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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE TECNOLOGIA

FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA

DIEGO BATISTA ARAUJO SANTOS (200902140058)

PRÉ-PROJETO DE UM SISTEMA DE CONTROLE DE FUMAÇA


MECÂNICO: ESTUDO DE CASO PARA UM LOCAL DE REUNIÃO DE
PÚBLICO

BELÉM – PA

2019
DIEGO BATISTA ARAUJO SANTOS (200902140058)

PRÉ-PROJETO DE UM SISTEMA DE CONTROLE DE FUMAÇA


MECÂNICO: ESTUDO DE CASO EM LOCAIS DE REUNIÃO DE
PÚBLICO

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Faculdade de Engenharia
Mecânica do Instituto de Tecnologia da
Universidade Federal do Pará para
obtenção do grau de Engenheiro
Mecânico.

Orientador: Prof. Kelvin Alves Pinheiro,


Esp.

BELÉM – PA

2019
PRÉ-PROJETO DE UM SISTEMA DE CONTROLE DE FUMAÇA
MECÂNICO: ESTUDO DE CASO EM LOCAIS DE REUNIÃO DE
PÚBLICO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


para obtenção do grau de Engenheiro de
Mecânico pela Universidade Federal do Pará.
Submetido à banca examinadora constituída
por:

______________________________________
Prof. Kelvin Alves Pinheiro, Esp.
UFPA/FEM – Orientador, Presidente.

______________________________________
Prof. Me. Fábio Antônio Do Nascimento
Setúbal
UFPA/FEM – Membro Interno.

______________________________________
Prof. Dr. Hélio Da Silva Almeida
UFPA/FAESA – Membro Externo.

Julgado em: 28 de junho de 2019.

Conceito: _____________________________

BELÉM – PA

2019
AGRADECIMENTOS

Ao Deus todo poderoso, autor de todas as coisas, sem o qual eu não teria o
dom da vida, família e amigos.

Ao professor Kelvin Alves Pinheiro, pela orientação e apoio sem igual que
proporcionaram a minha chegada até aqui.

Ao professor Doutor e Capitão BM Hélio da Silva Almeida, que é um dos


grandes exemplos de profissional em que me espelho como bombeiro e acadêmico.

A professora Danielle Regina da Silva Guerra que me brindou nestes últimos


dois anos com sua sabedoria inestimável.

Ao Major BM Erivaldo dos Santos Cardoso, o qual me apoiou nestes últimos


meses, permitindo-me concretizar este trabalho. É uma honra servir a população
paraense com homens e mulheres como ele.

A toda a minha família, em especial minha mãe Dienes, minha vó Maria, meu
pai João Batista, ao meu avô Sebastião (in memoriam) por todo o amor e orientação
e aos meus três irmãos Jéssica, Junior e Joabe, por fazer parte da minha vida.

A turma vespertina de 2014 de Engenharia Mecânica, em especial aos


amigos João, Aglaison e Anderson Linhares, por contribuírem na minha conquista.

Ao Exército Brasileiro, ao Corpo de Bombeiros Militar do Pará e a Igreja do


Evangelho Quadrangular, instituições sem igual, que molduram o meu caráter, me
ajudando a ser um ser humano melhor, com princípios e valores.

Ao amor da minha vida, minha esposa Nara Ferreira, por estar ao meu lado e
por me apoiar em todos esses anos, sendo uma conselheira fiel, materializando dia
após dia o juramento do até que a morte os separe.

E a todos as demais pessoas, militares ou civis, que de alguma forma


participaram da minha caminhada.

Diego Batista Araujo Santos


Futuro Eng. Mecânico.
"Filho, se você parar de aprender, logo esquecerá o que sabe”.

Provérbios 19:27, NTLH.


RESUMO

Durante um incêndio em uma edificação o fogo poderá ser transportado para lugares
distantes do seu foco inicial em função da movimentação da fumaça, o que se
constituirá em um grave risco para os seus ocupantes que poderão ser encurralados
por esse produto tóxico. Dentro desse panorama, a principal preocupação em um
incêndio, sem dúvida alguma, é a fumaça, sendo o seu controle de fundamental
importância para o sucesso no gerenciamento e extinção do fogo. Em decorrência
desse fator, conceitos fundamentais sobre fogo e incêndio, os mecanismos de
gerenciamento da fumaça produzida nestes sinistros e os aspectos normativos
exigidos na instrução técnica editada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Pará para
que em uma edificação haja condições mínimas de segurança contra incêndio e
pânico, é que alguns aspectos relacionados a esse relevante tema foram discutidos
neste trabalho, incumbindo-se ao final na realização de um estudo de caso em um
local de reunião de público onde se puderam aplicar alguns conceitos adquiridos
durante a graduação, dimensionando um sistema de controle de fumaça coerente
com as dimensões da edificação apresentada. Lembrando que o controle de fumaça
ocorre através da introdução de ar limpo de maneira simultânea a extração da
fumaça do ambiente sinistrado pelo fogo para o exterior da edificação, evitando a
generalização desse produto tóxico pelos espaços não afetados.

Palavras-Chave: fumaça, controle de fumaça, extração de fumaça, ventilação,


Instrução técnica.
ABSTRACT

During a fire in a building the fire may be transported to places far from its initial
focus due to the movement of the smoke, which will constitute a serious risk to its
occupants that may be trapped by this toxic product. Within this scenario, the main
concern in a fire, without any doubt, is the smoke, being its control of fundamental
importance for the success in the management and extinction of the fire. As a result
of this factor, fundamental concepts about fire and fire, the mechanisms of smoke
management produced in these accidents and the normative aspects required in the
technical instruction edited by the Pará Military Fire Brigade so that in a building
there are minimum conditions of fire safety and panic, it is that some aspects related
to this relevant topic were discussed in this paper, with the final task of conducting a
case study in a public meeting place where some concepts acquired during
graduation could be applied, control of smoke consistent with the dimensions of the
building presented. Remembering that smoke control occurs through the introduction
of clean air simultaneously the extraction of smoke from the environment caused by
the fire to the exterior of the building, avoiding the generalization of this toxic product
through the unaffected spaces.

Keywords: smoke, smoke management, control systems, fire, Technical instruction.


LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 – Triângulo do fogo........................................................................ 18


Figura 2.2 – Tetraedo do fogo........................................................................ . 19
Figura 2.3 – Mecanismo de ignição nos sólidos. ............................................ 19
Figura 2.4 – Mecanismo de ignição nos líquidos. ........................................... 20
Figura 2.5 – Mecanismo de ignição nos gases. .............................................. 20
Figura 2.6 – Desenvolvimento de incêndio em compartimento. ..................... 25
Figura 2.7 – Mnemônico das características de fumaça. ................................ 30
Figura 2.8 – Movimento de fumaça em um ambiente fechado. ...................... 31
Figura 2.9 – Pluma assimétrica. ..................................................................... 31
Figura 3.1 – Incêndio na fábrica da GM, 1953. ............................................... 35
Figura 3.2 – Movimento de ar devido ao efeito de pilha normal e reversa...... 37
Figura 3.3 – Diferença de pressão devido um incêndio na sala totalmente
desenvolvido. .................................................................................................. 38
Figura 3.4 – Efeito do vento em elevação....................................................... 40
Figura 3.5 – Perfil de pressão criado pelo vento............................................. 40
Figura 3.6 – Fluxo de ar devido ao movimento descendente de uma cabina de
elevador. ......................................................................................................... 41
Figura 3.7 – Diferença de pressão através de uma barreira pode controlar o
fluxo de fumaça. ............................................................................................. 43
Figura 3.8 – Diferença de pressão através de uma barreira aberta. ............... 43
Figura 3.9 – Uso da diluição para remoção de fumaça. ................................. 44
Figura 3.10 – Diferença de pressão para o fogo totalmente envolvido. .......... 45
Figura 3.11 – O fluxo de ar pode controlar o fluxo de fumaça. ....................... 45
Figura 3.12 – Uso da flutuabilidade para extração de fumaça. ....................... 46
Figura 4.1 – Hierarquia das normas (Pirâmide de Kelsen) . ........................... 47
Figura 4.2 – Tipo de sistema segundo a entrada de ar e a extração de fumaça
........................................................................................................................ 50
Figura 4.3 – Acantonamento........................................................................... 52
Figura 5.1 – Diagrama unifilar da rede de dutos (sem escala). ...................... 60
Figura 5.2 – Grelha. ........................................................................................ 66
LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 – Quantidade de O2 presente no ar. ............................................. 21


Tabela 4.1 – Dimensões do incêndio. ............................................................. 56
Tabela 5.1 – Velocidade recomendada para dutos de ar ............................... 64
Tabela 5.2 – Resultados dos cálculos de perdas de carga em cada trecho dos
dutos. .............................................................................................................. 65
Tabela 5.3 – Representação das equivalências entre os dutos circular e
retangular........................................................................................................ 66
Tabela 5.4 – Perda de carga unitária por trecho............................................. 66
Tabela 5.5 – Coeficiente de perda de carga em curvas de seção retangular. 68
Tabela 5.6 – Perda de carga atribuída a reduções. ........................................ 69
Tabela 5.7 – Máxima vazão por ponto de sucção ou ventilador individual. .... 72
Tabela 5.8 – Resultados dos cálculos de perdas de carga em cada trecho dos
dutos. .............................................................................................................. 73
Tabela 5.9 – Representação as equivalências entre os dutos circular e
retangular........................................................................................................ 74
Tabela 5.10 – Perda de carga unitária por trecho........................................... 74
Tabela 5.11 – Perda de carga atribuída a reduções. ...................................... 75
LISTA DE SÍMBOLOS

Tabela 2.1 – Quantidade de O2 presente no ar. ............................................. 21


Tabela 4.1 – Dimensões do incêndio. ............................................................. 56
Tabela 5.1 – Velocidade recomendada para dutos de ar ............................... 64
Tabela 5.2 – Resultados dos cálculos de perdas de carga em cada trecho dos
dutos. .............................................................................................................. 65
Tabela 5.3 – Representação das equivalências entre os dutos circular e
retangular........................................................................................................ 66
Tabela 5.4 – Perda de carga unitária por trecho. ............................................ 66
Tabela 5.5 – Coeficiente de perda de carga em curvas de seção retangular. 68
Tabela 5.6 – Perda de carga atribuída a reduções. ........................................ 69
Tabela 5.7 – Máxima vazão por ponto de sucção ou ventilador individual. .... 72
Tabela 5.8 – Resultados dos cálculos de perdas de carga em cada trecho dos
dutos. .............................................................................................................. 73
Tabela 5.9 – Representação as equivalências entre os dutos circular e
retangular........................................................................................................ 74
Tabela 5.10 – Perda de carga unitária por trecho. .......................................... 74
Tabela 5.11 – Perda de carga atribuída a reduções. ...................................... 75
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................. 14

1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ....................................................................... 14


1.2 OBJETIVOS ................................................................................................. 15
1.2.1 Objetivo geral ............................................................................................... 15
1.2.2 Objetivos específícos.................................................................................... 15
1.3 JUSTIFICATIVA............................................................................................ 15
1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO ..................................................................... 16

2 REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................... 17

2.1 TEORIA DO FOGO ...................................................................................... 17


2.1.1 Elementos da combustão ............................................................................. 17
2.2 DINÂMICA DO INCÊNDIO ........................................................................... 24
2.2.1 Fases de desenvolvimento de um incêndio .................................................. 24
2.3 PRODUTOS RESULTANTES DA COMBUSTÃO ........................................ 27
2.3.1 Calor ............................................................................................................. 27
2.3.2 Chamas ........................................................................................................ 29
2.3.3 Fumaça......................................................................................................... 30
2.4 HISTÓRICO DO CONTROLE DE FUMAÇA ................................................ 34
2.5 RELEVÂNCIADO CONTROLE DE FUMAÇA EM UM INCÊNDIO ............... 35
2.6 MOVIMENTAÇÃO DA FUMAÇA EM UM INCÊNDIO ................................... 36
2.6.1 Efeito chaminé (Stack Effect) ....................................................................... 37
2.6.2 Efeito da flutuabilidade dos gases da combustão (Buoyancy Effect) ........... 38
2.6.3 Efeito da expansão dos gases da combustão (Expansion Effect) ................ 39
2.6.4 Efeito do vento (Wind Effect) ........................................................................ 39
2.6.5 Efeito de pistão do elevador (Elevator Piston Effect) .................................... 41
2.6.6 Efeito do sistema de ventilação forçada (HVAC Systems) ........................... 41
2.7 PRINCÍPIOS DE GERENCIAMENTO DA FUMAÇA DE UM INCÊNDIO ..... 42
2.7.1 Mecanismos físicos de contrile de fumaça ................................................... 42

3 METODOLOGIA .......................................................................................... 45

4.1 LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA ........................................................ 47


4.1.1 Legislação à nível federal ............................................................................. 48
4.1.2 Legislação à nível estadual .......................................................................... 49
4.2 TIPOS DE SISTEMAS DE CONTROLE DE FUMAÇA ................................. 47
4.2.1 Entrada de ar mecânica................................................................................ 50
4.2.2 Extração mecânica de fumaça ..................................................................... 51
4.2.3 Componentes do sistema de extração mecânica de fumaça ....................... 51
4.2.4 Parâmetros para o dimentsionamento do sistema mecânico tipo 2 ............. 55
4.3 CONSIDERAÇÕES ENTRE A LEGISLAÇÃO ANTERIOR E A ATUAL ....... 59

4 DISCURSÕES DOS RESULTADOS ........................................................... 60

5.1 METODOLOGIA ........................................................................................... 60


5.2 DISCURSÕES DOS RESULTADOS ............................................................ 60

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................... 78

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 79

ANEXO A ..................................................................................................... 81
14

1 INTRODUÇÃO

1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Na manhã de domingo, do dia 27 de janeiro de 2013, o Brasil foi acordado por


uma notícia bombástica; um incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio grande
do Sul, causou a segunda maior tragédia em decorrência do fogo da história
brasileira em número de fatalidades (242 pessoas mortas), superando os grandes
sinistros das décadas de 70, como as dos edifícios Andraus (16 mortes) e Joelma
em 1974 (191 mortes), perdendo apenas para a do Gran Circo Norte americano, em
1961, que causou 503 mortes. (xxxxx)
Infelizmente, eventos como este não são casos isolados ao redor do mundo,
tendo outros similares já ocorridos em casas noturnas, inclusive na vizinha
Argentina, em 2004, onde um incêndio na boate República Cromañón teve um saldo
de 194 mortes e 1.432 pessoas feridas. A semelhança entre as duas tragédias
engloba: pirotecnia em ambiente fechado, teto revestido por material inflamável,
lotação acima da capacidade máxima permitida, saídas de emergência insuficientes
ou obstruídas e ilegalidades praticadas por agentes públicos na fiscalização.
Em tragédias como estas não é difícil identificar o agente químico culpado por
tantas mortes, a fumaça. De acordo com o laudo técnico do Instituto Geral de
Perícias do Rio grande do Sul todas as 234 pessoas que vieram a óbito ainda na
Kiss foram vítimas de intoxicação devido aos gases tóxicos, principalmente os gases
cianídrico (HCN) e monóxido de carbonos (CO) provenientes da espuma que foi
utilizada como revestimento acústico nas paredes e no teto.
A fumaça, sem dúvida alguma, é a grande vilã dos incêndios, sendo
responsável pela grande maioria das mortes. Somente a sua presença em um
ambiente já é capaz de reduzir a concentração de oxigênio presente no ar, o que
pode causar, entre outros sintomas, a dificuldade de respirar. Levando, ainda em
consideração, as características de toxidade e a redução da visibilidade das rotas de
fuga, pode-se concluir que esse agente executa com maestria a ação de matar.
Dentro deste grave cenário de risco a incolumidade física das pessoas e do
seu patrimônio, é plenamente justificável os esforços realizados no sentido de
encontrar soluções que sejam capazes de controlar a causadora de tantas mortes.
15

Para a execução desta tarefa, existem várias possibilidades, contudo, este trabalho
dará enfoque aos sistemas de controle de fumaça mecânicos e sua aplicação em
locais de reunião de públicos.

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

O objetivo desse trabalho é realizar o pré-projeto de um sistema de controle


de fumaça para um local de reunião de público conforme os parâmetros
estabelecidos na Instrução Técnica 09 – Controle de Fumaça – Parte I de 2019 do
CBMPA.

1.2.2 Objetivos Específicos

 Planejar o projeto;
 Definir nova solução para o sistema de propulsão;
 Definir o layout da embarcação para recebimento do novo sistema de
propulsão; e
 Apresentar os principais resultados da análise de vibração na embarcação
após a alteração.

1.3 JUSTIFICATIVA

A escolha por este tema tem como principal intuito divulga-lo e assim somar
esforços para que cenas como as de Santa Maria, na boate Kiss, não se repitam,
dessa vez no Pará, pois ao controlar a fumaça em um incêndio, controlar também o
crescimento do sinistro, reduzindo os danos materiais e o número de vítimas,
facilitando ainda, a sua extinção.

