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Fichamento - Filosofia da Natureza – Mariano Artigas.

As ciências buscam explicações dos fenômenos naturais a partir de outros fenômenos


ou causas, adotando pontos de vista particulares. Diferente, da filosofia da natureza que busca
explicações que se referem ao “ser” e aos “ modos de ser” das entidades e processos naturais.
Encontrando-se, porém, relacionadas. Pois as ciências apoiam-se em alguns fundamentos
filosóficos e a filosofia deve contar com os conhecimentos científicos.
A filosofia da natureza é o ramo da filosofia que se ocupa do mundo natural ou físico.
Para considerarmos a o valor desta reflexão filosófica será necessário considerarmos o alcance
das ciências naturais, uma vez que há uma estreita relação entre essas ciências e a filosofia da
natureza.
A filosofia da natureza é a reflexão filosófica acerca do mundo, entendido como
mundo natural ou físico: tanto os seres inanimados (as estrelas e os planetas, os componentes
físico-químicos da matéria e os compostos físico-químicos), como os seres viventes.
Uma vez que o homem é parte da natureza, a filosofia da natureza também o vai
estudar. Sem dúvida, a pessoa possui dimensões espirituais não redutíveis ao nível material;
entretanto, é um ser unitário e, por conseguinte, o estudo da pessoa deve contar com os
resultados da filosofia da natureza. O ser humano constitui, por assim dizer, o horizonte ao
qual se destina a filosofia da natureza, por causa do nosso protagonismo dentro do mundo
natural.
A filosofia da natureza serve como fundamento para a metafísica, que estuda os
princípios últimos do ser como tal, aplicáveis tanto ao material como ao espiritual. É difícil,
para não dizer impossível, construir uma metafísica rigorosa sem contar com uma reflexão
igualmente rigorosa sobre o mundo físico.
As ciências naturais possuem um objetivo geral em comum: concretamente, buscam
um conhecimento da natureza que possa ser submetido a um controle experimental. Porém, a
filosofia da natureza, o seu enfoque é diferente , uma vez que, como afirmamos, busca
descobrir as causas últimas da natureza e propõe explicações gerais que vão além do que se
investiga na ciência experimental. Um exemplo, propõe os conceitos de substância,
potencialidade e atualidade, para explicar determinadas características da natureza. Já as
ciências estudam as substâncias e as potencialidades naturais, porém não se perguntam pela
própria noção de substância ou de potencialidade tal como o faz a filosofia. Entretanto,
também é interessante para a filosofia da natureza contar com as ciências para garantir que a
interpretação da experiência ordinária esteja correta.
A filosofia da natureza e as ciências naturais proporcionam enfoques diferentes,
porém complementares.
Existe, a reação anti-filosófica que cristalizou o cientificismo, que considera a ciência
experimental o único conhecimento válido da realidade. No entanto, o este é contraditório ao
negar o valor de todo conhecimento que não seja adquirido mediante a ciência, pois esta tese
mesma não é resultado de nenhuma ciência. Também existe, o positivismo, que pretendia
reduzir a ciência ao estabelecimento de relações entre fenômenos observáveis, evitando tudo
o que ultrapassasse esse limite.
Os filósofos gregos abordaram problemas filosóficos fundamentais e formularam
respostas que conservam a sua importância. Desde o princípio se enfrentaram, por um lado, a
consideração metafísica, que contemplava a natureza como obra divina e a pessoa humana
como dotada de uma alma espiritual e imortal, e, por outro, a perspectiva materialista, que
tinha a pretensão de explicar toda a realidade mediante os seus componentes materiais.
Na física Aristotélica, que vem depois destes, ele mesclou os problemas científicos,
materialistas, e os problemas filosóficos, metafísicos, e estes são os que determinam a pauta.
A cosmovisão aristotélica corresponde, em boa medida, à experiência ordinária. Desta fonte,
bebeu São Tomás de Aquino que continuou e propôs como a realização de um plano divino
através dos modos de ser e de agir, que Deus pôs nas próprias coisas, fazendo-as coopera na
construção da natureza: compara a ação divina à de um artífice que pudesse outorgar às peças
com as quais trabalha a capacidade de mover-se por si mesmas para alcançar o fim previsto.
Estas ideias, em seus aspectos fundamentais, se mostram muito adequadas para se conseguir
uma integração profunda dos conhecimentos científicos com a perspectiva filosófica.
Depois, segue-se um período de aprofundamento cada vez maior. Entretanto, no
desenvolvimento da ciência experimental se passa a descartar a importância da união entre a
filosofia e a ciência. E é o que chamamos de cientificismo e positivismo. Correntes que se
agarram somente na ciência como base para validar a realidade.
A ciência fragmenta a realidade para tentar explica-la. A cosmovisão atual sublinha a
importância do dinamismo da matéria, a existência de pautas espaciais e dinâmicas, a
morfogênese, a evolução, a auto-organização, a sinergia (cooperação), a emergência ( frente
ao reducionismo), a direcionalidade, a informação pertencentes a natureza. E assim, percebe-
se um novo paradigma científico, que supera o mecanicismo definitivamente e proporciona
uma base muito adequada tanto para a reformulação dos problemas clássicos da filosofia da
natural como para o estudo de novos problemas que advêm dos avanços das ciências.

O conceito de natureza

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