidas por conjunção: Compramos
lápis, livros e cadernos.
d) Adjuntos adverbiais deslocados ou de certa extensão: À tarde, o general verificou todas
as posições.
e) Conjunções coordenativas deslocadas para o meio da frase: Estou em férias; não contem,
portanto, comigo.
Nas orações complexas, separam-se por vírgulas:
a) As orações coordenadas assindéticas ou intercaladas: César veio, viu e venceu.
O dia, disseram as crianças, não poderia ser melhor.
b) As orações adjetivas explicativas: A Terra, que é um planeta, gira no espaço.
c) As orações adverbiais: Chegando, todos o saudaram.
Quando chegar o verão, vou à praia.
d) Certas expressões (exemplificativas ou de retificação), tais como: por exemplo, além
disso, isto é, a saber, aliás, outrossim, com efeito etc.: Observe, por exemplo, o novo regulamento
do Campeonato Brasileiro de Futebol.
e) Para destacar a localidade, nas datas: Campinas, 13 de março de 2003.
f) Para indicar a elipse (o apagamento) do verbo: O espírito busca luz; o coração, amor. [O
coração busca amor.]
Exercício:
1- Coloque vírgulas, quando necessário:
A MCA produtora de cinema foi comprada pela Matsushita.
Aos noivos os padrinhos deram uma geladeira.
O bem da humanidade consiste em gozar o máximo de felicidade sem diminuir a felicidade
10
Adaptado de: ABREU, Antônio Suárez. Curso de redação. 12ª ed. 1ª imp. São Paulo: Ática, 2004.
dos outros.
Alguns ouvem com as orelhas outros com o estômago.
Rosana sua bolsa está aberta.
O homem que é racional saberá evitar uma terceira guerra.
Quando a nave atingir sua órbita desligará os motores.
Viajando de automóvel você conhecerá mais coisas.
O ministro disse aos empresários que a inflação vai cair.
Franco militar espanhol governou a Espanha durante quarenta anos.
Esta medida se não tomarmos providências aumentará o pagamento de imposto de renda.
O Gol um dos carros mais vendidos no Brasil sofreu muitas modificações desde o
lançamento.
Desde que entraram na moda as peças napoleônicas adquiriram valores incalculáveis.
Pode-se apontar além disso outro mal-entendido a respeito da greve em serviços essenciais.
Com muita calma ele conseguiu depois de muita pesquisa descobrir a causa da perda de
energia.
A hóstia o arado a palavra correspondem aos três sacerdócios do Senhor.
Antes de começar é importante pois entender como as informações são inseridas no
computador.
Ao apagar um arquivo lembre-se de que isso é feito de forma permanente.
Os filósofos costumam ignorar que a ciência não existe no vácuo.
A pesquisa científica mesmo realizada por conta própria é uma atividade social e cultural.
Quase sempre adiamos a vida deixando de dar atenção ao momento.
A incerteza é a companhia necessária a todos os exploradores.

2- Reescreva as orações abaixo, utilizando a vírgula ou não, de modo que veiculem os significados
expressos entre parênteses. (CLAC UFRJ – OLP 2010 – q. 2 a 4)
a) Não fique.
I – (no sentido de não ficar)
II – (no sentido de ficar)
b) Aquele professor é meu pai.
I – (no sentido de que o pai é o professor)
II – (no sentido de que o pai não é professor)

3- Reescreva os períodos abaixo, colocando as vírgulas que forem necessárias.


a) “O meia Ronaldinho Gaúcho que não está entre os 23 convocados para o Mundial da África do
Sul acredita que demonstrou que ainda pode fazer muita coisa no futebol.”

b) “A assessoria de imprensa do Ministério Público Estadual afirmou que a escola passa por uma
investigação mas não deu detalhes sobre o trabalho. De acordo com a assessoria o promotor da
Infância e Juventude de São Bernardo do Campo Jairo Edward de Luca estava em audiências e não
poderia comentar o caso na sexta-feira (14).”

c) “Um homem de 40 anos precisou ser resgatado pelos bombeiros nesta quarta-feira (12) em
Suffolk no estado da Virgínia (EUA) depois que ficou preso em uma árvore. Ele estava a 18 metros
de altura quando entrou em pânico e não conseguiu mais descer. Segundo a emissora de TV
‘WAVY’ quando os bombeiros chegaram o homem parecia fraco e desidratado.”
4- Explique a diferença de significado nas orações abaixo, atentando para a questão da utilização
das vírgulas.

a) Marisa, a esposa do presidente quer falar com você.


_________________________________________________________________________

b) Marisa, a esposa do presidente, quer falar com você.


_________________________________________________________________________

5- Analise a pontuação dos trechos a seguir. Identifique os problemas e corrija-os:

a) Um dos mecanismos mais usados como forma de reduzir a pobreza, é o


assistencialismo.

b) Existem inúmeros fatores que englobam o tema da pobreza e que são,


consideravelmente importantes, para que haja a inserção dessa população excluída e sem
oportunidades.

c) Outro aspecto é que, por mais que o país tenha um crescimento econômico e ofertas
de serviços como, educação e saúde, a população extremamente pobre continuará, sendo
negligenciada pois, ainda é uma parcela da sociedade excluída.

d) Desse modo, o argumento central da autora é de que, não adianta apenas o


assistencialismo como forma de reduzir os níveis de pobreza de um país.

e) Porém, os estudos atuais, indicam que a educação, tanto quanto o crescimento


econômico, são indispensáveis (...).

f) A autora Wanda Engel em Assistência ou assistencialismo afirma que programas


distributivos voltados para a redução da pobreza sofrem acusações.

g) Essa experiência, de discriminação, impotência e preconceito resulta no afastamento


das pessoas que pertencem à classe pobre (...).

h) (...) Programas de assistência em que a educação é uma solução para a pobreza, não
ajudam a eliminá-la.

i) Wanda Engel critica a insistência do governo em achar que com suas inúmeras
propostas de programa para a redução da pobreza vai resolver esse complexo problema.

j) A pobreza tem que ser combatida de diferentes formas dependendo de sua


classificação por isso foram apontados três grupos de pobreza.

k) Muitos acreditam e acusam os programas distributivos, referentes à pobreza, como


assistencialistas, esses só enxergam uma forma de saída para a pobreza, no caso a educação.

l) Políticas de inclusão enfrentam então, a árdua tarefa de mudar esta situação.

m) A autora acrescenta que na verdade, estudos desenvolvidos há cinco décadas vêm


apontando que o aumento da escolaridade para redução da pobreza, é mais impactante do
que o crescimento econômico.
Onde e aonde
Onde está você?
Vamos trocar duas palavras sobre uma verdadeira praga: a palavra onde. Esse termo está
assumindo todos os significados possíveis e imagináveis. Vale tudo: da óbvia ideia de lugar a todas
as outras que a criatividade das pessoas consegue produzir.
Uma simples consulta a um bom dicionário é suficiente para constatar que onde indica,
basicamente, ideia de lugar, lugar físico, lugar em que. Frases como “Onde você comprou a
roupa?”, “Onde você nasceu?”, “Falta luz na rua onde moro”, “Conheço a cidade onde você
nasceu” são absolutamente corretas e usadas no dia a dia com naturalidade.
Os problemas começam quando a bendita palavra onde passa a ser usada como uma espécie de
cola-tudo, como nesta frase: “O pacote fiscal reduz o poder de compra da classe média, onde as
vendas em dezembro devem diminuir sensivelmente.”
Que tal? Que relação existe entre a redução do poder de compra da classe média e a queda nas
vendas? A relação é mais do que evidente: causa e efeito. A redução do poder de compra é causa; a
queda nas vendas é consequência. Será que a expressão adequada para estabelecer essa relação é
onde? Claro que não! As opções são muitas: por isso, consequentemente, em consequência disso,
portanto, logo, razão pela qual, etc.
Por ironia, nenhuma das possibilidades consideradas corretas é a preferida. As pessoas gostam
mesmo de usar o danado do onde. Jornalistas, políticos, economistas, esportistas e o público em
geral ― certamente influenciado pelo exemplo ― consagram o modismo. Ouvi de um atleta: “Não
me alimentei bem ontem, dormi mal esta noite, onde hoje não consegui bom desempenho.”
Na frase do atleta, também se observa a relação causa/efeito. A palavra onde é completamente
descabida. Aliás, onde já virou até sinônimo de cujo: “É um veículo moderno, onde o motor tem
baixíssima taxa de emissão de poluentes.” Nada disso. O veículo tem motor, o motor é dele,
veículo, portanto existe uma relação de posse, que deve ser estabelecida pelo pronome cujo: “É um
veículo moderno, cujo motor...”.
Outra coisa esquisita que também já virou moda é “onde que”: “A defesa esteve mal, onde que o
adversário se aproveitou para criar muitas situações de perigo.” Nem pensar. Uma das possíveis
soluções seria “A defesa esteve mal, e o adversário se aproveitou disso para criar muitas situações
de perigo.”
Também se vê onde para estabelecer relação temporal. Até Chico Buarque caiu na esparrela, na
memorável Todo sentimento, que tem letra de Chico e música de Cristóvão Bastos: “...tempo da
delicadeza, onde não diremos nada...” Tempo é tempo, onde é lugar. Caberia a palavra “quando”, ou
a expressão “em que”, talvez pouco adequadas à frase musical.
A diferença entre onde e aonde também deixa muita gente de cabelo em pé. A solução é muito
simples. Aonde é a fusão de “a” com “onde”. Esse “a” é preposição e indica basicamente ideia de
movimento, destino. Portanto só se deve usar aonde com verbos que indicam essa ideia. E são
poucos, como ir, chegar, dirigir-se, levar: “Aonde você quer chegar?”, “Aonde você pretende levá-
la?”, “Aonde ela foi?”, “Aonde ele se dirigia naquele momento?.”
Você certamente conhece uma canção interpretada pelo grupo Cidade Negra, cuja letra diz:
“Aonde está você? Aonde você mora? Aonde você foi morar?”. No padrão culto, as três frases
exigem “onde”, já que estar e morar não indicam movimento. Você não diz estar a algum lugar, nem
morar a algum lugar. Se você está em e mora em, o que se usa é onde, e não aonde.
Na fala, é absolutamente impossível controlar a diferença entre onde e aonde. Se você é
daqueles que se preocupam com a correção até na língua do dia-a-dia, é bom lembrar que, em
termos de língua culta, para cada noventa e nove ocorrências corretas de onde, há uma de aonde.
Mesmo em escritores renomados se vê o emprego de onde e aonde sem critério. Bandeira, num
célebre poema pré-concretista, valeu-se do jogo onde/onda/aonde (“Aonde anda a onda?”).
Para a língua padrão, porém, a diferença deve ser respeitada. Se você fizer uma prova, um
concurso público, um vestibular, deve seguir as orientações desta coluna. É isso.

Exercícios
1) Qual(is) da(s) frase(s) a seguir está(ão) correta(s) de acordo com a gramática normativa?
a) Vivemos numa época onde as pessoas...
b) Vivemos numa época em que as pessoas...
c) Vivemos numa época quando as pessoas...
d) Ir onde? Ir a algum lugar.
e) Ir aonde? Ir a algum lugar.

2) Preencha as frases abaixo utilizando “onde” ou “aonde”:


a) A rua ____________________ moro é longa.
b) A cidade ___________________ nasci é pequena.
c) _____________________ você vai?
d) A escola _____________________ estudo é rígida.
e) ___________________ querem chegar com esse discurso?
f) ___________________ devo dirigir-me?
g) ___________________ você vai morar?
h) Discrimine os locais ___________________ podemos estacionar veículos.
i) Não sei _________________________ começar a busca.
j) Não sei _________________________ ir.
l) _______________________ você está?

