Você está na página 1de 123

CIÊNCIA ESPIRITUALIDADE E CURA

Psicologia Transpessoal e Ciências Holísticas

Uma transformadora síntese da ciência moderna da


consciência com as tradições espirituais revelando o
poder da mente não-local, da meditação e dos estados
alterados de consciência

Francisco Di Biase

Mário Sérgio F. da Rocha

“Uma abordagem ampla e completa da Psicologia


Transpessoal”
Dr Stanislav Grof, psiquiatra
Um dos criadores da Psicologia Transpessoal
Autor de Psicologia do Futuro e O Jogo Cósmico
A meus pais Walter e Mariinha,
e meus filhos Fabiano, Rodrigo,
Francisco e Daniel.
Tem sido um privilégio poder compartilhar com vocês um
mesmo espaço e um mesmo tempo.

Para Mônica,
companheira dessa jornada espiritual, sem cujo apoio
constante o Tao não teria se concretizado

Francisco Di Biase

À meus pais Hélio e Maria Apparecida,


e meus filhos Shantala Dharma e Sérgio
Nalanda.
O apoio e a alegria de vocês foi imprescindível e
inconfundível.
Para Shakti, pura
poesia em forma graciosa de mulher. Deusa indiana,
inspiradora de meu amanhecer.

Mário Sérgio F. da Rocha

SUMÁRIO

PREFÁCIO

PRÓLOGO
Imagine todas as pessoas...

CAP, 1
RETORNANDO AO SAGRADO POR MEIO DA CIÊNCIA
A ciência investigando a influência da mente sobre a matéria
Ciência, mente local e mente não-local
Ciência, parapsicologia e fenômenos espirituais
Experimentos científicos que fundamentam a Psicologia Transpessoal
Comprovando em laboratório a existência da mente não-local
Meditação no laboratório: da mente local à mente não-local
Mente não-local e efeitos telessomáticos
Mente não-local e a influência positiva ou negativa do olhar
Mente não-local em um Universo Holoinformacional
Mente não-local, Ciência e Voodoo

CAP. 2
UMA JORNADA TRANSPESSOAL
A Aliança entre a Sabedoria Antiga e a Ciência Moderna
Ciência e Consciência
O Retorno da Experiência Espiritual

CAP.3
A VISÃO DE MUNDO CARTESIANO-NEWTONIANA
Xamanismo e Poder Religioso
O Nascimento da Ciência
A Emergência do Paradigma Cartesiano-Newtoniano

CAP. 4
A EMERGÊNCIA DO PARADIGMA E DAS CIÊNCIAS HOLÍSTICAS
Física Quântico-Relativística e a Nova Cosmovisão Holística
Vida é Conexão: Transdisciplinaridade e Ciências Holísticas
A Declaração de Veneza e a Visão Holística
A Nova Aliança entre Ciência e Espiritualidade
O Paradigma Holístico e o Retorno do Sagrado: Psicologia Transpessoal e
Ciências Holísticas

CAP. 5
A NATUREZA MULTIDIMENSIONAL DA CONSCIÊNCIA
As Dimensões Múltiplas da Consciência
Mente Hilotrópica e Mente Holotrópica
Abrindo as Portas da Percepção

CAP. 6
ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA: A MENTE HOLOTRÓPICA
Os Estudos com Substâncias Psicodélicas
A Moderna Pesquisa da Consciência e a Psicologia Transpessoal
Um Intermezzo Sincronístico: as Coincidências Lincoln-Kennedy

CAP. 7
PSICOTERAPIA COM LSD
Navegando com a Ciência pelo Oceano da Consciência
Possessão, Exorcismo e Psicologia transpessoal: a luta entre o bem e o mal
A Origem e Natureza dos Processos que Alteram a Consciência e a
Personalidade

CAP. 8
PSICOLOGIA TRANSPESSOAL E CARTOGRAFIAS DA CONSCIÊNCIA
Integrando as Escolas de Psicologia, Psicoterapia e as Tradições Espirituais
Origens da Psicologia Transpessoal
A Psicologia Transpessoal no Brasil
Anomalias no Antigo Paradigma
Críticas Infundadas à Psicologia Transpessoal
Qual a Escola de Psicoterapia mais Eficaz ?
As Cartografias da Consciência de Grof e Wilber
A Mente Espectral
Modelo Pluridimensional Holográfico da Consciência de Stanislav Grof
Modelo Espectral da Consciência de Ken Wilber
Psicologia e Psicoterapia Transpessoal: um novo paradigma integrador

CAP. 9
REVERÊNCIA PELA VIDA
Tome uma Atitude: cuide da vida
Tudo Está Relacionado Entre Si
Discurso feito pelo Chefe Seattle ao Presidente Franklin Pearce em 1854
O Novo Mito Planetário

BIBLIOGRAFIA

APÊNDICE 1
Ciência, Consciência e Espiritualidade: Uma Visão Unificadora
Informação, Auto-organização e Consciência

CONTATO COM OS AUTORES

INTRODUÇÃO

Imagine todas as pessoas ...

Imagine que não existe paraíso, é fácil se você tentar


Nenhum inferno abaixo de nós, acima de nós somente o céu.
Imagine todas as pessoas vivendo o momento.
Imagine que não existam países, não é difícil fazê-lo;
Nada para matar ou morrer, e nenhuma religião também.
Imagine todas as pessoas, vivendo a vida em paz.
Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único.
Espero que um dia você se junte a nós, e o mundo será uno.
Imagine que não há propriedade, eu me supreendo se você pode;
Nenhum desejo de ganância ou fome, uma fraternidade de homens.
Imagine todas as pessoas, compartilhando o mundo todo.
Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único.

John Lennon

O psiquiatra suíço Carl G. Jung, colaborador de Freud na


elaboraçào da psicanálise, e criador da escola de Psicologia Analítica,
costumava dizer que a humanidade não vive sem um mito orientador,
uma cosmovisão abrangente da vida e da existência, e que o homem
moderno perdeu contato com sua essência, estando em busca de sua
alma. Para encontrá-la necessita de um novo mito, uma perspectiva
filosófico-científica ampla, capaz de conduzir sua vida, e inspirá-lo na
resolução dos graves problemas existenciais, sociais e ambientais
com que nos defrontamos. Jung acreditava que cada época produzia
um mito orientador característico e que nossa época não é uma
excessão.
A deturpação cultural da essência dos antigos mitos e o posterior
advento da visão científica enfraqueceu o poder destes mitos como
forças orientadoras abrangentes, capazes de gerar uma cosmovisão e
modelos de conduta para os desafios contemporâneos. A influência
destes antigos mitos, desfigurados em sua sabedoria, só vem
gerando mais conflitos. Jung faleceu em 1961, aos 83 anos de idade,
sem conseguir encontrar e identificar as características deste novo e
necessário mito para a humanidade.
O maior mitólogo dos tempos modernos, o norte-americano
Joseph Campbell, após ter contato com as idéias de Jung, percebendo
a importância deste tema, buscou encontrar qual seria esse novo mito
orientador para a nossa época. Em dezembro de 1968, ao se deparar
com a foto da Terra tirada da Lua pelos astronautas da nave Apollo 8,
teve um insight, e compreendeu de imediato que a ciência com sua
tecnologia mais avançada estava nos mostrando, sem palavras, que
esse mito é o despertar para a consciência de que a Terra é a nossa
casa, e que precisamos urgentemente preservar toda a vida que nela
existe, e cuidar com compaixão de todas as pessoas e da natureza,
sem preconceitos, sem fronteiras, sem qualquer discriminação.
Em 1979, o biólogo inglês James Lovelock, aprofundou essa
percepção mitológica de Campbell em seu livro A Hipótese Gaia, no
qual defende a idéia de que nosso próprio planeta reúne todas as
condições para ser considerado um organismo vivo, auto-organizador
e gerador de vida, e que como todo ser vivo necessita de cuidados
para sobreviver.
Acreditamos que este mito planetário necessáriamente nos
conduz à filosofia prática de Reverência pela Vida, preconizado pelo
médico, filósofo, teólogo, músico e Prêmio Nobel da Paz de 1952,
Albert Schweitzer. Para nós, somente este mito planetário e o cuidado
e respeito por toda forma de vida, poderá conduzir a humanidade ao
entendimento, à compaixão, à dignidade e ao desenvolvimento de
uma Cultura voltada para a Paz ao invés da destruição em sua
múltiplas facetas atuais, entre elas o individualismo, a neurose, o
terrorismo, a fome, a miséria, frutos de uma perspectiva social
fragmentada e uma economia global voltada para a guerra e a
exclusão social.
O novo mito planetário reúne todas as condiçòes para nos
conduzir a esta meta. Somos o ápice da evolução quantum-
cosmológica que se iniciou com o Big–Bang. Somos o modo que o
universo criou para tomar consciência de si proprio. Somos com nossa
bioarquitetura consciente o proprio universo que se olha através de
nossos olhos procurando se compreender. A tomada de consciência
desse processo do qual nos originamos e do qual somos co-
participantes ativos, desse imenso legado cósmico, traz em si uma
missão e uma responsabilidade para todos nós: a autoridade da
autoconsciência que nos foi concedida pelo cosmos, para
proteger e estimular o desenvolvimento da Vida.
Esta dádiva cósmica define além de um novo mito, uma nova
Ética da Vida nascida da aliança entre a Ciência e a Espiritualidade. E
permite ainda, uma nova religação com os valores ecológicos de
preservação da vida e do planeta, e a emergência de uma nova
Consciência Planetária transformadora que traz em si um significado
mais profundo e uma meta mais criativa para todo habitante deste
planeta: defender todas as formas de vida, respeitando a
biodiversidade e todas as diferenças sócio – culturais, religiosas
e raciais. Finalmente temos todas as condições para implementar o
lema da revolução francesa de 1789, igualdade, liberdade e
fraternidade, tão esquecido nestes tempos de egoísmo e
individualismo.
Nossa missão existencial como co-criadores e participantes
ativos dessa aventura evolutiva e auto-organizadora do universo é
cuidar da vida, evoluindo e crescendo nesse processo e gerando
mais criatividade, respeito e vida.
Lembramos que religação vem do latim religare, mesma origem
da palavra religião e que espiritualidade nessa concepção ampla é
tudo aquilo que nos religa ao cosmos.
De toda essa dinâmica cósmico-planetária florescem os
fundamentos para o desenvolvimento de uma verdadeira bioética, a
Ética da Vida, pela qual todos somos co-responsáveis.
Encontramo-nos neste início de milênio em uma transição
paradigmática, saindo de uma visão de mundo excessivamente
masculina, yang, agressiva, competitiva, geradora de doenças e
exploradora da humanidade e dos recursos naturais do planeta, para
uma nova visão holística e ecológica do mundo, onde haverá espaço
também para os aspectos mais femininos, solidários e yin da
existência, mais sensíveis à preservação do planeta, da vida e do
meio ambiente, e mais voltada para a compaixão, para a cura, e para
a celebração do lúdico, do lazer, do riso, da cultura e do amor.
Podemos encontrar inspiração para a sistematização prática
desta Ética da Vida, em textos internacionais como a Carta da Terra
da UNESCO, e a Declaração Universal dos Direitos Humanos da
ONU.
A intenção mais profunda que nos inspirou na criação desta obra
foi a de contribuir para a emergência dessa nova consciência, desse
novo mito planetário, ecológico, feminino, lúdico e solidário, e
colaborar na sistematização de sua prática. Para isso, apresentamos
aspectos integradores e sistêmicos da ciência moderna, da medicina e
da psicologia transpessoal, da física quântica, da física da informação,
da física holográfica, das neurociências, da cibernética, e dos
sistemas auto-organizadores, que em seu conjunto denominamos
Ciências Holísticas. Aliados à filosofia perene e às grandes tradições
espirituais da humanidade, estes aspectos permitem-nos integrar o
novo Mito Planetário ao Paradigma Holístico, uma cosmovisão
baseada em uma infinita rede de interconexões dinâmicas permeando
de forma inteligente todo o universo, a vida e a consciência humana,
conduzindo-nos `a descoberta da Inteligência Cósmica.

Francisco Di Biase
Mário Sérgio F. da Rocha

Barra do Piraí, Rio de Janeiro


03 de outubro 2004

Capítulo 1
RETORNANDO AO SAGRADO POR MEIO DA CIÊNCIA

Você acredita em fantasmas?" pergunta Chris ao pai.


"Não", responde Fedro. "Eles não contém matéria nem
consomem energia e, portanto, de acordo com as leis
da ciência não podem existir, exceto no pensamento
das pessoas". Ele faz uma pausa e acrescenta, em tom
pensativo: “Naturalmente, as leis da ciência também
não contém matéria nem consomem energia e portanto
não podem existir, exceto no pensamento das
pessoas."

Robert Pirsig, in Zen e a Arte da Manutenção das Motocicletas

A ciência investigando a influência da mente sobre a matéria

Fenômenos espirituais, transpessoais e paranormais, feitiçaria,


a mente influenciando a matéria, o ser humano, sua saúde e suas
condições existenciais...
Porque cientistas de renome como William Crookes, Charles
Richet, J. B. Rhine, Carl G. Jung, e mais recentemente Stanislav Grof,
Walter Pankhe, Pierre Weil, Jean Yves Leloup, Dean Radin, Charles
Tart, Lawrence LeShan, Robert Jahn, Brenda J. Dunne, Timothy Leary,
Ralph Metzner, Ram Dass, Stanley Krippner, Karl Pribram, Rupert
Sheldrake, Amit Goswami, Russel Targ, Harold Puthoff e outros
dedicaram ou dedicam sua vida, à investigação da consciência e
destes assuntos ?
Sempre houve em todas as culturas e tradições, pessoas que
consideravam estes temas de importância vital para uma
compreensão mais apurada da realidade, o mesmo ocorrendo em
nossa avançada e científica civilização tecnológica. Porém, se nos
guiarmos pelo modelo cultural acadêmico, pelo paradigma oficial de
nossa civilização científica, veremos que fenômenos como o poder da
oração e da meditação, telepatia, premonição, influências da mente
sobre a matéria, entre outros, seriam considerados como impossíveis
de ocorrer. Segundo a visão científica cartesiano-newtoniana que
domina nossas universidades e instituições científicas, e pela
perspectiva da psicologia, psiquiatria, neurologia, neurociências,
biologia e física acadêmicas, nossa mente não pode agir além do
cérebro, e influenciar diretamente objetos e pessoas, encontrando-se
limitada por rígidos padrões de tempo e espaço. Ou seja, nossa mente
seria uma mente aprisionada no cérebro. Uma mente local.
Mente local e mente não-local
Para que a mente possa influenciar diretamente a matéria, as
situações à nossa volta, e a vida, é necessário que ela seja capaz de
transcender as fronteiras espaço-temporais do cérebro, ultrapassando
os limites da localidade, conforme entendido na visão cartesiana-
newtoniana da física clássica. Para isto necessita ser uma mente não-
local, que vá além do cérebro e dos limites da pessoa, ou seja, uma
mente transpessoal, uma consciência holística com a capacidade de
ultrapassar nossos limites pessoais, interagindo continuamente com
todo o universo à sua volta. O princípio da não-localidade, que é o
modo não-local de funcionamento do universo, por íncrível que
pareça, já faz parte da ciência desde 1982, quando o físico francês
Alain Aspect e colaboradores comprovaram experimentalmente a
existência dessas ações não-locais. Mais recentemente, em julho de
1997, Nicholas Gisin e colaboradores comprovaram a existência das
ações não-locais, quântico informacionais, em nível macroscópico.
A não-localidade, característica dos fenômenos subatômicos da
física quântica, permite que, por exemplo, dois elétrons, mesmo
separados por uma distância astronômica, possam influenciar-se
mutuamente, de forma instantânea, não-local. Uma consciência
transpessoal, com esta qualidade de não-localidade, ou seja, com o
poder de influenciar a mente e a matéria instantâneamente, em
qualquer tempo ou espaço do universo, manifestaria de modo natural,
fenômenos transpessoais como oração intercessória, telepatia,
psicocinese, pré-cognição, paranormalidade, e cura à distância, entre
outros.

Ciência, parapsicologia e fenômenos espirituais

No entanto, para grande parte da comunidade científica


acadêmica, admitir que a consciência possui uma natureza capaz de
atuar tanto no modo local, mecanicista ( cosmovisão newtoniana )
como no modo não–local, sistêmico ( cosmovisão holística ), seria uma
heresia, um assunto com o qual não se deve desperdiçar o precioso
tempo da investigação científica, nem os recursos que a financiam.
É da essência do método científico não admitir em seu
arcabouço a existência de preconceitos. É da própria natureza e
definição do método científico estar aberto para investigar qualquer
evento sem julgamentos a priori, por mais insólito que pareça ser.
Embora seja da natureza dos cientistas, humanos que são,
contrariando a ciência, fecharem-se em dogmas e círculos de poder,
que atrasam o avanço da ciência e impedem o livre debate científico.
Para a verdadeira ciência, qualquer fenômeno é digno de
investigação. Um cientista que se deixe dominar por preconceitos, ou
se deixe envolver por interesses de grupo, financeiros, ideológicos ou
corporativistas, ignorância, e jogos de poder está abandonando o
terreno da ciência e se encastelando na torre de marfim do dogma,
postura que conduz a uma visão acadêmica científica conservadora,
se é que podemos chamá-la de científica, pois exclui dos meios
oficiais da ciência e das universidades, as modernas descobertas e
pesquisas científicas que negam aspectos fundamentais da visão de
mundo cartesiana-newtoniana e fundamentam a nova perspectiva
holística e transpessoal.
Apesar da comprovada existência de imensos preconceitos, e
interesses os mais diversos, fortemente atuantes nos bastidores dos
meios científicos e acadêmicos em todo o mundo, muitos
pesquisadores vêm conseguindo se aprofundar no estudo da natureza
da consciência, e na investigação dos fenômenos parasicológicos,
transpessoais e espirituais. Os milhares de experimentos científicos
laboratoriais e de campo, e os milhares de relatos psicoterapêuticos
consistentes e convergentes, realizados por pesquisadores de notória
e indiscutível capacidade e honestidade, vêm demonstrando
exaustivamente que a natureza da consciência é simultaneamente
local e não-local, e que a existência de fenômenos paranormais,
espirituais e transpessoais são uma consequência natural do modo de
funcionamento não-local da mente. Tais dados, foram confirmados por
pesquisadores independentes, nas áreas de medicina, psicologia,
biologia, neurobiologia engenharia, física, ciências da computação,
ciências cognitivas etc, estudando sujeitos submetidos a estados
alterados de consciência ou não, utilizando métodos com tecnologia
computadorizada de ponta como mapeamento cerebral, tomografia
computadorizada funcional ou PET scan (pósitron emission
tomography), ressonância nuclear magnética, SPECT(single photon
emission computed tomography), geradores de numeros randômicos,
e técnicas de relaxamento, oração, meditação, respiração holotrópica,
hipnose, LSD-terapia, experiências próximas da morte, etc. Entre
estes pesquisadores da consciência, citamos como relevantes:

J. B. Rhine, psicólogo norte-americano, criador do termo


parapsicologia em 1931, que estudou e comprovou estatisticamente
em seu laboratório da Universidade de Duke, Carolina do Norte, EUA,
a realidade dos fenômenos parapsicológicos e da percepção extra-
sensorial, tais como a telepatia, pré-cognição e psicocinese;

Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, que ajudou Sigmund Freud a


desenvolver a Psicanálise e a comprovar a existência dos fenômenos
inconascientes. Criador da escola de Psicologia Analítica e
descobridor dos fenômenos relacionados ao inconsciente coletivo e à
sincronicidade ( coincidências acausais significativas) ;

Stanislav Grof, psiquiatra tcheco, um dos pais da Psicologia


Transpessoal nos anos 60, pioneiro da psicoterapia com LSD e do
estudo dos estados alterados de consciência; criador da terapia
holotrópica, baseada em respiração acelerada, música evocativa e
toques corporais;

Karl Pribram, neurocientista, criador da teoria holonômica do


funcionamento cerebral, teorizador das redes neurais holográficas.

Ian Stevenson, psiquiatra norte-americano, autor do livro Vinte


Casos Sugestivos de Reencarnação, estudioso do fenômeno da
memória extra-cerebral, evidenciado em crianças que afirmam já
terem existido anteriormente;

Charles Tart, psicólogo norte-americano, estudioso dos estados


alterados de consciência e sua relação com a espiritualidade;

Raymond Moody Jr., filósofo e médico norte-americano; Kenneth


Ring, psicólogo norte-americano; David Sabom, médico cardiologista
intensivista norte-americano; Melvin Powers, médico pediatra
intensivista e Elizabeth Kluber-Ross, médica suíça, todos
pesquisadores das experiências próximas da morte, fenômeno
observado em pessoas que passaram por morte clínica comprovada e
que quando ressuscitadas relatam experiências e comunicações extra-
corpóreas e espirituais.

Brian Weiss, médico psiquiatra norte-americano, hipnólogo


clínico, pesquisador de lembranças e traumas de vidas passadas;
Rupert Sheldrake, Biólogo inglês, criador da teoria dos Campos
Mórficos e da Ressonância Mórfica, estudioso dos fenômenos
parapsicológicos.

Harold Puthoff, físico norte-americano, Russel Targ, físico norte-


americano e Jane Katra, médica e curadora espiritual norte-americana,
pesquisadores dos fenômenos telessomáticos ( ação da mente sobre
a matéria e sobre outros seres humanos), consciência não-local e cura
espiritual.

Robert Jahn, engenheiro aero-espacial norte-americano e


Brenda J. Dunne, engenheira do Laboratório de Pesquisas de
Anomalias em Engenharia de Princeton, pesquisadores da percepção
pré-cognitiva remota e de capacidades paranormais.

Dean Radin, psicólogo e parapsicólogo norte-americano, diretor


do Laboratório de Pesquisas da Conciência da Universidade de
Nevada, pesquisador da interação mente-matéria, da percepção
através do tempo e à distância, e das interações mentais com
organismos vivos.

A enorme massa de descobertas e informações acumuladas


por estes cientistas pioneiros, conduziram ao desenvolvimento de uma
nova Parapsicologia, uma nova Psicologia e Medicina Transpessoais,
uma nova concepção holográfica do funcionamento cerebral, e novos
conceitos mais abrangentes de informação e dinâmica cerebral
quântica. Estas novas ciências encontraram sólidos fundamentos para
suas evidências, na Teoria dos Campos Quânticos, nas Teorias da
Auto-Organização e do Caos, na Física Quântica, na Física
Holográfica, e na recente Física da Informação Quântica, surgida na
década de 90 do século XX, e, estão provocando a mais profunda e
abrangente mudança de paradigma já ocorrida na história da ciência
moderna: a ultrapassagem do antigo modelo mecanicista e
reducionista de mente humana e de natureza, fundamentado no
paradigma materialista cartesiano-newtoniano, por um modelo
quântico-informacional holográfico de mente e de universo, muito mais
abrangente que fundamenta o paradigma holístico.

Experimentos científicos que fundamentam a Psicologia


Transpessoal
A contribuição mais importante da psicologia transpessoal para a
ciência e a psicologia é o conceito de que nossa mente, além de
possuir um funcionamento local, egóico, como já afirmavam a
psicanálise, a psicologia comportamental e a psicologia humanista,
também possui um modo de funcionamento não-local, que transcende
o cérebro, o ego e as usuais fronteiras do tempo e do espaço.
O conceito de mente não-local da Psicologia Transpessoal é
amplamente fundamentado pela física quântica, como já vimos
acima, e por milhares de experimentos clínicos, tais como os
realizados por Stanislav Grof e por centenas de experimentos
laboratoriais, tal como os realizados pelos cientistas Dr. Jacobo
Grinberg-Zylberbaun, Dr. Nitamo Federico Montecucco e o Dr. Dean
Radin. Abaixo, descrevemos algumas destas experiêcias científicas
recentes, acerca da comprovação da existência da mente não-local e
seu poder transformador, que já se tornaram clássicas,
fundamentando a Psicologia Transpessoal e a Parapsicologia.
Comprovando em laboratório a existência da mente não-local

Ano: 1992
Local: Universidade Nacional do México

O Dr. Jacobo Grinberg-Zylberbaun está realizando mais um dentre os


cinquenta experimentos já desenvolvidos nos últimos 5 anos por sua
equipe, onde busca verificar a possibilidade da mente de uma pessoa
atuar de forma não-local sobre o cérebro de outra à distância.
Neste estudo, duas pessoas foram colocadas inicialmente, no
interior de uma sala à prova de sons e radiações eletromagnéticas ,
conhecida como “gaiola de Faraday”, ficando desta forma, totalmente
isolados de qualquer influência energética externa conhecida. Os
participantes foram então orientados a meditar juntos ( prática
padronizada cientificamente de meditação transcendental - MT)
durante vinte minutos, a fim de criarem um elo psico-emocional
profundo entre eles. Este procedimento também é importante para que
as ondas cerebrais dos dois participantes entrem em sincronia, ou
seja, tornem-se semelhantes. Após este período, foram separados e
transferidos para diferentes “gaiolas de Faraday”, e submetidos a
eletroencefalogramas contínuos, que registraram suas atividades
elétricas cerebrais. O primeiro sujeito recebeu cerca de cem estímulos
entre luminosos( flashes de luz), sonoros e choques elétricos curtos e
intensos, mas não dolorosos, nos dedos indicador e anular da mão
direita. Tais estímulos foram aplicados ao acaso, de tal forma que nem
o sujeito estimulado, nem o experimentador sabiam quando seriam
aplicados. O segundo sujeito não foi submetido a nenhum estímulo,
permanecendo relaxado, com os olhos fechados e instruído para sentir
a presença do primeiro sujeito da experiência, não tendo nenhuma
noção de que seu companheiro estava sendo estimulado. Os
eletroencefalogramas de ambos posteriormente foram sincronizados,
comparados e estudados e destes dados surgiram fatos
estarrecedores, incapazes de se enquadrarem no modelo científico
acadêmico ortodoxo. Assim vejamos:
Quando o primeiro sujeito era estimulado, seu eletroencefalograma
registrava um potencial elétrico, que é denominado potencial evocado.
Contrariamente ao que se poderia esperar, o eletroencefalograma do
segundo sujeito, não estimulado e isolado de toda e qualquer
influência energética externa conhecida, ao mesmo tempo registrava
os mesmos potenciais elétricos evocados detectados no primeiro
sujeito, como se ele próprio estivesse sendo estimulado ! De alguma
forma desconhecida pela ciência, estes potenciais evocados
foram transferidos do primeiro sujeito para o segundo,
consistentemente, em 25 % dos mais de cinquenta experimentos
realizados sobre a existência da mente não-local, principal arcabouço
teórico-experimental da psicologia transpessoal.
Experiências científicas paralelas, realizadas como controle, com
o intuito de se excluir a possibilidade de quaisquer tipos de erros ou
interferências indevidas, não demonstraram a presença de potenciais
transferidos. Nestes experimentos-controle ou o primeiro sujeito não
era estimulado, ou uma tela o impedia de perceber estímulos tais
como os flashes de luz, ou ainda, os sujeitos não interagiam
previamente, não meditando em conjunto.
Um exemplo particularmente interessante de potencial
transferido, foi o de um casal que se encontrava profundamente
apaixonado, no qual os padrões eletroencefalográficos permaneceram
estreitamente sincronizados, confirmando o seu relato de sentimento
de uma profunda unidade, demonstrando experimentalmente que o
amor é capaz de superar quaisquer barreiras e sincronizar as mentes
apaixonadas.
Este experimento sobre o funcionamento não-local,
transpessoal, da mente humana, realizado por Grinberg-Zylberbaum
(Jacobo Grinberg-Zylberbaun, M. Delaflor. M. E. Sanchez-Arellano,
M.A. Guevara, and M. Perez, “Human communication and the
electrophysiological activity of the brain”, Subtle Energies, vol. 3 , 3,
1993) tem sido replicado com sucesso em centenas de experiências
similares nos últimos anos.

Meditação no laboratório: da mente local para a mente não-local

A equipe do Dr. Nitamo Federico Montecucco, do Cyber Ricerche


Olistiche, de Milão, uma organização italiana dedicada à pesquisa do
desenvolvimento do potencial humano e da consciência planetária, foi
mais um dos grupos de pesquisa que confirmou a veracidade científica
da existência da mente não-local e dos fenômenos estudados pela
Psicologia Transpessoal.
No trabalho The Unity of Consciousness, Sinchronization, and
the Collective Dimension (publicado na revista World Futures, 1997,
vol. 48, pp. 141-150), através de um processo de mapeamento
cerebral computadorizado chamado “brain holotester”, capaz de medir
o grau de sincronização das ondas cerebrais entre os hemisférios
esquerdos e os hemisférios direitos de várias pessoas conjuntamente.
Numa das experiências ( pag. 149), realizada no outono de 1994 para
se avaliar a sincronização cerebral coletiva, “confirmou-se a existência
de um aumento da sincronização entre os cérebros de doze pessoas
durante a meditação. Neste caso, os valores de sincronização foram
acima de 50 %. Isto demonstra que os cérebros humanos estão em
comunicação não-local entre si, e que a autoconsciência e a empatia
são instrumentos psicológicos transpessoais capazes de sincronizá-los
através da não-localidade. Estes dados podem ajudar a entender as
bases científicas dos sentimentos de unidade, cooperação e
relacionamentos entre pessoas, grupos de trabalho, culturas e raças”.
Isto demonstra de forma significativa que pessoas que meditam em
conjunto, especialmente se ligadas emocionalmente, são
capazes de se comunicar de modo não-local e se influenciar
instantanea e mutuamente, sem que se possa perceber a
existência de qualquer meio de ligação ou energia entre elas.
Na página 148 do mesmo trabalho, o Dr. Montecucco cita
pesquisa anterior, conduzida por ele e seus colaboradores, em 1990 e
1991, onde já havia detectado que durante a meditação, o estado de
sincronização das ondas cerebrais alcança seus valores máximos,
próximo à 100 por cento. Nesta pesquisa , envolvendo iogues e
meditadores de diferentes monastérios do norte e do sudeste da
Índia, demonstrou que “em estados de meditação profunda e
estados de consciência elevada, as ondas cerebrais se tornam
altamente sincronizadas e perfeitamente ordenadas, em uma
onda harmônica única, como se todas as diferentes frequências
de todos os neurônios dos vários centros cerebrais estivessem
tocando a mesma sinfonia global”. Esta condição foi denominada
por eles de “Highly Synchronized Harmonic State”, um estado
harmônico de funcionamento cerebral, com um grau de sincronização
muito elevado, que é típico de momentos de intensa criatividade,
profundo bem-estar e intuição.

