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EXCELENTÍSSIMO (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL DA

COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG.

DARLAN EUSTÁQUIO DE MACEDO, solteiro, motorista, CPF 997.407.886-53,


RG MG-4804251, darlandamacedo420@gmail.com, residente e domiciliado na
Rua Maria Gertrudes Santos, nº 701 cs, bairro Ceu Azul, Belo Horizonte/MG,
CEP: 31.578-300, por suas advogadas que esta subscreve Camila Silva
Campos, advogada inscrita na OAB/MG sob o nº 153.157 e Denise de Sousa
Campos, advogada inscrita na OAB/MG sob o nº 155.913, vem,
respeitosamente, na presença de Vossa Excelência ajuizar a presente:

AÇÃO COM PEDIDO DE REVISÃO DE CONTRATO DE FINANCIAMENTO


DE VEÍCULO

em face de BV FINANCEIRA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E


INVESTIMENTO, Instituição financeira de direito privado, CNPJ
01.149.953/0001-89, com filial na Avenida das Nações Unidas, Vila Gertrudes,
14171, Torre A, 8 Andar, São Paulo, CEP: 04794-000, pelos fatos e
fundamentos a seguir expostos:
I. DO DIREITO DA PARTE AUTORA EM LITIGAR SOB O PÁLIO
DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

É o disposto na norma do artigo 4º da lei 1060/50, com as


alterações introduzidas pela Lei 7.510/86, para a concessão do benefício da
gratuidade de justiça, in verbis:

Art. 4º A parte gozará dos benefícios da assistência judiciária,


mediante simples afirmação, na própria petição inicial, de que não
está em condições de pagar as custas do processo e os
honorários de advogado, sem prejuízo próprio ou de sua família.
§ 1º Presume-se pobre, até prova em contrário, quem afirmar essa
condição nos termos da lei, sob pena de pagamento até o décuplo
das custas judiciais.

A parte autora é motorista. Contudo, desde outubro de 2018


tem como única renda aquela que recebe pelo auxílio doença concedido
pela Previdência Social após verificada a incapacidade laborativa do
autor, oriunda de um acidente ao qual foi vítima. Tal ocorrência ensejou
em maior dificuldade para a parte autora arcar com as despesas para sua
mantença e de seus dependentes de modo que imputar-lhe o ônus de
arcar com custas e despesas processuais implicaria em cerceamento ao
seu direito de acesso à justiça uma vez que é economicamente
hipossuficiente.

Dessa forma, considerando a realidade econômica da parte


autora, pede seja deferida a justiça gratuita, com fulcro na lei 1060/50, com as
alterações introduzidas pela Lei 7.510/86, por não ter condições de arcar com
as custas do processo sem o comprometimento da mantença própria e de seus
dependentes.

II. DOS FATOS

A parte autora realizou, com a parte Ré, contrato de empréstimo


para financiamento do veículo marca/modelo VW/VOYAGE 1.6 COMFORTL,
ano de fabricação 2012, placa EXS-3349.
O valor originário do contrato, objeto desta demanda, perfazia o
importe de R$42.900,00 (quarenta e dois mil e novecentos reais).

Pelo empréstimo a parte autora pagou R$13.800,00 (treze mil e


oitocentos reais) a título de entrada e se comprometeu a pagar 48 (quarenta
e oito) parcelas de R$ 1.035,01 (mil e trinta e cinco reais e um centavo),
cada uma, o que ao final totaliza o montante de R$ 63.480,48 (sessenta e três
mil quatrocentos e oitenta reais e quarenta e oito centavos).

Ocorreu que após a mudança da realidade fática da parte


autora, que passou a viver do benefício de auxílio doença, surgiram
várias dificuldades financeiras de modo que a partir de fevereiro de 2019
a parte autora não mais conseguiu realizar o pagamento das parcelas
contratadas.

Em razão disso, procurou um profissional técnico e, após consulta


e cálculos, verificou-se a existência de abusividade no contrato objeto desta
ação uma vez que, considerando a taxa média do mercado e o valor originário
do contrato, o valor das parcelas do negócio jurídico em questão deveria ser
em importe inferior àquele cobrado pela parte ré.

Saliente-se que, como de praxe nos negócios jurídicos de adesão,


a parte autora não recebeu a cópia do contrato realizado com a parte ré que,
mesmo tendo se comprometido a enviar a cópia para o endereço da parte
autora, até presente data, não o fez.

Não obstante, mesmo sem a cártula do contrato, vislumbra-se a


onerosidade imposta pela parte ré à parte Autora, na medida em que os
valores das parcelas indicam superfaturamento da parte ré, o que se faz
concluir pela presença de cobranças ilegais realizadas em face da parte autora,
fato que refletiu, de forma contributiva, no seu desequilíbrio econômico.

A constatação exata quanto a especificação das cláusulas


abusivas far-se-á quando a parte ré apresentar em juízo o contrato objeto desta
ação, o que consagrará a inversão do ônus da prova e, consequencialmente, a
facilitação da defesa e o equilíbrio das partes.

Também, é de notório conhecimento que as instituições


financeiras, assim como os bancos, comumente, além da abusividade na
cobrança dos juros e na cumulação indevida da comissão de permanência com
juros de mora e/ou juros remuneratórios, repassam aos consumidores, seus
clientes, a obrigação de pagar os valores correspondentes às taxas, tarifas e
encargos oriundos de despesas cujo fato gerador é a própria atividade
financeira que exercem.

