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ESTUDOS HISTÓRICOS
1995/16-JUUHMffiZEIMBRO

© ASSOCIAÇÃO DE PESQUISA EDOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA (APDOC)


QUE CONGREGA PESQUISADORES DOCPDOC/FGV.

EDITORES
Lúcia Lippi Oliveira, Marieta deMoraes Ferreira e Mario Grynszpan

CONSELHO EDITORIAL
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COORDENAÇÃO EDITORIAL
Dora Rocha

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA
CAT Torres

APPROPRIATE ARTICLESARE ABSTRACTED/INDEXED IN


Hispanic American Períodical Index
índicede Ciências Sociais
HistoricalAbstracts
América: History and Live

REVISTA FINANCIADA COM RECURSOS DO

Programa de Apoio a Publicações Cientificas

MCT CNPq ig) FINEP


ISBN 0103-2186

ESTUDOS

CULTURA EHISTÓRIA
URBANA

SUMARIO

J79 _ "Cultura popular": revisitando um conceito


historiogiáfico Reger Cbartier
_A pré-industrial como um centro
de informação e comunicação Reter Burke

205 - As '^riféricas" como arenas


culturais: Rússia,Áustria, América Latina RichardM. Morse

227 - Estilo de vidaurbano e modernidade Gilberto Velho

235 - O discurso da regeneração. E^aço urbano,


utopias e tuberculose em Buenos Aires, 1870-1930 DiegoArmus
251 - "Modéstiaà parte, meus setüiores, eu sou
da Vila!": a cidade fragmentada de Noel Rosa Santuza Cambraia Naves
Ribeiro

269 - Amodernidade cariocana sua vertente


humorística Mônica Velloso
279 - Muitoalém do espaço: por uma história
cultural do urbano Sandrajataby Pesavento
291 - Entrevista com Anthony Giddens

Resenhas
307 - Historiografia:uma revisão Alzira Alves de Abreu
313 - Trajaria individual e história cultural Carlos Eduardo Barbosa
Sarmento

319-Resumosem inglêsefrancês

Ettudot Históricos, Rio de Janeiro, voL 8, n® 16,1995, p. 177-328.


MUITO ALÉM DO ESPAÇO:
por uma história cultural
do urbano
SandraJatahy Pesavento

"Em Le temps retrouvé, últimaparte conjunto de idéias e certezas herdadas


deklsi recherche du temps perdu. do século XIX que se encontra em pro
Mareei Proust é convidado uma manhã
à casa daprincesa de Guermantes.
palada crisenos tempos atuais.
Esperando no salâchbiblioteca, ele Em termos teórico-metodológicos,
reencontra o sabor da modeleine; julgamos que os estudos de história cul
e logo invoca a realidade do tempo tural estão na ordem do dia na historio-
passado como uma certa relação entre graflamundial, podendo mesmo dizer-se
sensações e lembranças," que constituema "ponta fina" deste final
fLe Nouvel Observateur, 1995:9) de século.
Entendida como o desdobramento da
história social (Hunt, 1989), que,por sua
Este ressui^gimento do passado se
propicia pela combinação de uma
vez, se apresentava como a vertente re
sultante da confluência das historiogra-
experiência, ou pela renovação da sensi fias inglesa^ e firancesa,^ a chamada nova
bilidade do vivido - o ato de comer a história cultural se encontra difundida
madeleine com a evocação, que inau pela Alemanha^ e Estados Unidos, sem
gura uma nova temporalidade através de falar em tradições mais antigas, como a
um passado que se faz presente. Itália.'
Desta forma, a combinação da memó- Pode-se mesmo dizer que os debates
ría4embrança com a sensação/vivência em tomo da história cultural e do sistema
re-apresenta algo distante no tempo e no de idéias-imagens que lhe dá suporte- o
espaço e que se coloca no lugar do ocor imaginário sodal (Baczko, 1984) - são
rido. umelemento catalikidordopensamento
Estaríamos diante de uma das corren acadêmicocontemporâneo.
tes centrais do novo paradigma que se Entendemos a história cultural não
propõe substituir o esÊicelamento do como uma 'Sirada de mesa" com relação

Estados Históricos^ Rio de Janeiro, vol. 8, n® 16,1995, p. 279-290.


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a pressupostos teórico-metodológicos, sentido, sendo a tajre& do historiador atin


mas como uma nova abordagem, ou um gir esta intefigibilidade, usando o concei
novo.olhar que se apóia sobre as análises to como um instrumento para interrogar
járealizadas, e,porsuavez, avança dentro o mundo, garantindo a sua inserção como
de um determinado enfoque. Neste senti cat^oria central para uma nova episteme
do, a história cultural realmente vem se para a história.
somarao conhecimento acumulado, sem EruKrgar a realidade sob este prisma
voltar ascostas aumamatriz teórica, ftuto implica se colocar no cerne da redefini
de uma reflóião cumulativa. ção paradigmática da história.
Pensar o social através de suas repre Parece-nos particularmente interes
sentações é,a nosso ver, uma preocupa sante a discussão aberta porJean Boutier
ção contemporânea do nosso fimde sé
e DominiqueJulia (1995) em publicação
culo, balizada pela crise dos paradigmas recente, e que se situa frente à necessida
e^qilicativos darealidade quepôsemxe de de estabelecer novos paradigmas para
que a objetividade e racionaUdade das o conhecimento teórico.
leis científicas no domínio das ciências
humanas. A alternativa proposta se encaminha
no sentido tanto de reconstruir uma nova
Assumir estapostura metodológica - totalidade quanto de encontrar novas
adeatingiro"real" através desuas repre vias teórko-metodológicas para realizar
sentações - implica partir de determina a análise histórica. Um primeiro passo
do "corpus teórico". seria o entendimento de que a cultura
O primeiro campo a ser definido seria poderia ocupar este lugar de uma instân
o da r^resentação. Autilizaçâo deste con cia mais central e globalizante que reo-
ceito, que implica o retomo a Durkheim e rientasse o olhar sobre o real. Tal postu
Mauss ^auss, 1969), tomou-se uma cate ra, ao nosso ver instigante, vem ao encon
goria central para as análises da nova his tro da moderna tendência de análise da
tória cultural. O conceito, em si, envolve historiografia, que aborda os sistemas
uma série de considerações, a mmf^r simbólicos de idéias e imagens de repre
pelo pressupostode que a representação sentação coletiva a que se dá o nome de
implica uma relação atnbígua entreausên imaginário social.
ciae presença. Nocaso, a representação é Segundo esta tendência, a tare& do
a presentificação de um ausente, que é historiador seria captar a pluralidade dos
dado a versegundo umaimagem, mental sentidos e resgatar a construção de signi
ou material, que se distancia do mimetis- ficados que preside o que se chamaria a
mo puro e simples e trabalha com uma "representação do mundo". Mais do que
atribuição de sentido. isto, tomamos por pressuposto que a his
Para Chartier (1989, 1990, 1994a, tória é, ela própria, representação de algo
1994b) anoção derepresentação écentrai que teria ocorrido um dia. Distinguiría-
paraa suaconcepção de história cultural, mos, portanto, o que se chamaria "passei-
que sebaseia nacorrelação entre práticas dade" (o real acontecido) da "história",
sociais e representações. Arepresentação entendida como narrativa que "repre
deixa verumaausênda, estabelecendo-se senta" através de texto e imagem.
adiferençaentreaquilo que representa (o Assumir esta postura- "pós-modema",
representante) e o que é representado. segundo Rüssen (1992) - implica admitir
Mas, ao mesmo tempo, a representação que não há um único processo compreen
afirma umapresença daquilo que se ex sivo para a história, além de admitir crité
põe no lugar do outro. Entre uma e outra rios como o da ficcionalidade e do relati-
função, viabiliza-se a construção de um vismo para a recuperação do passado.
MUITO ALÉM DO ESPAÇO 281

