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Observador Crítico das Religiões

Autor: Octavio da Cunha Botelho

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Jesus no Talmude
octaviobotelho / 07/10/2016

por Octavio da Cunha Botelho

                      Para muitos religiosos,


existe uma grande diferença entre
uma ideia que é dita em um livro
que não é canonizado e uma ideia
que é mencionada em um livro
canonizado, mais ainda quando se
trata de uma crítica ou de uma
ofensa. A canonização é a
homologação da autoridade de um
texto ou a santificação de um
devoto. Sendo assim, na rivalidade
entre as religiões, quando uma Versão impressa do Talmude Babilônico
ofensa ou uma crítica é feita sobre
outra religião, se a fonte desta
ofensa é um texto não canonizado,
o efeito não é o mesmo se esta tivesse sido feita por uma obra canonizada. Ou seja, a
menção em um texto popular e não canonizado não produz o mesmo impacto da menção
em um texto canonizado. Esta é uma mentalidade muito comum na cultura religiosa. Um
exemplo é o que aconteceu com os relatos hostis sobre Jesus na coleção do Sefer Toledoth
Yeshu (Livro sobre a Vida de Jesus)[1], a versão judaica sobre a vida de Yeshu (Jesus), a qual
nunca foi canonizada no Judaísmo, permanecendo sempre como textos populares, os quais
nunca incomodaram tanto os cristãos. Em contrapartida, muito diferente foi o impacto das
menções hostis sobre Jesus (Yeshu) no Talmude, um texto sagrado e canonizado, o segundo
na autoridade judaica depois da Bíblia Hebraica. Embora o Talmude reproduza apenas breves
menções ofensivas sobre Jesus (Yeshu, Yeshu ha-Notzri, ben Stada, ben Pandera, etc.), seu
impacto sobre o clero cristão foi estrondoso, provocando reações furiosas (perseguição,
proibição de leitura, censura e queima), tal como veremos abaixo; enquanto que o Toledoth
Yeshu extrapola nas hostilidades e nas humilhações de Yeshu (Jesus), com relatos muito
mais extensos e ofensivos, porém nunca incomodou tanto as autoridades cristãs como o
Talmude importunou. A diferença estava na autoridade canônica.

            Portanto, o breve estudo abaixo procura mostrar mais uma das tantas versões sobre a
vida de Jesus, desta vez da perspectiva de uma tradição de fora do Cristianismo, versões
estas emergentes nos primeiros séculos da era cristã.

Os Primeiros Registros das Versões Judaicas sobre Jesus (Yeshu)

            Assim como os evangelhos apócrifos divergem dos evangelhos canônicos nos relatos
da vida e dos ditos de Jesus, porém sem hostilizá-lo, as narrativas anticristãs dos judeus, por
sua vez, vão muito mais longe ao depreciarem e zombarem de Jesus. Estes relatos hostis
não são criações medievais, tal como muitos cristãos pensam. Pois, existem documentos
que confirmam que versões judaicas dos episódios da vida de Jesus, muito diferentes das
versões dos evangelhos canônicos e apócrifos, já circulavam oralmente no segundo século,
eles apenas foram ampliados durante a Idade Média. O mais antigo registro aparece na obra
Diálogo com Trifon, o Judeu, do apologista cristão Justino, o Mártir, composta provavelmente
no ano 135 e.c. Nela, Trifon, um judeu fictício criado por Justino, apenas para efeito literário,
afirma que “Jesus, um impostor da Galileia, que nós crucificamos, mas que os seus
discípulos o roubaram à noite da tumba, onde ele estava deitado quando solto da cruz, e
agora enganam os homens afirmando que ele ressuscitou dos mortos e subiu ao céu”
(Dialogue with Trypho, The Jew, capítulo 108 – Praten, 1867: 235). Que o roubo do corpo de
Jesus era uma polêmica desde os primeiros anos pode ser confirmado no Evangelho de
Mateus 28.12-5, quando os sacerdotes judeus se reuniram com os líderes religiosos e
elaboraram um plano. Eles “deram aos soldados grande soma de dinheiro, dizendo-lhes:
Vocês devem declarar o seguinte: os discípulos dele vieram durante a noite e furtaram o
corpo, enquanto estavam dormindo. (…).  Assim, os soldados receberam o dinheiro e
seguiram as instruções. E esta versão se divulgou entre os judeus até o dia de hoje” (NVI-PT,
Mt. 28.12-5).

           Ainda mais hostil é o resumo da vida de Jesus


em A Doutrina Verdadeira (gr. Λόγος Αληθής – Logos
Alethes) do pensador grego Celso, obra perdida do
século II e.c., porém reproduzida em grande parte na
heresiologia Contra Celsum (gr. Κατά Κελσου – Kata
Kelsou) do cristão Orígenes (século III e.c.), escrita na
intenção de refutar as críticas do citado autor grego.
Celso acusou Jesus de ter inventado seu nascimento
de uma virgem; e adverte Jesus de ter nascido de um
vilarejo judeu, de uma pobre mulher do campo, que
conseguia o seu sustento com a tecelagem[2], e que
foi expulsa de casa por seu marido, um carpinteiro de
profissão, porque ela foi condenada por adultério, que
após ter sido expulsa por seu marido, ela perambulou
por um tempo, então ela desgraçadamente deu à luz
Jesus, um filho ilegítimo, que tendo trabalhado como
Busto do pensador grego Celso servo no Egito, em virtude da sua pobreza, adquiriu
(sec. II e.c.), um dos primeiros a alguns poderes miraculosos, dos quais os egípcios se
registrar a versão judaica da vida orgulham muito[3], retornou ao seu próprio país,
de Jesus. altamente entusiasmado por causa deles, e por meio
destes poderes proclamou-se um deus (Origen
Contra Celsum, vol. I. 28 e 32 – Chadwick, 1980: 28 e
31; ver também: Schonfield, 1937: 132-8; Schäfer, 2007: 18-9 e Cook, 2011: 215s). Celso
também revelou a sua suspeita sobre a veracidade dos relatos evangélicos, dizendo que
“embora eu poderia dizer muito sobre o que aconteceu a Jesus que é verdadeiro, e nada
como os relatos que foram escritos pelos discípulos…” (Origem Contra Celsum, vol. II. 13 –
Chadwick, 1980: 78 e Schonfield, 1937: 132). Mais adiante ele acrescenta que alguns “crentes
cristãos, como que em um surto de embriagues, chegaram ao ponto de alterarem o texto
original do evangelho três, quatro ou diversas vezes, eles alteraram o seu conteúdo a fim de
capacitá-los a negar as dificuldades diante das críticas” (Origen Contra Celsum, vol. II.27 –
Chadwick, 1980: 90 e Schonfield, 1937: 133).

            Celso desconfiou dos fenômenos milagrosos ocorridos durante o batismo de Jesus,
por João Batista, narrados nos evangelhos canônicos, questionando diretamente Jesus da
seguinte maneira: “Quando você estava banhando, perto de João, você diz que você viu o que
parecia ser um pássaro que voa na sua direção do ar. Que testemunha confiável viu esta
aparição, ou que ouviu uma voz do céu considerando você como o filho de deus? Não há
prova exceto a sua palavra, e a evidência que você é capaz de apresentar é de um dos seus
homens que foi punido como você? (Origen Contra Celsum, I. 41 – Chadwick, 1980: 39).
Também, Celso questionou a divindade de Jesus com relação a sua fuga após a
condenação, um episódio que não aparece nos evangelhos canônicos, tampouco nos
apócrifos, mas conhecido da tradição judaica daquela época, do seguinte modo: “Como
poderemos nós considera-lo um deus, quando em outras ocasiões, tal como as pessoas
perceberam, ele não manifestou alguma coisa do que tinha prometido realizar, e quando nós
o condenamos, o sentenciamos e decidimos que ele deveria ser punido, ele foi pego
escondendo-se e fugindo da maneira mais humilhante e, na verdade, foi traído por aqueles
de ele chamava de discípulos? (Origen Contra Celsum, II.09 – Chadwick, 1980: 73 e
Schonfield, 1937: 137).

