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Questão 1)

A sabedoria de Sócrates, filósofo ateniense que viveu no século V a.C., encontra o seu ponto de partida na
afirmação “sei que nada sei”, registrada na obra Apologia de Sócrates. A frase foi uma resposta aos que
afirmavam que ele era o mais sábio dos homens. Após interrogar artesãos, políticos e poetas, Sócrates chegou à
conclusão de que ele se diferenciava dos demais por reconhecer a sua própria ignorância.
O “sei que nada sei” é um ponto de partida para a Filosofia, pois
a) aquele que se reconhece como ignorante torna-se mais sábio por querer adquirir conhecimentos.
b) é um exercício de humildade diante da cultura dos sábios do passado, uma vez que a função da Filosofia era
reproduzir os ensinamentos dos filósofos gregos.
c) a dúvida é uma condição para o aprendizado e a Filosofia é o saber que estabelece verdades dogmáticas a
partir de métodos rigorosos.
d) é uma forma de declarar ignorância e permanecer distante dos problemas concretos, preocupando-se apenas
com causas abstratas.
e) cada ser é responsável pela sua própria realidade, colocando-se como um observador de uma realidade
imutável.
Resolução

Alternativa correta: A

Primeiramente, o ponto de partida da filosofia socrática não é a afirmação "sei que nada sei", mas sim a palavra
do oráculo de Delfos (dedicado a Apolo) que afirmou para Sócrates ser ele o homem mais sábio de todos.
Sócrates não duvidou da palavra do deus e partiu em busca da compreensão das palavras divinas. Interrogando
outras pessoas, Sócrates percebeu que, apesar dele não possuir conhecimento sobre as coisas, possuía
conhecimento sobre sua própria ignorância, algo que todos os outros homens não possuíam. A ignorância sobre
o que significava a palavra divina o fez ir atrás do conhecimento sobre si mesmo.
Questão 2)

Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi
proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar
a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como Descartes
e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero imperialismo
humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e culturalmente.
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques. Scientiae Studia, São Paulo, v. 2, n. 4, 2004 (adaptado).

Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência
como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza.
Nesse contexto, a investigação científica consiste em
a) expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes.
b) oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia.
c) ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso.
d) explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos.
e) explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos.
Resolução

Alternativa correta: C

O Iluminismo foi o movimento que arquitetou as ideias que derrubaram o Antigo Regime.
Lançando as bases do Nacionalismo e do Mecanicismo, Descartes defendeu a universalidade da razão
como caminho para o conhecimento e o fundamento de que o universo é governado por leis físicas e não
submetido à interferência de cunho divino.
Questão 3)

Reprodução

O filme Tempos modernos, de Charlie Chaplin, retrata a Revolução Industrial nos Estados Unidos durante a
década de 1930. Quais mudanças a mecanização do trabalho trouxe aos trabalhadores e à indústria?
a) As máquinas vieram para gerar descanso aos funcionários das fábricas modernas.
b) O trabalhador é apenas mais uma engrenagem no processo fabril do capitalismo.
c) O trabalhador, a fábrica e os modos de produção são todos controlados pela burguesia.
d) As relações de produção são individualistas, e não é possível substituir um operário capacitado.
e) Com o processo fabril, os trabalhadores se tornaram dispensáveis no processo de produção industrial.
Resolução

Alternativa correta: B

O nascimento da Sociologia está ligado aos processos fabris e aos pensamentos iluministas oriundos da
Revolução Francesa. As condições geradas por esses dois eventos eram cruéis com os trabalhadores. A imagem
retrata a personagem de Chaplin em meio a um monstruoso maquinário, gerando a ideia de que o operário é só
mais uma peça nesse sistema de produção.
Questão 4)
Texto I
A dialética hegeliana é essencialmente formulada sobre uma base idealista: o mundo é uma sucessão de
processos complexos onde a realidade está em constante desenvolvimento, alternando-se entre o ser e o vir-a-
ser. Este desenvolvimento é uma evolução descontínua, contradições, indo para uma finalidade determinada: o
Absoluto. “Hegel desembarcara no idealismo absoluto, segundo o qual o mundo real não era senão uma
realização progressiva da Ideia pura, absoluta, existente desde toda a eternidade” (CHEVALIER, Jean-Jacques. As
grandes obras políticas: de Maquiavel a nossos dias. 8. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1999., p. 294).
Texto II
Marx atribuiu à dialética proposta por Hegel uma interpretação materialista, invertendo sua análise de caráter
idealista: não se trata mais de colocar o “Espírito Absoluto” como a ideia que determinaria a realidade, mas esta
é determinada pela forma como o nosso ser exprime a sua vida produtiva, naquilo que ele produz e como produz
materialmente falando (FAUSTO, Ruy. Dialética marxista, dialética hegeliana: a produção capitalista como
circulação simples. São Paulo: Paz e Terra/Brasiliense, 1997.

Com base nos textos e conhecimentos sobre Hegel e Marx, assinale alternativa correta em relação a dialética de
Marx:
a) É preciso ressaltar que Marx não desenvolveu o método dialético sozinho e teve para isso grandes
contribuições como o filósofo René Descartes: “Ligados numa parceria fraternal, ideológica e intelectual que
iniciou-se entre os anos de 1842 e 1844. Suas teorias tinham como base o racionalismo.
b) Para Marx a dialética é um método que permite analisar as relações contraditórias entre as forças sociais em
um período histórico dado, permitindo, igualmente, deduzir o movimento da própria História. Para estudar uma
realidade objetiva determinada deve-se analisar os aspectos e elementos contraditórios desta realidade e em seu
movimento e é neste sentindo que a dialética marxista apenas retoma e amplia a dialética hegeliana.
c) Para Marx a dialética desembarcara no idealismo absoluto, segundo o qual o mundo real não era senão uma
realização progressiva da Ideia pura, absoluta, existente desde toda a eternidade.
d) Para Marx a dialética do idealismo hegeliano é necessária para entender a sociedade. Uma crítica social exige
compreender o homem situado historicamente, conjugando e articulando fatores econômicos, sociais, culturais,
políticos e ideológicos.
e) Para Marx a dialética do idealismo hegeliana possui as mesmas discussões de forma idêntica ao idealismo
absoluto.
Resolução

Alternativa correta: B

Em Marx a dialética é um método que permite analisar as relações contraditórias entre as forças sociais em um
período histórico dado, permitindo, igualmente, deduzir o movimento da própria História. Para estudar uma
realidade objetiva determinada deve-se analisar os aspectos e elementos contraditórios desta realidade e em seu
movimento e é neste sentindo que a dialética marxista apenas retoma e amplia a dialética hegeliana.
Questão 5)

TEXTO I
Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em
quem já nos enganou uma vez.
DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

TEXTO II
Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem
nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta ideia? E se for
impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para confirmar nossa suspeita.
HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento. São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado).

Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano. A comparação
dos excertos permite assumir que Descartes e Hume
a) defendem os sentidos como critério originário para considerar um conhecimento legítimo.
b) entendem que é desnecessário suspeitar do significado de uma ideia na reflexão filosófica e crítica.
c) são legítimos representantes do criticismo quanto à gênese do conhecimento.
d) concordam que conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos sentidos.
e) atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do conhecimento.
Resolução

Alternativa correta: E

O filósofo René Descartes é considerado como um dos precursores da corrente filosófica racionalista,
reconhecida na história contemporânea como iluminismo, buscou explicar o universo pelo uso do plano
cartesiano, estando sua produção associada às revoluções científicas do século XVII.
O comentário reflexivo do referido autor, apresentado no primeiro texto, advoga que não podemos nos centrar
exclusivamente nos sentidos, embora não possamos abandoná-los; contudo devemos considerar também o
racionalismo na composição do conhecimento humanístico.
O pensador Hume acredita que a produção do conhecimento passa necessariamente pela consideração
das impressões sensoriais. Segundo este os estímulos sensoriais auxiliam na composição das ideias, portanto
na elaboração do conhecimento.
Podemos constatar que os dois textos fundamentam a noção de que os sentidos têm diferentes lugares
no processo de obtenção do conhecimento.
Questão 6)

Todo o poder criativo da mente se reduz a nada mais do que a faculdade de compor, transpor, aumentar ou
diminuir os materiais que nos fornecem os sentidos e a experiência. Quando pensamos em uma montanha de
ouro, não fazemos mais do que juntar duas ideias consistentes, ouro e montanha, que já conhecíamos. Podemos
conceber um cavalo virtuoso, porque somos capazes de conceber a virtude a partir de nossos próprios
sentimentos, e podemos unir a isso a figura e a forma de um cavalo, animal que nos é familiar.
HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1995.

Hume estabelece um vínculo entre pensamento e impressão ao considerar que


a) os conteúdos das ideias no intelecto têm origem na sensação.
b) o espírito é capaz de classificar os dados da percepção sensível.
c) as ideias fracas resultam de experiências sensoriais determinadas pelo acaso.
d) os sentimentos ordenam como os pensamentos devem ser processados na memória.
e) as ideias têm como fonte específica o sentimento cujos dados são colhidos na emparia.
Resolução

Alternativa correta: A

A questão aborda o tema do empirismo, corrente que aposta que o conhecimento advém da experiência
senso-rial. Destaca, ainda, o valor que a experiência assume na formação das ideias.
Para os empiristas, as tradições surgem das expe-riências sensoriais.
Entre os principais nomes do empirismo, destacamos Hobbes, Locke, Berkeley, Hume, entre outros.
Questão 7)

Alguns dos desejos são naturais e necessários; outros, naturais e não necessários; outros, nem naturais nem
necessários, mas nascidos de vã opinião. Os desejos que não nos trazem dor se não satisfeitos não são
necessários, mas o seu impulso pode ser facilmente desfeito, quando e difícil obter sua satisfação ou parecem
geradores de dano.
EPICURO DE SAMOS. Doutrinas principais. In: SANSON, V. F. Textos de filosofia.

Rio de Janeiro: Eduff, 1974.

No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem tem como fim alcançar o prazer moderado e a felicidade.
a) alcançar o prazer moderado e a felicidade.
b) valorizar os deveres e as obrigações sociais.
c) aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com resignação.
d) refletir sobre os valores e as normas dadas pela divindade.
e) defender a indiferença e a impossibilidade de se atingir o saber.
Resolução

Alternativa correta: A

O epicurismo é um sistema da filosofia grega criado por Epicuro de Samos no século IV a.C. Sua teoria
fundamental é encontrar a felicidade, buscar a saúde da alma, lembrando que o sentido da vida é o prazer,
objetivo imediato de cada ação humana, considerando sem sentido as angústias em relação à morte e a
preocupação com o destino.
Questão 8)

Nas Grandes Antilhas, alguns anos após a descoberta da América, enquanto os espanhóis enviavam comissões de
investigação para indagar se os indígenas possuíam ou não alma, estes últimos dedicavam-se a afogar os brancos
feitos prisioneiros para verificarem através de uma investigação prolongada se o cadáver daqueles estava ou não
sujeito à putrefação. Esta anedota simultaneamente barroca e trágica ilustra bem o paradoxo do relativismo
cultural: é na própria medida em que pretendemos estabelecer uma discriminação entre as culturas e os
costumes, que nos identificamos mais completamente com aqueles que pretendemos negar.
Recusando a humanidade àqueles que surgem como os mais ‘selvagens’ ou ‘bárbaros’ dos seus representantes,
mais não fazemos que copiar-lhes suas atitudes típicas. O bárbaro é em primeiro lugar o homem que crê na
barbárie.

Raça e História (1987), de Claude Lévi-Strauss.

Do ponto de vista antropológico, o texto


a) nega o relativismo.
b) defende o relativismo.
c) legitima o relativismo.
d) desqualifica o relativismo.
e) apoia o relativismo.
Resolução

Alternativa correta: D

O texto ataca as pretensões de superioridade etnocêntrica de um povo sobre outro, demonstrando que se trata
de uma atitude relativamente comum, mas que não possui fundamento real.
Questão 9)

Os mestres do moderno éthos da relação pessoa/natureza desviaram-nos do reto caminho. René


Descartes ensinava em sua Teoria da Ciência (Discurso do Método) que a vocação do ser humano reside em
sermos “mestres e possuidores da natureza”. Outro mestre fundador, Francis Bacon, expressou sinistramente o
sentido do saber: “saber é poder”. Poder sobre a natureza, completava ele, significa “amarrá-la ao serviço
humano e fazê-la nossa escrava”.
BOFF, Leonardo. Ecologia, mundialização, espiritualidade. 3. ed. São Paulo: Ática, 1999.

O desenvolvimento da sociedade ocidental moderna está intimamente ligado ao progresso científico. As


afirmativas de Descartes e Bacon demonstram, respectivamente, que a relação entre ciência e sociedade trouxe
como consequência
a) a escravidão e o progresso.
b) o bem-estar e a liberdade.
c) a urbanização e a educação.
d) a tecnologia e a democracia.
e) a degradação e a desigualdade.
Resolução

Alternativa correta: E

A Ciência Moderna, que tem em René Descartes e Francis Bacon seus mais representativos teóricos, objetivava
extrair o conhecimento verdadeiro da natureza e trazer o progresso e o bem-estar para a humanidade. No
entanto, a instrumentalização do conhecimento científico fez com que os avanços tecnológicos se convertessem
em vetores da degradação ambiental e em legitimadores das desigualdades sociais.
Questão 10)

Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas
para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse
pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica,
admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento.
KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado).