No entanto, apesar da grande importância que o controle de fumaça tem para


um incêndio e as prerrogativas por tal dimensionamento serem de responsabilidade
do Engenheiro Mecânico, ainda, é pouco explorado durante o período de graduação
16

(ou nada). Tendo em vista a necessidade de contribuir para que esta lacuna na
formação destes engenheiros seja sanada, serão tratados os sistemas de controle
de fumaça mecânicos com certo grau de aprofundamento, visando à atualização e
maior capacitação destes profissionais, para que assim, a perda de vidas humanas
possa ser evitada e os danos patrimoniais sejam minorados.

1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO

O trabalho está estruturado em 6 seções, referências bibliográficas e um


anexo.

A seção 1 apresenta uma breve abordagem sobre tragédias históricas


decorrente de incêndios e sua propagação, principalmente por via convectiva
através da fumaça.

A seção 2 se incumbe em definir conceitos fundamentais ligados a ciência do


fogo, que são de fundamental importância para seu entendimento, apresentando os
mecanismos de controle e movimentação da fumaça, além do histórico do
desenvolvimento do controle de fumaça e a sua relevância para a prevenção de
sinistros nas edificações, passando ainda, por uma abordagem jurídica superficial e
posteriormente se ocupando em discriminar os critérios normativos relevantes para o
pré-projeto de um sistema de controle de fumaça mecânico.

A seção 5 faz-se uma aplicação dos critérios técnicos para um local de


reunião de público, onde primeiro é mostrada a metodologia utilizada no trabalho e
posteriormente os resultados e discursões atinentes ao tema.

Por fim, enquanto na seção 6 apresenta as considerações finais, mostrando


seus principais resultados e as sugestões de próximos trabalhos.
17

2 CONCEITOS GERAIS SOBRE FOGO E INCÊNDIO


O Independente do credo religioso (ou falta dele) que se tenha sobre a origem
da humanidade, é inegável o fato de que desde o início de sua história na terra até
os dias atuais, o homem sempre teve uma relação muito próxima ao fogo. Utilizado
no início, além de outras atividades, para iluminar, aquecer, afastar animais
selvagens e cozinhar alimentos, com o passar do tempo, tornou-se fundamental
para a existência humana.

Ao longo de várias gerações, o homem, além criar maneiras de produção e


transporte desta forma de energia, conseguiu aliá-la a outras tecnologias maiores e
melhores que o ajudaram na construção e desenvolvimento da civilização atual.
Ainda hoje, constitui-se como sua principal fonte de energia empregada, sendo
responsável por aproximadamente metade do gasto energético mundial, somente
com a produção de energia elétrica e aquecimento.

Drysdale (1999) declara sobre o uso do fogo que:

[...] quando aproveitado corretamente, fornece grandes benefícios que


podem suprir nossas necessidades industriais e domésticas, mas, quando
descontrolado, pode causar danos materiais e sofrimento humano.

Nesse aspecto, conclui-se que mesmo com todo conhecimento adquirido em


séculos de utilização do fogo, vez por outra, perde-se o seu controle, o que pode
causar incêndios capazes de gerar graves danos patrimoniais e a perda de vidas
humanas em consequência da ação das chamas, do calor e da fumaça.

2.1 TEORIA DO FOGO

O fenômeno do fogo se trata da manifestação energética em forma de luz


e/ou calor de uma reação química chamada de combustão e para que ela aconteça
é essencial à presença de três elementos.

2.1.1 Elementos da combustão

Durante muito tempo se acreditava que para a ocorrência de uma queima, era
apenas necessária à presença de um combustível, um comburente (oxigênio) e uma
fonte de energia (geralmente o calor), sendo que a combinação entre esses
elementos essenciais daria início ao processo de combustão. Essa formulação ficou
18

conhecida como triângulo do fogo. A representação ilustrativa facilita a compreensão


desse fenômeno, pois, assim como a existência de um triângulo está condicionada a
interligação entre cada um dos seus lados, semelhantemente, também é necessária
à coexistência dos elementos da combustão, igualmente interligados, para que o
fogo exista. (SEITO, 2008)

Figura 2.1 – Triângulo do fogo

Fonte: Autoria própria.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF, 2009),


essa teoria vigorou durante muitos anos, contudo, alguns estudos científicos
posteriores demostraram que durante o curso da combustão ocorre uma reação
química (chamada de reação em cadeia) entre o combustível e o comburente. Esse
processo acontece de maneira continua através do fornecimento de calor e gases
para a reação, mantendo-a em um processo sustentável.

O Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES, 2016), afirma-se


que em consequência dessa descoberta foi necessária uma readequação da teoria
do triângulo do fogo, adicionando-se um quarto elemento, sendo conhecido a partir
desse momento como tetraedro do fogo (tetra = quatro + edro = faces).

A escolha de um tetraedro para representar este novo modelo, em detrimento


a um quadrado, está no fato de ele possuir todas as suas faces interligadas entre si,
da mesma forma que os elementos da combustão (o que não acontece com um
quadrado). Neste caso, cada face do tetraedro representa um elemento do fogo: o
combustível, o comburente, o calor e a reação em cadeia. (CBMES, 2016)
19

Figura 2.2 – Tetraedro do fogo

Fonte: Apostila de combate a incêndio da Cadenas, entre 2010 e 2015.

A. Combustível

O combustível pode ser definido como qualquer substância


(independentemente do estado físico) que libere gases e vapores (ao ser aquecido)
capazes de, ao combinarem com o O2, formar uma mistura ideal (inflamável) que
em contato com uma fonte de calor iniciará a combustão. (CBMES, 2016)

Segundo Seito (2008) existem mecanismos distintos de ignição de acordo


com o estado físico (sólido, líquido e gasoso) em que o material combustível se
encontra. Os combustíveis sólidos precisam passar inicialmente por um processo de
pirólise (decomposição térmica), sendo que, durante sua exposição a uma fonte de
calor capaz de iniciar a combustão, suas moléculas se desprenderão do material
aquecido, e se combinarão com o oxigênio presente no ar, formando uma mistura
que em contato com uma fonte de ignição se inflamará.

Figura 2.3 – Mecanismo de ignição nos sólidos

Fonte: A segurança contra incêndio no Brasil, 2008.

Os combustíveis líquidos, porém, passam por um fenômeno físico que difere


dos sólidos devido a menor atração entre as suas moléculas, não sofrendo uma
decomposição térmica. A sua exposição a uma fonte de calor capaz de desprender
suas moléculas já fará com que o líquido entre em evaporação, liberando vapores
20

que em contato com o ar, formarão uma mistura inflamável que necessitará apenas
da presença da energia de ativação para entrar em ignição. (SEITO, 2008)

Figura 2.4 – Mecanismo de ignição nos líquidos

Fonte: A segurança contra incêndio no Brasil, 2008.

Nos combustíveis gasosos o mecanismo de ignição é mais acelerado, pois, já


se estão gaseificados a temperatura ambiente. Portanto, daí advém o seu grande
potencial risco, uma vez que, bastará o contato com O2 para a formação de uma
mistura ideal que sendo exposta a uma fonte de ignição irá inflamar. (SEITO, 2008)

Figura 2.5 – Mecanismo de ignição nos gases

Fonte: A segurança contra incêndio no Brasil, 2008.

A quantidade total desses materiais presentes na edificação com potencial


calorífico constitui a carga de incêndio, e a sua estimativa poderá orientar a provável
produção de calor e a severidade do fogo (difícil de ser estabelecida com precisão
devido à multiplicidade de materiais que podem estar envolvidos).

O projetista deve ter ciência que a carga de incêndio varia de acordo com o
conteúdo do edifício, sendo o material combustível o campo de propagação para
fogo, onde a sua natureza e quantidade influenciam a produção de calor; mas, o seu
arranjo é significativo, pois quanto maior a área da superfície exposta, maior é o
potencial de desenvolvimento rápido do fogo. Também a proximidade do
combustível com as paredes e o teto será um fator determinante da propagação. E
ainda, quanto mais denso for o combustível, mais tempo o fogo demorará até atingir
a produção total de calor.
21

B. Comburente

É o elemento que, ao reagir com os gases liberados durante o processo de


decomposição térmica do material combustível (componente oxidante), possibilita a
existência e/ou intensificação da combustão. Normalmente quem exerce esse papel
é o oxigênio originário do ar circundante na atmosfera.

“Na medida em que a combustão se processa, a quantidade do comburente


em um ambiente é determinante para a propagação ou para a extinção do fogo”
(CBMDF, 2009). A concentração deste oxidante em torno de 21% permite a queima
livre (com velocidade e maneira completa) do combustível e o aparecimento de
chamas, contudo, ao se reduzir essa concentração a combustão poderá ser
impedida ou totalmente interrompida. (GRIMWOOD, 2003)

De acordo com o CBMDF (2009) e o CBMES (2016), ao se atingir a faixa


percentual entre 14% e 8%, a queima se tornará mais lenta, apresentando brasas ao
invés de chamas e a continuidade desta redução causará a total interrupção da
combustão ao se atingir concentrações menores que 4%.

Tabela 2.1 – Quantidade de O2 presente no ar

Ar atmosférico 21%

Respiração do ser humano 16% no mínimo

14% e 21% – Chamas


Combustão
7% e 14% – Brasas
Fonte: CBMES, 2016.

Situações onde existam possibilidades de deficiência de oxigênio em um


compartimento devem ser previamente projetadas para dificilmente ocorrerem, pois
o resultado poderá ser catastrófico, devido a uma explosão ambiental (fenômeno
conhecido como Backdraft) com graves danos a estrutura da edificação e também,
riscos as equipes de combate a incêndio. Já as atmosferas enriquecidas com
oxigênio são igualmente perigosas, pois a reação de combustão será mais vigorosa
(como o caso de indústrias e hospitais), apresentando, em um incêndio, velocidade
e intensidade de queima superior ao comum. (CBMDF, 2009)
22

C. Calor

Para iniciar a reação de combustão necessita-se que certa quantidade de


energia seja superada (energia de ativação). Este componente energético das
reações geralmente se apresenta na forma de calor (forma de energia mais comum
encontrada na terra), sendo, portanto, o elemento do tetraedro do fogo que tornar
possível o início da queima, elevando a temperatura no local de contato com o
combustível (que estará sendo aquecido), o que aumenta a vibração molecular,
causando a pirólise nos sólidos e a evaporação nos líquidos.

Em um incêndio, diversas podem ser as fontes de ignição, desde uma faísca,


uma chama aberta, eletricidade estática, uma superfície aquecida ou até mesmo a
luz solar. Uma vez que a reação é iniciada, é gerada uma quantidade de calor mais
que suficiente para que o processo seja autossustentável. Esse calor poderá ser
transmitido por condução, radiação, ou convecção em qualquer situação ou ainda,
por uma combinação de todos os três.

Na condução a transferência de calor acontece através do material de uma


zona de alta temperatura para uma zona de temperatura mais baixa. O calor
conduzido através de uma parede de alvenaria pode facilmente inflamar os
combustíveis armazenados contra a parede oposta à face de incêndio. Na radiação
a transferência de calor se dará através de um fluido ou vácuo por meio de ondas
eletromagnéticas. Em muitas situações de incêndio, a radiação pode ser o fator
predominante que controlará o seu crescimento. À medida que o fogo se desenvolve
no interior de um compartimento, todas as superfícies se aquecem gradualmente (às
vezes muito rapidamente).

Na convecção, a transferência de calor ocorrerá, em um fluido ou por meio


dele, através de correntes convectivas induzidas em seu interior. Num incêndio em
uma sala, a nuvem de fumaça quente sobe da base do combustível e ao entrar em
contato com o teto, se espalha progressivamente por ele, aquecendo sua superfície
e todo o ambiente até que seja alcançado um ponto em que todos os combustíveis
dentro da sala possam ser facilmente inflamados. Um incêndio pode se desenvolver
em um andar e alcançar andares superiores por meio de forças convectivas.
Escadarias, poços de elevador e dutos podem canalizar o fogo rapidamente para
cima até que todos os andares acima do pavimento do foco inicial estejam cercados.
23

D. Reação em cadeia

O CBMES (2016) declara-se que a descoberta da reação em cadeia e sua


posterior inclusão como um dos elementos da combustão decorrem de estudos
sobre a alta capacidade de extinção do Pó Químico Seco (PQS) em temperaturas
elevadas (superiores a 1000 ºC), onde se concluiu que o agente extintor era mais
efetivo do que o peso em CO2 em sua composição (bicarbonato). O entendimento
anterior era que sua eficiência estava ligada à presença desse gás.

O CBMDF (2009) explica que durante o transcorrer do processo de


combustão o calor inicial quebra as moléculas do combustível em partículas
menores, as quais reagem com o oxigênio, gerando mais luz e calor que, por sua
vez, vão decompor outras moléculas, transformando-se num processo
autossustentável. Hoje, acredita-se que os agentes químicos secos (e também os
halogenados) suspendam ou se liguem aos radicais livres decorrentes deste
processo, impedindo quimicamente o prosseguimento da reação em cadeia, o que
acaba resultando na extinção do fogo.

Neste sentido como já explanado, houve a necessidade de rever a teoria dos


elementos da combustão, adicionado um novo elemento (concebendo-se o tetraedro
do fogo), uma vez que existia a possibilidade de extinguir o fogo, através da atuação
em um componente diferente, dos três já conhecidos: comburente (pelo
abafamento), combustível (pelo isolamento) e a fonte de calor (pelo resfriamento).

2.2 DINÂMICA DO INCÊNDIO

Atualmente o termo, dinâmica do fogo (do inglês fire dynamics) é utilizado


para descrever o comportamento do fogo em um incêndio compartimental.
Entretanto, é comum encontrar as expressões como química do fogo, ciência do
fogo, entre outros, para designar o processo.

2.2.1 Fases do desenvolvimento de um incêndio

Quando o incêndio ocorre em uma área ocupada por pessoas, há grandes


chances de que ele seja descoberto no seu início, facilitando sua extinção, caso
contrário, ele continuará a crescer até ganhar grandes proporções, agravando a
24

situação, pois um incêndio num compartimento é sempre mais complexo que um


incêndio em ambientes abertos.

Abaixo se tem uma representação teórica do comportamento de um incêndio.

Figura 2.6 – Desenvolvimento de incêndio em compartimento.

Fonte: Structural Design for Fire Safety – 2006, apud, Gerken.

Sobre a curva que descreve o comportamento de um incêndio que ocorre no


interior de um compartimento Seito (2008) declara que:

A curva possui três fases distintas: a primeira fase é o incêndio incipiente


tendo-se um crescimento lento, em geral de duração entre cinco a vinte
minutos até a ignição, em que inicia a segunda fase caracterizada pelas
chamas que começam a crescer aquecendo o ambiente. O sistema de
detecção deve operar na primeira fase e o combate a incêndio e
consequente extinção tem grande probabilidade de sucesso. Quando a
temperatura do ambiente atinge em torno de 600 ºC, todo o ambiente é
tomado por gases e vapores combustíveis desenvolvidos na pirólise dos
combustíveis sólidos. Havendo líquidos combustíveis, eles irão contribuir
com seus vapores, ocorrerá a inflamação generalizada (flashover) e o
ambiente será tomado por grandes labaredas. Caso o incêndio seja
combatido antes dessa fase (por exemplo, por chuveiros automáticos)
haverá grande probabilidade de sucesso na sua extinção. A terceira fase é
caracterizada pela diminuição gradual da temperatura do ambiente e das
chamas, isso ocorre por exaurir o material combustível.

Até pouco tempo, o comportamento do incêndio era estudado a partir dessas


três fases indicadas por Seito. Atualmente, incêndios interiores são frequentemente
discutidos em termos de desenvolvimento da temperatura em compartimentos e
divididos em diferentes estágios (figura 2.6). Essa versão idealizada da variação de
temperatura com o tempo, para os estágios de desenvolvimento do fogo é aplicável
nos casos em que não há nenhuma tentativa de controlar o fogo.
25

A ignição descreve o período em que os quatro elementos do tetraedro do


fogo se juntam e se iniciam um processo que produz uma reação exotérmica
caracterizada por um aumento na temperatura muito acima do ambiente. Neste
ponto, o incêndio é pequeno e, geralmente, se restringe ao material que se
incendiou primeiro, sendo, portanto, o princípio de qualquer incêndio, quando por
atuação de um agente ígneo é alcançado o ponto de inflamação ou ignição de um
combustível presente, fazendo-o entrar em processo de combustão viva.

Pouco depois da ignição, na fase de crescimento, o calor gerado no foco


inicial se propaga, determinando o aquecimento gradual de todo o ambiente e se
inicia a formação de uma coluna de gases aquecidos (pluma) sobre o combustível
que queima. Enquanto a pluma se desenvolve e sobe, começa a atrair e arrastar o
ar ambiente do espaço em volta para dentro dela. Logo em seguida, essa coluna de
ar e gases aquecidos se vê afetada pelo teto e pelas paredes do espaço. À medida
que os gases aquecidos se elevam, começam a se propagar para os lados quando
tocam o teto da edificação até chegarem às paredes do compartimento. Então, a
profundidade da camada de gases começa a crescer, espalhando-se por todo o
ambiente.

