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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE DIREITO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO

Teoria Geral do Contrato


Professor Doutor Gerson Luiz Carlos Branco
Professor Doutor Luís Renato Ferreira da Silva

Solidariedade e indivisibilidade
Seminaristas: Amalia da Silveira Gewehr Paulsen e Bruno Dutra Iankowski

Sumário

Introdução
1. O vínculo nas obrigações solidárias e indivisíveis: pluralidade ou unidade?
a. Análise do vínculo nas obrigações solidárias
b. Análise do vínculo nas obrigações indivisíveis

2. Abordagem metodológica
a. Aspectos materiais e processuais da solidariedade
b. Aspectos materiais e processuais da indivisibilidade

Conclusão
Referências Bibliográficas:

ARRUDA, João. Diferença entre obrigações correaes e simplesmente solidárias.


Revista da Faculdade de Direito de São Paulo, vol. 14.
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22 ed. São Paulo: Saraiva, 2015.
OBSERVAÇÕES GERAIS
Apresentação ontológica do que seriam as obrigações solidárias e indivisíveis e, agora, eu irei
abordar desde o ponto de vista metodológico, ou seja, como essas obrigações se realizam.
Essa abordagem será realizada através de apresentação de exemplos e casos, para os quais
serão descritos os dispositivos aplicáveis.
Inicialmente, cumpre frisar as principais diferenças práticas entre as obrigações solidárias e
indivisíveis, das quais eu destacaria:
PERDAS E DANOS - Convertendo-se a obrigação em perdas e danos, se SOLIDÁRIA, subsiste
a solidariedade. Na indivisibilidade, o mesmo não acontece, tornando-se a obrigação que antes
era indivisível em obrigação divisível. Isso porque, na solidariedade o devedor deve o todo,
enquanto na indivisibilidade, o devedor deve a sua parte. (ATÉ AQUI CITAÇÃO DO VILLAÇA).
Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em
perdas e danos.
ADIMPLEMENTO – Na solidariedade, basta pagar a qualquer dos credores (art. 269) que a dívida
está extinta; na indivisibilidade, também, desde que haja caução de ratificação do credor que
recebeu (art. 260, II)

É interessante resumir, também, as diferenças conceituais:

Quadro sinótico:

Feitas as considerações sobre os conceitos de solidariedade e indivisibilidade, nós passamos


então, à análise de casos acerca destes temas, com expressa menção aos instrumentos
processuais atinentes às espécies.
CASOS SOLIDARIEDADE PASSIVA
Eu inicio com exemplos, e não casos de solidariedade passiva. Isso porque essas situações são
mais comuns.
Se trata de um mecanismo simples em que mais de um devedor é obrigado ao pagamento integral
(art. 275), são coobrigados à dívida toda (art. 264) e o credor pode exigir de qualquer dos
devedores, no todo ou em parte (também conforme art. 275).
São mais numerosos os casos de solidariedade legal.
Solidariedade Legal:
a) se duas ou mais pessoas forem simultaneamente comodatárias de uma coisa, ficarão
solidariamente responsáveis perante o comodante (NCCB, art. 585)
b) se o mandato for outorgado por duas ou mais pessoas e para negócio comum, cada uma ficará
solidariamente responsável para com o mandatário por todos os compromissos e efeitos do
mandato, salvo direito regressivo, pelas quantias que pagar, contra os outros mandantes (art.
680);
CTN – Art. 134 e 135, que em certas circunstâncias, responsabiliza sócios, diretores,
administradores, por não cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte.
c) a fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa importa o
compromisso de solidariedade entre elas, se declaradamente não se reservaram o benefício da
divisão (art. 829);
d) se a ofensa ou violação do direito de outrem tiver mais de um autor, todos responderão
solidariamente pela reparação do dano causado (art. 942, segunda parte);
e) Ainda poderíamos citar os Sócios responsáveis solidários pela dívida da sociedade com
terceiro, após a dissolução.