O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia.
Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que
a) assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
b) defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
c) revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica.
d) apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.
e) refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant.
Resolução

Alternativa correta: A

Para Kant, não é possível conhecer a coisa em si, ou aquilo que não está no campo fenomenológico
da experiência.
Na perspectiva de Kant, há o conhecimento a priori de algumas coisas, uma vez que a mente tem que ter estas
categorias, de forma a poder compreender a massa sussurrante de experiência crua não interpretada que
se apresenta às nossas consciências.
Tal como Copérnico revolucionou a astronomia ao mudar o ponto de vista, a filosofia crítica de Kant
pergunta quais as condições a priori para que o nosso conhecimento do mundo possa se concretizar.
Em síntese, ele afirma que não somos capazes de conhecer inteiramente os objetos reais, visto que o
nosso conhecimento sobre os objetos reais é apenas fruto do que somos capazes de pensar sobre eles.
Questão 11)

“Segundo a teoria de Hobbes, se o homem já nasce mau, ele não sabe viver
em sociedade e precisa de um estado autoritário, que dite as regras, as
normas de convivência. Essa tese vai fundamentar sua visão de estado
absoluto. A visão é de que homem não tem pretensão de ser social. Ele é
mau, o que causa insociabilidade. Para se tornar social, é preciso formar um
novo pacto, um novo acordo entre homens, para que eles possam
renunciar à coisa mais importante num estado de selvageria, que é a
liberdade”.
PARA o filósofo inglês Hobbes, o homem é essencialmente mau. 01 nov. 2013

Para Hobbes, a sociabilidade humana não é possível em condições naturais porque sua essência é egoísta. De
acordo com o texto, a superação dessa característica exigiria um
a) enraizamento do sentimento de liberdade, permitindo a todos os homens defenderem-se dos seus inimigos.
b) acordo em que parte das liberdades individuais fossem transferidas para o Estado, que promoveria a ordem.
c) conflito de dimensões globais, a fim de possibilitar os vencedores o controle sobre todos os derrotados.
d) entendimento de que a vida isolada seria a única maneira para evitar conflitos entre os indivíduos.
e) progresso nas táticas de trapaça que permitissem os mais habilidosos governar aos menos hábeis.
Resolução

Alternativa correta: B

Hobbes considera que a natureza humana é antissocial, por conta do caráter egoístico de suas ações, uma vez
que o desejo por satisfação, segurança e prestígio impulsiona os homens às disputas e conflitos entre si. Esse
estado de caos seria uma característica anterior ao advento da sociedade civil. Hobbes vai argumentar que sua
superação perpassa pela criação de um pacto em que os homens cedam parte de suas liberdades naturais em
prol de um Estado soberano que lhe seja superior e controle sua natureza violenta e competitiva, promovendo
condições de sociabilidade.
Questão 12)

A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de
todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar,
porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e
fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está contido o
pensamento: Tudo é um.
NIETZSCHE, F. Crítica moderna. In: Os pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural, 1999.

O que, de acordo com Nietzsche, caracteriza o surgimento da filosofia entre os gregos?


a) O impulso para transformar, mediante justificativas, os elementos sensíveis em verdades racionais.
b) O desejo de explicar, usando metáforas, a origem dos seres e das coisas.
c) A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes.
d) A ambição de expor, de maneira metódica, as diferenças entre as coisas.
e) A tentativa de justificar, a partir de elementos empíricos, o que existe no real.
Resolução

Alternativa correta: C

O filósofo alemão Nietzsche, descontinuou a filosofia na segunda metade do século XIX, recaracterizando-a sob
seu olhar crítico, em face do período efervecente que vivia o mundo da Segunda Revolução Industrial. Nietzsche
revisou conceitos da filosofia em todos os tempos. Na questão, a reanálise é sobre o surgimento da filosofia entre
os gregos, onde o mesmo afirma a busca racional para o surgimento de tudo que existe.
Questão 13)

A monarquia absoluta, que alguns consideram o único governo do mundo, é, de fato, incompatível com a
sociedade civil, não podendo, por isso, ser uma forma qualquer de governo civil, porque o objetivo da sociedade
civil consiste em evitar e remediar os inconvenientes do estado de natureza que resultam necessariamente de
poder cada homem ser juiz em causa própria, estabelecendo-se uma autoridade conhecida para a qual todos os
membros dessa sociedade podem apelar por qualquer dano que lhe causem ou controvérsia que possa surgir, e à
qual todos os membros dessa sociedade terão de obedecer.
LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo civil. In: WEFFORT, Francisco. Os clássicos da política. 8. ed. São Paulo: Ática, 1997.

O filósofo contratualista John Locke, no texto apresentado, defende a vigência de um governo constitucional,
cujo fundamento está no(a)
a) imposição do medo como instrumento de persuasão política.
b) receio de que os governos atendam aos interesses populares.
c) necessidade de organização das liberdades individuais.
d) natureza humana essencialmente pacífica e colaborativa.
e) retorno a uma organização política baseada na democracia direta.
Resolução

Alternativa correta: C

Alternativa A
(F) A imposição da força pelo medo é o princípio do Estado absolutista, incompatível com um governo
constitucional.

Alternativa B
(F) A filosofia de John Locke defende princípios democratizantes, cuja base é o pacto político baseado no
consenso entre os cidadãos.

Alternativa C
(V) O governo civil objetiva a criação de um organismo político capaz de pôr fim ao estado de natureza, período
no qual prevalecem as vontades individuais.

Alternativa D
(F) Rousseau é o filósofo que acredita no Princípio do Bom Selvagem, e é ele quem afirma que a essência do
homem é pacífica e colaborativa.

Alternativa E
(F) O governo constitucional é uma forma de representação política (delegação de poder), modelo diferente da
democracia direta, na qual o cidadão participa ativamente das decisões.
Questão 14)

Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo real e
importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por
terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de
invenções humanas.
RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiya, 2009.

O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, sustentava que a correlação
entre justiça e ética é resultado de
a) determinações biológicas impregnadas na natureza humana.
b) verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais.
c) mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas.
d) convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes.
e) sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.
Resolução

Alternativa correta: D

Os sofistas foram os filósofos que entendiam a im-portãncia do discurso na vida política e social.
Protágoras afirmava que o "Homem é a medida de todas as coisas".
Diferentemente da filosofia de Sócrates e de Platão, os sofistas relativizavam questões como ética e justiça.
Questão 15)

Ora, em todas as coisas ordenadas a algum fim, é preciso haver algum dirigente, pelo qual se atinja
diretamente o devido fim. Com efeito, um navio, que se move para diversos lados pelo impulso dos ventos
contrários, não chegaria ao fim de destino, se por indústria do piloto não fosse dirigido ao porto; ora, tem o
homem um fim, para o qual se ordenam toda a sua vida e ação. Acontece, porém, agirem os homens de modos
diversos em vista do fim, o que a própria diversidade dos esforços e ações humanas comprova. Portanto, precisa
o homem de um dirigente para o fim.
AQUINO, T. Do reino ou do governo dos homens: ao rei do Chipre. Escritos politicos de São Tomás de Aquino. Petrópolis: Vozes, 1995 (adaptado).

No trecho citado, Tomás de Aquino justifica a monarquia como o regime de governo capaz de
a) refrear os movimentos religiosos contestatórios.
b) promover a atuação da sociedade civil na vida política.
c) unir a sociedade tendo em vista a realização do bem comum.
d) reformar a religião por meio do retorno á tradição helenística.
e) dissociar a relação política entre os poderes temporal e espiritual.
Resolução

Alternativa correta: C

Tomás de Aquino resgata em seus pensamentos o uso da razão como forte elemento para o conhecimento,
tendo sua filosofia centrada no pensamento de Aristóteles. Tomás de Aquino, no texto sugerido, em vários
momentos justifica a necessidade de "haver algum dirigente, pelo qual se atinja diretamente o devido fim." Logo,
a função do administrador ou regente social seria a de unir a sociedade em torno do bem comum.
Questão 16)

“... andava pelas ruas e praças de Atenas, pelo mercado e pela assembleia indagando a cada um: ‘Você sabe o
que é isso que está dizendo?’, ‘Você sabe o que é isso em que você acredita?’, ..., ‘Você diz que a coragem é
importante, mas o que é a coragem?’, ‘Você acredita que a justiça é importante, mas o que é a justiça?’,..., ‘Você
crê que seus amigos são a melhor coisa que você tem, mas o que é a amizade?’. Suas perguntas deixavam seus
interlocutores embaraçados,... descobriam surpresos que não sabiam responder e que nunca tinham pensado em
suas crenças e valores ...... as pessoas esperavam que ele respondesse, mas para desconcerto geral, dizia: ‘Não
sei, por isso estou perguntando.’ Daí a famosa frase: ‘Sei que nada sei’ “.
(Marilena Chauí)

O texto relaciona-se com


a) a criação dos princípios da Lógica, por Aristóteles, de maneira a formar uma ciência Analítica: A Metafísica.
b) as tragédias de Sófocles, que tinham como tema dominante o conflito entre o indivíduo e a sociedade.
c) a obstinação do historiador Tucídides em descobrir as causas políticas que determinaram os acontecimentos
históricos.
d) as preocupações de Eurípedes com os problemas do homem, suas paixões, grandezas e misérias.
e) a filosofia de Sócrates, voltada para as questões humanas, preocupada com as virtudes morais e políticas.
Resolução

Alternativa correta: E

Sócrates via a atividade filosófica como busca da verdade. Seu método baseava-se na ironia e no
questionamento.
Questão 17)

É verdade que nas democracias o povo parece fazer o que quer; mas a liberdade política não consiste nisso.
Deve-se ter sempre presente em mente o que é independência e o que é liberdade. A liberdade é o direito de
fazer tudo o que as leis permitem; se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não teria
mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder.
MONTESQUIEU. Do Espírito das Leis. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997 (adaptado).

A característica de democracia ressaltada por Montesquieu diz respeito


a) ao status de cidadania que o indivíduo adquire ao tomar as decisões por si mesmo.
b) ao condicionamento da liberdade dos cidadãos à conformidade às leis.
c) à possibilidade de o cidadão participar no poder e, nesse caso, livre da submissão às leis.
d) ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é proibido, desde que ciente das consequências.
e) ao direito do cidadão exercer sua vontade de acordo com seus valores pessoais.
Resolução

Alternativa correta: B

As concepções políticas do iluminismo traçam perfis de orientações burguesas. Tentando derrubar a estrutura
do absolutismo, as noções filosóficas levavam aos questionamentos racionais sobre os abusos do poder
monárquico absoluto, mas tinham a preocupação de limitar os direitos de cidadania aos grupos sociais
marginalizados.
Questão 18)

Os filósofos estoicos enfatizaram que todos os processos naturais – como a doença e a morte – seguem regras
naturais inquebrantáveis. Os homens devem, portanto, aprender a conviver com seu destino. Nada ocorre por
acaso, diziam eles. Tudo acontece porque é necessário, e, portanto, é inútil lamentar quando o destino bate à
porta. Pelo mesmo raciocínio, as grandes alegrias da vida devem ser aceitas com serenidade.
GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.

A filosofia helenística dos estoicos defendia um princípio de vida, expresso no texto, caracterizado pelo(a)
a) reflexão mitológica.
b) resignação reflexiva.
c) predestinação absoluta.
d) conformismo pessimista.
e) inquietação existencialista.
Resolução

Alternativa correta: B

Alternativa A
(F) A reflexão mitológica acreditava no sobrenatural, baseando-se em princípios mágicos, que difere
substancialmente da condição filosófica, marcada pelo poder da razão humana de interferir nos acontecimentos
da vida.

Alternativa B
(V) O estoicismo é caracterizado pela ausência de perturbação diante dos fenômenos que rodeiam a vida. Diante
dos acontecimentos que escapam à capacidade humana de decisão, a saída é utilizar a filosofia como um saber
voltado para o reconhecimento das próprias limitações e o conhecimento do sentido da vida. Segundo os
estoicos, só assim se pode chegar à verdadeira felicidade.

Alternativa C
(F) A predestinação absoluta é um dos elementos presentes em algumas doutrinas religiosas, o que foge ao
contexto do tema abordado na questão, pois, para os estoicos, há uma parcela de liberdade humana que deve
estar alinhada com a natureza.

Alternativa D
(F) A filosofia estoica buscava na razão um instrumento de busca da verdade e da felicidade, o que não condiz
com uma postura intelectual pessimista.

Alternativa E
(F) Embora a filosofia em si discuta assuntos pertinentes ao significado da existência humana, o debate filosófico
propriamente existencialista ganhou força nos séculos XIX e XX, a partir das reflexões de Soren Kierkegaard,
Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, entre outros.
Questão 19)

Durante a primeira metade do século XIX, a Europa vivenciou um contexto marcado por divergências, que
envolviam forças de transformação (as tendências liberais) e as de conservação (a tentativa de restauração
absolutista). Diante desse panorama, a burguesia desenvolveu um discurso voltado para o fortalecimento de seus
interesses socioeconômicos, reafirmou o liberalismo e o nacionalismo e evidenciou um combate à tentativa de
restauração do antigo regime.
Em relação a essas revoluções que alcançaram diversas partes do mundo, é correto afirmar que
a) desenvolveram na França uma experiência política de forte inspiração socialista, que reconhecia a absoluta
igualdade entre os homens.
b) restabeleceram na Europa governos elitistas regidos por constituições que cerceavam os direitos e liberdades
de participação popular.
c) representaram tão-somente o ponto culminante de um processo revolucionário de caráter popular, que
influenciou a Revolução Americana.
d) produziram grandes surtos revolucionários, de caráter ao mesmo tempo liberal e nacional, na Itália e na
Alemanha.
e) foram responsáveis pela divulgação dos princípios de legitimidade e do equilíbrio europeu na América e no
Oriente.
Resolução

Alternativa correta: D

Vamos recordar que o liberalismo representava uma ideologia burguesa, impulsionada pelo Iluminismo e que
buscava garantir a supremacia dos burgueses. O nacionalismo pregava a proteção aos valores liberais e naturais,
ligados a um povo, que tivesse uma identidade cultural comum, portanto, os ideais nacionais também continham,
em sua essência, o interesse burguês, de colocar toda uma nação à sua disposição.
Questão 20)

Hume considerou não haver nenhuma razão para supor que, dado o que se chama um “efeito”, deva
haver uma causa invariavelmente unida a ele. Observamos sucessões de fenômenos: à noite, sucede o dia; ao
dia, a noite etc.; sempre que se solta um objeto, ele cai no chão etc. Diante da regularidade observada,
concluímos que certos fenômenos são causas, e outros, efeitos. Entretanto, podemos afirmar somente que um
acontecimento sucede a outro – não podemos compreender que haja alguma força ou poder pelo qual opera a
chamada “causa”, e não podemos compreender que haja alguma conexão necessária entre semelhante “causa” e
seu suposto “efeito”.
FERRATER-MORA, J. Dicionário de Filosofia. Tomo I. São Paulo: Loyola, 2000. p. 427.

A visão de Hume, presente no texto,


a) defende o uso da razão inata.
b) critica a noção de causalidade.
c) aceita o conhecimento dogmático.
d) rejeita o pressuposto do ceticismo.
e) nega a importância da experiência.
Resolução

Alternativa correta: B

Alternativa A
(F) Hume é um empirista, ou seja, para ele, o conhecimento parte da experiência do ser humano no mundo.
Alternativa B
(V) Para Hume, a causalidade não é nada mais do que uma relação estabelecida por hábitos de associação de
fenômenos.