Assinale a(s) frase(s) correta(s). Na(s) que você considerar incorreta(s), aponte a alteração
necessária.
Apresentou um contrato onde as cláusulas são obscuras.
______________________________________________________________________

b) Ao voltarmos da praia, enfrentamos um enorme congestionamento onde precisamos desviar


para não perder tempo.
_____________________________________________________________________

c) Se ele não indicar o local preciso onde o tesouro foi escondido, iremos perder muito tempo na
busca.

3) Substitua no texto os termos “onde” e “aonde”, quando for necessário:

Facebook desdenha privacidade e está longe da transparência


Sílvio Guedes Crespo, Estadão

Quem está cadastrado no Facebook pode se surpreender, no futuro, onde, em uma livraria,
escolher-se um livro e receber a informação de que um amigo já leu aquela obra.
Essa situação, onde o usuário da rede social online não sabe até aonde seus dados se espalham
pela web, é um sinal de que o Facebook tem “falhas sinistras” em relação à privacidade dos
usuários, na opinião do colunista John Gapper, do Financial Times.
Ele se refere especificamente ao site da Amazon, onde levará aos consumidores informações
atreladas ao Facebook. “Alguns podem achar isso útil; outros, detestável, dependendo do ponto de
vista. O que é indiscutível é que os consumidores precisam ter o direito de uma escolha clara e
compreensível sobre como as suas informações pessoais serão usadas”, afirma Gapper.
Para o colunista, o Facebook é “talvez a mais poderosa empresa de internet do mundo ao lado
de Google” e “desdenha a privacidade” dos seus usuários. Ele cita um estudo da Electronic Frontier
Foundation, onde se constatou o contínuo enfraquecimento do compromisso assumido pela empresa
em 2005, de não compartilhar dados com ninguém, a não ser com o restrito grupo de amigos de
cada usuário.

Facebook cria "ondas de opinião" e ofusca papel da Globo no BBB12


Carlos Castilho, Posterous

Em toda esta polêmica em torno do suposto estupro no BBB12, onde o fato mais relevante é o
papel cada vez mais influente que a rede social Facebook está desempenhando na formação de
"ondas de opinião".
O caso todo surgiu por conta do Facebook, onde se dependesse da Globo, o episódio poderia
ter passado em brancas nuvens. Tudo começou com o surgimento da suspeita de que uma
participante tivesse sido estuprada por um colega de programa, aonde a suspeita gerou uma
polêmica entre internautas e a Globo resolveu jogar água na fervura, punindo o protagonista
masculino no episódio.
A partir daí o caso tomou os rumos mais disparatados, onde várias personagens buscaram
visibilidade pública, de ministros a policiais, passando por advogados, parentes, pastores e por ai
vai. Até a Globo entrou de carona, aonde se aproveitou da máxima “falem mal, mas falem de mim”.
O episódio serviu, no entanto, para mostrar como os eventos públicos podem se tornar
incontroláveis, onde o público passa a ter um protagonismo cada vez maior por meio das redes
sociais na internet.
O Facebook ocupa neste contexto um espaço especial, aonde ele não só é uma “aldeia virtual”
reunindo perto de um bilhão de participantes, como está deixando de ser uma instituição para se
transformar num ambiente ou espaço público virtual, onde as regras e valores são reescritos
constantemente.
Hoje muita gente já começa a se perguntar se é possível viver sem o Facebook. Gostemos ou
não da resposta, ela é não. O Facebook, como instituição, pode sumir, como já aconteceu com o
Myspace, a primeira rede social de importância mundial, ou o mesmo pode vir a acontecer com o
outrora onipresente Orkut. Mas o espaço público continuará existindo.
Um espaço onde está mudando os nossos comportamentos e também os nossos valores, como
é o caso dos conceitos de privacidade, autoria e coletividade na internet. Mas estes são temas que
podemos conversar mais adiante.
Há 12 anos, os produtores do reality show norte-americano Survivor perderam parte do
controle sobre o desenrolar do programa, onde os telespectadores formaram comunidades na
internet para trocar informações e antecipar o desfecho de cada episódio, antes dele ir ao ar. As
alternativas desenvolvidas pelo público mostraram-se mais interessantes do que as da emissora,
aonde gerou-se uma batalha jurídica, porque os produtores acusaram as comunidades de violar
direitos autorais. Os produtores perderam.
O potencial desestabilizador do público em relação ao controle das emissoras sobre os seus
programas já estava patente bem antes do surgimento do fenômeno Facebook, onde tudo indica que
o grande reality show está se transferindo para a internet. Um show movido por "ondas de opinião",
fenômenos ainda muito pouco estudados, aonde se formam sem que ninguém preveja, e
desaparecem da mesma forma.
Acento diferencial
“As cuecas de Edmundo”
Na época da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 1998, lendo os jornais,
dei de cara com uma baita foto do jogador Edmundo, de cuecas, com uma bola (de futebol) no meio
das pernas. Com cara de coitadinho, o “Animal” pedia nova chance na seleção.
No alto da página, o título, imenso, dizia: “Me dêm mais uma chance na seleção”. Pobre
Edmundo! Paga pelo que faz e pelo que não faz. No caso de indisciplina dentro do campo, nada
mais justo do que punir o craque. Mas atribuir-lhe erros gramaticais elementares é no mínimo
maldade pura.
Você já desconfiou? Já sabe qual é o problema? O fato é o seguinte: o diabo não dorme
nunca, está sempre de plantão, principalmente nas redações de jornais, revistas, agências de
propaganda, etc. O diabo não perde a chance de aprontar. E resolveu fazer surgir a forma “dêm”.
Nego-me a crer que um redator profissional tenha escrito deliberadamente a forma “dêm”.
Mas muita gente viu o anúncio.
Levando em conta que no Brasil as pessoas têm muita dificuldade para lidar com o padrão
formal da língua – a começar pela ortografia –, o efeito da propaganda é devastador. Então é bom
ver direito essa história.
Vamos lá. A dúvida aparece sempre na hora de optar por “e” ou “ê” ou “ee”. E não é difícil
guardar o que é considerado correto. Quando se conjuga os verbos “ter” e “vir”, nada de “ee”. No
presente, na terceira pessoa do singular, você deve escrever “ele tem, ele vem”. Na terceira do
plural, você deve escrever “eles têm, eles vêm”. Mas, por favor, nada de ler “teeeeeem”, como
muita gente acha que deve fazer. Na boca, “vem” e “vêm” são absolutamente iguais. “Tem e têm”,
também. Não espiche o “e” na leitura, por favor.
E quando é que se usa a vogal dobrada (ee)?
Isso aparece na conjugação dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e derivados (“descrer”, “reler”,
“prever”, “rever”, etc.). É o caso de “creem”, “deem”, “leem”, “veem”, “descreem”, “releem”,
“preveem”, “reveem” etc.
Você já percebeu que colocaram na conta do pobre Edmundo uma grande mancada: não existe
“dêm”. O correto é “deem”. Já disse que não acredito que o redator tenha escrito isso por convicção.
O diabo certamente estava de plantão. Mas que é duro de engolir é. Se você viu o anúncio, pode até
comprar as cuecas, mas não pode comprar a grafia.
Voltando ao problema da grafia dos verbos, é fundamental não esquecer que os derivados de
“ter” (“deter”, “manter”, “reter”, “obter”, “conter”, “entreter”, etc.) e “vir” (“intervir, “provir”,
“convir” etc.) obedecem a um esquema particular.
Qual é a forma correta: “ele mantêm” ou “ele mantém”?
Na terceira do singular do presente do indicativo, deve-se empregar o acento agudo, sem dobrar
a vogal: “ele mantém”, “a caixa contém”, “a máquina retém”, “você obtém”, “a mãe entretém”, “a
polícia intervém”, “o preço convém”, “a mercadoria provém”.
E no plural: eles “mantêm” ou “manteem”?
Na terceira pessoa do plural, não se dobra vogal, mas o acento deixa de ser agudo e passa a ser
circunflexo: “eles mantêm”, “as caixas contêm”, “as máquinas retêm”, ...
Por que o acento muda? Por que o singular e o plural não são iguais?
Vamos ver. Considere a seguinte frase: “Que poder detem esses jovens?”
Que acento verbal você poria na forma verbal?
Pense bem. Com acento agudo (“detém”), o sujeito seria “poder”. Perguntar-se-ia que poder é
capaz de deter, frear, impedir, segurar esses jovens.
Se fosse colocado o acento circunflexo, o sujeito passaria a ser “esses jovens”. Mudaria também
o significado do verbo “deter”. Perguntar-se-ia que poder esses jovens possuem, têm nas mãos.
Resumindo: no primeiro caso (detém), quer-se saber o que é capaz de segurar os jovens; no
segundo (“detêm”), quer-se saber de que tipo de poder esses jovens são donos, que tipo de poder
eles têm nas mãos. Percebeu? Antes de reclamar dos acentos da língua portuguesa, é bom descobrir
sua real importância.
Antes que alguém cobre um comentário sobre a posição do “me” na frase da propaganda, vou
logo dizendo que isso é assunto para outro texto.
Voltando às cuecas, vocês, leitores, devem dar um desconto a Edmundo. Deem um desconto a
ele. E que ele tome cuidado. Essa história de mandiga com as cuecas alheias não costuma dar
resultados. Te cuida, Animal!

Exercícios
1) Assinale a alternativa correta:
a) Dêm-me mais uma chance.
b) Deem-me mais uma chance na seleção.

2) Preencha as frases abaixo com uma forma dos verbos “ter” e “vir”, no presente do indicativo:
a) Ele _______________ participado dos treinos.
b) Eles ________________ participado dos treinos.
c) Ele _______________ para a entrega do troféu.
d) Eles ________________ para a entrega do troféu.
3) Agora, preencha as frases com os verbos indicados entre parênteses, no presente do
indicativo:
a) Ele _________________ o título de melhor jogador europeu. (deter)
b) Eles _________________ os títulos de melhores jogadores europeus. (deter)
c) Ele ________________ excelente padrão de jogo durante os 90 minutos. (manter)
d) Eles ________________ excelente padrão de jogo durante os 90 minutos. (manter)
e) Ele se ________________ da vida noturna. (abster)
f) Eles se ________________ da vida noturna. (abster)
g) Ele ________________ de um time de segunda divisão. (provir)
h) Eles ________________ de um time de segunda divisão. (provir)
Concordância
Você deve lembrar-se de uma das lições que dei durante uma das campanhas publicitárias do
McDonald’s de que participei alguns anos atrás. O filme começava comigo: “acabou as ficha”, “Os
menino fugiu”, “As batatas tá quente”.
Isso no Brasil é comum na fala cotidiana independentemente da classe social. Frases como as
que citei na propaganda, em língua formal, passam a “Acabaram as fichas”, “Os meninos fugiram”,
“As batatas estão quentes”. Frases como “Foi discutido todas as causas”, “Não veio todos os
pedidos” passam a “Foram discutidas todas as causas”, “Não vieram todos os pedidos”.
“Ele tornou possível todos os meus sonhos?”
Nem pensar. “Possível” se refere a “sonhos”, plural. Afinal, os sonhos é que se tornaram
possíveis. Então “Ele tornou possíveis todos os meus sonhos”. Caso semelhante é o de “A Prefeitura
não mantém limpo as ruas”. De novo, nem pensar. “Limpo” se refere a “ruas”. A frase correta é “A
Prefeitura não mantém limpas as ruas”.

“SOBROU” OU “SOBRARAM QUINZE”? “FALTA” OU “FALTAM” TRÊS?


Um desvio muito comum na língua do dia a dia ocorre quando o verbo vem antes do sujeito:
“Sobrou quinze”, “Falta três”. É preciso pensar no que vem depois do verbo e, se necessário, fazer a
concordância: “Sobraram quinze”, “Faltam três”.

