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Aula 04

Dir Administrativo p/ Câmara de Salvador (Assistente Legislativo e Área Admin - Gestão


da Qualidade)

Professores: Herbert Almeida, Nádia Carolina, Ricardo Vale

01851042580 - Joana Angélica Moreira de Jesus


No•›es de Direito Administrativo p/ C‰mara Municipal de Salvador
Assistente Legislativo Municipal e çrea Administrativa (Gest‹o da
Qualidade)
Teoria e exerc’cios
comentados

Prof. Herbert Almeida Ð Aula 4

AULA 4: Deveres e poderes administrativos

Sumário

DEVERES E PODERES ADMINISTRATIVOS ........................................................................................................ 2


INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................................... 2
PODER-DEVER DE AGIR ............................................................................................................................................. 3
DEVER DE EFICIÊNCIA ................................................................................................................................................ 4
DEVER DE PROBIDADE ............................................................................................................................................... 4
DEVER DE PRESTAR CONTAS ....................................................................................................................................... 6
PODERES ADMINISTRATIVOS .......................................................................................................................... 8
PODER VINCULADO E PODER DISCRICIONÁRIO ................................................................................................................ 8
PODER HIERÁRQUICO ............................................................................................................................................. 10
PODER DISCIPLINAR ................................................................................................................................................ 17
PODER REGULAMENTAR .......................................................................................................................................... 25
PODER DE POLÍCIA ................................................................................................................................................. 32
USO E ABUSO DE PODER .............................................................................................................................. 44
QUESTÕES FGV ............................................................................................................................................. 45
QUESTÕES COMENTADAS NA AULA ............................................................................................................. 72
GABARITO .................................................................................................................................................... 87
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................ 87


Ol‡ pessoal, tudo bem?
Na aula de hoje, vamos estudar os seguintes itens: ÒPoderes
Administrativos: vinculado, discricion‡rio, hier‡rquico, disciplinar,
regulamentar e poder de pol’cia. Pol’cia judici‡ria e Pol’cia
administrativa. Uso e abuso de poder.Ó.
Outrossim, a parte inicial de nossa aula, abordando os deveres, serve
de contextualiza•‹o para o t—pico de poderes, podendo ser cobrado tambŽm
no estudo dos agentes pœblicos.
Aos estudos, aproveitem!

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DEVERES E PODERES ADMINISTRATIVOS

Introdução

O regime jur’dico administrativo Ž formado por um conjunto de


prerrogativas e sujei•›es pr—prias que colocam a Administra•‹o Pœblica
em posi•‹o de superioridade na rela•‹o com os administrados, ao mesmo
tempo em que limitam a sua esfera de liberdade para defender os direitos
individuais e preservar o patrim™nio pœblico.
Dentre as prerrogativas, encontram-se os poderes administrativos,
que funcionam como instrumentos ou mecanismos por meio dos quais o
Poder Pœblico deve perseguir o interesse da coletividade.
Nessa linha, JosŽ dos Santos Carvalho Filho define poderes
administrativos como Òo conjunto de prerrogativas de direito pœblico
que a ordem jur’dica confere aos agentes administrativos para o fim
de permitir que o Estado alcance seus finsÓ1.
Eles s‹o os instrumentos pelos quais os —rg‹os pœblicos cumprem os
seus deveres funcionais. Dessa forma, n‹o h‡ poder dissociado da fun•‹o
pœblica. Portanto, os poderes pœblicos devem ser utilizados para a
realiza•‹o do fim pœblico que justificou a compet•ncia atribu’da ao agente,
ou seja, todo poder se vincula ao fim pœblico.
Assim, embora o voc‡bulo poder d• ideia de faculdade, o certo Ž que
se trata de um poder-dever, pois ao mesmo tempo em que representam
prerrogativas pr—prias das autoridades, eles representam um dever de
atua•‹o, uma obriga•‹o. Segundo Hely Lopes Meirelles2,
[...] o poder de agir se converte no dever de agir. Assim, se no Direito
Privado o poder de agir Ž uma faculdade, no Direito Pœblico Ž uma
imposi•‹o, um dever para o agente que o detŽm, pois n‹o se admite a
omiss‹o da autoridade diante de situa•›es que exigem sua atua•‹o. Eis
porque a Administra•‹o responde civilmente pelas omiss›es lesivas de seus
agentes.

A partir desses ensinamentos, podemos discutir o poder b‡sico


conferido pelo regime jur’dico administrativo aos administradores pœblicos:
o poder-dever de agir.


1
Carvalho Filho, 2014, p. 51.
2
Meirelles, 2013, p. 112.

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Poder-dever de agir

Os poderes administrativos s‹o outorgados aos agentes pœblicos para


que eles possam atuar em prol do interesse pœblico. Logo, as compet•ncias
s‹o irrenunci‡veis e devem obrigatoriamente ser exercidas. ƒ por isso que
o Òpoder tem para o agente pœblico o significado de dever para com a
comunidade e para com os indiv’duosÓ3. Diz-se, portanto, que s‹o
poderes-deveres, pois envolvem simultaneamente uma prerrogativa e
uma obriga•‹o de atua•‹o.
O Prof. Celso Ant™nio Bandeira de Mello, buscando dar •nfase ao
car‡ter impositivo de atua•‹o, diz que o correto Ž falar em Òdeveres-
poderesÓ, pois as prerrogativas devem ser vistas antes como um dever de
atua•‹o em busca da finalidade pœblica das compet•ncias administrativas.
Nesse sentido, o art. 11 da Lei 9.784/1999 determina que a
compet•ncia atribu’da ao agente pœblico ÒŽ irrenunci‡vel e se exerce pelos
—rg‹os administrativos a que foi atribu’da como pr—pria, salvo os casos de
delega•‹o e avoca•‹o legalmente admitidosÓ.
Assim, se o administrador se omitir diante de uma situa•‹o que
necessite de atua•‹o, estar‡ ele cometendo uma ilegalidade. Nesses
termos, Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo consideram as seguintes
decorr•ncias do poder-dever da Administra•‹o Pœblica4:
a) os poderes administrativos s‹o irrenunci‡veis, devendo ser
obrigatoriamente exercidos;
b) a omiss‹o do agente, diante de situa•›es que exigem sua atua•‹o,
caracteriza abuso de poder, podendo ensejar, inclusive,
responsabilidade civil da administra•‹o pœblica pelos danos que
porventura decorram da omiss‹o ilegal.
Apesar de os autores mencionarem apenas a responsabilidade civil, a
omiss‹o ilegal do agente pœblico pode refletir na sua responsabiliza•‹o
nas esferas penal, civil e administrativa.

Pela omiss‹o ilegal, o agente pœblico pode


ser responsabilizado nas esferas penal, civil
e administrativa.


3
Meirelles, 2013, p. 112.
4
Alexandrino e Paulo, 2011, p. 212.

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Ap—s a an‡lise do aspecto b‡sico do poder-dever de agir, Hely Lopes


Meirelles apresenta os tr•s principais deveres do administrador pœblico:
dever de efici•ncia, dever de probidade, e dever de prestar contas.

Dever de eficiência

O dever de efici•ncia representa a necessidade de atua•‹o


administrativa com qualidade, celeridade, economicidade, atua•‹o tŽcnica,
controle, etc. Pode-se resumir, portanto, na Òboa administra•‹oÓ.
O dever de efici•ncia vai alŽm da exig•ncia de produtividade, abrange
tambŽm a perfei•‹o do trabalho, ou seja, a adequa•‹o tŽcnica aos fins
desejados pela Administra•‹o. Dessa forma, a atua•‹o eficiente envolve
aspectos quantitativos e qualitativos.
Recentemente, com a Emenda Constitucional 19/1998, a efici•ncia foi
elevada ao posto de princ’pio constitucional. Assim, a Reforma
Administrativa realizou algumas modifica•›es no texto constitucional para
permitir a exig•ncia de uma atua•‹o eficiente. Podemos mencionar, por
exemplo: (i) a possibilidade de perda do cargo do servidor efetivo por
insufici•ncia em procedimento de avalia•‹o peri—dica de desempenho (CF,
art. 41, ¤1¼, II); (ii) obrigatoriedade de avalia•‹o especial de desempenho
como condi•‹o para a aquisi•‹o da estabilidade (CF, art. 41, ¤4¼); (iii)
exig•ncia de participa•‹o dos servidores pœblicos em cursos de forma•‹o e
aperfei•oamento como requisito para promo•‹o na carreira (CF, art. 39,
¤2¼); (iv) possibilidade de aumentar a autonomia gerencial, or•ament‡ria
e financeira dos —rg‹os e entidades da administra•‹o direta e indireta por
meio de contrato de gest‹o, com o objetivo de fixa•‹o de metas de
desempenho (CF, art. 37, ¤8¼).

Dever de probidade

Pelo dever de probidade, exige-se dos agentes pœblicos a observ‰ncia


de padr›es Žticos de comportamento. Assim, o dever de probidade se pauta
na exig•ncia da atua•‹o segundo o princ’pio constitucional da moralidade.
Os agentes pœblicos, alŽm de observarem a lei, devem ser probos,
honestos, leais ao interesse pœblico.
Nesse contexto, a Constitui•‹o Federal determina que ÒOs atos de
improbidade administrativa importar‹o a suspens‹o dos direitos pol’ticos,

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a perda da fun•‹o pœblica, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento


ao er‡rio, na forma e grada•‹o previstas em lei, sem preju’zo da a•‹o penal
cab’velÓ (CF, art. 37, ¤4¼). A Lei 9.784/1999, no mesmo sentido, exige
Òatua•‹o segundo padr›es Žticos de probidade, decoro e boa-fŽÓ (art. 2¼,
par‡grafo œnico, IV).
Buscando dar efetividade ao mencionado dever constitucional, a Lei
8.429/1992 estabelece os atos de improbidade administrativa,
classificando-os em tr•s grupos (arts. 9¼, 10 e 11):
a) que importam enriquecimento il’cito;
b) que causam preju’zo ao er‡rio; e
c) que atentam contra os princ’pios da Administra•‹o Pœblica.
Em todos esses grupos, a Lei cuida apenas em descrever exemplos de
atos de improbidade, uma vez que n‹o Ž poss’vel descrever todas as
condutas desonestas que podem ocorrer. Dessa forma, Ž importante dar
uma olhada no art. 11 da Lei 8.429/1992, que estabelece um amplo campo
de atua•›es que podem ser consideradas como atos de improbidade
administrativa:
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os
princ’pios da administra•‹o pœblica qualquer a•‹o ou omiss‹o que
viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e
lealdade ˆs institui•›es [...].

Nessa esteira, Lucas Rocha Furtado acentua que o dever de probidade


Ž mais amplo que o princ’pio da moralidade. Segundo o autor, todos os atos
que atentem contra a moralidade s‹o tambŽm atos de improbidade, mas
existem atos de improbidade que n‹o se infringem o princ’pio da
moralidade. Ele menciona como exemplo as condutas previstas no art. 10,
X, da Lei de Improbidade Administrativa (Òagir negligentemente na
arrecada•‹o de tributo ou renda, bem como no que diz respeito ˆ
conserva•‹o do patrim™nio pœblicoÓ), que n‹o possuem rela•‹o direta com
o princ’pio da moralidade. Assim, existem atos de improbidade tanto de
natureza culposa quanto dolosa.
Por fim, a Lei 4.717/1965, que regulamenta a a•‹o popular, em
conson‰ncia com o que disp›e o art. 5¼, LXXIII5, da CF, prev• a
possibilidade de anula•‹o de ato administrativo com les‹o aos bens e

5
Art. 5º. [...] LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao
patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e
ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus
da sucumbência; (grifos nossos)

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interesses pœblicos. Segundo Hely Lopes Meirelles, este tipo de ato pode
ser anulado pela pr—pria Administra•‹o ou pelo Poder Judici‡rio por v’cio
de probidade, Òque Ž uma ilegitimidade como as demais que nulificam a
conduta do administrador pœblicoÓ6.

Dever de prestar contas

O exerc’cio da atividade administrativa pressup›e a administra•‹o,


gest‹o e aplica•‹o de bens pœblicos. Os agentes pœblicos administram o
patrim™nio pœblico em nome da sociedade e, portanto, devem prestar
contas de sua atua•‹o.
Vale dizer, o povo Ž o titular do patrim™nio pœblico, sendo que os
agentes apenas fazem a administra•‹o desses bens. Por conseguinte, Ž
obriga•‹o constitucional prestar contas e comprovar a boa aplica•‹o dos
recursos pœblicos.
Nesse contexto, a Constitui•‹o Federal disp›e que ÒPrestar‡ contas
qualquer pessoa f’sica ou jur’dica, pœblica ou privada, que utilize,
arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores
pœblicos ou pelos quais a Uni‹o responda, ou que, em nome desta,
assuma obriga•›es de natureza pecuni‡riaÓ (CF, art. 70, par‡grafo
œnico).
Essa Ž uma regra universal, que alcan•a n‹o s— os agentes pœblicos,
mas qualquer um que Òutilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre
dinheiros, bens e valores pœblicosÓ. Por exemplo, um estudante que receba
recursos para realizar um estudo, dever‡ comprovar a sua boa aplica•‹o.
O dever republicano de prestar contas Ž t‹o importante que alguns
autores7 entendem que ele faz a invers‹o do ™nus da prova, ou seja, n‹o Ž
necess‡rio que o —rg‹o de controle comprove que o recurso foi mal aplicado
para punir o gestor, pois a obriga•‹o Ž contr‡ria, isto Ž, quem utilizou o
recurso Ž que deve comprovar a sua boa aplica•‹o.
O art. 93 do DL 200/1967 e o art. 66 do Decreto 93.872/1986 tambŽm
estabelecem a obriga•‹o de comprovar a boa aplica•‹o de recursos pœblicos
no ‰mbito federal:


6
Meirelles, 2013, p. 115.
7
e.g. Furtado (2012, p. 541); Meirelles (2013, p. 116).

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Decreto-Lei 200/1967:
Art. 93. Quem quer que utilize dinheiros pœblicos ter‡ de justificar seu bom
e regular empr•go na conformidade das leis, regulamentos e normas
emanadas das autoridades administrativas competentes.
Decreto 93.872/1986:
Art. 66. Quem quer que receba recursos da Uni‹o ou das entidades a ela
vinculadas, direta ou indiretamente, inclusive mediante acordo, ajuste ou
conv•nio, para realizar pesquisas, desenvolver projetos, estudos,
campanhas e obras sociais ou para qualquer outro fim, dever‡ comprovar
o seu bom e regular emprego, bem como os resultados alcan•ados.

Todavia, apesar de ser mais acentuado no controle dos recursos


pœblicos, o dever de prestar contas alcan•a todos os atos de governo e
de administra•‹o. Nesse contexto, a Constitui•‹o Federal assegura a
todos, independentemente do pagamento de taxas, o direito de obter
certid›es em reparti•›es pœblicas Òpara defesa de direitos e esclarecimento
de situa•›es de interesse pessoalÓ (CF, art. 5¼, XXXIV, ÒbÓ). AlŽm disso,
diversas leis administrativas obrigam a publicidade como condi•‹o de
efic‡cia dos atos de efeitos externos ou que afetem o patrim™nio pœblico.
Ademais, a transpar•ncia administrativa foi significativamente ampliada
com a publica•‹o da Lei 12.527/2011 (Lei de Acesso ˆ Informa•‹o) que
estabeleceu, entre outras, as seguintes diretrizes para assegurar o direito
constitucional de acesso ˆ informa•‹o (art. 3¼):

a) observ‰ncia da publicidade como preceito geral e do sigilo como


exce•‹o;
b) divulga•‹o de informa•›es de interesse pœblico, independentemente
de solicita•›es;
c) utiliza•‹o de meios de comunica•‹o viabilizados pela tecnologia da
informa•‹o;
d) fomento ao desenvolvimento da cultura de transpar•ncia na
administra•‹o pœblica;
e) desenvolvimento do controle social da administra•‹o pœblica.

Em resumo, a regra Ž a publicidade, enquanto o sigilo s— se aplica em


situa•›es excepcionais.

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PODERES ADMINISTRATIVOS

Poder vinculado e poder discricionário

O poder vinculado ou regrado ocorre quando a lei, ao outorgar


determinada compet•ncia ao agente pœblico, n‹o deixa nenhuma margem
de liberdade para o seu exerc’cio. Assim, quando se deparar com a situa•‹o
prevista na lei, caber‡ ao agente decidir exatamente na forma prevista na
lei.
Diversamente, no poder discricion‡rio, o agente pœblico possui
alguma margem de liberdade de atua•‹o. No caso em concreto, o agente
poder‡ fazer o seu ju’zo de conveni•ncia e oportunidade e decidir‡ com
base no mŽrito administrativo.
Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, os poderes discricion‡rio e
vinculado n‹o existem como poderes aut™nomos, pois s‹o, quando muito,
atributos de outros poderes ou compet•ncias da Administra•‹o.
Complementa a doutrinadora:
O chamado Òpoder vinculadoÓ, na realidade, n‹o encerra ÒprerrogativaÓ do
Poder Pœblico, mas, ao contr‡rio, d‡ ideia de restri•‹o, pois, quando se diz
que determinada atribui•‹o da Administra•‹o Ž vinculada, quer-se significar
que est‡ sujeita ˆ lei em praticamente todos os aspectos. O legislador,
nessa hip—tese, preestabelece todos os requisitos do ato, de tal forma que,
estando eles presentes, n‹o cabe ˆ autoridade administrativa sen‹o edit‡-
lo, sem aprecia•‹o de aspectos concernentes ˆ oportunidade, conveni•ncia,
interesse pœblico, equidade. Esses aspectos foram previamente valorados
pelo legislador.
A discricionariedade, sim, tem inserida em seu bojo a ideia de prerrogativa,
uma vez que a lei, ao atribuir determinada compet•ncia, deixa alguns
aspectos do ato para serem apreciados pela Administra•‹o diante do caso
concreto; ela implica liberdade a ser exercida nos limites fixados na lei. No
entanto, n‹o se pode dizer que exista como poder aut™nomo; o que ocorre
Ž que as v‡rias compet•ncias exercidas pela Administra•‹o com base nos
poderes regulamentar, disciplinar, de pol’cia, ser‹o vinculadas ou
discricion‡ria, dependendo da liberdade deixada ou n‹o, pelo legislador ˆ
Administra•‹o Pœblica.

Por esse motivo, esses dois ÒpoderesÓ s‹o empregados apenas de


maneira tradicional, pois s‹o apenas aspectos das prerrogativas e
compet•ncias pœblicas.

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1. (Cespe – ATA/SUFRAMA/2014) O poder discricionário confere ao


administrador, em determinadas situações, a prerrogativa de valorar determinada
conduta em um juízo de conveniência e oportunidade que se limita até a prática do
ato, tendo em vista a impossibilidade de revogá-lo após a produção de seus efeitos
por ofensa ao princípio da legalidade e do direito adquirido de terceiros de boa-fé.
Comentário: o item apresenta alguns erros. Primeiro que o juízo de
conveniência e oportunidade não se limita até a prática do ato. Ele persiste
mesmo após a sua prática. Vale lembrar que a decisão quanto à revogação
também é discricionária, logo o juízo de conveniência e oportunidade
prossegue mesmo após a prática do ato administrativo.
Além disso, é possível sim revogar um ato administrativo, mesmo após a
produção de seus efeitos, desde que sejam respeitados os direitos
adquiridos.
Gabarito: errado.

2. (Cespe – AJ/CNJ/2013) O exercício do poder discricionário pode concretizar-


se tanto no momento em que o ato é praticado, bem como posteriormente, como no
momento em que a administração decide por sua revogação.
Comentário: a revogação é um ato administrativo discricionário, pois decorre
da análise de conveniência e oportunidade. Além disso, sabemos que a
revogação aplica-se aos atos administrativos válidos e discricionários.
Portanto, é possível concluir que o poder discricionário pode se concretizar
em dois momentos distintos: (a) na hora da edição do ato; (b) no momento de
decidir sobre a sua revogação. Dessa forma a questão está correta.
Gabarito: correto.

3. (Cespe - ATA/MIN/2013) A fixação do prazo de validade e a prorrogação de


um concurso público não se inserem no âmbito do poder discricionário da
administração.
Comentário: para entender este item, é necessário transcrever o conteúdo do
art. 12 da Lei 8.112/1990:
Art. 12. O concurso pœblico ter‡ validade de atŽ 2 (dois ) anos, podendo
ser prorrogado uma œnica vez, por igual per’odo.
No primeiro momento, a Lei prevê que o concurso deve ter validade de “até”
dois anos. Logo, a autoridade administrativa pode decidir se o concurso terá,

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por exemplo, validade de “90 dias”, “seis meses”, “um ano”, ou, até mesmo,
“dois anos”. Enfim, a decisão sobre o prazo de validade é discricionária.
Da mesma forma, a lei estabelece que o concurso pode ser prorrogado uma
única vez. Novamente, estamos diante do poder discricionário. Assim o item
está errado.
Gabarito: errado.

Poder hierárquico

A hierarquia Ž a rela•‹o de subordina•‹o existente entre os v‡rios


—rg‹os e agentes administrativos, com a distribui•‹o de fun•›es e a
grada•‹o de autoridade de cada um.
ƒ importante destacar que a hierarquia s— ocorre dentro da mesma
pessoa jur’dica, ou seja, n‹o h‡ hierarquia entre a administra•‹o direta e
indireta. Com efeito, tambŽm n‹o se fala em hierarquia entre os Poderes
(Legislativo, Executivo e Judici‡rio) ou entre a Administra•‹o e os
administrados. Por fim, o poder hier‡rquico n‹o se apresenta nos Poderes
Legislativo e Judici‡rio quando no exerc’cio de suas fun•›es t’picas (legislar
e julgar, respectivamente). PorŽm, quando se tratar das atividades meio
(licitar, contratar, comprar, etc.), que se expressam pelo exerc’cio da
fun•‹o administrativa, a’ o poder hier‡rquico tambŽm estar‡ presente nos
—rg‹os do Judici‡rio e do Legislativo.
Segundo Hely Lopes Meirelles, o poder hier‡rquico ÒŽ o de que disp›e
o Executivo para distribuir e escalonar as fun•›es de seus —rg‹os, ordenar
e rever a atua•‹o de seus agentes, estabelecendo a rela•‹o de subordina•‹o
entre os servidores do seu quadro de pessoalÓ.
Nesse contexto, o poder hier‡rquico tem por objetivo:
® dar ordens;
® rever atos;
® avocar atribui•›es;
® delegar compet•ncias; e
® fiscalizar.
Temos como consequ•ncia l—gica da hierarquia o poder de comando
realizado entre as inst‰ncias superiores sobre as inferiores. Essas, por sua
vez, possuem o dever de obedi•ncia para com aqueles, devendo,

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portanto, executar as tarefas em conformidade com as determina•›es


superiores. Dessa forma, pelo poder de dar ordens, os superiores fazem
determina•›es aos subordinados para praticar atos ou tomar determinadas
condutas no caso concreto.
Os subordinados se vinculam ˆs determina•›es superiores, n‹o lhes
cabendo avaliar a conveni•ncia e oportunidade da decis‹o superior, mas
cumpri-las. Essa Ž a base para o desenvolvimento da fun•‹o administrativa,
que pressup›e a exist•ncia de hierarquia. No entanto, os subordinados
podem se negar a cumprir ordens manifestamente ilegais. Isso
porque a pr—pria Constitui•‹o Federal estabelece que ÒninguŽm ser‡
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sen‹o em virtude de leiÓ
(CF, art. 5¼, II). Na esfera federal, o art. 116, IV, da Lei 8.112/1990,
estabelece que Ž dever do servidor Òcumprir as ordens superiores, exceto
quando manifestamente ilegais.Ó Assim, um servidor pœblico deve se
negar, por exemplo, a cumprir uma ordem de destruir um bem pœblico sem
nenhum motivo.

Lucas Rocha Furtado apresenta outras tr•s


situa•›es excepcionais que afastam ou, ao
menos, mitigam o dever de cumprir as ordens
dadas:
® quando a lei tiver conferido compet•ncia exclusiva para a pr‡tica
do ato ao —rg‹o subordinado;
® quando se tratar de atividade de consultoria jur’dica ou tŽcnica,
uma vez que esses atos, que muitas vezes se pronunciam na forma
de pareceres, dependem do convencimento pessoal do agente que o
pratica e podem ensejar sua responsabilidade pessoal; em raz‹o da
pr—pria natureza consultiva desses —rg‹os, eles devem gozar de ampla
autonomia de atua•‹o, o que afasta ou mitiga o dever de cumprir
ordens;
® quando se tratar de —rg‹o incumbido de adotar decis›es
administrativas (por exemplo: o Conselho de Contribuintes da
Receita Federal se encontra subordinado administrativamente ao
superintendente da Receita, mas este n‹o pode definir como as
decis›es do Conselho devem ser adotadas)8.