Mente não-local e efeitos telessomáticos

Um outro estudo clássico que demonstra a capacidade da


mente de uma pessoa influenciar os processos corporais de
outra foi realizado pelos Drs. William Braud e Marilyn Schlitz da Mind
Science Foundation, em Santo Antonio, Texas( EUA). Em 1983, estes
pesquisadores conseguiram demonstrar através de centenas de
experimentos, que pessoas situadas à distância podem provocar em
outras, por meio de imagens mentais ( visualizações),alterações em
seu funcionamento corporal, medido através da atividade elétrica da
pele, mesmo que estas não saibam o que está acontecendo. A
mensuração da atividade elétrica da pele se altera na dependência do
estado emocional em que se encontra o indivíduo. Quando está tenso,
a resistência elétrica de sua pele torna-se pequena, quando relaxado
torna-se alta.( Braud, W. and Schlitz, M., “Psychokinetic influence on
electrodermal activity”, Journal of Parapsychology, vol. 47, 1983.)

A investigação científica da possibilidade da mente humana


influenciar de forma não-local uma pessoa à distância, tanto no
espaço como no tempo, pode nos fornecer bases para uma explicação
de fenômenos insólitos valorizados diariamente pela cultura popular,
tais como “macumba”, “voodoo”, “magia negra”, “despachos”,
“trabalhos”, "quebrantos", "encantamentos”, “mau-olhado”, “olho
grande”, “bruxarias”, “maldições”, “ feitiços”, ”encostos”, “simpatias”,
“rezas”, “passes”, “benzeção”, “curas espirituais” e “magia branca”
entre outros.
A ciência hoje denomina de “efeitos telessomáticos” a
capacidade da mente de uma pessoa influenciar á distância ( de
forma não - local) o corpo de outra , de forma maligna ou benigna,
alterando suas funções fisiológicas, tais como batimentos cardíacos,
pressão arterial, respiração, resistência elétrica da pele, etc.
Na antiguidade e ainda hoje, algumas culturas se utilizam de tal
capacidade, por meio de práticas realizadas por pessoas iniciadas
nesta sabedoria ancestral denominadas de xamãs, feiticeiros, pajés,
curandeiros, pais de santo, rezadeiras, médiuns, etc.
Entre os indios americanos, descreve James Frazer em seu
famoso estudo “The Golden Bough”, estas práticas incluem desenhar
a figura de uma pessoa em areia, cinzas ou argila e então espetá-la
com um bastão fino ou realizar outra forma de agressão qualquer.
Segundo esta tradição nativa, a pessoa-alvo representada pela
imagem realmente é afetada e prejudicada por tal prática de magia.
Nesta forma de magia, o alvo da influência não é uma pessoa mas sim
uma imagem da mesma, tal como um boneco, uma foto, um desenho
se possível incluindo objetos de uso pessoal como jóias, roupas, ou
partes do corpo como cabelos, etc. Neste tipo de magia, a imagem
que representa a pessoa é perfurada ou agredida durante o ritual,
enquanto que simultaneamente a pessoa sente tal injúria em seu
próprio corpo como um mal-estar, que pode se instalar lentamente ou
de forma rápida, causando uma série de perturbações fisiológicas que
vão desde a dor de cabeça até a morte súbita.
O Dr. Walter B.Cannon, neurologista norte-americano, relata em
seu clássico estudo “ Voodoo Death” ( Morte pelo Voodoo ), o
testemunho do Dr. Herbert Basedow que presenciou um curandeiro de
uma tribo aborígine da Austrália utilizar o processo tradicional de “
apontar um osso” para enfeitiçar uma vítima :
“ O homem que descobre que foi apontado por um osso fica , de
fato, num estado lamentável. Fica aterrorizado, com os olhos fixos no
feiticeiro que aponta para ele e com as mãos erguidas como se para
evitar a substância letal que imagina está sendo derramada sobre seu
corpo. Sua face empalidece, os olhos ficam vidrados e a expressão do
rosto fica terrivelmente distorcida ... ele tenta gritar, mas em geral o
som sufoca na garganta e tudo o que se vê é uma espuma saindo pela
boca. O corpo começa a tremer e os músculos contorcem-se
involuntáriamente ele vacila e cai no chão e depois de curto espaço de
tempo parece ser acometido por uma síncope; mas logo depois se
contorce como se em mortal agonia e, cobrindo o rosto com as mãos,
começa a gemer ... sua morte é questão de pouco tempo.”

Como contrariam o paradigma científico cartesiano materialista


vigente, os fenômenos telessomáticos ( influência mental à
distância), são pouco divulgados nos meios acadêmicos e pela mídia
em geral, pois segundo tal concepção, não poderiam existir. No
entanto, já foram replicados com sucesso, centenas de vezes, nas
últimas oito décadas, por meio de estudos científicos controlados.

Mente não-local e a influência positiva ou negativa do olhar

O Dr. Dean Radin, em seu livro The Conscious Universe ( pag.


155/156), fez um levantamento geral, do período de 1913 a 1996, das
pesquisas sobre o sentimento de estar sendo influenciado pelo
olhar. Entre os estudos analisados por ele estão os de Poortman,
Peterson, Williams, Braud, Schafer, Andrews, Schlitz, La Berge,
Wiseman e Smith. Sua conclusão é estarrecedora e surpreendente
para as mentes acadêmicas convencionais! Os resultados de todos os
estudos combinados demonstram uma probabilidade de 3,8
milhões para 1, de que os fenômenos de influência mental sejam
frutos do acaso. Ou seja, eles existem, são reais. Estas pesquisas
confirmam a realidade de uma das mais antigas e conhecidas
superstições do mundo ocidental, o mau-olhado, e possivelmente de
uma das mais conhecidas graças do mundo oriental, o "darshan", ou
o olhar abençoador e curativo de um mestre iluminado.
Não se trata mais de se acreditar ou não em mau-olhado e
bom-olhado, mas sim de se verificar o alcance e o efeito dessas
práticas na saúde do ser humano, por meio de estudos
científicos. E também, de se encontrar meios de proteger as
pessoas destas influências maléficas.
A maior parte dos povos primitivos tinha medo do mau-olhado e
tomavam medidas para desviar a atração desse olhar, por meio de
amuletos brilhantes ou atrativos utilizados em torno do pescoço.
Os estudos científicos atuais realizados em laboratório, que
confirmam a veracidade dos fenômenos telessomáticos, adotam a
metodologia de separar duas pessoas, e monitorar a atividade do
sistema nervoso da primeira, usualmente por meio da atividade
elétrica da pele, enquanto a segunda pessoa, olha para a primeira em
períodos de tempo randômicos ( ao acaso) , através de um sistema
unidirecional de circuito-fechado de vídeo, influenciando-a ( Targ,
Russel and Katra, Jane. 1998. Miracles of Mind. Exploring Nonlocal
Consciousness and Spritual Healing. New World Library: Novato,
Ca. pp. 209 – 217)
Para o físico quântico norte-americano David Bohm, a mente
humana, em determinados estados alterados de consciência, tais
quais aqueles que encontramos quando a pessoa está orando,
meditando, contemplando a natureza, etc., “pode operar diretamente
nas profundezas da ordem implícita” ( Bohm in Dialógos com
Cientistas e Sábios, Renée Weber, pag.70, Ed. Círculo do Livro). Tal
afirmação, vinda de um dos maiores físicos da atualidade, tem sérias
implicações para a espécie humana e para a compreensão da
natureza e funcionamento dos fenômenos telessomáticos , pois
conforme assinala o psiquiatra Stanislav Grof, um dos criadores da
psicologia transpessoal, “se as suposições básicas da teoria
holonômica, sobre a ordem explícita e implícita, refletem a
realidade, com um grau suficiente de exatidão, também é
concebível que certos estados incomuns da consciência, possam
mediar experiências diretas da ordem implícita ou nela intervir .
Isto tornaria possível modificar os fenômenos no mundo objetivo
ao influenciar a matriz geradora”( Além do Cérebro, pag. 62, Ed.
McGraw-Hill).

Mente não – local em um Universo Holoinformacional

As modernas pesquisas científicas sobre o poder e o alcance de


influência do campo da consciência humana, realizadas por
pesquisadores como Stanislav Grof, Dean Radin, Russel Targ, Harold
Puthoff, entre outros, demonstram a capacidade da mente
modificar não somente o corpo, como nos fenômenos
telessomáticos, mas também toda a realidade à nossa volta.
Desta forma, estamos lidando aqui com um fenômeno mais
abrangente que o telessomático. Estamos penetrando no campo dos
fenômenos holoinformacionais, onde a vida, a mente e o cosmos
são uma infinita rede de interconexões dinâmicas, onde o todo contém
a parte e a parte contém o todo, possibilitando então, à mente que é
uma parte do Cosmos Quântico-Informacional-Holográfico, modificar
de forma significativa, instantânea e não-local toda a realidade física
do universo, através da alteração da consciência, energizada pelo
desejo e a intenção.
Em determinadas condições especiais de expansão da
consciência, como aquelas induzidas pela meditação, oração,
hiperventilação (respiração holotrópica), jejum, ayahuasca e LSD,
nossa mente com a atenção e a intenção focalizadas, podem alterar a
matéria e a realidade à nossa volta, sensibilizando nossa matriz
geradora, o campo holoinformacional da Ordem Implícita.
O Dr. Deepak Chopra, médico endocrinologista, praticante de
meditação transcendental, e fundador da Sociedade Americana de
Medicina Ayurvédica, afirma em seu livro Vida Incondicional ( Ed.
Best Seller) : ‘para usar a linguagem da física, uma intenção local
começa a ter resultados não locais...o campo está agindo sobre si
mesmo...meu papel é apenas dar ordens, deixando o campo
computar, instantânea e automaticamente, o resultado que espero.O
segredo...é que se entra no computador cósmico usando o cérebro
como teclado’.
Para que possamos compreender como é possível este acesso
ao computador cósmico, é necessário introduzirmos aqui uma
concepção mais abrangente de informação e consciência que
desenvolvemos nos ultimos anos em um trabalho denominado
Informação Auto-Organização e Consciência- Rumo a uma Teoria
Holoinformacional da Consciência, publicada originalmente em
1999, na Inglaterra e nos EUA nas revistas científicas World Futures-
The Journal of General Evolution, e The Noetic Journal, e mais
recentemente no livro Science and the Primacy of Consciousness-
Intimation to a 21st Century Revolution que reproduzimos no
apêndice 1 deste livro. Nesta concepção, energia, matéria, vida e
consciência originam-se de um campo criador, que é pura informação,
situado além de nossos limites perceptuais. Este campo informacional
invisível é na verdade uma ordem geradora fundamental, que permeia
com informação criativa todo o cosmos, permitindo compreender a
natureza básica do universo como uma totalidade inteligente auto-
organizadora indivisível, isto é, uma consciência, um campo
holográfico informacional que gera, mantém e transforma o
universo. Este campo é informacional tanto no sentido de informar
(dar o plano criador da forma), como de formar( gerar a forma), tal
como o arquiteto planeja o projeto ( informa) e depois o constrói
( forma). Esta ordem/mente universal é denominado por nós como
campo holoinformacional da consciência, constituindo uma unidade
indivisível, cujos processos quântico-informacionais criativos
interagem por meio de relações não-locais (holísticas), internas, e
simultaneamente por meio de relações externas locais
(mecanicísticas), gerando energia, matéria, vida e consciência, e
também todos os processos que criam, mantem e transformam o
universo. Uma consciência universal, da qual somos parte
dinâmica, que se manifesta de modo informacional, semelhante
ao holográfico, auto-organizando-se em uma infinita holoarquia
cósmica.
Este tipo de consciência universal foi intuída e descrita há
milênios pelas grandes tradições espirituais e pela Filosofia Perene
com muitos nomes: Espírito Santo, Tao, Brahman, Consciência
Cósmica, Grande Arquiteto, Mente Universal, etc.
Um universo estruturado como um campo holoinformacional é
um universo inteligente funcionando como uma gigantesca mente. Sir
James Jean, o célebre astrônomo inglês, já afirmava em relação às
modernas descobertas da astronomia e da física quântica: "O
Universo começa a se parecer mais com uma grande mente do que
com uma grande máquina".
Em nossa concepção holoinformacional, o universo não é
somente inteligente e pleno de informação significativa, mas
configurado e estruturado à semelhança de um holograma, tal como
proposto por David Bohm. O holograma é uma imagem virtual
tridimensional de um objeto criada da seguinte maneira: um raio laser
incide sobre o objeto refletindo, sob a forma de ondas, os limites e a
forma do objeto em uma placa. Sobre essa placa incide um segundo
raio laser, produzindo e refletindo, a partir da mistura das ondas dos
dois lasers, uma imagem no espaço. O embaralhamento das ondas
na placa forma um padrão de interferência de ondas que armazena a
informação acerca do objeto, e é essa informação que é refletida no
espaço sob a forma de uma imagem virtual tridimensional. O relevante
aqui, é que nos sistemas holográficos cada parte da placa contém a
informação completa sobre o objeto. Se quebrarmos a placa em
vários pedaços, cada pedaço, se iluminado por um laser, refletirá a
imagem tridimensional completa do objeto no espaço, demonstrando
experimentalmente que num sistema holográfico o todo está em
cada parte, assim como cada parte está no todo.
A afirmação acima não lhes parece familiar? Não a encontramos
em nossas culturas e tradições espirituais milenares em citações
como: "Assim na terra como no céu"; "Tudo o que está em cima é igual
a tudo o que está em baixo"; Tudo o que está dentro é igual a tudo o
que está fora; "O Reino de Deus está dentro de vós"; “Em verdade vos
digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu, e tudo o que
desligardes na terra será desligado no Céu”, "Somos um microcosmo
que reflete o macrocosmo", "Todo o universo está contido em um grão
de areia", etc.
O modelo holoinformacional do universo permite-nos
compreender como é possível produzir fenômenos telessomáticos e
holoinformacionais, todos de natureza não-local, ingressando em
estados alterados e transpessoais de consciência, influenciando com o
desejo e a intenção, o campo gerador holoinformacional que constitui
o universo.
Uma vez que somos capazes de “operar diretamente nas
profundezas da ordem implícita”e “modificar os fenômenos no mundo
objetivo ao influenciar a matriz geradora” que cria qualquer realidade
material e as leis da física, existe a possibilidade de se realizar
qualquer mudança que desejamos na realidade e situações à nossa
volta . Encontramo-nos no campo de todas as possibilidades, como
afirma o físico e sábio indiano Maharishi Mahesh Yogi, divulgador da
Meditação Transcendental no ocidente . Isto pode explicar muitos dos
impressionantes efeitos benéficos produzidos pela oração, meditação,
visualização, hipnose, mentalização, respiração holotrópica e outras
técnicas tradicionais de cura redescobertas e investigadas pela ciência
moderna, categorias estas incluídas no rol dos fenômenos não-
locaqis transpessoais telessomáticos e holoinformacionais.
No entanto, se a explicação dos fenômenos telessomáticos e
holoinformacionais pode parecer simples, isto não significa que seja
fácil produzí-los conscientemente, pois para tanto temos que nos
encontrar em “estados incomuns de consciência”. Vários estudos
científicos, como os realizados pela Dra. Gertrud Schmeidler, J.B.
Rhine, Carl Gustav Jung e Herbert Benson, entre outros,
demonstraram que quanto mais intensas, esperançosas e
emocionalmente carregadas são as nossas expectativas, crenças e
desejos, e quanto maior nosso relaxamento físico, mental e emocional,
maiores são as mudanças que podemos fazer gradualmente, tanto em
nosso corpo como em nossa própria realidade . Se aliarmos à nossa
tecnologia cientifica, práticas tradicionais milenares de alteração da
consciência, como a oração, meditação, rituais e danças arquetípicas,
visualização, entre outras, poderemos realizar feitos considerados até
há pouco tempo como milagrosos.
Nessa era científica da informação e da biotecnologia, estamos
redescobrindo em nossos laboratórios, saberes e práticas tradicionais
extremamente sofisticados de como influenciar a matéria com a
mente, conhecidos há milênios pela humanidade, e que até há pouco
tempo atrás considerávamos superstições grosseiras, oriundas da
ignorância popular. Com isto, estamos acordando para as enormes
potencialidades de transformação da matéria e da realidade que
existem em nosso interior. Em nosso íntimo possuímos uma
capacidade, uma passagem que nos permite acessar a ordem
implícita e alterar a realidade das coisas : o portal da consciência .

Mente não-local, Ciência e Voodoo

Ano: 1995
Local: Universidade de Nevada - USA

A equipe de parapsicologia experimental dos Drs. J.M. Rebman e


Dean Radin ( Rebman, J.M. , Radin, D.I. , Hapke, R.A. , and
Gaughen, U.Z. “Remote influence of the automatic nervous system by
a ritual healing technique” in Proceedings of Presented Papers, 39 th
Annual Parapsychological Association Covention, edited by E.C. May,
133-148. Fairhaven, MA: Parapsychological Association) resolveram
testar o poder do “voodoo” sob condições controladas de laboratório.
Neste experimento, voluntários foram divididos em duas
categorias: sujeitos ativos ou “curadores” e sujeitos passivos ou
“pacientes”. O objetivo era verificar se os “ pacientes” poderiam ser
fisicamente afetados à distância pelos “curadores”, por meio de
técnicas de “estilo voodoo”, que utilizam uma imagem como meio de
produzir influência sobre a pessoa. Os “pacientes” foram
representados por bonecos com fotos e objetos de seu uso pessoal
( roupas, jóias, etc.) além de um relato com a história de suas vidas
( autobiografia) e informações sobre o que os fazia sentirem-se
amparados, calmos e confortáveis. Tais dados seriam utilizados pelos
curadores para influenciá-los durante a experiência . Os efeitos
testados foram de intenção benigna ao invés de maligna, daí os
experimentadores ativos serem chamados de “curadores”. A
experiência em si consistia no seguinte:

1 - Separar os “curadores” dos “pacientes”. Os “curadores” foram


colocados num quarto acústica e eletromagneticamente blindado, num
prédio situado ao lado daquele em que os “pacientes” se encontravam.
2 - O “curador” colocava numa mesa à sua frente o boneco e seus
objetos e se concentrava neles , enquanto enviava ao “paciente”,
numa sequência ao acaso, dois tipos de mensagens, de “cura” e de
“repouso”.

3 - O “paciente” era monitorizado de forma a se registrar a atividade de


seu sistema nervoso autônomo, por meio de atividade eletrodérmica
( resistência elétrica da pele), frequência cardíaca e volume sanguíneo
do pulso.

Uma sessão experimental típica consistia em o “curador” enviar de


forma aleatória ao “paciente”, por meio do boneco, cinco períodos de
intenção de “cura” e cinco períodos de intenção de “repouso”, períodos
estes com a duraçào de um minuto cada, sempre seguidos por um
intervalo de onze segundos entre eles.

Surpreendentemente, observou-se que os “pacientes” realmente


eram afetados pela “magia branca” dos “curadores”. Os “pacientes”
tinham a sua atividade eletrodérmica ( resistência elétrica da pele)
aumentada e sua frequência cardíaca reduzida durante os períodos
em que o “curador” procurava influenciá-lo à distancia por meio da
intenção de “cura”, fatores que indicavam relaxamento psicofísico. Já
nos períodos de intenção de “repouso” , não se observavam tais
efeitos. O volume sanguíneo do pulso dos “pacientes” também foi
reduzido de forma significativa por alguns segundos, durante os
sessenta segundos do período de intenção de “cura”, demonstrando
uma resposta de relaxamento. Tais resultados experimentais indicam
que de fato o sistema psiconeuroimunológico dos “pacientes” foi
beneficamente afetado á distância, de forma não-local e transpessoal,
pelos “curadores. Por outro lado, quando os "curadores" provocavam
um efeito estressante, batendo na face e/ou na cabeça do boneco
voodoo, durante os períodos aleatórios dedicados à cura, isto tinha um
efeito terapêutico transpessoal de massagem estimulante à distancia,
mais uma vez, de forma não-local , nos "pacientes", aumentando seus
batimentos cardíacos.

Isto nos leva a admitir a possibilidade de que através do


“voodoo”, “magia negra”, “quimbanda” ou “macumba”, uma pessoa
pode , à distância, desencadear efeitos maléficos no organismo de
outra, via sistema nervoso autônomo, ocasionando elevaçào da
pressão arterial, e da frequência cardíaca. Estes aumentos da pressão
arterial e da frequência cardíaca poderiam, na dependência da
intensidade e do tempo de estimulação, teoricamente desencadear
dores de cabeça , dores no peito ( angina), ataques cardíacos
(infartos), derrames ( acidentes vasculares cerebrais) e morte súbita.
Tais experimentos transpessoais permitem-nos afirmar que os
fenômenos telessomáticos se utilizam dos mesmos processos de
interação mente-corpo que os fenômenos psicossomáticos, com a
diferença de que não é a mente do indivíduo que está influenciando o
seu próprio corpo, como ocorre na medicina psicossomática, mas sim
que o funcionamento não–local da mente de uma pessoa está
influenciando a mente e o corpo de uma outra pessoa.

As implicações destas descobertas transdisciplinares e holísticas


acerca da natureza não-local da mente e suas relações com o
universo, são imensas para a saúde, cura, a paz e o bem-estar da
humanidade e do planeta, e mudam totalmente nossa visão de mundo
acerca da natureza do homem e da compreensão de nosso lugar no
esquema ecológico e cósmico. Somos parte de algo muito mais vasto
do que nossas mentes individuais.

Capítulo 2
UMA JORNADA TRANSPESSOAL

"O trabalho de Don Juan como praticante,


tornando seu sistema acessível a mim,
consistia em desmantelar uma certeza
determinada que partilho com todo mundo,
a certeza de que nossas visões de “ bom-senso”
do mundo são definitivas"
Carlos Castañeda
A aliança entre a Sabedoria Antiga e a Ciência Moderna

Quando escrevemos nosso livro anterior, Caminhos da Cura (Ed.


Vozes), nossa motivação era correlacionar as pesquisas da ciência
moderna com as práticas terapêuticas ocidentais e orientais, e a
sabedoria encontradas nas grandes tradições espirituais da
humanidade.
Como neurologista e psicólogo nunca havíamos nos envolvido
anteriormente de forma profunda com o Cristianismo ou com outras
tradições espirituais e mitologias. Muito pelo contrário, apesar de
termos nascido em famílias cristãs, a forma discursiva e pouco
vivencial, pela qual a tradição cristã nos foi ensinada, acabou por nos
afastar dela, impelindo nossa busca existencial para a ciência, e
posteriormente para as práticas e filosofias experienciais do Extremo
Oriente, tais como o Taoísmo, o Hinduísmo, o Budismo, o Yoga e o
Zen. Tornamo-nos meditantes, e um de nós é praticante de Tai Chi
Chuan, desde o final de década de 1980. Esta busca foi bastante
reforçada, pelo movimento de aproximação entre a Física Quântica e
as Tradições Espirituais, iniciado nos anos 70-80 com autores como
Fritjof Capra, Gary Zuckav e David Bohm, além dos expoentes da
contracultura dos anos sessenta, tais como Allan Watts, Ronald Laing,
David Cooper, Allen Ginsberg, Jack Kerouac, Abie Hoffmann, Jerry
Rubin, Herbert Marcuse, Marshal McLuhan, Thimothy Leary, Martin
Luther King, Ralph Nader, Daniel Cohn-Bendit, Rudi Dutschke e John
Lennon, entre outros.
Entretanto a necessidade de relacionar mais profundamente as
tradições espirituais, inclusive a cristã, com nossas experiências
existenciais e as concepções neurocientíficas e psicológicas
modernas, com seu vertiginoso avanço das ultimas décadas, persistia.
Durante o processo de florescimento e desenvolvimento de
nossas idéias e de nossas pesquisas, e na efervescência dos debates
sobre as bases científicas para tão inusitada empreitada, foi ficando
cada vez mais claro para nós, que é possível desenvolver uma
correlação bem fundamentada, entre existência, ciência e
espiritualidade. Esta união, ou melhor, reunião, foi inicialmente
desenvolvida nos anos 90, em nossos livros O Homem Holístico-a
unidade mente/natureza, Auto-ajuda Eficaz e Caminhos da Cura,
todos publicados pela Ed. Vozes. A partir desta experiência teórica que
aos poucos foi sendo complementada e plenificada por vivências
práticas de meditação e tai chi chuan, percebemos claramente, que
os valores e práticas de auto-conhecimento do Cristianismo, e das
outras Tradições Espirituais, constituem em seu conjunto com as
modernas Ciências Holísticas, uma sabedoria essencial para
alcançarmos uma nova concepção da consciência e da vida, e uma
mitológica planetária, capaz de conduzir a humanidade à harmonia e
ao bem-estar individual, social e espiritual, de que hoje tanto
carecemos.
Com a divulgação de nossas idéias por meio de conferências,
seminários e livros, e o desenvolvimento de nosso trabalho clínico, nos
demos conta que nossa obra estava alcançando uma repercusão
inesperada, e nos percebemos levados adiante, de um modo natural
e sincronístico, pelo Tao, ora navegando tranquilamente, ora
tempestuosamente, pelo oceano da consciência, tendo como guias as
coincidências positivas ( sincronicidades), as neurociências, a
psicologia transpessoal, a física quântica, a teoria da informação, a
teoria holográfica, as teorias da auto-organização, a parapsicologia, as
tradiçoes espirituais de todo o mundo, a mitologia, e áreas correlatas.

Ciência e consciência
Esta jornada científico-espiritual nos conduziu mais
recentemente à elaboração e publicação de um trabalho de pesquisa
original, na Europa e nos EUA, intitulado Information Self-
Organization and Consciousness- Towards a Holoinformational
Theory of Consciousness ( Informação Auto-organização e
Consciência – Rumo a uma Teoria Holoinformacional da Consciência
), que fundamenta um modelo de consciência ao mesmo tempo local e
não-local, capaz de inserir no arcabouço da Ciência os fenômenos
parapsicológicos, espirituais e transpessoais. Este trabalho, incluído
no apêndice 1 deste livro, foi apresentado, por um de nós, Francisco
Di Biase, como conferência, no congresso internacional Science and
the Primacy of Consciousness (A Ciência e o Primado da
Consciência), na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa
em Portugal, em abril de 1998, juntamente com apresentações do
psiquiatra Stanislav Grof, um dos fundadores da Psicologia
Transpessoal, do neurocientista Karl Pribram criador da teoria
holonômica do funcionamento cerebral, do biólogo Rupert Sheldrake,
criador da teoria dos campos morfogenéticos, e dos físicos quânticos
Richard Amoroso, e Amit Goswami, criadores de teorias quânticas da
consciência, entre outros. Posteriormente, este mesmo trabalho foi
publicado na Europa e nos EUA, respectivamente na revista científica
européia World Futures- The Journal of General Evolution (1999, vol.
53, pp. 309-327) cujos editores são Erwin Laszlo, Karl Pribram e Illya
Prigogine, e no periódico americano The Noetic Journal ( 1999, vol. 2,
nr.3, pp 295-304), cujo editor é o psicólogo e cosmologista Richard
Amoroso.
A repercusão internacional de nosso trabalho durante o
congresso em Lisboa, resultou em um convite para incluí-lo com
aperfeiçoamentos no livro Science and the Primacy of
Consciousness- Intimation of a 21st Century Revolution ( Noetic
Press, USA), onde expandimos ainda mais nossa visão local e não-
local da consciência, em co-autoria com Stanislav Grof, Karl Pribram,
Rupert Sheldrake, Amit Goswami, Fred Alan Wolf, Henry Stapp,
Richard Amoroso e outros. Nesta nossa visão da consciência,
denominada modêlo holoinformacional da consciência, realizamos
uma síntese, com base em um vasto conjunto de conhecimentos da
ciência moderna, que pela primeira vez desde Descartes no século
XVII, permite compreendermos a natureza da consciência, sem
cairmos em um reducionismo estéril, ou em um dualismo mal
fundamentado cientificamente. Aos interessados nos detalhes
científicos deste trabalho, remetemos ao apêndice 1 deste livro.

O Retorno da Experiência Espiritual

Desde os anos 70, nossa jornada existencial-científica, vem nos


permitindo vislumbrar que a partir do Renascimento (século XVI), e
mais especialmente nos ultimos cem anos, a humanidade vem se
afastando progressivamente de uma visão espiritual do homem e do
universo. Este fenômeno cultural deve-se ao crescente sucesso da
visão de mundo científica materialista, que nos conduziu à enormes
avanços tecnológicos e conforto material. As próprias igrejas cristãs
ocidentais, em sua maioria transformaram a prática espiritual num
discurso ritualístico e secularizado, essencialmente racionalista, muito
diferente do cristianismo primitivo, que como outras tradições
espirituais, ensinava o acesso à experiência direta de Deus. Este
racionalismo nos privou da possibilidade de percebermos que vivemos
num mundo seguro e confiável, apesar das mudanças e incertezas,
em que a dimensão transcendente está sempre presente nos
amparando, orientando e auxiliando na transformação. Os substitutos
para a experiência inesquecível do êxtase que o mundo moderno nos
apresenta, tais como o consumismo exagerado e a busca de status
social e do poder, a idolatria do corpo e da juventude, a sexualidade
desenfreada, o abuso de drogas, a segurança da vida fútil , medíocre
e rotineira, etc. não conseguem preencher o vazio deixado pela
ausência da experiência de conexão cósmica, e de uma mitologia
capaz de responder aos anseios e desafios do mundo contemporâneo.
Como consequência, nos transformamos em um ser humano
neurótico, inseguro, permanentemente insatisfeito e medroso, egoísta,
desenraizado de suas origens cósmicas e mitológicas, terreno fértil
para as doenças psicossomáticas e psicossociais. Distúrbios como a
depressão, a ansiedade, o egoísmo, o transtorno do pânico, a insônia,
o estresse que frequentemente levam à hipertensão arterial, ao infarto,
ao câncer e ao derrame cerebral, bem como a violência social, a
indiferença pelo sofrimento humano, a miséria, a fome, o desemprego,
as guerras e o terrorismo, consomem o homem moderno, distante de
suas fontes espirituais e mitológicas, e da prática da compaixão.
Durante o processo de realização deste livro, passamos a crer,
como Jung, que “o Cristianismo é um belo sistema de psicoterapia que
cura o sofrimento da alma”, assim como o são as outras grandes
tradições espirituais e mitológicas, podendo todas contribuir
poderosamente para a reversão do caos, do vazio e do fracasso que
observamos no mundo de hoje, nos reconduzindo rumo à uma Cultura
de Paz e a uma Ética de Reverência pela Vida .
A simples consciência de que somos parte de um organismo
planetário como a Terra, delicado e pleno de vida, ameaçado de
extinção, e a percepção transcendente de uma Inteligência Universal
geradora do Cosmos da Vida e da Consciência, que permanentemente
nos acompanha e auxilia, desperta em nós imensos poderes, capazes
de transformar completamente nossa existência e de nossa
comunidade, desde que coloquemos em ação transformadora tal
percepção cósmica. Roberto Crema, psicólogo e antropólogo, em sua
obra seminal Saúde e Plenitude, afirma “ quando nos convocamos a
existir numa coordenada tempo-espaço, nós nos fazemos um
propósito. Há uma promessa inerente ao nosso ser. Não estamos aqui
apenas para um piquenique ou aposentadoria. Estamos aqui para
realizar uma tarefa pessoal intransferível. Estamos aqui para
concretizar uma obra-prima; para trazer uma diferença ao universo.”
Esperamos que a comprensão e o retorno aos valores
essenciais da espiritualidade, da fraternidade e da interconexão de
todas as coisas, e da importância do cuidado com a vida, agora
comprovados pelas modernas pesquisas científicas acerca da
natureza do nosso planeta, do universo e da consciência humana,
possam conduzir o leitor à experiência terapêutica da
transcendência e da ação altruística transformadora, com todos os
benefícios materiais, emocionais, sociais e espirituais daí decorrentes.