Assim sendo, a parte autora almeja, num primeiro momento, que


este douto juízo determine à parte ré a apresentação incidental do contrato
objeto desta ação para que, ao final, o seja revisado e adequado à legislação
vigente, para, então, ser restabelecido o equilíbrio econômico entre as partes.

III. DO DIREITO

Conforme fundamentos jurídicos a seguir, se depreende a


legitimidade da parte autora em litigar com a pretensão de ter revisado o
contrato objeto da ação.

III.1. DA APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO


CONSUMIDOR AO CASO EM CONCRETO

A aplicação do código do consumidor ao caso em concreto é


providencia cujo entendimento é pacificado pela jurisprudência dos Tribunais
Estaduais bem como dos Tribunais Superiores.

Isso porque, o processo, como mecanismo de solução de


conflitos, deve atender aos fins sociais a que a lei se dirige bem como as
exigências do bem comum.
O contrato bancário objeto desta ação foi realizado entre as
partes para outorga de crédito ao contratante que, apenas para conhecimento,
após adimplemento, almeja a propriedade do bem alienado. Portanto, conclui-
se ser o contratante, ora parte autora, o destinatário final do produto oferecido
pela instituição financeira, ora parte ré.

Em relação à extensão do CDC às atividades bancárias, passíveis


de ensejar relações de consumo, leciona Nelson Nery Júnior que:

Para que se possa classificar um contrato de natureza bancária


como relação de consumo é preciso que analise a finalidade do
mesmo, exemplificando que havendo outorga do dinheiro ou do
crédito para que o devedor o utilize com o destinatário final
restaria configurada a relação de consumo. (Código de Defesa do
Consumidor – Comentado pelos autores do anteprojeto, Editora
Forense Universidade, 1991, p.305/307).

Ademais, a aplicação do código de defesa do consumidor ao


presente caso é matéria pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça no
Enunciado da Súmula 297. Vejamos: “O Código de Defesa do Consumidor é
aplicável às instituições financeiras”.

Portanto, inquestionavelmente, a aplicação das normas do Código


de Defesa do Consumidor é medida que se impõe ao presente caso.

III.2. DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Consoante disposto no artigo 6º, VIII, do código de defesa do


consumidor, a inversão do ônus probatório é medida processual adequada.
Vejamos:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:


VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando,
a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiência.

Em regra, o ônus da prova incumbe a quem alega o fato gerador


do direito mencionado ou a quem o nega fazendo nascer um fato modificativo,
conforme disciplina o artigo 373, incisos I e II do Código de Processo Civil.
Entretanto, o código de defesa do consumidor, representando uma atualização
do direito vigente e procurando amenizar a diferença de forças existentes entre
polos processuais onde se tem num ponto, o consumidor, como figura
vulnerável e noutro, o fornecedor, como detentor dos meios de prova que são
muitas vezes buscados pelo primeiro, e às quais este não possui acesso,
adotou teoria moderna que admite a inversão do ônus da prova justamente
para promover o equilíbrio entre as partes.

Acerca do instituto, leciona Nelson Nery Júnior:

O CDC permite a inversão do ônus da prova em favor do


consumidor, sempre que for hipossuficiente ou verossímil sua
alegação. Trata-se de aplicação do princípio constitucional da
isonomia, pois o consumidor, como parte reconhecidamente mais
fraca e vulnerável na relação de consumo (CDC 4º, I), tem de ser
tratado de forma diferente, a fim de que seja alcançada a
igualdade real entre os participes da relação de consumo. O inciso
comentado amolda-se perfeitamente ao princípio constitucional da
isonomia, na medida em que trata desigualmente os desiguais,
desigualdade essa reconhecida pela própria Lei. (Código de
Processo Civil Comentado, Nelson Nery Júnior et al, Ed. Revista
dos Tribunais, 4ª ed.1999, pág. 1805, nota 13).

O presente caso apresenta uma relação onde está caracterizada


a vulnerabilidade entre as partes, na medida em que o consumidor, parte
autora, foi tolhido ao direito de ter acesso a sua via do contrato, o que
impossibilita a demonstração, pelos meios ordinários, da prova do fato que
pretende produzir.

Diante o exposto, com os fundamentos acima pautados, a parte


autora requer a inversão do ônus da prova, para que este Douto Juízo
determine ao réu a demonstração das provas inerentes ao objeto desta
demanda, especificamente para que apresente o contrato objeto desta ação,
haja vista ser prova documental que está em sua posse exclusiva.

III.4. DO DIREITO

Para regular processamento da presente ação revisional é


indispensável a observância à norma processual vigente, especialmente,
aquela prevista no artigo 300, §2º do código de processo civil bem como a
abordagem acerca do mérito cujas razões que ensejam a revisão do contrato
objeto, na forma almejada pela parte autora, devem ser abordadas de forma
clara e objetiva de modo a torna clarividente a causa de pedir e os pedidos,
além, reitere-se, do preenchimento dos requisitos processuais.

III.4.1. DA DISCRIMINAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES


CONTRATUAIS QUE PRETENDE CONVERTER

A relação jurídica existente entre as partes se originou no


momento em que realizaram contrato de empréstimo para financiamento de um
veículo.

