Você está na página 1de 19

UNIDADE III

CONCORDÂNCIA E REGÊNCIA
Professora Me. Cristina Herold Constantino

Objetivos de Aprendizagem
• Retomar as noções de concordância e regência.
• Estabelecer a relação entre concordância e regência com a escrita.
• Identificar os casos mais recorrentes tanto de concordância quanto de regência.
• Compreender a ocorrência da concordância e da regência em contextos diversos.
• Compreender e aplicar a relação entre verbo e nome.
• Compreender e aplicar a relação entre elementos nominais e o nome.
• Compreender a concepção de regência, bem como sua aplicação.
• Compreender alguns casos de regência nominal a partir de exemplos.
• Compreender alguns casos de regência verbal a partir de exemplos.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:

• Retomada breve das concepções de concordância nominal e verbal


• Exemplificações por meio de contextos variados
• Breve abordagem sobre sintaxe de concordância
• Abordagem de alguns dos casos gerais de concordância nominal seguidos de exemplos
• Abordagem de alguns dos casos específicos de concordância nominal seguidos de exemplos
• Abordagem de alguns casos gerais de concordância verbal seguidos de exemplos
• Breve abordagem da concepção de regência
• Abordagem de alguns casos de regência nominal seguidos de exemplos
• Abordagem de alguns casos de regência verbal seguidos de exemplos
46 LÍNGUA PORTUGUESA| Educação a Distância
INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a), com o intuito de concluirmos a etapa de instrumentalização linguística tal qual temos
feito até aqui, nesta unidade, também, queremos tratar de aspectos gramaticais de extrema relevância
para todo aquele que deseja comunicar-se tanto na oralidade quanto na escrita de maneira clara e
competente. Infelizmente, a concordância e a regência têm sido um tanto ignoradas na atualidade, talvez,
em parte, pela velocidade da informação. É fato que, a própria internet com sua peculiar forma de ser,
atendendo às possibilidades quase inalcançáveis de comunicação, talvez seja a principal responsável
pela brevidade das mensagens e, por conseguinte, também, pelo atropelo das informações, mensagens
truncadas, entrecortadas e ambíguas que põe em risco a própria eficácia da comunicação. Por esse
motivo, propomos a você mais uma retomada a “lugares dantes navegados” (parafraseando o poeta) rumo
a alguns aspectos relacionados à concordância e à regência.

Observe a imagem acima.

A imagem pode nos levar a uma viagem um tanto mística e misteriosa em torno da linguagem. Você, por
exemplo, já pensou em como seria se nos apropriássemos de todo conhecimento linguístico de maneira
mística a partir, por exemplo, da mera aproximação com os livros, com pessoas ou com o ambiente
intelectual, científico, artístico ou literário? Até que provem ao contrário não somos um desses seres que
“em um passe de mágica” apropriam-se do conhecimento.

Que “bom” seria se o fato de estarmos rodeados de livros, automaticamente, adquiríssemos o conhecimento
neles existentes. Porém, eu e você sabemos que apropriar-se da língua como ferramenta para o
desempenho de uma oralidade adequada e de uma escrita clara, coesa e coerente não é tarefa fácil. São
necessárias muitas horas de exaustão, transpiração. Um exemplo disto é este material produzido a você.
Podemos lhe garantir que há muitos sonhos que envolvem um trabalho como este, há muito desejo em

LÍNGUA PORTUGUESA | Educação a Distância 47


fazê-lo e, por conta disto, há muitas emoções envolvidas ao longo de todo o processo, contudo, há muito
mais fatores que exigem de nós uma decisão, ação pró-ativa do que simplesmente “sentimentos”. Assim,
alegrias e tristezas à parte, é hora de pararmos de “sonhar”... pois, enquanto não escrevermos muito,
treinarmos, praticarmos tanto a oralidade quanto uma escrita de qualidade não estaremos qualificados
a falar em determinados contextos, nem tampouco a escrever. Mas, veja bem, nem tudo está perdido,
aliás, nada está perdido! Estaria se disséssemos a você que o trabalho com a linguagem é para poucos
seres superdotados ou dotados de alguma característica única e exclusiva, mas contrário a isso, é sabido
que o manuseio com a linguagem exige prática diária. Estudos de linguagem têm apontado para o fato
de que o ambiente familiar é, muitas vezes, determinante na formação leitora, podendo vir a ser também
um fator preponderante na qualificação de escritores. Da mesma forma que, muitos estudos, igualmente
importantes, têm sugerido estratégias para todo aquele que assume atitude deliberada em saber mais e
melhor.