Capítulo 3

A VISÃO DE MUNDO CARTESIANO - NEWTONIANA

“Não devemos interromper a nossa investigação


e o final de toda a nossa investigação
será chegar ao lugar onde começamos e
conhecer o lugar pela primeira vez.”
T. S. Elliot

Xamanismo e poder religioso

Durante eras incontáveis, povos de todos os continentes


acreditaram que a dimensão transcendente ou transpessoal, como
modernamente a chamamos, desempenhava um papel primordial na
origem, na evolução e na cura das doenças. Basta observarmos a
prevalência ainda no mundo atual da medicina xamânica, com seus
mitos, iniciações, rituais, beberagens, e da medicina popular com seus
diagnósticos e suas receitas, ambas reivindicando a existência de
forças e influências espirituais capazes de atuar no ser humano de
forma benigna ou malévola, para compreendermos a relevância desta
perspectiva na história da saúde da humanidade.
No mundo ocidental, este tipo de visão de mundo prevaleceu até
o sec. XVI, época em que a maioria das pessoas não possuía acesso
a nenhum tipo de saber mais elaborado, vivendo num ambiente
povoado por forças espirituais, anjos e demônios, que seriam
responsáveis por todos os fenômenos naturais, inclusive a saúde e a
doença. Cabia à casta sacerdotal, na época estreitamente aliada ao
poder do Estado, a legislação, a interpretação e a intervenção nestes
assuntos. Tal domínio se dava através de uma utilização inadequada e
muitas vezes manipuladora das Escrituras Sagradas. As grandes
sínteses paradigmáticas realizadas por Santo Agostinho, que uniu a
cultura cristã à filosofia platônica e, posteriormente, por São Tomás de
Aquino, unindo a Ética e a Teologia Cristãs à Ciência e à Filosofia
grega de Aristóteles (o grande sistematizador do conhecimento da
Antiguidade), contribuiu para que a Igreja Cristã dominasse politica e
teologicamente o mundo ocidental por cerca de um milênio! A aliança
entre Igreja e Estado originou um abrangente sistema totalitário e
opressor em quase toda a Europa, cuja efervescência política gerou
figuras hediondas como a do inquisidor espanhol Torquemada, que
com a concordância de autoridades da Igreja, queimou vivas nas
fogueiras da Santa Inquisição, prática autoritária promulgada pelo
Papa Inocêncio III, milhares de pessoas, especialmente mulheres,
acusadas de heresias e bruxarias. O novo saber científico emergente
foi brutalmente reprimido, sendo um dos exemplos mais trágicos a
execução na fogueira do filósofo e cientista italiano Giordano Bruno.
Este estado de coisas acabou gerando nas cabeças pensantes do
sec. XVI um processo de revolta e oposição à tamanha brutalidade e
violação dos direitos da pessoa, desencadeando uma revolução
cultural e social, voltada para a busca de certezas que não fossem
dependentes da autoridade do Estado e da visão Eclesiástica. Este
movimento de renascimento cultural que disseminou-se por toda a
Europa, ficou conhecido na história ocidental como Renascimento.

O nascimento da Ciência

Esta revolução do pensamento, que desenvolveu-se à parte da


religião e suas práticas, foi a mais importante mudança de paradigma,
de visão de mundo, ocorrida no mundo ocidental desde a antiguidade
clássica. Os livres-pensadores de então, procuraram elaborar critérios
práticos e confiáveis que permitissem compreendermos o universo à
nossa volta, e atuarmos de forma segura e eficaz no mundo. Ou seja,
ações práticas, capazes de serem repetidas, comprovadas e
utilizadas por qualquer homem que se dispussese a estudar a
natureza de forma livre e inteligente. Nascia assim a maior criação da
espécie humana, o método científico, cuja sistematização iniciada
por Francis Bacon, conduziu em quatrocentos anos ao maravilhoso
desbrochar de nossa civilização tecnológica. Assim, progressivamente
foi florescendo e se complexificando um novo saber, diferente da
filosofia, da religião, da mitologia, da arquitetura e das artes, cuja
evolução culminou na estruturação da Ciência como hoje a
conhecemos. Foi uma época de pioneiros e experimentadores que
afrontaram o poder religioso e político estabelecido, e sua visão de
mundo dominante. Figuras como Giordano Bruno, Galileu Galilei,
Johanes Kepler, Francis Bacon e Nicolau Copérnico forjaram com
suas poderosas mentes, e muita coragem, as bases da nossa
civilização científica ocidental. A continuação deste movimento pelos
séculos seguintes, revelou gênios como René Descartes, Voltaire ,
Rousseau, Diderot, Pascal, David Hume, John Locke, e outros,
culminando essa aventura do conhecimento com o Iluminismo, a
Enciclopédia Francesa e a síntese da Física Clássica Mecanicista,
realizada por Sir Isaac Newton. Newton elaborou a físca de forma tão
lógica, harmoniosa e matematicamente tão bem estruturada , que
acreditava-se à época, que tivéssemos alcançado a compreensão
final das leis da Natureza. Até hoje nos meios acadêmicos, considera-
se a síntese newtoniana como o maior feito científico realizado pela
mente de um único homem. Esta concepção científica exerceu uma
influência tão poderosa sobre a humanidade que tornou-se uma visão
de mundo, para o pensamento e a ação, permanecendo intocada por
quatro séculos.

A emergência do paradigma Cartesiano-Newtoniano


Todo este arcabouço conceitual baseado na experimentação
científica, foi construindo nos últimos quatrocentos anos uma
cosmovisão de bases essencialmente materialistas, conhecida hoje
como paradigma cartesiano-newtoniano. É um modelo dualista,
que divide o homem em corpo e mente e separa o homem do
universo, reducionista, pois reduz o funcionamento do universo e do
homem às interações atômico-moleculares, mecanicista, por
conceber o universo como um imenso e complexo mecanismo de
relógio e materialista, por excluir a espiritualidade do universo. A partir
desta perspectiva, a vida e a consciência foram concebidas como
frutos de processos cósmicos naturais, ocorridos ao acaso, sem que
para explicar suas origens fosse necessária a existência e influência
de forças inteligentes ou espirituais.
Conta-se que quando o astrônomo, matemático e físico Laplace
terminou sua obra cosmológica onde sistematizava todo o
conhecimento da época sobre o universo, ao mostrá-lo a Napoleão,
este retrucou: “Sr Laplace, o senhor escreveu um livro maravilhoso
sobre a natureza do universo, mas não fala nada sobre o Criador” . Ao
que Laplace muito sério respondeu: “Não tive necessidade desta
hipótese”. A nosso ver, esta história verdadeira ou não, representa
muito bem, o dogmatismo científico e a arrogância de donos da
verdade que com o evolver da Ciência, se apossou dos profissionais
da ciência.
Na visão de mundo cartesiano-newtoniana, a consciência
humana é concebida como um epifenômeno, uma consequência de
processos neuroquímicos cerebrais. Uma vez extinta a vida, o cérebro
e seu produto, a consciência, desapareceriam. Neste modelo
consciencial, a mente é local e dependente do cérebro, não
ultrapassando os limites físicos do sistema nervoso, do tempo e do
espaço, sendo impossível a existência da consciência fora do corpo,
fato que sabemos ocorrer nas chamadas experiências próximas da
morte, hoje muito bem estudadas e comprovadas pela propria
metodologia científica, e que implicam em uma continuação da vida
após a morte do corpo físico, como afirmam todas as tradições
espirituais. No entanto, como este tipo de constatação não se coaduna
com as bases materiais do modelo acadêmico, estes fatos não são
divulgados nem discutidos dentro das universidades, e tudo se passa
como se não existissem.
Deste modo, com a valorização da visão materialista,
reducionista e mecanicista do universo, e com o financiamento
institucional de verbas voltadas unicamente para o modelo cartesiano-
newtoniano de ciência, a subjetividade, a consciência, o espírito, o
sagrado, a alma, a paixão, o amor, o prazer, a estética, os valores, a
qualidade, foram alijados da literatura e da pesquisa científica, como
se não fossem importantes ou reais. Com a tentativa de ver o universo
de forma objetiva e imparcial, deixamos de lado tudo aquilo que é mais
significativo para nós, tudo aquilo que mais nos caracteriza como
seres humanos, nossa subjetividade, sensibilidade e emoção. Ou seja,
junto com a água suja, jogamos para fora da banheira o bebê. Com tal
atitude, o paradigma cartesiano-newtoniano, apesar de todo seu
sucesso científico-tecnológico, gerou um enorme vazio existencial,
uma total falta de sentido e valor para a vida humana. Como
consequência vivenciamos uma existência sem objetivos, sem
perspectivas, sem ideais, sem grandes causas, divorciada da natureza
humana e ecológica, terreno fértil para as várias concepções político-
culturais, econômicas, administrativas e empresariais de caráter
explorador e devastador da natureza e do meio-ambiente, geradoras
de desemprego, inflação, demissão do trabalho, miséria, estresse
ocupacional e crise econômica, em um mundo voltado para o conflito e
o desrespeito. Lembramos que somente os gastos militares anuais
dos Estados Unidos, o maior exemplo de economia baseada no
paradigma cartesiano-newtoniano, alcançam a ordem dos
quatrocentos bilhões de dólares ao ano, ou seja, mais de um bilhão de
dólares por dia, empregados na indústria da guerra, do terror e da
morte, valor que seria mais do que suficiente para erradicar em poucos
anos com a tragédia da miséria, da fome e das doenças em todo o
mundo e fornecer educação para toda a humanidade ! Ou seja, já
temos em mãos todas as condições para fazer o “Céu na Terra”;
somente não empregamos a visão paradigmática adequada para isso
acontecer. Esta situação é tão doentia que também acaba por gerar
uma grande variedade de doenças psicossomáticas, depressão,
neuroses e as várias formas de dependência ( química,
fundamentalismo religioso, fanatismo político, hedonismo, dedicação
excessiva ao trabalho, etc), além da falta de compromisso, respeito e
valorização do ser humano e o aumento da solidão decorrente da
falta de interação social.
Não podemos deixar de concordar com Sigmund Freud, em sua
obra de 1929, o Mal-Estar na Cultura, quando afirma que o sofrimento
humano provém de três fontes distintas, porém interligadas: a
natureza, o corpo humano e as relações sociais. A visão que
propomos neste livro permite-nos encontrar um caminho para reduzir
o sofrimento nestes níveis.
O único modo de solucionarmos esta situação crítica pela qual
passa a humanidade no momento atual é manter os benefícios do
paradigma cartesiano-newtoniano, excluir seus exageros e malefícios
e introduzir uma visão holística integradora do homem consigo
mesmo, com seu semelhante e com a natureza, ou seja, unificando o
mundo subjetivo, o intersubjetivo e o objetivo.
Quando Galileu, no século XVI iniciou a matematização da
ciência, ele afirmou "aquilo que não pode ser medido e
quantificado não é científico". No entanto, na ciência pós-galilaica
isso foi progressivamente mudando de sentido, passando a significar
"o que não pode ser medido e quantificado não é real",
confundindo-se a realidade com o saber da ciência acerca da
natureza, ou seja, o mapa com o território. O psiquiatra Ronald Laing
criador da abordagem conhecida como anti-psiquiatria, junto com
David Cooper, afirmou brilhantemente em seu diálogo com Capra e
Stan Grof na Conferência de Saragosa na Espanha em 1983 que
"este foi o maior corrompimento da concepção grega da
natureza como "physis" que é algo vivo, sempre em
transformação e não divorciado de nós".
Esta visão essencialmente reducionista e fragmentadora de
mundo e ser humano infiltrou-se insidiosamente em todos os
meandros culturais de nossa civilização, e subjaz, até hoje em nossas
universidades como um paradigma, uma visão de mundo, gerando
uma grave esquizofrenia cultural, não só separando drasticamente a
ciência da religião, e o homem de seu espírito, mas também
separando-nos da natureza, do sagrado, e do cosmos, contribuindo,
com dissemos acima, para a imensa tragédia ecológica, a economia
de guerra, as doenças físicas e psicológicas e as injustiças sociais
que vivenciamos no mundo de hoje.

Capítulo 4

A EMERGÊNCIA DO PARADIGMA HOLÍSTICO

"O Universo começa a se parecer


mais com uma grande mente do
que com uma grande máquina."
Sir James Jeans, astrônomo

Física Quântico-Relativística e a nova cosmovisão holística


Na três primeiras décadas do século XX, surgiram duas
grandes revoluções dentro do saber científico que acabariam por
conduzir na segunda metade do século, a uma paradoxal mudança de
paradigma: a física relativística e a física quântica, que modificaram
completamente nossa maneira científica de compreender o universo.
Foi uma revolução dentro da revolução científica.
Em 1905, Albert Einstein desenvolveu a Teoria Especial da
Relatividade, complementada em 1915 com a Teoria Geral da
Relatividade, a qual demonstra que espaço e tempo formam um
continuum inseparável, e que energia e matéria são intercambiàveis
por meio da fórmula E=mc2, o que permitiu o desenvolvimento da
energia nuclear. Com o advento da Teoria Quântica, criada por Max
Planck em 1900, e comprovada pela Mecânica Quântica na década de
30, com os trabalhos de Bohr, Schrodinger, Heinsenberg, Einstein,
Pauli, Dirac, De Broglie, Oppenheimer, e Born, entre outros, e seus
desenvolvimentos posteriores, mudamos de uma concepção dualista,
reducionista e mecanicista da natureza para um retorno a uma "nova"
cosmovisão holística em que mente e corpo, homem e universo, enfim,
a Vida e o Cosmos, são concebidos como uma vasta unidade
psicofísica, interrelacionando-se por meio de conexões quânticas
não-locais, que permitem comunicação e influência instantânea
entre os vários processos do universo.

Vida é conexão: Transdisciplinaridade e Ciências Holísticas

“Não há idéia ou sistema de pensamento, por mais antigo ou aparentemente


absurdo, que não possa aumentar nossos conhecimentos. Dessa forma, sistemas
espirituais antigos e mitos aborígenes apenas parecem estranhos e sem sentido porque seu
conteúdo científico é desconhecido ou distorcido por antropólogos ou filólogos não
familiarizados com conhecimentos físicos, médicos e astronômicos mais simples. Em
ciência, a razão não pode ser universal e o irracional não pode ser inteiramente excluído;
não há uma única teoria interessante que concorde com todos os fatos em seu domínio de
abrangência: as teorias falham em reproduzir certos resultados quantitativos e são
surpreendentemente incompetentes em qualidade. A ciência ocidental se aproxima de uma
mudança paradigmática de proporções inusitadas que modificará nossos conceitos de
realidade e natureza humana, fazendo uma ponte entre conhecimentos antigos e ciência
moderna, reconciliando dessa forma a espiritualidade oriental e o pragmatismo ocidental”

Stanislav Grof, psiquiatra e fundador da Psicologia Transpessoal

Estivemos assistindo, durante o século XX, ao florescimento


dessa nova visão interconectada da Vida e do Cosmos e ao
nascimento de um saber transdisciplinar fundamentado em ciências
como a Cibernética, a Teoria da Informação, a Física Quântica, a
Teoria do Caos, a Termodinâmica dos Estados de Não-Equilíbrio, as
Teorias Auto-Organizadoras, a Física Holográfica, as Ciências da
Computação, a Neurociência das redes neurais holográficas e da
dinâmica cerebral quântica, a Psicologia Transpessoal, a
Parapsicologia, a nova Física da Informação Quântica, entre outras,
cujas interfaces fundamentam uma revolucionária aliança entre
ciências e saberes anteriormente não correlacionados, constituindo
um novo campo unificado do conhecimento, uma visão de unidade na
confusão da fragmentação acadêmica, que no seu conjunto
constituem as Ciências Holísticas.
Por Ciências Holísticas entendemos o saber oriundo da
interconexão e do diálogo transdisciplinar entre as próprias disciplinas
científicas modernas entre si, bem como uma forma sistêmica de olhar
o universo, a vida e a consciência . A interconexão destas disciplinas
científicas com outras formas de saberes antigos e modernos, do
oriente e do ocidente, como as tradições espirituais, a mitologia, as
artes e a filosofia, tal como preconizado na Declaração de Veneza da
UNESCO, constelam com a fundamentação científica, a nosso ver, a
nova cosmovisão denominada de Abordagem ou Paradigma
Holístico geradora de novas perspectivas científicas, filosóficas,
espirituais e artísticas. Esta nova interação transdisciplinar e holística
das ciências modernas e da sabedoria antiga revelam uma conexão
cósmica entre o ser humano e o universo que nos conduz à uma Ética
de Reverência pela Vida e à uma Consciência Planetária, capaz de
gerar uma atitude natural de preservação da vida e de construção de
uma Cultura de Paz.

A DECLARAÇÃO DE VENEZA E A VISÃO HOLÍSTICA

O desenvolvimento da ciência através da aplicação do


paradigma cartesiano-newtoniano, paradoxalmente, está nos
reaproximando do sagrado e das outras formas do saber, a filosofia, a
mitologia e a arte. O período de aridez espiritual e alienação dos mais
caros valores humanos e da natureza, característico da cultura
ocidental imersa neste paradigma, foi apenas um breve intervalo, um
obscurecimento de nossa visão holística, cósmico-espiritual.
Um notável grupo de pensadores, cientistas, filósofos , sábios,
líderes religiosos e artistas, percebendo a saturação, o esgotamento, e
a tendência violentadora da harmonia ser humano-natureza,
provocada pela visão de mundo atual e a importância vital de se
elaborar uma perspectiva holística da ciência, integrando-a a outros
saberes, se reuniram em março de 1986, em Veneza, Itália, sob os
auspícios da UNESCO, no simpósio “A Ciência Face aos Confins
do Conhecimento : o prólogo do nosso passado cultural”, e
chegaram a um acordo sobre os seguintes pontos :

DECLARAÇÃO DE VENEZA

1- Somos testemunhas de uma importantíssima revolução no


domínio da ciência, engendrada pela ciência fundamental, ( em
particular, pela física e pela biologia), pela perturbação que suscita na
lógica, na epistemologia e também na vida cotidiana através das
aplicações tecnológicas. No entanto, verificamos, ao mesmo tempo, a
existência de defasagem importante entre a nova visão de mundo que
emerge do estudo dos sistemas naturais, e os valores que ainda
predominam na filosofia, nas ciências humanas, e na vida da
sociedade moderna . Pois esses valores estão fundamentados, em
grande parte, no determinismo mecanicista, no positivismo e no
niilismo. Sentimos que essa defasagem é extremamente prejudicial e
portadora de pesadas ameaças de destruição da nossa espécie .

2-O conhecimento cientifico, por seu próprio movimento interno,


chegou aos confins, onde pode começar o diálogo com outras formas
de conhecimento. Nesse sentido, reconhecendo as diferenças
fundamentais entre a ciência e a tradição , verificamos não a sua
oposição, mas a sua complementaridade. O encontro inesperado e
enriquecedor entre a ciência e as diferentes tradições do mundo
permite pensar no aparecimento de nova visão de humanidade, até de
novo racionalismo, que poderia levar a uma nova perspectiva
metafísica .

3-Recusando qualquer projeto globalizante, qualquer sistema


fechado de pensamento, qualquer nova utopia, reconhecemos, ao
mesmo tempo, a urgência de uma pesquisa verdadeiramente
transdisciplinar em intercâmbio dinâmico entre as ciências “exatas”, as
ciências “humanas”, a arte e a tradição. De certa forma, essa
abordagem transdisciplinar está escrita em nosso próprio cérebro
através da interação dinâmica entre seus dois hemisférios. O estudo
conjunto da natureza e do imaginário, do universo e do homem
poderia, assim, aproximar-se melhor do real, e permitir-nos enfrentar
melhor os diferentes desafios de nossa época .

4- O ensino convencional da ciência, devido à apresentação


linear dos conhecimentos, dissimula a ruptura entre a ciência
contemporânea, e as visões ultrapassadas do mundo. Reconhecemos
a urgência da pesquisa de novos métodos de educação, capazes de
levar em conta os avanços da ciência que agora se harmonizam com
as grandes tradições culturais, cuja preservação e cujo estudo mais
profundo parecem fundamentais . A UNESCO seria a organização
adequada para a promoção de tais idéias .

5- Os desafios de nossa época- o desafio da autodestruição de


nossa espécie, o desafio da informática, o desafio genético etc.
-iluminam, de maneira nova , a responsabilidade social dos homens de
ciência, tanto no que diz respeito à iniciativa da pesquisa como à sua
aplicação. Se os homens de ciência não podem decidir sobre a
aplicação de suas próprias descobertas, não devem também assistir
passivamente à aplicação cega, levada a cabo por outros, destas
mesmas descobertas. É nossa convicção que a amplitude dos
desafios contemporâneos exige, de um lado, informação rigorosa e
permanente da opinião pública e, de outro lado, a criação de
organismos de orientação e mesmo de decisão de natureza pluri e
transdisciplinar .

Queremos expressar a esperança de que a UNESCO dê


prosseguimento a esta iniciativa , estimulando uma reflexão dirigida
para a universidade e a transdisciplinaridade .
Agradecemos à UNESCO, que tomou a iniciativa de organizar
este encontro, de acordo com a vocação de universalidade que a
distingue . Agradecemos também a Fundação Giorgio Cini, que
ofereceu condições para que o encontro se realizasse em lugar ideal
para o desenvolvimento de trabalho desta natureza .

Participantes:
-Professor D.A. Akyeampong ( Gana), físico-matemático,
Universidade de Gana.
-Professor Ubiratan d’Ambrosio ( Brasil), matemático,
coordenador geral dos Institutos, Universidade Estadual de Campinas.
-Professor René Berger ( Suiça), professor honorário,
Universidade de Lausanne .
-Professor Nicolo Dallaporta ( Itália), professor honorário da
Escola Internacional de Altos Estudos , Trieste.
-Professor Jean Dausset ( França), Prêmio Nobel de Fisiologia e
de Medicina (1980), presidente do Movimento Universal da
Responsabilidade Científica ( MURS- França) .
-Senhora Maltraye Devi ( Índia), poetisa-escultora .
--Professor Gilberto Durand ( França), filósofo, fundador do
Centro de Pesquisa sobre o Imaginário .
-Dr. Santiago Genovès ( México), pesquisador do Instituto de
Pesquisa Antropológica, acadêmico titular da Academia Nacional de
Medicina .
-Professor Avishai Margalit ( Israel), filósofo, Universidade
Hebraica de Jerusalém .
-Professor Yujiro Nakamura ( Japão), filósofo-escritor, professor
da Universidade Meiji .
-Professor David Ottoson (Suécia) , presidente do Comitê Nobel
para fisiologia ou medicina, professor e diretor, Departamento de
Fisiologia, Instituo Karolinska .
-Professor Abdus Salam (Paquistão) , Prêmio Nobel de
Física( 1979), diretor do Centro Internacional de Física Teórica, Trieste,
Itália, representado pelo Dr. L.K. Shayo (Nigéria), professor de
matemática .
-Dr. Rupert Sheldrake(Reino Unido)., Ph.D. em bioquímica,
Universidade de Cambridge .
-Professor Henry Stapp ( EUA), físico, Laboratório Lawrence
Berkeley, Universidade da Califórnia, em Berkeley .
-Dr. David Suzuki ( Canada), geneticista, Universidade da British
Columbia .

Participantes e autores de documentos e trabalhos :

-Dr. Susantha Goonalilake ( Sri Lanka), pesquisador,


antropologia cultural .
-Dr. Basarab Nicolescu ( França), físico, CNRS ( Centre
Nationale de Recherche Scientifique )

Observadores que fizeram intervenções no colóquio:

- Michael Random ( França) escritor, editor .


- Jacques G. Richardson ( França/EUA) escritor científico .

A nova aliança entre ciência e espiritualidade

A essência desta nova cosmovisão transdisciplinar e holística,


voltada para a preservação da vida, é a interconexão dinâmica e a
unidade essencial de todas as coisas e saberes, já presente de
forma metafórica em todas as tradições místicas e poéticas da
humanidade, como o demonstram as afirmações abaixo:

Assim na terra como no Céu.


Cristianismo

O Pai está dentro de nós.


Cristianismo

Tudo o que está dentro é igual a tudo o que está fora.


Hinduismo- Upanishads

Tudo o que está em cima é igual a tudo que está embaixo.


Tradição Alquímica

Ver o mundo num grão de areia


E o céu numa flor do campo
Segurar o infinito na palma de sua mão
E a eternidade em uma hora.

William Blake, poeta místico inglês

Para ver a Lua que não pode ser vista


Volte seu olhar para dentro
E olhe para você mesmo, em silêncio

Jalaluddin Rumi, sábio sufi

O homem segue as leis da terra,


A terra segue as leis do céu,
O céu segue as leis do Tao,
O Tao segue as leis de sua natureza intrínseca.

Lao-Tse, sábio chinês, no livro Tao Te King

No céu de Indra, diz-se existir uma rede de pérolas,


dispostas de tal forma que se contemplamos uma,
vemos todas as demais nelas refletidas .
Da mesma forma, cada objeto do mundo
não é simplesmente ele mesmo,
mas envolve todos os outros objetos,
e, de fato, é tudo o mais.

A Rede de Indra, Avatamsaka Sutra, Budismo Mahayana

Assombrados, passamos a nos ver como parte interativa de um


universo holográfico vivo, constituído de pura informação e
consciência, que se auto-organizou, tomou consciência de si mesmo,
e se olha através de nossos olhos, tentando se compreender, se
preservar e se desenvolver, numa infinita rede de interconexões
cósmicas. Tal fato, que nos conduz a uma cumplicidade com o
universo e nos transforma em parceiros dos processos da natureza,
levou o físico John Wheeler a afirmar : "a mecânica quântica nos
obrigou a considerarmos com seriedade, e a explorarmos o ponto
de vista, segundo o qual o observador é tão essencial à criação
do universo, quanto o universo o é à criação do observador."

O Paradigma Holístico e o Retorno do Sagrado:


Psicologia Transpessoal e Ciências Holísticas

Com tais desdobramentos, a sensibilidade, a estética, o


feminino, a alma, a consciência, a compaixão pela vida e a
espiritualidade retornaram, após quatrocentos anos, de uma forma
inusitada, pelas mãos da própria ciência, a fazer parte de nossa visão
de mundo. Estamos assistindo a um surpreendente retorno do
sagrado, agora comprovado experimentalmente em laboratório com a
perspectiva das ciências holísticas e a nossa sofisticada tecnologia
computadorizada. Paralelamente a isto, vem ocorrendo desde a
década de 60 do século XX, uma confrontação de visões de mundo,
que está conduzindo a uma lenta, progressiva e difícil substituição
do paradigma cartesiano-newtoniano materialista, pela visão mais
global integradora, ecológica, feminina e espiritual do paradigma
holístico.
Como em toda época de transição, estamos vivenciando um
maravilhoso combate pelo surgimento de um novo mundo. De um
lado, os apologistas do jogo de poder vigente, cristalizados na
segurança dos seus antigos feudos acadêmicos e na economia
globalizante capitalista, voltados para a destruição do ser humano e do
planeta, e do outro lado, os lutadores do bom combate, vislumbrando
um futuro baseado em uma ciência voltada para uma Cultura de Paz
e a preservação de todos os seres vivos.
As implicações do novo paradigma holístico para a área de
sáude, particularmente a Medicina e Psicologia são imensas, pois as
Ciências Holísticas, entre elas a Psicologia Transpessoal, abriram todo
um novo campo de investigações clínicas e laboratoriais, que
permitiram a utilização terapêutica de antigas e novas
psicotecnologias, como oração, meditação, yoga, tai chi chuan,
respiração holotrópica, estados alterados de consciência, terapias
psicodélicas, psiconeuroimunologia, psico-oncologia e visualização,
entre outras, que estão transformando e revolucionando a
compreensão e o tratamento das doenças físicas, mentais e sociais.

Capítulo 5
A NATUREZA MULTIDIMENSIONAL DA CONSCIÊNCIA

Nada há encoberto que não haja de


revelar-se, nem oculto que não haja de
saber-se.
Jesus de Nazaré, Mateus 10:26

" A nossa consciência normal em estado de vigília é apenas um tipo


especial de consciência, ao passo que em toda a sua volta, separadas dela pela mais
fina das telas, jazem formas potenciais de consciência inteiramente diversas.
Podemos passar a vida inteira sem suspeitar-lhes sequer da existência; aplique-se-
lhes, porém o estímulo necessário e , ao primeiro toque, por mais leve que seja, ei-
las ali em toda a sua completude...
Não pode ser definitiva nenhuma explicação do universo em sua totalidade que não
dê conta dessas outras formas de consciência."
William James, psicólogo e filósofo norte-americano.