            Com o tempo, novos episódios hostis foram sendo acrescidos a esta tradição judaica
e transmitidos oralmente, de geração para geração, até que alguns trechos foram incluídos,
através de menções, no Talmude, talvez por volta de 300e.c. até o ano 600 e.c., depois no
comentário rabínico Midrash, para finalmente serem compilados na forma escrita, através de
diferentes versões, durante a Idade Média, em uma coleção conhecida coletivamente por
Sefer Toledoth Yeshu (O Livro da História da Vida de Jesus).[4]

O Talmude

O Talmude (‫)תּ ְלמוּד‬


ַ é o documento de formação do Judaísmo Rabínico no fim da
Antiguidade. Ele é o texto de maior autoridade para os judeus depois da Bíblia Hebraica
(Tanakh). Trata-se de uma extensa compilação da Lei Oral (Torah Shebealpeh), enquanto a
Torá é a Lei Escrita (Torah Shebikhtav), em outras palavras, é a interpretação oral da Lei
Escrita preservada anteriormente apenas na memória e transmitida oralmente. Existem duas
versões do Talmude: o Talmude Palestino (Talmud Yerushalmi), concluído por volta do século
IV e.c. e o Talmude Babilônico (Talmud Bavli), concluído por volta do século VI e.c., este
último é o mais extenso e o mais estimado. Está constituído de duas partes compiladas em
duas etapas, a mais antiga é a Mixná (tradição), e a posterior é a Guemará (comentário).
Existem também comentários suplementares conhecidos por Tosefta e Midrash, os quais
geralmente não são incluídos nos volumes talmúdicos. O Talmude pertence à seita dos
fariseus, a única corrente antiga do Judaísmo pré-rabínico que sobreviveu à destruição do
Segundo Templo (70 e.c.). O motivo para a compilação das leis do Talmude, para a forma
escrita, pode ter sido o temor, dos poucos rabinos sobreviventes após a grande revolta, de
que a tradição oral poderia se perder.
O Talmude é uma obra muito extensa, possui 64 tratados (masekhtot) divididos em 06
ordens (sedarim). A tradução inglesa da Soncino Publishing House de 1935-52 abrangeu 35
volumes, depois reimpresso em 18 volumes no ano de 1961 e a edição eletrônica possui
quase 10 mil páginas. A literatura talmúdica desenvolveu-se por estágios. O primeiro estágio
é conhecido por período tannaico, nome atribuído em virtude dos sábios Tannaim daquela
época, do século I a.e.c. até cerca do ano 200 e.c. O principal texto da literatura tannaica é a
Mixná. Depois que os romanos esmagaram a revolta judia em 70 e.c., os fariseus foram o
único grupo organizado no Judaísmo a sobreviver. Com a permissão romana, eles criaram
um centro rabínico na costa da Palestina, com o mais influente rabino da época, Yohanan ben
Zakkai, como o líder. Eles assumiram a tarefa de começar a compilar as antigas tradições
legais dos fariseus, algumas dos primeiros séculos a.e.c. O corpo de textos até então
preservado na memória foi estudado e sua codificação iniciada. Em seguida, o rabino Akiba e
o rabino Meir assumiram a tarefa, e o material foi organizado em categorias legais. Logo
após o ano 200 e.c., o processo foi concluído pelo rabino Judá, o Príncipe, quem
supervisionou a compilação da coleção de leis religiosos na Mixná, e então o período
tannaico terminou.

Em função da lei judaica ser


mutável, o processo de interpretar
a Torá, em novos casos, continuou
após o ano 200 e.c. Então
começou o período amorático do
Judaísmo Rabínico, nome extraído
dos sábios rabinos (Amoraim)
daquela época. A Mixná tornou-se
um assunto de desenvolvimento
teológico e legal. Finalmente, dois
Guamarás sobre a Mixná se
desenvolveram, um na Palestina e
Páginas internas de uma versão impressa do
um mais extenso (e finalmente
Talmude com a Mishná e a Guemará
muito mais influente) na Babilônia.
Então, duas coleções do Talmude
emergiram: o Talmude Palestino,
também conhecido por Talmude de Jerusalem ou Yerushalmi, foi completado por volta de
350 e.c.; e um outro mais extenso, o Talmude Babilônico, conhecido também por Talmude
Bavli, completado por volta do ano 500 e.c.

Apesar da autoridade e do enorme prestígio do Talmude dentro da comunidade judaica,


sobretudo entre os ortodoxos, mesmo assim ele não ficou imune às críticas. O conhecido
reformador judeu Abraham Geiger declarou, no século XIX, que o Talmude era “um colosso
desajeitado que precisava ser derrubado” (De Lange, 2000: 56). E na definição de algumas
feministas judias, o Talmude é “um gigantesco monumento de discriminação e de submissão
da mulher”. Não são todas as correntes judaicas que o aceitam na íntegra, algumas o
reinterpretam à luz da mentalidade contemporânea, sendo que outras o rejeitam por
completo. O imenso sentimento de misoginia, de preconceito, de discriminação e de
submissão da mulher no Talmude só é comparável ao do misógino Manusmrti (Código de
Manu) dos hindus. Em razão de sua extensão e de seu obsoletismo, as leis arcaicas do
Talmude desafiam os costumes da época contemporânea, bem como contrariam algumas
convenções da ONU sobre a eliminação de todas as formas de discriminação. Portanto, para
os mais críticos, o Talmude é uma peça arqueológica que deveria estar exposta em um
museu, em função do seu obsoletismo.
A Perseguição, a Censura e a Queima do Talmude

                      A intolerância da Igreja Católica, durante a Idade Média, chegou ao ponto de até


admitir que a simples exposição às ideias e aos livros hereges era suficiente para colocar em
risco a eterna salvação de seus fiéis. Com tal preocupação em mente, a Igreja se mobilizou a
fim de proteger o seu séquito através da censura ou da queima de livros que eram
considerados perigosos. A censura abrangia desde a perseguição, passando pela obrigação
de apagar trechos censurados, pela proibição da sua leitura, pelo confisco, até a queima na
fogueira em praça pública. Também, vários Indices (listas de livros proibidos) foram emitidos.

                      Embora a Igreja já tivesse perseguido alguns livros e promovido a sua queima, a


perseguição ao Talmude iniciou-se em 1236, quando um apóstata judeu, Nicholas Donin,
enviou um memorando ao papa Gregório IX relacionando 35 acusações contra o Talmude,
alegando que este possuía blasfêmias sobre Jesus e sobre o Cristianismo. Então, em 1239, o
papa Gregório IX ordenou uma investigação e, como resultado desta, enviou cartas aos
sacerdotes da França resumindo as acusações e ordenando o confisco de livros judeus em
março de 1240. Após o debate de Barcelona, em 1263, Tiago, o rei de Aragão, ordenou que os
judeus deveriam, dentro de três meses, eliminar todas as passagens em seus escritos que
fossem ofensivas ao Cristianismo. A desobediência desta ordem poderia resultar em duras
punições e na destruição das obras em questão.