Alternativa C
(F) Ceticismo implica negar certezas e, para Hume, as ideias podem não ser válidas para conhecer a realidade de
modo seguro.

Alternativa D
(F) Hume defende uma forma de ceticismo, pois sua teoria empirista revela também o tom cético em contraste
com as grandes certezas cartesianas.

Alternativa E
(F) Hume acreditava no conhecimento por meio da experiência e discordava da filosofia cartesiana,
argumentando que o conhecimento não é derivado de um processo dedutivo puro do pensamento.
Questão 21)

A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o
universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está
escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras
geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles, vagamos perdidos
dentro de um obscuro labirinto.
GALILEI, G. O ensaiador. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

No contexto da Revolução Científica do século XVII, assumir a posição de Galileu significava defender a
a) continuidade do vínculo entre ciência e fé dominante na Idade Média.
b) necessidade de o estudo linguístico ser acompanhado do exame matemático.
c) oposição da nova física quantitativa aos pressupostos da filosofia escolástica.
d) importância da independência da investigação científica pretendida pela Igreja.
e) inadequação da Matemática para elaborar uma explicação racional da natureza.
Resolução

Alternativa correta: C

Galileu Galilei foi um dos principais representantes do Renascimento Científico dos séculos XVI e XVII. O
pensamento renascentista é fundamentado na razão em contraposição ao pensamento medieval baseado na fé.
Dessa forma, através da Ciência, o homem passa a compreender sua realidade. Observando, assim, a importância
da Matemática como forma de linguagem da realidade humana.
Questão 22)

Janot diz que caso Cunha diz respeito à “capacidade de se envergonhar”


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou, nesta quarta-feira, no plenário do Supremo
Tribunal Federal (STF), que o caso que levou à denúncia contra o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), lembra julgamento narrado na mitologia grega, associado ao princípio da justiça: “Esse caso lembra e
deve nos remeter a uma leitura atenta do julgamento de Sócrates, em especial do mito de Hermes. Zeus,
preocupado com o ocaso da raça humana, encaminha o seu representante Hermes com dois atributos especiais
para que houvesse êxito na prática lícita da política para organizar a sociedade.
Esses predicados eram respeito ao direito alheio e à justiça e capacidade de se envergonhar. O caso remete à
leitura atenta do mito de Hermes”, disse o procurador-geral.
RAMALHO, R. PASSARINHO, N. G1, Brasília, 2 mar. 2016.
Disponível em: <http://g1.globo.com>. Acesso em: 14 mar. 2016 (adaptado)

Com base na interpretação da alegoria descrita no texto, o princípio da justiça se efetivaria pelo(a)
a) presença de divindades que moldariam as atividades humanas.
b) existência de um judiciário atuante na observância do que é legal.
c) constrangimento social gerado sobre quem comete um ato ilícito.
d) punição severa de quem cometesse algum ato fora da moralidade.
e) rompimento dos critérios coletivos de julgamento da conduta moral.
Resolução

Alternativa correta: C

Alternativa A
(F) A política na Grécia Antiga não considerava os deuses do Olimpo como partícipes de suas atividades
cotidianas.

Alternativa B
(F) Embora a atuação do judiciário nos dias de hoje seja fundamental para o cumprimento das leis, a
argumentação de Rodrigo Janot faz relação entre a atualidade e os princípios filosóficos existentes na Grécia
Clássica.

Alternativa C
(V) O princípio da justiça (diké) referia-se à percepção de que “o outro” também possui direitos, e que, dessa
forma, o receio de ser repreendido socialmente pelos seus pares faz com que o cidadão faça o que é correto.

Alternativa D
(F) O princípio da justiça grega baseava-se inicialmente na pressão que os cidadãos exerciam uns sobre os outros,
e não necessariamente em punições severas.

Alternativa E
(F) A conduta moral segue padrões coletivamente definidos e compartilhados, o que baseia também o princípio
da justiça.
Questão 23)

Um dos estilos mais típicos da oratória antiga era os chamados discursos epidícticos, nos quais o tribuno
apenas enfatizava aquilo que as plateias esperavam ouvir. Tratava-se, principalmente, de elogiar o elogiável,
exaltando as qualidades de um homem ilustre recém-falecido, enaltecendo uma cidade diante de seus
habitantes, louvando qualidades abstratas, como a bondade e a justiça, e assim por diante.
Com o tempo, os grandes tribunos perceberam que não havia verdadeiro mérito nisso. Dedicaram-se, então, a
buscar a perfeição da oratória na prática oposta, a de elogiar o feio, o ridículo ou até mesmo o abominável.
BENJAMIM, César. Tribuna livre da luta de classes: é pau, é pedra, é o fim de um caminho. Revista Piauí, ed. 103, São Paulo, abr. 2015. p. 16.

A respeito da prática ressaltada no texto, identifica-se que, no mundo antigo,


a) a singular estratégia era desenvolvida em cerimônias públicas.
b) o uso da comunicação transitou do comum para o desafiador.
c) a devoção à imagem e à personalidade se confundia com a vida.
d) a exaltação verbal saciava as camadas populares.
e) a arte do enaltecimento se harmonizava com os valores morais.
Resolução

Alternativa correta: A

Como bem observado, os tribunos realizavam seus discursos com intencionalidades diferenciadas, moldando-se
as diferentes conjunturas, mas o que inevitavelmente era conservado seria o quesito público de sua expressão.
Questão 24)

“É preciso dizer que, com a superioridade excessiva que proporcionam a força, a riqueza, [...] [os muito ricos]
não sabem e nem mesmo querem obedecer aos magistrados [...] Ao contrário, aqueles que vivem em extrema
penúria desses benefícios tornam-se demasiados humildes e rasteiros. Disso resulta que uns, incapazes de
mandar, só sabem mostrar uma obediência servil e que outros, incapazes de se submeter a qualquer poder
legítimo, só sabem exercer uma autoridade despótica.”
(Aristóteles, A Política.)

Segundo Aristóteles (384-322 a.C.), que viveu em Atenas e em outras cidades gregas, o bom exercício do poder
político pressupõe
a) o confronto social entre ricos e pobres.
b) a coragem e a bondade dos cidadãos.
c) uma eficiente organização militar do Estado.
d) a atenuação das desigualdades entre cidadãos.
e) um pequeno número de habitantes na cidade.
Resolução

Alternativa correta: D

Para Aristóteles, o exercício do poder político atenuava as desigualdades na pólis grega, pois serviria para
com-pensar o direito daqueles que tinham muito com o direito daqueles que, sendo cidadãos, nao possuiam
controle sobre os meios de produção.
Questão 25)

A filosofia, no que tem de realidade, concentra-se na vida humana e deve ser referida sempre a esta para
ser plenamente compreendida, pois somente nela e em função dela adquire seu ser efetivo.
(VITA, Luís Washington. Introdução à Filosofia, 1964, p. 20.)

Sobre esse aspecto do conhecimento filosófico, é correto afirmar que


a) a consciência filosófica impossibilita o distanciamento para avaliar os fundamentos dos atos humanos e dos
fins aos quais eles se destinam.
b) um dos pontos fundamentais da filosofia é o desejo de conhecer as raízes da realidade, investigando-lhe o
sentido, o valor e a finalidade.
c) a filosofia é o estudo parcial de tudo aquilo que é objeto do conhecimento particular.
d) o conhecimento filosófico é trabalho intelectual, de caráter assistemático, pois se contenta com as respostas
para as questões colocadas.
e) a filosofia é a consciência intuitiva sensível que busca a compreensão da realidade por meio de certos
princípios estabelecidos pela razão.
Resolução

Alternativa correta: B

Um dos pontos fundamentais da filosofia é o desejo de conhecer as raízes da realidade, investigando-lhe o


sentido, o valor e a finalidade.
Questão 26)

Os deuses, de fato, existem, e é evidente o conhecimento que temos deles; já a imagem que deles faz a
maioria das pessoas, essa não existe: as pessoas não costumam preservar a noção que têm dos deuses. Ímpio não
é quem rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa maioria.
Com efeito, os juízos do povo a respeito dos deuses não se baseiam em noções inatas, mas em opiniões falsas.
Daí a crença de que eles causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios aos bons. Irmanados
pelas suas próprias virtudes, eles só aceitam a convivência com os seus semelhantes e consideram estranho tudo
que seja diferente deles.
EPICURO. Carta sobre a felicidade (a Meneceu). Tradução de A. Lorencini e E. del Carratore. São Paulo: Editora da UNESP, 2002. p. 25-27.

A filosofia epicurista está relacionada a


a) formular questões filosóficas a respeito do Princípio do Universo.
b) negar o medo da morte buscando a tranquilidade da alma.
c) pregar o ateísmo como forma de libertação para os prazeres carnais.
d) defender a rígida separação entre o mundo ideal e o mundo material.
e) aceitar a devoção religiosa moderada como indispensável à felicidade.
Resolução

Alternativa correta: B

Segundo a filosofia epicurista, o ser humano chega à felicidade por meio da ataraxia, que corresponde ao estado
de tranquilidade da alma. Tal estado só é possível de ser alcançado se as pessoas deixarem de temer a morte e os
deuses. Uma vez que os deuses são indiferentes aos seres humanos e existem somente em uma dimensão que
não pode influenciá-los, a falsa crença de que os deuses “causam os maiores malefícios aos maus e os maiores
benefícios aos bons” cria no ser humano um estado de angústia, o que o impede de chegar à ataraxia.
Questão 27)

É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço
for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela
própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma
dúvida.
SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).

Apesar de questionar os conceitos da tradição, a dúvida radical da filosofia cartesiana tem caráter positivo por
contribuir para o(a)
a) dissolução do saber científico.
b) recuperação dos antigos juízos.
c) exaltação do pensamento clássico.
d) surgimento do conhecimento inabalável.
e) fortalecimento dos preconceitos religiosos.
Resolução

Alternativa correta: D

O propósito de Descartes era a geração da dúvida para o fim da criação do conhecimento tangível, a dúvida,
como elemento consolidador da verdade possível. Descartes age no princípio da busca do conhecimento
inabalável, não que isso seja possível de pronto ou imediato, mas, a cada nova dúvida nascida, um novo alicerce
será montado.
Questão 28)

Por fim, compreendi que todas as Cidades existentes são mal governadas, pois a sua legislação é
praticamente incorrigível sem enérgicos preparativos aliados a felizes circunstâncias: nessas condições, vi-me
irresistivelmente levado a louvar a verdadeira filosofia e a proclamar que, somente com as suas luzes, se pode
reconhecer o que é justo na vida pública e na vida privada; portanto, os seres humanos não se livrarão dos males
antes que a raça dos puros e autênticos filósofos suba ao poder ou que os mandatários das Cidades, por uma
graça divina, se ponham a filosofar em termos verdadeiros.
CHEVALLIER, Jean-Jacques. História do pensamento político.
Platão: da República das Leis. p. 47. Tomo I.

O texto apresenta a ideia defendida por Platão, que condiciona o comando político da sociedade aos
a) escolhidos democraticamente, visto sua defesa pela República das leis.
b) filósofos, que conduziriam as questões sociais com sabedoria e justiça.
c) guerreiros, os únicos puros e capazes de livrarem dos males toda a sociedade.
d) comerciantes, que, devido às viagens, conheciam outras formas de política.
e) reis, que mantinham contato direto com a Filosofia e eram escolhidos por Deus.
Resolução

Alternativa correta: B
Alternativa A
(F) Os valores da República de hoje e os daquela época são bastante diferentes. Para Platão, a democracia não
poderia acontecer se o povo não estivesse sob a luz do conhecimento para escolher, de forma sábia,
um governante justo.

Alternativa B
(V) Platão defende que somente os filósofos teriam a capacidade de realizar um governo claro, sábio e justo para
todos na sociedade, sendo eles os detentores do conhecimento.

Alternativa C
(F) A defesa de uma timocracia como forma de governo passa muito mais por ideais espartanos que pela
profundidade filosófica na qual Platão se encontrava.

Alternativa D
(F) Atenas era uma cidade de comerciantes e isso os tornaria capazes de conhecer várias formas de política de
outras cidades; no entanto, Platão acredita que eles não saberiam governar de forma justa, pois os
interesses pessoais entrariam em conflito com os interesses coletivos.

Alternativa E
e) (F) Por mais que Platão tenha mantido contato e tivesse convivido com reis de sua época, ele não defendia a
monarquia como a forma perfeita de governo.
Questão 29)

“O contrato social, para Hobbes, faz com que o indivíduo abdique da sua
capacidade de atacar os outros em troca do abandono, pelos outros, do
direito de atacar o indivíduo. O soberano, desse modo, reúne o poder de
controlar e de estabelecer a justiça, assim como de punir aquele que
quebre o contrato social”.

De acordo com o texto, é coerente afirmar que antes do estabelecimento do contrato social pensado por Hobbes,
os indivíduos viveriam numa situação de
a) paz social e harmonia entre os povos.
b) uniformidade da justiça e das leis.
c) atendimento preferencial dos interesses do próximo.
d) violência de todos contra todos.
e) desconhecimento da existência de outros indivíduos.
Resolução

Alternativa correta: D

O contratualismo presente na teoria de Hobbes está intimamente relacionado com o contexto histórico em que
viveu. A sociedade inglesa em meados do século XVII passava por grande turbulência política e militar por conta
da disputa por poder empreendida entre o Parlamento e a monarquia, sendo que a proposta de Hobbes objetiva
um ordenamento político-social cujo fim é a paz. Ao delegar ao soberano a autoridade e dispensação da justiça,
os homens acordam em não praticar a potencial violência de todos contra todos, característica de um momento
anterior à sociedade civil.
Questão 30)

Nada do que foi será


De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
[...]
SANTOS, Lulu; MOTTA, Nelson. Intérprete: Lulu Santos. Como uma onda. In: ______. Último romântico. Rio de Janeiro: BMG, 1987. 1 CD. Faixa 1.