8
Furtado, 2012, p. 576.

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A fiscaliza•‹o corresponde ao acompanhamento permanente dos atos


dos subordinados com o intuito de mant•-los dentro dos padr›es de
legalidade e legitimidade previstos para a atividade administrativa.
Como consequ•ncia da fiscaliza•‹o, surge a compet•ncia para rever
atos, tambŽm chamada de poder de controle, que permite que o superior
hier‡rquico anule ou revogue os atos de seus subordinados. Dessa forma,
o poder hier‡rquico permite que um superior, de of’cio ou por provoca•‹o,
anule os atos ilegais ou avalie a conveni•ncia e oportunidade para revogar
os atos de seus subordinados. ƒ cab’vel, ainda, realizar a convalida•‹o
dos atos com defeitos san‡veis, desde que seja poss’vel e conveniente.
Quanto ˆ revoga•‹o Ž importante acrescentar algumas informa•›es.
Primeiro que ela s— Ž poss’vel diante de atos v‡lidos e discricion‡rios.
Segundo que a pr—pria revoga•‹o Ž um ato discricion‡rio, isso porque cabe
ˆ autoridade pœblica avaliar a conveni•ncia e oportunidade de revogar um
ato administrativo v‡lido. Por fim, n‹o Ž poss’vel revogar atos
administrativos que j‡ tenham originado direito adquirido para o
administrado.
Uma vez que j‡ estudamos a delega•‹o e a avoca•‹o neste curso,
vamos apenas relembrar os seus aspectos mais importantes.
A delega•‹o ocorre quando se confere a um terceiro atribui•›es que
originalmente competiam ao delegante. A delega•‹o Ž um ato
discricion‡rio, tempor‡rio e revog‡vel a qualquer momento. N‹o se admite
a delega•‹o de atos de natureza pol’tica, como o poder de sancionar uma
lei. TambŽm n‹o Ž poss’vel a delega•‹o de compet•ncia de um Poder ao
outro, salvo quando a Constitui•‹o Federal autorizar expressamente9.
Ademais, a delega•‹o s— alcan•a o exerc’cio da compet•ncia, uma vez que
a sua titularidade Ž irrenunci‡vel. Por fim, Ž poss’vel delegar uma
compet•ncia mesmo quando n‹o h‡ rela•‹o hier‡rquica, ou seja, a
delega•‹o n‹o Ž exclusividade do poder hier‡rquico.
Quando for consequ•ncia do poder hier‡rquico, n‹o ser‡ poss’vel ao
agente subordinado recusar a delega•‹o. AlŽm disso, a subdelega•‹o s— Ž
permitida com a concord‰ncia expressa do delegante. Por fim, n‹o se


9
Hely Lopes Meirelles entende que não se pode delegar competências de um poder ao outro (2013, p. 131).
Porém, Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo (2011, p. 222) afirmam que é possível a delegação, desde que a
Constituição assim autorize expressamente (eles mencionam como exemplo o caso de leis delegadas, previstas
no art. 68 da Constituição Federal).

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admite a delega•‹o de atribui•›es especificamente atribu’das em lei a


determinado —rg‹o ou agente10.
Avocar Ž chamar para si fun•›es que originalmente foram atribu’das
a um subordinado. A avoca•‹o s— Ž poss’vel em car‡ter excepcional, por
motivos relevantes, devidamente justificados e por tempo determinado.
Com efeito, diferentemente da delega•‹o, pressup›e a exist•ncia de rela•‹o
hier‡rquica. Finalmente, o superior n‹o pode avocar uma compet•ncia
atribu’da por lei como exclusiva de seu subordinado.
Um assunto que causa pol•mica no estudo do poder hier‡rquico Ž sobre
a compet•ncia para aplicar san•›es aos agentes pœblicos por infra•›es
disciplinares. A doutrinadora Maria Sylvia Zanella Di Pietro elenca
expressamente essa atribui•‹o no poder hier‡rquico. Todavia, Hely Lopes
Meirelles disp›e que o Òpoder hier‡rquico e o poder disciplinar n‹o se
confundem, mas andam juntos, por serem sustent‡culos de toda a
organiza•‹o administrativaÓ.
Nessa esteira, Lucas Rocha Furtado trata os dois poderes (hier‡rquico
e disciplinar) como disciplinas aut™nomas. Isso porque o poder
disciplinar n‹o se manifesta exclusivamente no descumprimento de ordens
dos agentes pœblicos, ou seja, sua aplica•‹o vai alŽm do poder hier‡rquico.
O autor menciona, como exemplo, que o art. 132, IV, prev• a aplica•‹o da
pena de demiss‹o ao agente que praticar ato de improbidade
administrativa. Neste caso, n‹o houve qualquer rela•‹o hier‡rquica e,
mesmo assim, o poder disciplinar estar‡ presente.
Em s’ntese, podemos concluir que a compet•ncia para aplicar san•‹o
aos agentes pœblicos por infra•›es administrativas se insere no poder
disciplinar.

A aplica•‹o de penas aos servidores n‹o se


insere no poder hier‡rquico e sim no poder
disciplinar.

Para encerrar o assunto, enfatizamos novamente que n‹o se pode


confundir subordina•‹o com vincula•‹o. O poder hier‡rquico se aplica nas
rela•›es de subordina•‹o, permitindo o exerc’cio de todas as formas de
controle. Por outro lado, a vincula•‹o gera uma forma de controle restrita,

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em geral sob o aspecto pol’tico. O controle decorrente da vincula•‹o s— pode


ocorrer quando expressamente previsto em lei.
Visto isso, vamos resolver algumas quest›es.

4. (Cespe – Administrador/Suframa/2014) No âmbito do Poder Executivo, a


prerrogativa de apurar as infrações e impor sanções aos próprios servidores,
independentemente de decisão judicial, decorre diretamente do poder hierárquico,
segundo o qual determinado servidor pode ser demitido pela autoridade competente
após o regular processo administrativo disciplinar, por irregularidades cometidas no
exercício do cargo.
Comentário: o poder para apurar as infrações e impor sanções administrativas
se expressa por meio do poder disciplinar. Veremos diversas questões como
essa que confirmam este entendimento do Cespe (seguindo a doutrina
majoritária).
Gabarito: errado.

5. (Cespe – Agente Administrativo/Suframa/2014) O poder hierárquico confere


aos agentes superiores o poder para avocar e delegar competências.
Comentário: o poder hierárquico confere as seguintes prerrogativas aos
superiores: (a) das ordens; (b) rever os atos; (c) avocar atribuições; (d) delegar
competências; e (e) fiscalizar os subordinados. A avocação ocorre quando o
agente superior assume uma competência originalmente atribuída ao seu
subordinado; já a delegação é o movimento contrário, ou seja, quando se
passa o exercício de uma atribuição ao subordinado. Lembrando que a
delegação pode ocorrer para um órgão ou agente não subordinado, mas nesse
caso não se fundamenta no poder hierárquico.
Gabarito: correto.

6. (Cespe - Procurador/PGE-BA/2014) Ao secretário estadual de finanças é


permitido delegar, por razões técnicas e econômicas e com fundamento no seu
poder hierárquico, parte de sua competência a presidente de empresa pública,
desde que o faça por meio de portaria.
Comentário: não existe hierarquia entre a administração direta e indireta. No
caso da questão, estamos falando de uma secretaria estadual de finanças
(administração direta) e de um presidente de uma empresa pública

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(administração indireta). Logo, não podemos falar em poder hierárquico e, por


isso, o item está errado.
Gabarito: errado.

7. (Cespe - Juiz/TJDFT/2014) Ao ato jurídico de atração, por parte de autoridade


pública, de competência atribuída a agente hierarquicamente inferior dá-se o nome
de
a) deliberação.
b) delegação.
c) avocação.
d) subsunção.
e) incorporação.
==d63ba==

Comentário: questão muito simples. O ato jurídico de atração de competência


do subordinado é chamado de avocação (opção C). A delegação é a atribuição
da competência a terceiro. Os demais itens não possuem nenhuma relação
com o poder hierárquico.
Gabarito: alternativa C.

8. (Cespe – AJ/CNJ/2013) É possível que o agente administrativo avoque para a


sua esfera decisória a prática de ato de competência natural de outro agente de
mesma hierarquia, para evitar a ocorrência de decisões eventualmente
contraditórias.
Comentário: a avocação só ocorre na relação entre superior e subordinado,
ou seja, pressupõe a existência de relação de hierarquia entre os agentes
envolvidos. No caso da questão, como os agentes estão em mesmo nível, não
há relação hierárquica e, portanto, o item está errado. Por exemplo, não é
possível que um ministro de Estado avoque a competência de outro ministro,
pois eles estão no mesmo nível hierárquico.
Gabarito: errado.

9. (Cespe- ATA/MIN/2013) Considere que um servidor público, após regular


processo administrativo disciplinar, seja suspenso por decisão da autoridade
competente, por praticar irregularidades no exercício do cargo. Nessa situação, a
imposição pela administração pública da sanção ao servidor, independentemente
de decisão judicial, decorre do poder hierárquico.
Comentário: questão muito simples. Como já enfatizamos, a Prof. Maria Sylvia
Zanella Di Pietro considera que a competência para punir servidor por
infrações disciplinares se insere no poder hierárquico. Todavia, esse não é o
posicionamento dominante. A doutrina majoritária entende que a imposição

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de sanção ao servidor que cometer infrações se insere na função disciplinar.


Portanto, a questão está errada.
Gabarito: errado.

10. (Cespe - Escrivão/PC BA/2013) A relação de subordinação administrativa


decorre do poder hierárquico, segundo o qual o superior deve rever os atos do
subordinado, anulando-os quando ilegais ou revogando-os, por meio de ofício ou
de recurso hierárquico, quando inconvenientes ou inoportunos.
Comentário: o item aparentemente está perfeito. Isso porque o poder
hierárquico permite a revisão dos atos dos subordinados para anulá-los,
quando ilegais, ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade.
O item, todavia, foi anulado. Segundo a banca: “Houve prejuízo do julgamento
objetivo do item, pois, onde se lê “por meio de ofício” deveria ler-se “de
ofício”. Dessa forma, opta-se pela anulação do item”.
Gabarito: anulado.

11. (Cespe - ATA/MJ/2013) Decorre da hierarquia administrativa o poder de dar


ordens aos subordinados, que implica o dever de obediência aos superiores,
mesmo para ordens consideradas manifestamente ilegais.
Comentário: realmente o poder de dar ordens aos subordinados, que implica
o dever de obediência decorre da hierarquia administrativa. Todavia, o
subordinado pode se recusar a cumprir ordens manifestamente ilegais.
Portanto, o item está errado.
Gabarito: errado.

12. (Cespe - Procurador/PGDF/2013) Se, fundamentado em razões técnicas, um


secretário estadual delegar parte de sua competência relacionada à gestão e à
execução de determinado programa social para entidade autárquica integrante da
administração pública estadual, tal procedimento caracterizará exemplo de
exercício do poder hierárquico mediante o instituto da descentralização.
Comentário: o item possui dois erros. Primeiro que não há relação de
hierarquia entre a administração direta e indireta, logo não há que se falar em
poder hierárquico. Em segundo lugar, a descentralização para as entidades
da administração indireta se efetiva por meio de lei. Portanto, não se confunde
com a delegação que, em regra, ocorre por meio de ato unilateral, admitindo
apenas algumas exceções em que ocorrerá por ato bilateral.
Gabarito: errado.

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13. (Cespe – Agente Administrativo/PRF/2012) No âmbito interno da


administração direta do Poder Executivo, há manifestação do poder hierárquico
entre órgãos e agentes.
Comentário: a questão tratou da manifestação clássica do poder hierárquico,
que se manifesta no âmbito interno da administração direta do Poder
Executivo. Para exercer a função administrativa, os órgãos e agentes do Poder
Executiva formam uma cadeia hierárquica que permite o cumprimento das
decisões do governo. Dessa forma, o item está correto.
Gabarito: correto.

14. (Cespe – Nível Intermediário/MPOG/2009) O poder hierárquico da


administração pública pode ser corretamente exemplificado na hipótese em que o
ministro de Estado de Planejamento, Orçamento e Gestão, no âmbito de suas
competências constitucionais e legais, aplica punição a servidor público federal com
relação a conduta administrativa específica, previamente estipulada pela legislação
de regência da disciplina funcional dessa categoria.
Comentário: essa é para não errar. A aplicação de punições aos servidores
públicos, em relação às suas condutas administrativas, se insere no exercício
do poder disciplinar. Assim, o item está errado.
Gabarito: errado.

Poder disciplinar

O poder disciplinar Ž o poder-dever de punir internamente as


infra•›es funcionais dos servidores e demais pessoas sujeitas ˆ disciplina
dos —rg‹os e servi•os da Administra•‹o.
N‹o podemos confundir Òpoder disciplinarÓ com poder punitivo do
Estado. Este œltimo pode se referir ˆ capacidade punitiva do Estado contra
os crimes e contraven•›es penais, sendo compet•ncia do Poder Judici‡rio;
ou, no direito administrativo, pode designar a capacidade punitiva da
Administra•‹o Pœblica que se expressa no poder disciplinar ou no poder de
pol’cia11.


11
Alguns autores utilizam a expressão “poder punitivo do Estado” para se referir apenas ao exercício da
capacidade punitiva em decorrência de crimes e contravenções penais. Nesse caso, o poder punitivo é realizado
pelo Poder Judiciário e não pela Administração Pública. Adotamos, todavia, a designação de Lucas Rocha Furtado,
que utiliza a expressão para designar a capacidade punitiva tanto no Direito Penal quanto no Direito
Administrativo, que, neste último caso, apresenta-se no poder disciplinar e no poder de polícia (Furtado, 2012,
pp. 576-577).

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Vale dizer, o poder punitivo, no ‰mbito administrativo, se manifesta


no poder disciplinar e no poder de pol’cia. Os poderes disciplinar e de pol’cia
distinguem-se por atuarem em campos distintos.
O poder de pol’cia se insere na esfera privada, permitindo que se
apliquem restri•›es ou condicionamentos nas atividades privadas. Assim, o
v’nculo entre a Administra•‹o e o particular Ž geral, ou seja, Ž o mesmo
que ocorre com toda a coletividade. Por exemplo, Ž o poder de pol’cia que
fundamenta a aplica•‹o de uma multa de tr‰nsito ao particular que cometa
infra•›es contra o C—digo de Tr‰nsito Brasileiro.
Por outro lado, o poder disciplinar permite a aplica•‹o de puni•›es
em decorr•ncia de infra•›es relacionadas com atividades exercidas no
‰mbito da pr—pria Administra•‹o Pœblica. Assim, o poder disciplinar se
aplica somente aos servidores pœblicos ou aos particulares que
estejam ligados por algum v’nculo jur’dico espec’fico ˆ
Administra•‹o, como uma empresa particular que tenha firmado algum
contrato administrativo.
Em resumo, o poder disciplinar possibilita que a Administra•‹o Pœblica:
a) puna internamente os seus servidores pelo cometimento de infra•›es;
b) puna os particulares que cometam infra•›es no ‰mbito de algum
v’nculo jur’dico espec’fico com a Administra•‹o (empresas contratadas
pela Administra•‹o Pœblica).
Como destacamos acima, o poder disciplinar se relaciona com o poder
hier‡rquico. Assim, muitas vezes, quando se aplica uma puni•‹o ao agente
pœblico, diz-se que a san•‹o decorre diretamente do poder disciplinar e
mediatamente do poder hier‡rquico. Contudo, existem deveres funcionais
dos servidores que n‹o se relacionam com o poder hier‡rquico, mas podem
ensejar a aplica•‹o de san•›es. Por exemplo, os servidores possuem o
dever de probidade, podendo ser punidos com demiss‹o se desrespeitarem
tal dever (Lei 8.112, art. 132, IV12).
O exerc’cio do poder disciplinar Ž em parte vinculado e em parte
discricion‡rio.
O agente pœblico tem o poder-dever de responsabilizar subordinado
que cometeu infra•‹o no exerc’cio do cargo ou, se n‹o for competente para
puni-lo, Ž obrigado a dar conhecimento do fato ˆ autoridade competente.
Caso n‹o o fa•a, estar‡ cometendo crime de condescend•ncia criminosa,

12
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos: [...] IV - improbidade administrativa;

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previsto no art. 320 do C—digo Penal, e tambŽm ato de improbidade


administrativa, conforme art. 11, II, da Lei 8.429/1992. Dessa forma, pode-
se dizer que Ž vinculada a compet•ncia para instaurar o procedimento
administrativo para apurar a falta e, se comprovado o il’cito
administrativo, a autoridade Ž obrigada a responsabilizar o agente
faltoso.
Por outro lado, em regra, Ž discricion‡ria a compet•ncia para
tipifica•‹o da falta e para a escolha e grada•‹o da penalidade. A
tipifica•‹o se refere ao enquadramento da conduta do agente em algum
dispositivo legal. Isso porque, no direito administrativo, ao contr‡rio do que
ocorre no direito penal, n‹o h‡ uma tipifica•‹o exaustiva das infra•›es.
Existem diversas condutas que podemd ser enquadradas em uma ou outra
infra•‹o. Ës vezes, o legislador se utiliza de express›es genŽricas, ou
conceitos jur’dicos indeterminados, para descrever alguma infra•‹o
administrativa.
Por exemplo, o art. 132, VI, da Lei 8.112/1990 prev• que a pena de
demiss‹o ser‡ aplicada no caso de Òinsubordina•‹o grave em servi•oÓ. O
que vem a ser insubordina•‹o ÒgraveÓ? Mesmo que se comprove a
insubordina•‹o, caber‡ ˆ autoridade competente enquadrar ou n‹o a
conduta do agente como grave. Eis porque, em regra, Ž discricion‡ria a
compet•ncia para a tipifica•‹o das faltas.
Da mesma forma, a discricionariedade se apresenta quando a lei prev•
um limite m‡ximo e m’nimo para a san•‹o. Por exemplo, a lei pode prever
a aplica•‹o de multa Òentre R$ 1.000,00 e R$ 10.000,00Ó. No caso concreto,
a autoridade dever‡ analisar os fatos e decidir, discricionariamente, qual o
valor adequado da multa.
Assim, a escolha da grada•‹o da multa Ž discricion‡ria, por se inserir
no mŽrito administrativo. Todavia, n‹o se pode confundir discricionariedade
com a arbitrariedade. Os exageros cometidos pelas autoridades
administrativas na aplica•‹o de san•›es podem ser invalidados pelo Poder
Judici‡rios, pois, nesses casos, n‹o estaremos diante de an‡lise de
conveni•ncia e oportunidade, mas sim de legalidade e legitimidade da
san•‹o.
Por fim, Ž importante tecer alguns coment‡rios sobre o direito de
defesa e a motiva•‹o dos atos de aplica•‹o de penalidades.
Antes da aplica•‹o de qualquer medida de car‡ter punitivo, deve a
autoridade competente proporcionar o contradit—rio e a ampla defesa

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do interessado. No caso dos servidores pœblicos federais, por exemplo, a


Lei 8.112/1990 determina a Òautoridade que tiver ci•ncia de irregularidade
no servi•o pœblico Ž obrigada a promover a sua apura•‹o imediata,
mediante sindic‰ncia ou processo administrativo disciplinar, assegurada ao
acusado ampla defesaÓ (art. 143). Quanto ˆ aplica•‹o de san•›es aos
particulares que tenham firmado contratos administrativos com a
Administra•‹o Pœblica, o art. 87, ¤2¼, da Lei 8.666/1993 determina que
seja Òfacultada a defesa prŽvia do interessado, no respectivo processo, no
prazo de 5 (cinco) dias œteisÓ.
Finalmente, todo ato de aplica•‹o de penalidade deve ser motivado.
N‹o h‡ nenhuma exce•‹o dessa regra. Sempre que decidir punir alguŽm, a
autoridade administrativa deve expor
6 os motivos da puni•‹o. A motiva•‹o
se destina a evidenciar a conforma•‹o da penalidade com a falta, sendo
pressuposto do direito de defesa do administrado.
Vamos resolver algumas quest›es sobre o poder disciplinar.

15. (Cespe - Oficial/PM-CE/2014) O poder disciplinar fundamenta tanto a


aplicação de sanções às pessoas que tenham vínculo com a administração, caso
dos servidores públicos, como às que, não estando sujeitas à disciplina interna da
administração, cometam infrações que atentem contra o interesse coletivo.
Comentário: o poder disciplinar possui dois destinatários: (a) os servidores
públicos; (b) os particulares que possuam algum vínculo jurídico específico
com a Administração, a exemplo dos contratos administrativos.
Caso o particular não esteja sujeito à disciplina interna da Administração, ou
seja, a infração não seja cometida dentro de um vínculo jurídico específico, a
competência para aplicar restrições ou condicionamentos decorrerá do poder
de polícia. Dessa forma, a questão está errada, pois as infrações contra o
interesse coletivo, mas que não estão sujeitas à disciplina interna da
Administração, decorrem do poder de polícia.
Gabarito: errado.

16. (Cespe – Agente Administrativo/DPRF/2014) O poder para a instauração de


processo administrativo disciplinar e aplicação da respectiva penalidade decorre do
poder de polícia da administração.

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Comentário: processo administrativo disciplinar é o procedimento previsto na


Lei 8.112/1990 para apurar infrações cuja penalidade seja de demissão,
destituição, cassação ou superior aos 30 dias de suspensão. Dessa forma,
como se trata de aplicação de penalidade ao servidor por infrações funcionais,
trata-se do poder disciplinar. Logo, a questão está errada.
Gabarito: errado.

17. (Cespe – Analista Judiciário/TJDFT/2013) A atribuição conferida a


autoridades administrativas com o objetivo de apurar e punir faltas funcionais, ou
seja, condutas contrárias à realização normal das atividades do órgão e
irregularidades de diversos tipos traduz-se, especificamente, no chamado poder
hierárquico.
3
Comentário: esse é um tipo de questão recorrente. Vimos vários itens com o
mesmo conteúdo, sendo vários aplicados entre 2013 e 2014. A competência
para apurar e punir faltas de natureza funcional se insere no poder disciplinar.
Portanto, o item está errado.
Gabarito: errado.

18. (Cespe - ATA/MJ/2013) O poder administrativo disciplinar consiste na


possibilidade de a administração pública aplicar punições aos agentes públicos e
aos particulares em geral que cometam infrações.
Comentário: o poder disciplinar não alcança os particulares em geral, mas
somente aqueles que possuam algum vínculo jurídico específico com a
Administração. Assim, a questão está errada.
Vale acrescentar que não basta o vínculo jurídico específico, é necessário
também que a infração tenha relação com este vínculo. Assim, se o motorista
de uma empresa particular, contratada pela Administração, levar uma multa
de trânsito com o veículo da empresa, a penalidade é decorrente do poder de
polícia, pois não há nenhuma relação entre o contrato e a infração de trânsito.
Gabarito: errado.

19. (Cespe - Administrador/MJ/2013) Considerando-se que o poder


administrativo disciplinar é discricionário, a administração tem a liberdade de
escolha entre punir e não punir a suposta infração cometida por servidor púbico.
Comentário: Hely Lopes Meirelles considera que o poder disciplinar é
discricionário, pois administrador possui liberdade de escolher a pena a ser
aplicada dentre as várias previstas em lei. Todavia, a discricionariedade se

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resume à tipificação legal (enquadramento da conduta na lei) e na escolha da


pena entre as que estão previstas na lei.
Porém, a autoridade tem o dever de instaurar o procedimento administrativo
para apurar a infração e, se comprovada, deverá aplicar a sanção. Logo, não
há liberdade para punir ou não punir, motivo pela qual a questão está errada.
Gabarito: errado.

20. (Cespe – Analista/Seger-ES/2013) Considere que, após o regular


procedimento administrativo específico, um servidor público, tenha sido suspenso
por ter praticado atos irregulares no exercício do cargo. A sanção a ele imposta
decorreu diretamente da prerrogativa da administração pública de exercer o poder
a) regulamentar. b
b) vinculado.
c) hierárquico.
d) disciplinar.
e) discricionário.
Comentário: a aplicação de sanção ao servidor por prática de atos irregulares
no exercício de seu cargo decorre do poder disciplinar (letra D).
O poder regulamentar é a competência para editar decretos regulamentares
para a fiel execução de leis (vamos detalhar isso no próximo tópico). O poder
vinculado ocorre quando a lei não deixa margem de escolha ao agente
público, enquanto, no poder discricionário, há alguma liberdade (em particular
no motivo e no objeto do ato). Por fim, o poder hierárquico é aquele utilizado
para distribuir e escalonar as funções dos órgãos administrativos, ordenar e
rever a atuação dos seus agentes, estabelecendo a relação de subordinação
entre os servidores.
Gabarito: alternativa D.