“O PAÍS POSSUI BELOS VEGETAÇÃO E RELEVO” OU “O PAÍS POSSUI BELA


VEGETAÇÃO E RELEVO”?
Você percebeu que o adjetivo (“belos/bela”) foi colocado antes de dois substantivos (“vegetação
e relevo”)? O que fazer? É simples: faz-se a concordância com o substantivo mais próximo, ou seja,
deve-se dizer “O país possui bela vegetação e relevo”, ou “O país possui belo relevo e vegetação”.
E se o adjetivo for colocado depois? Aí a história é outra. Há duas opções. Pode-se fazer a
concordância com o substantivo mais próximo, ou seja, pode-se dizer “O país possui vegetação e
relevo belo”, ou “O país possui relevo e vegetação bela”. Esse processo é eficiente e mais do que
recomendável na fala.
Pode-se fazer também a concordância calculada. O que é isso? É um processo um pouco mais
trabalhoso, por isso mesmo mais exigível na linguagem escrita, em que se dispõe de mais tempo
para revisão. No caso do exemplo citado, leva-se em conta que “vegetação” é palavra feminina e
“relevo”, masculina. Quando se juntam substantivos masculinos e femininos, prevalece o
masculino, obviamente no plural. Então, quando se opta pela concordância calculada, deve-se dizer
“O país possui vegetação e relevo belos”, ou “O país possui relevo e vegetação belos”.
Tome cuidado com um caso perigoso.
Quando se diz “Estavam preocupados o pai e a filha”, o adjetivo (preocupados) só pode ser
colocado no plural masculino, já que o verbo (estavam) está no plural, concordando com o sujeito
composto (o pai e a filha). Neste caso, a ordem não tem importância: “Estavam preocupados a filha
e o pai”.

“CHEGOU O DIRETOR E OS ALUNOS” OU “CHEGARAM O DIRETOR E OS


ALUNOS?”
Você conhece a música “Cálix Bento”? É do folclore mineiro, e muita gente gravou. “Cálix”,
que se “cális”, é a mesma coisa que “cálice”. A certa altura, a letra diz: “Onde mora o cálix bento e
a hóstia consagrada”. É correta a concordância da forma verbal “mora”? Não deveriam ser
“moram”?
Vamos ver. Quem é que mora? Não é difícil perceber que os “moradores” são dois: o cálix bento
e a hóstia consagrada. Isso significa que o sujeito é composto, já que é formado por dois núcleos
(“cálix” e “hóstia”). Talvez você já esteja com vontade de afirmar que a concordância está errada,
afinal, se o sujeito é composto, o verbo deve ficar no plural, certo? Não é bem assim. Na letra da
música, o sujeito é colocado depois do verbo, e nesses casos, há duas opções: o verbo pode ir para o
plural (moram) ou concordar com o núcleo mais próximo, que no caso é “cálix”, o que justificaria a
forma “mora”.
Conclui-se, então, que são corretas as frases como “Chegou o diretor e os alunos” e “Chegaram
o diretor e os alunos”. Na primeira, quer se queira, quer não, há mais ênfase para a chegada do
diretor. Já na segunda, privilegia-se o conjunto formado pelo sujeito composto (“o diretor e os
alunos”). É óbvio que a frase “Chegou os alunos e o diretor” não seria possível, já que o núcleo do
sujeito mais próximo do verbo (“alunos”) estaria no plural. Nessa ordem, seria obrigatório a forma
“chegaram”: “Chegaram os alunos e o diretor”.

E SE O SUJEITO FOSSE COLOCADO ANTES DO VERBO?


Não haveria escolha. O verbo só pode ficar no plural. Na letra de “Cálix Bento”, teríamos
“Onde o cálix e a hóstia consagrada moram”. No outro exemplo, teríamos “O diretor e os alunos
chegaram”.
Bem, depois de tudo, você deve ter percebido que há um erro no título desta coluna.
FICOU CLARA A MINHA POSIÇÃO?

Concordância nominal
Regra básica: O adjetivo e o pronome adjetivo concordam em gênero e número com o
substantivo a que se referem:
O moço bonito.
As mulheres más.

1) Adjetivo posposto a dois ou mais substantivos


O adjetivo poderá concordar com todos eles, ou com o mais próximo. Nesse último caso, seu
sentido ficará restrito, obviamente, apenas ao último substantivo. Em uma oração como:
Temos um projetor e um quadro avariados.
entendemos que ambos, o projetor e o quadro, estão avariados. Se a concordância for feita
apenas com um quadro, como em:
Temos um projetor e um quadro avariado.
apenas o quadro estará avariado.

2) Adjetivo anteposto a dois ou mais substantivos


O adjetivo poderá, igualmente, concordar com todos eles, ou com o mais próximo. A diferença é
que, em qualquer um dos casos, o sentido do adjetivo se estenderá a todos os substantivos, como
em:
Vimos avariado um projetor e um quadro.
Vimos avariados um projetor e um quadro.

3) Dois adjetivos modificando um substantivo


Podemos ter as seguintes concordâncias:
O serviço externo e [o) interno.
Os serviços externo e interno.

4) Particípio
O particípio dos verbos concordará sempre com seu sujeito, como em:
Feitas as contas, decidimos adiar o conserto.

5) Predicativo
O predicativo sempre concordará com o elemento modificado por ele.
Aquelas flores estão lindas.
O ministro julgou precipitadas as medidas.
A comissão pediu emprestadas algumas urnas.

6) Expressões invariáveis
a) Locuções adjetivas:
Pessoas sem caráter.
Pessoas sem vergonha.
b) Palavras empregadas como advérbio:
Todos falavam baixinho.
As revisões em concessionárias custam sempre caro.

7) Adjetivos compostos
Só se flexiona neles o último elemento:
Serão promovidas várias exposições luso-brasileiras.
Exceção: surdo-mudo, que faz plural em surdos-mudos.

8) Nomes de cor
a) Quando o nome de cor for um adjetivo, a concordância se fará, normalmente, como já foi
explicado:
blusas amarelas
olhos verde-claros [sendo adjetivo composto, varia apenas o segundo elemento]

b) Quando o nome de cor for um substantivo, não haverá concordância:


blusas areia
cortinas verde-água
Exceção: lilás, que faz plural em lilases.
Observação: os adjetivos azul-marinho e azul-celeste são invariáveis.

9) Expressão tal qual


Na expressão tal qual, o primeiro elemento concorda com o antecedente, e o segundo, com o
consequente:
Esta menina é tal qual a mãe.
Estas meninas são tais qual a mãe.
Esta menina é tal quais os pais.

10) Concordância com o verbo ser


Algumas vezes o verbo ser parece estar não concordando com seu sujeito, como ocorre em
sentenças como:
É necessário fé.
Uma cerveja seria ótimo.
Catorze cópias é suficiente.
O que ocorre, nestes casos, é que os sujeitos não são as palavras grifadas, mas sim orações
truncadas de que elas são apenas um vestígio. Tais orações podem provir de construções como:
É necessário ter fé.
Tomar uma cerveja seria ótimo.
Você tirar catorze cópias é suficiente.
em que o verbo ser, havendo sujeito oracional, permanece na terceira pessoa do singular, e o
adjetivo predicativo, no masculino singular. Nesse tipo de construção, fica claro que os predicados
(é necessário, seria ótimo ou é suficiente) estão predicando eventos e não coisas.

Exercícios:
Complete as lacunas, observando a concordância nominal:
1) Patrícia viu, na fazenda, várias vacas e uma planta __________________ (aquático).
2) Professores da USP, em convênio com o Centro de Estudos __________________ (luso-
brasileiro), desenvolvem pesquisas __________________ (Iinguístico-literário).
3) O presidente viajou __________________ vezes aos Estados Unidos. (bastante).
4) __________________ bastante cautela para lidar com cobras venenosas. (é preciso).
5) Minhas filhas são __________________ a mãe. (tal qual)
6) Os vestidos __________________ estão fora de moda. (lilás)
7) Até nove meses de idade, as crianças __________________ não sofrem influência da
línguaambiente. (surdo-mudo)
8) Rosana comprou blusas __________________ (branco) e saias __________________. (vinho)
9) Todos acharam __________________ as flores que você me enviou. (maravilhoso)
10) Os fiscais do PT ficaram __________________ na apuração evitar fraude. (alerta)
11) Os carros __________________ tiveram procura reduzida este ano. (azul-marinho)
12) O governo brasileiro pediu mais dois milhões __________________ ao FMI. (emprestado)
13) __________________ 15 toneladas de resíduos radioativos em tambores blindados, ainda assim
existe algum perigo de vazamento (enterrado).

Concordância verbal – primeira parte.


Como regra geral, o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa:
As uvas estão verdes.
Nós viajamos duzentos quilômetros.
Jair Rodrigues e Elis Regina cantaram em festivais.
Casos especiais de concordância

1) Núcleo do sujeito no plural, com artigo também no plural.


O verbo concorda com o sujeito plural, obedecendo à regra geral:
Os Estados Unidos são um grande país.
Os Andes ficaram famosos com esse acontecimento.

2) O sujeito é coletivo partitivo: a maior parte de, grande parte de etc., como em:
A maior parte dos clubes recebe apoio.
A concordância é feita com o núcleo do sujeito que é parte. A palavra parte, entretanto, é um
quantificador, e um quantificador, assim como também os pronomes, em geral, são palavras
referenciais, isto é, por si sós não significam nada. Se dissermos, por exemplo: Ele chegou, ficamos
sem saber quem chegou. Falta a referência do pronome ele. Se dissermos, entretanto, Júlio
telefonou, ele chegou, saberemos que a referência de ele é Júlio. Da mesma maneira, se dissermos
que A maior parte não recebe apoio, precisamos de uma referência para saber de que parte se trata.
A sentença em questão oferece essa referência no complemento preposicionado dos clubes. Por esse
motivo, é também possível fazer a concordância verbal com a referência do quantificador, em vez
de faze-a com o núcleo, como em: A maior parte dos clubes recebem apoio.

3) O sujeito é representado por número percentual.


Este caso é idêntico ao anterior. A concordância pode ser feita com o número percentual
(quantificador) ou com sua referência, como em:
Cinquenta por cento da população gostam do prefeito.
Cinquenta por cento da população gosta do prefeito.
No caso de números percentuais, é muito mais comum a concordância com a referência, a não ser
que o próprio número percentual venha a ser modificado por uma outra palavra referencial, como
em:
Esses 10% do lucro serão enviados para São Paulo.
Os 38% da produção já estão sendo exportados.
Neste caso, criou-se um outro processo referencial em que o número percentual passa agora a ser
referência do pronome esses ou do artigo os.

4) Sujeito constituído de número fracionário.


Concordância normal com o núcleo do sujeito:
Um quarto dos bens cabe ao menor.
Dois quartos dos bens cabem ao menor.
Um terço da população apoia o prefeito.
Dois terços da população apoiam o prefeito.

5) O sujeito é pronome de tratamento no singular.


Verbo na terceira pessoa do singular:
Vossa Senhoria continua zangado comigo?
Vossa Excelência acordou cedo hoje?

6) O sujeito é cada um.


Verbo na terceira pessoa do singular:
Cada um dos diretores representa várias empresas.
Cada um de nós tentou salvar o processo.

7) O sujeito é mais de um ou mais de uma.


Verbo no singular: Mais de um avião decolou hoje.
a) Se a mais de um ou a mais de uma seguir coletivo, com nome no plural, o verbo irá ao plural,
igualmente: Mais de uma centena de livros estão empilhados na sala.
b) Com mais de dois em diante, o verbo sempre deverá ir ao plural.
Mais de dois indivíduos saltaram o muro.