A intromissão oficial da Igreja na vida


judia veio à tona com a perseguição do
Talmude. Relacionado em 1559 no
Index Auctorum et Librorum
Prohibitorum, emitido pelo papa Paulo
IV, o Talmude foi sujeito a inumeráveis
debates, ataques e queimas. Em março
de 1589, o papa Sexto V estendeu a
proibição em seu Index aos Livros dos
Judeus, contendo qualquer coisa que
pudesse ser interpretada como sendo
contra a Igreja Católica. Em 1595, o
Index Expurgatorius dos livros judeus
foi criado. Este Index relacionava livros
que não podiam ser lidos sem terem as
passagens revisadas e deletadas antes
da publicação. Os revisores oficiais,
que geralmente eram judeus apóstatas,
eram indicados para efetuarem esta
revisão de acordo com as regras
estabelecidas no De Correctione
Librorum, que apareciam no Index de
Texto hebraico com trechos borrados pela Clemente VIII, em 1596.
censura.
Com isso, passagens do Talmude
foram apagadas, alteradas e até
mesmo rasgadas. Cerca de 420 livros
hebreus foram relacionados em um manuscrito de 1903. Existem milhares de livros judeus
com sinais de interferência de censor, palavras e passagens inteiras borradas com tinta, e até
assinaturas dos censores no fim dos volumes. Uma grande quantidade de erros textuais nas
edições padrões dos livros hebreus deve sua origem a tais atividades dos censores. A última
edição do Index Librorum Prohibitorum papal, em 1948, ainda incluía obras judias (para
aprofundamento, consultar: Steinsaltz, 1976: 81-5).

Peter Schäfer resumiu assim: “A história da transmissão do texto Bavli (Talmude Babilônico) é
dificultada pelo fato de que muitos dos manuscritos mais antigos estão perdidos por causa
da política agressiva da Igreja Católica contra o Talmude, a qual culminou nas muitas
queimas do Talmude, ordenadas pela Igreja (a primeira em 1242, em Paris). Ainda mais, após
o infame debate judeu-cristão de Barcelona em 1263, a Igreja começou (geralmente
confiando na expertise de judeus convertidos) a censurar o texto do Talmude e a eliminar
(apagar, borrar, etc.) todas as passagens que os experts achavam que eram censuráveis ou
ofensivas à doutrina cristã. Sem dizer que, as passagens que referiam a Jesus tonaram-se a
vítima principal de tal atividade” (Schäfer, 2007: 132).

Os Manuscritos Utilizados por Peter Schäfer

            Graças a atual tecnologia de reunir uma enorme quantidade de dados e coloca-la
disponível eletronicamente para pesquisadores, as pesquisas sobre o Talmude foram
favorecidas enormemente. Com este novo recurso, gigantescos bancos de dados online de
muitos manuscritos talmúdicos podem ser consultados. Peter Schäfer utilizou em seu livro
Jesus in Talmud 14 manuscritos, tanto os censurados como os não censurados; também
duas versões impressas, Soncino (1484-1519) e Vilna (1880-1886), também com trechos
censurados e não censurados. Obviamente, os trechos não censurados são aqueles que são
importantes para sabermos o que o Talmude diz sobre Jesus. O mais antigo utilizado por
Peter Schäfer foi o manuscrito Firenze II-I-7-9 de 1177 e.c., e o mais recente o manuscrito
Herzog 1, um manuscrito iemenita de 1565 e.c. Lista completa em Schäfer, 2007: 131-2. Um
manuscrito muito utilizado por ele em muitas partes do seu estudo foi o manuscrito Munique
Cod. Hebr. 95 de 1342 e.c.

                      Ele reproduziu uma lista dos trechos onde Jesus é mencionado no Talmude
mostrando a maneira pela qual Jesus é descrito nos diferentes manuscritos, bem como os
trechos que foram apagados, borrados ou alterados pelos censores (p. 133-41). Por
exemplo, o trecho do Tratado Gittin 57a do Talmude diz: “ele foi e trouxe Jesus” (manuscrito
Munique 95), enquanto que a versão impressa Soncino omite o final da frase; “ele foi e
trouxe…”, e a versão impressa Vilna altera o final da frase da seguinte maneira: “ele foi e trouxe
os pecadores de Israel”. O manuscrito Vaticano 130 acrescenta: “ele foi e trouxe Jesus o
Nazareno” (Schäfer, 2007: 141). Uma curiosidade sobre a censura nos trechos dos
manuscritos analisados por Peter Schäfer (p.141-5) é que em alguns deles, os censores
parecem ter sido negligentes ou descuidados, uma vez que alguns trechos com referência a
Jesus foram censurados, enquanto que em outros não. Mais curioso ainda é quando uma
frase idêntica sobre Jesus é mencionada em duas passagens diferentes em um mesmo
manuscrito, e a frase só é censurada em uma passagem, deixando a outra intacta.

A Discussão sobre as Menções de Jesus no Talmude

            Já na primeira leitura dos trechos do Talmude que mencionam Jesus é possível notar
o desprezo dos rabinos por ele e pelo Cristianismo. Na visão deles, Jesus não era uma figura
religiosa importante e o Cristianismo uma seita insignificante. Jesus é mencionado em
passagens breves, geralmente exemplificando um autor de um mal feito, ou como exemplo
de um pervertido. O desprezo é tanto que ele chega a ser mencionado às vezes como peloni
(uma certa pessoa), ou em outras passagens nenhum nome é mencionado em episódios
claramente referentes a ele, até mesmo em trechos de manuscritos que não foram
censurados.
            Por conseguinte, este desprezo
dificulta a identificação da menção de
Jesus nas passagens mais implícitas,
dificuldade que divide os
pesquisadores deste assunto
naqueles que são minimalistas, ou
seja, aqueles que atribuem um
pequeno número de passagens
referentes a Jesus, os maximalistas,
isto é, aqueles que atribuem um
grande número de passagens a Jesus
e, por fim, os moderados, que são
aqueles que atribuem uma
quantidade moderada, permanecendo
entre os dois extremos. Como
resultado do caráter implícito na
Padres e rabinos em debate
menção de Jesus, uma calorosa
discussão sobre este assunto surgiu
entre os pesquisadores. Com base
neste debate, as passagens referentes a Jesus podem ser divididas em passagens explícitas,
onde ele é mencionado diretamente pelos nomes Yeshu (Jesus) e Yeshu ha-Notzri (Jesus o
Nazareno) e as passagens implícitas, onde ele é mencionado por nomes tais como: ben
Stada (filho de Stada)[5], ben Pandera (filho de Pandera), Balaão ou peloni (uma certa pessoa).
[6] Os trechos censurados nos manuscritos acrescentam ainda mais dificuldade na
identificação da menção sobre Jesus. Portanto, não será possível seguir neste estudo
somente a tradução inglesa da versão impressa Soncino, uma vez que esta reproduz os
trechos censurados, mas sim, para efeito de maior abrangência, o cotejo de diferentes
manuscritos feito por Peter Schäfer em seu livro (p. 131-41), o que torna possível a
identificação dos trechos censurados, bem como o conhecimento da redação original nos
trechos dos manuscritos que escapuliram da fúria dos censores cristãos[7].

