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O SER IMORTAL | RUPERT SPIRA

"O Eu é um só. Sendo imóvel, ele se move mais rápido do que o pensamento. Os sentidos não o alcançam, pois ele
sempre vai primeiro. Permanecendo imóvel, ultrapassa tudo o que corre. Sem o Eu, não há vida. Para o ignorante, o
Eu parece mover-se - embora ele não se mova. Ele está muito distante do ignorante - embora esteja próximo. Ele
está dentro de tudo, e está fora de tudo."

"O Eu está em todos os lugares. Ele é brilhante, imaterial, sem mácula de imperfeição, sem osso, sem carne, puro,
intocado pelo mal. Aquele que vê, Aquele que pensa, Aquele que está acima de tudo, o Auto-Existente - ele é aquele
que estabeleceu a ordem perfeita entre objetos e seres desde o tempo que não tem princípio."
~ ISHA UPANISHAD

O SER IMORTAL
O remédio para o medo da morte é muito simples.
Você tem medo de adormecer à noite?
Todos os seus pensamentos, seus sentimentos, suas ideias, seu nome, sua forma, seu mundo, todo o que você sabe
sobre si próprio, todo o conhecimento que acumulou, todas as suas esperanças, tudo vai desaparecer.
E, no entanto, não só não o teme, como de fato, você anseia por isso.
Por que é que você anseia por isso?
É um alívio tão grande quando tudo desaparece.
É um fardo tão grande carregar isso durante o dia inteiro.
É por isso que ansiamos pela paz do sono.
Quando você adormece sente relutância, medo de deixar de existir?
Por que é que não sente isso?
Porque não o experimenta.
É a sua experiência reiterada, de que quando você adormece, não deixa de existir.
Tudo aquilo que carregava consigo - todo o seu conhecimento ideias, sensações. perceções - dão-lhe um descanso.
É por isso que é tão pacífico ali.
Então, por que é que tem medo de morrer?
Por que é que tem medo que esta coleção de pensamentos, sentimentos sensações e perceções desapareçam?
O motivo por que o tememos é porque investimos a nossa identidade em algo que vem e vai.
Investimos a nossa identidade num objeto ou numa coleção de objetos, ideias e conhecimento e história e uma
coleção de sensações que conhecemos ser o corpo.
O nosso ser essencial de pura consciência "confundiu-se" com uma coleção de pensamentos e sentimentos, a tal
ponto que não (se) consegue mais considerar-se separado desses pensamentos e sentimentos.
Em vez de pensar: Eu tenho pensamentos e sentimentos, nós sentimos: Eu sou pensamentos e sentimentos.
Em vez de pensar e sentir que pensamentos, sentimentos, sensações e perceções são coisas que me visitam de vez
em quando, e depois deixam-me.
Deixando-me na paz da minha verdadeira natureza.
Sentimos em vez disso: Eu sou este monte de pensamentos, sentimentos e sensações, chamado este corpo-mente.
Por conseguinte, quando isso desaparece, o que acontece frequentemente, sentimos que um pouco de mim vai
embora com isso.
Por que investi a minha identidade neles, sentimos que, eu vou desaparecer ou eu vou morrer.
E isto é um dos aspetos essenciais do ser desassociado.
Este sentimento de que eu vou desaparecer.
Outro aspeto essencial do ser desassociado é que me falta alguma coisa.
Por que um objeto nunca pode ser completo. Não existe tal coisa como um objeto completo.
Então, sempre que nos identificamos como um objeto, sentimos não só um sentimento de medo, mas sentimos
também que estamos incompletos.
Medo e desejo são as duas atividades essenciais do ser desassociado.
O sentimento de separação expressa-se como um medo de desaparecer.
Em outras pessoas o fator anseio / busca é mais forte que o fator medo.
O remédio para esta situação é: Você saber o que essencialmente é.
Vá para a experiência de estar consciente.
E vê que essa experiência nunca te abandonou.
Na realidade não há um tu que tem essa experiência.
Aquilo é você.
