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Universidade Federal do Cariri

Centro de Ciência e Tecnologia


Engenharia de Materiais

Preparação de formulações

Prof. André Wesley Barbosa Rodrigues


Introdução
A incorporação de aditivos é um dos mais importantes aspectos na tecnologia dos

polímeros, uma vez que o desempenho do produto final está intimamente associado ao

grau de dispersão e homogeneidade dos aditivos presentes.

O conjunto de aditivos incorporado a um polímero define as características do


artefato produzido, que vão desde o acabamento até a sua vida útil.

A importância da homogeneização é especialmente crítica nos casos de, agentes de

cor, estabilizantes e de cargas.


Problemas na dispersão

Quando estabilizantes são mal dispersos, poderá haver degradação intensa nos locais
onde estão ausentes, podendo levar à falha prematura.

O problema de má dispersão é acentuado com os estabilizantes devido:


• baixas concentrações;
• alto ponto de fusão, não fundindo durante a mistura e processamento.

Pigmentos não uniformemente dispersos levam à alteração de cor, enquanto


aglomerados de cargas concentram tensões, podendo reduzir a vida útil do produto.
A adição dos aditivos pode ser na forma de componentes puros ou na forma de
concentrados (master-batch).

O master (concentrado) se constitui em uma mistura previa do aditivo (ou conjunto


deles) em alta concentração e disperso em um polímero que serve como veículo.

Essa mistura, normalmente na forma de grânulos, é então adicionada ao polímero em


uma proporção adequada para se atingir a concentração final desejada do(s)
aditivo(s)
A mistura pode ser realizada pela indústria petroquímica (fornecendo grades de uso
geral ou de uso específico), pela indústria de transformação ou por empresas
especializadas, fornecendo os chamados compostos.

A etapa de composição (incorporação dos aditivos) é baseada em:

• condições de uso e de processamento;


• custo;
• efeitos sinérgicos entre os aditivos.
Diferentes caminhos para obtenção de compostos e produtos
Introdução

Atenção especial no caso de aditivos ou polímeros higroscópicos, que podem

levar a produtos com baixa qualidade superficial ( formação de bolhas).

Esses materiais exigem etapas cuidadosas de secagem antes de se efetuar a

mistura ou processamento.
Tipos de processos de mistura
Em principio são três os métodos de incorporação de aditivos:

• Os aditivos adicionados ao monômero, antes ou durante a polimerização –

operação feita pelo fabricante do polímero;

• Os aditivos são incorporados em uma etapa separada de fabricação – pode ser

feita pelo fabricante do polímero, pelo fabricante dos compostos ou mesmo pelo

transformador;

• Os aditivos são incorporados diretamente durante o processamento do polímero –

utilizado pelos transformadores para incorporar pigmentos, cargas, nucleantes, etc.


Composição

A operação geral de composição compreende as seguintes etapas:

a) Armazenagem dos materiais de partida (polímeros e aditivos) em silos;

b) Dosagem: volumétrica ou gravimétrica;

c) Pré-mistura, mistura simples;

d) Mistura intensiva;

e) Cominuição;

f) Armazenagem dos pós ou grânulos obtidos.

Essas etapas são gerais e podem não coincidir em alguns sistemas no caso dos
polímeros termofixos onde não se tem a cominuição
Pré-mistura e mistura intensiva

A pré-mistura consiste essencialmente em agitar os ingredientes juntos.

1. Os aditivos, pós ou líquidos, são misturados com o pó ou grânulo do


polímero sem haver a fusão;
2. A pré-mistura pronta deve sofrer aquecimento e intenso cisalhamento
para se conseguir uma íntima dispersão dos aditivos no polímero:
i. Mudança física dos componentes;
ii. Grandes forças de cisalhamento;
iii. Exige que o polímero esteja no estado de melt ou
borrachoso.
Após a mistura intensiva espera-se que todos os grânulos do composto tenham a
mesma composição.

Distribuição e Dispersão dos aditivos.

Distribuição - refere-se à uniformidade de concentração em uma escala mais ampla;

Dispersão - está relacionada com a separação física das partículas e aditivos na massa

polimérica.

Mal distribuído Bem distribuído Mal distribuído Bem distribuído


Mal disperso mal disperso bem disperso bem disperso
Mal distribuído Mal Mal distribuído bem
Bem distribuído mal
disperso disperso
disperso

a b c

• Se o aditivo se aglomerar durante o processamento teremos a situação (A);

• Se esses aglomerados se distribuírem pela matriz, teremos a situação (B), onde os

aglomerados estão bem distribuídos, mas o aditivo está mal disperso;

• O contrario ocorre quando não se formam os aglomerados situação (C), ou seja, o aditivo

está bem disperso, mas fica mais concentrado em uma região da peça e mal distribuído.

Nesta situação particular, a distribuição vai depender da migração dos aditivos depois do

processamento.
Quando a mistura simples ou pré-mistura é usada:

I. Quando o processo de fabricação oferece alguma ação de mistura dispersiva,

como na incorporação de pigmentos em polímeros a serem injetados ou

extrudados;

II. Na fabricação de pós de moldagem, para processamento por rotomoldagem;

III. Como uma etapa anterior à mistura dispersiva para produzir um composto ou

concentrado.
Quando é necessário a mistura intensiva

I. Se requer uma dispersão e distribuição adequada dos componentes;

II. Se utiliza grandes quantidades de aditivos;

III. O processo de fabricação oferece pouca ou nenhuma ação dispersiva.


Equipamentos para mistura simples
O sistema mais simples é por tamboreamento, consistindo basicamente de um
recipiente em que é colocado o polímero com os aditivos e posto para girar por tempo
determinado (15 min. a 1 hora), promovendo a mistura distributiva dos materiais.

Tamboreamento
Equipamentos para mistura simples
O Misturador de banda helicoidal consiste de um cilindro contendo em seu interior uma
peça helicoidal que promove a mistura e o arraste do polímero e aditivos. Esse
sistemas podem ser dotados de sistemas de aquecimento para facilitar a absorção do
aditivo.

Misturador helicoidal
Equipamentos para mistura simples
Outro mais sofisticado e mais rápido é o misturador de alta velocidade.
Consiste em um recipiente de parede circular contendo em seu interior pás que giram
em alta velocidade, jogando pó contra as paredes, provocando aumento da
temperatura devido aquecimento por fricção.

Misturador de alta velocidade


Equipamentos para mistura simples
A pré-mistura de líquidos é melhor realizada com misturador de imersão, onde uma
hélice é mergulhada no líquido contendo os aditivos, ocorrendo a mistura com pouco
cisalhamento.

Misturador de imersão
Equipamentos para mistura dispersiva em borrachas

O equipamento mais simples de mistura de aditivos em borrachas é o misturador


aberto de cilindro ( moinho de rolos), que consiste em dois cilindros metálicos girando
em sentido contrário, geralmente com velocidades diferentes.

Moinhos de rolos
Equipamentos para mistura dispersiva em
borrachas
Misturadores tipo Banbury, nesse equipamento os componentes são adicionados pelo
canal de alimentação e um pistão comprime a massa junto aos rotores.

Misturador tipo
Banbury Misturador tipo
Banbury

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