21. (Cespe – Analista Judiciário/TJ-AL/2012) Assinale a opção correta com


relação aos poderes hierárquico e disciplinar e suas manifestações.
a) As delegações administrativas emanam do poder hierárquico, não podendo, por
isso, ser recusadas pelo subordinado, que pode, contudo, subdelegá-las livremente
a seu próprio subordinado.
b) Toda punição disciplinar por delito funcional acarreta condenação criminal.
c) No âmbito do Poder Legislativo, o poder hierárquico manifesta-se mediante a
distribuição de competências entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

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d) O poder disciplinar da administração pública autoriza-lhe a apurar infrações e a


aplicar penalidades aos servidores públicos e demais pessoas sujeitas à disciplina
administrativa, assim como aos invasores de terras públicas.
e) A aplicação de pena disciplinar tem, para o superior hierárquico, o caráter de um
poder-dever, uma vez que a condescendência na punição é considerada crime
contra a administração pública.
Comentário: o superior hierárquico possui o poder-dever de aplicar a pena
disciplinar ao subordinado que cometer alguma falta. Se não o fizer, estará
cometendo o crime de condescendência administrativa, previsto no art. 320
do Código Penal. Dessa forma, a opção E está correta. Vamos analisar
os erros das demais opções.
a) Errada: o item começa correto, a pois as delegações decorrem do poder
hierárquico. Porém, parte da doutrina defende que somente é possível a
subdelegação com expressa autorização da autoridade delegante. Por esse
motivo, a alternativa foi dada como incorreta. Entretanto, no âmbito federal, o
Decreto 83.937/79 dispõe que o ato de delegação pressupõe a autorização
para subdelegação. Dessa forma, se fosse aplicada no âmbito federal, a
questão estaria correta.
b) Errada: nem todo delito funcional é também um delito penal. O Código Penal
apresenta exemplos muito mais restritos de condutas enquadradas como
crime. Por exemplo, se um servidor chegar atrasado meia hora, de forma
injustificada, mas que não acarrete maiores prejuízos, estará cometendo uma
infração administrativa, porém não é um caso de punição na esfera penal.
Claro que outra situação seria se este servidor fosse um médico e sua falta
injustificada tivesse gerado a morte de um paciente. De qualquer forma, na
maior parte das vezes, os delitos funcionais não geram punição criminal.
c) Errada: não há subordinação entre a Câmara dos Deputados e o Senado
Federal. Assim, não se pode falar em controle hierárquico. Lembramos que o
poder hierárquico não se manifesta no exercício da função típica do Poder
Legislativo e do Poder Judiciário.
d) Errada: os invasores de terras públicas não possuem nenhum vínculo com
a Administração, logo a punição desses infratores não se insere no poder
discricionário. Essa situação, na verdade, será disciplinada pela legislação
civil e penal, conforme o caso.
Gabarito: alternativa E.

22. (Cespe – Agente Administrativo/PRF/2012) Suponha que um particular


vinculado à administração pública por meio de um contrato descumpra as

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obrigações contratuais que assumiu. Nesse caso, a administração pode, no


exercício do poder disciplinar, punir o particular.
Comentário: nesse caso, como estamos diante de uma relação de vínculo
específico, é possível aplicar a penalidade com base no poder disciplinar.
Logo, o item está correto.
Alguns alunos podem contestar o “pode”, uma vez que a aplicação de punição
é um poder-dever. Todavia, o Cespe não costuma considerar este tipo de
questão como errada. O “pode”, para a banca, é utilizado no sentido de
empoderamento, ou seja, de capacidade para realizar alguma coisa. Somente
nos casos em que essa diferenciação é muito clara, ou seja, quando for o
centro da questão é que devemos considerar um item assim como errado.
Gabarito: correto.

23. (Cespe – Agente Administrativo/DPRF/2012) Ao aplicar penalidade a servidor


público, em processo administrativo, o Estado exerce seu poder regulamentar.
Comentário: muito simples. A aplicação de penalidade ao servidor, em
processo administrativo, decorre do poder disciplinar.
Gabarito: errado.

24. (Cespe - Inspetor/PC-CE/2012) O ato de aplicação de penalidade


administrativa deve ser sempre motivado.
Comentário: a doutrina entende como indispensável a motivação dos atos de
aplicação de penalidade administrativa. Por conseguinte, o item está correto.
Salienta-se que, no caso específico dos servidores públicos federais, a Lei
8.112/1990 determina expressamente a motivação:
Art. 128. Na aplica•‹o das penalidades ser‹o consideradas a natureza e
a gravidade da infra•‹o cometida, os danos que dela provierem para o
servi•o pœblico, as circunst‰ncias agravantes ou atenuantes e os
antecedentes funcionais.
Par‡grafo œnico. O ato de imposi•‹o da penalidade mencionar‡
sempre o fundamento legal e a causa da san•‹o disciplinar. (grifos
nossos)
Gabarito: correto.

25. (Cespe – Técnico/IBAMA/2012) Mesmo estando no exercício do poder


disciplinar, a autoridade competente não pode impor penalidade administrativa ao
agente público sem o devido processo administrativo.

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Comentário: não se pode aplicar sanção sem realizar procedimento


administrativo competente para apurar os fatos e conceder o direito ao
contraditório e à ampla defesa do servidor. Assim, o item está correto.
Gabarito: correto.

Poder regulamentar

Apesar de se falar normalmente em Òpoder regulamentarÓ, a


doutrinadora Maria Sylvia Zanella Di Pietro disp›e que Ž melhor se falar em
Òpoder normativoÓ, j‡ que aquele n‹o esgota toda a compet•ncia normativa
da Administra•‹o Pœblica, sendo apenas uma de suas formas de express‹o.
Assim, o poder regulamentar Ž apenas uma das formas de
manifesta•‹o do poder normativo.
O poder regulamentar Ž o poder conferido ao chefe do Poder
Executivo (presidente, governadores e prefeitos), para a edi•‹o de normas
complementares ˆ lei, permitindo a sua fiel execu•‹o. Essas Ònormas
complementares ˆ leiÓ s‹o atos administrativos normativos, que, quando
editados pelo chefe do Poder Executivo, revestem-se na forma de decreto.
Portanto, o poder regulamentar ocorre, em regra, pela edi•‹o de
decretos e regulamentos que se destinam ˆ fiel execu•‹o das leis. A
compet•ncia para o exerc’cio do poder regulamentar est‡ prevista no art.
84, IV, da CF13, sendo atribui•‹o privativa do Presidente da Repœblica. Vale
dizer que se trata de compet•ncia indeleg‡vel, ou seja, o Presidente da
Repœblica n‹o pode deleg‡-la aos ministros de Estado ou outras
autoridades. Com efeito, em decorr•ncia do princ’pio da simetria, esse
poder se aplica aos demais chefes do Poder Executivo (governadores e
prefeitos).
Neste momento, Ž importante informar que os atos normativos
dividem-se em prim‡rios e secund‡rios. Os atos normativos prim‡rios
encontram fundamento direto na Constitui•‹o e, por conseguinte, podem
inovar na ordem jur’dica. Em regra, esse tipo de ato Ž formalizado por
meio de lei, mas admite outras espŽcies como as medidas provis—rias. A
caracter’stica fundamental do ato normativo prim‡rio Ž que eles possuem


13
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...] IV - sancionar, promulgar e fazer
publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (grifos nossos)

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capacidade para inovar na ordem jur’dica, ou seja, eles podem criar deveres
e obriga•›es novas.
Assim, a edi•‹o de emendas ˆ constitui•‹o, de leis, de medidas
provis—rias e outros atos normativas prim‡rios n‹o se insere no poder
regulamentar. Destacamos, porŽm, que existe uma exce•‹o de ato
normativo prim‡rio editado no ‰mbito desse poder, conforme iremos
discutir logo mais.
Os atos normativos secund‡rios, por sua vez, encontram
fundamento nos atos normativos prim‡rios e, por conseguinte, est‹o
delimitados por estes. Dessa forma, os atos normativos secund‡rios n‹o
podem inovar na ordem jur’dica. Vale dizer, os atos secund‡rios possuem
car‡ter infralegal e, portanto, est‹o subordinados aos limites da lei.
Por meio do poder regulamentar o chefe do Poder Executivo expede
atos normativos secund‡rios, destinados a dar fiel execu•‹o ˆs leis.
Como dito acima, este poder se reveste da forma de decreto.
Nesse contexto, podemos comentar que existem dois tipos de decretos
ou regulamentos. O primeiro deles Ž o decreto executivo (ou decreto
regulamentar), que Ž aquele previsto no art. 84, IV, utilizado para dar fiel
execu•‹o ˆs leis.
Todavia, a Emenda Constitucional 32/2001 realizou importantes
modifica•›es nas compet•ncias do chefe do Poder Executivo. A partir da
promulga•‹o dessa Emenda o nosso ordenamento jur’dico os chamados
decretos aut™nomos, que s‹o decretos que n‹o se destinam a
regulamentar determinada lei. Os decretos aut™nomos tratam de matŽrias
n‹o disciplinadas em lei, inserindo-se nas restritas hip—teses do art. 84, VI,
da CF:
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da Repœblica: [...]
VI Ð dispor, mediante decreto, sobre:
a) organiza•‹o e funcionamento da administra•‹o federal, quando n‹o
implicar aumento de despesa nem cria•‹o ou extin•‹o de —rg‹os pœblicos;
b) extin•‹o de fun•›es ou cargos pœblicos, quando vagos;

ƒ importante notar que os casos s‹o bem limitados. Na al’nea ÒaÓ, a


expedi•‹o do decreto aut™nomo s— pode ocorrer quando, simultaneamente:
(a) n‹o implicar aumento de despesa; e (b) n‹o criar nem extinguir
—rg‹os pœblicos. Dessa forma, a cria•‹o ou extin•‹o de —rg‹os pœblicos
depende, ainda, de lei. Da mesma forma, as altera•›es sobre a organiza•‹o

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e o funcionamento, caso impliquem em aumento de despesas, tambŽm


depender‹o de lei.
Por fim, na hip—tese da al’nea ÒbÓ, a limita•‹o Ž que os cargos ou
fun•›es devem estar vagos.

Vamos fazer algumas observa•›es sobre os


decretos aut™nomos:

® n‹o se trata de uma autoriza•‹o genŽrica para edi•‹o de


regulamentos aut™nomos, pois s— se aplica nos casos das al’neas ÒaÓ
e ÒbÓ do inc. VI, art. 84, da Constitui•‹o Federal.
® por decorrerem diretamente da Constitui•‹o Federal, essas s‹o
hip—teses restritas de decretos como atos normativos prim‡rios;
® essas matŽrias s‹o de compet•ncia privativa do Presidente da
Repœblica e, portanto, se submetem ao princ’pio da reserva
administrativa. Portanto, o Poder Legislativo n‹o possui compet•ncia
para disciplinar esses casos;
® se aplica a todos os chefes do Poder Executivo (presidente,
governadores e prefeitos).
® por determina•‹o do art. 84, par‡grafo œnico, da CF, a atribui•‹o de
dispor sobre essas matŽrias pode ser delegada a outras
autoridades, como os ministros de Estado e o Advogado-Geral da
Uni‹o.

Encerrando o assunto sobre os decretos aut™nomos, Ž importante


mencionar que, na verdade, somente a compet•ncia prevista al’nea ÒaÓ do
art. 84, VI, da CF, se refere ˆ edi•‹o de ato normativo. Isso porque o
conteœdo da al’nea ÒbÓ do mesmo inciso Ž um t’pico ato de efeitos
concretos. Isso porque a compet•ncia se limita a extinguir os cargos ou
fun•›es, quando vagos, mas n‹o h‡ nenhum ato normativo (geral e
abstrato). Nesse sentido s‹o os ensinamentos da Prof. Maria Sylvia Zanella
Di Pietro14:
Quanto ˆ al’nea b, n‹o se trata de fun•‹o regulamentar, mas de t’pico ato
de efeitos concretos, porque a compet•ncia do Presidente da Repœblica se
limitar‡ a extinguir cargos ou fun•›es, quando vagos, e n‹o a estabelecer
normas sobre a matŽria.


14
Di Pietro, 2014, pp. 93-94.

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Com a altera•‹o do dispositivo constitucional, fica restabelecida, de forma


muito limitada, o regulamento aut™nomo no direito brasileiro, para a
hip—tese espec’fica inserida na al’nea a.

A edi•‹o de decretos regulamentares para a fiel execu•‹o n‹o se


aplicado a todas as leis. A doutrina ensina que somente as leis
administrativas, ou seja, aquelas que devem ser executadas pela
Administra•‹o, Ž que demandam regulamenta•‹o. Dessa forma, as demais
leis (processuais, trabalhistas, civis, etc.) s‹o aplic‡veis
independentemente de qualquer regulamenta•‹o.
Com efeito, a regulamenta•‹o de lei administrativo pode ocorrer
quando h‡ ou n‹o determina•‹o expressa para sua regulamenta•‹o. Por
exemplo, pode constar na lei uma determina•‹o do tipo: Òo Presidente da
Repœblica dever‡ regulamentar, por decreto, o conteœdo dessa leiÓ.
Todavia, ainda que n‹o consta tal determina•‹o, Ž poss’vel que o chefe do
Poder Executivo exer•a o seu poder regulamentar, pois essa atribui•‹o vem
diretamente da Constitui•‹o Federal (art. 84, IV).
Nesse contexto, uma coisa que causa diverg•ncia na doutrina Ž se as
leis administrativas s‹o exequ’veis antes de sua regulamenta•‹o. Para n‹o
aprofundarmos demais o assunto, vamos acatar o posicionamento de Hely
Lopes Meirelles, que entende que as leis que contenham recomenda•‹o de
serem regulamentadas n‹o s‹o exequ’veis antes da expedi•‹o do decreto
regulamentar. Dessa forma, o decreto opera como condi•‹o suspensiva da
execu•‹o da norma legal, sendo que seus efeitos ficam pendentes atŽ a
edi•‹o do ato normativo do Executivo.
ƒ importante frisar, tambŽm, que Ž compet•ncia do Congresso
Nacional sustar os atos normativos do Poder Executivo que
exorbitem do poder regulamentar (CF, art. 49, V). Cita-se, como
exemplo, as recentes discuss›es do Congresso Nacional sobre a
possibilidade de susta•‹o do Decreto 8.243, de 23 de maio de 2014, que
trata da Pol’tica Nacional de Participa•‹o Social - PNPS e do Sistema
Nacional de Participa•‹o Social Ð SNPS (vulgo ÒDecreto dos Conselhos
PopularesÓ. Atualmente, est‡ em discuss‹o o Projeto de Decreto Legislativo
1491/1415, que tem por objetivo sustar o mencionado decreto do Poder
Executivo.
Ap—s essas observa•›es, podemos resolver mais algumas quest›es.


15
Disponível em: PDC 1491/2014.

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26. (Cespe – Agente Administrativo/Suframa/2014) Poder regulamentar é o


poder que a administração possui de editar leis, medidas provisórias, decretos e
demais atos normativos para disciplinar a atividade dos particulares.
Comentário: as leis e medidas provisórias são atos normativos primários, pois
encontram respaldo diretamente no texto constitucional. Dessa forma, a
elaboração desses atos não faz parte do poder normativo. Logo, a questão
está errada.
Gabarito: errado.

27. (Cespe - Procurador/TC-DF/2013) Segundo jurisprudência do STJ, no direito


brasileiro admite-se o regulamento autônomo, de modo que podem os chefes de
Poder Executivo expedir decretos autônomos sobre matérias de sua competência
ainda não disciplinadas por lei.
Comentário: a questão foi muito genérica ao dizer que o chefe do Poder
Executivo pode expedir decretos autônomos “sobre matérias de sua
competência”, pois são apenas as matérias específicas previstas no art. 84,
VI, da CF. Nesse sentido, vejamos dois precedentes do STJ:
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL.
MANDADO DE SEGURAN‚A. TRANSPORTE RODOVIçRIO
INTERESTADUAL DE PASSAGEIROS. EXECU‚ÌO DO SERVI‚O SEM
AUTORIZA‚ÌO. FISCALIZA‚ÌO. COMPETæNCIA. POLêCIA RODOVIçRIA
FEDERAL. AUTUA‚ÌO. APREENSÌO DO VEêCULO (ïNIBUS) E LIBERA‚ÌO
CONDICIONADA AO PAGAMENTO DA MULTA E DESPESAS DE
TRANSBORDO (DECRETO 2.521/98, ART. 85). ILEGALIDADE. LEIS
8.987/95 E 10.233/2001. PODER REGULAMENTAR. LIMITES. DOUTRINA.
PRECEDENTE. DESPROVIMENTO.
[...]
2. No regime constitucional vigente, o Poder Executivo n‹o pode
editar regulamentos aut™nomos ou independentes Ð atos
destinados a prover situa•›es n‹o-predefinidas na lei Ð, mas, t‹o-
somente, os regulamentos de execu•‹o, destinados a explicitar o
modo de execu•‹o da lei regulamentada (CF/88, art. 84, IV).
(REsp 751.398/MG, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, Primeira Turma,
julgado em 05/09/2006, DJ 05/10/2006, p. 251)16. (grifos nossos)
------------
ADMINISTRATIVO. IMPORTA‚ÌO DE BEBIDAS ALCîOLICAS. PORTARIA
N¼ 113Ú99, DO MINISTƒRIO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO.
IMPOSI‚ÌO DE OBRIGA‚ÌO NÌO PREVISTA EM LEI. AFRONTA AO
PRINCêPIO DA LEGALIDADE.


16
Disponível em: REsp 751.398/MG.

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1. O ato administrativo, no Estado Democr‡tico de Direito, est‡


subordinado ao princ’pio da legalidade (CFÚ88, arts. 5¼, II, 37, caput, 84,
IV), o que equivale assentar que a Administra•‹o s— pode atuar de acordo
com o que a lei determina. Desta sorte, ao expedir um ato que tem por
finalidade regulamentar a lei (decreto, regulamento, instru•‹o, portaria,
etc.), n‹o pode a Administra•‹o inovar na ordem jur’dica, impondo
obriga•›es ou limita•›es a direitos de terceiros.
[...]
4. Deveras, a imposi•‹o de requisito para importa•‹o de bebidas
alc—olicas n‹o pode ser inaugurada por Portaria, por isso que, muito
embora seja ato administrativo de car‡ter normativo, subordina-
se ao ordenamento jur’dico hierarquicamente superior, in casu, ˆ
lei e ˆ Constitui•‹o Federal, n‹o sendo admiss’vel que o poder
regulamentar extrapole seus limites, ensejando a edi•‹o dos
chamados "regulamentos aut™nomos", vedados em nosso
ordenamento jur’dico, a n‹o ser pela exce•‹o do art. 84, VI, da
Constitui•‹o Federal. (grifos nossos)
(REsp 584.798/PE, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em
04/11/2004, DJ 06/12/2004)17. (grifos nossos)
Dessa forma, não se admite, de forma genérica, a expedição dos decretos
autônomos, motivo pelo qual a questão está errada.
Gabarito: errado.

28. (Cespe – Técnico Judiciário/TRT 10/2013) Toda lei, para sua execução,
depende de regulamentação, que consiste em um ato administrativo geral e
normativo expedido pelo chefe do Poder Executivo.
Comentário: o item está errado, pois nem toda lei depende de regulamentação.
A doutrina majoritária adota o posicionamento de que somente as leis
administrativas, isto é, aqueles que dependem de atuação da Administração
Pública para serem colocadas em prática é que dependem de regulamentação.
As demais leis (civis, penais, trabalhistas), em regra, não necessitam de
regulamentação.
Gabarito: errado.

29. (Cespe – AJ/TRT-10/2013) Encontra-se dentro do poder regulamentar do


presidente da República a edição de decreto autônomo para a criação de autarquia
prestadora de serviço público.
Comentário: a criação de autarquia ocorre por meio de lei. Dessa forma, não
é possível criar uma autarquia por decreto autônomo do presidente da
República. Ademais, os casos de decreto autônomo são apenas os previstos
no art. 84, VI, da Constituição Federal:
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da Repœblica: [...]


17
Disponível em: REsp 584.798/PE.

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VI Ð dispor, mediante decreto, sobre:


a) organiza•‹o e funcionamento da administra•‹o federal, quando n‹o
implicar aumento de despesa nem cria•‹o ou extin•‹o de —rg‹os
pœblicos;
b) extin•‹o de fun•›es ou cargos pœblicos, quando vagos;
Portanto, a questão está errada.
Gabarito: errado.

30. (Cespe – Escrivão/PC-BA/2013) Em razão do poder regulamentar da


administração pública, é possível estabelecer normas relativas ao cumprimento de
leis e criar direitos, obrigações, proibições e medidas punitivas.
Comentário: a criação de direitos, obrigações, proibições e medidas punitivas
deve ocorrer por meio de ato normativo primário, em regra, por meio de lei.
Dessa forma, não se admite esse tipo de inovação jurídica por meio do poder
regulamentar. Portanto, o item está errado.
Gabarito: errado.

31. (Cespe - AUFC/AGO/TCU/2013) Se, ao editar um decreto de natureza


regulamentar, a Presidência da República invadir a esfera de competência do Poder
Legislativo, este poderá sustar o decreto presidencial sob a justificativa de que o
decreto extrapolou os limites do poder de regulamentação.
Comentário: de acordo com a CF, art. 49, V, compete ao Congresso Nacional
sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder
regulamentar. Dessa forma, se o Presidente da República invadir a
competência do Poder Legislativo, este poder poderá sustar o decreto que
extrapolou os limites do poder de regulamentação. Perfeito, portanto, o item.
Gabarito: correto.

32. (Cespe - Escrivão/PC BA/2013) Por ser ato geral e abstrato, a expedição do
regimento interno de determinado órgão público, cuja finalidade é a regularização
da funcionalidade do órgão, decorre do poder hierárquico.
Comentário: trouxe essa questão para enriquecer o nosso conhecimento
sobre o tema. Segundo a Prof. Maria Sylvia Zanella Di Pietro é consequência
do poder hierárquico a competência para18:
[...] editar atos normativos (resolu•›es, portarias, instru•›es), com o
objetivo de ordenar a atua•‹o dos —rg‹os subordinados; trata-se de atos
normativos de efeitos apenas internos e, por isso mesmo, inconfund’veis
com os regulamentos; s‹o apenas e t‹o somente decorrentes da rela•‹o
hier‡rquica, raz‹o pela qual n‹o obrigam pessoas a ela estranhas;


18
Di Pietro, 2014, p. 97.

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Na mesma linha, Hely Lopes Meirelles ensina que19:


Enquanto os regulamentos externos emanam do poder regulamentar, os
regimentos prov•m do poder hier‡rquico do Executivo, ou da capacidade
de auto-organiza•‹o interna das compet•ncias legislativas e judici‡rias,
raz‹o pela qual s— se dirigem aos que se acham sujeitos ˆ disciplina do
—rg‹o que os expediu.
Acontece que o gabarito preliminar considerou a questão como errada e, após
os recursos, o item foi anulado. Segundo a banca: “Por haver divergência
doutrinária no que tange ao assunto abordado no item, opta-se pela anulação
do item”.
Gabarito: anulado.

Poder de polícia

Introdução e conceito

De todos os poderes administrativos, o que merece maior aten•‹o Ž o


poder de pol’cia, pois se trata de uma atividade fim da administra•‹o, de
elevada import‰ncia para a preserva•‹o do interesse pœblico.
A defini•‹o legal do poder de pol’cia encontra-se no C—digo Tribut‡rio
Nacional, nos seguintes termos:
Art. 78. Considera-se poder de pol’cia atividade da administra•‹o pœblica
que, limitando ou disciplinando direito, inter•sse ou liberdade, regula a
pr‡tica de ato ou absten•‹o de fato, em raz‹o de int•resse pœblico
concernente ˆ seguran•a, ˆ higiene, ˆ ordem, aos costumes, ˆ disciplina da
produ•‹o e do mercado, ao exerc’cio de atividades econ™micas
dependentes de concess‹o ou autoriza•‹o do Poder Pœblico, ˆ tranqŸilidade
pœblica ou ao respeito ˆ propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
Par‡grafo œnico. Considera-se regular o exerc’cio do poder de pol’cia
quando desempenhado pelo —rg‹o competente nos limites da lei aplic‡vel,
com observ‰ncia do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei
tenha como discricion‡ria, sem abuso ou desvio de poder.

Para Hely Lopes Meirelles, o poder de pol’cia Ž Òa faculdade de que


disp›e a Administra•‹o Pœblica para condicionar e restringir o uso e gozo
de bens, atividades, e direitos individuais, em benef’cio da coletividade ou
do pr—prio EstadoÓ20 (grifos nossos).
O conceito apresentado acima abrange apenas o sentido estrito do
poder de pol’cia, isto Ž, aquele que se insere no ‰mbito da fun•‹o
administrativa. PorŽm, alguns doutrinadores apresentam um conceito

19
Meirelles, 2013, p. 192.
20
Meirelles, 2013, p. 139.

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amplo, abarcando os condicionamentos e restri•›es de direitos individuais


realizados no meio administrativo e legislativo. Dessa forma, vamos dar
uma olhada nos ensinamentos da Prof. Maria Sylvia Zanella Di Pietro21:
O poder de pol’cia reparte-se entre Legislativo e Executivo. Tomando-se
como pressuposto o princ’pio da legalidade, que impede ˆ Administra•‹o
impor obriga•›es sen‹o em virtude de lei, Ž evidente que, quando se diz
que o poder de pol’cia Ž a faculdade de limitar o exerc’cio de direitos
individuais, est‡-se pressupondo que essa limita•‹o seja prevista em lei.
O poder legislativo, no exerc’cio do poder de pol’cia que incumbe ao
Estado, cria, por lei, as chamadas limita•›es administrativas ao
exerc’cio das liberdades pœblicas.
A Administra•‹o Pœblica, no exerc’cio da parcela que lhe Ž outorgada do
mesmo poder, regulamenta as leis e controla a sua aplica•‹o,
preventivamente (por meio de ordens, notifica•›es, licen•as ou
autoriza•›es) ou repressivamente (mediante imposi•‹o de medidas
coercitivas).

