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CENTRO DE 1 STRUÇÃO TÉCNICA

TRICIDADE • TELEVISÃO
R ADI° • ELE

TRANSISTORES

TÉCNICA DE MEDIDAS EM TRANSISTORES


Introdução

. Um transistor e um elemento de duração teorica-


mente quesi ijimitada;. por outro lado, dadas as fracas
tensões e correntes cosi que funciona a aparelhagem a tran
sistores, os elementos do circuito trabalham em condições
?-
folgadas que lhes faze0 prever uma longa durado.
No entanto, a3 oficinas de reparação estão chntl
nuamente cheias de aparelhos a transistores avariados.Por
que ? Essencialmente, são dois os motivos desta aparente
contradição: primeiro, construtores pouco escrupulosos
que lançam no mercado aparelhagem a baixow•ço construí-
da com transistores de segunda escolha e, ainda por cima,•
montados em regime dg obrecarga para se obterem aparentes
feitos de sensibilidad e potência; segundo, e este caso
interessa-nos em espe ial, a generalidade dos radiotecni
cos. aplicando aos tra sistores as ,mesmas técnicas de tra-
balho a que se habituaram_em'rlídio comprometem seriamente
a duração dos aparelh s mesmo quando os conseguem pôr, a-
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parentemente, a funcionar bem.


Na realidade, o transistor e um elemento maravi-
lhoso, mas que requere o tratamento cuidadoso adequado 'a
sua alta sensibilidade: um curto-circuito acidental com
uma chave de fenda ou uma ponta de prova, uma soldadura
excessivamente aquecida, uma ligação trocada, um choque
mecânico, são acidentes comuns nos trabalhos em aparelhOs
de válvulas que normalmente não têm consequencias,,mas que
quando sucedidos com os transistores os podem inutilizar
instantaneamente.
Vamos, portanto, explicar a técnica a usar para
trabalhar e o seu porque.

Medidas de tensões

A primeira precaução a tomar antes de se iniciar


um trabalho em transistores e a selecção dos."aparelhos de
medida apropriados para as leituras das tensões e corren-
tes.
Dadas as pequenas tensões existentes nestes cir-
cuitos, e necessário que o voltímetro a utilizar seja de
grande sensibilidade e alta impedância de entrada. Supo-
nhamos que vamos fazer medidas no receptor do esquema da
fig.76 com um voltímetro de 20 000 Q por volt considerado
come muito bom para os trabalhos em aparelhos de válvulas.
Observando o esquema,no qual estão marcados com.
círculos as tensões e com quadrados os correntes, constata
-se imediatamente a primeira dificuldade: nos voltíme-
tros normais de 20 000 Q /V a escala mais sensível e de 3
ou 2,5 V e nos circuitos há tensões a medir da ordem dotli
décimos de. volt, pelo que quási não será perceptível a des
locação do ponteiro. Conclui-se daí que:
" num voltímetro ,para medidas em transistores a es-
cala mais sensível não deve ter alcance superior
a 1 Volt:
Por outro lado, um voltímetro de 20 000 /V tem
um consumo de 50),A. Se com ele medirmos, por exemplo, a
tensão de base do 0044 o consumo do aparelho provoca uma
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queda de tensão adicional no divisor de tensão de 22000x


x 0,000050 = 1,1 Volts,.o que origina a queda de•tensão
da base de 1,35 V para 1,35 - 1,1= 0,25 V.
Isto tem dois inconvenienteR:primeiro, a leitu-
ra do aparelho e falsa, segundo,o funcionamento do cir
cuito e alterado pela modificação da polarização da ba-
se do transistor. Donde se conclui que:
" um voltímetro para medidas em transistores deve
ter uma alta resistência interna, pelo menos de
40 000 Q/V, ou de preferência ser electrónico".
Porém, em caso algum se deve trabalhar em tran-
sistores com um voltímetro de sensibilidade inferior a
20 000 Q/V, pois as alterações provocadas nas polariza-
ções dos electrodos pela aplicação do aparelho podem
destruir os transistores.
Durante as medidas, há que ter muito cuidado em
que as pontas de prova não provoquem curto-circuitos a-
cidentais entre pontos de potenciais diferentes.De pre
ferencia, há que utilizar pontas de prova finas e bas-
tante compridas.

Medidas de correntes

0 miliamperimetro a utilizar nas medidas de cor


rentes dos circuitos de transistores deve ter uma reais
tencia interna muito baixa, que não ultrapassealgumas
centenas de ohms.
Na realidade, as resistências utilizadas nestes
circuitos são na generalidade de valor bastante mais
baixo que nos circuitos, de válvulas, pelo que o minam-
perimetro a ligar em serie com qualquer delas para me-
dir uma corrente deve ter uma resistência interna compa
rativamente insignificante. Se tal não suceder, a inser
ção do aparelho provoca alteração no funcionamento do
circuito e as medidas resultam falseadas.
O multimetro habitual do radiotecnico equipado
com instrumento de 20 000 Q/V com,aprOximadamente,300 Q
de resistência interna serve para medidas de correntes
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em transistores, pois a resistência interna desses apa-


relhos na escala de 1 mA e pouco superior a 100 Q.