Filosoficamente, a letra da canção pode ser associada


a) ao funcionalismo de Santo Agostinho.
b) ao racionalismo de Tomás de Aquino.
c) à teoria da mobilidade de Heráclito.
d) à cosmogonia de Parmênides.
e) ao idealismo de Karl Marx.
Resolução

Alternativa correta: C

Segundo Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático considerado o pai da dialética, “Ninguém entra em um mesmo
rio uma segunda vez, pois, quando isso acontece, já não se é o mesmo, assim como as águas, que já serão
outras”. Essa é a teoria da mobilidade, segundo a qual o mundo é um fluxo perpétuo.
Questão 31)

TEXTO I
Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que
outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos
são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-
se em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo
possível, transforma-se em pedras.
BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado).

TEXTO II
Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do
mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações
contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam
os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão a impressão de quererem ancorar o mundo
numa teia de aranha.”
GILSON, E.; BOEHNER, P. História da Filosofia Cristã. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado).

Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de
uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm
em comum na sua fundamentação teorias que
a) eram baseadas nas ciências da natureza.
b) refutavam as teorias de filósofos da religião.
c) tinham origem nos mitos das civilizações antigas.
d) postulavam um princípio originário para o mundo.
e) defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas.
Resolução

Alternativa correta: D

A questão aborda a noção da gênese do universo. Apesar da explicação racional ter suas
fundamentações dentro do tempo histórico, os dois excertos citam a gênese universal ligada a um princípio
originário unitário.
No primeiro texto, de origem grega, a origem é um elemento material, o ar. No segundo, de origem
medieval, Deus é o princípio unitário.
Questão 32)

Durante muito tempo, considerou-se que a Filosofia nascera por transformações que os gregos operaram
na sabedoria oriental (egípcia, caldeia e babilônica). Assim, filósofos como Platão e Aristóteles afirmavam a
origem oriental da Filosofia.
Os gregos, diziam eles, povo comerciante e navegante, descobriram, através das viagens, a agrimensura
dos egípcios, a astrologia dos caldeus e dos babilônios, as genealogias dos persas, os mistérios religiosos
orientais referentes aos rituais de purificação da alma etc. A filosofia teria nascido das transformações que os
gregos impuseram a esses conhecimentos.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2000. (adaptado)

As explicações contidas no texto demonstram que o processo de consolidação da Filosofia, na Grécia Antiga,
foi consequência da
a) disputa com outras culturas pelo monopólio do saber.
b) apropriação inovadora da sabedoria de outras culturas.
c) busca por saberes que fossem comercialmente rentáveis.
d) subtração do conhecimento de civilizações mais prósperas.
e) capacidade dos gregos de reproduzir invenções de outros povos.
Resolução

Alternativa correta: B
O caráter inovador dos gregos na construção da Filosofia está presente na capacidade de combinar bem as
influências culturais de outros povos com a sua experiência histórica, marcada pelo desenvolvimento da política e
da reflexão racional. Dessa forma, a Filosofia foi o resultado da reapropriação grega dos saberes desenvolvidos
em outras culturas, e não uma mera reprodução.
Questão 33)

Reprodução

Na imagem, que retrata um dos manifestos ocorridos no dia 15 de março de 2015, a ideia de liberdade e
opressão se contrastam. Para Aristóteles, o ser humano é livre porque sempre faz escolhas. Já para Sartre,
a) a condição de ser oprimido é uma escolha do ser humano, pois, do mesmo modo que é livre para resistir, ele
sempre é livre para resignar-se.
b) a liberdade é um estado de espírito, por isso o ser humano, mesmo acorrentado, pode ser livre em suas ideias
e pensamentos.
c) a opressão do Estado é fruto das escolhas do ser humano, pois sem essas ações institucionais os indivíduos
destruiriam a sociedade.
d) a montagem da liberdade é garantida pela ética do Estado, e nenhum indivíduo pode se opor ao consenso da
maioria.
e) o ser humano nasce livre, mas é posto em cadeias sociais, o que o impossibilita de agir de acordo com sua
vontade.
Resolução

Alternativa correta: A

Para Sartre, o ser humano sempre é livre para escolher o que quer da sociedade em que vive. Os ferros somente
lhe serão colocados se ele assim quiser. Ou seja, não há como recusar a escolha, porque a fuga dessa opção já
constitui uma escolha. É nesse sentido que se está condenado a ser livre.
Questão 34)

Texto 1
Acaso não seria uma defesa adequada dizermos que aquele que verdadeiramente gosta de saber tem
uma disposição natural para lutar pelo Ser. E não se detém em cada um dos muitos aspectos particulares que
existem na aparência, mas prossegue sem desfalecer nem desistir da sua paixão, antes de atingir a natureza de
cada Ser em si, pela parte da alma à qual é dado atingi-lo – pois a sua origem é a mesma. Depois de se aproximar
e de se unir ao verdadeiro, poderá alcançar o saber e viver e alimentar-se de verdade, e assim cessar o seu
sofrimento; antes disso, não?
A República, 490b.

Texto 2
Da mesma maneira, quando alguém tenta, por meio da dialética, sem se servir dos sentidos e só pela razão,
alcançar a essência de cada coisa, e não desiste antes de ter apreendido só pela inteligência a essência do bem,
chega aos limites do inteligível, tal como aquele chega então aos do visível.
A República, 532 a-b.

PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1996.

Com base nos textos e nas doutrinas de Platão, pode-se inferir que
a) o mundo sensível é a base do conhecimento verdadeiro.
b) a razão é a única capaz de atingir a essência das coisas.
c) o conhecimento verdadeiro não é possível aos seres humanos.
d) a verdade é relativa e dependente da perspectiva individual.
e) o Ser e a aparência são idênticos entre si.
Resolução

Alternativa correta: B

Uma realidade é alcançável apenas pelos “olhos da alma”, pois é observado apenas pelo esforço da razão.
Exatamente por ser inteligível, essa realidade tem como características: ser metafísica, isto é, imaterial, ou
incorpórea; ser una, isto é, reduz a multiplicidade das coisas sensíveis a uma unidade; ser eterna, por não se
submeter ao ciclo de geração e degeneração das coisas do mundo sensível.
Questão 35)
“A questão não está mais em se um homem é honesto, mas se é inteligente. Não perguntamos se um livro é proveitoso, mas se está
bem escrito. As recompensas são prodigalizadas ao engenho e ficam sem glórias as virtudes. Há mil prêmios para os belos discursos,
nenhum para as belas ações.”
ROUSSEAU, J. J. Discurso sobre as ciências e as artes. 3.ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983.
p.348. Coleção Os Pensadores.

O texto apresenta um dos argumentos de Rousseau à questão colocada em 1749, pela Academia de Dijon, sobre o seguinte problema: O
restabelecimento das Ciências e das Artes terá contribuído para aprimorar os costumes? Com base nas críticas de Rousseau à sociedade,
pode-se afirmar que

a) as Artes e as Ciências geralmente floresceram em sociedades que se encontravam em pleno vigor moral, em que a honra era a
principal preocupação dos cidadãos.

b) a emancipação advém da posse e do consumo exclusivo e diferenciado de bens de primeira linha, uma vez que o luxo concede
prestígio para quem o possui.
c) os envolvidos com as Ciências e as Artes adquirem, com maior grau de eficiência, conhecimentos que lhes permitem perceber a
igualdade entre todos.

d) o amor-próprio é um sentimento positivo por meio do qual o indivíduo é levado a agir moralmente e a reconhecer a liberdade e o
valor dos demais.

e) o objetivo das investigações era atingir celebridade, pois os indivíduos estavam obcecados em se exibir, esquecendo-se do amor à
verdade.

Resolução

Alternativa correta: E
Rousseau alega que os perigos das artes e das ciências provêm do fato de elas serem resultantes de nossos vícios. A Astronomia advém
de nossa superstição; a eloquência, de nossa ambição, ódio, bajulação e falsidade; Geometria, da avareza; Física, da nossa vã
curiosidade; todas, até a Filosofia Moral, do nosso orgulho humano. E as próprias artes e ciências falham em contribuir com qualquer
coisa positiva para a moralidade. Segundo esse pensador, a ciência rouba tempo das atividades realmente importantes como: amor ao
país, aos amigos e aos menos afortunados. As artes incentivam o egocentrismo contaminando o artista com a mera vontade de ser
aplaudido. Rousseau afirmar ainda que a ciência falha em produzir qualquer conhecimento que guie o comportamento do homem na
direção da virtude cívica, a ciência cria unicamente o desejo no homem pelo luxo e faz-se somente um meio para facilitar nossas vidas e
transformá-las em algo mais prazeroso, porém não moralmente melhor. Desse modo, Rousseau afirma que as artes promovem a
competição e a necessidade de ser superior ao próximo, e fazem a sociedade enfatizar os talentos em vez das virtudes como a coragem,
a generosidade e a temperança.

Questão 36)

Texto 1
Deixa a vida me levar (vida leva eu)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu
Só posso levantar as mãos pro céu
Agradecer e ser fiel
Ao destino que Deus me deu
Se não tenho tudo que preciso
Com o que tenho, vivo
De mansinho, lá vou eu
MERITI, Serginho; CAIS, Eri do. Deixa a vida me levar. Intérprete: Zeca Pagodinho. In: ______. Zeca Pagodinho Acústico MTV. Rio de Janeiro: Universal Music Brasil, 2003. 1
CD. Faixa 20.

Texto 2
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou, conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs [...]
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso, porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz e ser feliz [...]
SATER, Almir; TEIXEIRA, Renato. Tocando em frente. Intérprete: Maria Bethânia. In: ---______. Perfil Maria Bethânia. Rio de Janeiro: Som Livre, 2004. 1 CD.
Faixa 13.

Os trechos selecionados indicam


a) visões semelhantes, baseadas na filosofia pré-socrática, segundo a qual o ser humano, buscando a saída do
mito, passa a aceitar a própria história, conduzindo-a aos ideais de realismo e mudanças sociais.
b) visões distintas, com base no “mito da caverna”, uma vez que o texto 1 se vincula ao mundo das sombras ao
propor total aceitação à vida, enquanto o texto 2 propõe a busca pelo realismo dos fatos fora do mundo das
sombras.
c) visões complementares, identificadas na Ética a Nicômaco, uma vez que a aceitação presente no texto 1 é
complementada no texto 2, deixando clara a ideia de conformismo diante das condições impostas no conjunto da
sociedade.
d) visões distintas, identificadas na obra de Sócrates, uma vez que a busca pela maiêutica no texto 2 é
plenamente ocultada no texto 1, reafirmando a ideia de que o ser humano deve buscar sua própria história.
e) visões iguais, identificadas no realismo de Heráclito, que propõe que a vida, com seus altos e baixos, deve ser
aceita e compreendida dentro dos padrões da imutabilidade social.
Resolução

Alternativa correta: B

Tomando como partida o fato de que, no texto 1, existe uma aceitação passiva da própria condição de vida do
indivíduo e, no texto 2, essa condição é questionada, afirma-se que os textos indicam visões distintas – os dois
textos expressam distinção, segundo a visão platônica do “mito da caverna”. Enquanto o texto 1 sugere
submissão ao determinismo, o texto 2 reflete sobre o mundo que se revela ao sair da caverna, quando se começa
a descobrir a verdade e as dificuldades enfrentadas. O texto 2, portanto, revela o mundo inteligível, racional,
responsável pela construção do saber humano.
Questão 37)

Analise o seguinte fragmento do diálogo Fedro, de Platão (427-347 a.C.).


SÓCRATES: – Vamos então refletir sobre o que há pouco estávamos discutindo; examinaremos o que seja recitar
ou escrever bem um discurso, e o que seja recitar ou escrever mal.
FEDRO: – Isso mesmo.
SÓCRATES: – Pois bem: não é necessário que o orador esteja bem instruído e realmente informado sobre a
verdade do assunto de que vai tratar?
FEDRO: – A esse respeito, Sócrates, ouvi o seguinte: para quem quer tornar-se orador consumado não é
indispensável conhecer o que de fato é justo, mas sim o que parece justo para a maioria dos ouvintes, que são os
que decidem; nem precisa saber tampouco o que é bom ou belo, mas apenas o que parece tal – pois é pela
aparência que se consegue persuadir, e não pela verdade.
SÓCRATES: – Não se deve desdenhar, caro Fedro, da palavra hábil, mas antes refletir no que ela significa. O que
acabas de dizer merece toda a nossa atenção.
FEDRO: – Tens razão.
SÓCRATES: – Examinemos, pois, essa afirmação.
FEDRO: – Sim.
SÓCRATES: – Imagina que eu procuro persuadir-te a comprar um cavalo para defender-te dos inimigos, mas
nenhum de nós sabe o que seja um cavalo; eu, porém, descobri por acaso uma coisa: “Para Fedro, o cavalo é o
animal doméstico que tem as orelhas mais compridas”...
FEDRO: – Isso seria ridículo, querido Sócrates.
SÓCRATES: – Um momento. Ridículo seria se eu tratasse seriamente de persuadir-te a que escrevesses um
panegírico do burro, chamando-o de cavalo e dizendo que é muitíssimo prático comprar esse animal para o uso
doméstico, bem como para expedições militares; que ele serve para montaria de batalha, para transportar
bagagens e para vários outros misteres.
FEDRO: – Isso seria ainda ridículo.
SÓCRATES: – Um amigo que se mostra ridículo não é preferível ao que se revela como perigoso e nocivo?
FEDRO: – Não há dúvida.
SÓCRATES: – Quando um orador, ignorando a natureza do bem e do mal, encontra os seus concidadãos na
mesma ignorância e os persuade, não a tomar a sombra de um burro por um cavalo, mas o mal pelo bem;
quando, conhecedor dos preconceitos da multidão, ele a impele para o mau caminho, – nesses casos, a teu ver,
que frutos a retórica poderá recolher daquilo que ela semeou?
FEDRO: – Não pode ser muito bom fruto.
SÓCRATES: – Mas vejamos, meu caro: não nos teremos excedido em nossas censuras contra a arte retórica? Pode
suceder que ela responda: “que estais a tagarelar, homens ridículos? Eu não obrigo ninguém – dirá ela – que
ignore a verdade a aprender a falar. Mas quem ouve o meu conselho tratará de adquirir primeiro esses
conhecimentos acerca da verdade para, depois, se dedicar a mim. Mas uma coisa posso afirmar com orgulho:
sem as minhas lições a posse da verdade de nada servirá para engendrar a persuasão”.
FEDRO: – E não teria ela razão dizendo isso?
SÓCRATES: – Reconheço que sim, se os argumentos usuais provarem que de fato a retórica é uma arte; mas, se
não me engano, tenho ouvido algumas pessoas atacá-la e provar que ela não é isso, mas sim um negócio que
nada tem que ver com a arte. O lacônio declara: “não existe arte retórica propriamente dita sem o conhecimento
da verdade, nem haverá jamais tal coisa”.
(Platão. Diálogos. Porto Alegre: Editora Globo, 1962.)

