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Pentecostes: o Dom do Ressuscitado derramado sobre a Igreja

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Dom, 28 de Dezembro de 2008 15:07
Cônego Henrique Soares da Costa

O tempo pascal conclui-se com a Solenidade de Pentecostes, celebração do Espírito


Santo, Dom que o Cristo morto e ressuscitado faz à sua Igreja. Vejamos alguns aspectos
do significado profundo deste mistério tão importante da nossa fé.

(1) “Morto na carne, foi vivificado no Espírito” (1Pd 3,18s).O dom do Espírito Santo é
fruto da Páscoa de Cristo. Morto como homem (= na carne, isto é, na natureza humana),
ele foi ressuscitado pelo Pai na força do Espírito Santo derramado sobre ele (cf. 1Tm
3,16; Rm 1,4). Seu corpo e sua alma sua inteligência, sensibilidade, consciência,
conhecimento... tudo de humano em Jesus foi divinizado e transfigurado pelo Espírito
Santo. O Espírito torna-se a própria energia divina que sustenta e vivifica a natureza
humana do Senhor ressuscitado, de tal modo que São Paulo chega a dizer que o Senhor
Jesus é Espírito (cf. 2Cor 3,18). É assim que o Senhor Jesus se torna doador do Espírito
Santo: “Exaltado pela Direita de Deus, ele (Jesus) recebeu do Pai o Espírito Santo
prometido e o derramou” (At 2,33).

(2) Este derramamento do Espírito deu-se no próprio dia da ressurreição, “na tarde
daquele mesmo dia” (Jo 20,19): Jesus entrou no Cenáculo estando fechadas as portas,
soprou sobre os Onze e disse: ‘Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). Aqui, em certo
sentido, nasce a Igreja, aqui os apóstolos são batizados no Espírito Santo, tornando-se
cristãos, pois receberam a vida nova do Cristo morto e ressuscitado! Antes, eles eram
seguidores de Jesus, acreditavam na sua missão, mas agora, recebem a própria vida
divina que o Ressuscitado possui e dá aos seus discípulos. Esta vida, recordemos, é o
próprio Espírito Santo!

(3) Sendo assim, qual o sentido da festa de Pentecostes? No Antigo Testamento, os


judeus celebravam-na cinqüenta dias após a Páscoa para comemorar o dom da Lei que
Deus fizera ao povo de Israel. Os israelitas saíram do Egito, atravessaram o Mar e,
cinqüenta dias após, chegaram ao pé do Monte Sinai, onde Deus lhes dera a Lei (cf. Ex
23,14-17). Como Pentecostes sempre coincidia a colheita do trigo, também era
considerado a Festa das Primícias. Pois bem: cinqüenta dias após a Páscoa de Jesus, os
apóstolos reunidos em Jerusalém, receberam o Espírito de um modo vistoso, barulhento,
com fenômenos exteriores. A idéia é muito clara: para o novo povo de Deus, que é a
Igreja, a Lei não é mais a Lei dos judeus, mas o Espírito de Amor que Jesus derramou
nos nossos corações e que habita em nós (cf. Rm 5,5). O Amor que Jesus nos deu como
mandamento não é um sentimento, mas é o seu próprio Espírito, no qual unicamente
podemos amar a Deus e nos amar como ele amou. É este amor que é a plenitude da Lei
(cf. Rm 13,8.10). Se olharmos com atenção o texto dos Atos dos Apóstolos que narra a
vinda do Espírito, veremos as mesmas características do dom da Lei, no Monte Sinai:
no deserto, o dom da Lei acontece no quadro de uma tempestade [“houve trovões,
relâmpagos...’ (Ex 19,16)], uma erupção vulcânica [“uma espessa nuvem sobre a
montanha, e um clamor muito forte de trombeta... toda a montanha do Sinai fumegava...
a sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha...” (Ex 19,16.18)] e um terremoto
[“toda a montanha tremia violentamente” (Ex 19,18)]; no Cenáculo, aparecem os
mesmo sinais: ruído, vendaval impetuoso, línguas como de fogo (cf. At 2,2s). Então,
fica clara a idéia: a nova Lei que o Cristo dá ao é uma lei de preceitos escritos em
tábuas, mas o seu próprio Espírito, derramado no nosso coração. E a Igreja, fruto da
ação do Espírito do Ressuscitado é também primícias da colheita de tudo quanto Cristo
realizou na sua páscoa.