8) A expressão um dos que leva o verbo ao plural.


Mirtes foi uma das mulheres que mais me encantaram.

9) As expressões um que, uma que, o primeiro que, o último que e semelhantes deixam o verbo na
terceira pessoa do singular:
Sou um homem que não ofende ninguém. Fui o último que chegou.

10) O sujeito está junto das locuções cerca de, menos de, perto de.
Verbo no plural:
Cerca de quinze empresários participarão da reunião.
Perto de mil ações subiram.

11) O sujeito são pronomes interrogativos (quais, quantos) ou indefinidos do plural (alguns, muitos,
poucos, quaisquer, vários) seguidos de pronome no plural. O verbo concorda com este pronome:
Quais de nós viajaremos a Manaus?
Muitos dentre vós não chegareis lá.

12) Com os verbos dar, soar, bater (tratando-se de hora), o verbo concorda com o número de horas:
Deram quatro horas agora mesmo.
Bateram dez horas no relógio da sala.

13) Verbo impessoal é sempre usado na terceira pessoa do singular:


Chove muito esta semana.
Faz três dias que estou aqui.
Deve haver muitas pessoas na fila.

Exercícios

I- Efetue a concordância verbal, usando os verbos propostos no pretérito perfeito do indicativo:


1) __________________ -se todas as árvores do parque. (cortar)
2) A maioria das pessoas não __________________ dessa decisão. (gostar)
3) A maior parte dos ouvintes __________________ . (reclamar)

II- Use uma das alternativas entre parênteses, nos espaços em branco:
1) Os Estados Unidos __________________ da medida. (gostou/gostaram)
2) Mais de um jornal __________________ o fato. (noticiou/noticiaram)
3) Rosana foi uma das que me __________________ . (acusaram/acusou)
4) Fui eu quem __________________ o prêmio. (ganhei/ganhou)
5) Fui eu que __________________ o prêmio. (ganhou/ganhei)

II- Siga o exemplo:


1) Vendo uma casa. Vende-se uma casa.
2) Vendo duas casas. _____________________________________
3) Compro um apartamento. _____________________________________
4) Exijo referências. _____________________________________

III- Assinale as frases erradas:


1) Os quatro íamos tranquilos pela estrada. ( )
2) Tudo são meras ilusões. ( )
3) Devem fazer dois minutos que essa criança nasceu!( )
4) Podem haver muitos inscritos para o concurso. ( )

IV- Use é ou são, nos espaços em branco, conforme convier:


1) __________________ cinco horas da tarde.
2) Nosso problema __________________ as crianças.
3) Os Estados Unidos __________________ uma nação poderosa.
4) Três metros dessa fazenda __________________ suficiente para mim.

V- Assinale as frases erradas quanto à concordância verbal:


1) Uvas é muito gostoso. ( )
2) Fazem dez anos que não vou à escola. ( )
3) Deram cinco horas agora mesmo. ( )
4) Deu cinco horas agora mesmo no relógio. ( )
5) Vai bater seis horas daqui a dois minutos. ( )
6) A maioria das pessoas ficou surda. ( )
7) A maioria das pessoas ficaram surdas. ( )
8) Oitenta por cento dos brasileiros apoiaram a decisão. ( )
9) Noventa e nove por cento dos brasileiros apoiou a decisão. ( )
10) Cinquenta milhões é muito dinheiro!( )

VI- Assinale as frases corretas quanto à concordância verbal:


1) O Amazonas é um rio fabuloso. ( )
2) Existe muitos turistas no Rio de Janeiro. ( )
3) Os Alpes é maravilhoso. ( )
4) Chegou, agora mesmo, os aviões dos Estados Unidos. ( )

Concordância verbal – segunda parte


Concordância verbal com sujeito composto
1) Sujeito composto antes do verbo:
O verbo concorda obrigatoriamente com todos eles:
O prefeito e o vereador viajaram ontem.

2) Sujeito composto posposto ao verbo:


O verbo poderá concordar com todos eles como em:
Chegaram Mônica, Cristina e Helena.
ou concordar com o mais próximo como em:
Desembarcou o ministro e alguns passageiros.
É óbvio que, neste último caso, estamos diante de um processo de truncamento de uma sentença que
teria, originalmente, a forma:
Desembarcou o ministro e (desembarcaram) alguns passageiros.

3) Vários sujeitos se resumem num pronome indefinido (tudo, nada, outro, ninguém, alguém etc.):
O verbo fica no singular, concordando com o pronome:
Habilidade, força, esperteza, engano, tudo é permitido no amor. (La Fontaine)

4) Núcleos do sujeito antecedidos pelo pronome indefinido cada:


O verbo fica no singular.
Cada criança, cada adulto ali precisava de auxílio.

5) Sujeitos ligados pelos elementos correlativos não só... mas também, não só... mas ainda, tanto...
como etc.
A concordância se processa de acordo com a regra geral, uma vez que tais expressões têm apenas
uma função ilocucional, dentro do processo de enunciação. Uma sentença sem o reforço ilocucional
teria a forma: Paulo e Fernando estão sem dinheiro.
Com o reforço ilocucional dos elementos correlativos, assume a forma: Não só Paulo mas também
Fernando estão sem dinheiro.

6) O sujeito é a locução um e outro ou nem um nem outro. O verbo pode ir para o singular ou para o
plural:
Um e outro falou a verdade.
Um e outro falaram a verdade.
O mesmo processo de concordância se aplica com a expressão nem ... nem:
Nem Débora nem Cristina me ajudou.
Nem Débora nem Cristina me ajudaram.

7) Sujeitos ligados pela conjunção ou. O verbo concordará com o termo que vier depois do último
ou:
Ângela ou Cristina se casará comigo.
Haroldo ou Fernando será eleito prefeito.
Ele ou eu serei eleito presidente.

O mesmo acontece quando a conjunção ou tem caráter corretivo:


A parte ou as partes entrarão em acordo.
Exercícios:
VII- Efetue a concordância verbal, usando os verbos propostos nos tempos indicados:
1) Nem seu marido nem seu pai me __________________ o recibo. (entregar / perfeito do
indicativo)
2) Jorge ou Roberto __________________ o presidente. (ser / futuro do indicativo)
3) Não só as crianças mas também os adultos __________________ de compreensão. (precisar /
presente
do indicativo)
4) Cada funcionário, cada gerente, cada secretária __________________ pela limpeza e disciplina.
(ser
responsável / presente do indicativo)
5) Ou ele ou nós __________________ nas férias. (viajar / futuro do indicativo)
6) __________________ aqui Cristina, Márcia e eu. (permanecer / perfeito do indicativo)
7) __________________ o presidente e dois ministros de Estado. (viajar / perfeito do indicativo)
8) __________________ os presentes as alunas e a professora. (receber / futuro do indicativo)
9) Um e outro __________________ do sítio. (gostar / perfeito do indicativo)

Extraído de: ABREU, Antônio Suárez. Curso de redação. 12ª ed. 1ª imp. São Paulo: Ática, 2004.
Modismos
A moda não existe só na roupa, nos sapatos, nos cabelos. A cada ano, uma praia entra na moda,
um restaurante, um tipo de música, uma casa de espetáculos, um bar, uma rua, uma avenida, um
bairro. Muitas modas acabam passando, algumas ficam de vez e deixam de ser simplesmente modas
e passam a fazer parte da tradição. Tradição. É aí que está o xis do problema. Em se tratando de
língua culta, tradição é fundamental. Não basta um locutor esportivo criar uma expressão para que,
da noite para o dia, ela passa a ter respaldo na língua culta. Não é assim que a coisa funciona. É
verdade que a língua é viva. No Brasil, vivíssima. Palavras e expressões surgem diariamente. E
cacoetes também. E aí se instala a confusão. Pode? Não pode? Vale? Não vale? É correto?
Está na moda - há um bom tempo - a bendita expressão "a nível de": "A nível de feijão a safra
vai bem", disse um figurão da área agrícola. O que significa isso? Qual a importância e a
necessidade da expressão "a nível de" nessa frase? Nenhuma. Teria bastado dizer "A safra de feijão
vai bem".
Outra pérola: "A nível de repertório o disco é ótimo. Que tal "O repertório do disco é ótimo"?
Nem se discute se essa expressão é correta ou não. O que importa é que ela se tornou absolutamente
insuportável. É o que os linguistas chamam de "muleta". Assim como há quem precise de muletas
pra andar, há quem precise de certas expressões pra falar. "A nível de" pra cá, "A nível de" pra lá,
"A nível de" pra cima, "A nível de" pra baixo, "A nível de" pra tudo. Haja paciência!
Vamos combinar uma coisa: de hoje em diante, fulmine essa bendita expressão, elimine-a de sua
vida. Fique pelo menos dez anos sem pronunciar esse trambolho, que em 99,99% dos casos é
rigorosamente inútil.
Quer mais modismos? A expressão “no sentido de”. Reparou que não se faz mais nada “para”,
agora só se faz “no sentido de”? “Estamos trabalhando no sentido de conseguir verbas...”. Por que
aposentar sumariamente a velha e boa preposição “para”? A resposta talvez seja a falsa sofisticação.
Outra mania – já virou moda – é usar três verbos, algo como “A gente vai estar enviando”, ou
“A empresa vai estar realizando”, ou o absurdo de “Amanhã eu vou estar telefonando para você”.
Não é muita coisa? Para que tanto verbo? Mas isso já está pegando, se é que já não pegou.
Uma amiga me disse que foi a uma loja de sapatos e saiu de lá tonta, de tanto ouvir a vendedora
dizer “Você pode estar experimentando o sapato”, “Você pode estar pagando em três vezes” e
pérolas do gênero. Pelo amor de Deus, fuja desses modismos.

“GROSSO MODO” OU “A GROSSO MODO”?


Trata-se de umas tantas expressões latinas que se mantém como no original: “grosso modo”. O
que significa isso? Sem grande precisão, de modo grosseiro, impreciso, aproximadamente. Por
razões perfeitamente compreensíveis, muita gente aportuguesa e acaba-a usando com um “a”.
VOCÊ SABE QUAL É O SENTIDO REGISTRADO NOS DICIONÁRIOS PARA
“ATRAVÉS”?
“Por dentro de, de um lado a outro, por entre, no decurso de”: “O ladrão escapou através de um
túnel cavado pelos presos”; “Lutou por essa causa através dos anos”; “Observava através da janela”.

“TODO PAÍS” OU “TODO O PAÍS”?


“Amanhã haverá sol em todo país”, diz a previsão do tempo. O que se entende dessa frase? Que
haverá sol em simplesmente todos os países, ou seja, no planeta inteiro. Quando não seguido de
artigo, o pronome “todo” equivale a “qualquer”. Se o que se quer dizer é que haverá sol em todos os
cantos do país, no país inteiro, deve-se dizer que haverá sol em todo o país. Quando seguido de
artigo, o pronome “todo” significa “inteiro”.