Medidas de resistênci

Quando preten erros medir uma resistência num a


parelho de válvulas, ormalmente medimo-la no ,próprio
circuito sem a dessol ar,- pois que, como as valvulas e-
lectrOnicas não são c ndutoras a frio, não há perigo do
circuito se fechar at aves da válvula e a leitura ser
falseada.
O mesmo , não e cede nos aparelhos a transistores.
Se, por exemplo, medi mos uma resistência de carga de co
lector aplicando-lhe os terminais as pontas de prova
dum ohmimetro, se a p nta negativa ficar do lado do co-
lector o circuito feda-se atraves da junção colector/e
missor e a medida da resistência resulta totalmente fal .
gead.
,...
Portanto, para medirmos uma resistência num cir
cuito de transistores há duas soluções: ou se dessolda
uma das pontas da res i stência (e este o processo mais
seguro) ou se aplicam as pontas de prova com a polarida
de conveniente para qte os transistores se não tornem
condutores.
Note-se que he alguns multímetros que quando
funcionam como ohmímetros apresentam nos terminais de
saída polaridades inversas 'as que lá estão marcadas,is-
to e, tem tensão negativa no terminal positivo e vice-
versa. O radiotecnico que trabalha em transistores de-
ve conhecer a polaridde de saída do seu ohmimetro, pa-
ra o que lhe basta ve ificá-la com um voltímetro qual-
quer.
' Outro aspecto muito importante e a tensão da pi
lha utilizada pelo oh 'metro. Certos ohmímetros utili-
zam pilhas de 9 V, 22,5 e mesmo 45 volts; e evidente
que um aparelhos des es e um destruidor de circuitos,
pois os isolamentos d certos condensadores electrolíti
cos e a tensão de rup ura de alguns transistores não e-
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superior a 4 Volts.
Antes de utilizar um ohmímetro num circuito de
transistores assegure-se que a pilha dele não
Z.
tem umatensao superior a 1,5 Volts.

As soldaduras

Os componentes do circuito de transistores (con


densadores, resistências, os próprios transistores, et7)
são sempre do tipo miniatura e montados de forma compac
ta. O campo de trabalho apresenta-se por isso de difícil
operação quando se utilizam as ferramentas usuais em e-
lectronica de válvulas.
Recomenda-se aos radiotecnicos reparadores de
transistores a aquisição do alicate, chave de fenda e de
mais ferramenta com dimensões reduzidas e grande facili-
dade de manobra.
Especialmente importante e, poreni; o ferro de sol
dar. Já por várias vezes frizámos a extrema sensibilidade
dos transistores 'a temperatura. Ora, o transistor e fixa-
do ao circuito por soldadura das pontas; se nesta soldadu'
ra se utilizar um ferro de grande aquecimento, o calor con
duzido através das pontas pode destruir ou alterar profun
damente o transistor.
O ferro de soldar para transistor não deve ter uma
potência superior a 25 W e deve ser provido duma ponta fi
na e comprida. Na realização da soldadura há que dar ape-
nas o calor neceãsário ao"disparo"da solda. As. pontas do
transistor não devem ser cortadas com menos de 5 mm de com
primento e sempre que. possível devem conservar todo o coe
primento original, mesmo que daí resulte uma montagem pou
co estética. Há que tomar especialmente cuidado em -nunca
encostar o ferro ao corpo do transistor.

Circuitos impressos

Desde há muitos'anos que os fabricantes começaram


a substituir a complexa cablagem de ligações dos aparelhos
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por placas de baqueli e sobre ,as quais as ligações são


desenhadas com tinta etálica. Isto e, os fios conduto-
res foram substituído por filetes metálicos aos quais
se soldam directamente os componentes dos circuitos.
Sob muitos as estos, o circuito impresso tem a-
centuadas vantagens: ermite uma fabricação mais econe-
mica para grandes ser ea de aparelhos, torna os.circui-
tos mais compactos e emite montagens mais rígidas e
duradoiras.
Porem, para o reparador, o circuito impresso e
um quebra-cabeças, so retudo se, como e habitual, tra-
balha sem esquema. Na realidade, e por vezes extremamen
te difícil seguiras igações dum circuito impresso e
ao depois de muita pr tica o reparador consegue um rela
tivo à vontade no seg invento destes circuitos.
,
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Não ha avarias nos circuitos impressos, salvo
se já vierem da fábric a ou forem provocadas, o - que ruce
-

de com facilidade quapdo são trabalhados por técnicos


inexperiente'. De facto, em alguns pontos os filetes me
tálicos impressos na baquelite não' chegam a ter um mili
metro de afastamento, pelo que, se há que substituir ma
terial soldado a esses filetes, a soldadura não e' reali
zada com a necessária precisão, as filetes podem ficar
ou interrompidos ou em'curto-circuito.
Por todos estes motivos, a precisão das soldadu
ras adquire nos circuitos'de transistores, especialmen-
te
te quando são impresso , uma importância capital.
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CIRCUITOS IMPRESSOS .

11'4 Fig.77

RCE262 F. GUEDES • Lisboa