Se a "passeidade" é algo que ocorre A cidade é, como se sabe, uma realiza


por fora da esiperiênda do vivido e se os ção muito antiga. Da Ur dos ziguraths à
r^istros da suaocorrênciajá nos checam Tebas das Sete Portas, da Roma dos Cé
como representações de algo que já foi, sares à Avignon dos Papas, da marca a
a história a ser construída apresenta-se sua presença na história, através daque
como uma possibilidade entre outras de les dementos que assinalam o advento
captar o passado. do que se considera dvilização. Mas é
Não é nossa intenção retomar todas as sobretudo com o advento do capitalismo
fitcetas que esta abordagem implica ou que se impõe a "questão urbana", colo
todos os problemas que enfrenta, mas cando diante do Estado a exigênda de
sim enfocar uma das suas vertentes de um tnodus vUfendl normalizador do "vi
investigação, que toma a cidade como ver em ddades". Processos econômicos
objeto de reflexão. e sodais muito daros ddinelam-se, trans
formando as condições da exástênda:
Neste contexto, buscamos com este
concentrações populadonais, migrações
trabalho resgatar a cidade através das rurais, superpovoamento e transforma
representações, entendendo o fenôme ção do e^aço agcinalain o crcscimento e
no urbano como um acúmulo de bens
configuração das ddades.
culturais (Aigan, 1992). Ora, consideran
do a cultura como uma rede de signiflca- A rigor, já existe um significativo co
dos socialmente estabelecidos (Geertz, nhecimento acumulado em termos de
1981), a cidade é o espaço porexcelência estudosurbanos, que nos foil^ado por
para a construção destes significados, ex uma história econômico-sodal voltada
pressos em bens culturais. Nosso intento P^tra as origens e o desenvolvimento (k>
é, pois, resgatar a cidade como real atra capitalismo e da sodedade burguesa e
vés da "leitura da cidade", ou de suas que teve na cidade o seu e^aço privile
representações. Entender a questão des giado de análise. Como refere Pinol
te modo não é submetê-la a um mero (1991), a história urbana não teve a mes
jogo de palavras, mas sim partir do pres ma importância e/ou dimensão em todos
suposto de que as representa^es são os países do mundo ocidental, cabendo
parte integrante também daquilo que
à Grã-Bretanha e aos Estados Unidos o
chamamos realidade. Isto se dá não só pioneirismo nesta área.^ Na França, a
porque são matrizes geradoras de práti Unhahistórico-sodal de estudo das cida
cas sociais, como também porque de
desencontraria suagrande expressão na
monstram um esforço de revelaçãoA>cul- volumosa coleção díi-igída por Georges
tamento dado tanto pelas imagens reais
Uuby (1983), complementada pelos tra
(cenários, paisagens de rua, arquitetura) balhos de Murard e Z)iberman (1976,
como pelas imagens metafóricas (da lite 1978), Yves Lequin (1978), Bemard Le-
ratura, pintura, poesia, discurso técnico petít(1988,1993),JeanIjucPinol(1991),
e hjgienista etc.) (Pechman, 1992). Bourillon (1992), Michelle Perrot
(1981), louis Chevalier (1978) e Chris-
fian Topalov (1987,1990). Nocaso bra
Entendemos, pois, que a cidade opor- sileiro, háquedtarapersistente regiona
tuniza uma "iluminação", expressão to lização dosestudos, quevão desdeanáli
mada no sentido benjaminiano do termo sesmais arnplaseaprofundadadas, resul-
(Petitdemange, 1991)de revelação, inte- tantes de teses,a art^os, ensaios e obras
Ugibilldade, cruzamento do dado objeti de divulgação.
vo (aobra, o traço,o sinal)como eu-sub- Mas, como jáfoi anunciado, interessa-
jetivo (a leitura da representação). nos o aprofundamento de uma histórb
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cultural do urbano, onde se cruzem os ceito da cidade moderna e da civilização.