Portanto, pela natureza jurídica do contrato objeto desta


demanda, nos termos da legislação processual, a parte autora deve
“discriminar, na petição inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas que
pretende controverter, além de quantificar o valor incontroverso do débito”.

A parte autora almeja a procedência desta ação para afastar os


encargos contratuais ilegais. E, nessa seara, litiga com a pretensão de que:

- seja afastada a cobrança da comissão de permanência


cumulada com os juros de mora;

- seja afastada a cobrança da comissão de permanência


cumulada com juros remuneratórios;

- seja afastada a capitalização dos juros, se não prevista no


contrato;

- se pactuada a capitalização dos juros remuneratórios, que seja


sua cobrança feita com periodicidade inferior a um ano;

- sejam os juros decotados até o limite da taxa de mercado;


- sejam os valores correspondentes ao custo interno do banco
(tarifas, encargos e taxas administrativas) indevidamente repassados ao
consumidor decotados do seu débito ou, em sendo o caso, restituídos em
dobro ou, subsidiariamente, na forma simples;

- seja descaracterizada a mora na hipótese de identificada a


cobrança de encargos ilegais durante o período de normalidade.

Assim sendo, está cumprida a primeira parte da norma processual


do artigo 330, §2º do código de processo civil, ou seja, restam discriminadas as
obrigações que pretende a parte autora controverter.

III.4.2. DO VALOR INCONTROVERSO

A legislação processual prevê que, além de discriminar as


obrigações contratuais que pretende controverter, a parte autora deve
quantificar o valor que entende devido, ou, incontroverso.

É verdade que a parte autora está com grande dificuldade


financeira e que, após consultar um profissional financeiro, se deparou com a
possibilidade real de estar sofrendo cobrança indevida oriunda de repasse de
encargos ilegais.

Conforme explanado no início desta petição inicial, a parte autora


não recebeu sua via do contrato objeto desta demanda. Entretanto, mediante
conhecimento do valor inicial do empréstimo e quantidade das parcelas fez-se
possível constatar a incidência de encargos que oneram excessivamente o
consumidor na medida em que esse, para adimplemento do empréstimo, nos
termos contratados, deverá realizar o pagamento de 48 (quarenta e oito)
parcelas no importe de R$1.035,01 (mil e trinta e cinco reais e um centavo),
cada uma.

Considerando a taxa de mercado, conclui-se que a parte ré está


cobrando valor acima do permissivo, pois se aplicada a taxa média do
mercado, deveriam as parcelas contratadas serem no importe de R$806,31
(oitocentos e seis reais e trinta e um centavos).

Assim sendo, temos:

a. Valor da parcela originária contratada: R$1.035,01;


b. Valor controverso da parcela: R$228,70;
c. Valor incontroverso da parcela: R$806,31.

É inquestionável que a colação da desenvoltura do mútuo com


todas as nuances acerca dos débitos e créditos e a identificação de todos os
expurgos almejados somente seria possível mediante laudo técnico emitido por
um profissional contábil financeiro, ou especialista em engenharia financeira ou
outro profissional equivalente, o que demandaria um custo elevadíssimo.

Nessa situação, a parte autora apresenta valores estimados como


controversos e incontroversos, depurados mediante cálculo simples que
considerou o valor inicial do empréstimo, a quantidade de parcelas e a taxa
média do mercado.

Os valores quantificados e indicados nesta petição inicial devem,


ao melhor juízo, ser considerados como controvertidos pois do contrário, se
instada a parte autora a apresentar cálculos precisos e complexos com sua
petição inicial, haveria o afastamento da possibilidade de utilizar um auxiliar da
justiça, no caso, um contador, que pode e deve, justamente, fazer o trabalho
técnico financeiro que exige a demanda, sob pena de afronta à disposição
constitucional de igualdade entre as partes e ao princípio da contribuição mútua
entre todos os envolvidos no processo judicial.

Nesse interim, atendidos os requisitos previstos pela legislação


processual, a parte autora pede o recebimento desta ação por este Douto
Juízo, para seu regular processamento e, ao final, o julgamento pela
procedência dos seus pedidos, pelos fundamentos jurídicos que passa a expor.

III.4.3. DA CAPITALIZAÇÃO DO JUROS

A matéria atinente à capitalização dos juros foi pacificada pelo


Superior Tribunal de Justiça que sedimentou o entendimento pela
impossibilidade da cobrança quando essa não estiver pactuada no contrato
firmado entre as partes.

Ou seja, a capitalização dos juros é possível quando pactuada


nos contratos celebrados a partir de 31.3.2000, data de publicação da MP
1.963 -17, reeditada sob o n. 2.170 -36/01 (AgRg no REsp 1052336 / MS).

No enunciado da sua súmula 121, o Superior tribunal Federal


determina que que "é vedada a capitalização de juros, ainda que
expressamente convencionada ".

Todavia, o enunciado da súmula supracitada data de 1963. E, por


outro lado, a posição consagrada pelo STJ tem como fundamento a MP 2170 -
36/2001.

