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Processo de Construção da Cidadania

“Cidadania” (vem do latim, Civita cidade) é o conjunto de direitos e deveres ao


qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive. Em direito,
cidadania é a condição da pessoa natural que, como membro de um Estado, se
acha no gozo dos direitos que lhe permitem participar da vida política
determinante a sua convicção.
O conceito de cidadania sempre esteve fortemente ligado à noção de direitos,
especialmente os direitos políticos, que permitem ao indivíduo intervir na direção
dos negócios públicos do Estado, participando de modo direto ou indireto na
formação do governo e na sua administração, sejam ao votar (direto), seja no
concorrer a um cargo público (indireto).
O processo de construção da cidadania é o resultado de uma transformação
milenar da sociedade, tem o seu começo nos tempos bíblicos quando a noção de
cidadania como a entendemos hoje nem sequer existia, uma época marcada por
um contexto de desigualdade social em que os profetas ensinavam a preocupar-
se com o próximo como sinal de humanidade. A cidadania na “antiguidade” em
tempos recuados da História encontram-se sinais de lutas sociais que lembram
bem a busca por cidadania. Os profetas Isaias e Amos pregavam em favor do
povo e contra os opressores.
Durante muito tempo a ideia de cidadania esteve ligada a um contexto de
privilégios, pois os direitos dos cidadãos eram restritos a determinadas classes e
grupos de pessoas. Mas foram os romanos que transportaram esse conceito para
o mundo da época, dando origem a palavra cidadania que derivou do latim civis e
gerou a palavra civitas onde cidadãos e estado passam a constituir um único
conceito. Na verdade só pode haver cidadania se houver estado e cidadãos livres,
a invenção do voto secreto por parte dos Romanos, foi no contexto da época, um
passo decisivo para alcançar a liberdade de escolha dos cidadãos. Não menos
importante foi também o aparecimento do Cristianismo, a chegada do
Renascimento e as 3 revoluções que estão na base da sociedade ocidental: a
Francesa, a Inglesa e a Americana.
Na “Grécia antiga” de Platão e Aristóteles, eram considerados cidadãos
todos aqueles que estivessem em condições de opinar sobre os rumos da
sociedade. Apenas homens totalmente livres, sem necessidade de trabalhar, uma
vez que o envolvimento nos negócios públicos exigia dedicação integral. A
cidadania grega era compreendida apenas por direitos políticos, identificada com a
participação nas decisões sobre a coletividade
Vemos a “cidadania romana” também se encontra, patente, a ideia
da cidadania como capacidade para exercer direitos políticos e civis. A cidadania
era atribuída apenas a homens totalmente livres, mas nem todos os homens eram
considerados cidadãos.
Já na “idade media” com a decadência do Império Romano ocorram
profundas alterações nas estruturas sociais. As relações cidadão - Estado, antes
regulado pelo Império, passam a controlar-se pelos ditames da igreja cristã. A
doutrina cristã provocou transformações radicais nas concepções de direito e de
estado. Fazendo com que os princípios de cidadania e nacionalidade dos gregos e
romanos estariam suspensos e seriam retomados com a formação dos Estados
Modernos e suas constitucionalidades.
Na cidadania na “idade moderna” com o fim da Idade Media e a ocorrência da
formação dos Estados nacionais, a sociedade, ainda formada e organizada por
membros da igreja e nobreza. Passarão aos burgueses homens livres, que viviam
fora dos antigos feudos. A língua, cultura e ideais comuns auxiliaram a formação
desses Estados Modernos. As modernas nações, governos e instituições
nacionais surgiram a partir de monarquias nacionais formadas pela centralização
ocorrida no desenrolar da Idade Moderna.
E por fim, a “cidadania no Brasil” está diretamente ligada ao estudo
histórico da evolução constitucional do País. A Constituição imperial de 1824 e a
primeira Constituição republicana de 1891 consagravam a expressão cidadania.
Mas, a partir de 1930, ocorre uma nítida distinção nos conceitos de cidadania,
nacionalidade e naturalidade. Desde então, nacionalidade refere-se à qualidade
de quem é membro do Estado brasileiro, e o termo cidadania tem sido empregado
para definir a condição daqueles que, como nacionais, exercem direitos políticos.
A história da cidadania no Brasil é praticamente inseparável da história das
lutas pelos direitos fundamentais da pessoa: lutas marcadas por massacres,
violência, exclusão e outras variáveis que caracterizam o Brasil desde os tempos
da colonização.
Vemos que há um longo caminho ainda a percorrer: a questão indígena, a
questão agrária, posse e uso da terra, concentração da renda nacional,
desigualdades e exclusão social, desemprego, miséria, analfabetismo.
Entrementes, a cidadania propriamente dita, está inicialmente dando passos
importantes. A segunda metade do século XX foi marcada por avanços sócio-
políticos importantes: o processo de transição democrática, a volta de eleições
diretas, a promulgação da Constituição de 1988 batizadas pelo então presidente
da constituinte Ulysses Guimarães de a Constituição Cidadã. E não se pode
esperar que ninguém o faça senão os próprios brasileiros.
A começar pela correção da pequena visão desvirtuada que se têm em relação
a conceitos, valores, concepções, assim, deixaremos de ser uma nação pequena
de consciência, uma sociedade artificializada nos seus gostos e preferências. A
Constituição cidadã onde se possa praticar a cidadania tornass e, cada brasileiro
em sua comunicação a sua Pátria.
Isto supõe uma consciência de pertencimento à vida política do país. Querer
participar do processo de construção dos destinos da própria Nação. O exercício
do voto é um ato de cidadania. Cidadania pressupõe também deveres, o cidadão
tem de ser cônscio das suas responsabilidades enquanto parte integrante de um
grande e complexo organismo que é a coletividade, a nação, o Estado, para cujo
bom funcionamento todo tem de dar sua parcela de contribuição. Somente assim
se que sempre buscam mais direitos, maior liberdade, melhores garantias
individuais e coletivas, e não se conformam frente às dominações arrogantes, seja
do próprio Estado ou de outras instituições ou pessoas que não desistem de
privilégios, de opressão e de injustiças contra uma maioria desassistida e que não
se consegue fazer ouvir, exatamente por que se lhe nega a cidadania plena cuja
conquista, ainda que tardia, não será obstada.
E por fim, entendemos que, “cidadania” um exercício da conquista desses
direitos e do cumprimento dos deveres. É um campo social e político em
permanente construção, onde as pessoas participam como integrantes de uma
coletividade, isto é, ela expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a
possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem
não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de
decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social.
Em relação aos avanços e desafios da cidadania, hoje a história da cidadania
confunde-se em muito com a história das lutas pelos direitos humanos. A
cidadania esteve e está em permanente construção; é um referencial de conquista
da humanidade, através daqueles que sempre buscam mais direitos, maior
liberdade, melhores garantias individuais e coletivas, e não se conformam frente
às dominações arrogantes, seja do próprio Estado ou de outras instituições ou
pessoas que não desistem de privilégios, de opressão e de injustiças contra uma
maioria desassistida e que não se consegue fazer ouvir, exatamente por que se
lhe nega a cidadania plena cuja conquista, ainda que tardia, não será obstada.
Ao abordarmos o assunto cidadania é questionada e demonstrada a origem de
vários dos problemas sociais enfrentados no Brasil até hoje: o preconceito velado,
o desnível social e econômico, a péssima distribuição de renda num país com
elevado PIB, a postura política da população ou a falta dela, educação e saúde
sucateadas e diversos outros. Os dilemas atuais da cidadania brasileira, em
especial no campo político, são de certo modo decorrentes de um exercício e uso
dos direitos de forma mais passiva que ativa. Diante de denúncias de corrupção,
por exemplo, os cidadãos “adestrados” por ideologias usadas para a manutenção
do poder político acreditam que não há uma solução, que tudo sempre foi assim
mesmo. Desse modo é diminuído o poder do povo, pelo próprio povo que deveria
dele usufruir.