CASOS DE SOLIDARIEDADE ATIVA

Não é comum instituí-la, pois traz alguns inconvenientes. Há risco de um credor recebendo a
totalidade, não faça a divisão. Pode haver prevenção judicial, no caso de um dos credores propor
ação de cobrança.

Caso 1 (RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.574 – ES)

Honorários Advocatícios Sucumbenciais – Um grupo de advogados defendeu e ganhou uma


causa de decretação de falência movida por um terceiro, credor da empresa. No entanto, apenas
um dos advogados executou a integralidade dos honorários, preterindo os direitos individuais dos
demais, aos seus respectivos créditos.

A discussão, então, era se haveria solidariedade ativa ou não, pois os outros 3 advogados
estavam cobrando o sucumbente a sua parte, pela aplicação do art. 269.

Art. 269. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue


a dívida até o montante do que foi pago.
No relatório, ficou estipulado que havendo pluralidade de advogados representado a mesma parte
e constando do mandato autorização para que possam agir em conjunto ou separadamente,
qualquer um deles tem legitimidade para pleitear o arbitramento dos honorários ou ajuizar a ação
de execução da verba incluída na condenação.

Por mais que certo, que o sucumbente não irá efetuar o pagamento da verba honorária a outros
advogados, se quitado todo o valor sucumbencial através de depósito nos autos. De mais a mais,
se um dos advogados credores deixar de repassar o percentual que cabe a um ou aos demais
colegas, lógico que estes procurarão receber os seus créditos através do procedimento judicial
próprio, dirigido não em face dela apelante, mas a desfavor daquele que recebeu a totalidade do
crédito sucumbencial.

A respeito da matéria já se posicionou o STJ por sua 3ª Turma no REsp 246.124-SP, rel. Min.
Pádua Ribeiro, publicado no DJU de 07/04/2003, anotado por Theotônio Negrão no Código de
Processo Civil, 3ª ed., páginas 1102/1203: 'A outorga independente de mandatos, pela mesma
pessoa, a dois ou mais advogados, para a mesma causa, relaciona individualmente cada
mandatário à outorgante no direito de reclamar-lhe honorários, quando de outro modo não for
estipulado' (RF (303/199). 'Constatando do instrumento da procuração autorização para que os
advogados possam agir em conjunto ou separadamente, qualquer deles é parte legítima para
pleitear o arbitramento dos honorários, bem como para ajuizar a ação de execução da verba
incluída na condenação por arbitramento ou sucumbência.'

Então, decidiu-se que, efetivamente, a solidariedade não se presume; decorre de lei ou de


vontade das partes. Outra não foi a vontade dos recorridos, que juntos aceitaram o mandato
conferido pelos recorrentes. Sob o aspecto meramente processual, vinculado ao direito de
proceder à execução, inexiste dúvida de que, recebendo um grupo de advogados, da mesma
parte, procuração com poderes para atuarem separadamente, qualquer um deles poderá postular
na fase de conhecimento ou na respectiva execução de sentença.

Evidentemente que eventuais acordos estabelecidos entre os mesmos advogados a propósito do


rateio da importância executada a título de verba honorária sucumbencial é questão alheia e
irrelevante para os devedores. Por outro lado, conforme adequadamente observado pelo em.
ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA no REsp n. 1.370.152/SP, ao se referir à orientação
adotada no REsp n 246.124/SP, "o valor atribuído na condenação não é individualizado e, sim,
pertencente aos advogados dos vencedores, que deverão rateá-lo entre si".

Houve então a incidência do art. Art. 269 do CC e a dívida do sucumbente foi extinta com relação
aos honorários sucumbenciais pagos a um dos credores.

Caso 2 (TJRS - AI Nº 70079907150 (Nº CNJ: 0355927-38.2018.8.21.7000)

PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL com mais de um credor (vendedor), em que


não há qualquer previsão acerca de individualização dos valores a serem recebidos pelos
promitentes vendedores.