A Família de Jesus (Yeshu)

                      Antes de mencionar as passagens no Talmude Babilônico que mencionam os


familiares de Jesus (Yeshu) é preciso informar a versão judaica do seu nascimento. Muito
diferente dos evangelhos canônicos, nas versões judaicas, desde o registro do pensador
grego Celso e passando por algumas versões do Sefer Toledoth Yeshu[8] compiladas na
Idade Média, ele não nasceu de uma mãe virgem, mas sim de uma relação adúltera entre sua
mãe Miriam (Maria) e o soldado José Pandera, pois ela já estava comprometida com um
noivo, portanto Jesus foi um filho bastardo. Então, Peter Schäfer explica porque o nome
“Stada” é também atribuído a sua mãe Miriam (Maria): “Stada é um epíteto que deriva da raiz
aramaica/hebraica sat.ah/sete (desviar do caminho correto, extraviar, ser infiel). Em outras
palavras, sua mãe Miriam era também chamada de “Stada” porque ela era uma sotah, uma
mulher suspeita de adultério, ou melhor, condenada por adultério” (Schäfer, 2007: 17). Já seu
pai biológico, José Pandera, era um soldado que residia perto da casa de sua mãe Miriam,
então ele, atraído por sua beleza, a seduziu. Ela engravidou e em seguida deu à luz um filho
bastardo, quem ela batizou com o nome de Yeshu (Jesus).

                      Esta tradição parece anteceder ao Toledoth Yeshu e ao Talmude, uma vez que é
relatada na obra de Celso, onde “a mãe de Jesus é descrita como tendo sido expulsa de casa
pelo carpinteiro com quem ela estava comprometida, visto que ela foi condenada por
adultério e teve um filho com um certo soldado chamado Panthera (Pandera)” (Origen Contra
Celsum, I.32 – Chadwick, 1980: 31; ver também: Schäfer, 2007: 19).

            O desprezo dos rabinos por Jesus era tanto, nos primeiros anos do Cristianismo, que
no Tratado Shabbhat 104b do Talmude Babilônico, eles se envolvem nas seguintes dúvidas e
confusões: “Ele era o filho de Stada e não o filho de Pandera? Rabino Hisda disse: o marido
era Stada e o amante Pandera. Mas, não era o marido Pappos ben Yehuda e sua mãe Stada?
Sua mãe era Miriam, a mulher que deixou o cabelo crescer. Isto é o que dizem sobre ela em
Pumbeditha:[9] Esta foi expulsa de casa por ter sido infiel ao marido” (Schäfer, 2007: 16; ver
também: Herford, 1903: 35 e Van Voorst, 2000: 109).[10]

Jesus como tolo

            Antes de citar a próxima menção de Jesus no Talmude, é preciso informar o contexto
da qual ela foi retirada. Diferente dos evangelhos canônicos, cujos milagres de Jesus são de
origem divina, a tradição judaica regista duas versões sobre a origem dos poderes mágicos
de Jesus. A versão registrada em alguns textos do Toledoth Yeshu informa que Jesus, a fim
de obter poder, roubou o conhecimento do Nome Inefável de Deus no templo de Jerusalém,
através da trapaça de escrever o nome em um pequeno pedaço de pergaminho e escondê-lo
em um corte feito na sua perna, a fim de não ser surpreendido pelos leões que guardavam a
saída do santuário e faziam com que aqueles que memorizassem o nome, o esquecesse
com o rugir dos leões.[11] Outra versão, registrada pelo pensador grego Celso, afirma que
Jesus aprendeu sua magia no Egito, quando trabalhou naquela região como servo. “Ela
(Maria) perambulou por um tempo, então ela desgraçadamente deu à luz Jesus,

um filho ilegítimo, que tendo trabalhado


como servo no Egito, em virtude da sua
pobreza, adquiriu alguns poderes
miraculosos, dos quais os egípcios se
orgulham muito retornou ao seu
próprio país, altamente entusiasmado
por causa deles, e por meio destes
poderes proclamou-se um deus”
(Origen: Contra Celsum, vol. I. 28 e 32 –
Chadwick, 1980: 28 e 31; ver também:
Schonfield, 1937: 132-8; Cook, 2011:
215s e Botelho, 2016: 03). Esta última
versão é a que é mencionada no
mesmo tratado Shabbat 104b, durante
uma discussão sobre a permissão ou a
Foto reproduzindo como seria a família de Jesus, proibição de se escrever durante o dia
segundo a versão judaica. do Sabá. Jesus (Yeshu) é mencionado
com um exemplo de quem
desrespeitou esta proibição. “Mas, ben
Satra (Stada) não aprendeu apenas de tal modo”? Ou seja, ele não usou tatuagens sobre seu
corpo como uma ajuda para facilitar a aprendizagem (do Nome Inefável), por isso não eram
elas (as tatuagens) claramente letras e por isso proibidas de serem escritas no Sabá? Mais
adiante Jesus é ofendido da seguinte maneira: “Mas, ben Stada (Jesus) não trouxe bruxaria
do Egito por meio de tatuagem (biseritah) sobre sua pele”? Daí três rabinos desconsideraram
esta objeção com o contra-argumento de que ben Stada (Jesus) era um tolo, e que eles (os
rabinos) não deixariam que o comportamento de um tolo influenciasse a implantação das
leis do Sabá” (Schäfer, 2007: 16; ver também: Herford, 1903: 35; Klausner, 1926: 21 e Van
Voorst, 2000: 109).

Jesus como um Discípulo Inconveniente

            Outra menção de Jesus (Yeshu) no Talmude Babilônico aparece no Tratado Senhedrin
103a, em uma passagem comentando um verso dos Salmos (91.10): “… nenhuma praga
aproximará a sua tenda; que você não tenha um filho que publicamente estraga a sua
comida, tal como Jesus o Nazareno (Yeshu ha-Notzri)” (Schäfer, 2007: 26; ver também:
Herford, 1903: 56-7 e Van Voorst, 2000: 113).

                      Peter Schäfer explica que a frase “estragar a sua comida” se refere a uma frase
idiomática da época que significava “cometer uma ação inconveniente” (idem: 27). Então,
Jesus é aqui citado como um exemplo de alguém que cometeu uma ação inconveniente.

Jesus Hostilizado pelo seu Próprio Mestre

                      Em um episódio absolutamente desconhecido dos textos canônicos e apócrifos,


narrado no Tratado Sanhedrin 107b do Talmude Babilônico, Jesus (Yeshu) é empurrado pelo
seu próprio mestre, Yehoshua b. Perahya: “… nem como Yehoshua b. Perahya, que empurrou
Jesus de Nazaré com ambas as mãos” (idem: 34).

            Em outro episódio no Tratado Sotah 47a, ainda mais estanho aos textos canônicos e
apócrifos, Jesus é excomungado pelo seu mestre (Yehoshua b. Perahya), quando ambos
estavam em uma hospedaria e seu mestre se sentiu atraído pela beleza da estalajadeira: “Ele
(Yehoshua b. Perahya) levantou-se, saiu e encontrava-se em uma certa hospedaria. Eles (os
hóspedes e os funcionários) prestaram-lhe grande respeito. Ele disse: “Como esta
estalajadeira é bonita”! Ele (Jesus) disse: “Mestre, os olhos dela estão lacrimejantes”. Ele
(Yehoshua b. Perahya) respondeu: “Você, discípulo perverso, você se ocupa com tal
pensamento? Então, ele emitiu 400 sopros de shofar[12] e o excomungou. Ele (Jesus) esteve
diante do mestre diversas vezes e ele dizia: “Receba-me”, mas ele (Yehoshua b. Perahya)
recusava dar-lhe atenção. Um dia, enquanto o mestre estava recitando a Shemá,[13] ele
(Jesus) veio até ele (o mestre). Desta vez, ele (Yehoshua b. Perahya) desejou recebê-lo e fez
um sinal para ele (Jesus) com a mão. Mas, ele (Jesus) pensou que ele (o mestre) queria
dispensá-lo novamente. Ele (Jesus) saiu, arrumou um tijolo e o adorou[14]. Ele (Yehoshua b.
Perahya) disse a ele (Jesus): “Arrependa”, mas Jesus respondeu a ele: “Assim eu aprendi com
você: quem quer que peca ou faça os outros pecarem é privado do poder de fazer
penitência”. O mestre disse: “Jesus o Nazareno praticou magia, enganou e conduziu o povo
de Israel ao erro” (Schäfer, 2007: 35; ver também: Van Voorst, 2000: 111-2).