O flashover é a etapa de transição rápida (entre a fase do crescimento e o


desenvolvimento completo do incêndio) para um estado de envolvimento total da
superfície do material combustível presente em um recinto. Neste estágio o incêndio
poderá se desenvolver normalmente, mediante um crescimento gradual ou
manifestar-se por dois fenômenos distintos, variando conforme o nível de
oxigenação do ambiente. Havendo uma oxigenação adequada com semelhante
elevação de temperatura, o incêndio poderá progredir para uma ignição súbita
generalizada, se do contrário, a oxigenação é inadequada (incêndio controlado pela
falta de ventilação) e a temperatura permanece em elevação, poderemos progredir
para uma ignição explosiva (Backdraft).

Em um ambiente com um incêndio completamente desenvolvido, todos os


materiais combustíveis são envolvidos pelo fogo e as chamas enchem todo o
compartimento. A Taxa de Liberação do Calor (TLC) atingirá seu ponto máximo,
produzindo altas temperaturas (1.100 ºC ou mais em circunstâncias especiais) e o
calor liberado e os gases produzidos pela combustão dependerão da carga de fogo,
do número e do tamanho das aberturas de ventilação do ambiente incendiado.
26

Com o decorrer da redução da carga de incêndio (consumo dos combustíveis)


a taxa de liberação de energia diminuirá, passando o incêndio a ser controlado pela
falta de material combustível. A quantidade de fogo diminui e as temperaturas do
ambiente começam a reduzir, entretanto, as brasas podem manter temperaturas
ainda elevadas durante algum tempo.

2.3 PRODUTOS DA COMBUSTÃO

Independentemente da origem da reação de combustão de uma determinada


substância, acontecerá durante o transcorrer deste processo, à liberação de energia,
adicionada através de transformações físicas e/ou químicas, tendo como resultado,
vários outros produtos que poderão ser utilizados, por exemplo, nos sistemas de
detecção ou chuveiros automáticos (sprinklers), dentre os quais se destacam: o
calor, as chamas e a fumaça.

2.3.1 Calor

Em um incêndio compartimental, a taxa de queima dependerá do combustível


e da ventilação, tendo estes fatores influência sobre a quantidade de calor produzida
na combustão. Alguns efeitos são provenientes da exposição a essa quantidade de
calor, dentre os mais comuns são: elevação da temperatura, variação de volume,
mudança de estado físico, alterações da velocidade de reações químicas e danos
fisiológicos.

Sobre estes incêndios que acontecem no interior das edificações Fernandes


(2008) declara que se diferenciam dos que se desenvolvem ao ar livre,
principalmente pelas limitações impostas (pelas fronteiras do compartimento) à
dissipação do calor libertado durante a combustão. Esse calor que não será
dissipado para o ambiente externo conduzirá a um rápido aumento da temperatura
no interior do compartimento, facilitando a propagação do incêndio nesse espaço.

A variação de volume no aspecto de segurança contra incêndio é um dos


mais importantes efeitos, pois, como a atuação do calor durante os incêndios
(elevação súbita ou redução repentina pela ação da água durante o combate ao
fogo) não acontece de maneira uniforme sobre todos os materiais – e também, os
coeficientes de dilatação de diversos materiais são diferentes e em consequência da
27

ação do calor nos diferentes corpos – formam-se tensões internas nos mesmos,
provocando rupturas que podem ocasionar graves acidentes como
desmoronamentos, vazamentos e explosões.

De acordo com o CBMDF (2009) quanto aos efeitos químicos e também os


fisiológicos ocasionados pelo calor convêm lembrar que determinadas substâncias
aumentam o seu grau de afinidade a outras moléculas, podendo dar lugar a reações
perigosas que produzem explosões ou gases venenosos. Enquanto a transferência
de calor em quantidades muito elevadas ou muito baixas ocasiona distúrbios nas
pessoas em vários níveis, a saber: a exaustão pelo calor, danos ao sistema
respiratório, vasodilatação periférica, desidratação, queimaduras, golpe de calor
(choque térmico) e outros.

2.4 CHAMAS

De acordo com Pinhal (2010), os combustíveis são compostos orgânicos que


apresentam a sua combustão com ou sem chama, segundo a combinação do
carbono com o oxigénio. Essas chamas variam conforme o momento em que se dá
essa mistura, sendo, nada mais do que uma manifestação visível desta reação entre
um combustível gasoso e oxigênio, podendo apresentar-se em dois tipos: chamas
de pré-mistura ou chamas difusas.

As chamas de pré-mistura são aquelas em que o combustível já gasoso será


misturado com oxigênio antes da zona de queima (caso dos maçaricos,
equipamentos de oxiacetileno, bicos de Bunsen). Enquanto nas chamas difusas, os
vapores combustíveis serão misturados ao comburente na zona de queima. É o
caso de combustíveis sólidos ou líquidos, onde a mistura ocorre apenas durante a
combustão, através dos vapores inflamáveis (uma fogueira, uma vela ou um
fósforo). (CBMES, 2016)

Heskestad (apud Klote, 2016) desenvolveu uma equação aplicada ao estimar


a altura da porção flamejante de uma pluma. Nela a altura limite é definida como a
altura da região flamejante contínua (isto é, onde as chamas estão presentes em
50% do tempo), sendo essa altura limite estimada como.
⁄5
𝑧1 = 0,166𝑄̇𝑐2 2.1
28

2.5 FUMAÇA

De acordo com Fernandes (2008), a fumaça é a principal causa da perda de


vidas humanas em um incêndio, sendo responsável por aproximadamente 63% das
mortes e próximo de 70% das interrupções dos serviços prestados pelas sociedades
comerciais (após um incêndio).

Martines e Velásquez (2008) declaram que a fumaça pode ser descrita como
uma mistura entre os gases resultantes da combustão – monóxido de carbono (CO),
dióxido de carbono (CO2) e vapor d’água – com partículas sólidas em suspensão –
que foram libertadas pelos materiais incendiados existentes no local – e o ar quente
deslocado na circunstância da ocorrência do fogo.

Segundo o CBMDF (2009) no passado, a fumaça era vista apenas como um


produto indesejado da combustão, pois devido ser opaca e tóxica, primeiro,
atrapalhava a visibilidade, dificultando a evacuação, e depois, era muito perigosa,
pois se inalada, poderia causar intoxicação. No entanto, estudos mais recentes
concluíram que a fumaça, além de opaca e tóxica, também é quente, móvel e
inflamável, sendo que essas outras características são igualmente relevantes para a
dinâmica de um incêndio.

A corporação ainda afirma que nos incêndios em ambientes fechados, forma-


se uma camada gasosa quando a pluma de fumaça atinge o teto e o jato do teto se
espalha horizontalmente para alcançar as paredes delimitadoras do espaço.
Posteriormente, essa camada de fumaça começa a descer para o piso
(preenchimento de piscina invertida).

Figura 2.7 – Movimento da fumaça em um ambiente fechado

Fonte: Le guide national de référence Explosion de Fumées – Embrasement Généralisé Éclair, 2006, apud,
CBMDF, 2009.
29

Milke (2016) afirma que a posição da interface da camada de fumaça está


localizada a certa distância, z, acima do topo do combustível (Fig. 2.8).

Figura 2.8 – Pluma assimétrica

Fonte: SFPE Handbook of Protection Engineering, 2016.

Onde:

H – Altura do pé direito da edificação,


z – Altura livre de fumaça,
z1 – Altura da chama,
d – Diâmetro do incêndio

Uma vez formada a camada de fumaça, sua taxa inicial de descida será muito
rápida, o que se atribui à sua taxa de produção, que depende da altura da pluma
(distância do topo do combustível à camada de fumaça) onde o arrastamento ocorre.
Nesta camada existe uma zona de transição, onde as previsões das correlações
empíricas referem-se à posição da borda inferior, sendo considerada uma camada
total com propriedades uniformes. (MILKE, 2016)

Essas correlações empíricas são baseadas em dados experimentais em


grandes espaços e foram desenvolvidas para determinar a posição da interface da
camada de fumaça em função do tempo para os fogos estáveis, fornecendo
estimativas conservadoras, pois estimam a altura da primeira indicação de fumaça, e
para uma pluma que não tem contato com a parede. (MILKE, 2016)

𝑧 𝑡𝑄̇ 1⁄3 𝐻 −4⁄3


= 1,11 − 0,28 ln ( ) 2.2
𝐻 𝐴⁄𝐻 2
30

E resolvendo para o tempo t, isso se torna.

𝐴 𝐻 4⁄3 [ 1 (1,11− 𝑧 )]
𝑡= 𝑒 0,28 𝐻 2.3
𝐻 2 𝑄̇ 1⁄3

Para a seguinte equação de preenchimento instável, o fogo continua a


crescer durante todo o processo de enchimento.

−3⁄5 −1,45
𝑧 −2⁄5 −4⁄5 𝐴
= 0,91 [𝑡𝑡𝑔 𝐻 ( 2) ] 2.4
𝐻 𝐻

E resolvendo para o tempo t, isso se torna.

⁄ 𝐴 3⁄5 𝑧 −0,69
𝑡= 0,937𝑡𝑔2 5 𝐻 4⁄5 ( ) ( ) 2.5
𝐻2 𝐻

𝑧
Desde que A seja uma constante em relação a H, com 0,2 ≤ 𝐻 ≤ 1,0 e
𝐴
0,9 ≤ 𝐻 2 ≤ 14,

Onde:

z - distância acima da base do fogo até a primeira indicação de fumaça (m)


H – altura do teto acima da base do fogo (m)
t – tempo (s)
tg – tempo de crescimento (s)
A – área transversal do átrio (m2).

O valor da vazão mássica de fumaça pode ser obtido através da potência


calorífica convectiva libertada, conhecendo-se a altura da pluma térmica. Para
alturas da chama menores que a altura limite (z > z1), as chamas se estendem para
a camada de fumaça, a taxa de arraste é estimada usando:

𝑚̇ = 0,032𝑄̇𝑐3 5 𝑧 2.6

Para alturas da chama maiores que a altura limite (z1 ≥ z), isto é, onde a
região flamejante termina antes de atingir a camada de fumaça, a taxa de arraste é
estimada usando:

𝑚̇ = 0,071𝑄̇𝑐1 3 𝑧 5⁄3 + 0,0018𝑄̇𝑐 2.7
31

2.6 HISTÓRICO DO CONTROLE DE FUMAÇA

Como explicado no capítulo anterior, não é incomum para o homem, ao


perder o controle do fogo, gerar grandes tragédias que muitas vezes ficam marcadas
na história da humanidade. Trazendo a memória, por exemplo, o período
compreendido entre o final do século XIX e início do século XX, pode-se perceber
que foi uma época marcada por alguns sinistros que assombraram a sociedade da
época. De acordo com Air Movement and Control Association International Inc.
(AMCA, entre 2000 e 2010) algumas das principais foram:

 1881 – O Ring Theatre, Vienna, 800 mortes,


 1887 – Theatre Royal, Exeter, 187 mortos,
 1887 – Paris Opera, 200 mortos,
 1903 – Iroquois Theatre, Chicago, com 602 mortos.

Esses são apenas alguns exemplos de eventos que antecederam


desenvolvimento dos primeiros sistemas de controle de fumaça, que se na época já
estivessem em pleno funcionamento, evitariam o desenvolvimento completo desses
incêndios, reduzindo a magnitude de seus danos e como consequência, salvando
vidas. Entretanto, a evolução da fabricação dos extratores de fumaça se deu apenas
durante a segunda guerra mundial, para atender as necessidades desse evento.

Os ventiladores eram usados nos incêndios, isso possibilitava que fossem


apagados, mas ainda permitia a entrada de ar no prédio. A partir dessa época foram
desenvolvidos os primeiros ventiladores para uso em edifícios industriais, o
ventilador de teto inclinado, projetados para impedir que a corrente de ar soprasse a
fumaça de volta ao prédio.

Contudo, a necessidade de instalação de um projeto de ventilação contra


incêndio em grandes construções industriais de acordo com Cunha e Martinelli
(2008), só veio à tona a partir de dois grandes incêndios. O primeiro, ocorrido nos
Estados Unidos, em 1953, que matou seis pessoas e destruiu complemente a planta
fabril de Livonia (140.000 m²), pertencente a General Motors (GM), que deixou 55
milhões de dólares de prejuízo.
32

Figura 2.9 – Incêndio na fábrica da GM, 1953.

Fonte: Air Movement and Control Association International Inc. (AMCA), entre 2000 e 2010.

O segundo, ocorreu numa sua fábrica em Coventry, da Automóveis Jaguar


em fevereiro em 1957 (na época o chefe do corpo de bombeiros local afirmou que o
incêndio seria menor se um sistema de controle de fumaça estivesse instalado).

Cunha e Martinelli (2008) declaram que foi a partir do primeiro evento que a
Motores de Vauxhall (subsidiária da GM) solicitou a uma empresa inglesa um estudo
de ventilação de incêndio para sua fábrica em Luton, produzindo um protótipo e
depois a equipando com um sistema completo de controle de fumaça, em 1956. O
que foi de grande valia, pois durante o incêndio de 1963, o sistema permitiu que os
bombeiros locais pudessem atacar o centro do fogo, impedindo sua expansão para a
linha de montagem, o que mostrou a grande utilidade do sistema.

Infelizmente, tragédias foram necessárias para que a importância dos


sistemas de controle de fumaça em edifícios industriais fosse reconhecida,
alavancando a evolução da fabricação e da produção. As saídas automáticas, por
exemplo, só chegaram à Grã-Bretanha depois do incêndio em Coventry. Hoje vemos
a sua expansão para proteger os armazéns em geral, mas estes eram
principalmente para proteção da propriedade.

2.7 RELEVÂNCIA DO CONTROLE DE FUMAÇA

A motivação principal para o desenvolvimento dos sistemas de controle de


fumaça, diferente de outras tecnologias usadas em combate a incêndios, não veio
da redução dos prêmios de seguro, mas, do desejo em manter contínuo o processo
de produção, permitindo que a oferta de serviços e produtos aos clientes não seja
interrompidas, preservando-se assim, o negócio. (CUNHA e MARTINELLI, 2008)
33

Esse benefício foi demonstrado por estatísticas de companhias industriais que


sofreram grandes incêndios (sem proteção por equipamento de ventilação de
incêndio) e não suportaram os danos causados e faliram. O principal objetivo ao
instalar um sistema como este, é proporcionar ao Corpo de Bombeiros local um
acesso seguro ao centro do fogo, através do aumento da visibilidade e redução da
temperatura no interior da edificação, o que permite maior rapidez na extinção do
incêndio, evitando os riscos de um desenvolvimento total do fogo e um posterior
colapso estrutural. (CUNHA e MARTINELLI, 2008)

De modo simplificado, as razões para a instalação de um sistema de controle


de fumaça são: a proteção da propriedade, a segurança da vida dos empregados,
dos bombeiros e do negócio, ou seja, a segurança pública.

Os benefícios proporcionados por um sistema corretamente projetado são tão


indiscutíveis, que as legislações governamentais começaram a exigir um nível
mínimo de controle de fumaça em seus regulamentos. No entanto, é importante
dizer que os exaustores de fumaça têm de ser parte de um sistema integrado, para
obter melhores resultados, trabalhando em conjunto com outros sistemas como
sprinklers, sistemas de supressão, Detectores de fumaça e calor, cortinas de
contenção de fumaça, sistemas de insuflação de ar. (CUNHA e MARTINELLI, 2008)

2.8 MOVIMENTAÇÃO DA FUMAÇA EM UM INCÊNDIO

Uma edificação se resume a um conjunto de espaços, cada qual com


determinado valor de pressão, onde o movimento do ar (e da fumaça) será no
sentido das áreas de maior pressão para as áreas de pressão mais baixa. Na
prática, em um incêndio, há possibilidade de existirem gradientes de pressão em
grandes espaços verticais (como escadas) que gerem diferenças de pressão
significativas, o que, de acordo com Klote (2016), permite que a fumaça viaje do foco
inicial para espaços (adjacentes ou distantes) através de aberturas existentes na
edificação, danificando o patrimônio e ameaçando a vida de seus ocupantes.

Esse gradiente de pressão determina o fluxo de ar (e também a velocidade)


entre os compartimentos da edificação (quanto maior a diferença de pressão, maior
também será o fluxo por ele produzido). Hoje, as principais forças motrizes
causadoras do movimento da fumaça se agrupam da seguinte forma: o efeito
34

chaminé, a flutuabilidade dos gases de combustão, a expansão dos gases de


combustão, o efeito do vento, a ação de pistão ocasionado pelo elevador e o
sistema de ventilação forçada. Normalmente, em um incêndio, o movimento da
fumaça será causado pela combinação de uma ou mais dessas forças motrizes.
(KLOTE, 2016)

2.8.1 Efeito chaminé (Stack effect)

Pinhal (2009) declara que à temperatura interna de um incêndio pode ser


muito superior à externa (temperatura ambiente) o que ocasiona um decréscimo no
valor correspondente à densidade da fumaça. Essa diferença de densidade dentro e
fora de um edifício faz com que a distribuição de pressão do ar no interior da
edificação seja diferente daquela ao ar livre, gerando uma força ascendente que
ocasiona o movimento de subida do ar dentro das aberturas presentes na
edificação, como os poços de elevadores ou as caixas de escadas.

