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Fábio André Calloni 1

: A globalização é uma realidade que, aproxima países antes distantes, através de zonas de livre
comércio, troca de tecnologia, entre outros. Assim sendo, empresas de diferentes nacionalidades vem se unindo,
através de uma espécie de sociedade temporária, conhecida como 0  O termo é usado para descrever
um tipo de contrato usado pelas companhias para troca de tecnologia e conhecimentos, onde todas as partes
dividem o lucro. Neste novo mundo sem fronteiras comerciais, este método torna-se cada vez mais comum, já
que muitas empresas não visam uma sociedade vitalícia e sim adquirir novas idéias para seus empreendimentos,
expandindo seu mercado por meio de empresas locais.

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  : Ê . aliança. expansão de mercado.
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 é uma figura jurídica que consiste em uma parceria entre
empresas para troca de tecnologias ou mesmo uma espécie de sociedade internacional. Trata-
se de um termo que não possui um equivalente na língua portuguesa, podendo ser definida
como contrato de colaboração empresarial; correspondendo a um método de contribuição
entre empresas independentes.
A característica essencial de uma 0   é o desenvolvimento de um
projeto comum que pode ter curta ou longa duração criando uma nova empresa para realizar
tal tarefa. Este tipo de contrato é usado para desenvolver uma série de atividades como, por
exemplo, projetos industriais, pesquisas e desenvolvimentos, atividades financeiras e
prestação de serviços.
Cada vez mais nota-se o uso deste método para obtenção de mercados e troca
de conhecimentos aliados a minimização dos custos. A cidade de Caxias do Sul, claro
exemplo da expansão desse tipo de mercado, é um pólo metal mecânico com empresas de
grande porte como a Randon que possui um contrato desse tipo com a empresa americana
Arvin Meritor.

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Acadêmico do curso de Administração da Faculdade da Serra Gaúcha (FSG). Artigo apresentado a disciplina de
Português Aplicado, ministrada pela Professora Ma. Roseli Simone Pinto.
 

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O conceito de 0   originou-se nos Estados Unidos, designando uma
parceria entre duas ou mais empresas que são juridicamente independentes com o fim de
partilharem o risco, os investimentos, as responsabilidades e o lucro de um projeto. Contudo,
o termo não é muito usado na Europa onde as leis consideram um conceito elusivo legal,
preferindo o uso da expressão Companhia Legal.
Geralmente esse tipo de aliança é formada por empresas não concorrentes.
Contudo, é cada vez mais comum observarem-se 0  entre entidades concorrentes,
a fim de trocarem conhecimentos em desenvolvimento tecnológico, situação que se deve,
sobretudo, ao grande investimento necessário para desenvolver novas tecnologias.
Segundo Gusmão:
‘Êoint ventures são sociedades constituídas por outras sociedades com a finalidade de
desenvolver atividades em conjunto. (...) São também conhecidas por
empreendimentos em conjunto, ou seja, uma associação de empresas, que pode ser
ou não definitiva, sempre com fins lucrativos, tendo por objetivo a exploração de
determinado negócio.

Este tipo de negócio visa, também, a expansão de seus negócios para mercados
internacionais, neste caso, as companhias realizam os investimentos em conjunto, dividindo
os riscos do negócio. Todavia, essa troca de experiência é, muitas vezes, dificultada pelas
diferenças culturais existentes entre os envolvidos.
Segundo Segil (1996), o benefício mútuo é fator crucial para o sucesso das
alianças. A partir do momento em que alguma das partes entender que o beneficio não é
mútuo, ele tenderá a pensar que a aliança fracassou.
Outro fator decisivo para o sucesso destas parcerias é a comunicação.
Mclannahan (2002) afirma, em um artigo CFO Europe, a comunicação é responsável por 70%
do fracasso desse tipo de aliança nos EUA. Os principais motivos para tal insucesso são:
falhas na integração da aliança, medição de desempenho e liderança.
Ellis (1996) cita uma pesquisa realizada por Robert Spekman na University of
Virginia que sugere que 60% das uniões entre empreendimentos não são bem sucedidos
devido à falta de comando. Quando o líder não é capaz de criar um ambiente de confiança
dentro da companhia e entre os envolvidos na 0  acaba direcionando a mesma para
o insucesso.
As 0   são divididas em dois tipos: as subsidiárias e as não-
subsidiárias. Segundo Yoshino e Rangan (1996), a primeira não são alianças estratégicas, já
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que não existe compartilhamento na gestão. Estas uniões servem, no geral, apenas para
atender os desejos da empresa- mãe. Êá as não- subsidiárias são novas organizações formadas
por meio de investimentos de uma ou mais empresas. A principal diferença desta para a
subsidiária é a considerável independência de ação em relação à organização matriz.
Atualmente o termo não se aplica somente a escolha de um parceiro para um
projeto, mas também visa oportunidades de negócios. De acordo com a Wikipédia, uma
empresa estrangeira não pode abrir um negócio, em muitos países árabes, sem que haja uma
companhia local envolvida na sociedade. Complementa, ainda, ressaltando que já existem
mais de 500 0  entre empresas árabes e indianas apenas no extremo oriente.
Outros motivos para a união com uma empresa local são:
a)‘ redução de riscos devido ao uso do conhecimento local de mercado;
b)‘ pouco conhecimento do ambiente institucional e legal;
c)‘ maior probabilidade a empréstimos em bancos locais;
d)‘ acesso a recursos locais através da empresa local.