            Tal como podemos perceber acima, é nítida a intenção dos rabinos de depreciarem o
papel de Jesus como discípulo, bem como o de ridicularizarem a competência de Yehoshua
b. Perahya como mestre.

A Execução de Jesus

            Muito diferente da versão canônica, cuja morte de Jesus aconteceu na cruz, a versão
do Talmude Babilônico relata que ele foi inicialmente dependurado e, em seguida, um arauto
saiu anunciando, 40 dias antes, a sua execução por apedrejamento. Portanto, ao invés de ser
crucificado, Jesus foi primeiro dependurado, para depois ser apedrejado até a morte. O relato
aparece no Tratado Sanhedrin 43a: “Na véspera do Sabá, a véspera da Páscoa, Jesus o
Nazareno foi dependurado (tela’uhu). E um arauto saiu 40 dias antes anunciando: ‘Jesus o
Nazareno será apedrejado porque ele praticou feitiçaria (kishshef), instigou (hissit) e seduziu
(hiddiah) Israel à idolatria. Quem quer que saiba de alguma coisa em sua defesa, que venha e
a declare’. Mas, uma vez que eles não encontraram alguma coisa em sua defesa, eles o
dependuraram na véspera do Sabá, a véspera da Páscoa. Ulla disse; ‘Você supõe que Jesus o
Nazareno foi alguém por quem uma defesa deveria ser feita’? Ele foi um mesit (alguém que
instigou Israel à idolatria), com relação a quem o Deus Misericordioso diz: ‘Não mostre
compaixão por ele e não o proteja’ (Deuteronômio, 13.09). Com Jesus o Nazareno foi
diferente, pois ele era próximo ao governo” (Schäfer, 2007: 64-5; ver também: Herford, 1903:
83).

            Novamente, a menção


de Jesus (Yeshu) acontece no Página de um
meio de uma discussão, desta manuscrito do
vez, sobre o procedimento da Talmude com
execução de um condenado, trechos
como um exemplo de como o apagados pela
rito de execução deve ser censura.
executado. P. Schäfer explica
que a frase final “Com Jesus o
Nazareno foi diferente, pois ele
era próximo ao governo”,
significa que os judeus
tomaram as mais cuidadosas precauções, pois Jesus tinha amigos no alto escalão do
governo, talvez uma referência ao interesse da esposa de Pôncio Pilatos pelas informações
vindas do povo de que Jesus realizava milagres.

            Este episódio talmúdico deixa clara a reação dos rabinos à alegação dos cristãos de
que Jesus foi acusado por falsas testemunhas e que não teve tempo de se defender, por isso
a introdução do personagem do arauto com seu anúncio da execução com 40 dias de
antecedência (Van Voorst, 2000: 114, 117-8 e 120).

Os Discípulos de Jesus

            Muito diferente dos evangelhos canônicos que enumeram doze discípulos principais
de Jesus (Mt, 10.01-4; Mc, 03.13-9 e Lc, 06.12-6), o Talmude Babilônico, no tratado
Sanhedrin 43a-b, enumera apenas cinco discípulos. A passagem diz: “Nossos rabinos
ensinaram, Jesus o Nazareno teve cinco discípulos, eles são: Mattai, Maqqai, Netzer, Buni e
Todah” (Schäfer, 2007: 75).  Note que, exceto o nome Mattai, o qual se assemelha ao nome
Mateus, os demais não têm semelhança com os nomes dos apóstolos mencionados nos
evangelhos. Ademais, esta passagem informa que os cinco discípulos morreram juntamente
com Jesus. Talvez uma tentativa de desmentir a versão canônica de que eles
testemunharam a ressurreição de Jesus após a morte e, consequentemente, com isso
colocar em dúvida a ocorrência deste fenômeno.

Jesus no Inferno ao invés do Céu

            Em uma passagem bizarra, Jesus é mencionado no Talmude Babilônico, no tratado


Gittin 56b e 57a, como um dos três maiores vilões da história judaica[15], juntamente com
Tito, o destruidor do Segundo Templo, e com Balaão, o profeta das nações. Todos três estão
no inferno, onde estão cumprindo punição por seus malfeitos. A base da história e a
passagem na Mishná, que lista aqueles terríveis pecadores que não têm mais chance na vida
futura. O interlocutor é Onqelos, um personagem que estava diante de se converter ao
Judaísmo. Depois de entrevistar Tito e Balaão, “ele (Onqelos) foi e trouxe Jesus o Nazareno
(Yeshu ha-notzri) de sua sepultura através da necromancia e lhe perguntou: Quem é
importante naquele mundo (no inferno)? Ele (Jesus) respondeu: Israel.

Onqelos: Então, que tal juntar-se a ele?

Jesus: Busque o bem-estar deles, não busque o mal deles. Quem quer que os toque, é como
se tocasse a pupila de deus.

Onqelos: Qual a sua punição?

Jesus: Com excremento fervendo.

Pois o mestre disse: Quem quer que zombe das palavras do mestre é punido com
excremento fervendo. Venha e veja a diferença entre os pecadores de Israel e os profetas das
nações gentis” (Schäfer, 2007: 85; ver também: Herford, 1903: 68).

            A conversa é muito estranha, Jesus já está morto, sofrendo punição no inferno e é
trazido de sua sepultura, através de magia, a fim de responder algumas perguntas. A
intenção de ridicularizar Jesus é clara, ele é punido com excremento fervendo. Ademais, a
pretensão de desmentir a ocorrência da ressurreição é implícita, pois, ao invés de ressuscitar
e de subir ao céu em seguida, ele está no inferno, cumprindo punição. As explicações sobre
esta passagem por P. Schäfer são também confusas (p. 85s).

Considerações Finais

Tal como na coleção do Sefer Toledoth Yeshu, as menções de Jesus no Talmude Babilônico
também têm pouco valor histórico, visto que elas se ocupam mais da natureza da afronta e
da polêmica contra o fundador de uma seita odiada, do que de relatos objetivos de
credibilidade histórica, portanto estes relatos não são documentos históricos. Dizer assim
não significa que toda credibilidade história deve então ser atribuída aos textos canônicos ou,
muito menos, aos apócrifos. Estes também não são documentos históricos, senão veículos
de um incipiente programa catequético destinado a exaltar Jesus, através da composição de
narrativas que combinavam fatos e ficções, juntamente com o objetivo de persuadir e de
arrebanhar seguidores nos primeiros anos do crescimento da seita cristã. Portanto, estão
mais para textos catequéticos do que para textos documentários.

O valor histórico que estas menções hostis nos deixam é o de conhecer o grau de rivalidade
sectária que envolve a relação entre as religiões. Ou seja, o que uma religião é capaz de
inventar a fim de depreciar o fundador de uma religião rival. Em contrapartida, os cristãos
fizeram muito pior com os judeus durante a Idade Média.