Exercícios
1) Assinale as frases corretas:

a) Você está a par da questão?


b) Você está ao par da questão?
c) As moedas fortes mantêm o câmbio praticamente ao par.
d) As moedas fortes mantêm o câmbio praticamente a par.
e) O time perdeu de 2 x 0.
f) O time perdeu em 2 x 0.
g) O time perdeu por 2 x 0.
h) Sua TV é em cores?
i) Sua TV é a cores?
2) Complete as frases a seguir utilizando a forma apropriada entre as fornecidas nos parênteses:

a) Ela é muito inteligente, ___________ não é muito aplicada. (mas/mais)


b) A irmã, que não é tão inteligente, é muito _____________ esforçada. (mas/mais)
c) Maria José sofre de um _____________ sem cura. (mal/mau)
d) Eu só posso acreditar que Fábio é muito ________________.(mal/mau)
e) Normalmente a opinião de Samuel vai ______________________________ minha. (ao encontro
da/ de encontro à)
f) A opinião dos leitores veio __________________________________ aspirações do senador. (ao
encontro das/ de encontro às)
g) Eu saí da Bahia _________ oito anos. (há/a)
h) O lançamento foi marcado para daqui _________ duas semanas. (há/a)
i) Ela se mostrou muito interessada _______________ de se aproveitar da situação. (afim/a fim)
j) Não apresentou nem sequer uma tese ______________. (afim/a fim)
l) Preciso _________________ leite. (demais/de mais)
m) Preciso _________________ de leite. (demais/de mais)
n) __________________ puder chegar em tempo, avise-me. (senão/se não)
o) É bom que ela tome consciência da situação, __________________ não teremos como ajudá-la!
(senão/se não)
p) __________________________ se conheciam, percebiam que não tinham sido feitos um para o
outro. (na medida em que/à medida que)
Colocação pronominal

Ênclise11
É a colocação pronominal depois do verbo. A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:

Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo.


Ex.: Quando eu avisar, silenciem-se todos.

2) Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal.


Ex.: Não era minha intenção machucar-te.

3) Quando o verbo iniciar a oração.


Ex.: Vou-me embora agora mesmo.

4) Quando houver pausa antes do verbo.


Ex.: Se eu ganho na loteria, mudo-me hoje mesmo.

5) Quando o verbo estiver no gerúndio.


Ex.: Recusou a proposta fazendo-se de desentendida

Próclise
É a colocação pronominal antes do verbo. A próclise é usada:

4- Quando o verbo estiver precedido de palavras que atraem o pronome para antes do verbo.
São elas:

a) Palavra de sentido negativo: não, nunca, ninguém, jamais, etc.


Ex.: Não se esqueça de mim.

b) Advérbios.
Ex.: Agora se negam a depor.

c) Conjunções subordinativas

11
Retirado de: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/sintaxe/colocacao-pronomial.php
Ex.: Soube que me negariam.

d) Pronomes relativos.
Ex.: Identificaram duas pessoas que se encontravam desaparecidas.

e) Pronomes indefinidos
Ex.: Poucos te deram a oportunidade.

f) Pronomes demonstrativos
Ex.: Disso me acusaram, mas sem provas.

2) Orações iniciadas por palavras interrogativas.


Ex.: Quem te fez a encomenda?

3) Orações iniciadas por palavras exclamativas.


Ex.: Quanto se ofendem por nada!

4) Orações que exprimem desejo (orações optativas).


Ex.: Que Deus o ajude.

Mesóclise
É a colocação pronominal no meio do verbo. A mesóclise é usada:

1) Quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, contanto que esses verbos
não estejam precedidos de palavras que exijam a próclise.

Ex.: Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em prol da paz no mundo. Não fosse os
meus compromissos, acompanhar-te-ia nessa viagem.
Colocação pronominal nas locuções verbais

1) Quando o verbo principal for constituído por um particípio

5. O pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar.


Ex.: Haviam-me convidado para a festa.
b) Se, antes do locução verbal, houver palavra atrativa, o pronome oblíquo ficará antes do verbo
auxiliar.
Ex.: Não me haviam convidado para a festa.

Se o verbo auxiliar estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito, ocorrerá a mesóclise,


desde que não haja antes dele palavra atrativa.
Ex.: Haver-me-iam convidado para a festa.
2) Quando o verbo principal for constituído por um infinitivo ou um gerúndio:

12. Se não houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou depois
do verbo principal.
Ex.: Devo esclarecer-lhe o ocorrido/ Devo-lhe esclarecer o ocorrido.
Estavam chamando-me pelo alto-falante./ Estavam-me chamando pelo alto-falante.

b) Se houver palavra atrativa, o pronome poderá ser colocado antes do verbo auxiliar ou depois do
verbo principal.
Ex.: Não posso esclarecer-lhe o ocorrido./ Não lhe posso esclarecer o ocorrido.
Não estavam chamando-me./ Não me estavam chamando.

Avalie se as frases abaixo são corretas ou incorretas12:

Nossa vocação molda-se às necessidades.


Se não fosse a chuva, acompanhar-te-ia.
Macacos me mordam!
Caro amigo, muito lhe agradeço o favor...
Ninguém socorreu-nos naqueles momentos difíceis.
As informações que se obtiveram, se chocavam entre si.
Quem falou-te a respeito do caso?
Não só trouxe-me o livro, mas me deu presente.
Ele chegou e perguntou-me pelo filho.
Vamos, amigos, cheguem-se aos bons.
O torneio se iniciará no próximo domingo.
Amanhã dizer-te-ei todas as novidades.
Os alunos nos surpreendem com suas tiradas espirituosas.

12
Retirado de: http://colocacaopronominal2.vilabol.uol.com.br/exercicios.htm
Os amigos chegaram e me esperam lá fora.
O torneio iniciará-se no próximo domingo.
Convido-te a fazeres-lhes essa gentileza.
Para não falar- lhe, resolveu sair cedo.
É possível que o leitor nos não creia.
A turma quer-lhe fazer uma surpresa.
A turma havia convidado-o para sair.
Ninguém podia ajudar-nos naquela hora.
Todos se estão entendendo bem.

Coloque o pronome no lugar correto:


a) Tudo acaba com a morte, menos a saudade. (se)
b) Com muito prazer, se soubesse, explicaria tudo. (lhe)
c) João tem interessado por suas novas atividades (se)
d) Ele estava preparando para o vestibular de Direito. (se)
O mesmo exercício:
a) Tudo era completamente indiferente. (me)
b) Ela não deixou concluir a frase. (me)
c) Este casamento não deve realizar. (se)
d) Ninguém havia lembrado de fazer as reservas. (me)
e) Nunca mais encontrei o colega que emprestou o livro. (me)
f) Retiramos do salão, deixando-os sós. (nos)
g) Faça boa viagem! Deus proteja. (o)
h) Não quero magoar, porém não posso deixar de te dizer a verdade. (te)
Crase13

Os casos de crase assinalada na escrita com acento grave são os seguintes:


à Preposição "a" + artigo feminino "a(s)": "à(s)";
à preposição "a" + "a" do pronome demonstrativo
"àquele(s), "àquela(s)" e "àquilo";
"aquele(s)", "aquela(s)" e "aquilo":
à Preposição "a" + o "a(s)" de "a qual", "as quais": "à qual", "às quais";
à Preposição "a" + "a(s)" (= pronome demonstrativo = "aquela(s)"): "às".

Vamos analisar cada uma dessas quatro situações.

Crase: contração da preposição "a" + artigo feminino "a(s)".

A correta utilização do acento indicativo de crase é uma questão de análise do enunciado. Trata-
se de averiguar se ocorre a preposição "a" e o artigo feminino "a(s)", antes, evidentemente, de uma
palavra feminina.

2.1 A ocorrência da preposição "a"

Todo falante da língua reconhece, normalmente, a ocorrência (ou não) da preposição "a" nos
enunciados, exigida por certos substantivos, adjetivos, advérbios e verbos.

Substantivos e Adjetivos Pergunta que o falante pode fazer Exemplo


Atento Quem é atento é atento a ... Atento à aula.
Contrário Quem é contrário é contrário a ... Contrário à guerra.
Devoção Quem tem devoção tem devoção a ... Devoção à santa.
Anterior à
Anterior Algo é anterior a ... invenção da
escrita.
Quem é desfavorável é desfavorávelDesfavorável à
Desfavorável
a ... doação.
Grato à
Grato Quem é grato é grato a ...
comunidade.
13
Retirado do “Manual de redação da PUC”
Idêntico Quem é idêntico é idêntico a ... Idêntico à irmã.
Nocivo Algo é nocivo a ... Nocivo à saúde.
Próximo Algo é próximo a ... Próximo à sala.
Horror à guerra do
Horror Quem tem horror tem horror a ...
Iraque.
Indiferente à
Indiferente Quem é indiferente é indiferente a ...
guerra do Iraque.
Obediente Quem é obediente é obediente a ... Obediente à lei.
Necessário à
Necessário Algo é necessário a ...
escola.
Posterior à
Posterior Algo é posterior a ... invenção da
escrita.

2.1.2 A preposição "a" exigida por verbos

Pergunta que o falante pode se


Verbos Exemplo
fazer
Aspirar (=desejar; regência
Quem aspira aspira a ... Aspirar à meta.
tradicional)
Assistir (=presenciar;
Quem assiste assiste a ... Assistir à cena.
regência tradicional)
Quem perdoa perdoa alguma Perdoar a falta à
Perdoar
coisa a alguém ... criança.
Obedecer (regência
Quem obedece obedece a ... Obedecer à lei.
tradicional)
Visar (= ter em mente;
Quem visa visa a ... Visar à meta.
regência tradicional)

2.2 Ocorrência do artigo feminino "a(s)"

Todo falante tem competência para saber se a palavra feminina aceita ou não o artigo "a(s)".
Faça seu teste, colocando ou não o artigo antes das palavras:
____ Maria Santíssima
____ Atenas
____ Curitiba
____ Roma
____ Copacabana
____ Bahia
____ Roma Imperial
____ Atenas de Péricles
____ Vossa Senhoria
____ Vossa Excelência
____ Ela

2.3 Conclusão

Como dissemos há pouco, o correto emprego do acento indicativo de crase depende da análise
do enunciado: trata-se de observar
se ocorre a preposição "a";
se a palavra é feminina;
se a palavra feminina aceita o artigo "a(s)".

Dada, por exemplo, a frase: "Vou a Brasíla." Trata-se de analisar se


ocorre a preposição. Para tanto, faça o seguinte raciocínio: quem vai vai a algum lugar, assim você
observa a presença da preposição "a";
a palavra é feminina;
a palavra admite artigo "a'. Faça uma outra frase e comprove: "Brasília é muito linda" e não "A
Brasília é muito linda". Assim você conclui que a palavra feminina não admite artigo.

Conclusão: não ocorrem dois "ás" no enunciado, mas apenas um, que é a preposição "a".
Portanto,sem acento indicativo de crase. A não-ocorrência de um dos "ás" pode ser sinalizada
mediante a seguinte visualização:

Vou a Ø Brasília
em que o símbolo Ø indica a inexistência do artigo "a".

Se você analisar o enunciado e raciocinar, a maioria das regras torna-se dispensável; ou você
mesmo pode formulá-los.

Observe o conjunto de exemplos abaixo:


Cláudia ficou a ver navios. -> Cláudia ficou a Ø ver navios.
Continuamos a respirar ar impuro. -> Continuamos a Ø respirar ar impuro.
Estamos dispostos a resolver seu problema. -> Estamos dispostos a Ø resolver seu problema.
Como você pode constatar, não há acento indicativo de crase, porque ocorre apenas um "a", que é a
preposição, uma vez que os verbos não admitem artigo, fato assinalado pelo símbolo Ø.

à Regra: Não ocorre acento indicativo de crase antes de verbos, pois não admitem artigo.
Refiro-me a ti -> Refiro-me a Ø ti.
Dirigi-me a ela -> Dirigi-me a Ø ela.
Apresento-o a você -> Apresento-o a Ø você.
Venha a nós o Vosso Reino -> Venha a Ø nós o Vosso Reino.
Respondo a Vossa Senhoria -> Respondo a Ø Vossa Senhoria.
Não me referi a esta carta -> Não me referi a Ø esta carta.
Direi a qualquer pessoa -> Direi a Ø qualquer pessoa.
Refiro-me a uma pessoa educada -> Refiro-me a Ø uma pessoa educada.