Este fenômeno é conhecido por diversos nomes, entre eles, efeito de


empilhamento, ação de empilhamento ou efeito chaminé. A figura 2.10 mostra que
se o fluxo de ar for de baixo para cima, será chamado de efeito chaminé normal,
sendo maior para baixas temperaturas externas e para eixos altos (também poderá
existir em edificações de um pavimento). Quando o ar externo está mais quente que
o ar do prédio, frequentemente existe um fluxo de ar descendente nos poços. Esse
fluxo de ar descendente é chamado de efeito chaminé reverso. (KLOTE, 2002)

Figura 2.10 – Movimento de ar devido ao efeito de pilha normal e reversa.

Fonte: Stairwell Pressurization Systems, entre 2000 e 2010, modificada.


35

Quando em um eixo conectado ao exterior existir um plano horizontal


localizado em 𝑧 = 0 (plano neutro), onde a pressão interna é igual à externa
(conforme indicado na figura 2.8), com sua localização conhecida, a equação 3.1
poderá ser usada para determinar a diferença de pressão:

1 1 1 1
∆𝑃 = 𝐾𝑠 ( − ) h = 3460 ( − ) h (2.8)
𝑇0 𝑇𝑠 𝑇0 𝑇𝑠

Onde:

∆𝑃 – diferença de pressão entre o shaft e o exterior (Pa),


𝑇0 – temperatura absoluta do ar externo (K),
𝑇𝑠 – temperatura absoluta do ar no interior do shaft (K),
h – distancia acima do plano neutro (m).
𝐾𝑠 – 3460

2.8.2 Efeito da flutuabilidade dos gases da combustão (Buoyancy effect)

De acordo com Klote (2002) uma força de empuxo térmico, que se origina a
partir da redução da densidade dos gases presentes na camada de fumaça devido à
alta temperatura produzida durante um incêndio, é responsável por um movimento
ascendente desta fumaça no interior do compartimento afetado pelo fogo.

Figura 2.11 – Diferença de pressão devido um incêndio na sala totalmente desenvolvido.

Fonte: Handbook of Smoke Control Engineering (2012).

Essa diferença de pressão entre um compartimento de incêndio e seu entorno


poderá ser expressa por uma equação da mesma forma que a equação 2.9.

1 1 1 1
∆P = 𝐾𝑠 ( − ) h = 3460 ( − ) h (2.9)
𝑇0 𝑇𝐹 𝑇0 𝑇𝐹
36

Onde:

∆P – diferença de pressão do compartimento de incêndio para os arredores


em Pa,
𝑇0 – temperatura absoluta do ar externo ao compartimento (K),
𝑇𝐹 – temperatura absoluta do ar no interior do compartimento (K),
h – distancia acima do plano neutro (m).
𝐾𝑠 – 3460

2.8.3 Efeito da expansão dos gases da combustão (Expansion effect)

Em um incêndio ocorrerá também uma grande liberação de energia, levando


à elevação da temperatura no interior do compartimento afetado e a um posterior
aumento no volume dos gases. A pressão gerada, devido às altas temperaturas,
produz uma força responsável pela expulsão dos gases quentes resultantes da
queima pela parte superior de qualquer abertura de ventilação ou através de
quaisquer outros caminhos de fuga adequados. (DRYSDALE, 1999)

Klote (2012) declara que as propriedades térmicas da fumaça podem ser


consideradas iguais as do ar, pois como a massa de combustível é pequena em
comparação com o fluxo de ar, ela poderá ser desprezada. Portanto, a razão de
fluxos volumétricos pode simplesmente ser expressa como uma razão de
temperaturas absolutas.

𝑉𝑒̇ 𝑇𝑒
= (2.10)
𝑉̇𝑖 𝑇𝑖

Onde:

𝑉𝑒̇ – vazão volumétrica de fumaça fora do compartimento de incêndio (m 3/s),


𝑉̇𝑖 – vazão volumétrica de ar no compartimento de incêndio (m3/s),
𝑇𝑒 – temperatura absoluta de fumaça saindo do compartimento de incêndio
(K),
𝑇𝑖 – temperatura absoluta do ar no compartimento de incêndio (K).

2.8.4 Efeito do vento (Wind effect)

De Drysdale (1999) e Pinhal (2010) o efeito do vento sobre a fachada de uma


edificação poderá ser um fator relevante na movimentação da fumaça resultante em
37

um incêndio, pois a diferença de pressão criada pelo seu deslocamento pode gerar
um perfil de pressão ao redor da edificação capaz de influenciar o movimento de
fumaça contida em seu interior.

Figura 2.12 – Efeito do vento em elevação

Fonte: Izquierdo, 2009.

Figura 2.13 – Perfil de pressão criado pelo vento.

Fonte: Izquierdo, 2009.

Essa distribuição externa dependerá de alguns parâmetros como: dimensões


da edificação (principalmente a altura), relação dessa distribuição em planta
(geometria do edifício), permeabilidade das fachadas, velocidade e direção do vento,
características da vizinhança do edifício. (PINHAL, 2010)
A pressão na superfície de um edifício pode ser obtida por:

1
𝑃𝑤 = . 𝐶 . 𝜌 . 𝑣2 (2.11)
2 𝑤 𝑎𝑟 𝐻

Onde:

𝑃𝑤 – pressão do vento (Pa),


𝐶𝑤 – coeficiente de pressão, adimensional,
𝜌𝑎𝑟 – densidade do ar exterior, (𝑘𝑔⁄𝑚3 ),
𝑣𝐻 – velocidade na altura da parede H, (𝑚⁄𝑠).
38

O coeficiente de pressão, Cw (entre – 0,8 a 0,8), dependerá da geometria do


edifício, da direção e obstruções locais do vento, com valores positivos para paredes
de barlavento (o vento sopra em direção à edificação) e valores negativos para
paredes de sotavento (lado oposto da direção de sopro do vento).

2.8.5 Efeito pistão do elevador (Elevator piston effect)

O efeito pistão acontece devido às pressões e fluxos transitórios produzidos


quando a cabina de elevador se movimenta em um poço. O fluxo de ar resultante de
um elevador em movimento descendente é mostrado na figura abaixo. Nela se pode
ver que o efeito pistão pode forçar o ar para fora da seção do eixo abaixo da cabina
e para a seção do eixo acima dela. (KLOTE, 2016)

Figura 2.14 – Fluxo de ar devido ao movimento descendente de uma cabina de elevador.

Fonte: SFPE Handbook of Protection Engineering, 2016.

2.8.6 Efeito do sistema de ventilação forçada (HVAC systems)

O Sistema de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado, do inglês Heating,


Ventilating and Air Conditioning (HVAC) estabelece diferenças de pressão em um
edifício de maneira semelhante e sobreposta às que são decorrentes de forças
naturais. Não é incomum esse sistema transportar a fumaça gerada durante um
incêndio de um espaço para outros da edificação.
39

Klote (2002) afirma que essa característica pode auxiliar na detecção do


princípio de um incêndio, pois ao acontecer em cômodo desocupado, esse sistema
pode transportar a fumaça para espaços onde as pessoas possam ser alertadas
pelo seu cheiro e consequentemente iniciarem a evacuação. Contudo, à medida que
o fogo se desenvolve, o sistema HVAC apresentará dois grandes riscos:

1. A fumaça poderá ser transportada para todas as áreas em que o sistema


esteja interligado, colocando em risco a vida de seus ocupantes.
2. O sistema HVAC poderá fornecer ar para o espaço sinistrado, ajudando a
combustão a chegar ao pleno desenvolvimento.

Essas são as razões pelas quais os sistemas de climatização tradicional


(antes do desenvolvimento do conceito de controle de fumaça) devem ser
desativados ao descobrir-se um incêndio. No entanto, embora o desligamento do
sistema HVAC impeça que ele forneça ar ao fogo, isso não impede o movimento da
fumaça através do fornecimento e devolução de dutos de ar, poços de ar e outras
aberturas de edifícios devido ao efeito de empilhamento, flutuação ou vento.

2.9 PRINCÍPIOS DO GERENCIAMENTO DA FUMAÇA DE UM INCÊNDIO

Fernandes (2008) afirma que um sistema de gerenciamento de fumaça


permite a evacuação dos ocupantes de uma edificação de maneira segura,
reduzindo o risco de uma exposição aos produtos resultantes da combustão. Klote
(2002) acrescenta que esse gerenciamento engloba todos os métodos que interfiram
(de maneira independente ou em combinação) no movimento da fumaça em uma
edificação, beneficiando seus ocupantes, facilitando o trabalho das equipes de
bombeiros e protegendo a propriedade.

Diante disso é importante observar que estes sistemas serão projetados com
a finalidade de modificar, diluir, redirecionar ou influenciar o movimento da fumaça,
mas nunca objetivam limitar seu deslocamento ou sua produção durante um
incêndio. Portanto, deve ser previsto em projeto um caminho através do qual o
movimento da fumaça será conduzido em direção ao exterior da edificação, para
assim, aliviar a pressão de expansão dos gases gerados devido ao calor do fogo.
40

2.9.1 Mecanismos físicos de controle de fumaça

Klote (2016) ensina que os mecanismos físicos (ou métodos) do controle de


fumaça são: compartimentação, diluição, pressurização, fluxo de ar e flutuabilidade.

A. Compartimentação

A compartimentação, sem dúvida alguma, se constitui no método mais antigo


para controlar a propagação do fogo e da fumaça. Ao se fechar uma porta corta fogo
para um compartimento em chamas, por exemplo, não apenas acontece uma
redução considerável no fluxo de fumaça, mas também se diminui a quantidade de
ar que será ofertada ao fogo.

Hoje, esse método de controle passivo está presente em diversos códigos de


proteção contra incêndio espalhados pelo mundo. Ele emprega barreiras de fumaça
(paredes, divisórias, pisos, portas), abafadores de fumaça, aberturas para fumaça,
poços de fumaça e outras barreiras fixas e/ou mecânicas que podem se utilizadas
pelos sistemas de controle de fumaça, de maneira isolada ou em conjunto com
fluxos de ar e diferenças de pressão geradas por ventiladores mecânicos, para
gerenciar esse produto da combustão.

A Figura 2.15 ilustra uma diferença de pressão através de uma barreira que
age no controle do movimento da fumaça. Dentro da barreira há uma porta, onde o
lado de alta pressão desta contenção pode ser uma área de refúgio ou uma rota de
fuga, enquanto o lado de pressão mais baixa é exposto a fumaça de um incêndio. O
fluxo de ar através das aberturas ao redor da porta ou de outras rachaduras na
edificação impede a infiltração de fumaça para o lado de alta pressão.

Figura 2.15 – Diferença de pressão através de uma barreira pode controlar o fluxo de fumaça.

Fonte: SFPE Handbook of Protection Engineering, 2016.


41

Ao se abrir a porta da barreira o ar irá circular por ela e no caso da sua


velocidade ser muito baixa a fumaça poderá fluir contra o fluxo de ar para a área de
refúgio ou rota de fuga, conforme mostrado na Figura 2.16.

Figura – 2.16 – Diferença de pressão através de uma barreira aberta.

Fonte: SFPE Handbook of Protection Engineering, 2002.

Este refluxo de fumaça pode ser evitado se a velocidade do ar for


adequadamente projetada, sendo a magnitude da velocidade necessária para
impedir o refluxo dependente da taxa de liberação de energia do fogo.

B. Diluição

De acordo com Klote (2002) este método, também conhecido como purga,
remoção, exaustão ou extração de fumaça, tem como objetivo eliminar a fumaça dos
espaços que devam ser protegidos de sua infiltração, a partir do fornecimento de ar
externo por meio do sistema HVAC, ajudando assim, a manter concentrações
aceitáveis de gases e partículas nesses locais.

Idealmente, durante a evacuação, as portas permanecerão abertas por curtos


períodos de tempo e a fumaça que adentrar estes espaços poderá ser controlada
por meio da diluição. Alguns exemplos de utilização desse método são a limpeza da
fumaça que se infiltra em rotas de fuga (como um corredor) ou seu uso pelos
serviços de emergência contra incêndio na remoção da fumaça residual após a
extinção de um incêndio (figura 2.17).
42

Figura 2.17 – Uso da diluição para remoção de fumaça.

Fonte: GSIUINITAU – USP

C. Pressurização

Klote (2016) declara que pressurização é o uso de diferenças de pressão de


ar através de barreiras para controlar o movimento da fumaça. O seu principal
objetivo é manter um ambiente sustentável nas rotas de saída da edificação por
meios mecânicos (ventiladores) produzindo uma diferença de pressão, de tal modo,
que a fumaça contida no lado de baixa pressão seja impedida de migrar para o lado
de alta pressão.

Figura 2.18 – Diferença de pressão para o fogo totalmente envolvido

Fonte: SFPE Handbook of Protection Engineering, 2016.

Os sistemas de controle de fumaça por pressurização são comumente usados


em escadas de emergência, elevadores e controle de fumaça por zonas.

D. Fluxo de ar (Airflow)

De acordo com Klote (2016) o fluxo de ar é amplamente utilizado para


controlar o fluxo de fumaça durante incêndios em túneis de metrôs, ferrovias e
rodovias. Teoricamente, o fluxo de ar pode ser usado para impedir a entrada de
fumaça em qualquer espaço. No entanto, os dois locais onde a velocidade do ar é
mais comumente usada para controlar o movimento da fumaça são portas abertas e
corredores.
43

Figura 2.19 – O fluxo de ar pode controlar o fluxo de fumaça.

Fonte: SFPE Handbook of Protection Engineering, 2016.

E. Flutuabilidade (Buoyancy)

Os sistemas de exaustão de fumaça dependem do efeito da flutuação dos


gases quentes da combustão para que uma nuvem de fumaça se forme acima do
fogo, afastando-a dos ocupantes da edificação. Esta forma de controle de fumaça,
chamada de gerenciamento de fumaça de átrio, é comumente aplicada em grandes
espaços, como átrios e shopping centers cobertos, com ou sem a utilização de um
ventilador.

Figura 2.20 – Uso da flutuabilidade para extração de fumaça.

Fonte: SFPE Handbook of Protection Engineering, 2016.

Segundo Klote (2016), não há dúvida de que o fluxo do aspersor (sprinklers)


presente nos átrios resfriará a fumaça, reduzindo a flutuabilidade e, portanto, a
eficácia dos sistemas de controle de fumaça, contudo, não se sabe até que ponto.
No entanto, mesmo com a necessidade de pesquisas mais amplas nesta área, as
informações existentes podem ser usadas para desenvolver novas informações de
projeto para sistemas de ventilação com exaustores.
44

2.10 LEGISLAÇÃO DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO

A fiscalização das edificações e áreas de risco pelos Corpos de Bombeiros


Militares (CBM) tem sido um assunto muito comentado atualmente devido às
tragédias recentes que ocorreram no país. Eventuais deslizes no processo de
desenvolvimento e execução de projetos e na atividade de fiscalização sujeitam
proprietários, projetistas e bombeiros militares a responder judicialmente por seus
atos, a exemplo do que ocorreu no caso da Boate Kiss, no Rio Grande do Sul.

2.10.1 Legislação regulamentadora

Dentro do aspecto legal da regulamentação, pode-se perceber que a


responsabilidade por todo o arcabouço jurídico que engloba a segurança contra
incêndio não estará concentrada em uma única esfera do Poder Público, diluindo-se
através das demais.

Para compreender esse “emaranhado” legal, primeiro, é preciso ter em mente


a hierarquia das normas, através do que a doutrina denomina pirâmide de Kelsen,
que é utilizada para explicar o escalonamento normativo jurídico brasileiro. No topo
encontra-se a constituição, que é o fundamento de validade de todas as demais
normas (as quais são denominadas infraconstitucionais).

Figura 2.21 – Hierarquia das normas (Pirâmide de Kelsen)

Fonte: Autoria própria.

Abaixo estão as normas infraconstitucionais (leis complementares, ordinárias


e delegadas), as medidas provisórias, os decretos legislativos, as resoluções
legislativas, os tratados internacionais em geral incorporados ao ordenamento
jurídico e os decretos autônomos. Lembrando que as leis federais, estaduais,
distritais e municipais possuem o mesmo grau hierárquico, sendo que, em um
45

eventual conflito entre elas, a solução dependerá da repartição constitucional de


competências e não por um critério hierárquico.
Finalmente, abaixo das leis encontram-se as normas infralegais, que são
normas secundárias, que não tem poder de gerar direitos, nem, tampouco, de impor
obrigações, não podendo contrariar as normas primárias, sob pena de invalidação. É
o caso, por exemplo, dos decretos regulamentares, das portarias e das instruções
normativas.

2.10.2 Legislação a nível federal

A Constituição Federal, em seu artigo 144, § 5º, declara que aos Corpos de
Bombeiros Militares (CBM’s) incumbirá, além das atribuições definidas em lei,
também a execução de atividades de defesa civil.

As atividades de defesa civil são integradas por várias ações preventivas, de


socorro, assistenciais e recuperativas, executadas através do Sistema Nacional de
Proteção e Defesa Civil (SINPDEC), que é composto por órgãos e entidades da
administração pública das esferas federal, estadual, distrital e municipal, além de
entidades da sociedade civil.