dados objetivos - obras, traços, sinais ou Exigências morais, higiênicas e estéticas
"cacos" da passeidade que nos chegam, imperiosas se impunham diante da ne
sob a forma de imagens ou discursos, cessidade de "ser" e "parecer" moderno.
com as possibilidades de leitura que a Mesmo que o processo de renovação
cidade oferece. urbana em curso não se aproximasse, em
Empreender este caminho pressupõe termos de escala, do das metrópoles reais
pensar para muito além do espaço, enve que suportavam o conceito, a população
redando pelo caminho das repre afetada pelas demolições vivenciava a si
sentações simbólicas da urbe, que po tuação como pertinente ao acesso à mo
dem corresponder ou não à realidade dernidade. Em suma, os porto-alegren-
sen^vel, sem que com isso percam a sua ses sentiama sua cidade como metrópole
força imaginária. Como se sabe, a idéia e a representavam como tal em crônicas
ou concepção de que uma cidade seja de jomais, poesias, imagens e discursos
uma metrópole vem associada a dados variados.
concretos e evidentes, tais como padrão Estaríamos diante de um imaginário
de edificação, número de população,sis
social sobre a ddade-metrópole que, sem
tema de serviços urbanos implementa correspondência efetiva com o real con
dos, rede viária, infra-estrutura de lazer e
creto, tinha uma existência claramente
comerdal etc. Metrópoles foram Paris e
delimitada pelos padrões de referência
Londres, assim como Nova Iorque, São
conceituai vigentes no mundo capitalis
Paulo e tambémoRio deJaneiro. Ouseja, ta. Poderíamos talvez dizer que Porto
estes centros urbanos comportaram a
Alegre se sentia metrópole sem o ser
materialização, no tempo enoespaço, de realmente, mas esta sensibilidade fazia
um fenômeno socialque deu ao
conceito de metrópole. com que a representação imaginária ga
nhasse força de realidade. De uma certa
Mas o quepensardeuma PortoAl^re forma, esta idéia é esboçada por Marshall
dos anos 30 do nosso século, aranha^a Berman (1986) em sua celebrada obra,
segundo ospadrões urbanos vigentes, e quando diz que, para determinadas re
que é referida pelos contemporâneos giões - como a Rússia czarista -, a moder
como metrópole,vivenciando um "ritmo nidade aparece como algo distante, de
alucinante" de "progresso" e desenvolvi que se ouveÊdar, de que se temumcerto
mento, talcomo dizem os periódicos da conhecimento, que se almeja eiqperi-
época?
mentar, e que se consubstancia, por ve
Devemos entender que o espaço zes, num único elemento, convertido em
construído, ordenado e transformado - emblema da tal modernidade. Neste sen
peladestruição dos becos, a abertura da tido, a avenida Borges de Medeiros, de
avenida Boiges de Medeiros, a constai- Porto Alegre, e a perspectiva Nevski, de
ção doviaduto - suscitavasensações, per São Petersburgo, cumpririam o mesmo
cepções, e a elaboração de representa papel de representação simbólica da mo
ções paraaqueles que vivenciavamopro dernidade desejada.
cesso de mudança na cidade. Sem dúvi Da mesma forma, as representações
da,estas vivências eramtestadas frente ao constituídas sobre o urbano podem, tam
consumo de padrões de referência já bém, corresponder ou não aos códigos
estabelecidos: as largas avenidas, os via iniciais e às intenções dos seus constru
dutos ou o saneamento urbano, com a tores (Montlibert, 1995). Por exemplo, as
"varrida dos pobres" do centro da cida constpjções e espaços do poder público
de, eram práticas sociaisligadas ao con podei a obedecer a uma in tencionalidade
MUITO AlÉN DO ESPAÇO 283

enquanto projeto e concepção, distante lizada ou não, existiu como elaboração


das referências simbólicas que o seu uso simbólica na concepção de quem a pro
e consumo elaborar. Ou seja, enquanto jetou e a quis concretizar.
formuladores de propostas para a cida Mas Roncayolo não se prende apenas
de, os urbanistas e arquitetos atribuem aos portadores de tais idéias e executores
uma íiinção e sentido a seus projetos, de tais práticas sociais de intervenção no
que poderão se distanciar em muito das urbano e se pergunta sobre as repre
construções simbólicas feitas pelos usuá sentações da cidade que provêm dos
rios daquele espaço transformado. consumidores do espaço ou habitantes
Há que estabelecer, de pronto, a dis da urbe. Seriam eles atores passivos, que
tinção trazida por Mareei Roncayolo legitimariam sem maior restrição as re
(1995) entre produtores e consumidores presentações impostas "de dma"? Ou,
do espaço . Partindo da cidade como pelo contrário, seriam capazes de meta-
representação ou conjunto de repre bolizar as atribuições e designações refe
sentações, Roncayolo identifica que há rentes a espaços e vivências e depois
um sistema de idéias, mais ou menos formular suas próprias elaborações sim
coerente, daqueles que "Êizem a cidade", bólicas? Endossando a postura de Ginz-
a projetam, discutem e executam. Os burg (1987), opinamos pela drcularida-
portadores de tais idéias seriam identifi
de cultural, que pressupõe o vaivémdos
cados no interior das classes dominantes sentidos conferidos aos espaços e socia-
ou das elites dirigentes, com destaque billdades urbanas atribuídos pelos pro
especial para o que se chamaria os "pro dutores e consumidores da cidade.
fissionais da cidade": arquitetos, urbanis No tocante a estes "espectadores da
tas, engenheiros, médicos sanitaristas e urbe", há que distinguir entre o que se
os demais técnico-burocratas encarrega poderia chamarde "cidadão comum" ou
dos de implementar os equipamentos "gente sem importância", que constitui a
necessários à intervenção urbana. A de massa da população citadina, e os que
nominação de Roncayolo tem uma data poderiam ser designados como "leitores
ção precisa - o século XEC, no qual emer especiais da cidade", representados pe
ge a grande cidade, que coloca para os los fotógrafos, poetas, romancistas, cro
governos a necessidade de intervir no nistas e pintores da cidade. Naturalmen
espaço, ordenando a vida, normalizando te, há uma variação de sensibilidade e
a sociedade. A "questão urbana" aparece educação do olharentre os dois tiposde
assim como um problema posto, deriva consumidores da urbe.
do das transformações econômico-so- Ver a cidade e traduzi-la em discursos
ciais da época, e que tem na cidade o seu ou imagens implica um fenômeno de
locus privilegiado de realização.' Sem percepção, mas queenvolve umcomple
dúvida, estes "produtores do espaço" xo conjunto de "lógicas sociais". Como
concebem uma maneira de construir refere Montlibert (1995), estes proces^
e/ou transformar a cidade, através de prá implicam julgamentos sociais, vivências,
ticas definidas, mas também constróem lembranças e posições estéticas em cuja
uma maneira de pensá-la, vivê-la ou so base se encontra a operação prática do
nhá-la.Há aprojeção de uma "cidadeque babitusdequeÉüaBourdieu. Ora,sendo
se quer", imaginada e desejada, sobre a o babitusuma "aquisição" ou um "capi
cidade que se tem, plano que pode vira tal" que se incoipora social e historica
realizar-se ou não. O que importa resga mente, ele opera como uma máquina
tar, do ponto de vista da história cultural transformadora que £az com que "repro-
urbana, é que a "cidade do desejo", rea duzamos" as condições sociais de nossa
284 ESTUDOS HISTÓRICOS-199S/1Í