Você já sabe, então, que ficar sentado sobre os livros de nada adianta. Todavia, a despeito do tipo de
contato que você teve ou tenha com a linguagem, hoje, você está sendo chamado a dar um mergulho
mais profundo na Língua Portuguesa. Prepare-se!

Caro(a) acadêmico(a), antes de focarmos o assunto desta unidade, saiba que priorizamos este conteúdo
para as aulas de nivelamento de Língua Portuguesa porque temos identificado muitas dúvidas e dificuldades
que dizem respeito ao emprego da CONCORDÂNCIA VERBAL e NOMINAL e da REGÊNCIA VERBAL e
NOMINAL, seja na oralidade do dia a dia, seja no desempenho da vida acadêmica, seja no exercício da
profissão. Isto é, nas mais diversas situações, nos diferentes segmentos sociais, a não observância ao
emprego do verbo adequadamente, bem como a devida pluralização dos elementos nominais, tem sido
constantes.

Então, fica aqui mais um desafio, caso você seja um amante deste conteúdo, aproveite para deleitar-se
com algumas informações excedentes revendo e relembrando conceitos. Caso encontre dificuldades,
seja bem-vindo, pois é especialmente para você que pensamos em fazer desta unidade, além de útil e
necessária, também interessante e prazerosa.

Antes de continuarmos, sugerimos a leitura de um poema de Vinícius de Moraes e a observância a


algumas ocorrências relacionadas à concordância:

Soneto de Carnaval

Distante o meu amor, se me afigura

O amor como um patético tormento

Pensar nele é morrer de desventura

Não pensar é matar meu pensamento.

48 LÍNGUA PORTUGUESA| Educação a Distância


Seu mais doce desejo se amargura

Todo o instante perdido é um sofrimento

Cada beijo lembrado uma tortura

Um ciúme do próprio ciumento.

E vivemos partindo, ela de mim

E eu dela, enquanto breves vão-se os anos

Para a grande partida que há no fim.

De toda a vida e todo o amor humanos:

Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo

Que se um fica o outro parte a redimi-lo.

(Vinícius de Moraes)

Convém lembrar que as autoras compartilham do fato de que a literatura é uma manifestação da arte
e como tal deve ser usada para ser admirada, contemplada como expressão artística, mas também
consideramos que como forma de expressão da cultura podemos utilizá-la como meio de estudo linguístico,
apropriando-nos dos elementos da linguagem, inclusive, como estratégia para melhor interpretá-la.
Observe, por exemplo, em o amor patético tormento sendo AMOR um substantivo (nome) e todos
os demais elementos ligados a ele O, UM PATÉTICO TORMENTO (artigo, pronome + nome + adjetivo/
predicativo); isto é, todos os elementos anteriormente citados, em destaque, estão relacionados ao AMOR
(vocábulo nominal) e, portanto, devem CONCORDAR com ele em GÊNERO (neste caso masculino) e
em NÚMERO (neste caso singular), pois “AMOR” é um substantivo masculino que exige o artigo “O”,
encontrando-se no singular e não no plural amores, por exemplo; além disso, vincula-se a ela
a expressão “UM PATÉTICO TORMENTO” que pretende adjetivar esse “amor” – veja que toda essa
expressão encontra-se no masculino/singular e não uma(s) patética(s) tormenta(s), por exemplo, no
feminino/plural. Da mesma forma, as expressões o instante, uma tortura, um ciúme, os anos, a grande
partida são exemplos de como um nome necessita estar ligado a elementos que estão concordando
com ele em gênero e em número.