Regra: Não ocorre acento indicativo de crase antes de pronomes pessoais, demonstrativos,
indefinidos, e expressões de tratamento, pois não admitem artigo. O "a", nos exemplos acima, é
meramente preposição, exigida pelos verbos, conforme sinalização.
Não assisto a cenas de guerra -> Não assisto a Ø cenas de guerra.
Entregou-se a férteis cogitações -> Entregou-se a Ø férteis cogitações.
Não prestaram atenção a verdades preciosas -> Não prestaram atenção a Ø verdades preciosas.

Regra: Não ocorre acento indicativo de crase quando o "a" estiver no singular e a palavra feminina
seguinte estiver no plural: o "a" é apenas preposição, exigida pelas palavras que vêm antes,
conforme sinalização.
Diferente seria a situação seguinte:
Não assito às cenas de guerra -> Não assisto a + as cenas de guerra.
•Entregou-se às férteis cogitações -> Entregou-se a + as férteis cogitações.Não prestaram atenção às
verdades preciosas -> Não prestaram atenção a + as verdades preciosas.
em que temos a preposição "a" + o artigo "as", conforme indicação.

Andar a cavalo -> Andar a Ø cavalo.


Vir a pé -> Vir a Ø pé.
Vender a prazo -> Vender a Ø prazo.
Regra: Não ocorre acento indicativo de crase antes de palavras masculinas,
pois não admitem artigo "a". O "a" dos exemplos é meramente uma
preposição.

Observe:
Cláudia é estudiosa.
A Cláudia é estudiosa.
Débora é aplicada.
A Débora é aplicada.
Júlia é assídua.
A Júlia é assídua.

Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo antes de nomes próprios femininos.
Então, podemos escrever as frases abaixo da seguinte forma:

Refiro-me à Cláudia.
Respondo à Débora.
Dirijo-me à Júlia.
ou
Refiro-me a Cláudia.
Respondo a Débora.
Dirijo-me a Júlia.

Observe:

Minha tia é generosa.


A minha tia é generosa.

Nossa prima é rica.


A nossa prima é rica.

Tua mãe é bondosa


A tua mãe é bondosa.

Como podemos constatar, é facultativo o uso de artigo antes de pronomes possessivos no singular.
Por isso podemos escrever assim:
Apresentei-o a minha tia.
Apresentei-o à minha tia.

Dirigi a palavra à nossa prima.


Dirigi a palavra a nossa prima.

Refiro-me à tua mãe.


Refiro-me a tua mãe.

Regra: É facultativo o emprego do acento indicativo de crase antes de pronomes possessivos no


feminino singular, porque é facultativo o uso do artigo.

Faça agora seu teste: analise os enunciados, raciocine e coloque acento indicativo de crase se
for o caso:
Fez um pedido a mãe.
Emprestou um livro a colega.
Entregou o trabalho a professoara.
Enviou uma reclamação a companhia.
Dedicou-se a literatura infantil.
Estava disposto a colaborar.
Refiro-me a uma pessoa educada.
Refiro-me a esta carta.
Refiro-me a certa pessoa.
Nada revelou a elas.
Mostrou-se submisso a decisões equivocadas.
Mostrou-se submisso as decisões equivocadas.
Nunca ia a festas, nem a reuniões.
Nas próximas férias ireia a Lisboa.
Todos deverão comparecer a reunião.

3. Crase: contração da preposição "a" + o primeiro "a" de "aquele(s)", "aqulela(s)" e


"aquilo".
Observe: Refiro-me aquilo.

• Quem se refere se refere "a": portanto, ocorre a preposição "a", que vai se contrair com o "a" de
"aquilo". Logo, marcam os a contração com acento indicativo de crase: Refiro-me àquilo.

Dada outra frase: Resolvi aquele problema.


Observa-se que o verbo "resolver" não exige preposição: quem resolve resolve algo. Logo, não há
acento na frase: Resolvi aquele problema.

Faça um teste: analise os enunciados, raciocine e coloque acento indicativo de crase quando
necessário.
Quero agradecer aquela moça a atenção dispensada.
Fale aquela professora.
Refiro-me aquele senhor.
Telegrafei aquela senhora.
Refiro-me aquilo.
Não dei importância aquilo.
Foi ele quem escreveu aquela carta.
Dedicava aquela família grande afeição.
A rua é paralela aquela que leva a praia.

4. Crase: contração da preposição "a" + o "a(s)" de "a qual", "as quais".

Na frase: A cena à qual aludiste foi desagradável.

Ocorre acento indicativo de crase, pois ocorre a preposição "a", exigida, nesse tipo de estrutura, por
uma palavra que vem depois, no caso aludiste: quem alude alude "a";
o pronome é "a qual", com a partícula "a" integrando o pronome.

Veja melhor:

A cena a* a** qual aludiste foi desagradável.

* Preposição exigida por "aludiste".


** Pronome relativo com a partícula "a" integrando o pronome.
Portanto, contraem-se os dois "ás", contração sinalizada pelo acento grave:
A cena à qual aludiste foi desagradável.

Observe mais os seguintes exemplos:


São normas a as quais todos devem obedecer.
São normas às quais todos devem obedecer.
Esta foi a conclusão a a qual chegamos.
Esta foi a conclusão à qual chegamos.
Esta é a carreira a a qual aspiro.
Esta é a carreira à qual aspiro.
As sessões a as quais assisti estavam lotadas.
As sessões às quais assisti estavam lotadas.

Observação:
Só o pronome relativo "a qual" tem a partícula "a" integrando-o. Os pronomes "que" e "quem" não
se fazem acompanhar por essa partícula. Atente, pois, para a grafia nas frases:

Esta é a peça à qual assisti.


Esta é a peça a que assisti.

Esta é a empresa à qual me dedico.


Esta é a empresa a que me dedico.

Esta é a conclusão à qual cheguei.


Esta é a conclusão a que cheguei.

Esta é a cena à qual aludi.


Esta é a cena a que aludi.

Esta é a ordem à qual obedeço.


Esta é a ordem a que obedeço.

Esta é a mulher à qual me referi.


Esta é a mulher a quem me referi.
Esta é a mulher a que me referi.
5. Crase: contração da preposição "a" + o pronome demontrativo "a(s)", que equivale a
"aquela(s)"

Minha sorte é ligada à do meu país.

o "a" deve ser sinalizado com acento grave, porque é resultante da contração da preposição "a"
(uma coisa é ligada "a" outra) + o pronome demonstrativo "a", equivalente a "aquela".

Veja a demonstração:
Minha sorte é ligada à do meu país.

equivale à frase
Minha sorte é ligada a (preposição) aquela (pronome demonstrativo) do meu país.

que corresponde à frase


Minha sorte é ligada a (preposição) a (pronome demonstrativo "a") do meu país.

em que deve ocorrer a contração dos dois "ás", sinalizada pelo acento grave.
Siga o modelo e compare.

Modelo:
As frase são semelhantes a as de antes.
As frases são semelhantes a aquelas de antes.
As frases são semelhantes às de antes.

A rua é tranversal a a que vai dar no colégio.


Suas lutas se comparam a as de Bolívar.
Suas respostas são superiores a as dele.

Saiba Mais

De ... a
De ... à
Quando se fizer referência a dois elementos (substantivos ou numerais) ligados por "de ... a", não
ocorrerá acento grave antes do segundo elemento: De segunda a sábado .....
De hoje a domingo ....
De 1 a 5 ......
De 1ª a 4ª série .....No entanto, quando se define o primeiro elemento mediante o emprego de "do" /
"da", o segundo inicia com "à" (ou "ao"). É uma questão de paralelismo.

Exemplos: As turmas da 1ª à quarta série foram convidadas.


Estivemos fora do ar da meia-noite às duas da manhã.
A sala ficará aberta desta terça à sexta-feira.

Substantivo feminino de uso indeterminado.


Não se emprega acento indicativo de crase diante de substantivo feminino usado em sentido geral,
indeterminado, porque, nesse caso, não ocorre o artigo definido "a(s)".

Exemplos: Ele tem aversão a mulher (...a mulher em geral)


Crédito sujeito a aprovação.
Paciente submetido a intervenção cirúrgica.
Presidente responde a denúncia hoje.
Denúncia pode levar o presidente a condenação.As frases podem ser reescritas assim:Ele tem
aversão a (uma) mulher (qualquer).
Crédito sujeito a (uma) aprovação (qualquer).
Paciente submetido a (uma) intervenção cirúrgica (qualquer).
Presidente responde a (uma) denúncia (qualquer) hoje.
Denúncia pode levar o presidente a (uma) condenação (qualquer).Se, no entanto, a expressão vier
determinada, ocorrerá acento indicativo de crase.

Observe: Ele tem aversão a mulher.


(Ele tem aversão a (uma) mulher (qualquer).

Ele tem aversão à mulher de João.


(É uma mulher determinada, definida).

Tráfico em frente a escola.


(Tráfico em frente a (uma) escola (qualquer).
Tráfico em frente à escola Clementina.
(É uma escola determinada, definida).

A palavra "terra"

3.1 "Terra", significando planeta, é substantivo próprio e admite artigo. Conseqüentemente, quando
houver também a preposição, ocorrerá o fenômeno da crase:
Os astronautas voltaram à Terra.

3.2 Diante de "terra", significando "chão firme", "solo", sem especificação, não ocorre acento grave:
Os marinheiros voltaram a terra.

3.3 Diante de "terra", significando "chão firme", "solo", com especificação, ocorre acento;
Irei à terra de meus pais.

Expressões adverbiais

4.1 Masculinas. Não se emprega acento grave com expressões adverbiais masculinas.

Exemplos:
Matou a sangue-frio.
Navio a vapor.
Ando a pé.
Ando a cavalo.
Carro a gás.
Escrever a lápis.
Vendas a prazo.

4.2 Femininas. É de tradição acentuar-se a "a" nas locuções femininas.


Exemplos:
Bater à máquina.
Escrever à mão.
Trancar à chave.
Colocar à venda.
Venda à vista.
Cortar à espada.

Justifica-se o acento indicativo da crase por motivo de clareza.


Compare:
Cortei a espada (A espada foi cortada).
Cortei à espada (Cortei com a espada).

Pagou a prestação (A prestação foi paga).


Pagou à prestação (Pagou em prestação).

COLOQUE O ACENTO DA CRASE ONDE FOR NECESSÁRIO14:

1. Ele fez referência a tarefa feita por nós.


2. Traçou uma reta oblíqua a do centro.
3. Não conheço as que saíram.
4. Ela se referia as que saíram.
5. Apresentou-lhe a esposa.
6. Apresentou-o a esposa.
7. Era uma camisa semelhante a que o diretor usava.
8. Ele desconhecia aquele regulamento.
9. Ele não obedecia aquele regulamento.
10. Não me refiro aquilo.
11. Não vi aquilo.
12. Esta é a lei a qual fiz alusão.
13. Esta é a lei a qual desconhecia.
14. Esta é a mulher a quem fiz referência.
15. Esta é a mulher a qual fiz referência.
16. Ela se dedica a empresa e obedece as leis.
17. Não compareceu as reuniões que eram úteis as pesquisas.
18. O juiz, indiferente as súplicas, condenou o réu a forca.
19. Nas próximas férias, iremos a Bélgica, a Suécia e a Portugal.
20. Viajaremos a Londres e a Roma do Coliseu.

14
Retirado de:
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/sala_de_aula/portugues/gramatica/acentuacao/gramatica_crase_ex
ercicios1
21. Já fomos a Paraíba, a Pernambuco e a Goiás.
22. Também fomos a Santa Catarina e a progressista Florianópolis.
23. As vezes, o pessoal sai as escondidas.
24. A reunião vai das cicno as seis horas.
25. A reunião vai durar de cinco a seis horas.
9. DICAS

Expressões e vocabulário

1. Vez que, eis que, posto que, haja visto

As expressões acima quase sempre são empregadas de forma inadequada na linguagem


jurídica.