(4) Se procurarmos articular o dom do Espírito no dia mesmo da ressurreição (cf. Jo


20,19) com o dom do Espírito em Pentecostes (cf. At 2), podemos dizer o seguinte: o
dom do Espírito em João, no dia da ressurreição, equivale ao nosso batismo, quando
recebemos, no símbolo da água, o Espírito de vida do Cristo ressuscitado. Nele,
recebemos uma vida nova, que germina até a glória eterna. Já o dom do Espírito em
pentecostes equivale à experiência de cada cristão no sacramento da crisma, quando nos
é dado o Espírito de força para o testemunho de Jesus e a edificação do Corpo de Cristo,
que é a Igreja. Agora, com a manifestação no Cenáculo, a Igreja abre as portas e começa
a sair de si, lançando-se nas estradas do mundo para testemunhar Jesus e construir-se
como comunidade dos discípulos daquele que morreu e ressuscitou.

(5) Na solenidade de Pentecostes é isto que celebramos: o dom do Espírito que é dado à
Igreja continuamente, na pregação da Palavra e, sobretudo, nos sacramentos, de modo
particular no batismo e na eucaristia. Em cada sacramento, a Igreja suplica ao Pai o dom
do Espírito do Filho, que a una sempre mais ao Ressuscitado. Esse Espírito dá à Igreja a
vida nova que Jesus, seu Senhor e Esposo, agora tem à direita do Pai e, assim, vai
conduzindo-a mais e mais à vida eterna. Há uma imagem no Apocalipse que exprime
bem essa idéia: João contempla um Cordeiro de pé, como que imolado, diante do trono
de Deus (cf. Ap 5,6). Este Cordeiro é o Cristo ao mesmo tempo vivo, vencedor (= de
pé), mas num eterno estado de imolação. Do seu lado, agora glorioso, continuam a sair a
água do batismo e o sangue da eucaristia, pelos quais o Espírito Santo é continuamente
dado à Igreja, para vivificá-la e uni-la sempre mais ao Cristo-Senhor (cf. Jo 19,30.34;
1Jo 5,5-8).

(6) Nunca esqueçamos que, sem o Espírito, não há nem pode haver Igreja. Somente
nele, a vida do Cristo permanece e é continuamente renovada na Comunidade dos
discípulos; somente no Espírito é possível viver em Cristo, fazer o bem por amor de
Cristo... Somente no Espírito o Evangelho pode ser anunciado como boa-nova e não
como letra morta e preceito exterior e opressor. É no Espírito Santo que a vida do Cristo
não somente está no nosso meio, mas em nós, no nosso interior, inspirando-nos para o
bem, dando-nos força contra o mal, plasmando em nós os sentimentos de Jesus e nos
preparando para a vida eterna. Somente no Espírito, a Comunidade pode se manter
unida na verdadeira fé e ligada no mesmo amor, sem, contudo, sufocar as diversidades
existentes. Só no Espírito, a Igreja pode se lançar para o futuro, sem ter medo das
novidades e, ao mesmo tempo, manter-se fiel ao passado de sua origem, sem se tornar
anacrônica ou ultrapassada. É por tudo isso que o Espírito foi chamado pelos Santos
Padres da Igreja Antiga de “alma da Igreja”: ele a vivifica, a mantém unida, a faz cresce
e a conduz à plenitude. É também por isso que a Igreja é real e verdadeiramente Templo
do Espírito Santo, que nela habita e repousa, nela permanecendo até transfigurá-la
completamente no final dos tempos, quando, então, ela será plenamente Corpo do Cristo
glorioso e povo de Deus Pai, para sempre.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Oração Inicial: Divino Espírito Santo, quero hoje rezar, com toda a Igreja,
pedindo que nos envieis os vossos dons: o dom da Sabedoria, do Entendimento, da
Ciência, do Conselho, da Fortaleza, da Piedade e do Temor de Deus. Isto vos
pedimos em nome de Jesus Cristo que nos prometeu: “Se me pedirdes algo em
meu nome, eu o farei…” (Jo. 14,13). Pai santificai-nos pelo vosso Espírito, para que
possamos dedicar toda nossa vida a vós, como fez Jesus Cristo, vosso Filho e Nosso
Senhor. Amém.