Ou ainda, conforme outros exemplos extraídos do mesmo poema por meio dos quais podemos visualizar
o que ocorre com os verbos. Semelhantemente, o verbo SABER no verso “Mas tranquila ela sabe, e eu
sei tranquilo”, por exemplo, realiza-se de duas maneiras diferentes, isto é, como sabe e como sei, por
obedecer a uma regra de concordância verbal a qual pressupõe a relação do verbo SER primeiramente
com a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo – ela e, posteriormente, com a primeira pessoa do
singular do presente do indicativo – eu.

LÍNGUA PORTUGUESA | Educação a Distância 49


Estes foram apenas alguns casos ilustrativos a fim de iniciarmos a nossa jornada rumo ao “misterioso
mundo das concordâncias e das regências”.

Ao final desta unidade você encontrará outras questões sobre este texto que deverão ser respondidas
como atividade de autoestudo.

SINTAXE DE CONCORDÂNCIA

Convém relembrar que a Sintaxe trata do estudo da disposição das palavras na frase e a das frases no
discurso, bem como a relação lógica das frases entre si. Enquanto que a concordância vai cuidar da flexão
das palavras em uma frase, já que em uma frase pode haver palavras como verbos, adjetivos, pronomes
e artigos. E segundo Sarmento e Tufano (2004), essas flexões, no entanto, não são aleatórias e, portanto,
deve haver concordância entre elas.

Concordância Nominal

Segundo Sarmento e Tufano (2004), na concordância nominal, o adjetivo, o pronome, o numeral e o


artigo concordam em gênero e número com o substantivo ao qual se referem. Na tira abaixo, o segundo
quadrinho apresenta um caso bastante básico de concordância nominal que é quando o numeral
concorda com o substantivo em gênero e número, por exemplo: observe que em duas marcas
temos duas (numeral) e marcas (substantivo); esta relação, por exemplo, entre numeral e substantivo,
em português precisa concordar (estar diretamente relacionada) em gênero (masculino e feminino) e
número (singular e plural), caso contrário apresentaria problemas com relação à norma padrão.

Na sequência, apresentaremos, primeiramente, alguns casos gerais e depois específicos de concordância


nominal, seguidos de contextos que possam exemplificá-los e melhor explicá-los.

CASOS GERAIS

Adjetivo anteposto

Ocorre quando o adjetivo vier antes de dois ou mais substantivos, concordará com o mais próximo.

50 LÍNGUA PORTUGUESA| Educação a Distância


Novo eixo e professores teremos este ano.

Novas temáticas e conteúdo terei este ano.

Adjetivo posposto

Se o adjetivo vier depois de dois ou mais substantivos, pode-se fazer a concordância de duas formas:

• Se os substantivos forem do mesmo gênero, o adjetivo poderá ficar nesse gênero, no plural ou
concordar com o substantivo mais próximo.

Irene preta

Irene boa

Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:

— Licença, meu branco!

E São Pedro bonachão:

— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

(Manuel Bandeira)

Observe que, neste caso, os adjetivos preta e boa concordam com o substantivo Irene, permanecendo
no singular e no feminino; assim como o adjetivo branco concorda com o substantivo ao qual se refere,
isto é, São Pedro, permanecendo, portanto no masculino e singular.

Adjetivo na função de predicativo do sujeito

Desabamento de edifício residencial deixa 14 desaparecidos na Rússia

Após desabamento de um edifício residencial na capital da região russa de Astraján causado por
uma explosão de gás, pelo menos 14 pessoas estão desaparecidas (<http://br.noticias.yahoo.com/
desabamento-edif%C3%ADcio-residencial-deixa-14-desaparecidos-r%C3%BAssia-171608438.html>.
Acesso em: 26 mar. 2012).

Adjetivo na função de predicativo do objeto

Pode concordar das seguintes formas:

• Se o núcleo do objeto for constituído por um único substantivo, o adjetivo concorda com ele em
gênero e número.