Diante de tanta animosidade e de tanta rivalidade nos momentos de surgimento e de


crescimento inicial das religiões, os historiadores ficam impossibilitados de saber o que é
fato, ou o que é exaltação, ou o que é manipulação ou o que é refutação, ou o que é
reelaboração no momento da composição ou da compilação dos textos de cada corrente. No
atual estágio dos estudos históricos sobre Jesus, o que é possível afirmar, com certa
segurança, é que, de todas as narrativas, os textos canônicos são os que carregam o maior
número de sinais mais próximos da historicidade, apenas isto, em comparação com as
narrativas apócrifas, talmúdicas e do Toledoth Yeshu, mesmo assim, longe de ser um relato
inteiramente histórico, vigora consenso entre os estudos históricos mais rigorosos que o
Novo Testamento, estritamente falando, reproduz uma intrincada combinação de história e
mito, tal como o restante da Bíblia. Portanto, a grande tarefa dos historiadores bíblicos tem
sido, desde muitos anos, identificar o que fato e o que é mito na narrativa bíblica.

Enfim, para concluir, descredenciar as menções anticristãs como providas de historicidade


não significa credenciar automaticamente os textos canônicos com validade histórica, pois
todos os lados tinham os seus motivos para deformar a história no momento da
composição.

Obras consultadas

AUERBACH, Leo (tr.). The Babylonian Talmud in Selection. New York: Philosophical Library,
1944.

BETZ, Hans Dieter (ed.). The Greek Magical Papyri: Including the Demotic Spells. Chicago: The
University of Chicago Press, 1986.

CHADWICK, Henry (tr.). Origen: Contra Celsum. Cambridge: Cambridge University Press, 1980.

COOK, Michael J. Jewish Perspectives on Jesus em The Blackwell Companion to Jesus.


Delbert Burkett (ed.). Malden: Wiley-Blackwell, 2011, p. 215-31.

DE LANGE, Nicholas. An Introduction to Judaism. Cambridge: Cambridge University Press,


2000.

DALMAN, Gustaf. Jesus Christ in the Talmud, Midrash, Zohar and the Liturgy of the Synagogue.
Cambridge: Deighton, Bell and Co., 1893.

DONALDSON, James and Alexander Roberts (trs.). Ante-Nicene Christian Library, Translations
of the Writings of the Fathers, The Writings of Origen. Edinburg: T. & T. Clark, vol. X 1869 e vol.
XXIII 1872.

EISENBERG, Ronald L. The JPS Guide to Jewish Traditions: A JPS Desk Reference.
Philadelphia: Jewish Publishing Society, 2004.

___________________ What the Rabbis Said: 250 Topics from the Talmud. Santa Barbara: Praeger,
2010.

HERFORD, R. Travers. Christianity in Talmud and Midrash. London: Williams & Norgate, 1903.

JACOBS, Louis. The Jewish Religion: A Companion. Oxford: Oxford University Press, 1995.

KLAUSNER, Joseph. Jesus of Nazareth: His Life, Times and Teaching. New York: The
MacMillan Company, 1926.

NEUSNER, Jacob. The Four Stages of Rabbinic Judaism. London: Routledge, 1999.

_______________ The Reader’s Guide to the Talmud. Boston/Leiden: Brill, 2001.

PRANAITIS, I. B. The Talmud Unmasked. St. Petersburg: Imperial Academy of Sciences, 1892.

PRATEN, B. P et. al. (trs). Ante-Nicene Christian Library, Translations of the Writings of the
Fathers, vol. II: Justin Martyr and Athenagoras. Edinburg: T. & T. Clark, 1867.
RAPHALL, M. J. and D. A. de Sola (tr.). Eighteen Treatise from Mishna. London: Sherewood,
Gilbert and Piper, 1843.

RODKINSON, Michael L. (tr.). New Edition of the Babylonian Talmud. Boston: New Talmud
Publishing Company, 1918.

SCHÄFER, Peter. Jesus in Talmud. Princeton: Princeton University Press, 2007.

______________ The Jewish Jesus: How Judaism and Christianity Shaped Each Other. Princeton:
Princeton University Press, 2012.

______________ and Michael Meerson. Toledot Yeshu: The Life Story of Jesus. Tubinger: Mohr
Siueck, 2014.

SCHONFIELD, Hugh J. According to the Hebrews. London: Duckworth, 1937.

STEINSALTZ, Adin. The Essential Talmud. New York: Basic Books, 1976.

VAN VOORST, Robert C. Jesus Outside the New Testament: An Introduction to the Ancient
Evidence. Grand Rapids: William B. Eerdman Publishing Company, 2000.

Na Web:

BOTELHO, Octavio da Cunha. O Retrato Hostil de Jesus no Toledoth Yeshu. Academia.edu,


Edição Eletrônica, 2016:

https://www.academia.edu/27943553/O_RETRATO_HOSTIL_DE_JESUS_NO_TOLEDOTH_YES
HU

Notas

[1] Para conhecer esta versão, consultar: Botelho, 2016.

[2] Na versão Huldreich do Toledoth Yeshu ela é mencionada como cabeleireira.

[3] Peter Schäfer sugeriu uma semelhança entre os ensinamentos de Jesus e um


encantamento nos Papiros Mágicos Gregos, extraídos da magia egípcia, na seguinte
passagem: “Pois, tu eres eu, e eu sou tu, seu nome é meu, e meu nome é seu. Pois, eu sou a
sua imagem (…). Eu te conheço, Hermes, e tu me conheces. Eu sou você e tu eres eu. E
assim, faça tudo para mim, e que tu te vires para mim…” (VIII.35 – Betz, 1986: 146 e Schäfer,
2007: 57). A sugestão de Schäfer poderá ser que Jesus adaptou esta fórmula mágica para:
“Eu e o Pai somos um, não se chega ao Pai senão por mim”.

[4] Para conhecer a coleção do Sefer Toledoth Yeshu, consultar: Schäfer, 2014; Klausner, 1926:
47-54; Schonfield, 1937; Van Voorst, 2000; Cook, 2011: 215-31 e em português, ver: Botelho,
2016.

[5] Às vezes, corrompido como ben Stara em alguns manuscritos do Talmude.

[6] Alguns autores argumentam que estes nomes não referem a Jesus.
[7] O abrangente trabalho de comparação dos diferentes manuscritos, efetuado por Peter
Schäfer, é indispensável na atual compreensão sobre as menções de Jesus no Talmude
Babilônico, em função da existência de manuscritos com trechos cesurados e com trechos
não censurados, pois neste cotejo abrangente é possível perceber a diferença com os
trabalhos anteriores, quando o cotejo não foi tão completo, para exemplos, consular: Herford,
1903 passim e Klausner, 1926: 18-47.

[8] Uma coleção de diferentes versões da vida de Yeshu (Jesus) desde o ponto de vista dos
judeus. Em razão do seu caráter depreciativo, os textos componentes desta coleção são
conhecidos por anti-evangelhos ou evangelhos hostis. Para detalhes sobre o nascimento de
Jesus no Toledoth, ver: Botelho, 2016: 06-7).

[9] Nome de uma antiga cidade da Babilônia onde funcionou uma influente academia
rabínica.

[10] Esta passagem é repetida no Tratado Sanhedrin 67a e aparece somente nos manuscritos
que não foram censurados. A tradução inglesa da versão impressa Soncino reproduz, através
de nota, a redação não censurada de outros manuscritos. Peter Schäfer utilizou o manuscrito
Munique 95 na tradução desta passagem e o comparou com a redação em outros
manuscritos através de notas (p. 148-50).

[11] Para conhecer este relato com mais detalhes, ver: Botelho, 2016: 08-9.

[12] Uma espécie de trombone utilizado nas cerimônias judaicas.

[13] Uma oração judaica.

[14] Por mais que esta menção nos leve a pensar que se trata de uma zombaria dos rabinos
sobre a prática cristã de adorar ídolos, P. Schäfer observa que não se trata disto, mas sim de
um antigo costume babilônico de adorar tijolos, local onde o Talmude Babilônico foi
compilado, portanto uma interpolação tardia do editor, uma vez que o evento não ocorreu na
Babilônia (Schäfer, 2007: 37 e 156-7).