Executado o devedor, um dos credores não quis compor o polo ativo da lide, pelo que o
juiz ordenou que fossem ajustados os cálculos retirando a quota parte deste credor. O
nosso Tribunal de Justiça decidiu, então, que, por não haver a individualização dos valores, foi
contratada a compra e venda sob o regime da solidariedade ativa, podendo a execução prosseguir
pelo valor total, já que cada um dos credores tem o direito de exigir do devedor o cumprimento da
prestação por inteiro (art. 267 do CC), assim como, se um dos credores receber a prestação por
inteiro, aos outros assistirá o direito de exigir dele a parte que lhe caiba (art. 261 do CC). (Nº
70079907150 (Nº CNJ: 0355927-38.2018.8.21.7000)

Por fim, um exemplo que pode ser considerado mais ordinário é a CONTA CONJUNTA, em que
dois ou mais credores asseguram-se o direito de movimentar indistintamente a conta comum. Em
diversos casos, cheques nominais a um dos correntistas, que não seja compensado, leva a
possibilidade o outro correntista executar a dívida.

CASOS DE OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS

Em que pese seja a regra geral do CC a divisibilidade das obrigações, casos que apliquem a
questão da indivisibilidade das obrigações são mais escassos.
Caso 1 (TJRS – AI - Nº 70066209610)
A indivisibilidade poderá também resultar, além das hipóteses do art. 258 (a prestação tem por
objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem
econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico), de uma expressa disposição legal.
Talvez a mais comum e conhecida seja a regra do art. 1.791 do Código Civil,
Art. 1.791. A herança defere-se como um todo unitário, ainda que vários
sejam os herdeiros.
Parágrafo único. Até a partilha, o direito dos co-herdeiros, quanto à
propriedade e posse da herança, será indivisível, e regular-se-á pelas
normas relativas ao condomínio.
Essa regra foi enfrentada pelo TJRS, em um caso de partilha de expurgos inflacionários da
caderneta de poupança pelos herdeiros. Foi discutida a legitimidade de apenas 2 dos 3 herdeiros
reclamarem os valores em juízo, tendo em vista a inexistência do interesse do terceiro herdeiro.
Os dois herdeiros demonstraram interesse em resgatar a sua cota parte do saldo bancário da
caderneta de poupança do de cujus, ante a divisibilidade do montante cobrado. (possível a
aplicação da Lei 6.858/80)
A sentença recorrida entendeu ser caso de litisconsórcio ativo necessário, quando em verdade é
litisconsórcio unitário (que pode ser facultativo). Os dois herdeiros solicitaram em recurso a
admissão dos autores no pólo ativo da ação, com o reconhecimento da inocorrência de
litisconsórcio ativo necessário.
A regra geral no direito das obrigações, quando da pluralidade de devedores ou de credores é
expressa no art. 257 do Código Civil, que no ponto adota aquela expressada pela conhecido
conceito “concursu partes fiunt”, segundo a qual a obrigação será dividida em tantas obrigações
independentes quantas forem as respectivas partes. Como um dos herdeiros não tem interesse
na ação, e que, na forma do previsto na Lei 6.858/80, é possível o ajuizamento da demanda sem
que todos os herdeiros do então titular da conta estejam no pólo ativo da ação, já que postula
quantia abaixo do equivalente a 500 ORTNs.
Eis o que diz o citado artigo 257: “Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em
obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações iguais e distintas, quantos os
credores e os devedores” (verbis).
Gustavo Tepedino no seu Código Civil Interpretado (ed. Renovar, 2004, 1º volume, p. 257)
preleciona que “o preceito comporta exceção em duas hipóteses: no caso de indivisibilidade e
quando houver solidariedade”.
A obrigação não se enquadrava em nenhuma das hipóteses do art. 258 do Código Civil:
Art. 258 - A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma
coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo
de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico.”
E por igual não se versa sobre uma obrigação indivisível por natureza, pois nada é tão
caracteristicamente divisível como a prestação consistente em pagar uma determinada soma em
dinheiro. Aliás, no próprio conceito da obrigação divisível ou fracionária (aquela em que o objeto
da prestação pode ser dividido entre os sujeitos) está implícito que a obrigação pecuniária é
divisível, constituindo-se, por isso mesmo, como o exemplo clássico da divisibilidade.
Havia entendimento de que, não ainda aberto ou já encerrado o inventário, era caso de
litisconsórcio ativo necessário. No entanto, pela inexistência de interesse de um dos herdeiros,
não se poderia obstar a o direito de acesso ao judiciário e nem obrigar alguém a que, contra a
sua vontade, litigue em juízo.
Foi aduzido que tanto no art. 260 (indivisibilidade ativa), quanto no 267 (solidariedade ativa) um
credor pode exigir a totalidade da dívida.
No entanto, a Lei Ao afastar a impositiva abertura de inventário ou arrolamento para o
recebimento, por parte dos herdeiros, de saldos bancários, de contas de cadernetas de poupança
e de fundos de investimento, até essa alçada de hoje aproximadamente R$ 30.000,00, a lei
invocada por igual afastou, até esse limite, a indivisibilidade legal que recaia sobre os bens
transmitidos pela sucessão, e que só poderia ser quebrada pela partilha no respectivo inventário.
A obrigação, portanto, seria concursu partes fiunt (as partes se satisfazem pelo concurso, pela
divisão) divisível e o sendo, cada um teria direito a sua quota parte, prosseguindo-se a ação.