Após uma leitura atenta do fragmento do diálogo Fedro, pode-se perceber que Sócrates combate,
fundamentalmente, o argumento dos mestres sofistas, segundo o qual, para fazer bons discursos, é preciso
a) evitar a arte retórica.
b) conhecer bem o assunto.
c) discernir a verdade do assunto.
d) ser capaz de criar aparência de verdade.
e) unir a arte retórica à expressão da verdade.
Resolução

Alternativa correta: D

Segundo os sofistas, a elaboração dos discursos está estreitamente associada a persuasão do público. A fim de
atingir esse resultado, o orador não precisa conhecer, em si mesma, a verdade, bastando-lhe criar uma imagem
do verdadeiro. Por isso, Sócrates sustentara, no restante do diálogo, a tese de que a retórica, tal como praticada
pelos sofistas, produz ilusões moralmente reprováveis.
Questão 38)

O ser humano, desde sua origem, em sua existência cotidiana, faz afirmações, nega, deseja, recusa e aprova
coisas e pessoas, elaborando juízos de fato e de valor por meio dos quais procura orientar seu comportamento
teórico e prático.
Entretanto, houve um momento em sua evolução histórico-social em que o ser humano começa a conferir um
caráter filosófico às suas indagações e perplexidades, questionando racionalmente suas crenças, valores e
escolhas.
Nesse sentido, pode-se afirmar que a filosofia
a) é algo inerente ao ser humano desde sua origem e que, por meio da elaboração dos sentimentos, das
percepções e dos anseios humanos, procura consolidar nossas crenças e opiniões.
b) existe desde que existe o ser humano, não havendo um local ou uma época específica para seu nascimento,
o que nos autoriza a afirmar que mesmo a mentalidade mítica é também filosófica e exige o trabalho da razão.
c) inicia sua investigação quando aceitamos os dogmas e as certezas cotidianas que nos são impostos pela
tradição e pela sociedade, visando educar o ser humano como cidadão.
d) surge quando o ser humano começa a exigir provas e justificações racionais que validam ou invalidam
suas crenças, seus valores e suas práticas, em detrimento da verdade revelada pela codificação mítica.
e) resulta da interpretação do homem de sua realidade e sua consciência e reconhecimento de sua
incapacidade de perceber o mundo em que vive, atribuindo a existência dos fenômenos naturais às divindades.
Resolução

Alternativa correta: D

A filosofia nasce, historicamente, em um período da Grécia Antiga no qual se modificava a maneira com que os
homens se relacionavam. Sendo que os mitos organi-zavam toda a vida social, consolidando práticas e
ceri-mônias religiosas nas famílias, entre as famílias, nas tri-bos, entre cidades, etc. A sua modificação, ou até
extin-ção, inevitavelmente faria renascer, distinta, a organiza-ção das relações dos homens entre eles mesmos
nas ca-sas e na cidade. A filosofia, por conseguinte, tem sua origem em duas modificações, uma contextual e
outra subjetiva, isto é, uma modificação na cidade e outra no próprio homem. As modificações da cidade e da
própria subjetividade se confundem, pois a própria cidade deixa de se conformar com certas tradições religiosas
e a pró-pria subjetividade, com o passar das gerações, deixa de prezar os valores ancestrais organizados nos
mitos. Com essas mudanças, a cidade e o homem passam a se cons-tituir a partir de outras práticas consideradas
fundamen-tais, como o pensamento racional — um pensamento com começo, meio e fim e justificado pela a
experiência do mundo, sem o auxílio de entes inalcançáveis.
Questão 39)

Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de
razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional e objeto sensível ou
material que privilegiasse o primeiro em detrimento do segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das
Ideias formava-se em sua mente.
ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado).

O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de
Platão (427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação?
a) Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas.
b) Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles.
c) Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis.
d) Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não.
e) Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão.
Resolução

Alternativa correta: D

Platão busca confirmar as verdades de Parmênides, que afirmou que a razão formularia o conhecimento, mas a
sensação não seria capaz de gerá-lo. Mesmo que exista uma necessidade de relação, a razão deveria estar em
primeiro plano para gerar o conhecimento.
Questão 40)

A escola filosófica positivista surgiu em meados do século XIX, sob a orientação de Augusto Comte. Leia as
afirmativas abaixo, referentes ao positivismo.
I. Para Comte, havia três etapas a serem alcançadas na evolução natural dos Estados: o teológico, o metafísico e o
positivo, que corresponderiam de um modo geral ao escravismo, ao feudalismo e ao capitalismo.
II. O positivismo era favorável às lutas de classe, afirmando que “o progresso só ocorre quando as classes são
desunidas.’
III. A ideia do progresso associado à ordem é fundamental para os positivistas.
IV. As palavras Ordem e Progresso em nossa bandeira republicana constituem uma simplificação do lema
positivista “o amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim.”
Estão corretos apenas os itens:
a) l, II e IV.
b) II, III e IV.
c) l, III e IV.
d) todos os itens
e) I e III.
Resolução

Alternativa correta: C

O paradigma histórico denominado Positivista expõe uma visão linear da história. Seu principal teórico, Augusto
Comte, defendia a ordem e o progresso como princípios básicos para a construção e desenvolvimento da
sociedade. No item II, a luta de classes é um princípio do Marxismo, doutrina que se contrapõe ao Positivismo.
Questão 41)

De acordo com os filósofos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer, o desenvolvimento tecnológico-
industrial ao longo do século XX permitiu uma crescente dominação das pessoas. Enquanto a técnica e a
tecnologia expandiram o horizonte de atividades e o pensamento humanos, a capacidade de opor resistência às
forças de dominação e alienação foi usurpada dos indivíduos. Mesmo com o avanço das técnicas de informação,
assiste-se a uma constante desumanização e violação das individualidades.
A fim de compreender as particularidades desse fenômeno e perceber de que forma ele interfere na vida dos
indivíduos, Adorno e Horkheimer formularam o termo indústria cultural, que representa a indústria
a) de bens e serviços culturais, que permite o acesso de todos à cultura a partir da democratização do acesso ao
conhecimento e à informação.
b) tecnológico-informacional, que faz circular bens materiais e simbólicos acessíveis a todos, a partir dos quais as
pessoas têm condições de firmarem suas identidades.
c) de diversão de massa, que, a partir dos veículos de informação, tende a homogeneizar os comportamentos e a
promover a “coisificação” das pessoas e das relações sociais.
d) do conhecimento, que impulsiona a socialização do saber e permite que os indivíduos sejam providos de senso
crítico para transformar a realidade na qual estão inseridos.
e) de bens materiais e simbólicos, que permite a diferenciação entre a cultura dita erudita e popular e a
preservação dos valores íntimos de cada grupo social.
Resolução

Alternativa correta: C

A partir dos anos 1920, intelectuais vinculados ao Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt começaram a
convergir as teorias marxista e freudiana para a análise do social. Para Adorno e Horkheimer, o século XX
apresentava uma dinâmica muito diferenciada quando comparado com os séculos anteriores. Para esses
intelectuais, o sistema capitalista ordenara uma série de estratégias para o disciplinamento do corpo e da mente
dos atores sociais. A indústria do entretenimento fora criada com o objetivo de conformar a padronização dos
comportamentos e gerar sujeitos sociais “dóceis”. Assim, em A dialética do esclarecimento, obra publicada em
1947, os filósofos formularam o conceito de indústria cultural, a partir do qual foi possível pensar a produção e o
consumo massificado de produtos culturais.
Questão 42)

A história de todas as sociedades tem sido a história das lutas de classe. Classe oprimida pelo despotismo feudal,
a burguesia conquistou a soberania política no Estado moderno, no qual uma exploração aberta e direta
substituiu a exploração velada por ilusões religiosas. A estrutura econômica da sociedade condiciona as suas
formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas. Não é a consciência do homem que determina o
seu ser, mas, ao contrário, são as relações de produção que ele contrai que determinam a sua consciência.
(Adaptado de K. Marx e F. Engels, Obras escolhidas. São Paulo: Alfa-Ômega, s./d., vol 1, p. 21-23, 301-302.)

As proposições dos enunciados acima podem ser associadas ao pensamento conhecido como:
a) pensamento mítico, ligado à ação de deuses poderosos, dentro de uma perspectiva de tempo cíclico.
b) materialismo histórico, que concebe a história a partir da luta de classes e da determinação das
formas ideológicas pelas relações de produção.
c) positivismo, que encara a História como um conjunto de dados quantificáveis e dispostos em
ordem cronológica.
d) teocentrismo, reafirmando uma concepção providencialista e linear da História.
e) História social, com ênfase nas mentalidades e cotidiano das civilizações antigas.
Resolução

Alternativa correta: B

O enunciado reflete o pensamento marxiano no que tange ao conceito de lutas de classes.


Questão 43)

Mas há algum, não sei qual, enganador mui poderoso e mui ardiloso que emprega toda sua indústria
em enganar-me sempre. Não há, pois, dúvida alguma de que sou, se ele me engana; e, por mais que me engane,
não poderá jamais fazer com que eu nada seja, enquanto eu pensar ser alguma coisa. De sorte que, após ter
pensado bastante nisto e de ter examinado cuidadosamente todas as coisas, cumpre enfim concluir e ter por
constante que esta proposição, eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeira todas as vezes que a enuncio ou
que a concebo em meu espírito.
DESCARTES, René. Meditações. Tradução de J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. São Paulo:
Abril Cultural, 1973. p. 100. (Coleção Os Pensadores).

A filosofia de Descartes apresenta como fundamento epistemológico básico o(a)


a) razão como aprendizagem social.
b) predomínio dos dados sensíveis.
c) valorização da dúvida metódica.
d) uso sistemático do empirismo.
e) eliminação dos juízos de fato.
Resolução

Alternativa correta: C

Alternativa A
(F) A razão para Descartes era inata, e não fruto de construção social.

Alternativa B
(F) Descartes desconfiava dos dados empíricos para construção do conhecimento.

Alternativa C
(V) Descartes acreditava que a dúvida sistemática e hiperbólica seria o fundamento de um conhecimento
indubitável.

Alternativa D
(F) Descartes era representante do racionalismo, portanto, não se considera o empirismo aspecto essencial na
sua filosofia.

Alternativa E
(F) Seria impossível desvincular a razão e a dúvida, aspectos defendidos por Descartes, da elaboração de juízos de
fato.
Questão 44)

I. “A história de qualquer sociedade até os nossos dias foi apenas a história da luta de classes. Homem livre e
escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre e companheiro, numa palavra opressores e oprimidos em
oposição constante, desenvolveram uma guerra que acabava sempre ou por uma transformação revolucionária
da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.”
II. “Se me pedissem para responder à pergunta - ‘O que é a escravidão?’ e eu respondesse numa só palavra:
‘Assassinato!’, todos entenderiam imediatamente o significado da minha resposta. Não seria necessário utilizar
nenhum outro argumento para demonstrar que o poder de roubar um homem de suas ideias, de sua vontade e
sua personalidade é um poder de vida ou morte e que escravizar um homem é o mesmo que matá-lo. Por que,
então, não posso responder da mesma forma a essa outra pergunta: ‘O que é a propriedade?’ com uma palavra
só: ‘Roubo’.”

Comparando as proposições acima, podemos inferir de modo correto que


a) a primeira proposição reproduz um trecho de uma das mais importantes obras do filósofo alemão Karl Marx,
que serviu de base para a ideologia liberal desenvolvida no século XIX.
b) a segunda proposição refere-se ao manifesto cristão proposto por bispos da Igreja, indignados com a miséria
que assolava as classes trabalhadoras europeias no século XIX.
c) a “luta de classes” é um dos principais aspectos da doutrina marxista e a definição da “propriedade como um
roubo” tornou-se um dos principais lemas do anarquismo desde o século XIX.
d) a segunda proposição é de Joseph Proudhon, teórico liberal francês, indignado com a escravidão ainda
praticada em determinados continentes no século XIX.
e) a segunda proposição refere-se à região da Palestina na perspectiva sionista, desenvolvida na Europa, ao final
do século XIX.
Resolução

Alternativa correta: C

A luta de classes é vista pelos marxistas como o motor da história e a ferramenta capaz de promover a
transformação social e ativar a revolução socialista e a derrubada do capitalismo, enquanto que o anarquismo
apregoa a propriedade como a base da desigualdade entre os homens.
Questão 45)
SANZIO, R. Detalhe do afresco A Escola de Atenas. Disponível em: <http://fil.cfh.ufsc.br>.

Acesso em: 20 mar. 2013.

No centro da imagem, o filósofo Platão é retratado apontando para o alto. Esse gesto significa que o
conhecimento se encontra em uma instância na qual o homem descobre a
a) suspensão do juízo como reveladora da verdade.
b) realidade inteligível por meio do método dialético.
c) salvação da condição mortal pelo poder de Deus.
d) essência das coisas sensíveis no intelecto divino.
e) ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.
Resolução

Alternativa correta: B

O referido filósofo defende o método dialético, marcado pelo diálogo e embate de ideias, como estratégia de se
estimular o debate para a compreensão do mundo do conhecimento e a aplicação racional deste na sociedade.
Questão 46)

Compreende-se assim o alcance de uma reivindicação que surge desde o nascimento da cidade na Grécia
antiga: a redação das leis. Ao escrevê-las, não se faz mais que assegurar-lhes permanência e fixidez. As leis
tornam-se bem comum, regra geral, suscetível de ser aplicada a todos da mesma maneira.
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro:

Bertrand Brasil, 1992 (adaptado).

