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PRINCÍPIO DO PRAZER

Segundo a Teoria da Personalidade de Freud, da qual já tratamos anteriormente, o princípio


do prazer é o que guia o Id. Isso quer dizer que o Id é sua força propulsora. Sabemos que o
que o Id busca é a satisfação imediata dos impulsos humanos, que podem ter caráter de
desejo ou de necessidade primária. Sendo o princípio do prazer a força motriz do Id,
podemos concluir que ele tem como único objetivo satisfazer nossos impulsos primitivos.
Esses podem ser o impulso da fome, o da raiva ou o sexual.
Lembremo-nos que para Freud o Id é a parte biológica da mente humana, presente desde o
nascimento. Assim como pode ser considerado como a origem das mais intensas
motivações humanas, é a instância mental que tende a permanecer mais enterrada no campo
inconsciente.
Basta perceber como agem os indivíduos na primeira infância. Nessa fase, o Id comanda o
indivíduo. Isso quer dizer que quem guia as ações infantis é o Princípio do Prazer,
orientando-as sempre no sentido de satisfazer suas necessidades básicas. As crianças
menores tendem a exigir a satisfação de suas necessidades, como fome, sono e desejos
variados. E o fazem sem levar em consideração o local e o momento. Isso porque nelas não
se encontra desenvolvido o Ego que, por sua vez, é guiado pelo Princípio da Realidade.

PRINCÍPIO DA REALIDADE
Enquanto o Id é guiado pelo princípio de prazer, o Ego é guiado pelo princípio da realidade.
Sua principal função é satisfazer o máximo possível os desejos do Id, mas de uma forma
socialmente adequada. Nesse sentido, o princípio da realidade se opõe ao princípio do
prazer. Mas não para anulá-lo. Sua função vai no sentido de mediar os impulsos do Id para
que eles sejam satisfeitos de acordo com os princípios morais da realidade social.
O Princípio da Realidade se desenvolve, assim como o Ego, a partir do amadurecimento da
personalidade e da vida em sociedade. Os aspectos culturais dizem muito, portanto, do
conteúdo que preencherá o Ego, ainda que sua função seja fixa.
O Ego, regido pelo princípio da realidade, está preocupado em evitar o perigo e adaptar o
indivíduo à realidade e ao comportamento civilizado. Freud destaca ainda que o nível Pré-
consciente também é regido pelo Princípio da Realidade.

PRINCÍPIO DO PRAZER E PRINCÍPIO DA


REALIDADE
É bastante provável que o princípio do prazer entre em conflito com a atividade consciente
da psique. Isso porque ela se preocupa constantemente em evitar o perigo e garantir a
adaptação do indivíduo no mundo exterior.
Quando a mente é dominada pelo princípio do prazer, que pode ser entendido aqui como a
busca da satisfação de desejos, somos levados a agir de forma estritamente impulsiva.
Sabemos que ações impulsivas desprezam regras e não obedecem nenhuma lógica.
Podemos dizer, então, que o princípio da realidade racionaliza os impulsos arcaicos do
princípio do prazer de forma a delimitar, a partir de regras culturais, quais desses impulsos
podem ser satisfeitos, quando podem e onde são aceitáveis.
Freud conclui, portanto, que todo o pensamento humano é, por um lado, conflito e, por
outro, compromisso entre o sistema pré-consciente (princípio de realidade) e inconsciente
(princípio do prazer).