CASO 2 – STJ RECURSO ESPECIAL Nº 868.556 - MS (2006/0155924-0)

Recorrentes: Devedores

Recorridos: Credores

Sentença Recorrida: Julgou parcialmente procedentes os pedidos para o fim de


rescindir o contrato de compra e venda, determinando a reintegração na posse e a
restituição da parte do preço recebido como pagamento. Apelação Negada.

Um grupo de credores ajuizou ação de rescisão contratual em face de dois devedores


(pluralidade em ambos os polos) alegando que alienaram imóvel rural e esperavam
receber o preço em cabeças de gado ou dinheiro. Parte do preço não foi pago, o que os
levou a requerer a rescisão do contrato e a reintegração na posse do imóvel.

Dos fatos reconhecidos pelo Tribunal de origem, extrai-se que os devedores realizaram
o pagamento integral a um dos credores, mas não aos demais.
A controvérsia resume-se, portanto, a verificar a persistência da dívida, considerando-se
que o pagamento foi feito a apenas um dos credores. O que o STJ decidiu é que, não
podendo ser presumida a solidariedade, não tendo ela sido estipulada em Contrato e
não existindo caso de solidariedade ativa ex lege1, tem-se que a obrigação era divisível,
não se aplicando a indivisibilidade.

Ou seja, não se aplicava o art. Art. 269 do CC, que diz o seguinte:

Art. 269 - O pagamento feito a um dos credores solidários extingue


a dívida até o montante do que foi pago.

O devedor de obrigação divisível, não havendo solidariedade, deve cuidar para que o
pagamento seja feito a todos os credores.

Se fosse considerara uma obrigação indivisível, o devedor, ao realizar pagamento feito


a apenas um dos credores, deve verificar se este tem poderes para dar quitação em
nome dos demais (art. 260, II)

Assim, a negligência dos devedores, devedores que pagaram mal, foi decisiva para que
os demais credores os tivessem como inadimplentes e pudessem, com sucesso, buscar
a resolução do negócio jurídico.

Todavia, essa negligência não afasta o princípio da boa-fé, que deve nortear todos os
negócios jurídicos. Assim, foi acertada a determinação do Tribunal de origem para que
se restabeleça o “status quo ante”. A devolução da parte do preço recebida com
atualização é medida de justiça. Tal fato não afasta, ademais, o direito de pleitear
indenização daqueles que eventualmente tenham se enriquecido sem justa causa,
recebendo o pagamento do qual não eram credores.