Em relação às atribuições definidas em lei, no âmbito federal, a Lei nº


13.425/17 (“lei Kiss”), estabeleceu diretrizes gerais sobre medidas de prevenção e
combate a incêndio e a desastres em estabelecimentos, edificações e áreas de
reunião de público. Lembrando que na referida lei para que não houvesse choque de
competências legislativas, é cabível sua suplementação por parte dos Estados, dos
Municípios e do Distrito Federal, conforme estabelece seu art. 7º e respectivo
parágrafo, que diz:

Art. 7º – As diretrizes estabelecidas por esta Lei serão suplementadas por


normas estaduais, municipais e do Distrito Federal, na esfera de
competência de cada ente político.
Parágrafo único. Os Estados, os Municípios e o Distrito Federal deverão
considerar as peculiaridades regionais e locais e poderão, por ato motivado
da autoridade competente, determinar medidas diferenciadas para cada tipo
de estabelecimento, edificação ou área de reunião de público, voltadas a
assegurar a prevenção e combate a incêndio e a desastres e a segurança
da população em geral.

Dentro desse aspecto normativo, neste trabalho, é importante mencionar a


atribuição legal de fiscalização de edificações e áreas de risco (o poder de polícia)
46

dos CBM’s para atuar preventivamente na fiscalização do cumprimento das medidas


de segurança contra incêndios, previstas em normas de segurança contra Incêndio,
independentemente de solicitação do particular. A lei Kiss, a esse respeito, ratificou
essa competência de fiscalização, estabelecendo em seu art. 3º e § 1º, que diz:

Art. 3º – Cabe ao Corpo de Bombeiros Militar planejar, analisar, avaliar,


vistoriar, aprovar e fiscalizar as medidas de prevenção e combate a incêndio
e a desastres em estabelecimentos, edificações e áreas de reunião de
público, sem prejuízo das prerrogativas municipais no controle das
edificações e do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano e das
atribuições dos profissionais responsáveis pelos respectivos projetos.

É evidente que para a execução dessa fiscalização, foi preciso munir esses
agentes públicos com as ferramentas coercitivas disponíveis no âmbito
administrativo para a execução dessa tarefa:

1º – Inclui-se nas atividades de fiscalização previstas no caput deste artigo a


aplicação de advertência, multa, interdição e embargo, na forma da
legislação estadual pertinente.

2.10.3 Legislação a nível estadual

A respeito das atribuições do CBMPA a constituição do Estado do Pará


declara que:

Art. 200 – O Corpo de Bombeiros Militar é instituição permanente, força


auxiliar e reserva do Exército, organizado com base na hierarquia e
disciplina militares, subordinando-se ao Governador do Estado e
competindo-lhe, dentre outras atribuições previstas em lei, executar:
I - serviço de prevenção e extinção de incêndios, de proteção, busca e
salvamento.

Ainda sob a ótica normativa, contudo, fazendo um recorte em relação aos


sistemas de controle de fumaça (tema tratado neste trabalho) o decreto estadual nº
2230/2018, institui, no âmbito do Estado do Pará, o Regulamento de Segurança
Contra Incêndio e Emergências das Edificações e Áreas de Risco (RSCIE),
estabelecendo que:

Art. 56. Os objetivos do Sistema de Controle de Fumaça e Gases são:


I - manter um ambiente seguro dentro da edificação durante o tempo
necessário previsto em Instrução Técnica, para o abandono do local
sinistrado, evitando os perigos da intoxicação e falta de visibilidade pela
fumaça;
II - controlar e reduzir a propagação de gases quentes e fumaça entre a
área incendiada e áreas adjacentes, baixando a temperatura interna e
limitando a propagação do incêndio;
III - prever condições dentro e fora da área incendiada que auxiliarão nas
operações de busca e resgate de pessoas; e
47

IV - garantir que a edificação esteja equipada com meios adequados de


ventilação para tiragem de calor e fumaça do incêndio de forma natural ou
mecânica.

Com respeito aos requisitos desses sistemas, o decreto que diz:

Art. 57. Os requisitos do Sistema de Controle de Fumaça e Gases serão


estabelecidos através de Instrução Técnica para edificações que possuem
átrios, halls, subsolos, espaços amplos e rotas horizontais.

Em consonância com o que prevê a legislação atualmente em voga e tendo


como fulcro a necessidade de atender a este artigo supracitado foi publicada em
2019 uma Instrução Técnica (IT) pelo Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBMPA):
INSTRUÇÃO TÉCNICA 09 – CONTROLE DE FUMAÇA E GASES.

2.11 TIPOS DE SISTEMAS DE CONTROLE DE FUMAÇA

De acordo com a Instrução Técnica 09 (2019), “para definição do tipo de


sistema de controle de fumaça a ser projetado deverão ser observadas as
características da edificação e qual tipo de sistema se aplica”. Ainda, segundo a
mesma norma "o tipo de sistema de controle de fumaça é definido pelo mecanismo
adotado para a entrada de ar e a extração de fumaça”, sendo que na figura 4.2 pode
ser visto todas as possibilidades à disposição do projetista.

Figura 2.22 – Tipo de sistema segundo a entrada de ar e a extração de fumaça

Fonte: IT 09 – Controle de Fumaça e gases – Parte I, CBMPA, 2019.

2.11.1 Entrada de ar mecânica

Sem sobra de dúvida, as aberturas para a entrada de ar e extração de


fumaça, são os pontos mais relevantes a serem levados em consideração para um
48

sistema de controle de fumaça mecânico. Em relação à entrada de ar mecânica a IT


09 (2019) declara:

5.11.2.1 A entrada de ar mecânica pode ser composta por abertura de ar


por insuflação mecânica por meio de grelhas e/ou dutos.

A instrução técnica, ainda, declara que a abertura para entrada mecânica de


ar deve atender aos itens abaixo:

9.4.1 Ser realizadas por aberturas de insuflação ligadas aos ventiladores


por meio de dutos.
9.4.2 As aberturas de insuflação deverão ser posicionadas no terço inferior
do acantonamento, visando evitar turbulências que podem espalhar a
fumaça ou o fogo.
9.4.3 Preferencialmente a abertura para introdução de ar deve ter a sua
parte mais alta a menos de 1,0 m do piso do pavimento.
9.4.4 Para efeito de dimensionamento, a velocidade do ar nas aberturas de
insuflação deve ser inferior a 5,0 m/s, e sua vazão volumétrica deve ser da
ordem de 60% da vazão das aberturas de extração de fumaça, à
temperatura de 20ºC.

2.11.2 Extração mecânica de fumaça

Com relação à extração mecânica de fumaça, a referida norma afirma que


esta poderá ser composta por:

a. Duto e peças especiais;


b. Grelha de extração de fumaça em dutos;
c. Mecanismos elétricos, pneumáticos e mecânicos de acionamento dos
dispositivos de extração de fumaça.
d. Registro corta-fogo e fumaça;
e. Ventiladores de controle mecânico de fumaça;

A extração mecânica de fumaça deve atender aos seguintes itens:

9.5.1 A abertura para extração de fumaça deve ter a sua parte mais baixa
no mínimo a 2,0 m do piso do pavimento, e serem situadas no terço
superior da altura de referência.
9.5.2 A extração poderá ser realizada por dispositivos ligados aos
ventiladores por intermédio de dutos ou por ventiladores instalados
diretamente na área a proteger.
9.5.3 A extração deve ser acionada automaticamente por um sistema de
detecção de fumaça.

2.11.3 Componentes do sistema tipo 2 (Controle mecânico)

Com relação à extração mecânica de fumaça, a referida norma afirma que


esta poderá ser composta por:
49

A. Áreas de acantonamento

De acordo com o que versa a IT 09 (2019), uma edificação que necessite de


um sistema de controle de fumaça deverá ser subdividida em acantonamentos
(figura 4.3), cada qual com área máxima 1.600 m² e com comprimento de no máximo
60 metros. Esses acantonamentos se aplicam a três categorias de edificações:
edificações térreas; grandes áreas isoladas em um pavimento; edificações que
possuam seus pavimentos isolados por lajes.

Figura 2.23 – Acantonamento

Fonte: IT 15 CBPMESP – Controle de fumaça, Parte 1, 2019.

A Instrução técnica, ainda declara que, se pode delimitar um acantonamento


por: painéis e/ou barreiras de fumaça; pela própria configuração do telhado; pela
compartimentação da área, desde que a área compartimentada atenda aos
parâmetros de área e comprimento.

B. Áreas de abertura para insuflação

Em relação as área de abertura a IT 09 (2019) declara:

6.3.1 As áreas das aberturas destinadas a entrada de ar devem se situar na


zona livre de fumaça no ponto mais baixo possível.
6.3.2 A soma das áreas destinadas à entrada de ar deve ser ao menos igual
àquelas destinadas a extração de fumaça.
6.3.2.1 As áreas de entrada de ar poderão ser inferiores às exigidas para a
extração de fumaça desde que seja comprovada a vazão necessária para
garantir o fluxo constante de troca de volume de ar na edificação.
50

C. Dutos

De acordo com a IT 09 (2019), os dutos dos sistemas de controle de fumaça


mecânico devem atender às seguintes características:

a. Ser construídos em materiais incombustíveis e ter resistência interna à


fumaça e gases quentes de 60 minutos;
b. Ter resistência externa a fogo por 60 minutos, quando fizer parte de um
sistema utilizado para extrair fumaça de diversos ambientes ou quando
utilizado para entrada de ar;
c. Apresentar estanqueidade satisfatória do ar;
d. Ser dimensionado para uma velocidade máxima de 10 m/s quando for
construído em alvenaria ou gesso acartonado;
e. Ser dimensionado para uma velocidade máxima de 15,0 m/s quando for
construído em chapa metálica.

Já em relação às exigências devido à exposição a altas temperaturas, a


norma diz que:

6.5.3 Para o cálculo da resistência interna do duto, a fumaça deve ser


considerada à temperatura de 70ºC quando a edificação for dotada de
sistema de chuveiros automáticos e 300ºC nos demais casos e o ar exterior
à temperatura de 21ºC, com velocidade nula.
6.5.4 Quando os dutos atravessarem paredes de compartimentação ou lajes
entre pavimentos compartimentados deverá ser instalado registro corta fogo
(dampers) na passagem, com o mesmo tempo de resistência ao fogo,
conforme parâmetros [...] da IT 02 – Restrição ao Surgimento e Propagação
de Incêndio.
6.5.5 Os dutos utilizados para o transporte de fumaça a 70ºC deverão ser
construídos em chapa de aço galvanizada obedecendo às recomendações
da NBR 16401.
6.5.6 Os dutos utilizados para o transporte de fumaça a 300ºC devem ser
construídos em chapa de aço carbono com bitola mínima 16 MSG, de
construção soldada nas juntas longitudinais e flangeadas nas juntas
transversais, com vedação resistente à fumaça e gases quentes por 60
minutos.

D. Grelhas e venezianas entre compartimentos

Segundo a norma de controle de fumaça:

6.6.1 As grelhas e venezianas, utilizadas na condução de ar, devem ser de


materiais incombustíveis, podendo conter dispositivos corta-fogo (dampers)
quando necessário.

A distribuição de grelhas de extração de fumaça em espaços amplos da


seguinte forma:

9.6.13.2 As grelhas devem ser distribuídas no ambiente de forma mais


2
uniforme possível, obedecendo ao mínimo de uma grelha a cada 300 m de
área de abrangência.
9.6.13.3 A quantidade de grelhas para Sistema de Controle de Fumaça
mecânico deverá considerar a vazão de fumaça definida na Tabela A1
(Anexo A).
51

E. Circuito elétrico

Para o circuito elétrico a norma declara


6.7.1 Os circuitos de alimentação [...] devem ser independentes [...] e
protegidos de forma que qualquer ruptura, sobre tensão ou defeito de
isolamento num circuito não danifique ou interfira em outros circuitos.
6.7.2 Os circuitos de alimentação dos ventiladores de controle de fumaça
devem ser dimensionados para as maiores sobrecargas que os motores
possam suportar e protegidos contra curto-circuito.
6.7.3 As canalizações elétricas, embutidas ou aparentes, dos circuitos de
alimentação do controle de fumaça mecânico devem ser constituídas e
protegidas por elementos que assegurem, em caso de incêndio, a sua
integridade durante o tempo mínimo de 2 h.

F. Sistema de comando

Conforme a IT 09 (CBMPA, 2019)

6.8.1 Na ausência de aberturas permanentes para entrada de ar e extração


de fumaça, as instalações de controle de fumaça devem ser dotadas de
dispositivo de destravamento por comandos automáticos duplicados por
comandos manuais, assegurando as seguintes funções:
a. [...];
b. [...];
c. Interrupção das operações das instalações de ventilação ou de
tratamento de ar, quando existirem, a menos que essas instalações
participem do controle de fumaça;
d. Partida dos ventiladores utilizados nos sistemas de controle de fumaça
mecânico.
6.8.2 Os dispositivos de abertura com comando manual devem ser de
funcionamento mecânico, elétrico, eletromagnético, pneumático ou
hidráulico e acionável por comandos dispostos na proximidade dos acessos
aos locais, duplicados na central de segurança, portaria ou local de
vigilância de 24 h.
6.8.3 [...] devem compreender detectores de fumaça e calor, instalados nos
locais, ou nas circulações, atuando em dispositivos de acionamento
eletromecânicos.
6.8.4 Nas instalações dotadas de comando automático deve ser assegurada
a entrada em funcionamento do Sistema de Controle de Fumaça no local
sinistrado, permanecendo, entretanto, a possibilidade do acionamento por
comando manual nas áreas adjacentes.
6.8.4.1 A regra citada no item 6.8.4, pode ser desconsiderada desde que
seja justificada pelo Responsável Técnico que a abertura do controle de
fumaça dos acantonamentos adjacentes se torne imprescindível ao
funcionamento do sistema.
6.8.6 Nos locais equipados com chuveiros automáticos, deve ser
assegurado que as instalações de controle de fumaça entrem em
funcionamento antes daqueles.
6.8.7 Os sistemas de comando das instalações de controle mecânico
devem assegurar que os ventiladores de extração de fumaça só entrem em
funcionamento após a abertura dos registros de entrada de ar e de extração
de fumaça do espaço sinistrado.
6.8.8 O comando de partida dos ventiladores não deve ser efetuado por
intermédio de contatos de fim de curso nas venezianas e registros.
52

Para a fonte de alimentação elétrica a norma declara:

6.9.1 A alimentação dos ventiladores do Sistema de Controle de Fumaça e


dos atuadores das aberturas automáticas / automatizadas deve ser feita a
partir do quadro geral do edifício por:
a. Conjunto de baterias (nobreak), quando aplicável;
b. Grupo Moto Gerador (GMG).
6.9.2 Caso o Sistema de Controle de Fumaça seja alimentado por grupo
moto-gerador, este deve ter a sua partida automática com comutação
máxima de 15 segundos, em caso de falha de alimentação de energia da
rede pública.
6.9.3 Caso o Sistema de Controle de Fumaça seja alimentado por baterias
de acumuladores, estas devem:
a. Apenas alimentar as instalações que possuam potência compatível com
a capacidade das baterias;
b. Ser constituídas por baterias estanques, dotadas de dispositivos de
carga e regulagem automáticas, que devem na presença de energia da
fonte normal, assegurar a carga máxima dos acumuladores e após
descarga por falha de alimentação da energia da rede, promover a sua
recarga automática no prazo máximo de 30 h.
6.9.4 O tempo de autonomia deve ser de 60 minutos.

Para o registro corta fogo e fumaça (dumpers) a norma declara:

6.10.1 [...] devem ter dispositivo de fechamento e abertura conforme a


necessidade que a situação exige, baseada na lógica de funcionamento do
Sistema de Controle de Fumaça implantado.
6.10.2 [...] deve estar vinculado ao sistema de detecção.
6.10.3 Deve ter a mesma resistência ao fogo do ambiente onde se encontra
instalado, possuindo resistência mínima de 60 minutos.
6.10.4 Devem permitir as mesmas vazões dos dutos (insuflação e extração)
de onde se encontram instalados.

Para os ventiladores de extração de fumaça e entrada de ar

6.11.1 [...] devem resistir, sem alterações sensíveis do seu regime de


funcionamento, à passagem de fumaça durante o tempo mínimo de 60
minutos.
6.11.2 Os dispositivos de ligação dos ventiladores aos dutos devem ser
constituídos por materiais incombustíveis e estáveis.
6.11.3 A condição [...] (em funcionamento/parado) deve ser sinalizada na
central de segurança, portaria ou local de vigilância de 24 h.
6.11.4 Para áreas superiores a 1.600 m² devem ser previstos ventiladores
em duplicata tanto para extração de fumaça quanto para entrada de ar, com
reversão automática em caso de falha no equipamento operante.

2.11.4 Parâmetro para o dimensionamento do sistema tipo 2

De acordo com a instrução Técnica 09, alguns fatores que podem influenciar
no dimensionamento de um sistema de controle de fumaça tipo 2 como:

 Espessura da camada de fumaça


9.6.10.1 Para edificações que não possuam armazenamento elevado
(acima de 1,5 m), a espessura da camada de fumaça não pode ser menor
que 15% da altura da edificação.
53

 Temperatura do ambiente;
9.6.11.1 Para fins de cálculo, deve ser prevista uma temperatura ambiente
de 20ºC.