Vez que, de vez que e haja visto não devem ser empregadas nunca. Estão inadequadas. Eis que
indica surpresa ou tempo (aqui está). Raramente, será empregada nesse sentido. Posto que não
possui valor de causa. O sentido correto da expressão é de concessão (ainda que).
Observe os exemplos a seguir.

O Tribunal solicitou a cópia, vez que não a possuía (inadequado).


O Tribunal solicitou a cópia, de vez que não a possuía (inadequado).
O Tribunal solicitou a cópia, eis que não a possuía (inadequado).
O Tribunal solicitou a cópia, posto que não a possuía (inadequado).
O Tribunal solicitou a cópia, haja visto não a possuir (inadequado).
O Tribunal solicitou a cópia, haja vista não a possuir (adequado).

2. Mesmo

Erro generalizado é o uso de “mesmo” como pronome pessoal. Observe os exemplos abaixo.

O desembargador recebeu o processo e analisará o mesmo rapidamente (inadequado).


O desembargador recebeu o processo e o analisará rapidamente (adequado).
O relatório já chegou e o mesmo apresenta erros de conteúdo (inadequado).
O relatório já chegou e apresenta erros de conteúdo (adequado).
Receba de volta seu título e verifique se o mesmo está rubricado pelo diretor. (inadequado).
Receba de volta seu título e verifique se está rubricado. (adequado).
(...) poderá fazer por escrito o seu protesto, em petição dirigida ao juiz, e requerer que do
mesmo se intime a quem de direito. (inadequado).
(...) poderá fazer por escrito o seu protesto, em petição dirigida ao juiz, e requerer que dele se
intime a quem de direito. (adequado).

O pronome pode ser utilizado adequadamente em várias situações.

Como pronome adjetivo:


O juiz teve a mesma opinião.
Elas mesmas discutiram o assunto.

Como advérbio:
Este julgamento é mesmo necessário.
Minha casa fica lá mesmo.
Inadequado é o uso de “mesmo” como pronome pessoal, substituindo um substantivo já
expresso.
Para analisar com calma o parecer, solicitou que o mesmo lhe fosse entregue (inadequado).
Para analisar com calma o texto, solicitou que o relatório lhe fosse entregue (adequado).

3 Junto a
A locução junto a deve ser empregada no sentido de ao lado de, perto de, adido a.

O segurança posicionou-se junto ao réu.


O embaixador brasileiro junto a Portugal será homenageado.

Nos demais empregos, usa-se a preposição que o verbo pedir:

O sindicato mantém as negociações com (e não junto a) a diretoria.


Solicitou providências do (e não junto ao) ministério.
Entrou com recurso no (e não junto ao) Tribunal

4 No sentido de

A expressão não apresenta ideia de “finalidade”. Ela não deve ser empregada em substituição
a “com vistas a”, “para”, “a fim de”, “com o objetivo de”: ele agiu assim no sentido de melhorar a
situação (inadequado).

A expressão é usada para explicar o significado de um termo ou ideia anterior: o termo “Casa”
foi empregado no sentido de “Congresso Nacional”.

5 Quando do (da)

A expressão é galicismo, por isso deve ser substituída por no momento de, no tempo de, por
ocasião de: Por ocasião da consulta, o tribunal estava de recesso, e não Quando da consulta (…)

6 Inobstante

O vocabulário ortográfico não registra a palavra “inobstante”, embora empregada com certa
frequência no meio jurídico. Melhor usar “não obstante” ou “nada obstante”.

7 Gerúndio

O gerúndio é empregado com exagero nos textos jurídicos. Quase sempre de forma
inadequada. O emprego adequado está relacionado a ideia adverbial de:

Sendo ainda novo, não quis ir só (causa).


Não quis, sendo sábio, resolver as dúvidas por si mesmo (concessão).
Triunfarás, querendo (condição).
O carneiro defendia-se dizendo que... (meio).
Ele fala cantando (modo).
Proferindo o orador estas palavras, a assembleia deu vivas (tempo).

8 A princípio – em princípio

A princípio tem o sentido de “inicialmente”, “no começo”. Em princípio tem o sentido de ‘em
tese”, “teoricamente”.

A princípio não gostei da cidade, porém com o tempo passei a me adaptar muito bem.
Ela a princípio não gostava do namorado.
O campeonato ainda não terminou. Em princípio o São Paulo será campeão novamente.
A princípio, ele agiu sem maldade. = No início, ele agiu sem maldade.
Em princípio, ele agiu sem maldade. = Teoricamente, ele agiu sem maldade.

9 Em que pese a – em que pese(m)

Em que pese a (com o som fechado = pêse) tem o sentido de “ainda que contrarie a opinião
de”, “ainda que”. O verbo fica sempre no singular:

Falhou neste ponto, em que pese à sua dedicação.


Em que pese aos argumentos apresentados contra o acusado, ele será absolvido.
Em que pese(m) (com o som aberto = pése) tem o sentido de “ainda que se leve em
consideração”, “embora”. O verbo concordará com o termo seguinte, que será sujeito da construção.
Em que pesem as opiniões do ministro, ninguém aceitou a explicação.

10 Enquanto

O vocábulo “enquanto” não apresenta sentido de condição profissional ou social. Seu uso
deve se limitar a tempo:

Enquanto chovia, ele escrevia o artigo (adequado).


Não gostava dele enquanto ministro (inadequado).

11 Há que + infinitivo

Expressão típica de textos jurídicos, a expressão “há que + verbo no infinitivo” tem o sentido
de “é necessário”, “deve-se fazer”:

Há que examinar com detalhes os argumentos apresentados.

12 Trata-se de

Não é possível, lógica e gramaticalmente, construção com o verbo tratar-se para coisas. Trata-
se somente pode ter por sujeito um ente humano, em acepções específicas: O caso trata-se de
acusações. (inadequado); Aqui todos se tratam por você; Ele somente se trata com remédios
caseiros.
Nos demais casos, trata-se de constrói-se impessoalmente: Trata-se de processos novos.

13 Uso do porquê

1. Por que

a) ao se substituir por “por qual motivo”.


Por que você mentiu para mim?
Diga-me por que você mentiu.

b) ao se substituir por “pelo(a) qual” no singular ou no plural.


A razão por que a despediu não foi justa.

c) em orações subordinadas substantivas introduzidas pela preposição “por” com a conjunção


“que”.
Anseio por que passes no concurso

2. Por quê
Ao se substituir por “por qual motivo” no final da ideia.
Partiste por quê?

3. Porque
Ao introduzir ideia explicativa, causal ou final. Pode-se substituir por “pois” ou “para que”.
Não respondi porque não escutei a pergunta.
Faço votos porque sejas feliz.

4. Porquê
Ao exercer função de substantivo.
O porquê do fato não nos interessa.

14 Face a – em face de

Não existe a expressão “face a”. O correto é “em face de”: Face o relatório apresentar erro
(inadequado); Em face de o relatório apresentar erro (adequado).

15 Arquive-se ou arquivem-se - cite-se ou citem-se

O assunto pede atenção. Desde o tempo do vestibular, muitos tropeçam no uso do “se”. Ora
ele funciona como partícula apassivadora, ora como índice de indeterminação do sujeito. Para não
cometer erros, vale a pena se lembrar das vozes verbais.
Voz ativa: Lucas comprou o livro.
Voz passiva analítica: O livro foi comprado por Lucas.
Voz passiva sintética: Comprou-se o livro.

O último caso é o que nos interessa agora. Observe que a voz passiva pode ser escrita como
analítica (foi comprado) ou sintética (com o uso do “se”). Sempre que se conseguir fazer a
substituição de uma pela outra sem alterar o sentido, não existirá objeto direto na construção e a
concordância será feita entre o os dois termos.

Comprou-se o livro. = O livro foi comprado.


Compraram-se os livros. = Os livros foram comprados.

Lembre-se das placas que encontramos em todas as cidades do Brasil:


Joga-se búzios (inadequado).
Jogam-se búzios (adequado).
Jogam-se búzios. = Búzios são jogados.

A regra vale para o caso citado.


Arquive-se o processo. = O processo seja arquivado.
Arquivem-se os processos. = Os processos sejam arquivados.
Cite-se a testemunha. = A testemunha seja citada.
Citem-se as testemunhas. = As testemunhas sejam citadas.
Intime-se o acusado. = O acusado seja intimado.
Intimem-se os acusados. = Os acusados sejam intimados.

Não confundir a regra com o “se” como índice de indeterminação do sujeito. No caso, a
concordância é outra.

Gosta-se de livro.
Gosta-se de livros.
Como se percebeu, o verbo ficou no singular, pois não se consegue realizar a voz passiva
analítica. Não é possível escrever com correção “De livros são gostados”.

17 Através de - por meio de

“Através de” pode ser empregado em três situações bem definidas:

a) de um lado a outro: Ela me viu através da janela de vidro.


b) movimento interno: O sangue corre através das veias.
c) relação à passagem do tempo: Ela foi me conhecendo melhor através dos anos.
Observe erros comuns na expressão: O projeto será regulamentado através de novas leis
(inadequado). O projeto será regulamentado por meio de novas leis (adequado).

18 Este – esse – aquele

O pronome demonstrativo (este, esse, aquele – e variações) tem diversas funções dentro da
construção: pode indicar a pessoa do discurso, a relação a tempo, o referente adequado, retomar ou
antecipar ideia presente no texto, etc. Observe os usos adequados:

1. em relação à pessoa do discurso, deve-se empregar o pronome demonstrativo da seguinte


forma:
- este, esta, isto: refere-se à pessoa que fala ou escreve (apresenta a ideia do aqui).
- esse, essa, isso: refere-se à pessoa que ouve ou lê (apresenta a ideia do aí).
- aquele, aquela, aquilo: refere-se à pessoa que se encontra distante (apresenta a ideia do lá).
Este relatório que seguro.
Esse relatório que você segura.
Aquele relatório que se encontra na outra sala.

2. em relação à posição da ideia a que se refere, deve-se empregar da seguinte forma:


- este, esta, isto: em relação a uma ideia que ainda aparecerá no texto (termo catafórico).
Quero lhe contar isto: não volte mais aqui.
- esse, essa, isso: em relação a uma ideia que já apareceu no texto (termo anafórico).
Não volte mais aqui. Era isso que eu queria lhe contar.

3. em relação a tempo, deve-se empregar da seguinte forma:

a) em referência a um momento atual, usa-se “este, esta ou isto”:


Este dia está maravilhoso (dia atual).
Esta semana está maravilhosa (semana atual).
Este mês está maravilhoso (mês atual)
Este ano está maravilhoso (ano atual).
Este assunto que conversamos (assunto atual).

b) em relação a momento futuro próximo, usa-se também “este, esta


ou isto”:
Agora pela manhã chove, mas esta noite promete ser bonita (próxima noite).
Esta reunião de hoje à tarde será interessante (a reunião está próxima de ocorrer).
Hoje é quinta-feira e neste fim de semana viajarei (próximo fim de semana).

c) em relação a momento futuro distante, usa-se “esse, essa ou isso”:


Um dia você será capaz de entender o que ocorreu. Nesse dia, você me perdoará .
d) em relação a momento passado recente, usa-se “esse, essa ou isso”:
Nesse fim de semana, fui a São Paulo (último fim de semana).
Nessa reunião, fiquei feliz (reunião que ocorreu recentemente).

e) em relação a tempo passado muito distante, usa-se “aquele, aquela ou aquilo”:


Aquele fim de semana foi maravilhoso (fim de semana distante).
Naquela reunião, fiquei feliz (reunião que ocorreu há muito tempo).