Palavra de Deus (At. 2,1-5): “Quando chegou o dia de Pentecostes, todos eles
estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho se fosse
uma forte ventania, e encheu a casa onde eles se encontravam. Apareceram então
umas como línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um
deles. Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras
línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem”.

Meditação: Espírito Santo, dai-nos uma consciência sensível aos vossos apelos.
Ajudai-nos a reconhecer e respeitar a imagem de Deus em cada rosto humano.
Purificai-nos e transformai os nossos corações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que
com o Pai vive e reina, na unidade do vosso Amor. Amém

Oração Final: Vinde Espirito Santo,enchei os corações dos vossos fieis e acendei
neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espirito e tudo sera criado e renovareis a
face da terra. Ó Deus que instruistes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espirito
Santo fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo espirito e
gozemos sempre da Sua consolação. Por Cristo Nosso Senhor Amém.

Rezar um Pai Nosso e três Ave-Marias. “Rainha dos Apóstolos, rogai por nós!”

Vamos estar rezando todos os dias a nossa novena de Pentecostes, acreditando que ele
vai derramar muitos dons em nossa vida…
rezemos tembem com este video, Deus abençoe
O que é Pentecostes?

Era para os judeus uma festa de grande alegria, pois era a festa das colheitas. Ação de graças
pela colheita do trigo. Vinha gente de toda a parte: judeus saudosos que voltavam a Jerusalém,
trazendo também pagãos amigos e prosélitos. Eram oferecidas as primícias das colheitas no
templo. Era também chamada festa das sete semanas por ser celebrada sete semanas depois
da festa da páscoa, no qüinquagésimo dia. Daí o nome Pentecostes, que significa
“qüinquagésimo dia”. No primeiro pentecostes, depois da morte de Jesus, cinqüenta dias
depois da páscoa, o Espírito Santo desceu sobre a comunidade cristã de Jerusalém na forma
de línguas de fogo; todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras
línguas (At 2,1-4). As primícias da colheita aconteceram naquele dia, pois foram muitos os que
se converteram e foram recolhidos para o Reino. Quem é o Espírito Santo?