Feita essa observa•‹o, passaremos a analisar o poder de pol’cia sob o


aspecto estrito, ou seja, aquele que se desenvolve no ‰mbito da
Administra•‹o Pœblica. Conforme o conceito da Prof. Di Pietro, o poder de
pol’cia abrange: (a) regulamenta•‹o de leis; (b) controle preventivo
(ordens, notifica•›es, licen•as ou autoriza•›es); e (c) controle repressivo
(imposi•‹o de medidas coercitivas).
Com efeito, a aplica•‹o de restri•›es deve ocorrer sempre nos limites
previstos em lei, mediante adequada motiva•‹o e respeitando o devido
processo legal.
O exerc’cio do poder de pol’cia abrange qualquer ‡rea de interesse
coletivo, como a seguran•a pœblica, a ordem pœblica, higiene, saœde
pœblica, meio-ambiente, urbanismo, tr‰nsito e outras.
Ademais, o fundamento do poder de pol’cia est‡ no predom’nio do
interesse pœblico sobre o particular, que coloca a Administra•‹o em posi•‹o
de hegemonia perante os administrados. Trata-se de uma supremacia geral
da Administra•‹o, que alcan•a indistintamente todos os cidad‹os que est‹o
sob o impŽrio das leis administrativos.

O poder de pol’cia administrativa se norteia


no princ’pio da supremacia do interesse
pœblico sobre o privado.


21
Di Pietro, 2014, p. 124.

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Nesse contexto, conforme j‡ abordamos no t—pico sobre o poder


disciplinar, o exerc’cio do poder de pol’cia pressup›e um v’nculo genŽrico
com os particulares. Este v’nculo alcan•a todos os cidad‹os indistintamente.
Trata-se, pois, de um v’nculo autom‡tico decorrente do mero fato de a
pessoa se encontrar em um territ—rio espec’fico. Portanto, a aplica•‹o de
penalidades contra as pessoas sem qualquer v’nculo espec’fico com a
Administra•‹o decorre do poder de pol’cia.
AlŽm disso, devemos frisar que o poder de pol’cia pode ser exercido
em todas as esferas de governo (Uni‹o, estados, Distrito Federal e
munic’pios). Assim, a compet•ncia para disciplinar cada matŽria vem
prevista na Constitui•‹o Federal, com base no princ’pio da
predomin‰ncia do interesse. Dessa forma, os assuntos de interesse
nacional est‹o sujeitos ˆ regulamenta•‹o e ao policiamento da Uni‹o; as
matŽrias de interesse regional sujeitam-se ˆs normas e ˆ pol’cia estadual;
por fim, os assuntos de interesse local se subordinam aos regulamentos e
policiamento administrativo municipal.
Nessa esteira, Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo apresentam os
seguintes exemplos22:
a) a regulamenta•‹o dos mercados de t’tulos e valores mobili‡rios,
assunto de interesse nacional, compete ˆ Uni‹o; a ela cabe, portanto,
a respectiva fiscaliza•‹o, exercida pela Comiss‹o de Valores Mobili‡rios
(CVM);
b) a edi•‹o de normas pertinentes ˆ preven•‹o de inc•ndios compete ˆ
esfera estadual; assim, o poder de pol’cia relativo ao cumprimento
dessas normas ser‡ realizado pelos estados-membros, por meio, entre
outros, da expedi•‹o de alvar‡s, da realiza•‹o de inspe•›es e vistorias,
da interdi•‹o de edifica•›es ou de estabelecimentos comerciais que se
encontram em situa•‹o irregular;
c) a compet•ncia para o planejamento e o controle do uso e ocupa•‹o do
solo urbano Ž dos munic’pios (interesse local); a estes cabe, portanto,
o exerc’cio das atividades de pol’cia relacionadas ˆ concess‹o de
licen•as para edifica•‹o, localiza•‹o e funcionamento de
estabelecimentos industriais e comerciais; assim como ˆ aplica•‹o de
san•›es pelo descumprimento de normas edital’cias, etc.


22
Alexandrino e Paulo, 2011, p. 236.

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Finalmente, Ž importante notar que a Constitui•‹o Federal atribuiu ao


Distrito Federal as compet•ncias dos estados e dos munic’pios (CF, art. 32,
¤1¼).

Sobre a distribui•‹o de compet•ncias no


exerc’cio do poder de pol’cia, s‹o interessantes
as sœmulas 19 do STJ e 38 (vinculante) do STF.
A primeira disp›e que compete ˆ Uni‹o a compet•ncia para regular o
hor‡rio de funcionamento banc‡rio, enquanto a segunda estabelece
como compet•ncia dos munic’pios fixar o hor‡rio de funcionamento dos
estabelecimentos comerciais.
Sœmula 19-STJ: ÒA fixa•‹o do hor‡rio banc‡rio, para atendimento
ao pœblico, Ž da compet•ncia da Uni‹oÓ.
Sœmula Vinculante 38-STF: Òƒ competente o munic’pio para fixar o
hor‡rio de funcionamento de estabelecimento comercialÓ.

Polícia administrativa e polícia judiciária

A pol’cia administrativa n‹o se confunde com o exerc’cio da pol’cia


judici‡ria. Ambas se inserem no exerc’cio da fun•‹o administrativa,
contudo aquela trata dos bens, direitos e atividades que ser‹o restritas
ou condicionadas em prol do interesse coletivo; enquanto esta insurge
sobre as pessoas envolvidas no cometimento de il’citos penais.
Nesse contexto, a pol’cia administrativa apura e pune, quando for o
caso, os il’citos administrativos (infra•‹o de normas de tr‰nsito,
descumprimento de requisitos para construir, etc.), ao passo que a pol’cia
judici‡ria apura os il’citos penais (crimes e contraven•›es penais).
AlŽm disso, a pol’cia administrativa exaure-se em si mesma, ou seja,
a atividade de pol’cia administrativa inicia-se e encerra-se no ‰mbito da
fun•‹o administrativa. Por outro lado, a pol’cia judici‡ria realiza atividades
preparat—rias para o processo jurisdicional penal; ou seja, a despeito de a
atividade da pol’cia judici‡ria ocorrer no ‰mbito da fun•‹o administrativa, a
sua conclus‹o ocorrer‡ em um processo jurisdicional.
Com efeito, a pol’cia judici‡ria Ž realizada por —rg‹os de seguran•a
(pol’cias civil ou militar), enquanto a pol’cia administrativa Ž realizada por
diversos —rg‹os administrativas com compet•ncias fiscalizat—rias,
envolvendo toda a Administra•‹o Pœblica de direito pœblico (prefeituras,

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na emiss‹o de alvar‡s; entidades de fiscaliza•‹o de profiss‹o; —rg‹os de


fiscaliza•‹o de tr‰nsito, etc.).
Outra diferen•a relevante Ž que a pol’cia administrativa realiza uma
atividade predominantemente preventiva, com buscar a evitar a
ocorr•ncia de comportamentos nocivos ˆ coletividade. Por outro lado, a
pol’cia judici‡ria atua predominantemente de forma repressiva, uma vez
que tem por objeto apurar a ocorr•ncia dos il’citos penais. Essa, no entanto,
n‹o Ž uma caracter’stica absoluta. Existem v‡rias atividades de pol’cia
administrativa repressiva (exemplo: interdi•‹o de estabelecimento;
apreens‹o e destrui•‹o de mercadorias); ao mesmo tempo que tambŽm
existe atividade de pol’cia judici‡ria preventiva (exemplo: monitoramento
de atividades).


Polícia Administrativa Judiciária
Atua sobre... Bens, direitos e atividades Indivíduos
Tipo de Administrativa Penal (crimes e contrav.)
ilícito/sanção
Quem realiza Órgãos e entidades da Adm. Órgão de segurança (polícias civil
Pública de direito público e militar)
Natureza Preventiva Repressiva
predominante

Objeto e finalidade do poder de polícia

Segundo Hely Lopes Meirelles, o objeto do poder de pol’cia


administrativa Ž Òtodo bem, direito ou atividade individual que possa afetar
a coletividade ou p™r em risco a seguran•a nacional, exigindo, por isso
mesmo, regulamenta•‹o, controle e conten•‹o pelo poder pœblicoÓ.
Dessa forma, qualquer conduta de um indiv’duo ou empresa que possa
ter repercuss›es prejudiciais ˆ comunidade ou ao Estado, sujeita-se ao
poder de pol’cia, uma vez que ninguŽm pode adquirir direito contra o
interesse pœblico.
Por conseguinte, a finalidade do poder de pol’cia Ž a prote•‹o do
interesse pœblico em sentido amplo.

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Atos por meio dos quais se expressa o poder de polícia

Fernanda Marinela classifica o poder de pol’cia como preventivo,


repressivo e fiscalizador.
No exerc’cio do poder de pol’cia administrativa preventiva,
encontram-se os atos normativos, a exemplo dos regulamentos e
portarias. S‹o disposi•›es genŽricas e abstratas que delimitam a atividade
privada e o interesse do particular, em raz‹o do interesse coletivo. Por
exemplo, um decreto federal que disponha sobre a utiliza•‹o de produtos
controlados, como os fogos de artif’cios e os explosivos em geral.
AlŽm disso, ainda no meio preventivo, a Administra•‹o exige que o
particular possua alvar‡s que comprovem que ele atendeu aos requisitos
ou condi•›es para a pr‡tica da atividade ou para o uso da propriedade que
Ž objeto de fiscaliza•‹o. Os alvar‡s dividem-se em licen•as e
autoriza•›es.
A licen•a Ž o ato administrativo vinculado e unilateral pelo qual a
Administra•‹o faculta ao particular que preencha os requisitos legais o
exerc’cio de uma atividade. As licen•as, portanto, dizem respeito aos
direitos individuais, como, por exemplo, o exerc’cio de uma profiss‹o, ou a
constru•‹o de um edif’cio em terreno de propriedade do particular.
J‡ a autoriza•‹o, no exerc’cio do poder de pol’cia, Ž um ato
administrativo pelo qual a Administra•‹o Pœblica possibilita ao particular a
realiza•‹o de uma atividade privada com predominante interesse deste, ou
a utiliza•‹o de um bem pœblico. Nesse caso, o particular possui o interesse,
mas n‹o o direito subjetivo. Por isso mesmo que a autoriza•‹o Ž ato
discricion‡rio, pois pode ser negado, e prec‡rio, uma vez que permite a
revoga•‹o a qualquer momento.
Com efeito, a pol’cia administrativa repressiva se apresenta na
pr‡tica de atos espec’ficos subordinados ˆ lei e aos regulamentos.
S‹o exemplos a apreens‹o de mercadorias, o fechamento de
estabelecimentos comerciais que descumpram normas de seguran•a, o
guinchamento de ve’culo que obstrua via pœblica, etc.
Por fim, a fun•‹o fiscalizadora do poder de pol’cia tem o objetivo de
prevenir eventuais les›es aos administrados, a exemplo da fiscaliza•‹o de
pesos e medidas, das condi•›es de higiene dos estabelecimentos
comerciais, da vistoria de ve’culos automotores como condi•‹o de
renova•‹o de documenta•‹o, a fiscaliza•‹o da atividade de ca•a, etc.

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Ciclo ou fases de polícia

A doutrina e a jurisprud•ncia nacionais consagraram a express‹o ciclo


de pol’cia para descrever as atividades que envolvem a atividade de
pol’cia, quais sejam:
§ legisla•‹o ou ordem de pol’cia;
§ consentimento de pol’cia;
§ fiscaliza•‹o de pol’cia;
§ san•‹o de pol’cia.
A legisla•‹o ou ordem de pol’cia representa a edi•‹o de normas que
condicionam ou restringem direitos. ƒ nessa fase que as restri•›es ou
limita•›es s‹o criadas e disciplinadas. Com efeito, qualquer restri•‹o ou
condicionamento depende de previs‹o legal, em respeito ao princ’pio da
legalidade, contudo posteriormente poder‹o ser regulamentadas por atos
normativos infralegais.
O consentimento de pol’cia, por outro lado, corresponde ˆ anu•ncia
prŽvia da Administra•‹o, que possibilita ao particular exercer a atividade
privada, aplicando-se aos casos em que a ordem de pol’cia exige prŽvia
controle do poder pœblico para o uso do bem ou exerc’cio de determinada
atividade. Ademais, a anu•ncia ocorre por meio das licen•as e autoriza•›es.
Ressalta-se, porŽm, que nem sempre o ato de consentimento estar‡
presente no ciclo de pol’cia, mas apenas quando h‡ necessidade de prŽvio
controle do Estado. ƒ o caso, por exemplo, do uso da propriedade, que
dever‡ cumprir a sua fun•‹o social. O propriet‡rio n‹o depende de um
prŽvio consentimento de que a sua propriedade cumpre a fun•‹o social,
mas poder‡ sofrer a fiscaliza•‹o do Estado, posteriormente.
A fiscaliza•‹o de pol’cia, por sua vez, ocorre quando se fiscaliza o
cumprimento das normas constantes na ordem de pol’cia ou dos requisitos
previstos no consentimento. Por exemplo: a fiscaliza•‹o do cumprimento
das regras de tr‰nsito como requisito para a perman•ncia do direito de
dirigir.
Por fim, a san•‹o de pol’cia ocorre quando s‹o impostas coer•›es ao
infrator das ordens de pol’cia ou dos requisitos previstos no consentimento.
Nesse contexto, o pr—prio STJ j‡ exemplificou a ocorr•ncia dessas fases
do ciclo de pol’cia, utilizando um caso do C—digo de Tr‰nsito Brasileiro Ð
CTB: Òo CTB estabelece normas genŽricas e abstratas para a obten•‹o da

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Carteira Nacional de Habilita•‹o (legisla•‹o); a emiss‹o da carteira


corporifica a vontade o Poder Pœblico (consentimento); a Administra•‹o
instala equipamentos eletr™nicos para verificar se h‡ respeito ˆ velocidade
estabelecida em lei (fiscaliza•‹o); e tambŽm a Administra•‹o sanciona
aquele que n‹o guarda observ‰ncia ao CTB (san•‹o)Ó23.

Poder de polícia originário e poder de polícia delegado

O poder de pol’cia pode ser classificado em origin‡rio e delegado ou


outorgado.
O poder de pol’cia origin‡rio Ž aquele desempenhado diretamente pelas
entidades pol’ticas (Uni‹o, estados, Distrito Federal e munic’pios), por
intermŽdio de seus —rg‹os administrativos. Em termos mais simples, o
poder de pol’cia origin‡rio Ž aquele exercido pela Administra•‹o Pœblica
direta.
Por outro lado, o poder de pol’cia delegado ou outorgado Ž aquele
desempenhado pelas entidades da Administra•‹o Pœblica indireta, que
receberam tal compet•ncia por meio de outorga legal. Nesse caso, a
entidade pol’cia procede a descentraliza•‹o por outorga, criando uma
entidade administrativa para o desempenho de atividade de pol’cia.
Cumpre observar que, em linhas gerais, tal descentraliza•‹o deve
ocorrer para as entidades administrativas de direito pœblico (autarquias e
funda•›es aut‡rquicas), uma vez que a atividade de impŽrio somente pode
ser realizada por pessoas jur’dicas de direito pœblico. Veremos adiante,
todavia, que o STJ admite a delega•‹o de parte do poder de pol’cia ˆs
pessoas jur’dicas de direito privado integrantes do Estado.
S‹o exemplos do exerc’cio do poder de pol’cia origin‡rio a fiscaliza•‹o
da importa•‹o de produtos perigosos realizada pelo ExŽrcito e o
deferimento de um alvar‡ de constru•‹o por uma prefeitura municipal. Por
outro lado, s‹o exemplos do exerc’cio do poder de pol’cia delegado a
fiscaliza•‹o de atividade profissional realizada pelos conselhos de
fiscaliza•‹o (exceto a OAB) e as atividades desempenhadas pela Comiss‹o
de Valores Mobili‡rios Ð CVM.


23
STJ, REsp 817534/MG, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, julgado em 10/11/2009.

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Delegação do poder de polícia

Um dos assuntos que mais causa discuss‹o trata da possibilidade de


se delegar o poder de pol’cia. H‡ muita discuss‹o na doutrina e na
jurisprud•ncia e, em alguns casos, o tema n‹o Ž pac’fico.
O poder de pol’cia, em linhas gerais, envolve o desempenho do poder
de impŽrio do Estado e, como tal, somente poderia ser desempenhado por
entidades de direito pœblico (administra•‹o direta, autarquias e funda•›es
pœblicas de direito pœblico). Dessa forma, n‹o h‡ dœvidas de que Ž poss’vel
delegar o exerc’cio do poder de pol’cia para autarquias e funda•›es
aut‡rquicas.
No entanto, a discuss‹o torna-se relevante em rela•‹o ˆ delega•‹o do
poder de pol’cia para entidades da Administra•‹o Pœblica que possuem
personalidade de direito privado, isto Ž, empresas pœblicas, sociedades
de economia mista e funda•›es pœblicas de direito privado.
A doutrina majorit‡ria entende que n‹o Ž poss’vel delegar o exerc’cio
do poder de pol’cia ˆs pessoas jur’dicas de direito privado, mesmo que
integrantes da Administra•‹o Pœblica. Parte da doutrina, contudo, entende
ser poss’vel tal delega•‹o, desde que por intermŽdio de lei. Por fim, uma
terceira corrente entende que Ž poss’vel delegar parte das atividades do
ciclo de pol’cia, especialmente a fiscaliza•‹o.
No ‰mbito da jurisprud•ncia do STJ, entende-se que Ž poss’vel delegar
ˆs entidades administrativas de direito privado as atividades de
consentimento e de fiscaliza•‹o. Por outro lado, as atividades de ordem de
pol’cia e de san•‹o n‹o podem ser delegadas a pessoas jur’dicas de direito
privado. Por exemplo: uma sociedade de economia mista poderia
encarregar-se da expedi•‹o de uma carteira de habilita•‹o (consentimento)
e tambŽm da fiscaliza•‹o do cumprimento dos limites de velocidade em
equipamentos de tr‰nsito (fiscaliza•‹o); mas n‹o poderia criar normas de
pol’cia (legisla•‹o) nem lavrar o auto de infra•‹o e aplicar as multas
(san•‹o).24
No ‰mbito do STF, entretanto, vigora o entendimento de Ž indeleg‡vel
o exerc’cio do poder de pol’cia a pessoas jur’dicas de direito privado,
integrantes da Administra•‹o ou n‹o.25 No entanto, o STF entende que Ž
poss’vel a delega•‹o de atividades materiais, preparat—rias ou sucessivas


24
STJ, REsp 817534/MG, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, julgado em 10/11/2009.
25
ADI 1.717/DF.

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da atua•‹o dos entes pœblicos. ƒ poss’vel, por exemplo, a delega•‹o de


compet•ncias para instalar equipamentos de fiscaliza•‹o de velocidade
(atividade preparat—ria) ou para demolir uma obra (atividade material
sucessiva do poder de pol’cia).
Por fim, h‡ consenso de que n‹o Ž poss’vel delegar o poder de
pol’cia para particulares. Nesse caso, aplica-se o entendimento do STF,
que se pode delegar apenas atividades matŽrias e preparat—rias (por
exemplo: realiza•‹o de demoli•›es, instala•‹o e operacionaliza•‹o de
equipamentos de raio-X em aeroportos, etc.).


® Delegação para entidades administrativas de direito público (autarquias e
fundações públicas): é possível.
® Delegação para entidades administrativas de direito privado (empresas
públicas, sociedades de economia mista e fundações de direito privado):
§ Doutrina majoritária: não pode;
§ STJ: pode, mas somente consentimento e fiscalização;
§ STF: não pode.
® Delegação para particulares: não pode. É possível delegar apenas atividades
materiais (ex.: demolição) e preparatórias (ex.: instalação de equipamentos).

Atributos do poder de polícia

Segundo Hely Lopes Meirelles, s‹o atributos do poder de pol’cia:


a) discricionariedade;
b) autoexecutoriedade; e
c) coercibilidade.
A discricionariedade deve ser analisada em linhas gerais, pois, em
casos espec’ficos o poder de pol’cia administrativa poder‡ se expressar de
forma vinculada. Assim, a discricionariedade se apresenta no momento da
escolha do que se deve fiscalizar e, no caso em concreto, na escolha de
uma san•‹o ou medida dentre diversas previstas em lei. Por exemplo, a
norma pode facultar ˆ Administra•‹o apreender ou destruir um produto que
se encontre fora dos padr›es de seguran•a. Diante dessa situa•‹o, o agente

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pœblico dever‡ analisar a conveni•ncia e oportunidade e decidir entre uma


alternativa ou outra.
Existem situa•›es, porŽm, que o poder de pol’cia se tornar‡ vinculado.
Por exemplo, na concess‹o de licen•a para construir, estando presentes
todos os requisitos previstos em lei, o agente pœblico Ž obrigado a conceder
o a licen•a ao particular.
Segundo Hely Lopes Meirelles, a autoexecutoriedade Ž Òa faculdade
de a Administra•‹o decidir e executar diretamente sua decis‹o por seus
pr—prios meios, sem interven•‹o do Judici‡rioÓ.
Por vezes, a autoexecutoriedade Ž dividida em exigibilidade e
executoriedade. Pela exigibilidade a Administra•‹o se utiliza de meios
indiretos de coa•‹o, como a aplica•‹o de multas ou a impossibilidade de
licenciar um ve’culo enquanto n‹o pagas as multas de tr‰nsito. Por outro
lado, pela executoriedade a Administra•‹o compele materialmente o
administrado, utilizando-se de meios diretos de coa•‹o Ð por exemplo,
dissolu•‹o de uma reuni‹o, apreens‹o de mercadorias, interdi•‹o de uma
f‡brica.
Segundo a Prof. Maria Sylvia Zanella Di Pietro a autoexecutoriedade
n‹o est‡ presente em todas as medidas de pol’cia. Para ser aplicada, Ž
necess‡rio que a lei a autorize expressamente, ou que se trate de
medida urgente. Conclui a autora, por fim, que a exigibilidade est‡
presente em todas as medidas de pol’cia, mas a executoriedade n‹o.
O œltimo atributo Ž a coercibilidade, que Ž a caracter’stica que torna
o ato obrigat—rio independentemente da vontade do administrado.
Praticamente n‹o h‡ diferen•a entre autoexecutoriedade e coercibilidade,
ao ponto de a Prof. Di Pietro afirmar que26:
A coercibilidade Ž indissoci‡vel da autoexecutoriedade. O ato de pol’cia s—
Ž autoexecut—rio porque dotado de for•a coercitiva. Ali‡s, a
autoexecutoriedade, tal como conceituamos, n‹o se distingue da
coercibilidade, definida por Hely Lopes Meirelles (2003:134) como Òa
imposi•‹o coativa das medidas adotadas pela Administra•‹o.

Por fim, Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo ensinam que nem todos
os atos de pol’cia ostentam o atributo de autoexecutoriedade e
coercibilidade. Assim, os atos preventivos (como a obten•‹o de licen•as ou
autoriza•›es) e alguns atos repressivos (como a cobran•a de multa n‹o
paga espontaneamente) n‹o gozam a autoexecutoriedade e coercibilidade.


26
Di Pietro, 2014, p. 128.

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Vejamos algumas quest›es!

33. (Cespe – Agente Administrativo/Suframa/2014) Em decorrência do poder de


polícia, a administração pode condicionar ou restringir os direitos de terceiros, em
prol do interesse da coletividade.
Comentário: é exatamente essa a definição do poder de polícia. A
Administração condiciona ou restringe os direitos de terceiros, em prol do
interesse da coletividade.
Gabarito: correto.

34. (Cespe - Procurador/PGE-BA/2014) Constitui exemplo de poder de polícia a


interdição de restaurante pela autoridade administrativa de vigilância sanitária.
Comentário: a interdição de um restaurante é um exemplo típico do poder de
polícia administrativo. Nesse caso, trata-se de uma medida repressiva do
poder de polícia. Logo, a questão está correta.
Gabarito: correto.