Vários autores enumeram os fatores que contribuem para o sucesso de uma


0  ; entre eles, podem-se citar: objetivos estratégicos traçados claramente,
minimização de conflitos entre as partes envolvidas, especialização, criação de incentivo a
colaboração e, finalmente, flexibilidade.
Para Kanter (1994, p.96-108) as alianças de sucesso são aquelas em que se
identificam os oito ³I´s:
a)‘ excelência Individual: significa parceiros fortes e com algo de valor a
agregar;
b)‘ importância: o relacionamento preenche objetivos estratégicos
críticos para todos;
c)‘ interdependência: há uma complementaridade de habilidades, de
modo que, os envolvidos não podem conseguir sozinhos, aquilo que
uma aliança conseguiria;
d)‘ investimento: Obedecendo a acordos, os sócios investem uns nos
outros, mostrando comprometimento;
e)‘ informação: É aberta e essencial para o sucesso do projeto;
f)‘ integração: os gestores e funcionários são aprendizes e, ao mesmo
tempo, professores desenvolvendo formas compartilhadas de
operação;
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g)‘ ‘institucionalização: a aliança é formalizada e apóia-se em uma


complexa estrutura legal e, até social, entre as partes;
h)‘ integridade: os parceiros comportam-se de modo mutuamente
honroso para justificar e aumentar a confiança.

Logo, com essas informações a respeito desse tipo de contrato, que é tão
utilizado em países em desenvolvimento, como o Brasil pode-se dizer segundo Carlos Alberto
Ghersi, autor do livro Cotratos Civilies e Comerciales, que:
Contrato de 0    é aquele pelo qual um conjunto de sujeitos de direito
nacional ou internacional, realizam aportes das mais variadas espécies, que não
implicam na perda de identidade e individualidade como pessoa jurídica ou empresa,
para a realização de um negócio em comum podendo ser este desde a criação de
bens ate prestação de serviços, que se desenvolvera por um lapso de tempo limitado,
com a finalidade de obtenção de benefícios econômicos e financeiros, ou
simplesmente valorização patrimonial.

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Assim, com a tão comentada globalização, quebras de monopólios e
privatizações de empresas públicas, notam-se grandes movimentações no mercado e,
conseqüentemente, o aumento de concorrência. Dessa forma, observam-se mais o
envolvimento entre diferentes países, de modo que os empresários busquem maior
lucratividade ao menor custo possível.
Produtos mundialmente fabricados são catalisadores na formação de clientelas
transnacionais. Assim sendo, as empresas vendem mais em diversas partes do globo a fim de
aumentarem seu mercado de atuação; fazem isso adaptando seu produto as necessidades
locais, viabilizando o negócio.
Fica bem claro, no entanto, que a 0  é um instrumento jurídico que
possibilita a internacionalização de empresas estrangeiras associadas a outras locais. Quando
se frisa o fato de que as 0  internacionalizam empresas, demonstra-se que o fator
de expansão regionalizada desses contratos criará mais empregos e expandirá o mercado de
oferta de produtos e, muitas vezes, gerando menor gasto ao consumidor final.

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GHERSI, Carlos Alberto.   
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. 4.ed. BÊA biblioteca Êuridica
Argentina. Astrea, 1994

GUSMÃO, Mônica.  
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 . 8 ed. Rio de Êaneiro: Lumen Êuris, 2009.

KANTER, Rosabeth Moss, BARNEVIK, Percy.   ‘ 


. ed. HBS Press, 1994.

MIRANDA, Maria Bernadete, MALUF, Clovis Antonio, Artigo acadêmico feito para a
UFSC. Disponível em:
http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/viewFile/28558/28114
Acesso em: 29 mai. 2010

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http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/jointventure.htm Acesso em: 29 mai. 2010

SEGIL, Larraine D. |             
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Mackenzie, São Paulo, 2003. Disponível em:
http://www.scribd.com/doc/15873225/TGI-Mackenzie-Aliancas-Estrategicas-e-Desempenho
Acesso em: 29 mai. 2010

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YOSHINO, Michael, Y., RANGAN,U, Srinivasa.  


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 " 
. São Paulo: Makron
Books, 1996.

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