Espírito que procede do Pai e do Filho: “quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do
Pai, o Espírito da Verdade que vem do Pai, ele dará testemunho de mim e vós também dareis
testemunho…” (Jo 15 26-27). O Espírito Santo é Deus com o Pai e com o Filho. Sua presença
traz consigo o Filho e o Pai. Por Ele somos filhos no Filho e estamos em comunhão com o Pai.
Qual é sua missão: Introduzir-nos na comunhão do Filho com o Pai, santificando-nos e
fazendo-nos filhos com Jesus.
Fortalecer-nos para a missão de testemunhar e anunciar Jesus ao mundo. Para isso
recebemos a plenitude de seus dons bem como a capacidade de proclamar a todos a quem
somos enviados o Evangelho de Jesus. O Espírito Santo é o AMOR do Pai e do Filho
derramado em nossos corações.O amor é fogo que arde, é chama que aquece e é força que
aproxima e une. O milagre das línguas é este: tomados pelo amor de Deus os homens passam
a viver uma profunda comunhão e entre eles se estabelece a concórdia e a paz destruída pelo
orgulho de Babel, raiz da discórdia e da confusão das línguas.
Guiar a Igreja nos caminhos da história para que ela permaneça fiel ao Senhor e encontre
sempre de novo os meios de anunciar eficazmente o Evangelho. E isto o Espírito Santo o faz
assistindo os pastores, derramando seus carismas sobre todo o Povo e a todos sustentando na
missão de testemunhar o Evangelho. É pelo Espírito Santo que Jesus continua presente e
atuante na sua Igreja.
Quem O recebe? Todos os que são batizados e crismados. Quem dele vive? Somente aqueles
que procuram guardar a Palavra do Senhor no esforço de conversão, na oração e no empenho
em testemunhar e anunciar o Evangelho de Jesus. Quem crê no Espírito Santo e procura viver
Dele, é feliz. Amém.
Este texto, de Dom Eduardo Benes, Bispo diocesano de Lorena/SP, é maravilhoso, ele nos
ajuda a compreender a pessoa do espirito santo e nos prepara para o grande dia de
pentecostes, que sera dia 31 deste mes, dia em que o espirito santo é derramado na igreja, nas
nossas vidas de foram especial.
um abraço e minha benção
pe geraldinho.

O que é a Festa de Pentecostes?


Liturgia
21-05-2007
A- A+
Pentecostes, do grego, pentekosté, é o qüinquagésimo dia após a Páscoa. Comemora-se
o envio do Espírito Santo à Igreja. A partir da Ascensão de Cristo, os discípulos e a
comunidade não tinham mais a presença física do Mestre. Em cumprimento à promessa
de Jesus, o Espírito foi enviado sobre os apóstolos. Dessa forma, Cristo continua
presente na Igreja, que é continuadora da sua missão.

A origem do Pentecostes vem do Antigo Testamento, uma celebração da colheita


(Êxodo 23, 14), dia de alegria e ação de graças, portanto, uma festa agrária. Nesta, o
povo oferecia a Deus os primeiros frutos que a terra tinha produzido. Mais tarde,
tornou-se também a festa da renovação da Aliança do Sinai (Ex 19, 1-16).

No Novo Testamento, o Pentecostes está relatado no livro dos Atos dos Apóstolos 2, 1-
13. Como era costume, os discípulos, juntamente com Maria, mãe de Jesus, estavam
reunidos para a celebração do Pentecostes judaico. De acordo com o relato, durante a
celebração, ouviu-se um ruído, "como se soprasse um vento impetuoso". "Línguas de
fogo" pousaram sobre os apóstolos e todos ficaram repletos do Espírito Santo e
começaram a falar em diversas línguas.

Pentecostes é a coroação da Páscoa de Cristo. Nele, acontece a plenificação da Páscoa,


pois a vinda do Espírito sobre os discípulos manifesta a riqueza da vida nova do
Ressuscitado no coração, na vida e na missão dos discípulos.
Podemos notar a importância de Pentecostes nas palavras do Patriarca Atenágoras
(1948-1972): "Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado,
o evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder,
a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos".
O Espírito traz presente o Ressuscitado à sua Igreja e lhe garante a vida e a eficácia da
missão.

Dada sua importância, a celebração do Domingo de Pentecostes inicia-se com uma


vigília, no sábado. É a preparação para a vinda do Espírito Santo, que comunica seus
dons à Igreja nascente.

O Pentecostes é, portanto, a celebração da efusão do Espírito Santo. Os sinais externos,


descritos no livro dos Atos dos Apóstolos, são uma confirmação da descida do Espírito:
ruídos vindos do céu, vento forte e chamas de fogo. Para os cristãos, o Pentecostes
marca o nascimento da Igreja e sua vocação para a missão universal.