 Temperatura da camada de fumaça;


9.6.12.1 Para fins de dimensionamento, deve ser prevista a temperatura da
camada de fumaça de:
a. 70ºC quando a edificação for dotada de proteção por sistema de
chuveiros automáticos;
b. 300ºC quando a edificação não for dotada de proteção por sistema de
chuveiros automáticos, nebulizadores, etc.

A IT 09 (2019) declara que “Os parâmetros do sistema de controle mecânico


de fumaça (Tipo 2) deverão ser obtidos utilizando-se a sequência de fatores,
cálculos, e Tabelas”, sendo que a extração:

a) Tamanho do incêndio

Segundo a IT 09 (2019) este parâmetro dependerá do tipo de queima


esperada e do estabelecimento de uma queima estável para que o mesmo seja
mantido em um determinado tamanho. Quando a edificação é protegida por
chuveiros automáticos, o tamanho do incêndio será conforme tabela abaixo:

Tabela 2.2 – Dimensões do incêndio


Tamanho do Perímetro
Categorias de Risco Área (m²)
Incêndio (m) (m)
Baixo (Até 300 MJ/m²) 3,0 x 3,0 12 9
Médio (de 300 a 1.200 MJ/m²) 4,0 x 4,0 16 16
Alto (acima de 1.200 MJ/m²) 6,0 x 6,0 24 36
Fonte: IT 09 CBMPA – Controle de fumaça, 2010.

b) Taxa de liberação de calor

A taxa de liberação de calor total (Qt) é obtida pelo produto do tamanho do


incêndio (Ia) pela taxa de liberação de calor (Q’) que será obtida através da tabela A1
do anexo a, conforme a equação 2.12 mostrada abaixo:

Qt = Ia x Q′ 2.12

Onde:

Qt – taxa de liberação de calor total.


Q’ – taxa de liberação de calor (Tabela 4.2).
Ia – tamanho do incêndio.
54

Tabela 2.3 – Taxa de liberação de calor

OCUPAÇÕES TAXA DE LIBERAÇÃO DE CALOR kW/m²


Residencial 228
Serviços de hospedagem 500
Comercial 500
Serviços profissionais 228
Educacional 350
Local de reunião pública 500
Serviços automotivos 500
Fonte: Adaptado da IT 09, CBMPA, Tabela A8, 2019.

c) Altura da camada de fumaça

Conforme a IT 09 (2019):

9.6.4.1 Uma altura livre de fumaça deve ser projetada de forma a garantir o
escape das pessoas.
9.6.4.2 A altura livre devido à presença do jato de fumaça pode alcançar no
máximo 85% da altura do pavimento/edificação, devendo estar no mínimo a
2,0 m acima do piso.

d) Tempo para a camada de fumaça descer até a altura de projeto

Como já citado anteriormente, a norma declara:

9.6.5.1 A posição da interface da camada de fumaça a qualquer tempo pode


ser determinada pelas relações que reportam a três situações:
a. Quando nenhum sistema de extração de fumaça está em operação;
b. Quando a vazão mássica de extração de fumaça for igual ou superior à
vazão fornecida à coluna da camada de fumaça;
c. Quando a vazão de extração de fumaça for menor que a vazão
fornecida à coluna da camada de fumaça.

Para definição da posição da camada de fumaça com nenhum sistema de


extração em funcionamento deverão ser utilizados os seguintes parâmetros:

 Queima estável

A altura das primeiras indicações da fumaça acima da superfície do piso (z)


poderá ser estimada a qualquer tempo (t), pela equação 2.2.

 Queima instável

Para estimar o tempo necessário para se atingir a altura de projeto da


camada de fumaça acima do piso em uma condição instável, poderá ser utilizada a
equação 2.4.
55

Existe, ainda, um aspecto muito importante previsto na IT 09 (2019) sobre


essas estimativas que é:

Notas:
(1) As Equações [...] avaliam a posição da camada a qualquer tempo depois
da ignição, onde os cálculos abrangem z/H > 1,0.
(2) Na Equação “tg” é o intervalo de tempo para a ativação efetiva dos
meios de detecção e supressão, ou o intervalo de tempo até para que a
taxa de liberação de calor do incêndio atinja 1.055 W.

e) Altura da chama

Como já abordado anteriormente, para determinar este parâmetro deve-se


utilizar a equação 2.1.

f) Vazão mássica de fumaça

De acordo com a IT 09 (2019), “Para definição da posição da camada de


fumaça com o sistema de extração em funcionamento deverão ser observadas as
seguintes condições”:

1. As vazões mássicas de extração de fumaça e à vazão mássica de fumaça


fornecida pelo incêndio são iguais:
a. Depois que o sistema de extração estiver operando por um determinado
período de tempo, será estabelecido uma posição de equilíbrio na altura
da camada de fumaça em relação ao piso, desde que a vazão mássica
de extração seja igual à vazão mássica fornecida pela coluna à base do
fogo;
b. Uma vez determinada esta posição, deve ser mantido o equilíbrio,
desde que as vazões mássicas permaneçam iguais.

2. Para vazão mássica de extração de fumaça diferente da vazão mássica de


fumaça fornecida pelo incêndio:
a. No caso em que a vazão mássica (m) fornecida pela coluna de fumaça
à base do fogo for maior que a vazão mássica de extração (me), as
Equações [...] deverão ser utilizadas com o valor de correção constante
da Tabela [...].

Ainda, segunda a norma, podem ocorrer duas condições quando se quer


determinar a vazão mássica gerada por um incêndio:

a. Altura da camada de fumaça(z) ser superior à altura (z1) da chama, ou


seja: (z > z1);
b. Altura da camada de fumaça (z) igual ou inferior à altura (z1) da chama,
ou seja: (z ≤ z1).
56

As duas condições já foram abordadas no decorrer deste trabalho, tendo


inclusive expostos as equações pertinentes ao tema, contudo é preciso aprofundar o
aspecto ligado ao cálculo da vazão volumétrica a ser extraída, que poderá ser
realizado através da equação 2.13:

𝑚̇
𝑉̇ = 2.13
𝜌

Onde

𝑉̇ – a vazão volumétrica, 𝑚³⁄𝑠,


𝑚̇ – a vazão mássica, 𝑘𝑔⁄𝑠,
𝜌 – densidade da fumaça, em 𝑘𝑔⁄𝑚³, de acordo com a temperatura adotada.

A instrução técnica 09, ainda esclarece que:

9.6.8.2 Para compensar os possíveis vazamentos nos registros de


trancamento, deve ser previsto um coeficiente de vazamento mínimo de
25% a ser acrescido sobre o resultado da Equação [...] para a seleção dos
ventiladores e dimensionamento dos dutos principais de extração de
fumaça.

2.12 CONSIDERAÇÕES ENTRE A LEGISLAÇÃO ANTERIOR E A ATUAL

Deve-se observar que o decreto 357 de 2007, que antecedeu o decreto 2.230
de 2018, não previa o controle de fumaça entre as 22 medidas de medidas de
proteção contra incêndio e pânico das edificações e áreas de risco, apenas existindo
a previsão de que outras medidas previstas em IT’s seriam obrigatórias. Contudo
durante os 11 anos de vigência desta normativa a IT sobre o assunto não foi editada
pelo Corpo de Bombeiros Militar do Pará.

Cabe ainda, ressaltar que a inclusão da medida de controle de fumaça só veio


se fazer presente com maior frequência nos regulamentos de segurança Estaduais a
partir da tragédia da boate Kiss, sendo portanto uma medida completamente nova
na legislação do Estado do Pará.
57

3 METODOLOGIA

3.1 DESCRIÇÃO DA EDIFICAÇÃO

O objeto de estudo deste trabalho é o auditório Benedito Nunes, o


“hangarzinho”, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Atualmente constitui-se no
maior auditório em concentração de público do Estado (1004 pessoas), possuindo
uma área de 821,95 m², um só andar, com detectores de fumaça, mas a sem
proteção por chuveiros automáticos.

Fotografia 3.1 – Auditório Benedito Nunes.

Fonte: UFPA, 2016.

Para o dimensionamento do sistema de controle de fumaça, foi estimada para


a edificação uma altura máxima de 6 m e mínima de 2 m (pé direito médio de 4 m).
Considerou-se (para efeito de facilitação de cálculos) o auditório como uma
edificação retangular de 40 m de comprimento por 20 m de largura, totalizando uma
área de 800 m² (próxima da área real).
58

Fotografia 3.2 – Interior do auditório Benedito Nunes

Fonte: UFPA, 2019.

3.2 DESCRIÇÃO DA INSTALAÇÃO DE INSUFLAÇÃO E EXTRAÇÃO

A IT 09 (CBMPA, 2019) exige para um auditório (F-5) com uma população


maior que 500 pessoas (tabela A1 do anexo A) a instalação de um sistema de
controle de fumaça (tipo 1, 2 ou 3). Contudo, a norma declara (o item 5.10.3) não ser
permitido o sistema tipo 1 quando a área de abertura de entrada de ar for menor que
a da saída da extração de fumaça (neste caso o projetista escolherá entre os
sistemas 2 ou 3).

Para o gerenciamento da fumaça produzida em um possível incêndio nesta


edificação, apresenta-se como solução preventiva um sistema tipo 2 (com entrada
de ar e extração de fumaça mecânicas), uma vez que Macintyre (1990) declara que
com este tipo de sistema consegue-se um melhor controle da qualidade da entrada
de ar e também, uma melhor distribuição deste fluido no recinto.

A representação esquemática da entrada de ar com o número de bocas de


insuflamento (a menos de 1 m do piso) e da extração de fumaça, também com
número de pontos de captação, ambas mecânicas, estão no apêndice xx.
59

3.3 PARÂMETROS NECESSÁRIOS PARA CALCULAR A VAZÃO DE


INSUFLAÇÃO DE AR E DE EXTRAÇÃO DE FUMAÇA

Para o cálculo da vazão de insuflação de ar e extração de fumaça, primeiro


será necessário obter alguns parâmetros iniciais:

1. Dados do ambiente

a) Local de reunião de público: Auditório (F-5);


b) Área: A = 800 m²;
c) Dimensões:
 Comprimento de 40 m;
 Largura = 20 m;
 Altura (H) = 4,0 m (Pdmin = 2,00 m e Pdmáx = 6,00 m).

d) Edificação não protegida por chuveiros automáticos;


e) Edificação protegida por sistema de detecção;
f) Capacidade: 1004 pessoas (998 e 6 cadeirantes).

2. Dados para pré-projeto

a) Classificação do risco da edificação

Para a obtenção do risco de incêndio da edificação deve-se primeiro consultar


o anexo A da IT 02, Parte IV (carga de incêndio das edificações e área de risco)
para cinemas, teatros e similares (auditórios) e posteriormente utilizar a tabela 3.1
(tabela 3 da IT 01 – Parte I do CBMPA, 2019).

Tabela 3.1 – Classificação quanto ao risco.

Matriz de risco de incêndio e emergência

Carga de incêndio
Número de ocupantes
(cálculo da população) Acima de 300 MJ/m²
Até 300 MJ/m² até 1200 MJ/m² Acima de 1200 MJ/m²

Até 500 Risco Baixo Risco médio Risco Alto

Acima de 500 até 1000 Risco médio Risco médio Risco Alto

Acima de 1000 Risco Alto Risco Alto Risco Alto


Fonte: Adaptado da IT 01 (Tabela 3), CBMPA, 2019.
60

b) Dimensões do incêndio esperado

O tamanho do incêndio dependerá do tipo de queima esperada, pois ao se


estabelecer uma queima estável o mesmo deverá ser mantido em um determinado
tamanho. Como a IT 09 (CBMPA, 2019) não indica explicitamente como deve ser o
procedimento para a obtenção do tamanho do incêndio no caso de uma edificação
não protegida por chuveiros automáticos, adotou-se o que está previsto na IT 15 do
CBPMESP (2019) que prevê o uso da tabela 2.2 (tabela 10 na referida IT 15) para
todas as edificações. Portanto, de posse do risco da edificação pode-se obter as
dimensões concernentes ao incêndio.

c) Taxa de liberação de calor (Q’)

Consultando a tabela 2.3 para um local de reunião de publico se obtém o


parâmetro referente à taxa de liberação de calor (Q’). (CBMPA, 2019)

d) Altura da camada de fumaça adotada em projeto (z)

Deve ser projetada acima do piso seguindo um valor mínimo de 2 m e


máximo de 85% da altura da edificação. (CBMPA, 2019)

3.4 CÁLCULO DO SUPRIMENTO DE AR NECESSÁRIO

a) Taxa total de liberação de calor

Para a obtenção da taxa total de liberação de calor (𝑄̇𝑡 ) será utilizada a


equação 2.12:

𝑄̇𝑡 = Ia x Q′

b) Tempo necessário para a fumaça atingir a altura de projeto

Em um incêndio estável o tempo necessário para que a altura da camada de


fumaça atinja a altura de projeto sem que, ainda, nenhum sistema entre em
funcionamento, é obtido através da equação 2.3:

𝐴 𝐻 4⁄3 [ 1 (1,11− 𝑧 )]
𝑡 = 2 1⁄3 𝑒 0,28 𝐻
𝐻 𝑄̇
𝑡
61

c) Cálculo da altura da chama

Utiliza-se para o cálculo altura da chama a equação 2.1:


𝑧1 = 0,166𝑄̇𝑐2 5 = 0,166 (𝑄̇𝑡 𝑥 0,7) 2⁄5

d) Cálculo da vazão mássica de fumaça produzida

Para z < z1 , utiliza-se a equação 2.6 para calcular a vazão mássica de


produção de fumaça:

⁄ 3⁄5
𝑚̇ = 0,032𝑄̇𝑐3 5 𝑧 = 0,032 𝑥 (𝑄̇𝑡 𝑥 0,7) 𝑥 𝑧

e) Cálculo da vazão volumétrica

Segundo IT 09 (CBMPA, 2019) depois que o sistema de extração estiver


operando por um determinado período de tempo, será estabelecido uma posição de
equilíbrio para altura da camada de fumaça em relação ao piso, desde que a vazão
mássica de extração seja igual à vazão mássica fornecida pela pluma de fogo. Uma
vez determinada esta posição, se as vazões mássicas permanecerem iguais, o
equilíbrio será mantido e a vazão volumétrica a ser extraída será calculada a partir
da equação 2.13.

𝑉̇ = 𝑚̇⁄𝜌

Para a temperatura ambiente de 20 ºC se utilizará na equação 2.13 para a


densidade, ρ = 0,92 kg/m³ para uma temperatura da camada de fumaça de 70 ºC (se
for protegida por chuveiros automáticos) ou ρ = 0,55 kg/m³ para a temperatura da
camada de fumaça de 300 º C (caso contrário). IT 15 do CBPMESP (2019)

f) Cálculo da vazão de extração mecânica de

A IT 09 do CBMPA (2019) exige que, para compensar os possíveis


vazamentos nos registros de trancamento, um coeficiente de vazamento mínimo de
25% deve ser acrescido sobre o resultado da equação 2.13 para a seleção dos
ventiladores e dimensionamento dos dutos principais de extração de fumaça, sendo:

𝑉̇𝑒𝑥𝑡 = V̇ 𝑥 1,25 3.1


62

g) Cálculo da vazão de entrada de ar mecânica

Conforme a IT 09 do CBMPA (2019) a vazão de entrada de ar será igual a


60% da vazão de extração:

𝑉̇𝑒𝑛𝑡 = 𝑉̇𝑒𝑥𝑡 𝑥 0,6 3.2

3.5 PERDA DE CARGA NA INSUFLAÇÃO DE AR E EXTRAÇÃO DE FUMAÇA

De acordo com Mancityre (1990) um sistema de dutos para distribuição de ar


consiste de trechos retos e singularidades (cotovelos, ramificações de entrada e
saída, registros difusores e bocas de insuflamento e/ou exaustão).

3.5.1 Vazão total requerida

A vazão total será o resultado da equação 3.2. Com este valor poderá se
calcular a vazão para cada boca de insulamento ou extração:

𝑉̇𝑒𝑛𝑡
̇ =
𝑉𝑔𝑟𝑒 3.3
𝑁º 𝑑𝑒 𝑔𝑟𝑒𝑙ℎ𝑎𝑠

Com o parâmetro referente à vazão volumétrica por grelha, pode-se calcular


(com o auxílio da tabela 3.2) o valor da velocidade em cada grelha (𝑣𝑒𝑛𝑡 < 5𝑚/𝑠).

Tabela 3.2 – Velocidade recomendada para dutos de ar


Recomendadas (m/s) Máximas (m/s)
Escolas
Designação Escolas
Residên teatros e Prédios Residên teatros e Prédios
cias edifícios industriais cias edifícios industriais
públicos públicos

Tomada de ar exterior 2,5 2,50 2,50 4,00 4,50 6,00


Descarga Min. 5,0 6,50 8,00 – – –
do Max. 8,0 10,0 12,0 8,50 11,00 14,0
ventilador
Dutos Min. 3,5 5,00 6,00 - - -
Principais Max. 4,5 6,50 9,00 6,00 8,00 10,0
Min. – 3,00 4,00 – – –
Ramais
Horizontais Max. 3,0 4,50 5,00 5,00 6,50 9,00
Ramais Min. – 3,00 – – – –
Verticais Max. 2,50 3,50 4,00 4,00 6,00 8,00
Fonte: Adaptado de Ventilação industrial e controle da poluição, 1990.
63

No caso das grelas de extração, além dos parâmetros presentes na tabela


3.2, deverá se atender a tabela 3.3.