[15] As menções sobre Jesus no Talmude Babilônico são tão confusas, às vezes, que é
comum encontrarmos contradições. Por exemplo, enquanto que em muitas passagens ele é
tratado com desprezo, por ser considerado um personagem insignificante, na passagem
acima ele é incluído no rol dos três principais inimigos de Israel.

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07/10/2016 em Estudo. Tags:Judaísmo

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20 comentários sobre “Jesus no Talmude”

Adriano Da Silva Ferreira 24/12/2016 às 7:36

Vou ter que ler tudo de novo, mais devagar rsrsrs gostei….você colocou suas fontes,vou dar
uma lida!!!

Responder

Frankmar correa 21/06/2017 às 3:22

Sobrd Jesus no Talmude deve ser notado que a Mishnah(lei Oral) que é a primeira parte do
Talmulde foi escrito pelo Rabino Juda O principe no ano 200 D.C e a Gemara
(comentarios)começou a ser escrito a Partir do Seculo III D.C.Muito tempo Depois de Jesus e
em uma epoca em que Não existia nenhuma Testemunha dos fatos.já que Jesus esteve na
palestina no Seculo I.por isso. os relatos do Talmulde a respeito de Jesus Não são
Historicos.Nem. mesmo a Historia de Celso que escreveu em 178 D.C no final do seculo Ii
quase 200 anos Depois do Nascimento de Jesus.Celso era inimigo do Cristianismo e queria
ataca o Cristianismo atravez de Mentira.vou cita 2 estudiosos:

FF Bruce:
“(…) O designativo BEN PANTERA (FILHO DE PANTERA) provalvelmente diz respeito não
(como se tem por vezes aventado) a um soldado romano chamado Pantheras, mas à crença
cristã no nascimento virginal de Cristo, PANTERA sendo simples corruptela do termo grego
parthénos (virgem).(…)” (FF Bruce, Merece confiança o Novo Testamento, fls 132-133)

André Chevitarese
“(…) Dos argumentos apresentados por Celso, convém observar: (a) não há como saber se
essa história foi contada por um judeu (b)ela deveria ter começado a circular entre os judeus
helenistas da diáspora a partir da segunda metade do século II, já que Justino , no seu
Diálogo com Trifon (48.2), datado de 150, não registra qualquer informação ou indício que
sugira um conhecimento a respeito desta situação (…)” (Chevitarese, Cornelli e Salvatici,
Jesus de Nazaré, uma outra história, fl. 51).

Por isso creio que Jesus é O Filho de Deus e filho da Virgem Maria.

Responder

Fernando Fernandes 12/03/2018 às 17:04

Fez bem em ler Octavio da Cunha Botelho

Responder

Tiago 08/07/2017 às 17:12

Cvidado com o sionismo , ele vai desgraçar o mvndo, cuidado com esse estado israelense, lá
não tem NENHUM descendente de ISRAELITA…

“ele (Onqelos) foi e trouxe Jesus o Nazareno (Yeshu ha-notzri) de sua sepultura através da
necromancia e lhe perguntou: Quem é importante naquele mundo (no inferno)? Ele (Jesus)
respondeu: Israel.

Onqelos: Então, que tal juntar-se a ele?

Jesus: Busque o bem-estar deles, não busque o mal deles. Quem quer que os toque, é como
se tocasse a pupila de deus.

Onqelos: Qual a sua punição?

Jesus: Com excremento fervendo.

Pois o mestre disse: Quem quer que zombe das palavras do mestre é punido com
excremento fervendo. Venha e veja a diferença entre os pecadores de Israel e os profetas das
nações gentis” (Schäfer, 2007: 85; ver também: Herford, 1903: 68).”

O QUE PODER-SE-IA FAZER PARA QVE ESSAS MALDITAS ESCRITURAS JUDAICAS (exceto a
Torah escrita e o Tanakh ou Antigo Testamento) FOSSEM ELIMINADAS DA FACE DA TERRA?
ELAS NÃO SÃO SOMENTE ANTICRISTÃS, SÃO ANTI-HUMANAS!

Responder
Raul Lopes 10/08/2017 às 6:12

ANTI-HUMANO FOI O TRATAMENTO DA IGREJA AOS JUDEUS, ASSASSINANDO E


EXPULSANDO DE VARIOS PAISES POR SECULOS E SECULOS, O QUE DIZ NOSSOS
LIVROS, FICOU NOS NOSSOS LIVROS, NAO NOS TORNOU ASSASSINOS COMO O NOVO
TESTAMENTO TORNOU VOCES!

Responder

Moisés 13/09/2017 às 17:41

Tem provas de que a Igreja mandou perseguir os Judeus? Pelo que sei os ocorridos
de ódio contra judeus sempre partiram de manifestações populares, nunca ví um
documento eclesiástico que proclama-se a caça ou o ódio aos Judeus se tiver
provas do contrario site.

Fernando Fernandes 12/03/2018 às 17:06

Talvez seja mais perigoso atravessar a estrada sem olhar para os dois lados.
Claro que todos nós temos de descontar a ignorância. Mas quando ela aponta dedos
sem conhecimento dos factos, não é correcto, demonstra elevadíssima falta de
verticalidade.

Responder

JHON Utah 06/08/2017 às 11:49

Interessante que apesar de negar a origem divina dos “poderes miraculosos” de Yeshua, o
Talmud com isso acaba por confirmar que estes poderes miraculosos realmente
aconteciam.
Que alguma coisa extraordinária havia em Yeshua não há dúvidas, já que nada mais
explicaria a grande influência que este descendente de Abraão teve na história da
humanidade, mudando o mundo em duas eras, influenciando até hoje o pensamento e
comportamento em todas as regiões do mundo.
Além disso, esta intolerância e rivalidade direcionadas a Yeshua por parte dos fariseus, que
ficou estampada nos páginas do Talmud, comprovam o relato bíblico neotestamentário que
menciona esta mesma crítica e intolerância por parte dos fariseus da época, reforçando o
relato bíblico e dando indícios maiores de que realmente foi isso o que aconteceu.
Assim, desta perspectiva o próprio Talmud acaba confirmando o fato de que os poderes de
Yeshua eram reais;
O Talmud somente registra a intolerância e rejeição da liderança religiosa da época e isto
somente confirma o relato bíblico neotestamentário, já que é exatamente isto o que revelam
os evangelhos, uma intelorância brutal e perseguição contra Yeshua, por parte dos fariseus.

Responder

Fernando Fernandes 12/03/2018 às 17:18

Muito correcta as suas observações.


Qualquer das formas, as pessoas que escreveram os inúmeros textos compilados no
Talmud (e não há unicamente um Talmud), não foram exclusivamente ou
maioritariamente fariseus. Alguns eram rabinos e muitos, nem isso. A maioria, grandes
estudantes do Torah e que expressaram as suas opiniões baseando-se nos livros
sagrados e em inúmeras obras, a maioria perdidas em inúmeros pogroms, queimas de
bibliotecas, denúncias caluniosas, crimes contra a cultura e humanidade.
Infelizmente a ignorância tem tido sempre à mão, a espada e pessoas capazes de tudo
por um punhado de moedas. Moedas essas, muitas vezes, sem qualquer valor.
A comunidade mais letrada e estudiosa de inúmeros séculos, uma comunidade por
norma alfabetizada, sempre foi ostracizada e perseguida por pressupostos caluniosos e
ignorantes.
Mas esse paradigma concorre sempre contra todos os que neste mundo, procuram o
saber e querem alcançar o conhecimento, pelo esforça intelectual e físico.
Cumprimentos

Responder

Maria Isabel 21/02/2019 às 19:56

Bravo!!! Concordo, falou tudo!! Muito bem, o Talmud confirma que Jesus existiu o que há
quem queira negar dentro da própria igreja católica…e confirma o que e como dizes.
Muito obrigada por esse comentário que falou por mim, vou guardá-lo e compartilhar.