Dimensões múltiplas da consciência


A epígrafe acima do cientista William James derivou-se de suas
experiências conscienciais desencadeadas pela inalação do óxido
nitroso, na década de 1880. A partir destas vivências de estados
alterados de consciência, por ele denominadas “Iluminações
Metafísicas”, James redescobriu uma verdade ancestral, descrita por
todas as grandes tradições espirituais da humanidade: nossa
consciência é muito mais ampla do que pensamos e sentimos,
possuindo muitas facetas e alternando modos de funcionamento e
percepção que desconhecemos totalmente, em nosso estado habitual
de vigília.
A ocorrência natural ou induzida de estados alterados de
consciência, e a revelação da multiplicidade de suas dimensões e
potencialidades, por meio da utilização da oração contínua, jejum,
privação sensorial, cânticos, percussão ativa, danças, meditação,
respiração holotrópica, hipnose e substâncias psicodélicas ( LSD 25,
psilocibina, mescalina, ayahuasca, entre outras), pioneiramente
estudada por William James, é hoje um fato científico exaustivamente
pesquisado e estabelecido.
Inúmeros pesquisadores da consciência, como Carl Gustav
Jung, J. B. Rhine, Gertrud Schmeidler, Stanley Krippner, Dean Radin,
Raymond Moody Jr., Kenneth Ring, Elizabeth Klubber-Ross, David
Sabon, Ian Stevenson, Russel Targ, Jane Katra, Robert Jahn, Brenda
J. Dunne, Walter Pankhe, Timothy Leary, Richard Alpert ( Ram Dass),
Ralph Metzner, Terence McKenna, Dennis McKenna, Brian Weiss, Ken
Wilber, Christopher M. Bache e Stanislav Grof demonstraram de
várias formas, e se utilizando de múltiplas metodologias, que a
consciência é um fenômeno primário da natureza, de
característica multidimensional e que sua influência vai além do
cérebro, alterando mesmo a realidade à nossa volta, com a
produção de fenômenos psicocinéticos, sincronísticos e
parapsicológicos.

Mente hilotrópica e mente holotrópica

Stanislav Grof, a partir de pesquisas clínicas com milhares de


pacientes, descreve dois modos básicos de funcionamento da
consciência humana. Nossa mente pode operar num modo linear,
limitado no tempo e no espaço, que ele denomina de hilotrópico
(orientado materialmente), que é o nosso estado habitual de
consciência, exaustivamente estudado pela medicina, psicologia e
neurociências. A grande reviravolta na pesquisa da natureza da
consciência, ocorreu com a conceituação grofiana do segundo modo
de funcionamento da mente humana, o estado holotrópico (orientado
para a totalidade). Neste modo de funcionamento, nossa mente pode
ultrapassar facilmente os limites espaço-temporais e conectar-se com
a totalidade holográfica do cosmos, participando do jogo infinitamente
complexo da Mente Universal, que permite a ocorrência de fenômenos
paranormais, sincronísticos, mediúnicos, espirituais e transpessoais.
Esta potencialidade holotrópica da consciência humana, capaz de
desencadear experiências de psicocinese, voodoo, influência do olhar
à distância, pré-cognição, entre outras, já encontram-se
suficientemente estudadas pela ciência, permitindo que possamos
utilizá-las como um arcabouço conceitual seguro para navegarmos
nos mares desconhecidos dos fenômenos da consciência.
Se nossa consciência é multidimensional e opera além dos
limites espaço–temporais do cérebro e da realidade, por que então
não vivenciamos consciente e continuamente toda esta variedade de
estados conscienciais holotrópicos ?

Abrindo as portas da percepção

Aldous Huxley, filósofo inglês radicado nos Estados Unidos, em


seu famoso livro de 1954, As Portas da Percepção, onde relata suas
experiências de expansão da consciência com mescalina, teoriza que
nosso cérebro funcionaria de forma semelhante a uma “válvula
redutora”. Segundo ele, cada pessoa é a cada momento capaz de
lembrar tudo o que já lhe aconteceu, e de perceber tudo o que está
acontecendo em toda a parte do universo. A função do sistema
nervoso é proteger-nos de sermos engolfados por essa massa de
conhecimentos, em grande parte inútil e irrelevante. O cérebro filtra a
maior parte desses dados, deixando somente uma seleção bem
pequena e especial de dados com finalidades práticas. De acordo com
Huxley, cada um de nós é potencialmente Mente em Toda sua
Extensão !
Devido a este processo inconsciente de filtragem, que apaga,
generaliza e distorce a realidade, não temos acesso corriqueiro à
totalidade indivisível do cosmos e à natureza holotrópica,
holográfica e não-local de nossa consciência. O que percebemos
cotidianamente como realidade, é na verdade um pequeno recorte
da realidade em si, um mapa perceptual, criado pelas limitações do
nosso sistema nervoso, como afirmam corretamente Richard
Bandler e John Grinder, respectivamente psicólogo e linguista,
fundadores da Programação Neurolinguística, nos anos 70,
inspirados em Korzybski, que já na sua obra Ciência e Sanidade,
da década de 30 afirmava que “o mapa não é o território”,
dedução tão importante, que se tornou o fundamento básico da
ciência da Programação Neurolinguística (PNL ).
Nossas visões de mundo e nossas concepções culturais da
realidade, assim como nossas limitações, decorrem dos mapas, mais
ou menos rígidos, elaborados pelos grandes pensadores e sábios de
cada época. Nunca atingimos a verdade final, aproximamo-nos ou nos
afastamos dela de acordo com nossos mapas mentais.
O filósofo da ciência Thomas Khun chama hoje de paradigmas
estes mapas da realidade que de forma mais ou menos distorcida
refletem toda a cosmovisão de uma época.
Em nossa era científica, o paradigma predominante acerca da
natureza da consciência, é o paradigma cartesiano/newtoniano, mapa
cujas características essenciais, como já afirmamos, são o
reducionismo, o dualismo mente/matéria, o mecanicismo e o
materialismo. A partir desta perspectiva, a consciência é considerada
um epifenômeno decorrente do funcionamento cerebral, circunscrito
ao cérebro, sem nenhuma condição de influenciar o corpo e a
realidade à nossa volta. Para a maioria dos pesquisadores da
consciência, em virtude da influência do paradigma cartesiano-
newtoniano em suas crenças, que gera uma concepção materialista
do universo, nossa mente somente poderia funcionar no modo
hilotrópico ( limitado no tempo-espaço). Entretanto, como o modo de
funcionamento holotrópico da consciência já foi amplamente
comprovado experimentalmente por inúmeros pesquisadores,
descartá-lo como irrelevante seria uma forma de charlatanismo, pois
estaríamos desprezando uma importante ferramenta para o benefício,
desenvolvimento e cura de nossos pacientes, além de estarmos
negando a amplitude das paisagens da consciência.
Apesar de sua rejeição pelo preconceito cartesiano-newtoniano e
interesses escusos de cientistas incrustados em cátedras acadêmicas,
cristalizados num jogo de poder estéril e medíocre, as provas
irrefutáveis do funcionamento holotrópico da consciência permitem-nos
afirmar que estamos testemunhando a mais importante mudança
de paradigma sobre a natureza da consciência humana e da
realidade já ocorrida na história da ciência.
As experiências e fatos narrados no próximo capítulo irão
demonstrar de uma forma prática para o leitor nossas afirmações.

Capítulo 6

ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA E A MENTE


HOLOTRÓPICA

"O objetivo último da busca não será nem a fuga nem o êxtase
para si mesmo, mas a conquista da sabedoria e do poder para
servir aos outros".
Joseph Campbell, mitologista norte-americano.

Os estudos com substâncias psicodélicas

Ano : 1962
Local : Universidade de Harvard - EUA
Psilocybine Research Project
(Projeto de Pesquisa da Psilocybina)

Stanley Krippner, o célebre psicólogo e parapsicólogo


americano, investigador de fenômenos insólitos, está diante uma
equipe de pesquisadores da Universidade de Harvard, coordenados
pelos psicólogos Timothy Leary, Richard Alpert e Ralph Metzner.
Krippner voluntariamente vai submeter-se a um estudo científico, para
verificar em seu próprio organismo, os efeitos da psilocibina , uma
substância psicodélica derivada de cogumelos, capaz de produzir
estados alterados de consciência. O termo psicodélico foi criado pelo
psiquiatra e pesquisador do LSD Humphrey Osmond , inspirado em
sua correspondência com o célebre escritor inglês Aldous Huxley, a
quem iria posteriormente assistir medicamente em suas famosas
experiências com mescalina. O termo psicodélico significa literalmente
manifestação da mente, originando-se do grego psyche e delein
( tornar-se manifesto ) .
Krippner, após receber uma injeção endovenosa contendo 30
miligramas de psilocibina, apresentou uma expansão de sua
consciência, relatando a seguinte experiência :
" De Baltimore, viajei para o Capitólio. Eu me vi olhando
fixamente para a estátua de Lincoln. A estátua estava completamente
negra, e a cabeça estava curvada. Havia uma arma na base da
estátua e alguém murmurou: "Ele foi atingido. O presidente foi
atingido". Um pouco de fumaça subiu no ar.
As feições de Lincoln vagarosamente se apagaram e as de
Kennedy tomaram o seu lugar. O local ainda era Washington, D. C. .A
arma ainda estava na base da estátua negra. Um pouco de fumaça
saía do tambor da arma e subia no ar. A voz repetiu : " Ele foi atingido.
O presidente foi atingido". Meus olhos se abriram, e estavam cheios
de lágrimas."

Na época , abril de 1962, quando teve sua primeira experiência


com psilocibina, Krippner relata que deu pouca importância a esta
visualização de Kennedy, " pois outras tantas impressões passaram
por mim. Contudo, foi a única de minhas visualizações que trouxe
lágrimas aos meus olhos, de modo que a descrevi em detalhes no
relatório que enviei à Harvard."

Krippner nunca imaginou que, em suas palavras :

" Dezenove meses depois, em 23 de novembro de 1963, a


visualização voltou à minha mente, enquanto eu lamentava o
assassinato de Kennedy". ( Aaronson e Osmond, 1970 )
Krippner tivera uma experiência de pré-cognição ( conhecer
um fato antes de sua ocorrência ), sua mente, em modo holotrópico de
funcionamento, viu o futuro, desafiando a lógica de tempo linear de
nosso paradigma cartesiano-newtoniano. E tudo foi cientificamente
documentado, numa das mais importantes instituições universitárias
do mundo !
Ele realmente experimentara uma abertura das "portas da
percepção" , tal como Aldous Huxley denominou suas vivências
pessoais com substâncias psicodélicas. Na verdade, Krippner estava
resgatando uma sagrada tradição humana imemorial, de produção de
estados superiores de consciência, através do uso de substâncias
vegetais ou animais que contém alcalóides poderosos, capazes de
expandir os limites da consciência e percepção humanas. A utilização
responsável e ética desses psicodélicos, iniciada na década de 1950,
supervisionada por médicos e psicólogos como Stanislav Grof,
Timothy Leary e Walter Pankhe, permitiu pela pesquisa clínica a
compreensão de que a consciência humana é capaz de libertar-se de
seus estreitos limites , indo além do cérebro e do ego, transcendendo
o tempo, o espaço e a causalidade, conectando-se ao campo de
consciência do universo, vivenciando a unidade de todas as coisas. Tal
experiência possui profundo impacto transformador, terapêutico e
curativo sobre a personalidade e o organismo humano como um todo.
As variedades de experiência de expansão da consciência, entre elas
a que ocorreu com Krippner, e inúmeras outras realizadas em
laboratórios de pesquisa clínica em importantes instituições
universitárias e de pesquisas gerou um enorme número de dados,
passíveis de replicação de acordo com rigorosa metodologia científica

A moderna pesquisa da Consciência e a Psicologia Transpessoal

Para as escolas tradicionais de Neurociências, Psicologia,


Psicanálise, Psicologia comportamental e Psicologia humanista, e
também para a Medicina Psiquiátrica, a mente humana possui
somente um modo de funcionamento, restrito em limites espaço-
temporais, com um fluxo de tempo linear. Ou seja, a consciência
humana só poderia funcionar dentro dos limites físicos tridimensionais
do cérebro e do espaço-tempo presente. Portanto, fenômenos que
transcendam os limites euclidianos-newtonianos tradicionais de
espaço-tempo como telepatia, psicocinese ( ação da mente sobre a
matéria), pré-cognição ou premonição (conhecer antecipadamennte o
futuro), entre outros, não poderiam existir. Segundo este paradigma
clássico, que fundamenta tanto a psiquiatria como as escolas de
psicologia acima citadas, os fenômenos paranormais e outros que
ultrapassem estes limites são descartados como erro nas pesquisas
científicas, por não se enquadrarem nas normas estabelecidas. O
cientista que insiste em pesquisar estes fenômenos que vão além do
cérebro, transcendendo os limites de espaço-tempo, são desprezados,
desqualificados e até mesmo ridicularizados pela comunidade
científica internacional.
No entanto, a moderna pesquisa da consciência vem
demonstrando com estudos cientificamente controlados, e replicados,
a realidade destes fenômenos. Ou seja, a mente humana possui um
segundo modo de funcionamento, hoje conhecido como holotrópico ou
transpessoal, onde ela pode ir além dos limites espaço-temporais da
física clássica e além do cérebro físico. Um reino onde a consciência
humana se expande, transcendendo os horizontes clássicos do
paradigma cartesiano-newtoniano, alcançando dimensões outrora
consideradas místicas.
Estamos navegando na interface ente ciência e espiritualidade. Neste
contexto, os fenômenos místicos descritos por todas as outras
civilizações, assim como as crenças populares que aceitam a
possibilidade de contato com forças mágico-espirituais podem ser
consideradas e investigadas cientificamente.
A investigação sistemática destes fenômenos resultou no
desenvolvimento de uma nova escola de psicologia, em 1968,
conhecida como Psicologia Transpessoal, como veremos adiante.

Um intermezzo sincronístico: as coincidências Lincoln-Kennedy

Nos perguntamos se Krippner está a par das incríveis


coincidências significativas (sincronicidades) que existem entre as
vidas dos presidentes norte-americanos Lincoln e Kennedy, que
descrevemos a seguir :

1 - Lincoln tinha uma secretária chamada Kennedy, que o aconselhou


a não ir ao teatro onde ele foi assassinado. Kennedy tinha uma
secretária chamada Lincoln que o aconselhou a não ir à cidade de
Dallas, no Texas, onde ele foi assassinado.
2 - Os dois foram eleitos para o Congresso Norte-Americano com
exatamente 100 anos de diferença no tempo. Lincoln em 1846 e
Kennedy em 1946.

3 - Tanto Lincoln, como Kennedy, concorreram à vice-presidência do


governo dos Estados Unidos também com um século de distância. O
primeiro em 1856 e o segundo em 1956.

4 - Ambos perderam a eleição para a vice-presidência. Outra


coincidência com a diferença de 100 anos.

5 - Lincoln foi eleito presidente dos Estados Unidos em 1860.


Kennedy foi eleito presidente dos Estados Unidos em 1960.
Novamente uma diferença exata de 100 anos.

6- Ambos os presidentes, foram assassinados no tumulto pela


conquista dos direitos civis, principalmente em defesa dos negros.
Lincoln lutou pela abolição dos escravos, Kennedy contra a
discriminação racial.

7- Lincoln e Kennedy casaram-se aos 30 anos com mulheres de 24


anos, morenas, que falavam fluentemente o francês.

7 - As esposas dos dois presidentes perderam filhos enquanto


estavam na Casa Branca.

8- Ambos os presidentes foram baleados na presença de suas


esposas e na região posterior da cabeça.

9- Ambos os presidentes morreram numa sexta-feira.

10 - Os sucessores, tanto de Lincoln como de Kennedy eram sulistas,


com sobrenome Johnson e tinham sido anteriormente membros
do Senado.

11 - Andrew Johnson, sucessor de Lincoln, nasceu em 1808.


Lyndon Johnson, sucessor de Kennedy, nasceu em 1908.
Novamente uma distância no tempo de 100 anos !
12 - John Wilkes Booth, assassino de Lincoln, nasceu em 1839.
Lee Harvey Oswald, assassino de Kennedy, nasceu em 1939.
Observem a "coincidência" de 100 anos se repetindo !

13 - Tanto Booth, quanto Oswald, foram assassinados antes de irem à


julgamento.

15 - Booth baleou Lincoln num teatro e fugiu para um depósito.


Oswald baleou Kennedy de um depósito e fugiu para um teatro.

16 - Os nome completos dos dois assassinos tem 15 letras !

17 - Os nomes completos dos dois vice-presidentes, que sucederam


os presidentes assassinados, tem 13 letras !

18 - Os sobrenomes Lincoln e Kennedy tem ambos 7 letras !

19 - Tanto Lincoln quanto Kennedy eram segundos filhos.

20 - Ambos eram filhos de famílias britânicas que colonizaram


Massachussets.

21 - Lincoln ingressou no exército aos 23 anos. Kennedy também.

22- Ambos comandaram barcos de guerra no Pacífico.

23- Frederick W. Lincoln, parente de Lincoln foi prefeito de Boston 7


vezes. O avô de Kennedy foi 5 vezes prefeito de Boston.

24-O filho de Lincoln, Robert Todd foi embaixador na Inglaterra e


graduado pela Universidade de Harvard. Joseph Patrick Kennedy,
pai de Kennedy, também foi graduado por Harvard e embaixador
na Inglaterra.
25- O conselheiro de Lincoln se chamava William Graham, O
conselheiro de Kennedy era o reverendo William Graham. Ambos
eram conhecidos pelo apelido Billy Graham.

Este conjunto de fatos violam em muito a lei das probabilidades,


não sendo possível enquadrá-los na hipótese de coincidências.
O que serão então?
Sincronicidade?
Deixamos ao leitor o julgamento dos fatos...

Sidartha Gautama, o Buda.

Navegando com a ciência pelos mares da consciência

Ano : 1971
Local : Maryland Psychiatric Research Center - Baltimore - EUA
( Centro de Pesquisa Psiquiátrica de Maryland )

A psicóloga Eva Pahnke está se submetendo a uma experiência de


terapia psicodélica, com LSD, supervisionada pelo psiquiatra Stanislav
Grof , um dos pais da psicologia transpessoal, movimento que
desenvolveu conjuntamente com Abraham Maslow, Viktor Frankl,
James Fadiman, Anthony J. Sutich, Carl Rogers, Charles Tart, Ken
Wilber e Daniel Goleman.
Nesta época, Grof era chefe de pesquisa psiquiátrica neste Centro e
autorizado pelo governo norte-americano, através do Instituto Nacional
de Saúde, a utilizar a dietilamida do ácido lisérgico (LSD-25) em
pesquisas clínicas em doses terapêuticas mínimas, na faixa entre 250
e 500 microgramas . Esta substância psicodélica apresenta uma
incrível eficácia e segurança biológica, sem paralelo com qualquer
outra substância psicoativa, para utilização em procedimentos
terapêuticos supervisionados. Como paciente, Eva tem a esperança
de conseguir alguns insights a respeito de sua vida pessoal,
particularmente em relação à morte recente de seu marido, Walter
Pahnke, o famoso psiquiatra e pesquisador da questão da
sobrevivência da consciência após a morte. Walter Pahnke era grande
amigo e colega de pesquisa psicodélica de Grof, no Maryland
Psychiatric Research Center. Sua morte ocorreu em circunstâncias
trágicas e inesperadas, no verão de 1971, quando em férias com sua
família, `a beira-mar, num chalé no Maine, mergulhou sozinho no
oceano e não mais retornou. Seu corpo nunca foi encontrado. Eva,
teve muita dificuldade para aceitar e elaborar sua morte.
A experiência psicodélica de Eva é relatada por Grof (1988) da
seguinte forma:
"Na segunda metade da sessão, ela teve uma visão muito poderosa
de Walter, e estabeleceu um diálogo longo e significativo com ele, que
lhe deu instruções específicas a respeito de cada um de seus três
filhos e liberou-a para começar uma vida nova, livre e não presa a um
senso de compromisso com sua memória. Foi uma experiência muito
profunda e libertadora.
No momento em que Eva questionava se todo o episódio não havia
sido apenas uma criação de sua própria mente, Walter apareceu mais
uma vez, com o seguinte pedido : " Eu esqueci uma coisa. Você
poderia me fazer um favor e devolver um livro que eu peguei
emprestado com um amigo meu ? Ele está no meu estúdio, no sotão"
E lhe deu o nome do amigo, o nome do livro, a prateleira e a ordem
sequencial do livro na prateleira. Seguindo essas instruções, Eva foi
capaz de encontrar e devolver o livro, de cuja existência ela não tinha
nenhum conhecimento. Certamente seria consistente com a tentativa
de toda a vida de Walter para encontrar uma prova científica dos
fenômenos paranormais, acrescentar uma informação concreta e
passível de teste à sua interação com Eva, para dissipar suas dúvidas.
Durante sua vida, ele havia feito um pacto com Eilleen Garrett
( médium famosa, presidente da Sociedade Americana de
Parapsicologia) de que ela tentaria lhe dar uma prova inquestionável
da existência do além, após sua morte ".
Possessão, exorcismo e psicologia transpessoal: a luta entre o
bem e o mal

Em geral, o demoníaco é aquele momento em que


um conteúdo inconsciente aparece no limiar
da consciência com força aparentemente sobrehumana.
Ele pode ultrapassar esse limiar e tomar posse da
personalidade. Trata-se então de possessão que
naturalmente pode ser personificada de várias formas.

Carl G. Jung, carta a Fierz de 07.08.1944, in Cartas ,vol 1, Ed. Vozes.

Época: setembro de 1968


Local: Centro de Pesquisas Psiquiátricas de Maryland, Baltimore
( USA).

Stanislav Grof, encontra-se em uma sessão de terapia utilizando


LSD com uma paciente chamada Flora, como último recurso
terapêutico a pedido do psiquiatra que a atendia. Esta paciente tinha
28 anos e encontrava-se há oito meses hospitalizada em uma
enfermaria trancada do Hospital Estadual Spring Grove, onde já
tinham sido tentados todos os tratamentos psicoterapêuticos e
medicamentosos disponíveis, incluindo tranquilizantes,
antidepressivos, psicoterapias e terapia ocupacional sem o mínimo
sucesso. Ela já estava para ser transferida para a enfermaria de
doentes crônicos. Grof comenta em seu livro A Aventura da
Autodescoberta que "Flora tinha uma das combinações de sintomas
e problemas mais difíceis e complicadas que já encontrara em seu
trabalho psiquiátrico."
Flora era ex-presidiária, em liberdade condicional, devido a roubo à
mão armada e cumplicidade na morte de um vigia noturno, viciada em
várias drogas como heroína, álcool, psicoestimulantes e barbitúricos.
Apresentava severas depressões com impulsos suicidas, sofria de
vômitos histéricos quando emocionalmente excitada, era lésbica com
muita culpa e conflitos severos acerca de suas preferências sexuais, e
sofria ainda de um tic facial nervoso doloroso. Para agravar mais
ainda todo este quadro, estava internada sob observação judicial, por
ter ferido sua namorada e companheira de quarto, ao tentar limpar seu
revolver sob a influência de heroína.
Foi durante a terceira sessão psicoterápica lisérgica com Flora, que
Grof experienciou, em suas próprias palavras, "provavelmente o
episódio mais incomum e dramático que vivenciei durante três
décadas de minha pesquisa dos estados incomuns de consciência".
Nesta sessão psicodélica, Flora repentinamente começou a reclamar
que a dor dos espasmos faciais estava se tornando insuportáveis, e
logo sua face congelou-se no que Grof descreveu como "uma
máscara do mal". Simultaneamente, as mãos de Flora contorceram-
se até adquirirem a forma de garras, seus olhos adquiriram uma
expressão de maldade indescritível, e sua voz modificou-se,
tornando-se gutural e masculina. De forma aterrorizante, tal qual
estivesse possuída por uma entidade, identificou-se como sendo o
próprio demônio! Imediatamente, Flora tomada por esta força
estranha, dirigiu-se a Grof, ordenando-lhe para que ele ficasse longe
da paciente e desistisse de ajudá-la. A entidade, continuou dizendo a
Grof que Flora pertencia a ela, e que qualquer pessoa que tentasse
ajudá-la, seria punida severamente. Segundo Grof, "seguiu-se uma
chantagem bastante explícita, uma série de afirmações sinistras sobre
o que aconteceria a mim, a meus colegas, e ao programa de pesquisa
se eu decidisse não obedecer. É difícil descrever a atmosfera
estranha que esta cena evocou; podia-se quase sentir a presença
tangível de algo estranho na sala. O poder da chantagem e a
sensação do sobrenatural eram ainda mais ampliados pelo fato de que
a paciente não poderia ter acesso, em sua vida cotidiana, a algumas
informações que sua voz estava usando nesta situação. Eu me
encontrava sob enorme estresse emocional, que tinha dimensões
metafísicas. Embora eu tivesse visto algumas manifestações similares
em sessões anteriores com LSD, elas nunca haviam sido tão realistas
e convincentes. Era difícil de controlar o meu medo e minha forte
tendência a perceber a presença como real, e a entrar num ativo
combate psicológico e espiritual com ela. Eu me descobri pensando
rápido, tentando descobrir a melhor estratégia para esta situação.
Num momento, me peguei pensando seriamente que deveríamos ter
um crucifixo na sala de tratamento como um instrumento terapêutico.
Minha racionalização era de que eu estava testemunhando a
manifestação do arquétipo junguiano para o qual a cruz seria o
remédio arquetípico apropriado. Logo ficou claro para mim que minhas
emoções, fosse medo ou agressão, estavam tornando a situação e a
entidade mais reais. Eu não podia parar de pensar num dos
programas da série de ficção científica da televisão, Jornada nas
Estrelas, que retratava uma entidade alienígena que se alimentava de
emoções humanas."
A partir desta constatação Grof percebeu que seria essencial
permanecer calmo e centrado. Segurou a mão contraída de Flora em
forma de garra, entrou em estado meditativo, ao mesmo tempo em
que visualizava uma cápsula de luz envolvendo a ambos. Grof
permaneceu neste estado meditativo durante mais de duas horas até
que a mão de Flora relaxasse e seu rosto descontraísse. Quando a
sessão se encerrou Flora não se lembrava de nada do que havia
acontecido. Após esta sessão, a paciente passou por notáveis
transformações cognitivas emocionais e comportamentais. Abandonou
as drogas, perdeu suas tendências suicidas, começou a experimentar
relações heterosexuais, posteriormante retornou às relações
homosexuais com menos culpa, e começou a participar de encontros
num grupo religioso. Seus espasmos desapareceram, e começou a
trabalhar, não precisando mais retornar ao hospital psiquiátrico que
poderia ter se tornado seu lar permanente.

A origem e natureza dos processos que alteram a consciência e a


personalidade
A idéia de que nossa consciência possa sofrer a interferência de
outras consciências remonta aos primórdios da história humana. O
mais antigo sistema de cura da humanidade e até hoje o de maior
predomínio em todo o mundo, o xamanismo, já trabalhava com essa
crença há milhares de anos. Outros sistemas de cura, também
trabalhavam com esse saber, como aqueles encontrados em grandes
civilizações do passado como Egito, China, Índia, Pérsia, Tibet e
culturas pré-colombianas das Américas como Incas, Maias, Aztecas,
Toltecas, Navajos, Sioux, Hopi, Tewa, Povos amazônicos nativos como
os Huni Kui (como podemos ler nas memórias do feiticeiro desta tribo,
Manuel Cordova-Rios, constante no livro de F. Bruce Lamb, Wizard of
the upper Amazon, um notável relato da possibilidade de
superaprendizagem xamânica através da poção psicoestimulante
Ayahuasca). Nossas religiões atuais, Cristianismo, Judaísmo,
Islamismo, Hinduísmo, Budismo, também trabalham com essa
possibilidade. Não podemos negar que, em nossa experiência clínica
e na de muitos médicos, psicólogos e antropólogos, ocorram
realmente súbitas mudanças de comportamento, cognição e emoção
nas pessoas com quem estamos interagindo, fato que nos faz às
vezes supor estarmos diante de uma outra personalidade
completamente diferente, como nos casos das personalidades
múltiplas. A discussão que se faz necessária aqui é sobre a natureza e
origem dessas forças invasivas da consciência humana. Neste ponto é
essencial uma avaliação sistêmica da natureza dos sinais e sintomas
apresentados pelo paciente, a fim de podermos fazer um bom
diagnóstico diferencial, separando o joio do trigo, distinguindo as
alterações conscienciais e comportamentais de natureza orgânica
( por ex. , um tumor cerebral), das alterações de origem psicogênica
(mental), como descritas por Freud e Jung. E mesmo esta
classificação em alterações comportamentais de origem orgânica e
psicogênica, não dá conta das alterações comportamentais de origem
transpessoal, aquelas produzidas por expansões da consciência além
dos limites usuais do corpo e do ego, e além das limitações de tempo
espaço. Stanislav Grof, como veremos nos capítulos seguintes, é um
dos modernos estudiosos dos fenômenos transpessoais, que
elaboraram experimentalmente uma sofisticada cartografia da
consciência, que permite incluir no arcabouço da psicologia
fenômenos arquetípicos relacionados com "encontros com guias
espirituais e seres supra-humanos", "experiências espíritas e
mediúnicas", "experiências de divindades pacíficas e iradas", entre
outras.

Capítulo 8

PSICOLOGIA TRANSPESSOAL E CARTOGRAFIAS DA


CONSCIÊNCIA
“ Os achados da psicologia transpessoal e da pesquisa da consciência sugerem fortemente
que o universo pode ser a criação de uma inteligência cósmica superior e a consciência um
aspecto essencial da existência”
Stanislav Grof, em The Cosmic Game, pags. 267-68.

Integrando as escolas de psicologia, psicoterapia e as tradições


espirituais
O significado das experimentações descritas acima transcendem o
atual referencial acadêmico da Psicologia e da Medicina sobre a
natureza da consciência humana, representando um sério desafio à
visão de mundo cartesiano–newtoniana. Segundo a visão ocidental
científica predominante sobre a consciência, ela é fruto dos processos
cerebrais, não podendo transcender os limites do espaço-tempo, nem
à morte do cérebro. Entretanto dados rigorosos da pesquisa científica
atual da consciência, como as descritas por Grof, Leary, Krippner, Lilly,
Pankhe, Tart, Targ, Puthoff, Bender, Moody Jr., Sabon, Ring, Weiss,
Netherton, Barnejee, Stevenson, entre outros, geraram a necessidade
de se considerar uma nova e mais ampla concepção de consciência,
personalidade e universo, e consequentemente uma nova
interpretação da saúde física e mental.
A acumulação e sistematização destes conhecimentos científicos
levaram ao nascimento da Psicologia Transpessoal, nos Estados
Unidos, em 1968. Estes estudos provocaram um enorme avanço
sobre a concepção da consciência humana na Psicologia e na
Medicina, levando-as para além dos limites estabelecidos
classicamente pela psicanálise de Sigmund Freud (1895), pela
psicologia behaviorista de Watson ( 1913 ) e Skinner, e pela psicologia
humanista de Carl Rogers e Abraham Maslow ( 1958 ), que eram até
então, os três grandes movimentos que caracterizavam a psicologia
ocidental.