Exemplo: mantiveram as lojas abertas durante os finais de semana.

LÍNGUA PORTUGUESA | Educação a Distância 51


• Se o objeto for constituído por dois ou mais núcleos, compostos por substantivos do mesmo
gênero, o adjetivo vai para o plural, no gênero desses substantivos.

Exemplo: a crítica julgou filme e ator duvidosos.

• Se o objeto for composto por dois ou mais núcleos, constituído por substantivos de gêneros diferentes,
o adjetivo ficará no masculino plural.

Exemplo: o curso de nivelamento tornou Paulo e sua amiga mais preparados.

• Caso o predicativo (adjetivo) venha antes do objeto, poderá concordar com o substantivo mais próximo.

Exemplos: o anfitrião considerou encantadora a jovem e sua família.

A prática tornou respeitado o médico e a enfermeira.

Dois adjetivos e um substantivo

Havendo dois ou mais adjetivos referindo-se a um único substantivo, determinado por artigo, são possíveis
as seguintes concordâncias:

• O substantivo fica no singular e põe-se o artigo também antes do segundo adjetivo.

Exemplo: meu professor atende a disciplina a distância e a presencial.

• O substantivo fica no plural e omite-se o artigo antes do segundo adjetivo.

Exemplo: meu professor atende as disciplinas a distância e presencial.

CASOS ESPECÍFICOS

• A palavra ANEXO, quando vem antecedida de preposição em, fica invariável, pois passa a ser
advérbio.

Exemplo: colocamos os arquivos em anexo ou seguem em anexo os arquivos.

• A palavra MESMO é advérbio quando empregada com o sentido de “realmente”, de fato; nesse caso,
não varia:

Exemplo: a professora mediadora resolveu mesmo nossos problemas.

Os alunos ficaram na apresentação mesmo.

• As palavras MUITO, POUCO, BASTANTE, MEIO, CARO e BARATO variam se forem empregadas
como pronomes indefinidos, adjetivos ou numerais. Ficam invariáveis quando ficam advérbios.

Exemplos:

Havia muitas (pronome indefinido) queixas contra ele.

52 LÍNGUA PORTUGUESA| Educação a Distância


Pareciam muito (advérbio) tímidas.

Poucos (pronome indefinido) convidados restavam na festa.

Suas pernas estavam pouco (advérbio) ágeis.

Fizeram bastantes (pronome indefinido) críticas ao trânsito.

Os dias continuaram bastante (advérbio de intensidade) quentes.

Estavam meio (advérbio) distraídas durante a palestra.

A receita pede meia (numeral) xícara de açúcar.

As passagens de avião são muito caras (adjetivo).

Os computadores, atualmente, não custam caro (advérbio).

A pizza daqui continua barata (adjetivo).

Neste brechó vendem-se smokings barato (advérbio).

• O adjetivo POSSÍVEL varia de acordo com o artigo que antecede as palavras mais e menos, que
expressam o grau superlativo.

Exemplo: visitamos os mais belos castelos possíveis.

O palestrante recebeu cumprimentos o mais expressivos possível.

Estas cadeiras parecem as mais confortáveis possíveis.

• As expressões É BOM, É NECESSÁRIO, É PROIBIDO, É PRECISO etc., variam quando o substantivo


sujeito vem regido por um artigo ou qualquer determinativo. Permanecem invariáveis se o sujeito
não estiver determinado por artigo.

Exemplo: a caminhada pela manhã é boa. / caminhar pela manhã é bom.

Seria necessária a doação de sangue. / Seria necessário doar sangue.

É proibida a queimada./ É proibido queimada.

Eram precisas as ferramentas./ Era preciso ferramentas.

Concordância Verbal

Na concordância verbal, o verbo concorda em número (singular e plural) e pessoa (1ª, 2ª e 3ª pessoas)
com o sujeito.