Nesse sentido, observa-se que a legislação que trata da Cédula


de Crédito Bancário admite a cobrança de juros capitalizados mensalmente,
mas desde que expressamente pactuados no contrato, conforme dispõe a Lei
nº 10.931/04, em seu artigo 28. Vejamos:

Art. 28. A Cédula de Crédito Bancário é título executivo


extrajudicial e representa dívida em dinheiro, certa, líquida e
exigível, seja pela soma nela indicada, seja pelo saldo devedor
demonstrado em planilha de cálculo, ou nos extratos da conta
corrente, elaborados conforme previsto no § 2o.
§ 1o Na Cédula de Crédito Bancário poderão ser pactuados: I
- os juros sobre a dívida, capitalizados ou não, os critérios de sua
incidência e, se for o caso, a periodicidade de sua capitalização,
bem como as despesas e os demais encargos decorrentes da
obrigação;

Nesse sentido, se inexistente cláusula expressa ajustando a


cobrança de juros capitalizados, e sua periodicidade, há de ser afastada a
cobrança.

Portanto, desde que pactuada, é cabível a capitalização dos juros


remuneratórios, com periodicidade inferior a um ano, nos contratos bancários
celebrados a partir de 31 de março de 2000, data da publicação da primitiva
edição da atual MP nº. 2170 -36/2001 (AgRg no REsp 899490 / DF).

Assim sendo, não havendo previsão expressa, no contrato objeto


da presente ação, de incidência de juros capitalizados, com periodicidade
inferior a um ano, a parte autora pede seja revisado o contrato para decotar do
valor das parcelas os juros cobrados na forma capitalizada.

III.4.4. DA COMISSÃO DE PERMANÊNCIA E OUTROS


ENCARGOS

Conforme já informado a este Douto Juízo, a parte autora, quando


da propositura da presente ação, encontrava-se inadimplente visto que, diante
sua indisponibilidade financeira, deixou de realizar o pagamento da sua
contraprestação a partir da parcela vencida em fevereiro de 2019.

A resolução 1.129/86 do Banco Central, determina que:

O BANCO CENTRAL DO BRASIL, na forma do artigo 9º da Lei nº.


4.595 /64, de 31/12/64, torna público que o CONSELHO
MONETÁRIO NACIONAL, em sessão realizada nesta data, tendo
em vista o disposto no artigo 4º , inc. VI e XI , da referida Lei: I -
Facultar aos bancos comerciais, bancos de desenvolvimento,
bancos de investimento, caixas econômicas, cooperativas de
crédito, sociedade de crédito, financiamento e investimento e
sociedades de arrendamento mercantil cobrar de seus devedores
por dia de atraso no pagamento ou na liquidação de seus débitos,
além de juros de mora na forma da legislação em vigor, comissão
de permanência ", que será calculada às mesmas taxas pactuadas
no contrato original ou à taxa de mercado do dia do pagamento.

Da leitura da citação acima, depreende-se a possibilidade de


incidência da comissão de permanência e juros de mora. Contudo, sobre a
matéria, o Superior Tribunal de Justiça sumulou o seguinte entendimento:

SÚMULA 30 A comissão de permanência e a correção monetária


são inacumuláveis.

SÚMULA 296 Os juros remuneratórios, não cumuláveis com a


comissão de permanência, são devidos no período de
inadimplência, à taxa média de mercado estipulada pelo Banco
Central do Brasil, limitada ao percentual contratado.

É abusiva a cobrança da comissão de permanência cumulada


com outros encargos moratórios/remuneratórios, ainda que expressamente
pactuado.

Caracterizada a mora do devedor, estando pactuada a incidência


da comissão de permanência, impõe-se o afastamento da correção monetária
e dos juros, sejam eles remuneratórios (compensatórios), ou, de mora.

É o que determina o STJ, em reiteradas decisões:

É admitida a cobrança da comissão de permanência durante o


período de inadimplemento contratual, calculada pela taxa média
de mercado apurada pelo BACEN, limitada à taxa do contrato, não
podendo ser cumulada com a correção monetária, com os juros
remuneratórios e moratórios, nem com a multa contratual. (AgRg
no Ag 877081 / RS) .

Assim, na hipótese de verificada a estipulação contratual pela


cobrança de comissão de permanência com outros encargos moratórios, esses
devem ser afastados.

O ordenamento jurídico é pacífico quanto a inadmissibilidade da


cobrança da comissão de permanência cumulada com outros encargos de
mora em razão de esse instituto já possuir a dupla finalidade de corrigir
monetariamente o valor do débito e de remunerar o banco pelo período de
mora contratual.
Assim sendo, verificada a pactuação para incidência da comissão
de permanência, a autora pede que sua cobrança não seja cumulada com a
correção monetária, juros de mora e juros remuneratórios.

III.4.5. LIMITAÇÃO DE JUROS REMUNERATÓRIOS

Superada a inaplicabilidade da comissão de permanência


cumulada com outros encargos de mora, ou seja, correção monetária, juros de
mora e remuneratórios, mister atentar à possibilidade de previsão contratual da
cobrança isolada dos juros remuneratórios.

Os juros remuneratórios é a remuneração das instituições


financeiras pelo financiamento do produto ou serviço, ou seja, pelo
fornecimento do recurso para aquisição do produto ou serviço.

Comumente são cobrados em percentual superior ao permissivo


legal. Contudo, devem ser cobrados através de estipulação balizada aos
regulamentos emitidos pelo Banco Central do Brasil.