Origens da Psicologia Transpessoal

Estes estudos demonstraram uma multidimensionalidade da


estrutura da consciência, que passou a ser compreendida como
constituída por inúmeros níveis, e levaram Maslow a considerar a
psicologia humanista "uma terceira força, de transição, uma
preparação para uma quarta psicologia, ainda mais elevada,
transpessoal, transhumana, centrada no cosmos, mais do que nas
necessidades e interesses humanos, indo além do humano, da
identidade, da auto-realização e coisas semelhantes." ( Maslow in
"Toward a Psychology of Being")
Em 1969, Maslow, junto com Carl Rogers, Viktor Frankl, Anthony
Sutich, Charlote Buhler, Stanislav Grof, e James Fadiman fundam a
Associação de Psicologia Transpessoal e o Journal of Transpersonal
Psychology ( Jornal de Psicologia Transpessoal ). Nos anos seguintes
este movimento transcendeu os estreitos limites da Psiquiatria,
Psicologia e Psicoterapia tradicionais, expandindo-se para áreas como
Medicina, Sociologia, Economia, Antropologia, Etnologia, Educação,
Comunicação, Ética, Ecologia, Administração de Empresas,
contribuindo para a criação do novo paradigma holístico, uma nova
visão de mundo.

A Psicologia Transpessoal no Brasil

Em 1978, a Psicologia Transpessoal chega ao Brasil, através da


realização do IV Congresso Internacional de Transpessoal, em Belo
Horizonte, Minas Gerais, sob a coordenação geral do Dr. em
Psicologia Pierre Weil, atual reitor da UNIPAZ – Universidade Holística
Internacional, em Brasília, e Stanislav Grof. Neste encontro criou-se a
ITA-International Transpersonal Association (Associação Transpessoal
Internacional) e desde então, o movimento transpessoal tem se
expandido de forma acelerada, no Brasil e no mundo, obtendo cada
vez mais reconhecimento em todo o planeta. Na mesma época, o Dr.
Pierre Weil, criou a primeira cátedra de Psicologia Transpessoal no
Brasil, na Faculdade de Psicologia da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG). Além de Pai da Psicologia Transpessoal no Brasil,
Pierre Weil é também o criador de uma inovadora abordagem
terapêutica transpessoal, o Cosmodrama, e vem, desde então,
incentivando a formação de psicólogos transpessoais em todo o país,
através de uma série de eventos e cursos. Atualmente, graças aos
seus esforços, contamos com inúmeros grupos de estudos, núcleos,
centros, clínicas e associações que divulgam e utilizam a orientação
transpessoal em psicologia e psicoterapia em vários estados do Brasil.
Dentre o grupo de associados e colaboradores mais próximos do Dr.
Pierre Weil, destacamos o atual vice-reitor da UNIPAZ, o antropólogo e
psicólogo Roberto Crema e o teólogo, filósofo e PhD em Psicologia
Transpessoal, Jean–Yves Leloup, criador do CIT, Colégio Internacional
dos Terapeutas, com sede na França e representação no Brasil,
através da UNIPAZ. Em outubro de 1990, os autores deste livro
criaram no estado do Rio de Janeiro, na Clínica Di Biase em Barra do
Piraí, o Núcleo Transdisciplinar de Stress Estudos e Práticas
Transpessoais, que alguns anos depois foi ampliado em Centro de
Estudos Avançados da Clínica Di Biase, onde desenvolvemos até hoje
nossas práticas clínicas transpessoais, livros, trabalhos e artigos e
uma nova abordagem terapêutica transpessoal denominada Terapia
Auto-Organizadora (TAO). Nosso trabalho recente mais abrangente
foi o desenvolvimento da Teoria Holoinformacional da Consciência
reconhecida internacionalmente, publicada no livro Science and the
Primacy of Consciousness-Intimation to a 21st Century
Revolution, nos EUA.
A partir de 2003, os autores deste livro, criaram o primeiro curso
brasileiro de Pós-Graduação Lato Sensu em Psicologia Transpessoal
e Ciências Holísticas, no Centro Universitário da Fundação
Educacional Rosemar Pimentel, em Volta Redonda – RJ, em parceria
com a Albert Schweitzer International University da Suíça.

Atualmente, a psicologia transpessoal possui uma vasta


comprovação experimental que surpreendentemente está em perfeito
acordo com a Filosofia Perene descrita pelas grandes Tradições
Espirituais da humanidade. Esta moderna corroboração de antigas
doutrinas espiritualistas é um fato estupendo que permite a união
fecunda entre ciência e espiritualidade, ao demonstrar a existência de
uma conexão dinâmica e holográfica entre o homem, a natureza e o
cosmos.

Anomalias no Antigo Paradigma

Algumas anomalias que já vinham sendo constatados pela


ciência desde o seculo XIX, dentro do próprio paradigma cartesiano –
newtoniano, foram fornecendo subsídios teóricos, experimentais e
clínicos que conduziram `a teorização e sistematização de um vasto e
sólido corpo de dados transpessoais. Ocorrências como experiências
próximas da morte e de saída do corpo, mediunidade, casos
sugestivos de reencarnação, fenômenos parapsicológicos, memória
extra-cerebral, efeitos telessomáticos e psicocinesia a partir de
meditação, regressão hipnótica, ingressos em estados alterados de
consciência por meios naturais e químicos, foram permitindo o
surgimento da Psicologia Transpessoal. Assim, a partir dos trabalhos
pioneiros de Stanislav Grof, Abraham Maslow, Anthony Sutich, Daniel
Goleman, Robert Keith Wallace, Herbert Benson, Ian Stevenson,
Barnejee, Raymond Moody Jr., Elizabeth Kubler-Ross, Ken Wilber,
Terence MacKenna entre outros, foi se estruturando progressivamente
o arcabouço conceitual desta nova escola de psicologia.

Críticas Infundadas `a Psicologia Transpessoal

Como ocorre durante todas as mudanças de paradigma, a


princípio, surgiram as mais diversas críticas infundadas e resistências
oriundas das áreas mais tradicionais da psiquiatria e da psicologia e
de suas instituições, cristalizadas em barreiras cognitivas
paradigmáticas e círculos estabelecidos de poder nas academias,
instituições de classe e universidades.
Uma das principais críticas foi a de que a Psicologia
Transpessoal era um sincretismo, uma mistura de diversas disciplinas,
teorias e experimentos esparsos, não interligados entre si, sem
nenhuma coerência conceitual e experimental. Um verdadeiro saco de
gatos. No entanto, este sincretismo, esta mistura, é um fenômeno
inicial comum a todas as novas disciplinas e saberes que surgem em
épocas de mudança paradigmática. Somente com o tempo o novo
saber ou disciplina vai se estruturando e se integrando num corpo
unificado de conhecimentos, originando uma nova e mais abrangente
síntese das ciências. É um fato histórico e conhecido que podemos
constatar não somente na origem da Psicologia Transpessoal, mas
como também na origem de todas as escolas de psicologia, como
ocorreu com a psicanálise, o behaviorismo, a psicologia humanista, e
em todas as novas escolas filosóficas e religiosas que marcaram a
humanidade. No início, todas são fruto de uma reunião de
conhecimentos e práticas novas que estão surgindo, não possuindo
ainda um arcabouço conceitual estruturado e acabado. Comumente,
leva-se décadas ou séculos, como ocorreu com o Cristianismo e a
Física Quântica, para que tal saber ou disciplina apresente uma
integração de seus fundamentos, e desenvolva uma solidez
conceitual. É o fluxo natural das coisas e que, atualmente, também
está acontecendo com a Psicologia Transpessoal.
Outra forma de crítica infundada, esta de natureza mais
perversa, refere-se `a alegação de que a Psicologia Transpessoal não
é reconhecida oficialmente pelas autoridades oficiais competentes. O
que acontece, de fato, é que toda a autoridade oficial, constituída
pelos seus conselhos, associações e instituições de classe, são
incompetentes para julgar mudanças paradigmáticas, e se tivessem
poderes para julgar, iriam condenar todo o novo saber como herético e
falso. A função das associações de classe e dos conselhos
profissionais nunca foi em nenhuma parte do mundo a de reconhecer
qualquer escola de psicologia. Sempre foi regulamentar o ensino, a
ética e a prática profissionais. Freud, Jung, Adler, Reich, Lacan,
Watson, Skinner, Maslow, Grof e Wilber, entre outros grandes
psicólogos e pensadores, nunca pediram licença a ninguém para
exprimir suas idéias e utilizá-las na prática clínica. Suas escolas de
psicologia foram-se formando de maneira natural, agregando colegas
e adeptos do novo saber. Trata-se de uma saudável e rebelde atitude
de questionamento e desobediência civil contra o saber estabelecido e
às instituições vigentes, atitude esta que tanto carecemos no mundo
conformista e politicamente correto dos dias de hoje. Caso tal postura
de transgressão paradigmática não ocorresse, de uma forma natural, a
ciência e o saber ficariam estacionários, jamais evoluiriam. Tal como a
Física Quântica, a Psicologia Transpessoal é parte desta enorme
transição paradigmática que estamos vivenciando.

Qual a Escola de Psicoterapia mais Eficaz ?

Desde o advento da psicanálise, em 1900, com Sigmund Freud,


e do behaviorismo (psicologia comportamental), em 1913, com John
Watson, observa-se na história da psicologia e dentro das
universidades, um enorme debate e confronto de idéias acerca de qual
escola de psicologia e psicoterapia seria a mais eficaz no tratamento
dos pacientes. Atualmente temos mais de duzentos e cinquenta
formas de psicoterapia, derivadas das quatro grandes escolas de
psicologia: a psicanálise, a psicologia comportamental, a psicologia
humanista e a psicologia transpessoal. A nosso ver, esse debate
acerca de qual método e escola é mais eficaz e benéfico para o
paciente, tornou-se estéril, ultrapassado e anti-científico desde os
anos sessenta do século XX, quando o psicólogo Carl Rogers e
equipe e posteriormente os psicólogos Robert Carkhuff e Bernard G.
Berenson, desolveram uma enorme e abrangente pesquisa científica
na qual investigaram qual seria a escola de psicoterapia mais eficaz.
Para tanto, durante mais de uma década, estes pesquisadores
avaliaram pacientes encaminhados por psicoterapeutas das mais
variadas escolas e abordabens teóricas, antes, durante e depois do
processo terapêutico. O resultado final foi surpreendente. Nenhuma
escola de tratamento psicoterápico era melhor que a outra. O
percentual de pacientes que melhorou era semelhante em todos os
grupos. O percentual daqueles que pioraram também. A grande
descoberta foi que: a melhora do paciente não depende da linha
teórica ou dos métodos utilizados pelo psicoterapeuta. Depende
essencialmente das atitudes de empatia, compreensão e não-
julgamento, entre outras habilidades de comunicação, assumidas pelo
terapeuta, durante o processo de psicoterapia. O importante para o
psicoterauta não é tanto pertencer a uma determinada escola de
psicologia e sim possuir uma personalidade terapêutica,
fundamentada em habilidades de comunicação interpessoal.

Neste capítulo apresentamos a visão teórica da Psicologia


Transpessoal de um modo simples, sem no entanto perder a
profundidade. No capítulo 9, mostramos as consequências práticas
implícitas na cosmovisão transpessoal, de uma forma humana e
familiar ao leigo, bem próxima de seu cotidiano, procurando fugir dos
jargões e da aridez cientificista e acadêmica que frequentemente são
encontrados em muitos tratados sobre o tema.

Capítulo 7

PSICOTERAPIA COM LSD

"Minha linguagem é proporcional ao poder de compreensão


que cada um possa ter, e corrijo as dificuldades do meu
ensinamento falando por meio de imagens".
As cartografias da consciência de Grof e Wilber

"...o modelo biográfico desenvolvido pela psicologia


‘profunda’ de Freud apenas arranha a superfície da dinâmica
mental".
Stanislav Grof, A Aventura da Autodescoberta, pg. 259

Intermezzo histórico
A moderna pesquisa da consciência demonstra que ela possui
uma natureza pluridimensional, constituída por vários níveis
interconectados entre si, e simultaneamente com toda a vastidão da
natureza e da existência cósmica. Este tipo de concepção era
estranho à psicologia do final do século XIX, que inicialmente
considerava que o domínio da psique restringia-se puramente ao
aspecto consciente. Foi graças ao gênio do neurologista Sigmund
Freud, criador da Psicanálise, que começamos a perceber que nossa
consciência possuía pelo menos mais um nível de vida psíquica : o
inconsciente. Freud e seus colaboradores do chamado círculo de
Viena ( Jung, Adler, Ferenczi, Rank, Jones,etc.) desenvolveram uma
série de psicotecnologias para explorar este novo domínio da psique,
como a livre associação e a interpretação dos sonhos. Isto foi uma
revolução paradigmática na Psicologia e na Medicina, percebida por
poucos naquela época. É até difícil para nós hoje em dia
compreendermos o que estaria passando na mente de Freud ao visitar
o célebre neurologista Charcot, no Hospital da Salpetriêre em Paris,
testemunhando uma paciente ter sua paralisia histérica eliminada ou
transferida para outro segmento corporal através da hipnose. Com o
referencial científico da sua época, baseado somente na existência do
nível consciente da mente, seria impossível explicar tais fenômenos
clínicos. Retornando para Viena, com a mente fervilhando de idéias,
Freud procurou sistematizar um modelo neurofisiológico que pudesse
explicar tais ocorrências, resultando num trabalho, não publicado
durante sua vida, que ficou conhecido como Projeto para uma
Psicologia Científica. No entanto, ao se dar conta que o modelo de
mente uninível da ciência de sua época era insuficiente para construir
um arcabouço conceitual que permitisse compreender e atuar sobre
os fenômenos histéricos, voltou-se para a construção teórica de um
aparelho psíquico pluridimensional ( consciente, pré-consciente e
inconsciente) que fosse capaz de realizar tal intento. Posteriormente,
Freud aperfeiçoou e refinou seu modelo, denominando às instâncias
do aparelho psíquico de Id, Ego e Superego. A Psicanálise ficou
conhecida como a primeira força em psicologia, sendo também a
primeira escola de psicologia a formular um método psicoterapêutico.
Em 1950, graças a esta nova concepção da mente, Franz
Alexander, antigo colaborador de Freud, publica nos Estados Unidos
seu famoso livro Medicina Psicossomática, no qual a concepção
psicanalítica de funcionamento mental inconsciente é considerado
importante fator na gênese e desenvolvimento favorável ou
desfavorável das doenças físicas. Neste livro Alexander propõe os tres
postulados básicos da Psicossomática:
I- Os fatores psicológicos que influenciam os processos fisiológicos
devem ser submetidos à mesma avaliação detalhada e
cuidadosa que comumente é realizada no estudo dos processos
fisiológicos.
II- Os processos psicológicos não são fundamentalmente diferentes
de outros processos que ocorrem no organismo. São ao mesmo
tempo processos fisiológicos e diferem dos outros processos
corporais somente porque são percebidos subjetivamente e
podem ser comunicados verbalmente a outros.
III- O crescente aumento do conhecimento das relações das
emoções com as funções somáticas normais e patológicas exige
que o médico moderno olhe os conflitos emocionais como reais
e concretos.

A associação do novo paradigma psicanalítico com as


descobertas da fisiologia humana levaram à sistematização da
Medicina Psicossomática, na década de 1950. A partir da década de
1970, o conhecimento mais profundo das interações entre o sistema
nervoso, o sistema imunológico, o sistema hormonal e a genética
molecular, levaram ao nascimento da disciplina da
Psiconeuroimunologia, cuja intervenção terapêutica é hoje conhecida
como Medicina Mente-Corpo. Trata-se de uma revolução
paradigmática na concepção das interações psicofisiológicas entre os
sistemas nervoso, endócrino, imunológico e genético. Na antiga
perspectiva cartesiana-newtoniana de psicologia e medicina, tais
sistemas eram compreendidos em seu funcionamento de forma
isolada. Agora, passaram a ser entendidos como participantes de uma
sinfonia única, a sinfonia da vida, uma vasta rede de interações
informacionais e multidirecionais, por meio das quais holisticamente
criamos uma condição dinâmica de equilíbrio interno responsável pela
nossa saúde e integridade sóciopsicossomática.

A mente espectral

Bem antes destes modernos desenvolvimentos e logo após a


sistematização da teoria psicanalítica, o psiquiatra Carl Gustav Jung
expandiu o modelo consciencial freudiano, descobrindo e
sistematizando no período entre 1910 e 1930, um nivel mais profundo
da psique humana, denominado por ele de inconsciente coletivo,
com muitos paralelos com a mitologia e a espiritualidade das grandes
tradições religiosas da humanidade.
O oceano da mente humana estava se revelando cada vez mais
multinivelado e misterioso. Este vasto mar da consciência parecia ser
constituído por estratos cada vez mais profundos, com fluxos
conscienciais portadores de uma dinâmica própria e interconectados
entre si e com a natureza. Estes processos conscienciais ainda eram
pouco explorados pelas psicoterapias existentes na época, mas já
bem experienciados pelos místicos e mestres religiosos de todos os
tempos, e descritos detalhadamente em muitas escrituras sagradas.
Neste contexto, a consciência humana parecia ser constituída
por diversos níveis de atividade psíquica, nem todos conscientes, indo
desde o nível biográfico de características mais “freudianas”,
passando por um domínio de traumáticas experiências em torno do
nascimento, de cunho mais “rankiano”, até o domínio das experiências
transpessoais, que transcendem as limitações do corpo, tempo e
espaço, descoberto e sistematizado pelo psiquiatra Stanislav Grof,
entre outros.
A consciência humana passou a ser compreendida, por autores
da área transpessoal como Ken Wilber e Stanislav Grof, como um
modelo espectral, unificando as diferentes escolas de psicologia e
psicoterapia em um quadro de referência coerente. Wilber , em seu
livro O Espectro da Consciência, à página 11 descreve assim esta
concepção :
"A consciência é pluridimensional, ou aparentemente composta
de muitos níveis; cada escola importante de psicologia, psicoterapia e
religião se dirige a um nível diferente; estas diversas escolas portanto,
não são contraditórias, mas complementares, sendo cada abordagem
mais ou menos correta e válida quando se dirige ao próprio nível.
Dessa maneira, pode se efetuar uma verdadeira síntese das principais
abordagens da consciência - uma síntese, não um ecletismo , que
valoriza igualmente os modos de ver de Freud, Jung, Maslow, May,
Berne e outros eminentes psicólogos, assim como os dos grandes
sábios espirituais , de Buda a Krishnamurti."
Grof em seu livro Além do Cérebro à pagina 145, descreve
assim esta concepção:
“O que realmente define a orientação transpessoal é um
modelo da psique humana que reconhece a importância das
dimensões espirituais ou cósmicas, e o potencial para a evolução
da consciência. O terapeuta transpessoal mantém-se consciente
do espectro total e quer sempre acompanhar o cliente a novos
campos experienciais, quando há oportunidade, não importando
qual o nível de consciência que o processo terapêutico esteja
focalizando”.
É importantíssimo destacarmos a relevância das afirmações
acima, dos papas da Psicologia e Psicoterapia Transpessoal, pois a
abordagem transpessoal verdadeira é por sua própria natureza e
definição holística, sistêmica, considerando durante a psicoterapia
todos os níveis do espectro da consciência, de acordo com a
necessidade do paciente. Como afirma Wilber, a psicologia e
psicoterapia transpessoal “valoriza igualmente os modos de ver de
Freud, Jung, Maslow, May, Berne e outros eminentes psicólogos,
assim como os dos grandes sábios espirituais , de Buda a
Krishnamurti."
Denunciamos como grave desvio reducionista e fragmentador
cartesiano-newtoniano, uma prática equivocada, relativamente
disseminada, pelo menos aqui no Brasil, de considerar como
psicologia e psicoterapia transpessoal, uma forma de psicoterapia que
leva exclusivamente em consideração durante o tratamento, somente
as faixas transpessoais do espectro da consciência. Como já
descrevemos acima, a psicologia e a psicoterapia transpessoal
estudada, praticada, descrita e desenvolvida por Stanislav Grof e Ken
Wilber leva em consideração todos os níveis do espectro da
consciência, sendo portanto, uma prática inclusiva, transdisciplinar e
holística em psicologia.

Para que possamos compreender melhor esta


pluridimensionalidade da consciência revelada pela psicologia e
psicoterapia transpessoal, apresentamos ao leitor as cartografias da
consciência desenvolvidas por Stanislav Grof e Ken Wilber.
Modelo pluridimensional holográfico da consciência de Grof
“ Boa parte da confusão existente na psicoterapia contemporânea provém do fato de cada
pesquisador ter concentrado a atenção basicamente num determinado nível do inconsciente
e depois ter tentado generalizar as próprias descobertas para a mente humana em sua
totalidade. Todos os sistemas envolvidos talvez representem descrições mais ou menos
precisas do aspecto ou do nível do inconsciente que estão tentando descrever. O que
precisamos agora é de uma psicologia bootstrap ( autoconsistente ) que integre os diversos
sistemas numa coleção de mapas capazes de cobrir toda a gama da consciência humana.”
Stanislav Grof, in Capra, Sabedoria Incomun, pag. 81

Segundo o teórico e pesquisador da consciência Ken Wilber ( in


Ken Wilber in Dialogue, pg. 319), “Stanislav Grof é sem dúvida
nenhuma o maior psicólogo vivo do mundo. Ele é certamente um
pioneiro em cada sentido da palavra, um dos mais abrangentes
pesquisadores psicológicos da nossa era”.
Stanislav Grof, nascido em 1931, em Praga, médico psiquiatra
de formação psicanalítica, iniciou em 1956 na Tchecoslováquia, no
Instituto de Pesquisas Psiquiátricas em Praga, pesquisas sobre o uso
clínico de drogas psicoativas, explorando o potencial terapêutico do
LSD e outras substâncias psicodélicas. Seu objetivo era avaliar se as
substâncias psicodélicas serviriam para acelerar o processo
psicanalítico. No entanto, a riqueza sem paralelo e a intensidade das
experiências transpessoais que emergiram durante as sessões
psicodélicas com LSD logo o convenceram da deficiência do
arcabouço teórico do modelo freudiano da psique e de sua visão de
mundo materialista e mecanicista. Sua experiência com milhares de
sessões terapêuticas psicodélicas levaram-no a desvendar “reinos do
inconsciente humano” que moldaram todo um novo mapa da mente
humana, com uma profundidade jamais imaginada por Freud e os
psicanalistas.
A partir de 1967, Grof foi convidado a continuar suas pesquisas
nos Estados Unidos, na John Hopkins University e posteriormente no
Centro de Pesquisas Psiquiátricas de Maryland. De 1973 a 1987, foi
professor residente no Instituto Esalen, em Big Sur, Califórnia, período
em que desenvolveu com sua esposa Christina, a Terapia de
Respiração Holotrópica, uma inovadora psicoterapia que reúne
hiperventilação ( respiração acelerada e profunda ) com música
evocativa, trabalho corporal, experiências compartilhadas de grupo e
desenhos de mandalas, realizada num ambiente apoiador, seguro e
sagrado. Atualmente, Grof é fundador e professor do Instituto de
Estudos Integrais da Califórnia, em São Francisco, EUA, participando
no programa de filosofia, cosmologia e consciência, onde continua a
escrever e conduzir seminários de treinamento para profissionais em
respiração holotrópica e psicologia transpessoal.
A cartografia da mente humana desenvolvida por Grof a partir de
suas experiências psicoterápicas com milhares de pacientes, descreve
a existência de três níveis básicos e interativos de funcionamento da
mente humana, denominados por ele de biográfico, perinatal e
transpessoal.

1) Nível Biográfico – constituído por experiências emocionais


marcantes, conscientes e inconscientes da infância, adolescência e
vida adulta. É o modelo de mente humana tradicionalmente
apresentado e estudado nos meios acadêmicos e psicanalíticos.
Limita-se exclusivamente ao domínio consciente e ao inconsciente
individual que, segundo Freud, é constituído em sua maior parte de
material biográfico pós-natal que foi esquecido ou recalcado.

2) Nível Perinatal - constituído pelas experiências emocionais


traumáticas ocorridas em torno do período de nascimento e
pioneiramente descritas de forma embrionária pelo psicanalista Otto
Rank, em 1927, e publicada em seu livro de 1929, O Trauma do
Nascimento . Segundo Grof, o nível perinatal pode ser dividido em 4
subníveis ( ou constelações dinâmicas do inconsciente profundo)
denominados Matrizes Perinatais Básicas ( MPB’s). Em cada um
destes estágios, Grof descreve que “a criança experimenta um típico e
específico grupo de emoções intensas e sensações físicas. Estas
experiências deixam profundas impregnações inconscientes na psique
que mais tarde tem uma importante influência sobre a vida do
indivíduo... O espectro de experiências perinatais não se limita aos
elementos que podem ser derivados dos processos biológicos e
fisiológicos pertinentes ao nascimento. O domínio perinatal da psique
também representa um importante portal para o inconsciente coletivo,
no sentido junguiano” . ( Psicologia do Futuro, pag. 46 e 47)
Isto demonstra a natureza holotrópica da consciência humana, com
sua capacidade de revelar sua conexão com o todo, com a
consciência cósmica ou mente universal.

A Primeira Matriz Perinatal Básica ( MPB I ) reflete as experiências


intra-uterinas anteriores ao início do trabalho de parto, onde podemos
perceber o útero como um lugar bom ou mau. É o período de união
primordial com a mãe, onde não nos diferenciamos dela e do universo.
“Tipicamente temos experiências de regiões vastas sem fronteiras ou
limites. Podemos nos identificar com galáxias, com o espaço
interestelar ou com todo o cosmo...quando revivemos ...memórias do
“útero mau”, temos uma sensação de ameaça obscura ou ominiosa e
frequentemente sentimos que estamos sendo envenenados. É
possível quer vejamos imagens retratando águas poluídas e depósitos
de lixo tóxicos”. ( Grof, in Psicologia do Futuro, pag. 51).

A Segunda Matriz Perinatal Básica ( MPB II ) reflete o início do parto


biológico, com suas experiências de engolfamento cósmico, onde
surgem sensações opressivas de crescente ansiedade e certeza de
iminente perigo vital. “É bastante característico a experiencia de uma
espiral tridimensional, um funil ou um sorvedouro sugando o sujeito,
incansavelmente na direção de seu centro. Um equivalente desse
redemoinho é a experiência de ser engolido por monstros terríveis
como dragões gigantescos, leviatãs, serpentes píticas, crocodilos ou
baleias. São também frequentes as experiências de ataques por
polvos gigantes ou por tarântulas. Uma versão menos dramática
mesma experiência, é o tema da descida a um perigoso mundo
subterrâneo, a uma cadeia de grutas ou a um labirinto enganador.”
(Grof, in Além do Cérebro, pag, 83).
Podemos perceber nas experiências acima, não somente uma
vivência do momento do nascimento, mas também uma série de
imagens arquetípicas, que não tem relação direta com a biologia do
processo de parto, mas que, porém possuem uma ligação profunda
com símbolos universais do inconsciente coletivo, descrito por Jung e
que se relacionam com o nível transpessoal.

A Terceira Matriz Perinatal Básica ( MPB III) reflete a propulsão do


feto através do canal do parto, com experiências de luta de
morte/renascimento. Os temas simbólicos característicos desta fase
são as “forças violentas da natureza( vulcões, tempestades elétricas,
terremotos, altas ondas de arrebentação, furações), cenas violentas
de guerras ou revolucões e tecnologia de alta potência ( reações
termo-nucleares, bombas atômicas e foguetes), experiências
sadomasoquistas, intenso estímulo sexual e envolvimentos
escatológicos”. Os temas arquetípicos relacionados são imagens do
julgamento final, os feitos extraordinários dos super-heróis e batalhas
mitológicas de proporções cósmicas, envolvendo demônios e anjos ou
deuses e titãs, descritas nas tradições mitológicas da humanidade .

A Quarta Matriz Perinatal Básica (MPB IV) reflete o final do parto


biológico com a propulsão através do canal do parto chegando ao seu
ponto culminante. É o final da experiência de morte/renascimento.
Surge um súbito alívio e relaxamento, tendo como imagens
arquetípicas associadas, a morte do ego, total aniquilação seguida por
visões de branco ofuscante ou luz dourada de radiância e beleza
sobrenaturais. Os temas arquetípicos relacionados são imagens de
entidades arquetípicas divinas, ocorrendo uma profunda sensação de
libertação espiritual, redenção e salvação e a pessoa se sente livre de
ansiedade, depressão e culpa, purificada e aliviada.

3) Nível Transpessoal – neste nível experiencial, que se segue ao


nivel perinatal, o denominador comum das vivências relatadas é a
sensação de expansão da consciência além das limitações comuns do
ego, transcendendo os limites de tempo e espaço. O espectro das
experiências transpessoais é vastíssimo, e classificado por Grof em
três grandes domínios que descrevemos a seguir ( cf. seus livros A
Psicologia do Futuro e A Aventura da Auto-Descoberta) :

A) Extensão experiencial da consciência dentro do espaço-tempo


e da realidade consensual

Transcendência de Limites Espaciais

Experiência de unidade dual


Identificação com outras pessoas
Identificação grupal e consciência grupal
Identificação com animais
Identificação com plantas e processos botânicos
Unidade com a vida e toda a criação
Experiência de materiais e processos inorgânicos
Consciência planetária
Experiência com seres e mundos extraterrestres
Identificação com todo o universo físico
Fenômenos psíquicos envolvendo transcendência do espaço
Transcendência de Limites Temporais

Experiências embrionárias e fetais


Experiências ancestrais
Experiências raciais e coletivas
Experiências de encarnações passadas
Experiências filogenéticas
Experiências de evolução planetária
Experiências cosmogenéticas
Fenômenos psíquicos envolvendo transcendência do tempo

Exploração Experiencial do Micromundo

Consciência de órgão e tecido


Consciência celular
Experiência do DNA
Experiência do mundo dos átomos e das partículas subatômicas

B) Extensão experiencial além do espaço- tempo e da realidade


consensual

Experiências espíritas e mediúnicas


Fenômenos energéticos do corpo sutil
Experiências de espíritos animais ( animais do poder)
Encontros com guias espirituais e seres supra-humanos
Visitas à universos paralelos e encontros com seus habitantes
Experiências de sequências mitológicas e de contos de fadas
Experiências de divindades específicas extasiantes e iradas
Experiências de arquétipos universais
Compreens!ão intuitiva de símbolos universais
Inspiração criativa e o impulso Prometeico
Experiências do demiurgo e insights sobre a Criação Cósmica
Experiência de Consciência Cósmica
Vazio supracósmico e metacósmico

C) Experiências Transpessoais de natureza paranormal

Sincronicidades ( interação entre experiências intrapsíquicas e a


realidade consensual)
Ocorrências paranormais espontâneas
Atos físicos supernormais
Fenômenso espíritas e mediunidade física
Psicocinese espontânea recorrente (poltergeist)
UFOs e experiências alieníginas de abdução

Psicocinese intencional
Magia cerimonial
Cura e feitiçaria
Siddhis da Yoga
Psicocinese laboratorial

Modelo espectral da consciência de Ken Wilber

“Ken Wilber produziu um trabalho extraordinário de síntese altamente criativa de dados


provenientes de uma vasta variedade de áreas e disciplinas que vão desde a psicologia,
antropologia, sociologia, mitologia, e religião comparada, através da linguística, filosofia, e
história até a cosmologia, física quântico-relativística, biologia, teoria da evolução e teoria
dos sistemas. Seu conhecimento da literatura é realmente enciclopédico, sua mente
analítica, sistemática e incisiva, e a claridade de sua lógica é notável. O rigor intelectual, a
natureza inclusiva e a impressionante abrangência do trabalho de Ken ajudou a torná-lo
uma amplamente aclamada e altamente influente teoria da psicologia transpessoal.”
Stanislav Grof, in Ken Wilber in Dialogue, pag. 87

“ Ninguém – nem mesmo Jung – fez tanto como Wilber para abrir a psicologia ocidental
para os duradouros insights da sabedoria das tradições do mundo. Lentamente, mas com
firmeza, livro a livro, Ken Wilber está construindo os fundamentos de uma genuína
psicologia ocidente/oriente.”