própria produção, mas de uma maneira cios do que seriaa sua ordem, chegando
relativamente imprevi^vei (Bourdieu, às representações coletivas de uma "ou
1980). As representações do mundo so^ tra"cidade. Como consideração final so
dal assim constituídas, que a bre estas diferentes percepções do urba
realidade e atribuemvalores, no caso, ao no, ha que lembrar a "circularidade cul
espaço, à ddade, à rua, aos bairros, aos tural" quepermitea trocade signosentre
habitantes da uibe, não é neutra, nem o que se poderia chamar a "cidade real
reflexa ou puramente dbjetiva, más im vivida" dos consumidores da urbe e a
plica atribuições de sentidos em conso "cidade sonhada" dos produtores do es
nância com relações sociais e de poder paço, ou ainda entre a contracidade dos
(Bourdieu, 1982). exduídos do sistema, na "contramão" da
Assim é que as qualiflcações de peri vida, e acidade ordenada, bela, higiênica
gosa ou segura, limpa ou suja, ordenada e s^ura das propostas burguesas.
ou anárquica, bela ou feiapara uma dda Mas reatar sensibilidadespassadas,
de variavam de acordocom os produto tentar recuperar construções imaginárias
res ou consumidores do espaço. Ainda dos homens de outrora, cuja vivência
com base no mesmo raciodnio é que corre por fora da nossa experiência sen
podemos afirmar que há "leitores privi sívd, constitui sem dúvida um impasse.
legiados" da ddade, com hahiiita^s Tratando-se do passado, como restabele
culturais, profissionais e estéticas que os cer a relação entre sensações e lembran
dotam de um olhar refinado, sensívd e ças,como vinculara vivência à memória?
aiguto. É o caso dos dtados escritores Para usara metáfora proustiana, o que
fotógrafos epintores do urbano, que res^ para o historiador representaria a made-
gatam as sensibilidadades do rrâl vivido leine, que, pdo seu gosto, sabor e textu
estabdecendo com acidade uma relaçãc) ra, reconstituiria a experiência através da
privilegiada de percepção. evocação?
Istonãoquerdizer, para ohistoriador, Como diz Calvino (1990), uma cidade
que os"homens comuns" não sejam do^ comporta muitas, e, ao analisar uma me
tados de sensibilidade ou que sejam in trópole, mediante o que ela se tomou, é
capazes de elaborar representações. To posrivd recordar aquiloque elafoiumdia.
davia, resgatá-las é um caminho quese Naturalmente, a forma de umacidade,
gue outras vias que não a fotografia bem seus prédios e movimentos contam uma
enquadradae significativa, aobradearte, história não verbal do que a urbe viven-
o romance urbano ou a crônica bení ciou um dia, mas, por mais que este
escrita. Ler a cidade dos exduídos, po patrimônio tenha sido preservado, os es
bres e marginais conduz o historiador a paços e socialidadesse alteraram inexo
"escovar a história a contrapelo", como ravelmente, seja enquanto forma, função
diz Benjamin, buscando os cacos, vestí ou significado. No caso das ddades mo
gios ou vozes daqudes que figuram na dernas, metrópoles de feto ou por atri
história como "povo" ou"massa" ouque buição de seus habitantes, que a vêem e
se encontram na contramão da ordem sentem como tal, a complexidade da vida
como marginais. Énos registros policiais' e as sucessivas intervenções urbanísticas
nas entrelinhas dos jornais,nas "colunas são agentes de descaracterização e mes
do povo" dos periódicos, nas festas po mo de d^radação da cidade. Ocorre
pulares e nas manifestações de rua, nos muitas vezes o que se poderia chamar
acontecimentos singulares que qudbram unu "pasteurização" ou uniformidade
a rotina da vida urbana que podemos do urbano no pior dos sentidos: a des
encontrar suas vozes ou reatar os indí truição da memória, a substituição do
MUITO AlÍM 00ESPAÇO 285

"velho" pelo novo, a uniformização das dade é um lugar que autoriza as diferen
construções e a generalização do caráter ças e que encoraja a concentração destas
de impessoalidade ao contexto uifoano. diferenças, construindo pertencimentos
Em Êiscinante estudo, Ricbard Sennett díspares e experiências cada vez mais
(1992) se pergunta, ante o problema cul complexas.
tural dz cidade moderna: como £izer fa Ora, sob o império desta diversidade
lar este meio impessoal, como ultrapas é que Sennett postula um novo olhar,
sar sua neutralidade? O exemplo do cen defendendo o poder da interpretação
tro de Porto Alegre vem logo à lembran visualquepoderia conquistaraexperiên-
ça. Dificil é vislumbrar, na atual rua dos cia da complexidade do meio urbano.
Andradas, a tradicional rua da Praia, pas Desta forma, tudo aquilo que antes
sarela da moda, roteiro do footing, a representaria elementos de perturbação
desembocar na velha praça da Al^dega, e descaracterização - a impessoalidade,
com os seus cinemas e cafés. Com as o anonimato, a diferença, a complexida
hichadas dos velhos prédios recobertas de, a separação entre o interior e o exte
de tapumes, revestimentos e cartazes, os rior, entre o privado e o público - pode
mesmos espaços cedendo lugar a novos se tomar o elemento de reeducação do
usos - "bingos", agências lotéricas e lojas olhar, oportunizando uma revelação e
populares de discos -, muito pouco resta uma nova coerência para o mundo.
daquela rua da Praia celebrada em prosa
e verso pelos cronistas e poetas. Aperspectiva de Sennett, que enfatiza
a necessidade de mudança de perspecti
A postura de Sennett se opõe à de va do olhar sobre o urbano, é uma pro
Kevin Lynch (1990), que atribui uma qua posta que se liga a outros espectadores
lidade visual particular ao urbano. Lynch e/ou pensadores da cidade. A começar,
aposta no que se chamaria uma "clarida como o próprio Sennett invoca, pela fi
de" aparenteou legibilidade da paisagem gura de Charles Baudelaire, que via em
citadina. Para este autor, reconhecer os 1'aris a possibilidade de uma transcen
elementos visualmente expostos e orga dência doolhar, tais ascorrespondências
nizá-los num sistema coerente e com possíveis de serem apreendidas pelas
preensível do urbano seria uma tare& inúltiplas figuras, espaços e práticas so-
fíciL Já Sennet (1992) entende que as ci^ que a cidade oferecia. Afigura do
formas visuais da legibilidade na concep flàneur que errapela cidade, no emara
ção do espaço urbano não se revestem nhado urbano de ruas e personagens, é
de um conteúdo tão simples ou direto. a de alguém que tropeça em obstáculos,
Ou seja, ante a neutralidade imposta pela enreda-se em apelos e se defix)nta com
ação do urbanista, a cidade não se reve Signos a decifiar diante da ambivalência
laria tão transparente. A própria cotidia- da vida dtadina. Não é ã toaque é na rua
neidade da vida é, também ela, um ele que o poeta capta a diversidade da vidae
mento de alteração do espaço e de trans &2 docontraste e doparadoxo emergira
formação do meio ambiente. sua representação do urbano (Labanhe,
O interessante na visão de Sennett é 1995).
apostar justamente numa das caracterís Aidéia do contraste produzindo a re
ticas da cidade moderna como elemento velação ou a descoberta poderia ser
revelador de significados. Trata-se da ca exemplificada em vários momentos dos
pacidade da grande cidade de oferecer a famosos Tableauxparisiens, de Baude
experiência da alteridade, dadas as con laire, mas nos restringimos a um só, cor-
dições diversas e múltiplas que a vida porificado na poesia À une mendiante
urbana oferece. Como diz Sennett, a ci wusse (Baudelaire, 1972), na qual o au-
286 ESTUDOS HISTÓRICOS - HSS/li