Para o autor, a reivindicação atendida na Grécia antiga, ainda vigente no mundo contemporâneo, buscava
garantir o seguinte princípio:
a) Isonomia — igualdade de tratamento aos cidadãos.
b) Transparência — acesso as informações governamentais.
c) Tripartição — separação entre os poderes políticos estatais.
d) Equiparação — igualdade de gênero na participação política.
e) Elegibilidade — permissão para candidatura aos cargos públicos.
Resolução

Alternativa correta: A

A evolução política grega teve como fundamentação a adoção de leis para garantir a liberdade, a propriedade e a
igualdade. O princípio da isonomia defende a igualdade dos cidadãos perante as leis, mesmo percebendo que a
condição de cidadania era limitada a poucos.
Questão 47)

“Para garantir a liberdade civil dos indivíduos no contexto do Antigo


Regime, no qual reinavam as monarquias absolutistas, Rousseau propõe
que cada indivíduo aliene seus direitos e as vontades particulares a um
soberano para todos usufruírem igualmente dos direitos e da vontade
geral. Assim, a coletividade passa a ser soberana em relação ao indivíduo, e
o Estado se legitima como representante de todos – não da maioria – ao
tomar decisões que beneficiem o corpo político, e não as partes”.

Na teoria contratualista proposta por Rousseau, as noções de “vontade geral” e “estado que age em atendimento
do bem comum”, condiciona à formatação de um pacto tendente à
a) limitação dos poderes do soberano perante o povo.
b) supremacia do Estado sobre o conjunto dos indivíduos.
c) guerra entre os homens pela posse do poder político.
d) formação de Estados teocráticos.
e) desagregação social e retorno ao estado de natureza.
Resolução

Alternativa correta: A

A proposta de contrato social presente em Rousseau traz implicações para a forma de organização política da
sociedade. Como o homem ao renunciar ao estado natural perde sua liberdade natural, a forma de exercício da
nova liberdade, a civil, deve ser estruturada para evitar os abusos de uns sobre os outros. Para tanto, Rousseau
concebe um movimento em que os homens deleguem seus interesses pessoais a um soberano em troca de
direitos. Logo, a atuação do Estado por meio de leis gerais se faz em observância a esse corpo político dotado de
direitos que é o povo e sua vontade geral.
Questão 48)

O relatório “Progresso das mulheres no mundo 2015-2016: transformar as economias para realizar os
direitos”, divulgado em 27 de abril de 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres, mostra que no
mundo, em média, os salários das mulheres são 24% inferiores aos dos homens na mesma função. “As mulheres
continuam recebendo em todo o mundo um salário diferente pelo mesmo tipo de trabalho e têm menores
probabilidades que os homens de receber uma pensão, o que resulta em grandes desigualdades em termos de
recursos recebidos ao longo da vida”, informa o relatório.
CAMPOS, Ana Cristina. Desigualdade de gênero no mercado de trabalho persiste, diz ONU. Agência Brasil, Brasília, 27 maio 2015. Disponível em:
<http://agenciabrasil.ebc.com.br>. Acesso em: 15 jul. 2015.

Acerca das relações sociais e de trabalho forjadas no mundo capitalista, é correto afirmar que
a) a disparidade salarial entre os gêneros se deve ao fato de as mulheres terem menor capacidade intelectual e
força física que os homens.
b) a disparidade salarial apresentada pela pesquisa indica que a crise econômica internacional afetou,
principalmente, as mulheres, haja vista a diminuição de salários e empregos.
c) as mulheres, historicamente, sempre usufruíram dos mesmos direitos que os homens, havendo apenas uma
leve diferenciação salarial entre os gêneros.
d) as mulheres rotineiramente recebem salários inferiores aos dos homens, mesmo quando exercem as mesmas
atividades, o que evidencia a existência de preconceitos em relação ao gênero feminino.
e) mulheres e homens recebem salários diferenciados porque as mulheres trabalham menos, uma vez que
privilegiam a vida doméstica e o cuidado dos filhos, em detrimento do trabalho assalariado para a conquista de
autonomia.
Resolução

Alternativa correta: D

Apesar das lutas travadas pelos movimentos feministas ao longo da história, ainda é presente o preconceito em
relação à mulher trabalhadora. Um exemplo dessa ordem preconceituosa é a diferenciação salarial entre homens
e mulheres que desempenham as mesmas funções.
Questão 49)

TEXTO I
Olhamos o homem alheio as atividades públicas não como alguém que cuida apenas de seus próprios
interesses, mas como um inútil; nos, cidadãos atenienses, decidimos as questões públicas por nos mesmos na
crença de que não é o debate que é empecilho à ação, e sim o fato de não se estar esclarecido pelo debate antes
de chegar a hora da ação.
TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. Brasília: UnB, 1987 (adaptado).

TEXTO II
Um cidadão integral pode ser definido por nada mais nada menos que pelo direito de administrar justiça e
exercer funções públicas; algumas destas, todavia, são limitadas quanto ao tempo de exercício, de tal modo que
não podem de forma alguma ser exercidas duas vezes pela mesma pessoa, ou somente podem sê-lo depois de
certos intervalos de tempo prefixados.
ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985.

Comparando os textos I e II, tanto para Tucídides (no século V a.C.) quanto para Aristóteles (no século IV a.C.), a
cidadania era definida pelo(a)
a) prestígio social.
b) acúmulo de riqueza.
c) participação política.
d) local de nascimento.
e) grupo de parentesco.
Resolução

Alternativa correta: C

Ambos os textos fazem uma abordagem quanto à participação política como critério do alcance da cidadania, o
cidadão tem como função no texto I, o debate como formador para a ação e no texto II, a sua funcionalidade
política do indivíduo quanto à prática da ação, logo, em ambos, o indivíduo cidadão é que detém a participação
política.
Questão 50)

A característica específica do homem em comparação com os outros animais é que somente ele tem o
sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto e de outras qualidades morais.
ARISTÓTELES. Política.

A virtude moral é um meio-termo entre dois vícios, um


dos quais envolve o excesso e outro a deficiência, e isso porque
a sua natureza é visar à mediania nas paixões e nos atos.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômano, livro II.

Refletindo sobre o papel da ética e da moral aristotélica na construção da sociedade, pode-se afirmar
corretamente que
a) as ações do homem no mundo independem dos valores éticos/morais que as sociedades impõem sobre os
indivíduos.
b) apesar das diferenças entre os muitos grupos e comunidades humanas, os códigos morais permanecem
inalterados.
c) a reflexão ética se restringe à busca de conhecimentos teóricos sobre os valores e condutas humanas em
sociedade.
d) o homem possui consciência moral, ou seja, a capacidade de observar a própria conduta e formular juízos,
permitindo escolher seus próprios caminhos.
e) a ética está relacionada às normas que orientam o comportamento humano e a moral se aplica ao ramo da
Filosofia que investiga os diversos sistemas éticos.
Resolução

Alternativa correta: D

O ser humano é dotado de consciência moral, isto é, a faculdade de observar os próprios atos, formar juízos
sobre sua conduta e, assim, escolher seu próprio caminho na vida.
Questão 51)
TEXTO I
Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como
verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui
duvidoso e incerto. Era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a
que até então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e inabalável.
DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (adaptado).

TEXTO II
É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço
for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela
própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma
dúvida.
SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).

A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução radical do
conhecimento, deve-se
a) retomar o método da tradição para edificar a ciência com legitimidade.
b) questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções.
c) investigar os conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos.
d) buscar uma via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados.
e) encontrar ideias e pensamentos evidentes que dispensam ser questionados.
Resolução

Alternativa correta: B

Os textos denotam que a formulação do conhecimento não se pode pausar em parâmetros estáticos e
inquestionáveis. Ao contrário, é preciso questionar as antigas ideias e concepções na busca de um novo
conhecimento.
Questão 52)

“(…) segundo Locke, os homens abandonam o estado de natureza porque


não se sentem protegidos, pois estão sempre sujeitos ao ataque de um
poder maior. Na tentativa de preservar sua liberdade e propriedade
natural, os homens se juntam em sociedade e elaboram um contrato social,
que contém as regras para viverem juntos, com legislação e jurisdição
previstas para apenas um corpo político”.

De acordo com o texto, Locke concebe o abandono do estado de natureza como uma
a) consequência do fortalecimento dos clãs, tribos e outras formas de organização primitiva.
b) passagem para a sociedade civil, marcada pela disputa, desigualdade e empobrecimento moral dos indivíduos.
c) iniciativa que visava a manutenção do isolamento dos homens, da inexistência de regras coletivas morais e
éticas.
d) medida necessária para que a liberdade e a propriedade naturais não sejam violadas por interesses de outros
indivíduos.
e) forma de obedecer às leis naturais que direcionam os indivíduos à harmonia e colaboração mútuas.
Resolução

Alternativa correta: D

A questão da passagem do estado de natureza para o estado civil surge em Locke como um momento em que as
leis da natureza já não são suficientes para preservar a liberdade e a propriedade dos indivíduos. Daí a
necessidade de um ente teoricamente neutro e ordenado consensualmente, para dirimir as contendas
provocadas pelos indivíduos.
Questão 53)

Entre os gregos, tudo que incumbia ao povo fazer, ele o fazia por si mesmo, pois estava sempre reunido
na ágora. Vivia num clima ameno, não era de modo algum ambicioso e, contando com escravos para substituí-
lo no trabalho, sua grande ocupação era a liberdade.
[...] Como?! A liberdade só se mantém com apoio da escravidão? Talvez. Os dois excessos se tocam. Tudo o que,
de qualquer forma, não existe na natureza, oferece seus inconvenientes e a sociedade civil mais do que todo o
resto.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. São Paulo: Martin Claret, 2003.

O texto anterior aborda a condição de escravidão na Grécia Antiga, em que,


a) nas cidades-Estados, como Esparta, a escravidão era aceita; no entanto, para os filósofos de Atenas,
os excessos deveriam ser punidos.
b) para Platão, a escravidão é uma submissão inaceitável, e nenhum homem deveria submeter outro a sua
vontade ou desejo.
c) nos centros urbanos não havia escravos, pois todos eram livres para pensar e participar das reuniões, exceto
nas áreas rurais.
d) para Aristóteles, é natural e necessária a união entre aquele cuja natureza é comandar e aquele cuja natureza
é obedecer.
e) para Sócrates, a escravidão é necessária e vista como a fonte que inspira a felicidade e a ordem política e
econômica.
Resolução

Alternativa correta: D

Alternativa A
(F) Escravos e senhores tinham posições distintas na Grécia, inclusive em Atenas, onde um senhor não seria
punido por ter escravos ou por fazer uso dos mesmos, pois a escravidão, na Grécia Antiga, dava ao senhor o
direito sobre a vida e sobre a morte do seu escravo.

Alternativa B
(F) Na Grécia, a questão da escravidão era aceitável aos “seres menores”, como eram vistos os escravos,
pensamento defendido por Platão.
Alternativa C
(F) Havia escravos em todas as áreas da Grécia Antiga, no entanto, havia trabalhos diferenciados entre os dos
centros urbanos e os dos centros rurais.

Alternativa D
(V) Para Aristóteles, aquele que tem inteligência possui a faculdade de prever e, assim sendo, é o legítimo chefe e
senhor daquele que só é capaz, graças ao seu vigor físico, de realizar trabalhos pesados comandados
pelo primeiro.

Alternativa E
(F) Não há nenhuma indicação sobre Sócrates defender a escravidão como sendo algo que seja inspirador da
felicidade.
Questão 54)

Os deuses de fato existem e é evidente o conhecimento que temos deles; já a imagem que deles faz a maioria
das pessoas, essa não existe: as pessoas não costumam preservar a noção que têm dos deuses. Ímpio não é quem
rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa maioria. Com
efeito, os juízos do povo a respeito dos deuses não se baseiam em noções inatas, mas em opiniões falsas. Daí a
crença de que eles causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios aos bons. Irmanados pelas
suas próprias virtudes, eles só aceitam a convivência com os seus semelhantes e consideram estranho tudo que
seja diferente deles.
EPICURO. Carta sobre a felicidade (a Meneceu). Trad. de A. Lorencini e E.del Carratore. São Paulo: Editora da UNESP, 2002. p. 25-27.

A filosofia epicurista
a) formulava questões filosóficas a respeito do princípio do universo.
b) negava o medo da morte buscando a tranquilidade da alma.
c) pregava o ateísmo como forma de libertação para os prazeres carnais.
d) defendia a rígida separação entre o mundo ideal e o mundo material.
e) aceitava a devoção religiosa moderada como indispensável à felicidade.
Resolução

Alternativa correta: B

Segundo a filosofia epicurista, o homem chega à felicidade por meio da ataraxia, que corresponde ao estado de
tranquilidade da alma. Tal estado só é possível de ser alcançado se os homens deixam de temer a morte e os
deuses. Uma vez que os deuses são indiferentes aos homens e existem somente em uma dimensão que não pode
influenciá-los, a falsa crença de que os deuses "causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios
aos bons" cria no homem um estado de angústia, que o impede de chegar à ataraxia
Questão 55)

Segundo Aristóteles, “na cidade com o melhor conjunto de normas e naquela dotada de homens
absolutamente justos, os cidadãos não devem viver uma vida de trabalho trivial ou de negócios — esses tipos de
vida são desprezíveis e incompatíveis com as qualidades morais —, tampouco devem ser agricultores os
aspirantes à cidadania, pois o lazer é indispensável ao desenvolvimento das qualidades morais e à prática das
atividades políticas”.
VAN ACKER, T. Grécia. A vida cotidiana na cidade-Estado. São Paulo: Atual, 1994.

O trecho, retirado da obra Política, de Aristóteles, permite compreender que a cidadania


a) possui uma dimensão histórica que deve ser criticada, pois é condenável que os políticos de qualquer época
fiquem entregues à ociosidade, enquanto o resto dos cidadãos tem de trabalhar.
b) era entendida como uma dignidade própria dos grupos sociais superiores, fruto de uma concepção política
profundamente hierarquizada da sociedade.
c) estava vinculada, na Grécia Antiga, a uma percepção política democrática, que levava todos os habitantes da
pólis a participarem da vida cívica.
d) tinha profundas conexões com a justiça, razão pela qual o tempo livre dos cidadãos deveria ser dedicado às
atividades vinculadas aos tribunais.
e) vivida pelos atenienses era, de fato, restrita àqueles que se dedicavam à política e que tinham tempo para
resolver os problemas da cidade.
Resolução

Alternativa correta: B

O pensamento político aristotélico compreende a atividade política a elevadas condições de moralidade e


virtude, as quais exigiam condições econômicas elevadas, educação esmerada e principalmente o ócio, pré-
requisitos que excluíam a grande maioria da população que se dedicava ao trabalho para garantir sua
sobrevivência.
Portanto o filósofo acaba defendendo a atividade política como um apanágio da nobreza ao mesmo tempo em
que justificava a hierarquia social da sociedade.
Questão 56)

TEXTO I
Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz.
BAPTISTA, A. D.; LEE, R. Balada do louco. Intérprete: Os Mutantes. In: ______. Mutantes e
seus cometas no país do baurets. Rio de Janeiro: Polygram, 1972. 1 disco sonoro. Faixa 6.