Tabela 3.3 – Máxima vazão por ponto de sucção ou ventilador individual


Espessura da camada de fumaça no
Corrente volumétrica por ponto de
ponto de sucção ou corte de um
sucção ou ventilador individual
ventilador individual de extração (m)
≥ 0,5 ≤ 0,2
≥ 1,0 ≤ 1,2
≥ 1,5 ≤ 3,5
≥ 2,0 ≤ 7,0
≥ 2,5 ≤ 12,0
Fonte: IT 09 – Parte I, CBMPA, 2019.

3.5.2 Dimensionamento do duto principal

O dimensionamento da perda de carga no duto principal pode ser realizado


pelo método da igual perda de carga, sendo a vazão calculada a partir do ponto
mais desfavorável e a velocidade arbitrada entre dos limites descritos na tabela 3.2,
devendo sempre ser inferior a 15 m/s para chapas metálicas.

3.5.2.1 Perda de carga distribuída nos dutos retangulares

A representação da forma de um duto retangular pode ser vista na figura 3.1.

Figura 3.1 – Dutos retangulares.

Fonte: Adaptada de HVAC - How to Size and Design Ducts, entre 2000 e 2010.

Com o valor correspondente ao diâmetro circular da tubulação, poderá se


efetuar, através da tabela A2 (anexo A) ou ainda pela equação 3.4, uma
64

aproximação para as dimensões a e b dos dutos de seção reta cuja perda de carga
é semelhante à de um duto de seção circular. (MACINTYRE, 1990)

8 (𝑎 𝑥 𝑏)5
𝐷𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣 = 1,3 √ 3.4
(𝑎 + 𝑏)2

Para o cálculo da perda de carga distribuída ao longo da tubulação de


insuflamento e captação deve-se, com posse dos respectivos valores da perda de
carga unitária (Ju), utilizar a equação 3.5:

∑ 𝐽𝐿 = 𝐿 𝑥 𝐽𝑢 3.5

3.5.3 Perda de carga localizada

A perda de carga ao longo da rede de dutos de ventilação forçada é


influenciada pelos acessórios que contribuem para sua elevação em razão do atrito,
das turbulências e das variações de velocidade que provocam. Conhecendo-se a
velocidade média do escoamento na peça, pode-se calcular a altura representativa
da velocidade (hv), também conhecida como pressão dinâmica, utilizando-se, sendo
expressa por:

𝑣2
ℎ𝑣 = ( )𝑥 𝑘 3.6
16,34

Onde

𝑣 – velocidade média do escoamento, 𝑚²⁄𝑠,


𝑘 – coeficiente de atrito,
ℎ𝑣 – pressão dinâmica, em mmH2O.

3.5.3.1 Perda de carga em acessórios

Para calcular a perda de carga (ΔP) no acessório, basta multiplicar o


coeficiente de atrito K (valores já se encontram tabelados) por ℎ𝑣 :

ΔP = 𝑘 𝑥 ℎ𝑣 3.6
65

a) Perda de carga em grelha

O coeficiente de perda de carga de uma grelha de insuflamento ou exaustão


com registro é K = 1,5, para uma área livre de passagem do ar de 80 a 90% (figura
3.2). (MACINTYRE, 1990)
Figura 3.2 - Grelha

Fonte: Fernandes, 2008.

b) Perda de carga nas curvas

Para um cotovelo com palhetas diretrizes, ângulo reto, R/D de 0,25 e K igual a
0,4, obtêm-se:

Cotovelo com palhetas diretrizes, ângulo reto, R/D de 0,25 e K de 0,4:


Duas curvas de 90º, para subida do duto e desvio na cobertura, duto
retangular A ≅ B com R/D de 0,25, K de 0,4 e velocidade de 6,8 m/s.

Tabela 3.4 – Coeficiente de perda de carga em curvas de seção retangular

R/D A/B=1 2 3 4
K
0 1,0 0,9 0,8 0,73
0,25 0,4 0,4 0,39 0,32
0,5 0,2 0,2 0,19 0,16
1,0 0,13 0,3 0,13 0,10
Fonte: Adaptado de MACINTYRE (1990).

c) Perda de carga em derivações

O coeficiente de perda de carga em derivações pode ser obtido por meio de


tabelas. Onde a perda de carga é atribuída ao ramo secundário, para este caso em
especial se considera um ângulo de extração de 90º.
66

Figura 3.3 – Derivações

Fonte: Adaptado de Stoecker, 1996.

d) Perda de carga na veneziana externa

Uma veneziana externa com 60% de área livre apresenta coeficiente de atrito
K de 1,5. (MACINTYRE, 1990)

e) Perda carga no filtro

Segundo Macintyre (1990), adota-se normalmente uma perda de carga


constante para filtros a cerca de 10 mmH2O.
67

4 DISCURSÕES DOS RESULTADOS

4.1 PARÂMETROS NECESSÁRIOS PARA O CÁLCULO DA VAZÃO DE


INSUFLAÇÃO DE AR E EXTRAÇÃO DE FUMAÇA

a) Classificação

Do anexo A da IT 02, para um auditório (similares) a carga de incêndio será


de 600 MJ/m². Aplicando-se esse valor a tabela 3.1 obtém-se um risco médio.

b) Dimensão do incêndio esperado

Com os dados do risco e carga de incêndio obtém-se da tabela 2.2:


 Tamanho do incêndio (Ia): 4 m x 4 m
 Perímetro: 16 m
 Área: 16 m²

c) Taxa de liberação de calor (Q’)

Da tabela 2.3 para um local de reunião de público obtém-se:

𝑄 ′ = 500𝑘𝑊/𝑚2

d) Altura da camada de fumaça adotada em projeto (z)

Adotou-se o valor mínimo (z igual a 2 m).

4.2 CÁLCULO DA VAZÃO NECESSÁRIA NA INSULFLAÇÃO E NA EXAUSTÃO

a) Taxa total de liberação de calor (Qt)

𝑄𝑡 = 16𝑚² 𝑥 500 𝑘𝑊/𝑚2 = 8000 𝑘𝑊

b) Tempo para a fumaça atingir a altura de projeto

Para que a altura da camada de fumaça atinja a altura de 2 m, sem nenhum


sistema entrar em funcionamento, o tempo necessário é:

t ≅ 140 𝑠𝑒𝑔𝑢𝑛𝑑𝑜𝑠
68

c) Cálculo da altura da chama

𝑧1 = 0,166 (8000𝑥0,7) 2⁄5

𝑧1 = 5,24 𝑚

d) Cálculo da vazão mássica de fumaça produzida

Como z < z1 :

𝑚̇ = 0,032 𝑥 (8.000 𝑥 0,7)3⁄5 𝑥 2

𝑚̇ = 11,35 𝑘𝑔⁄𝑠

e) Cálculo da vazão volumétrica

𝑉̇ = 𝑚̇⁄𝜌 = 11,35⁄0,55 = 20,64 𝑚³⁄𝑠

f) Cálculo da vazão de extração mecânica de fumaça

𝑉̇𝑒𝑥𝑡 = 𝑉̇ 𝑥 1,25 = 20,64 𝑥 1,25

𝑉̇𝑒𝑥𝑡 = 25,80 𝑚3⁄𝑠

Considerou-se a vazão de extração mecânica de fumaça de 30 m³/s.

g) Cálculo da vazão de entrada de ar mecânica

𝑉̇𝑒𝑛𝑡 = 𝑉̇𝑒𝑥𝑡 𝑥 0,6 = 30 𝑥 0,6

𝑉̇𝑒𝑛𝑡 = 18 𝑚³⁄𝑠 (64800 𝑚³/ℎ)

4.3 PERDA DE CARGA NA INSUFLAÇÃO E NA EXTRAÇÃO

4.3.1 Perda de carga na insuflação de ar

a) Vazão total requerida

𝑉̇𝑒𝑛𝑡 = 18 𝑚³⁄𝑠 = 64800 𝑚³/ℎ


69

A vazão calculada para cada boca de insulamento (10 no total) será:

𝑉̇𝑒𝑛𝑡 18
̇ =
𝑉𝑔𝑟𝑒 = = 1,8 𝑚³⁄𝑠
𝑁º 𝑑𝑒 𝑔𝑟𝑒𝑙ℎ𝑎𝑠 10

b) Perda de carga no duto principal por trecho

Trecho G1–5 (Boca de insuflamento)

A área da seção de escoamento será,

̇
𝑉𝑔𝑟𝑒 1,8 𝑚³/𝑠
𝐴= = = 0,45 𝑚²
𝑣 4 𝑚/𝑠

Cálculo do diâmetro circular,

4 x 0,45
d=√ = 0,757 m
π

Entrando com diâmetro de 757 mm e a vazão de 1,8 m³/s no gráfico A3


(anexo A), obtém-se uma perda de carga unitária do trecho mais desfavorável do
duto principal (boca de insuflação G1–5) de 0,024 mmH2O/m e uma velocidade de
3,9 m/s que será igual (por simetria) ao outro ramo.

A partir dessa informação pode-se utilizar o mesmo gráfico para efetuar o


dimensionamento dos diâmetros, áreas, velocidades e perda de carga que devem
compor os demais trechos do duto principal que estão representados abaixo.

Tabela 4.1 – Resultados dos cálculos de perdas de carga em cada trecho dos dutos

Seção duto Diâmetro Vazão Velocidade Comprimento Perda de carga


Trecho
(m²) (mm) (m³/s) (m/s) (m) (mmH2O)
G1–5 0.450 757 1,80 3,90 4,0 0,096
F1– G1 0.450 757 1,80 3,90 8,0 0,192
E1– F1 1,087 970 3,60 4,70 8,0 0,192
D1– E1 1,500 1130 5,40 5,30 8,0 0,192
C1–D1 1,852 1260 7,20 5,60 8,0 0,192
B-C1 2,155 1380 9,00 5,80 18,0 0,432
A–B 3,676 1790 18,0 6,90 10,0 0,240
O–A 4,000 2257 18,0 4,50 5,0 0,120
70

Fonte: Autoria própria.

Para transformar o diâmetro circular em diâmetro retangular pode-se utilizar a


tabela A2 (anexo A), que mostra a equivalência entre os diâmetros, obtendo-se para
todos os trechos:

Tabela 4.2 – Representação das equivalências entre os dutos circular e retangular

Diâmetro Diâmetro Diâmetro


Trecho
circular (mm) comercial (mm) retangular (cm)
G1–5 757 140 X 50
F1–G1 757 140 X 50
E1– F1 970 150 X 80
D1– E1 1130 160 X 100
C1–D1 1260 160 X 120
B-C1 1380 200 X 120
A–B 1790 200 X 190
O–A 2257 220 x 190
Fonte: Autoria própria.

c) Perda de carga distribuída

Para o cálculo da perda de carga distribuída ao longo da tubulação de


insuflamento e captação utilizou-se a perda de carga unitária de Ju = 0,024 mmH2O.
Considerando o somatório da perda de carga em cada trecho da instalação (tabela
4.1) obtém-se:

𝐽𝐿 = 1,656 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

d) Perda de carga localizada

Perda de carga na boca de insuflamento (Trecho G1–5)

O coeficiente de perda de carga de uma grelha de insuflamento com registro


é K=1,5, para uma área livre de passagem do ar de 80 a 90%. (MACINTYRE, 1990)

Utilizando para a vazão de 1,8 m³/s e velocidade de 3,9 m/s têm-se,

̇
𝑉𝑔𝑟𝑒𝑙ℎ𝑎 1,8 𝑚³⁄𝑠
𝐴𝑔𝑟𝑒𝑙ℎ𝑎 = = = 0,461 𝑚²
𝑣 3,9 𝑚⁄𝑠
71

4 𝑥 0,461
𝑑=√ = 0,766 𝑚
𝜋

As dimensões da boca serão 1,00 m x 0,50 m (largura x altura), ou seja, com


uma área de 0,50 m². Considerando 85% de seção livre,

𝐴 = 0,85 𝑥 0,50 𝑚² = 0,425 𝑚²

A velocidade corrigida será,

̇
𝑉𝑔𝑟𝑒𝑙ℎ𝑎 1,8
𝑣= = = 4,24 𝑚/𝑠 (𝑣 < 5𝑚/𝑠)
𝐴 0,425

A pressão dinâmica será:

4,24²
ℎ𝑣 = = 1,100 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

Perda de carga na grelha de:

𝐽𝑔𝑟𝑒𝑙ℎ𝑎 = 1,5 𝑥 1,100 = 1,650 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Perda de carga nas curvas

 Curva após a grelha 5

Para um cotovelo com palhetas diretrizes, ângulo reto, R/D de 0,25 e K igual a
0,4, obtêm-se:

3,92
ℎ𝑣 = = 0,931 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

𝐽1 = 0,4 𝑥 0,931 = 0,372 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

 Curva no ponto G1

3,92
ℎ𝑣 = = 0,931 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

Cotovelo com palhetas diretrizes, ângulo reto, R/D de 0,25 e K de 0,4:


72

J2 = 0,4 x 0,931 = 0,372 mmH2 O

 Curva no trecho B–C1

5,82
ℎ𝑣 = = 2,059 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

Cotovelo com palhetas diretrizes, ângulo reto, R/D de 0,25 e K de 0,4:

𝐽3 = 0,4 𝑥 2,059 = 0,824 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

 Curva no trecho A–B

Duas curvas de 90º, para subida do duto e desvio na cobertura, duto


retangular A ≅ B com R/D de 0,25, K de 0,4 e velocidade de 6,8 m/s.

Tabela 4.3 – Coeficiente de perda de carga em curvas de seção retangular

R/D A/B=1 2 3 4
K
0 1,0 0,9 0,8 0,73
0,25 0,4 0,4 0,39 0,32
0,5 0,2 0,2 0,19 0,16
1,0 0,13 0,3 0,13 0,10
Fonte: Adaptado de MACINTYRE (1990).

Obtém-se, portanto:

6,92
ℎ𝑣 = = 2,914 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

J4 = 2 (curvas) x 0,4 x 2,914 = 2,331 mmH2 O

Para o cálculo do somatório da perda de carga localizada nas curvas


considerou-se além dos valores obtidos acima, a simetria da instalação obtendo-se:

Jcurvas = J1 + J2 + J3 + J4

Jcurvas = 0,372 + 0,372 + 0,824 + 2,331

Jcurvas = 5,467 mm H2 O
73

Perda de carga nas transições (reduções)

A perda de carga atribuída às reduções apresenta coeficiente K = 0,06 para


ângulos de 60º, conforme (Tabela 5.7). MACINTYRE (1990)

Tabela 4.4 – Perda de carga atribuída a reduções

Diâmetro Velocidade hv Jacessórios


Trecho K
(m) (m/s) (mmH2O) (mmH2O)
F1– G1 757 3,90 0,931 0,06 0,0559
E1– F1 970 4,70 1,3519 0,06 0,0811
D1– E1 1130 5,30 1,7191 0,06 0,1031
C1–D1 1260 5,60 1,9192 0,06 0,1151
TOTAL 0,3552
Fonte: Autoria própria.

Jreduções = 0,3552 mmH2 O

Perda de carga na bifurcação (B–C1 e B–C2)

Para uma velocidade no trecho de 5,8 m/s e admitindo-se R/D igual 0,25, um
ângulo de 90º e K de 0,43. (MACINTYRE, 1990)

5,82
ℎ𝑣 = = 2,914 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

𝐽𝐵𝑖𝑓𝑢𝑟𝑐𝑎çã𝑜 = 0,43 𝑥 ℎ𝑣 = 0,43 𝑥 2,914 = 1,2530 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Perda de carga devido ao alargamento da boca de saída do ventilador

De acordo com Macintyre (1990) para um ângulo de 30º e D/d de 1,6, K será
0,3. Como o Diâmetro (D) em A é 2150 mm, obtém-se d igual 1344 mm.

Como a vazão é de 18 m³/s e a velocidade de 6,9 m/s, obtêm-se:

4 𝑥 𝑉̇ 4 𝑥 18
𝑑=√ =√ ≅ 1823 𝑚𝑚
𝜋𝑥𝑣 𝜋 𝑥 6,9
74

6,92
ℎ𝑣 = = 2,914 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

E a perda de carga devida ao alargamento será:

𝐽𝑎𝑙𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 = 0,3 𝑥 2,914 = 0,874 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Tomada de ar exterior

Para uma vazão de 18 m³/s a velocidade de entrada do ar no duto foi


dimensionada de acordo com a tabela 5.1 (para teatros, semelhante a auditórios),
adotando-se 4,5 m/s (entre 2,5 m/s e 4,5 m/s). A tomada de ar exterior antes do
ventilador e o dimensionamento da veneziana e filtro serão:

𝑉̇𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 18 𝑚³/𝑠
𝐴𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 = = = 4 𝑚²
𝑣𝑒𝑛𝑡 𝑑𝑒 𝑎𝑟 4,5 𝑚/𝑠

4𝑥4
𝑑𝑒𝑛𝑡 𝑑𝑒 𝑎𝑟 = √ = 2,257 𝑚
𝜋

Perda carga no filtro

Segundo Macintyre (1990), adota-se normalmente uma perda de carga


constante para filtros a cerca de 10 mmH2O.