tor (q>õea figuta patética e bda da jovem metrópole propicia aos seus habitantes
mendiga à sanha e cupidez dos "devas representações contraditórias do espaço e
sos" que exploram sua firagllidade. A crí dassodalidades que ali têm lugar. Elaé,
tica s(x±il e a opressão dos humildes porum lado,luz, sedução, meca da cultu
emerge da imagem contrastante expres ra, civilizaçao, sinônimo de progresso.
sa de forma poética. Neste contexto, Bau- Mas, por outro lado, ela pode ser repre
delaire recompõe algumas repre sentada como amea^dora, centro de per
sentações do urbano, que operam como dição, império do crime e da barbárie,
valor de "sintoma" de uma época. mostrando uma foceta de ins^;urança e
Walter Benjamin, leitor de Baudelaire, medo para quem nda habita. São, sem
assim como de Proust, desenvolve tam dúvida, visões contraditórias, de atração e
bém uma espécie de método do contraste repúdio, desedução e rechaço, que,para
com o fim de pportunizara revelação ou doxalmente, podem conviver no mesmo
"iluminação". Cortandoosrínculos gené portador. Esta seria até, como lembra
ticos pasmdc/presente, o que Benjamin MarshallBerman (1986), uma das caracte
postulaé a criação de oontra-imagens que rísticas da modernidade enquanto expe
rompam o conáiuo da história, propi riência histórica individual e coletiva: a
ciando o que se chamaria de "o salto do postura de celebração e cnmlT^tp diante
t^", que dariamaigemàinteligibilidade do novo, que em parte exerce Êiscánio e
pelo contraste (Rüssen, 1992). Eqrlique- em parte atemoriza.
monos: não é que Walter Benjamin não Assim é que,seguindoa estratégiame
prívil^ie a teoria e a construção de con todológica da montagemsegundo o cho
ceitos para o entendimento das repre que contrastivo, é posrívd pôr firente a
sentações dosocial, pois, paratanto, lança frente as representações da cidade que
mão das cate^riasda"dialética daparali falam de progresso ou tradição, as que
sia" ou da£intasmagoria, versão benjami- cdebram o urbano ou idealizam o rural,
niana do fetichismoda mercadoriamaocis- o imaginário dos consumidores do espa
ta (Benjamin, 1989). ço firente aos dos produtores da urbe, a
Entretanto, o que cabe resgatar neste visão das elitescitadinas e a dos popula
momento é o método de que se vale res e deserdados do sistema,a dimensão
Benjamin para, através do cruzamento de da esfera pública, enquanto repre
imagens contrarias, obtera revelação da sentação, e o imaginário constituído so
coerência desentido deuma época. Ana bre o privado, as imagensdo espaço que
lisando a obra de Benjamin, VWlli Bolle contrapõem o centro ao bairro ou ainda
(199'0 indica atécnica da montagem, to a própria visão da rua, vista como local
mada deempréstimo das vanguardas ar de passeio ou passagem, contraposta
tísticas, em especial do cinema, e a sua àquelesque nela moram por não terem
transposição paraahistória. Segundo Bol outra opção.
le, a historiografia benjaminiana, como Ainda obedecendo ao princípio da
construção, pressupõe um trabalho de desmontagem e remontagem dos frag
"destruição" e "desmontagem" daquilo mentos do uibano, obtidos por idéias e
que o passado oferece, visando a uma imagens de representação coletiva que
novaconstrução, ditadapdo "agora". Para são contrastadas com o intuito de reveiar
tanto, sugere a montagem em forma de uma nova consteiação de significados,
dioque ou contraste, confcontando as Willi Boiie (1994:98) indica uma outra
imagens antitéticas e, por cons^uinte, técnica de inteligibilidade: a montagem
dialétkas, para promover o "despertar" por superposição. Refere que esta seria
ou a "revciaçao". Exemplifiquemos: uma talvez "amaispropíciapara radiografar
MUITO ALÉM DO ESPAÇO 287