Ocorre que, as instituições financeiras com objetivos de auferirem


maiores lucros em suas operações, corriqueiramente, estipulam taxas
exorbitantes, o que resulta em desvantagem dos consumidores na relação
contratual e, por outro lado, proporcionam àquelas instituições enriquecimento
sem causa.

Nesse sentido, na hipótese de previsão de juros remuneratórios


no contrato objeto da ação, não cumuláveis com a comissão de permanência,
deverão ser limitados à taxa média de mercado, limitado ao percentual
contratado.
Nesse sentido vejamos o que prevê o enunciado da súmula 296
do Superior Tribunal de Justiça:

Os juros remuneratórios, não cumuláveis com a comissão de


permanência, são devidos no período de inadimplência, à taxa
média de mercado estipulada pelo Banco Central do Brasil,
limitada ao percentual contratado.

No caso em concreto, por se tratar de contrato de empréstimo,


os juros remuneratórios devem ser consignados no respectivo instrumento,
limitando-se à média de mercado nas operações em espécie.

Entretanto, considerando que, reiteradas vezes, a taxa


estipulada e contratada não é a taxa efetivamente cobrada sendo, em muitos
casos, superior à taxa média, o conhecimento acerca da sua real incidência
somente é possível mediante prova técnica financeira.

Dessa forma, depurada a abusividade na cobrança dos juros


remuneratórios, no caso em concreto, a parte autora pede a revisão do
contrato objeto da presente ação para limitar os juros remuneratórios à taxa
média do Banco Central do Brasil à época da contratação.

III.4.6. DO REPASSE INDEVIDO DE TAXAS, TARIFAS E


ENCARGOS ADMINISTRATIVOS

Comumente, são repassados, indevidamente, ao consumidor o


custo administrativo da operação do contrato de empréstimo.

O repasse dos custos administrativos, inerentes ao


desenvolvimento da atividade empresa das instituições financeiras, coloca o
consumidor em desvantagem exagerada e o obriga a ressarcir as despesas
administrativas, sem que igual direito lhe seja conferido em face do fornecedor.

É cediço que o consumidor, ora parte autora, não deve ser


constrangido a se submeter às disposições que o sufocam e corroboram para
seu estado de hipossuficiência, circunstância que justifica a intervenção
judiciária para eventual acertamento, como ocorre no caso.

Não bastassem os altos índices de lucro dos Bancos e das


Instituições financeiras de nosso País, essas ainda utilizam da negligência e da
falta de conhecimento dos consumidores para deles exigirem a cobrança de
uma série de taxas, tarifas e encargos administrativos quando na celebração
do contrato.

No caso sub judice, conforme cláusula “5.5” do contrato objeto da


ação ora proposta, o banco réu fez o repasse dos seguintes valores:

Sabe-se que o repasse dos valores correspondentes às taxas,


tarifas e encargos financeiros constitui enriquecimento sem causa das
instituições financeiras, pois há dupla remuneração pelo mesmo serviço
prestado, o que denota claramente vantagem exagerada para as instituições
bancárias e ônus exacerbado ao consumidor. E, portanto, também objeto da
revisão contratual almejada pela parte autora.

Para melhor elucidação dos fundamentos jurídicos acerca da


ilegalidade no repasse, à parte autora, dos valores referentes à tarifa de
cadastro, registro de contrato, seguro auto RCF e prestamista bem como
cap. Parcela premiável, cabe a abordagem particular a cada um dos encargos
financeiros administrativos citados, inerentes ao desenvolvida da empresa
exercida pela parte ré.

A cobrança de tarifa pressupõe a contraprestação de um serviço.


No caso, portanto, a ilegalidade no repasse do valor correspondente à tarifa de
cadastro se perfaz na medida em que inexiste contraprestação, ou seja, não
existe um serviço prestado ao consumidor, ora parte autora, que justifique essa
cobrança.

A pesquisa sobre dados cadastrais para concessão de crédito é


atividade inerente ao desenvolvimento da empresa exercida pelo banco réu e
não caracteriza serviço prestado ao consumidor/parte autora.

Isso porque é inimaginável a concessão de crédito sem uma


pesquisa sobre o destinatário desse crédito, um ônus a ser suportado pelo
fornecedor, ora banco réu, pois diminui o risco do negócio.

Assim sendo, sendo a finalidade da tarifa de cadastro o


pagamento pela realização de pesquisas com serviços de crédito, em base de
dados e informações cadastrais e o tratamento de dados e informações
levantadas, conclui-se que o objetivo de sua cobrança é para adimplir os
custos administrativos do próprio banco réu e, portanto, esse custo deve ser
suportado, exclusivamente, por essa instituição pois inerente ao
desenvolvimento da atividade empresarial.

Ademais, na hipótese de entendimento deste douto juízo pela


legalidade do repasse da tarifa de cadastro à parte autora, considerando que o
valor respectivamente cobrado é excessivo, pois onera demasiadamente a
parte autora, pede subsidiariamente a redução do valor cobrado a título de
tarifa de cadastro.

Em segunda análise, urge salientar que após a Resolução do


Conselho Monetário Nacional nº 3.518/2007, em vigor a partir de 30.04.2008, a
cobrança dos serviços bancários para as pessoas físicas ficou limitada às
hipóteses taxativamente previstas em norma padronizadora expedida pela
autoridade monetária.