Huston Smith, antropólogo norte-americano.


Nascido em 1949, em Lincoln, Nebraska, Estados Unidos, Ken
Wilber é provavelmente o mais proeminente teórico contemporâneo da
psicologia transpessoal. Ken é autor de cerca de 15 livros e inúmeros
artigos. Seu prolífico trabalho se distingue pela visão multidisciplinar,
transcultural, sistemática, integrativa, visionária e acadêmica. Seu
primeiro livro, O Espectro da Consciência, publicado aos 23 anos de
idade e escrito de forma vertiginosa em poucos meses, é , segundo o
psicólogo transpessoal James Fadiman, maior autoridade mundial em
teorias da personalidade, o livro mais sensível e abrangente sobre a
consciência desde os livros de William James, considerado o maior
psicólogo norte-americano de todos os tempos
A cartografia da consciência de Ken Wilber contém, tal como a
de Grof, três níveis básicos e interativos da consciência, constituídos
por diversos subníveis ou “faixas”, que em seu conjunto ele
denomina o espectro da consciência, e que se inicia na
fragmentação da Consciência Absoluta, a Consciência Cósmica das
tradições espirituais :

1) Nível da Mente – trata-se da consciência universal, origem do


espaço, tempo, matéria, energia, vida e consciência. Nas
tradições espirituais é conhecida como Deus, Yavé, Tao,
Brahman, consciência cósmica, Allah, entre outros nomes. É
a base intemporal, holográfica e não-local de todos os
fenômenos temporais, inclusive nossas mentes individuais.
Por ser a origem de todas as coisas, este é o fundamento e o
primeiro nível da consciência pessoal. Neste nível, pessoas
que atingiram o despertar, se identificam com o todo e entram
em comunhão com a energia básica do universo.

2) Nível existencial – Trata-se de um movimento da mente


cósmica rumo à diversificação, onde ela assume uma
multiplicidade ilusória de formas, entre as quais a nossa
consciência individual. Neste nível, a consciência cósmica dá
lugar a divisões e dualidades que não são reais, mas apenas
aparentes. Desta forma nos percebemos como uma
consciência individual, separada da fonte, tal como uma onda
que se sobressai no mar. Por meio desta diversificação, que
percebemos como fragmentação, nos identificamos com
nosso organismo, criando uma identidade pessoal, gerando o
nível existencial, e nele um homem desindentificado com o
cosmos ( Pierre Weil denomina este fenômeno de fantasia da
separatividade e neurose do paraíso perdido ).
3) Nível do Ego – A fragmentação continua, a ponto das
pessoas sequer se identificarem com todo seu organismo.
Deixamos o corpo de lado e passamos a nos identificar
somente com nossa mente. Criamos uma oposição mente/
corpo. Não dizemos “eu sou um corpo”, mas “eu tenho um
corpo”. E a esse “Eu” que “tem” um corpo, chamamos de ego.
É o nascimento da oposição psique versus soma.

Wilber de forma brilhante, resume sua teoria da evolução do espectro


da consciência da seguinte forma, à pg 153 de O Espectro da
Consciência:

“De maneira simplista podemos encarar tudo isso assim: A


energia mobilizada no Nível da Mente é pura, sem forma ( isto é,
vazia), atemporal, infinita, mas, quando se ‘eleva’ através dos níveis
do espectro, começa a desintegrar-se, assumindo imagens e formas
dualísticas. Consequentemente, cada nível se caracteriza pela
natureza da desintegração dualística que nele ocorre. Assim sendo,
no Nível Existencial, a energia desintegrou-se e fragmentou-se em
energia do “eu” versus energia ambiental; na Faixa biossocial, a
energia do eu começa a tomar forma, recolhendo os adornos e
coloridos daquele nível; ao passo que no Nível do Ego ela se
desintegrou ainda mais em energia corpórea versus energia psíquica.
O Nível da Sombra representa simplesmente uma continuação da
desintegração, onde a própria energia psíquica se cinde e fragmenta”

Psicologia e Psicoterapia Transpessoal: Novo Paradigma


Integrador

“Embora a maior parte destes processos represente novos princípios no arsenal terapêutico
ocidental, na realidade eles são antigos; desde tempos imemoriais, eles tem tido um papel
importante nas práticas xamânicas, em rituais de cura e em ritos de passagem. Eles estão
sendo agora, redescobertos e reformulados em termos científicos modernos.”
Stanislav Grof, A Aventura da Autodescoberta, pag. 20
Um das grandes contribuições da psicologia transpessoal foi
fornecer um arcabouço conceitual e experimental que permite resolver
os conflitos e diferenças existentes entre as diversas escolas de
psicologia e psicoterapia, unificando-as num modelo coerente e
complementar, integrando-as também às grandes tradições espirituais
da humanidade. Desta ampla integração é possível desenvolver
um novo paradigma, uma nova perspectiva do homem e da
natureza e de suas interrelações, de caráter eminentemente não
materialista que implica numa revisão drástica de todas as
nossas concepções filosóficas e médico-psicológicas. Para tal é
necessário o desenvolvimento de um novo modelo da interação
cérebro/ consciência/universo tal como o que apresentamos no
apêndice 1 deste livro. Devido à importância do tema em questão,
pedimos licença ao leitor para citar integralmente as afimações já
clássicas de Grof e Wilber sobre o assunto.
Segundo Grof ( in Capra, Sabedoria Incomum, pag. 81), “grande parte
da confusão existente na psicoterapia contemporânea provém do fato
de cada pesquisador ter concentrado a atenção basicamente num
determinado nível do inconsciente e depois ter tentado generalizar as
próprias descobertas para a mente humana em sua totalidade. Todos
os sistemas envolvidos talvez representem descrições mais ou menos
precisas do aspecto ou do nível do inconsciente que estão tentando
descrever. O que precisamos agora é de uma psicologia bootstrap
( autoconsistente) que integre os diversos sistemas numa coleção de
mapas capazes de cobrir toda a gama da consciência humana.”
Ken Wilber em sua perspectiva reuniu as abordagens psicológicas e
espirituais existentes, correlacionando-as num quadro de referência
coerente que de acordo com Grof converge em muitos pontos com
sua cartografia do inconsciente.
De acordo com Wilber, (O Especto da Consciência, pags. 11 e
18), “A consciência é pluridimensional ou aparentemente composta
por muitos níveis. Cada escola importante de psicologia, psicoterapia
e religião se dirige a um nível diferente. Estas diversas escolas ,
portanto, não são contraditórias, mas complementares, sendo cada
abordagem mais ou menos correta e válida quando se dirige ao
próprio nível. Desta maneira , pode efetuar-se uma verdadeira síntese
das principais abordagens da consciência – uma síntese, não um
ecletismo, que valoriza igualmente os modos de ver de Freud, Jung,
Maslow, May, Berne, e outros eminentes psicólogos, assim como o
dos grandes sábios espirituais, de Buda a Krishnamurti [...] Em outras
palavras, começará a emergir do nosso estudo do Espectro da
Consciência não só uma síntese de enfoques orientais e ocidentais da
psicologia e da psicoterapia, mas também uma síntese e integração
dos vários enfoques ocidentais principais da psicologia e da
psicoterapia...Digamos apenas que as várias diferentes escolas de
psicologia ocidental, como a freudiana, a existencial e a junguiana
estão se dirigindo também, no todo, a vários níveis diferentes do
Espectro da Consciência, de modo que podem ser igualmente
integradas numa abragente psicologia do espectro. Afirmo, com efeito,
que a principal razão da existência no ocidente de quatro ou cinco
escolas principais, porém diferentes, de psicologia e psicoterapia, é
que cada uma delas focalizou sua atenção numa faixa ou nível
principal do Espectro. Não são, digamos assim, quatro escolas
diferentes que formam quatro teorias diferentes a respeito de um nível
da consciência, mas quatro escolas diferentes cada uma das quais se
dirigindo predominantemente a um nível diferente do Espectro ( por
exemplo, os níveis da Sombra, do Ego, o Biossocial e o Existencial).
Essas escolas distintas, por conseguinte, mantém uma relação
complementar entre si, e não, como geralmente se supõe, uma
relação antagônica ou contraditória.”

Capítulo 9

REVERÊNCIA PELA VIDA

“Criar uma nova cultura não significa apenas realizar individualmente descobertas
originais; significa também, e sobretudo, difundir criticamente verdades já descobertas;
socializá-las, por assim dizer e, portanto, fazer com que se tornem base de ações vitais,
elemento de coordenação de ordem intelectual e moral. O fato de uma massa de homens ser
levada a pensar de modo coerente e unitário o presente real, é um evento filosófico bem
mais importante e original do que a descoberta por parte de um gênio filosófico, de uma
nova verdade que permaneça patrimônio de pequenos grupos intelectuais.”
Antonio Gramsci, filósofo italiano
Tome uma atitude: cuide da vida

Esta compreensão ampla e sistêmica sobre a natureza do


homem e do universo e nossa interconexão dinâmica com todas as
coisas, oriunda das Ciências Holísticas e da Psicologia Transpessoal,
em particular, conduz-nos a uma visão ética na qual todos somos
filhos da Terra e que temos a responsabilidade de respeitar e cuidar
do nosso planeta e de todas as suas formas de vida. Esta é a nova
mitologia emergente e orientadora da humanidade, o mito
planetário do terceiro milênio.
Como consequência prática da perspectiva holística,
mitológica e transpessoal exposta nesta obra, resgatamos a
Ética de Reverência pela Vida, descrita pelo Dr Albert
Schweitzer, médico laureado com o Prêmio Nobel da Paz, em 1952,
que nestas ultimas décadas tem sido relegada ao esquecimento:

“O bem consiste em preservar a vida em lhe dar suporte,em


procurar levá-la ao seu mais alto valor. O mal consiste em
destruir a vida, em ferí-la ou destruí-la em plena
florescência”, afirma a ética e a sabedoria do Dr. Albert Schweitzer!

Tudo está relacionado entre si

Esta ética e suas consequências práticas de respeito e cuidado com


a vida não são encontradas somente nas Ciências Holísticas e na
Psicologia Transpessoal. Também nas grandes Tradições espirituais de
todas as épocas, esta concepção de cuidado com a vida e de conexão,
de religação da humanidade com a natureza, é valorizada. Uma das
passagens mais eloquentes e poéticas a respeito desta veneração pela
vida e pela natureza encontramos na tradição indígena norte-
americana, como pode ser vista na Carta do chefe Seattle ao
presidente norte-americano Franklin Pearce, que governou entre 1853
e 1857.
Os índios Duwamish habitavam a região onde hoje se encontra o
Estado americano de Washington, no extremo Noroeste dos Estados
Unidos, divisa com o Canadá. No século XIX, a região era um "paraíso
na Terra", e inspirou o discurso que o chefe indígena Duwamish (Chefe
Seattle) fez ao governo norte-americano na época. Tornou-se um dos
mais lindos poemas sobre a interrelação do homem com a terra e à
natureza.
Existem muitas controvérsias sobre o conteúdo original do discurso.
O primeiro registro escrito que se conhece, foi feito no Jornal Seattle
Sunday Star em 1887 pelo Dr.Henry Smith, que estava presente no
pronunciamento, e publicou suas próprias anotações com comentários
sobre o Grande Chefe, que segundo ele, era uma pessoa
profundamente impressionante e carismática. Na décade de 1970,
foram divulgadas várias versões deste discurso em conexão com
movimentos ecológicos e a favor da preservação da natureza. Abaixo,
transcrevemos a tradução da publicação original do Dr.Henry Smith.
Convidamos desse modo o leitor a refletir sobre a sabedoria
espiritual prática implícita nesta carta.

Discurso feito pelo Chefe Seattle ao Presidente Franklin Pierce


em 1854
(após o Governo Americano ter dado a entender que desejava adquirir o
território da tribo)

“O grande chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar a


nossa terra, o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e
benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não
precisa de nossa amizade.
Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o
fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O
grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz
com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar
na alteração das estações do ano.

Minhas palavras são como as estrelas - elas não empalidecem.

Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é
estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da
água, como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é
sagrado para meu povo, cada folha reluzente de pinheiro, cada praia
arenosa, cada véu de neblina na floresta escura, cada clareira e inseto
a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A
seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do
homem vermelho.

O homem branco esquece a sua terra natal, quando depois de morto


vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem
esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos
parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas
irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. As cristas
rochosas, os sumos da campina, o calor que emana do corpo de um
mustang, e o homem, todos pertencem à mesma família.

No entanto, quando o grande chefe de Washington manda dizer que


deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O grande chefe
manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos
viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos.
Portanto, vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Mas
não vai ser fácil, porque esta terra é para nós sagrada.

Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água,
mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendermos a terra, terás
de lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é
sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta
os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar d'água
é a voz do pai de meu pai. Os rios são nossos irmãos, eles matam
nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos
filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de lembrar e ensinar a teus
filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos
rios a afabilidade que darias a um irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de


viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um
forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que
necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de a
conquistar, ele vai embora, deixa para trás os túmulos de seus
antepassados, e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus
filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura de seu pai e o
direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mãe, a terra, e seu
irmão, o céu, como coisas que podem ser compradas, saqueadas,
vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Sua voracidade arruinará
a terra, deixando para trás apenas um deserto.

Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa
tormento aos olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim
por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende.

Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há


lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou
o tinir das asas de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um
selvagem que nada compreende; o barulho parece apenas insultar os
ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz
solitária do curiango ou, de noite, a conversa dos sapos em volta de
um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio
prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma
lagoa e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva do meio-
dia, ou recendendo a pinheiro.

O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas


respiram em comum - os animais, as árvores, o homem.

O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um


moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se
te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para
nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O
vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também
recebe o seu último suspiro. E se te vendermos nossa terra, deverás
mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio
homem branco possa ir saborear o vento, adoçado com a fragrância
das flores campestres.

Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. Se
decidirmos aceitar, farei uma condição: o homem branco deve tratar
os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho
visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo
homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em
movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante
cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que nós, os
índios, matamos apenas para o sustento de nossa vida.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o


homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo
quanto acontece aos animais, logo acontece ao homem.
Tudo está relacionado entre si.

Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as
cinzas de nossos antepassados; para que tenham respeito aos pais,
conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela
nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a
terra é nossa mãe. Tudo quanto fere à terra, fere aos filhos da terra.
Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios.

De uma coisa sabemos. A terra não pertence ao homem: é o


homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as
coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família.
Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra,
agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama
da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele
fizer à trama, a si próprio fará.

Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos


guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota
passam o tempo em ócio, envenenando seu corpo com alimentos
adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde
passaremos os nossos últimos dias, eles não são muitos. Mais algumas
horas, mesmos uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos
que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos
pelos bosques, sobrará para chorar sobre os túmulos de um povo que
um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
Nem o homem branco, cujo Deus com ele passeia e conversa como
amigo para amigo, pode ser isento do destino comum. Poderíamos ser
irmãos, apesar de tudo. De uma coisa sabemos e talvez o homem
branco venha um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Talvez
julgues, agora, que o podes possuir do mesmo jeito como desejas
possuir nossa terra; mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira
e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem
branco. Esta terra é querida por ele, e causar dano à terra é cumular
de desprezo o seu Criador. Os brancos também vão acabar; talvez
mais cedo do que todas as outras raças. Continuas poluindo a tua
cama e hás de morrer uma noite, sufocado em teus próprios dejetos.

Porém, ao perecerem, vocês brilharão com fulgor, abrasados, pela


força de Deus que os trouxe a este país e, por algum desígnio especial,
lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Esse
destino é para nós um mistério, pois não podemos imaginar como
será, quando todos os bisões forem massacrados, os cavalos bravios
domados, as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente
e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. Onde ficará
o emaranhado da mata? Terá acabado. Onde estará a águia? Irá
acabar. Restará dar adeus à andorinha e à caça; será o fim da vida e o
começo da luta para sobreviver.

Compreenderíamos, talvez, se conhecêssemos com que sonha o


homem branco, se soubéssemos quais as esperanças que transmite a
seus filhos nas longas noites de inverno, quais as visões do futuro que
oferece às suas mentes para que possam formar desejos para o dia de
amanhã. Somos, porém, selvagens. Os sonhos do homem branco são
para nós ocultos, e por serem ocultos, temos de escolher nosso próprio
caminho. Se consentirmos, será para garantir as reservas que nos
prometestes. Lá, talvez, possamos viver os nossos últimos dias
conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver
partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a
pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará vivendo
nestas florestas e praias, porque nós a amamos como ama um recém-
nascido o bater do coração de sua mãe.
Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos.
Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças de como era esta
terra quando dela tomaste posse. E com toda a tua força, o teu poder
e todo o teu coração, conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus
nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo
Deus, esta terra é por ele amada. Nem mesmo o homem branco pode
evitar o nosso destino comum.”

O Novo Mito Planetário

A compreensão da interconexão dinâmica de todas as coisas,


revelada por nossa Era Científica, de forma surpreendente, vem
corroborar a emocionante e profunda sabedoria ecológica e espiritual
contida na carta do Chefe Seattle. Imediatamente nos vem à
lembrança a imagem da foto de nosso planeta tirada pela Apolo 8 e o
sentimento ancestral de que somos todos filhos da Terra, de Gaia.
A Terra é a nossa casa e nossa mãe, e seus habitantes, nossos
irmãos!
Somente com compaixão e reverência pela vida e pelo planeta
conseguiremos impedir a escalada de autodestruição ecológica e social
que caracteriza o momento histórico que vivemos.
Somente com compaixão e reverência pela vida, conseguiremos
atingir uma Era de Ouro, onde a miséria, a fome, a violência, a guerra
e a falta de respeito ao ser humano e à natureza serão erradicados, e
substituídos por uma Cultura de Paz.
O que você está esperando?

Pense globalmente e aja localmente !

Tome conhecimento do que está acontecendo no mundo, mas


não se deixe paralizar pelas neuroses de nosso tempo. Entre em
ação agora, participando na sua comunidade das ações, grupos,
organizações e instituições que mantêm e estimulam a vida, dando
preferência às que mais se adequem ao seu perfil e tendências
pessoais.
Preservar a vida, este é o grande desafio de nossa época
e sua/nossa missão existencial.

“Imagine todas as pessoas, vivendo a vida em paz.


Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único...
Imagine todas as pessoas, compartilhando todo o mundo.
Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único”.

“Tudo o que estamos dizendo é:


Dê uma chance à paz”.
John Lennon

O MUNDO MUDA A PARTIR DE VOCÊ

Psicotecnologias de transformação pessoal


Toda a inteligência do Universo, bilhões e bilhões de anos de
conhecimento-informaçào, estão comprimidos em cada
segundo da sua vida. O ato mais criativo que você pode
executar é o ato de você criar a si mesmo. E criar a si
mesmo significa você expressar sua autenticidade, fazer as
coisas que você gosta, seguindo o caminho do coração, o
caminho que foi programado pela inteligência universal
para você crescer e ajudar no desenvolvimento do próximo
e da vida. Você foi programado para contribuir de um
modo único no universo, um caminho que só você é capaz
de construir e que está à espera de você. A ciência nos
comprova isso e os nossos tempos modernos também
convergem nesse sentido. Nessa era da informação,
aqueles que possuem um saber autêntico, relevante e
aplicável, que pode ser compartilhado com a comunidade,
são as pessoas mais requisitadas e valorizadas. Alcançar o
ápice do seu potencial humano seja na área da ciência, da
filosofia ou da religião seria o ato mais criativo possível e o
de maior sucesso. Tal caminho em sintonia com a
inteligência do Universo encontra eco nas grandes
tradições espirituais da humanidade, principalmente
quando tratam do tema morte e renascimento. Na
Sabedoria Antiga das Tradições Espirituais, as pessoas
eram convidadas a deixar para trás estilos automatizados
e inautênticos de vida, pensamento e conduta,
culturalmente aceitos em sua época, para ingressarem em
uma nova vida, mais plena e autêntica, e expressarem os
seus valores e tendências pessoais, em comunhão com a
Consciência Universal.
A inautenticidade contemporânea, muitas vezes decorrente
da manipulação do indivíduo pelo estado, pela mídia e pela
família, é fonte de enorme sofrimento e de doenças
físicas, psíquicas e sociais. Nesta obra apresentamos uma
perspectiva da nova aliança entre a ciência e a
espiritualidade. Agora, unindo a teoria com a prática,
apresentamos algumas psicotecnologias libertadoras,
capazes de conduzir-nos novamente ao caminho da
felicidade, da comunhão com o universo, e da criatividade.
Psicotecnologia de integração holística 1

Respiração alternada, conhecida na tradição védica (hindu) como


pranayama
Em primeiro lugar, feche os olhos, mantendo-os assim durante toda a
prática. Com o dedo polegar direito, feche a narina direita, enquanto
você inspira com narina esquerda. Após uma inspiracão completa,
inicie uma expiração completa através da narina esquerda. Em
seguida, mantendo a mão na mesma posição, desobstrua a narina
direita, soltando o dedo polegar direito, e feche, com o dedo médio
direito, a narina esquerda. Inspire e expire pela narina direita, como
você fez pela narina esquerda. Depois volte a repetir o mesmo
processo com a narina esquerda e continue alternando assim
sucessivamente. Desta forma você estará alternando a respiração por
ambas as narinas. Repita esta alternância narina esquerda/narina
direita entre três a cinco minutos.
Após este período você estará profundamente relaxado e com os
hemisférios cerebrais sincronizados e integrados. Seus pensamentos,
emoções e intuições fluirão de forma mais clara.
Você está agora pronto para iniciar a próxima prática: meditação

Psicotecnologia de integração holística 2


Meditação Vipassana ou da atenção suave na respiração ( origem
Budista)
Mantendo ainda os olhos fechados, comece a prestar atenção na sua
respiração da seguinte forma:
Observe o fluxo de ar passando por suas narinas, enquanto você
respira. Perceba-o entrando e saindo de você, lentamente. Não tente
controlar seu fluxo respiratório. Permita que seu corpo, com sua
inteligência inconsciente, dê o ritmo naturalmente. O importante é sua
atençào estar voltada para a sensação da passagem do ar pelas
narinas. Se sua atenção se desviar com o surgimento de algum
pensamento, imagem ou emoção, não se preocupe. Retorne a atençào
para a respiração, sem nehuma culpa. É normal divagarmos muitas
vezes durante o processo de meditação. Sempre que divagar, volte sua
atenção à respiração. Pratique-a por cerca de quinze minutos.
Meditação é assim mesmo, muito simples, porém altamente eficaz para
reduzir a tensão física e mental e aumentar a criatividade, a alegria de
viver e a capacidade de lidar com as atribulações da vida diária. Com a
prática diária da meditação, duas vezes por dia, normalmente de
manhã e ao cair da tarde, você aumenta a capacidade de seu sistema
imunológico, ficando desta forma protegido contra as doenças em
geral. Muitas pessoas e pacientes de nossa clínica diária, inclusive nós
os autores, passam a perceber um aumento de coincidências positivas
em sua vida ( sincronicidades ) facilitando seu dia a dia, como se fosse
um aumento da “sorte”, em decorrência desta prática meditativa
tradicional e milenar.

Psicotecnologia de integração holística 3

Praticando o Caminho do Coração


Após o término de sua prática de meditação, continue de olhos
fechados, buscando sentir o que na sua vida está agradando ao seu
coração e o que não está agradando a ele. Uma existência satisfatória,
fluindo com o universo (Tao), requer que você cultive as coisas que
plenificam sua vida física, mental, emocional e espiritual e a do seu
próximo, excluindo ou modificando gradativamente os pensamentos,
emoções, atitudes, situações e relacionamentos destrutivos. A prática
diária deste caminho de compaixão provocará grandes mudanças em
sua existência, que se refletirão em transformações positivas em todas
as áreas de sua vida: profissional, relacionamentos, estudos,
capacidade decisória, criatividade, etc.

Bibliografia

Aaronson, B. Osmond, H. Psychedelics: The Uses and Implications of


Hallucinogenic Drugs. Anchor Books, Doubleday and Co., New York
Amoroso, R.( ed.), Grof, S., Pribram, K., Sheldrake, R., Di Biase, F., Rocha,
Mário S.F., Wolf, F.A , Goswami, A, et alli. 2000, Science and the Primacy
of Consciousness- Intimation of a 21st Century Revolution, Noetic
Press,USA
Atlan, H., 1979, Entre le cristal et la fumée- essai sur l’organisation du
vivant, Seuil, Paris.
Austin, James H.; 1999. Zen and the Brain. MIT Press, Cambridge,
Massachusetts.
Benson, H.; 1975, The Relaxation Response, New York, William Morrow &
Company.
Bateson, G., 1986, Mente e Natureza, a unidade necessaria. Francisco Alves
Editora e Cultrix. São Paulo.
Bentov, Isaac, 1988, Stalking the Wild Pendulum, on the mechanics of
consciouness, Destiny Books, Rochester, Vermont.
Bohm, D.; 1980, Wholeness and The Implicate Ordem, London, Routledge &
Kegan Paul.
Bohm, D.; 1987, Unfolding Meaning , London , Ark Paper-Backs.Routledge
& Kegan Paul Ltd., London.
Bolen, J.S.; 1979, The Tao of Psychology, synchronicity and the self, San
Francisco, Harper & Row .
Capra, Fritjof, 1975, The Tao of Physics, Berkeley, Shambala.
Capra, Fritjof, 1987, O Ponto de Mutação, Cultrix, São Paulo.
Capra, Fritjof, 1988, Sabedoria Incomum, Cultrix, São Paulo.
Carkhuff, R.R., 1969, Helping and Human Relations. Holt, Rinehart and
Winston.
Carkhuff, R. R. & Anthony, W. A , 1976, The Art of Health Care. HRD Press,
Amherst.
Carkhuff, R. R., Pierce, R. M., Cannon, J. R., 1980, The Art of Helping IV.
HRD Press, Amherst.
Crema, Roberto; 1995, Saúde e Plenitude, São Paulo, Summus Editorial.
Crema, Roberto, 1989, Introdução à Visão Holística. Summus Editorial, S.P.
Di Biase, Francisco, 1981, Auto-organização nos sistemas biológicos.