Responder

Moisés 13/09/2017 às 17:48

Alguem tem como provar com um documento eclesiástico que os judeus eram perseguidos
pela Igreja Catolica, Pelo que sei foram apenas manifestações populares ou de alguma nação
em específica, nunca com aprovação da Igreja.

Responder
Vitor 10/01/2018 às 18:19

Leia o livro “O Vaticano e os Judeus”, de David Kertzer. Isso para citar uma única obra,
dentre muitas. Agora, leia se estiver interessado realmente em conhecer a História de
forma imparcial. Se você for daqueles que precisa acreditar que a Igreja é santa, perfeita
e que nunca fez nada de errado no mundo, então nem precisa perder seu tempo lendo,
pois não adiantará nada. Agora, já vou avisando: a Igreja não é nada dessa coisa perfeita
que você imagina, não.

Responder

Juan 24/09/2018 às 12:09

Vitor, lamento que sua polarização em contra da Igreja Católica não lhe deixe
enxergar a verdade.
O seguinte artigo é revelador e certamente ira examina-lo.
https://tinyurl.com/ycbzzyuh
A certa altura se afirma que os Papas foram em contra do libelo de sangue, o qual e
certo. Porem foi o mesmo Ariel Toaff, filho do ex-rabino chefe de Roma quem
escreveu o livro Blood Passover em que prova alem de quaisquer dúvida que os
judeus askenazis costumavam a sacrificar crianças cristãs no intuito de usar o seu
sangue tido como precioso e miraculoso, possuindo propriedades curativas.

Will Smit 22/10/2017 às 0:18

Um cristão tem mais chances de se defender de um muçulmano, do que de um judeu, o


primeiro mostra sua cara, enquanto o segundo age pelas costas. Há um ano atrás, eu
defendia o judaísmo sem ao menos saber o que era judaísmo e muito menos o que estava
por trás do movimento sionista, pensava que nós cristãos, éramos uma família, a
continuação e que cristo era querido em Israel, mas com esse ano de estudo-investigativo, vi
mais dignidade naqueles aparecem em vídeos, degolando cristãos, que os seguidores da
estrela de seis pontas, esses sem deixar suas digitais, não nos degolam, ainda, mas nos
humilham, nos difamam, nos prostituem, nos endividam, mantém-nos escravos e se
reclamarmos, nos xingam do que querem e quando reagimos, nos acusam de antissemitas,
propagadores de preconceitos, nazistas e vários istas, tudo sob pena da lei que eles mesmos
criaram para calar qualquer um que se manifeste contra eles. São uma enorme serpente com
milhões de cabeças ao seu comando, visível, porém difícil encontrar suas digitais nos crimes
que praticam, pois criaram a seita perfeita para comandar líderes de várias nações, somente
Deus para impedi-los, caso contrário, destruirão todos os gentios que encontrarem pela
frente.

Responder
Vitor 10/01/2018 às 18:20

Você é um racista doente. É melhor ir procurar tratamento.

Responder

Maria Isabel 21/02/2019 às 20:10

Desculpe Vitor, não é questão de racismo, é questão de realismo. Contra fatos não
há argumentos, desde que se tenha informação e perceba em si mesmo na vida
que está levando e o mundo do jeito que está. “A verdade, ao deixar os homens fora
das opiniões e sensações subjetivas, permite-lhes ir além das determinações
históricas e culturais e se encontrar na avaliação do valor e da substância das
coisas.”
Joseph Ratzinger
O mal é planejado e bem planejado. Quem planeja? A mim interessa a verdade e
não este ou aquele. Pelo fruto se conhece a árvore.

Fernando Fernandes 12/03/2018 às 17:22

É difícil compreender o nível tão baixo a que chegam certas pessoas.


Felizmente, mesmo os católicos de hoje pensam diferente.
Quando diz que “vi mais dignidade naqueles aparecem em vídeos, degolando cristãos,
que os seguidores da estrela de seis pontas”, ultrapassa tudo o que não esperava ouvir
de alguém que sabe escrever.
O senhor deve ter um grave problema. Isto para além dum conhecimento muito reduzido
do que fala.

Responder

Fernando Fernandes 12/03/2018 às 16:59

Assusta-me que, de algo escrito há séculos, se rebusque uma pequena parcela, para tirar
ilações sobre o todo.
Pior ainda quando, discordando de certos excertos (não esquecer que o Talmud é um
conjunto de opiniões sobre o Torah) e que sempre puderam ser contestadas, pois se trata
dum conjunto de debates, sempre susceptíveis de diversas leituras e opiniões, sirva, para
imediatamente condenar judeus, israelitas, livres pensadores.
É importante que o espírito democrático prevaleça, contra os que, dizendo-se democratas,
não aceitam pensamentos que diferem dos seus.
Interessante seria, trazer à discussão outros pensamentos, p.e., o Corão. Debater o que está
escrito e serve de doutrina para muitas dezenas de milhões de crentes, agora. Assusta-me
muito mais uma religião que nos aponta como pessoas a abater, que uma ou mais, opiniões
sobre Cristo ou sobre a forma como nos devemos alimentar.
Seria interessante que os ódios que levaram milhares de portugueses a serem queimados
nas fogueiras da Inquisição, nos cadafalsos da ignorância, terminassem. Que deixássemos
de julgar um povo, uma nação – que até nem segue nenhuma religião em particular e que
permite que todas vivam em harmonia, e onde ainda se estuda ladino e, onde milhares de
descendentes portugueses nos continuam a recordar com amor e carinho, deixe de ser
jugada em tribunal perpétuo de nossa profunda tacanhez e ignorância.
Quantos destes portugueses lutaram para que Portugal fosse grande?
Quantos morreram por sobranceria e avareza de clérigos usurpadores e profundamente
racistas?
Penso que devíamos parar para pensar deste modo mesquinho e deixarmo-nos de
manipulações, por crenças e pressupostos anquilosados e ultrapassados.
Convido-vos a visitar Israel e a tomar por Vosso, o conhecimento dum mundo e duma
realidade que pouco ou nada tem a ver com escritos eruditos, mas discutíveis, no passado,
hoje e amanhã.
Nota: Alguns dos comentadores tocaram na ferida. Cada letra no hebraico tem um
significado. Cada palavra, um ou outro significado. O hebraico moderno evoluiu muito em
relação ao que foi escrito há três séculos. Aceitemos o Talmud como aceitamos a Eneida ou
os Lusíadas.
Bem hajam!

Responder

nataniel mendes de castro 28/03/2018 às 18:08

Jesus atacou a tradição dos Anciãos, o que veio a ser escrito no Talmude.

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Tânia bruno Tania 14/11/2018 às 13:43

Na minha ignorância sei que a roma perseguiu tanto judeus, cristão, gnósticos, todos que
iam contra sua politica e sua adoração politeístas. Não podemos culpar ninguém por uma
matança que foi feita por um governo que ilude, mente, e manipula ate os dias de hoje. Os
judeus fariseus crucificaram o messias porem o messias o perdoou quem são voz para não
os perdoar? Os judeus sionistas manipulação a sociedade ate os dias de hoje e os judeus
estão subjugados a esses fariseus. Tudo já estava escrito tudo precisava ocorrer. Fazemos o
que nosso messias nos ensinou. Amai ao próximo como a nos mesmo.

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