𝐽𝐹𝑖𝑙𝑡𝑟𝑜 = 10 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Perda de carga na veneziana externa

𝑣2 4,52
ℎ𝑣 = = = 1,239 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34 16,34

𝐽𝑣𝑒𝑛𝑖𝑧𝑖𝑎𝑛𝑎 𝑒𝑥𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎 = 𝐾 𝑥 ℎ𝑣 = 1,5 𝑥 1,239 = 1,858 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Perda de carga de entrada no duto

Segundo Macintyre (1990) para uma boca simples (K = 0,9), obtém-se:

4,52
ℎ𝑣 = = 1,239 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34
75

𝐽𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑑𝑢𝑡𝑜 = 𝐾 𝑥 ℎ𝑣 = 0,9 𝑥 1,239 = 1,115 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Perda de carga total de projeto.

𝐽𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 = 𝐽𝑑𝑖𝑠𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖𝑑𝑎 + 𝐽𝑙𝑜𝑐𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎𝑑𝑎

𝐽𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 = 3,312 + 3,300 + 5,467 + 0,7104 + 1,253 + 0,874 + 10 + 1,858 + 1,115

𝐽𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 = 26,86 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Ainda, de acordo com Macintyre (1990), a pressão total que o ventilador


deverá fornecer será:

∆𝑃𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 = 𝐽𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 + ∆𝑣𝑑𝑖𝑛â𝑚𝑖𝑐𝑎

Como as velocidades de saída e de entrada são 6,8 m/s e 4,5 m/s,


respectivamente, obtém:

𝑣𝑠2 − 𝑣𝑒2 6,9² − 4,5²


∆𝑣𝑑𝑖𝑛â𝑚𝑖𝑐𝑎 = 𝑥𝛾= = 1,674 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
12 𝑥 𝑔 16,34

E consequentemente,

∆𝑃𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 = 26,86 + 1,674 = 28,534 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

A potência do motor do ventilado será:

𝑉̇ 𝑥 ∆𝑃𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 18 𝑥 28,534
𝑃𝑂𝑇𝑣𝑒𝑛𝑡 = = 11,41 𝑐𝑣
75 𝑥 𝜂 75 𝑥 0,6

Agora com os seguintes dados: Pressão total de aproximadamente 29


mmH2O e a vazão de 18 m³/s Poderá se especificar um ventilador que melhor
atenda esses requisitos.

4.4 DIMENSIONAMENTO DA EXTRAÇÃO MECÂNICA DE FUMAÇA


PERDA DE CARGA NA EXTRAÇÃO DE FUMAÇA
76

a) Vazão total requerida

𝑉̇𝑒𝑥𝑡 = 30 𝑚³/𝑠

Como a espessura da camada de fumaça de 1,8 m a vazão máxima será de


3,5 m³/s. Atendendo o disposto no item 9.6.13.2, que estabelece um mínimo de uma
grelha a cada 300 m², optou-se por uma quantidade de 10 pontos de extração.
Neste caso a vazão de extração de fumaça em cada ponto será:

𝑉̇𝑒𝑥𝑡 30
̇ =
𝑉𝑔𝑟𝑒 =
𝑁º 𝑑𝑒 𝑔𝑟𝑒𝑙ℎ𝑎𝑠 10

̇ = 3 𝑚³⁄𝑠 (𝑉𝑔𝑟𝑒
𝑉𝑔𝑟𝑒 ̇ ≤ 3,5 𝑚3 /𝑠)

b) Perda de carga no duto principal por trecho

O método da igual perda de carga foi mais uma vez utilizado para
dimensionar o duto principal e obter sua respectiva perda de carga a partir do ponto
mais desfavorável (trecho F–G ou F–Q). De acordo com Macintyre (1990) a
velocidade para um ramal horizontal pode ser arbitrada entre 4,5m/s e 6,5 m/s
(edifícios públicos, tabela 5.1). No caso em estudo foi adotada a velocidade 6m/s.

No trecho F–G (Ponto de extração) a área da seção de escoamento será,

̇
𝑉𝑔𝑟𝑒 3 𝑚³/𝑠
A= = = 0,5 𝑚²
𝑣 6 𝑚/𝑠

O diâmetro circular será,

4 𝑥 0,5
𝑑=√ = 0,798 𝑚
𝜋

Entrando com diâmetro de 798 mm e a vazão de 3 m³/s no gráfico do gráfico


A3 do anexo A, obtém-se uma perda de carga unitária de 0,042 mmH2O/m (que será
igual em todo o duto) e uma velocidade de 5,9 m/s. Com essas informações, faz-se
uso novamente o mesmo gráfico para dimensionar os demais diâmetros, áreas e
velocidades que devem compor os o duto principal.

Tabela 5.8 – Resultados dos cálculos de perdas de carga em cada trecho dos dutos
77

Trecho Seção duto (m²) Diâmetro (mm) Vazão (m³/s) Velocidade (m/s)

E–F 0.857 1130 6,00 7,00


D–E 1,481 1350 12,0 8,10
C–D 2,022 1670 18,0 8,90
B–C 2,474 1750 24,0 9,70
A–B 2,941 1900 30,0 10,2
O–A 2,727 2000 30,0 11,0
Fonte: Autoria própria.

Utilizando a tabela A2 do anexo A, transformou-se o diâmetro circular em


diâmetro retangular:

Tabela 5.9 – Representação as equivalências entre os dutos circular e retangular

Duto Diâmetro circular (mm) Diâmetro retangular (cm)


Trecho E–F 1130 170 x 70
Trecho D–E 1350 170 x 90
Trecho C–D 1670 170 x 140
Trecho B–C 1750 190 x 140
Trecho A–B 1900 220 x 140
Trecho O–A 2000 200 x 170
Fonte: Autoria própria.
c) Perda de carga distribuída

O mesmo procedimento é utilizado nos demais trechos

Tabela 5.10 – Perda de carga unitária por trecho

Trecho Comprimento (m) Perda de carga (mmH2O)


F–G 5,0 0,210
E–F 8,0 0,336
D–E 8,0 0,336
C–D 8,0 0,336
B–C 8,0 0,336
A–B 10 0,420
O–A 5 0,210
TOTAL 2,184
Fonte: Autoria própria.

A perda de carga distribuída ao longo da tubulação de extração para uma


perda de carga unitária Ju = 0,042 mmH2O é:
78

𝐽𝐿 = 2,184 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

d) Perda de carga localizada

Na grelha de extração para a vazão de 3,0 m³/s e velocidade de 6 m/s têm-se,

𝐴𝑔𝑟𝑒𝑙ℎ𝑎 = 0,5 𝑚²

𝑑𝑔𝑟𝑒𝑙ℎ𝑎 = 0,798 𝑚

Conforme a tabela A2 do anexo a (800 mm) as dimensões da boca serão 1,10


m x 0,50 m (largura x altura), ou seja, com uma área de 0,55 m². Considerando 85%
de seção livre,

𝐴 = 0,85 𝑥 0,55 𝑚2

𝐴 = 0,4675 𝑚²

A velocidade corrigida será:

̇
𝑉𝑔𝑟𝑒𝑙ℎ𝑎 3
𝑣= = = 6,42 𝑚/𝑠 (𝑣 ≤ 6,5𝑚/𝑠)
𝐴 0,4675

A pressão dinâmica será:

6,42²
ℎ𝑣 = = 2,522 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

Perda de carga na grelha será de:

𝐽𝑔𝑟𝑒𝑙ℎ𝑎 = 1,5 𝑥 2,522 = 3,783 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Perda de carga nas curvas

 Curva no trecho A–B

Duas curvas de 90º, para desvio na cobertura e descida do duto, duto


retangular A ≅ B com R/D de 0,25, K de 0,4 e velocidade de 10,2 m/s. Obtém-se,
portanto:
79

10,22
ℎ𝑣 = = 6,367 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

𝐽𝑐𝑢𝑟𝑣𝑎𝑠 = 2 (𝑐𝑢𝑟𝑣𝑎𝑠) 𝑥 0,4 𝑥 6,367 = 5,094 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Perda de carga nas transições (reduções)

A perda de carga atribuída às reduções apresenta coeficiente K = 0,06 para


ângulos de 60º, conforme (Tabela 5.7). MACINTYRE (1990)
Tabela 5.11 – Perda de carga atribuída a reduções

Diâmetro Velocidade hv Jacessórios


Trecho K
(m) (m/s) (mmH2O) (mmH2O)
E–F 1130 7,00 3,000 0,06 0,1800
D–E 1350 8,10 4,015 0,06 0,2409
C–D 1670 8,90 4,848 0,06 0,2901
B–C 1750 9,70 5,758 0,06 0,3455
TOTAL 1,0565
Fonte: Autoria própria.
𝐽𝑟𝑒𝑑𝑢çõ𝑒𝑠 = 1,057 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Perda de carga na derivação (F–G)

Para uma velocidade no trecho F–G de 6 m/s e admitindo-se R/D igual 0,25,
um ângulo de 90º e K de 0,5. (MACINTYRE, 1990)

62
ℎ𝑣 = = 2,203 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

𝐽𝑑𝑒𝑟𝑖𝑣𝑎çã𝑜 = 0,5 𝑥 ℎ𝑣 = 0,5 𝑥 2,203 = 1,102 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Perda de carga devido à redução na boca de entrada do ventilador

De acordo com Macintyre (1990) para um ângulo de 30º e D/d de 1,6, K será
0,3. Como o Diâmetro (D) em A é 1900 mm, obtém-se d igual 1188 mm.

Como a vazão é de 30 m³/s e a velocidade de 10,2 m/s, obtêm-se:

4 𝑥 𝑉̇ 4 𝑥 30
𝑑=√ =√ ≅ 1935 𝑚𝑚
𝜋𝑥𝑣 𝜋 𝑥 10,2
80

10,22
ℎ𝑣 = = 6,367 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

𝐽𝑟𝑒𝑑𝑢çã𝑜 = 𝐾 𝑥 ℎ𝑣 = 0,3 𝑥 6,367 = 1,910 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Perda de carga de saída do duto

Segundo Macintyre (1990) para uma boca simples (K = 0,9), obtém-se:

112
ℎ𝑣 = = 7,405 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
16,34

𝐽𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑑𝑢𝑡𝑜 = 𝐾 𝑥 ℎ𝑣 = 0,9 𝑥 7,405 = 6,665 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Perda de carga total de projeto.

𝐽𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 = 𝐽𝑑𝑖𝑠𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖𝑑𝑎 + 𝐽𝑙𝑜𝑐𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎𝑑𝑎

𝐽𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 = 2,184 + 3,783 + 5,094 + 1,057 + 1,102 + 1,910 + 6,665

𝐽𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 = 21,795 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

Ainda, de acordo com Macintyre (1990), a pressão total que o ventilador


deverá fornecer será:

∆𝑃𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 = 𝐽𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 + ∆𝑣𝑑𝑖𝑛â𝑚𝑖𝑐𝑎

Como as velocidades de saída e de entrada são 11 m/s e 10,2 m/s,


respectivamente, obtém:

𝑣𝑠2 − 𝑣𝑒2 11² − 10,2²


∆𝑣𝑑𝑖𝑛â𝑚𝑖𝑐𝑎 = 𝑥𝛾= = 1,04 𝑚𝑚𝐻2 𝑂
12 𝑥 𝑔 16,34

E consequentemente,

∆𝑃𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 = 21,795 + 1,04 = 22,835 𝑚𝑚𝐻2 𝑂

A potência do motor do ventilado será:

V̇ x ∆PTOTAL 30 x 22,835
Pvent = = = 15,223 mmH2 O
75 x η 75 x 0,6
81

4.5 RESULTADOS E DISCURSÕES

4.6 SUPRIMENTO NECESSÁRIO DE AR

a) Taxa total de liberação de calor (Qt)


𝑄𝑡 = 500 𝑘𝑊/𝑚2 𝑥 16 𝑚2 = 8000 𝑘𝑊

b) Tempo necessário para a fumaça atingir a altura de projeto


800 44⁄3 [
1 2,2
(1,11− )]
t= e 0,28 4 = 117,3 segundos
42 80001⁄3

c) Altura da chama
2
𝑧1 = 0,166(8000 𝑥 0,7)5 = 5,24 𝑚

d) Vazão mássica de fumaça produzida


𝑚̇ = 0,032 𝑥 (8.000 𝑥 0,7)3⁄5 𝑥 2,20 = 12,487 𝑘𝑔⁄𝑠

e) Vazão volumétrica
12,487
𝑉̇ = = 22,70 𝑚³/𝑠
0,55

Logo a vazão de extração será:

𝑉̇𝑒𝑥𝑡 = 22,70 𝑥 1,25 = 28,375 𝑚3 ⁄𝑠

Considerou-se a vazão de extração mecânica de fumaça de 30 m³/s.

f) Entrada de ar
𝑉̇𝑒𝑛𝑡 = 30 𝑥 0,6 = 18 𝑚3 ⁄𝑠
82
83

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Bhatia, A., HVAC - How to Size and Design Ducts. Ced engenieering, entre 2000 e
2010.

Bhatia, A., Stairwell Pressurization Systems, entre 2000 e 2010. Ced


engenieering, entre 2000 e 2010.

BOTTA, N.A. Laboratory Methods of Testing Fans Used to Exhaust Smoke in


Movimiento y control de humos. Red proteger. 2011. Edificios en altura. Junio
2009.

CBMMG IT 41:2017. Instrução Técnica Nº41/2017 do Corpo de Bombeiros do


Estado de Minas Gerais. Controle de Fumaça.

CBMPA IT 09:2019 – PARTE I. Instrução Técnica Nº 09/2019 do Corpo de


Bombeiros do Estado do Estado do Pará. Controle de Fumaça.

CBPMSP IT 15:2015. Instrução Técnica Nº 15/2015 do Corpo de Bombeiros do


Estado de São Paulo. Controle de Fumaça.

FERNANDES, M. A. P. Desenfumagem (Controlo de Fumo) em Edifícios de


Grande Extensão. Dissertação; Engenharia Civil. Julho de 2008.

GRIMWOOD, Paul. Tactical Firefighting. Londres: Cemac, Janeiro de 2003.

HURLEY, M. J. et al. SFPE Handbook of Fire Protection Engineering. Fifth


Edition. Society of Fire Protection Engineers, 2016.

IZQUIERDO, N. Criterios de diseño de la zona vertical de seguridad contra


incendio para edificios en altura. Junio 2009.

KLOTE, J; J. MILKE. 2002. Principles of smoke management. American Society of


Heating, Refrigerating and Air-conditioning Engineers, Inc. Atlanta, 2002.

KLOTE, J. H., MIKE, J.A., TURNBULL, P.G., KASHEF, A., FERREIRA, M.J.
Handbook of Smoke Control Engineering. ASHRAE, 2012.
84

MACINTYRE, A. J. Ventilação Industrial e Controle da Poluição. Rio de Janeiro,


Editora Guanabara, 1990.

MANUAL DE BASICO DE COMBATE, MBCI - 2ª edição. Volume 1. Corpo de


Bombeiros Militar do Distrito Federal, 2009.
MANUAL DO CURSO DE FORMAÇÃO DE BRIGADISTAS PROFISSIONAIS,
MCFBP - 1ª edição. Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, 2016.

MARTÍNEZ e VELÁSQUES. Protección contra incêndios em vías de evacuación


mediante pressurização em edifícios y locales públicos em la cidad de quito -
Octubre de 2008.

NFPA 92:2012. Standard for Smoke Control Systems. National Fire Protection
Association.

PINHAL, B. E. S. S. G. Controlo de Fumo Evolução e tendências. Dissertação;


Engenharia Civil. Janeiro de 2010.

SEITO, A.I, et al. A Segurança Contra Incêndio no Brasil. Projeto Editora, São
Paulo, 2008.
85

ANEXO A
TABELA A1 – ÁREAS A SEREM PROTEGIDAS E TIPOS DE
SISTEMA POR OCUPAÇÃO

Figura 5.1 – Diagrama unifilar da rede de dutos (sem escala)

Fonte: Autoria própria.


86

ANEXO A
TABELA A1 – ÁREAS A SEREM PROTEGIDAS E TIPOS DE
SISTEMA POR OCUPAÇÃO

Fonte: IT 09 – parte I do CBMPA (2019)


NOTAS:
2
(1) - Edificações com áreas superiores a 750 m .
(2) - Para alturas superiores a 54 metros deverão ser projetados sistemas tipo 2 ou 3.
(3) - A isenção prevista no Item 11.1.1 não se aplica às edificações dos grupos/ocupação F e H.
87

ANEXO A (CONTINUAÇÃO)
TABELA A2 – TABELA DE EQUIVALÊNCIA ENTRE DUTOS
CIRCULARES E RETANGULARES PARA UMA MESMA VAZÃO E MESMA
PERDA DE CARGA

Fonte: Ventilação industrial e controle da poluição (1990)


88

ANEXO A (CONTINUAÇÃO)
GRÁFICO A3 – TABELA DE EQUIVALÊNCIA ENTRE DUTOS
CIRCULARES E RETANGULARES PARA UMA MESMA VAZÃO E MESMA
PERDA DE CARGA

Fonte: Ventilação industrial e controle da poluição (1990)