o imaginário coletivo**, pois nela a toma outra, contextualizando e opondo ima


da de consciência se daria aos poucos e gens e discursos antitéticos, na busca de
não por efeito da revelação por choque, significados e correspondências.
mencionada acima. Seria o processo me Apoiado num novo paradigma centra
todológico através do qual o historiador do na cultura, utilizando conceitos tais
iria justapondo personagens, imagens, como os da representação e do imaginá
discursos, çy&axos,performances "reais" rio ou o princípio do cruzamento das
ou "imaginárias" do espaço urbano. práticas sociaiscom as imagens e discur
Seria, talvez, a técnica que mais se sos de representação do real, escorado
aproximaria do que comumente se cha na estratégia metodológica detetivesca
maria a contextualização, o referencial de da montagem por contraste e justaposi
circunstancia ou ainda o quadro de con ção, resta ao historiador a dificil tarefa de
tingências que demarca a situação a ser resgatar o que pensavam ou tentavam
analisada. Assim é que, na cidade, com ejqjressar os homens do passado.
pareceriam, como fragmentos da história Se o passado é um "lugar" distante, se
ou atores a serem justapostos uns aos ele nos chegacomoum "tempo não vivi
outros, a multidão e o flâneur, o povo e do", onde ocorreram fitos "não observá
o destacado personagem, negros, mu veis",as vozesdeste passado podem nos
lheres, marginais, políticos, becos e ave soar estranhas, e suas imagens podem
nidas, festas, rituais, cotldianeidade e figurar como incompreensíveis para a
eventos excepcionais. nossa contempoianeidade. Por vezes, há
Frente a esta estratégia de um historia como que um elo perdido que perpetua
dor que recolhe fragmentos expressos em os enigmas de um outro tempo.
discursos e imagens que füam de um Resgatar representações coletivas an
passado, tentando aproximar-se do imagi tigas não é julgá-las com a aparelhagem
nário coletivo de uma época - e, portanto, mental do nosso século, mas sim tentar
representando o já representado -, é im captaras sensibilidadespassadas, cruzan
possível deixar de pensar em Cario Ginz- doaquelas representações entresie com
buig (1990), com as suas considerações as práticas sociais correntes. É, sobretu
sobre o historiador-detetive. Gin2fouig de do,lembrar a atualidade das palavras de
fende que o conhecimento do historiador Lucien Febvre (1987:14): "De fato, um
é indiciário e fragmentai. Tal como Freud homem doséculoXVldeve serinteligível
ou Sherlock Holmes, ele opera de forma não em relação a nós, mas em relação
detetivesca, recolhendo os sintomas, indí a seus contemporâneos**,
cios e pistas que, combinados ou cruza E, como regra geral de uma história
dos, permitam oferecerdeduções e desve cultural urbana, cabe lembrar que todo
lar significados. Por vezes, a constituição esforço para desvelar representações
de um paradigma indiciário não se prende passadas é uma leitura entre possíveis.
às evidências manifestas, mas sim aos por- O leitor do presente - historiador em
menores, aos sinais episódicos, aos ele penhado em reconstruir as representa
mentos de menor importância, marginais çõesurbanasdo passado- lidarácom as
e residuais, que, contudo, permitirão a dificuldades do filtro do tempo, a dificul
deciíhição do enigma e o desfizer de um dade de acesso a códigos e significados,
enredo. a estranheza da linguagem e das práticas
A rigor, as técnicas de montagem por usuais, o inevitável viés da dissimulação
justaposição e contraste não são, em si, na constituição dos discursos, a disper
exdudentes, e, na pratica, os historiado são e dificuldade do acesso a fontes e,
res tanto se valem de uma quanto de sobretudo, com a certeza de lidar com
288 ESTUDOS HISTÓRICOS-1995/16

materiais que já lhe chegam como repre posição e uma abertura para ver um pou
sentação. Se as representações mais £i- co mais além, talvez, do que aquilo que
ceis de resgatar são aquelas que resultam já foi visto, despertando para o presente
de um ato de vontade ou deumexercácáo as múltiplas cidades do passado que as
de pcxler - as identificações uifoanas atri de hoje encerram.
buídas através de uma elaboração delibe E, paia recorrer às metáforas que os
rada e intencionalmente difundida clássicos nos trazem, possa o novo olhar
mais dificil será a apreensão das contra- de Clio orientar os caminhos de Ariadne.
imagens construídas pelos usuários da
cidade, retiradas em parte de tradições
imemoriais, desejos não realizados ou
metabolização e tradução dos valores im
postos.
Notas
Neste entrecruzamento de espaço e
tempo, a cidade aparece como uma ema
1. Principalmente dos neomarxistas ingle
ranhada floresta de símbolos, que po
ses E. P. lhompson, Christopher Hiil e Ray-
dem se tomar le^veis para o historiador
mond Williams.
ou, pelo contrário, se configurar como
2. Em espedal, o grupo da Nova História:
obstácnilos.
Roger Chanier, Jacques Le Gofl^Jacques Ran-
Énestecontexto queganha expressão cière, Jacques Rievel e Alain Buiguière.
a "teoria do labirinto" de Abraham Moles
3. Carl Schorske e Hans Medick.
(1986). Entendido como um arquétipo
4. Lynn Hunt, Natalie Zemon Davís e Ro-
fiindamental da organização de um espa bertDamton, só para dtar os mais conhecidos
ço restrito, o labirinto é constituído de do público brasileiro.
muros, interdições, fiüsas saídas, mas
5. É o caso específicodo muito celebrado
também de corredores através dos quais Cario Ginzburg.
é possível achar caminhos.
6. Para a categoria da representação, corv
A descoberta da cidade é a de um sultar, além das obras de Roger Chartier, Jo-
labirinto do vivido eternamente renová setxo Berian, Representaciones colectivas y
vel, onde o indivíduo que nele adentra proyecto de modemidad (Barcelona, Anthro-
não é um ser completamente perdido ou pus, 1990); Pierre Bourdieu, Opoder simbó
sem rumo. É alguém que lida com me lico (lisboa, Difel, 1989)e Cequeparler veut
mória e sensação,experiênciae bagagem dire (Paris, Fayard, 1992); Cario Gimburg,
intelectual, recolhendo os microestímu- "Représentation: le mot, Tidée, k chose",An-
los da cidade que apresentam caminhos nales, v.6, nov.-dez. 1991; Louis Marin, Des
pouvoirs de Vimagp (Paris, Seuil, 1993) e/)e
que se abrem e se fecham ^oles, 1984). Ia représentation (Paris, Gallimard/Seuil,
Para enfirentar esta tarefii, o moderno 1994), e Paul Ricoeur, Du texte à Vaction
leitor do urbano terá de contar com a sua (Paris, Esprit/Seuil,1986).
bagagem prévia, como o seu "capital" de 7. A partir da clássica obra de H. J. Syos,
historiador: não só um universo concei Victorian suburb: a study oftbe &owth of
tuai e instrumental metodológico, mas Camberwell (London, Leicester University
também um estoque de conhecimentos Press, 1961),destaca-se o surgimento de algu
acumulados sobre o urbano, que as ge mas cbras que dariam inído à New Urban
rações anteriores já produziram. A partir Histoiy, como a de Stephan Thernstron e
Richard Sennett, Nineteentb centurycitiesEs-
desta base, ele vai cruzar referências, prá says in New York bistory (New Haven, Yale
ticas e representações, dados objetivos e University Press, 1969), ou mesmo a muito
percepções subjetivas, vai justapor, con conhedda obra de E. P. Thompson, Tbe mch
trastar e, sobretudo, manter uma predis king of tbe Englisb working class (London,
MUITO ALÉM DO ESPAÇO 289