TEXTO II
Ainda que os homens tenham o hábito de manchar minha reputação, e eu saiba muito bem como
sou malquisto entre os tolos, tenho orgulho de vos dizer que esta Loucura é a única que pode trazer alegria
aos homens e aos deuses.
ROTTERDAM, Erasmo de. Elogio da Loucura. 1511.

Separados por quase quinhentos anos, os dois textos apresentam a loucura como um(a)
a) aspecto que aprisiona o indivíduo ao senso comum.
b) fator que retira o indivíduo do senso comum, dando-lhe alegria.
c) busca pela melhoria da reputação e da sensatez do homem.
d) maneira de ressocialização do ser humano com o seu eu interior.
e) condição responsável por igualar os homens na sociedade.
Resolução

Alternativa correta: B

Alternativa A
(F) Apesar de os textos aludirem à ideia de senso comum, não há afirmação sobre a loucura ser uma forma de
aprisionar o indivíduo, visto que, por meio da loucura, o indivíduo é, em alguns casos, retirado do senso comum.

Alternativa B
(V) A loucura é algo que retira o homem do senso comum, e os textos confirmam a ideia de que a loucura
provoca a sensação de alegria.

Alternativa C
(F) Na verdade, a loucura retira do homem a sensatez, e sua reputação não é boa perante a sociedade em geral,
tendo em vista a sua exclusão social.

Alternativa D
(F) Os textos não abordam o fato de o homem poder ou não se reencontrar na loucura.

Alternativa E
(F) A loucura desiguala o homem na sociedade. Inclusive, no primeiro texto, há uma tentativa de destaque da
diferença entre sensatez e loucura, entre o homem são e o louco.
Questão 57)

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou improcedentes, em 12/11/2008, as ações diretas de
inconstitucionalidade ajuizadas contra a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que disciplina o processo
de perda de mandato eletivo por infidelidade partidária. Com a decisão, o STF declarou a plena
constitucionalidade da resolução do TSE, até que o Congresso Nacional exerça a sua competência e regule o
assunto em lei específica. A resolução do TSE decidiu que os mandatos obtidos, nas eleições, pelo sistema
proporcional (deputados estaduais, federais e vereadores) pertencem aos partidos políticos ou às coligações, e
não, aos candidatos eleitos.
Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=90556&caixaBusca=N (adaptado).

Com essa decisão, o STF provocou importante mudança nas regras do jogo político nacional, visto que
a) entendeu que o voto é dado ao candidato e não ao partido político, fortalecendo o papel dos partidos no
processo político.
b) legislou, ao editar a referida resolução, interferindo em competência exclusiva do Poder Legislativo.
c) mudou as regras em meio ao processo eleitoral, prejudicando vários candidatos e fragilizando o processo
eleitoral do país.
d) disciplinou a mudança de partido político pelos parlamentares eleitos pelo voto majoritário.
e) fortaleceu o papel dos partidos políticos, ao assegurar o instituto da fidelidade partidária.
Resolução

Alternativa correta: E
E
Questão 58)

Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a
incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado
dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem
de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é
o lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens,
depois que a natureza de há muito os libertou de uma condição estranha, continuem, no entanto, de bom grado
menores durante toda a vida.
KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado).

Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a compreensão do contexto filosófico da
Modernidade. Esclarecimento, no sentido empregado por Kant, representa
a) a reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade.
b) o exercício da racionalidade como pressuposto menor diante das verdades eternas.
c) a imposição de verdades matemáticas, com caráter objetivo, de forma heterônoma.
d) a compreensão de verdades religiosas que libertam o homem da falta de entendimento.
e) a emancipação da subjetividade humana de ideologias produzidas pela própria razão.
Resolução

Alternativa correta: A

Immanuel Kant, filósofo alemão e fundador da filosofia crítica, concebeu uma filosofia moral em que afirma que a
base para toda razão moral é a capacidade do homem de agir racionalmente. Sendo assim, enquanto menor de
idade a pessoa ainda teria o “direito ao erro”, mas quando adulto sua condição passaria a ser de um homem com
responsabilidades sociais e cívicas. Muitos se abstêm dessa responsabilidade e se tornam pessoas à margem
social, outros a expressam na forma de luta e evolução.
Questão 59)

“O contrato social estabelecido voluntariamente entre todos, segundo


Rousseau, é uma forma de viver em sociedade de modo mais justo (…) O
mais importante é garantir a igualdade política, civil, pois esse é o
fundamento do contrato social. Entretanto, o homem, ao tornar-se um
cidadão, renuncia à sua liberdade individual, mas adquire outra forma de
liberdade, que é a de participar da vontade geral, das decisões do bem
coletivo”

De acordo com o texto, a concepção de sociedade civil pensada por Rousseau é compatível com a noção de
a) Democracia.
b) Aristocracia.
c) Teocracia.
d) Plutocracia.
e) Ginecocracia.
Resolução

Alternativa correta: A

Partindo da impossibilidade de retorno ao estado de natureza, Rousseau acredita que a forma de governo ideal é
aquela em que vigore a igualdade de todos perante à vida coletiva. Essa perspectiva está diretamente relacionada
à essência associativa dos homens, que necessita de união, comunidade, para não perecer. Como a liberdade civil
é um marco do contratualismo rousseauniano, a democracia sugerida afasta-se do tipo praticado na antiguidade
grega, que convivia com a escravidão, portanto, com a ausência de liberdade e direitos.
Questão 60)

“Funcionário da soberania ou louvador da nobreza guerreira, o poeta é sempre um “Mestre da Verdade”. Sua
“Verdade” é uma “Verdade” assertórica [afirmativa]: ninguém a contesta, ninguém a contradiz. “Verdade”
fundamental, diferente de nossa concepção tradicional, Alétheia [Verdade] não é a concordância da proposição e
de seu objeto, nem a concordância de um juízo com outros juízos; ela não se opõe à “mentira”; não há o
“verdadeiro” frente ao “falso”. A única oposição significativa é a de Alétheia [Verdade] e de Léthe
[Esquecimento]. Nesse nível de pensamento, se o poeta está verdadeiramente inspirado, se seu verbo se funda
sobre um dom de vidência, sua palavra tende a se identificar com a “Verdade”.
DETIENNE, Marcel. Os Mestres da Verdade na Grécia Arcaica. Trad. Andréa Daher. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988, p. 23.

As narrativas expressas pelos mitos gregos


a) fundamentavam-se em critérios racionais e lógicos.
b) destacavam a atuação dos homens na vida política.
c) baseavam-se em noções cronológicas precisas.
d) eram verdades evidenciadas pela autoridade do poeta.
e) possuíam teor crítico aos valores sociais vigentes.
Resolução

Alternativa correta: D

A nossa concepção de verdade é a verdade no modelo aristotélico, ou seja, da verdade como correspondência.
Isso significa que um enunciado é verdadeiro quando está de acordo com a realidade. Por exemplo, é verdade
dizer que Sócrates é um homem e que não é um macaco. Tal concepção é bem diferente daquela apresentada no
texto, que corresponde a uma verdade dogmática baseada na autoridade do poeta. Sendo assim, a narrativa
mítica se torna verdadeira simplesmente porque foi o poeta quem a contou, mesmo que não tenha qual-quer
correspondência com a realidade.
Questão 61)

Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a
incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio
culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e
coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio
entendimento, tal é o lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande
parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma condição estranha, continuem, no
entanto, de bom grado menores durante toda a vida.
KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado).

Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a compreensão do contexto filosófico da
Modernidade. Esclarecimento, no sentido empregado por Kant, representa
a) a reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade.
b) o exercício da racionalidade como pressuposto menor diante das verdades eternas.
c) a imposição de verdades matemáticas, com caráter objetivo, de forma heterônoma.
d) a compreensão de verdades religiosas que libertam o homem da falta de entendimento.
e) a emancipação da subjetividade humana de ideologias produzidas pela própria razão.
Resolução

Alternativa correta: A

Immanuel Kant, filósofo alemão, fundador da filosofia crítica concebeu uma filosofia moral em que afirma que a
base para toda razão moral é a capacidade do homem de agir racionalmente. Sendo assim, enquanto menor
de idade a pessoa ainda teria o “direito ao erro”, mas quando adulto sua condição passaria a ser de um homem
com responsabilidades sociais e cívicas. Muitos se abstêm dessa responsabilidade e se tornam pessoas à
margem social, outros a expressam na forma de luta e evolução.
Questão 62)

“A natureza faz o corpo do escravo e do homem livre diferentes. O escravo tem corpo forte, adaptado para a
atividade servil, o homem livre tem corpo ereto, inadequado para tais trabalhos, porém apto para a vida do
cidadão.
Na cidade bem constituída, os cidadãos devem viver executando trabalhos braçais (artesãos) ou fazendo negócios
(comerciantes). Esses tipos de vida são ignóbeis e incompatíveis com as qualidades morais. Tampouco devem ser
agricultores os aspirantes à cidadania. Isso porque o ócio é indispensável ao desenvolvimento das qualidades
morais e à prática das atividades políticas.”
(ARISTÓTELES (384-322 a. C.). Política [Adapt.].)

Esta ideologia foi produzida na (o)


a) Período Homérico e manifesta o pensamento burguês em relação a todas as classes sociais.
b) Império Romano e apresenta resquícios nas discriminações étnicas vigentes nos Estados Unidos da América.
c) Antiga Grécia e reflete o preconceito – em relação às atividades manuais – também presente ao longo da
história da sociedade brasileira.
d) Período Arcaico, em Atenas, quando era necessário estabelecer legitimações para as expansões colonialistas
modernas.
e) Idade Antiga, mas foi eliminada, após a Revolução Francesa, pela filosofia liberal.
Resolução

Alternativa correta: C
Segundo o pensamento aristotélico, havia uma divisão em relação ao trabalho, o trabalho manual condizia com
os escravos, já o trabalho intelectual era concernente aos cidadãos gregos.
Questão 63)

“A imprensa que constrói uma democracia é a imprensa que fala o que quer, dá opinião que quer e se manifesta
do jeito que bem entende”.
(Dilma Rousseff)

Ao proferir esta frase a presidenta do Brasil deixa claro que


a) é fundamental a liberdade de expressão dentro do país.
b) é importante que a mídia seja analisada por um conselho de ética.
c) é primordial que os meios de comunicação levem em conta os índices de audiência para permanecerem no ar.
d) é essencial que a imprensa não use de sua linha ideológica ao escrever.
e) é fundamental que todos os veículos de comunicação tenham a mesma linha de pensamento ideológico.
Resolução

Alternativa correta: A

A frase da presidenta, apesar de perigosa por não dar limites quanto ao ponto de vista ético e moral usado pela
imprensa, incentiva abertamente a liberdade de expressão, preceito básico da democracia.
Questão 64)

De um modo geral, o conceito de physis no mundo présocrático expressa um princípio de movimento por meio
do qual tudo o que existe é gerado e se corrompe. A doutrina de Parmênides, no entanto, tal como relatada pela
tradição, aboliu esse princípio e provocou, consequentemente, um sério conflito no debate filosófico posterior,
em relação ao modo como conceber o ser.
Para Parmênides e seus discípulos
a) a imobilidade é o princípio do Não Ser, na medida em que o movimento está em tudo o que existe.
b) o movimento é princípio de mudança e a pressuposição de um Não Ser.
c) um Ser que jamais muda não existe e, portanto, é fruto de imaginação especulativa.
d) o Ser existe como gerador do mundo físico, por isso a realidade empírica é puro ser.
e) o Ser e o Não Ser são sujeitos apenas do mundo especulativo e não representam a realidade.
Resolução

Alternativa correta: B

O conceito de physis entre os pré-socráticos expressa basicamente o princípio gerador, constituinte e ordenador
de todas as coisas. Segundo Parmênides, este princípio é aquilo que racionalmente compreendemos ser sempre e
nunca mutante, sendo o seu contrário justamente o não ser.
Questão 65)

A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos
não devem estar separados como na inscrição existente em Delfos “das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a
melhor é a saúde; porém a mais doce é ter o que amamos”. Todos estes atributos estão presentes nas mais
excelentes atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade.
ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010.

Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais excelentes atributos, Aristóteles a identifica como
a) busca por bens materiais e títulos de nobreza.
b) plenitude espiritual e ascese pessoal.
c) finalidade das ações e condutas humanas.
d) conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas.
e) expressão do sucesso individual e reconhecimento público.
Resolução

Alternativa correta: C

Para Aristóteles, no texto exposto, a felicidade é o bem maior do indivíduo, que tem por conjunto maior a
saúde, os bens e mesmo as pessoas a quem amamos. Logo, a felicidade seria algo dos sentidos e de domínio
pessoal físico.
Questão 66)

É motivo de constrangimento para os zoólogos posteriores a Aristóteles o tempo que levaram para fazer
acréscimos substanciais aos minuciosos estudos aristotélicos, constrangimento às vezes disfarçado com o
escárnio dos erros inevitáveis que eles contêm. Parte de sua descrição da digestão dos ruminantes e do sistema
reprodutivo dos mamíferos não foi aperfeiçoada até o século XVI; aspectos de sua abordagem do coração e do
sistema vascular foram canônicos até o século XVIII; sua descrição dos hábitos dos polvos e lulas não foi precisada
até tempos mais recentes.
GOTTLIEB, Anthony. O sonho da razão: uma história da Filosofia ocidental da Grécia ao Renascimento. Rio de Janeiro: DIFEL, 2007.

A relação estabelecida entre a contribuição aristotélica e a produção científica moderna, tal como tratada no
texto anterior, expressa uma
a) disputa intelectual sobre qual conhecimento é o mais correto.
b) regressão da prática científica a modelos arcaicos de reflexão.
c) semelhança entre os saberes produzidos em épocas distintas.
d) discordância analítica entre os tipos de investigação filosófica.
e) abrangência científica moderna que escapou ao aristotelismo.
Resolução

Alternativa correta: C

Alternativa A
(F) Segundo o texto, o suposto “constrangimento” de cientistas se dá em razão do pioneirismo intelectual de
Aristóteles, o que não constitui, em si, uma disputa intelectual.
Alternativa B
(F) A argumentação suscitada pelo autor tem também o propósito de contestar a dicotomia entre “o arcaico e o
moderno”, bastante recorrente nos debates intelectuais.