35. (Cespe – Analista Judiciário/CNJ/2013) O objeto do poder de polícia


administrativa é todo bem, direito ou atividade individual que possa afetar a
coletividade ou pôr em risco a segurança nacional.
Comentário: é exatamente este o objetivo do poder de polícia administrativa
descrito por Hely Lopes Meirelles. Para o renomado autor o objetivo do poder
de polícia administrativa é “todo bem, direito ou atividade individual que
possa afetar a coletividade ou pôr em risco a segurança nacional, exigindo,
por isso mesmo, regulamentação, controle e contenção pelo poder público”.
Gabarito: correto.

36. (Cespe – Analista Judiciário/TJDFT/2013) No que se refere ao exercício do


poder de polícia, denomina-se exigibilidade a prerrogativa da administração de
praticar atos e colocá-los em imediata execução, sem depender de prévia
manifestação judicial.
Comentário: a autoexecutoriedade é a faculdade de decidir e executar
diretamente uma decisão pelos próprios meios da Administração, sem
necessidade de recorrer ao Poder Judiciário. A autoexecutoriedade divide-se
em exigibilidade (meios indiretos de coação) e executoriedade (meios diretos,
materiais, de coação). Nesse caso, a questão estaria correta se substituirmos

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a palavra “exigibilidade” por “autoexecutoriedade” ou por “executoriedade”.


Portanto, a questão está errada.
Gabarito: errado.

37. (Cespe - AUFC/TCU/AGO/2013) As licenças são atos vinculados por meio dos
quais a administração pública, no exercício do poder de polícia, confere ao
interessado consentimento para o desempenho de certa atividade que só pode ser
exercida de forma legítima mediante tal consentimento.
Comentário: as licenças são atos vinculados que permitem o consentimento
para o desempenho de certa atividade. Nesse caso, a Administração
reconhece que o particular cumpriu os requisitos legais e permite que ele
realize a atividade que é de seu direito. Um bom exemplo é a licença para o
exercício de atividade profissional.
Gabarito: correto.

USO E ABUSO DE PODER

O princ’pio da supremacia do interesse pœblico justifica o exerc’cio dos


poderes administrativos na estrita medida em que sejam necess‡rios
ao atingimento dos fins pœblicos.
Dessa forma, o exerc’cio ileg’timo das prerrogativas previstas no
ordenamento jur’dico ˆ Administra•‹o Pœblica se caracteriza, de forma
genŽrica, como abuso de poder.
Segundo Fernanda Marinela,
O abuso de poder Ž o fen™meno que se verifica sempre que uma autoridade
ou um agente pœblico pratica um ato, ultrapassando os limites de suas
atribui•›es ou compet•ncias, ou se desvia das finalidades administrativas
definidas pela lei. Alerte-se que o administrador sujeita-se aos par‰metros
legais, o que significa que a conduta abusiva n‹o merece ser acolhida no
mundo jur’dico, devendo ser corrigida, seja pela pr—pria Administra•‹o
Pœblica, seja pelo Poder Judici‡rio.

Complementa ainda a autora que o reconhecimento do abuso de poder


pode se expressar tanto na conduta comissiva (no fazer) quanto na conduta
omissiva (deixar de fazer). Portanto, em qualquer uma dessas situa•›es o
ato Ž arbitr‡rio, il’cito e nulo, retirando-se a legitimidade da conduta do
agente pœblico, colocando-o na ilegalidade e, atŽ mesmo, no crime de abuso
de autoridade, conforme o caso.
O abuso de poder desdobra-se em duas categorias:

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a) excesso de poder: quando o agente pœblico atua fora dos limites


de sua esfera de compet•ncia;
b) desvio de poder (desvio de finalidade): quando o agente atua
dentro de sua esfera de compet•ncia, porŽm de forma contr‡ria ˆ
finalidade expl’cita ou impl’cita na lei que determinou ou autorizou
o ato. Nesse caso, ser‡ desvio de poder a tanto conduta contr‡ria ˆ
finalidade geral (interesse pœblico, finalidade mediata) quanto ˆ
finalidade espec’fica (imediata).
Dessa forma, o excesso de poder se relaciona com o elemento da
compet•ncia; enquanto o desvio de poder se refere ao elemento da
finalidade.

38. (Cespe - TJDFT/2013) Considere que determinado agente público detentor de


competência para aplicar a penalidade de suspensão resolva impor, sem ter
atribuição para tanto, a penalidade de demissão, por entender que o fato praticado
se encaixaria em uma das hipóteses de demissão. Nesse caso, a conduta do
agente caracterizará abuso de poder, na modalidade denominada excesso de
poder.
Comentário: no caso em análise, o vício decorre da competência, ou seja, o
agente aplicou a penalidade sem possuir atribuição para isso. Por
conseguinte, a conduta se caracteriza como abuso de poder, na modalidade
de excesso de poder. Dessa forma, o item está correto.
Em síntese, o excesso de poder decorre da competência, enquanto o desvio
de poder da finalidade.
Gabarito: correto.

QUESTÕES FGV

39. (FGV – Procurador/ALERJ/2017) A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de


Janeiro recebeu dezenas de reclamações de consumidores a respeito da
precariedade no serviço público de fornecimento de energia elétrica em determinado
bairro da Zona Oeste, consistente em constantes interrupções e quedas de energia.
Tais denúncias foram encaminhadas ao PROCON Estadual que, após processo
administrativo, aplicou multa à concessionária do serviço público. Em tema de poderes

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da Administração Pública, de acordo com a doutrina e a jurisprudência do Superior


Tribunal de Justiça, a providência adotada pelo PROCON está:
a) errada, eis que a sanção de multa decorre do poder normativo do órgão superior
do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e da ANEEL;
b) errada, eis que a sanção de multa decorre do poder regulamentar da ANEEL em
relação à transgressão dos preceitos do Código de Defesa do Consumidor;
c) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder de polícia do órgão que integra
o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor;
d) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder hierárquico do órgão que
integra o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor;
e) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder disciplinar do PROCON em
relação à transgressão dos preceitos do Código de Defesa do Consumidor.
Comentário: o PROCON é um órgão dotado de poder de polícia, conferido por
lei pelo Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. Nesse sentido, o STJ
entendeu que os departamentos de proteção e defesa do consumidor estaduais
e municipais podem aplicar multas e fazer a análise de contratos assinados
entre empresas e consumidores. Sabemos que o poder de polícia abrange as
atividades de regulamentação das leis; controle preventivo e controle
repressivo, que abrange exatamente a imposição de medidas coercitivas, como
é o caso da aplicação de multas.
Gabarito: alternativa C.

40. (FGV – Advogado/COMPESA/2016) Sobre o tema do poder de polícia, analise


as afirmativas a seguir.
I. A polícia administrativa tem caráter predominantemente preventivo, enquanto a
polícia judiciária tem caráter predominantemente repressivo.
II. O poder de polícia é indelegável, somente podendo ser exercido pela Administração
Pública direta.
IIII. O poder de polícia sempre será exercido em caráter vinculado, nos estritos termos
da lei que autoriza o seu exercício.
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
Comentário:
I. A polícia administrativa tem caráter predominantemente preventivo, enquanto
a polícia judiciária tem caráter predominantemente repressivo – a polícia
administrativa realiza uma atividade predominantemente preventiva, com
buscar a evitar a ocorrência de comportamentos nocivos à coletividade. Por

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outro lado, a polícia judiciária atua predominantemente de forma repressiva,


uma vez que tem por objeto apurar a ocorrência dos ilícitos penais. Essa, no
entanto, não é uma característica absoluta – CORRETA;
II. O poder de polícia é indelegável, somente podendo ser exercido pela
Administração Pública direta – o poder de polícia envolve o desempenho do
poder de império do Estado e, como tal, somente poderia ser desempenhado
por entidades de direito público (administração direta, autarquias e fundações
públicas de direito público). Nesse ponto, não há dúvidas de que é possível
delegar o exercício do poder de polícia para autarquias e fundações autárquicas
(Administração Indireta). A discussão que existe sobre o tema gira em torno da
possibilidade ou não de delegação do poder de polícia a entidades da
Administração Indireta com personalidade de direito privado – ERRADA;
IIII. O poder de polícia sempre será exercido em caráter vinculado, nos estritos
termos da lei que autoriza o seu exercício – não é correto dizer que o poder de
polícia será sempre vinculado. A polícia administrativa se expressa ora através
de atos no exercício de competência discricionária, ora através de atos
vinculados. Embora a discricionariedade esteja presente na maior parte das
medidas de polícia, isso nem sempre ocorre. Às vezes, a lei deixa certa margem
de liberdade de apreciação quanto a determinados elementos, como o motivo
ou o objeto; em outras hipóteses, a lei já estabelece que, diante de determinados
requisitos, a Administração terá que adotar solução previamente estabelecida,
sem qualquer possibilidade de opção, caso em que o poder será vinculado.
Assim, apenas a afirmativa I está correta, conforme alternativa A.
Gabarito: alternativa A.

41. (FGV – Analista/IBGE/2016) Agentes municipais de combate às endemias


realizam, dentro da legalidade, vistorias em imóveis urbanos, com escopo de eliminar
focos dos mosquitos Aedes aegypti que transmitem doenças como dengue, zika e
chikungunya. Em matéria de poderes administrativos, a prerrogativa de direito público
que flexibiliza o uso e o gozo da propriedade privada em favor do interesse da
coletividade, permitindo a diligência em tela é chamada de poder:
a) regulamentar;
b) sancionador;
c) disciplinar;
d) de polícia;
e) de hierarquia.
Comentário: o poder de polícia é a faculdade de que dispõe a Administração
Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades, e direitos
individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado. É exatamente o
caso do enunciado.

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Gabarito: alternativa D.

42. (FGV – Analista/IBGE/2016) Em tema de poderes administrativos, o vínculo que


coordena e subordina uns aos outros os órgãos da Administração Pública, graduando
a autoridade de cada um, decorre do chamado pela doutrina de poder:
a) vinculado;
b) normativo;
c) hierárquico;
d) disciplinar;
e) regulamentar.
Comentário:
a) o poder vinculado ocorre quando a lei, ao outorgar determinada competência
ao agente público, não deixa nenhuma margem de liberdade para o seu
exercício. Assim, quando se deparar com a situação prevista na lei, caberá ao
agente decidir exatamente na forma prevista na lei – ERRADA;
b) e e) poder normativo ou regulamentar: é aquele conferido ao chefe do Poder
Executivo, para a edição de normas complementares à lei, permitindo a sua fiel
execução. A doutrina utiliza o termo poder normativo para designar todas as
formas de expedição de atos normativos administrativos, aí incluídos os
decretos, as portarias, as instruções normativas, etc – ERRADA;
c) o poder hierárquico se manifesta na capacidade de a Administração Pública
editar atos normativos com o objetivo de ordenar a atuação dos órgãos
subordinados. Conforme ensina Di Pietro, esses atos normativos possuem
efeitos apenas internos, estabelecendo uma relação de coordenação e
subordinação entre os vários órgãos que integram a Administração Pública –
CORRETA;
d) no poder discricionário, o agente público possui alguma margem de liberdade
de atuação. No caso em concreto, o agente poderá fazer o seu juízo de
conveniência e oportunidade e decidirá com base no mérito administrativo –
ERRADA;
Gabarito: alternativa C.

43. (FGV – Analista/TJ-PI/2015) Agentes do órgão estadual ambiental, no exercício


de suas funções, realizaram diligência em posto distribuidor de combustível e
constataram diversas irregularidades, como ausência de licença ambiental e
ocorrência de danos ambientais consistentes em contaminação do solo. Após regular
tramitação de processo administrativo, foram aplicadas sanções legais de natureza
administrativa ao infrator, como multa e interdição. No caso em tela, a atuação do
órgão estadual ambiental foi baseada no chamado pela doutrina de poder
administrativo:

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a) discricionário;
b) sancionatório;
c) de polícia;
d) disciplinar;
e) de hierarquia.
Comentário: sabemos que a Administração Pública, no exercício do poder de
polícia, pode regulamentar as leis e controlar a sua aplicação, preventivamente
(por meio de ordens, notificações, licenças ou autorizações) ou
repressivamente (mediante imposição de medidas coercitivas). A interdição de
um estabelecimento é um exemplo típico do poder de polícia administrativa.
Nesse caso, trata-se de uma medida repressiva do poder de polícia.
Gabarito: alternativa C.

44. (FGV – Analista/TJ-PI/2015) Em tema de poderes administrativos, são hipóteses


de regular emprego do poder de polícia quando o agente público competente
determina, observadas as formalidades legais, com a finalidade de coagir o infrator a
cumprir a lei, a:
a) demissão de servidor público estável ocupante de cargo efetivo, após processo
administrativo disciplinar, pela prática de falta funcional;
b) edição de um decreto, contendo atos normativos que regulamentem determinada
lei sobre a imposição de penalidades administrativas;
c) interdição de atividade privada irregular, a apreensão de mercadorias deterioradas
ou a demolição de construção ilegal com risco iminente de desabamento;
d) instauração de sindicância sumária para apurar o desaparecimento de armas de
fogo e munições de dentro do departamento da Secretaria de Segurança Pública;
e) remoção de agente da Defesa Civil da área operacional para área administrativa,
diante de sua baixa produtividade evidenciada em relatório de atividades funcionais.
Comentário: como é sabido, o poder de polícia autoriza a Administração a
regulamentar as leis e controlar a sua aplicação, preventivamente (por meio de
ordens, notificações, licenças ou autorizações) ou repressivamente (mediante
imposição de medidas coercitivas). Assim, para coagir o infrator a cumprir a lei,
a Administração pode lançar mão da interdição de atividade privada irregular,
da apreensão de mercadorias deterioradas ou da demolição de construção
ilegal com risco iminente de desabamento. Essas são medidas repressivas e se
apresentam na prática de atos específicos subordinados à lei e aos
regulamentos. As demais alternativas não se relacionam com o que pede o
enunciado, pois não tem como finalidade a coação para cumprimento das leis.
Gabarito: alternativa C.

45. (FGV – Agente/Pref. de Niterói-RJ/2015) Em tema de poderes administrativos,


é exemplo de regular emprego do chamado poder de polícia quando:

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a) o Secretário Municipal de Segurança Pública escolhe quais agentes públicos serão


escalados para participar de determinada diligência em área de risco;
b) a autoridade municipal competente determina ao particular, observados os ditames
legais, a demolição de obra irregular que apresenta risco iminente de desabamento;
c) a autoridade municipal competente, após regular processo administrativo
disciplinar, condena servidor público à pena disciplinar de suspensão, por falta
funcional;
d) o Prefeito sanciona uma lei aprovada pela Câmara municipal dispondo sobre
política municipal de prevenção de crimes contra o patrimônio público local;
e) o Prefeito nomeia, com autorização do Governador do Estado, Bombeiro Militar
para exercer o cargo de Secretário Municipal de Defesa Civil.
Comentário:
a) essa situação se amolda no conceito de poder hierárquico, que é aquele que
confere à Administração Pública a capacidade de ordenar, coordenar, controlar
e corrigir as atividades administrativas no âmbito interno da Administração –
ERRADA;
b) esse é um típico exemplo do poder de polícia repressivo – CORRETA;
c) a alternativa narra situação de incidência do poder disciplinar, que configura
um poder-dever de punição interna das infrações funcionais dos servidores e
demais pessoas sujeitas à disciplina dos órgãos e serviços da Administração.
É o que cabe à Administração Pública para apurar infrações e aplicar
penalidades aos servidores públicos – ERRADA;
d) no caso, o Prefeito utilizou de seu poder normativo, que é aquele conferido
ao chefe do Poder Executivo, para a edição de normas complementares à lei,
permitindo a sua fiel execução. A doutrina utiliza o termo poder normativo para
designar todas as formas de expedição de atos normativos administrativos, aí
incluídos os decretos, as portarias, as instruções normativas, etc – ERRADA;
e) exemplo típico de função hierárquica exercida pelo Prefeito, através do qual
distribuiu e escalona as funções de seus órgãos, ordena e revê a atuação de
seus agentes, estabelecendo a relação de subordinação entre os servidores do
seu quadro de pessoal – ERRADA.
Gabarito: alternativa B.

46. (FGV – Técnico/PGE-RO/2015) Em matéria de poderes administrativos, de


acordo com a doutrina de Direito Administrativo, é exemplo de emprego do poder
regulamentar a hipótese de o Governador do Estado:
a) instaurar processo administrativo disciplinar para apurar falta funcional de servidor
público que lhe é diretamente subordinado;
b) editar um decreto, contendo normas genéricas e abstratas para complementar
determinada lei e permitir a sua efetiva aplicação;

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c) determinar a realização de vistoria na sede de sociedade empresária para apurar a


ocorrência de dano ambiental;
d) realizar mudança na titularidade das secretarias estaduais, nomeando nova equipe
de governo tecnicamente mais qualificada;
e) delegar a prestação de determinado serviço público à sociedade empresária
vencedora da respectiva licitação.
Comentário: o poder regulamentar (normativo) é aquele conferido ao chefe do
Poder Executivo, para a edição de normas complementares à lei, permitindo a
sua fiel execução. A doutrina utiliza o termo poder normativo para designar
todas as formas de expedição de atos normativos administrativos, aí incluídos
os decretos, as portarias, as instruções normativas, etc. Dessa forma, ao editar
um decreto, contendo normas genéricas e abstratas para complementar
determinada lei e permitir a sua efetiva aplicação, o Prefeito está no exercício
desse poder regulamentar que lhe é conferido.
Gabarito: alternativa B.

47. (FGV – Contador/Pref. de Niterói-RJ/2015) Dos princípios que estão na base de


toda função administrativa do Estado decorrem os chamados poderes administrativos
que viabilizam às autoridades públicas fazer sobrepor a vontade da lei à vontade
individual, o interesse público ao interesse privado. Com base na doutrina de Direito
Administrativo, dentre os poderes administrativos, destaca-se:
a) o discricionário, que autoriza o Poder Executivo a editar atos gerais de forma
abstrata para complementar as leis e permitir a sua efetiva aplicação visando ao
interesse público;
b) o regulamentar, que é a prerrogativa concedida aos agentes administrativos de
elegerem, entre várias condutas possíveis, a que traduz maior conveniência e
oportunidade para o interesse público;
c) o hierárquico, que concede à Administração Pública o dever-poder de apurar
infrações e aplicar penalidades aos servidores públicos e demais pessoas sujeitas à
disciplina administrativa;
d) o de disciplina, que permite ao Poder Executivo elaborar regras gerais, por meio de
decretos, para reger a vida em sociedade, no regular exercício da chamada função
atípica legiferante;
e) o de polícia, que é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza a
Administração Pública a restringir o uso e o gozo da liberdade e da propriedade em
favor do interesse da coletividade.
Comentário:
a) o discricionário regulamentar, que autoriza o Poder Executivo a editar atos
gerais de forma abstrata para complementar as leis e permitir a sua efetiva
aplicação visando ao interesse público – ERRADA;

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b) o regulamentar discricionário, que é a prerrogativa concedida aos agentes


administrativos de elegerem, entre várias condutas possíveis, a que traduz
maior conveniência e oportunidade para o interesse público – ERRADA;
c) o hierárquico disciplinar, que concede à Administração Pública o dever-poder
de apurar infrações e aplicar penalidades aos servidores públicos e demais
pessoas sujeitas à disciplina administrativa – ERRADA;
d) o de disciplina normativo ou regulamentar, que permite ao Poder Executivo
elaborar regras gerais, por meio de decretos, para reger a vida em sociedade,
no regular exercício da chamada função atípica legiferante – ERRADA;
e) o de polícia, que é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei,
autoriza a Administração Pública a restringir o uso e o gozo da liberdade e da
propriedade em favor do interesse da coletividade – isso mesmo! Essa é a
definição correta de Poder de Polícia, que restringe ou condiciona atividades
privadas, em que o vínculo da Administração com o particular é geral –
CORRETA.
Gabarito: alternativa E.

48. (FGV – Técnico/Pref. de Cuiabá-MT/2015) Assinale a afirmativa correta.


a) A eficiência significa que a atuação da Administração será pautada por presteza,
exigindo resultados positivos, ainda que não reduza os desperdícios de dinheiro
público e não seja célere.
b) O princípio da proporcionalidade assegura a todos o direito de receber dos órgãos
públicos informações de seu interesse particular ou de interesse coletivo, com
exceção das situações resguardadas por sigilo.
c) A Administração Pública não pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.
d) O Poder de Polícia autoriza a Administração Pública a restringir o uso e o gozo da
liberdade e da propriedade em favor da coletividade.
e) A atuação do agente fora dos limites da sua competência não configura excesso
de poder.
Comentário: questão misturada com o tema princípios, mas vamos aproveitar
para relembrar:
a) a eficiência significa que a atuação da Administração será pautada por
presteza, exigindo resultados positivos, ainda que não reduza os desperdícios
de dinheiro público e não seja célere - esse princípio diz respeito a uma atuação
da administração pública com excelência, fornecendo serviços públicos de
qualidade à população, com o menor custo possível (desde que mantidos os
padrões de qualidade) e no menor tempo – ERRADA;
b) o princípio da proporcionalidade publicidade assegura a todos o direito de
receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular ou de

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interesse coletivo, com exceção das situações resguardadas por sigilo –


ERRADA;
c) pode sim. Pelo princípio da autotutela, a Administração Pública exerce o
controle sobre os seus próprios atos, com a possibilidade de anular os ilegais
e revogar os inconvenientes ou inoportunos, independentemente de recurso ao
Poder Judiciário – ERRADA;
d) essa é a exata definição de poder de polícia que estamos trabalhando ao
longo de todos os exercícios dessa aula – CORRETA;
e) o excesso de poder se configura justamente quando o agente público atua
fora dos limites de sua esfera de competência – ERRADA.
Gabarito: alternativa D.

49. (FGV – Guarda Municipal/Pref. de Paulínia-SP/2015) Quando um Guarda


Municipal exerce suas funções com o uso da prerrogativa de direito público que, com
base na lei, autoriza a Administração Pública a restringir o uso e o gozo da liberdade
e da propriedade individual em favor do interesse da coletividade, o agente está
empregando o poder de:
a) disciplina;
b) polícia;
c) regulação;
d) disponibilidade;
e) sanção.
Comentário: o poder de polícia manifesta-se pela edição de atos que impliquem
condicionamentos ou restrições de direitos. Esses condicionamentos podem
ocorrer por atos concretos ou ainda por meio de atos normativos que
disciplinem determinado condicionamento. Lembrando que, no conceito de
Hely Lopes Meirelles, o poder de polícia é “a faculdade de que dispõe a
Administração Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens,
atividades, e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio
Estado”.
Gabarito: alternativa B.

50. (FGV – Guarda Municipal/Pref. de Paulínia-SP/2015) Poderes administrativos


são o conjunto de prerrogativas que o ordenamento jurídico confere aos agentes
administrativos com a finalidade de permitir que o Estado alcance seus objetivos para
atender ao bem comum. É hipótese de emprego do poder disciplinar a
a) aplicação de uma multa por agente público municipal ao particular que cortou árvore
em área de preservação ambiental permanente;
b) interdição de um supermercado que vendia produtos impróprios ao consumo pela
equipe de fiscalização sanitária municipal;

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c) fiscalização do trânsito de veículos automotores por agentes municipais com o


objetivo de manter a regularidade do tráfego nas vias municipais;
d) edição de um decreto pelo Prefeito contendo normas genéricas e abstratas para
complementar determinada lei municipal e permitir a sua efetiva aplicação;
e) demissão de um agente público municipal, após processo administrativo disciplinar
em que foram assegurados o contraditório e a ampla defesa, pela prática de infração
funcional.
Comentário: as alternativas A, B e C apresentam situações que se enquadram
no exercício do poder de polícia da Administração, em seus aspectos repressivo
e preventivo. Já a alternativa D configura hipótese do poder regulamentar
exercido pelo Chefe do Executivo, ao editar normas gerais para regulamentar as
leis. Por fim, a competência para aplicar sanção aos agentes públicos por
infrações administrativas, como a de demissão, se insere no poder disciplinar,
sendo a alternativa E o nosso gabarito.
Gabarito: alternativa E.