Observe a imagem a seguir:

LÍNGUA PORTUGUESA | Educação a Distância 53


Na tira supracitada, temos dois casos de concordância verbal: “as coisas andam” e “cartões feitos”; no
primeiro caso, as coisas (substantivo plural seguido de artigo) concorda com o verbo andar em número
(3ª pessoa do plural, presente do indicativo); no segundo caso, cartões (substantivo no plural) concorda
em número com feitos (verbo fazer no particípio plural).

CASOS GERAIS

1. O verbo SUSPEITAR concorda em NÚMERO (singular) e PESSOA (3ª pessoa do singular) com o
SUJEITO (substantivo singular); ele (comunista) suspeita.

54 LÍNGUA PORTUGUESA| Educação a Distância


2. Quando o sujeito for um PRONOME DE TRATAMENTO:

Neste caso VOCÊ funciona como sujeito; o texto persuade incitando o leitor a fazer uma marca “FAÇA
VOCÊ”:

3. Aqui, o pronome VOCÊ concorda em número e pessoa com o verbo PENSAR que está na terceira
pessoa do singular.

LÍNGUA PORTUGUESA | Educação a Distância 55


4. O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito composto:

Exemplo: a pintura e a música abraçaram-se e deram a vida a uma obra de Miró.

(<http://miniartistas.wordpress.com/2010/04/02/a-pintura-e-a-musica-abracaram-se-e-deram-
-vida-a-uma-obra-de-miro/>).

5. Se o sujeito composto vier depois do verbo, este concordará com o núcleo mais próximo (no singular)
ou com todos (no plural):

Exemplo: voltou ao hotel o turista e a polícia.

Voltaram ao hotel o turista e a polícia.

REGÊNCIA

Regência é a relação de dependência entre as palavras em uma oração.

Regência Nominal

Atenção!

Observe os exemplos que seguem:

A mãe tem amor ao filho.

A mãe tem amor por seu filho.

A mãe tem amor pelo seu filho.

Veja que o vocábulo AMOR (que representa um NOME) estabelece uma relação de dependência com o
termo regido FILHO. Esta relação, portanto, é estabelecida por meio de conectivos como preposições.

Regência nominal é a relação de dependência que se estabelece entre o nome e o termo por ele
regido, ou seja, quando o termo regente for um NOME teremos casos com regência NOMINAL.

Alguns casos:

• Acesso: a, para

Este caminho dá acesso à rodovia.

O acesso para a região dos lagos está difícil.

• Acostumado: a, com

O pai estava acostumado a ouvi-lo.

Ficou acostumado com o trabalho da rua.

56 LÍNGUA PORTUGUESA| Educação a Distância


• Adaptado: a

O aluno já está adaptado a essas mudanças.

Aflito: com, por

Continuo aflito com sua demora.

O aluno estava aflito por saber sua nota.

• Agradável: a, de

Sua saída não foi agradável à equipe.

Era agradável de ver os dois juntos.

• Alusão: a

O mediador fez alusão à atividade.

• Ânsia: de, por

Sentiu forte ânsia de responder.

O jovem revelou ânsia por voltar ao país.

• Apto: a, para

Considero apto a ajudá-lo.

Tornou-se apto para exercer o cargo.

• Benéfico: a, para

A atividade física foi benéfica à sua saúde.

As férias foram benéficas para todos.

• Capacidade: de, para

O advogado teve capacidade de defender o réu.

Sua capacidade para negociar era notável.

• Certeza: de, em

A certeza de vê-lo animou-a.

Havia certeza em sua fala.

LÍNGUA PORTUGUESA | Educação a Distância 57


• Constituído: de, por

O poder era constituído de grandes líderes

A população está constituída por várias raças.

• Dúvida: em, sobre

A dúvida em recebê-lo era bem visível.

Anotou as dúvidas sobre a questão.

• Junto: a, com, de

O recibo segue junto à última remessa de livros.

• Junto com o material, encontrei este documento.

A criança só ficava junto de seu pai.

• Necessário: a, para

Uma pausa é necessária à nossa recuperação.

A medida foi necessária para acabar com o conflito.

• Oportunidade: de, para

Não houve oportunidade de conhecê-la melhor.