Ciência e Cultura, 33(9): 1155-1159, Sociedade Brasileira para o Progresso


da Ciência. São Paulo.
Di Biase, Francisco, 1992, Os Limites da Vida. Humanidades, Vol. 8, n.1(27),
Editora da Universidade de Brasília.
Di Biase, Francisco, 1995, O Homem Holístico, Ed. Vozes, Petrópolis.
Di Biase, Francisco e Rocha, Mário Sérgio F., 1997, Caminhos da Cura,
Ed. Vozes, Petrópolis.
Dumouchel, P., Dupuy, J.P.(org.), L’Auto-Organisation. De la physique au
politique. Seuil, Paris.
Greyson, Bruce e Flynn, C.P.;1984, The Near Death Experience, Chicago
Charles C. Tomas.
Grof, Stanislav,1985, Beyond The Brain, Albany, N.Y., New York State
University Press.
Grof, Stanislav, 1997, A Aventura da Autodescoberta, Summus Editorial, São
Paulo.
Grof, Stanislav, 2000, Psicologia do Futuro, Heresis Transpessoal, Niterói.
Grof, Stanislav, 1998, The Cosmic Game, State University of New York
Press. New York.
Heisenberg, W. , 1971, Physique et Philosophie, Science d’aujourd’ hui, Albin
Michel.
Hiley, B.J., and Peat,F.D.; 1987, Quantum Implications , London, Routledge
and Kegan Paul.
Jacob, J.; 1973, The Psychology of C.G.Jung, New Haven, Yale University
Press.
Jahn, Robert G.; Dunne, Brenda J., 1987, Margins of Reality: the role of
consciousness in the physical world, Harvest Books, Orlando, Florida.
Johnson, G., 1997, Fogo na Mente, Campus Ltda., Rio de Janeiro.
Johnson, W., 1990, Do Xamanismo à Ciência. Uma história da meditação.
Editora Cultrix, São Paulo.
Josephson, Brian,1980, L’experience de la conscience et sa place en physique,
in Science et Conscience,les deux lectures de l’univers,Stock et France-
Culture.
Jung, Carl.C.; On Synchronicity: an acausal connective principle, Collected
Works, Vol 8, New Jersey, Princeton University Press. 1952.
Kauffman, Stuart.; 1995. At Home in the Universe. Oxford University Press,
New York.
Kluber-Ross, E.; 1983, On Children and Death, New York, Macmillan.
Laszlo, E., 1993, The Creative Cosmos, Floris Books, Edinburgh
Laszlo, E. (Ed.); Grof, S.; Russell, P.; 1999, The Consciousness Revolution,
Element Books Inc., Boston, M.A .
Maturana, H. 1981, Autopoiesis, In Autopoiesis: a Theory of Living
Organization, M. Zeleny, org. Elsevier. Amsterdan.
Maslow, A ., 1962, Toward a Psychology of Being. Princeton, Van Nostrand.
Mind and Brain, 1992, Scientific American, Special Issue,September 1992.
Moody Jr.,R.A., 1976; Life After Life, New York, Bantam Books.
Moody Jr.,R.A.; 1978, Reflections on Life After Life, New York, Bantam
Books.
Moody Jr.,R.A.; 1988, The Light Beyond , New York, Bantam Books.
Peat, David F.; 1988. Synchronicity: the bridge between matter and mind,
Bantan Books, New York.
Pribam, K. (1977) Languages of the Brain , Monterey, Calif., Wadsworth
Publishing.
Pribram, K.(1980) ‘Esprit cerveau et conscience’,in Science et Conscience, les
deux lectures de l’univers. Éditions Stock et France-Culture, Paris.
Pribram,K.(1991) Brain and Perception: Holonomy and Structure in Figural
Processing. Erlbaum, Hilsdale, NJ.
Pribram, Karl H.; 1993. Rethinking Neural Networks: quantum fields and
biological data, Laurence Erlbaum Associates, Hillsdale, New Jersey.
Prigogine, I. e Stengers, I., 1979, La nouvelle alliance, Editions Gallimard,
France.
Progroff, I.; 1973, Jung’s Synchronicity and Human Destiny, New York, The
Julian Press.
Radin, Dean, 1997, The Conscious Universe: the scientific truth of psychic
phenomena, Harper Collins Publishers, San Francisco.
Ring, K.; 1980, Life at Death, New York, Quill .
Rocha, Mário Sérgio F. ; 1996, Auto-ajuda Eficaz, Rio de Janeiro, Editora
Vozes.
Rogers, Carl R., et alli, 1967, The Therapeutic Relationship and its Impact: a
Study of Psychotherapy with Schizophrenics. The University of Wisconsin
Press, Madison.
Rothberg, D.; Kelly, Sean ( ed. ), 1998, Ken Wilber in Dialogue,
conversations with leading transpersonal thinkers, Quest Books, Wheaton,
Illinois.
Sabom, M.B.; Recollections of Death, New York, Harper and Row.
Schemeidler, G.; 1969, Extrasensory Perception, New York, Atherton .
Scientific Research on the Transcendental Meditation Program, Vol. 1,
1976.MERU Press.
Scientific Research on Maharishi’s Transcendental Meditation and TM-Sidhi
Program, vol . 2, 1990.MERU Press.
Sheldrake, Rupert; McKenna, Terence; Abraham, Ralph; 2001, Chaos
Creativity and Cosmic Consciousness, Park Street Press, Rochester,
Vermont.
Siegel, B.S.; 1986, Love, Medicine and Miracles, New York, Harper & Row.
Stonier, Tom, 1997, Information and Meaning, Springer-Verlag, Berlim.
Tart, Charles T., 1997, Body Mind Spirit, Hampton Roads Publishing
Company, Charlottesville, VA
Talbot, M.; 1991, The Holographic Universe, New York, HarperCollins
Publisher inc .
Targ, R., Katra, J., 1998, Miracles of Mind: exploring non-local
consciousness and spiritual healing, New World Library, Novato, CA.
Varela, Francisco J.; Thompson, Evan; Roche, Eleanor. 1996. The Embodied
Mind, MIT Press, Cambridge, Massachusetts.
Von Foerster, Heinz, 1960, On self-organizing systems and their
environments, in Self-organizing systems. Pergamon, New York.
Von Foerster, Heinz, 1977, “Les Objects: Gages de Comportements
propres.”, In Epistemologie génétique et equilibration. Inhelder, A.et alli,
redacteurs. Delachaux et Niestlé, Neuchatêl, Paris.
Wallace, R.K. and Benson, H.; 1972 The Physiology of Meditation, Scientific
American, February .
Watts, Alan W.; 1972, Psicoterapia Oriental e Ocidental. Record, Rio de
Janeiro.
Weber, R. , 1989. Diálogos com Cientistas e Sábios . A Busca da Unidade,
São Paulo,Circulo do Livro.
Weil, P., 1982, A Consciência Cósmica, Vozes, Petrópolis, 3a. edição.
Weil, P., Sutich, A., Tart, C.A., Coleman, D., Le Shan, L., 1991, Mística e
Ciência. Pequeno tratado de Psicologia Transpessoal vol. 2, Vozes ,
Petrópolis.
Weil, P., D’Ambrósio, U., Crema, R., 1993, Rumo à Nova
Transdisciplinaridade. Sistemas abertos de conhecimento, Summus
Editorial, São Paulo.
Wilber,K., 1977. The Spectrum of Consciousness, Wheaton, The
Theosophical Publishing House .
Wilber, K. (Ed.),1984 Quantum Questions. Mystical Writings of the World’s
Great Physicists. Shambala. Boston & London.
Wilber, K., 1984, Le Paradigme Holographique, Le Jour Editeur, France.
Wilber, K, 1996. Eye to Eye, the quest for the new paradigm, Shambhala
Publications, Inc., Boston MA.
Wilber, Ken; 1997. The Eye of Spirit, an integral vision for a world gone
slightly mad, Shambhala Publications, Boston MA.
Contato com os autores
Francisco Di Biase

E-mail: biase@attglobal.net

Clínica Di Biase
Tel: (0**24) 2442.3802
(0**24) 2443.1039
Fax (0**24) 2443.1420

Santa Casa
Tel: (0**24) 2443.2190

Mário Sérgio Figueiredo da Rocha

Cel: (0**21) 9128.8567


Tel: (0**24) 2442.3802
(0**24) 2442.2979

E-mail: mssoulman@hotmail.com

Cursos e palestras ministrados pelos autores:

Em conjunto:

Ciência e Consciência na Era da Informação


Extensão Universitária e/ou Aperfeiçoamento de 180 horas - Centro
Universitário da FERP - Volta Redonda-RJ Tel: ( 0**24) 3347.4100
Psicologia Transpessoal e Ciências Holísticas
Pós graduação Lato Sensu com 375 horas - Centro Universitário da
FERP Volta Redonda-RJ Tel: ( 0**24) 3347.4100

Transconexão (TCN) – uma jornada rumo à Auto-Realização


do Ser

Transconexão é uma técnica baseada na Terapia Auto-


Organizadora(TAO), que se fundamenta na Sabedoria Antiga e na
Ciência Moderna.
A TCN, permite que a partir de estratégias espirituais de sucesso, você
desencadeie em sua vida um aumento de sincronicidades positivas,
fluindo naturalmente e sem esforço rumo à realização pessoal, ao
bem-estar e à felicidade.

Francisco Di Biase

CAMINHOS DA CURA
TERAPIA AUTO-ORGANIZADORA ( TAO )
O HOMEM HOLÍSTICO E A ERA DA INFORMAÇÃO
O CAMPO UNIFICADO DA CONSCIÊNCIA
INTELIGÊNCIA E APRENDIZAGEM
LATERALIDADE CEREBRAL E APRENDIZAGEM
O COMPORTAMENTO, MOTOR DA EVOLUÇÃO
CIÊNCIA CONSCIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE - UMA VISÃO
UNIFICADORA
O CÉREBRO HOLÍSTICO
SUCESSO E LIDERANÇA NA VIDA E NA EMPRESA
VENCENDO NA CRISE
A REVOLUÇÃO DO CONHECIMENTO
STRESS E RELAXAMENTO
STRESS E MEDITAÇÃO
INFORMATION, SELF-ORGANIZATION AND CONSCIOUSNESS
TOWARDS A HOLOINFORMATIONAL THEORY OF CONSCIOUSNESS
PSICOLOGIA TRANSPESSOAL E NEUROCIÊNCIAS
A CURA PELA MEDITAÇÃO

Mário Sérgio F. da Rocha

A PSICOLOGIA TRANSPESSOAL E O SAGRADO


ESPIRITUALIDADE E TRANSFORMAÇÃO INTERIOR
ORAÇÃO, MEDITAÇÃO E PSICOTERAPIA
PSICOLOGIA TRANSPESSOAL E O TRATAMENTO DA ANSIEDADE,
DEPRESSÃO E SÍNDROME DO PÂNICO
METÁFORAS TERAPEUTICAS E MUDANÇA ÍNTIMA
MESTRES, MÍSTICOS E TERAPEUTAS
AS DEUSAS QUE RESIDEM NO INTERIOR DE CADA MULHER

APÊNDICE 1

CIÊNCIA CONSCIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE

uma visão unificadora

Pela primeira vez na história humana temos condições científicas


para entender a natureza da consciência, e sua relação com as
práticas médicas e psicológicas de saúde, a educação e a
espiritualidade.
É a consciência um fenômeno emergente dos processos
cerebrais, ou é o cérebro que é um fenômeno emergente da
consciência?
Como a consciência surgiu no universo?
Desde o século XVII, a questão da consciência foi sendo
progressivamente relegada a um plano secundário. Graças às
modernas pesquisas desenvolvidas nos campos das Neurociências,
Física Quântica, Física da Informação, Física Holográfica, Psicologia
Transpessoal e Cognitiva, Inteligência Artificial e Filosofia da Mente , a
pesquisa da consciência tornou-se na atualidade o principal tema de
estudo e discussão da ciência.
A consciência não é um problema científico qualquer, mas uma
questão que nos interessa muito de perto como seres humanos, pois é
a nossa própria consciência que estamos procurando entender. A
compreensão de sua natureza está nos conduzindo a uma nova visão
de nós mesmos, e de nosso lugar no universo.
Este apêndice contem o trabalho que desenvolvemos sobre uma
nova teoria da consciência, potencialmente capaz de unificar as
abordagens psicoterapêuticas transpessoais, parapsicológicas e
espirituais, denominado Information, Self-organization and
Consciousness- Towards a Holoinformational Theory of
Consciousness (Informação Auto-Organização e Consciência -
rumo a uma Teoria Holoinformacional da Consciência ). Este
trabalho foi publicado na Inglaterra, na revista científica européia
World Futures, The Journal of General Evolution, 1999, vol.53 pp
309-327, e na revista americana The Noetic Journal, 1999,vol 2, nº
3, do Institute of Noetic Studies, USA.
Este trabalho faz parte tambem do livro Science and the
Primacy of Consciousness- Intimation of a 21 st Century
Revolution ( A Ciência e o Primado da Consciência- Convite para
uma Revolução do Século 21) , que tem como co-autores Stanislav
Grof, psiquiatra, e um dos criadores da Psicologia Transpessoal, Karl
Pribram, neurocientista, criador da teoria holonômica do
funcionamento cerebral, Rupert Sheldrake, biólogo, criador da teoria
dos campos morfogenéticos, Ben Libet, neurocientista, e os físicos
quânticos Henry Stapp, Fred A. Wolf, Amit Goswami, e Richard L.
Amoroso, entre outros, publicado em 2000, pela Noetic Press, nos
USA.

INFORMAÇÃO AUTO-ORGANIZAÇÃO E CONSCIÊNCIA


Rumo a uma Teoria Holoinformacional da Consciência
_________________________________________________

Francisco Di Biase e Mário Sérgio F. Rocha


Departamento de Neurocirurgia e Neurologia (FDB), Departamento de
Eletroencefalografia e Mapeamento Cerebral Comput.(FDB), Departamento
de Psicologia (MSFR), e Setor de Neurociências (FDB, MSFR), CLÍNICA DI
BIASE*- RJ, e UNIPAZ- Universidade Holística Internacional, Brasília (FDB), e
Departamento de Pós-Graduação, Centro Universitário da FERP- RJ (FDB).
______________________________________________________
__

Palavras Chaves: Consciência, informação, auto-organização,


complexidade, não-localidade, holomovimento.

Resumo

Os autores propõem uma visão holoinformacional da


consciência que incorpora os conceitos clássicos de informação,
neguentropia, ordem e organização (Shannon, Wiener, Szilard,
Brillouin), às teorias de auto-organização e complexidade
(Prigogine, Atlan, Jantsch, Kauffman). Essa visão, leva em
consideração ainda os recentes desenvolvimentos da Física da
Informação (Zureck, Stonier), com os seus novos conceitos de
entropia estatística e entropia algorrítmica, esta ultima
relacionada ao numero de bits em processamento na mente do
observador. Este arcabouço conceitual fornece uma base
quântico-informacional que é integrada à lógica da não-
localidade, à teoria do holomovimento de David Bohm, e à teoria
holonômica do funcionamento cerebral desenvolvida por Karl
Pribram. Conseguem assim elaborar uma síntese, em que a
consciência é concebida como um fluxo não-local de atividade
quântico-informacional significativa, ativamente interagindo com
cada parte do universo por meio do holomovimento. Um contínuo
processo de expansão e recolhimento do cosmos, conectando de
modo holístico e indivisível a mente humana à todos os níveis do
universo auto-organizador.
*Rua Paulo de Frontin 280, Barra do Piraí, Rio de Janeiro, Brasil,
27123-120. Tel: (024) 2442.3802 / 2443.1039

E- mail: biase@attglobal.net
mssoulman@hotmail.com

O Tao se obscurece, quando fixamos o olhar


apenas em pequenos seguimentos da existência.

Chuang-Tzu

Introdução

Os modelos que procuram explicar a natureza da consciência, sejam


oriundos das neurociências, medicina, psicologia, física, filosofia,
ciências da computação, ou da religião, compartilham, geralmente, o
paradigma cartesiano-newtoniano, insistindo em uma abordagem
exclusivamente reducionista, e/ou no dualismo mente-matéria. Esta
dicotomia entre reducionismo/dualismo, vem impedindo desde o
século XVII a apreensão da verdadeira essência do que seja a
consciência.
Hameroff (1994) acredita que esta contenda pode
potencialmente ser resolvida “por visões que coloquem que a
consciência tem uma qualidade distinta, mas que emerge dos
processos cerebrais e que pode ser apreendida pela ciência natural”.
Como solução propõe um modêlo de consciência baseado na
emergência de coerência quântica nos microtúbulos neurais, que
desenvolveu com Penrose ( 1996 ). Modêlos como este, utilizam uma
interpretação tradicional da mecânica quântica, que como o demonstra
Clarke (1995), “partem de uma posição basicamente quantum-
mecânica mas impoem modificações ao formalismo quântico de modo
a assegurar que o resultado seja basicamente newtoniano... colocam
uma forte ênfase na função de onda como o objeto fundamental da
teoria quântica, invocando um ‘colapso’ da função de onda, para
passar a um quadro newtoniano. Como resultado, ficam firmemente
ligados a um quadro espacial”. Ao transformar a lógica quântica em
uma lógica newtoniana, deixam de lado a função de não-localidade,
essência da lógica quântica e propriedade fundamental do universo, e
como veremos, da consciência. Wilber (1997) considera que uma
teoria integral da consciência deve incorporar todas as características
essenciais das doze principais escolas que estudam a consciência,
não como um ecletismo, “mas preferivelmente como uma abordagem
fortemente integrada que decorre intrinsecamente da natureza
holônica do Cosmos”. Esta natureza holônica do cosmos se
fundamenta na holoarquia auto-organizadora descrita por Jantsch
(1980) que correlaciona as interações coevolucionárias entre a
microevolução dos hólons (Koestler,1967), à macroevolução das suas
formas coletivo/sociais. A teoria de Wilber, deixa entretanto em aberto,
o que consideramos o ponto chave na compreensão da consciência,,
ou seja, o modo pelo qual a informação, a ordem , a neguentropia, é
transmitida entre os infinitos níveis de organização da holoarquia
cósmica e do cérebro, dando-lhes significação.Este solo comum,
capaz de integrar a consciência e o cosmos em um todo ordenado e
indivísivel, só pode ser preenchido por uma teoria que leve em
consideração a estrutura quântico-informacional não-local das
interações cérebro-universo, e que seja tambem compatível com a
teoria da relatividade.
Wheeler (1990) e Chalmers (1995), perceberam a importância
da informação nesse contexto. Chalmers, ao afirmar que a informação
deve ser considerada uma propriedade tão essencial da realidade
quanto a matéria e a energia, e que “a experiência consciente seja
considerada uma característica fundamental , irredutível a qualquer
coisa mais básica”. Wheeler, com seu célebre conceito “the it from
bit” que permite unir a teoria da informação, à consciência e à física:
“...cada coisa - cada particula, cada campo de força, mesmo o espaço-
tempo continuum - deriva sua função, seu significado, sua verdadeira
existência inteiramente, mesmo que em alguns contextos
indiretamente, do aparato-desencadeador-de-respostas às questões
sim-ou-não, escolhas binárias, bits.”
Uma conceituação mais abrangente dos conceitos de ordem,
organização, informação e neguentropia (Wiener, 1948; Shannon,
1949; Szilard, apud Brillouin, 1959) é essencial para o
desenvolvimento de um modelo holoinformacional capaz de integrar a
consciência à natureza. Leon Brillouin em seu célebre teorema,
demonstrou a equivalência entre informação e neguentropia, e
Norbert Wiener (1948) colocou esta identidade na base conceitual da
Cibernética afirmando que “informação representa entropia negativa”,
e profeticamente enfatizando que “informação é informação, não é
matéria nem energia”. Bateson (1972) define informação como “a
diferença que faz a diferença”, conceituação que Chalmers (1996)
retoma afirmando ser este “o caminho natural para fazer a conecção
entre sistemas físicos e estados informacionais”. A
equivalência/identidade entre ordem/neguentropia/informação, é a
senda que nos permite fundamentar e compreender todo o fluxo
irredutível e natural de transmissão de ordem no universo, se auto-
organizando de forma significatica e inteligente através da
informação. Na teoria termodinâmica clássica, a definição de ordem é
probabilística ,e dependente do conceito de entropia, a qual mede o
grau de desordem de um sistema, deixando ausente, ou reduzindo
muito, a imensa riqueza das significações naturais.

Auto-organização e informação

Para Atlan(1972,1979,1983), assim como para nós, “a entropia


não deve ser compreendida como uma medida da desordem, mas
muito mais como uma medida da complexidade” (pg 37,1979).
Para isso, é necessário considerarmos que a noção de informação
implica em uma certa ambiguidade, podendo significar a capacidade
em bits (‘bit capacity’) de um sistema físico (e.g.Shannon), ou o
conteúdo semântico ( significação ) conduzido pelos bits durante uma
comunicação. Na teoria da informação, a organização, a ordem,
expressa pela quantidade de informação do sistema (a função H de
Shannon) é a medida da informação que nos falta, a incerteza
sobre o sistema (cf. Brillouin). Relacionando esta ambiguidade, esta
incerteza, à variedade e à não-homogeneidade do sistema, Atlan
conseguiu resolver certos paradoxos lógicos da auto-organização e da
complexidade, ampliando a teoria de Shannon. Definindo organização
de um modo quantitativamente formal, Atlan demonstrou que a ordem
do sistema corresponde a um compromisso entre o conteudo
informacional máximo (ie, a variedade máxima) e a redundância
máxima., e que a ambiguidade pode ser descrita como uma função do
ruído , ou mesmo do tempo, se considerarmos os efeitos do tempo
como relacionados aos fatores aleatórios acumulados pela ação do
ambiente. Esta ambiguidade, característica dos sistemas auto-
organizadores, pode se manifestar de forma negativa (‘ambiguidade-
destrutiva’) com o significado clássico de efeito desorganizador, ou de
forma positiva, (‘ambiguidade produtora de autonomia’) que atua
aumentando a autonomia relativa de uma parte do sistema em relação
às outras, ou seja, diminuindo a redundância geral do sistema, e
aumentando o seu conteúdo informacional.
Atlan desenvolveu essa teoria auto-organizadora da
complexidade para sistemas biológicos. Jantsch estudando a evolução
do universo, demonstrou que a evolução cósmica é tambem um
processo auto-organizador, com a microevolução dos sistemas
individuais (hólons) coevoluindo para estruturas macrosistêmicas
coletivas mais organizadas, com acentuada redução na quantidade
destes sistemas coletivos. Todo este processo auto-organizador
representa, com efeito, uma expressão universal de uma maior
aquisição de variedade ou conteudo informacional, que como o
demonstrou Atlan, é consequente à uma redução da redundância
na totalidade do sistema.
A Informação pode ser definida então como a propriedade
intrínseca e irredutível do universo capaz de gerar ordem, auto-
organização e complexidade.
Ilya Prigogine, ganhador do Premio Nobel, desenvolveu uma
extensão da termodinâmica que demonstra como a segunda lei
tambem permite a emergência de novas estruturas, de ordem a partir
do caos. Este tipo de auto-organização gera estruturas dissipativas
que são criadas e mantidas através de intercâmbios de energia com o
ambiente, em condições de não-equilibrio. Estas estruturas
dissipativas são dependentes de uma nova ordem, denominada por
Prigogine ordem por flutuações, que corresponde a uma ‘flutuação
gigante’ estabilizada pelas trocas com o meio. Nestes processos
auto-organizadores a estrutura é mantida por meio de uma dissipação
de energia, na qual a energia se desloca gerando simultaneamente a
estrutura, através de um processo contínuo. Quanto mais complexa a
estrutura dissipativa, mais informação é necessária para manter suas
interconexões, tornando-a consequentemente mais vulnerável às
flutuações internas, o que significa um maior potencial de instabilidade
e de possibilidades de reorganização. Se as flutuações são pequenas,
o sistema as acomoda, não modificando a sua estrutura
organizacional. Se as flutuações atingem, no entanto, um tamanho
crítico, desencadeiam um desequilibrio no sistema, ocasionando
novas interações e reorganizações intra-sistêmicas. “Os antigos
padrões interagem entre eles de novas maneiras, e estabelecem
novas conexões. As partes se reorganizam em um novo todo. O
sistema alcança uma ordem mais elevada.” ( Prigogine, 1979).

Consciência auto-organização e informação

Seager (1995) afirma que consciência, auto-organização e


informação, se conectam ao nível da significação semântica, não ao
nível da “ bit capacidade”, e que “como a teoria clássica da
informação se situa ao nível da ‘bit capacidade’, ela seria inapta para
promover a conexão propria com a consciência ... e temos que
começar a nos mover em direção a uma visão mais radical da
natureza fundamental da consciência, com um movimento em direção
a uma visão mais radical da informação”. Seager nos lembra ainda
que no clássico experimento quântico das duas fendas, e no
experimento denominado ‘quantum eraser’, o que está em jôgo não é
a ‘bit capacity’, mas a correlação semanticamente significativa de
sistemas físicos ‘distintos’, informacionalmente carregados
(‘information laden’) de modo não-causal.
Chalmers (1995) sustenta que cada estado informacional possui
dois aspectos diferentes, um sob a forma de experiência consciente,
e o outro como processo físico no cérebro, ou seja, um
interno/intencional e outro externo/físico. Esta visão tem sustentação
nos atuais desenvolvimentos da chamada ‘Física da Informação’,
desenvolvida pelo físico Wojciech Zureck (1990) e outros, que propõe
que a entropia física seria uma combinação de duas grandezas que se
compensam reciprocamente: a ignorância do observador, medida pela
entropia estatística de Shannon, e o grau de desordem do sistema
observado, medido pela entropia algorítmica que é o menor numero
de bits necessário para registrá-lo na memória. Durante o processo de
medição, a ignorância do observador diminui como consequencia do
aumento do numero de bits em sua memória, permanecendo, no
entanto, constante a soma dessas duas grandezas, ou seja, a entropia
física.
Nessa visão informacional do universo, o observador permanece
incluído como parte do sistema, e o universo quântico se modifica não
porque foi influenciado diretamente pela mente, mas porque a mente
do observador desencadeou uma transferência de informação a nível
subatômico. Disto tudo resulta uma lei de conservação da
informação, tão ou mais fundamental do que a lei da conservação da
energia. Stonier (1990) tambem identifica a informação com a
estrutura e organização do universo, sustentando que a informação é
o princípio organizacional cósmico fundamental com ‘status’ igual
ao da matéria e da energia.
Propomos nessa visão holoinformacional do universo, que o que
auto-organiza significativamente a evolução cósmica, é a relação entre
a entropia física e o conteudo quântico-informacional do universo, por
meio de um processo em que a complexidade utilizando o conteudo
informacional pré-existente, alcança níveis de organização e
variedade cada vez mais elevados. A complexidade no universo
cresce progressivamente a partir das forças gravitacionais e nucleares,
intensificando-se com a emergência dos sistemas auto-organizadores
da biosfera, e alcançando um estado antientrópico de complexidade,
variedade e conteudo informacional praticamente infinitos com a
emergência da noosfera . Como veremos logo adiante, existe uma
teoria física que tem implícito em seu arcabouço conceitual, alem das
interações mecanicísticas locais, um desdobramento informacional
quântico não-local, gerador do universo, que auto-organiza de forma
significativa a matéria, a vida, e a consciência .
A concepção da consciência como algo essencial, primário e
irredutível também é encontrada nas cartografias da consciência
obtidas a partir dos milhares de relatos psicoterapêuticos e
experiênciais consistentes e convergentes, confirmados por vários
pesquisadores da área de medicina e psicologia (Jung,1959;
Grof,1985; Moody Jr,1976; Ring,1980; Sabom,1982; Kubler-
Ross,1983;Weiss, 1996) que estudam sujeitos submetidos a estados
alterados de consciência, por métodos variados, como hipnose,
relaxamento, respiração holotrópica, experiências próximas da morte,
etc. Estas cartografias revelam surpreendentemente, ”uma ontologia e
uma cosmologia na qual a consciência não pode decorrer de, ou ser
explicada em termos de, qualquer outra coisa. Ela é um fato primordial
da existência e dela emerge tudo o que existe”.( Grof, in Capra, 1988).
A replicação destas inúmeras observações clínicas por pesquisadores
de notória reputação científica é um dado extremamente importante,
muitas vezes desprezado. Estes dados comprovam consistentemente
a irredutibilidade da consciência , sendo um dos poucos caminhos
não-filosóficos, não-religiosos e não-físicos que nos permitem
investigar e compreender diretamente, “in totum”, o fenômeno da
consciência, por meio de parâmetros científicos controlados.
Atualmente, estão disponíveis uma série de psicotecnologias, que
costumam ser ignoradas e/ou marginalizadas pela comunidade
acadêmica, as quais nos permitem utilizar a mente humana como um
sistema confiável de investigação e esclarecimento sobre a natureza
da consciência, e que são passíveis de replicação e comprovação.

Natureza informação e consciência

Uma teoria holoinformacional e auto-organizadora, capaz de


integrar a consciência à tessitura quântica não-local do universo, pode
solucionar a questão da natureza da consciência. Compreendemos
como Weil (1993) que “a natureza da inteligência é a inteligência da
natureza” e, como Atkins (1994) que “consciência é informação
emergente no momento de sua geração, transformação auto-
organizadora se processando, em um modelo self/mundo”
(Atkin,1994).
Afortunadamente, existe uma teoria física do universo que
integra a consciência como uma dimensão irredutível da natureza em
seu arcabouço conceitual. No entanto, esta teoria tem sido,
inexplicavelmente, considerada de forma insuficiente pelos meios
científicos, passando desapercebidas as suas revolucionárias
implicações acerca da interação consciência-universo. Trata-se da
teoria do holomovimento desenvolvida pelo físico David Bohm que
demonstra matematicamente a existência de uma ordem oculta,
implícita, no universo, que seria a realidade primária. Matéria, vida e
consciência (a ordem explícita) se originariam deste solo comum (a
ordem implícita), por meio de um contínuo movimento de
desdobramento (extrojeção) e recolhimento (introjeção) do cosmos,
denominado holomovimento.
Bohm (1987) afirma que “na ordem implícita tudo está
introjetado (“folded”) em tudo. Mas é importante se notar aqui que
todo o universo está em princípio introjetado (“enfolded”) em cada
parte ativamente, por meio do holomovimento, assim como tambem
as partes. Isso significa que a atividade dinâmica - interna e externa -
que é fundamental para o que cada parte é, baseia-se na sua
introjeção em todo o resto, incluindo todo o universo. Mas é claro,
cada parte pode se desdobrar (“unfold”) em outras em diferentes
graus e modos. Ou seja, elas não estão todas introjetadas igualmente
em cada parte. No entanto, o princípio básico de introjeção
(“enfoldment”) no todo, não é desse modo negado.
Consequentemente o processo de introjeção não é meramente
superficial ou passivo mas, eu enfatizo novamente, que cada parte
está num sentido fundamental, internamente relacionada em
suas atividades básicas ao todo, e a todas as outras partes. A
idéia mecanicística de relação externa como fundamental, é
consequentemente negada. Claro, tais relações são ainda
consideradas como sendo reais mas de significância secundária.
Ou seja, podemos obter aproximações para um comportamento
mecanicístico a partir disto. Isto é a mesma coisa que dizer que a
ordem do mundo, como uma estrutura de coisas basicamente
externas a cada uma das outras, revela-se como secundária e emerge
da ordem implícita mais profunda”.
Deste modo, podemos dizer que vivemos em um universo
quântico em que a realidade é essencialmente não-local, e o mundo
clássico newtoniano com suas interações externas locais, emerge
como um caso especial desta ordem quântica mais profunda.
De acordo com Bohm (1987), a analogia com o holograma em
que cada parte do sistema é uma imagem do objeto total, mesmo
sendo uma imagem estática que não transmite a natureza sempre
dinâmica dos infinitos encobrimentos e descobrimentos que a todo
instante criam nosso universo, é uma metáfora funcional, pois “as leis
matemáticas quânticas básicas que se aplicam à propagação das
ondas/partículas e consequentemente à toda matéria, são capazes de
descrever um tipo de movimento no qual existe um contínuo
desdobramento do todo em cada região, juntamente com o
dobramento de cada região no todo novamente.Apesar de que isto
pode assumir muitas formas particulares -algumas conhecidas,outras
ainda desconhecidas- este movimento é universal até onde sabemos”.
Bohm denomina este movimento universal de expansão e
recolhimento “holomovimento”. Bohm afirma ainda que estas leis
são compatíveis com a teoria da relatividade, o que leva a ordem
implícita a ter suporte das duas mais fundamentais teorias da física
moderna, a teoria da relatividade e a teoria quântica. Em um
desenvolvimento posterior, Bohm postulou a existência de uma ordem
superimplícita, uma dimensão ainda mais sutil da organização do
universo. Nesse modêlo, um campo de superinformação quântica da
totalidade do universo organizaria o primeiro nível implícito, em
multiplas estruturas ondulatórias que se desdobrariam na ordem
explícita. Segundo Bohm (Weber in Wilber,1992), existe um modêlo
físico desenvolvido por De Broglie que propõe um novo tipo de
campo, cuja atividade é dependente do conteúdo de informação
que é conduzido a todo o campo experimental, o qual se
estendido à mecânica quântica resulta na ordem superimplícita!