Nesse sentido, é descabido o repasse do valor gasto com


registro de contrato, porquanto não autorizado pelo Banco Central quando da
edição da Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 3.518/2007.
Acerca da avaliação de bem, prospera nos tribunais estaduais o
entendimento de que somente é possível o repasse se ocorrer a efetiva
comprovação dos serviços prestados, tal entendimento tem força no seguinte
trecho do Resp. 1.578.533/SP. Vejamos:

Sob a ótica do direito do consumidor, entretanto, cumpre fazer


algumas ressalvas, com base nas questões que foram suscitadas
nos recursos afetados. A primeira delas diz respeito à cobrança
por serviço não efetivamente prestado. Essa controvérsia é
frequente quanto à tarifa de avaliação do bem dado em
garantia, pois os consumidores são cobrados pela avaliação
do bem, sem que tenha havido comprovação da efetiva
prestação desse serviço. No caso dos recursos ora afetados, por
exemplo, as instituições financeiras não trouxeram, em suas
contestações, nenhum laudo de avaliação, que comprovasse a
efetiva prestação de serviço de avaliação de veículo usado.
Observe-se que, como o contrato de financiamento é destinado à
aquisição do próprio bem objeto da garantia, a instituição
financeira já dispõe de uma avaliação, que é aquela realizada pelo
vendedor ao estipular o preço (expresso no contrato e na nota
fiscal) (...) Assim, ressalvada a efetiva avaliação do bem dado em
garantia, é abusiva a cláusula prevê a cobrança desse tipo de
tarifa sem a efetiva prestação do serviço, pois equivale a uma
disposição antecipada de direito pelo consumidor (o direito de
somente pagar por serviço efetivamente prestado). É dizer que o
consumidor paga antecipadamente por um serviço (avaliação do
veículo), que não será necessariamente prestado.

Nesse sentido, “ressalvada a efetiva avaliação do bem dado em


garantia, é abusiva a cláusula prevê a cobrança desse tipo de tarifa sem a
efetiva prestação do serviço, pois equivale a uma disposição antecipada de
direito pelo consumidor” (grifo nosso).

E, assim sendo, não tendo o banco réu comprovado à parte


autora a realização do serviço de avaliação do bem o repasse do valor
correspondente à “tarifa de avaliação de bem” deve ser declarado como
indevido e o respectivo valor decotado no débito da parte autora.

O banco réu também repassou à parte autora, quando da


realização do contrato, a cobrança do seguro auto RCF e seguro
prestamista nos valores, respectivos, de R$751,66 (setecentos e cinquenta e
um reais e sessenta e seis centavos) e R$979,00 (novecentos e setenta e nove
reais) que, juntos, somam a absurda monta de R$1.730,66 (mil setecentos
e trinta reais e sessenta e seis centavos).

A despeito disso, saliente-se que a parte autora ofereceu


resistência ao pagamento dos seguros, já que não tinha interesse na
contratação dos mesmos. Inobstante, o banco réu, arbitrariamente, afirmando
pela indispensabilidade do seguro auto RCF e do seguro prestamista,
inseriu os respectivos valores no contrato objeto da ação ora proposta de modo
que somente nesses termos seria possível o financiamento do veículo.

Verifica-se, em verdade, que, como de costume das instituições


bancárias, a parte autora foi vítima da prática de “venda casada”.

O Superior Tribunal de Justiça publicou, em 17 de dezembro de


2018, o acórdão de mérito dos Recursos Especiais nº 1.639.320/SP e nº
1.639.259/SP, representativos da controvérsia repetitiva descrita no Tema 972,
na qual se discute a delimitação de controvérsia no âmbito dos contratos
bancários sobre:

(i) validade da tarifa de inclusão de gravame eletrônico;


(ii) validade da cobrança de seguro de proteção financeira;
(iii) possibilidade de descaracterização da mora na hipótese de se
reconhecer a invalidade de alguma das cobranças descritas nos itens
anteriores.

Do julgamento pelo STJ acerca das matérias delimitadas, dentre


as teses, firmou-se o entendimento de que nos contratos bancários em geral, o
consumidor não pode ser compelido a contratar seguro com a instituição
financeira.

Portanto, é arbitrário o repasse do valor de R$1.730,66 (mil


setecentos e trinta reais e sessenta e seis centavos), a título de cobrança
do seguro auto RCF e seguro prestamista, porque não solicitado pela parte
autora que, antes pelo contrário, conforme narrado acima, não manifestou
interesse na contratação dos seguros e, mesmo assim o banco réu imputou o
pagamento à parte autora; também, porque não foi provado a que fim se
destinam os seguros, não prestando para legitimar a cobrança desse repasse o
apontamento simplista constante da cártula do contrato objeto da presente
ação.

Dessa forma, a parte autora pede seja declarada indevido o valor


cobrado pelo bando réu a título de cobrança do seguro auto RCF e seguro
prestamista e, por consequência, seja o referido valor abatido do valor do total
da dívida.

Por fim, e não menos importante e oneroso à parte autora,


também lhe foi repassado o valor de R$223,02 (duzentos e vinte e três reais e
dois centavos) a título de cap. parcelamento premiável.

Esse repasse é arbitrário na medida que não foi informado à parte


autora e também porque inexistente na cártula do contrato a indicação do fim a
que se destina a parcela denominada cap. parcelamento premiável.