Nossa atualidade...

Hoje, mais do que nunca, ser cidadão significa tomar conhecimento sempre
dos fatos mais importantes que ocorrem no entorno do nosso universo nos mais
diferentes níveis: pessoal; profissional; habitacional e global. Não podemos
apenas dizer: Eu não tinha conhecimento! Eu não fui informado! Eu não sabia!
Com o acesso que temos hoje aos mais diversos meios de comunicação, estas
desculpas não podem mais ser aceitas. Como cidadãos devemos tomar partido,
expressar nossas opiniões, sejam elas quais forem, agradando ou não. Devemos
também valorizar nossa capacidade de contribuir com o desenvolvimento social,
político e econômico, mesmo que seja apenas em trabalhos de voluntariado ou em
pequena escala. O importante é participar e não se omitir. Ser cidadão é estar e
ser uma pessoa atuante. É ter comprometimento. Ser ético e profissional.
Participar ativamente do processo de desenvolvimento social, político,
educacional e ambiental da nossa comunidade; cidade; país e até mesmo do
mundo, objetivando o bem comum e não o bem pessoal precisamos:
 Não nos calarmos diante dos problemas mais graves com os quais
nos deparamos a cada dia. Podemos e devemos contribuir sempre. Não
devemos nos acomodar e nos fechar em nosso universo acreditando que
nele teremos toda a segurança necessária.
 Respeitar as diferenças em todos os níveis.
 Contribuir para o desenvolvimento educacional do país e do mundo
pois todos nós sabemos que a educação é a chave de vários problemas
pelos quais passamos. Não temos mais espaço para a ignorância e
exclusão educacional.
 Cobrar do governo uma política mais transparente e o combate à
corrupção.
 Denunciar os órgãos públicos nas 3 esferas que não estejam
desempenhando seu papel.
 Lutar por um sistema judicial mais eficaz, mais rápido e menos
burocratizado
Esta é uma responsabilidade de todos nós. Cada um pode e deve contribuir
de alguma forma, numa esfera pública ou privada, de pequeno ou de grande
porte, não importa de que tipo. A sociedade pode e deve cobrar; o governo
deve fazer e as escolas e universidades devem formar, informar e fomentar a
análise crítica dos jovens cidadãos. Juntos poderemos alcançar algum
resultado. Se agirmos isoladamente precisaremos de muito mais tempo para
podermos perceber alguma mudança.