Alternativa C
(V) Por meio de um tom levemente irônico, o texto do autor apresenta as diversas semelhanças entre o moderno
conhecimento científico e a genialidade intelectual do antigo filósofo Aristóteles.

Alternativa D
(F) O que se põe em questão no texto são as convergências analíticas presentes nos estudos antigos e modernos
no que tange às ciências naturais e à filosofia.

Alternativa E
(F) O texto estabelece aproximações entre o saber científico e a reflexão filosófica de Aristóteles.
Questão 67)

Século XXI: maior tolerância e quebra de tabus são a marca da primeira década. Nas novelas de televisão, em
horário nobre, nenhuma personagem hesita em expor suas preferências, em expor-se. Na frente das
câmeras, segredos pessoais são revelados sem constrangimentos. Nos sites, “ricos e famosos” falam abertamente
de sua vida particular. A privacidade entrou na rede social. Todo mundo sabe onde está todo mundo, o que faz e
com quem “ficou”. Muitos iniciam relacionamentos por meio das redes sociais, como o Facebook ou Orkut. Nela
começa o flerte, namoram “virtualmente”, e um número crescente desses relacionamentos virtuais acaba no
encontro físico das partes, na igreja.
PRIORE, Mary Del. Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil.
2. ed. São Paulo: Planeta, 2011. (adaptado)

Os exemplos descritos no texto mostram que as mudanças nos padrões de sociabilidade, combinadas com os
avanços tecnológicos, resultaram na
a) virtualização dos relacionamentos sociais.
b) repressão sobre o comportamento íntimo.
c) redefinição da privacidade e da afetividade.
d) tendência para o crescimento dos divórcios.
e) procura por notícias que exponham os famosos.
Resolução

Alternativa correta: C

O texto mostra que os padrões afetivos mudaram no século XXI, assim como a disposição para falar e expor a vida
íntima. Nesse sentido, os meios de comunicação refletem e aprofundam essas transformações. Deve-se observar
que as mídias digitais não possuem, por si só, a capacidade de moldar os relacionamentos humanos, que estão
inseridos em uma conjuntura de mudança dos padrões de privacidade.
Questão 68)

Na produção social que os homens realizam, eles entram em determinadas relações indispensáveis e
independentes de sua vontade; tais relações de produção correspondem a um estágio definido de
desenvolvimento das suas forças materiais de produção. A totalidade dessas relações constitui a
estrutura econômica da sociedade — fundamento real, sobre o qual se erguem as superestruturas política e
jurídica, e ao qual correspondem determinadas formas de consciência social.
MARX, K. Prefácio à Crítica da economia política. In: MARX, K.; ENGELS, F. Textos 3. São Paulo: Edições Sociais, 1977 (adaptado).

Para o autor, a relação entre economia e política estabelecida no sistema capitalista faz com que
a) o proletariado seja contemplado pelo processo de mais-valia.
b) o trabalho se constitua como o fundamento real da produção material.
c) a consolidação das forças produtivas seja compatível com o progresso humano.
d) a autonomia da sociedade civil seja proporcional ao desenvolvimento econômico.
e) a burguesia revolucione o processo social de formação da consciência de classe.
Resolução

Alternativa correta: B

Para Marx, a sociedade existe a partir das relações ma-teriais de produção, que são fundamentadas no trabalho
humano. Sendo assim, somente a alternativa [B] está correta.
Questão 69)

“A modernidade não pertence a cultura nenhuma, mas surge sempre CONTRA uma cultura particular, como
uma fenda, uma fissura no tecido desta. Assim, na Europa, a modernidade não surge como um
desenvolvimento da cultura cristã, mas como uma crítica a esta, feita por indivíduos como Copérnico, Montaigne,
Bruno, Descartes, indivíduos que, na medida em que a criticavam, já dela se separavam, já dela se
desenraizavam. A crítica faz parte da razão que, não pertencendo a cultura particular nenhuma, está em princípio
disponível a todos os seres humanos e culturas. Entendida desse modo, a modernidade não consiste numa etapa
da história da Europa ou do mundo, mas numa postura crítica ante a cultura, postura que é capaz de surgir em
diferentes momentos e regiões do mundo, como na Atenas de Péricles, na Índia do imperador Ashoka ou no
Brasil de hoje.”
Antonio Cícero. Resenha sobre o livro O Roubo da História. Folha de S. Paulo, 1o nov. 2008. (adaptado)

Com a leitura do texto, a modernidade pode ser entendida como


a) uma tendência filosófica especificamente europeia e ocidental de crítica cultural e religiosa.
b) uma tendência oposta a diversas formas de desenvolvimento da autonomia individual.
c) um conjunto de princípios morais absolutos, dotados de fundamentação teológica e cristã.
d) um movimento amplo de propagação da crítica racional a diversas formas de preconceito.
e) um movimento filosófico desconectado dos princípios racionais do Iluminismo europeu.
Resolução

Alternativa correta: D

De acordo com o texto, a modernidade pode ser entendida como um movimento crítico de oposição a certa
cultura. Não é exatamente um movimento amplo de propagação de crítica racional a diversas formas de
preconceito, pois o autor não determina que tipo de crítica a modernidade defende e nem contra a que ela
se põe. A modernidade é caracterizada simplesmente como uma posição contrária ao estado de coisas que
permite uma abertura por meio da qual se supera uma tradição. Afinal, o texto infere que a modernidade não é
limitada à história da Europa; então é complicado tentar entendê-la a partir de uma definição baseada no
movimento iluminista (século XVIII). A modernidade é entendida por meio de uma análise histórica pela qual se
observam os movimentos de crítica às realidades retificadas e o desmanche das coisas supostamente
consolidadas.
Questão 70)

“Na Grécia Antiga, haviam professores itinerantes que percorriam as


cidades ensinando, mediante pagamento, a arte da retórica às pessoas
interessadas. Eles eram chamados de sofistas, termo que originalmente
significaria ‘sábios’, mas que adquiriu o sentido de desonestidade
intelectual, principalmente por conta das definições de Aristóteles e Platão.
Para Aristóteles, os sofistas ensinavam a argumentação a respeito de
qualquer tema, mesmo que os argumentos não fossem válidos, ou seja, não
estavam interessados pela procura da verdade e sim pelo refinamento da
arte de vencer discussões, pois para eles a verdade é relativa de acordo
com o lugar e o tempo em que o homem está inserido”.

SANTOS, Wigvan Junior Pereira dos. Sofistas. Disponível em


http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/filosofia/sofistas.htm/

A noção praticada pelos sofistas de que a verdade é relativa implica considerar que
a) quaisquer debates convergem para a enunciação de axiomas.
b) a compreensão da realidade é cultural e, portanto, pode ser modificada.
c) existem assuntos para os quais não é possível fazer questionamentos.
d) o uso da linguagem é uma forma de se afastar do conhecimento correto.
e) os deuses são provedores da interpretação do mundo, cabendo ao homem captar essa verdade.
Resolução

Alternativa correta: B

Para os sofistas, o conceito de verdade era relativo, visto que a realidade prática era derivada da ação humana,
logo, influenciada pelos condicionantes históricos, sociais, culturais em que ela está inserida. Como tais fatores
eram variantes, o sentido de verdade também o seria. Esse senso de relativismo praticado pelos sofistas os
colocavam em situação de oposição aos que defendiam a imutabilidade dos conhecimentos e das tradições.
Questão 71)
Suzanne Lenglen (ouro em 1920 na Antuerpia).

Serena Williams (ouro em 2012 em Londres).

O esporte liga padrões de valores e culturas ao longo dos anos. Nas imagens, pode-se identificar duas tenistas de
grande destaque, separadas por uma diferença de mais de 90 anos. Sobre os padrões mencionados, pode-se
afirmar
a) que, nesse caso específico, o tênis sofreu influência do meio sociocultural, diferentemente dos demais
esportes que mantiveram seus padrões inalterados.
b) que houve uma significativa mudança no papel da mulher na sociedade, sendo permitido a elas a mudança de
valores, mas nunca da cultura pré-estabelecida.
c) não haver mudanças significativas de valores ou mesmo de cultura, pois a mulher manteve sua participação em
esportes femininos, alterando apenas o tamanho das roupas.
d) que o esporte como um todo é fruto do meio social; com a revolução feminista, houve uma maior construção
de liberdades para alterar formas e padrões do corpo feminino.
e) haver uma construção do imaginário do mundo masculino como objetivo a ser seguido por homens e
mulheres, daí as significativas mudanças observadas nas imagens.
Resolução

Alternativa correta: D

Os padrões sociais são altamente mutáveis e influenciados pelas mudanças sociais, (as guerras mundiais, a
revolução feminista e mesmo as novas constituições ocidentais) que alteram significativamente o papel da
mulher e mesmo do homem na sociedade, fazendo com que surjam novos valores e ditames sociais, os quais
passam a povoar a mente de esportistas, empresários, operários e mesmo donos e donas de casa. Nas imagens,
fica expresso essas mudanças, bem representadas nas indumentárias e forma física de duas tenistas.
Questão 72)

A verdadeira sabedoria para Sócrates é o conhecimento perfeito dos temas éticos, do como viver. Quando
declara ignorância, Sócrates se refere à ignorância sobre os fundamentos da moral; não está afirmando
nenhum ceticismo genérico a respeito de questões práticas. Sua preocupação é unicamente com a reflexão ética,
e ele não pode, em sã consciência, abandonar sua missão de incentivá-la nos outros.
GOTTLIEB, Anthony. O sonho da razão: uma história da filosofia ocidental da Grécia ao
Renascimento. Rio de Janeiro: Difel, 2007.

Com base no texto, pode-se dizer que a famosa frase “só sei que nada sei”, aplicada ao contexto do
comportamento ético do cidadão na Atenas do século V a.C., refere-se, especificamente, à
a) vocação dos filósofos para agir conforme os princípios morais.
b) humildade de reconhecer o quão distante está a perfeição.
c) diferença filosófica entre defender um princípio e praticá-lo.
d) recusa em seguir as leis impostas pela democracia ateniense.
e) necessidade de reconhecimento da limitação humana diante do poder divino.
Resolução

Alternativa correta: B

Alternativa A
(F) A moral era o resultado da conduta coletiva na pólis, e não uma atribuição específica dos filósofos.

Alternativa B
(V) Em sua afirmação, Sócrates colocava-se não como o detentor de todo o saber, mas como um ser em eterna
busca pelo sentido do bem, da justiça e da verdade.

Alternativa C
(F) A filosofia defendia um equilíbrio entre o pensamento e a ação, entre teoria e prática.

Alternativa D
(F) Mesmo condenado pelo tribunal de Atenas, por supostamente desencaminhar a juventude, Sócrates resolveu
se submeter à sentença de morte por ingestão de cicuta, demonstrando concordância com a lei e a justiça.

Alternativa E
(F) A filosofia socrática constitui um rompimento com o pensamento religioso/ mitológico antigo, pois está
centrado na capacidade humana de tomar decisões com base na razão. Assim, o homem é visto como senhor de
suas ações e produtor do seu destino.
Questão 73)

A história de todas as sociedades tem sido a história das lutas de classe. Classe oprimida pelo despotismo feudal,
a burguesia conquistou a soberania política no Estado moderno, no qual uma exploração aberta e
direta substituiu a exploração velada por ilusões religiosas. A estrutura econômica da sociedade condiciona
as suas formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas. Não é a consciência do homem
que determina o seu ser, mas, ao contrário, são as relações de produção que ele contrai que determinam a
sua consciência.
(Adaptado de K. Marx e F. Engels, Obras escolhidas. São Paulo: Alfa-Ômega, s./d., vol 1, p. 21-23, 301-302.)

As proposições dos enunciados acima podem ser associadas ao pensamento conhecido como:
a) pensamento mítico, ligado à ação de deuses poderosos, dentro de uma perspectiva de tempo cíclico.
b) materialismo histórico, que concebe a História a partir da luta de classes e da determinação das
formas ideológicas pelas relações de produção.
c) positivismo, que encara a História como um conjunto de dados quantificáveis e dispostos em
ordem cronológica.
d) teocentrismo, reafirmando uma concepção providencialista e linear da História.
e) História social, com ênfase nas mentalidades e cotidiano das civilizações antigas.
Resolução

Alternativa correta: B

O enunciado reflete o pensamento marxiano no que tange ao conceito de lutas de classes.


Questão 74)

Funcionário da soberania ou louvador da nobreza guerreira, o poeta é sempre um “mestre da verdade”.


Sua “verdade” é uma “verdade” assertórica [afirmativa]: ninguém a contesta, ninguém a contradiz. “Verdade”
fundamental, diferente da nossa concepção tradicional, alétheia [verdade] não é a concordância da proposição e
de seu objeto, nem a concordância de um juízo com outros juízos; ela não se opõe à “mentira”; não há o
“verdadeiro” frente ao “falso”. A única oposição significativa é a de alétheia [verdade] e de léthe [esquecimento].
Nesse nível de pensamento, se o poeta está verdadeiramente inspirado, se seu verbo se funda sobre um dom de
vidência, sua palavra tende a se identificar com a “verdade”.
DETIENNE, Marcel. Os mestres da verdade na Grécia Arcaica. Trad. Andréa Daher. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988. p. 23.

As narrativas expressas pelos mitos gregos


a) fundamentavam-se em critérios racionais e lógicos.
b) destacavam a atuação dos homens na vida política.
c) baseavam-se em noções cronológicas precisas.
d) eram verdades evidenciadas pela autoridade do poeta.
e) possuíam teor crítico aos valores sociais vigentes.
Resolução

Alternativa correta: D

A nossa concepção de verdade é a verdade no modelo aristotélico, ou seja, da verdade como correspondência.
Isso significa que um enunciado é verdadeiro quando está de acordo com a realidade. Por exemplo, é verdade
dizer que Sócrates é um homem e que não é um macaco. Tal concepção é bem diferente daquela apresentada no
texto, que corresponde a uma verdade dogmática baseada na autoridade do poeta. Sendo assim, a narrativa
mítica se torna verdadeira simplesmente porque foi o poeta que a contou, mesmo que não tenha
qualquer correspondência com a realidade.