Portanto, inexistentes os termos e condições desse título de


capitalização, e ausentes maiores esclarecimentos a respeito no contrato, deve
ser declarado como indevido o repasse do cap. parcelamento premiável e,
por desdobramento lógico, o valor correspondente a esse encargo e pago deve
ser restituído à parte autora ou, em sendo o caso, abatido do valor do débito.

Diante exposto, provado o repasse dos valores referentes ao


custo operacional inerente ao desenvolvimento da atividade empresarial da
parte ré, a parte autora pede a revisão do contrato também para decotá-los
conforme os limites regulamentados pelo ordenamento jurídico. Ou, se
depurado que já satisfeito o débito da parte autora, pede a repetição do
indébito dos valores cobrados e correspondentes aos custos administrativos
ou, subsidiariamente, na sua forma simples.
III.4.7. DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO EM DOBRO DOS
VALORES INDEVIDAMENTE PAGOS

A repetição do indébito é o instituto jurídico que resguarda o


direito da devolução de uma quantia paga desnecessariamente. É instituto de
direito privado, com previsão legal tanto no Código Civil, quanto no Código de
Defesa do Consumidor.

Tendo em vista a cobrança de encargos, tarifas e taxas indevidas,


a exigência dos juros moratórios cumulada com a comissão de permanência,
dentre outras que possam a vir se restar comprovada nos autos, tem a parte
autora de ser ressarcido em dobro, haja vista a parte ré ter infringido o Art. 42
do Código de Defesa do Consumidor.

O Código Civil, em seu artigo 876, dispõe que "todo aquele que
recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir". Desta forma,
quando foi efetuado um pagamento indevido, este deve ser restituído com a
devida correção monetária, para que não seja configurado o enriquecimento
sem causa. Acerca do tema, no artigo 940 daquela códex está previsto:

Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou EM PARTE,


sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que for
devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, O
DOBRO DO QUE HOUVER COBRADO e, no segundo, o
equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição.

Neste sentido, resta claro que o Consumidor continua obrigado a pagar


a dívida – que não é negada, em nenhuma das alegações nesta peça vestibular -
entretanto, tem o direito de reaver o que pagou indevidamente junto à Instituição
Financeira, configurada pela repetição do indébito.

O doutrinador Luiz Cláudio Carvalho de Almeida entende pela


repetição de indébito em dobro no caso de cobrança indevida de dívida oriunda
de relação de consumo como hipótese de aplicação dos punitives damages no
direito brasileiro, visto que é “indenização fixada com o intuito de punir o agente
da conduta causadora do dano cujo ressarcimento é autorizado pela lei em
favor da vítima”.

Neste sentido, o artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor


dispõe que:

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não


será exposto a ridículo, nem será submetido a qual tipo de
constrangimento ou ameaça.
Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem
direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que
pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros
legais, salvo hipótese de engano justificável.

Em conformidade com o entendimento aqui apresentado, o


Tribunal de Justiça de Minas Gerais - TJMG decidiu:

EMENTA: CONTRATOS BANCÁRIOS - INVERSÃO DO ÔNUS


DA PROVA - ENCARGOS ABUSIVOS - VEDAÇÃO DA
CAPITALIZAÇÃO DE JUROS - INCIDÊNCIA DA LEI DE USURA -
COMISSÃO DE PERMANÊNCIA - CUMULAÇÃO COM
CORREÇÃO MONETÁRIA - IMPOSSIBILIDADE - RESTITUIÇÃO
DO EXCESSO - CABIMENTO - É devida a restituição em dobro
do valor pago indevidamente pelo consumidor, em contratos de
mútuos cujas cláusulas abusivas tenham sido declaradas nulas
pelo Poder Judiciário (artigo 42, parágrafo único, da Lei nº
8.078/90).”

No acórdão supracitado, foi expressamente admitida a repetição


de indébito em dobro (art. 42 do CDC), em caso de nulidade contratual por
abusividade do fornecedor.

Imperioso trazer à baila o julgado do Superior Tribunal de Justiça:

Quem recebe pagamento indevido deve restituí-lo para obviar o


enriquecimento sem causa. Não importa se houve erro no
pagamento. Confira-se: REsp 345.500/DIREITO, AgRg no Ag
425.305/NANCY e REsp 79.448/PASSARINHO.”

Nesse contexto, em se tratando de relação de consumo,


prescinde de ser judicial a cobrança, para aplicação da repetição da quantia em
dobro, em favor do consumidor, o que figura o caso em tela.