(Exigência de caução de ratificação, para o bom pagamento, só é exigida nas


obrigações divisíveis/indivisíveis. Nas obrigações solidárias ativas, não é necessário)

Um último exemplo é de um direito indivisível, que são as ações da Sociedades


Anonimas são consideradas indivisíveis conforme art. 28 da Lei 6.404/76. (Art. 28. A
ação é indivisível em relação à companhia. Parágrafo único. Quando a ação pertencer a
mais de uma pessoa, os direitos por ela conferidos serão exercidos pelo representante
do condomínio).

CONCLUSÃO

EM CONCLUSÃO, em um primeiro momento, nós vimos que o legislador, no Código Civil


brasileiro, tanto de 1916 e 2002, tratou de forma distinta as obrigações solidárias e
indivisíveis, considerando a existência de unidade de vínculo nas primeiras e a
pluralidade de vínculo nas últimas, decorrendo disso seus efeitos.

1
Maria Helena Diniz nosso ordenamento jurídico não conhece casos de solidariedade
ativa ex lege (Curso de Direito Civil Brasileiro. Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. São
Paulo: Saraiva, 1997, p. 157
Concluímos que não há, obrigatoriamente, solidariedade nas obrigações indivisíveis.

O que há é semelhança dos efeitos decorrentes entre obrigação solidária e a obrigação


indivisível.

Assim também quanto a unidade: há unicidade de vínculo para as obrigações solidárias


e unicidade de objeto para as obrigações indivisíveis.

Essas obrigações, no entanto, possuem diferentes causas: a solidariedade tem como


causa o sujeito, ou seja, é um vínculo subjetivo e a indivisibilidade tem como causa o
objeto, ou seja, é um vínculo objetivo.

O estudo acerca do vínculo nas obrigações solidárias e indivisíveis fazia-se necessário


para estabelecimento dos seus efeitos quando houvesse pluralidade de sujeitos,
buscando a doutrina subsídios no direito romano. Hoje, não persiste mais tamanha
importância acerca dessa discussão doutrinária face à escolha do legislador brasileiro.

Na SEGUNDA PARTE, nós vimos a aplicação prática de alguns institutos, como, por
exemplo, a possibilidade de um credor solidário receber toda a prestação, dando-a por
quitada, como no caso dos honorários sucumbenciais, cuja solidariedade foi estabelecida
no mandato.

Vimos também a necessidade de diligência dos devedores, quando houver pluralidade de


credores. Isso porque, para o adimplemento satisfatório da obrigação, devem verificar se,
no caso, se trata de relação solidária, divisível ou indivisível. No primeiro caso, os
devedores podem realizar o pagamento a qualquer dos credores; No segundo caso,
também, no entanto, devem exigir a caução de ratificação e, no terceiro, devem realizar
o pagamento de forma individualizada.

Por fim, notamos que é possível extrair, dos julgados apresentados, uma interpretação
favorável aos credores, no tocante à caracterização das obrigações como solidárias ou
indivisíveis.

Isso porque, em casos semelhantes, de pluralidade de proprietários vendedores de um


imóvel, tanto a relação foi caracterizada como solidária, quando os credores cobraram o
valor integral da prestação, em que pese alguns deles não constituíssem o polo ativo da
ação.

Bem como, em situação semelhante, o STJ decidiu que a obrigação seria indivisível, e
não solidária, pois houve pagamento a apenas um dos credores, sem que este tivesse a
caução de ratificação dos demais credores, realizando-se, então a reintegração de posse
do imóvel.

Daí o conceito apresentado por Karl Larenz: "Relación de obligación es aquella relación jurídica por la que
dos o más personas se obligan a cumplir y adquieren el derecho a exigir determinadas prestaciones". 12