A oportunidade para falar já passou.

• Respeito: a, entre, para com

É necessário o respeito às leis.

Existe respeito entre pai e filho.

Notava-se seu respeito para com as pessoas.

58 LÍNGUA PORTUGUESA| Educação a Distância


Regência Verbal

No 2º e no 3º quadrinhos da tira, a regência do verbo lembrar está em desacordo com a variedade


padrão. Reescrevendo as ocorrências de acordo com a linguagem culta padrão deveria ser utilizado com
o respectivo pronome reflexivo, no segundo quadrinho o SE em “eles nunca SE lembram...” e no terceiro
quadrinho o ME em “lembro-ME do dia de nossa...”, lembrando, portanto, que se trata de um verbo
reflexivo.

No caso do verbo LEMBRAR pode se realizar como transitivo indireto como em “lembrar-se” ou como
transitivo direto em “lembrar”. Lembrar é um verbo transitivo direto: “ela lembrava aquela antiga professora”;
enquanto que, lembrar-se (na forma nominal) é transitivo indireto: “ela se lembrava sempre das amigas”. A
diferença, portanto, é da REGÊNCIA. Em outras palavras, se você lembra, lembra alguém ou alguma
coisa (sendo, portanto, objeto direto); e se você se lembra, lembra-se de alguém, ou de alguma coisa
(sendo, deste modo, objeto indireto).

Portanto,

Regência verbal é a relação de dependência que se estabelece entre o verbo e o termo por ele
regido, ou seja, quando tivermos como termo regente um VERBO teremos casos de regência
VERBAL.

Isto significa que, dependendo da regência, os verbos podem ter o seu sentido modificado, conforme os
exemplos que seguem:

1. Aspirar

• Transitivo direto – sorver, inalar, absorver: aspirou o perfume da rosa.

• Transitivo indireto – desejar, almejar, ambicionar: ele aspirava ao cargo.

2. Assistir

• Transitivo direto – socorrer, ajudar, prestar assistência: a enfermeira assistiu a criança.

LÍNGUA PORTUGUESA | Educação a Distância 59


• Transitivo indireto – ver, presenciar: os dois assistiram ao jogo.

• Como transitivo indireto, esse verbo aceita apenas as formas retas ele(s), ela(s), regidas de preposição:
o filme é ótimo. Todos querem assistir a ele.

• Como transitivo indireto – caber, competir: não lhe assiste este dever.

• Intransitivo – morar, residir: o presidente assiste em Brasília.

3. Chamar

• Transitivo indireto – convocar: o juiz chamou o réu à sua presença.

• Transitivo direto ou indireto – denominar, apelidar (admite mais de uma construção, podendo vir
ou não preposicionado): chamou-o covarde (transitivo direto) / Chamou-lhe covarde (transitivo
indireto) / Chamou-o covarde (transitivo direto) / Chamou-lhe de covarde (transitivo indireto).

• Transitivo indireto – invocar (seguido da preposição por): chamou por Deus naquele momento.

4. Custar

• Transitivo direto – valer: o carro custou quarenta mil reais.

• Transitivo indireto – ser difícil. É conjugado como verbo reflexivo, na terceira pessoa do singular, e
o seu sujeito é uma oração reduzida de infinitivo: custou-me aceitar suas desculpas.

5. Esquecer

Pode ter duas regências, no sentido de “não ter lembrança ou memória”:

• Transitivo direto – (não é pronominal): Mário esqueceu o dinheiro.

• Transitivo indireto – (como verbo pronominal): Mário esqueceu-se do dinheiro.

6. Implicar

• Transitivo direto – embaraçar: o vizinho implicou-o no caso.

• Transitivo direto – causar, envolver: sua participação não implica nenhuma consequência.

• Transitivo indireto – antipatizar: o cliente implicou com o vendedor.

7. Lembrar

• Transitivo direto (não pronominal): lembrou o seu nome.

• Transitivo indireto pronominal: lembrou-se do seu nome.