Pantheon Books, 1963). Nos Estados Unidos,


Referencias bibliográficos
poder-se-ia mencionar o já clássico estudo do
citado Stephan Themston, Poverty andpro
Sr^ss, socialmobüüy inanineteentbcentwy ARGAN, Giulio Cario. 1992. História da arte
city (Mass., Harvard University Press, 1964). comobistóriadaddade. São Paulo, Mar
tins Fontes.
8. Atendendo a esta re^onalização das
visões, há que citar, no caso baiano, as c^ras BACZKO, Bronislaw. 1984. Les imaginaires
de Kátia Queiroz Mattoso, A cidade de Salva^ sodaux Paris, Payot
dor e seu mercado no século XX(São Riulo, BAUDEIAIRE, Charles. 1972. Les Jleurs du
Hudtec, 1978) cBabia, séculoXEX: umaprO' mal. Paris, Gallimard.
víncianoImpério (RiodeJaneiro, NovaFron BEhaAMIN, Walter. 1989. "ftiris, capitale du
teira, 1992). As coletâneas organizadas por XIX® siècle", Lelivre despassages. Paris,
Ana Fernandes e Marco Aurélio Gomes, Cidor CERF.
dee história Modernização dascidadesbrO'
sÜeirasnosséculosXJXeXXi^iÁy^cx, UFBA, BERMAN, MarshaU. 1986. Tudo que é sólido
desmanchano ar; a aventura damoder'
1992), dão conta de um viés regional do
nidade. São Paulo, Companhia das Le>-
Brasil como um todo, assim como a revista
tras.
Espa^ e Debate, No caso de São Fsaulo, há
que destacar as teses defendidas no programa BOLLE, VTilli. V)9A.AjÍsionomiadametrópO'
de pós-graduação em História da Unicamp, le moderna. São Paulo, Companhia das
assim como a tese de livre-docênda de Raquel Letras.
Glezer, C&õo de terra: um estudo sobre São BOURDIEU, Pierre. VJ^.Questionsdesodo-
Paulo colonial, defendida na USPem 1992. logie. Paris, Minuit
No caso do RioGrande do Sul,registram-se a 1982. Ce queparler veutdire. Paris,
coletânea organizada por Wrana Paniszí e Fayard.
João Rovatti, Estudos urbanos: Porto Alegre e
BOURILLON, F. 1992.Lesvillesenfrance au
seu planejamento (Porto Alegre, Ed. da Uni
XDf siècle. Paris, Ophrys.
versidade, 1993), e os livros de SandraJatahy
Pesavento, Memória Porto Alegre: espaços e BOUTIER, Jean e JUUA, Dominique. 1995.
vivências (Porto Alegre, Ed.da Universidade, "CXiverture: à quoi pensent les histo-
1991) c Os pobres da cidade (Porto Alegre, riens?", em Passésrecomposés Cbamps
Ed. da Universidade, 1994). Para o Rio de et cbantiers de Tbistoire. Paris, Autre-
Janeiro, cabe lembrar os avanços realizados ment.

pdo grupo que publicava na revista Rio de CALVINO, ítalo. 1990. As cidades invisíveis.
Janeiro ou pelas publicações feitas no âmbito São Paulo,Companhia das Letras.
do IPPUR e da FundaçãoCasade RuiBarbosa. CHARTIER, Roger. 1989. "Le monde comme
Assim como a revista/to deJaneiro, os textos répresentation", Annales, v.6, nov.-dez.
apresentados no Seminário Rio Republicano, p.1513-5.
da Fundação Casa de Rui Barbosa (outubro
de 1994), centralizam o seu enfoque na dda- . 1990.Abistória cultural: en^epráti
de do Rio.
case representações. Lisboa, Difel.
9. Quanto à emergência da "questão urba
. 1994a. "A história hoje: dúvidas, de-
S3íBos,propostns*\EstudosHistóricos, n°
na", consultar ChristianTopalov, "Dela'cues-
13, jan.-jun.
tíón sodal' a los 'problemas urbanos'; los
reformadores y Ia pobladón de Ias metrópo . 1994b. "Uhistoiieculturelleaujourd'-
les a princípios dei sigioXX", RevistaInternet hui", Genèses, n®15.
ciotud de Ciências Socicdes, Unesco, set. CHEVALIER, Louis. 1978.Üasses laborieuses
1990; Michelle Perrot, "Ia ville et ses Êiu- et classes dangereuses à Paris pendant
bouigs au XDC® siècle", em Jean Baudrillard et Ia premièremoitiédu XDf siècle. Paris,
alii, Citovennité et urbanité (Paris, Esprit, Pluriel.
1993); "A Ia découverte du íait social: 1890- DUBY, Georges (oig.). 1983. Histoire de Ia
1900" (Paris, Calmann-Lévy, n° 2, dez. 1990). Prance urbaine. Paris, Le Seuil. 4.v.
288 ESTUDOS HISTÓRICOS-1995/16