51. (FGV – Direito/TCM-SP/2015) Sociedade empresária do ramo de salão de


beleza requereu ao Município de São Paulo licença de funcionamento. O pedido foi
indeferido porque, de fato, o local escolhido para sua instalação não comportava tal
atividade, de acordo com a Lei Municipal nº 13.885/2004 (Lei de Parcelamento, Uso
e Ocupação do Solo), que estabelece, entre outras, as diretrizes para instalação e
funcionamento de estabelecimentos comerciais nas diversas zonas urbanas, fixadas
nos termos do Plano Diretor. Mesmo com o indeferimento, a sociedade empresária se
instalou no local e iniciou suas atividades. Após diligência dos fiscais municipais, o
Município lavrou auto de infração e interditou o salão. Inconformado, o particular
impetrou mandado de segurança requerendo a desinterdição e a obtenção da licença.
No caso em tela, a sociedade empresária:
a) tem razão, porque, ao legislar sobre uso do solo, o Município não poderia impedir
a livre iniciativa de empresários que geram empregos e aumentam a arrecadação
tributária, além de que os fiscais agiram com abuso de poder, eis que não
apresentaram mandado judicial para realizar a fiscalização;
b) tem parcial razão, cabendo apenas a desinterdição, porque, pelo princípio da
inafastabilidade do controle jurisdicional, somente o Judiciário poderia determinar a
interdição, observados o contraditório e ampla defesa;
c) não tem razão, porque o Município agiu no regular emprego de seu poder disciplinar
e sancionador, que lhe permite fiscalizar e limitar atividades privadas, de acordo com
a legislação, em prol do interesse público;
d) não tem razão, porque o Município agiu no regular emprego de seu poder
regulamentar, que lhe permite, caso a caso, condicionar, restringir e paralisar
atividades particulares em favor dos interesses da coletividade, quando verificar que
as posturas municipais não estão sendo obedecidas;

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e) não tem razão, porque o Município agiu no regular emprego de seu poder de polícia,
cabendo ao Judiciário tão somente apreciar se houve algum vício de legalidade na
conduta do Município, o que inocorreu na hipótese.
Comentário: o poder de polícia é a faculdade de que dispõe a Administração
Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades, e direitos
individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado. No meio
preventivo, a Administração exige que o particular possua alvarás que
comprovem que ele atendeu aos requisitos ou condições para a prática da
atividade ou para o uso da propriedade que é objeto de fiscalização. A licença é
o ato administrativo vinculado e unilateral pelo qual a Administração faculta ao
particular que preencha os requisitos legais o exercício de uma atividade. No
caso da questão, o Município agiu corretamente, com base no seu poder de
polícia, e, na ação apresentada pelo salão, o Poder Judiciário somente poderá
analisar o ato sob seus aspectos de legalidade.
Gabarito: alternativa E.

52. (FGV – Analista/Câm. Mun. de Caruaru-PE/2015) A respeito da polícia


administrativa, analise as afirmativas a seguir.
I. Fiscaliza as condições dos alimentos para consumo.
II. Investiga a prática de crime, com inspeção e perícia em determinados locais.
III. Fiscaliza locais proibidos para menores.
Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta.
b) se somente a afirmativa II estiver correta.
c) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
d) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
Comentário: a polícia administrativa apura e pune, quando for o caso, os ilícitos
administrativos (infração de normas de trânsito, descumprimento de requisitos
para construir, etc.). É realizada por diversos órgãos administrativas com
competências fiscalizatórias, envolvendo toda a Administração Pública de
direito público (prefeituras, na emissão de alvarás; entidades de fiscalização de
profissão; órgãos de fiscalização de trânsito, etc.). Assim, é a que autoriza a
fiscalização das condições dos alimentos para consumo (I) e dos locais
proibidos para menores (III). Quanto à investigação da prática de crime, com
inspeção e perícia em determinados locais, trata-se de incidência da polícia
judiciária, que é a que apura os ilícitos penais (crimes e contravenções penais).
Portanto, somente as afirmativas I e III estão corretas, e a afirmativa II está
errada, pois se refere à polícia judiciária.
Gabarito: alternativa D.

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53. (FGV – Analista/Câm. Mun. de Caruaru-PE/2015) A Administração Pública


escalona, em plano vertical, seus órgãos e agentes com o objetivo de organizar a
função administrativa, por meio do poder
a) disciplinar.
b) de polícia.
c) regulamentar.
d) hierárquico.
e) vinculado.
Comentário: Hely Lopes Meirelles define o poder hierárquico como o poder “de
que dispõe o Executivo para distribuir e escalonar as funções de seus órgãos,
ordenar e rever a atuação de seus agentes, estabelecendo a relação de
subordinação entre os servidores do seu quadro de pessoal”. Nesse contexto,
o poder hierárquico tem por objetivo: dar ordens; rever atos; avocar atribuições;
delegar competências e fiscalizar.
Vamos relembrar os demais conceitos:
¥ poder disciplinar: Ž o poder-dever de punir internamente as
infra•›es funcionais dos servidores e demais pessoas sujeitas ˆ
disciplina dos —rg‹os e servi•os da Administra•‹o (alternativa A);
¥ poder de pol’cia: a faculdade de que disp›e a Administra•‹o Pœblica
para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades, e
direitos individuais, em benef’cio da coletividade ou do pr—prio
Estado (alternativa B);
¥ poder regulamentar (normativo): Ž aquele conferido ao chefe do
Poder Executivo, para a edi•‹o de normas complementares ˆ lei,
permitindo a sua fiel execu•‹o. A doutrina utiliza o termo poder
normativo para designar todas as formas de expedi•‹o de atos
normativos administrativos, a’ inclu’dos os decretos, as portarias, as
instru•›es normativas, etc. (alternativa C)
¥ o poder vinculado utiliza o que est‡ disposto na lei, n‹o deixando
Òespa•oÓ para a aprecia•‹o pelo agente pœblico, que deve seguir o
que foi estipulado previamente (alternativa E).
Gabarito: alternativa D.

54. (FGV – Técnico/SSP-AM/2015) Hipótese 1: Governador do Amazonas editou


decreto contendo atos gerais para complementar determinada lei estadual e permitir
a sua efetiva aplicação. Hipótese 2: Agentes da equipe de fiscalização de postura
municipal de Manaus interditaram um mercado que funcionava sem alvará e
apreenderam mercadorias impróprias para o consumo. Nos casos apresentados, as
providências administrativas adotadas pelos agentes públicos foram calcadas,
respectivamente, nos poderes:
a) hierárquico e punitivo;
b) legislativo e disciplinar;
c) hierárquico e disciplinar;
d) legislativo e de fiscalização;

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e) regulamentar e de polícia.
Comentário:
Hipótese 1: Governador do Amazonas editou decreto contendo atos gerais para
complementar determinada lei estadual e permitir a sua efetiva aplicação – aqui,
temos clara incidência do poder regulamentar, que é aquele conferido ao Chefe
do Executivo para edição de normas complementares à lei, permitindo sua fiel
execução. É, portanto, a prerrogativa conferida à Administração Pública de
editar atos gerais para complementar as leis e permitir sua efetiva aplicação.
Hipótese 2: Agentes da equipe de fiscalização de postura municipal de Manaus
interditaram um mercado que funcionava sem alvará e apreenderam
mercadorias impróprias para o consumo – nesse caso, a atividade de
fiscalização se enquadra no exercício do poder de polícia, que pode ser exercido
de forma repressiva ou preventiva. Seu aspecto preventivo se revela através de
atos normativos, como os regulamentos e portarias. Assim, configuram
disposições genéricas e abstratas que delimitam as atividades privadas e de
interesse particular, em respeito ao interesse coletivo. A exigência de que o
particular possua alvarás para funcionamento regular de suas atividades, que
se dividem em licenças e autorizações são exemplos práticos de sua aplicação.
Já o seu aspecto repressivo se revela através de atos específicos, subordinados
à lei e aos regulamentos, sendo exemplo a apreensão de mercadorias, a
aplicação de multas e sanções pelo descumprimento da lei etc.
Gabarito: alternativa E.

55. (FGV – Odontólogo/TJ-SC/2015) Os agentes administrativos gozam de uma


série de prerrogativas de direito público que permitem ao Estado alcançar os fins a
que se destina. Nesse contexto de poderes administrativos, é correto afirmar que o
poder:
a) discricionário possibilita ao administrador adotar qualquer postura com base em seu
interesse particular, desde que alegue atender à finalidade pública;
b) regulamentar está relacionado à prerrogativa da Administração de editar atos gerais
para complementar as leis e permitir a sua efetiva aplicação;
c) de polícia é exclusivamente exercido pelas forças de segurança pública, tais como
as polícias militar e civil na esfera estadual;
d) soberano é titularizado temporariamente pelo Chefe do Poder Executivo, enquanto
estiver no efetivo exercício do mandato eletivo;
e) jurisdicional é exercido pelo Chefe do Poder Executivo, nos casos que envolvam
questões administrativas afetas à sua esfera de poder.
Comentário:
a) a conveniência e a oportunidade da prática do ato constituem o mérito
administrativo e apenas estarão passíveis de ponderação nos atos

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discricionários. Assim, o mérito administrativo está presente nos atos


discricionários, em que há certa margem para escolha do Administrador. Sua
atuação, contudo, deve estar sempre pautada na lei, e não em seus interesses
particulares, como dito na afirmativa – ERRADA;
b) isso mesmo. O poder regulamentar (ou normativo) é aquele conferido ao
chefe do Poder Executivo, para a edição de normas complementares à lei,
permitindo a sua fiel execução – CORRETA;
c) o exercício do poder de polícia abrange qualquer área de interesse coletivo,
como a segurança pública, a ordem pública, higiene, saúde pública, meio-
ambiente, urbanismo, trânsito e outras. Mas os órgãos de segurança (polícias
civil ou militar) exercem a chamada polícia judiciária, com competência para
apurar os ilícitos penais (crimes e contravenções penais) – ERRADA;
d) não há que se falar, atualmente, em poder soberano – ERRADA;
e) o poder jurisdicional é exercido, em regra, pelo Poder Judiciário, e não pelo
Chefe do Executivo – ERRADA.
Gabarito: alternativa B.

56. (FGV – Técnico/TJ-SC/2015) Em tema de poderes dos administradores públicos,


é hipótese de regular emprego do poder de polícia o seguinte caso concreto:
a) determinação, pelo poder público municipal, após processo administrativo, de
demolição de imóvel construído ilegalmente por particular em área pública;
b) lotação e remoção de inspetores da Polícia Civil, de acordo com critérios
discricionários relacionados aos índices de criminalidade por região;
c) aplicação, após regular processo administrativo disciplinar, da penalidade de
demissão a servidor público estadual que praticou crime contra a administração
pública;
d) fiscalização, lavratura de auto de infração e imposição de multa a estabelecimento
comercial, por autoridade incompetente;
e) interdição de empresa por alegação de poluição ambiental, ainda que realizada por
agente administrativo que agiu com desvio de poder, para atender a seus interesses
particulares.
Comentário:
a) esse é um exemplo típico do exercício do poder de polícia, em seu aspecto
repressivo – CORRETA;
b) essa atitude se enquadra no poder hierárquico de que dispõe o Executivo
para distribuir e escalonar as funções de seus órgãos, ordenar e rever a atuação
de seus agentes, estabelecendo a relação de subordinação entre os servidores
do seu quadro de pessoal. A remoção é um instrumento de organização da
administração pública, inserindo-se, portanto, no poder hierárquico, pois é o

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modo distribuir a força de trabalho para a condução da atividade administrativa


– ERRADA;
c) a competência para aplicar sanção aos agentes públicos por infrações
administrativas, como a de demissão, se insere no poder disciplinar – ERRADA;
d) autoridade incompetente não pode praticar nenhum desses atos, que se
enquadram no conceito de poder de polícia – ERRADA;
e) o desvio de poder configura uma ilegalidade e, por isso, podemos concluir
que o ato foi ilícito e com um vício de finalidade, uma vez que a finalidade
adotada é diversa daquela prevista em lei – ERRADA.
Gabarito: alternativa A.

57. (FGV – Analista/TJ-BA/2015) O Secretário Estadual de Educação determinou a


remoção ex officio de Mariana, professora de matemática de colégio estadual situado
em Salvador para um colégio do interior. Mariana conseguiu reunir provas de que o
ato administrativo que determinou sua remoção, em verdade, ocorreu por retaliação e
não para atender ao interesse público, já que são antigos desafetos pessoais. O ato
do Secretário de Educação:
a) não poderá ser invalidado, porque, em se tratando de ato discricionário, o agente
público tem liberdade na valoração de todos os elementos do ato administrativo;
b) não poderá ser invalidado, porque, em se tratando de ato vinculado, basta que o
agente público observe as formalidades legais para a sua prática e alegue que
atendeu ao interesse público;
c) poderá ser invalidado, porque, não obstante se tratar de ato discricionário, o agente
agiu com abuso de poder, por usurpação de função, com vício no elemento do ato
administrativo da forma;
d) poderá ser invalidado, porque, não obstante se tratar de ato vinculado, o agente
agiu com abuso de poder, por excesso de poder, com vício no elemento do ato
administrativo da competência;
e) poderá ser invalidado, porque, não obstante se tratar de ato discricionário, o agente
agiu com abuso de poder, por desvio de poder, com vício no elemento do ato
administrativo da finalidade.
Comentário: a remoção de ofício ocorre no interesse da administração pública,
independendo, portanto, da vontade do servidor. Insere-se no poder hierárquico
da Administração, que é aquele de que dispõe o Executivo para distribuir e
escalonar as funções de seus órgãos, ordenar e rever a atuação de seus
agentes, estabelecendo a relação de subordinação entre os servidores do seu
quadro de pessoal. O abuso de poder é uma forma de ilegalidade que se divide
em duas espécies: (i) o desvio de poder (ou desvio de finalidade), que ocorre
quando um agente pratica um ato para o qual era competente, porém com uma
finalidade diversa daquela prevista em lei – como é o caso da situação do

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enunciado; e (ii) o excesso de poder, que ocorre quando o agente extrapola os


limites de suas competências. Assim, não obstante se tratar de um ato
discricionário, deve ser praticado de acordo com os ditames legais. Como não
foi, o ato praticado poderá ser invalidado.
Gabarito: alternativa E.

58. (FGV – Analista/TJ-BA/2015) Município e Estado, por meio de suas equipes


técnicas das áreas de defesa do consumidor e de meio ambiente, realizaram
fiscalização conjunta em determinado posto de combustível. As equipes verificaram a
existência de diversas irregularidades, como danos ambientais por contaminação do
solo, em razão de vazamento de óleo diesel, e danos ao consumidor por exposição à
venda de combustível adulterado. Observado o devido processo legal, foram
aplicadas as sanções administrativas cabíveis e comunicado o fato aos órgãos
competentes para as demais providências legais. O poder administrativo que
viabilizou a fiscalização em tela é o poder:
a) normativo;
b) disciplinar;
c) regulador;
d) sancionador;
e) de polícia.
Comentário: o poder de polícia se insere na esfera privada, permitindo que se
apliquem restrições ou condicionamentos nas atividades privadas. Assim, o
vínculo entre a Administração e o particular é geral, ou seja, é o mesmo que
ocorre com toda a coletividade. Por exemplo, é o poder de polícia que
fundamenta a fiscalização de estabelecimentos comerciais e a aplicação de uma
multa. Vale lembrar que a polícia administrativa é realizada por diversos órgãos
administrativas com competências fiscalizatórias, como é o caso dos órgãos de
proteção ao consumidor e de proteção ambiental.
Gabarito: alternativa E.

59. (FGV – Fiscal de Posturas/Prefeitura de Niterói/2015) Determinado agente


público municipal, em fiscalização de rotina, pratica ato administrativo discricionário,
dentro de sua esfera de competência, mas afastando-se do interesse público, eis que
a real motivação do ato foi retaliar antigo desafeto. No caso em tela, de acordo com o
que ensina a doutrina de Direito Administrativo, o agente público agiu com:
a) regular emprego do poder discricionário, eis que o ato não precisa ser motivado e
a análise do mérito administrativo cabe apenas ao agente;
b) regular emprego do poder discricionário, eis que as formalidades legais para o
perfazimento do ato foram respeitadas;
c) abuso de poder, na modalidade excesso de poder, eis que atuou fora dos limites
de sua competência;

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d) abuso de poder, na modalidade arbitrariedade de poder, eis que agiu além dos
limites de sua capacidade;
e) abuso de poder, na modalidade desvio de poder, eis que se afastou da finalidade
pública.
Comentário: o agente público deve exercer as prerrogativas públicas tendo
como finalidade o interesse público. Caso o uso das prerrogativas públicas
ocorra fora dos limites de competência do agente público ou ainda com
finalidade diversa do interesse público ou do fim previsto em lei para o ato,
estaremos diante do abuso de poder, que se subdivide em duas espécies:
(i) excesso de poder: ocorre quando o agente público atua fora dos limites de
sua esfera de competência;
(ii) desvio de poder (desvio de finalidade): ocorre quando o agente atua dentro
de sua esfera de competência, porém de forma contrária à finalidade explícita
ou implícita na lei que determinou ou autorizou o ato.
No caso, portanto, houve abuso de poder, na forma de desvio de poder, uma vez
que o ato se afastou da finalidade pública. Logo, está correta a opção E.
As opções A e B estão nitidamente erradas, vez que o ato, mesmo que
discricionário, deve ocorrer na forma prevista em lei.
A alternativa C está errada, pois a atuação ocorreu dentro da esfera de
competência do agente, o problema foi ser realizada sem fim público. Da mesma
forma, a letra D também está errada, pois a expressão “arbitrariedade” tem o
Gabarito: alternativa E.

60. (FGV – Fiscal de Posturas/Prefeitura de Niterói/2015) Consoante ensina a


doutrina de Direito Administrativo, o poder administrativo que autoriza a atuação de
um Fiscal de Posturas municipal de, verificada violação a dispositivo do Código de
Posturas, lavrar um auto de infração com regular aplicação de multa e apreensão é o
poder:
a) disciplinar, que é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza a
Administração Pública a aplicar penalidades disciplinares aos particulares que
infringirem a lei;
b) regulamentar, que é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza a
Administração Pública a regulamentar a vida em sociedade, fazendo valer os
dispositivos legais;
c) sancionatório, que é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza a
Administração Pública a aplicar sanções administrativas e disciplinares aos
particulares que causarem danos ao interesse público;
d) de polícia, que é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza a
Administração Pública a restringir o uso e o gozo da liberdade e da propriedade em
favor do interesse da coletividade;

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e) de Estado, que é a prerrogativa de direito público que, limitando ou disciplinando


direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou a abstenção de fato, em
razão da supremacia do interesse privado.
Comentário: os poderes administrativos refletem os instrumentos ou
mecanismos por meio dos quais o Poder Público deve perseguir o interesse da
coletividade.
Nessa linha, a possibilidade de se condicionar e restringir o uso e gozo de bens,
atividades, e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio
Estado consiste no poder de polícia.
No caso, o Fiscal de Posturas está lavrando um auto de infração com regular
aplicação de multa e apreensão, ou seja, está realizando uma restrição ou
condicionamento da atividade particular, demonstrando o exercício do poder de
polícia (letra D).
Vejamos o erro nas outras opções:
a) o poder disciplinar autoriza a Administração Pública a punir internamente as
infrações funcionais dos servidores e demais pessoas sujeitas à disciplina dos
órgãos e serviços da Administração, ou seja, as pessoas que possuem algum
tipo de vínculo específico com a Administração (como um particular que firmar
um contrato administrativo de concessão de serviço público). Quando não
houver o vínculo específico, a aplicação de sanções decorrerá do poder de
polícia. Este é o caso da questão, não se trata de um vínculo especial, mas de
um vínculo genérico, que qualquer pessoa se submeteria – ERRADA;
b) o poder regulamentar é o poder conferido ao chefe do Poder Executivo
(presidente, governadores e prefeitos) para a edição de normas
complementares à lei, permitindo a sua fiel execução. Logo, não há qualquer
relação com a situação da questão – ERRADA;
c) não se costuma adotar o termo sancionatório para designar um poder
administrativo. Porém, se considerarmos como sinônimo do poder disciplinar,
teríamos a sua aplicação restrita à disciplina interna da Administração –
ERRADA;
e) não existe poder administrativo chamado “de Estado”. Além disso, também
não há “supremacia do interesse privado”, mas somente de interesse público –
ERRADA.
Gabarito: alternativa D.

61. (FGV – Técnico Judiciário/TJ-RO/2015) Poderes administrativos consistem no


conjunto de prerrogativas de direito público que a ordem jurídica confere aos agentes
administrativos para viabilizar a sobreposição do interesse público ao interesse

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privado e permitir que o Estado alcance seus fins. Nesse sentido, é hipótese de poder
regulamentar quando um:
a) governador de Estado edita um decreto contendo atos gerais para complementar
determinada lei e permitir a sua efetiva aplicação;
b) guarda de trânsito, no exercício de suas funções, coordena o tráfego de veículos
para evitar engarrafamento em uma movimentada via pública;
c) fiscal de posturas realiza fiscalização nas instalações de um mercado e flagra uma
série de irregularidades que levam à sua interdição;
d) chefe de cartório, a pedido da parte interessada, emite uma certidão contendo
informações específicas sobre determinado processo;
e) agente do Procon, após regular processo administrativo, multa determinada
agência bancária, por ofensa reiterada aos direitos do consumidor.
Comentário: o poder regulamentar é aquele que ocorre quando o chefe do Poder
Executivo edita um decreto regulamentar para dar fiel execução às leis.
Portanto, a alternativa A constitui o gabarito dessa questão.
As opções B, C e E apresentam o poder de polícia. Por outro lado, a letra D trata
de um dever da Administração, relacionado com o dever de prestar contas, uma
vez que a Constituição Federal assegura a todos o direito de obter certidões (CF,
art. 5º, XXXIV, “b”).
Assim, a opção A é mesmo o gabarito.
Gabarito: alternativa A.

62. (FGV – Administrador/Senado Federal/2008) No que concerne à


administração pública, não é correto afirmar que:
a) a finalidade do poder regulamentar é a de complementar as leis para o fim de
possibilitar a sua execução.
b) o poder discricionário propicia a prática de atos administrativos insuscetíveis de
controle pelo Poder Judiciário.
c) o poder de polícia retrata prerrogativa estatal que restringe e condiciona a liberdade
e a propriedade.
d) o Chefe do Poder Executivo expede decretos e regulamentos para exercer o poder
de regulamentação das leis.
e) nas atividades discricionárias o administrador público não está inteiramente livre
para decidir sobre qual a melhor opção a ser feita em relação aos objetivos da
Administração.
Comentário: o poder discricionário remete à possibilidade que o agente público
possui de valorar sua decisão por conveniência e oportunidade, possibilitando
maior liberdade de atuação. Com isso, sua escolha será baseada no mérito
administrativo que possui, desde que observadas as disposições da lei. Dessa
forma, os efeitos jurídicos propiciados pelo ato administrativo em questão

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respeitarão o juízo privado do agente, mas estarão sujeitos ao controle do Poder


Judiciário.
Para tanto, podemos definir como incorreta a alternativa B, pois embora o
agente possua liberdade de escolha, seu ato deverá ser sempre suscetível ao
controle do Poder Judiciário.
Todas as outras alternativas estão corretas. Vejamos cada uma:
a) e d) o poder regulamentar é o poder conferido ao chefe do Poder Executivo
(presidente, governadores e prefeitos), para a edição de normas
complementares à lei, permitindo a sua fiel execução;
c) relembrando as inscrições do art. 78 do Código Tributário Nacional temos que
a definição de poder de polícia é toda atividade que, limitando ou disciplinando
direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em
razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos
costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades
econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à
tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou
coletivos;
e) como vimos na alternativa B, o agente público possui liberdade de atuação.
Porém, sua atividade deve sempre observar o que está disposto na Lei.
Ademais, no exercício de sua função, devem ser observados os princípios da
razoabilidade e proporcionalidade, visando um melhor atendimento do interesse
público. Assim, mesmo que ele possua poder de escolha, suas obrigações
devem se limitar ao grau de liberdade outorgado pela lei. Finalmente, devemos
lembrar que, mesmo nos atos discricionários, existirão elementos que sempre
serão vinculados, são eles a competência, a finalidade e a forma.
Gabarito: alternativa B.

63. (FGV – Advogado/Fundação Pro Sangue/2013) Dentre as prerrogativas da


administração pública encontram!se os poderes administrativos. Assinale a alternativa
que indica um exemplo de exercício do poder disciplinar.
a) Aplicação de multa a uma empresa concessionária de serviço público decorrente
do contrato.
b) Aplicação de multa a um motorista que avança o sinal.
c) Aplicação de multa, em inspeção da ANVISA, a uma farmácia.
d) Proibição de funcionamento de estabelecimento de shows devido a não satisfação
de condições de segurança.
e) Aplicação de multa por violação da legislação ambiental por particular sem vínculo
com a administração.

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Comentário: podemos definir como poder disciplinar o poder-dever de punir, no


âmbito da Administração Pública, as infrações funcionais dos servidores e
demais pessoas sujeitas à disciplina dos órgãos e serviços da Administração.
Assim, o poder disciplinar se aplica somente aos servidores públicos ou aos
particulares que estejam ligados por algum vínculo jurídico específico à
Administração, como uma empresa particular que tenha firmado algum contrato
administrativo.
Por outro lado, esse poder punitivo, quando inserido na esfera privada, é
denominado poder de polícia. A ele cabe a aplicação de restrições ou
condicionamentos nas atividades privadas, sendo o vínculo entre a
Administração e o particular geral, ou seja, o mesmo que ocorre com toda a
coletividade.
Com essa breve explanação, já podemos dizer que nossa alternativa correta é a
letra A, pois a multa decorrente de um contrato com a Administração (no caso
um contrato de concessão de serviço público) é aplicada com base no poder
disciplinar, uma vez que há vínculo jurídico específico com a Administração
Pública.
O erro da alternativa B é que discorre sobre punição coletiva, ou seja, tem o
mesmo efeito para qualquer particular que infringir o imposto. Já a alternativa
C, diz respeito a uma atividade privada, logo é pertencente ao poder de polícia.
Da mesma forma, a alternativa D se enquadra na atividade de poder de polícia,
pois como vimos na questão anterior é ele quem regula a prática de ato ou
abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança. Por
fim, a alternativa E é considerada errada porque não existindo vínculo entre a
Administração e o particular não é passível o uso de poder disciplinar.
Gabarito: alternativa A.