No sentido de “fazer recordar”, “advertir”, esse verbo é transitivo direto e indireto: lembrei a

60 LÍNGUA PORTUGUESA| Educação a Distância


ela a data do exame.

8. Necessitar

• Transitivo direto ou transitivo indireto – carecer, precisar: necessitava o seu apoio (ou)
necessitava de seu apoio.

9. Obedecer/desobedecer

• Transitivo indireto – submeter-se, cumprir ordens: obedecia a seus instintos / Não desobedeça
às leis de trânsito.

10. Precisar

• Transitivo direto – indicar com certeza: ele precisou o lugar do encontro.

• Transitivo indireto – ter necessidade: os idosos necessitam de melhores condições de


aposentadoria.

11. Preferir

• Transitivo direto: ter preferência (sem sugerir a escolha): o menino preferia chocolate / Preferia
água a refrigerante (*É inaceitável: “preferia mais água do que refrigerante”).

• Transitivo direto e indireto – ter preferência (sugerindo a escolha): o menino prefere chocolate a
doce de leite.

12. Responder

• Transitivo direto e indireto – dar resposta: o aluno respondeu a questão. (respondeu o quê?)
ou, então, o vendedor respondeu à cliente (respondeu para quem?).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme vimos, a concordância e a regência não são aspectos linguísticos à margem do uso cotidiano
da linguagem. Você pôde constatar, por meio de exemplos típicos da oralidade e outros próprios da escrita
padrão, a importância da disposição das palavras na frase, como também das frases no discurso (entenda-
se discurso, neste caso, como a realização da linguagem em um determinado contexto específico) assim
como o estabelecimento da relação lógica das frases em se tratando da concordância. E, neste sentido,
o cuidado com a flexão das palavras em uma frase a fim de que os verbos, os adjetivos, os pronomes e
os artigos sejam flexionados devidamente e não empregados de maneira aleatória. Da mesma forma, a
regência ocupando a sua relevância na medida em que trata da dependência entre as palavras em uma
oração, seja entre o nome e o termo regido, seja entre o verbo e o termo regido. Portanto, temos a nossa
disposição algumas das principais ferramentas para a construção de textos escritos claros, coerentes e
coesos que cumpram seu papel de comunicar, independente do gênero a que pertençam.

LÍNGUA PORTUGUESA | Educação a Distância 61


ATIVIDADE DE AUTOESTUDO

ZÉ DO BONÉ

Explique por que a palavra MEIO apresenta flexão, no último quadrinho.

2.

a) Por que se flexionou a palavra proibido na placa?

b) Como ficaria a frase da placa se fosse construída SEM o artigo?

3. Atente-se para os diferentes contextos abaixo, os quais possuem expressões relacionadas à CON-
CORDÂNCIA VERBAL não apropriadas de acordo com a norma padrão. Encontre-as, reescrevendo a

62 LÍNGUA PORTUGUESA| Educação a Distância


oração adequadamente.

a) Por isso, em nome de todos os comediantes e humoristas, gostaria de lançar este pequeno protes-
to, pois, sendo o prefeito uma autoridade governamental, fica muito difícil, para nós, pobres mortais,
igualar-se à verve oficial (Jô Soares. Veja, 24/5/1995).

b) Espero que o pessoal reflete sobre o significado desta Copa do Mundo (Rivelino, Programa Apito Final
8/07/1990 – TV Bandeirantes).

c) Se o Zé descobre que dormi na cama dele, me mata eu e me mata você (Veja, 12/04/1995, novela A
Próxima Vítima).

d) A gente somos inútil (Ultraje a Rigor).

e) A lhe esperar (título da música de Os Paralamas do Sucesso).

4. Explique a concordância verbal existente nas frases a seguir, lembrando-se de que o verbo, normal-
mente, concorda com o seu sujeito.

a) O pardalzinho e Sacha eram amigos de verdade.

b) Tu e Sacha gostais de pardais?

c) Vocês amam a liberdade?

d) A maioria dos seres prefere casa à liberdade.

LÍNGUA PORTUGUESA | Educação a Distância 63