É a jurisprudência do STJ:
RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO.
TARIFA DE ÁGUA E ESGOTO. ENQUADRAMENTO NO REGIME
DE ECONOMIAS. CULPA DA CONCESSIONÁRIA.
RESTITUIÇÃO EM DOBRO. 1. O art. 42, parágrafo único, do
CDC estabelece que "o consumidor cobrado em quantia
indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao
dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção
monetária e juros legais, salvo hipótese de engano
justificável". 2. Interpretando o referido dispositivo legal, as
Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte de
Justiça firmaram orientação no sentido de que "o engano, na
cobrança indevida, só é justificável quando não decorrer de
dolo (má-fé) ou culpa na conduta do fornecedor do serviço"
(REsp 1.079.064/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin,
DJe de 20.4.2009). Ademais, "basta a culpa para a incidência
de referido dispositivo, que só é afastado mediante a
ocorrência de engano justificável por parte do fornecedor"
(REsp 1.085.947/SP, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJe
de 12.11.2008). Destarte, o engano somente é considerado
justificável quando não decorrer de dolo ou culpa. (...) Assim,
caracterizada a cobrança abusiva, é devida a repetição de indébito
em dobro ao consumidor, nos termos do parágrafo único do art. 42
do CDC. 4. Recurso especial provido. (STJ 1ª turma Min. Rel.
Denise Arruda REsp 1084815/SP DJ 5.8.2009)

Destarte, é cristalino que o consumidor cobrado em quantia


indevida tem direito à repetição do indébito, em valor igual ao dobro do que foi
pago, visto que a instituição financeira recebera o que não lhe era devido
conscientemente.

VI. DOS PEDIDOS

Face o exposto, requer:

1. Seja a presente demanda recebida por este Douto Juízo para


regular processamento e julgamento;

2. A concessão da justiça gratuita a parte autora, nos termos da


Lei 1.060/50 e Lei nº 13.105/15, por ser pobre na acepção
legal, não possuindo condições para arcar com as custas e
despesas do processo;
3. A inversão do ônus da prova, nos termos da norma do art. 6º,
VIII, da Lei. 8.078/90, especialmente para exibição incidental
ao juízo do contrato objeto da lide;

4. A citação da parte ré, no endereço indicado no preâmbulo,


para, querendo, no prazo, legal apresentar sua defesa, sob
pena de revelia e confissão;

Pede:

5. Seja julgado procedente o pedido de revisão do contrato objeto


desta ação, para:

5.1. Excluir do encargo mensal os juros capitalizados, se não


pactuados;

5.2. Em caso de inadimplência da parte autora, que seja afastada a


cobrança da comissão de permanência cumulada aos outros
encargos de mora, quais sejam, juros moratórios, juros
remuneratórios, correção monetária e multa contratual;

5.3. Na eventualidade de previsão isolada de cobrança dos juros


remuneratórios, que sejam esses limitados à taxa mensal de
12%(doze por cento) ao ano ou, subsidiariamente, à taxa
média do mercado à época da contratação;

5.4. Sejam todos os valores correspondentes aos encargos, tarifas


e taxas administrativas, de custo interno e inerentes ao
desenvolvimento da atividade empresarial da parte ré ( tarifa de
cadastro, tarifa de avaliação de bem, registro de contrato,
seguro auto RCF, seguro prestamista, cap. parcelamento
premiável), decotados do contrato objeto da ação/abatidos no
débito existente ou, se inexistente o débito ou se maior o
crédito da parte autora em face do débito acerca do contrato
sub judice que seja deferida a repetição do indébito dos valores
cobrados indevidamente, ou, subsidiariamente, na sua forma
simples.

6. Seja a parte ré condenada, por definitivo, a não inserir o nome


do Autor junto aos órgãos de restrições, bem como a não
promover informações à Central de Risco do BACEN e seja o
mesmo mantido na posse do veículo em destaque nesta
querela, sob pena de pagamento da multa evidenciada em
sede de pedido de tutela antecipada;

7. Caso sejam encontrados valores cobrados a maior durante a


relação contratual, sejam os mesmos devolvidos a parte autora
em dobro (repetição de indébito), ou subsidiariamente, por
restituição simples, ou, ainda de forma subsidiária aos demais
pedidos deste item do pedido, sejam compensados os valores
encontrados com eventual valor ainda existente como saldo
devedor;

8. A condenação da parte ré ao pagamento das custas e


despesas processuais bem como dos honorários advocatícios
sucumbenciais em importe correspondente a 20% (vinte por
cento) sobre o valor da condenação;

9. A produção de todos os meios de prova em direito admitidas,


especialmente documental e pericial, sem prejuízo de qualquer
uma delas.

Informa que não tem interesse na realização de audiência de


tentativa de conciliação considerando que a designação do ato resultaria em
atraso ao regular processamento do feito uma vez que, comumente, os bancos
e instituições financeiras, quando aparecem nas audiências, não apresentam
proposta de acordo pelo que pugna pela não designação de audiência de
tentativa de conciliação ou, entendendo este Douto Juízo pela sua
necessidade que a marcação seja feita após a formação da relação processual,
salvo se a parte ré manifestar desinteresse, hipótese em que a audiência não
deverá ser designada nos termos do artigo 334, §4º, I do CPC.

Por fim, requer que todas as intimações concernentes ao presente


feito sejam feitas em nome de Camila Silva Campos, OAB/MG 153.157 e
Denise Sousa Campos, OAB/MG 155.913, ambas com escritório profissional
para desenvolvimento do trabalho referente a presente demanda, localizado no
endereço Avenida Waldomiro Lobo, nº 681, 3º andar, Guarani, Belo
Horizonte/MG, sob pena de nulidade.

Dá-se a causa o valor de R$ 10.977,60 (dez mil novecentos e


setenta e sete reais e sessenta centavos).

Termos em que pede Deferimento.

Belo Horizonte, 27 de março de 2019.

CAMILA SILVA CAMPOS DENISE SOUSA CAMPOS


OAB/MG 153.157 OAB/MG 155.913