Consciência e não-localidade

Adicionando em suas equações um Potencial Quântico que satisfaz


à equação de Schrödinger, mas que é dependente da forma , e não da
amplitude da função de onda, Bohm(1993) desenvolveu um modêlo
em que o potencial quântico, conduz “informação ativa” que “guia”
a partícula em seu caminho. O potencial quântico possui
características inéditas, até então desconhecidas, pois diferentemente
das outras forças da natureza, é sutil em sua forma, e não decai com a
distância. Esta interpretação permite que a comunicação entre esta
‘onda-piloto’ e a partícula, se processe a uma velocidade maior do que
a da luz, desvelando o paradoxo quântico da não-localidade, ie, da
causalidade instantânea, fundamental em nossa visão
holoinformacional do universo e da consciência. Este paradoxo,
proposto inicialmente por Einstein, que não acreditava na possibilidade
de uma partícula viajar mais rapidamente do que a luz, é atualmente
conhecido como Efeito Einstein-Podolsky-Rosen, e afirma que após
um átomo emitir duas partículas de spins opostos, se o spin de uma
delas for alterado, mesmo que elas estejam separadas por uma
grande distância, (por exemplo, uma na Terra e outra em Marte), o
spin da outra se modifica instantaneamente, revelando uma interação
informacional não-local entre elas, e a existência de uma unidade
cósmica subjacente indivisível.
A informação passa então a ser compreendida, como um
processo fundamental da natureza, capaz de atuar modificando
a estrutura do universo, pois qualquer partícula elementar se
encontra unida, por meio de um potencial quântico, a todo o
cosmos.
Em 1982, Alain Aspect e col., comprovaram experimentalmente
a existência dessas ações não-locais, e mais recentemente, em julho
de 1997 (cf. Science, vol.277, pg 481) Nicolas Gisin e col. provaram
esta ação quântica não-local instantânea em grande escala. Para
Bohm, diferentemente de Bohr, as partículas elementares não têm
uma natureza dual onda/partícula, mas são partículas todo o tempo,
e não somente quando são observadas. Na verdade, a partícula se
origina de flutuações do campo quântico global, sendo seu
comportamento determinado pelo potencial quântico, “que conduz
informação sobre o meio ambiente, informando e orientando o
seu movimento. Como a informação no potencial é muito
detalhada, a trajetória resultante é tão extremamente complexa
que parece caótica ou indeterminística”( D. Peat, 1987 ). Qualquer
tentativa de mensurar as propriedades da partícula, altera o potencial
quântico, destruindo sua informação. Com efeito, segundo Bohm,
Bohr interpretou o principio da incerteza como significando , “não a
existência de uma incerteza, mas a existência de uma ambiguidade
inerente”em um sistema quântico ( apud Horgan, 1996 ).
Como observou John Bell (1987) “a idéia de De Broglie-Bohm
parece tão natural e simples, para resolver o dilema onda-partícula, de
um modo tão claro e natural, que é um grande mistério... que ela
tenha sido tão amplamente ignorada”.
Na teoria holográfica, como nenhum campo organizava a ordem
implícita, ela era consequentemente linear e de difícil desdobramento.
A ordem implícita é uma função ondulatória, e a ordem superimplícita
ou campo informacional superior, uma função da função ondulatória,
ie, uma função superondulatória, que torna a ordem implícita não-
linear, organizando-a em estruturas complexas e relativamente
estáveis. Alem disto,o modelo holográfico como modo de organização
da ordem implícita, dependia do campo potencial de informação
quântica que não possuia capacidade de auto-organização e
transmissão da informação , essencial para a compreensão da gênese
e desenvolvimento da matéria, vida e consciência. A ordem
superimplícita supre esta necessidade, permitindo entender a
consciência e a matéria como variedades de expressão de uma
mesma ordem holoinformacional. Resulta então que a consciência
desde os primórdios da criação já estaria presente nos diversos
níveis de desdobramento e recolhimento da natureza.

“Até uma pedra é de alguma maneira viva”, (Bohm).

Rumo a uma teoria holoinformacional da consciência

Vimos que o potencial quântico guia por meio de informação ativa a


partícula ao longo do seu curso. Esta informação ativa que organiza o
mundo da partícula revela que toda a natureza é holoinformacional, ou
seja, organizada de modo significativo, e este processo de
significação é crucial para entendermos a natureza holoinformacional
da consciência e da inteligência no universo. Matéria vida e
consciência são atividades significativas, isto é, processos quântico-
informacionais inteligentes, ordem transmitida através da evolução
cósmica, originária de um campo holoinformacional gerador situado
além de nossos limites de percepção. Consequentemente, este tipo de
universo estruturado como um campo quântico holoinformacional não-
local, pleno de potencial quântico com atividade de significação, é um
universo inteligente (informacional) funcionando como uma
mente, como Sir James Jeans já tinha notado. Assim, como a
consciência sempre esteve presente nos diversos níveis de
organização da natureza, matéria, vida e consciência não podem ser
consideradas como entidades separadas, capazes de serem
analizadas em um arcabouço conceitual cartesiano fragmentador.
Com efeito, devem ser melhor consideradas como uma unidade
indivisível, com todos os seus processos quântico-informacionais
interagindo por meio de relações não-locais (holísticas), internas, e
simultaneamente por meio de relações externas locais
(mecanicísticas), gerando capacidades de transformação,
aprendizagem, e evolução. Esta visão de um “continuum”
holoinformacional, de uma ordem geradora fundamental, com um fluxo
quântico-informacional criador, permeando todo o cosmos, permite
compreender a natureza básica do universo como uma totalidade
inteligente auto-organizadora indivisível, ie, uma consciência.
Uma forma de consciência universal se desdobrando de modo
“holográfico”em uma infinita holoarquia.
As flutuações quântico-informacionais geradas a partir desta
consciência universal através do holomovimento se auto-organizam
nos níveis informacionais básicos do universo:o código nuclear
(cosmosfera), o código genético (biosfera), o código neural
(noosfera) e o código holográfico (holosfera) . Estes códigos
holoinformacionais, ou seja, esta ordem que é transmitida de um
modo significativo e inteligente através de todos os níveis de
complexidade do universo, é a auto-organização neguentrópica da
informação.
Nesta visão holoinformacional da consciência, o fluxo
quântico-informacional não-local, em um contínuo
holomovimento de expansão e recolhimento, entre o cérebro e a
ordem superimplícita do universo, é a consciência universal, se
auto-organizando em mente humana. A característica essencial de
não-localidade quântica deste processo dinâmico de interação
holoinformacional, torna a questão sobre a qualidade fenomenal
( qualia ) da experiência consciente, levantada por Chalmers (1995),
multicontextual, multidimensional, relativa não só ao observador, mas
tambem ao processo de observação e ao que se observa, isto é, à
informação holográfica do todo em questão. O nível desta qualidade
informacional é capaz de aumentar ou diminuir, em uma transição de
fase, dependendo da quantidade de informação contida na parte do
holograma universal em foco, e do referencial de relações em questão,
que pode ser externo(mecanicístico) ou interno(campo
holoinformacional quântico).
O “hard problem” da consciência proposto por Chalmers, é somente
difícil e problemático em um contexto cartesiano-newtoniano,
mecanicístico e reducionista, no qual a consciência e o universo são
considerados entidades separadas. Em um contexto holoinformacional
de relações internas, indivisíveis e não-locais, ele deixa de existir,
pois os subníveis auto-organizacionais do universo que se estruturam
de modo mecanicístico-local, são compreendidos como
manifestações secundárias da natureza harmônica, holística, e não-
local do continuum universal holoinformacional. Matéria, vida e
consciência, são expressões deste campo holoinformacional, com
relações quânticas não-locais fundamentais se desdobrando em
miríades de possibilidades.
. Teoricamente, isto nos remete também à questão do
inconsciente, que deste modo poderia ser hipotéticamente
compreendido como a parte da consciência holográfica universal
desdobrada no cérebro/mente que se “desfoca”, se “obscurece”,
quando se auto-organiza como consciência humana, tal como em um
holograma, em que a parte contém o todo de forma menos nítida. A
consciência holoinformacional quando estruturada (incorporada) no
cérebro humano, reduz a qualidade (qualia) da percepção da
unidade/totalidade (holos) da natureza, fazendo com que estes
aspectos permaneçam habitualmente inconscientes, restringindo o
campo consciencial do ser, e limitando-o mental e simbolicamente. Isto
poderia explicar a metáfora da Queda do Homem encontrada com
várias nuances em muitas tradições espirituais.
Matéria, vida e consciência, nunca serão compreendidas por meio
de um emergencialismo fragmentador e reducionista que considere
somente as relações externas e mecanicistas. Isto é um erro de
percepção, já apontado pelas tradições orientais há milhares de anos,
com o nome de “maya”. Como seres simbólicos que somos, podemos
compreender melhor este processo através da metáfora da flor e do
fruto. Podemos dizer que o fruto é originário da flor. Entretanto, o fruto
já se encontra implícito na semente, não sendo possível afirmarmos
que ele se origina somente e essencialmente da flor. Isto seria um
reducionismo, uma fragmentação perceptiva da realidade. Com efeito,
nem mesmo a semente origina o fruto. O fruto se origina de uma
totalidade indivisível, claramente inteligente e holo-relacionada: sol ,
chuva, terra, ar,vento, raios cósmicos, estações do ano, clima,
microorganismos, insetos, pássaros, semente, seiva, tronco, folhas...
ad infinitum, em uma ordem holoinformacional irredutível.

Consciência e a mente humana

As redes cibernéticas de reações cíclicas hierárquicas por meio das


quais procuramos caracterizar a vida e a consciência, se
interrelacionam em uma dinâmica multinível de “hiperciclos” (Eigen
and Schuster,1979), se auto-organizando em ciclos “autocatalíticos”
(Prigogine1979; Kauffman,1995) no “limite do caos” (Lewin,1992)
.Ciclos autocatalíticos se auto-organizam em níveis superiores, por
meio de hiperciclos catalíticos,( e.g. um vírus) capazes de evoluirem
para estruturas mais complexas e mais eficientes, até a “emergência
de conjuntos, de conjuntos de... de conjuntos de neurônios” (Alwin
Scott,1995). Deste modo a rede gera “loops criativos” (Erich
Harth,1993) e “hiperestruturas” (Nils Baas,1995), capazes de se
integrarem em sistemas com padrões de conectividade distribuídos e
paralelos, como o “Global Workspace” (Newman and Baars,1993), e o
“Extended Reticular-Talamic Activation System”-ERTAS de James
Newman (1997).
Sistemas não-lineares dinâmicos como o cérebro humano, com
estes “correlatos neurais” da consciência, são gerados não somente
por estas complexificações das relações externas mecanicísticas da
matéria, mas, como já vimos, tambem primordialmente por um
desdobramento harmônico de um campo de consciência universal e
indivisível. Este campo holográfico inteligente auto-organizador, auto-
suficiente e auto-referente, continuamente cria (desdobra) e recria
(replica) a si mesmo, experimentando contínuamente novas
possibilidades de existência e não-existência, num eterno e sempre
novo ciclo de expansão e recolhimento. A cosmologia não big bang
auto-consistente de Prigogine-Geheniau et al. descreve as principais
características deste cenário de aprendizagem multi-cíclica, no qual a
evolução cósmica é o resultado de uma interação entre o vácuo
quântico e as partículas de matéria sintetizadas nele. Laszlo(1993)
acrescenta a este cenário “o postulado de acordo com o qual o vácuo
quântico é o quinto campo universal interagindo com a matéria”,
afirmando que “o campo atua como um meio holográfico, registrando e
conservando a transformação de onda escalar da configuração dos
espaços 3n-dimensionais assumidos pela matéria no espaço”(pg
204).
Este quinto campo universal não é inferido das interações
espaço-temporais como as forças gravitacionais, eletromagnéticas , e
as forças nucleares fraca e forte. Neste novo tipo de campo espaço e
tempo se tornam implicados , introjetados, como descrito
matematicamente por Bohm. O quinto campo é espectralmente
holograficamente organizado, e constituído pela energia presente nos
padrões de interferência das ondas. As transformações da ordem
espaço-temporal para esta dimensão espectral são descritas por
formulaçoes holográficas matemáticas. Este tipo de formulaçoes foi
primeiramente descrito por Leibniz que criou a concepção de
mônadas. Dennis Gabor em nosso século, descreveu os princípios
matemáticos da holografia, e definiu um quantum de informação que
denominou logon, um canal que é capaz de conduzir uma
unidade de comunicação com a menor quantidade de incerteza.
Pribam em sua teoria holonômica do funcionamento cerebral propõe
que todo o processamento informacional quântico-holográfico
interconectando o cérebro e o cosmos que ocorre a nível sub-atômico,
interage simultaneamente com um processo holográfico de
tratamento da informação, o holograma neural multiplex distribuido
por todo o córtex cerebral, dependente dos chamados neurônios de
circuitos locais que não apresentam fibras longas e não transmitem os
impulsos nervosos comuns. “São neurônios que funcionam no modo
ondulatório, e são sobretudo responsáveis pelas conexões horizontais
das camadas do tecido neural, conexões nas quais padrões de
interferência holograficóides podem ser construídos” ( Pribam,1980).
Ele descreve uma “equação de onda neural”(1991) resultante do
funcionamento das redes neurais do cérebro, similar à equação de
onda da teoria quântica.
Pribram(1991) demonstrou que a hiperestimulação do cérebro
anterior fronto-límbico leva os primatas, inclusive humanos, a operar
em um modo holístico semelhante ao holográfico. A excitação elétrica
destas áreas cerebrais relaxa a coerção Gaussiana como o coloca
Laszlo. “Enquanto durante os níveis ordinários de excitação do
sistema fronto-límbico, o processamento do sinal cria a usual
consciência narrativa, quando a excitação deste sistema excede um
certo limiar, a experiência consciente é dominada por processos
holográficos incoercíveis. O resultado é uma sensação atemporal,
aespacial, acausal, ‘oceânica’. Pribram descobriu que nestes estados
o sistema nervoso se torna , como ele diz, ‘sintonizado com os
aspectos holográficos -da ordem similar ao holograma- do
universo.’”(Laszlo, pg179,1993).
Temos no cérebro uma mais sutil e menos conhecida relaçao
mente/corpo do que os mapas neurofisiológicos representados pelo
célebre homúnculo de Penfield. O homúnculo revela somente as
relações espaciais entre a superfície do corpo e o córtex cerebral.
Com efeito, o campo receptor dos neuronios corticais reage
seletivamente a multiplos modos sensoriais fazendo as curvas de
harmonia dos campos receptores adjacentes se misturarem como em
um piano. Deste modo, o campo de harmonia do córtex origina uma
ressonância tal como um instrumento de corda. As formulações
matemáticas que descrevem a curva harmônica resultante são as
transformações de Fourier que Gabor aplicou na criação do
holograma, enriquecendo estas transformações com um modêlo que
pode ser reconstruído pela aplicação do processo inverso. Esta
organização holográfica é o que Bohm denomina ordem implícita, um
modêlo que inclui o espaço e o tempo em sua estrutura como uma
dimensão implicada. Funcionando neste modo holográfico nosso
cérebro pode “matematicamente construir a realidade objetiva”,
interpretando frequencias originárias de uma outra dimensão, de uma
ordem fundamental, um campo holoinformacional situado além do
espaço e do tempo.
Como o cérebro tem a capacidade de funcionar tanto no modo
holográfico não-local quanto no modo espaço temporal local ,
acreditamos que estamos lidando aqui com o conceito de
complementariedade de Bohr, no funcionamento quântico do sistema
nervoso central.
A teoria holonômica do funcionamento cerebral de Pribram, e a
teoria quântico-holográfica do universo de Bohm, acrescidas com a
contribuição de Laszlo sobre o quinto campo citada acima, mostram-
nos que somos parte de algo muito maior e vasto do que nossas
mentes individuais. Nossa mente é um subsistema de um
holograma universal, acessando e interpretando este universo
holográfico. Somos sistemas interativos ressonantes e harmônicos,
com esta totalidade auto-organizadora indivisível. Somos este campo
holoinformacional da consciência , e não observadores externos
à ela. A perspectiva de observadores externos nos fez perder o
sentido e o sentimento da unidade ou identidade suprema, gerando as
imensas dificuldades que temos para compreender que somos um
com o todo, e não uma parte dele.

“ Nós não viemos a este mundo: viemos dele, como as folhas de


uma árvore. Tal como o oceano produz ondas, o universo produz
pessoas. Cada indivíduo é uma expressão de todo o reino da
natureza, uma ação singular do universo total. Raramente este
fato é, se é que alguma vez chega a ser, sentido pela maioria dos
indivíduos.”

Alan Watts

Considerações finais

Alem de delinear os fundamentos de uma teoria holística não-local ,


auto-organizadora e holoinformacional da consciência, este
abordagem fornece tambem bases para se compreender a
informação como o princípio unificador capaz de conectar a
consciência ao universo e à totalidade do espaço e do tempo. Permite
ainda uma melhor compreensão de fenômenos e teorias relacionados
à consciência que até agora não conseguíamos explicar ou
compreender adequadamente, tais como sincronicidades, arquétipos,
inconsciente coletivo (Jung), complexos inconscientes (Freud),
experiências próximas da morte (Moody Jr), sonhos premonitórios,
psicocinesia e telepatia (Rhine), campos morfogenéticos e
ressonância mórfica (Sheldrake), memória extra-cerebral
( Stevenson ), lembranças de existências anteriores (Weiss), entre
outros.
Brian D. Josephson, Prêmio Nobel de física, acredita que a teoria da
ordem implícita de Bohm pode até levar à inclusão, algum dia, de
Deus na rede da ciência. Acreditamos que a perspectiva
holoinformacional da consciência que tem na teoria quântica de
Bohm um de seus fundamentos, implica na inclusão no arcabouço da
ciência, de uma Consciência Cósmica, uma Inteligência Universal que
origina, permeia, mantém e transforma o universo, a vida e a mente
através do processo holoinformacional.
Finalmente, podemos afirmar que no paradigma cartesiano-
newtoniano reducionista, a pergunta sobre a natureza da consciência
é irrespondível. Ela pode ser útil para desdobrar novos conhecimentos
e gerar novas perguntas e respostas. Entretanto, a fragmentação
inerente a esta perspectiva, obscurece cada vez mais nossa
compreensão do que seja a realidade e a consciência.

Bibliografia

Atkin,A. (1992) ‘On consciousness: what is the role of emergence?’,


Medical Hypotheses, 38 pp.311-14.
Atlan.H.(1972) L’Organization Biologique et la Théorie de L’Information,
Hermann,Paris.
Atlan, H. (1979) Entre Le Cristal et la Fumée, essai sur l’organisation
du vivant, Seuil, Paris.
Baars,B.J. (1997) In the Theater of Consciousness: The Workspace of
the Mind, Oxford University Press.
Bateson,G. (1979) Mind and Nature: a necessary unity, Dutton, New
York.
Bell,J. (1987) Speakable an Unspeakable in Quantum Mechanics,
Cambridge Univ. Press.
Bohm.D.(1983) Wholeness and the Implicate Order, Routledge, New
York
Bohm,D.(1987) Unfolding Meaning, a weekend of dialogue with David
Bohm. ARK Paperbacks, Routledge & Kegan Paul Ltd.
Bohm,D., Hiley, B.J. (1993) The Undivided Universe. Routledge,
London.
Bohm,D., and Peat,F.D. (1987) Science Order, and Creativity. A
dramatic new look at the creative roots of science and life, Bantam
Books, New York.
Brillouin,L. (1959) Vie Matiére et Observation. Editions Albin Michel
Capra,F.(1988) Uncommon Wisdom. Simon & Schuster, New York
Chalmers,D.J.(1995) ‘Facing Up To The Problem Of Consciousness’,
Journal of Conciouness Studies,2, No. 3, pp 200-19.
Chalmers,D.J.(1995) ‘The Puzzle of Conscious Experience’, Scientific
American, December.
Chalmers,D.J.(1996) The Conscious Mind. In Search of a Fundamental
Theory, Oxford University Press, New York.
Clarke C.J.S.(1995) ‘The Nonlocality of Mind’, Journal of
Consciousness Studies, 2, No.3, pp.231-240.
Di Biase,F.(1981) ‘Auto-organização nos sistemas biológicos’. Ciência
e Cult.,33(9):1155-159, Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência, Brasil
Di Biase,F.(1995) O Homem Holístico, a Unidade Mente-Natureza,
Editora Vozes, Rio de Janeiro, Brasil.
Eigen,M.,Schuster,P.(1979) The Hypercycle: A principle of natural self-
organization. Springer-Verlag, Berlin.
Grof,S. (1985) Beyond the Brain: Birth, Death, and Transcendence in
Psychoterapy. State University of New York Press, Albany, New York.
Hameroff, Stuart R.(1994) ‘Quantum Coherence In Microtubules: A
Neural Basis For Emergent Consciousness?’, Journal of
Consciousness Studies,1, No.1, Summer 1994,pp.91-118.
Hameroff, Stuart R., and Penrose R.(1996) ‘Orchestrated Reduction of
Quantum Coherence in Brain Microtubules: A Model For
Consciousness’. In Toward a Science of Consciousness: The First
Tucson Discussions and Debates, edited by Stuart R. Hameroff, Alfred
W. Kaszniak, and Alwyn C. Scott, The MIT Press Cambridge,
Massachusetts
Harth,E.(1993) The Creative Loop. How the brain makes a mind.
Reading, MA: Addison- Wesley .
Horgan, J. (1996) The End of Science,Helix Books, Addison-Wesley
Publishing Company
Jantsch, E.(1980) The Self-Organizing Universe. Pergamon Press,
New York.
Jung, K.G. (1959) ‘The Archetypes and the Collective Unconscious’. In:
Collected Works, Vol. 9.1, Bollingen Series XX, Princeton University
Press, Princeton, NJ
Kauffman, S. (1995) At Home in the Universe, The Search for the
Laws of Self-Organization and Complexity. Oxford University Press,
New York.
Koestler, A.(1967) ‘The Ghost in the Machine’, Hutchinson & Co.
(Publishers) Ltd.,London.
Kübler-Ross, E.(1983) On Children and Death, MacMillan, New York.
Lewin, R.(1992) Complexity: Life on the Edge of Chaos. MacMillan,
New York
Moody, R.A.(1976) Life after Life, Bantam Books, New York.
Newman, J.(1997) Putting the Puzzle Together. Part I: Towards a
General Theory of the Neural Correlates of Consciousness, Journal of
Consciousness Studies,4,No.1,pp.47-66
Newman, J. & Baars,B.J. (1993) ‘A neural attentional model for access
to consciousness: A Global Workspace perspective, Concepts in
Neuroscience,4 (2),pp.255-90
Peat,D.,(1987) Synchonicity, the bridge between matter and mind,
Bantam Books, N. York.
Pribam, K.(1969) ‘The Neurophysiology of Remembering”, Scientific
American 220, jan,
pp.75.
Pribam, K. (1977) Languages of the Brain , Monterey, Calif.,
Wadsworth Publishing.
Pribam, K.(1980) ‘Esprit cerveau et conscience’, in Science et
Conscience, les deux lectures de l’univers. Éditions Stock et France-
Culture, Paris.
Pribam,K.(1991) Brain and Perception: Holonomy and Structure in
Figural Processing. Erlbaum, Hilsdale, NJ.
Prigogine, I., Stengers, I.,(1979), La Nouvelle Alliance, Editions
Gallimard, Paris, France.
Prigogine, I., Stengers, I.,(1988), Entre le Temps et L’Eternité, Fayard,
Paris, France
Ring ,K.(1980), Life at Death. Quil, New York
Sabom, M.B.(1982) Recollections of Death, Harper and Row,N. York.
Scott, A. (1995) Stairway to the Mind. The Controversial New Science
of Consciousness, Copernicus, Springer-Verlag, New York.
Seager,W.(1995) ‘Consciousness, Information and Panpsychism’.
Journal of Consciousness Studies, 2, No. 3, pp. 272-88
Shannon, C.E., W.Weaver(1949) The Mathematical Theory of
Communication. University of Illinois Press, Urbana, Ill.
Stonier, T., (1990) Information and the Internal Structure of the
Universe. An Exploration into Information Physics. Springer Verlag,
New York.
Stonier,T.,(1997), Information and Meaning. An Evolutionary
Perspective. Springer. Great Britain.
Weber, R.(1982) ‘The Enfolding Unfolding Universe: A Conversation
with David Bohm, in The Holographic Paradigm, ed. Ken Wilber.
Bulder, Colo., New Science Library.
Weil,P.(1993) ‘Axiomática transdisciplinar para um novo paradgima
holístico’, in Rumo à nova transdisciplinaridade: sistemas abertos de
conhecimento. Pierre Weil, Ubiratan D’Ambrosio, Roberto Crema,
Summus, São Paulo, Brasil .
Weiss, B.(1996) Muitas Vidas Muitos Mestres. Editora Salamandra,
Rio de Janeiro, Brasil.
Wheeler, J.(1990) ‘Information, Physics, Quantum: The Search for
Links’, in Complexity, Entropy, and the Physics of Information, edited
by Wojciech H. Zurek, Addison-Wesley, Reading, Mass.
Wiener, N. (1948) Cybernetics, or Control and Communication in the
Animal and the Machine, The Technology Press & John Wiley & Sons,
Inc., New York.
Wilber, K.(1997) ‘An Integral Theory of Consciousness’, Journal of
Consciousness Studies,4,No. 1, pp.71-92.
Zurek,W.H.,ed. (1990) Complexity, Entropy and the Physics of
Information. Santa Fé Institute Studies in the Science of Complexity,
Vol.8. Redwood City,Calif.:Addison-Wesley.
(Contra-capa)
Ciência Espiritualidade e Cura
Qual o sentido da vida?
Qual é o nosso propósito na existência?
Qual o caminho espiritual de nossa época?

Para responder à essas e outras inquietantes questões, os autores, um


neurologista e um psicólogo, fundamentados nos mais avançados conceitos e
experimentos científicos, mergulham numa corajosa e brilhante jornada nos limites
da ciência, da espiritualidade e da cura, investigando temas insólitos como:

A influência da mente sobre a matéria


Mente local e mente não-local
Ciência, Parapsicologia e fenômenos espirituais
A Aliança entre a Sabedoria Antiga e a Ciência Moderna
Xamanismo e Poder Religioso
A Visão de mundo cartesiana-newtoniana
A emergência do Paradigma Holístico e das Ciências Holísticas
Física Quântico-Relativística e a Nova Cosmovisão Holística
A natureza multidimensional da consciência
Estados alterados de consciência
Psicoterapia com LSD- os estudos com substâncias psicodélicas
Psicologia Transpessoal: a nova ciência entre espiritualidade e cura
Possessão, Exorcismo e a luta entre o bem e o mal
Integrando a Psicologia, a Psicoterapia e as Tradições Espirituais

Nesta obra, os leitores são introduzidos de forma simples e profunda, no


universo holístico dos autores, que são criadores de uma revolucionária teoria
holoinformacional da consciência, reconhecida internacionalmente. Durante esta
jornada os autores integram suas idéias às experiências e visões de grandes
pesquisadores contemporâneos da natureza do cosmos, do ser humano e da
consciência, como Stanislav Grof, Ken Wilber, Stanley Krippner, Karl Pribam,
David Bohm e Carl G. Jung,

Orelha esquerda

Neste livro, o leitor é conduzido a uma jornada filosófico-científica através


dos últimos quatrocentos anos, onde vai desenvolvendo uma abrangente
ressignificação sobre o propósito de sua vida, de seus valores e de sua relação
com a existência, que culmina numa proposta de transformação da consciência e
de revolução pessoal e social, que unifica ciência e espiritualidade.
Para tanto, os autores narram sua aventura em busca do conhecimento,
permeando seu relato com pérolas de sabedoria colhidas dos grandes cientistas e
sábios, desde a época do Renascimento até os mais recentes desenvolvimentos
científicos a respeito da natureza humana e da consciência. Paradoxalmente, este
conhecimento está conduzindo a ciência à uma visão de mundo que nos aproxima
da sabedoria das grandes tradições espirituais da humanidade.
Esta nova cosmovisão científico-espiritual conduz-nos não somente a uma
significativa transformação interior fundamentada pela Psicologia Transpessoal e
pelas Ciências Holísticas, mas também, e principalmente, à uma Ética da Vida e à
uma Cultura de Paz que tanto necessitamos nos atribulados dias de hoje.

ORELHA DIREITA

Francisco Di Biase é neurocirurgião, neurocientista pesquisador da consciência e escritor, com


especialização e pós-graduação nos serviços do Dr. Paulo Niemeyer e PUC-RJ. Chefia o serviço
de Neurologia e Neurocirurgia da Santa Casa e o Depto. de Tomografia Computadorizada em
Barra do Piraí-RJ. Único Grand PhD. da América do Sul e primeiro brasileiro a receber a Medalha
de Ciência e Paz Albert Schweitzer. Professor Honorário da Albert Schweitzer International
University da Suíça e terapeuta do Colégio Internacional dos Terapeutas. Membro da New York
Academy of Sciences. Dedica-se à clinica privada na Clínica Di Biase em Barra do Piraí- RJ. Autor
do livro O Homem Holístico (Ed. Vozes).

Mário Sérgio Figueiredo da Rocha é psicólogo transpessoal, pedagogo e escritor. Realiza


pesquisas na área das neurociências, cosmologia, física quântica, psicologia transpessoal,
xamanismo, tradições espirituais e mitologia. Exerce suas atividades profissionais nas cidades do
Rio de Janeiro, Barra do Piraí, Barra Mansa e Volta Redonda(RJ). Autor do livro Auto-Ajuda
Eficaz (Ed. Vozes).

Os autores escreveram em conjunto os livros Caminhos da Cura e A Revolução da


Consciência ambos da Ed. Vozes, e ainda Caminhos para a Paz, Diálogos Quânticos(com
Richard Amoroso) e Caminhos da Prosperidade, editados pela UGB/FERP e a Albert
Schweitzer University, da Suiça, e são co-autores de Science and the Primacy of
Consciousness (Noetic Press, USA), juntamente com Stanislav Grof, Karl Pribram, Ruppert
Sheldrake, Henry Stapp, Richard Amoroso, Amit Goswami. Criadores do Centro de Estudos
Avançados da Clínica Di Biase por meio do qual realizam em conjunto com o Centro Universitário
da UGB/FERP, Volta Redonda, RJ, e a Albert Schweitzer International University, o primeiro curso
brasileiro de Pós-Graduação em Psicologia Transpessoal, Estudos da Consciência e
Ciências Holísticas.