materiais que já lhe chegam como repre posição e uma abertura para ver um pou
sentação. Se as representações mais fá co mais além, talvez, do que aquilo que
ceis de resgatar são aquelas que resultam já foi visto, despertando para o presente
de um ato de vontade ou de um exercício as múltiplas cidades do passado que as
de poder - as identificações urbanas atri de hoje encerram.
buídas através de uma elaboração delibe £, para recorrer às metáforas que os
rada e intencionalmente difundida clássicos nos trazem, possa o novo olhar
mais dificil será a apreensão das contra- de Clio orientar os caminhos de Ariadne.
imagens construídas pelos usuários da
cidade, retiradas em parte de tradições
imemoriais, desejos não realizados ou
metabolização e tradução dos valores im
postos.
Nolcu
Neste entrecruzamento de espaço e
tempo, a cidade aparece como uma ema
1. Principalmente dos neomandstas ingle
ranhada floresta de símbolos, que po
ses E. P. Thompson, Christopher Hill e Ray-
dem se tomar legíveis para o historiador mond Williams.
ou, pelo contrário, se configurar como
2. Em espedal, o grupo da Nova História:
obstáculos.
Roger Chartier, Jacques Le Goflt Jacques Ran-
Éneste contexto que ganha expressão cière, Jacques Revei e Alain Buiguière.
a "teoria do labirinto" de Abraham Moles 3. Gari Schorske e Hans Medick.
(1986). Entendido como um arquétípo
4. Lynn Hunt, Natalie Zemon Havis e Ro
fiindamental da oiganização de um espa
bertDarnton, só para dtar os mais conhecidos
ço restrito, o labirinto é constituído de do público brasileiro.
muros, interdições, falsas saídas, mas
5. É o caso espedfíco do muito celd^rado
também de corredores através dos quais Cario Ginzbuig.
é possível achar caminhos.
6. Para a categoria da representação, con
A descoberta da cidade é a de um sultar, além das obras de Roger Chartier, Jo-
labirinto do vivido eternamente renová setxo Berian, Representaciones colectivas y
vel, onde o indivíduo que nele adentra proyecto de modemidad (Barcelona, Anthro
não é um ser completamente perdido ou pus, 1990); PierreBourdieu, Opoder simbó
sem rumo. É alguém que lida com me lico (lisboa, Difel, 1989)e Cequeparler veta
mória e sensação, experiência e bagagem dire (Paris, Fayard, 1992); Cario Ginzbuig,
intelectual, recolhendo os microestímu- "Représentation: le mot, Fidée,Ia chose",An^
rudes, v.6, nov.-dez. 1991; Louis Marin, Des
los da cidade que apresentam caminhos
pouvoirs de Vimage(Paris, Seuil, 1993) cDe
que se abrem e se fecham ^oles, 1984). Ia représentation (Paris, Gallimard/SeuU,
Para enfrentar esta tareÊi, o moderno 1994), e Paul Ricoeur, Du texte à Vaction
leitor do urbano terá de contar com a sua (Paris, Esprit/Seuil,1986).
bagagem prévia, como o seu "capital" de 7. A partir da clássica obra de H. J. Syos,
historiador: não só um universo concei Victorian suburb: a study oftbe groivtb of
tuai e instrumental metodológico, mas Cambertvell (London, Leicester University
também um estoque de conhecimentos Press, 196l),destaca-seosuigimentodealgu-
acumulados sobre o urbano, que as ge mas obras que dariam inído à New Urban
rações anteriores já produziram. Apartir History, como a de Stephan Themstron e
Richard Sennett, Nineteentb centurycitiesEs-
desta base, ele vaicruzar referências, prá says in New York bistory (New Haven, Yale
ticas e representações, dados objetivos e University Press, 1969), ou mesmo a muito
percepções subjetivas, vai justapor, con conhedda obra de E. P. Thompson, Tbe ma^
trastar e, sobretudo, manter uma predis king oftbe Englisb tvorking class (London,
MUITO AliM DO ESPAÇO 289

Psantheon Bcx>ks, 1963). Nos Estados Unidos,


poder-se-ia mendonar o já clássico estudo do
Relerencias bibliográficos
dtado Stephan Themston, Poverty andprch
gress, social mobÜÜyinanineteentbcentury ARGAN, Giulio Cario. 1992. História da arte
city (Mass., Harvard University Press, 1964). comohistóriadaddade. São Paulo, Mar
tins Fontes.
8. Atendendo a esta regionalização das
visões, há que dtar, no caso baiano, as obras BACZKO, Bronislaw. 1984. Les imaginaires
de Kátia Queiroz Mattoso, A cidade de Salva^ sociaux. Paris, Payot
dor e seu mercado no século XX (São Paulo, BAUDEIAIRE, Charles. 1972. Les Jleurs du
Hudtec, 1978) c Bahia, século XEX: umapro mal. Paris, Gallimard.
víncia noImpério (Rio deJaneiro, Nova Fron
BETíIAMIN, Walter. 1989. "Paris, capitale du
teira, 1992). As coletâneas organizadas por XEX® siècle", le livre despassag^. Paris,
Ana Fernandes e Marco Aurélio Gomes, Cida^
CERF.
de e história. Modernização das cidades bra
sileirasnosséculos XIXeXX(Salvador, UFBA, BERMAN, MarshaU. 1986. Tudo que é sólido
1992), dão conta de um viés regional do desmancbano ar; a aventura damoder-
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Espaço e Debate, No caso de São Paulo, há
que destacar as teses defendidas no programa BOLLE, Willi. \99éL,AJÍsionomiadametrópo-
de pós-graduação em História da Unicamp, le moderna São Paulo, Companhia das
assim como a tese de livre-docênciade Raqud Letras.
Glezer, Chão de terra: um estudo sobre São BOURDIEU, Pierre. \9^,Questionsdesocio-
Paulo colonial, defendida na USP em 1992. logie. Paris, Minuit
No caso do Rio Grande do Sul, registram-se a
1982. Ce queparler veut dire. Paris,
coletânea oiganizada por Wrana Panizzi e Fayard.
João Rovatti,Estudos urbanos: Porto Alegree
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versidade, 1993), e os livrosde SandraJatahy XDfsiècle. Paris, Ophrys.
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vivências (Porto Al^re, Ed.da Universidade, "Ouverture: à quoi pensent les histo-
1991) e Os pobres da cidade (Porto Alegre, riens?", em Passés recomposés, Cbamps
Ed. da Universidade, 1994). o Ro de et cbantiers de Vbistoire. Paris, Autre-
Janeiro, cabe lembrar os avanços realizados ment.

pelo grupo que publicava na revista Rio de CALVINO, ítalo. 1990. As cidades invisíveis,
JaneUo ou pelas publicações feitas no âmbito SãoPaulo, Companhiadas Letras.
do IPPURe da Fundação Casa de Rui Barbosa. CHARIIER, Roger. 1989. "Le monde comme
Assim como a revistai deJaneiro, os textos
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apresentados no Seminário Rio Republicano, p.1513-5.
da Fundação Casa de Rui Barbosa (outubro
de 1994), centralizam o seu enfoque na dda- 1990. A história cultural: entreprátU
de do Rio. cas e representações, Lisboa, Difei.
9. Quanto à emergência da "questão urba 1994a. "Ahistória hoje: dúvidas, de
na", consultar ChristianTopalov, "Dela'cues- safios, p€opostãs**,EstudosHistóricos, n®
tión sodal' a los 'problemas urbanos'; los 13, jan.-jun.
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NO pr6ximo Número
HISTORIOGRAFIA