isto é simplesmente a presença do conhecimento, a consciência de ser, ou a experiência de estar consciente.
É exatamente totalmente constante na sua vida.
Nunca se esgotou.
Nunca foi para lado nenhum.
É apenas quando deixamos isso misturar-se com a coleção de pensamentos e sentimentos, tão exclusivamente que
não conseguimos mais distinguir a diferença entre eles, que então, tememos desaparecer.
O remédio para este medo é muito simples.
Olhe simplesmente para si próprio. Pergunte-se:
Ao que é que me refiro quando digo "eu"?
Vá para lá, pegue o pensamento "eu".
Eu estou consciente do meu corpo.
Eu estou consciente desta sala.
Eu estou consciente destas palavras.
Eu estou consciente dos meus sentimentos.
Eu estou consciente dos meus pensamentos.
Eu estou consciente de...
Eu estou consciente de...
Eu estou consciente de...
É tudo no que a sua vida consiste:
Eu estou consciente disto.
Eu estou consciente daquilo.
Eu estou consciente de ser saudável.
Eu estou consciente de ser rico.
Este "eu estou consciente" impregna toda a sua experiência. Não há experiência sem isso.
Em vez de você dar a sua atenção àquilo de que está consciente, destaque o "eu estou consciente."
Deixe os pensamentos ficarem desfocados.
Foque-se na primeira parte da sua experiência.
Detenha-se simplesmente no "eu estou consciente."
Independentemente daquilo que você está consciente, Isso nunca o abandonou.
Você nunca deixou de ser este "eu estou consciente."
Dê simplesmente a sua atenção a essa experiência de estar consciente.
Em vez de reluzir a sua atenção no objeto - o pensamento, o sentimento - reluza essa consciência na experiência de
estar consciente.
Por outras palavras: Em si próprio.
Possibilite a sua atenção regressar a si próprio; descansar apenas em si próprio.
Essa experiência é a própria paz.
À medida que você se atém nisso, como aquilo, cada vez mais, a sua velha identidade, a sua velha crença, que este
ser consciente é idêntico a um monte de pensamentos e sentimentos, vai gradualmente purificar-se de todos esses
sentimentos e pensamentos.
Você não tem de lhes fazer nada.
Você não tem de se livrar deles.
Você não tem de se preocupar com esta velha identidade.
Ela vai simplesmente atrofiar gradualmente como resultado dessa negligência.
Porque não é mais alimentado pela sua atenção ou interesse.
Dê a sua atenção amorosa a si mesmo. A Isso que você sabe que é.
Que se conhece em si como a experiência: Eu estou consciente.
Essa é a cura para o medo da morte.
Por que conforme você se atém como este "estar consciente", esta certeza começa a emergir do fundo.
É como uma memória que chega profundidade do seu ser.
Esta memória da sua própria imortalidade. Da sua própria eternidade.
Que eu não estou apenas consciente: Eu sou eternamente consciente. Eu nunca me experimentei desaparecendo.
Eu nunca fui magoado. Eu nunca fui prejudicado.
Nenhum experiência alguma vez me manchou ou deixou um vestígio em mim.
Sou totalmente íntimo com toda a experiência.
Apenas uma presença testemunhante no pano de fundo da experiência que mantém o corpo-mente a uma distância
segura.
Eu sou o conhecimento que inunda toda a experiência. Que permeia toda a experiência. Que é intimamente uno com
toda a experiência. Eu tomo o formato de toda a experiência.
Cada experiência deixa-me simplesmente na minha imaculada, livre, vazia, resplandecente, presença conhecedora.
Cumpra aquilo, esta memória. Não uma memória do passado, mas esta memória da profundidade do seu ser.

Como uma espécie de ser implícito na sua mente.


Como uma espécie de convicção:
Eu nunca vou a lado nenhum.
Eu não posso ser lesado.
Eu não morro.
Tem medo de adormecer à noite?
Você simplesmente esquece o seu medo da morte. Não lhe visitará mais simplesmente.

Rupert Spira
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