64. (FGV – Analista Judiciário/TJ AM/2013) A administração pública, ao


desempenhar suas atribuições com a finalidade de atender ao interesse público, pode
usar o poder hierárquico e o poder de polícia. Em relação a esses poderes, analise as
afirmativas a seguir.
I. O Poder Hierárquico tem incidência sobre os agentes que se encontram dentro na
Administração Pública em relação de subordinação dentro da mesma pessoa
jurídica.
II. o Poder de Polícia incide de forma geral sobre toda a coletividade.
III. o Poder Hierárquico será aplicado na relação entre uma autarquia e o ente
criador.

Assinale:
a) se somente as afirmativas I e II estão corretas.

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b) se somente as afirmativas I e III estão corretas.


c) se somente as afirmativas II e III estão corretas.
d) se somente a afirmativa III estiver correta.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
Comentário:
I. O Poder Hierárquico tem incidência sobre os agentes que se encontram dentro na
Administração Pública em relação de subordinação dentro da mesma pessoa jurídica.
Quando falamos de hierarquia em uma questão anterior, vimos que é a relação
de subordinação existente entre os vários órgãos e agentes administrativos,
com a distribuição de funções e a gradação de autoridade de cada um. Com
efeito, essa hierarquia só ocorre dentro da mesma pessoa jurídica. Dessa forma,
o item está correto.
Lembramos, contudo, que não há hierarquia entre a administração direta e
indireta, nem entre os Poderes e nem entre a Administração e seus
administrados. Também não se fala em poder hierárquico nos Poderes
Legislativo e Judiciário quando no exercício de suas respectivas funções típicas
– CORRETO;

II. o Poder de Polícia incide de forma geral sobre toda a coletividade.


O poder de polícia tem como finalidade a proteção do interesse público e possui
um vínculo geral entre a Administração e o particular, ou seja, é o mesmo que
ocorre com toda a coletividade – CORRETO;

III. o Poder Hierárquico será aplicado na relação entre uma autarquia e o ente criador.
Acabamos de ver que não existe relação de hierarquia entre a administração
direta e indireta. No caso de uma autarquia, falamos de uma pessoa jurídica,
integrante da administração indireta, que representa uma extensão da
administração direta. Assim, não existe hierarquia, mas sim um vínculo entre a
entidade e seu ente criador – ERRADO.
Gabarito: alternativa A.

65. (FGV – Técnico de Gestão Administrativa Legislativo/AL MA/2013) Os


poderes administrativos nascem com a administração pública e se apresentam
diversificados segundo as exigências do serviço público. O poder que é concedido à
administração pública, de modo implícito ou explícito para a prática de atos
administrativos, com liberdade na escolha de sua conveniência, oportunidade e
conteúdo, é denominado
a) poder vinculado.
b) poder hierárquico.

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c) poder disciplinar.
d) poder regulamentar.
e) poder discricionário.
Comentário: sempre que virmos uma questão destacando a possibilidade de
escolha para a prática de atos administrativos, estaremos tratando de algo
discricionário. Dessa forma, o poder dado à Administração de optar, segundo
conveniência e oportunidade, pela decisão a ser tomada é o poder discricionário
(alternativa E).
Vejamos uma breve descrição dos demais:
® Poder vinculado: o inverso do poder discricionário. Esse poder utiliza o
que está disposto na lei, não deixando “espaço” para a apreciação pelo
agente público, que deve seguir o que foi estipulado previamente;
® Poder hierárquico: destaca a subordinação existente entre os vários
órgãos e agentes administrativos – de uma mesma pessoa jurídica –, com
a distribuição de funções e a gradação de autoridade de cada um;
® Poder disciplinar: reflete o poder-dever de punir internamente as infrações
funcionais dos servidores e demais pessoas sujeitas à disciplina dos
órgãos e serviços da Administração; e
® Poder regulamentar: corresponde à edição de decretos e regulamentos –
complementares – que se destinam à fiel execução das leis.
Gabarito: alternativa E.

66. (FGV – Analista Judiciário/TJ AM/2013) A autoridade competente pratica um


ato administrativo que ultrapassa os limites de suas atribuições ou se desvia de suas
finalidades administrativas. O fragmento indica
a) uso do poder.
b) abuso de poder.
c) exercício do poder vinculado.
d) exercício do poder hierárquico.
e) exercício do poder de polícia.
Comentário: o abuso de poder é o fenômeno que se verifica sempre que uma
autoridade ou um agente público pratica um ato, ultrapassando os limites de
suas atribuições ou competências, ou se desvia das finalidades administrativas
definidas pela lei. Portanto, o abuso de poder é o gênero que se divide em: (a)
excesso de poder – quando a autoridade ou o agente ultrapassa os limites de
suas competências; (b) excesso de poder – quando a autoridade ou o agente se
desvia das finalidades administrativas, mantendo conduta contrária à finalidade
geral (interesse público, finalidade mediata) ou à finalidade específica

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(imediata). Dessa forma, podemos perceber que a questão descreveu o conceito


de abuso de poder (alternativa B).
Vejamos agora as demais alternativas:
a) o uso do poder diz respeito às prerrogativas utilizadas pelos órgãos e agentes
públicos no cumprimento de seus deveres funcionais. Isso quer dizer que os
poderes públicos devem ser utilizados para a realização do fim público que
justificou a competência atribuída ao agente, ou seja, todo poder se vincula ao
fim público;
c) o exercício do poder vinculado se dá quando o agente público age conforme
o que é determinado em lei, sem que haja possibilidade de escolha pelo agente;
d) o exercício do poder hierárquico ocorre quando a Administração mantém
relação de subordinação existente entre os vários órgãos e agentes
administrativos, com a distribuição de funções e a gradação de autoridade de
cada um;
e) o exercício do poder de polícia é a faculdade de que dispõe a Administração
Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades, e direitos
individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado.
Gabarito: alternativa B.

67. (FGV - AJ I/TJ AM/2013) Em regra, o poder regulamentar deve ser exercido
pelo chefe do Executivo, tendo como base de sustentação uma lei prévia. No entanto,
a Constituição da República permite que o Presidente da República faça uso do
chamado decreto autônomo, que é editado sem fundamento em uma lei anterior.
Assinale a alternativa que apresenta o caso em que esse decreto poderá ser utilizado
sem que se configure uma ofensa à separação de poderes.
a) Na criação de cargos públicos.
b) Na criação de órgãos públicos.
c) Na extinção de órgãos e cargos públicos vagos.
d) Na extinção de cargos públicos vagos.
e) Na alteração da organização da administração pública, ainda que haja aumento de
despesas e desde que não haja a extinção ou criação de órgãos.
Comentário: a Emenda Constitucional 32/2001 realizou importantes
modificações nas competências do chefe do Poder Executivo. A partir da
promulgação dessa Emenda, o nosso ordenamento jurídico os chamados
decretos autônomos, que são decretos que não se destinam a regulamentar
determinada lei. Os decretos autônomos tratam de matérias não disciplinadas
em lei, inserindo-se nas restritas hipóteses do art. 84, VI, da CF:
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da Repœblica: [...]
VI Ð dispor, mediante decreto, sobre:

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a) organiza•‹o e funcionamento da administra•‹o federal, quando n‹o


implicar aumento de despesa nem cria•‹o ou extin•‹o de —rg‹os pœblicos;
b) extin•‹o de fun•›es ou cargos pœblicos, quando vagos;
É importante notar que os casos são bem limitados. Na alínea “a”, a expedição
do decreto autônomo só pode ocorrer quando, simultaneamente: (a) não
implicar aumento de despesa; e (b) não criar nem extinguir órgãos públicos.
Dessa forma, a criação ou extinção de órgãos públicos depende, ainda, de lei.
Da mesma forma, as alterações sobre a organização e o funcionamento, caso
impliquem em aumento de despesas, também dependerão de lei.
Após essas observações, é fácil perceber que a opção correta é a alternativa D,
pois é possível editar decreto autônomo para extinguir funções ou cargos
públicos, quando vagos.
Gabarito: alternativa D.

68. (FGV – Analista Judiciário Of. Justiça/TJ AM/2013) A administração pública


para atender às suas finalidades faz uso de uma série de poderes. Com relação a
esses poderes, assinale a afirmativa correta.
a) Os atos de polícia gozam da característica da autoexecutoriedade.
b) O poder regulamentar em regra poderá ser exercido de forma autônoma em relação
às leis, prescindindo dessas, pois retira sua validade da própria Constituição.
c) O poder hierárquico tem como característica a possibilidade de transferir a
titularidade da competência para a prática de atos administrativos.
d) Os atos de polícia não podem sofrer controle judicial no que tange a sua legalidade
pois são atos discricionários.
e) O poder hierárquico e poder disciplinar sempre são compreendidos como
sinônimos.
Comentário: segundo Hely Lopes Meirelles, os atos de polícia possuem os
seguintes atributos: (a) discricionariedade; (b) autoexecutoriedade; e (c)
coercibilidade.
A discricionariedade se apresenta no momento da escolha do que se deve
fiscalizar e, no caso em concreto, na escolha de uma sanção ou medida dentre
diversas previstas em lei.
A autoexecutoriedade é a faculdade de a Administração decidir e executar
diretamente sua decisão por seus próprios meios, sem intervenção do
Judiciário, divide-se em exigibilidade e executoriedade. Pela exigibilidade a
Administração se utiliza de meios indiretos de coação, como a aplicação de
multas ou a impossibilidade de licenciar um veículo enquanto não pagas as
multas de trânsito. Por outro lado, pela executoriedade a Administração
compele materialmente o administrado, utilizando-se de meios diretos de

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coação – por exemplo, dissolução de uma reunião, apreensão de mercadorias,


interdição de uma fábrica.
Por fim, a coercibilidade é a característica que torna o ato obrigatório
independentemente da vontade do administrado. Segundo alguns autores, a
coercibilidade nada mais é que a autoexecutoriedade.
Assim, podemos perceber que a opção A está correta, pois os atos de polícia
gozam do atributo da autoexecutoriedade.
Vejamos o erro das demais alternativas.
b) o poder regulamentar é o poder conferido ao chefe do Poder Executivo
(presidente, governadores e prefeitos), para a edição de normas
complementares à lei, permitindo a sua fiel execução. Logo, ele não se exerce,
em regra, de forma autônoma em relação às leis. Vale dizer, o poder
regulamentar ocorre dentro dos limites legais – ERRADO.
c) pelo poder hierárquico permite-se a delegação de competência para o
exercício de determinados atos. Porém, a titularidade é indelegável. Por esse
motivo, a autoridade administrativa poderá revogar o ato de delegação a
qualquer momento – ERRADO;
d) todos os atos administrativos se sujeitam ao controle judicial, inclusive os
atos de polícia. Devemos lembrar, também, que os atos discricionários também
podem ser objeto de controle pelo Poder Judiciário. A única coisa que não se
admite é que aquele Poder adentro no mérito da decisão. Com efeito, os atos de
restrição do direito dos administrados sempre podem ser objeto de controle
quanto à proporcionalidade e razoabilidade. Portanto, o item está ERRADO;
e) o poder hierárquico é aquele que ocorre dentro da estrutura hierárquica da
administração, permitindo a distribuição e o escalonamento das funções dos
órgãos. Esse poder tem por objetivo dar ordens, rever atos, avocar atribuições,
delegar competências e fiscalizar a atuação administrativa. Por outro lado, o
poder disciplinar é o poder-dever de punir internamente as infrações funcionais
dos servidores e demais pessoas sujeitas à disciplina dos órgãos e serviços da
Administração. Logo, esses dois tipos de poderes não são sinônimos –
ERRADO.
Gabarito: alternativa A.

69. (FGV – Analista Técnico Administrativo/SUDENE PE/2013) Dentre os


poderes inerentes à administração pública encontra se o poder regulamentar. Com
relação a esse poder, analise as afirmativas a seguir.
I. O poder regulamentar sofre controle por parte do poder legislativo.
II. O poder regulamentar sofre controle judicial.
III. A Constituição Federal veda completamente a figura do Decreto Autônomo.

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Assinale:
a) se apenas afirmativa I estiver correta.
b) se apenas a afirmativa II estiver correta.
c) se apenas a afirmativa III estiver correta.
d) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.
Comentário: é competência do Congresso Nacional sustar os atos normativos
do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar (CF, art. 49, V),
vejamos:
Art. 49. ƒ da compet•ncia exclusiva do Congresso Nacional:
[...]
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder
regulamentar ou dos limites de delega•‹o legislativa;
Além disso, os atos normativos editados em decorrência do poder regulamentar
podem ser objeto de controle do Poder Judiciário. Sobre essa última forma de
controle, é possível ao Poder Judiciário fazer o controle de legalidade, ou seja,
quando se confronta o ato regulamentar com a lei regulamentada.
Ademais, também é possível que o ato ofenda diretamente a Constituição, o que
permitirá o controle direto de constitucionalidade (Ação Direta de
Inconstitucionalidade). Segundo Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, existem
dois requisitos para um ato regulamentar poder ser objeto de controle judicial
de constitucionalidade pela via direta (ADI):
a) é indispensável que ele tenha efetivamente caráter normativo, isto é, seja
dotado de “normatividade”, de generalidade e abstração; e
b) é necessário que ele tenha caráter autônomo, vale dizer, o ato deve
conflitar diretamente a Constituição da República (o conflito não pode
ocorrer entre o ato e uma lei que ele regulamente).
Dessa forma, podemos perceber que os itens I e II estão corretos, uma vez que
é possível que o poder regulamentar sofra controle dos Poderes Legislativo e
Judiciário.
Por fim, o item III está errado, pois a Constituição da República admite o decreto
autônomo, conforme art. 84, VI, “a” e “b”.
Portanto, o gabarito é opção E (itens I e II corretos).
Gabarito: alternativa E.

ƒ isso! Em nossa pr—xima aula, vamos estudar as licita•›es pœblicas.

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Bons estudos e atŽ breve.
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QUESTÕES COMENTADAS NA AULA

1. (Cespe – ATA/SUFRAMA/2014) O poder discricionário confere ao administrador,


em determinadas situações, a prerrogativa de valorar determinada conduta em um
juízo de conveniência e oportunidade que se limita até a prática do ato, tendo em vista
a impossibilidade de revogá-lo após a produção de seus efeitos por ofensa ao princípio
da legalidade e do direito adquirido de terceiros de boa-fé.
2. (Cespe – AJ/CNJ/2013) O exercício do poder discricionário pode concretizar-se
tanto no momento em que o ato é praticado, bem como posteriormente, como no
momento em que a administração decide por sua revogação.
3. (Cespe - ATA/MIN/2013) A fixação do prazo de validade e a prorrogação de um
concurso público não se inserem no âmbito do poder discricionário da administração.
4. (Cespe – Administrador/Suframa/2014) No âmbito do Poder Executivo, a
prerrogativa de apurar as infrações e impor sanções aos próprios servidores,
independentemente de decisão judicial, decorre diretamente do poder hierárquico,
segundo o qual determinado servidor pode ser demitido pela autoridade competente
após o regular processo administrativo disciplinar, por irregularidades cometidas no
exercício do cargo.
5. (Cespe – Agente Administrativo/Suframa/2014) O poder hierárquico confere
aos agentes superiores o poder para avocar e delegar competências.
6. (Cespe - Procurador/PGE-BA/2014) Ao secretário estadual de finanças é
permitido delegar, por razões técnicas e econômicas e com fundamento no seu poder
hierárquico, parte de sua competência a presidente de empresa pública, desde que o
faça por meio de portaria.
7. (Cespe - Juiz/TJDFT/2014) Ao ato jurídico de atração, por parte de autoridade
pública, de competência atribuída a agente hierarquicamente inferior dá-se o nome de

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a) deliberação.
b) delegação.
c) avocação.
d) subsunção.
e) incorporação.
8. (Cespe – AJ/CNJ/2013) É possível que o agente administrativo avoque para a
sua esfera decisória a prática de ato de competência natural de outro agente de
mesma hierarquia, para evitar a ocorrência de decisões eventualmente contraditórias.
9. (Cespe- ATA/MIN/2013) Considere que um servidor público, após regular
processo administrativo disciplinar, seja suspenso por decisão da autoridade
competente, por praticar irregularidades no exercício do cargo. Nessa situação, a
imposição pela administração pública da sanção ao servidor, independentemente de
decisão judicial, decorre do poder hierárquico.
10. (Cespe - Escrivão/PC BA/2013) A relação de subordinação administrativa
decorre do poder hierárquico, segundo o qual o superior deve rever os atos do
subordinado, anulando-os quando ilegais ou revogando-os, por meio de ofício ou de
recurso hierárquico, quando inconvenientes ou inoportunos.
11. (Cespe - ATA/MJ/2013) Decorre da hierarquia administrativa o poder de dar
ordens aos subordinados, que implica o dever de obediência aos superiores, mesmo
para ordens consideradas manifestamente ilegais.
12. (Cespe - Procurador/PGDF/2013) Se, fundamentado em razões técnicas, um
secretário estadual delegar parte de sua competência relacionada à gestão e à
execução de determinado programa social para entidade autárquica integrante da
administração pública estadual, tal procedimento caracterizará exemplo de exercício
do poder hierárquico mediante o instituto da descentralização.
13. (Cespe – Agente Administrativo/PRF/2012) No âmbito interno da administração
direta do Poder Executivo, há manifestação do poder hierárquico entre órgãos e
agentes.
14. (Cespe – Nível Intermediário/MPOG/2009) O poder hierárquico da
administração pública pode ser corretamente exemplificado na hipótese em que o
ministro de Estado de Planejamento, Orçamento e Gestão, no âmbito de suas
competências constitucionais e legais, aplica punição a servidor público federal com
relação a conduta administrativa específica, previamente estipulada pela legislação
de regência da disciplina funcional dessa categoria.
15. (Cespe - Oficial/PM-CE/2014) O poder disciplinar fundamenta tanto a aplicação
de sanções às pessoas que tenham vínculo com a administração, caso dos servidores

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públicos, como às que, não estando sujeitas à disciplina interna da administração,


cometam infrações que atentem contra o interesse coletivo.
16. (Cespe – Agente Administrativo/DPRF/2014) O poder para a instauração de
processo administrativo disciplinar e aplicação da respectiva penalidade decorre do
poder de polícia da administração.
17. (Cespe – Analista Judiciário/TJDFT/2013) A atribuição conferida a autoridades
administrativas com o objetivo de apurar e punir faltas funcionais, ou seja, condutas
contrárias à realização normal das atividades do órgão e irregularidades de diversos
tipos traduz-se, especificamente, no chamado poder hierárquico.
18. (Cespe - ATA/MJ/2013) O poder administrativo disciplinar consiste na
possibilidade de a administração pública aplicar punições aos agentes públicos e aos
particulares em geral que cometam infrações.
19. (Cespe - Administrador/MJ/2013) Considerando-se que o poder administrativo
disciplinar é discricionário, a administração tem a liberdade de escolha entre punir e
não punir a suposta infração cometida por servidor púbico.
20. (Cespe – Analista/Seger-ES/2013) Considere que, após o regular procedimento
administrativo específico, um servidor público, tenha sido suspenso por ter praticado
atos irregulares no exercício do cargo. A sanção a ele imposta decorreu diretamente
da prerrogativa da administração pública de exercer o poder
a) regulamentar.
b) vinculado.
c) hierárquico.
d) disciplinar.
e) discricionário.
21. (Cespe – Analista Judiciário/TJ-AL/2012) Assinale a opção correta com relação
aos poderes hierárquico e disciplinar e suas manifestações.
a) As delegações administrativas emanam do poder hierárquico, não podendo, por
isso, ser recusadas pelo subordinado, que pode, contudo, subdelegá-las livremente a
seu próprio subordinado.
b) Toda punição disciplinar por delito funcional acarreta condenação criminal.
c) No âmbito do Poder Legislativo, o poder hierárquico manifesta-se mediante a
distribuição de competências entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
d) O poder disciplinar da administração pública autoriza-lhe a apurar infrações e a
aplicar penalidades aos servidores públicos e demais pessoas sujeitas à disciplina
administrativa, assim como aos invasores de terras públicas.

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e) A aplicação de pena disciplinar tem, para o superior hierárquico, o caráter de um


poder-dever, uma vez que a condescendência na punição é considerada crime contra
a administração pública.
22. (Cespe – Agente Administrativo/PRF/2012) Suponha que um particular
vinculado à administração pública por meio de um contrato descumpra as obrigações
contratuais que assumiu. Nesse caso, a administração pode, no exercício do poder
disciplinar, punir o particular.
23. (Cespe – Agente Administrativo/DPRF/2012) Ao aplicar penalidade a servidor
público, em processo administrativo, o Estado exerce seu poder regulamentar.
24. (Cespe - Inspetor/PC-CE/2012) O ato de aplicação de penalidade administrativa
deve ser sempre motivado.
25. (Cespe – Técnico/IBAMA/2012) Mesmo estando no exercício do poder
disciplinar, a autoridade competente não pode impor penalidade administrativa ao
agente público sem o devido processo administrativo.
26. (Cespe – Agente Administrativo/Suframa/2014) Poder regulamentar é o poder
que a administração possui de editar leis, medidas provisórias, decretos e demais atos
normativos para disciplinar a atividade dos particulares.
27. (Cespe - Procurador/TC-DF/2013) Segundo jurisprudência do STJ, no direito
brasileiro admite-se o regulamento autônomo, de modo que podem os chefes de
Poder Executivo expedir decretos autônomos sobre matérias de sua competência
ainda não disciplinadas por lei.
28. (Cespe – Técnico Judiciário/TRT 10/2013) Toda lei, para sua execução,
depende de regulamentação, que consiste em um ato administrativo geral e normativo
expedido pelo chefe do Poder Executivo.
29. (Cespe – AJ/TRT-10/2013) Encontra-se dentro do poder regulamentar do
presidente da República a edição de decreto autônomo para a criação de autarquia
prestadora de serviço público.
30. (Cespe – Escrivão/PC-BA/2013) Em razão do poder regulamentar da
administração pública, é possível estabelecer normas relativas ao cumprimento de leis
e criar direitos, obrigações, proibições e medidas punitivas.
31. (Cespe - AUFC/AGO/TCU/2013) Se, ao editar um decreto de natureza
regulamentar, a Presidência da República invadir a esfera de competência do Poder
Legislativo, este poderá sustar o decreto presidencial sob a justificativa de que o
decreto extrapolou os limites do poder de regulamentação.