4. para diferenciar referentes citados anteriormente, usa-se “este, esta ou isto” para indicar o
mais próximo ao pronome e usa-se “aquele, aquela e aquilo” para indicar o mais distante.
O processo e o parecer já chegaram. Este (o parecer) está ótimo, mas aquele (o processo)
ainda está incompleto.

19 A cerca de - acerca de - há cerca de

A cerca de significa a uma distância de


Belo Horizonte fica a cerca de setecentos quilômetros de Brasília.

Acerca de significa sobre, a respeito de.


Falavam acerca do processo.

Há cerca de significa faz aproximadamente.


Há cerca de duas semanas, o processo foi protocolado.

20 A fim de - afim de

A fim de é locução prepositiva. Indica finalidade e equivale a para.


Estamos aqui a fim de trabalhar.

Afim/afins são adjetivos e referem-se ao que apresenta afinidade, parentesco.


Ele se tornou inelegível por ser parente afim do prefeito.

21 À medida que - na medida em que

À medida que é locução proporcional e significa à proporção que, ao passo que, conforme.
A opinião popular mudava à medida que se aproximava a eleição.
Na medida em que é locução causal e significa porque, porquanto, uma vez que, pelo fato de
que.
Na medida em que foi constatada a sua inconstitucionalidade, o projeto foi arquivado.

22 Ao encontro de - de encontro a

Ao encontro de significa em busca de, em favor de, encontrar-se com, corresponder ao desejo
de.
Houve entendimento, pois a opinião da maior parte dos estudantes ia ao encontro das
propostas da direção.
De encontro a significa oposição, contra, em contradição.
Houve divergência, pois a opinião da maior parte dos estudantes ia de encontro às propostas
da direção.

23 Ao invés de - em vez de
Ao invés de significa ao contrário de e encerra a ideia de oposição:
Os juros, ao invés de baixarem, sobem.
Em vez de significa em lugar de, ao contrário de.
Estudou Direito Penal em vez de Direito Constitucional.

24 Ao nível de - em nível de

Em nível de é usado no sentido de nessa instância.


Isto ocorreu em nível ministerial ou em nível de ministério.

Ao nível de é usado no sentido de à mesma altura.


A cidade de Santos está ao nível do mar.

25 Como sendo
Esta expressão é desnecessária e deve ser evitada: Foi considerado (como sendo) o melhor
funcionário do ano.

26 Paralelismo

Paralelismo é o recurso linguístico que possibilita a expressão de ideias similares por meio de
formas gramaticais idênticas. Portanto, constitui erro dar forma gramatical diferente a ideias
similares, como nos seguintes casos:

1. Duas orações subordinadas estruturadas de formas diferentes para ideias equivalentes.


Errado:
Pediu aos concorrentes agilizar os pedidos de inscrição e que, em caso de dúvida, recorressem
aos tribunais regionais.
Esse período apresenta uma oração subordinada reduzida de infinitivo (agilizar os pedidos de
inscrição) e outra desenvolvida (que (…) recorressem aos tribunais regionais). O correto seria
utilizar duas reduzidas ou duas desenvolvidas, como a seguir.

Certo:
Pediu aos concorrentes agilizar os pedidos de inscrição e, em caso de dúvida, recorrer aos
tribunais regionais.
ou
Pediu aos concorrentes que agilizassem os pedidos de inscrição e, em caso de dúvida,
recorressem aos tribunais regionais.

2. Substantivos coordenados com orações reduzidas de infinitivo.

Errado:
Em seu voto, o relator demonstrou conhecimento, não ser inseguro e parcial, ter bom senso.
Nesse exemplo, o erro está em não haver coordenação de palavras da mesma classe gramatical
(conhecimento, não ser seguro e parcial, ter bom senso). A solução está em usar apenas substantivos
ou formas oracionais reduzidas, como a seguir.
Certo:
Em seu voto, o relator demonstrou conhecimento, segurança, imparcialidade e bom senso.
ou
Em seu voto, o relator demonstrou ser seguro e imparcial, ter conhecimento e bom senso.

3. Emprego errado das expressões correlativas não só... mas (como) também, tanto... quanto,
nem... nem, ou... ou, quer... quer, ora... ora, seja... seja, etc.

Errado:
Ao final, ou o presidente votava, ou pedia vista, ou encerrava a sessão.

O erro está na posição inadequada da primeira conjunção ou. O certo é deslocá-la de forma a
estabelecer a relação entre os elementos coordenados (votar, pedir, encerrar).
Certo:
Ao final, o presidente ou votava, ou pedia vista, ou encerrava a sessão.

4. Cidade e estado, cidade e pessoa colocados no mesmo nível.

Errado:
Por ocasião das eleições, o candidato visitou Manaus, Curitiba e Mato Grosso.
O erro está em nivelar as capitais Manaus e Curitiba com o Estado de Mato Grosso. O certo é
substituir o estado por sua capital ou mencionar que o candidato visitou o Estado de Mato Grosso.
Certo:
Por ocasião das eleições, o candidato visitou Manaus, Curitiba e Cuiabá.
ou
Por ocasião das eleições, o candidato visitou Manaus, Curitiba e cidades de Mato Grosso.

5. Emprego inadequado do e que, sem que tenha sido parte de construção anterior.
Errado:
Devem-se tomar medidas enérgicas e que proíbam o uso do dinheiro público em benefício de
poucos.
Com o emprego do e que criou-se a ideia de paralelismo, inexistente anteriormente. O certo é
eliminar o e ou substituir o adjetivo enérgicas por oração adjetiva equivalente.
Certo:
Devem-se tomar medidas enérgicas que proíbam o uso do dinheiro público em benefício de
poucos.
ou
Devem-se tomar medidas que sejam enérgicas e (que) proíbam o uso do dinheiro público em
benefício de poucos.

25 Erros de comparação

Deve-se evitar a omissão de certos termos nas comparações, sob pena de comprometer a
clareza, como nos exemplos:
Errado:
Obteve um total de votos maior do que o adversário.
Nessa construção, estabeleceu-se uma comparação entre o total de votos e o adversário,
quando o certo é comparar apenas o total de votos de cada um.
Certo:
Obteve um total de votos maior do que o total do adversário.
ou
Obteve um total de votos maior do que o do adversário.

26 Ambiguidade

Ambiguidade é o duplo sentido provocado pela má construção da frase. Ocorre geralmente


quando há dificuldades de identificação do sujeito ou do objeto numa oração e dos termos a que se
refere um pronome pessoal, possessivo ou relativo, como nos seguintes casos.

1. Dificuldade de identificação do sujeito e do objeto da oração.


Ambíguo:
Convenceu o diretor o chefe sobre a necessidade de mudanças.
Quem convenceu quem, o diretor ou o chefe? Se o chefe convenceu o diretor, o período ganha
clareza com uma destas opções:
a) Convenceu ao diretor o chefe sobre a necessidade de mudanças.
b) O chefe convenceu o diretor sobre a necessidade de mudanças.

Se o diretor convenceu o chefe, o período tornar-se-á mais claro com uma destas opções:
c) Convenceu o diretor ao chefe sobre a necessidade de mudanças.
d) O diretor convenceu o chefe sobre a necessidade de mudanças.

2. Dificuldade de identificação do termo a que se refere o pronome pessoal.


Ambíguo:
O diretor comunicou ao chefe que ele seria exonerado.
Quem seria exonerado, o diretor ou o chefe? A ambiguidade da frase poderá ser eliminada
com uma das opções:
a) O diretor comunicou a exoneração dele ao chefe – se a exoneração é do diretor;
b) O diretor comunicou ao chefe a exoneração deste – se a exoneração é do chefe.

3. Dificuldade de identificação do termo a que se refere o pronome possessivo.


Ambíguo:
O governador e o prefeito se desentenderam por causa de sua má gestão.
De quem é a má gestão, do governador ou do do prefeito? A ambiguidade da frase poderá ser
eliminada com uma das opções:
a) O governador e o prefeito se desentenderam por causa da má gestão do prefeito (ou deste
último) – se a má gestão é do prefeito;
b) O governador e o prefeito se desentenderam por causa da má gestão do governador (ou do
primeiro) – se a má gestão é do governador.

4. Dificuldade de identificação do termo a que se refere o pronome relativo.


Ambíguo:
O senador quis conhecer o projeto do deputado do qual o secretário falava.
O secretário falava do deputado ou do projeto do deputado? A ambiguidade da frase poderá
ser eliminada com uma das opções:
a) O senador quis conhecer o projeto do deputado de cujo projeto o secretário falava;
b) O senador quis conhecer o projeto do deputado de quem o secretário falava.

27 Regência e pronome relativo

O assunto provoca receio mesmo naqueles que dominam bem a gramática. Vamos explicar
com muito calma, então. Observe as orações abaixo.
O livro sumiu = primeira oração.
Comprei o livro = segunda oração.

Se desejarmos unir as duas orações e formar apenas uma construção em período único, seria
necessário fazer uso de pronome relativo.
O pronome relativo é o termo que possibilita que um termo não seja repetido
desnecessariamente na frase. No exemplo acima, unindo as orações com pronome relativo temos a
seguinte estrutura.
O livro que comprei sumiu.
Como o verbo “comprar” não pede preposição, não houve necessidade de qualquer preposição
antes do pronome relativo. Nem sempre é assim. Observe o segundo exemplo.
O livro sumiu = primeira oração.
Refiro-me ao livro = segunda oração.
Para que a frase fique correta, a preposição “a” pedida pelo verbo “referir-se” deve estar antes
do pronome relativo ao se unir as orações.
Veja.
O livro a que me refiro sumiu.

Observe outros exemplos:


O livro de que preciso sumiu.
O livro a que aludi sumiu.
O livro com que simpatizo sumiu.
O livro que escrevi sumiu.
O livro em que deixei o bilhete sumiu.
Vários são os pronome relativos. Os principais são: que, o qual, a qual, cujo, cuja, onde,
quanto etc.

28 Uso do cujo, cuja

Os pronomes “cujo” e suas variações são empregados para dar ideia de posse ou complemento
do substantivo. Observe as orações.

O livro sumiu = primeira oração.


O autor do livro chegou = segunda oração.

Ao unir as orações em período único, temos:


O livro cujo autor chegou sumiu.
Se for empregado algum termo que exija preposição, seremos obrigados a construir o período
com ela. Observe.
O livro sumiu = primeira oração.
Gosto do autor do livro = segunda oração.

Ao unir as orações em período único, temos:

O livro de cujo autor gosto sumiu.


Observação: não existe cujo o, cuja a, o cujo. Não é possível artigo ao lado do pronome cujo.
Observe vários exemplos com pronome relativo e regência.
O livro que li sumiu.
O livro de que preciso sumiu.
O livro a que fiz referência sumiu.
O livro por que tenho simpatia sumiu.
O livro cujo autor chegou é bom.
O livro de cujo autor preciso é bom.
O livro a cujo autor fiz referência é bom.
O livro por cujo autor tenho simpatia é bom.
A cidade onde estou é linda.
A cidade aonde vou é linda.
A cidade de onde vim é linda.
A decisão a qual recebi está correta.
A decisão da qual preciso está correta.
A decisão à qual fiz referência está correta.
A decisão pela qual tenho simpatia está correta.
Livros
GARCIA, Othon M..Comunicação em Prosa Moderna.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa. São Paulo: Editora
Atlas, 2006.
MARTINS, Dileta Silveira & ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português instrumental de acordo com
as atuais normas da ABNT. Porto Alegre: Editora Sagra Luzzatto, 2003.
MEDEIROS, João Bosco. Redação empresarial. São Paulo: Editora Atlas, 2009.

NETO, Pasquale Cipro. Ao pé da letra. Rio de Janeiro: EP&A, 2001.

Sites
http://www.graudez.com.br/redacao/coesao.html
http://loucospormatematicaunibh.blogspot.com/2008/09/2.html