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32. (Cespe - Escrivão/PC BA/2013) Por ser ato geral e abstrato, a expedição do
regimento interno de determinado órgão público, cuja finalidade é a regularização da
funcionalidade do órgão, decorre do poder hierárquico.
33. (Cespe – Agente Administrativo/Suframa/2014) Em decorrência do poder de
polícia, a administração pode condicionar ou restringir os direitos de terceiros, em prol
do interesse da coletividade.
34. (Cespe - Procurador/PGE-BA/2014) Constitui exemplo de poder de polícia a
interdição de restaurante pela autoridade administrativa de vigilância sanitária.
35. (Cespe – Analista Judiciário/CNJ/2013) O objeto do poder de polícia
administrativa é todo bem, direito ou atividade individual que possa afetar a
coletividade ou pôr em risco a segurança nacional.
36. (Cespe – Analista Judiciário/TJDFT/2013) No que se refere ao exercício do
poder de polícia, denomina-se exigibilidade a prerrogativa da administração de
praticar atos e colocá-los em imediata execução, sem depender de prévia
manifestação judicial.
37. (Cespe - AUFC/TCU/AGO/2013) As licenças são atos vinculados por meio dos
quais a administração pública, no exercício do poder de polícia, confere ao
interessado consentimento para o desempenho de certa atividade que só pode ser
exercida de forma legítima mediante tal consentimento.
38. (Cespe - TJDFT/2013) Considere que determinado agente público detentor de
competência para aplicar a penalidade de suspensão resolva impor, sem ter atribuição
para tanto, a penalidade de demissão, por entender que o fato praticado se encaixaria
em uma das hipóteses de demissão. Nesse caso, a conduta do agente caracterizará
abuso de poder, na modalidade denominada excesso de poder.
39. (FGV – Procurador/ALERJ/2017) A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de
Janeiro recebeu dezenas de reclamações de consumidores a respeito da
precariedade no serviço público de fornecimento de energia elétrica em determinado
bairro da Zona Oeste, consistente em constantes interrupções e quedas de energia.
Tais denúncias foram encaminhadas ao PROCON Estadual que, após processo
administrativo, aplicou multa à concessionária do serviço público. Em tema de poderes
da Administração Pública, de acordo com a doutrina e a jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça, a providência adotada pelo PROCON está:
a) errada, eis que a sanção de multa decorre do poder normativo do órgão superior
do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e da ANEEL;
b) errada, eis que a sanção de multa decorre do poder regulamentar da ANEEL em
relação à transgressão dos preceitos do Código de Defesa do Consumidor;
c) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder de polícia do órgão que integra
o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor;

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d) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder hierárquico do órgão que
integra o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor;
e) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder disciplinar do PROCON em
relação à transgressão dos preceitos do Código de Defesa do Consumidor.
40. (FGV – Advogado/COMPESA/2016) Sobre o tema do poder de polícia, analise
as afirmativas a seguir.
I. A polícia administrativa tem caráter predominantemente preventivo, enquanto a
polícia judiciária tem caráter predominantemente repressivo.
II. O poder de polícia é indelegável, somente podendo ser exercido pela Administração
Pública direta.
IIII. O poder de polícia sempre será exercido em caráter vinculado, nos estritos termos
da lei que autoriza o seu exercício.
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
41. (FGV – Analista/IBGE/2016) Agentes municipais de combate às endemias
realizam, dentro da legalidade, vistorias em imóveis urbanos, com escopo de eliminar
focos dos mosquitos Aedes aegypti que transmitem doenças como dengue, zika e
chikungunya. Em matéria de poderes administrativos, a prerrogativa de direito público
que flexibiliza o uso e o gozo da propriedade privada em favor do interesse da
coletividade, permitindo a diligência em tela é chamada de poder:
a) regulamentar;
b) sancionador;
c) disciplinar;
d) de polícia;
e) de hierarquia.
42. (FGV – Analista/IBGE/2016) Em tema de poderes administrativos, o vínculo que
coordena e subordina uns aos outros os órgãos da Administração Pública, graduando
a autoridade de cada um, decorre do chamado pela doutrina de poder:
a) vinculado;
b) normativo;
c) hierárquico;
d) disciplinar;
e) regulamentar.
43. (FGV – Analista/TJ-PI/2015) Agentes do órgão estadual ambiental, no exercício
de suas funções, realizaram diligência em posto distribuidor de combustível e
constataram diversas irregularidades, como ausência de licença ambiental e
ocorrência de danos ambientais consistentes em contaminação do solo. Após regular
tramitação de processo administrativo, foram aplicadas sanções legais de natureza

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administrativa ao infrator, como multa e interdição. No caso em tela, a atuação do


órgão estadual ambiental foi baseada no chamado pela doutrina de poder
administrativo:
a) discricionário;
b) sancionatório;
c) de polícia;
d) disciplinar;
e) de hierarquia.
44. (FGV – Analista/TJ-PI/2015) Em tema de poderes administrativos, são hipóteses
de regular emprego do poder de polícia quando o agente público competente
determina, observadas as formalidades legais, com a finalidade de coagir o infrator a
cumprir a lei, a:
a) demissão de servidor público estável ocupante de cargo efetivo, após processo
administrativo disciplinar, pela prática de falta funcional;
b) edição de um decreto, contendo atos normativos que regulamentem determinada
lei sobre a imposição de penalidades administrativas;
c) interdição de atividade privada irregular, a apreensão de mercadorias deterioradas
ou a demolição de construção ilegal com risco iminente de desabamento;
d) instauração de sindicância sumária para apurar o desaparecimento de armas de
fogo e munições de dentro do departamento da Secretaria de Segurança Pública;
e) remoção de agente da Defesa Civil da área operacional para área administrativa,
diante de sua baixa produtividade evidenciada em relatório de atividades funcionais.
45. (FGV – Agente/Pref. de Niterói-RJ/2015) Em tema de poderes administrativos,
é exemplo de regular emprego do chamado poder de polícia quando:
a) o Secretário Municipal de Segurança Pública escolhe quais agentes públicos serão
escalados para participar de determinada diligência em área de risco;
b) a autoridade municipal competente determina ao particular, observados os ditames
legais, a demolição de obra irregular que apresenta risco iminente de desabamento;
c) a autoridade municipal competente, após regular processo administrativo
disciplinar, condena servidor público à pena disciplinar de suspensão, por falta
funcional;
d) o Prefeito sanciona uma lei aprovada pela Câmara municipal dispondo sobre
política municipal de prevenção de crimes contra o patrimônio público local;
e) o Prefeito nomeia, com autorização do Governador do Estado, Bombeiro Militar
para exercer o cargo de Secretário Municipal de Defesa Civil.
46. (FGV – Técnico/PGE-RO/2015) Em matéria de poderes administrativos, de
acordo com a doutrina de Direito Administrativo, é exemplo de emprego do poder
regulamentar a hipótese de o Governador do Estado:
a) instaurar processo administrativo disciplinar para apurar falta funcional de servidor
público que lhe é diretamente subordinado;
b) editar um decreto, contendo normas genéricas e abstratas para complementar
determinada lei e permitir a sua efetiva aplicação;

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c) determinar a realização de vistoria na sede de sociedade empresária para apurar a


ocorrência de dano ambiental;
d) realizar mudança na titularidade das secretarias estaduais, nomeando nova equipe
de governo tecnicamente mais qualificada;
e) delegar a prestação de determinado serviço público à sociedade empresária
vencedora da respectiva licitação.
47. (FGV – Contador/Pref. de Niterói-RJ/2015) Dos princípios que estão na base de
toda função administrativa do Estado decorrem os chamados poderes administrativos
que viabilizam às autoridades públicas fazer sobrepor a vontade da lei à vontade
individual, o interesse público ao interesse privado. Com base na doutrina de Direito
Administrativo, dentre os poderes administrativos, destaca-se:
a) o discricionário, que autoriza o Poder Executivo a editar atos gerais de forma
abstrata para complementar as leis e permitir a sua efetiva aplicação visando ao
interesse público;
b) o regulamentar, que é a prerrogativa concedida aos agentes administrativos de
elegerem, entre várias condutas possíveis, a que traduz maior conveniência e
oportunidade para o interesse público;
c) o hierárquico, que concede à Administração Pública o dever-poder de apurar
infrações e aplicar penalidades aos servidores públicos e demais pessoas sujeitas à
disciplina administrativa;
d) o de disciplina, que permite ao Poder Executivo elaborar regras gerais, por meio de
decretos, para reger a vida em sociedade, no regular exercício da chamada função
atípica legiferante;
e) o de polícia, que é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza a
Administração Pública a restringir o uso e o gozo da liberdade e da propriedade em
favor do interesse da coletividade.
48. (FGV – Técnico/Pref. de Cuiabá-MT/2015) Assinale a afirmativa correta.
a) A eficiência significa que a atuação da Administração será pautada por presteza,
exigindo resultados positivos, ainda que não reduza os desperdícios de dinheiro
público e não seja célere.
b) O princípio da proporcionalidade assegura a todos o direito de receber dos órgãos
públicos informações de seu interesse particular ou de interesse coletivo, com
exceção das situações resguardadas por sigilo.
c) A Administração Pública não pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.
d) O Poder de Polícia autoriza a Administração Pública a restringir o uso e o gozo da
liberdade e da propriedade em favor da coletividade.
e) A atuação do agente fora dos limites da sua competência não configura excesso
de poder.
49. (FGV – Guarda Municipal/Pref. de Paulínia-SP/2015) Quando um Guarda
Municipal exerce suas funções com o uso da prerrogativa de direito público que, com
base na lei, autoriza a Administração Pública a restringir o uso e o gozo da liberdade

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e da propriedade individual em favor do interesse da coletividade, o agente está


empregando o poder de:
a) disciplina;
b) polícia;
c) regulação;
d) disponibilidade;
e) sanção.
50. (FGV – Guarda Municipal/Pref. de Paulínia-SP/2015) Poderes administrativos
são o conjunto de prerrogativas que o ordenamento jurídico confere aos agentes
administrativos com a finalidade de permitir que o Estado alcance seus objetivos para
atender ao bem comum. É hipótese de emprego do poder disciplinar a
a) aplicação de uma multa por agente público municipal ao particular que cortou árvore
em área de preservação ambiental permanente;
b) interdição de um supermercado que vendia produtos impróprios ao consumo pela
equipe de fiscalização sanitária municipal;
c) fiscalização do trânsito de veículos automotores por agentes municipais com o
objetivo de manter a regularidade do tráfego nas vias municipais;
d) edição de um decreto pelo Prefeito contendo normas genéricas e abstratas para
complementar determinada lei municipal e permitir a sua efetiva aplicação;
e) demissão de um agente público municipal, após processo administrativo disciplinar
em que foram assegurados o contraditório e a ampla defesa, pela prática de infração
funcional.
51. (FGV – Direito/TCM-SP/2015) Sociedade empresária do ramo de salão de beleza
requereu ao Município de São Paulo licença de funcionamento. O pedido foi indeferido
porque, de fato, o local escolhido para sua instalação não comportava tal atividade,
de acordo com a Lei Municipal nº 13.885/2004 (Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação
do Solo), que estabelece, entre outras, as diretrizes para instalação e funcionamento
de estabelecimentos comerciais nas diversas zonas urbanas, fixadas nos termos do
Plano Diretor. Mesmo com o indeferimento, a sociedade empresária se instalou no
local e iniciou suas atividades. Após diligência dos fiscais municipais, o Município
lavrou auto de infração e interditou o salão. Inconformado, o particular impetrou
mandado de segurança requerendo a desinterdição e a obtenção da licença. No caso
em tela, a sociedade empresária:
a) tem razão, porque, ao legislar sobre uso do solo, o Município não poderia impedir
a livre iniciativa de empresários que geram empregos e aumentam a arrecadação
tributária, além de que os fiscais agiram com abuso de poder, eis que não
apresentaram mandado judicial para realizar a fiscalização;
b) tem parcial razão, cabendo apenas a desinterdição, porque, pelo princípio da
inafastabilidade do controle jurisdicional, somente o Judiciário poderia determinar a
interdição, observados o contraditório e ampla defesa;

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c) não tem razão, porque o Município agiu no regular emprego de seu poder disciplinar
e sancionador, que lhe permite fiscalizar e limitar atividades privadas, de acordo com
a legislação, em prol do interesse público;
d) não tem razão, porque o Município agiu no regular emprego de seu poder
regulamentar, que lhe permite, caso a caso, condicionar, restringir e paralisar
atividades particulares em favor dos interesses da coletividade, quando verificar que
as posturas municipais não estão sendo obedecidas;
e) não tem razão, porque o Município agiu no regular emprego de seu poder de polícia,
cabendo ao Judiciário tão somente apreciar se houve algum vício de legalidade na
conduta do Município, o que inocorreu na hipótese.
52. (FGV – Analista/Câm. Mun. de Caruaru-PE/2015) A respeito da polícia
administrativa, analise as afirmativas a seguir.
I. Fiscaliza as condições dos alimentos para consumo.
II. Investiga a prática de crime, com inspeção e perícia em determinados locais.
III. Fiscaliza locais proibidos para menores.
Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta.
b) se somente a afirmativa II estiver correta.
c) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
d) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
53. (FGV – Analista/Câm. Mun. de Caruaru-PE/2015) A Administração Pública
escalona, em plano vertical, seus órgãos e agentes com o objetivo de organizar a
função administrativa, por meio do poder
a) disciplinar.
b) de polícia.
c) regulamentar.
d) hierárquico.
e) vinculado.
54. (FGV – Técnico/SSP-AM/2015) Hipótese 1: Governador do Amazonas editou
decreto contendo atos gerais para complementar determinada lei estadual e permitir
a sua efetiva aplicação. Hipótese 2: Agentes da equipe de fiscalização de postura
municipal de Manaus interditaram um mercado que funcionava sem alvará e
apreenderam mercadorias impróprias para o consumo. Nos casos apresentados, as
providências administrativas adotadas pelos agentes públicos foram calcadas,
respectivamente, nos poderes:
a) hierárquico e punitivo;
b) legislativo e disciplinar;
c) hierárquico e disciplinar;
d) legislativo e de fiscalização;
e) regulamentar e de polícia.

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55. (FGV – Odontólogo/TJ-SC/2015) Os agentes administrativos gozam de uma


série de prerrogativas de direito público que permitem ao Estado alcançar os fins a
que se destina. Nesse contexto de poderes administrativos, é correto afirmar que o
poder:
a) discricionário possibilita ao administrador adotar qualquer postura com base em seu
interesse particular, desde que alegue atender à finalidade pública;
b) regulamentar está relacionado à prerrogativa da Administração de editar atos gerais
para complementar as leis e permitir a sua efetiva aplicação;
c) de polícia é exclusivamente exercido pelas forças de segurança pública, tais como
as polícias militar e civil na esfera estadual;
d) soberano é titularizado temporariamente pelo Chefe do Poder Executivo, enquanto
estiver no efetivo exercício do mandato eletivo;
e) jurisdicional é exercido pelo Chefe do Poder Executivo, nos casos que envolvam
questões administrativas afetas à sua esfera de poder.
56. (FGV – Técnico/TJ-SC/2015) Em tema de poderes dos administradores públicos,
é hipótese de regular emprego do poder de polícia o seguinte caso concreto:
a) determinação, pelo poder público municipal, após processo administrativo, de
demolição de imóvel construído ilegalmente por particular em área pública;
b) lotação e remoção de inspetores da Polícia Civil, de acordo com critérios
discricionários relacionados aos índices de criminalidade por região;
c) aplicação, após regular processo administrativo disciplinar, da penalidade de
demissão a servidor público estadual que praticou crime contra a administração
pública;
d) fiscalização, lavratura de auto de infração e imposição de multa a estabelecimento
comercial, por autoridade incompetente;
e) interdição de empresa por alegação de poluição ambiental, ainda que realizada por
agente administrativo que agiu com desvio de poder, para atender a seus interesses
particulares.
57. (FGV – Analista/TJ-BA/2015) O Secretário Estadual de Educação determinou a
remoção ex officio de Mariana, professora de matemática de colégio estadual situado
em Salvador para um colégio do interior. Mariana conseguiu reunir provas de que o
ato administrativo que determinou sua remoção, em verdade, ocorreu por retaliação e
não para atender ao interesse público, já que são antigos desafetos pessoais. O ato
do Secretário de Educação:
a) não poderá ser invalidado, porque, em se tratando de ato discricionário, o agente
público tem liberdade na valoração de todos os elementos do ato administrativo;
b) não poderá ser invalidado, porque, em se tratando de ato vinculado, basta que o
agente público observe as formalidades legais para a sua prática e alegue que
atendeu ao interesse público;
c) poderá ser invalidado, porque, não obstante se tratar de ato discricionário, o agente
agiu com abuso de poder, por usurpação de função, com vício no elemento do ato
administrativo da forma;

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d) poderá ser invalidado, porque, não obstante se tratar de ato vinculado, o agente
agiu com abuso de poder, por excesso de poder, com vício no elemento do ato
administrativo da competência;
e) poderá ser invalidado, porque, não obstante se tratar de ato discricionário, o agente
agiu com abuso de poder, por desvio de poder, com vício no elemento do ato
administrativo da finalidade.
58. (FGV – Analista/TJ-BA/2015) Município e Estado, por meio de suas equipes
técnicas das áreas de defesa do consumidor e de meio ambiente, realizaram
fiscalização conjunta em determinado posto de combustível. As equipes verificaram a
existência de diversas irregularidades, como danos ambientais por contaminação do
solo, em razão de vazamento de óleo diesel, e danos ao consumidor por exposição à
venda de combustível adulterado. Observado o devido processo legal, foram
aplicadas as sanções administrativas cabíveis e comunicado o fato aos órgãos
competentes para as demais providências legais. O poder administrativo que
viabilizou a fiscalização em tela é o poder:
a) normativo;
b) disciplinar;
c) regulador;
d) sancionador;
e) de polícia.
59. (FGV – Fiscal de Posturas/Prefeitura de Niterói/2015) Determinado agente
público municipal, em fiscalização de rotina, pratica ato administrativo discricionário,
dentro de sua esfera de competência, mas afastando-se do interesse público, eis que
a real motivação do ato foi retaliar antigo desafeto. No caso em tela, de acordo com o
que ensina a doutrina de Direito Administrativo, o agente público agiu com:
a) regular emprego do poder discricionário, eis que o ato não precisa ser motivado e
a análise do mérito administrativo cabe apenas ao agente;
b) regular emprego do poder discricionário, eis que as formalidades legais para o
perfazimento do ato foram respeitadas;
c) abuso de poder, na modalidade excesso de poder, eis que atuou fora dos limites
de sua competência;
d) abuso de poder, na modalidade arbitrariedade de poder, eis que agiu além dos
limites de sua capacidade;
e) abuso de poder, na modalidade desvio de poder, eis que se afastou da finalidade
pública.
60. (FGV – Fiscal de Posturas/Prefeitura de Niterói/2015) Consoante ensina a
doutrina de Direito Administrativo, o poder administrativo que autoriza a atuação de
um Fiscal de Posturas municipal de, verificada violação a dispositivo do Código de
Posturas, lavrar um auto de infração com regular aplicação de multa e apreensão é o
poder:

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a) disciplinar, que é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza a


Administração Pública a aplicar penalidades disciplinares aos particulares que
infringirem a lei;
b) regulamentar, que é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza a
Administração Pública a regulamentar a vida em sociedade, fazendo valer os
dispositivos legais;
c) sancionatório, que é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza a
Administração Pública a aplicar sanções administrativas e disciplinares aos
particulares que causarem danos ao interesse público;
d) de polícia, que é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza a
Administração Pública a restringir o uso e o gozo da liberdade e da propriedade em
favor do interesse da coletividade;
e) de Estado, que é a prerrogativa de direito público que, limitando ou disciplinando
direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou a abstenção de fato, em
razão da supremacia do interesse privado.
61. (FGV – Técnico Judiciário/TJ-RO/2015) Poderes administrativos consistem no
conjunto de prerrogativas de direito público que a ordem jurídica confere aos agentes
administrativos para viabilizar a sobreposição do interesse público ao interesse
privado e permitir que o Estado alcance seus fins. Nesse sentido, é hipótese de poder
regulamentar quando um:
a) governador de Estado edita um decreto contendo atos gerais para complementar
determinada lei e permitir a sua efetiva aplicação;
b) guarda de trânsito, no exercício de suas funções, coordena o tráfego de veículos
para evitar engarrafamento em uma movimentada via pública;
c) fiscal de posturas realiza fiscalização nas instalações de um mercado e flagra uma
série de irregularidades que levam à sua interdição;
d) chefe de cartório, a pedido da parte interessada, emite uma certidão contendo
informações específicas sobre determinado processo;
e) agente do Procon, após regular processo administrativo, multa determinada
agência bancária, por ofensa reiterada aos direitos do consumidor.
62. (FGV – Administrador/Senado Federal/2008) No que concerne à
administração pública, não é correto afirmar que:
a) a finalidade do poder regulamentar é a de complementar as leis para o fim de
possibilitar a sua execução.
b) o poder discricionário propicia a prática de atos administrativos insuscetíveis de
controle pelo Poder Judiciário.
c) o poder de polícia retrata prerrogativa estatal que restringe e condiciona a liberdade
e a propriedade.
d) o Chefe do Poder Executivo expede decretos e regulamentos para exercer o poder
de regulamentação das leis.
e) nas atividades discricionárias o administrador público não está inteiramente livre
para decidir sobre qual a melhor opção a ser feita em relação aos objetivos da
Administração.

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63. (FGV – Advogado/Fundação Pro Sangue/2013) Dentre as prerrogativas da


administração pública encontram!se os poderes administrativos. Assinale a alternativa
que indica um exemplo de exercício do poder disciplinar.
a) Aplicação de multa a uma empresa concessionária de serviço público decorrente
do contrato.
b) Aplicação de multa a um motorista que avança o sinal.
c) Aplicação de multa, em inspeção da ANVISA, a uma farmácia.
d) Proibição de funcionamento de estabelecimento de shows devido a não satisfação
de condições de segurança.
e) Aplicação de multa por violação da legislação ambiental por particular sem vínculo
com a administração.
64. (FGV – Analista Judiciário/TJ AM/2013) A administração pública, ao
desempenhar suas atribuições com a finalidade de atender ao interesse público, pode
usar o poder hierárquico e o poder de polícia. Em relação a esses poderes, analise as
afirmativas a seguir.
I. O Poder Hierárquico tem incidência sobre os agentes que se encontram dentro na
Administração Pública em relação de subordinação dentro da mesma pessoa
jurídica.
II. o Poder de Polícia incide de forma geral sobre toda a coletividade.
III. o Poder Hierárquico será aplicado na relação entre uma autarquia e o ente
criador.

Assinale:
a) se somente as afirmativas I e II estão corretas.
b) se somente as afirmativas I e III estão corretas.
c) se somente as afirmativas II e III estão corretas.
d) se somente a afirmativa III estiver correta.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
65. (FGV – Técnico de Gestão Administrativa Legislativo/AL MA/2013) Os
poderes administrativos nascem com a administração pública e se apresentam
diversificados segundo as exigências do serviço público. O poder que é concedido à
administração pública, de modo implícito ou explícito para a prática de atos
administrativos, com liberdade na escolha de sua conveniência, oportunidade e
conteúdo, é denominado
a) poder vinculado.
b) poder hierárquico.
c) poder disciplinar.
d) poder regulamentar.
e) poder discricionário.

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66. (FGV – Analista Judiciário/TJ AM/2013) A autoridade competente pratica um


ato administrativo que ultrapassa os limites de suas atribuições ou se desvia de suas
finalidades administrativas. O fragmento indica
a) uso do poder.
b) abuso de poder.
c) exercício do poder vinculado.
d) exercício do poder hierárquico.
e) exercício do poder de polícia.
67. (FGV - AJ I/TJ AM/2013) Em regra, o poder regulamentar deve ser exercido
pelo chefe do Executivo, tendo como base de sustentação uma lei prévia. No entanto,
a Constituição da República permite que o Presidente da República faça uso do
chamado decreto autônomo, que é editado sem fundamento em uma lei anterior.
Assinale a alternativa que apresenta o caso em que esse decreto poderá ser utilizado
sem que se configure uma ofensa à separação de poderes.
a) Na criação de cargos públicos.
b) Na criação de órgãos públicos.
c) Na extinção de órgãos e cargos públicos vagos.
d) Na extinção de cargos públicos vagos.
e) Na alteração da organização da administração pública, ainda que haja aumento de
despesas e desde que não haja a extinção ou criação de órgãos.
68. (FGV – Analista Judiciário Of. Justiça/TJ AM/2013) A administração pública
para atender às suas finalidades faz uso de uma série de poderes. Com relação a
esses poderes, assinale a afirmativa correta.
a) Os atos de polícia gozam da característica da autoexecutoriedade.
b) O poder regulamentar em regra poderá ser exercido de forma autônoma em relação
às leis, prescindindo dessas, pois retira sua validade da própria Constituição.
c) O poder hierárquico tem como característica a possibilidade de transferir a
titularidade da competência para a prática de atos administrativos.
d) Os atos de polícia não podem sofrer controle judicial no que tange a sua legalidade
pois são atos discricionários.
e) O poder hierárquico e poder disciplinar sempre são compreendidos como
sinônimos.
69. (FGV – Analista Técnico Administrativo/SUDENE PE/2013) Dentre os
poderes inerentes à administração pública encontra se o poder regulamentar. Com
relação a esse poder, analise as afirmativas a seguir.
I. O poder regulamentar sofre controle por parte do poder legislativo.
II. O poder regulamentar sofre controle judicial.
III. A Constituição Federal veda completamente a figura do Decreto Autônomo.

Assinale:
a) se apenas afirmativa I estiver correta.
b) se apenas a afirmativa II estiver correta.

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c) se apenas a afirmativa III estiver correta.


d) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.

GABARITO

1. E 11. E 21. E 31. C 41. D 51. E 61. A


2. C 12. E 22. C 32. X 42. C 52. D 62. B
3. E 13. C 23. E 33. C 43. C 53. D 63. A
4. E 14. E 24. C 34. C 44. C 54. E 64. A
5. C 15. E 25. C 35. C 45. B 55. B 65. E
6. E 16. E 26. E 36. E 46. B 56. A 66. B
7. C 17. E 27. E 37. C 47. E 57. E 67. D
8. E 18. E 28. E 38. B 48. D 58. E 68. A
9. E 19. E 29. E 39. C 49. B 59. E 69. E
10. X 20. D 30. E 40. A 50. E 60. D

REFERÊNCIAS

ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito administrativo descomplicado. 19ª Ed. Rio de
Janeiro: Método, 2011.

ARAGÃO, Alexandre Santos de. Curso de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2012.

BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 31ª Ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.

BARCHET, Gustavo. Direito Administrativo: teoria e questões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 27ª Edição. São Paulo: Atlas,
2014.

CARVALHO FILHO, José dos Santos. “Personalidade judiciária de órgãos públicos”. Salvador:
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Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 87 de 87

01851042580 - Joana Angélica Moreira de Jesus

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